terça-feira, 25 de junho de 2013

Fiel e bem passado


Um festival na China está a chocar os defensores dos direitos dos animais. Realiza-se na região autónoma de Zhuang, provincial de Guangxi, e teve início na última sexta-feira, o dia mais quente do ano, que os chineses acreditam ser o ideal para comer carne de cão. E é esse o prato no topo da ementa, o que levou a que milhares de cães tenham sido abatidos nos últimos dias para satisfazer o apetite dos apreciadores da especialidade – dez mil, calcula a organização. Grupos de activistas e outros simpatizantes da causa dos direitos dos animais protestaram contra o que consideram ser uma crueldade e “um banho de sangue”, mas as autoridades dizem que nada podem fazer, pois o evento tem carácter particular, e não é organizado nem patrocinado pelo Governo. O consumo de carne de cão é permitido na China, e obedece apenas a legislação sanitária idêntica ao processamento de outro tipo de carne qualquer. De nada valeu os activistas alegarem que alguns dos animais abatidos no festival não foram inspecionados, e alguns estarão doentes. O festival realizou-se mesmo, e assim se celebrou o solstício de Verão, com o holocausto dos amigos de quatro patas. É uma notícia triste, não apenas pelas razões óbvias, mas porque vem perpetuar o preconceito de que “todos os chineses comem cão”. A realização deste evento, cada vez mais raro na China moderna, provocou a constestação de milhões de cibernautas chineses. Ainda falta legislação que proíba esta “tradição” que o senso comum obriga a repudiar e considerar ultrapassada, mas acredito que apesar de tudo estamos no bom caminho.

Um género dentro do género


A "poster-child" da causa LGBT?

Quando pensámos que já vimos de tudo no que toca a transsexuais, transgenders e afins, eis algo que ainda consegue surpreender. Esta na imagem é Coy Mathis, uma criança de seis anos do Colorado que esteve na origem de uma decisão judicial inédita, e que agora lhe permite usar a casa-de-banho das meninas na escola que frequenta. Mas porque é que este anjinho não podia usar a casa-de-banho das meninas na escola? Porque apesar da aparência, Coy é um rapaz, nasceu um rapaz, continuou um rapaz, e não entalou nenhuma parte sensível no triturador da carne: tem o equipamento completo. O problema é que Coy não aceita ser um rapaz, e praticamente desde que nasceu que se comporta como uma menina. Os pais começaram a notar qualquer coisa de estranho com o pequeno, que só gosta de brincar com bonecas, usa saias e vestidos e comporta-se como uma menina. Uma vez Coy teve um ataque de choro quando se apercebeu que um dia teria barba e pêlos no peito, que o denunciariam como um homem. Preocupados, levaram-no a um pedopsiquiatra, que lhe diagnosticou um “transtorno de identidade do género”. Agora em idade escolar, Coy é legalmente um rapaz, e como tal faz chichi com a pilinha e como tal deve fazê-lo na respectiva retrete destinada aos rapazes como ele. Não contentes, os pais recorreram aos tribunais para consagrar o direito do filho usar o lavabo feminino, e perante estas evidências tão particulares e raras, a justiça decidiu a seu favor. Coy torna-se assim na primeira menina do Colorado a urinar de pé. Prevejo uma adolescência muito complicada para este jovem. Pelo menos até realizar uma operação que lhe realinhe o género. Só não pode é ambicionar a ter bebés, pois a vaginoplastia não vem com útero incluído. Paciência, não se pode ter tudo…

Bunga-bunga atrás das grades?


Ma che injustizia...

