terça-feira, 8 de julho de 2008

Ser cigano


Acabei de ver no Jornal da Tarde da RTPi uma notícia sobre uma cigana "residente" da feira do Feijó que criou uma associação de desenvolvimento da mulher cigana, que visa educar as mulheres daquela raça. Esta senhora, de 58 anos e viúva, foi a primeira cigana a tirar a carta de condução (!). Uma das suas filhas, de 32 anos (bastante atraente, por sinal), é ainda solteira (!!!) e ensina danças sevilhanas e é também co-fundadora da tal associação. Isto só podia mesmo ser notícia, de tão incrível que parece.

Um dia eu e um dos meus irmãos tinhamos ido apanhar caracóis para os arredores de Ourém quando passámos por um acampamento de ciganos. Chovia ligeiramente, e um dos ciganos estava cá fora a pentear-se à chuva. Olhámos para ele quando nos diz, sorrindo: "um cigano só toma banho quando chove, meus amigos". Quando estudei na escola primária tinha dois colegas ciganos: o Zé e a Silvana. O primeiro era um pobre diabo, sujo, que apanhava pão do chão para comer. A segunda era a melhor aluna da classe, e desistiu depois do 3º ano, para ir trabalhar com a mãe, que era vendedora ambulante.

Muito se sabe sobre as tradições dos ciganos. Sabe-se que as mulheres casam novas, por volta dos 15 anos, e às vezes mais cedo. Na manhã seguinte ao dia do casamento o homem pendura o lençol da cama na varanda, exibindo a mancha de sangue da virgindade perdida pela jovem cigana. A taxa de mortalidade entre os ciganos do sexo masculino é enorme, devido ao seu contacto próximo com a criminalidade, o tráfico de estupefacientes, e rixas com a polícia. Quando um filho morre, o pai cigano traja de preto e não faz a barba durante um ano. Os jovens fazem apenas o ensino primário, o suficiente para aprender a ler, escrever e contar. Os poucos não-ciganos que têm a oportunidade de conhecer por dentro a comunidade são objecto de estudos sociológicos intensos. Autênticas excepções à regra de uma sociedade completamente fechada em si própria.

Os ciganos são vingativos, matreiros e preferem o isolamento a que estão vetados há séculos. Ninguém lhes consegue convencer que a integração na sociedade que os acolhe não significa necessariamente que se percam as suas tradições ou que se altere o seu modo de vida. É pena que existam expressões como "um olho no burro, outro no cigano", que querem dizer que ser cigano ser necessariamente um marginal. Só que enquanto não tenho nada contra os ciganos em geral, parece que eles que têm qualquer coisa contra mim.

1 comentário:

V disse...

Discordo quando diz os ciganos estao perto de criminalidade,problemas com a policia,estupefacientes,etc...isto nao acontece so na etnia cigana,mas EM TODAS AS SOCIEDADES E ETNIAS,de salientar que muitos crimes que acontecem na sociedade nao cigana(incesto,pedofilia,desrespeito pelos velhos e crianças,etc...)nao acontecem entre os ciganos.PENSEM NISTO