quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A greve é grave


Começo a ficar seriamente preocupado: os portugueses começam a perder a fé nas greves. É verdade. Não que alguma vez tenham depositado a sua fé nelas, mas começam a vocalizar o seu descontentamento. Na véspera de Natal houve greve dos transportes públicos em Lisboa e Porto, e apesar da adesão não ter sido significativa, deu para aborrecer alguns cidadãos que esperavam pelo autocarro, e ainda por cima enquanto esperavam tinham a companhia do lixo e dos ratos, devido à greve dos cantoneiros, também nesse dia. Um utente desabafava: "eles fazem greve mas não chateiam o Governo, só chateiam é o povo". Pois é, paralisar os transportes colectivos não vai colocar muita pressão sobre o Governo, a não ser que a greve se extenda aos motoristas particulares das viaturas do Estado. Mas com este Executivo, mais greve menos greve tanto faz: perdidos por cem, perdidos por mil. E se aquela ideia dos seus motoristas fazerem greve fosse para a frente, era mais uma desculpa que encontravam para não fazer nenhum.

As greves são uma arma que os trabalhadores encontraram para combater as injustiças e pressionar o patronato, que sem força laboral que fizesse funcionar a máquina produtiva, esta ficava parada, resultando em prejuízo. O direito à greve foi uma conquista dos sindicatos para poderem usá-lo como forma de negociar de igual para igual com os patrões, e assim exigir melhores condições de trabalho, uma carga horária menos pesada e um pagamento mais justo. Agora deixemo-nos de papo comuna: a greve foi uma forma que os gajos encontraram para trabalhar menos e ganhar mais. E em boa hora! Não sei se sabem, mas até há qualquer coisa como 100 anos as pessoas trabalhavam 12 horas ou mais por dia, sem descanso semanal (sim, nem Domingo), faltas ou férias pagas, e sem remuneração suplementar em caso de horas de trabalho extraordinárias. Ufa, ainda bem que tinham a greve. Já pensaram?

Foram muitos os que cairam que nem tordos para que pudessemos ficar mais tempo na cama ao Domingo e mandar o chefe à fava o mais tardar às 6:30 da tarde. Bravos heróis, cuja memória não conseguimos honrar. O valor da greve foi completamente subvertido. As greves não foram feitas para se ficar em casa, ou ir passear no parque com a família, ou ir às comprinhas no Euromarché. E logo na véspera de Natal e tudo, como convém. Há greve, certo, não se trabalha, pois não, mas é para ir ajudar no piquete e impedir que os "fura-greves", esses traidores dos "amarelos" peguem ao serviço e mantenham a linha de produção activa, e o patrão sorridente. E no processo há que contar com cargas policiais, mordidas de pastores-alemães e jactos de canhão de água, enquanto se seguram cartazes com palavras de ordem, de preferência atingindo a cidadania da mãe do patrão. Sim, meus amigos. Uma greve não é um piquenique.

Não é um piquenique, um BBQ ou sequer um chá-dançante, mas há quem goste de pensar que é. Há malta que chega a casa toda contente e começa a fazer planos para um dia em que o seu sindicato marcou uma greve, tendo apenas em atenção o seu próprio lazer e diversão. O sentido da greve fica completamente desvirtuado quando os únicos sindicatos que as organizam representam sectores profissionais que trabalham directa ou indirectamente para a máquina do Estado. Exprimentassem os operários de uma fábrica de cortiça ou os trabalhadores de uma obra fazer greve, e no dia seguinte tinham lá outros parvos no seu lugar. Enquanto uns comem o pão que o diabo amassou com um sorriso no rosto e ainda ficam a fazer cruzes para a empresa no falir e irem jogar para o Olho da rua futebol clube, outros têm o pilim a cair lá todos os meses com relativa segurança e ainda querem fazer greve.

Os professores da rede de ensino público, os enfermeiros do sistema de saúde nacional ou os motoristas das empresas públicas de transportes fazem greve, marcam-lhes falta, os sindicatos emprenham o Governo pelos ouvidos, e tiram-lhes a falta. Assim é fácil. Em Macau o direito à greve está contemplado na Lei Básica, mas não está regulado por lei, portanto aqui ninguém sabe o que isso é. A única excepção são os funcionários do Consulado-Geral de Portugal, que estão sob a alçada do Estado Português, mais precisamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e como tal aderem frequentemente às greves das embaixadas e postos consulares. Durante uma dessas greves, um dos meus colegas chamou a atenção para esse facto: a falta injustificada, revelando-se bastante preocupado com essa consequência. Expliquei-lhe então que o Estado justifica eventualmente a falta, porque a greve "é um direito". Caso contrário nem eles se atreviam a cometer tamanha ousadia. Podem estar descontentes com qualquer coisa, mas ainda não estão malucos.

Isto das graves é tudo uma questão de perspectiva: depende de quem está do lado do receptor. Pode-se estar nas tintas para as reivindicações dos vendedores de gelados na praia, mas se eles estiverem de greve num dia especialmente quente na Caparica e estiver a apetercer-lhe um "frutóchocolate", vai a resmungar irritado a caminho do café mais próximo, enquanto queima os pés na areia a escaldar: "chulos, não querem trabalhar". O sentimento é um misto de egoísmo com indiferença; por nós os funcionários das portagens podem estar de greve todos os dias, menos no dia em que precisemos de usar a ponte. Mas parece isto das greves foi chão que já deu uvas. Atente-se ao primeiro parágrafo: "...apesar da adesão não ter sido significativa". Hoje em dia nunca é significativa. A greve perdeu o seu impacto, e hoje está para as lutas laborais como a sangria através de sanguessugas está para a medicina moderna. Os portugueses não querem fazer grave. Então isso é muito grave.

A leste nada de novo


A jornalista e activista ucraniana Tatyana Chernovil foi ontem atacada e brutalmente agredida enquanto conduzia o seu carro de regresso a casa. O veículo foi parado por um grupo de homens, e apesar de ter tentado fugir, a activista susteve várias agressões que a deixaram com uma concessão, uma fractura no nariz e na face, e vários hematomas. Chernovil, de 34 anos, concorreu para o parlamento da Ucrânia pela oposição, mas sem sucesso, e tem sido uma das vozes mais críticas do presidente Viktor Yanukovych e do seu executivo. A agressão aconteceu no mesmo dia em que a jornalista assinou um artigo no Ukrainska Pravda, onde denunciava a aquisição de um terreno nos arredores de Kiev por parte de Yanukovich, que iria servir para construir uma mansão de luxo para o seu ministro do interior Vitali Zakharchenko. Após o incidente centenas de jornalistas e elementos da oposição juntaram-se à porta da sede do ministério do interior exigindo a demissão de Zakharchenko. O presidente Yanukovych tem estado debaixo de fogo desde que recoou na assinatura de um tratado de cooperação com a União Europeia, a favor da manutenção dos laços económicos e comerciais com a Rússia, que não viu com bons olhos a aproximação da Ucrânia a Bruxelas.


E por falar em Rússia, Vladimir Putin continua a demonstrar uma excepcional benevolência com os seus opositores. Dias depois de ter libertado o milionário Mikhail Khodorkovsky, desta vez foram aministiados milhares de prisioneiros, incluindo dois elementos do grupo de rock Pussy Riot, detidas desde Julho de 2012. As cantoras foram condenadas por "hooliganismo", ódio religioso e comportamento hostil, depois de em Fevereiro terem cantado um hino anti-Putin na Igreja do Cristo Salvador, em Moscovo. Além dos indultos, o presidente russo retirou ainda uma queixa contra um grupo de activistas dos Greenpeace, que tentaram impedir à força a extração de petróleo no mar de Barents, no Àrtico. Esta generosidade do presidente russo não terá nada a ver com a época natalícia, mas é resultado da pressão internacional. Vários países ameaçaram boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno, que se realizam de 6 a 24 de Fevereiro em Sochi, na Rússia. Putin pode ser um déspota, mas não é parvo, e sabe que a teimosia pode dar prejuízo.

A outra face da Copa


Alguém lá pelo Brasil descobriu essa coisa nova chamada "sarcasmo". Neste filme de cerca de dois minutos e meio, o seu autor fala do país que vai organizar o próximo campeonato do mundo de futebol. Uma perspectiva muito pessimista, onde vemos buracos na estrada, cheias, viaturas mal estacionadas, assaltos à mão armada, carros assaltados, etc. Muito bem, mas so what? Já sabemos que o Brasil tem todos estes problemas, mas dizer que este é o "Brasil real", como sugere o autor, é ridículo. Esta é apenas uma das faces de muitas do Brasil, e duvido que se vão disputar partidas do mundial nos locais que vemos no vídeo. Um exercício puro de desonestidade intelectual.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Doci Papiá di Macau - a herança de Adé


Uma das prendas que me ofereceram este Natal foi este CD, "Doci Papiá di Macau". Muito atencioso da parte da pessoa que me ofereceu esta preciosidade, e que para o efeito se terá dado ao trabalho de investigar os meus gostos. Este CD contém 12 récitas e canções, uma valsinha e o excerto de uma opereta, todos da autoria de Adé dos Santos Ferreira, e por ele interpretados. A edição ficou a cargo da (extinta?) Tradisom em conjunto com o Instituto Cultural, decorria o ano de 1997, a recolha foi feita por Hélder Fernando e José Môças, com prefácio do primeiro e agradecimentos finais da autoria do último, que também teve a seu cargo a coordenação executiva. A sonoplastia e a pós-produção esteve a cargo de Paulo Paz, e a masterização digital de Francis Way, no Ultimate Studio, em Hong Kong. As coisas que se aprendem numa contra-capa, e esta foi imprimida na Tipografia Mandarim.

Agora estarão alguns leitores a pensar: "ó Leocardo, acordaste agora? esse CD tem barbas". Pois é, tenho a plena consciência que 1997 não foi no ano passado nem no anterior, e tinha conhecimento da existência do disco, que tive na mão várias vezes e nunca dei o passo seguinte, que seria comprá-lo. Não sei bem porquê; tenho a certeza que ia gostar, e estava familiarizado com algumas das faixas, mas 200 paus pareceu-me um preço excessivo. Aconteceu a mesma coisa com o CD dos Thunders, que era ainda mais caro, e que também me ofereceram. Talvez 16 anos depois devessem repensar o preço e tornar a aquisição deste autêntico documento mais convidativa. Fazendo este "Doci Papiá di Macau" a 100 patacas, ou até menos, estariam a divulgar o patuá, quem sabe? Pelo menos não perdiam nada. Acreditem: dificilmente alguém paga 200 patacas por um único CD nos tempos que correm.

O aliciante deste CD é óbvio: é patuá, e é Adé. Não vou aqui entrar em discussões sem cabimento sobre quem é o dono do patuá, se este acabou quando Adé acabou, ou se Adé era melhor ou pior, estou-me nas tintas para tricas entre comadres. O que posso dizer é que gosto de ouvir patuá, de preferência "castiço", quer venha ele de Adé, dos Doçi Papiaçam di Macau, a cujas apresentações anuais assisto religiosamente desde há alguns anos, ou de alguém que oiço conversar na rua ou no café. Pode ser uma expressão, uma frase, uma palavra apenas, que é algo que me faz sorrir, que me torna dia melhor. É pena que quem ainda fala ou pelo menos "dá uns toques" seja tão reservado em demonstrar os seus conhecimentos do dialecto, ou que fale patuá apenas "inter pares", onde se sente mais à vontade. Quem sabe se em vez de candidatar o patuá a património cultural da humanidade, seria melhor inclui-lo na lista de espécies em vias de extinção? Adiante.