Uma notícia que promete dar que falar: Sílvio Berlusconi foi condenado a sete anos de prisão! O ex-presidente italiano, o bilionário rei dos media transalpinos e proprietário do AC Milão era acusado de ter mantido relações sexuais com uma prostituta menor de idade na sua mansão e usado a sua influência para ocultar as provas, e foi considerado culpado, e condenado a sete anos de prisão efectiva e impedido de exercer qualquer cargo público. Contudo é ainda cedo para os inimigos de Berlusconi abrirem o champanhe, pois ainda existem dois níveis de recurso até que a pena seja confirmada, mas o impedimento significa para já o fim da sua carreira política. Berlusconi é a personificação do boneco italiano castiço; apesar da idade relativamente avançada, goza de uma aparência invejável e uma saúde cavalar, como se pode comprovar pela forma pouco discreta como trata a sua vida íntima, e como não esconde o “apetite” pelo sexo oposto. Ficaram celebres as suas festas “bunga-bunga”, onde eram convidadas prostitutas que o entretinham mais ao seu grupo de amigos igualmente milionários e malandrecos. Mas como não há bela sem senão e neste mundo, já se sabe, há sacanice de sobra, uma prostituta de origem marroquina, Ruby, seu nome de Guerra, veio divulgar o seu envolvimento com Berlusconi, não se coibindo de mencionar que há data dos factos tinha menos de 18 anos. Não sabia o que estava a fazer, portanto. Coitada. Armadilha ou apenas má sorte, Berlusconi arranjou problemas com a justiça, e dois anos depois da revelação do escândalo é agora pesadamente castigado. Conhecendo o personagem e o sistema que lhe serve de habitat, duvido que vá mesmo dar com o couro na prisão, mas não se livrará certamente da anunciada morte política. Mas às vezes há males que vêm por bem. Pode ser que sem a exposição mediática que os seus cargos públicos acarretam, fique com mais tempo para as suas festas “bunga-bunga”.

O dia foi do caçador


Rafael Nadal não se dá bem com os ares de Wimbledon ultimamente, apesar de ter vencido a etapa britânica do Grand Slam em 2008 e 2010. O ano passado o espanhol nº 1 do mundo tinha sido afastado na segunda ronda por Lukas Rosol, 100º no ranking ATP, e este ano fez ainda pior: saíu na primeira ronda frente ao belga Steve Darcis, 139º na lista dos tenistas mundiais. Nadal venceu há duas semanas em Roland Garros, e esta derrota em apenas três “sets” pode ser explicada por uma lesão no joelho que o tem apoquentado desde o torneio em França. Para Darcis, que aos 29 anos encontra-se na fase descendente da sua carreira, foi o melhor dia desde que pegou numa raquete de ténis. “Ninguém esperava que eu ganhasse…portanto joguei descontraído e dei o meu melhor”, disse no final, ainda meio incrédulo. Darcis nunca tinha vencido contra um jogador do top-5 mundial, e em Wibledon nunca foi além da terceira ronda. Ele há dias assim, uns quando vamos para casa com a sensação do dever cumprido, outros quando vencemos o melhor do mundo.

Penalty "à Boa Morte"


Luís Boa Morte, lembram-se dele? O internacional português formado nas escolas do Sporting e contratado aos 18 anos pelos gigantes do Arsenal foi em tempos uma esperança do futebol português a ter em conta, mas anos a fio em equipas medianas da Premier League inglesa deixaram a sensação que passou ao lado de uma grande carreira. Actualmente com 35 anos e em final de contrato com o modesto Chesterfield F.C., Boa Morte foi notícia ao marcar este penalty que tem tudo de original, e cujo video está a correr mundo. Foi num jogo de caridade na Venezuela entre o Deportivo Anzoátegui e um misto de jogadores “amigos de Luís Figo”, onde se incluía Boa Morte. O português simulou o remate, que fez com que o guardião adversário se mandasse ao relvado,e depois deste já batido, rematou calmamente para o fundo das redes. As regras da FIFA são abertas a interpretação diversa, pois na marcação de uma grande penalidade não se pede mais que o jogador “remate para a frente”, contudo se o árbitro entender que existiu conduta anti-desportiva, “pode adverter o jogador e mandar repetir a marcação do penalty”. Num jogo de caridade pode ser que até tenha a sua piada, mas talvez fosse diferente ao mais alto nível. Mesmo assim a ousadia correu bem a Boa Morte, pois os amigos de Figo venceram por 3-2. Quem sabe se depois de Panenka, também Boa Morte passa agora a ter um penalty baptizado com o seu nome?

