terça-feira, 6 de maio de 2008

Dez mil mortos na Birmânia





Depois de uma previsão inicial de apenas 351 mortos na Birmânia após a passagem do ciclone Nargis durante o fim-de-semana, os números tomam agora contornos trágicos. As autoridades falam em mais de dez mil mortos, e cerca de 30000 desaparecidos. Estes números são no entanto ainda provisórios, pois não é conhecida a situação em algumas regiões do interior, que se encontram praticamente inacessíveis e incomunicáveis. Os prejuízos são incalculáveis.

Na prisão de Insein a tempestade arrancou os telhados de zinco e os guardas reuniram os cerca de 1000 prisioneiros no pátio da prisão. Estes acenderam uma fogueira para se aquecerem mas o fumo adensou-se e tornou a situação mais complicada, gerando a confusão e o pânico. Segundo um grupo de direitos humanos, os guardas dispararam sobre os presos para impedir um motim. Dados indicam que 36 foram mortos e 70 se encontram feridos.

Rapaz gordo


Perto da igreja de S. Lourenço existe este estabelecimento de sopa de fitas designado por "San Fei Tchai Kei", ou em português, a "nova cozinha do rapaz gordo".

Deve ser verdade...


Hoje a série "cartazes de propaganda comunista" leva-nos a este mural em Vientiane, capital do Laos. Alvíssaras para quem decifrar o que está lá escrito.

As Misteriosas Cidades de Ouro


Eis o genérico de uma das séries mais interessantes e educativas da minha infância, As Misteriosas Cidades de Ouro, ou no seu título original, Les Mystérieuses Cités D'or.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A educação sexual nas escolas


Certo dia, quando éramos jovens adultos, eu e os meu amigos discutiamos quando e como aprendemos os factos da vida. Aqueles relacionados com os passarinhos e as abelhas, ou mais simplesmente como se fazem os bebés. Eu aprendi na biblioteca quando tinha 8 anos. Isso mesmo, na biblioteca lá da terra, na secção de biologia, descobri um livro que se debruçava de forma muito concisa e diplomática sobre o assunto. Foi uma tomada de consciência cuja reacção ainda me lembro bem hoje. Como era possível? Um óvulo, um espermatozóide, que nojo.

Durante a pré-adolescência achei esta questão ainda mais intrigante. As aulas de Ciências na escola davam umas luzes sobre o tema, do mero ponto de vista biológico. Os apologistas de que a educação sexual dos jovens cabe apenas à família, e de que o mundo está cheio de gente mal intencionada, são a principal razão pela qual os jovens sabem tão pouco e tantas vezes são vítimas dessa tal gente mal intencionada. Digam o que disserem, a maioria dos pais não aceita que o seu menino ou menina tenham curiosidades dessa natureza até aos 18 anos. E mesmo depois disso o melhor é nem tocar no assunto.

É importante que a Educação Sexual seja incluída nos currículos escolares, separada da Biologia ou das Ciências. Deve ser uma disciplina única ministrada de acordo com a idade dos alunos. É claro que os temas mais profundos devem ser deixados para os níveis superiores. Existe ainda um preconceito de que as aulas de Educação Sexual ensinam os jovens a ter relações sexuais. Mesmo naquelas enfadonhas manifestações de estudantes que vemos em Portugal através da RTPi alguns dos jovens gritam slogans do tipo “queremos Educação Sexual” como se tal fosse entendido como um sinal de rebeldia ou modernidade.

A Educação Sexual é parte do currículo na maioria dos países civilizados, e lá não se incluíem capítulos como “técnicas de engate” ou “introdução ao kamasutra”. Em Macau o caso é absolutamente exasperante. Não estou bem a par da situação em relação a todas as escolas, mas atendendo a que muitas (pelo menos as melhores) têm ligações aos salesianos, às carmelitas ou qualquer outra confissão religiosa, algumas são mesmo escolas unissexuais, e a educação sexual é um assunto tabu. Conheci uma menina que estudou no Sacred Heart que me confidenciou que aos 16 anos sabia o que era a reprodução, mas não sabia como se processava.

Que seja necessário que se generalizem os problemas da propagação do HIV, das mães adolescentes ou do número de jovens em idade escolar que praticam o aborto na China continuar a permanecer um verdadeiro enigma, para que finalmente se considere a hipótese de introduzir a educação sexual nas escolas, é um sinal de atraso. A prevenção através da educação, como refere o director dos Serviços de Saúde Lei Chin Ion, é importante, sem dúvida. Mas peca por tardia.

É uma sociedade bastante conservadora, esta. Quem fala de sexo é logo rotulado de salgado-molhado (ham sáp) ou tarado (pin tái), o casamento e a constituição de família vai ainda muitas vezes além do âmbito dos afectos, o casamento segue as normas do fong-soi e os casamentos inter-culturais são votados ao fracasso, caso não se prestem a uma série de compromissos. Por muito modernos que os jovens chineses e chinesas se afirmem ou por muito superiores que sejam a questões de cultura ou etnia, não escapam a pelo menos um torcer de nariz dos familiares.