Como faço com todos os CDs, comecei por escutar a primeira faixa, uma récita em duas partes: "Unde ta vai quirida/Divera saiám". Interessante, não desiludiu, e serviu de aperitivo para o que vinha a seguir. Saltei para a faixa nº 6, "Bote-Dragám", um dos temas que já conhecia, e o meu favorito. Este poema é dedicado às regatas dos Barcos Dragão, e atentem ao talhe doce do crioulo de Macau, tão evidente nesta passagem:

Ah! Tudo ta gritá,
Sã bote-dragám! Sã bote-dragám!
ôlo lustro, bocá ispumá,
Rabo bulí, fêto coscorám,
Dragám ubí tambôr di "kusau",
Ligêro core na mar di Macau.


Genial, sem dúvida. A este ponto alguns leitores menos familiarizados com o patuá podem pensar que vão ficar um pouco "perdidos" ao escutar este disco, mas o livro do CD contém as letras completas, além de uma pequena nota prévia que nos fala de cada tema, da data da sua gravação e ainda algumas curiosidades. O livreto inclui ainda uma biografia de Adé, portanto quem desconhecia tudo isto por completo e em promenor, fica completamente esclarecido - e ainda aprende qualquer coisa.

Os temas debruçam-se sobretudo sobre a vivência de Macau, desde as festividades, como o Ano Novo Chinês ou o Carnaval, a gastronomia macaense, em "Petisquêra di Macau", e até a quadra que agora atravessamos, em "Natal! Anôte Santo!". Não falta o humor, é claro, patentes em "Dale vôs" ou "Unga estória de ôlo-deco", onde é evidente a apetência maquista para a "chiste" mais brejeira, denotando um sentido de humor muito particular. Adé era poeta e declamador, mas não era cantor. Mesmo assim dá um ar de sua graça cantando a solo ou na companhia da sua tertúlia. Destaco de entre estes "Aqui bôbo", o tal tema dedicado ao Entrudo, ou ainda uma versão de "Casa Portuguesa" adaptada à realidade local, "Casa Macaísta".

O tema que encerra o disco é "Adios di Macau", que a nota em anexo nos diz ter sido o último que o autor gravou, em Setembro de 1992, poucos meses antes da sua morte. Nele Adé toca na alma de Macau, confessando a sua apreensão quanto ao futuro da terra que o viu nascer, a sete anos que estávamos da entrega da soberania para a RP China. Tocante e profundo, declamado de forma apaixonada, assim como é todo o patuá de Adé dos Santos Ferreira. É um legado que nos deixa, e havendo mais além desta compilação, devia ser divulgado sem mais demora. Porque tem muita qualidade, antes de mais nada.

"Doci Papiá di Macau" é uma hora bem passada a ouvir patuá, para quem gosta, e quem no conhece ainda ou conhece pouco vai com toda a certeza gostar. Se já tinham ouvido falar tanto de Adé e não sabiam porquê, aqui está a razão. Só é pena ver este CD anos a fio nas prateleiras da Livraria Portuguesa, e talvez uma das razões do desinteresse seja o preço proibitivo que referi acima. A cultura deve estar acessível a todos, e no caso do patuá, a divulgação deve ser feita com carácter de urgência. E isso serve tanto para este disco como para todo o resto. Só com boas intenções não chegamos lá.

Agnóstico até provas em contrário


Estava a passar a véspera de Natal na casa de uns amigos, com a televisão sintonizada no canal 1 da TDM, mas sem som, e por volta das 11 da noite noto que estão a transmitir a Missa do Galo, em directo da Igreja da Sé de Macau. Nunca fui a uma destas missas, ou qualquer outra, para esse efeito, mas respeito quem opta por interromper a Consoada para ir até à Igreja ouvir um sermão, e até acho bem que alguém se lembre de que a data tem primariamente ums significado religioso. Mais tarde a RTPi transmitiu a mesma função em directo do Vaticano, conduzida pelo Papa Francisco, que faz aqui a sua estreia. Em Macau a missa pareceu-me mais ligeira, mais digerível, enquanto em Roma foi mais pesadona, mais taciturna. Noutras palavras: chata que até deu dó. Até a voz dos comentários em português era uma cura eficaz para a mais persistente das insónias; a certa altura diz: "nasceu o nosso Salvador! alegremo-nos! não há lugar a tristezas", com a voz de uma criança prestes a desatar a chorar. Se estavam ali a celebrar o nascimento de Cristo, para quê aquelas caras de funeral, aqueles cânticos deprimentes, aquele ritual lento e arrastado? Não estou à espera de música de discoteca e dançarinas do ventre, mas é esta a alternativa que oferecem a passar o serão em casa com a família? Não admira que os cultos protestantes vão ganhando cada vez mais adeptos.

Recentemente soube do caso de um tipo que conheci toda a vida que começou (por influência da esposa) a frequentar um desses cultos protestantes, umas daquelas assembleias de Deus que O próprio nunca convocou. Quando lhe perguntei que bicho lhe mordeu, ele que sempre foi um Anti-Cristo, um dos meninos de coro de Satã, um dos seus acólitos predilectos, ele respondeu-me que "estava a tentar essa via". Isto soa-me sempre a uma atitude desesperada, de alguém em fase terminal de uma doença qualquer em busca de conforto espiritual - e de um milagre, ou aqueles toxicodependentes reabilitados que procuram algo para preencher o vazio deixado pelo cavalo. Em ambos os casos a religião é encarada como uma muleta, não como uma viragem para os caminhos da fé. Desejo-lhe a melhor das sortes nesta sua nova empreitada, especialmente na função de ocultar a capa e os chifres de capeta e o cheiro a enxofre. Caso o templo onde se realiza a tal Assembleia não-convocada por Deus tenha carpete, as marcas de pata-de-bode que ali vai imprimir vão denunciá-lo.

Mais uma vez gostava de lembrar que respeito todas as religiões, fés e crenças desde que no advoguem a violência ou quaisquer comportamentos anti-sociais, e nestes incluo qualquer atentado às liberdades individuais ou lei que nos tenhamos comprometido a cumprir na nossa vida em sociedade. É preciso estar sempre a deixar claro que respeito as convicções alheias quando discuto estes temas. Escrevendo ainda vou dizendo qualquer coisa sem ser interrompido, mas nas conversas com os crentes sou interrompido de dez em dez segundos e tudo o que consigo dizer é "eu respeito, mas...". E sou interrompido com ralhetes, e não com factos que refutem as dúvidas que tenho sobre os dogmas em que eles acreditem, mas a que eu me recuso sem que me esclareçam as dúvidas. Mesmo os que têm o mínimo de legitimidade, conhecimentos teológicos e paciência para debater civilizadamente o assunto comigo acabam por desistir, deixando-me sem respostas. E de facto como se responde a algo para que não existe resposta? Para quem crê em dogmas a fé é prova quanto chega, e para eles questionar é o mesmo que duvidar.

Custa muito ser agnóstico. Nem os próprios ateus, com quem muitas vezes somos confundidos, gostam de nós. Para esses e para os crentes estamos sentados na linha divisória do campo de batalha, e exigem que tomemos partido de um dos lados do combate. Querem obrigar-nos a acreditar ou negar categoricamente em algo sem nos darem provas da sua existência ou ausência. Pessoalmente prefiro ficar exposto ao fogo cruzado do que tomar partido de um dos lados, e acreditar numa hipotética mentira. Não preciso de me convencer como que hipnoticamente de uma coisa ou outra para viver. Oxigénio, sim, preciso, mas acreditar ou duvidar de algo "porque sim", passo. Nem é uma daquelas coisas que me tira o sono à noite. Se optando por um dos lados vou ganhar mais amigos, deixo bem claro que não preciso de amigos desses. Se me disserem que tomar um dos partidos vai-me tornar numa melhor pessoa, eu discordo. Vai-me tornar numa pessoa que acredita em algo sem conseguir prová-lo. Ou seja, num teimoso.

Agora que penso nisso, deve ser mais complicado ser ateu do que agnóstico agora durante a quadra natalícia, pelo menos para os ateus que têm uma família de crentes. Pode recusar-se a celebrar, caso seja maior e vacinado, mas caso contrário é muito possível que uma eventual recusa o faça ser levado até à mesa da Consoada por uma orelha. Caso desatem todos a rezar, pode recusar, altura em que lhe recordam que o Pai Natal não deixa presentes no sapatinho dos ateus - e de nada adianta tentar explicar que o próprio conceito de Pai Natal é marcadamente ateu. Nunca fui apanhao numa situação desta natureza, em que fosse "obrigado" a rezar, ou num local onde todos estivessem a rezar: ou seja, nunca estive a bordo de um avião prestes a despenhar-se ou algo do género. Se insistirem que ore junto com eles, não me importo de juntar as mãos e fechar os olhos em silêncio, enquanto espero que a pancada passe, e aproveito para pensar noutra coisa qualquer. Nos resultados da bola do fim-de-semana anterior, por exemplo. Agora se me pedirem para recitar alguma oração ou cântico, aí peço desculpa, mas não posso, mas apenas porque não sei. É como se pedissem para dançar o "cha cha".

A intolerância que crentes e ateus têm por nós só no adquire os contornos violentos da intolerância que as religiões têm umas pelas outras porque não queremos angariar seguidores, não queremos "agnosticar" ninguém, nem queremos destruir ninguém em nome de algo que nem sabemos se existe, ou ocupar o território de alguém em nome de uma convicção. Só queremos que nos deixem em paz. Mas isso não chega, pois o simples facto de pôr em causa os dogmas que eles tomam por certezas absolutas, alguns deles verdadeiros contos da carochinha, é tido como um "insulto" - e por isso metem-nos no mesmo saco dos ateus: quem não acredita cegamente é ateu. Os crentes pedem as não-crentes (nós e os ateus) que os respeitem, mas o contrário já não é bem assim. Fazem-me lembrar alguns países islâmicos que proibem todas as restantes crenças, mas começam com lamúrias quando outros países proibem o Islão, e reclamam "liberdade de culto". E porque é que são tão parecidos? Porque nem é preciso proibir o Islão; basta manifestar uma ligeira antipatia para que chamem pelo tio e os acusem de "intolerantes".

Os ateus são os antípodas dos crentes, e lá por estes nos odiarem, também não querem nada connosco, pois deixamos em aberto a possibilidade da existência de Deus, mesmo que não haja um meio de o provar. Os ateus são arrogantes, e têm razões para isso. Alguns dos argumentos usados pelos crentes são risíveis, e desacreditam o seu dogma. O problema é que os ateus também não conseguem provar a não-existência de Deus, e não basta contrariar os crentes - isso é fácil - Deus pode existir, mesmo que os crentes não tenham razão, e não seja "Deus" como eles o idealizaram e acreditam que existe. Uns acreditam piamente que vão ganhar um lugar no tal Céu, outros estão convencidos que se vão transformer em fertilizante. Ora se duvidar de Deus me vai fazer passar a eternidade a sofrer os horrores do Inferno, ou em alternativa vou fazer parte de uma nutritiva salada ou uma rica sopa de couves, venha o Diabo e escolha. Epá pois é, esse também não existe. Ou existe? Posso provar? Claro que não, sou agnóstico! E você, no que acredita e consegue provar?