Portugal empata com Coreia do Sul


Portugal empatou hoje com a Coreia do Sul a dois golos em partida da segunda jornada do grupo B do mundial de sub-20, que se realiza na Turquia. Os jovens portugueses adiantaram-se no marcador logo aos três minutos por Aladje, mas ao melhor início dos lusos os coreanos responderam com um golo em cima do intervalo, autoria de Ryu, que levava as duas equipas empatadas para o descanso. Na etapa complementar o inevitável Bruma voltava a dar vantagem a Portugal, mas a sete minutos do fim os asiáticos voltavam a empatar, com um golo de Kim – tratando-se da Coreia, não podia faltar um Kim qualquer que nos tramasse. Apesar do empate Portugal continua a liderar o grupo com os mesmos quatro pontos que o seu adversário de hoje, e mais um que a Nigéria. Os africanos bateram Cuba por claros 3-0, e expuseram as fragilidades dos caribenhos, que podem ser aproveitadas por Portugal na próxima quinta-feira. A formação orientada por Edgar Borges mantém assim intactas as possibilidades de vencer o grupo, estando o apuramento praticamente garantido. O empate contra os cubanos garante pelo menos o segundo posto, e o pior que pode acontecer é terminar como um dos melhores terceiros e ser repescado para a segunda fase.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Caravela a bom porto


Quem é português e reside em Macau conhece quase de certeza o Restaurante Caravela, situado no Pátio Comandante Mata e Oliveira, no centro da cidade e a dois passos da Escola Portuguesa. A nova vaga de portugueses que vão chegando ao território vão “dar à costa” ao Caravela, onde é possível encontrar uma grande parte do núcleo duro da nossa comunidade. Existem outros pontos de encontro das lusitanas gentes aqui e ali, alguns que não lhe ficam a dever nada em termos de popularidade, mas o Caravela é um nome incontornável em termos de tertúlia. É como a Brasileira do Chiado, a Cervejaria da Trindade e a Pastelaria Suíça condensados num só, e formatados à dimensão de Macau.

O Caravela, se a memória não me atraiçoa, foi inaugurada em 1995 por um empresário português, que ao mesmo tempo investiu num restaurante na Calçada do Gamboa, A Nau do Trato. A Nau não durou muito, mas a Caravela resistiu a ventos e tempestades, chegou a correr o risco de encerrar por mais que uma ocasião, e entre algumas mudanças de gerência foi ficando no mesmo local que ocupa vai para vinte anos. Actualmente é propriedade de um casal de causídicos a residir no território há vários anos, que se misturam diariamente com a clientela habitual, que lhes retribui a amizade e a simpatia demonstrada. A Sílvia e o Alberto cumprem com abnegação a tradição do simpático “casal do café da esquina” tão popular em Portugal, não evidenciando o distanciamento que a sua formação académica superior poderia implicar à partida. São uns tipos porreiros. E educados, também. Gente boa.

Sou um cliente habitual do espaço, muito por culpa da proximidade com o meu local de trabalho. Chego mesmo a passar por lá apenas para beber um café a meio do dia, mesmo já me tendo desabituado a essa tradição tão portuguesa da “bica” a horas incertas “porque sim”. O Caravela goza de uma localização estratégica, entre a Praia Grande, uma área de serviços e escritórios onde muita da comunidade portuguesa trabalha, e a Escola Portuguesa, como já referi. Com a vinda de um novo contingente de expatriados de Portugal, passou a ser mais frequentado, mesmo além dos horários nobres do pequeno-almoço e do almoço. Já foi mais fácil encontrar uma mesa durante as “horas mortas”, e torna-se quase impossível fazê-lo depois das 13 horas, pelo que se recomenda que se faça reserva (para o efeito basta ligar o 28712080, sempre atendido com simpatia). E o que podemos encontrar na Caravela que atraí cada vez mais clientela, e cada vez mais a horas improváveis?