As regras da corte em chinês implicam quase sempre que o jovem finja que a sua amada é invisível durante os primeiros tempos. Depois pode eventualmente travar conversa com ela, e quem sabe alguns meses depois convidá-la para sair, mantendo sempre claro junto da concorrência que já marcou o seu território. Se não obedece a este ritual e vai com demasiada sede ao pote é imediatamente considerado um dos adjectivos acima referidos. As meninas que se dão facilmente são mal vistas, e as que se vestem de forma mais ousada ainda são muitas vezes associadas a famílias problemáticas.

Não surpreende que a autêntica revolução dos costumes que se tem verificado nos últimos anos seja ainda um choque para muito boa gente. Um dos best-sellers entre o público feminino ultimamente é a versão traduzida para chinês do livro "(She) Guide to Sex and Loving", do sexólogo David Delvin. Nesta obra - uma espécie de "Sex for dummies" - Delvin explica conceitos como o titty cumshot (pesquisai...) ou o "colar de pérolas", ou de como efectuar correctamente o fellatio. Será este escritor norte-americano a autoridade que tem o dever de explicar o sexo à nossa juventude?

É preciso uma aposta urgente no futuro. É necessário que a educação sexual seja ensinada aos jovens sem qualquer tipo de preconceito, por professores preparados para explicar aos alunos tudo sobre a puberdade,a masturbação, o orgasmo, a homossexualidade, as posições durante o coito, que os sensibilize sobre os perigos e os consciencialize das alternativas no que toca à prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis. Matéria para fazer a disciplina viável não falta, e no princípio pode parecer um pouco estranho, ou até jocoso, mas eles habituam-se.

Entrevista


Leocardo em entrevista ao Hoje Macau

“Se me identificasse ninguém lia”

Alguns mantêm-se no anonimato. Outros identificam-se. Quem são os bloguistas de Macau? Quem se dedica a escrever sobre a actualidade e o quotidiano do território? O Hoje Macau quis saber.

Luciana Leitão

Lançam-se nomes, apostas e pistas sobre um dos pseudónimos mais comentados nos cafés de Macau. Quem é o Leocardo? Autor de um dos blogues mais polémicos do território, intitulado Leocardo – já extinto - e do mais recente e menos incisivo Bairro do Oriente. Em entrevista ao Hoje Macau, por e-mail, respondeu a todas as perguntas. Ou melhor, quase todas. Fica por saber a sua identidade.


Leia aqui a entrevista completa ao Leocardo, e já agora não aposte tanto. O jogo avilta a saúde mental do Homem. Já agora obrigado e um grande abraço ao Hoje Macau e à Luciana Leitão.

Alerta de vírus


Um especialista em doenças infecto-contagiosas Lo Wing Lok avisou que os pais que pensam levar os seus filhos para a China Continental para o feriado do Dia do Buda (próxima segunda-feira, dia 12) estarão a expê-los a um sério risco de infecção pelo Enterovirus 71.

O vírus, também conhecido por "doença dos pés, mão e boca", já matou 22 crianças em Anhui e infectou mais de 4500. Já foram reportadas três mortes só na província de Cantão. Em Macau já se verificaram quatro infecções, todas na creche da Tong Sin Tong, mas as crianças estão fora de perigo.

O Enterovirus 71 é bastante contagioso e perigoso, e pode mesmo ser letal. É transmissível através das fezes e da saliva. As autoridades chinesas não prevêem uma pandemia que possa colocar em risco a organização dos Jogos Olímpicos, em Agosto.

Ai não?


A tocha olímpica entrou na China Continental, fazendo ontem a primeira etapa em Hainão. Entre as personalidades que carregaram o fogo sagrado do Olimpismo estiveram o campeão de patinagem Yang Yang, o basquetebolista dos Milwakee Bucks Yi Jianlian e a primeira Miss Mundo chinesa, Zhang Zilin (na imagem). O actor de Hong Kong Jackie Chan foi o último a carregar a tocha.

¡Y viva el Cinco de Mayo!


Comemora-se hoje no México o Cinco de Mayo, que assinala a vitória das tropas do General Ignacio Zaragoza sobre o exército francês na Batalha de Puebla, a 5 de Maio de 1862. Vamos celebrar este dia especial para os nossos amigos mexicanos com um jantar de fajitas, chili con carne e enchiladas, regados com muita tequila. ¡Viva Mexico!

Amor eterno


Um poster de propaganda soviete do início dos anos 50, onde se pode ler "Viva a indestrutível amizade e cooperação entre os povos soviete e chinês". Depois foi o que se viu.

Selfish Jean


Um vídeo bastante engraçado dos Travis, Selfish Jean, que conta com a mímica do comediante Demetri Martin, do The Daily Show, da Comedy Central.

domingo, 4 de maio de 2008

Direito ao contraditório


Ultimamente tem sido feita uma certa confusão, com laivos de radicalismo e até de fanatismo, sobre certas posições tomadas neste blogue. Aparentemente alguns cavaleiros do politicamente correcto não estão satisfeitos com a minha posição de apoio aos Jogos Olímpicos de Pequim ou aos esforços diplomáticos que têm sido levados a cabo pelo regime chinês para agradar ao Ocidente, que cada vez mais descaradamente, e pouco consciente das realidades chinesas, tenta impor o seu modelo de democracia e respeito pelos direitos humanos.