Prendas de Natal: um guia prático para natáis futuros


Mais uma noite de Natal, troca de prendas e não sei que mais, tudo muito giro, as crianças adoram, os adultos vêem o subsídio de Natal a ser desembrulhado, nasceu o Menino Jesus. Se para as crianças já é difícil escolher prendas - e ele há crianças difíceis de contentar, uns pequenos monstrinhos - para os adultos é ainda mais difícil. No caso dos familiares, namoradas e amigos íntimos existe a vantagem de conhecermos os seus gostos, mas mesmo isso é uma faca de dois gumes. Há pessoas que têm já tanta tralha que se torna complicado ser original, ou há ainda aquela coisa que sabemos de certeza que ela vai gostar, e temos que competir com os restantes familiares e/ou amigos que vão querer com toda a certeza oferecer a mesma coisa.

Entre os "prendáveis" nesta quadra festiva estão os parentes em linha recta ascendente: pais, mães, avós (se os houver); em linha paralela (irmãos/irmãs); e em linha recta descendente (filhos, netos). E o cônjuge, claro, se bem que isso pode ser combinado entre ambos - afinal vivem juntos. Desculpa-se se não ofercermos nada aos tios, primos, cunhados, etc., mas pelo sim pelo não é melhor dar uma coisinha à sogra, para ver se esta não passa o resto desse ano e próximo inteiro a reclamar. Uma caixa de bombons com recheio de estriquinina são (ou deviam ser) o presente ideal. Se sabemos que há crianças, mesmo que não sejam nossas e não tenhamos a obrigação de agradar a quem nunca nos valeu uma queca, é melhor oferecer uma porcaria qualquer: um carrinho, uma bola baratucha, uma caixa de chocolates de marca branca, sei lá, alguma coisa para que os cabrões dos putos não fiquem a pensar que somos alguns unhas-de-fome, ou que no regresso a casa vão a perguntar ao pai: "quem era aquele senhor esquisito amigo do tio?".

Destes "prendáveis" que referi, alguns gostam de deixar pistas sobre o que lhes oferecer no Natal, e nisto as donas-de-casa são especialistas. Estamos em inícios de Dezembro, ainda não fizemos as compras e o Natal está próximo, faltam ideias e a mãe está na cozinha a fazer um bolo. E enquanto bate as claras em castelo com um garfo desabafa: "ai como eu gostava de ter uma batedeira...era tudo muito mais fácil". Bingo, já está. Se a família for numerosa, pode ainda acrescentar: "...e um conjunto de facas de cozinha, que estas já não cortam nada...olhem para este avental, uma lástima" e por aí em diante. Se o marido e os filhos fizerem uma vaquinha, podem comprar um Bimbi e matam uma data de coelhos com uma cajadada só.

Para deixar o agregado familiar feliz na noite de Natal, basta ser um bom observador. Se o avô teima em ouvir os seus discos naquela garfonola à manivela, se calhar é altura de lhe comprar um leitor de CD, por exemplo (e já agora alguns CDs de música que ele gosta, que normalmente se vendem nos hipermercados por um euro a dúzia). Mas cuidado ao ler os sinais: se a irmãzinha pequena teima em brincar com aquela boneca a que já faltam vários dedos e com um olho perndurado, é porque se calhar tem afeição a ela; pode ser decadente, mas é a sua boneca. Podemos oferecer-lhe outra, mas nunca com a intenção de substituir aquela. O melhor mesmo é dar-lhe uma coisa diferente, e nova, e os mercadores do Natal dão-lhe sempre um vasto leque de escolhas.

Faça o que fizer, nunca pergunte directamente às pessoas o que elas querem, que elas podem dizer mesmo o que querem (um cruzeiro nas ilhas gregas, uma Harley-Davidson). Especialmente os mais velhos, que nunca levam nada a sério e andam sempre mal dispostos: "o que eu queria? olha queria livrar-me destas malditas cataratas que ainda no outro dia fui parar à urgência porque fui mordida por uma ratazana a que fui dar uma festinha porque pensava que era uma gatinha". Ou então pedem coisas abstractas que nunca lhes podemos dar, como "saúde". O melhor é nem perguntar indirectamente, do tipo:

- "Ó avó, o que gostava que o Pai Natal lhe deixasse este ano no sapatinho?"
- "Eu? Nada, filho...olha gostava era que ele me levasse desta vida de uma vez por todas, que já não posso mais com estas dores nas costas. Há dias em que nem me posso levantar, e além disso custa-me a urinar, e...".

E pronto, bem feito. Quem lhe mandou dar corda à velhota, e ainda para mais insinuar que ela é senil e acredita no Pai Natal? Queriam senilidade? Então aqui têm.

Os avôs e as avós são previsíveis: oferecem camisolas, meias, luvas ou qualquer coisa "quentinha". Tivessem feito o Natal no Verão, e ofereciam bonés e protector solar. Quanto ao que lhes oferecer a eles, bem, um xaile ou chapéu daqueles que os velhos usam seria responder à letra, um saco de água quente seria uma vingança saborosa, uma bengala podia ser considerado ofensivo, e um caixão podia ser ir longe demais. Façam o que fizerem, não convém oferecer tecnologia muito avançada, que eles começam a dizer que são muito velhos, que aquilo já não é para eles, em suma, começam a manchar o Natal com o espectro da morte. Mesmo que queira oferecer ao avô o tal leitor de CD que mencionei em cima, terá que ensiná-lo a usar o aparelho...umas trinta vezes. E mesmo assim até ele atinar vai ser preciso alguém para lhe mudar os discos durante os primeiros tempos, e aturá-lo enquanto se lamenta das saudades da grafonola, que é "melhor que esta porcaria".

A família já está. Agora, e com a família fora destas contas? Em Macau dá-se vezes o caso de alguém ficar sozinho no Natal. Não porque seja orfão ou pobre (esses têm a igreja) ou tresloucado (esses nem devem saber que é Natal), mas porque está cá sem a família, em trabalho, e por motivos de agenda não lhe foi possível passar o Natal no seu país de origem. Estes costumam "encostar-se" a um casal amigo e passar a Consoada na casa destes juntamente com outras almas solitárias. Mesmo nestas circunstâncias convém sempre apalpar terreno, e já que estamos em Macau, vou apresentar duas situações em que "pôdi", e "naum pôdi":

Cenário nº 1:

- "Lélé, onde é que tu, o Carlos e os miúdos vão passar o Natal?"
- "Aqui em casa...vamos fazer um jantar, comer uns doces, trocar as prendas, uma coisa simples. Queres vir?".
- "Parece bem...quem vem mais?"
- "Somos só nós, mais a irmã do Carlos, e depois da meia-noite vem cá um casal amigo".
- "A irmã do Carlos é gira?"
- "Os homens dizem que é boa cumó milho, é solteira e sem namorado, e acabou agora o curso de veterinária."

PÔDI: compre qualquer coisa de simpático, útil e de bom gosto para os adultos, coisas de crianças para as crianças, e se tiver oportunidade arraste a asa para a irmã do Carlos. Quando chegar a meia-noite, pisgue-se antes que chegue o tal casal amigo.

Cenário nº 2:

- "Lélé, onde é que tu, o Carlos e os miúdos vão passar o Natal?"
- "Aqui em casa...vêm os meus pais, os pais deles, os irmãos e irmãs de ambos com os respectivos cônjuges e criançada - alguns deles adolescentes. Se quiseres podes vir, vamos ter alguns casais amigos e os filhos deles, e mais três ou quatro pindéricos como tu, colegas do Carlos. Cinquenta pessoas no total, nada de muito formal."
- "Ah...vou pensar nisso."

NAUM PÔDI: diga-lhes que vai passar o Natal com a namorada, ou que à última hora vai sair de Macau. De seguida telefone a outro casal amigo a quem possa cravar a ceia e ter pelo menos um pouco de calor humano na noite de Natal. Caso nada mais resulte, junte-se a outros pindéricos, quer dizer, "solitários" como você e vão afogar as mágoas no álcool.

Agora as compras de Natal. No caso de precisar de comprar qualquer coisa para alguém que não conhece ou conhece mal, evite comprar coisas que você gosta, especialmente se tiver um gosto esquisito. Não lhe posso dizer o que pode ser considerado desagradável, mas assim de repente não é boa ideia oferecer objectos pesados e inúteis, como cães de loiça ou jarras para pôr flores. No caso de querer oferecer livros, convém não serem muito especializados, sobre filatelia, jardinagem ou ponto-cruz (ou pornografia, claro). Se quiser oferecer música ou filmes, evite. "Mas ó Leocardo, toda a gente gosta da Mariza e dos Gato Fedorento". Toda a gente? Realizaram uma sondagem da Universidade Católica e o resultado foi de 100% com uma margem de dúvida de 0,0%? No caso do perfume ou das eau de toilette masculinas, pesa também o factor do gosto pessoal, mas algo de discreto é sempre bem recebido.

Entre as pessoas que fazem compras de Natal, há aqueles que levam essa tarefa muito a sério, inquirem as esposas sobre os gostos dos maridos e vice-versa, ou ambos sobre o que é que os filhos gostam, consultam listas nas livrarias, entrevistam os amigos sobre o que lhes faz falta, do que gostam de fazer, etc, etc. Quando se tem um orçamento fixo para prendas de Natal, a lógica determina que quanto mais prendas se oferecem, pior é a qualidade das mesmas. Tenha sempre em mente que os familiares e amigos próximos têm prioridade, e para os outros uma mera lembrança já é uma prova de afecto. Quem teima em ser materialista no Natal, nunca devia ter sido convidado.

Falando por mim, não me considero uma pessoa difícil de contentar. Agradeço tudo o que me ofereçam, contando que não seja com o propósito expresso de me irritar, agredir ou provocar-me a morte. Uma caixa com uma piton viva lá dentro não será uma prenda bem intencionada, certamente. Se fôr um objecto decorativo, contando que não me ocupe metade da sala, arranjo um lugar para ele. Se é um filme, vejo, se é um CD, oiço (desde que não sejam ranchos folclóricos), se for comida e não contenha durian ou wasabi, como. E agradeço sempre. Se gostar mesmo muito, posso agradecer mais efusivamente, mas nunca me vão ver a fazer cara de mete-nojo ou fazer algum comentário cínico do tipo: "o que é isto? está a tentar livrar-se do lixo que lhe deram o ano passado?". E não se esqueçam do essencial: é Natal, e o mais importante é que estamos ali todos vivos. No ano que vem isto pode ser menos verdade. Salut!