Não sou um grande adepto da pastelaria, que considero apenas “razoável”, e em alguns casos os preços tornam-se quase probitivos – se existe algo que se possa apontar ao Caravela é mesmo o preçário. Um cidadão chinês médio consideraria escandaloso pagar 25 patacas por um simples pão com chouriço, atendendo a que muitas vezes almoça por esse preço – ou ainda por menos – numa loja de sopa de fitas. Os meus colegas chineses, por exemplo, cuja maioria já levei ao Caravela, consideram deixar uma nota de cem por um almoço “uma ocasião especial”. Apesar deste aspecto que podia ser repensado, o modelo de gestão seria considerado “desastroso” pelos parâmetros de alguns comerciantes locais, que considerariam o negócio “inviável” em termos de lucro. Mas julgando pela casa sempre cheia os proprietários não terão muita razão de queixa, e se por acaso o capital investido é acima da media, o retorno compensa. Fica-se a ganhar em termos de qualidade e de confiança da clientela, conceitos peregrinos para muita da concorrência.

O café, a nossa “bica” é acima da media, considerando que estamos em Macau, e vale as 12 patacas que pedem por ela. Já bebi “bicas” mais caras e com uma qualidade que faria qualquer comensal mandá-las para trás em qualquer tasca mais reles em Portugal. O almoço é servido normalmente entre as 12:30 e as 14:30, e durante os dias de semana existe um “set-lunch” que inclui sopa, prato principal e pão por 75 patacas e cuja qualidade raramente deixa a desejar (a quantidade é que nem sempre satisfaz, mas não se passa fome). O resto do menu está disponível ao fim-de-semana, e mesmo ao Sábado é comum servir-se um “especial” ao almoço. O Caravela está aberto todos os dias do ano, Natal e Ano Novo Lunar incluídos, mas na boa tradição cristã encerra aos Domingos à tarde.

É possível fazer um pedido “à la carte” a qualquer hora do dia, e não faltam os bitoques, os pregos, as sandes mistas e até a Francesinha (que recomendo), além da mais diversa pastelaria. Desde manhã cedo até às 21 horas, quando encerra, pode-se petiscar à vontade. O serviço está a cargo de um grupo heterogéneo, composto na maioria por empregadas Filipinas (temos actualmente um português, um macaense e uma brasileira), que rapidamente se adaptaram à “mística” da Caravela. Um detalhe enternecedor passa pelos uniformes, que incluem frequentemente uma camisola da selecção portuguesa. Esta informalidade, a juntar à decoração e outros detalhes, com destaque para a sempre muito concorrida esplanada, que nos fazem sentir como se estivessemos num café do nosso saudoso Portugal produzem um ambiente descontraído e agradável, e por isso convidativo. É o segredo do Caravela.

Entre a “fauna” que lá podemos encontrar é evidente a presença de uma maioria de portugueses de origem. Encontramos caras conhecidas, algumas personalidades da nossa comunidade, gente simpática e outra que nem por isso, e muitas caras novas. Alguns turistas aparecem por curiosidade, e certamente que ficarão encantados com o ambiente acentuadamente ocidental que muitos não esparariam encontrar numa cidade da China. A comunidade chinesa aparece apenas pontualmente, talvez inibida pela frequência nitidamente “portuguesa” do espaço, que os leva a pensar que aquele lugar “não é para eles”. Apesar de todos serem bem recebidos, independente da etnia, esta timidez tem uma razão de ser: o Caravela será um dos poucos locais da RAEM onde a língua chinesa não é a mais utilizada. Quem domine apenas o Mandarim ou o dialecto cantonense terá mais dificuldade em apreciar o que o Caravela tem para oferecer. Mas depois de tantos anos de funcionamento, que já lhe conferem um certo estatuto de referência no panorama da restauração em Macau, o Caravela consegue sobreviver apenas com a “malta” portuguesa. E isto é bom sinal. Que continue assim por muitos e bons anos.

