quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Numa palavra: Fernando


O director do Hoje Macau, Carlos Morais José, fez a gentileza de divulgar esta manhã no Facebook a página electrónica do Restaurante Fernando, que como todos sabem fica localizado junto à praia de Hac-Sá, na ilha de Coloane. O director do Hoje chama-lhe "a página electrónica mais 'cool' de Macau", e de facto é fantástica. Eu ia até mais longe: não é só "cool" como ainda é "right on the money", muito "no-nonsense", e eu próprio fiquei "completely flabbergasted". Agora vou parar de falar em estrangeiro.

A página electrónica do Restaurante Fernando é encantadora, e caso ainda não tenha reparado, deixei o link que a ela dá acesso no primeiro parágrafo, mas deixo outa vez -> aqui <-. Vale mesmo a pena lá ir, garanto, mas já que estamos com a mão na massa, pode ficar a ler este artigo até ao fim e saber o que penso eu daquela obra-prima do HTML, daquele delírio virtual, daqui "mais que tudo não sei quê". Aviso desde já que a minha humilde dissertação contém "spoilers".

Como já tinha dito, é encantadora, a tasca do Fernando na net, e é encantadora ao cubo, pois além da versão em português, temos ainda outras duas, em inglês e em chinês. "Very international". A página inicial mostra-nos a imagem da entrada do restaurante, com uma placa em madeira onde se lê: "Restaurante Fernando" e "aberto todos os dias", além dos horários de funcionamento do serviço de restaurante e de bar. Esta fotografia deve ser um instantâneo, pois não se vê vivalma sentada nas mesas. Quem frequenta habitualmente o local - o que não é o meu caso - sabe que é quase impossível arranjar lugar para sentar. Aquela fotografia deve ter sido tirada nos únicos 20 segundos dos últimos dez anos em que o restaurante estava vazio. Mas há mais.

À nossa direita temos os links para a língua da nossa preferência, português, inglês ou chinês, como já referi, e à esquerda outros links. O primeiro deles aguça logo a curiosidade: "História e Horário". Garanto que é a primeira vez que vejo estas duas palavras juntas num link, e gostei. O horário já ficámos a saber na página inicial, mas nunca é demais repetir, para os mais distraídos. Não vá alguém aparecer por lá às três da madrugada com vontade de comer um entrecosto na brasa ou um frango no churrasco e depois dizer que não sabia. Quanto à História, confesso que fiquei curioso. O Fernando já ali estava quando cheguei em 1993, e era já uma referência, mas como é que tudo começou? Que mistérios encerram a origem deste estabelecimento conhecido não só em Macau como também além fronteiras? O que mais podemos ficar a saber sobre o seu comensal, além de que se chama Fernando e é açoreano? Ousarei atravessar a última fronteira? Enchi-me de brio, e cliquei no link. Que momento emocionante, que me levou inclusivé a engolir a seco.

E que encontro? "Aberto ao público desde 1986". Fim. Esta é História. A seguir o horário, muito mais completo: "Aberto todos os dias excepto dia 1 de Maio. Das 12 horas às 21:30 (último pedido)". Ora bem, queriam saber a história? Está ali a história: abriu em 86. Queriam mais o quê, o conto da carochinha? E vejam lá se chegam antes das nove e meia senão ficam a chupar no dedo, que eles estão cheios de trabalho e não estão para aturar manias de lordes. Arrisco afirmar que não foi o próprio Fernando a desenhar esta página, mas seja quem for, tem uma capacidade de síntese extraordinária. Se fosse escrever o novo compêndio da História de Portugal, seria qualquer coisa assim: "Fundado em 1143, e depois foi o que se viu". Sucinto, resumido, directo ao assunto sem rodeios nem floreados. E não esperem qualquer informação suplementar nas versões em inglês ou chinês: é exactamente a mesma coisa - só quem em estrangeiro.

A segunda parte fala-nos dos contactos e da localização. Como lá ir ter, e se quiser uma reserva, qual o número de contacto. Já ouvi dizer que o Fernando não aceita reservas, mas calo-me já se isso é mentira. O mais curioso deste link nem é o conteúdo, que cumpre com o que o que promote. Morada: Praia de Hac-Sá, nº 9, Coloane, Macau. Contacto: 882264, 882531, 882693 (telefone), 841591 (fax), além do endereço de correio electrónico do Fernando em pessoa. O fascinante é a tradução para inglês de "localização". Como se diz localização na língua de Shakespeare? "Location"? "Adress"? Ambas parecem correctas, só que na página em inglês do Restaurante Fernando, temos um tal "Contacts & Local". É "inglish" na mesma, "capisce"? Como é que nos referimos ao local em ingles? Ora, local, "seime tingue", só que em vez de "portuguise", prounciamos em "camone", tipo "low call". Local, 'tão a ver?

A seguir temos o Guestbook, ou o livro de visitas. Gostou da página, apesar de ter ficado na mesma, como a lesma? Assine o livrinho s.f.f.. O problema é que o link conduz-nos a uma página que não existe. Não faz mal, pois o que vale é a intenção. A seguir temos um álbum de fotografias. Isto promete, pois afinal são aos rodos as histórias de amigos que guardam as melhores memórias do Fernando. Muitas declarações de amor que acabaram em casamento, muitos desafios de matraquilhos, muitas amenas cavaqueiras, algumas delas que acabaram em rixa, e pelo meio mil canecas de cerveja e jarros de sangria a fazerem de brinde. Só que uma vez chegados ao álbum, "moah", apenas 4 fotografias do restaurante sem qualquer cliente, animação ou sinais de presença humana, quanto mais de festa. Mais uma vez imaginamos o bom do Fernando a explicar a razão da nossa desilusão, enquanto limpa as mãos num pano, após esquartejar mais um frango: "querem mais qualquer coisinha ou estão satisfeitos?".

Finalmente terminamos com a secção reservada a outros links, ou numa tradução para português muito competente, "apontadores". Aí encontramos três ligações: Agência Comercial Pico, Padaria Tradicional Pico, e Agência de Viagens Pico. Sendo o Fernando um açoreano natural da ilha do Pico, torna-se impossível de perceber a razão desta publicidade selectiva. Adensa-se o mistério. E é só isto, meus amigos. Queriam menú, preçário, lista de bebidas? Não há, paciência, o que temos à vista é o que há. Promoções? O Natal é uma vez por ano, desculpem a sinceridade. E já agora, acabaram de comer? Já pagaram a continha? Então toca a dar de frosques, que tenho fregueses à espera de mesa. Quem é quem nesta misteriosa operação de charme na área da restauração? Não é preciso puxar muito pela cabeça. A resposta dá-se numa palavra, e essa palavra é...Fernando. O de Hac-Sá, não se esqueçam.

O príncipe e o palhaço


Gostaria de destacar a entrevista do deputado Si Ka Lon a Cecília Lin, com edição de Andreia Sofia da Silva, publicada na edição de hoje do jornal Hoje Macau. O deputado eleito pela plataforma dos Cidadãos Unidos de Macau, de Chan Meng Kam, na qualidade de segundo elemento da lista, prova que nem todos os naturais de Fujian ou seus descendentes pensam da mesma forma que a menina Song Pek Kei, que na semana passada proferiu afirmações de teor xenófobo inéditos nos 38 anos de História do orgão legislativo de Macau. Sendo Si Ka Lon ele próprio um trabalhador migrante, um ex-não residente, devia puxar as orelhas à amiguinha até os pézinhos da moça se levantarem do chão, e ela implorar por perdão, com os olhos cerrados e uma boquinha de agonia, enquanto dizia "toi m'chu! toi m'chu!", que é como quem diz, "desculpa! desculpa! não volto a dizer asneira!" Registemos a passagem da entrevista onde Si Ka Lon fala dos TNR:

"Acho que os trabalhadores locais e os TNR contribuem para a sociedade de Macau e todos têm de ser respeitados. Alguns residentes têm preconceitos face aos TNR mas, pessoalmente, não tenho. Ouço dizer que alguns TNR moram numa casa com mais de 20 pessoas. Não consigo acreditar nisso porque quando cheguei a Macau há 30 anos também tinha esta condição de vida. É inacreditável que passado este tempo ainda haja pessoas a viver assim. Sinto-me triste. Não sei a razão que faz com que existam situações destas, mas sei que na lei há regras para os patrões."

Ora nem mais. Sobre outros temas fracturantes, como a lei sobre a violência doméstica ou a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o deputado natural de Fujian diz o seguinte:

"Pessoalmente, concordo com a criminalização pública da violência, mas não concordo que quando uma mulher é vítima e processou o seu marido, ainda tenha de morar com ele. Vimos um desses casos. Uma dona de casa não tinha capacidades de financeiras e teve de morar com o marido mesmo depois de chamar a polícia. O processo já foi entregue ao tribunal há muito tempo, como ainda não há calendário para o julgamento, não tem outra alternativa senão viver com o marido numa casa social. Não gostava de ver esta situação acontecer no futuro. Temos de criar um centro de coordenação da comunidade para tratar de casos semelhantes bem como oferecer centros de abrigo. A questão é que há falta de assistentes sociais profissionais. Além disso, nos artigos da proposta da lei que foi colocada a votação, menciona-se a protecção à coabitação de casais do mesmo sexo. Não tenho preconceitos no que toca aos homossexuais, mas acho que se a proposta de lei for aprovada, estamos a assinar por baixo a legalidade do casamento dos homossexuais."

Touché! Dois e em um. Já tinha dito em surdina que de entre os novos deputados desta legislatura, Si Ka Lon era a jovem promessa, uma pérola entre porcos. Espero que não me tenha enganado, e que esta seja a verdadeira face do deputado-adjunto do popular (e populista) Chan Meng Kam.


Do grupo de deputados que fazem fretes ao Executivo, Fong Chi Keong, Chan Chak Mou, Cheung Lap Kwan, Vong Hin Fai ou Leonel Alves, entre outros mais ou menos dissimulados, mais ou menos eleitos de forma mais ou menos directa, destaca-se Tsui Wai Kwan, o bobo da corte do séquito de adoradores do sistema vigente. Depois de ter dito que a população de Macau não devia reclamar, pois "agora a média de salários triplicou desde 1999", eis que regressa com a língua rubra e limpinha, pronta a cuidar da higiene anal do Governo.

Desta vez o sr. deputado disse a propósito da apresentação das LAG para os Assuntos Sociais e Cultura que o Governo é uma espécie de obra social muito pia e santa, de onde se emanam subsídios capazes de transformar qualquer Gata Borralheira em princesa, e, mais uma vez, a população de Macau queixosa e sem razão nenhuma devia era ficar caladinha, e "dar graças a Deus". Para ilustrar o que diz, TsuI Wai Kwan ofereceu ao sr. Secretário Cheong Ü recortes do jornal Va Kio onde dois idosos elogiam o trabalho do Executivo no combate à pobreza e às desigualdades sociais. Cheong Ü terá ficado triste, ao saber que existem mais três idosos a necessitar de internamento urgente numa instituição vocacionada para os cuidados psiquiátricos: os dois signatários do Va Kio, e o próprio deputado Tsui Wai Kwan.

