quarta-feira, 29 de junho de 2011

Deus ajuda. É mesmo?


Estava na segunda-feira a ver o programa TDM Desporto onde se falou, naturalmente, do título conquistado pelo Ka I. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a entrevista com o jogador brasileiro William Gomes, avançado da equipa campeã (e que marcou nove golos só no último jogo), e fiquei surpreendido com a reverência que o jogador faz a Deus. Já tinha sido assim a semana passada quando foi entrevistado por Vítor Rebelo nos estúdios da Xavier Pereira: para tudo "foi Deus". Um golo, Deus. O título, Deus. Deus quis que a semana passada perdessem e esta semana ganhassem e fossem campeões, Deus escreve direito por linhas tortas. Onde é que vou estar para o ano? Na China ou em Hong Kong? Deus é que sabe, Deus é o agente de viagens. Espero não estar a mandar a mensagem errada, de maneira alguma quero insultar ou sequer menosprezar a fé do jogador, mas temos que admitir que não é muito habitual. Mas é engraçado como muitas vezes, mesmo sem querer, depositamos tanta confiança num eventual Deus.

Primeiro conheço miríades de gente em todo o lado que dá "Graças a Deus" por tudo e por nada. Para quem é um bom cristão, fica sempre bem ser agradecido ao divino pelas boas graças, mas é estranho que o contrário não seja também verdade. Por exemplo há quem diga qualquer coisa como: "Parou de chover, graças a Deus". Estas pessoas certamente não gostam de chuva, mas porque é que foi "graças a Deus" que parou de chover? E quem mandou a chuva? Deus só tem a capacidade de fechar a torneira? Foi um anjinho maroto que a abriu? Mistérios do divino que não encontram explicação. Quando alguém esteve doente e depois melhora, diz que foi "graças a Deus". Será portanto parte do plano divino Dele que esta pessoa tenha ficado primeiro doente, para só depois recuperar. Deus não teve nada a ver com a gripe ou com a perna partida, mas foi parte indispensável da recuperação. A sério, isto deixa-me seriamente preocupado. Quem é que nos anda a tramar e a dar tanto trabalho a Deus?

Muita gente gosta de falar com Deus, ora através da oração silenciosa ora conversando mesmo em voz alta sozinho (ou com Deus, depende da perspectiva). Não se espera é que Deus responda, pois nesse caso seria "mau sinal" - quando se calhar até seria "bom sinal", não se percebe muito bem. Voltando aos jogadores de futebol, acho o caso do internacional brasileiro Kaká fascinante. Quando o branquelo marca um golo, levanta as mãos ao céu e agradece. Quando falha um golo, não vejo desiludido ou a pedir explicações ao criador: se não marcou golo, foi porque "Deus não quis". Deus é imprevisível, e a Sua vontade aleatória. E para onde Lhe dá. Quando se reza por alguém, é normalmente um caso perdido. Quando alguém morre mesmo depois de muitas rezas, correntes e até promessas, baixa-se a cabeça e resigna-se à "vontade de Deus". Na eventualidade (muito rara) da pessoa sobreviver ou até recuperar totalmente, nunca foi devido à medicina ou à ciência. Foi, adivinharam, graças a Deus. Daí os tais pagadores de promessas, que por vezes se sujeitam a andar à volta de santuários gigantescos de joelhos como agradecimento à alegada influência divina. Este "sacrifício" parece dar a Deus "extra bonus points".

Deus é visto como uma autoridade real, e não imaginária, que nos está constantemente "a ver" (sim, até no chuveiro). Diz-se daquelas pessoas que são uns cabrõezinhos da pior espécie mas por culpa da sociedade (ou do Diabo?) são ricos e famosos, que "têm contas a ajustar com Deus", que Deus "não dorme". Duvido que quem mate, roube ou cometa fraude e enriqueça esteja muito preocupado com isso. Deus é usado como moeda de troca. Quem pede "pelo amor de Deus" está mesmo a apelar. Se resultasse mesmo não existia desemprego, bastava pedir um emprego "por amor de Deus", e ficava o problema resolvido. Quem pede esmola "por amor de Deus" é a maior parte das vezes recusado com um "tenha paciência". Este "tenha paciência" é a "safe-zone": Deus não fica chateado se atirarmos com esta frase mágica, que nos livra da obrigação caritária da esmola. Acho piada aos mentirosos que juram "por Deus" estar a dizer a verdade. Quem usa Deus como desculpa só pode estar mesmo a brincar.