Liga de elite: Monte Carlo campeão


A equipa do Monte Carlo sagrou-se este fim-de-semana campeã de Macau pela primeira vez desde 2008, depois de ter derrotado o Lam Pak por duas bolas a uma. A equipa do proprietário Firmino Mendonça, orientada pelo experiente técnico Tam Iao San, vencia o seu encontro decisive ao mesmo tempo que o Benfica de Macau esmagava o já despromovido KeiI Lun por 12-0. Aos encarnados competia vencer e esperar que o Lam Pak conseguisse pelo menos um empate frente aos "canarinhos" para que o título fosse para as águias de Macau. O Monte Carlo termina assim com mais um ponto que o Benfica e mais três que o Ka I, os tri-campeões do território orientados pelo brasileiro Josecler, que na última ronda venceram o Kuan Tai por 3-1. O Lam Pak garantiu o quarto posto, apesar da derrota com os novos campeões, enquanto a Polícia foi quinta classificada depois de bater os Sub-23 por uma bola a zero. Os jovens patrocinados pela AFM terminaram no ultimo posto só com derrotas, o que leva a repensar o planeamento dum projecto que tem por fim fazer com que jovens selecionáveis para a equipa de Macau ganhem automatismos. Depois de classificações mais ou menos decentes nas últimas temporadas, as "esperanças" foram o saco de pancada da Liga este ano. Finalmente o Lam Ieng derrotou o Chau Pak Kei por 3-2, assegurando o sexto lugar, à frente do seu adversário de ontem.

Classificação final:

1 Monte Carlo 49 18 16 1 1 57 9 9 9 0 0 27 4 9 7 1 1 30 5
2 Benfica de Macau 48 18 16 0 2 69 4 9 9 0 0 33 0 9 7 0 2 36 4
3 Windsor Arch Ka I 46 18 15 1 2 61 13 9 8 1 0 31 5 9 7 0 2 30 8
4 Lam Pak 36 18 12 0 6 55 22 9 6 0 3 30 9 9 6 0 3 25 13
5 PSP Macau 23 18 7 2 9 24 33 9 3 2 4 9 16 9 4 0 5 15 17
6 Lam Ieng 22 18 7 1 10 29 52 9 4 0 5 19 32 9 3 1 5 10 20
7 CPK 18 18 6 0 12 28 53 9 4 0 5 17 29 9 2 0 7 11 24
8 Kuan Tai 18 18 6 0 12 22 35 9 4 0 5 11 14 9 2 0 7 11 21
9 Kei Lun 7 18 2 1 15 16 80 9 1 0 8 6 45 9 1 1 7 10 35
10 MFA Development 0 18 0 0 18 8 68 9 0 0 9 3 29 9 0 0 9 5 39

Despromovidos à II Divisão: Kei Lun e MFA Development(sub-23)

Promovidos à Liga de Elite: Sporting de Macau e Lai Chi

Vox populi


Fui um dia destes a uma mercearia de produtos indonésios perto do centro da cidade. “Perto do centro” nos dias que correm, e ainda mais para um negócio desta natureza, significa que se encontre num dos becos obscuros nos arredores do Largo do Senado, situado no meio de prédios condenados e outros em estado de semi-ruína, onde ainda é possível arrendar um espaço comercial por um preço abaixo dos seis dígitos. Tratando-se de um comércio de características assumidamente étnicas, uma loja de produtos da Indonésia onde também se faz comida típica para fora, não entra no cartão-postal do território, e o grosso da sua clientela serão as trabalhadoras indonésias a viver em Macau. Foi na companhia de uma amiga daquela nacionalidade que lá me desloquei, e desconhecia completamente a existência do local, como é lógico.

Contudo ao balcão estava um jovem cuja aparência não dava a entender ser indonésia. Era um chinês natural e residente de Macau, e desconheço o que estaria ali a fazer. Teria uma namorada indonésia ali a trabalhar, seria um dos sócios, um pequeno-médio empresário, não sei nem perguntei. Enquanto a minha companhia aguardava pelo petisco caseiro para levar para casa, troquei dois dedos de conversa com o jovem – não teria mais que 30 anos – e o seu inglês corrente tornou a conversa mais longa do que seria de esperar, e até bastante agradável. Gosto de trocar impressões com o cidadão-médio local, saber como vivem, as suas aspirações e anseios, tomar o pulso à massa humana da RAEM. Não o faço com mais frequência ou mais abertamente devido à barreira linguística – não é fácil identificar quem fala português ou inglês sem ter um bom motivo para iniciar uma conversação. Ninguém tem escrito na testa que fala uma língua cristã, ou que está aberto a trocar impresses com um desconhecido sobre temas curriqueiros como a inflação ou a meteorologia. A maior parte das vezes estabelecer a comunicação com alguém que tem qualquer coisa de interessante para dizer depende é produto do acaso.