Um dia assim, aconteceu-me uma irmã


Ter uma irmã uma companhia real ou fantasia
Alguém como eu e tão diferente como quem rasga um véu
Ser como ela e por dentro quente
Ser dois corpos alguém ausente
Ter que ser velho e como um bebé sonhar dormir de pé


GNR, (Um chamado) Desejo Eléctrico

Faz hoje precisamente 29 anos que me aconteceu algo de inédito: uma irmã. Não se pode dizer que "ganhei uma irmã", pois não concorri a nenhuma, nem comprei a rifa. Muito menos que "tive uma irmã", ou que "nasceu-me uma irmã", pois não fiz nada por isso. Não pedi uma irmã, não encomendei uma irmã, enfim, "aconteceu-me" um irmã. Tive uma irmã anexada à minha ainda curta existência.

Ter uma irmã pode acontecer a qualquer um. Basta ter os pais vivos e na plenitude das suas capacidades reprodutivas, ou pelo menos um deles - foi o que se passou com esta minha irmã, que é apenas do lado paterno. Já tinha um irmão, portanto eu próprio já era o irmão de alguém, mas...uma irmã? Faltava-me essa na minha colecção.

Esta irmã resolveu acontecer no dia 4 de Dezembro do ano da graça de 1984, em Lisboa, Portugal. Poucos dias antes um grupo de artistas tinha gravado nos estúdios de Notting Hill, em Londres, o single "Do They Know It's Christmas", cujos fundos revertiam para as vítimas da grande fome na Etiópia de 1983/85. Não se pode dizer que a irmã que acabava de chegar teve sorte no país onde calhou nascer, mas podia ser pior. Podia ter sido na Etiópia.

A irmã chegou pouco antes de eu completar 10 anos. Não sei se alguém passou por isto, mas ter uma irmã dez anos mais nova tem muito que se lhe diga, especialmente nos anos que se seguem ao seu nascimento. Estamos nós ali a lutar contra os dramas existências próprios da adolescência (para não falar das borbulhas e do resto), e está ali uma miniatura de nós a gozar o niilismo da infância, um tempo de que não nos lembramos mais. A exibicionista.

Ainda me lembro bem das manias e das birras. Tinha ela apenas dois anos e ouvia repetidamente o primeiro disco dos Ministars. Quando digo "repetidamente" quero dizer que terminava o lado A e virava para o lado B, depois de novo para o lado A, e por aí fora, todo o santo dia, durante dias e dias, meses e meses. Talvez um dia a pedopsiquiatria consiga explicar esta tendência das crianças em idade pré-escolar para o minimalismo repetitivo. Eu e o meu irmão chegámos a esconder o disco, mas para ela foi como se tivessemos escondido o ópio a um opiómano.

Graças à minha irmã vi os filmes "Mary Poppins" e "Sound of Music" dezenas de vezes. Apanhei uma overdose de Julie Andrews. Quando lhe perguntava se queria ver outro filme, dizia-me que queria ver o mesmo outra vez. Eram três ou quatro vezes por dia. Devia ter algo a ver com a percepção infantil do cinema; para cada filme ficar realmente visto, era preciso memorizar todas as cenas, todas as falas, e neste caso, todas as músicas.

Como era irritante aquela mania de soprar as velas nos aniversários de toda a gente, desde os irmãos aos pais, onde calhava. Depois de ter "feito anos" meia dúzia de vezes, insistia em continuar a soprar as velas, até ao ponto que todos ficavam irritados, e ela chorava. Deve ser fascinante para os miúdos tomar consciência de que um sopro apaga uma vela. O pior é que se lhes pomos uma vela acesa noutro dia qualquer estão-se nas tintas. Só conta nos aniversários. Ou há ali um bolo para cuspir em cima e deixar as velas em menos de um terço do tamanho, ou nada feito. É só para chatear.

Quando entrou na escola primária e iniciou a sua alfabetização, voltava para casa todos os dias e imitava a professora. Nunca conheci a sua professora da primária mas assumo que devia ser uma pêga. A maneira como reproduzia os seus gestos, os suspiros, a cara de enfado, as mãos na testa, tudo o que dava a entender que não nasceu para o ensino, para aturar os filhos dos outros. Fosse aquela a minha professora e deixava-lhe uma lagartixa na gaveta da secretária, e um sapo na cadeira.

Cheguei aos 17, e estava naquela idade em que só queria fumar, fechar-me no quarto, fazer poesia maldita, suspirar por amores impossíveis, meditar sobre tudo e sobre nada, sobre o vazio. Ela e as amiguinhas da mesma idade iam lá para casa brincar com as bonecas, às casinhas e às mamãs. Como é que se explica que a temática das brincadeiras das meninas de sete anos seja o trabalho que elas dão aos outros? A pior parte para um jovem adulto "dark" como eu era aturar o infantário que se montava lá em casa.

Mas será que era tudo assim tão mau, que seja no dia dos seus anos que faço esta lavagem de roupa suja. Nada disso. Eu é que sou um chato. Temos tantas memórias giras que era preciso dedicar um blogue inteiro a elas, e não apenas um simples artigo. Nunca me vou esquecer de quando era pequenita, apenas com meses de idade, e eu a embalava na alcofa ao som da "Canção da Manhã" do Rão Kyao. Ou de como ria à gargalhada quando a mergulhávamos na água tépida do banho, e exibia a boca desdentada. E daquela vez quando começou a juntar as primeiras frases e durante um almoço tentava-nos explicar de como gostava de um tal "coxo", só para percebermos mais tarde de que falava de "choco", mais precisamente chocos com tinta?

Foi com ela que fiz o estágio para pai, que aprendi a trocar fraldas, a pô-la a arrotar e a dormir, a aturar as suas birras. O primeiro cheirinho a bebé de que me lembro foi o dela. Foi especial o dia em que eu e o meu irmão a ensinámos a andar, sentados no chão e passando-a de um para o outro. Tive pena de não ter estado do seu lado, durante a mesma fase da vida em que ela esteve do meu, mas de um outro prisma, no papel da irmã "caçula". Como diz a canção, "10 anos é muito tempo", então que dizer de vinte. Se calhar não precisou de mim para nada, a magana. Se por acaso pensa que lhe podia ser útil, então peço desculpa pela ausência. Mil perdões.

Parabéns, Ana Sofia, e até um dia destes.

Luis (usando máscara de gato grande)


Portugal e as outras bolas


Já é conhecido o alinhamento dos potes para o sorteio da próxima sexta-feira dos grupos do mundial do Brasil 2014. Portugal não é cabeça-de-série, e ficou colocado no pote 4, com as restantes equipas europeias que não gozam desse estatuto, mas pode mudar para o pote 2, como iremos ver. Primeiro os potes:

Pote 1: Brasil, Argentina, Colômbia, Bélgica, Alemanha, Espanha, Suíça, Uruguai

Pote 2: Argélia, Camarões, Chile, Costa do Marfim, Equador, Gana, Nigéria

Pote 3: Austrália, Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Irão, Japão, México, Coreia do Sul

Pote 4: Bósnia e Herzegovina, PORTUGAL, Croácia, Grécia, França, Inglaterra, Holanda, Itália, Rússia

Não foi assim tão desonroso Portugal ter ficado no pote 4, onde estão ainda incluídas selecções fortes como a Inglaterra, Holanda, Itália e França. Este será o sorteio mais controverso em termos de cabeças-de-série, com Suíça, Colômbia (que não participava desde 2002) e Bélgica (idem) a ficarem incluídos no pote 1, com base sobretudo nos sempre subjectivos rankings da FIFA.

Como se pode verificar o pote 2, que inclui as equipas africanas mais Chile e Equador, tem apenas sete equipas, enquanto o pote 4 tem nove. Uma das equipas do pote 4 passará para o pote 2 num sorteio realizado previamente, e a única condicionante é que não poderão ficar mais de duas equipas europeias no mesmo grupo. Sendo a única certeza a presença do Brasil no grupo A, vamos assumir que a França passa para o pote 2. O que seria um grupo acessível para Portugal? E um grupo difícil? Tudo isto teoricamente falando, claro.

Um grupo acessível seria:

Suíça, Argélia, Austrália, PORTUGAL

Um grupo indesejável seria:

Brasil, França, México, PORTUGAL

ou

Espanha (ou Alemanha), Gana, México, PORTUGAL

Existe a possibilidade que os três treinadores presentes neste torneio fiquem todos no mesmo grupo, e mais encantador seria que a eles se juntasse o Brasil, treinado pelo ex-selecionador das quinas Luiz Filipe Scolari. Para que isso fosse possível, era necessário que fosse Portugal a passar para o pote 2, e assim teriamos:

Brasil, PORTUGAL (de Paulo Bento), Irão (de Carlos Queirós) e Grécia (de Fernando Santos).

Sexta-feira (hora do Brasil, Sábado de manhã em Macau) vamos ficar a saber. E aqui estaremos para analisar o que saíu em sorte à selecção de todos nós.

(In)tolerância LGBT


Um grupo de 7000 feministas (lésbicas?) do congresso LGBT da Argentina atacaram um grupo de 1500 católicos que se encontravam a rezar em San Juan, gritando palavras de ordem contra a igreja e queimando uma efígie do Papa. Parece que a tolerância aqui só funciona para um dos lados desta barricada...

Ninfomaníaca


O realizador dinamarquês Lars von Trier está de volta, e polémico como sempre. O génio que nos trouxe filmes como "Breaking the Waves" ou "Dancer in the Dark", o louco que afirmou no festival de Cannes em 2011 que é "um grande Nazi" e que tem medo de voar, apresenta-nos agora "Ninfomaníaca", um filme que nos conta a história de uma jovem mulher viciada em sexo, interpretada por Charlotte Gainsbourg, e que conta ainda com as interpretações de Shia LeBeouf, Christian Slater e Jamie Bell. O "trailer" foi censurado, mas von Trier bateu com o pé, e lá está ele de volta ao YouTube. Levou a melhor outra vez, o sacana.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ice Ice Baby


O programa da Rádio Macau "Paralelo 22" do último Domingo, com repetição hoje de manhã, abordou a temática do consumo de "Ice", a droga da moda em Macau. Confesso que fiquei curioso quando consultei a página electrónica da TDM, e deparei com o título "Paralelo 22 - A idade do Ice; o novo livro de Carmo Correia", que me induziu em erro por instantes; pensei que que a fotógrafa Carmo Correia se tinha dedicado à investigação do consumo de drogas sintéticas. Afinal tratavam-se de duas partes distintas do programa, o que fiquei a saber apenas hoje após a retransmissão do mesmo, que até ontem se encontrava indisponível na internet. Para quem perdeu a oportunidade de ouvir tanto no Domingo como hoje, pode fazê-lo aqui, na íntegra.

É interessante a abordagem que se faz a um problema desta natureza em Macau. A ketamina era a droga de eleição entre os jovens com menos de 21 anos, mas foi agora destronada pelo "ice", com metade dos jovens a preferir a última de deterimento da primeira. Isto para quem não percebeu nada do que eu disse na última frase, é igual ao litro. Quem não quer saber de drogas e não está interessado em aprender, ketamina e "Ice" são a mesma coisa, e ao mesmo tempo coisa nenhuma. Para a população de Macau, conservadora e desinformada, "é tudo droga". Não importa que uma seja mais consumida que a outra, ou qual delas faz o maior mal. Todas fazem mal. Numa última instância, acabam por provocar a morte - mesmo que isso não seja verdade - e são ambas "droga", portanto nem falar disso é bom.