Ele vai à frente (porque tem buzina)


Imbuído do espírito natalício, o grande-pequeno-querido-venerado-líder-júnior Kim Jong-Un visitou ontem o comando da Unidade 526 em Nampo, no oeste da Coreia do Norte. Vindo de inaugurar mais uma estátua do pai e do avô - que já eram poucas - Kim regressou a esta unidade militar de artilharia que tinha visitado em Fevereiro passado, e desta vez veio acompanhado do seu novo nº 2, Choe Ryong-hae, que ocupou o lugar do seu tio Jang Song-thaek, que mandou executar em meados destes mês. Kim, visivelmente bem disposto na imgem apesar do frio, transmitiu aos militares que "precisam estar sempre preparados para a guerra", que segundo ele, "pode começar sem aviso prévio". Uma afirmação misteriosa, como o próprio Kim. Sem aviso prévio? Que leitura se pode fazer disto? Bem, em primeiro lugar, a guerra seria sempre com a Coreia do Sul, que é um país próspero, com gente feliz e bem alimentada, que tem muita coisa a perder na eventualidade de deflagrar um conflito armado. Eles não querem que os gajos do norte chateiem, quanto mais um guerra. Pode ser que Kim estivesse a insinuar que seria ele a dar início às hostilidades, só que nesse caso convém avisar o exército antes, caso esteja a fazer planos de atacar. A não ser que seja ele a ir à frente, dizimar a quase totalidade das tropas inimigas, e depois é só o exército ir lá recolher os despojos. Isso mesmo, grande-pequeno-querido-líder-júnior. Vai tu à frente que tens buzina.

Eu pobre me confesso


Esta notícia ainda vem com o espírito do Natal passado, mas não deixa de ser pertinente. O Papa Francisco, que ontem teve um dos seus dias mais atarefados do ano, proferiu no último Domingo uma declaração interessante durante o Angelus, a sua habitual aparição dominical aos fiéis. E foram muitos milhares deles que escutaram o sumo pontífice da janela do seu apartamento na Praça de S. Pedro dirigir-se aos líderes mundiais, apelando que façam todo o possível para que os pobres tenham uma casa. "Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque a perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil levar uma família para a frente sem ter uma casa", disse o bom padre Chico, acrescentando que "todas as pessoas, serviços sociais e autoridades a fazerem tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que todas as famílias têm uma casa".

Sua santidade, e é com uma vénia tamanha que quase me deixa prostrado no chão que me dirigo a sua imaculadíssima e insuspeita pessoa, pedindo misericórdia por qualquer molécula de atrevimento que possa parecer implícita nesta questão: já ouviu falar de Macau? É um pequeno território no sul da China, ainda mais densamente povoado que o Vaticano que serve de morada a Sua Emintíssima Santidade, e discutivelmente mais rico. E por acaso existe uma grande comunidade católica, e imagine que até chegou a ser conhecida por "Cidade do Santo Nome de Deus". Acontece que por aqui, nem pobres, nem remediados, nem mais-que-remediados, e alguns ricos, Deus sabe, têm casa. Sua Santidade Padre Francisco representante do mais-que-tudo na Terra: assegure-se que a sua mensagem é ouvida aqui tão longe, quase do outro lado do mundo, ou faça um dos seus célebres telefonemas a quem de direito pode ainda evitar que nos tornemos todos pobres. Mais que pobres, pobrezinhos. Por favor considere a minha humilde súplica, e tenha em mente que quantos mais pobres, mais alminhas para o Reverendíssimo pedir ao Todo Poderoso que dê uma mãozinha. E eu não lhe queria dar trabalho, sabe? Amen.


...mas o Vulcão está bem


Agora uma notícia feliz para tentar reequilibrar o cosmos e repôr alguma fé na humanidade. Mesmo que aqui a humanidade seja representada por um cão - se calhar faz melhor figura. O Vulcão é um pastor-belga que no dia 24 de Novembro foi atingido por um homem barricado durante uma operação da GNR, onde o canídeo exerce funções no departamento cinotécnico. O ferimento causou a preocupação do comando de Queluz, que temeu perder o seu elemento mais valioso, mais medalhado, e mais inteligente, também. No entanto o Vulcão não se extingiu, e passado um mês esté de volta aos treinos. Reparem a garra com que ele persegue aquele animal disfarçado de malfeitor naquela imagem. Vulcão já disse que se sente bem, e espera recuperar ainda a tempo de vencer o osso de ouro para melhor cão de 2013, onde terá a oposição renhida de um certo cachorro argentino, vencedor das últimas quatro edições, mas que ainda não recuperou dos "seus" ferimentos de bala. Dá-lhe, Vulcão!

Atingiram o Pai Natal!


Se queriam saber como correu a distribuição de presentes por parte do Pai Natal na noite de ontem, tenho más notícias: mal. Pelo menos para este Pai Natal em Washington D.C., que tal como todos os outros pais natáis, tirou o curso na Universidade do Pólo Norte e fez a pós-graduação nas oficinas dos duendes, com uma distinção em "oh oh ohs". Mas o "oh oh oh" transformou-se em "ai ai ai" enquanto este símbolo de bondade distribuía prendas num bairro da capital norte-americana, e foi atingido com um tiro de uma pistola de porção-de-ar, ficando a contorcer-se em dores, sem vontade nenhuma de encher os sapatinhos. Sim, após uma observação mais atenta, verificamos que este Pai Natal é afro-americano, e disparar sobre afro-americanos é uma espécie de modalidade prevista na Constituição, mas àquela distância e com a barba branca, tudo o que é possível descortinar é o Pai Natal. E quem dispara sobre o Pai Natal, Deus meu?

Meus amigos, como é possível acreditar num futuro melhor para os nossos filhos e netos, e já agora nós, se ainda andarmos por cá, quando nem o Pai Natal escapa à loucura das armas de fogo? Como é que podemos depositar uma réstia que seja na humanidade, e logo no Natal, a época mais fértil para o efeito? Quais os limites até onde podemos ir? Isto são americanos, amantes da liberdade, de valores como a liberdade, o Pai Natal e a torta de maçã, ou são talibãs? Já sei que hoje é Dia de Natal e não devia estar a publicar este tipo de notícias deprimentes. Mas amanhã é outro dia, caros leitores, e promete ser bem sangrento. Se é agora o momento certo para abandonarmos toda a esperança? Eu digo que sim, é. Sem margem para dúvidas.

(A nossa) publicidade


Como hoje é manhã de Natal, resolvi deixar-vos debaixo do pinheiro artificial que depois do Dia de Reis deixarão na caixa dentro da dispensa ou no sótão a ganhar mofo durante quase um ano uma prenda especial. Bem, a prenda sou eu que deixo, sem dúvida, mas não me custou um avo, e nem precisei de mexer uma palha, a não ser copiar o código do vídeo e deixá-lo na janela do "post". Sinto-me um autêntico Pai Natal que deixa às crianças brinquedos fabricados por outra com menos sorte que ela, e pagas pelo paizinho.

Mas pronto, deixam lá isso, e deixemos um grande bem-haja à "sweatshop" do Mistério Juvenil, que compilou estes 78 vídeos de...tcham tchan, estão sentados? Anúncios publicitários do nosso tempo! Yupi! Agora parecia um velho, com esta do "nosso tempo", mas digam lá se não tinham saudades? Quando éramos novos e passavam incessantemente no intervalo de um filme, de uma série ou dos desenhos animados diziamos cobras e lagartos deles. Agora ficamos comovidos, nostálgicos, com uma lágrima no canto do olho. Ena pá, alguns ainda são a preto e branco e tudo. E sabem qual é a pior parte? Ainda nos lembramos quando passavam na TV!

Não se pode dizer que seja uma lista completa - longe disso - mas entre os selecionados estão lá alguns clássicos, alguns publicitando produtos que já nem existem. Quem não se lembra do Emplastro Leão, a cura miraculosa para as dores musculares, e bastava andar com um adesivo do tamanho de uma folha do Diário de Notícias? E daquela melodia do Mokambo, que nos deixava a cantarolar "diga bom dia com Mokambo...Mokambo..." enquanto misturávamos uma colher de cereais a imitar café num copo de leite quente? E o ritmo "country" das Tintas Robbialac Tartaruga? E as Bom-Bokas, ainda existem? Olha a Couto, com a sua pasta medicinal e um dos seus outros derivados do petróleo, o Restaurador Olex. Tantas recordações.

Proponho-lhe este simples e divertido exercício: sente-se a recordar estes anúncios na companhia do seu filho pré-adolescente, e observe como ele lhe faz perguntas tão patuscas como: "pai, o que é um rolo Kodak?" ou ainda quando vir o anúncio de "A minha agenda" (lembram-se): "pai, porque é que aquele Notepad é de papel?". Se conseguir fazê-lo ficar sentado ao seu lado durante mais que cinco minutos enquanto viaja pela auto-estrada da publicidade pré-histórica do seu tempo, parabéns! Ganhou uma Bom-Boka. Se o miúdo ficar até ao fim, ainda tem o prazer de o ouvir comentar: "ó pai vocês tinham anúncios bué da foleiros". O que é que o raio do puto sabe? Aqueles é que eram anúncios a sério! Bem, eram bem fraquinhos, atendendo ao que se faz hoje em dia, enfim. Mas pelo menos já não chateiam. Toma!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

E depois do Natal?


Estivessemos nós no Natal de há três ou quatro anos, quando o Bairro do Oriente estava no seu auge e o seua autor permanecia no anonimato, e as vozes críticas começavam logo a fazer-se ouvir: "Lá está o Leocardo a querer estragar o Natal". Quem, moi? Mas serei eu o "Grinch" que roubou o Natal? "Então porque é que tens uma fotografia do Hitler no cabeçalho do artigo, seu palerma?". E porque não? O führer também comemorava o Natal, ao contrário de Gandhi, por exemplo. Reparem como o tio Adolfo faz tão bem de Pai Natal, distribuíndo prendas pelos pequeninos, que lhe fazem a saudação da praxe? E faz todo o sentido lembrar um homem odiado por tantos, e ainda admirado por outros, nesta quadra natalícia. E no fim já vão ver porquê. Este "post", mesmo que publicado na noite de Natal, não serve para desejar "Boas Festas" aos leitores - já fiz isso ontem. Se tiveram paciência para ficar até ao final deste primeiro parágrafo, então escutem o que me leva a destoar da atmosfera de paz, amor, fraternidade do espírito natalício, essa posta de lamechice com couves de hipocrisia.

Portanto hoje chegamos à noite de 24 de Dezembro, a Consoada. Amanhã é dia 25, dia de Natal, e é suposto durante estas 36 horas que nos separam do dia 26 darmos uma trégua natalícia à amargura que tantas vezes se manifesta durante o resto do ano. Esquecemos os problemas, perdoamos os nossos inimigos - ou melhor, ignoralo-mos por um dia, e depois retomamos o azedume - e lembramo-nos dos mais pobres, dos mais desfavorecidos, daqueles que não têm Natal. Lembramo-nos mesmo deles? Como assim, levamo-los para a nossa casa e sentamo-los à mesa da ceia natalícia com a nossa família? Nada disso. Na melhor das hipóteses contribuimos com uns trocos para uma caridade qualquer, damos uma esmola, colocamos umas moedinhas no mealheiro da ajuda médica ao lado da caixa do McDonald's, qualquer coisa que não nos faça sujar as mãos que esta noite vão servir o bacalhau ou trinchar o perú. Mesmo os que fazem trabalho voluntário com os mais pobres e desfavorecidos, com os sem-abrigo, com as famílias em dificuldades financeiras que não têm uma ceia de Natal este ano, fazem-no dias antes do Natal, e hoje partilham com os seus as graças que os impediram de estar na mesma situação. Os que se mantêm ao serviço dos pobres na noite de hoje são normalmente religiosos, e se há voluntários da sociedade civil, é porque eles próprios não têm onde passar a Consoada.