Claro que tenho os colegas de serviço e alguns amigos, mas estes mostram-se muitas vezes reservados e desconfiam de algumas conversas, rodeando-se de muros altos que não permitam revelar detalhes mais íntimos. Não é à toa que a legislação sobre a protecção dos dados pessoais tenha sido tão consensual. Aqui o dinheiro é uma espécie de religião para muitos, e quanto menos se souber melhor. Mesmo que isto tenha um efeito preverso em termos de transparência, mas serve que nem uma luva a quem nem todos os rendimentos são lícitos. Há quem fique a queimar os neurónios tentando perceber onde vai tanta gente buscar dinheiro para comprar apartamentos de milhões ou suportar rendas astronómicas em alguns espaços astronómicos. Eu explico recorrendo a uma pequena alegoria: investiram no Omo, que lava mais branco. Para bom entendedor…

Mas voltando ao jovem “oumunian”, bastante simpático, diga-se de passagem. De início revelava alguma timidez, típica de quem dialoga com alguém que acaba de conhecer, e ainda para mais um estrangeiro. Após lhe ter revelado a minha longevidade no território, sentiu-se à vontade para me tratar como seu igual, e a partir daqui estava quebrado o gelo. O pontapé de saída da conversa teve como pretexto um pacote de massas instantâneas vietnamitas que observei numa das prateleiras, que ambos concordámos serem uma delícia, e em comum partilhamos o facto de ter visitado o Vietname, que consideramos “barato” em relação ao nosso poder de compra. E já que se falava do que é barato e caro, foi um pequeno passo até tecermos considerações sobre o custo de vida em Macau, a inflação galopante e os seus efeitos na economia doméstica das famílias, e como não podia deixar de ser, o preço da habitação. O que pensamos nós, os portugueses, relação a este aspecto já estava eu farto de saber. Desta vez soube bem desabafar com alguém de cá, que sempre aqui viveu, e que partilha da mesma angústia. Aliás nunca me passou pela cabeça que o preço proibitivo dos apartamentos e o corridinho das rendas fosse um problema exclusivo dos portugueses e restante expatriados. A malta de cá também sofre, e está atenta à situação.

Falei-lhe de como era possível adquirir uma fracção por 300 mil patacas quando cheguei a Macau em 1993, ao que me retorquiu “eu também…quando era pequeno”. Agora que é um jovem adulto e quer fazer a sua vida, é-lhe impossível adquirir habitação própria, e actualmente com 300 mil “só um estacionamento para um motociclo”. Ri-me, pois apesar de não ter piada nenhuma, é uma realidade que não me canso de repetir. Lamentámos não ter aproveitado a crise de 2003/2004, quando a epidemia da SRAS tornou os preços mais convidativos, mas aí está, mas uma vez em uníssono, desabafámos um quasi-filosófico “é impossível prever o futuro”. Quem tivesse conseguido juntar umas economias quando ainda era possível comprar uma casa decente sem a ficar a pagar durante três gerações e adqurido duas ou três, estaria agora no melhor dos mundos. Bolas, que pena. Por acaso isto é uma coisa que me chateia: não ter poderes premonitórios. Não me canso de dizer que gostava de voltar a nascer sabendo o que sei hoje. Dava um jeito do caraças.

Estando em pleno mês de Junho, não podiamos deixar de abordar a questão dos cheques, que em breve começam a chegar aos residentes. Este ano são oito mil patacas, o que apesar de dar algum jeito não é uma panaceia para todos os males. Desabafei que o Executivo tem capacidade para dar cheques de oito mil patacas aos residentes todos os meses, e não apenas uma vez por ano. Só falta mesmo é vontade. Foi aí que o jovem produziu uma verdadeira pérola, uma solução que seria genial caso o Governo se decidisse a pô-la em prática em vez de distribuir cheques feito Pai Natal fora de época: todos os residentes deviam ter direito a habitação própria. Elaborou ainda melhor o conceito, acrescentando que “a habitação seria propriedade do Governo, mas os residentes teriam direito a ocupá-la gratuitamente”. Isto não impediria que se pudesse continuar a vender, a comprar, a especular e a dar a oportunidade em que investe no imobiliário de fazer pequenas fortunas, nada disso. Seria apenas garantir que ninguém ficava sem um local para morar, ser obrigado a viver com os pais já na plenitude da emancipação, ou ser obrigado a constituir família numa caixa de fósforos. “Epá, se este gajo concorrer às eleições de Setembro voto nele sem pestanejar”, pensei com os meus botões.

