sábado, 17 de setembro de 2016

Defes (I got the power!)


Uma das polémicas que fez correr muitos "bites" nas redes sociais na última semana foram as declarações de Joaquim Vieira, director-adjunto da RTP, a propósito dos Jogos Paralímpicos, que decorrem desde o dia 7 no Rio de Janeiro, e têm a sua cerimónia de encerramento amanhã. Confesso que nunca tinha ouvido falar do senhor em causa, mas isso deve ser porque não leio o "Produções de TV VIP magazine", ou o "Behind the scenes TV times". A verdade é que pouca gente o conhecia até "estalar" esta controvérsia, mas nem por isso as "massas furibundas", sempre em ponto de rebuçado e à espera de apanhar comentários desta tez, se inibiram de lhe atirar com tudo o que tinham à mão. 

Joaquim Vieira foi desleixado - mais do que isso, desastrado - e pôs-se a jeito para fazer de tábua de tiro ao alvo aos "anger junkies" da rede, que nem pensaram duas vezes antes de lhe enviar os mais criativos insultos, ameaças e outros "mimos", sempre com a convicção de que os seus actos estão a ser legitimados por aquilo que o jornalista disse. Mais: aquilo que ele pensa, e basta um pouco de imaginação. Não sei onde é que isso está ali naquele comentário de três linhas, mas para muita gente Joaquim Vieira só pensa numa coisa desde que acorda até que vai dormir: a eugenia nazi. Quando almoça pensa o que seria se em vez dos carapaus tivessem sido os deficientes a ser fritos no óleo da cozinha do restaurante onde está a comer, e quando toma banho fica a suspirar por  sabão feito com gordura de paraplégicos. Só pensa nisto, mais nada. 

NOTA: Este post já me valeu diversas ameaças de morte, além da condenação a todas as penas do Inferno, para não falar das pragas sobre os familiares mais próximos, que, coitados, não têm nenhuma responsabilidade no que penso e escrevo. Não discorro sobre o grau de intolerância que muita gente aqui revela, mas tenho de admitir que a forma sintética como escrevi o post deu origem a equívocos, e por isso, como já disse num comentário em baixo, não posso deixar de lamentar ter ferido a sensibilidade de muitos com esta opinião. Fui acusado de muita coisa que não sou (entre elas, a que considero mais grave, de fazer a defesa do eugenismo) e que está nos antípodas da minha visão do mundo e da minha filosofia de vida. Sou totalmente a favor da inclusão e dos direitos dos menos capacitados, e entendo mesmo que nesse terreno ainda existe muita coisa por fazer e reivindicar, designadamente quanto à vida quotidiana. Aceito também que tenham a ambição de enveredar por práticas desportivas, assim como de entrar em competição. A minha crítica dirige-se ao espetáculo montado com os Jogos Paralímpicos e não aos que neles participam, que cumprem um sonho de vida e procuram dessa forma a sua realização pessoal. Choca-me a atribuição do estatuto de Jogos Olímpicos (ou equiparados) a estas provas, como se houvesse dois universos que se equivalessem ao mesmo nível e não se cruzassem (daí eu ter falado em apartheid desportivo). Mas Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana (ou espécie humana, como preferem os puristas), homens e mulheres, em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Condescendentes e paternalistas, os Jogos Paralímpicos criam nos seus participantes a ideia de que podem ser campeões (ou como os campeões) olímpicos. Não podem. Lamento desiludir muita gente, mas há só um Usain Bolt e um Michael Phelps. Não existe o Usain Bolt nem o Michael Phelps dos Paralímpicos. Por muito que alguns nos queiram convencer do contrário.
Dias depois Joaquim Vieira volta ao Facebook e explica exactamente o que queria dizer com o comentário onde chama aos Paralímpicos "espectáculo grotesco" - dias tarde demais, portanto. As considerações que faz, por aquilo que eu entendo delas, contradizem-se em termos: como é que pode ser grotesco aos olhos de "quem não possui deficiência", mas ao mesmo tempo existe "para gáudio" dos mesmos? Penso que não estou a interpretar mal, pois o senhor fala na condição de não-deficiente para outros não-deficientes, procurando passar para texto algo que se calhar muita gente pensa, só que acaba por fazê-lo de forma desastrosa. Tenho fortes razões para acreditar que o sr. Joaquim Vieira não é uma má pessoa, não despreza as pessoas com deficiência, nem se ri da singularidade que representa alguém com menos capacidades tentar a todo o esforço fazer o mesmo que as pessoas minimamente funcionais. Mediu mal as consequências da opinião que emitiu, e quem sabe se ingenuamente, e não está ao corrente do que se passa nas redes sociais, onde para ir fazer de carne para canhão pouco importa o que quis dizer, mas apenas o que disse; "na na, o que ali está é o que toda a gente leu, portanto não venha cá com coisas". E no fundo aqui aplica-se na perfeição a velha máxima popular do "cada cabeça uma sentença":


Aqui está um excelente exemplo do que são as redes sociais: toda a gente QUER ter uma opinião, e acha-se no "direito de a expressar", e ai de quem discorde deste novo conceito de "liberdade", que está para a troca de ideias como a "fast food" está para a restauração convencional. Mesmo que inicialmente não se tenha qualquer opinião formada sobre determinado tema, ou conhecimentos que permitam opinar coerente e racional, "era o que faltava", ficar calado quando pode anunciar ao mundo a sua presença. Alguém é capaz de discernir o que é um "direito" sem perder a noção do ridículo? E já agora, se é tudo uma questão de "direitos" e aquilo é a "opinião", e por isso é "pessoal", com que direito, e aqui sem aspas, se faz o julgamento e condenação do tipo na Praça Pública? E antes do veredicto já tinham a fogueira preparada e tudo, para "adiantar as coisas". Julgamento? Formalidade. Direito à defesa? Balelas. Presunção da inocência? Andam a ver muitos filmes, é o que é. Arde! Arde! E já agora mandem este lá para dentro também; se está a explicar o que o outro queria dizer com aquilo que serviu para fazer esta festarola toda, é porque "pensa da mesma forma", e "concorda". É cúmplice, nazi, não levanta a tampa da sanita quando mija, cheira a sovaco e não simpatiza com animais. Provas disto que estou a afirmar? Para quê? Não vêem que o tipo não desatou a chamar os nomes todos ao outro, "como mandam as regras"? Sim, depreendi tudo isto sem sequer entender exactamente o que este camarada está ali a tentar dizer com aquele texto confuso.

Estou a ser sarcástico, e como podem agora perceber, nota-se bastante. Pudera, se eu não carrego no "sal-casmo" ainda vão achar que estava a falar "a sério", e comem tudo assim mesmo, indiferentes ao sabor insonso. Isto basicamente tudo se reduz a uma orquestra de sapateiros, cada um com o seu rabecão; posso não entender a ponta de um corno de Física quântica, mas como estou ligado à rede e posso aceder a páginas onde se discute tudo e mais alguma coisa, acho-me no "direito" (sim, estou a citar estes tais "junkies" das "liberdades", como aquele ali em cima) de deixar lá uma opinião, comentário, ou então simplesmente insultos, que é o que acontece quase sempre com quem fala do que não sabe e acaba por dizer merda, chamam-lhe a atenção para a sua conduta de imbecil, e fica "ofendido" por lhe negarem o "direito" a "expressar o seu ponto de vista" (ceguinho que nem uma toupeira, neste caso). Ah sim, e se quanto a estes ainda pode haver quem tenha alguma comiseração devido à burrice que ostentam e da qual ainda se orgulham, há ainda a classe dos parasitas:



Vamos lá ver se consigo aplicar a mesma lógica que serviu para "crucificar" o sr. Joaquim Vieira, e ainda com o aliciante de o fazer com o Eduardo Madeira, que é um atrasado mental por opção, ao contrário dos deficientes de que fala. Então olha lá ó minha besta, se a corrida era destinada a portadores de deficiência invisual (designada por T13), o que é que tem de tão especial que as pernas destes corram tanto ou mais que as das restantes pessoas? Ou se calhar vão achar isto um exemplo de estoicismo, "a la" Chariots of Fire, porque os tipos "não vêem nada à sua frente", numa pista oval, um ambiente a que estão mais do que habituados porque é lá onde treinam? Onde lhes basta mexer as pernas sem precisar de exercer qualquer tipo de cautela, e não vão dar encontrões a ninguém nem tropeçar num chafariz ou no c...? Ou será que têm a dificuldade acrescida de não se conseguirem desviar das inúmeras crateras lunares existentes na pista de tartã? Já sei, como não vêem os restantes competidores, e é suposto ficarem todos ali a esbarrar e cair em cima uns dos outros sem chegar a lado nenhum, enquanto toca aquela música que aparecia na série do "Benny Hill" quando o Benny corria atrás daquelas badalhocas e batia na careca do velhinho, é isso? Quem discrimina quem aqui, ao apregoar este resultado como um "exemplo" de seja lá o que for? 