No fundo a Consoada, o cerimonial da ceia, da família reunida à volta do bacalhau, do perú e dos doces, as prendas junto à árvore de Natal e tudo isso é uma espécie de celebração pelo sucesso das colheitas deste ano. É um "Oktoberfest" ou um S. Martinho revistos e aumentados. O chefe de família, deparando com a esposa, os filhos, os irmãos, cunhados, sogros, sobrinhos e etcetera, sorri, abana o copo de "brandy" e sente a satisfação do dever cumprido. Não falta lá um dos pais, que em alguns casos foi buscar nessa tarde ao asilo da terceira idade onde o acometeu há anos, com a promessa de o devolver no fim de dia de amanhã. Na hora de abrir as prendas, que lhe custaram uma pequena fortuna, regozija-se com a alegria dos mais pequenos, que se apressam a ir exprimentar os jogos electrónicos que ganharam este ano, fazendo algazarra até de madrugada. E lá fora, os pobres, os mendigos, os sem-abrigo, deixados ao frio e sem bacalhau, doces e presentes? Eles que não chateiem, que o Natal é para passar em família, e não me estraguem a noite com a miséria alheia. É assim que se assinala a Natividade, a vinda de Cristo ao mundo, tal e qual como ele quis. Mas foi assim que ele quis?

O mundo cristão comemora o Natal, o nascimento do seu Salvador, a 25 de Dezembro de cada ano. Não vou apresentar aqui as mil e uma evidências que provam que Jesus não nasceu no dia 25 de Dezembro, de como esta data estipulada para assinalar a vinda do messias é "emprestada" das festividades pagãs do Solstício de Inverno, ou dizer que os cristãos cairam num grande logro. Não se trata de logro nenhum, pois pouco importa que fosse a 25 de Dezembro, 6 de Janeiro ou 11 de Março, esta data reveste-se de uma aura de positividade, transmite a mensagem do bem, da partilha, da solidariedade, e só é pena que seja passageira. Mas olhando para o Presépio cristão, e reflectindo sobre a própria cena da Natividade, o que encontramos em comum com o Natal que celebramos hoje? O que nos diz a imagem do menino deitado nas palhas, rodeado dos pais, do burro e da vaquinha? Onde está o pinheiro com os presentes? Onde está toda a ostentação com que nos gostamos de rodear na noite em que se comemora o humilde nascimento de Cristo? Onde é que entra nesta história o Pai Natal?

"Mas é essa mensagem de partilha que torna o Natal tão especial, Leocardo. O Pai Natal representa a bondade; um velhinho que nos traz uma prenda", dirão os mais apaziguadores. Pois é, mas este tal Pai Natal só traz uma prenda a quem tenha dinheiro para pagar por ela. O que pensarão do tal Pai Natal as crianças que não vão ter uma prenda no sapatinho esta noite? E como se sentem as que nem um "sapatinho" têm? E foi este espírito mercantilista que demos ao Natal que leva até os não-cristãos a comemorá-lo; é fácil convencer alguém a trocar prendas, independentemente da sua religião. Jesus? Quem é? E quando chega o Pai Natal? O pior é que transmitimos aos nossos próprios filhos esta ideia de que Natal não é Natal sem prendas, sem uma mesa farta, sem a família toda viva e sorridente à volta da mesa da Consoada. Quando crescerem vão ter todos os anos esta pressão de dar um Natal em condições aos seus, e caso o consigam, esse é um sinal de que estão do lado dos bons, que o bébé Jesus os abençoou. Caso falhem, é porque o Pai Natal não gosta deles. Melhor sorte na próxima reencarnação.

Mas e os pobres comerciantes, coitados, que um mês antes do Natal começam a exibir os seus produtos, acompanhados de imagens do Pai Natal que parecem estar a passar a mensagem subliminar: "comprem, comprem, é Natal, portanto comprem"? Para esses também é Natal, e esta é a sua época alta. São como as floristas que desinteressadamente cobram os olhos da cara por altura do Dia dos Namorados, "em nome do amor". Não nos resta senão obedecer e comprar, para mostrarmos ao mundo que este ano a colheita foi vantajosa - mesmo que isso não seja bem verdade. Em Janeiro estamos cá para acertar as contas, haja saúde. Se este é o espírito natalício, então calo-me já. Obrigado à Sony, à Nintendo, às Toys'r'us, perfumarias, lojas de roupa e todos os restantes mercadores em nome de Jesus que nos trouxeram mais este Natal. E como é que Adolf Hitler entra nesta história afinal? Ah sim, foi ele quem disse "Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade". E parece que esta é uma mentira que já contamos mais que mil vezes. Vai já para duas mil, e hoje acreditamos nela.

O Natal dos outros


Sabia que no Brasil o bacalhau não é um prato típico do Natal, mas sim da Páscoa? E que em Angola os doces típicos passam pelo bolo de ginguba e o bolo de banana? Na noite de Natal, ainda que longe do seu país, os imigrantes tentam manter as suas tradições. É esta a proposta do Jornal de Notícias para esta Consoada: dar a conhecer como é o jantar da noite Natal para as diferentes comunidades que comemoram o nascimento de Cristo no nosso país.

Visitações


"Visitações" é o oitavo livro do jornalista Carlos Morais José, publicado em Novembro último pela editora COD (não confundir com o empreendimento da Melco no COTAI, a "City of Dreams") e chega aos leitores poucos meses depois do "Anastasis", a penúltima obra do autor. "Visitações" é (mais) um delírio poético do director do Hoje Macau, mas ao contrário do seu antecessor, que nos propõe uma longa viagem, convida-nos antes a ficar por Macau.

Este "Visitações" remete-nos mais para "Macau - O Livro dos Nomes" (2010), mas com um "twist". O exercício de imaginação a que o autor se desafia é o seguinte: o que diriam alguns escritores e poetas contemporaneous, entre alguns mais antigos, de locais do território que visitariam? O que diria Camus do Circuito da Guia? De que forma Macau inspiraria Pablo Neruda? Que soneto Camões dedicaria a Reservatório?

Em "Visitações" está lá toda a verve poética de CMJ, a paixão, os amores impossíveis, o desespero, o tom taciturno que recomenda à leitura num dia cinzento, à beira do precipício, horas depois do amor da nossa vida nos abandonar e o nosso cão ter morrido. Não quero estragar a surpresa para ninguém, portanto não vou aqui publicar nenhuma passagem, mas só para acicatar o apetite pelo livro, vou dizendo que a hipotética análise crítica de Almada Negreiros perante a mirage do COTAI está genial. Certamente o momento de maior inspiração do livro, entre outros a que o autor já nos tinha habituado.

Confesso que gostei mais de "Macau - O Livro dos Nomes", talvez por ser um pouco mais acessível, mais pessoal, e com a particularidade de se apresentar numa versão bilingue, em português e chinês. Mas "Visitações" cumpre com o seu papel de leitura ligeira, agradável, 46 páginas de poesia original em edição de autor. A tiragem é de 300 exemplares, custa a módica quantia de 80 patacas e é ideal para oferecer como livro de bolso. A capa é ilustrada com a pintura "Visitação", de El Greco. E faz todo o sentido, também.

Morreu o sr. Kalashnikov


Morreu ontem aos 94 anos Mikhail Timofeyevich Kalashnikov, um general e engenheiro russo que inventou várias armas, sendo a mais célebre o rifle de assalto AK-47, que viria a ser baptizado com o seu nome: Kalashnikov. Mikhail nasceu numa família de pequenos proprietários rurais em Kurya, na província de Altai Krai, no sul da Rússia, junto à fronteira com o Cazaquistão. Com a colectivização levada a cabo pelos bolcheviques, a sua família seria deportada para a Sibéria, onde o pequeno Mikhail passaria uma infância difícil, num estado de saúde muito frágil, que quase lhe viria a custar a vida aos seis anos. Desenvolveu desde cedo um interesse pela engenharia de máquinas, e ao mesmo tempo pela poesia. Sonhava ser poeta, e durante a adolescência escreveu seis livros, continuando a escrever no percurso da sua vida. Quando concuíu o sétimo ano, voltou a Kurya, onde trabalhou numa oficina mecânica, antes de se juntar ao Exército Vermelho em 1938, aos 18 anos. Devido à sua baixa estatura, começou por trabalhar como mecânico de tanques, chegando evantualmente a comanante de um tanque já durante a II Guerra mundial. Ficou ferido em 1941 durante a Batalha de Bryansk, e durante a sua convalescença no hospital escutou outros soldados a queixarem-se da baixa qualidade dos rifles russos, o que lhe deu uma ideia. Trabalhou em armas de assalto durante alguns anos, até que em 1949 aperfeiçoou a AK-47 Kalashnikov que hoje conhecemos. Depois disso continuou a trabalhar como engenheiro de armamento para o exército, obteve um doutoramento em Ciências Técnicas em 1971 e pertencia a 16 academias. Perto de 100 milhões de AK-47 Kalashnikov foram produzidas até 2009. O inventor desapareceu ontem depois de uma semana de internamento num hospital em Udmurtian.

Premier League ao rubro este Natal


Enquanto no resto da Europa os futebolistas se preparam para a consoada, na Inglaterra joga-se à bola, com a 17ª jornada a relizar-se entre o último Sábado e ontem, segunda-feira. O Liverpool foi a primeira equipa a entrar em campo, e aproveitou para saltar para a liderança à condição, após bater os galeses do Cardiff City em Anfield Road por 3-1. Os "reds" resolveram o jogo no primeiro tempo, com dois golos do implacável Luis Suarez, e mais um do jovem internacional inglês Raheem Sterling. Suarez, de 26 anos, leva já 19 golos na Premier, 10 deles obtidos nos últimos quatro jogos. Um caso sério, este uruguaio. O melhor que o Cardiff conseguiu foi reduzir para 1-3 na segunda parte por Jordan Muntch.


Fulham vs Manchester City 2-4 发布人 FootyLight0
Também no Sábado o Manchester City foi ao reduto do Fulham, uma das equipas do fundo da tabela, vencer por 4-2. Os "citizens" tinham tudo bem encaminhado no primeiro tempo, quando Yaya Toure, aos 23 minutos, e Vincent Kompany, aos 43, levaram a equipa de Mauricio Pellegrini para os balneários com dois golos de vantagem. Na etapa complementar o City adormeceu e permitiu a reacção do Fulham; Kieran Richardson reduziu aos 50, e Kompany aos 69, na própria baliza. O defesa belga marcou na mesma baliza do primeiro tempo, mas desta vez do lado errado. O City fez um "pressing" final e chegaria à vitória, com golos de Jesós Navas aos 78 e James Milner aos 83, demonstando que é uma equipa que marca que se farta: 51 golos em 17 jogos, uma média de exactamente 3 golos por jogo. A outra equipa de Manchester, o United, continua a recuperar paulatinamente, e bateu o aflito West Ham em casa por 3-1. O Newcastle, outra das equipas da primeira metade da tabela, foi ao reduto do Crystal Palace vencer por 3-0.


