sábado, 22 de julho de 2017

Ai o quê?!?!


"I ruin food"? Ou será "I church food"? Já sei: "I St. Paul food"! Ah, deixem para lá...


Macau the special one



Um dos momentos mais altos da última peça dos Doçi Papiaçam di Macau, exibida em Maio último no grande auditório do Centro Cultural. Uma mensagem para o presidente Trampas, intitulada "Macau, the special one". Vale a mesmo a pena assistir a estes seis minutos de grande inspiração.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Humanamente comercial


Este é o aspecto de uma sala de fumo na South Railway Station, em Guangzhou. Um espaço amplo, com motivos comerciais diversos, entre tabaco e utensílios para alimentar o vazio, até uma "vending machine" com soda e sumos, passando por uma funcionária que ia trocando a água dos cinzeiros. Uma óptima forma de aproveitar um espaço, e já agora de tratar os passageiros fumadores como pessoas. Bem hajam!






Em ponto


Estive este fim-de-semana em Guangzhou, e viajei num destes comboios rápidos da CRH, que fazem a viajem de Zhuhai até à maior cidade da província de Cantão em uma hora. Na ida o comboio saiu às 10 da manhã e chegou ao seu destino à 11:08 - exactamente como o programado. Na volta saiu um minuto mais cedo, às 15:59 de Domingo, e chegou a Zhuhai igualmente um minuto mais cedo, às 17:07. Às 4 da tarde estava eu a sair de Guangzhou, e antes das seis da tarde já estava em casa, em Macau. Podem dizer o que quiserem, mas na China os comboios partem e chegam a horas.




Sete dias na Coreia do Norte



Agora que tanto se fala da Coreia do Norte, e novamente pelos piores motivos, gostava de partilhar este vídeo de um vlogger lituano, Jacob Laukaitis, que nos oferece um ponto de vista neutro sobre esse mistério que é o regime dos Kim. Vale mesmo a pena ver, pois são pouco mais de dez minutos, e para quem tinha alguma curiosidade (como no meu caso) pode ser que essa seja finalmente saciada.


Aguenta que é Verão



Para começar a semana, e aproveitando o tempo lastimoso que faz lá fora que dá força às ideais nele contido, nada como o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Apesar das condições climatéricas, desejo a todos uma boa semana, dentro do possível.

O Verão em Macau. Sim, eu bem sei que falo disto todos os anos, mas é incontornável. E é um tema “light”, uma vez que não dá para culpar os governos nem ninguém daquilo que é apenas a culpa da mãe natureza, em suma. É como uma avó de quem gostamos muito mas nos oferece sempre meias horrorosas no Natal, e que nunca vamos usar – a gente gosta dela na mesma. Só que em vez de meias, esta avó, ou mãe ou o que quiserem, dá-nos monções. Ora está um sol e um calor que não se aguenta, ora vinte minutos depois cai um toró de proporções diluvianas. Isto a juntar à humidade relativa na ordem dos 90 e tal por cento, garante-nos uns meses de estio tudo menos secos. Aqui não há seco para ninguém no Verão. Preparai-vos para suar até de lugares que nunca chegaram a imaginar ser possível (isto nos homens é mais verdade). O Verão em Macau não se passa: aguenta-se!

Dou como exemplo a última terça-feira de manhã. Saí de casa perto das 8:30 para dar o meu modesto contributo ao progresso da RAEM, não sem antes verificar pela janela o aspecto do céu, que parecia tudo menos a prometer chuva. Mas eis que cinco minutos depois de por o pé na rua, dou comigo a guardar os óculos de sol, e a procurar a varanda mais próxima para me abrigar da chuva. Deu para me safar apenas todo molhado, em vez de encharcado até aos ossos (como também já aconteceu), quando cheguei ao trabalho, altura em que não só já não chovia, como ainda fazia um sol radioso. Ninguém diria que esteve a chover cinco minutos antes.

Umas das desvantagens da chuva são os guarda-chuvas, coisa que detesto usar, e só o faço em caso de não ter outra opção. Não me importo que me caiam umas gotas de uma chuvinha molha-parvos qualquer. Eu não tenho medo da água, tomo banho todos os dias. O nosso corpo é composto por 70% de água. E não é só quando chove que se abrem os guarda-chuva, pois o sol também é um elemento que a população local teme especialmente, porque os deixa com a tez escura. Que horror! E à conta disto não é raro o dia em que tenho que me fazer à luta, suportando os varões alheios no rosto, arriscando-me a ter uma vista fisgada, enfim, ai o sol, ai a chuva, ai tudo.

E finalmente há o impacto do Verão na moda. Em Macau nada é moda entre Junho e Setembro. Estes meses foram guardados para a não-moda. Ele é as sandálias com meias, as capas de chuva de plástico transparentes, as botas de borracha com Hello Kitties, as meias pretas de senhora naqueles dias de fumeiro, e isto para não falar outras vez dos malditos guarda-chuvas. Andar com um sol abrasador e de guarda-chuva na mão nem chega perto de ser “british style”. É simplesmente parvo.

Mas pronto, e por quê não bazar antes daqui para fora? Por que temos que trabalhar, ora essa! E onde vamos passar o fim-de-semana? Onde houver ar condicionado, onde mais? Se me estou a queixar? Nada disso, é tão agradável. É só preciso aprender a aguentar.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

A cova (RACISMO!)


Pára já tudo, chegou...O RACISMO!

Em Portugal não se tem falado de outra coisa toda a semana: o alegado racismo da parte dos agentes da PSP de Alfragide, junto do problemático bairro da Cova da Moura. Digo "alegado" porque é disso mesmo que se trata. Os agentes foram indiciados pelo Ministério Público de vários crimes, e são inocentes até que esses crimes fiquem provados, e o juiz da sede do último recurso diga que são culpados, caso seja esse o desfecho. Isto tem dado pano para mangas, pois os factos ocorreram em Fevereiro de 2015, chegou a ser aberto um processo que viria a ser arquivado, mas o SOS Racismo interveio, pedindo a reabertura do mesmo. Após subsequente investigação e o aparecimento de novas provas,  o MP indiciou a esquadra inteira de vários crimes, e de imediato se levantou o debate sobre o "racismo" e  - pasme-se - um tal de "racismo inverso". Bom, mas antes disso, passemos então aos FACTOS.


A agora infame esquadra de Alfragide, onde aconteceu...RACISMO!