Têm sido tempos difíceis estes para quem como eu acredita na progressiva democratização da China e do seu regime. Depois de anos de um silêncio esmagador a respeito da causa tibetana e dos alegados atropelos aos direitos humanos que por lá se verificam nas últimas 5 décadas, eis que em 2008, e a poucos meses da realização dos Jogos Olímpicos cuja organização foi atribuída à China há sete anos (não foi ontem nem no ano passado), brotam como cogumelos e saltam como pipocas os enfurecidos apoiantes do Dalai Lama. E que forma encontraram para fazer ouvir os seus ressentidos protestos? Cometer actos de vandalismo e desobediência pública durante a passagem da tocha olímpica.

“Ah é verdade, o Tibete”, dizem os tubarões do capital enquanto contam os chorudos lucros dos seus investimentos na China. “Mandem lá o povão”, rematam. E o povão – mesmo o que nem sabe ao que vai - chega lá e parte tudo, qual touro que só vê à frente a bandeira vermelha, apoiado pelos tais movimentos pró-democracia. Depois de uma boleia na traseira de um veículo policial ficam convencidos que “mudaram o mundo”. Esses tais movimentos alegadamente sem outra agenda que não a defesa dos direitos humanos trabalham de graça, correm por gosto, ou então vivem do dinheiro que nasce nas árvores. Acreditam? Eu também não.

Essa mistura do cú com as calças tem sido um dos tais fatalismos lusitanos. Ainda em Dezembro último, quando da cimeira UE-África em Lisboa, um grupo de empresários portugueses teve a oportunidade rara de se encontrar com o General Gadaffi na sua tenda improvisada no Forte de S. Julião da Barra. A primeira coisa de que se lembraram de falar, em vez de negócios, foi a questão do respeito pelos direitos humanos na Líbia. Saíram desiludidos e até assustados. Se alguém viesse à minha casa vender-me seguros e a primeira coisa que perguntasse fosse como tratava a minha mulher e filhos, é claro que em menos de dois minutos estava pela porta fora.

Não chegam só as boas intenções ou as palavras bonitas. Não é lá muito coerente formar associações de amizade luso-chinesas que dão jeito quando se quer entrar no imenso mercado chinês, nem apertar o bacalhau à malta da China quando surgem oportunidades de negócio. Das duas uma: ou a China não interessa para nada, ou aceitamos o tal socialismo de mercado com características chinesas. Mesmo o nosso bobo da corte, o madeirense Alberto João, ao dar um murro na mesa e afirmar a viva voz que “não quer cá os shnezz (sic)” esqueceu-se que o material e meios que usa nas suas mui pouco democráticas campanhas vem quase todo da China.

Os exemplos não ficam por aqui. Francisco Louçã, bloquista e economista, foi convidado em 2000 para uma conferência na China. Depois de fazer críticas às condições desumanas dos infantários chineses, o convite foi-lhe retirado. Estivemos em Macau durante 400 anos, mantivemos sempre as mais cordiais relações de amizade com o país do meio, no entanto deixamo-nos ultrapassar em termos de investimento por países que nunca estiveram na China. Somos os campeões do respeitinho pelos tais direitos humanos em versão Ocidental e recebemos a respectiva palmadinha nas costas. Outros usam a diplomacia salpicada de hipocrisia e levam o ouro.

Veja-se o exemplo da Alemanha. O governo de Pequim ficou furioso quando a chanceler Angela Merkel recebeu o Dalai Lama. Mas será que isso teve algum impacto nas relações sino-alemãs? Será que os senhores da Volkswagen, BMW, Adidas ou Grundig levaram logo as mãos à cabeça? Claro que não. E não haverá na Alemanha defensores da causa tibetana? Claro que há. Isto porque a Alemanha é o parceiro comercial mais antigo da China, com relações que se reportam ao tempo de Mao, um exemplo peregrino de pragmatismo e visão, ao perceber que ali estava um gigante adormecido.

Continuamos a ser muito bonzinhos e impressionamo-nos com muito pouco. “Que horror, coitadinhos dos tibetanos”, lamenta-se a malta nova como se “tibetanos” fosse uma espécie de caniche. Nem os fracos conhecimentos de História, Geografia e Geopolítica do nosso povo os inibem de se juntar a uma causa, desde que dê para ir para a rua fazer barulho e comer umas febras, bloquear a estrada e destilar ódio por um país de que nada conhecem.

Não sei se estão recordados da campanha contra a Guerra no Iraque. Discordou-se, bateu-se o pé, saíu-se para a rua a fazer barulho. Nem uma única franchise norte-americana foi atacada, e os tais manifestantes anti-guerra não deixaram de fazer os seus lanchinhos no McDonald’s ou no KFC ou continuar a consumir os enlatados Hollywoodescos que todas as semanas passam nos cines locais. Apesar das promessas que os americanos tão abertos ao diálogo e à transparência gostam de fazer, a situação continua na mesma.