Estão sentados? Aqui vai: conseguiram um tempo melhor porque como não vêem, não se distraem com a paisagem, e por isso chegam à meta mais depressa! Que tal? "Ó Leocardo que piada horrível! Que coisa tão "descriminatória" contra..." - vá, contra quem? Contra quem usufrui do sentido de visão, que foram quem ficou do lado da "vítima" na minha piada? Epá porra, quem me dera ser cego, para correr mais depressa. Falta dizerem que estou errado, porque "para correr é preciso olhar para o chão". Pois, então não é isso que os atletas "normais" fazem quando correm? Sempre a olhar para o chão. Portanto, para o Eduardo Madeira, estes tipos são invisuais, e por isso não correm. Uh?! Ah não esperem lá, quem é este gajo para falar dos portadores de deficiência?



Ah, pois. É alguém que vive à custa de se passar por deficiente, diverte-se com isso e ainda lhe pagam!  E depois para dar uma de "gente bem", vem condenar declarações de alguém que nem conhece, e sem se dar ao trabalho de interpretar ou tentar procurar outro sentido que não o da maldade e da mesquinhez, porque "essa treta não tem piada nenhuma", portanto "não brinquem". Que ideia é que este indivíduo está a querer transmitir quando cria aqueles personagens com olhos tortos, a babar-se e a grunhir gemidos inconsequentes enquanto bate com as mãos na cabeça? Que está a imitar o Ricardo Salgado, é? É este o paradigma da "normalidade", e ao mesmo tempo o MIB do preconceito contra quem é diferente porque não sabe ser como os outros? Por mais voltas que dêem, não se livram de ter feito uma emenda que deixou o soneto do Joaquim Vieira pior do que quando ele o criou. Expliquem-me lá isto melhor, que não entendi: o que é que o facto dos atletas invisuais terem corrido mais depressa na mesma distância do que os outros que vêem, é uma resposta ao argumento do Joaquim Vieira? E ainda exibem a evidência todos inchados, como se o karma a tivesse posto logo ali à vossa frente, ena! E agora vejam isto:


Desculpem não ter avisado as pessoas mais sensíveis para isto que ali está, que chega a fazer a pornografia BDSM parecer um episódio da Abelha Maia. Logo para começar, "demissão imediata"! Pimba! Chegou o imperador da China, o mandarim, o Dr. Fu Man Chu, e exige que se deite fora esta loiça e que se compre outra nova. Na conta deste tipo aparece à vista de toda a gente que sabe juntar letras e ler palavras que "trabalhou num hipermercado, e actualmente trabalha no balcão de uma dependência bancária". Aí está alguém que sabe bem o que é qualidade acima de qualquer suspeita, e qualquer coisa menos que isso é para deitar fora. Este infeliz entrava em desespero e desatava a chorar se o despedissem, aposto o que quiserem, e depois vem "exigir que se demita" uma pessoa que falou não em nome da instituição onde trabalha, mas em nome pessoal? 

A seguir explica-se, ou tenta dar um aspecto salubre à trampa que escreveu,  que poderá ser muito bem o recorde mundial do disparate:tudo o que ali está com a excepção das três vezes em que aparece o artigo "os" é estupidez no seu estado mais bruto. Que estrume fumegante é aquele, e ainda por cima mal escrito, "Os Paralímpicos têm de ser prestigiados que os Olímpicos"? Ok, talvez falte ali a palavra "mais" antes de "prestigiados", mas nesse caso, porquê? Se calhar no fim também se esqueceu de "coitadinhos", não? E porquê "felizmente os Paralímpicos ganham mais medalhas que os Olímpicos"? Felizmente?! Ah já sei! Como somos um país de inválidos, retardados e aleijadinhos, o que seria se os Olímpicos ganhassem mais medalhas que o os Paralímpicos??? Um ultraje! Só nos faltava mais essa, a juntar à "geringonça" e não sei quê. 

E porque é que o serviço público de televisão é para aqui chamado? E falai de ironia, ao levar tudo à frente por causa dos Paralímpicos, exigindo que lhes dêem mais cobertura "para não os discriminar". Claro, não os discriminem, que eles são pessoas como quaisquer outras - dêem-lhes portanto mais tempo de antena! E o que é isto de estarem sempre a dar futebol, quando Portugal é o país mais medalhado na modalidade de "boccia" dos Paralímpicos? Qual Benfica, qual Sporting, qual Porto qual quê, pá! Toca a mudar pró "boccia", e se for preciso criem um "boccia" channel" - já chega de discriminação! O "boccia" é o "nosso orgulho", apesar da maioria desconhecer concretamente do que se trata, ou dizer o nome de um único pobre coitado que teve a infelicidade de nascer com paralisia cerebral, mas nem por isso se encostou a um canto à espera que a natureza viesse buscar a encomenda defeituosa? 

E aqui cheguei ao que penso que Joaquim Vieira queria dizer com aquela trapalhada onde ele próprio se meteu. Por mais aquele pateta alegre ali em cima se desfaça em orgasmos fingidos, e muito mal fingidos também, indo ao ponto de fabricar um enredo idiota e pedir a cabeça de alguém em nome dos paralímpicos que "adora", que "são o seu orgulho" e morre se não os vê na televisão em sessão contínua, não consegue enganar ninguém. Não penses que alguém com um pingo de bom senso vai ler aquilo e pensar que és um tipo bestial, homem. Vai pensar que és uma besta, isso sim. Nem tu nem nem nenhuma pessoa no seu perfeito juízo me vai convencer que "vibra", ou se "enche de orgulho"   com isto: 


Não é maldade, nem é provocação, nem eu a querer elogiar os pobrezinhos, nem porra nenhuma - e porque é que havia de ser outra coisa que não aquilo que é, e mais nada? Imagens destas não são um "grande momento televisivo", nem "lindas", ou "um exemplo de superação" e uma "lição de vida" - isso são tudo ingredientes de prosa poética "hippie". São imagens desagradáveis, e uma das asneiras do Joaquim Vieira foi referir que os Jogos Paralímpicos existem "para gáudio" de seja lá quem for. Quem considera isto "entretenimento ao nível de qualquer outro desporto de competição", ou não está bom da cabeça, ou é um grande mentiroso. Em qualquer dos casos devia ter vergonha na cara e ficar calado.  O que vai na cabeça de cada um, e que não se atreve a exprimir, é exactamente o que ficou condensado no texto curto que o sr. Joaquim Vieira escreveu, só que sem arte. Todas as ameaças de morte, insultos e demais raiva que descarregaram para cima do tipo não é mais do que do que o embaraço do rei na hora em que descobre que vai nu. Entendam isto da forma que quiserem, mas já que o alguém reparou que de facto o rei vai nu, porque não dizê-lo?

Os Paralímpicos não querem ir aos jogos para que vocês os vejam na televisão com um ar de compaixão fingida, e estão-se nas tintas se transmitem ou não as provas. Se transmitem, porreiro, porque não? Se os forem entrevistar depois de ganharem uma medalha, claro que dizem que estão contentes, e aproveitam para fazer referência ao seu clube ou associação graças à qual foi possível ali chegar, e esses sim, são os verdadeiros heróis, que só a conversa fiada e as palmadinhas nas costas não ganham corridas. Se calhar esperavam que eles desatassem a chorar, porque "são assim e não gostam", e o seu maior sonho é que venha a fada-madrinha da Branca de Neve e lhes dê olhinhos para ver, pernas para andar, bracinhos para levantar e nas mãos um dedo do meio para "agradecer" a toda a gentinha hipócrita que tem receio de os ofender caso não os tratem como "normais". Eles sabem que são deficientes, bolas! Toca a dar uma mãozinha caso haja uma escada sem rampa lateral e o tipo esteja numa cadeira de rodas! Faz favor. Ai "nem reparou" que ele era um deficiente, de tanta "normalidade que exalava? E que tal ir à merda, que nem precisa de subir escada nenhuma?

Estes atletas treinam, esforçam-se e são competitivos como qualquer outro atleta, mas com diferenças que levaram a que se criassem métodos de preparação paralelos aos já existentes, e a que deram o nome de "desporto adaptado". Leram bem? Não é "discriminação", é "desporto adaptado". Discriminação é fazer-se um chinfrim à escala nacional porque alguém se referiu aos Paralímpicos noutro tom que não o da ironia saloia que o tuga tanto gosta e a toda a hora usa para aliviar peso do seu fardo e do seu fado: "Olha aquele, não tem braços e quer nadar...e esses jovens aí inúteis, usam as pernas para vadiar o dia todo e os braços para fumar cigarros e outras porcarias...eles é que deviam ficar sem membros, para saber o que custa à vida" - e vai embora convencido que serviu uma malga cheia se sábias verdades, que nem resposta leva, de tão verdade que é. Ou porque ainda ninguém fechou a boca do espanto que tamanha alarvidade causou, enfim. 