O que se segue é um relato dos factos que levaram à acusação feita aos agentes da PSP da esquadra de Alfragide, publicado na segunda-feira no Diário da Notícias. Um trabalho notável da jornalista Valentina Marcelino, que podem ler aqui na íntegra, mas da qual destaco as seguintes passagens:

Tudo começou com a detenção, que o MP concluiu ter sido arbitrária e violenta de um jovem (não na sequência do apedrejamento por parte deste contra uma viatura da polícia, como contou a PSP), Bruno Lopes, no bairro, levado para a esquadra pelas 14.00 do dia 5 de fevereiro de 2015. Ao contrário do que foi descrito nos autos de notícia da PSP, Bruno não resistiu à detenção nem agrediu os polícias. Tal como contou, estes encostaram-no a uma parede, de braços e pernas abertos e disseram-lhe "estás a rir de quê, macaco? Encosta-te aí à parede!". De seguida espancaram-no violentamente e caiu no chão a sangrar da boca e do nariz.

Sendo conhecido da Associação Moinho da Juventude, uma instituição que desenvolve vários projetos de inclusão social no bairro, foram alertados amigos, entre os quais Flávio Almada e Celso Barros, conhecidos, até pela polícia, por serem ativos mediadores desta associação. Seis deles (não 20 a 25, como contou a PSP) dirigiram-se à esquadra para saber da situação de Bruno. O MP diz que, sem que fossem provocados, os agentes começaram a agredir os jovens, arrastando-os para a esquadra enquanto gritavam palavras de ódio racial. Dois deles ainda conseguiram fugir por entre as estreitas ruas do bairro. Ficaram Flávio, Celso, Paulo e Miguel. Um quinto elemento, Rui Moniz, que estava nas imediações, a sair de uma loja de telemóveis ao lado da esquadra, acabou por ser também arrastado para dentro pelos polícias. Um dos agentes, apontando para Flávio Almada, exclamou para os seus colegas: "Apanhem aquele que tem a mania que é esperto", indo atrás dele e espancando-o com o bastão.



Flávio Almada, uma das vítimas de...RACISMO!


Este é o tal que "tem a mania que é esperto", segundo o tal agente menciona no relato dos factos. Não sei bem se "tem a mania", pois este Flávio Almada não é "um preto qualquer". Segundo o seu perfil no Facebook (as páginas amarelas para as pessoas do século XXI), é licenciado em Humanidades e Tecnologia pela Universidade Lusófona, e realiza trabalho social junto dos jovens do bairro da Cova da Moura através da tal associação referida no artigo, o que é algo de louvar. E penso que todos concordarão com isso. Mas há mais, e não é nada bonito:

Algemados, foram atirados para o chão da esquadra. "Vão morrer todos, pretos de merda!", ouviram dizer a um dos polícias. Pontapés em todo o corpo, socos, bofetadas, incluindo na cabeça, pisadelas, tiros com balas de borracha. Rui Moniz, que teve um AVC aos 9 anos e sofre de uma paralisia na mão direita, gritava por ajuda, mas ainda era mais agredido. Gozando com a doença, um dos agentes quis humilhá-lo: "Então não morreste (do AVC)? Agora vai dar-te um que vais morrer. Ainda por cima és pretoguês filho da puta!" Bruno, Flávio, Celso, Rui, Miguel e Paulo estiveram detidos dois dias.


Durante esse tempo, sustenta o MP, foram humilhados, vítimas de enorme violência física e psicológica por parte de agentes da autoridade dominados por sentimentos de xenofobia, ódio e discriminação racial. "Não é nada comigo", respondeu uma agente a quem Rui Moniz suplicava que o salvasse. Outro agente dizia, apoiado pelos colegas, olhando para os seis jovens do chão: "Não sabem como odeio a vossa raça. Quero exterminar-vos a todos desta terra. É preciso fazer a vossa deportação. Se eu mandasse vocês seriam todos esterilizados." Ou, como contaram ainda os jovens, declarava outro agente: "É melhor irem para o ISIS", "vocês vão desaparecer, vocês, a vossa raça e o vosso bairro de merda!".

Só no dia 7 de fevereiro os jovens foram presentes ao juiz de instrução criminal. Regressados à esquadra, quando aguardavam pelos bombeiros e o INEM, finalmente chamados, para os conduzirem ao hospital, ainda assistiram a uma última cena, que ficou registada pelos investigadores: uma subcomissária de serviço, com o objetivo de esconder vestígios do sangue provocado pelas agressões, pegou numa esfregona e limpou o chão manchado de vermelho.


A Cova da Moura, "mothership" de todo este...RACISMO!

Ora bem, todos aqueles factos, a serem comprovados, são gravíssimos. Houve quem não tivesse o cuidado de ler tudo aquilo com atenção, e desatasse a fazer juízos diversos, na maioria inspirados na má fama que o bairro dos arredores de Lisboa leva, e foram referidos outro casos em que agentes da autoridade são mal recebidos e até por vezes agredidos na Cova da Moura. Andei estes dias a reflectir sobre isto, e a ler o que outros pensam do assunto, e não tenho dúvidas quanto ao lado da barricada que devo tomar. Para melhor ilustrar, reproduzo aqui e com a devida vénia, parte de um comentário do meu amigo facebookiano Miguel Andrade:

Só quem está disponível para tolerar abusos xenófobos é que pode condescender relativamente à actuação policial na esquadra da Amadora, invocando como justificação ou comparativo as agressões diárias que as forças de segurança sofrem no exercício da sua actividade.


A PSP faz bem em não pactuar com...RACISMO!

Nem mais. Isto não é nada contra as autoridades e as forças de segurança, de quem os cidadãos precisam, que os cidadãos pagam com os seus impostos (detesto este argumento, mas tecnicamente é verdade) e devem ter deferência para com TODOS os cidadãos. Eu quando era miúdo e via um polícia, sentia-me seguro. Quando tinha 9 anos e entrei na esquadra da PSP do Montijo para entrevistar um sr. agente para um trabalho da escola, encontrei a gente mais simpática no local que me parecia o mais seguro do mundo. Deixem-se lá de merdas e de "racismos" e dessa porcaria, que os portugueses não são assim, o nosso país não precisa disto. Sim, os bandidos devem ser apanhados, e temos que apoiar as autoridades nesse trabalho, mas estes agentes - e mais uma vez, caso fique provado - a agir desta forma, não dignificam o bom nome da corporação. Não dignificam ninguém, nem nada. Eu quase que gostava que estivessem inocentes, mas infelizmente isto é muito sério para se tratar de um simples mal-entendido. É um momento histórico, sim, como referiu o presidente do SOS Racismo. Mas só é positivo se for a última vez que acontece.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Caixinha de (más) surpresas


A época futebolística 2016/17 ainda mal parecia ter terminado, e já arrancou a 2017/18, com a realização da fase preliminar das competições europeias de clubes. Na última quinta-feira realizou-se a primeira eliminatória da Liga Europa, que colocou frente a frente equipas de países dos últimos lugares do ranking da UEFA, e teve o aliciante de incluir o regresso do histórico Rangers de Glasgow. Os escoceses regressaram assim às competições internacionais sete anos depois de uma descida administrativa à II Divisão (quarto escalão) escocesa. O regresso não se pode dizer que tenha sido memorável, pois o Rangers acabaria eliminado por um tal Progrès Niederkorn, do Luxemburgo, uma equipa amadora que conseguiu assim a sua primeira vitória em seis participações na Europa, e que lhe valeu logo a passagem à eliminatória seguinte. Depois de uma derrota na Escócia por 0-1, os luxemburgueses - com alguns nomes portugueses na equipa - surpreenderam tudo e todos ao virar a eliminatória com uma vitória por 2-0, perante uma assistência de pouco mais de 5 mil espectadores.


