quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os sons dos 80: 1980


Bem vindos a 1980. No dia de Ano Novo, Cliff Richard recebe da rainha Isabel II a ordem de cavaleiro do império britânico, e no dia 13 os Beach Boys, os Grateful Dead e os Jefferson Starship dão um concerto no Coliseu de Oakland a favor do Cambodja. A 16 de Janeiro Paul McCartney é detido no aeroporto de Tóquio na posse de algumas gramas de marijuana, o que leva o seu grupo, os Wings, a cancelar os concertos programados no Japão, e é libertado nove dias depois. Fevereiro é o mês em que David Bowie se divorcia da sua primeira esposa, Angie, e Lou Reed casa com Sylvia Morales, enquanto Bon Scott, vocalista dos AC/DC, encontra a morte por hipotermia após uma longa noite a consumir álcool num bar em Londres. Em Março o produtor musical da Motown, Quincy Jones, ganha uma estrela no passeio da fama em Hollywood, e a 13 de Abril o musical "Grease" é apresentado pela última vez na Broadway, num total de 3388 exibições, um recorde até hoje. A 18 de Maio morre Ian Curtis, vocalista dos Joy Division, e a 16 de Agosto realiza-se o primeiro festival "Monsters of Rock" em Donington Park, Inglaterra. A 31 de Agosto Karen Carpenter casa com o empresário Thomas Burris, em 13 de Setembro Elton John dá um concerto grátis em Central Park para 400 mil pessoas, fazendo um "encore" vestido de Pato Donald, e a 4 de Dezembro os Led Zeppelina anunciam a sua separação após a morte do baterista John Bonham. A oito de Dezembro John Lennon é assassinado, e seis dias depois realiza-se o seu funeral, com 100 mil fãs a respeitarem dez minutos de silêncio em Central Park. Eis alguns dos singles que andaram pelos tops nesse primeiro ano da louca década de 80:


Depois do álbum "Animals", de 1977, os Pink Floyd fazem uma pausa durante a qual Roger Waters começa a planear uma ópera-rock e um álbum conceptual, e assim em Abril de 1979 o grupo volta a reunir-se para gravar "The Wall". O filme e a ópera ficam longe de ser uma obra de arte, mas a música torna-se imortal. O segmento "Another Brick in the Wall" divide-se em três partes, num total de nove minutos, sendo a parte II a mais conhecida, que inclui o refrão "hey, teachers, leave the kids alone!", que todos conhecem. O single saíu a 23 de Novembro de 1979, e foi um "best-seller" em 1980. É mais fácil dizer os países onde não chegou ao 1º lugar do top: Bélgica, Itália e Espanha (2º lugar) e Países Baixos (3º).


O maior êxito da J. Geils Band, um grupo de Massachusets formado em 1967 foi sem dúvida "Centerfold", de 1981, mas não resisto a escolher este "Love Stinks", do ano anterior, para fazer a menção honrosa do grupo nesta rubrica. Apesar de ter sido apenas nº 38 na Billboard, o tema fala de uma relação amorosa que acaba mal, e foi inspirado no casamento falhado entre o vocalista Peter Wolf e a actriz Faye Dunaway. "Love Stinks", ou em português "o amor tresanda", foi interpretada por Adam Sandler para o filme "The Wedding Singer", de 1998.


Os britânicos Supertramp tiveram o seu apogeu em 1979 com o álbum "Breakfast in America", que incluía aquele que é sem dúvida o seu tema mais conhecido, "Logical Song". No ano seguinte lançaram o seu primeiro álbum ao vivo, o duplo "Paris", que como o nome indica foi gravado durante um concerto na capital francesa. Os maiores êxitos do grupo estão incluídos, e claro que "Logical Song" não podia faltar.