O principal erro do Joaquim Vieira foi armar-se em espertalhão, e no fim aprender da pior maneira - ele que me desculpe se por algum acaso vier aqui parar, mas foi mesmo assim. O texto que por ser curto demais para exprimir a sua ideia e por isso nunca devia ter escrito, termina com uma referência ao "politicamente correcto" num tom pouco ou nada abonatório. Pois é, ó J'quim, isso só funciona na hora de dizer as maiores barbaridades sobre refugiados e islâmicos, não neste caso, está a perceber? E é por isso que o "politicamente correcto" existe: para que as pessoas pensem duas vezes  antes de dizer o que lhes vai na cabeça, e fazer uma triagem de forma a evitar que saia aquilo que para ele até pode ser "nada de especial", mas para quem o escuta ou neste caso lê, é ofensivo e injurioso. Não foi inventado um dia destes "pela esquerda" para "esconder as verdades" ou "calar vozes incómodas". Se é por causa da porra da política, esqueçam o "politicamente" e fiquem só com o "correcto". E quando é que o "correcto" é errado? 


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

L'Étranger



Esta semana resolvi incluir aqui no blogue o artigo desta semana do Hoje Macau, algo que já não fazia há algum tempo. Acontece que há situações em que a memória não deve ser apagada, e o silêncio é cúmplice. Bom fim de semana.


Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos. Hebreus 13:2

Muitos se recordarão certamente do despedimento de Eric Sautedé, o professor de Ciência Política da Universidade de S. José que foi saneado por aquela instituição de ensino superior por “emitir opiniões de natureza política”. Esta foi mesmo uma das manchetes de um periódico em Portugal: “Professor de Ciência Política afastado por emitir opiniões de natureza política”. Um paradoxo que teria a sua piada caso não fosse trágico para a imagem da instituição que tomou esta decisão e para a própria imagem do território. Por mais que a memória seja curta, por mais ombros que se encolham e por mais que se olhe para o lado, há dois anos foi posta a xeque uma das garantias contempladas pelo segundo sistema que vigora na RAEM: a liberdade de expressão. No mesmo ano tivemos o caso de Bill Chou, outro professor da mesma área que viu a sua relação laboral com a Universidade de Macau terminada, naquele que foi o “annus horribilis” para o primeiro executivo liderado por Chui Sai On, e que culminaria com a realização do infame “Referendo Civil”, e logo por altura da sua eleição para um segundo mandato como primeira figura política da RAEM. Não terá sido por acaso que a tão aguardada remodelação do elenco governativo efectuada em Novembro seguinte incluíu mudanças na pasta responsável pela educação.

Aquele que anda com os sábios, será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.
Provérbios 13:20

Conheci Eric Sautedé na sequência dessa sucessão de eventos, mais por iniciativa dele, que terá ficado com curiosidade em saber quem eu era, uma vez que dei um grande plano ao incidente no meu blogue. Fiquei a conhecê-lo a ele e à sua encantadora esposa Emilie, também ela docente na mesma Universidade, e a este ponto gostava de reafirmar que conhecia ambos da televisão e da imprensa escrita, onde eram frequentemente auscultados em relação a temas relacionados com a actualidade política do território, mas desconhecia o facto de serem casados um com o outro. Um casal de gente culta, educada, diria mesmo humilde, atendendo quer ao “background” de ambos, quer à bagagem cultural que revelavam, em suma, nada que me desse a entender que se tratava aqui de uma dupla de agitadores, fraccionistas ou como ainda alguém sugeriu, “espiões ao serviço da França” – é preciso ter bastante imaginação. Mesmo os comentários que alegadamente estiveram na base do afastamento do docente são completamente inócuos, e longe estaria Sautedé de imaginar que algo de tão fútil lhe poderia vir a trazer tamanhos dissabores.

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. 1João 2:15,16

Não bastou à USJ afastar Eric Sautedé, pois também a sua esposa Emily perdeu o cargo de deado da faculdade de ciência política, cargo esse para o qual trabalhou bastante, e que de um dia para o outro viu fugir-lhe das mãos, numa decisão que só pode mesmo ser entendida como intimidatória. A face de todo este agravo foi o director da Universidade, que é também um sacerdote católico assaz conhecido da nossa comunidade, e para quem a vida não ficou nada fácil depois disso. Muito se conjecturou sobre as razões de um acto que nos remete a um período da História da própria Igreja de que esta pouco se orgulha – ou não se deveria orgulhar de todo. Falou-se do interesse maior da USJ, nomeadamente na eventual concessão de um terreno para o novo campus, o que depois de muita hesitação acabou mesmo por acontecer. O custo material dessa empreitada, que desconheço, pode ser quantificado, mas o mesmo não se pode dizer do seu custo imaterial, quer moral, quer espiritual.

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus'”.
Mateus 4:4

Sautedé deixou-nos no mês passado, indo com a família leccionar aqui ao lado em Hong Kong. Depois de verem fechar-lhe as portas no território, parte para onde muito provavelmente será mais um dos “delitosos de opinião”, muitos dos quais vêem a sua entrada barrada neste lado devido às suas posições e ideologia políticas. Não se pode dizer portanto que a RAE vizinha ficou a ganhar, mas a nossa certamente que nada beneficiou com tudo isto, e mesmo o próprio Eric Sautedé aceitou o seu destino com uma candura que provavelmente muitos de nós não teria; investiu em habitação própria neste território para onde veio quando o seu filho mais velho tinha um ano, e onde nasceu o seu segundo, e ambos vão agora precisar de fazer novos amigos, como quem começa tudo de novo, e como se viesse a fugir de uma guerra, ou de um grande mal. Será Macau isso mesmo, um “mal” para quem ousa revelar um espírito crítico? E mais importante que isso, é assim que queremos atrair os quadros qualificados que tanta falta nos fazem em tantos quadrantes? Perguntas que ficam no ar, e que acabam por adquirir um mero estatuto de retórica.


Sushi ó vai-te embora



Hoje fiz uma coisa que se dissesse que nunca tinha feito estaria a mentir, mas posso dizer com toda a certeza que não me lembro da última vez que aconteceu: estava a almoçar com uma "amiga", e já explico o porquê das aspas, e a certo ponto levantei-me, fui-me embora e deixei a criatura a falar sozinha. As aspas, agora. Por "amiga" quero dizer uma daquelas pessoas que conheço e que lá de dois em dois meses, ou nem isso, lá vamos fazer um "update", mais conversa fiada sobre a vida alheia - e nem sequer é nada de comprometedor - como quem "pica o ponto". Foi num restaurante japonês no centro da cidade, e pode-se dizer que a certo ponto o "sushi" começou a azedar. Aliás opto sempre pelo sashimi, que o meu saudoso cãozinho Califa tinha direito a trica de melhor qualidade do que aquela tentativa de arroz que usam aqui no "sushi".

A conversa estava a ir bem, como sempre, "o normal", e o desagravo deu-se por altura do fim da refeição. Não interpretem a minha atitude como um acto de agressão ou falta de cavalheirismo, pois o que eu fiz foi marcar um autogolo para evitar ter que jogar o prolongamento. Já tinha acabado de saciar a larica fazia algum tempo, e a minha companhia teimava em cogitar uma prosa com mais preconceito do que sake e "wasabe" existiam naquele restaurante. E fui-me embora resistindo à tentação de lhe berrar, e fosse aquela uma pessoa que eu conhecesse mal ou não conhecesse de todo, diria até que andava a pedir uma galheta bem dada. É uma jóia de pessoa, mas tem os seus macaquinhos no sótão. E sabe ?, deus dos agnósticos, como me têm calhado tantos brindes desses na rifa ultimamente.

Tudo começou a propósito de alguém de quem falávamos, e comentei a respeito desse personagem que "conhecia mal, mas a sua esposa é deveras atraente". E antes que me esqueça, quero deixar bem claro que tenho confiança com a pessoa com quem falava para tecer este tipo de consideraç­ões na sua presença. Ela insistiu que o fulano isto e aquilo, e eu na minha: "pode ser que sim, mas a esposa dele distrai-me, sempre pronto". Eu não sou nem nunca fui cobiçador da fruta alheia, nem que a mesma caia madura à minha frente. Tenho por convicção que se duas pessoas se gostam, mas existe um compromisso que prende uma delas ou ambas, deve ser dissolvido antes de mais nada. E com isto incluo a mera separação, desde que seja efectiva, pois isso de divórcios, litígios e os outros processos que não correm mas antes jazem nos tribunais, só servem para atrapalhar a vida de pessoas que às vezes só querem andar para a frente com as suas vidas e serem felizes. Quem é separado em processo de divórcio - ou mesmo que ainda não tenha tratado disso - não é um inválido e muito menos um "adúltero". Ninguém é obrigado a fazer um voto de castidade durante meses, ou um ano ou às vezes mais porque os papéis ainda andam de Herodes para Pilatos, e é requerido "fair-play". Mas adiante.

Não deve ter sido por causa do meu comentário sobre "a mulher do próximo" que a minha amiga entrou em "tilt", pois tivemos no passado conversas do mesmo teor ou até mais indiscretas, e nunca aconteceu nenhum "derrapagem" como a de hoje. A verdade é de um minuto para o outro desata como que a insinuar que eu estaria a fazer uma espécie de elegia à promiscuidade, e de como todos os homens não sei quê, "são todos iguais", e de seguida passa para uma sessão do tribunal do Santo Ofício dedicada às mulheres adúlteras, e "aos homens que não se importam de partilhar com outro", e o resto abstenho-me de descrever, pois traria de volta o desconforto gástrico que apanhei logo a seguir ao almoço, que me deixou à beira da indigestão - vocês devem conseguir adivinhar, e de certeza que ficam perto. Interrompi aquele raciocínio que faria uma viúva beata militante tirar notas para mais tarde usar nas suas diatribes contra mulheres normais, saudáveis e felizes, ao contrário dela.