Do lado do fracasso está um português, Pedro Caixinha, treinador dos Rangers. O clube sofreu talvez a maior humilhação da sua história de 140 anos, e certamente que muito se riu do lado dos rivais Celtic, com quem os Rangers disputam o "derby" mais antigo da modalidade. Na nau escocesa que foi naufragar ao continente estão ainda outros portugueses; o central Fábio Cardoso, o ala Daniel Candeias e ainda o avançado Dálcio, ex-Benfica. O Rangers é uma equipa altamente profissionalizada, com um plantel que vem sendo constantemente reforçado desde que o clube regressou ao escalão principal há dois anos, pelo que a corda fica extremamente curta para o português, depois de perder contra uma equipa amadora e praticamente desconhecida. A direcção do clube continua a confiar no técnico, mas certamente que mais um desaire idêntico será a morte do artista.


Há um ano...


Obrigado pelo tiro certeiro ao serviço da Pátria, nobre soldado Éder. Nunca o vamos esquecer.



Vocês em Macau


E para abrir as hostilidades desta semana, nada como o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Está um calor do caraças, mas vamos a isto.

Existem inúmeros dogmas que foram criados sobre a vida dos portugueses e outros expatriados em Macau e que, para quem não acompanhou a evolução da nova realidade, continuam actuais, e com os quais eu próprio tomo contacto cada vez que vou a Portugal de férias – e vai sendo cada vez menos. Não foram uma, nem duas, nem três as vezes que de repente salta um comentário do tipo “Vocês em Macau…”, seguido de qualquer coisa do género “…têm todos um rolls-royce na garagem”. Não é bem assim, mas não anda muito longe. Assim decidi compilar uma série de ideias feitas que muitos portugueses da metrópole ainda têm sobre nós, os expatriados, às quais convém fazer um “update”.

“Vocês em Macau” têm facilidade em arranjar emprego, sendo portugueses.

Já foi assim, mas vai sendo cada vez menos verdade que a nacionalidade portuguesa é meio caminho andado para garantir um emprego em Macau. Antes de 1999 bastava ser cidadão nacional português e obter uma declaração de que residia no território há mais de três meses confirmada por duas testemunhas para se obter o BIR, mas hoje em dia não só os critérios são mais rígidos, mas há também uma demora processual na autorização da residência que ninguém consegue explicar, e nem as autoridades justificam – é um mistério.

“Vocês em Macau” não se pode dizer exactamente que “trabalham”, quer dizer, “vão ao emprego”…

Essa é talvez uma das maiores diferenças em relação ao período da administração portuguesa. Trabalha-se sim e quem está no sector privado nem pense “encostar-se à sombra da bananeira”. Na hora de distribuir as atribuições, os portugueses não são menos que os outros.

“Vocês em Macau” têm como que “um desconto”, ao contrário dos chineses ou de outros estrangeiros.

Tal como na presunção anterior a esta, nada disso. Quem está com contrato e “pisa na bola” vai parar ao olho da rua com a mesma facilidade, seja ele português, chinês, italiano ou outro qualquer. Chefes chatinhos como aí também há por estas bandas, com a agravante de ainda precisarmos de atender ao aspecto cultural, e para quem não domina a língua, pior ainda.

“Vocês em Macau” ganham bem… em “pataquinhas”.

O mito da árvore das patacas é uma coisa do passado. Essa proverbial árvore, se realmente existiu , já há muito que secou; é verdade que se ganha melhor que em Portugal em algumas profissões, mas as despesas são muito mais que no passado. A habitação, por exemplo, tem um peso na ordem dos 30-40% da despesa total, ou mais para quem opta por viver sozinho ou dividir a renda por menos pessoas. Quem tem casa própria ou atribuida pela empresa onde trabalha está mais à vontade, mas não deixa de sentir a subida galopante da inflação em muitos dos bens de primeira necessidade.

“Vocês em Macau” têm uma vidinha tranquila. É tudo perto.

Sim, de facto é possível a muitos (como eu próprio) deslocar-se a pé para o emprego, apesar de já ter sido mais agradável, quando não era inevitável andar aos encontrões e aos empurrões, já para não falar do calor e da humidade. Para quem precisa de apanhar transporte ou conduzir, as distâncias também não são as mesmas do que entre Lisboa e a Margem Sul, por exemplo, mas a qualidade do serviço de transportes deteriorou-se, e o trânsito passou a ser um dos problemas que demoram a resolver.

“Vocês em Macau” não precisam de se preocupar com a questão da segurança, dos assaltos…

Apesar dos números da criminalidade terem vindo a aumentar, ainda é possível andar a qualquer hora e em qualquer lugar de Macau sem recear os assaltos, pois aqui não existem bairros “problemáticos”, como em Portugal. No entanto começam a surgir certas preocupações com algumas liberdades que em Portugal são praticamente “intocáveis”. Ah sim, e as penas pelos delitos relacionados com droga são muito mais pesadas que em Portugal – aqui não há lugar a certas “brincadeiras”.

“Vocês em Macau” têm os casinos, que resolvem todos os problemas de fundo, enquanto aqui os políticos são uns aldrabões e não mexem um dedo.

Os casinos são uma fonte de receitas que muitas economias invejam, sem dúvida, especialmente as micro-economias, como é o caso de Macau. O problema é que não se sabe muito bem por onde andam essas receitas, que em tempos batiam recordes atrás de recordes, e de como não estão a ser usadas para resolver problemas de longa data que têm vindo a agravar-se cada vez mais.

“Vocês em Macau” têm uma data de países à volta, praias paradisíacas, ilhas de sonho… é só passear!

É verdade e é muito mais fácil a alguém ir passar um fim-de-semana prolongado à Tailândia ou às Filipinas do que a um português fazer o mesmo em Bruxelas ou Amesterdão, que ficam mais ou menos à mesma distância de um voo. E é muito mais barato, também. Mesmo assim não se queixem, pois se vivem no litoral estão a meia-hora de carro de qualquer praia decente, enquanto para nós é necessário apanhar um avião.

“Vocês em Macau” agora queixam-se tanto… então o que estão ainda aí a fazer?