Mas falemos, porque não? O que é a ketamina? E o que é o "Ice"? Porque é que os jovens deixaram de preferir uma delas e abraçaram a outra? Bem, para quem acha que "é tudo o mesmo" vai pensar que existe alguma razão económica, porque uma é mais barata que a outra, porque os mercados ditaram as modas, porque a Ketamina Inc. está menos cotada que a Ice S.A.R.L. na bolsa de Tóquio, etc.,etc. Um dos intervenientes na reportagem do Paralelo 22 fala de uma campanha nas escolas que chama a atenção para os perigos da ketamina, nomeadamente o risco de infecções do tracto urinário. Ora quem anda metido na droga pouco se importa se faz chichi melhor ou pior. Quem já ouviu dizer que vai mudar de uma droga para outra "mais saudável"? Devem existir outras razões, com toda a certeza.

A ketamina, em primeiro lugar. Esta substância é basicamente um anestésico, commumente usado pelos veterinários nos cavalos de corrida para aliviar as dores musculares dos animais, ou como anestesia geral para gatos e cães, antes das operações. Um dos nomes pelo qual a ketamina é conhecida é "cat valium", ou "valium dos gatos", por essa mesma razão que mencionei. O uso nos seres humanos limitava-se ao tratamento dos bronco-espasmos - a contração súbita dos bronquíolos - mas o uso recreativo reporta-se aos anos 70, nos Estados Unidos, e rapidamente se espalhou por todo o mundo. Existe uma banda desenhada pouco conhecida, datada de 1968, que glorifica o uso da ketamina com fins recreativos: "The Fabulous Furry Freak Brothers". Em Macau era uma droga popular nas discotecas em finais do século passado e inícios deste, e era consumida abertamente, nas casas-de-banho ou num canto qualquer do recinto.

A administração é feita pela via nasal, através da inalação da droga em pó, e metabolizada pelo fígado. É uma droga dissociativa, noutras palavras, um "downer". Os efeitos psicotrópicos incluem analgésia, anestesia ou alucinações, outros efeitos são a dialatação dos brônquios e elevada pressão arterial. Em doses reduzidas a ketamina provoca tonturas, uma sensação de bem estar semelhante à ienebriação pelo álcool, mas sem a mesma sensação de euforia. Em doses maiores provoca visão distorcida, dificuldades em manter o equilíbrio, voz arrastada, e em última instância um estado de letargia consciente, acompanhada de uma incapacidade de responder a estímulos ou interagir com os outros, mas ao mesmo tempo uma maior sensibilidade à cor ou aos sons, aquilo que se chama de efeito psiconaútico - uma experiência em que a mente navega fora do corpo. Um indivíduo que esteja sobre os efeitos da ketamina dificilmente consegue disfarçar, uma vez que o seu comportamento é nitidamente erróneo.

A ketamina para o uso recreativo é sintetizada na forma de cristais, e depois reduzida a um pó fino que pode ser inalado. O produto raramente entra no mercado na sua forma mais pura, e para rentabilizá-lo os traficantes misturam-na com bicabornato de sódio, pó de talco, e em alguns casos vidro em pó, que facilita a abertura das fossas nasais e absorção dos ingredientes activos da substância. Um pacote de 100 mg pode custar entre 100 e 200 patacas nos circuitos habituais, mas na sua forma mais pura é produzida por qualquer coisa como 50 patacas a grama - falamos aqui de um lucro de 2000% e 4000%. É um negócio lucrativo, nos meandros do tráfico. A droga pode provocar habituação, e o seu uso diário leva à tolerância, o que por sua vez pode resultar num consumo mais frequente. Se uma dose custa 100 patacas, pelo menos, e os efeitos duram apenas uma ou duas horas, é o mesmo que dizer que são 100 patacas de despesa várias vezes ao dia. A "ressaca" é muito mais moderada que as da heroína e da cocaína - ansiedade, tremores e palpitações são alguns dos sintomas mais comuns. Ao contrário destas duas últimas, um pouco de força de vontade é suficiente para deixar a ketamina.

O "ice", apesar da sua actual popularidade, não é nenhuma novidade. As anfetaminas têm um longo historial, que remontam aos finais do século XIX, e as metanfetaminas, uma versão das primeiras que foi sintetizada da efedrina, começaram a ser produzidas pouco depois. A própria efedrina tem um uso que nos leva até aos tempos remotos dos inícios da dinastia Han, na China, onde era usada no tratamento da asma, e como estimulante. A sua forma actual, a cristalizada, começou a ser produzida em 1919 no Japão, e teve as suas primeiras aplicações no tratamento da doença de Parkinson's. O seu uso generalizou-se durante a II Guerra Mundial, especialmente entre os soldados alemães. Consumida em pequenas doses, a metanfetamina leva a um estado de alerta, focalização e desinibição. Era uma substância de uso recorrente entre pilotos da força aérea, mas tinha um senão: inibia a concentração, deixando os pilotos mais vulneráveis ao erro.

Metanfetamina é uma forma abreviada do composto Metil alfa-metil fenilitinamina. Se repararmos na combinação das letras a negrito, ficamos com "Metamfenamina", mas na versão inglesa dá-nos "metamphetamine". O nome "ice" foi popularizado na Austrália e no Hawaii: os cristais da substância são derretidos numa folha de alumínio, altura em que adquirem uma forma semelhante à da geada, antes de ser inalada. Quem toma pela primeira vez esta droga passa por um estado de insónia, acompanhado por uma falta de apetite que pode durar até mais de 24 horas. O uso mais frequente tem efeitos sobre a mente que incluem um maior estado de alerta, acompanhado de uma actividade mental com efeitos no raciocínio e na expressão verbal e escrita. É uma droga que torna os seus usuários mais "inteligentes", e é popular entre estudantes universitários em época de exames. A vertente da falta de apetite é atraente para quem procura perder peso e ficar mais elegante, e de facto é possível ficar uma semana sob os efeitos das metanfetaminas sem ingerir alimentos sólidos: o apetite desaparece e para calar o estômago basta beber leite magro ou sumos de fruta.

Mas tratando-se de uma substância ilícita e não de um medicamento maravilhoso, existem efeitos adversos. O uso contínuo provoca a descalcificação dos ossos e dos dentes, e no último caso os efeitos são mais evidentes nos consumidores de "crack" ou de "crystal meth", dois parentes do "ice" mais perigosos e com um risco muito maior para a saúde, quer pelo seu maior grau de pureza, quer pela adição de substâncias como a heroína e a cocaína, que provocam uma dependência elevada. A "ressaca" do "ice" é mais intensa que a da ketamina, e incluí espamos involuntários, sensação de inquietude e desconforto, suores frios e ansiedade. Em alguns dos casos verificou-se um aumento exponencial do apetite, que acaba por levar à obesidade às complicações inerentes a essa doença.

O "ice" é uma droga popular nas Filipinas, e em Macau é comum encontrar muitos imigrantes originários desse país entre os consumidores mais habituais. O uso a longo prazo tem efeitos negativos sobre o desempenho, e a alteração dos padrões de sono levam a que muitos percam o emprego. Os efeitos que provoca no líbido, que são variáveis de pessoa para pessoa (pode aumentar ou inibir o desejo sexual) conduz a comportamentos de risco, nomeadamente contactos sexuais sem o uso do preservativo. Uma dose diária pode ficar pelas 300 patacas, ou mais, dependendo de factores como o estabelecimento de contactos com os traficantes ou a dose requerida - escusado será dizer que quanto mais tempo livre, maior é a tendência para consumir "ice". O estado de alerta, que mesmo entre os utilizadores frequentes pode ir até às 10-12 horas, leva a procurar ambientes e formas de diversão como os casinos. Se 300 patacas por dia significam 9000 patacas por mês, o que só por si é uma grande despesa, juntar a isto os jogos de batota torna a experiência muito cara. Ao contrário do tráfico, pois uma grama de "ice" pode ser adquirida do outro lado da fronteira por 300 patacas, e revendida em Macau por um preço que pode variar entre as 1000 e as 1500 patacas.

Perante estes factos, é fácil perceber porque o "ice" destronou tão facilmente a ketamina como droga recreativa de eleição. De um lado temos a ketamina, que se inala, provoca um sentimento de letargia, e que apesar de uma dose ser mais barata, são necessárias várias doses diárias. Do outro lado temos o "ice", que se fuma, é inodoro, provoca sentimentos de euforia, e com efeitos mais prolongados, apesar da dose ser ligeiramente mais cara. Qual é a que pensam que os jovens vão preferir? No programa Paralelo 22 um "especialista" falou dos efeitos de ambas para justificar a preferência pelo "ice". Certo, até aqui tudo bem, mas depois diz-nos que a ketamina "provoca sonolência", e os jovens "precisam de trabalhar", e por isso preferem o "ice" porque "ficam alerta". Só que depois de dois ou três dias "sem conseguirem dormir", optam por "tomar comprimidos", e ao fim-de-semana ou nos dias de folga "voltam à ketamina". O quê? Estamos aqui a falar de pessoas e de droga ou de um esquentador onde se regula a temperatura? No tratamento e prevenção da toxicodependência em Macau, continuamos a reinar com a tropa. Com a honrosa excepção da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes (ARTM), estamos nas mãos de amadores e de brincalhões encartados.

Hon Wai, o tal director do Gabinete de Prevenção e Combate à Toxicodependência do Instituto de Acção Social (IASM), diz-se "preocupado" com o aumento do consumo de "ice" entre os jovens. Sim senhor, bom menino. Depois diz que é difícil detectar os novos utilizadores, uma vez que a tendência é que "consumam em casa", e "não é possível entrar em todas as casas para saber quem precisa de ajuda". Livra! Ainda bem, só nos faltava mais essa, que entrassem pela nossa casa para saber se precisamos de ajuda. Obrigadinho pela preocupação mas a gente dispensa. E sabe qual é o maior problema? Os jovens não assumem que são consumidores nem procuram ajuda porque sabem que estão a cometer um crime. Se o sr. Hon Wai está mesmo disposto a "ajudar", talvez fosse melhor abandonar esse discurso que defende o agravamento das penas como solução para combater o consumo de drogas. E já agora, vamos esquecer o "ice", a ketamina e tudo mais. Sabe porque é que os jovens em Macau se iniciam na droga? Porque não têm nada melhor para fazer. O entretenimento resume-se praticamente aos casinos, mas para passar lá uma noitada sabe o que é que se recomenda? O "ice". Muito "ice". Não me diga que ainda não sabia...

O dóidóimetro de Cheong Ü


O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong Ü, apresentou ontem e hoje as LAG para a sua pasta, que inclui áreas tão sensíveis como a Saúde, a Educação, a Acção Social, o Desporto, o Turismo, e parece que a Cultura também, se bem que este aspecto parece ser remetido para um plano secundário, apesar de ter a honra de constituír a segunda metade do nome da tutela.

Cheong Ü é uma óptima pessoa, e a sua nomeação em 2009 para esta secretaria foi uma espécie de recompense pelo frete de ter ficado dez anos à frente do CCAC, o Comissariado Contra a Corrupção. Não é fácil andar na rua de cabeça baixa e ignorar os larápios com quem durante anos se bebiam uns copos e se davam umas palmadinhas nas costas. E o sentimento era recíproco: quando os "bons malandros" avistavam Cheong Ü à distância, tocavam-se com os cotovelos e diziam: "epá agora disfarça, que vem aí o bufo do Cheong Ü". É uma vida triste, esta de obrigar a dar o exemplo numa cidade como Macau.