"Deus" é mesmo uma palavra banalizada. Já ouvimos milhões de vezes expressões como "Deus queira", "Deus é que sabe", ou a sua variante niilista "Só Deus sabe", "Deus me livre", e muitas outras. A minha preferida é "Até amanhã, se Deus quiser". Isto demonstra uma dose de pessimismo especial. Nunca me passou pela cabeça não estar vivo amanhã, ou depois de amanhã, ou para a semana que vem dependendo exclusivamente da vontade de um ser divino. Assim não marcava consultas, não comprava bilhetes para concertos, não cumpria qualquer compromisso, não fazia nada. Ficava deitado à espera que Deus finalmente me resolvesse levar para junto Dele, o tal "destino final" que todos aguardam. E porque não havia Deus de querer que haja um amanhã para todos? Vá lá, pronto, fico por aqui. Vão com Deus, mas não abusem.

24 comentários:

FireHead disse...

Bem, se tudo na vida corresse sempre bem então onde estaria a graça? Já agora que tal sermos todos imortais, omnipotentes e omniscientes que é para andarmos todos em cima uns dos outros neste planeta?
Fala-se muito de Deus, seja bem ou mal por quem acredita e quem não acredita. Estamos no século XXI.

Leocardo disse...

Eheh já estava à espera do seu comentário, e até era para lhe dedicar o post ;)

Claro que se fala de Deus, e nem eu disse em parte nenhuma que isso era mau. Este post era apenas para falar de expressões comuns que levadas ao plano da metafísica não fazem muito sentido. Quer dizer, não é mau que alguém deposite confiança em Deus, mas também não se deve desprezar o mérito próprio e já agora a ciência.

Abraço aqui de Macau.

Anónimo disse...

Pois é,os brasileiros normalmente são assim,poem Deus em tudo.Mesmo quando fazem assaltos ou matam pessoas no brasil dizem " Foi Deus " Um dos mandamentos da Lei de Deus diz precisamente isso 2 Não invocar o santo nome de Deus em vão (Ex 20,7 )

FireHead disse...

De facto não se pode desprezar a ciência, mas ela tem os seus avanços e retrocessos. Acredito em Deus, mas é óbvio que se eu estiver doente sei ir ao médico. Regozijo-me com o desenvolvimento do conhecimento humano, mas o absoluto é e será sempre o absoluto e enquanto houver espaço para a dúvida, há espaço para a Fé.

Abraço aí para a minha terra. :)

Anónimo disse...

Ena, tantos parágrafos sobre a banalização da palavra Deus. Podia dedicar também o mesmo número de parágrafos cada vez que uma banalizada menina de 8 anos se arrebenta com uma bomba em nome de Alá o Misericordioso. Mau meu mesmo são entrevistas dadas por brasileiros.

Anónimo disse...

Olha outro ser divino a ajudar aqui: http://www.publico.pt/Mundo/cinco-sauditas-presas-por-conduzirem_1500812. Bem bom. Esperam-se igualmente tantos parágrafos.

Leocardo disse...

Porque é que os dois últimos anónimos não abrem um blogue a falam disso e de mais o que quiserem? Olha, não vi essas duas notícias em mais nenhum serviço noticioso em Portugal. Está na hora de irem fazerem um auto-de-fé na RTP.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Pois, você tem é o alerta para os religiosos perigosos, aqueles que falam. Olha você que não gosta de tratar as pessoas por tu, aqui vai o relatóriozinho de maio:

Monthly Jihad Report - May, 2011
Jihad Attacks: 165
Countries: 18
Religions attacked: 5
Dead Bodies: 793
Critically Injured: 1606

Como são tantos os casos você de facto não teria tempo para escrever sobre mais nada. Compreende-se que seja mais um dos idiotas úteis que fecham os olhos a este radicalismo e que mantêm os ouvidos limpinhos sobre o que dizem os jogadores da bola.

Leocardo disse...