Parece uma provocação ou uma pergunta parva, mas é pertinente. Há os que se fartaram e se foram embora, há os que não gostam mas não têm outra escolha porque em Portugal têm as portas fechadas, e há os que mesmo tendo a opção de regressar, criaram aqui raízes, casaram com pessoas de cá, tiveram filhos e fazem aqui a sua vida. E para esses “queixar-se” quando as coisas correm mal é o mesmo que toda a gente faz quando quer o melhor para a si e para os seus. Esclarecidos?

Mas melhor que ouvir falar, e ainda por cima confiar em testemunhos que nada têm ver com o Macau do presente, era vir cá ver como isto é. Se não vos dá jeito, se é longe, caro, não vos interessa, ou não conhecem aqui ninguém e portanto acham que não vale a pena, paciência, só que antes de afirmar com essa dose de certeza que aqui é uma espécie de “mundo do faz-de-conta”, o melhor é informarem-se primeiro. Valeu, ó “vocês em Portugal”?



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Se a inveja matasse...


"Penso que já posso, como português, ter opinião sobre o comportamento do jovem talento, porque me parece que o traque do concerto solidário vem numa sequência “lógica”: não foi gás do momento. Parece-me que Salvador vive um dilema desde a primeira hora. Tentar agradar a todos é uma tarefa complicada. Sinto-o desconfortável e o traque só mo confirmou. Salvador cultiva a figura da alma livre, o músico pela música, que se junta a compinchas e mesmo que perante uma mera dúzia no público tocam como se fosse o último dia, porque é tudo amor à arte, mais o blá-blá do costume, o dos artistas muito puros que não se vergam ao vil comércio. Ainda assim, concorreu à Eurovisão. Como, de resto, tinha concorrido a tudo o que era concurso de talentos, que existem, que eu saiba, para quem procura o seu espacinho no apertado espectro da fama.
Quando não está a cantar estrofes, Salvador tem um problema com o que diz. Tudo espremido, deu sempre a ideia (já devia estar a pensar no traque) de que se está a cag**. Esquece-se disto: se abraçou o circo e as mordomias, fica-lhe mal cuspir na sopa. Passou logo a queixar-se, muito irreverente, muito estrela rock, das multidões que o aclamam"

Rodrigo Guedes de Carvalho, in TV Mais, 5/Julho/2017


A música é muito importante para si. Que paixão é essa?

Foi a minha primeira paixão. Quis aprender guitarra por volta dos 9 anos. Em casa, nessa altura, estava-se a viver o grande boom da música dos anos 70. E eu fazia playbacks. É preciso ver que os meus pais tiveram-me muito cedo e que fui filho único durante bastante tempo. De certa forma, fui o irmão mais novo do meu pai. A minha infância foi por isso passada entre adultos, os meus tios incluídos. Havia muita música, muitos discos. Tudo isso mexia comigo, e apaixonei-me.

Chegou a ter aulas?

Sim. Pedi à minha mãe, e ela procurou alguém que me ensinasse. Era uma antiga professora do Conservatório, velhinha. Eu ia às aulas sozinho, e aquilo correu mal. A senhora era muito exigente, eu aprendia guitarra clássica pura e dura, quando queria era tocar rock. Chegou um momento em que não aguentei mais, porque ela batia-me com uma vareta nos dedos quando eu falhava uma nota. E, um dia, antes de entrar em casa, parti a minha guitarra. Jurei que nunca mais tocaria.

Idem, in Expresso, 6/Maio/2017


quinta-feira, 6 de julho de 2017

A alcagoita


Um texto espectacular de António Ribeiro, sobre a "Maria Vieira", aliás, o frustrado do marido dela.

Anda por aí uma alcagoita ranhosa, filha de um espermatozóide avariado, sem cultura nem vergonha, a opinar que o Presidente Marcelo vai ficar na História como o pior de sempre. Entre outros dislates. Nem o nome dessa coisa esponjosa refiro, porque há assuntos que não são para qualquer um, ou uma. Todos temos direito a uma opinião, mas há seres tão rasteiros que não vêem nada acima dos rodapés da sua ignorância escatológica.


Pessoano



Primeiro estranha-se, depois entranha-se.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Yoga? Diga não!



Cuidado, cristãos! Não vos deixais tentar pelas coisas do demo, como é o caso da Yoga! Pernas cruzadas ou atrás das costas não é natural. A Yoga não é uma actividade cristã, como falar sozinho, percorrer santuários de joelhos, ou contribuir com parte dos rendimentos para uma seita de pedófilos e afins - é própria do hinduísmo, não da cristandade. E está a chegar às crianças e tudo! Alguém por favor pense nas crianças! (Para além dos pedófilos no Vaticano, lá está).

O demónio apresenta-se de várias formas e feitios, e na maior parte delas vindas do Oriente (menos Jesus). Ele é o hinduísmo, o budismo, o Islão (especialmente este), são tudo coisas do demo! E o tal de Kama Sutra? Coisa menos natural que isto não existe! O sexo serve para fins reprodutivos, e mais nada! Por isso atenção aos perigos de outras práticas orientais (menos o cristianismo), como sejam o reiki, a astrologia, o horóscopo, ou o tarot, além da meditação. Pensar não é uma coisa cristã, de todo.

Ah, e já agora as artes marciais, como o karaté, o taekwoondo, ou ainda o kenpo, porque não? Estás a ouvir, ó Hugo Gaspar? Nada disto vem de Deus. Não vais querer ter um exorcista à porta, como o professor Sousa Lara, pois não? Lembra-te: só Deus salva. E Deus, como toda a gente sabe, é branco, loiro e de olhos azuis. Amén!

Benfica tetra-campeão, também em Macau


Assim como em Portugal, também aqui em Macau o Benfica local comemorou no último Domingo o seu tetra-campeonato, e o segundo desde que Henrique Nunes tomou as rédeas da equipa como treinador. A edição 2017 da liga macaense terminou com um clássico entre os encarnados e o Sporting de Macau, filial do clube de Alvalade, que terminou com 7-1 para as águias. Um resultado que faz lembrar um outro ocorrido entre os dois emblemas em Portugal há muitos anos, só que ao contrário. Nesta versão o avançado Nicholas Torrão fez de Manuel Fernandes e marcou quatro golos, numa partida sem muita história; o Benfica jogava para o título, enquanto o Sporting tinha garantido na jornada anterior o seu objectivo, que era a manutenção, e apresentou em campo uma equipa bastante jovem.

O segundo classificado foi o Monte Carlo, que na última ronda goleou o despromovido Lai Chi por 9-1, e ficou a um ponto do Benfica. O terceiro foi o Chao Pak Kei, que terminou a quatro pontos do líder, e depois cavou-se um fosso de 16 pontos até ao quarto lugar, ocupado pelo Kei Lun, com 27 - típico no futebol macaense. O Cheng Fung, que teve o mérito de empatar os dois jogos com o campeão Benfica, fechou a primeira metade da tabela, enquanto o Ka I, campeão em 2010 e 2012 e vice nos últimos dois anos, terminou num desapontante sexto posto. Na parte inferior da tabela temos o já referido Sporting, que foi sétimo com 16 pontos, enquanto a formação da Polícia (PSP) terminou no oitavo posto, após ter andado a lutar para fugir à despromoção, como tem sido aliás seu hábito (são pouco sarrafeiros, são...). Além do Lai Chi, foi despromovida ainda a formação dos Sub-23, patrocinada pela Associação de Futebol de Macau, e que regressa assim à II divisão, que disputou ainda no ano passado.