É irónico que se condene a China por vender armas ao Sudão e ao Zimbabwe, mas que durante os anos da Guerra Fria e mesmo depois disso os Estados Unidos tenham apoiado regimes sanguinários na África, na Ásia e na América Central. Foi a Nicarágua, El Salvador, o Zaire, o próprio Iraque durante a guerra contra o Irão, o regime de Marcos nas Filipinas. Apoios em armas, inteligência e logística que foram responsáveis por milhões de mortes. Os norte-americanos organizaram os Jogos Olímpicos em 1984, no auge da Guerra Fria, e depois em 1996, e a tocha passou sempre incólume.

Não se pense que sou contra a auto-determinação do povo tibetano. Nada disso. Seja o que eles quiserem, mas em sede própria. Ainda não desisti do sonho de ver um dia o presidente Hu Jintao e o Dalai Lama de mãos dadas. É um sonho da paz. E não falta informação e contra-informação a respeito do que realmente se passa no Tibete. Aconselho a leitura deste artigo de Nuno Lima Bastos (que por acaso é apoiante da causa tibetana) e daí tirem as vossas ilações.

Não embarco em rebeldices toscas de ocasião que conspurcam o ideal olímpico. Por acaso já repararam que o próprio Dalai Lama apoia a organização dos Jogos pela China? Não é ele que condena qualquer tipo de violência? Repugno também com veemência outros actos de fanatismo, como o boicote aos produtos franceses por um grupo de nacionalistas simplórios, o tal Nacionalismo com caracteríticas chinesas, como José Carlos Matias tão bem referiu, e que minam as relações sino-francesas. É gente sem o mínimo de sensatez, que não consegue dissociar um povo das acções de meia dúzia de néscios.

O que se passou ontem em Macau foi mais do que um exemplo de submissão ou anuência ao regime, ou um trabalho de casa bem feito pelas autoridades. Foi um exemplo de civismo da população, que deixou uma boa imagem do território e das suas gentes. Agora não se esqueçam é de continuar a lembrar o problema do Tibete quando terminarem os Jogos. É que aproveitar apenas o momento em que a China está mais vulnerável aos olhos da opinião pública internacional não chega. É preciso mais.

Leituras


- O Hoje Macau apareceu nas bancas na última Sexta-Feira na sua edição revista e aumentada, depois da junção com o suplemento em português do Tai Chung Pou. 32 páginas de artigos com elevadíssima qualidade, dos quais destaco O Pagamento por conta e o Primeiro de Maio, de Pinto Fernandes; As horas do ocaso do Governo, de Paul Chan Wai Chi ou ainda Cerimónia Coxa de Carlos Morais José.

- Também no Hoje Macau destaco Onde reina a virtude do meio, de Ana Cristina Alves. É já como um vício ler os seus excelentes artigos às quartas-feiras.

- O Clarim, o semanário da Igreja Católica, está a comemorar 60 anos. A esse respeito recomendo o artigo do seu responsável, o Pe. Albino Pais, intitulado Uma história de 60 anos.

- Leia o que pensa o director do JTM, José Rocha Dinis, a propósito do facto dos licenciados em Direito da Universidade de Ciência e Tecnologia não serem aceites como estagiários de advocacia em Macau, em Mania de Perseguição.

- Ainda no JTM, e a propósito da detenção do cidadão que ensinou num fórum da internet como roubar a tocha olímpica, leia o que pensa do assunto Nuno Lima Bastos em A tocha e a internet.

- Leia no Ponto Final uma entrevista com o ex-secretário para a Segurança Manuel Monge, a propósito do mega-processo das seitas, e de umas certas afirmações que proferiu na altura.

Uma boa semana de trabalho, e boas leituras!

Hospital da MUST










O Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês) fica localizado na Taipa, junto do complexo da Venetian, não sendo muito acessível a pé. É um Hospital novo, moderno, ainda em fase de completação e bem equipado. A especialidade é medicina tradicional chinesa, e talvez seja essa a razão pela qual estava completamente vazio quando lá fui esta tarde. Está equipado no entanto com um centro de diagonóstico, reabilitação, um teatro de operações (!?), secção de ginecologia, ortopedia, tratamento de apneia do sono, centro de beleza feminina, e quartos VIP no 3º andar. A farmácia chinesa também lá está, e o atendimento é rápido e feito com muita simpatia. Sai um bocado caro, e é preciso acreditar, o que não é para toda a gente. Mas se lhe der um ataque de azia e não quiser esperar horas no Hospital S. Januário ou não lhe agradar o Kiang Wu, é uma opção a ter em conta.

O mundo dos atrasados


Sempre fui pontual e destesto gente que se atrasa. O princípio da pontualidade é um sinal inequívoco de civismo. Sempre que tenho uma reunião ou um encontro ou um jantar, chego sempre ligeiramente adiantado por respeito à outra parte. No caso da reunião, se as partes chegarem cinco minutos mais cedo sempre dá para um pézinho de conversa para que se quebre o gelo, antes da ordem de trabalhos.