Ai sim, e por acaso é V.Exa. ou alguns dos seus familiares entre essas duas mil vítimas que aí refere? Das duas uma: ou é tão racista que só vês jiahdes à frente, ou então é maluquinho. Ai que os muçulmanos vão dar cabo de nós, ai que vão entrar na minha casa pela janela, ai que me vou mijar todo. Tenha juizinho, pá, as cruzadas acabaram há 600 anos. E mais uma coisa, eu falo do que muito bem me apetecer, e só pode esperar mais do mesmo. Alternativas? NAO VENHA AQUI!

Cumprimentos.

FireHead disse...

Amigo Leocardo, as Cruzadas existiram precisamente para defender a civilização ocidental, a Europa, das invasões muçulmanas. Se não tivessem existido os Cruzados, os nossos antepassados teriam sido muçulmanos e a Europa chamar-se-ia Eurábia. O sonho dos muçulmanos de conquistar a Europa não é de agora, é de sempre. E o facto dos muçulmanos serem cada vez mais no Ocidente fruto duma forte imigração permitida pelos governos ocidentais suicidas de esquerda é de facto um motivo de alarme e sim, por este andar, há o real perigo dos muçulmanos darem cabo de nós e imporem-nos a "sharia" como já estão efectivamente a exigi-lo. Veja só o que já está a acontecer em países europeus com grande percentagem de população islâmica como a Bélgica, o Reino Unido, a França, a Holanda ou a Alemanha. Não se trata de racismo, mas sim de defender os nossos valores e princípios, como a liberdade de expressão e a democracia que os muçulmanos não aceitam.
O Alá é uma divindade pagã árabe de Meca, o deus da lua. Não é por acaso que o símbolo do islão é um quarto crescente.

Abraço.

Anónimo disse...

Quando se fala de DEUS,o Aláh está incluído??È que os terroristas suicidas antes de explodirem uma bomba dizem : Aláh

Leocardo disse...

Alá é "Deus" em árabe, da mesma forma que "god" é Deus em inglês, ou Dieu em francês ou Dios em castelhano. É só um Deus (e já chega).

Cumprimentos.

FireHead disse...

O nome Alá é de facto o nome árabe actual para Deus, pois os cristãos árabes também chamam Deus de Alá. No entanto, a palavra Alá já existia durante os tempos dos pagãos pré-islâmicos de Meca, sendo mesmo o nome do deus da lua que eles mais adoravam entre os 360 deuses do panteão árabe. Com o advento do islamismo, Deus em árabe passou oficialmente a ser Alá, pois foi esse deus pagão que Maomé escolheu para fazer dele o único deus do islão. A tradução da Bíblia para árabe não apareceu até por volta do século IX numa altura em que todos já tinham começado de facto a acreditar que Alá é tão somente outro nome de Deus. Na verdade, os muçulmanos também chamam Isa a Jesus no Alcorão, mas o verdadeiro nome árabe de Jesus é Yasou.

Anónimo disse...

O ignaro não sabe que as cruzadas vieram séculos depois da mortandade e extermínio dos seus amigos islâmicos. Mas como bom ignorante que é levanta logo o palavrão "racista" só para branquear tudo. Ai que não se pode chamar a atenção à falta de coerência. Ai coitadinho

Por onde passam vão exterminando, matando e levando tudo para a idade da pedra. Mas esta caganita com um teclado só vê os católicos e o Papa à frente. Geralmente os primeiros a sofrer às mãos desta gente são os opinadores, género Salman Rushdie, Theo van Gogh e os cartonistas.

Vai lá meu filho, ide escrever mais sobre uns quantos parágrafos e um provedor qualquer que o mês tá quase a acabar e o número de visitantes deve estar uma merda. Procure aí qualquer coisa que o terrorista Papa tenha dito.

Anónimo disse...

A propósito do "racista" toma lá pá http://www.youtube.com/watch?v=377kKBi6anQ

Anónimo disse...

Deus e Alá são dois irmãos gémeos que só se conseguem distinguir pelo turbante, ou véu, ou lá como é que isso se chama, que o Alá usa.

Anónimo disse...

Ah, e outra diferença é que o Alá tem mais filhos que são uns filhos da puta do que o Deus, embora este também tenha alguns.

Anónimo disse...

A minha resposta é: o legado cultural das religiões em geral e do cristianismo em particular não pertence só aos religiosos. Conforme-se ou comece uma petição exigindo a apresentação de certidão de baptismo aos participantes nas festas dos Santos Populares ou a quem por razões culturais visita um templo.