Classificação final:



Estou bem assim, obrigado



Entre os mentirosos que se alternam no Governo, e estes que além de mentirosos ainda mentem mal, prefiro ainda assim os primeiros. Better the devil you know.


Happy 4th of July (and the psychopath)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Como é, Zé Mané?


Sim, eu sei, estou a "comentar os comentários", mas pronto, uma vez que esta entrada foi feita publicamente no Facebook, penso que na condição de consumidor, tenho direito à minha opinião. Este tal Luís Marques deixou há um mês naquela rede social este desabafo onde se lamenta da "falta de oportunidades" que são dadas em Portugal às bandas de metal e de rock alternativo, a quem pagam 80 euros de "cachet", às vezes menos, e insurge-se "contra os "lobbys" (sic) que instrumentalizam o artista. Para o efeito usa como termo de comparação os "cachets" pagos aos artistas de renome, casos de Toni Carrreira ou o seu filho Mickael, ou ainda António Zambujo, José Cid ou Agir. E quanto a este último, adivinhem quem veio concordar com o rapaz:


Nem mais que Fernando Duarte Rocha, aquele indivíduo que não trabalha há 30 anos, vive às custas da mulher, a actriz Maria Vieira, e faz-se passar por ela no Facebook, com os resultados "fabulosos" que todos conhecemos. Com que então "caramba", que "há pessoas que pagam para ouvir o Agir"? A "Maria Vieira" sabe do que fala, pois tem um gosto musical espectacular, e com toda a certeza não vai surpreender ninguém:


Ena, até imagino o La Féria a berrar e tudo: "Ó Maria, tira os Megadeth dos ouvidos e põe as lantejoulas, que vais entrar a seguir". Mas pronto, voltando ao tal Luís Marques, que por acaso até concorda com a "Maria Vieira" num aspecto:


Pronto, um outro camarada comentou que os tais artistas "merecem o "cachet" que lhes pagam", o Luís Marques concorda, mas com o senão do Agir. E vai mesmo mais longe ao afirmar que o tema "(Ela) parte-me o pescoço" parece "uma brincadeira". Ora bem, este rapaz deve saber do que fala (ah ah), mas já lá vamos. Primeiro, e quanto ao Agir...


...eu até gosto. Antes não conhecia e passei a conhecer graças ao meu filho, que é fã. Não se insere em qualquer dos meus estilos musicais predilectos, mas dá para perceber que aquilo que o filho do também cantor Paulo de Carvalho faz, faz bem feito. E a isso se deve o seu sucesso. Quanto ao Luís Marques, ele próprio auto-intitula-se "músico", e vai pelo nome artístico de...


...Domino Pawo, com sede no Seixal. Podem ver aqui a página de Facebook do "artista". Pelo aspecto dá a entender que o seu estilo é semelhante ao dos Moonspell, mas não! Não, nunca, nem pensar nisso! Já vos presenteei aqui com o Agir, agora vejam bem o que faz este gajo:


Exacto, isto é demasiado mau para ser verdade, e chamem-lhe o que quiserem, não é música. Até eu consigo fazer melhor que isto - basta arrastar móveis pela casa durante dois minutos, ou fazer um batido de banana e torrar duas tostas durante um minuto e meio e gravar a coisa. Portanto não surpreende que...


...em dois anos o tema do Agir tenha mais de 12 milhões de visualizações no YouTube em dois anos, e a tentativa de sinfonia dos pratos arranhados do Domino Pawo tenha apenas 77 (setenta e sete, sem "mil") em 3 anos. Ah, mas para o nosso lamentável lamentador, isto tem uma razão de ser:


Não, pá. Não há verba, luzes ou "marketing" que vá salvar aquilo que tu fazes, e a única forma de chegares a 5 mil pessoas com essa poluição sonora a que chamas "música" é se fores morar para um bairro populoso, e vais ter os tais 5 mil pessoas a bater-te à porta para acabares com o chinfrim. E olha que não precisas de te preocupar com a segurança nem nada, pois polícia não vai faltar. Mas apesar das evidências, o jovem insiste que é tudo uma questão "política":


Pois é, pá, eu não sei quem foi o cavalheiro que te tratou com tanta deferência, mas a verdadeira razão pela qual foste "desaconselhado" e não "tocar" (?), foi para poupar os ouvidos das pobres pessoas. Nada a ver com a tua "cor política", e duvido que exista alguma que te queira ter entre os seus simpatizantes. Acho que por muito que um partido andasse a precisar de votos, passava bem sem o teu.


Pronto tudo bem, não precisas de pedir desculpa. De politicamente correcto realmente tens muito pouco, e de artista não tens nada. Por eliminatórias, és um chupa-piças sim, e sem talento, que anda por cá a gozar com a cara das pessoas. Se eu fosse teu pai dava-te era um enxerto de porrada e punha-te a trabalhar na estiva. Ganha juízo, ó figurinha triste.


Portugal está de volta


Um "reality check" cheio de humor da autoria do dj almadense Diogo Batáguas. Rima e tudo! 


Vai p'rá tu'rua


E para começar a semana em beleza, nada como o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Enjoy!

Os portugueses que chegam agora a Macau – e ainda vão sendo alguns, felizmente – poderão ficar surpreendidos com o nome de alguns dos arruamentos da RAEM. Quem se demora a observar as placas toponímicas do território diverte-se a pensar na origem do baptismo destas ruas, becos, travessas e pátios. Quando cheguei a Macau há vinte anos, ouvi falar de uma tal de “Ilha Verde”. Ilha Verde? – pensei eu – deve ser um sítio bestial, ideal para passar um fim-de-semana, umas férias, ou isso assim. Mas este tal Bairro da Ilha verde, “cheng chau” em chinês, não passa de um amontoado de barracas, habitações sociais e ferro-velho atirado lá para a zona norte da cidade. Tem muito pouco de verde, nada de ilha, e é populado por gente que pendura as cuecas nas janelas que dão para a rua. É um engodo. Mas o que seria de esperar de um sítio que fica perto de um tal Bairro do Fai Chi Kei? (fai chi significa “pauzinhos”, daqueles de comer, em chinês).