Já este Domingo o Everton foi ao País de Gales vencer o Swansea City por 2-1, aproximando-se cada vez mais dos primeiros lugares. A equipa de Roberto Martinez obteve a quarta vitória em cinco jogos, e ainda só perdeu um jogo na Premier League, a 5 de Outubro fora frente ao Manchester City por 1-3. Estae Sábado os golos apareceram só na segunda parte, com Seamus Coleman a inaugurar o marcador para os "toffees" aos 60, Bryan Oviedo, defesa do Everton a empatar para o Swansea com um autogolo aos 70, e Ross Barkley a dar os 3 pontos aos visitantes a seis minutos do fim. Também no Domingo o Tottenham, com Tim Sherwood a dirigir interinamente a equipa, após o despedimento da André Villas-Boas, foi vencer ao reduto do Southampton por 3-2. O togolês Emmanuel Adebayor deu um ar de sua graça, ao apontar dois dos golos da vitória dos londrinos.


Arsenal vs Chelsea 0-0 发布人 FootyLight0
Finalmente ontem, o grande jogo da jornada, o "derby" londrino entre o Arsenal-Chelsea, que podia provocar alterações na liderança da tabela. Em caso de vitória, os "gunners" ficariam isolados no topo, e em caso de ser a equipa de Mourinho a levar os três pontos, o Chelsea igualava o Liverpool na liderança, deixando os arsenalistas em 3º lugar com o Manchester City. Nem uma coisa nem outra, e o jogo terminou da mesma forma de que começou: um empate a zero. Depois desta ronda a classificação ficou bastante equilabrada, com os cinco primeiros separados apenas por dois pontos. Olhemos para o top-10:

1 Liverpool 17 11 3 3 42 19 23 36
2 Arsenal 17 11 3 3 33 17 16 36
3 Manchester City 17 11 2 4 51 20 31 35
4 Chelsea 17 10 4 3 32 18 14 34
5 Everton 17 9 7 1 29 16 13 34
6 Newcastle United 17 9 3 5 24 22 2 30
7 Tottenham Hotspur 17 9 3 5 18 23 -5 30
8 Manchester United 17 8 4 5 28 20 8 28
9 Southampton 17 6 6 5 22 18 4 24
10 Stoke City 17 5 6 6 17 21 -4 21

A bola rola outra vez nos estádios ingleses depois de amanhã, dia 26, na tradicional jornada do "boxing day". O destaque vai para a partida entre o Manchester City e o Liverpool, que poderá provocar alterações na liderança. Chelsea e Everton jogam ambos em casa, frente a Swansea e Sunderland, respectivamente, e o Arsenal vai ao terreno do West Ham. A jornada inicia-se às 20:45, hora de Macau, com o Hull City-Manchester United.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Operação Natal 2013 (de emergência)


Acordei hoje pelas duas da tarde, o que ninguém diria, a julgar pela ténue e dócil luz do dia que entra pelas cortinas em côr creme bem clarinho do quarto, depois de previamente filtradas pelas paredes do patio onde vivo. Levantei-me, inteirei-me da hora, e fui tartar da minha "toilette", enquanto aquecia umas massas no micro-ondas. Já sentado em frente ao PC desjejuando enquanto via o resto do noticiário da RTPi em diferido no canal 1 da TDM tomei consciência de um facto alarmante: hoje é dia 23, amanhã é a consoada e ainda não comprei nada de nada. Como o pânico não é um dos meus muitos defeitos (quando parece que estou a entrar em pânico é porque tenho mesmo motivos de sobra, e estou sempre com a razão do meu lado), fiquei calmo, ignorei as seis chamadas perdidas e as três mensagens no telemóvel, e acabei de comer - depois eu ligo. Agora um café para me trazer de vez de volta à Terra, uma banhoca, roupa lavada, e vamos lá sair. São três da tarde. Já agora respondo à chamadas e às mensagens antes de sair de casa.

Tinha uma ideia do que ia comprar no departamento das prendas, portanto só me faltava mesmo fazer as encomendas de doces, salgados e derivados, mas apenas como contribuição para a ceia da Consoada, que como já é da praxe, vou fazer fora de casa. E foi essa a minha primeira preocupação: encomendar os pastéis e restantes clichés da mesa de Natal. Só tive penas de não encontrar azevias com recheio chila, e precisar de me contentar com as de batata doce. Este ano em vez da lampreia de ovos, indutora de doenças coronárias e cáries dentárias, optei pelo salame de chocolate. Acho graça ao aspecto dos dentes e dos dedos depois de se comerem duas fatias de salame. É uma imagem que nos reduz à condição de animais, mesmo que racionais, mas animais na mesma.

Fazer as compras não foi difícil, e prestar atenção às montras, entrar nas lojas e remexer as coisas - algo que nunca faço em dias normais - deu-me mais algumas ideias interessantes. O mais complicado é, como sempre, andar pelo centro de Macau com toda aquela gente inútil no meio do caminho. É curioso, pois com excepção das perfumarias, joalherias e outras porcarias, as lojas estão praticamente às moscas. Em algumas das que entrei reinava uma paz e um silêncio que dava vontade de ficar ali o dia todo. Em dois ou três golpes de cintura, consegui comprar quase tudo o que precisava, sendo o restante facilmente adquirível ao virar da esquina. Pude no fim cantar vitória, mas foi uma luta tremenda para ir de casa ao ponto "A", e daí ao "B", "C" e "D", e depois de volta ao "B" e ainda ao "D" no regresso a casa. Nesta última etapa acresceu-se a dificuldade de andar com os sacos nas mãos.

Para os adultos comprei basicamente álcool, cosméticos e cultura, e para os mais pequenos doces. Esta coisa de oferecer bolachas, rebuçados, chocolates e afins às crianças incomoda-me, lembra o comportamento de um pedófilo, mas como é Natal ninguém leva a mal. Eu próprio adorava receber coisas doces no Natal, e para pensar na saúde, e nos dentes e tudo isso já chega o resto do ano. A loja onde comprei as guloseimas foi a Okashi Land (podem clicar no "link" se estiverem com falta de imaginação), e a mais próxima daqui fica situada exactamente nos portões do Inferno, que é como quem diz, entre a Rua da Palha e a Rua de S. Paulo. Sobrevivi ao mar de gente aos empurrões, aos encontrões, aos berros dos vendilhões de carne assada e aos disparates da senhora da loja da Okashi, que está mais habituada a lidar com os turistas, coitada. E deve ser surda também, a julgar pela forma como gritava a menos de meio metro dos meus tímpanos enquanto me atendia. Agora só para o ano outra vez. Glória a Deus o Osamas nas Alturas, seja o que for que isso quer dizer.

Nunca entro realmente no espírito natalício antes de 20 de Dezembro, pelo menos, e só depois disso é que me preocupo com o jantar da véspera, as prendas e todo o resto. Não me agrada o lado mercantilista do Natal, e de como as lojas começam com um mês de antecedência a fazer as suas "promoções de Natal", um eufemismo para cobrar preços mais altos e disfarçar com o aumento da oferta. E já agora não me agrada muito andar a dizer "Feliz Natal" ou "Boas Festas" às pessoas que encontro quando ainda faltam dez ou quinze dias para o Natal. Fico meio sem graça quando ainda antes do Natal propriamente dito encontro alguém a quem já tinha expressado os desejos natalícios alguns dias antes. Depois ficamos com o quê para dizer? Repetir a mesma coisa, quais maluquinhos? Pelo sim, pelo não, digo a algumas pessoas "...e se a gente não se encontrar outra vez, um bom Natal". Assim deixo espaço para a sequela, em vez de matar logo o mau da fita.

Portanto considerem este "post" o meu "Feliz Natal" oficial, e dependendo da vossa crença/tradição/superstição/esperança, espero que sim, que consigam, que vos aconteça, que passe, que venha ou que fique, e que Deus, Buda, Ganesh, etc. vos guarde do mal. Um abraço suplementar para a comunidade lusófona de Macau, e para a portuguesa em particular, especialmente os que passam o Natal deste lado do mundo pela primeira vez. Pode ser que vos custe celebrar a data longe daqueles que mais amam, dos amigos, do café duas portas ao lado de casa que abria até às dez ou onze do dia 24 e onde se podia ir beber uma "bica" depois do bacalhau, mas tirem disso o melhor que puderem. E já que pensam em ficar alguns anos, aproveitem para conhecer Macau, dêm umas voltas, aprendam alguma história, contactem com as pessoas, e vão ver que começam a gostar. Depois para o ano sentem a diferença: é mais fácil passar esta quadra num lugar que se gosta. Façam dessa a vossa resolução de Ano Novo.

3000 páginas depois


O Hoje Macau comemorou na última sexta-feira a publicação do seu nº 3000. Não podia deixar passar em claro esta efeméride, se bem que me faltou tempo para dedicar algumas linhas a esse assunto. Assim, com um pouco mais de vagar, aproveito para deixar também algumas palavras de apreciação ao jornal com quem tenho tido a honra de colaborar como colunista desde Setembro de 2012.

O Hoje Macau existe desde 2001, e tem sido dirigido desde a primeira hora pelo seu proprietário, o jornalista Carlos Morais José, com excepção de dois hiatos, em que teve a direcção de João Costeira Varela primeiro, e depois de Carlos Picassinos. Todos sabemos o que esteve na génese do Hoje Macau, não é preciso repetir cada vez que o jornal comemora uma efeméride, mas sabemos também como custa sobreviver nesta "selva" quando dizemos certas coisas que muita gente não gosta de ouvir. Às vezes também não gostamos de as dizer, mas se celebrámos um compromisso com a verdade, custa-nos faltar a esse compromisso.

Há com confunda dizer a verdade com "falar mal". Dizem que "sinceridade a mais é despeito", ou que "liberdade a mais é perigoso", mas isso são tudo atitudes intimidatórias, censura camuflada de sabedoria popular. Quem disse que a verdade tinha que ser "simpática", e agradar a todos? Se só interessa falar bem, qual vai ser voz dos insatisfeitos, dos descontentes, dos que não foram convidados para o banquete real? Os grandes títulos da imprensa mundial que entraram para a História fizeram-no por ter dito as verdades numa hora em que a verdade não convinha muito boa gente, e não por imprimirem "Está tudo bem" na primeira página dia após dia.

Com mais ou menos sucesso e com as limitações que são conhecidas na imprensa em português em Macau, o Hoje Macau continua de pé, 3000 verdades depois. Podem não ser todas as verdades que gostariamos de ouvir, e há opiniões com que nem todos concordam, mas a verdade absoluta está no segredo dos Deuses, e a unimidade de opiniões é apenas uma ilusão. Parabéns ao Hoje Macau e toda a sua equipa, e que estes três mil sejam apenas os primeiros de muitos mais que estão para vir. Leia o que diz a esse respeito o director Carlos Morais José, no seu editorial de sexta-feira.