Chegar atrasado é uma falta de respeito. Quem se atrasa não significa que é alguém muito importante ou que tem uma agenda muito cheia. Nem sei como casei com a minha mulher, pois nos nossos primeiros encontros chegava sempre pelo menos meia hora atrasada. Nada me irrita mais do que sair atrasado de casa. Não sei se já repararam mas em Macau o trânsito está sempre mais caótico perto das 9 horas. É gente que para estar no serviço às 9 sai de casa cinco minutos antes.

Nós portugueses somos atrasados por natureza. Não é raro ouvir uma coversa do tipo “olha lá Zé, a que horas é o concerto?” e a resposta “às 3, mas aquilo nunca começa antes das três e meia”. O pior é que têm quase sempre razão. Os eventos começam atrasados, e normalmente porque se cuida de um detalhe de somenos importância ou espera-se por alguém que não faz falta nenhuma.

O pior são os atrasados que se convencem que o mundo espera por eles. Os que chegam quinze minutos ou mais atrasados ao cinema, incomodando os restantes espectadores, ou reclamam se chegam a uma repartição depois da hora do encerramento. Se o tempo, esse conceito instrinsicamente humano, é igual para todos, qual a razão de se chegar atrasado? Arrogância? Desprezo pelo próximo? Tudo isso? Às vezes apetecia-me mesmo ser suíço.

Legalize it


Cerca de 600 pessoas marcharam ontem em Lisboa pela liberalização da cannabis, também conhecida por marijuana. A produção e venda da cannabis é proibida, mas a sua posse e consumo foram descriminalizados em 2001. Como já me pronunciei a esse respeito, reproduzo aqui a opinião do Arcebispo da Cantuária, com a devida vénia:

Sou sem hesitação a favor da despenalização do cultivo de Cannabis para consumo próprio. Porque é uma planta e não vejo quem possa ter autoridade para me dizer que plantas posso ou não ter em casa (o que é diferente do que ter uma estufa para produção "industrial"), porque sei dos vários usos da planta, sob o ponto de vista dito lúdico ou os potenciais e reais usos medicinais diabolizados por algum extremismo paranóico e porque apesar de não ser vivo ao tempo da Guerra Colonial e por consequência muito menos à época dos descobrimentos, conheço as Campanhas do Canhamo para as fardas ou o material de que eram feitas as velas das caravelas.

Não é uma defesa do consumo, é uma defesa da liberdade individual (é uma planta, não envolve qualquer processo químico), da verdade do desperdício dos usos "não droga" das fibras, sementes e THC, contra a hipocrisia que me permite plantar tabaco que vai matar milhares mas não me deixa plantar uma planta que não mata. Da hipocrisia, que faz lei não ser crime possuir algo (erva, haxixe) que é proibido vender ou comprar mas não é ilegal ter. É que quem inventou esta lógica kafkiana, planta umas coisas em casa, de certeza.

Ou então... a única maneira que eu vejo de alguém possuir legalmente uma planta que não pode comprar e não se pode vender é... plantando-a.

Homofobia ou Homomania?


Segundo a edição do jornal Público de hoje, 70 por cento dos portugueses consideram que as relações homossexuais são "erradas"
O Inquérito do Instituto de Ciências Sociais sobre sexualidade faz retrato dos comportamentos. Cerca de 70 por cento dos portugueses consideram "erradas" as relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo.

Mesmo nas idades mais jovens, os números da desaprovação são muito altos. "Portugal ainda é um país homofóbico", comenta Sofia Aboim, uma das autoras do Inquérito Saúde e Sexualidade, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O mesmo estudo revela que 12 por cento dos portugueses casados há mais de cinco anos assumem ser infiéis, mas há diferenças entre os sexos: nos homens são 16,9 por cento os que dizem ter sido infiéis, enquanto a proporção é de sete por cento nas mulheres. As assimetrias de género são, aliás, recorrentes ao longo do estudo.

In ALGARVEGAY

Comentário: Pessoalmente não considero que 70% dos portugueses sejam homofóbicos e ignorantes, como o poderoso lobby gay quer dar a entender. O que acho é que todos os cidadãos têm os mesmos direitos, independentemente de preferirem mulheres, homens, ovinos ou a mão direita. O que já começa a fazer espécie é a campanha desesperada do lobby para fazer crer, até mesmo junto dos mais jovens, que a homossexualidade é "normal".

Os transmontanos e a tramontana


O presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa esteve em Vila Real (veja aqui o vídeo RTP) para inaugurar a casa nº 114 do FCP. Pinto da Costa foi recebido como realeza naquela cidade do interior do país e prometeu continuar a lutar contra aquilo que chamada "o cada vez mais evidente centralismo de Lisboa". Prometeu ainda dedicar a vitória na Taça de Portugal (cuja final será em Lisboa contra o Sporting) a todos os transmontanos. Entretanto ontem à noite na despedida aos adeptos esta época os Dragões foram goleados 3-0 pelo Nacional da Madeira. É caso para dizer que o presidente do FCP primeiro ganhou os transmontanos, e depois perdeu...a tramontana.