Existe ainda um tal Canal dos Patos, onde não encontramos nenhuma ave daquele tipo – ou outra qualquer, para esse efeito. Outros locais como a Travessa das Janelas Verdes ou o Pátio do Jardim apresentam-se bastante cinzentões, decepcionantes. Existe aqui perto de casa uma tal Rua do Teatro, que além de não ter nenhuma sala de espectáculos visível, tem várias lojas de armazenamento e distribuição de fruta, tornando impossível a circulação de veículos e pessoas, especialmente depois das seis horas da tarde. Devia-se chamar Rua da Fruta. Perto da Igreja de S. Lourenço existe um tal Pátio das Seis Casas. Eu já lá estive e contei pelo menos oito! Existe contudo uma Travessa Curta, que faz jus ao nome. Não tem mais de dois metros de comprimento! Isto é que é chamar os bois pelos nomes. Existe um Coloane um tal Pátio Pequeno, mas ainda não tive oportunidade de verificar a pequenez do mesmo.

Como se sabe, os chineses não são adeptos de dar nomes de rua a personalidades históricas, figuras públicas ou beneméritos. Assim temos nomes muito simplistas, como a Travessa dos Ovos ou ou o Beco dos Óculos, o Pátio da Cadeira ou o Pátio do Banco. Outros mais românticos ficam sempre bem num cartão postal; a Rua da Esperança, Felicidade, Fortuna, Harmonia, Riqueza, Saúde, Prosperidade, Tranquilidade ou Virtudes, a Travessa da Glória ou da Paixão, o Beco da Sorte, o Pátio da Eterna Felicidade ou da Eterna União. Sempre é menos deprimente do que viver no Beco do Desprezo (em Coloane, e adivinho que será perto do Estabelecimento Prisional de Macau), no Pátio da Ameaça, do Desgosto ou da Indigência. Curiosamante não existem em Macau arruamentos com os nomes de desgraça, tragédia, miséria ou fome, mas bem podiam existir. Sem dúvida que é muito mais agradável ser abençoado e viver na Rua Alegre ou na Rua da Aleluia, do que viver na Rua da Cadeia ou na sua correspondente de calão, a Rua da Cana.

Quem é chique sempre pode morar na Travessa do Clube dos Iates, enquanto os mais pobrezinhos ficam remetidos ao Beco das Barracas ou ao Beco das Barraquinhas. Ou ainda à Travessa do Hospital dos Gatos, onde deve ser impossível dormir devido aos miados de angústia. O evento dos Jogos da Ásia Oriental, realizados na RAEM em 2005, baptizou uma série de arruamentos, incluíndo uma Avenida, Travessa e Praça, e exactamente, “dos Jogos da Ásia Oriental”, uma Rua do Desporto, e uma tal Rua da Patinagem, em Coloane. Esta deve ser dedicada aos orçamentos para a realização de certos eventos e projectos na RAEM, que são conhecidos por “patinar” de vez em quando. Disse eu de vez em quando? Queria dizer “sempre”.

Ainda em Coloane, exstem novos arruamentos com nomes bastante “floridos”: a Rua das Albízias, das Cássias Douradas, das Champacas Brancas, das Bauínias, das Árvores do Pagode, das Canforeiras, das Acácias Rubras, das Lichias, das Schimas, das Margoseiras ou das Mangueiras. Lindo, lindo, um deleite para os adeptos da floricultura e da botânica. Em contraste existe em Macau um Pátio do Pivete, onde deve ser impossível abrir uma janela. E celebremos com alegria a toponímia de Macau, provavelmente a mais rica do mundo!


domingo, 2 de julho de 2017

Poquito a poquito, suave suavecito



Não, não enlouqueci, não estou a divulgar aqui nenhuma novidade musical; toda a gente conhece "Despacito", lançado em Janeiro deste ano pelo cantor porto-riquenho Luis Fonsi, que conta ainda com a colaboração do seu compatriota, o "rapper" Daddy Yankee. O tema vendeu que nem pãozinhos quentes nos quatro cantos do globo, e o vídeo tem 2300 milhões de visualizações no YouTube - quase um terço do planeta, em números.

Bem, isto de ter vídeos com muitas visualizações no YouTube tem muito que se lhe diga, e aqui os gostos podem passar pelo "mau" até ao "generalista", e felizmente este último tem prevalecido. Foi assim com "Gangnam Style", do "rapper" coreano PSY, e normalmente os clips que ultrapassam os mil milhões de clicks oferecem qualquer coisa de agradável, de musical. Mas enquanto o último exemplo apelava a algo de exótico do bar das saladas oriental, já "Despacito" faz saltar as pipocas da latinidade.

A letra, meus pequenos gafanhotos, é o que torna este tema um sucesso, pois apela ao libido, algo que quer gostemos quer não, todos temos - veio com o pacote. Reparem na irresistível sensualidade de passagens como "quero que ensines à minha boca os teus lugares favoritos", ou "a tua beleza é um quebra-cabeças, mas para montá-lo tenho aqui a peça", ou ainda o meu favorito "deixa-me passar as tuas zonas de perigo, até provocar os teus gritos e fazer-te esquecer o teu apelido" não são conversa mole de meninos da pop fácil. São rasgos de génio!

Por isso celebro este "Despacito" (literalmente, "Devagarinho") como a melhor coisa do ano, e aconteceu logo em Janeiro! Eu sempre tive fé de que depois daquele ano horrível que foi 2016 em todos os sentidos, venceria o bom senso, o amor, a alegria, a comunhão entre os povos do mundo, que eu chamo de Globalização (cujo "pai" foi o nosso Vasco da Gama, lembram-se?), mas que outros mal intencionados dão o nome feio de "globalismo". Isso não existe pá. Entenderam ou precisam que vos explique mais "poquito a poquito, suave suavecito"?


quarta-feira, 28 de junho de 2017

E a igreja estava toda iluminada...


Hoje foi dia de S. Pedro, feriado municipal no Montijo, cidade de que é padroeiro. Saudades.


Porque é que chamamos de "bifes" aos ingleses?



Em conversa informal, a maioria dos portugueses refere-se aos ingleses pela (carinhosa) alcunha de "bifes". Ainda há quem pense que isto se deve ao facto dos nossos aliados serem ávidos consumidores de carne bovina, mas isso é um mito - a dieta desses bárbaros do Mar do Norte, "vikings" de fraque, consiste mais em entranhas de ovelha moídas e pudins salgados.

Na origem do nome dos "bifes" estão aqueles "hooligans" que invadem o Algarve no Verão, e por culpa da sua falta de melanina que lhes dá aquela tonalidade de pele fantasmagórica, apanham escaldões como aquele que vemos na imagem - ficam vermelhuscos como os bifes ainda crus. Tudo tem uma razão de ser, e esta é das mais divertidas. Um abraço, ó bifes. "Hugs, you beefsteaks"!


