segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Incompetência gritante


Fui ontem à tarde fazer compras no novo Supermercado Tai Chon, localizado na Barra, perto de umas das Pontes Cais. Este supermercado, especializado sobretudo em congelados, abriu este Verão, e tem uma oferta em tudo superior aos Tai Cheong do Largo do Senado e da Taipa, onde cheguei também a fazer compras várias vezes. Uma das vantagens prende-se com o parque automóvel: pode-se deixar o carro mesmo à porta do Supermercado ou ali atirado para a porta das lojas de mariscos e aprestos marítimos, e no meu caso, como não fica longe de casa, dá para ir a pé. Outra vantagem é poder pagar com cartão de crédito, o que é sempre bom para quem, como eu, não gosta de andar com muito dinheiro. Ou será mesmo assim?

Fiz imensas compras, desde dobrada a bolachas, passando por vinhos e outras bebidas, galinha e pato congelado e até um delicioso "T-Bone steak" que me estava ali a piscar o olho. Depois de um carrinho de compras cheio, dirigi-me à caixa, e o total das minhas compras cifrava-se em qualquer coisa como 400 patacas. Tirei o cartão de crédito para pagar, e logo a primeira coisa que a menina da caixa me diz é “m’tak”, que não pode ser, que tenho que pagar com dinheiro porque a máquina de cartão de crédito “não funciona”. E isto sem sequer ter tentado uma única vez. Digo-lhe que não tenho ali o dinheiro, e que quero pagar com cartão, uma vez que o supermercado anuncia claramente que essa é uma das opções de pagamento.

Chama uma colega, chama outra, e parece que não há mesmo nada a fazer. Insisto que não tenho dinheiro, e que se é obrigatório pagar em numerário, então nunca deviam ter uma máquina de cartão de crédito e apresentar essa opção ao consumidor. O mais curioso é que só depois disto a caixa volta a passar tudo pelo leitor de código de barras, pois a máquina de cartão de crédito estava desligada. Estava mesmo convencida que eu ia pagar em dinheiro, e por isso nem se deu ao trabalho de ligar a máquina.

É aí que se dá algo de completamente surrealista: o segurança filipino (ou nepalês, não sei nem interessa) oferece-se a “ir comigo até uma caixa multibanco”, onde eu poderia levantar o dinheiro. Respondo-lhe que ia fingir que não ouvi nada, e ou pagava com cartão, ou deixava tudo ali e ia embora, e eles que se desamerdassem. Gostava de saber o que deu na cabeça deste “trabalhador do sudeste asiático” para pensar em me escoltar até uma caixa como se eu fosse algum criminoso que tentou sair do supermercado sem pagar, mas a verdade é que a excelente mostarda da French's que eu ia comprar chegou-me ao nariz. E porque não podia ir eu sozinho à caixa levantar o dinheiro e depois voltava lá para ir buscar as compras? Mas nem se colocava esta opção: ou pagava com cartão, ou não pagava e ia embora.

Cinco minutos depois, e perante a insistência de que não podia pagar com cartão, foi isso mesmo o que eu fiz. Os funcionários do supermercado devem ter ficado a amaldiçoar-me, uma vez que precisaram de colocar tudo de volta no expositor, incluíndo carne fresca que tinha comprado do talho. Problema deles, já que foram incompetentes e como consumidor tenho o direito de pagar consoante as opções que me são apresentadas.

Não sei se o cartão de crédito é alguma tecnologia nova muito difícil de se entender, ou se estamos aqui a brincar com a tropa, ou quê, mas a verdade é que nunca mais ponho ali os pés. Fico pena da gente honesta, competente e trabalhadora que por muito que tente não consegue ter sucesso nos negócios em Macau. O pior é que a maioria das pessoas provavelmente cederia e ia a uma caixa levantar o dinheiro, por muito transtorno que isso lhes causasse. Qualquer dia voltamos aos tempos da pedra lascada.

17 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Por acaso também gostava de perceber a lógica (???) de acompanhar a pessoa à caixa multibanco.
Certificar-se que o cliente volta à loja?
Que coisa mais parva!
E estamos de acordo na atitude - ficava lá tudinho também.

Anónimo disse...

Mas vamos la a ver, se a maquina nao funcionava como disse a empregada, a que proposito e que o Leocardo insistiu que queria pagar com o cartao de credito?
Partiu do principio de que eles eram mentirosos e estavam a mangar consigo?
Olhe que isso nao e muito correcto.
E evidente que a sua insistencia deu depois origem as referidas situacoes surrealistas.