Cheong Ü não se dá lá muito bem com isto das LAG. Explicações não é com ele. O senhor gosta mais de comer, loh, beber, loh, dançar loh, como deixou claro na inauguração do último Festival da Lusofonia. Mas será que sabe dançar? Ele sabe dançar, oh oh oh. É o próprio que nos garante. Mas quando a música é dada pelos deputados da Assembleia Legislativa, o sr. secretário sente-se como um concorrente do "Dança comigo no gelo", só que não sabe patinar.

A propósito da famigerada lei sobre a violência doméstica, que se insere no âmbito dos "assuntos sociais", Cheong Ü espalhou-se ao comprido, sugerindo que alguns tipos de agressão "não são graves". Recordando a importância de uma família "unida e harmonosiosa", uma parangona muito comum em Macau, o secretário desvalorizou aquilo se chama "agressões pontuais", que considera "normais" entre casais. Enfim, uma cabeça partida ou um olho roxo não são razão para chamar a polícia. Vá lá, em briga de marido e mulher, não se mete a colher.

E quem pode censurar Cheong Ü por dizer algo que já foi repetido por outros figurões com cargos de responsabilidade? Elevar a violência doméstica ao estatuto de crime público implica que a intervenção do Ministério Público deixa de depender da queixa da vítima. Basta um copo na testa e uma chamada para a bófia, e o maridão marialva fica num mundo de sarilhos, e nem que faça as pazes com a cachopa que tem lá em casa se livra da barra dos tribunais. Isto não pode ser, meus amigos. Já se sabe como as mulheres exageram, e como podem ser sensíveis, especialmente naquela altura do mês. Levadas pelos seus instintos mais primários, "partem a loiça toda", acusam o marido de agressão, e depois para remediar a cagada que fizeram é uma carga de trabalhos.

Nesta questão da violência doméstica Macau assemelha-se à Arábia Saudita ou outro país islâmico mais radical, onde as mulheres são tratadas piores que o cão ou que o papagaio. Esqueçam a matriz portuguesa do Direito, ou o Direito continental, pois aqui o que vigora é o Corão, transmitido por Deus todo poderoso e ditado por Gabriel ao profeta Maomé. Vejamos o que diz o livro da Sura, quarto capítulo, linha 34:

Os homens têm autoridade sobre as mulheres, pelo que Alá preferiu alguns a outros, e pelo que despendem de suas riquezas. Então, as íntegras são devotas, custódias da honra, na ausência dos maridos. E àquelas de quem temeis a desobediência, exortai-as, pois, e abandonai-as no leito, e batei-lhes....

Simplificando o testamento do profeta, o que ali se diz é mais ou menos isto: se a mulher se armar em parva, primeiro recebe um aviso, e se insistir, dorme sozinha (de preferência no sofá), e se mesmo assim não tiver ainda aprendido, aplica-se uma boa dose de roupa chegada ao pêlo, que normalmente resulta, e se não resultar, é porque anda mesmo a pedi-las, a vadia. Bater, bater, e bater outra vez até ela perceber, é o que se recomenda. E depois não digam que não lhe quiseram ensinar modos.

Entregar a uma mulher o poder de decidir apresentar uma queixa-crime contra o marido, o ganha-pão do lar, é uma decisão controversa, que não pode ser tomada de ânimo leve. As mulheres pensam mais com o coração do que com a cabeça, e os seus depoimentos carecem de credibilidade. Por exemplo, na Arábia Saudita ou no Paquistão, uma mulher que seja agredida ou violada tem que apresentar testemunhas do sexo masculino, porque o seu julgamento está embaciado pelo facto de serem histéricas, e por isso é que gritam tanto quando estão a dar à luz os guerreiros de Alá, perdão, os bebés. E numa sociedade patriarcal como é Macau, quem nos garante que uma mulher está a falar a sério quando diz que o marido a agrediu?

Assim, como vamos saber que tipo de agressão justifica a intervenção da justiça? Quanta porrada é preciso dar na mulher para que seja considerado crime? É fácil: enquanto o audiodosímetro mede a intensidade sonora em decibéis (dB), o dóidóimetro mede a intensidade da porrada, e dóidóis (dd). A partir de 50 dd, pode-se considerar "agressão", mas tudo o que seja menos do que isso, são festinhas, dentadinhas de amor, beijocas apaixonadas. Portanto instala-se o dóidóimetro na potencial vítima, e assim que a intensidade da porrada ultrapassar os 50 dd, soa um alarme, vem a polícia, e lá vai o marido parar em tribunal, quer a esposa o perdoe (se sobreviver), ou não. Para quem não sabe quanto são 50 dd, e até onde pode ir, aqui está a tabela:

11-20 dd: empurrão, safanão, puxão, beliscão (sem nódoa negra).

21-30 dd: puxão de cabelos ligeiro e breve, empurrão com queda ligeira, beliscão (com nódoa negra), pontapé (sem nódoa negra), estalo com palma da mão.

31-40 dd: pontapé (com nódoa negra), puxão de cabelos prolongado e forte, estalo com costas da mão (com ou sem olho roxo), agressão com objecto pequeno, leve e não contundente (livro, aparelho de telefone, etc.)

41-50 dd: pontapé ou pontapés fortes abaixo da cintura, murro que não provoque fractura, deslocação ou quebra de ossos, empurrão que provoque queda desamparada, mas sem deixar marcas, agressão com objecto de peso médio, mas não contundente (cadeira, vaso de plástico, etc.), dentadas que deixem marca mas não provoquem derramento de sangue, arranhões (desde que não provoquem cegueira).

51-60 dd: estalos sucessivos que provoquem derrames sanguíneos, murros com olho roxo, empurrões que provoquem fracturas ou concussões, agressões na cabeça com concussão, agressão com objectos contundentes (cinzeiros, vasos de barro ou de loiça, copos, pratos, etc.).

61-70 dd: sovas de cinto ou de vergasta que deixem marcas prolongadas ou definitivas, queimaduras de cigarro, murros com olho roxo e perda de dentes, empurrões de provoquem desfalecimento, ossos quebrado e fracturas expostas, arranhões que provoquem cegueira parcial e/ou temporária, agressão com objectos pesados e possivelmente contundentes (panelas, frigideiras, pequenos electrodomésticos, etc.).

71-80 dd: pontapés na vagina, ovários, útero e seios, empurrão de uma distância considerável (até 5 metros de altura), socos que reduzam a cara da vítima a uma polpa, agressão com objectos pesados e possivelmente perigosos (bilhas de gás, extintores de incêndio), líquidos corrosivos ou inflamáveis ou objectos contundentes (facas, catanas, cimitarras, adagas, sabres, punhais) que não provoquem a morte ou incapacitação definitiva), qualquer agressão que provoque cegueira total e definitiva.

81+ dd: agressão com armas de fogo e explosivos, empurrão de uma distância de mais de 5 metros, atropelamento, enfim, qualquer coisa que provoque a morte ou a paralisia total definitiva.

E assim fica tudo mais simples. Para quê destruír um lar ou aborrecer o Ministério Público com coisas de nada, como um simples arraial de porrada, que até pode servir um propósito educativo? Como dizia o João da Ega, personagem da obra "Os Maias", do nosso eterno Eça, "aqui não há morte de homem". Ou de mulher, neste caso. Atendendo que o sr. secretário tem também a seu cargo a tutela do desporto, pode-se considerar uma simples rixa entre um casal uma actividade "saudável". Mas falando mais a sério, não sei se Cheong Ü aplica esta medida na sua própria casa. Se for esse o caso, tenho muita pena da sra. Cheong.

O silêncio dos inocentes


Yue Hoi-ching, a pequena vítima de uma briga entre adultos.

Uma história triste e dramática que nos chega de Hong Kong. Uma mãe solteira de 31 anos é acusada de ter morto a sua filha de seis meses de idade, depois de ter reportado à polícia que a criança tinha sido raptada. A confissão foi obtida pela polícia de Kowloon West ontem à tarde, quando a mulher tentou impeder o funeral de uma criança inominada que havia sido encontrada numa lixeira. A mulher, de apelido Ng, disse que acordou num dia em meados de Novembro e não ouviu o bebé a chorar. Foi até ao berço e reparou que a menina não apresentava sinais de vida, e em pânico resolveu deitá-la no depósito do lixo nas traseiras da sua casa, em San Po Kong Mansion. No dia 23, a mulher alegou que a filha havia sido raptada, usando para o efeito uma elaborada mentira. Segundo o relatório inicial, a suspeita levou a filha a passear no carrinho num parque em Carpenter Road, quando uma idosa lhe pediu indicações sobre a localização da estação de metro Wong Tai Sin, valendo-lhe um momento de distração, durante o qual diz ter visto um homem "passar apressadamente" junto do carrinho. Quando voltou não viu mais o bebé, e 45 minutos depois comunicou o incidente às autoridades. As suspeitas sobre a própria mãe acentuaram-se depois de visualizados os registos de vídeo recolhidos na zona do alegado rapto, que mostravam que não havia qualquer criança no carrinho. A mulher justificou a atitude desesperada com o facto de "não saber o que dizer" à família do pai da menina. A polícia suspeita que a mulher terá morto a criança como forma de se vingar do pai. O homem é casado com outra mulher, tem outra família, e ambos terão discutido e não se viam há algum tempo. A opinião pública em Hong Kong estão tão chocada como revoltada; a suspeita abriu uma página no Facebook apelando a que a ajudem a encontrar o bebé, mas entretanto a página foi retirada.

Aqui não, obrigado


Os croatas foram a votos no Domingo, não para eleger um novo governo, mas para referendar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A pergunta não foi assim tão directa, e o que foi perguntado aos croatas foi o seguinte: "apoia uma emenda na constituição que define o casamento como sendo apenas a união entre um homem e uma mulher?". O resposta que 65,76% dos eleitores deu foi "sim", acabando assim com quaisquer hipóteses do "lobby gay" croata em "fintar" a constituição, que não era específica quanto às uniões civis. O sufrágio realizou-se após 700 mil cidadãos terem recolhido assinaturas, numa iniciativa da Igreja Católica Romana da Croácia, que não contou com o apoio do governo de centro-esquerda, liderado pelo primeiro-ministro Zoran Milanovic. A Croácia é considerada um país socialmente conservador, e 90% da sua população de 4,4 milhões diz-se católica.

Pepsi-mania


Esta é Nancy Smith, uma inglesa de Essex, 45 anos, mãe de quatro filhos. Apesar do bom aspecto (é uma MILF respeitável, diga-se de passagem), Nancy foi durante vários anos viciada na coca. Na cola, quer dizer. Mais exactamente na Pepsi. Desde os seus 19 anos e até Outubro do ano passado, Nancy não passava um dia sem a sua cola preferida, e chegou a um ponto em que bebia 24 (!) latas por dia. O que lh dava "pica" era a cafeína presente na bebida; ingeria cada lata em menos de cinco minutos, e fazia as tarefas domésticas feita uma louca. O vício chegou mesmo a afectar a sua dieta, e em tempos tudo o que comia eram salsichas, queijo e bolachas. O consumo excessivo da bebida deixou-a com pele seca, cabelo espigado e desidratação, consequência das 750 gramas de açucar caramelizado que ingeria por dia. Foi por sorte que não contraíu diabetes, e a julgar pelo sorriso maroto, os efeitos na dentadura não se notam. Desde que largou a Pepsi em Outubro, diz que se sente melhor, e aderiu a um programa de exercícios para "limpar" a cola do seu sistema. Actualmente bebe uma Pepsi "aos fins-de-semana, para matar saudades". Veja lá minha senhora, cuidado com as recaídas. Estes traficantes de colas, já se sabe, não perdoam.