Já de saída cumprimentei-o, agardeci-lhe os dois dedos de conversa, e apesar de tudo se resumir a mero falatório, soube bem desabafar e trocar impressões. Fiquei a saber mais sobre a classe média, a tal que ninguém sabe muito bem onde anda ou o que pensa. Afinal pensa, sim. E sente, e é filha de boa gente. A ideia redutora de que a população da RAEM é mesquinha, egoísta, com uma mentalidade comercialista e que aceita de bom grado o capitalismo selvagem que se vai praticando porque ambiciona a uma fatia do bolo é mentira. O mercado do imobiliário local, que tantos usam para enriquecer, vai deixando para segundo plano o propósito inicial de levantar prédios e blocos de apartamentos: meter a sua gente lá dentro. Uma vez que esse princípio estivesse concretizado na sua plenitude, seria então legítimo esse logro que é vender por dez ou vinte milhões aos endinheirados do exterior habitações que na realidade não valem metade do valor que pedem por elas. Uns podiam continuar a rir, mas pelo menos ninguém ficava a chorar. Assim estamos a construir a casa pelo telhado. Fui a uma loja indonésia, e fiquei a saber mais de Macau. Irónico, no mínimo, mas uma agradável surpresa.

Espanha imparável, Uruguai goleador


A Espanha imitou o Brasil e terminou o Grupo B da Taça das Confederações no primeiro lugar ao vencer a Nigéria por 3-0. O lateral esquerdo Jordi Alba esteve em destaque ao apontar dois golos, tendo Fernando Torres feito também o gusto ao pé, confirmando a liderança da lista de melhores marcadores do torneio, agora com cinco golos. Na outra partida do grupo o Uruguai desenvencilhou-se da frágil formação do Taiti, vencendo por oito golos sem resposta. Abel Hernández esteve ins[pirado, assinando um "poker", perante uns taitianos que ganharam...experiência. Brasil-Uruguai e Espanha-Itália são os jogos das meias-finais.

domingo, 23 de junho de 2013

Xeque ao Bispo


D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas em Portugal, deu um valente puxão de orelhas aos governantes nacionais, lembrando-os que “o Governo não pode agradecer a resignação a quem sofreu tanto”, e que isso “era o que Salazar pedia”. Discursando por ocasião da XXXII Peregrinação da Diocese das Forças Armadas e Segurança, D. Januário deu como exemplo a actual onda de tumultos no Brasil, que atingiram o seu auge na noite de quinta para sexta-feira, e dos quais resultou um morto. O sacerdote apelou ao patriotismo dos governantes no empenho para resolver os problemas que Portugal enfrenta e onde, recorda, “existem dois milhões de pobres”. Entre a audiência estavam Aguiar Branco e Miguel Macedo, ministros da Defesa e da Administração Interna, respectivamente, que devem ter percebido que as recomendações do bispo se dirigiam a eles; e que as passem aos seus amiguinhos lá no Governo, já agora. Quando a crise ameaça tomar proporções graves, é do exército que depende a soberania do estado. Nada como mandar o clero à frente para arrepiar caminho, e mandar um ou outro recado mais oportuno. Quem avisa, bom bispo é.