Altruísmo


Este poster espanhol de propaganda comunista datado de 1938, em plena Guerra Civil, mostra um oficial espanhol carregando em braços uma criança morta ou ferida, com uma cidade em ruínas ameaçada pelos aviões do inimigo como pano de fundo. Os oficiais não usavam uma estrela vermelha, como se vê neste poster, mas neste tempo a influência dos comunistas era já bastante visível.

sábado, 3 de maio de 2008

Macau em festa


Passavam 44 minutos das 15 horas quando o Chefe do Executivo Edmund Ho entregou a tocha olímpica ao primeiro transportador; Leong Hong Man, atleta de Wushu, era o primeiro a transportar a chama olímpica em Macau. Ainda na Doca dos Pescadores entregou-a ao bilionário Stanley Ho, que apesar de ter dado apenas alguns passos, mostrou-se extremamente bem disposto e cheio de fervor patriótico, e afirmou que pelo seu país transportaria a tocha "até ao fim do mundo".

Entre as personalidades convidadas para transportar a tocha destacaram-se Costa Antunes, director dos Serviços de Turismo, Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau ou Paula Carion, atleta de judo medalhada nos últimos Jogos Asiáticos. A cantora de Hong Kong Miriam Yeung, que esteve na base de uma polémica que levou ao afastamento do deputado José Pereira Coutinho, usou os seus 30 segundos para gritar "yeah! yeah!" enquanto sacudia o punho esquerdo.

Foi um lugar comum. Todos sorriam para ficar bem na fotografia e mandavam adeuzinhos enquanto seguravam na tocha. O ar mais grave terá sido o de Leong Heng Teng, que levou a tocha de volta à Doca dos Pescadores e terminou a relay de Macau. Devido a uns atrasos "à portuguesa" (herança cultural?) a tocha nunca chegou a passar pelo Leal Senado. Não se sabe se desta vez os comerciantes da Av. Almeida Ribeiro alegaram transtorno para o comércio (sou tão mauzinho, não sou?) para que se dispensasse a passagem pela principal artéria do território.

Milhares de residentes saíram à rua, juntando-se a eles os turistas, muitos deles vindos da China Continental. A generalidade - mesmo os ocidentais - parece concordar com a ideia de que as reivindicações dos manifestantes deviam ser feita em sede própria, e longe, portanto, do evento da passagem da tocha olímpica. Um grupo de cristãos filipinos (Jesus Rocks?) juntou-se à festa para "abençoar os Jogos", segundo eles.

A tocha olímpica passou hoje por Macau pela primeira vez na História, e provavelmente a última, pelo menos em muitos anos. A passagem foi pacífica e sem qualquer tipo de incidentes semelhantes aos que aconteceram noutras etapas da passagem do fogo Olímpico, o que leva a questionar o tremendo aparato de segurança que se verificou. Aparentemente Macau não está na agenda dos apoiantes da causa tibetana, e os activistas de sofá ficaram em casa a ver pela TV.

Por falar em TV, veja aqui, aqui e aqui a reportagem da TDM.

O factor Dente


Passaram dez anos na passada Quinta-Feira que foi detido Wan Kuok Koi, mais conhecido por Pan Nga Koi, ou em português, "dente partido". O sr. Dente, chamemos-lhe assim, era o alegado líder da seita 14K, uma das mais temidas do mundo, com várias ramificações na Ásia e até nos Estados Unidos da América.

Em 1998 vivia-se em Macau um clima de medo e angústia; a guerra entre associações de malfeitores era uma realidade, as execuções sumárias sucediam-se em plena luz do dia, e as autoridades eram acusadas de incompetência e até de cumplicidade. O secretário para a segurança Manuel Monge tentava colocar água na fervura, chegando a afirmar que a população nada tinha a temer, pois as balas "tinham nome". Em vão.

Na manhã do 1 de Maio de 1998, o director da Polícia Judiciária Marques Baptista deixava o carro no circuito de manutenção da Guia, onde se iria exercitar. Passados instantes de sair do carro, a viatura explodia. Sem se perceber muito bem a relação, o director da PJ prendia nesse mesmo dia Dente, quando este almoçava com amigos numa sala do Hotel Lisboa, de que era habitual frequentador.

A notícia teria um impacto tremendo. O cidadão médio passava finalmente a conhecer os meandros das seitas, as faces, os nomes, os factos. Marques Baptista passou a viver nas instalações da PJ na Rua Central, por razões de segurança. Viviam-se os últimos tempos da Administração Portuguesa e urgia que se julgasse o caso com a maior celeridade possível. Os arguidos eram Dente, o seu irmão e mais sete elementos ligados à seita.

O juíz Alberto Mendes, que presidia inicialmente ao colectivo, foi afastado e substituído por Fernando Estrela, que chegou de Portugal especialmente para este caso. A defesa dos arguídos daquilo que ficou conhecido por "mega processo das seitas" queixavam-se de falta de provas. Quem assistiu ao julgamento de Dente não ficou convencido da solidez dos argumentos da acusação. Dava a entender que o alegado líder da 14K tinha que ser condenado.

Quando foi detido, Wan Kuok Koi assistia a um filme que ele próprio produziu em que glorificava os seus feitos. A filmagem chegou a obrigar ao fecho da Ponte Nobre de carvalho, o principal acesso às Ilhas naquele tempo. Em Novembro de 1999 foi condenado a 15 anos de prisão. Ao ouvir a sentença, Dente proferiu vários insultos e obscenidades, acusando inclusivamente a polícia de corrupção.