Tu também


Os Xutos & Pontapés estão de volta! Os Rolling Stones portugueses, com uma carreira de 30 e muitos anos, vão lançar um novo álbum em Janeiro, o seu 12º trabalho de originais, e de onde sai este novo single "Tu Também". Rock'n'roll tuga, sempre a abrir!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Porrada e pomada


Do outro lado da cidade a Associação Novo Macau promoveu um outro fórum, dentro da mesma temática dos TNR mas um pouco mais específico: as empregadas domésticas e o nível de satisfação dos seus empregadores. Participaram 25 residentes que têm ou tiveram ao seu serviço empregadas domésticas, e disseram horrores das criaturas: que matam, que roubam, que esfolam, que lhes fazem ameaças, mil e uma coisas ruins. Deve ser por isso que apareceram lá pela sede do Novo Macau usando máscaras no rosto, para não serem reconhecidos pelas empregadas, que depois lhes envenenavam a sopa. Agora peço que me desculpem a presunção, mas a julgar pela fotografia publicada tanto no Hoje Macau como no Ponto Final, a esmagadora maioria destes empregadores eram mulheres. Na verdade só consegui ver ali dois homens. Já se sabe que quando se fala nestas coisas de auxiliares domésticos, as mulheres têm uma certa tendência para o exagero. Não é preciso vir Freud para nos dizer que nenhuma mulher vai dizer que a sua empregada limpa, cozinha ou trata das crianças melhor que ela. É preciso dar-lhes pelo menos 30% de desconto. Trinta não, quarenta. E nota-se que há ali um pouco de exagero, pois além das máscaras que já referi, ostentavam cartazes com todo o tipo de lamúrias, como se estivessem reféns das empregadas e vivessem num constante clima de terror, temendo pelas suas vidas e as dos seus.

É claro que há empregadas desonestas, quem disse que não há? Contratar uma trabalhadora doméstica não é o mesmo que comprar um aspirador ou um robô de cozinha. Estamos aqui a falar de pessoas de carne e osso como nós, com sentimentos, que têm os seus problemas, e tudo depende da sorte - e não só. Assim como há empregadas que roubam, que se drogam e prostituem, que transformam a casa do patrão num casino ilegal quando ele e a família vão de férias, que maltratam os velhos e as crianças, há também patrões que abusam das empregadas, que as tratam como escravas, obrigam-nas a trabalhar além do horário acordado, "emprestam-nas" aos amigos, pagam-lhes menos que o estabelecido no contrato, usando o "blue-card" como isco, mil e uma tropelias. Se alguns temem "vingança" por parte da empregada, será que não terão feito algo que as leve a vingarem-se? No entanto é preciso não generalizar, não tomar a árvore pela floresta. Há alguns meses ficou célebre o caso daquele casal de Hong Kong que amarrou a empregada indonésia durante cinco dias sozinha em casa e mais um cardápio de horrores. Existem 300 mil empregadas indonésias em Hong Kong, e se estes casos de abuso acontecesse com 10% delas, seria um número absurdo e preocupante: 30 mil. No entanto seriam apenas dez por cento. A maioria das relações laborais corre dentro dos eixos, e o mais importante é existir respeito mútuo.

Uma acusação curiosa que alguns (algumas?) participantes deste fórum fez foi a de assédio sexual por parte das empregadas. Ora bem, suponho que isto quer dizer que as moças se fazem ao marido da patroa, o que me remete para esta notícia do JTM de hoje. Uma empregada filipina de 20 anos queixou-se de coação sexual por parte do seu patrão, que com o pretexto de lhe aplicar uma pomada para as borbulhas tocou-lhe no rosto e no peito. Temendo que o senhor fosse por ali fora e confundisse o clitoris com uma borbulha e quisesse aplicar lá outra pomada, fugiu até ao quarto, e de facto o indivíduo seguiu-a, puxou da bisnaga que tinha dentro das calças e pediu à vítima que a apertasse, para sair a tal pomadita. Este é um caso que ilustra bem o que são muitos destes casos de alegado assédio. Às senhoras queixosas não lhes passa sequer pela cabeça que o marido esteja interessado em enfeitar-lhe a testa com a empregada, porque "é uma indígena, e é pobre, que horror", e por isso só pode mesmo ser ela que lhe quer roubar o macho, "para sair da miséria". Primeiro passam-lhe as camisas, depois fazem-lhe o jantar, e finalmente apertam-lhe a bisnaga da pomada. Estou a imaginar o cenário, a mulher chega a casa e vê o marido a tentar aplicar pomada na empregada, e confronta-os:

- "'Mori, porque estás a esfregar as mamas da empregada com pomada".
- "Ela é que pediu, filha. Estava cheia de comichão, e a sofrer muito".
- "E como é que explicas a pila de fora?"
- "Ela pediu para ver, meu anjo. Pediu tanto que disse que morria se não visse".
- "Ai a malvada, usurpadores, destruidora de lares, tira essas garras de chimpanzé de cima do meu marido!"

Algumas das reclamações destes 25 da vida airada são difíceis de entender. A questão das empregadas domésticas da China continental, por exemplo. Queixam-se que os salários que esta nova mão-de-obra não residente cobra é excessivo, na ordem das 6 mil patacas mensais, e isso seria incomportável caso as empregadas indonésias e filipinas pedissem a mesma remuneração. Mas então qual é problema? Não querem que as empregadas do continente venham ou não querem pagar mais pelas outras? Uma das razões que apontam para a necessidade de manter uma empregada doméstica é a falta de tempo para tomar conta das crianças, especialmente se o casal trabalhar por turnos. Portanto, quais são as alternativas? Do que é que se queixam?

PS: O director do JTM, José Rocha Dinis, foi com olhinhos de carneiro mal morto acusar o Novo Macau de ser responsável pela verborreia que estas pessoas debitaram neste fórum. Só lhe faltava dizer que Ng Kwok Cheong e companhia pagaram aos participantes para dizerem que as empregadas lhes batiam. O costume.

Tiro ao boneco (de fora)


Os trabalhadores não-residentes estão na ordem de dia, e têm servido de arma de arremesso para as mais variadas questões relacionadas com a economia da RAEM. Para a nossa classe política que não percebe nada de política são um pretexto para entrar pela via do populismo e cair nas boas graças do eleitorado, e para os trabalhadores residentes servem de desculpa para tudo e para mais alguma coisa. Ontem o programa Fórum Macau, do canal Ou Mun da Rádio Macau, debateu o "problema" dos não-residentes, contando com representantes das associações de trabalhadores, académicos, e uma plateia muito colorida. A quantidade de disparates que ali se disse foi tanta que dava para rir, não fosse tão lamentável esta onda da culpabilização de pessoas que não querem fazer mais do que ganhar a vida, preenchendo lacunas que existem na mão-de-obra, e que para tal não andam a roubar nem a enganar ninguém.

No essencial, a ideia que saíu deste fórum e que não deve ser muito diferente de qualquer outra iniciativa deste tipo é que tem que se pôr um fim à contratação de mão-de-obra do exterior, porque vem tirar emprego aos residentes, e mesmo que seja necessária não deve vir na mesma porque aufere vencimentos mais baixos, e isto arrasta os vencimentos de toda a gente com eles. Pimba, já está. O mais interessante é ouvir da boca daqueles cidadãos que eles próprios não têm formação, só sabem ser motoristas, guardas, trolhas, etc., não estão interessados em qualquer tipo de auto-valorização, e só não querem é mais não-residentes, pronto. Não querem e acabou a conversa. Um deles, entrevistado pela TDM, ria a bandeiras despregadas enquanto se queixava da vida: "eu só sei ser motorista, ah ah ah, se eu não for motorista vou para segurança, ah ah ah, mas há muitos não-residentes que são contratados para fazer um trabalho, ah ah ah, mas depois arranjam outro mais bem pago, ah ah ah, é fácil, ah ah ah...". Ria com gosto, o homem, apesar do assunto ser sério. Ou estavam a fazer-lhe cócegas, ou estava a segurar o cócó com muita força, ou é maluquinho. Inclino-me para esta última opção.

O debate contou com a participação da deputada e representante da Associação Geral dos Operários, Lei Cheng I (que recentemente descobri que tem o nome inglês de "Ella") abordou a questão do ponto de vista das remunerações, e culpabilizou alguns empregadores que oferecem salários baixos, pouco convidativos para os residentes e atraentes para os não-residentes. Não sei se Ella (eh eh) está aqui a sacudir a água do capote, pois durante o debate das LAG para a Economia pareceu demonstrar uma certa má-vontade com os TNR. Disse ainda que os residentes "estão condenados a trabalhar apenas nos casinos" (coitados), e que desta forma os TNR "são explorados" - como se ela estivesse mesmo ralada com isso. Se o problema é mesmo esse, o dos salários, que tal obrigar o patronato a pagar igual a todos? Afinal era justo, dava-se preferência aos residentes, e os TNR só vinham em caso de extrema necessidade. O problema aqui é que a necessidade é sempre extrema; a procura aumentou, temos o triplo dos turistas e da oferta turística de há dez anos, e nem por isso a mão-de-obra acompanhou esse crescimento. Os novos residentes que compraram apartamentos de dez ou quinze milhões de patacas não vieram para cá trabalhar na área da restauração, da segurança ou da limpeza. Para piorar ainda mais as coisas, temos o grosso dos residentes que "só" sabe ser motorista ou croupier. Desatem lá este nó sem recorrer à mão-de-obra importada. Ah, bem.

Hear no evil, say no evil


Durante as LAG para a Segurança da semana passada, o director do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), Lee Kam Cheong, anunciou a contratação de 100 funcionários prisionais originários do Nepal, com o pretexto de que "não entendem o dialecto cantonense, e por isso torna-se mais difícil corrompê-los". O deputado Leong Veng Chai, nº 2 da lista da Nova Esperança de Pereira Coutinho, sugeriu que se esse é o problema, "porque não contratar surdos-mudos?", pois esses não só não entendem cantonense como não entendem outras línguas, e a não ser que um dos presos conheça linguagem gestual, torna-se difícil pedir-lhes favores ilícitos. Isto dá vontade de rir, mas o deputado estava a falar a sério, e alegou mesmo a empregabilidade dos deficientes auditivos para ilustrar a sua sugestão.

É claro que esta proposta é perfeitamente ridícula, e Leong Veng Chai sabe muito bem disso, uma vez que é guarda prisional aposentado, e conhece por dentro o EPM. A ideia de contratar guardas e outro pessoal prisional natural do Vietname e do Nepal não tem a ver apenas com a questão linguística, mas também pelo facto destes trabalhadores importados não terem família em Macau, e torna-se mais difícil ameaçá-los ou chantageá-los. Parece que o sr. Leong Veng Chai tem alguma questão mal resolvida com o director do EPM, e só é pena que a leve consigo para o hemiciclo, e logo numa altura tão importante como é a discussão das LAG. Continuam a cavar e a apanhar minhocas, estes deputados estreantes na Assembleia Legislativa.