Payday (e bom apetite)



Dia 27 de Junho passou a ser conhecido em Portugal como "o dia do peido do Salvador Sobral". O quê, o Salvador Sobral soltou gás, num concerto solidário na MEO Arena, e cujas receitas revertem para as vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande na semana passada? Não, não soltou gás nenhum, nem nada que se pareça. Vejam o vídeo e confirmem. O Salvador Sobral é basicamente culpado de ter dito a palavra "peido". E nisso de coisas que se dizem em concertos...



...vem-me sempre à memória Axl Rose, líder da banda de "hard-rock" Guns N'Roses, que por mais fãs que mande para o c..., nunca deixa de encher estádios. Recordo-me ainda da passagem de Pedro Abrunhosa por Macau em 94, quando sem saber sequer do que estava a falar, pediu aos jovens no público que "não lhes deixasse acontecer o mesmo que a Wang Dan", um conhecido activista do movimento estudantil de 1989, que culminou com o massacre da Praça Tiananmen a 4 de Junho, e que havia sido (novamente) detido. Em suma, os tipos vão ali para cantar, e não para conversar com a malta - ou cometer um desabafo de 10 segundos, como neste caso do Salvador.

Se o leitor tem o direito de ficar indignado pela "falta de respeito" demonstrada pelo Salvador? Sem dúvida, e eu próprio considero que não foi oportuno (nem bonito) o que o cantor disse, mas deixemos-nos de merdas, pá. Ai foi num concerto solidário com as vítimas dos incêndios? Pode-se dizer mesmo que o Salvador "peidou-se" nelas? Não, isso é parvoíce, até porque...



...o Salvador fez mais pelas vítimas dos incêndios que todos os ratos de sacristia que o saíram a criticar. Muito mais. Infinitamente mais. Aliás, criticar o Salvador por este incidente, morder e não largar o osso cheira mal, e não é do peido do rapaz. As motivações que levam a que este "fait-divers" tenha mais destaque que o concerto propriamente dito são suspeitas; estiveram na MEO Arena cerca de 18 mil pessoas e passaram pelo palco 25 artistas, e pode-se dizer que a iniciativa foi um sucesso, só que o "peido" do Salvador "estragou tudo". Estragou mesmo? Balelas. Quem agradece são as vítimas daquela tragédia que assolou o país e juntou a boa parte dele (os outros continuam a ladrar, que é só o que sabem fazer). Quantos aos ofendidos, se gostam tanto assim de "respeitinho", comam-no hoje ao jantar. E bom apetite.


Inflamáveis infames



Depois de um par de semanas sem postar nada (outras frentes exigiram o semi-abandono a que o blogue foi vetado), nada como começar com o artigo de quinta-feira do Hoje Macau - amanhã há mais. Pena que tenha sido sobre um tema tão desagradável.

Portugal esteve três dias de luto nacional, decretados no Domingo após o terrível incêndio que lavrou (e lavrava, até terça-feira à noite) nos distritos de Leiria e Coimbra. Esta figura do “luto nacional” não implica mais que colocar a bandeira a meia-haste, ou observar um minuto de silêncio no início de alguma cerimónia nacional ou evento desportivo. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa veio de imediato apelar à união e à contenção, pedindo a todos que se combatesse aquele foco de incêndio, em vez de “se acenderem novos focos”, referindo-se à imprensa e redes sociais, onde se começou imediatamente a montar o circo. O prof. Marcelo é óptima pessoa e tem sido um presidente de consensos, mas por vezes dá a entender que conhece mal o povo que o elegeu. Não há tempo seco nem temperaturas de mais de 40º que impeçam o bom povo de sair à rua de tocha acesa, pronto para acender mais uma ou várias piras inquisitoriais.

O país e mundo acordaram em sobressalto no Domingo ao deparar com as notícias que davam conta de quase setenta mortos nos concelhos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra, mortes essas em circunstâncias macabras e aterradoras, que deixaram para segundo plano as perdas materiais próprias desta estação. Em termos de área florestal ardida todos os anos nos incêndios de Verão, pode-se dizer que este foi só um “aperitivo”. As imagens de devastação e de morte falavam por si, e dispensavam qualquer tipo de comentário. Isto não impediu que uma escola muito “avant-garde” de jornalismo mandasse uma das suas mais celebradas profissionais fazer uma reportagem ao vivo junto de um cadáver que se encontrava na floresta, dentro de um saco próprio para o efeito. “Onde já se viu?”, bradava aos céus o povo incrédulo. Na CMTV, respondo eu, quando aqui há uns tempos transmitiram ao vivo o velório de uma criança que havia sido assassinada pela mãe. Foi aí que ficou a barra da decência.

Mas não vamos abrir só um foco de incêndio nos valores de ética jornalística, não. Sabiam que a companhia que gere as contribuições telefónicas para a ajuda das vítimas fica com 1/6 do valor das doações? Ah pois, isto é indecente, “fazer dinheiro com os mortos”, desta vez houve mortos à brava para poder fazer valer qualquer um destes argumentos. Mas alto e pára o baile, que a ministra da Administração Interna impediu a entrada de bombeiros espanhóis, carregadinhos de água, e nós ali sem saber fazer a dança da chuva. Ai alegou questões de logística? Incompetente! Demita-se e já! Ai a notícia “não foi bem verdade”? Demita-se na mesma – demitam-se todos! O que nos vai levar ao principal foco de incêndio, esse ainda maior que o de Pedrógão: de quem é a culpa? Agora é que o lixaram, ó sr. presidente Marcelo.

O incêndio foi causado por um raio de trovoada seca que, por culpa das temperaturas altas e dos ventos, se espalhou rapidamente pela floresta. Houve inicialmente quem tivesse colocado a possibilidade de fogo posto mas, havendo mão criminosa, era mais complicado aos ordenadores do território feitos à pressão nas redes sociais darem o inevitável veredicto: a culpa é do Governo. De qual? De todos, e ainda se estava longe de saber ao perto a dimensão real da tragédia, e já “xuxas” e “pafiosos” apareciam de fósforo em riste, prontinhos a acender fogo na palhota da culpa alheia. Isto é tudo sem dúvida de uma relevância assombrosa. Com toda a certeza que a última coisa que passou pela cabeça das pobres pessoas que se viram subitamente rodeadas pelo fogo da morte não foi arrependimente de ter votado ou deixado de votar em A ou em B.

Talvez eu não esteja a abordar a situação da forma mais apropriada, sem a sensibilidade necessária. É que aqui em Macau (que já contribuiu para o alívio da tragédia, sem fazer perguntas ou tecer comentários, o que é de louvar) tem chovido todos os dias desde o fim-de-semana, e o calor é húmido e não há incêndios florestais – torna-se mais difícil relacionar-se com o drama. Ou talvez porque na China dá-se o abatimento de uma mina e morrem 200 operários, ou uma cheia custa a vida e as casas a milhares de pessoas de uma assentada, e não se faz da notícia um vendaval especulativo, não “vale tudo” para vender papel ou ter audiências, e não se atira a carniça aos abutres para que estes desatem a fazer campanha eleitoral. Em Portugal o luto terminou ontem (terça-feira), e agora já não fica mal falar-se à vontade de responsabilidades, de culpas e de todo o resto. Mas será que ainda ficou alguma coisa por dizer, bem ou mal?