Os Village People são um grupo nova-iorquino originário do distrito de Greenwich Village - daí o seu nome. Formados em 1977, na era da disco, ficaram famosos por temas como "Y.M.C.A.", "In The Navy", "Macho Man" ou "Go West", e a sua postura muito particular, com os elementos do grupo a encarnarem alguns dos maiores estereotipos da sociedade norte-americana. Na ressaca da disco lançaram em 1980 o álbum "Can't Stop the Music", de onde saíu este single com o mesmo nome. O impacto nos principais mercados foi quase nulo, registando-se o nº 11 no top do Reino Unido, mas fez sucesso no outro lado do mundo, com o nº 1 na Austrália e nº 2 na Nova Zelândia. Se calhar a moda "disco" demorou mais tempo a chegar lá.


Os Blondie, de que já aqui tinha falado, foi um dos grupos de maior sucesso na transição entre o "punk" e a "new wave", que coincidiu com a mudança das décadas de 70 para 80. O single "Atomic", do álbum de 1979 "Eat to the Beat" chegou a nº 1 do top do Reino Unido em Fevereiro do ano seguinte, e muitos anos depois foi tema da campanha da Coca-Cola durante o mundial de futebol de 1998, em França.


Os Lipps Inc., da cantora Cynthia Johnson, que ficaria mais conhecida como vocalista do grupo de "gospel" Sounds of Blackness, aproveitaram o declínio da disco para facturar com este single "Funkytown", que só nos Estados Unidos vendeu mais de dois milhões de unidades. Além do topo da Billboard, foram nº 1 em vários países europeus e ainda do "Eurocharts", e no Reino Unido ficaram-se pelo nº 2.


Os Pretenders, grupo anglo-americano pós-punk liderados pela inconfundível Chrissie Hynde, uma "yankee" originária do Ohio, têm um reportório respeitável, e foi com pena que não me deu na gana de lhes dedicar uma página desta rubrica - fica para a próxima. Formados em 1978, tiveram o seu primeiro sucesso com "Brass in Pocket", que foi nº 1 no Reino Unido e nº 14 na Billboard. Os Pretenders continuam ainda hoje em actividade, e gravaram dez álbums de originais.


Em Novembro de 1980 os suecos ABBA, o grupo que mais discos vendeu nos anos 70, estava na sua fase final, mas isso não impediu que "Super Trouper" fosse um tremendo sucesso, e o álbum mais vendido no Reino Unido nesse ano. O single com o mesmo nome foi o seu nono nº 1 em terras de Sua Majestade, depois de "The Winner Takes It All", o single de apresentação do álbum, que teve o mesmo destino. Os nórdicos feriam o famoso orgulho inglês, tornando-se no maior sucesso a passar pelas ilhas britânicas depois dos Beatles. Os ABBA separariam-se em 1982, depois de venderem mais de 200 milhões de discos em todo o mundo.


Os Police foram os melhores representantes da mutação musical que se deu no início da década de 80. Com um som que já não era "punk", e não era ainda "new wave", a banda de Sting ocupou uma espécie de "terra de ninguém", com a sua sonoridade inspirada no "rock" e no "reggae", com muitos sintetizadores à mistura, e que lhes permitiu ter vários singles nos tops quer do Reino Unido quer do outro lado do Atlântico, na Billboard. Este "Don't Stand So Close To Me"m, do álbum "Zenyatta Mondatta" foi "só" o single mais vendido no Reino Unido nesse ano, e valeu aos Police o Grammy para melhor interpretação por um grupo "rock" na edição de 1982 dos Grammy.


E para terminar, que tal uma piña colada? É lógico que me refiro ao êxito (o único) do cantor nova-iorquino Rupert Holmes: "Escape (The Piña Colada Song)". A canção, uma daquelas que de tão irritante que é nos fica na cabeça o dia todo, foi o único nº 1 do cantor na Billboard dos Estados Unidos. Já os ingleses ficaram menos impressionados, e não o deixaram ir além do nº 23 nos "charts". Se calhar preferem "sherry"...

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