Outra vez essa "coisa suja"


Gostei do artigo de opinião assinado por Kam Suet Leng na edição de hoje do Ponto Final. Kam Suet Leng, se bem se recordam, é professora que se celebrizou nas manifestações do ultimo 1º de Maio devido à sua indumentária, considerada demiasiado ousada por um agente da educação mais conservadora. Sendo que é acima de tudo professora, Kam fala de educação, e neste artigo aborda o tema da Educação Sexual, ou da falta dela. Assumindo que não domina a língua portuguesa, o que vem no Ponto Final é uma tradução do texto original, e tirando um ou outro erro ou parágrafo mais confuso, percebe-se o essencial, e em muitos pontos a sua opinião sobre o tema coincide com a minha, que deixei patente neste artigo, do mês passado.

Uma passagem parece resumir o essencial, e tem a ver com a receptividade de pais e agentes educativos sobre a inclusão da disciplina de Educação Sexual nos currículos:

Do exemplo acima, vemos que entre a população há incompreensão sobre o significado da educação sexual, mesmo entre a administração das escolas. A própria expressão é um tabu para as escolas. Os directores e responsáveis das escolas estão preocupados, utilizando termos vagos, que a educação sexual sirva de encorajamento aos alunos para que tenham mais conhecimentos sobre sexo, e que a discussão sobre a interacção entre os diferentes géneros encoraje que tenham relacionamentos.

De facto é assim mesmo. Existeainda o preconceito de que a Educação Sexual é uma forma de "ensinar os jovens a ter relações sexuais", o que inibe as escolas de integrar o programa de um modo sério, temendo a não aceitação por parte dos pais. Ainda menos se atendermos ao facto de que a grande maioria das escolas mais conceituadas são privadas, e caras, qualquer decisão menos consensual pode resultar em prejuízos avultados.

Com o que não posso concordar é com uma certa abordagem aos conteúdos de uma eventual disciplina de Educação Sexual:

Durante os primeiros anos do ensino secundário, a educação sexual encoraja os alunos a conviverem entre si e a relacionarem-se em grupo, ficando a conhecer-se melhor a si mesmos e aos outros, estabelecendo relações saudáveis, incluindo com o sexo oposto, e aprendendo comportamentos adequados e técnicas para lidar com os outros.

Aqui não sei se ficou algo perdido na tradução, ou se fui eu que entendi mal. Senão vejamos, os jovens devem interagir entre eles, "incluindo com o sexo oposto"? Será isto sugerir experiências de laboratório? Estamos a falar de Educação Sexual ou de Química? Mais uma vez, peço desculpa se entendi mal, mas isto mais parece um daqueles casos onde eu tenho um cão de raça macho e o meu vizinho outro da mesma raça, mas fêmea, e combinsmos emparelhá-los para que produzam cachorrinhos.

A Educação Sexual deve ser mais do que um "descubra as diferenças" ou de "como funciona". Sim, essa é uma vertente teórica que importa abordar, mas a partir daí usar esse conhecimento teórico na análise de casos práticos, exemplificando com situações da vida real, não deixando de fora qualquer "se" ou "mas", e todas as possibilidades que os jovens na sua iniciação à vida sexual podem encontrar, confome os comportamentos que adoptarem.

Esta parece uma discussão que está longe de chegar a um termo, pelo menos atendendo aos números que a prof. Kam apresenta - menos de 20% das escolas aderiram ao programa da DSEJ. Parece que há ainda um longo caminho a percorrer na alteração das mentalidades, para que o sexo deixe de ser considerado tabú, ou "aquela coisa suja".

Pressa: o outro lado


Na quarta-feira falei do vírus da pressa, um mal que afecta milhões de pessoas em todo o mundo, quase todas nos grandes centros urbanos. Como em qualquer vírus, pelo menos os mais mortíferos, assustadores, fáceis de contrair e que nos infectam através do contacto humano, existe um paciente zero, bem como um período de incubação variável, e ainda portadores do vírus sem que este se manifeste.

Desconhece-se quem foi o paciente zero do vírus do pressa. Pena, pois podiamos tê-lo aberto ao meio e econtrar uma forma de produzir os anti-corpos, e dessa forma a vacia anti-pressa constava no boletim de vacinas das crianças. Existem contudo teorias sobre o aparecimento da pressa que reúnem o consenso da comunidade científica, e dessas há duas que gostaria de destacar, uma intemporal, e outra relativamente recente: os horários e os transportes.

Os horários foram a forma que algum sádico encontrou para “organizar” a sociedade, de modo a que ela “funcione”, e que todos possam contar com a distribuição de bens e a prestação de serviços de forma atempada. O quê? Isso é só paleio. O que acabaram por fazer foi criar condições para a propagação da pressa. Os horários estão para a pressa como a água estagnada está para o vírus da dengue. Quem me diz que nove da manhã são mesmo nove da manhã? Que força cósmica torna as nove da manhã em ponto diferentes das nove e meia, ou até das dez horas? Quem é que estabeleceu que entre o meio dia e tal e as duas é hora de almoço? E se eu não estiver com fome?

A ditadura dos horários e das horas facilitam a identificação de um infectado com pressa. Quando encontramos na rua um tipo aos saltinhos e a olhar para o relógio com cara de quem se está quase a borrar pelas pernas abaixo, e faltam poucos minutos para as nove da manhã, sabemos que está quase atrasado, e por isso tem pressa. Coitado. Se existisse um dia mundial da pressa, como existe o dia mundial da SIDA ou da diabetes, davamos-lhe um abraço. Chegando ao escritório às 9:02, tem o chefe à espera a olhar para o relógio com cara de poucos amigos, a abanar a cabeça, e quando o vê diz: “Ó Fonseca, desculpe lá mas assim não pode ser. A entrada é às nove horas”. O desgraçado, ainda a deitar os bofes da boca, tenta justificar-se o melhor que pode, fazendo pausas para respirar: “Desculpa, dr. Meireles...ah, ah...o metro...ah, ah...atrasou-se...ah, ah...os miúdos estavam com febre...ah, ah”. O chefe, esse poço de compreensão, dá um indulto ao Fonseca: “Pois, olhe, não quero saber da sua vida. Veja lá se não repete a gracinha”. Isto mesmo que esta seja a primeira vez que o Fonseca se atrasa em anos de serviço para o sacana do Meireles.
Não fosse o Fonseca precisar do emprego para pagar a renda, a letra do carro que só usa aos fins-de-semana porque “não anda a água da torneira e a gasolina está cara”, para comer, enfim, para viver, e dizia das boas ao chefe: “Mil perdões dr. Meireles. Lamento tê-lo feito perder tantos milhões com estes dois minutos de atraso, dr. Meireles”. Um chefe às direitas não ligava ao atraso; aliás, num mundo ideal, o dr. Meireles dizia aos seus funcionários: “Venham à hora que vos apetecer, desde que façam o vosso trabalho. Não me apetece andar atrás de vocês, a não ser que sejam uma gaja boa” – enquanto pisca ao olho à Andreia, a estagiária ruiva do departamento de contabilidade.

Depois os transportes. Com excepção dos países onde funcionam sempre a horas, o que não é o caso de Macau e muito menos de Portugal, os transportes são propagadores da pressa. São os mosquitos da pressa, cascavéis com um dente carregadinho de pressa, a pressa em pessoa que espirra e tosse num compartimento mal arejado cheio de gente, e ainda as beija com a língua. Quando há uma greve do metro, da carris, das CP, do PQP ou de uma Transporra-qualquer dá-se uma epidemia de pressa, milhares levam o carro para o emprego, há pessoas que andam quilómetros a pé, vendem a mãe por um táxi. Mesmo sem o factor da greve, é necessário apanhar o transporte a horas – esta é combinação mais mortífera de todas: os horários e os transportes. Um tipo que chega ao cais e o barco acabou de sair, sendo o próximo apenas uma hora depois, leva às mãos à cabeça, põe-se de joelhos e berra “Não ,nãoooo”, mas não está ali ninguém para o ouvir. Tornou-se um doente terminal da pressa, e prepara-se para entrar em stress. Paz à sua alma.

Num mundo com chefes porreiros que nos deixasse chegar à hora que quisessemos, os transportes não teriam horários. Quando é o próximo autocarro? Daqui a pouco. A que horas sai o próximo comboio para Sintra? Espere e depois logo sabe. Quando é que sai o avião? Quando estiverem cá todos. Na verdade nada teria horários, deixaríamos de ficar escravos das convenções, e a pressa passava à história. Quando é a reunião dos accionistas? Um dia destes. Quando, mesmo? Sei lá, quando lhes apetecer.
- “Filho, onde vais?”
- “Para a escola, tenho aula agora, acho...”
- “Mas são três da manhã”
- “E depois? Não tenho medo do escuro”.

Uma vez que este mundo é uma utopia – há uma maioria de chatos que acha que a anarquia não é solução – existem mesmo horários a cumprir, e a pressa é uma inevitabilidade. A pressa é como a sífilis: existe à séculos e ainda não existe uma cura completamente eficaz. Quando o ideal seria precaver-se da pressa, há pessoas que se expõe ao vírus. Em Macau é comum encontrar casos de pessoas que podiam muito bem evitar a pressa, mas brincam com a saúde, e teimam contraír o vírus. São facilmente identificáveis; são aqueles que para chegar ao emprego às 9 saem de casa às 8:50, e optam por fazer o percurso de carro, que lhe demora 20 minutos, quando a pé ficaria em 10 ou 15. Apanhados no meio de um engarrafamento provocado por outros néscios como ele, buzinam, bufam, dão murros no volante, sacodem a camisola. Acabaram de pegar uma camada de pressa, e quando olham para o relógio percebem que se esqueceram de tomar o comprimido do tempo.
Chegados ao emprego às 9:30, encontram o dr. Meireles, que os encara:
- “Isto é que são horas de chegar? Está meia-hora atrasado”
- “Ah pois é, sabe, acordo às sete e meia, tomo banho e faço a barba, depois faço o pequeno-almoço para mim e para os miúdos, depois abro a porta à empregada, como, e quando chego à garagem, uff...são 8:40 e nem dei por isso”.
- “Ai sim? E já tentou acordar antes às sete?”.
Tem razão, o dr. Meireles. Que grande porra, isto do tempo, que é igual para todos. E depois ainda se admiram que haja tanta pressa.

Paula Bobona


Paula Bobone, no dia em que comeu o chapéu e usou o faisão.

Estava eu esta tarde a contribuir para a prosperidade e progresso do território, e como sempre tinha o rádio ligado. Hélder Fernando tinha uma convidada no programa "Rua das Mariazinhas", mas concentrado na minha rotina, não estava a prestar muita atenção. Mas as palavras que saíam da boca da tal convidada e que me chegavam ao ouvido através do meu velhinho e fiel rádio começavam a enrolar-se nos tímpanos, causando tonturas e náuseas. Estive quase a ligar para o IACM para avisar que tinha aterrado uma ave rara nos estúdios da Av. Rodrigo Rodrigues, mas depois apercebi-me que se tratava apenas de Paula Bobone.