O tempo passou e mais ninguém ouviu falar de Dente. As seitas voltavam ao submundo e vive-se actualmente um clima de tranquilidade e ordem pública. Dente acabou de cumprir dois terços da pena, e vai pedir a liberdade condicional. Resta agora saber que espaço vai ocupar o Dente Partido e os seus amigos na RAEM, que é para eles uma autêntica novidade.

Super Mario leva a tocha


Agora qualquer coisa de diferente. Veja como o Super Mario leva a tocha em segurança até Pequim. Uma ideia engraçada.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Um dia em Hong Kong






Foi tumultouosa mas não violenta a passagem da chama olímpica por Hong Kong, a primeira em território chinês. A polícia deteve 20 pessoas durante a passagem da tocha esta tarde, com destaque para a jovem activista Christina Chan Hau Man, que cumpriu o prometido e apareceu exibindo uma bandeira do Governo tibetano no exílio. A actriz e activista dos direitos humanos (?) Mia Farrow ficou retida no aeroporto internacional de HK, e pode finalmente entrar sem que no entanto levasse um aviso escrito, que Farrow não se inibiu de exibir.

As personalidades que transportaram a tocha incluíram os actores Kelly Chen e Andy Lau, o jockey Cheng Man Kit e a campeã olímpica de vela Lee Lai Shan, bem como outras personalidades do ramo dos negócios, política e meio artístico. A tocha foi sempre rodeada de 16 seguranças, e os cerca de 200 mil espectadores mantidos a uma distância segura. Os grupos e associações pró-democracia eram bem visiveis entre a multidão. Verificaram-se confontos, principalmente verbais, entre um grupo cerca de 100 participantes pró-Pequim e um grupo de uma dúzia de manifestantes pró-democracia.

A tocha olímpica chegou a Macau às 22:30 por helicóptero; o percurso foi reduzido das sete horas iniciais para três horas e meia. Entre as personalidades que carregarão a tocha estarão o magnata do jogo Stanley Ho (!?), 13 deputados da AL e ainda Costa Antunes, Jorge Neto Valente e Paula Carion, representantes da comunidade portuguesa. O último será Leong Heng Teng, deputado e líder dos kai fong, a Associação de Moradores.

Quem é Christina Chan Hau Man?

Christina Chan Hau Man tem 21 anos, é natural de Hong Kong e é estudante do primeiro ano de Filosofia na Universidade de HK. No início da semana esta jovem activista anunciou na sua página de acção social Facebook que iria exibir faixas apelando à libertação do Tibete, bem como a bandeira do Governo tibetano no exílio, o que causou preocupação entre as autoridades e fê-la saltar para a ribalta. Qual a motivação desta jovem, que para mais está apenas agora a iniciar a sua vida académica? Quem está por trás de Christina Chan Hau Man?

Amanhã em Macau




Depois da etapa de Hong Kong, a tocha olímpica vem a caminho de Macau, onde vai amanhã passar por Macau e Ilhas entre as 15 e as 18.30. São 120 as personalidades inscritas para transportar o fogo sagrado do Olimpismo, entre políticos, artistas e desportistas. Macau encontra-se preparada para o evento, como se pode perceber por estas imagens, colhidas ontem no centro da cidade.

Samiro volta a Cabo Verde


Praia, 30 de Abril - O futebolista cabo-verdiano, Samiro Soares regressa hoje à Cabo Verde depois de 18 meses de interdição de saída da Região do Macau, por ter sido acusado de violar uma universitária de origem chinesa. O jovem o cabo-verdiano, que integrou a selecção nacional de futebol nos primeiros Jogos da Lusofonia realizados em 2006 viu suspensa a medida coacção de proibição de saída de Macau e com isso decide regressar à terra natal depois 18 meses longe da família.

Antes de regressar, Samiro Soares teve a possibilidade de se sagrar campeão de Macau pelo clube Monte Carlo. A equipa do futebolista cabo-verdiano empatou a duas bolas com o seu rival Lam Park e assegurou o título de campeão de futebol da primeira divisão da Região Autónoma do Macau.

De acordo com uma revista desportiva macaense, Samiro Soares “foi por diversas vezes o salvador de situações muito complicadas e pode dizer-se que foi um dos melhores elementos em campo e um dos esteios da formação do Monte Carlo”, escreve a revista desportiva que destaca outro cabo-verdiano de nome Alison Brito, que “constituiu sempre um grande quebra cabeças para o quarteto defensivo do Lam Pak”.

In Liberal

O Céu ganhou um poeta


Faleceu ontem em Lisboa, aos 73 anos, Alberto Estima de Oliveira, amado poeta português de profícua produção literária que esteve radicado em Macau durante quase duas décadas. A última vez que tive a honra de estar no mesmo espaço físico de Estima de Oliveira foi em 1 de Dezembro último, quando foi homenageado pela Casa de Portugal. O Paraíso é mais Paraíso agora, pois ganhou um poeta. No meio de tanta angústia pela sua perda prematura (seria sempre prematura), resta-nos o consolo de saber que um dia poderemos apreciar a sua obra para toda a eternidade. Faço minhas as sentidas palavras de Hélder Fernando e digo: até breve, Alberto Estima de Oliveira.