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Obrigado, pá!


Recebi hoje um e-mail deste "Blogs Portugal", e sinceramente não me lembro de me ter inscrito em qualquer medidor de "rankings" de seja lá o que for, mas epá, esta notícia fez bem ao ego - o Bairro do Oriente subiu 93 lugares na categoria de "outro". Bestial! Obrigado a todos que ainda vão visitando este cantinho, apesar do Blogger já ser mais ou menos uma coisa do passado.

É verdade que não tenho actualizado aqui a tasca com a regularidade que desejaria, mas a também é um facto que me tem faltado tempo, tenho andado embrenhado noutras lutas, e enfim, este projecto tem andado um bocado entregue ao vento. Mas quem me tem acompanhado desde o início sabe que não me rendo, e é apenas uma questão de tempo - e disponibilidade - para que o blogue mais lido de Macau volte a bombar. Mais uma vez obrigado, e um grande abraço.


Um vermute e um sorriso


Sabe tão bem chegar a casa, e encontrar o nosso Vermute a sorrir para nós, sem pedir nada, sem nos chatear, sem se queixar da vida...ai...


Não, não é uma família - são bonecos


O Partido Nacional Renovador (PNR, vulgo "partido hilariante") publicou na sua página do Facebook esta imagem, com a legenda "Isto sim, é uma família". Não, isto são bonecos, e não uma família, da mesma forma...



...que isto é não é um pedófilo a tentar agarrar uma criança. Trata-se apenas do sinal de trânsito de "Atenção, escola". 

A propósito, os paladinos da anti-censura do PNR (ah ah ah ah!) impediram-me de comentar na sua página, apesar de eu o ter feito, sei lá, uma vez? E nunca escrevi nada que fosse mentira, ou que se possa considerar de mau tom. São uns cromos, em suma.


Um exemplo de desportivismo


Enquanto que pela maior parte da Europa as competições de futebol atravessam já o período do defesa, em Espanha ainda se jogam os "play-offs" de acesso à promoção a divisões superiores. Na Terceira divisão as meias-finais da qualificação para o "ascenso" à II Divisão colocou frente a frente o CD Castellón, da comunidade valenciana, e os navarros do Peña Sport, da cidade de Tafalla. Na primeira mão, em Castellón de la Plana, os locais venceram por 4-2, e no jogo do retorno um grupo de adeptos que se deslocou a Navarra ficou retido na região da Saragoça, quando o seu autocarro avariou. Sabendo disto, e num gesto de desportivismo que é de louvar, o Peña Sport mandou um dos seus autocarros para ir buscar a "afición" adversária. E em boa hora...


...pois aqui estão eles, os adeptos do Castellón, a vibrar com a sua equipa no campo de San Francisco, em Tafalla. Dentro das quatro linhas é que as coisas não correram assim tão bem para os visitantes, que perderam por 2-0 e foram eliminados, com o golo decisivo do Peña Sport a ser obtido já nos descontos. Os navarros vão agora discutir a promoção à divisão de bronze do futebol espanhol frente ao Náxara, de La Rioja.


sábado, 10 de junho de 2017

Loucura, santa loucura



Para concluir mais uma semana (de laxismo), eis o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Um bom fim-de-semana e um feliz 10 de Junho para todos os portugueses espalhados pelo mundo, e para os amigos da Lusofonia.

Viva! Reside em Macau, e não é maluco? Bipolar? Esquizofrénico? É normal, portanto. Ora, nem sabe o que está a perder, pois em Macau vale a pena ser louco. Nem que seja um bocadinho, mas quanto mais melhor. Garantidamente ninguém se mete consigo, enquanto que se der o caso de ser uma pessoa normal, arrisca-se a ter que prestar contas à Polícia, ao Ministério Público, à Auditoria, ao CCAC, tudo! Macau é “no country for sane men”. Lembram-se daquele idoso sem abrigo que costumava ficar especado no meio do Largo do Senado a emanar um intenso odor a urina? Muitos anos passaram, e o senhor muito provavelmente já terá ido ter com o criador, mas na altura em que era um enfado para residentes e turistas, chegou a haver quem tivesse interpelado as autoridades e chamado a atenção para o caso. Resposta da polícia? “O senhor tem o direito de estar ali, se quiser”. Viva o segundo sistema, onde se consagra o direito de se revelar o que vai quer na alma, quer na bexiga.

Atendamos ao exemplo do “estranho amarelo”, como é conhecido entre locais e turistas aquele indivíduo que quase diariamente pontifica na Avenida da Praia Grande, e debitar altos decibéis de poluição sonora através de uma grafonola rachada, e a exibir danças tribais entre no meio da estrada, entre os sinais vermelhos para o trânsito. Experimente o leitor desatar a berrar a meio do dia naquela artéria da cidade, e em menos de cinco minutos tem a polícia à perna. Um dia destes alguém partilhou nas redes sociais uma imagem do referido indivíduo a viajar num transporte público com todo o aparato que o acompanha – cartazes, megafone, roupagem estúpida, tudo a que tem direito. Tente o leitor entrar num autocarro com duas malas de viagem, e vai ver como é dali escorraçado em menos que nada.

O pior mesmo é quando a loucura parte de onde menos se espera, ou de onde nunca deveria partir. Ainda esta semana os Serviços de Saúde (SS, e nem por acaso) anunciaram um sistema de delação, onde se encoraja os residentes a denunciar quem estiver a fumar em espaços proibidos para o efeito. Ora isto de fumar não é bem a mesma coisa que montar uma barraca de farturas, e já consigo imaginar a situação:

– “Ah ah! O senhor está a fumar aqui, onde não é permitido?”

– “Sim…olhe não sabia”.

– “Ai não? Então olhe, fume devagarinho que eu vou ali chamar o fiscal!”

– “E se entretanto eu acabar o cigarro?”

– “Acenda outro!”

Claro que a excepção seria sempre para o estranho amarelo. Esse bem podia estar a fumar numa maternidade ou no Macau Dome, e ninguém dizia nada.

E do que me estou eu a queixar? Ora essa, de coisa nenhuma. A loucura é que está a dar, garanto-vos, ou não me chame eu Napoleão Bonaparte.

PS: Realizam-se as eleições no Reino Unido, numa altura em que o país está mergulhado numa onda de insegurança devido a mais um atentado levado a cabo em Londres no último sábado, e uma outra de incerteza devido ao Brexit. Fico a torcer para que a partir de hoje a sra. Theresa May passe a uma (infeliz) nota de rodapé da História. E não, agora não é loucura.



Grande galo