Primeiro ainda optei pela via da diplomacia, e até mencionei o Corão, o tal livro sagrado que segundo alguns hipnotiza quem o lê e causa-lhe uma vontade de se ir detonar levando com ele o maior número de infiéis possível, pois até na lei canónica islâmica é permitido uma mulher arranjar outro marido, logo que cumpra dois ciclos menstruais. E no fundo o que é a menstruação senão isso mesmo que o nome indica, o fim de um ciclo e o início de outro? Essa conversa de que se deixam "impressões genitais" em alguém é conversa de onanistas, falsos puritanos e os muito poucos que o são de verdade, e esses são uns frustradinhos, os "40 year old virgins" desta vida. São esses que para validar a repressão sexual a que foram e ficaram vetados arranjam metáforas imbecis contendo imagens do tipo "carne mastigada" ou sei lá o quê "em segunda mão". Ora essa, é de pessoas que estamos a falar ou de cães que fornicam na rua? Quando alguém bate à minha porta eu pergunto "quem é", e não "quem foi". Os livros da biblioteca é que vêm com uma ficha contendo a quantidade de pessoas que o requisitaram e quando.

Não me interessa nem quero saber o número de parceiros de ninguém, e muito menos se for da minha parceira, se for esse o caso. Essa mania das melhores só se pode mesmo explicar por algum sintoma persistente dessa doença lixada que é a "dor de corno". Uma relação mal resolvida, ressentimento à brava, e toca a descrever ao pateta que se segue como era o inquilino anterior, em HD, 3D e Surrounding Sound System, não deixando de fora nenhum detalhe, e descrevendo episódios de alcofa em pormenor. A sério, têm muitas saudades, podem ir por onde vieram. Já os homens são mais discretos neste aspecto, o que leva a que as parceiras se mordam de curiosidade quando se encontram com uma amiga dele, e fazem um rol de perguntas parvas quando bastava ir directo à única que não fazem, mas querem fazer: "já comeste esta gaja"? A única pessoa a quem eu confidenciaria o meu historial no que toca a encontros sexuais, quer no que toca à quantidade, preferência e orientação seria ao médico venereologista. E para chegar a esse ponto era necessário ter o corpo todo a estalar com bolhas provocadas por algum caso de gonorreia aguda.

E foi isso mesmo que causou o desconforto durante o tal almoço que até tinha decorrido pacificamente. Pegando na minha dissertação sobre as virtudes do ciclo menstrual como forma de "apagar os vestígios da presença de outros povos", a miúda atira com esta: "ai sim? e a menstruação também elimina coisas como a SIDA, a herpes e outras doenças venéreas?". E foi aí que me passei, sem que primeiro tentasse manter a compostura e explicar à rapariga o que quis dizer exactamente, ao mesmo tempo que lhe demonstrava que aquilo que tinha acabado de afirmar era um disparate dos grandes. Sabendo o que lhe esperava, e mortinha por ter razão quando nunca poderia ter razão alguma, não me deu a palavra, e ficou para ali a barafustar enquanto agitava o último camarão que faltava comer do "tempura" que tínhamos pedido. Como já tinha acabado ia para uns bons 15 minutos, apetecia-me um café e tinha mais que fazer, levantei-me e fui-me embora. Podia-me ter desculpado e pedido licença, explicando-lhe que ia à minha vida, mas como não me deixou, optei simplesmente por lhe virar costas. Atitude pouco digna de um cavalheiro? Se é isso que estão agora a pensar, fico com curiosidade em saber o que chamariam ao discurso que preferi não ficar a escutar até ao fim, sob pena de regurgitar logo ali o almoço.

Não é por nada, mas não devo ser a única pessoa que fica incomodada perante este tipo de presunções, insinuações e juízos de valor feitos com esta desfaçatez por alguém cuja legitimidade moral para os fazer desconheço e nunca poderia conhecer porque não sou mosca, e se fosse haveria certamente outro excremento onde eu preferisse ir chafurdar. A vida pessoal de cada um só a ele diz respeito, e quem faz tanta questão de relatar certos aspectos íntimos, para mim é suspeito (olha, rimou e tudo) -  quem tanto apregoa o que faz, só pode andar a esconder algo que não conta. E isto que acabei de fazer é uma presunção inocente, nem estou aqui a dizer quem ou o que faz, mas no caso daquela conversa abriu-se a jaula dos raciocínios preconceituosos, difamatórios e falaciosos. Quer dizer que quem tem mais que um parceiro sexual ou vários, ou mais que um no mesmo período de tempo, é necessariamente portador de doenças sexualmente transmissíveis? Ora essa, então não posso deixar que chova na minha horta porque a dos outros sofre com a seca? E o que sabem estas pessoas da vida dos outros para proferir estas afirmações camufladas de folhetim de prevenção médica.

E finalmente a cereja no topo do bolo de todo este desagravo que me fez comportar de uma forma que já nem sonhava vir a comportar-me: e por eu não condenar pessoas que têm vários parceiros sexuais, ou não achar a ideia do adultério abominável, quer dizer que aprovo e pratico? Vamos lá ver, não tenho nada contra os tipos que comem no cu, não é coisa em que pense sequer, ou fique a imaginar como é, e se for consentido por ambos (ou vários, conforme a receita) só a esses diz respeito. E isto quer dizer que "aprovo logo também gosto"? Eu prefiro outra dieta, mas quero lá saber o que comem os outros e onde, com quem e com quantos? Porque carga de água tenho que bater palminhas como uma foca que pede um carapau a demonstrações de ignorância e preconceito deste calibre? Imaginem o que seria a autoridade e a lei nas mãos de pessoas que determinam onde cada um deve meter ou levar, com quem, com quantos, e já agora como, porque não? Levanto-me e vou-me embora, acabou-se. Não me quero ouvir? Escrevo. Se leu entendeu agora, a razão porque está tragicamente errada, ó "amiga"?

E encontro este tipo de falácia do tipo "inversão do acidente" em muitas outras situações, como no caso da análise que tenho feito à Islamófobia. Se não apoio aquele arraial de disparate onde se edificam dia após dia monumentos à mentira e à injúria, quer dizer que "sou cúmplice". Ai sim? Então PROVEM! E não vamos por aí, que nem isto é uma troca de galhardetes, nem eu ando a chatear o mundo inteiro anunciando que fulano X ou Y "é inocente" - toda a gente é inocente até prova em contrário. Chama-se "presunção da inocência". Aqui nem sequer entra a questão da opinião diferenciada, ou de como vêem por aí alegando quando vos cortam o pio, "liberdade de expressão": assumir que alguém é um criminoso ou um potencial criminoso baseando essa ideia apenas na religião É CRIME, e está no Código Penal. Sabem o que é um "crime"? Brincalhões...

Os arcebispos da pobreza Franciscana contra os "Duponts" do Gent (não o Genk)



A participação das equipas portuguesas nesta ronda europeia terminou ontem à noite com a recepção do Sp. Braga aos belgas do Gent. Atenção para não confundir Gent e Genk, que é muita gente pensa ser a mesma equipa, e para ajudar à confusão, as duas estão na fase de grupos da edição deste ano da II divisão europeia, cuja resposta à pergunta "quem vai ganhar" é normalmente "o Sevilha, ou outra porcaria qualquer". O Gent com que o Braga jogou é conhecido em francês por "La Gantoise", mas fica na cidade de Ghent, na região de Limburgo, na Flandres, que é no leste da Bélgica, e faz fronteira com os Países Baixos. Ali fala-se flamengo, que é uma língua semelhante ao neerlandês com que comunicam os vizinhos holandeses, e soa tudo igual ao cozinheiro sueco dos Marretas (do "Muppet Show", para as novas gerações, isto é se souberem do que se trata...). Não vale a pena tentar entender o que dizem, pois quase de certeza que estão a resmungar pela independência e a chamar nomes feios aos belgas francófonos, que acusam de ser "preguiçosos", e de viverem "à mama" deles. O costume, vindo de gente tão "trabalhadeira". O Gent foi campeão pela primeira vez em 2014/2015, e se não sabiam disto é normal, pois ninguém liga àquela liga merdosa que toda a gente pensa que o Anderlecht ganha sempre, e são apelidados de "os búfalos", e não é devido ao emblema que o clube ostenta, um índio americano de perfil. Sim, um e não dois, pois quando deixaram de se chamar La Gantoise, os gajos adoptaram o emblema de um índio a olhar para a esquerda, e passado alguns anos, já mais velho, como podem constatar, cansou-se de ver sempre o mesmo e virou a cara para a outro lado. Ah, a razão porque se chamam "búfalos" deve-se a uma visita de Buffalo Bill a Ghent, esse mesmo, o próprio, que se apresentou aos gentenses...genteses...gentães...bem, os gajos de Ghent, juntamente com o seu circo. Conta-se que o sucesso foi tal que os locais decidiram chamar à sua equipa "os búfalos". É um bocado difícil de engolir, esta história, e até pode ser apenas uma lenda. Se calhar chamam-se "búfalos" devido à sua higiene descurada, que faz com que se anunciem com um intenso odor bovino. Eu prefiro esta explicação, agora escolham vocês a vossa.