Não sei muita coisa sobre esta senhora, a não ser que é daqueles "cromos de Portugal" que diverte o povo em pequenas doses, estilo José Castelo-Branco. Consultando a Wikipedia, fico a saber que é "Directora de pós-graduações e cursos de organização de eventos e marketing pessoal na Universidade Lusófona, Instituto Superior de Gestão, Universidade Autónoma de Lisboa além de outros estabelecimentos de ensino", tem dez livros publicados, nove sobre etiqueta e boas maneiras e um de contos infantis (!), e um programa de televisão semanal. Tinhamos realeza em Macau e eu não sabia.

E é sobre etiqueta e protocolo que Paula Bobone veio a Macau falar, e esteve esta tarde pelas 18:30 no clube C&C, a Av da Praia Grande. O problema é que das suas qualidades terminadas em -ância, elegância não é uma delas. Petulância e arrogância sim, tem para dar e vender, acompanhadas com um side-dish de soberba, e um enorme desfazamento da realidade para a sobremesa. É tão segura de si que chego a pensar que tudo aquilo é uma farsa, um make believe, mas a forma como se mantém dentro da personagem leva-me a concluir que é mesmo assim. E é grave.

Paula Bobone não fala: comunica. Não ensina: transmite conhecimentos. Não tira fotografias: Regista imagens. Não come: ingere alimentos. Diz que usa roupa extravagante "porque é muito mal feita" - este deve ter sido a única demonstração de humildade vinda dela - e assim "desvia as atenções do seu corpo para o que tem vestido. Oh, oh, genial. O "problema" é que a madame está tão adiantada na moda que "quatro anos depois começam a usar a sua roupa. Olhe rica, nem é preciso esperar tanto tempo para que a sua indumentária esteja na moda. Afinal faltam só dois meses para o Entrudo, e aí a menina vai estar o má-xi-mo!

Para aprender como nos comportarmos como pessoas e não como Neandertáis, é só preciso comprar os livros de Paula Bobone - diz ela. Sabe uma coisa? Vou comprar já amanhã! A sério! Sim, estou a ser irónico, isto é ironia, que a senhora confunde com cinismo. A forma como se acha superior ao comum dos mortais e a maneira como insulta as pessoas, sabendo que as está a insultar, é muito deselegante. E feio. É pior do que colocar o guardanapo do lado direito.

Hélder Fernando perguntou-lhe o que pensa dos cómicos portugueses, e Paula Bobone não gosta. E Bandarra? E António Silva? - insistiu o locutor. Ah isso sim, mas "era outro Portugal". Vejam só, a formiguinha fascizóide. Mas não a levem a mal, pois o seu sentido de humor é very british, pois teve uma "educação germânica". Oh my, oh my. Às vezes é tão subtil, "que as pessoas pouco inteligentes podem pensar que é parva". Oh oh. Sabe uma coisa? Sou muito pouco inteligente. Aliás, nada, mas mesmo nada inteligente. Sabe o que mais? Sou burro que nem uma porta. Não é que a menina tem mesmo razão?

O Barcelona também perde


athletic bilbao 1-0 barcelona Extended... 发布人 Elgates
Prometia ser uma deslocação difícil, e confirmou-se: o Barcelona perdeu no estádio de San Mamés, em Bilbao, por uma bola a zero. Foi a segunda derrota dos catalães na mesma semana, depois do desaire na Arena de Amesterdão para a Liga dos Campeões na terça-feira, mas apenas o primeiro na liga espanhola. Os "blaugrana" têm agora a companhia do Atlético de Madrid na liderança, com 40 pontos, e apenas mais três que o Real Madrid. Começa a evidenciar-se a falta de Messi, a maior referência do Barça, remetido ao "estaleiro" há já algumas semanas.

Arsenal tranquilo, Mourinho ganha terreno


Realizou-se mais uma ronda da Premier League este fim-de-semana, com os jogos de maior interesse divididos entre Sábado e Domingo. No Sábado o Arsenal foi a Cardiff vencer a equipa local por 3-0, com dois golos de Aaron Ramsey, um homem da casa. Os galeses foram demasiado tenrinhos para os londrinos, uma equipa cheia de recursos a todos os níveis, e os arsenalistas passaram a liderar com mais sete pontos que Liverpool e Chelsea, à condição. Nas restantes partidas envolvendo equipas da primeira metade da tabela, o Everton goleou o Stoke City por 4-0, e o Newcastle subiu ao quinto lugar ao vencer o West Bromwich em St. James Park por 2-1.


Já na noite de ontem, as hostilidades abriram com o muito aguardado Tottenham-Manchester United, que terminou empatado a dois golos. Kyle Walker inaugurou o marcador para os da casa aos 18 minutos, mas Wyane Rooney marcou aos 32, garantindo que os "reds" não iam para o descanso em desvantagem. A equipa de André Vilas-Boas, que tem sido muito contestado, voltou a adiantar-se no marcador aos 54 minutos, pelo brasileiro Sandro, mas Rooney acabaria por fazer o bis três minutos depois, de grande penalidade. O Tottenham é nono com 21 pontos, e o ManU oitavo com mais um ponto.


A seguir foi a vez do Liverpool entrar em campo contra o sensacional Hull City, que venceu os "red devils" no seu reduto por 3-1, e subiu ao 10º lugar. Livermore, Meyler e Skrtel na própria baliza marcaram para o Hull, enquanto o veterano Steven Gerrard marcava o golo de honra para os visitantes. O Liverpool acabou por cair para o 4º lugar no fim das contas desta 3ª jornada, a sete pontos do líder Arsenal.


A seguir foi o Chelsea de Mourinho a medir forças em Stamford Bridge frente ao sensacional Southampton. Não podia ter começado pior para o treinador português, com Jay Rodriguez a adiantar os "saints" no primeiro minute da partida. Foi preciso esperar pelos 55 minutos para o Chelsea empatar, com um golo de Gary Cahill, e sete minutos depois o capitão John Terry fazia o segundo, colocando lógica no resultado. Demba Ba confirmou a vitória dos londrinos por 3-1, já nos descontos. O Manchester City, que tem um registo impressionante de 37 golos em 13 partidas, encerrou a ronda ao vencer em casa o Swansea por 3-0, com dois golos de Samir Nasri. A equipa de Manuel Pellegrini ascendeu ao terceiro lugar da Premier League.

Classificaçãos dos dez primeiros:

J P

1 Arsenal 13 31
2 Chelsea 13 27
3 Manchester City 13 25
4 Liverpool 13 24
5 Everton 13 24
6 Newcastle United 13 23
7 Southampton 13 22
8 Manchester United 13 22
9 Tottenham Hotspur 13 21
10 Hull City 13 17

Sporting e Benfica na frente


Já muitos não se devem recordar da última vez que aconteceu, mas em pleno segundo terço do campeonato, Sporting e Benfica lideram à frente do FC Porto. Os dragões perderam no Sábado frente à Académica, e as equipas da capital aproveitaram para passar para a liderança ex-aequo, com mais dois pontos que os campeões nacionais. O primeiro a entrar em campo foi o Benfica, que venceu por 3-1 no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde. A primeira parte foi muito pobrezinha, com o golo dos encarnados, da autoria de Rodrigo, a ser único lance de interesse. Na segunda parte a partida aqueceu, especialmente depois do golo do Rio Ave, da autoria de Ukra aos 57 minutos. Aí foi a altura de Lima brilhar, com o avançado brasileiro que substituíu o lesionado Cardozo a marcar aos 63 e os 76 minutos. Pelo meio os vilacondenses ficaram reduzidos a dez elementos, devido à expulsão de Alhassan Wakaso. O Rio Ave continua com um péssimo registo nos jogos em casa, somando a quinta derrota em seis jogos. O Benfica isolou-se na liderança, pelo menos até ao jogo do Sporting, que jogava em casa com o P. Ferreira logo a seguir.


E os leões não desiludiram os seus adeptos, goleando os pacenses por 4-0, uma equipa que vinha sendo um bico-de-obra para o Sporting nos últimos anos. William Carvalho marcou aos 15 minutos o golo que levou os verde-e-brancos para o intervalo em vantagem pela margem minima. Na etapa complementar foi a vez de Fredy Montero brilhar. O avançado colombiano, melhor marcador da liga que passou por um pequeno período de "seca" nos últimos jogos, marcou por duas vezes, aos 60 e aos 72 minutos, este último de penalty. André Martins fechou a contagem aos 89, e a equipa de Leonardo Jardim saltou para a liderança em igualdade pontual com o Benfica, e com mais dois pontos que o FC Porto. O treinador madeirense continua a adoptar um discurso cauteloso quanto à candidatura ao título, mas a verdade é que os leões lideram, jogam bom futebol, e têm o melhor ataque do campeonato, com 28 golos em 11 jogos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

A SIDA (ainda) mata


Assinala-se hoje mais um dia mundial da luta contra a SIDA, a peste do século XX, que em pleno século XXI continua a reclamar milhares de vida em todo o mundo, em especial nas nações mais pobres da África e da Ásia. Quando o presidente norte-americano Bill Clinton decretou em 1995 que o dia 1 de Dezembro passaria a ser dedicado ao combate a este flagelo, estaria longe de imaginar os progressos que viriam a ser feitos nesse sentido. Com o investimento feito na pesquisa médica e maior conhecimento sobre o HIV, o vírus que causa a SIDA, é possível tratar a doença como qualquer outra doença crónica, como a diabetes. Nos países desenvolvidos os governos subsidiam os doentes com HIV, e disponibilizam de forma gratuita os medicamentos retorvirais que os permitem viver com qualidade durante vários anos. Durante a primeira década após a identificação da doença, no início dos anos 80, um diagnóstico positivo era o equivalente a uma sentença de morte.

Esta evolução no combate a uma doença que há vinte anos era mortal tem levado à sua relativização. Uma notícia recente dá conta do aumento do número de casos na Grécia. Como forma de combater a austeridade e obter os 700 euros de subsídio destinado aos doentes de HIV, são muitos os gregos que em desespero se infectam voluntariamente com o virus, o que levou o número de casos a triplicar nos últimos dez anos. O fim do pânico leva ainda a que se descure o aspecto da prevenção, nomeadamente o uso do preservativo, uma forma eficaz de evitar a transmissão pela via sexual. É um facto que a incidência é actualmente menor, mas a doença existe; por exemplo, em Portugal no ano de 2011 viviam 34 mil pessoas com HIV, e morreram 500. São 0,7% em termos de incidência menos de duas mortes em cada dez casos, mas será isto tão pouco que valha a pena baixar a guarda? Vale mesmo a pena correr o risco e tratar a SIDA como um problema do passado? Este dia serve para nos lembrar que não, e que é preciso continuar atento.

É nos países mais pobres que a SIDA continua a proliferar e a espalhar a morte. A África subsariana é a mais afectada, com cerca de um quarto da população infectada em nações como o Botswana, Lesoto e Suazilândia. Mesmo na África do Sul a incidência é de 17%, com mais de 300 mil mortes por ano - é actualmente o país do mundo onde mais se morre de SIDA. As mulheres e as crianças, os mais inocentes, em suma, são o segmento da população em que se regista o maior crescimento em número de infecções por HIV. A corda continua a quebrar do lado do mais fraco. Se na Europa ocidental a epidemia está mais ou menos controlada, no leste continuam a aumentar os casos, nomeadamente na Ucrânia e na Rússia. Neste último o número de infecções por HIV cresce a um ritmo alarmante todos os anos, e terá ultrapassado um milhão no ano passado. O governo russo é um dos que menos investe na prevenção, tratamento e investigação da doença, que ainda é considerada um tabú. Não é fechando os olhos para o problema que ele desaparece. Pelo contrário, a tendência é para que se torne ainda maior.

