sexta-feira, 23 de maio de 2008

Serviço público


Estava hoje muito entretido a ver o Jornal da Tarde da RTPi, enquanto jantava. Passa a notícia do terramoto em Sichuan, e vejo o presidente Hu Jintao a pedir a um trabalhador mais esforço na construção das tendas provisórias que têm servido de casa aos desalojados, e das crianças que estudam em escolas improvisadas e sem condições, quando de repente o jornalista Hélder Silva interrompe a reportagem. O que será de tão importante? Pensei com os meus botões. Era a chegada de Cristiano Ronaldo ao aeroporto de Lisboa.

É o fanatismo do directo, do exclusivo, da notícia populucha sem interesse nenhum. As perguntas do costume: "Cristiano Ronaldo, está feliz?", "está cansado?" ou ainda "vai para o Real Madrid?", com um "ganhar mais uma pipa de massa?" implícito. As respostas eram sempre "estou fantástico", "é espectacular", "é fantástico e espectacular". E quando acabou a palhaçada, lá voltaram à reportagem na China, onde ninguém recebe milhões de euros por ano para jogar à bola. Isto é serviço público.

5 comentários:

Maria disse...

Pois. É assim mesmo. Eu fico indignada! No dia do sismo, quando ainda pouco se sabia sobre a real dimensão mas ainda assim, na altura, estimavam-se 10 mil mortos a RTP1 abriu o seu jornal da noite com um directo para uns senhores da federação a propósito da divulgação da lista de convocados e ficámos 16 minutos (16 MINUTOS!!!!) a ouvir falar do europeu, mais umas quantas perguntas tontas dos jornalistas que estavam a cobrir o "evento", além das habituais repetições-resumo do que lá se estava a dizer por cima da voz dos que no momento estavam a falar. Do tipo: a seleccionador a dizer os nomes e o jornalista a dizer os nomes que o seleccionador disse... para o caso de não termos percebido à primeira... Quanto ao terramoto na China, para mim notícia que deveria ter sido de abertura do jornal, só depois... primeiro gramámos com 16 minutos de europeu. Se em circunstâncias normais, na minha opinião, já seria excessivo muito mais naquele dia concretamente. Serviço público, pois então.

CONTRADITÓRIO disse...

Meus caros, o que é que vocês querem?
Naquela terra a única coisa que dá gozo á vida é o chuto na bola.
Tudo o mais é deprimente.

Cada vez dou mais graças a Deus por não viver ali.

E eu até gosto e sou adepto de futebol.

Anónimo disse...

é natural que o serviço público deve priviligiar o noticário nacional...o que é nacional é bom, independente da nautureza e da gravidade da notícia e ainda por cima , como aquilo era em directo...

Anónimo disse...

Anónimo das 20.26: Acho que não percebeu bem a coisa. O serviço público não privilegiou o noticiário nacional. O serviço público privilegiou o FUTEBOL. Aqui há uns meses (acho que esta até foi na SIC), o Santana Lopes recusou-se a continuar a dar uma entrevista porque a meio da dita entrevista foi interrompido. Sabe porquê? Porque o José Mourinho estava a chegar ao aeroporto e era preciso fazer-lhe uma entrevista em directo. Para quem não conhece as prioridades da informação portuguesa, aqui estão dois bons exemplos. Aquilo é o país dos futebóis, ao qual não quero voltar porque, apesar de gostar de futebol, percebo que há vida para além disso. E quem percebe que a vida não é só futebol, o melhor é que fuja daquela "coisa" em que Portugal se tornou o mais depressa possível.

Anónimo disse...

caro anónimo de 6:20, percibi o que o Leocardo está a dizer...vi também a entrevista do Santana Lopes na youtube http://www.youtube.com/watch?v=MpB1Ydko4NU, mas fosse como for o desporto nacional também faz parte do noticiário nacional...e neste caso ninguém foi interrumpido como foi com Santana Lopes, apenas a sequência da apresentação das notíccias foi alterado...