Agora o Genk, que é "completamente diferente". Porquê? Porque acaba com "k", só! Genk é uma cidade também em Limburgo, na Flandres, e onde se fala igualmente o flamengo, e fica 138 km a sudeste de Ghent, e com Bruxelas exactamente entre as duas. Imaginem um jovem limburguês bruxelense que anuncia aos pais que "no fim-de-semana vai ficar na casa de amigos em GHENT", e estes entendem "Genk". O miúdo nunca mais dá notícias, os cotas ficam preocupados, e tal, e metem-se num carro e vão até GENK procurá-lo, fazendo 87 km na direcção errada! E quanto aos clubes a situação torna-se ainda mais pitoresca. 



O Racing Genk, como também é conhecido, chamava-se até 1988 KFC Winterslag, mas adquiriu o nome actual depois de se fundir com outro clube daquela cidade, o Waterschei Thor. O emblema actual é o que vemos à esquerda na imagem, que substituiu o que vemos à direita, que faz lembrar uma almôndega de carne enrolada em tagliatelle. Fizeram bem em optar por outro mais ergonómico (não ficasse a cidade apenas a 20 km da europeísta Maastricht, no outro lado da fronteira), e nenhum italiano fica ofendido com aquele "G" grotesco - "G" de Genk, atenção, e não de "Gent". Bom, a fusão foi bem sucedida, em todo o caso, pois o Genk que dela derivou foi campeão 3 vezes, todas já neste século, e a última delas em 2010, e com tudo isto as participações em provas europeias começaram a ser frequentes. Os sorteios são sempre animados, e até consigo ver os responsáveis do Braga a comentar o grupo que lhes saiu:

-  Olha, apanhámos o Cháquetar Dónesque da Ucrânia, o Conhasporte da Turquia e o Gent da Bélgica. 
- Queres dizer o Genk, da Bélgica?  
- Não, o Gent, que também é belga. 
- O Gent que foi campeão da Bélgica em 2001, 2002 e 2010?  
- Não, isso foi o Genk. O Gent foi campeão em 2015. 
- Olha, f...-se.


Portanto antes tínhamos duas equipas chamadas La Gantoise e Winterslag, e agora passámos a ter o Gent e o  Genk. Epá assim é muito melhor, e evitam-se confusões! Que belgas tão burros, estes. Pelo menos o Dupond & Dupont das histórias do Tintim a gente apanhava a "punchline" - eram gémeos idênticos que falavam ao mesmo tempo e diziam a mesma coisa, e não dava para distinguir um do outro. Giro. Mas...o que é isto??? Imagino como seria o relato de um jogo entre o Gent e o Genk. "Goooolo...do Genk!"...ou será do Gent? Se for adepto de um deles, devo festejar ou ficar triste? E ainda há quem ache que ter o Feirense e o Farense no mesmo escalão do futebol português é um problema.


Falando agora do jogo propriamente dito, se por um lado o Gent e o Genk são mais ou menos a mesma m..., e de vez em quando aproveitam a nítida decadência que o Anderlecht vem evidenciando desde os anos 90, o Braga conseguiu ser ainda pior. Os minhotos, que eram teoricamente mais fortes que a equipa belga - e não digo "belgas" porque dos 13 jogadores do Gent que estiveram em campo só um era belga - fizeram uma exibição à medida do seu treinador, o coruchense José Peseiro, que se deve inspirar no fertilizante da lezíria ribatejana para montar as suas estratégias para os jogos. O sérvio Milicevic adiantou o Gent logo aos seis minutos com um golo de fazer levantar qualquer estádio, um "tiraço" do meio da rua, mas se nesse lance não se pode acusar a equipa nem o seu treinador de nada, os restantes 84 lastimosos minutos têm a marca do treinador que no Porto perdeu a  final da taça em Maio último exactamente para o Braga. Se calhar está-se a vingar, minando por dentro a equipa que o derrotou, não sei, mas parece que o central André Pinto não terá entendido bem a táctica, e marcou o golo do empate aos 24 minutos. O jogo foi uma bela caca, em suma, e se em matéria de desencanto as equipas equipararam-se, em posse de bola o Gent levou vantagem, com 60% - a jogar na "pedreira" de Braga, convém recordar. Peseiro é que continua míope que nem uma toupeira: no final disse que "o Braga merecia ganhar". A sério? Ainda se fosse treinador do GENK e estivesse a falar de um jogo contra o GENT, ainda lhe dávamos o benefício da dúvida. Agora assim...

Porto também não (Cope)ganha


Depois do empate caseiro do Benfica frente ao Besiktas na terça, o FC Porto não fez melhor no dia seguinte frente aos dinamarqueses do FC Copenhagen, imitando os encarnados no resultado, mas pelo menos sem a "novela mexicana" da Luz no dia anterior. E este jogo em que o Porto era amplamente favorito e mesmo assim perdeu dois pontos, bem pode servir de lição - apesar dos "bombos da festa" que aparecem na fase de grupos da Champions, há equipas como esta ou como o Besiktas, com alguns pergaminhos e que discutem o resultado com unhas e dentes. Os dragões entraram no jogo tomando a iniciativa atacante, como lhes competia, e foram premiados aos 12 minutos com um golo da autoria de Otavinho, numa "bomba" disparada da entrada da área após passe de André Silva. Os campeões dinamarqueses, que atingiram os oitavos da competição mais importante da UEFA em 2011, sabiam que não tinham pela frente nenhum Esbjerg (equipa da Superliga da Dinamarca onde o Copenhaga foi vencer por 4-0, única vitória fora esta época), e iam arriscando ocasionalmente uma ou outra investida pelo meio-campo azul-e-branco, enquanto a maior preocupação era evitar sofrer um segundo golo, que nesse caso seria irrecuperável, e ainda podia ser "o princípio de uma grande amizade" (leia-se "cabazada"). 

E foi no oitavo minuto do segundo tempo que os nórdicos arrefeceram o fogo do Dragão, marcando o golo do empate na segunda vez que atacaram. A jogada que decorreu pelo lado direito do ataque dos visitantes parecia estudada, mas uma vez que a bola chegou pelo ar à área, acontece um estranho "bailado", em que o protagonista teve como nome não Mikhail Baryshnikov ou Rudolf Nureyev, mas antes Andreas Cornelius, um avançado dinamarquês que quando tem os pés assentes no chão, fica com a cabeça 1,93 metros mais acima. O problema é que o sacrista não se ficou no chão, mas andou antes a saltitar pela menos torreante defesa portista, até que arranjou forma de anichar a bola no canto inferior da baliza de Casillas, que ainda deve estar com um torcicolo, após assistir àquele espectáculo aéreo.

Com o empate feito, os escandinavos cuidaram mais o aspecto defensivo, e se ainda estavam a pensar em cometer uma proeza, viram o seu conto de Hans Christien Andersen feito em bolo Dan Cake quando ficaram reduzidos a dez elementos aos 66 minutos, por expulsão do médio eslovaco Jan Gregus, por acumulação de amarelos. Podia-se dizer que depois disto viram-se "gregus" (ah! sou um génio), mas nos últimos vinte e poucos minutos a ordem foi defender, defender e depois defender, e atacar apenas em caso de desfalecimento colectivo súbito de toda a equipa do Porto. E lá fizeram jus à sua reputação de equipa que joga "em bloco", montando um autêntico iglo em frente da baliza do guardião sueco Robin Olsen (isto foi uma conspiração escandinava completa, porra!), e saindo assim do Dragão com um ponto merecido. O Porto só se pode queixar da falta de ideias que os levassem a "quebrar o golo", e vai na próxima ronda jogar a Inglaterra, onde nunca ganhou, e contra o campeão Leicester. 


Os comandados de Claudio Ranieri estiveram "in Bruges", e fizeram o "remake" futebolístico do filme de 2008 com Colin Farrell no papel principal, vencendo os campeões belgas por confortáveis 3-0. O Leicester, que deixou o mundo de boca aberta com o queixo a bater no chão quando conquistou e Premier League em Maio último, está a ter "problemas domésticos", somando apenas quatro pontos noutros tantos jogos da liga inglesa, ocupando um deprimente 17º lugar, já a oito pontos do líder Manchester City (se calhar ainda estão em festa, pronto, percebe-se), mas parece querer apostar na liga milionária, e destoar assim dessa nova mania britânica de sair da Europa abruptamente. O  Club Brugges, treinado pelo nosso conhecido Michel Preud'homme, vai a ter a vida mais complicada a partir de agora, e se perder em Copenhaga na semana seguinte à semana que vem, pode ser que "amaciem" e o Porto facture seis pontos contra eles. Mau sinal, se for mesmo necessário, mas nestas coisas dos vícios, neste caso dos pontos que dão euros, já se sabe: o mal é "dar naquilo" uma primeira vez.