O sr. rato e as batatas fritas


Não fiquem alarmados, pois o título é "O sr. rato E AS batatas fritas", e não "O sr. rato COM batatas fritas". Eu sei que estamos no Natal, mas continuo a não prescindir da dialéctica bacalhau/perú para a ceia da Consoada, e eventualmente uma ou duas fatias de lombo de porco assado, "para desenjoar". O mais remotamente semelhante com um rato que vou comer essa noite é a lampreia de ovos. Bem, isto tudo para dizer que eu e o sr. rato continuamos de relações cortadas, em Guerra Fria - e com estas temperaturas não podia ser outro tipo de guerra.

A minha estratégia de não alimentar mais o sr. rato foi inspirada no Holodomor, o holocausto ucraniano provocado por Estaline, que lhes roubou a comida toda para os matar de fome. Só que ao contrário de Estaline, dou a plena liberdade ao sr. rato para desopilar daqui para fora e ir procurar outro tanso para andar a ratar, e ele não aproveita. E como reagiu ele ao facto de não o deixar mais guloseimas? Aceitou desportivamente, como faria uma cavalheiro? Nada disso. Tem-se comportado como um...como um...rato! Sim, como um autêntico rato.

Desde o episódio do saco do lixo à porta, tenho evitado deixar qualquer forma de lixo em casa durante a noite, e deixo toda a comida que esteja a descongelar devidamente tapada e inacessível aos apetites do sr. rato. Mas o sr. rato aproveita qualquer descuido, e tem uma fantástica capacidade de improvisação. Depois de me ter tentado atacar os pacotes de bolos filipinos, ganhou um gosto com os pacotes, e isto leva-nos de seguida ao último (duplo) incidente, que se deu na noite de Sábado para Domingo. Mais uma demonstração de ratice da parte do sr. rato.

Tinha ido dormir depois do jogo do Sporting, e pelas sete da manhã, estava eu ainda na fronteira entre o primeiro e o segundo sono, oiço um barulho de patas a esgravatar qualquer coisa, e o som metálico dava a entender que se tratava de um pacote de comida. Dou um murro na parede, e o barulho cessa por alguns instantes. Alguns, poucos. Quando o esgravatar e o arrastar do metal se torna mais evidente, resolvo finalmente levantar-me da cama e pôr ordem nesta barafunda. Foi aí que - choque - deparo com o pacote de batatas fritas da Lay's que tinha deixado junto com o resto de umas compras que tinha feito essa tarde, no chão da sala, e acabadinho de ganhar um buraco, que o sr. rato fez durante a fuga precipitada no momento em que acendi a luz.

Que mau, sr. rato. Eu deixava comida para V. Exa. sem que a isso fosse obrigado, mas pelos vistos habituei-o mal. Agora se não lhe dou, rouba. Parece um daqueles agarradinhos ao cavalo ou ao "crack", a quem dávamos uma moedinha na esperança deles se endireitarem, e quando desistimos começam-nos a assediar, a seguir-nos até casa, a meterem tudo o que vêem ao bolso, se os deixamos entrar. A minha desilusão duplicou quando reparei que a caixa de "Turkish Delights" que tinha guardada para prenda de Natal de emergência estava roída num dos cantos, e tinha mesmo um buraco! O que vou oferecer agora àquelas pessoas a quem não nos apetece nada dar uma prenda, mas o melhor é dar-lhe qualquer coisinha para ver não ainda por aí depois a falar mal, feita uma arara?

O sr. rato perdeu-me o respeito por completo, tal como qualquer carunchoso perde o respeito por quem o trata bem. Imagino-o todo ressacado a cheirar à volta da sala e a dizer: "Ai não me dás nada, meu? Então agora és assim? Vai-te lixar meu! Chama a bófia se quiseres meu, tou-me a kagar, pá! E sai mas é da minha frente, 'tás a ouvir?". Mas eu entendo-o sr. rato. Eu sei que tem um lado bom, e está apenas a passar por uma fase difícil. Proponho-lhe uma trégua natalícia, e pode ser que amanhã à noite lhe deixe um "Turkish delight" no pratinho com o desenho do Templo da Barra. Se queria um, era só pedir; não era preciso roubar. Mas olhe, enquanto penso nisso, desejo-lhe um feliz Natal, sr. rato. Depois logo se vê.

Não sou um hipopótamo - os factos e os sapatos


Pedia primeiro ao estimado leitor ou leitora que visualizassem o vídeo em anexo. Tem apenas a duração de um minuto, é bastante interessante, e para quem é apreciador daquele tipo de humor escatológico são 63 segundos bem passados. Já está? Obrigado, e diga lá se não valeu a pena? Se não gostou e se ficou sem vontade de almoçar, jantar, ou acabou de regurgitar o que comeu, pode pelo menos dizer que aprendeu mais qualquer coisa.

É impossível a um ser humano executar este "truque" que vamos o hipopótamo do filme fazer com grande mestria, pois por muito grave que seja o desarranjo intestinal de que possamos padecer, falta-nos a cauda para fazer de "ventoinha". Mas o que eu pergunto agora é o seguinte: deixaria este hipopótamo entrar na sua casa? Claro que não. E agora, se um hipopótamo usasse sapatos, e deixá-los à porta resolvesse o problema? Deixava-o entrar, contando que tivesse uma porta e um corredor largos? Desconfio que sim, uma vez que para muito boa gente os sapatos que se trazem da rua são piores que a cauda de abanão deste hipopótamo incontinente.

Quando estava no 9º ano, tinha aulas de Agro-Pecuária duas vezes por semana, e nesses dias era proibitivo entrar com os sapatos calçados em casa. Era uma exigência razoável da parte dos meus pais, uma vez que havia dias que aqueles sapatos de ténis tinham andado a pisar esterco de vaca, caca de galinha ou pocilgas de porcos. Noutros dias normais era comum ficar em casa com os sapatos calçados, e só os tirar na hora de ir tomar banho e dormir. Porque raio não os poderia usar dentro de casa se não andei a pisar em esterco de vaca, caca de galinha ou pocilgas de porcos? Em Macau, e na Ásia em geral, é comum tirar os sapatos quando se entra em casa, e pedir aos convidados que façam o mesmo. A maioria nem precisa que lhe peçam, e fazem-no voluntariamente. Mas porquê? Pode ser que por cá exista muito esterco, caca e pocilgas, mas não de vaca, galinha ou porcos. Ou pelo menos não andamos a pisar nelas.

Só gosto de tirar os sapatos na minha própria casa, e recuso-me a tirá-los em casa alheia, a não ser que se trate de um templo hindu, e mesmo assim fico com receio que me roubem os sapatos que deixei à porta. Quando alguém vem aqui a casa, insisto que se mantenha calçado, a não ser que seja uma senhora de saltos altos, por uma questão de conforto, apenas. Se me tiram os sapatos quando entram na minha casa, dá-me vontade de lhes perguntar se andaram a pisar esterco de vaca, caca de galinha ou pocilgas de porcos, ou se estão a pensar que vou para a cama com eles tão facilmente. Além disso não me está a apetecer deparar com pézongas deformadas, unhas encravadas ou odores característicos. Essas visões deixam-me com stress pós-traumático pelo menos durante um mês.

É uma diferença cultural interessante, que de um lado tirar os sapatos à entrada seja considerado um acto de gentileza, e do outro uma agressão e um insulto. Quando se vai a casa de alguém durante poucas horas ou apenas alguns minutos, não se justifica tirar os sapatos. Se vem aqui alguém visitar-me por meia hora e tira os sapatos, começo a ficar preocupado que queira passar cá a noite, e não tenho lugar para mais ninguém dormir. Para quem desconfia que o convidado pisou acidentalmente numa bosta qualquer no chão da rua, há uma invenção nova que anuncio agora aqui em primeiríssima mão: uma "carpete".

É simples: adquirem um dessas tais "carpetes", colocam-na à entrada, e qualquer pessoa minimanente educada passa por lá as solas antes de entrar, não vá levar ali uma pastilha elástica já mastigada ou o cadáver de um escaravelho. Já para os hipopótamos como aquele ali no filme já uma carpete não deve ser suficiente. Uma garagem com lavagem automática seria o mínimo necessário. E é por isso que eu não sou um hipopótamo.

Natal feliz para os grandes em Espanha


Getafe 2 Barcelona 5 发布人 acosart
O Barcelona goleou fora o Getafe por 5-2 no último jogo de 2013 para a liga espanhola, mas os catalães não ganharam para o susto. Sergio Escudero adiantou a equipa da casa logo aos 10 minutos, e cinco minutos depois a vantagem era ampliada por Lisandro López, um central argentino homónimo de um ex-avançado do FC Porto e que chegou a estar indicado aos dragões e ao Benfica. Com dois golos de desvantagem, os catalães precisavam reagir, e depressa, e para operar a reviravolta contaram com um inspirado Pedro Rodríguez, que marcou um "hat-trick" entre os 34 e os 43 minutos, levando os "blaugrana" para o descanso em vantagem. Com Messi ainda no "estaleiro" por lesão, o internacional espanhol é já o melhor marcador da equiipa, com dez golos marcados contra oito do argentino. Fábregas confirmou a vitória na segunda parte, com golos aos 68 e 72 minutos, este ultimo de "penalty".


Atlético 3 Levante 2 发布人 acosart
Encostado ao Barcelona na liderança neste final de ano futebolístico em Espanha está o Atletico Madrid, que continua a ser uma das grandes surpresas do futebol europeu esta época. Os "colchoneros" bateram em casa o Levante por 3-2, mas suaram para conquistar os três pontos. O primeiro amargo de boca para os adeptos do Vicente Calderon aconteceu logo aos dois minutos, quando o internacional austríaco Andreas Ivanschitz inaugurou o marcador para os visitantes. O lateral-direito Diego Godín empatou a partida ainda antes do intervalo, aos 30 minutos, e no início da etapa complementar o inevitável Diego Costa dava vantagem ao onze de Diego Simeone. O Levante não virava a cara a luta, e a equipa dos arredores de Valencia, orientada pelo controverso Joaquin Caparrós empataria aos 56 minutos por Pedro Ríos. O golo da vitória do Atletico só chegaria de grande penalidade, aos 77 minutos, e pelo seu marcador de serviço, Diego Costa. O brasileiro naturalizado espanhol é o artilheiro da liga espanhola com 19 golos, mais um que o português Cristiano Ronaldo. O Atletico Madrid continua encostado ao Barça na liderança da liga espanhola, ambos com 46 pontos.


Valencia CF 2 - 3 Real Madrid 22/12/2013 发布人 realmadridplay
Foi já sabendo das vitórias dos seus rivais directos que o Real Madrid entrou em campo para esta 17ª jornada, e estavam obrigados a vencer no Estadio Mestalla, o sempre complicado reduto do Valencia, para não os deixar fugir. Quarenta mil espactadores assistiram a um jogo disputado, onde o Valência vendeu cara a derrota por 2-3. Dí Maria abriu as hostilidades para os "merengues" aos 28 minutos, e outro argentino, Pablo Piatti, empatava os 34. Foi preciso Cristiano Ronaldo aparecer em jogo, e aos 40 o internacional português fazia o segundo dos madrilistas, mas no entanto dá a sensação do CR7 estar fora-de-jogo. O Valência voltava à carga na segunda parte e empatava novamente oas 62 minutos pelo francês Jeremy Matthieu, e foi aí que Carlo Ancelotti puxou da arma secreta, o jovem avançado Jesé Rodriguez, formado na "cantera" do Real, que entrou para o lugar de Isco e fez o golod a vitória a oito minutos do fim do encontro. Real Madrid tem 41 pontos, menos cinco que Barcelona e At. Madrid.

domingo, 22 de dezembro de 2013

A noblesse oblige de informar


Alegria todo o dia, na redacção do Bairro do Oriente.