Anónimo disse...

Firehead sou fã da sua criatividade.

Anónimo disse...

Um do mandamentos de judeus e cristãos é: não invocar o Santo nome de Deus em vão.

Mas talvez seja pior seja invocar o Santo nome de Deus, para menorizar os outros. Pense nisso.

Anónimo disse...

Nisso concordo com o anónimo das 00.05: o FireHead é um criativo!

Anónimo disse...

Há muitos mandamentos mas ninguem cumpre.Porreiro pá.Costuma-se dizer que quem mais vai a igreja é quem mais peca.Eu como peco muito pouco não vou a igreja,rezo em casa e já chega.

Leocardo disse...

Ai que todos falam sozinhos aqui. Ooops, terei dito "falam sozinhos"? Ah esperem, rezam, é isso. Tantos santinhos.

Começemos pelo Firehead. Fico fascinado pelo conhecimento histórico que demonstra do Islão. É um caso típico de quem conhece bem o inimigo, se calhar melhor que o seu próprio aliado.

A imigração sempre existiu, e se ela parte hoje dos países ditos islâmicos é completamente cagativo. A esmagadora maioria deste imigrantes trabalha, faz a sua vida e não chateia ninguém. Se a solução é impedi-los de entrar para evitar o "crime perpretado por imigrantes" o que fazemos depois com os "cristãos" e os outros que cometem crimes? Atiramo-los pela borda fora?

Sem dúvida que o Firehead é um criativo, como diz um dos anónimos, mas coloco em causa a sua coerência: diz-se cristão, de direita (e gosta do PNR) mas adora Israel, defendendo com unhas e dentes o estado judaico. Pessoalmente não sou capaz de apoiar alguém detestável só porque faz frente e bate o pé a alguém ainda mais detestável. Por mim fodiam-se os dois. Mas isto sou apenas eu, enfim.

A lógica do anónimo das 16:52 é absolutamente fantástica: Theo van Gogh + Salman Rushdie + cartoonistas da Dinamarca = muçulmanos a matar europeus em cada esquina. E dos três exemplos que deu apenas o Theo Van Gogh foi realmente assassinado, e nem foi por um imigrante: o seu assassino é holandês, nasceu na Holanda. Se me vai dizer que alguém que tem os mesmos direitos e deveres que qualquer outro holandês é diferente por ter outra etnia ou religião, então está a ser racista. E esta lógica, serve-lhe?

Acho interessante que esteja mais preocupado com as visitas no blogue do que eu próprio, mas se quer mesmo saber em Junho o blogue teve 15100 visitas, mais três mil que em Junho do ano passado. Em todo o caso pode encontrar a resposta a todas essas dúvidas que tanto o abalam clicando simplesmente no link do Sitemeter, aquele verdinho e branco à sua direita e um pouco mais em baixo.

Claro que vou continuar a falar da igreja católica, do Papa e do que me apetecer, da mesma forma que já falei aqui do Islão e já dei notícias de atrocidades cometidas em países islâmicos. Não posso é falar de todas, como sugerem alguns leitores que teimam em mandar links com notícias de mulheres presas por conduzir na Arábia Saudita e afins. Se querem as notícias todas e mais algumas sobre as atrocidades cometidas no Islão, podem seguir antes o blogue do Firehead, quase inteiramente composto disso mesmo.

Anónimo das 00:02 e Firehead: a nossa cultura e a nossa história estão bem e recomendam-se. Se estão mal em algum aspecto ou descaracterizadas neste ou naquele ponto, isso só pode ser mesmo culpa nossa. Os Santos Populares ou os monumentos religiosos são mesmo de toda a gente, sim. Se fossem exclusividade dos religiosos eram um fracasso, e sabeis bem disso. Continuai a apelar aos jovens para seguir o caminho do catolicismo e da Igreja, que eles vão recusando cada vez mais. E isso não tem nada a ver com o Islão. A islamização é uma paranóia que só existe nas vossas cabecinhas.

Voltamos a abordar este assunto noutras ocasiões, se quiserem.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Alá e o seu irmão gémeo, Deus, são gajos que vos vão ao cu. E o pior é que vocês gostam!