Toma lá do CR7, o maior


A derrota do Sporting em Madrid teve um momento digno de nota, e que terá mais a ver com um aspecto que passou ao lado dos adeptos do desporto-rei que não seguem zangas de comadres e outras peixeiradas. O "caso Talisca" no dia anterior criou uma expectativa à volta do desempenho de C. Ronaldo pelo Real Madrid: e se o internacional português marcasse ao seu colega de selecção que se sagrou com ele campeão europeu este Verão, e que ainda por cima contra o clube onde "nasceu" para o futebol? A resposta foi dada depois do infame "minuto oitchentcheoito" - Ronaldo marcou e não festejou. Ficou feliz por marcar um golo que não só evitou a derrota da sua equipa, como ainda a levou à reviravolta no resultado, e para mais no seu jogo nº 350 com a camisola merengue, mas ainda foi pedir desculpa aos adeptos do seu ex-clube, e depois disso...


...ainda foi ao balneário matar saudades da camisola, como se pode ver neste registo, ao lado de Adrien Silva e Elias. É um absurdo pensar-se que C. Ronaldo fosse fazer igual ao brasileiro que passou pelo Benfica um ano e meio, e passou de "diamante em bruto" a simplesmente "bruto" e dispensável. Eu não entendo o problema que muitos adeptos do Benfica têm com o melhor jogador do mundo, só porque se formou no Sporting. Afinal só jogou lá uma época como sénior - será que os golos marcados nos "derbies" dos escalões juvenis causaram assim tanto ressentimento, ao ponto de se chegar a criticar o jogador quando representa a selecção, que diga-se de passagem tem "carregado às costas" em muitas ocasiões decisivas? O Ronaldo já me "lixou a vida" umas poucas vezes também; foi naquele jogo no Dragão em Abril de 2009, ainda no Manchester United, quando marcou o golo que ditou o afastamento do Porto dos quartos-de-final da Champions nessa época (e  que golo, e só podia ter sido mesmo o melhor golo do ano), e ainda no Sábado abriu as hostilidades contra o "meu" Osasuna, logo aos seis minutos, escolhendo exactamente esse jogo para regressar da lesão que contraiu na final do Euro 2016. Mas isto é o que ele faz, e que parvoíce seria pedir-lhe que não me "ferisse os sentimentos", ou os de qualquer outro tarolas. Haverá sempre quem festeje, e haverá também quem lhe rogue pragas quando marca, mas os que estão do outro lado já não deviam estar habituados? Só nas tais três centenas e meia de vezes que jogou pelo Real Madrid marcou 366 vezes, um recorde do clube, em tudo. E que tal irem ver a ENORME lista de recordes que C. Ronaldo tem em seu nome?


E isto é "só" pelo Real Madrid, que é "apenas" o maior clube do mundo, ou pelo menos o mais titulado - e sem sequer jogar na posição de ponta-de-lança, como faziam Puskas, Di Stefano ou Raúl! A maioria dos recordes que ele não bateu são em competições que já não existem, ou pelas quais nunca jogou com a camisola do clube.  Epá se calhar é melhor o Real Madrid acabar esta época em quinto ou sexto lugar na La Liga, e falhar a revalidação do título da Champions, que isto em matéria de recordes de golos na Liga Europa anda a zeros para o CR7 - e ainda dizem que é o melhor do mundo oinc oinc oinc. Mas se quiserem, C. Ronaldo ainda é o melhor marcador de sempre nas competições europeias, só jogando na mais exigente de todas, e ainda o melhor marcador de sempre da selecção portuguesa, e de qualificações para o Euro! E aqui as comparações com Eusébio só podem ser entendidas de uma forma: produto de retardação mental profunda. Se calhar vem de gente que não conhecia o Eusébio, e pensa que o Pantera Negra queria eternizar-se como o maior artilheiro com a camisola das quinas. Eu acho que ele amava a selecção do seu país, que sentiu como nenhum outro, para ficar a torcer para que aqueles que vieram depois dele fracassassem. Quer dizer, quando começam com merdas e a atacar o C. Ronaldo quando atira o microfone daquele palerma à água, ou lhe caem em cima quando falha um "penalty", ou falam do que não sabem e arrotam postas do género "pela selecção ele nunca joga nada", não reparam na figura que fazem? E que tal gravar primeiro o que dizem, e depois ver enquanto olham para aqueles números, e a seguir tentam por um segundo raciocinar desta forma: "é isto que as pessoas me vêem a fazer"? Eu sei que é complicado, mas tentem lá que pode ser que cheguem lá "sem querer".

É por estas e por outras que aqueles reparos imbecis que adeptos de certos clubes fazem quando os seus rivais lhes mandam umas "bocas" depois da sua equipa ter perdido nas competições internacionais passam-me completamente ao lado. Na quarta, ainda atordoados com a inserção anal forçada daquele melão chamado Talisca, que nem uma nota de rodapé ocupa na história do seu clube, vieram uns trombudos fazer comentários de uma tez atroz: "Quero ver logo quando o Ronaldo marcar ao Sporting, como vai festejar", insinuando que ia fazer como o Futre quando marcou um golo ao clube de Alvalade durante os três ou quatro meses que jogou no clube deles, depois de rescindir com o Atletico de Madrid (a propósito, sabiam que estive há um mês no Vicente Calderón e o Futre não consta de nenhum mural, e nem vi qualquer referência feita a ele, quer no museu, quer na "gift-shop"?). Mas o Futre tem a quarta classe, qual é a vossa desculpa? Estes são os mesmos que depois vêm EXIGIR que os adeptos dos outros clubes os congratulem pelas vitórias na Europa (nada que se traduza em troféus, diga-se de passagem), caso contrário são "maus portugueses". Bardamerda, pá! E ainda há tansos que vão na conversa. Olha, eu por acaso a-do-rei quando três valentes compatriotas,  Beto, Diogo Figueiras e Daniel Carriço, conquistaram a Liga Europa em 2014 pelo Sevilha, vencendo na final em Turim um misto de argentinos, brasileiros e uruguaios trajando de papoilas. Um destes nobres lusitanos, o Beto, foi mesmo o herói do encontro. Como eu vibrei nesse dia, pá, até me vieram lágrimas de regozijo aos meus olhinhos de querubim. Vêem como sou grande "patrioteiro"? Pois, de vez em quando também sei ser parvinho, mas pelo menos não vou chatear ninguém com isso.

E estes nem são uma excepção, note-se, pois todos têm a sua quota de culpa no cartório. O último Europeu de futebol, aquele que finalmente ganhámos, foi uma fogueira de vaidades, com uns a sugerir que os seleccionados do seu clube deviam ser titulares, montando um "11 ideal", onde se fosse necessário metiam o guarda-redes suplente a jogar a extremo, enquanto para outros o Renato Sanches era "a melhor coisa que apareceu desde Pelé e Maradona juntos cobertos com chantilly e com uma cereja no topo", outros diziam que não, que o rapaz tinha 18 anos sim, mas em cada perna, uma vergonha! Chegava-se ao ponto de se mencionar o clube onde fulano e outrano "foram formados", apesar de representarem emblemas dos campeonatos inglês, espanhol ou outro qualquer no estrangeiro, como se isso fosse alguma manifestação inequívoca de realeza. Cum caraças, aquilo era "a selecção de todos nós", como dizem, ou o vosso tocador, onde guardam a escovinha do pêlo do caniche? Foi mesmo "contra tudo e contra todos" que Portugal ganhou. Vejam isto:


Então, encontram ali o vosso clubezeco naquela lista de 33 que tiveram pelo menos cinco jogadores seleccionados para o Euro? E não me façam a mim essa pergunta, porque a mim NÃO INTERESSA PARA NADA. Ui, o Fenerbahçe, o Plzen, o Basel, o Krasnodar...todos gigantes, maiores que qualquer clube português - por essa lógica, obviamente. Ah mas o "Sótampton" tem lá este e o outro que jogaram no meu clube, e tal, nhé nhé, e depois? Agora não jogam, e pode ser que isso tenha contribuído para que fossem escolhidos, em vez de ficarem na pasmaceira, a aquecer o banco enquanto o seu lugar era preenchido por um brasileiro, argentino ou sérvio. O André Gomes, por exemplo, "foi formado no Benfica", diziam. Primeiro isso é mentira, que o rapaz começou com 11 anos no Porto, passou pelo Pasteleira e ainda pelo Boavista, antes de chegar ao Benfica com 18 anos, e só se demorou por lá até aos 20. Durante o defeso protagonizou uma das mais caras transferências  de sempre do futebol espanhol, quando o Barcelona o comprou ao Valência. E depois? Mas os clubes têm alguma "varinha mágica" que transforme cepos em "craques" ou quê? Acham que os ingleses saíram do Euro de peito feito, depois de serem eliminados por uns esquimós vindos de uma ilha com menos habitantes que Bristol, só porque tinham 134 jogadores da liga inglesa na competição (a liga alemã, italiana e espanhola juntas tinham 156, pouco mais do que a inglesa)? Foram com o rabinho entre as pernas, isso sim. Só os campónios é que se vão lembrar de um "motivo de orgulho" desta estirpe. Lamentável. 

