terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ilegal radical


Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que não concordo em quase nada do que esta imagem que compara os malefícios do tabagismo com os benefícios do consumo de "cannabis". Melhor do que qualquer uma destas opções é nenhuma; não fumar, abster-se, beber água mineral como alternativa. Apetece-vos fumar? Vão dormir que isso passa. É um facto que o tabaco é uma substância legal e acessível a qualquer maior de 18 anos (em alguns países menos), provoca cancro e outras doenças das vias respiratórias e do sistema circulatório, é um hábito cada vez mais caro, e altamente viciante. No entanto não é verdade que optar pela "passa" é algo que se recomende, porque "faz bem" e "cura o cancro" - falso, e ainda mais falso. É verdade que as propriedades medicinais da "cannabis" (e atenção que "medicinal" não é necessariamento saudável; os electro-choques e a lobotomia são "medicinais" também) torna o tratamento das doenças oncológicas mais suportável, pois provoca uma sensação de bem-estar e estimula o apetite, reduzindo a sensação de enjôo provocada pelo "cocktail" de medicamentos que entram na quimioterapia. Se "não vicia" é discutível, pois provoca dependência psicológica, mesmo que isto seja muito menos grave que a dependência de opiáceos como a morfina ou a heroína, cuja dependência física tornam gradualmete o seu consumidor num escravo da substância. Quanto ao investimento de dinheiro público no combate ao tráfico de "cannabis", concordo plenamente: é dinheiro deitado fora. Mas já lá vamos.

Não é para fazer "lobby" pró-legalização que serve este artigo, mas para tentar perceber o que leva alguém a preferir a chungaria e a candonga à legalidade e à qualidade. Isto fazendo fé nesta notícia do JN que dá conta do aumento do número de jovens portugueses que não quer a legalização da "cannabis", apesar do consumo se manter ao mesmo nível, senão tiver aumentado, que é o mais provável. No último estudo realizado em 2011 a jovens entre os 15 e os 24 anos que tinham experimentado "cannabis" pelo menos uma vez, eram 52% os que não concordavam com a legalização da erva, e actualmente este número aumentou para 66%. A tendência é seguida por outros países como a Holanda (a isto chama-se "falar de barriga cheia"), Bélgica e França, enquanto na Alemanha, Áustria e Itália há mais jovens a favor da legalização.

Manuel Cardoso, sub-director do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) diz-se "surpreendido" com o resultado - e deve saber do que fala, uma vez que Portugal é tudo menos um país de gente abstémia e regrada. No entanto este responsável aponta para uma série de factores que podem contribuir para estes números, entre eles as campanhas de sensibilização dos jovens para os comportamentos de risco, e mais importante, a despenalização do consumo e da posse da substância em pequenas quantidades. Desde 2001 que em Portugal o consumo deixou de ser crime, e apenas a comercialização está proibida por lei, uma iniciativa considerada "pioneira", e que tem surtido resultados positivos, pois o nosso país está entre os dez primeiros do mundo desenvolvido que mais rejeita a legalização da "cannabis". Portanto a lógica da malta é muito simples: "a gente gosta, sabemos que 'curtir' não vai dar 'cana', então para quê legalizar?". É preciso salientar mais uma vez que a comercialização é ilegal, é crime. Se forem apanhados com uma quantidade passível de ser considerada para venda, podem ir presos. Entendido?

De facto não sei se algum país legalizou a marijuana de forma categórica, pois mesmo na Holanda, conhecida pelos cafés da especialidade, é apenas "tolerada", e o seu estatuto continua a ser de substância ilegal. Mas na Holanda e outras jurisdições onde se "levantou o pé" os resultados são espantosos, pois o consumo diminuíu, o que nos leva a assumir que a componente do risco associada à rebeldia contribui para o maior consumo de dissociativos. No entanto há que olhar para o quadro no seu todo, e não apenas para um ou dois detalhes: enquanto as drogas continuarem a ser proibidas, continuará a existir tráfico, pois trata-se de um negócio lucrativo. Apenas a legalização das drogas, e como já defendi aqui, de todas sem excepção, vai fazer com que diminua o tráfico e o consumo, e por inerência os problemas que que estes acarretam: a marginalidade, o vício, a exclusão, a "overdose" provocada por drogas maradas, etc.. E porquê? Porque nem todos estão metidos nisto para "curtir". Há o factor do lucro, que só por acaso é o principal. Que os "chavalos" portugueses queiram continuar a apanhar as suas "mocas" ilegalmente, pagando mais e sem garantia de um produto de qualidade, é uma "ganda cena", que além de "bué da marada", deixa-me "duh, duuuhh", sem entender "népias". Oiçam lá, seus "gandas defs", estão bem?

1 comentário:

Maria Pimenta disse...

Desculpa mas aconselho-te vivamente a fazeres um update, não te quero ofender mas realmente estás muito desactualizado. Informa-te melhor acerca dos efeitos medicinais da cannabis, das patentes do governo americano sobre tratamentos com os componentes da cannabis, sim pq a planta não pode ser patenteada, mas um tratamento especifico com componentes isoladas já pode. No site do grupo tens toda a informação que precisas mas convém ir lá abaixo, desde o inicio do grupo, se queres perceber a cannabis. Estamos em 2014 maninho, este artigo parece que foi escrito nos anos 80. Tens uma ideia completamente formada com base em propaganda contra informativa.. obrigado pela atenção, espero que possamos partilhar mais ideias mais vezes.