Anónimo disse...

oh leocardo, nao seja tão teimoso, pá!!! se calhar a caixa estava mesmo avariada... mas akele cena do segurança foi mesmo surrealista....

Anónimo disse...

Típico tuga, típico china ou pessoa do sudoeste asiático

Leocardo disse...

Parece que não perceberam muito bem. Eu repito:

"Tirei o cartão de crédito para pagar, e logo a primeira coisa que a menina da caixa me diz é “m’tak”, que não pode ser, que tenho que pagar com dinheiro porque a máquina de cartão de crédito “não funciona”. E isto sem sequer ter tentado uma única vez. Digo-lhe que não tenho ali o dinheiro, e que quero pagar com cartão, uma vez que o supermercado anuncia claramente que essa é uma das opções de pagamento.

Chama uma colega, chama outra, e parece que não há mesmo nada a fazer. Insisto que não tenho dinheiro, e que se é obrigatório pagar em numerário, então nunca deviam ter uma máquina de cartão de crédito e apresentar essa opção ao consumidor. O mais curioso é que só depois disto a caixa volta a passar tudo pelo leitor de código de barras, pois a máquina de cartão de crédito estava desligada. Estava mesmo convencida que eu ia pagar em dinheiro, e por isso nem se deu ao trabalho de ligar a máquina."

É por isso que as coisas estão como estão. Os direitos do consumidor não existem, e toda a gente é obrigada a pagar da forma que o supermercado quiser - mesmo que outras opções sejam apresentadas. Já lá tinha feito compras antes, paguei com cartão, e não tive nenhum problema. Ontem não havia nenhuma indicação de que a máquina estava avariada. Comer e calar, é isso que propõem?

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Oh Leocardo, o seu esclarecimento nao esclareceu nada.
E melhor reescrever o post.

Anónimo disse...

Parecer:

o Leocardo tem a culpa.

Anónimo disse...

muito gosta o Leocas de se gabar que tem cartão de crédito e afins...
lembram-se do 1º post em Setembro ? também era uma estória do género mas no 7/11.

Leocardo disse...

Er...quem é que não tem cartão de crédito hoje em dia? É alguma coisa de extraordinário?

Quanto ao episódio do 7/11, está a referir-se àquela vez que não me quiseram trocar uma nota de 500 para pgar cinquenta e tal patacas de compras? E os leitores não precisam de se "lembrar". Basta ir ao arquivo do blogue.

O meu amigo está a ser absorvido pela saloiice local. Qualquer dia começa a palitar os dentes com a língua ou a limpar as fossas nasais em plena rua.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Ó leocardo, é sudeste , leocardo. sudeste asiático. o sudoeste é lá pró sri lanka e prá índia. mas não é o único a fazer a confusão, deixe lá.

Leocardo disse...

Obrigado pela correcção. Muito simpático da sua parte.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Há uma coisa que não percebi. Então se a pessoa que o estava a atender sabia que a máquina não funcionava, que não dava, ia experimentar para quê? Avisou-o que não funcionava, não foi? Quando vai ao multibanco e a máquina diz que está fora de serviço experimenta à mesma a ver se com o seu cartão dá? Ou confia/acredita no que lá está escrito? Porque não fazer o mesmo no supermercado? Eles disseram que cartão não dava, não disseram? Ok, têm lá que essa é uma modalidade de pagamento, mas não pode temporariamente estar inactiva? O que você pode reclamar é que não tenham lá escrito essa informação para o cliente saber antes de iniciar as compras, agora insistir que queria pagar com cartão depois de lhe terem dito que não funcionava só porque acha que tinham de tentar pelo menos uma vez parece-me um bocadinho exagerado...

Leocardo disse...

Não avisou nada. A máquina de pagamento do cartão de crédito estava lá como sempre, e só na altura de pagar as compras é que fui informado que não funcionava. Mas mesmo assim tentaram.

A atitude aqui é tudo: a senhora não me disse que a máquina não funcionava. GRITOU que a máquina não funcionava e teve uma atitude de desdém quando lhe mostrei o cartão para fazer o pagamento.

Se calhar não está satisfeita com o emprego, o marido bateu-lhe, o cão morreu, ou qualquer coisa assim. Eu é que não tenho culpa nenhuma.

Além disso, e como disse no post, uma das razões que me levou a fazer ali compras foi a conveniência de poder pagar com cartão.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

reclame para o conselho de consumidores.

Anónimo disse...

Tambem outros supermercados aceitam cartao de credito.

Leocardo disse...

Pois, mas eu queria ir naquele. Pode ser ou isso também demonstra ódio pela igreja católica?

Anónimo disse...

eh, eh, eh, gostei...