Portugal ganhou o Euro. Portugal, não os jogadores deste e daquele clube, que isso só interessa é agora que a nova temporada já arrancou, e é cada um por si. A selecção foi a semana passada, e vejam como sem o "atirador de microfones para o lago" naufragámos que foi uma beleza. Para quê aquela discussão dos 11 milhões que afinal são 15, ou talvez 14 331 258, pois seja que número for, é depois dividido pelo grupo de cada adepto com a ranheta clubista que leva para o momento em que é a NAÇÃO que está a ser representada? E o C. Ronaldo festeja os golos da maneira que quiser - não é ele que os marca? Se calhar como é "português", e por isso um "vivaço" e um "espertalhão", dá-lhe para gamar os golos dos outros e depois diz que "não foi ele", mesmo que lhe mostrem imagens do momento em que foi apanhado em flagrante delito. E como se conteve, atendendo à importância que o golo que marcou teve para o seu clube. Não deve ter aprendido a virtude da humildade naquele clube a que chegou mesmo a pedir desculpas, com toda a certeza. Se calhar foi no Andorinhas do Funchal, ou no Nacional da Madeira. Por mim podia ter marcado aquele golo ao Sporting, ao Kyoto ou ao Cascalheira FC. Foi bom saber que ainda se pode contar com o seu génio na hora em que o seu génio me pode dar alegrias. O resto é catarro, meus amigos.


Oitchentcheioioto minutos de êxtase


"Oitchentcheioioto minutos" - agora diga isto com o sotaque do palhaço Batatinha, e aí está a imitação quase perfeita de Jorge Jesus ao microfone de uma televisão espanhola após a derrota do Sporting no Santiago Bernabéu ontem para o Grupo F da Liga dos Campeões. E de facto o Sporting esteve a vencer até ao minuto 88, decifrando aquele enigmático "oitchentcheioioto" de Jorge Jesus, mas já lá vamos ao resumo. Por muita piada que a dislexia do treinador amadorense possa ter, bastando um estado de espírito leve para lhe achar graça, aqui acaba por fazer (mais uma) figura miserável. Mais valia ter falado só em...espera, que ia dizer um disparate e chamar àquilo "Português". Era melhor que tivesse falado na língua oficial do "manes", "prontes". Fazer o que ele fez, dizendo frases em "jorge-jesusês", e com tentativas de castelhano no meio como "Mádrid", ou "el partido" é que "natáconada", pá. É um insulto aos portugueses e aos espanhóis. (Vá lá, não levem isto à letra; um "insulto" no mesmo sentido que...).


..."o Sporting ia ganhando em Madrid". Pois é, o tal minuto "oitchentcheoito" estragou a festa aos adeptos leoninos, que depois de terem assistido a uma primeira parte sem golos, viram Bruno César adiantar o Sporting no marcador aos 47 minutos. A partir daqui já se sabia que o Real ia "cair para cima" dos leões, que aguentaram muito bem a reacção do campeão europeu. Zidane precisava mexer na equipa, e decide lançar James Rodríguez e Álvaro Morata nos lugares dos apagados Gareth Bale e Karim Benzema, deixando Cristiano Ronaldo como único elemento do tridente ofensivo que constava do onze inicial. Enquanto isso Jorge Jesus fazia troca por troca de Gelson Martins (grande exibição) e Adrien Silva por Lazar Markovic e Elias, respectivamente, jogadores que fazem as posições dos colegas que substituíram. Mas parece que aqui Zidane levou a melhor, pois após Cristiano Ronaldo ter feito o empate na marcação de um livre já em cima do minuto 90, James e Morata construíram o golo que ditou a derrota do Sporting já no último dos 5 minutos de descontos dados pelo árbitro italiano Paolo Pagliavento. Pelo meio Jorge Jesus fez entrar Campbell para o lugar de Brian Ruiz, tentando fazer passar o tempo suplementar mais depressa, conformado com o mal menor que era o empate. Mas já nem estava no banco quando o fez, pois na altura do golo do empate foi expulso por palavras e gestos dirigidos ao juiz do encontro. Jesus diz que apenas gritou "não foi falta". Ó meu caro, em que língua, naquela lá em cima no primeiro vídeo? Em italiano deve ser um insulto à família toda, daqueles mesmo do piorio. Depois ainda confessa e tudo: "comigo no banco não perdíamos o jogo"! Ora toma. Foi simples: Jesus deslumbrou-se, não quis "fechar a loja" após adquirir a vantagem, e o resto já se sabe: o Real tem uma equipa com soluções que o Sporting não tem, e ainda lhe viu brilhar a estrelinha da sorte.



O Sporting perdeu não sou a partida de quarta-feira, como ainda uma excelente oportunidade de tornar a sua vida mais fácil num grupo que tem ainda o Borussia Dortmund, vice-campeão da Bundesliga. Da maneira como o Bayern tem dominado o futebol alemão, devia até existir um troféu para o 2º lugar. Apesar de ter visto sair algumas das suas peças mais importantes da última campanha, e vir de uma derrota no Sábado em Leipzig, contra o estreante RasenBallsport, os "canários" (como é que se diz canário em alemão) foram à Polónia esmagar o campeão daquele país, o Légia Varsóvia, por seis golos sem resposta. Ainda pensei em fazer uma remissão histórica sobre o que representa  um grupo alemães entrarem pela Polónia adentro de forma tão brutal, massacrando os pobres polacos, mas depois fica-me mal. Bem, os "panzers" do Borussia Dortmund (pronto, não resisti) fizeram o que quiseram do seu adversário, chegando aos 17 minutos a vencer já por três bolas de diferença, aproveitando da melhor forma a falta de concentração dos polacos em campo (bolas!). A restante metade deste autêntico holocausto (grrr) foi entregue na segunda parte, ficando a equipa de Varsóvia remetida a um gueto (epá, f...-se!), de onde não só não conseguiam sair, como ainda eram constantemente vítimas do assédio dos alemães. Pronto, epá, já chega. O Sporting vai jogar na próxima ronda em casa com estes pobres de Cristo, e não há desculpas para não somar os três pontos. O Real Madrid por sua vez joga em Dortmund, e dificilmente conseguirá repetir a "gracinha" de quarta contra estes alemães. Um grande jogo em perspectiva.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Talisca - lembram-se dele?



O Benfica empatou na Luz frente ao Besiktas na ronda de abertura do Grupo B da Liga dos Campeões, um resultado que se pode considerar negativo, uma vez que teoricamente este era o encontro onde o campeão português tinha mais possibilidades de somar os três pontos. Os encarnados começaram melhor, e marcaram o primeiro golo logo aos 12 minutos pelo argentino Franco Cervi, na recarga a um remate do seu compatriota Eduardo Salvio, que o guardião Tolga Zengin não conseguiu segurar em condições. O Besiktas manteve uma postura mais defensiva, apostando no contra-ataque sempre que a oportunidade se proporcionava. No entanto os turcos conseguiram equilibrar a partida, começaram a acreditar que podiam sair da Luz com pelo menos um ponto, e foram bafejados pela sorte já nos descontos, quando marcaram de livre por...Anderson Talisca. Exacto, o jogador emprestado pelo Benfica ao Besiktas entrou ao intervalo e "traiu" o clube onde passou de grande promessa a dispensável com um remate bem executado, fazendo passar a bola por cima da barreira, sem hipóteses para o guardião Ederson.


O "ultraje" foi cobrado nas redes sociais, nomeadamente na conta do Instagram do jogador, que recebeu centenas, senão mesmo milhares de "mimos" como aquele que ali destaquei - entre elogios e mensagens de apreço de adeptos do Besiktas, bem como de rivais dos encarnados. Uma demonstração de falta de "fair-play", e nunca é demais repetir, que fica mal seja qual for o clube que esteja em causa. O Benfica vai agora a Itália no dia 28 defrontar o Nápoles, que ontem foi à Ucrânia derrotar o Dinamo Kiev, e lidera o grupo já isolado.


Noutros encontros da primeira ronda da Champions, destaque para a goleada do Barcelona frente aos escoceses do Celtic, que "pagaram" pela derrota dos catalães no mesmo Nou Camp no último Sábado frente ao modesto Alavés. Messi e Luis Suárez estiveram inspirados, marcando três e dois golos, respectivamente, tendo os outros dois sido apontados por Neymar e Iniesta. O Barcelona a todo o gás e ainda para mais ferido no orgulho é um perigo. 