Enquanto a imprensa em língua portuguesa de Macau vai hibernar até dia 30, o Bairro do Oriente vai continuar a fazer companhia à comunidade lusófona de Macau, e a emitir para o resto do mundo que se expressa na língua de Camões. Sejam bem-vindos ao Bairro do Oriente, mesmo que não entendam português e tenham vindo aqui parar sem querer enquanto pesquisavam pornografia na internet. O quê? Não, não vou para as praias da Tailândia, das Filipinas ou do Vietname passar o Natal, estendido na areia branca da praia ou a nadar das águas transparentes de onde saltam para o meu prato peixes, mariscos e bivalves fresquíssimos. Sim, isso mesmo, vou ficar mesmo aqui pela zona do Tarrafeiro, onde estão a esburacar o chão no início da Rua dos Colonos, obrigando a ter cuidados redobrados para não cair numa vala ou levar com um motociclo em cima.

Pois é, como se diz em inglês, "When the going gets tough, the tough gets going", que é como quem diz lá na minha terra, "quando estala o verniz, quem fica para trás é que se lixa". Pensando bem, acho que os índios lá do bairro traduziram isto mal, e atendendo ao facto de não falarem inglês nenhum, é possível que se tenham enganado, mesmo. Não faz mal, pois o ponto onde quero chegar é o seguinte: se nos próximos oito dias o Godzilla resolver aparecer por Macau, esmagar as ruas, as casas e os carros com as patorras de saúrio gigante, cuspir fogo e disparar raios laser pelos olhos enquanto engole milhares de residentes, e mais ninguém estiver disponível para relatar os acontecimentos, estou cá eu para o fazer. Pronto, pronto, já chega de palmas e de ovações em pé. Eu faço. Digam ao povo que fico.

Assim durante os próximos dias prometo trazer aos leitores qualquer coisinha com que se entreterem a ler, pronto, e mesmo que não seja grande coisa, sempre é melhor que nada. É como ir ao dentista e só haver uma revista do Conselho de Consumidor de há dois meses para ler, ou ir ao barbeiro e ter duas ou três pessoas à frente, e ler a colecção de BD "Estrela de Prata" completa, só para passar o tempo. Aceitem o meu humilde pedido de desculpas por insistir em escrever tantos disparates, mesmo durante a quadra natalícia, onde era suposto dar uma trégua. E já agora peço desculpa pela imprensa que se ausenta durante este período para o seu merecido "descanso do guerreiro". Pode ser que essa decisão de ficar mais de uma semana sem um único título da imprensa em português se venha a revelar visionária, e não aconteça nada digno de ser noticiado nestes dias. "No news, good news", apraz dizer-se.

Amanhã consta do cardápio da nossa sopa dos pobres a actualização das últimas do desporto, mais um capítulo na saga do sr. rato, vou explicar porque é que não sou um hipopótamo (esta promete), e quaisquer notícias a sério que sejam dignas de destaque - mesmo que apenas parvoíces de interesse discutível. Como estamos na semana do Natal, e amanhã é o último dia antes da véspera do nascimento do "menêno" e da vinda do gorducho de barba branca e pijama vermelho, prometo um "docinho" aos leitores, na forma de artigo sobre a data que se assinala e originou tantos feriados seguidos. Fica o encontro marcado, e antes de me despedir, gostava de deixar uma agradecimento aos leitores: o sitemeter marca 3116 visitas no período entre 14 e 21 de Dezembro, o que faz da última semana a melhor do ano em termos de visualizações do blogue, com uma média de 445 cliques diários. Fico como o vidro. Obrigado a todos.

Companhia Destruidora de Formiga Branca Koson


Por onde andaram estas criaturas antes de pisarem na sua comida?

Sabe o que é quando as formigas se cruzam na sua vida? Quando vos entram pela cozinha e atacam aquelas manchas pegajosas na cozinha que deixámos depois de fazer pão com marmelada? Ou quando passeam por cima das sandes e do resto da comida do piquenique, e mesmo que depois limpemos aquilo ficamos com nojo de comer? Já viram como eles se deliciam a devorar o cadáver de uma lagartixa, ou o de uma ratazana em estado declarado de decomposição, competindo com as moscas varejeiras pela carne pútrida do virolento animal. Uma vez vi as formigas a começarem a desmontar uma barata que estava de barriga para cima mas ainda viva, e esperneando desesperadamente! Podem enxotá-las da gelatina à vontade que eu não a como na mesma. E também já vos aconteceu ir acampar, estão a comer melancia e vos cai umas gotas para as pernas, e aparecem as formigas a comer-vos vivos? Imaginem só que elas eram do tamanho de um cão! Vejam só, que até algumas espécies (sim, existe mais que uma!) conseguem voar! Corram para os abrigos subterrâneos, e alertem a força aérea, chamem Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho! Chamem o Major Alvega! Chamem o Tom Cruise!


O sr. rato treme só de ouvir falar de formigas.

Pois é. Isto é sem dúvida muito grave, e devemos manter tudo isto em mente da próxima vez que virmos uma formiga, e esmagá-la sem hesitar ou sentir piedade. Apagá-la deste mundo, mesmo que o dia nos esteja a correr maravilhosamente bem, fomos aumentados, sopra uma brisa primaveril do céu anil sem mácula, e os passarinhos cantam dos ninhos uma doce melodia. Esqueçam lá a fábula da formiga e da cigarra, que são dois insectos imundos e alguém os devia ter pisado antes que começassem com moralismos da treta. A cor das formigas é preta, que é uma cor que lhes assenta na perfeição, juntamente com aquelas pinças, e antenas, e pêlos com serrilhas...brrrr. Agora imaginem isto, mas em branco! Formigas brancosSim, em branco, que as formigas são assim como as peças do xadrez: vêm em preto e em branco. Mas não se pense que estas formigas brancas são umas santinhas, os cruzados da espécie das formigas. Nada disso: são piores. Tenham muito, muito medo. Se não sabiam disto, ou da existência de criatura tão tremenda, tenho pena de ser o despachante dos vossos futuros e medonhos pesadelos.


Imagine que se vai sentar no seu cadeirão predilecto, e depara com este cenário de terror.

Se nunca ouviram falar de formigas brancas, já devem ter concerteza ouvido falar de térmites, que são uma espécie de formiga branca. Facto. As termites, como as conhecemos, comem madeira, o que é uma característica muito "heavy-metal", ou neste caso, "heavy-wood". Além de madeira, que deve ser algo de muito indigesto, mesmo para uma formiga, estas incluem na sua dieta as outras formigas e outros insectos. Isso mesmo, as formigas brancas são uma espécie predadora das restantes da sua família. Estão para as formigas "normais" - como se tal coisa fosse possível - como as vespas estão para as abelhas. São a subversão demoníaca, são a antítese de algo de essencial para o ecossistema e para a vida. As formigas brancas foram enviadas por Satanás, meus amigos. São a caspa de Belzebú. Não compreendo é o porquê do Príncipe das Trevas nos pregar tamanha partida, e até dizem que é suposto nos seduzir com falsas promessas, e não sei quê? Mas assim? Dispenso a atenção, obrigado.


As mesmas formigas que comem o seu sofá ao jantar, devoraram um repugnante louva-a-deus ao almoço.

Se hoje não estou amarrado a uma camisa de forças a rir à gargalhada desde o minuto que acordo até ao momento que desfaleço exausto de tanto rir, é porque nunca vi uma formiga branca. Sei o que é uma térmite e tal, claro, e que come móveis e cadeiras e tudo mais, e já vi nos desenhos animados e tudo, ah ah, muito exótico. Mas para mim uma coisa como as térmites é o mesmo que a mosca tsé-tsé ou o vírus do Ébola. Sei que existe mas está lá muito longe de mim, e é bom que continuem assim. Em Portugal, por exemplo, encontrar uma térmite é tão improvável como ver um macaco a fazer amor com um pinguim em cima de um coqueiro na Sibéria, e com ambos em êxtase total. Se eu visse uma formiga branca ou uma térmite ou o raio que a parta, ficava paralisado de medo. Entrava logo em "tilt". Ficava com o programa em "pause". Dava-se um "crash" na minha "hard-drive". Claro que há o factor da proporção, da diferença de tamanho, onde eu levo uma clara vantagem em relação à formiga, mas e depois? E se forem 50 milhões delas? Uma bala de pistola é também infindamente mais pequena, mas pode matar. E se for apenas uma, mas com asas?


Salvos! Louvado seja Jeová!

Mas em Macau existem formigas brancas. É possível que entre estas existam também térmites, não se sabe ao certo, e a intiligência não confirma essa possibilidade. E o que fazer no caso de encontrar esta praga em casa? Regar tudo com gasolina, lançar-lhe um pano em chamas e deixar as latas de insecticida no micro-ondas ligado, e depois vir para a rua chorar de joelhos no chão? Sim, provavelmente, mas agora existe uma solução: a Companhia Destruidora de Formiga Branca Koson. Reparem nesta determinação - "destruidora". Não basta matar, eliminar ou erradicar a formiga branca. É preciso destruí-la, causar-lhe dor e transtorno além daquilo que ela possa imaginar (agora que menciono isto, será que as formigas pensam ou imaginam?). Quando ela diz "destruição", diz que vai mesmo destruir, da mesma forma que o glorioso regime da República Democrata Popular da Coreia vai destruir a escumalha imperialista Americana e os seus fantoches do sul. E vai ferver. Reparem só no desenho da formiga branca na tabuleta da empresto sugestivo, principlamente o nariz vermelho. A formiga branca veio para nos foooo....furar os móveis, isso, mas vai ter que prestar contas à Companhia Destruidora de Formiga Branca Koson.


Assim nasceu a lenda da Companhia Destruidora de Formiga Branca Koson.

Esta companhia que surge como uma resposta às nossas preces, estes "ghostbusters" das térmites, valorosa armada de papa-formigas, fica localizada numa travessa entre a Av. Almeida Ribeiro e a Rua da Felicidade. E só podia ser na Rua da Felicidade, pois todos os filmes sobre a eventualidade de um holocausto e do fim da espécie humana têm um final feliz. Não me foi deixada qualquer pista se estes anjos do Céu que combatem os diabretes do mal com as suas espadas de ouro reluzente ainda lutam, ou por outras palavras, se a empresa continua a operar. Se não, é porque a sua missão neste mundo ficou completa, e regressaram ao seu reino no Paraíso, de onde nos guardam noite e dia das forças do mal. Que Deus os abençoe. Qual Dalai Lama, qual Obama, qual Cruz Vermelha, qual carapuça; o prémio Nobel da Paz devia ir todos os anos para a Companhia Destruidora de Formiga Branca Koson.