Se a medicina permitiu mortalidade diminuisse, pouco fez para eliminar o estigma que a SIDA carrega, praticamente desde a sua descoberta. Os primeiros casos foram detectados em homossexuais, depois toxicodependentes e mais tarde em trabalhadores da indústria do sexo, altura em que se concluíu que o virus não escolhia género, classe ou orientação sexual - e porque havia um virus de ter qualquer dessas preferências? Em Macau o problema é tratado como um mal menor, e a doença é considerada um exclusivo dos grupos de comportamento de risco. Apesar do aumento do número de casos nos últimos anos, foram apenas registados 24 novos seropositivos este ano, e a maioria dos infectados continuam a ser trabalhadores não-residentes. Contudo, a prevalência manifesta-se sobretudo nas relações heterossexuais desprotegidas, e perante esta evidência, não existem motivos para discriminar ninguém. Hoje pode ser uma prostituta ou um indivíduo promíscuo, mas amanhã pode ser um pai ou mãe de família. Para quê facilitar?

Sr. rato ao Raio-X


Neste dia em que o Bairro do Oriente comemora o seu 6º aniversário, dou a conhecer um personagem que tem recebido o carinho dos leitores do blogue: o sr. rato. Quem é ele? De onde vem? O que pensa (se pensa)? Qual é a sua história? Este é o BI do sr. rato, informação disponibilizada pelo próprio.

Nome: Sr. rato

Espécie: Rattus norwegicus

Data de Nascimento: n/a



Local de Nascimento: Ratisbona

Cor: Castanha (com peito branco)

Sexo: Às vezes

Filiação
Pai: Honorato Liberato Desirato
Mãe: Anabela Rata Z., aliás, Rata Z., Anabela

Morada: Casa do Leocardo



Morada anterior: Sede do PS, Largo do Rato, Lisboa; Tribunal Constitucional de Portugal, Palácio Ratton, Rua do Século, Lisboa.

Signo do zodíaco chinês: Rato (claro...)

Orientação sexual: Ratossexual

Descendência: n/a



Religião: RATafari

Habilitações Literárias: n/a



Livros: “Ratos e Homens”, John Steinbeck; “A Invasão dos Ratos”, James Herbert



Filmes: “Mousehunt”, Gore Verbinski

Música: Boomtown Rats, Ratos do Porão, Wolfgang Amadeus MozRAT

Personalidade: Cardeal RATzinger



Herói de infância: Rato Mickey, Mighty Mouse, Danger Mouse, RATanplan, etc.



Prato preferido: Ratatouille



Local de férias: Rat Island, Nova Iorque

Lema: Um queijo e uma cabana

Sonho: A ratificação da carta dos direitos do rato pela ORU (Organização dos Ratos Unidos)

Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro - 159 anos


Hoje é dia 1 de Dezembro, e assinala-se em Portugal o Dia da Restauração. Desconheço se este dia ainda é feriado em Portugal, ou se entrou no pacote de "cortes", mas atendendo ao facto que hoje é Domingo, pouca ou nenhuma diferença isso faz na cidade do Montijo, onde vivi os primeiros 18 anos da minha vida. Neste dia a cidade (vila, antes de 1985) desperta com o som da Banda da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro, que comemora hoje 159 anos de existência. Todos os anos no primeiro dia do último mês os rapazes e as raparigas da 1º de Dezembro percorrem as principais artérias do Montijo ainda antes do nascer do dia, dando música aos aldeanos, que não se importavam nada em ter o sono interrompido pelos sons da Banda. Faziam questão, aliás. Seria mau sinal se as ruas do Montijo se quedassem silenciosas nas primeiras horas do dia 1 de Dezembro.


Grupo de Cavaquinhos da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro, actuando no Coreto da Praça da República, Montijo.

A Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro é uma das duas grandes filarmónicas montijenses, sendo a outra a Banda Democrática 2 de Janeiro. Sediada na Av. D. João IV, surgiu em 1854, numa época em que a Regeneração levou à criação de 160 filarmónicas em todo o país até 1880. A Sociedade conta actualmente com 1800 sócios e 300 praticantes distribuídos pelas suas inúmeras actividades, que além da Banda Filarmónica incluem o Coro Polifónico, um Grupo de Cavaquinhos e uma Academia de Artes, onde se dão aulas de karaté, yoga, ginástica, capoeira, taekwendoo, krav maga,teatro e desenho, e claro, de música. Sendo a música o prato forte da 1º de Dezembro, a sua academia ensina piano, guitarra, bandolim, percussão, cavaquinho, violino, e para quem se prefere mexer ao som dos instrumentos há aulas de Samba, sevilhanas, danças de salão, dança do ventre e Hip Hop. Para os mais pequenos há ainda aulas de iniciação musical. Encontra-se um pouco de tudo para todos os gostos, na 1º de Dezembro.


Coreto do Montijo, situado na Praça da República, em frente à Igreja Matriz.

A Banda Filarmónica, a menina dos olhos desta Sociedade, conta actualmente com 45 músicos, dirigidos pelo maestro Rui Fernando Fonseca e Costa. O Coro Polifónico, fundado em 1998, é dirigido pelo maestro croata Willy Popovic, e conta com 35 coralistas, uma delas a minha madrasta Maria da Conceição, a quem mando daqui um grande abraço, e já agora parabéns para ela também. O Grupo de Cavaquinhos é a adição mais recente às bandas da Sociedade Filarmónica; fundado em 2000, tem 22 elementos sob a direcção do professor Rolando Barros. Os três grupos da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro actuam em palcos um pouco por todo o país, mas onde se sentem "em casa" é no Coreto do Montijo, inaugurado em Agosto de 1926 e situado na Praça da República, em frente à Igreja Matriz do concelho.


Actuação da Banda da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro nas festas de S. Pedro de 2012, no Montijo.

Hoje que comemora o seu 159º aniversário, as festividades já começaram pelas 6 da manhã com a tradicional Alvorada, que já referi, com a Banda a acordar a cidade às seis da manhã. Às 8 horas foi a vez do hastear das bandeiras - de Portugal, da cidade do Montijo e da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro - na Praça da República e na sede da Av. D. João IV, seguida de uma missa na Igreja Matriz, em homenagem aos músicos e associados que já não se encontram entre nós. Pelas 15 horas a Banda volta a sair à rua, para saudar as entidades oficiais e a população, e este ano serão incluídos pela primeira vez quatro alunos da Escola de Música. Finalmente pelas 16 horas procede-se à sessão solene na sede da Av. D. João IV, onde serão conferidos os emblemas e os diplomas aos associados de prata (25 anos) e de ouro (50 anos). Depois segue-se o 1º de Dezembro de honra, que é como quem diz, os comes e bebes, que a barriga por vezes também dá música.


Concerto de Natal do Coro Polifónico da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro, 2009.

Para quem acha isto pouco, as celebrações do aniversário continuam no dia 7, com um baile no salão da sede, animado pela banda Contra Ponto, composta por ex-músicos da sociedade. No dia seguinte e também no salão, a Banda brinda-nos com uma actuação "mais a sério", com o já tradicional concerto de aniversário. Até ao final do ano, e porque nos encontramos na quadra natalícia, serão inúmeras as actividades organizadas pela 1º de Dezembro; baile no dia 14 com o Duo Infinito, e no dia 21 com Ludgero; também no dia 21 pelas 15:30 o Encontro de Música Popular Portuguesa, com a participação do Grupo de Cavaquinhos e um convidado, o Grupo Musical Vozes da Nossa Terra, de Campo Maior; no dia 22 o Grupo Polifónico dá um concerto de Natal na Igreja Matreiz, acompanhado pela Orquestra de Violinos; para terminar o ano em beleza, "reveillon" na sede da Av. D. João IV, novamente com o grupo Contra Ponto.

Quem quiser saber mais sobre a Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro, pode visitar o seu blogue, ou o grupo do Facebook. Resta-me desejar daqui de Macau um feliz aniversário à 1º de Dezembro, "minha" 1º de Dezembro, e de todos os montijenses, e desejar tudo de bom para vocês. Um grande abraço e muitas saudades.

GB11 faz de CR7


Real Madrid 4 Valladolid 0 发布人 acosart
O Real Madrid entrou ontem em campo no Bernabéu frente ao Valladolid sem Cristiano Ronaldo, a contas com uma lesão, mas "despachou" o adversário com um expressivo 4-0, com destaque para o internacional gales Gareth Bale, que assinou um "hat-trick". O jogador que último defeso se tornou a contratação mais cara de sempre marcou aos 33, 64 e 89 minutos, fazendo esquecer por instantes a ausência de CR7, melhor marcador da liga espanhola. Antes do encontro foi observado um minuto de silêncio pela morte do pai de Fabio Coentrão. Por esse motivo o lateral português foi outra das ausências no onze de Carlo Ancelotti. Antes do jogo no Bernabéu o Atletico de Madrid foi vencer fora o Elche por 2-0, e alcançou temporariamente o Barcelona no topo da classificação com 40 pontos. Os catalães têm hoje uma deslocação complicada, viajando até ao País Basco para defrontar o Athletci Bilbao. O Real mantem o 3º lugar a três pontos dos líderes.

Dragão sem chama perde em Coimbra


O FC Porto perdeu ontem em Coimbra por 1-0 frente à Académica, colocando um ponto final a uma série de 53 jogos sem perder para a Liga ZON Sagres. É preciso recuar a 22 de Janeiro de 2012, à 17ª jornada da época 2011/2012, para encontrar outra derrota dos dragões, em Barcelos por 1-3 frente ao Gil Vicente. É preciso recuar ainda mais longe até à última derrota do Porto em Coimbra para o campeonato: foi na longínqua época de 1970/71, por 2-3. O resultado de ontem é, pode-se dizer, cheio de história. O herói dos estudantes foi Fernando Alexandre, que marcou aos 44 minutos o único golo do encontro. O FC Porto voltou a mostrar-se muito desinspirado, principalmente no último terço do terreno. Depois de um início de época prometedor, com vitória na Supertaça e sete vitórias e um empate nos primeiros oito jogos do campeonato, o Porto parece começar a acusar a falta de João Moutinho, que "enchia" o meio-campo com a sua presença, e de James Rodríguez, que a com a sua criatividade "inventava" lances de golo. Jackson Martinez continua a ser o elemento mais eficaz do ataque, com 8 golos na liga e 12 em todas as competições, mas parece nitidamente desapoiado. Os tri-campeões somaram o terceiro jogo consecutivo sem vencer para a Liga, e nos últimos seis encontros oficiais apenas venceram um, em Guimarães, para a Taça de Portugal. A equipa foi recebida ontem à noite no Dragão por 200 adeptos insatisfeitos, que atacaram o autocarro com tochas e pontapés. Começa a ficar sem margem de manobra, o treinador Paulo Fonseca.