A outra partida do Grupo C, entre o Manchester City e o Borussia Moenchengladbach não se realizou devido a uma forte tempestade que se abateu sobre Manchester, e o jogo foi re-agendado para esta noite. Ui, até imagino o que pensou o Hugo Gaspar quando soube do adiamento do encontro: "ena, ena, foi uma ameaça terrorista", pulando de contente. Olha, foi só chuva, paciência. Não foi Maomé, mas antes o S. Pedro.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Macau PutaPorra PortPourri



Agora que está na moda bater no desrespeito pela Língua Portuguesa, a tal "outra" com o estatuto oficial além da chinesa, e depois da "gaffe" da semana passada do IACM com o "Festival de La Luna", eis que agora vem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) com o PortPourri, outro festival de pouca-vergonha! E esperem lá, eu disse "Direcção dos Serviços de Turismo", qué d'zer? Queria dizer, qué d'zer, "Macao Government Tourism Office", qué d'zer, "in english, mudafuckaz", qué d'zer. Sim, o PortPourri, e leram bem, é um trocadilho com "Pot-Pourri", que é assim um cestinho cheio de coisinhas boas e fofas, tipo flores secas qué d'zer, só que, qué d'zer, é PORT-Pourri, de Português, qué d'zer. Só que de "português", qué d'zer, tá quieto, ó mal, qué d'zer, que levam a página em chinês e inglês e já gozam, qué d'zer. Se calhar é por causa da parceria com a TurboJet, que "don't speak portuguese", qué d'zer. Mas espera lá, o que digo eu? Claro que há Português! Ou mais ou menos...


Ó aí jentchi! Qui mujiquinha boa, pôxa! Aê, queim dichi qui naum teim Pôrtugays, hein??? "Vila vila, vila vila...sua vóis ê tão quentchi...". Amei, pô, amei! Nóta deiz! Massa! Bumba meu boi!



Até na designação em chinês lê-se 葡一葡 (pou yat pou), que para piorar as coisas é por sua vez um trocadilho com 步一步, que significa "passo a passo" - "Portugal a Portugal", e que em chinês também pode querer dizer "dar uma voltinha", ir "de porta em porta", entenderam? AH AH AH! Claro que não! Não faz qualquer sentido! E além disso qualquer pessoa NORMAL vai olhar para "PortPourri" e pensar "Olha, estes idiotas nem sabem escrever "Pot-Pourri", e a Google concorda:


Pois. Mas lá estou eu outra vez, que "só sei falar mal", pois o primeiro resultado da pesquisa é mesmo "PortPourri" - isto, que em Macau é coisa única no mundo. Ah mas deixa lá, que isto também não é para nós, que somos uns "tesos" e passamos o ano todo a juntar patacas para depois ir lá à aldeola duas ou três vezes por ano ostentar. Isto é para malta que gasta aos 500 e 750 paus por cabeça num dos restaurantes incluídos na promoção, deixa uma milena ou mais num Spa, faz compras no mínimo de dez mil patacas no One Central de modo a obter um "instant reward" (um porta-chaves de plástico com o logótipo do "Macau Government Tourism Office"??? é que eu não tenho...), ou arrota três mil lecas para ir ali ao lado a Hong Kong de helicóptero - óptimo para quem está a ter um princípio de enfarte, ou um AVC. E há um "package" para aquela malta que é um bocado suicida mas demasiado lingrinhas para morrer, querem ver?


E por acaso "Tower f***ing", não têm? Isso é que eu gostava de experimentar, pá. A ideia até não é má, eu sei. Sim senhor, tem tudo óptimo aspecto, e não é por não me interessar ou não querer gastar 3 mil patacas num jantar para 4 pessoas na Torre de Macau que não há quem não se importe, nada disso. O que me deixa intrigado é olhar para a pinta do pessoal que vem a Macau gastar "forte e feio", e depois para este anúncio todo pipi, com trocadilhos e mais não sei quê? A intenção é chegar a "novos mercados"? Bem, certamente que nenhum deles será da Lusofonia, uma vez que olvidaram a Língua Portuguesa, com a agravante de ser também uma das línguas oficiais do território que agora convidam a visitar recorrendo para isso ao aspecto da sua "singularidade" - irónico no mínimo. Qué d'zer, não havia necessidade, qué d'zer...

Vejam aqui as mer...maravilhosas promoções que podem obter neste PortPourri, que ainda por cima já vai no segundo ano de asne...fabulosas ofertas! Sim, é PORTPourri, não "pot pourri", e pouco importa o que diz o corrector do Windows. Oops, qué d'zer, o "spell checker". Oh yeah!


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As lições do Nunecas: Língua "Pretoguesa"




Nuno Miguel Oliveira, vulgo "Pica-Pau", é "F&B manager" no Hotel Sintra, e "graduado" em "Humanísticas" no Liceu de Oeiras. Que má publicidade para aquele estabelecimento de ensino da linha. Quer-se dizer, se o menino queria ir para letras para fugir à Matemática (senão ainda nem tinha completado o secundário, sequer), bem podia ter aproveitado para ler qualquer coisinha, e mais importante que isso, APRENDER A ESCREVER.


Pois é, ó Miguel Ricardo, "escrevem mal em português e inglês" - quem mesmo? Bom, o inglês já tínhamos visto aqui, agora é hora de ver quem é que "cheio de preconceitos e complexos" não sabe escrever português.


Sim, não "sejamos utopicas", que esses líderes das associações anti-racismo "só querem catapultar a imagem" dos seus líderes, os malandros. E assim é que chegam longe, ah pois é!


Isso mesmo, toca a boicotar essa gente "abstracta e utópica", que "revela uma grande dose de falta de educação". Eu é que tenho um défice de bastante paciência para aturar as idiotices deste palerma.


Grande calinada, pá! Começa a faltar a paciência! Então não "vez" que cada "vês" que cometem estes erros, estão a "assassinar a língua PRETOGUESA", pá?


Nem com aquele tipo super-bestial a ajudar o gajo aprende. Ele NÃO CORRIGIU AQUILO, no fim! Realmente...


...anda uma pessoa a demonstrar SOLIDARIEDADE para isto. E pelos vistos não é só na China que essa palavra está a faltar no dicionário.


Eh, eh...que burra, LOOL! E ainda por cima repare-se na presunção do camarada, ao publicar aquilo num grupo que dá pelo nome de "Assassinos do Português". Oh, a ironia...




...que só não "vem" quem não quer. Então não "vez", pá?!?!


TDM Doisporto


Tenho andado a ser "picado" para falar do novo formato do TDM Desporto (não sei porquê), mas como só hoje deu para ver parte dele, aqui vai. Não que tenham algum defeito a apontar, ou algo digno de destaque que me apeteça referir. Não vou falar nem bem, nem mal, antes pelo contrário. Sabendo o que é Macau, e o que a casa gasta, não falar bem já era motivo mais que suficiente para não dizer nada - é assim aqui, a terra do egos inflados, e não vai mudar tão depressa. Mas sabem o que mais? Não vão poder fazer queixinhas ao meu chefe, que se está nas tintas para essas tricas de mercearia, e se me quiserem virar a cara na rua, óptimo, que se há coisa de estou farto é de olhar para trombis enjoados. Aqui vai, portanto.


O TDM Desporto vem sendo apresentado vai para 30 anos pelo inconfundível Vítor Rebelo, que quer se concorde ou não com o que ele diz, é um natural - até parece que nasceu para aquilo. Entretanto este Verão alguém achou por bem que o programa devia ser "cantado ao desafio", e foram buscar...ah, não posso dizer o nome; primeiro porque de repente não me recordo e estou com preguiça de ir pesquisar, e depois porque se fizer referência ao mesmo vou ter a Stasi à perna, a boicotar-me de tudo e mais alguma coisa, como aconteceu com o Ponto Final durante uns tempos, por exemplo. Não que eu me importe com isso, mas podiam era fazê-lo sem andar a repetir constantemente a realização da proeza. Assim vou referir-me à menina por "menina". Que tal?

Quanto ao conteúdo propriamente dito, nada a apontar, e até fecho um olho (ou os dois, ou os três se quiserem) ao ar de satisfação com que se falou da derrota de Portugal na Suíça. Não é nenhuma tragédia, de facto, mas também não é propriamente a chamada dos concorrentes do Preço Certo: "Você é concorrente, venha jogar!". De facto concordo que "Andorra não é a mesma coisa que a Albânia", até porque estes últimos se qualificaram para o último Euro, e o registo de Andorra nas últimas duas qualificações para o mundial é de 21 derrotas noutros tantos jogos, 3 golos marcados e 70 sofridos. De resto nem tomei muita atenção ao que foi dito, pois estava entretido com o "bailado". Qual bailado? Este:


Pois, lá estou eu a ser "um sacana" outra vez, e o correcto mesmo é mandar "bocas" à socapa, mas depois em frente à menina dizer-lhe "MUITO BEM! ESPECTACULAR! A MELHOR APRESENTAÇÃO QUE JÁ VI! PARA QUANDO A CNN?". A sério, já não tenho idade para isso. E realmente a menina não é a única que tem este problema de não saber o que fazer com as mãos quando fala, e o único que me recordo conseguir superar esse aspecto com classe é o grande Ribeiro Cristóvão. Podia optar por segurar uma folha, mesmo que não tivesse nada lá escrito, ou sei lá, façam o que entenderem. Outra sugestão: e que tal sentarem-se, por exemplo? Ou a TDM cortou no orçamento no que toca às cadeiras?