Horror em Sai Kung


Um horrível acidente de autocarro tirou a vida a 18 pessoas em Sai Kung, Hong Kong e deixou ainda 44 feridos, 12 deles em estado muito grave. A tragédia aconteceu quando passavam poucos minutos das 9 da manhã de ontem, e os 61 passageiros dirigiam-se a um serviço religioso. Este foi o décimo acidente grave com veículos pesados em Hong Kong nos últimos cinco anos.

Respeitar os mais velhos


Esta cartaz propagandístico de 1973 em que se vê uma menina a dar o seu lugar no autocarro a um idoso bem podia ser reabilitado. Pelo menos em Macau, onde as coisas são o que são no que toca ao civismo...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Com muito chá


Perto de um milhar de pessoas manifestou-se hoje pacificamente em Macau, a propósito do feriado do Dia do Trabalhador. Ao contrário do ano passado a manifestação decorreu sem incidentes. O facto de maior relevância terá sido o da manifestante que ficou nove horas detida para interrogatório do outro lado das Portas do Cerco, onde foi buscar alguns cartazes. Veja aqui a reportagem da TDM.

Há um ano...


Fazia um calor estival no dia 1 de Maio de 2007, mas os dias que antecederam a habitual manifestação do Dia do Trabalhador tinham sido bastante quentes. Manifestantes e autoridades não tinham conseguido chegar a um acordo quanto ao trajecto. Em causa estava a passagem pela mítica Av. Almeida Ribeiro, mas nem foi preciso chegar ao Mercado Vermelho para que os ânimos se exaltassem.

Participaram cerca de cinco mil manifestantes, que saíram do Jardim Triangular da Areia Preta logo depois de almoço. A confusão era muita, e de repente um agente da PSP disparou cinco tiros para o ar. Justificação? Uma idosa que se encontrava na frente dos manifestantes caíu, e o agente achou por bem protegê-la fazendo fogo.

Uma das balas atingiu um cidadão, o sr. Leong, que passava a 300 metros do local, no seu motociclo. Do sr. Leong nunca mais se ouviu falar, mas sabe-se que foi assistido no Hospital nesse mesmo dia, devido a uma perfuração na pleura. As autoridades defenderam sempre as acções do agente, e a maior parte da opinião pública questionava se teria sido mesmo necessário, e ainda por cima 5 tiros.

A manifestação terminou no Patane, onde um piquete de intervenção carregou sobre os manifestantes com bastões, cães polícia e gás lacrimogénio. Foi o 1º de Maio mais violento de que há memória em Macau, que fez eco em quase toda a imprensa regional e muita da imprensa mundial.

Mil partidos







Um ano depois do 25 de Abril realizaram-se as primeiras eleições legislativas em liberdade, as constituintes. Concorreram 12 partidos mais 2 de Macau (ADIM e CDM). A maioria dos partidos formados depois do 25/4 eram de ideologia de esquerda. A direita estava irremediavelmente conotada com o fascismo.

Os partidos formavam-se sobretudo com base na ideologia marxista-leninista. Eram os casos do MES (Movimento da Esquerda Socialista), da FEC (Frente Eleitoral Comunista), PUP (Partido de Unidade Popular), Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) ou LCI (Liga Comunista Internacionalista). Bastava misturar as palavras "frente", "popular", "esquerda" ou "revolucionária" para formar um partido político, e contar com algum segmento da população pobre e operária.

Este tipo de partidos brotou sobretudo durante o PREC. Em 1979 o LCI e o PRT juntaram-se e deram origem ao Partido Socialista Revolucionário (PSR), que mais tarde daria origem ao Bloco de Esquerda (BE), a actual quinta força mais representada no Parlamento. Ainda em 1979, ano em que a AD venceu as eleições, concorreu um partido designado por Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP), que obteve apenas 3000 votos.

À medida que o furor revolucionário se ia esbatendo, iam desaparecendo estes pequenos partidos. O maior exemplo de persistência é o PCTP/MRPP, fundado em 1970, ainda na clandestinidade, e que concorreu pela primeira vez às legislativas em 1976. Um partido de orientação assumidamente maoista (provavelmente o único na União Europeia), e apesar de nunca ter eleito um único deputado, conta cerca de 50,000 eleitores, a maioria na região de Lisboa.

As eleições de 1975 tiveram um participação de 91% dos eleitores inscritos. O partido socialista (a rosa no mapa) venceu, elegando 116 dos 250 deputados. O partido comunista venceu no Alentejo, tendência que se veio a repetir até aos dias de hoje. Em 2005 a CDU venceu nos distritos de Setúbal, Évora e Beja.

Viva o 1º de Maio!

Maio maduro Maio


O tema "Maio maduro Maio", de Zeca Afonso, interpretado pelos Madredeus, ao vivo em Bruxelas, em 1995.

First of May


E porque hoje é 1º de Maio, é dia para lembrar este "First of May", dos Bee Gees. A música é do filme "Melody", e é de fazer chorar as pedras da calçada. Don't ask me why, but time has passed us by...