Brasil vence Itália


ιταλίαβραζιλία ourmatch.net 发布人 ourmatch
O Brasil venceu ontem a Itália por quatro bolas a duas e garantiu o primeiro lugar do Grupo A da Taça das Confederações, que se realiza no país do samba mediante uma onda de protestos contra o despesismo que implica a organização do mundial de futebol do próximo ano. Indiferentes a tudo isto, os canarinhos deram mais uma prova de eficácia ofensiva (nove golos em três jogos), e bateram uns italianos menos eficazes no último reduto do que nos têm habituado - oito golos consentidos em apenas três partidas não é habitual na "squadra azurra". Dante, que entrou para o lugar do lesionado David Luiz, inaugurou o marcador em cima do intervalo, mas Giaccherini empataria no início do segundo tempo. Neymar encantou com a execução irrepreensível de um livre directo, e Fred fez o 3-1 pouco depois. A Itália ainda reduziu por Chiellini, mas Fred viria a bisar a um minuto do fim, encerrando as contas da partida. No jogo que decidiu o terceiro lugar do grupo o México venceu o Japão por duas bolas a uma, com Javier "Chicarito" Hernandez a apopntar os dois golos da formação centro-americana.

sábado, 22 de junho de 2013

Bebinca de S. João


Realiza-se este fim-de-semana o arraial de S. João, uma tradição antiga que nos tempos da administração portuguesa assinalava o Dia da Cidade, com direito a feriado no dia 24 de Junho. Com a transferência de soberania o feriado municipal foi abolido, o Leal Senado mudou de designação para “Câmara Municipal de Macau Provisória”, e o actual Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) é o que resta da instituição camarária. O seu presidente – actualmente Alex Vong, sem substituição do agora suspenso Raymond Tam – é o que temos mais próximo de um edil. O facto de existir o IACM é visto como uma alternativa à extinção completa do histórico Leal Senado, que se chegou a temer.

Mas S. João continua a ser associado ao Dia da Cidade, e um grupo de resistentes persiste em manter viva a tradição sanjoanina que os residentes mais velhos recordam com carinho. Quantos bailes de S. João serviram de pretexto para uma farra e uma noite bem passada que rivalizasse com os Santos Populares lá em Portugal? Quantos casais se conheceram à volta com um prato de sardinha assada devorado debaixo dos balões e ao som das cantorias popularuchas? Quem não gosta de uma festarola animada cheia de animação, gente bem disposta e dançante, movida pelo calor do Verão acabadinho de chegar e mais desinibida depois de uns quantos refrescos? É a “premise” para mais que uma festa bairrista. É um cartaz turístico com um potencial difícil de ignorar, e não é preciso ser português ou venerar os santos para gostar da festa. Onde mais no continente asiático se vê qualquer coisa deste género?

O bairro do S. Lázaro é a sede do arraial há vários anos, e durante estes dias a Calçada em frente à Igreja com o mesmo nome é decorada com as barraquinhas de comes e bebes e o palco onde as danças folclóricas portuguesas dizem presente. A organização fica a cargo da Associação dos Macaenses (ADM), e muito dos seus associados dão o corpo ao manifesto em nome da tradição, para que não se deixe cair a natureza sanjoanina das gentes de Macau. A comunidade portuguesa corresponde ao chamamento, e mesmo quem conhece de perto o original, não dispensa um saltinho até a este S. João “dos pequeninos”, nem que seja apenas para matar saudades. De Sábado à tarde até Domingo à noite, S. Lázaro fica com um arzinho de Porto/Gaia, mesmo que em miniatura. Só faltam mesmo os martelinhos de plástico (era uma ideia a considerar).

Infelizmente estamos noutra latitude em relação à Invicta, e como tem sido habitual paira sobre o nosso S. João ameaça do mau tempo. A passagem pelo território da tempestade tropical Bebinca (que nome tão patusco) levou a que se içasse o sinal 1 de tufão, e apesar de não se prever que passe perto de Macau, não deixará de nos brindar com uma respeitável chuvada. É mais do que apenas coincidência que a primeira depressão tropical tenha chegado em vésperas do S. João, e isto dá que pensar. Teremos algum desaguisado entre a trindade junina dos santos populares que leve a que o S. Pedro estrague a festa ao S. João em Macau quase todos os anos, e tão pontualmente? Terão estes santos uma relação do tipo Florinda Chan/Pereira Coutinho? O S. João certamente não leva a mal, tão envaidecido que estará com a homenagem que as gentes do Porto e outros afilhados seus lhe prestam lá longe em Portugal para se ralar com a chuva que cai num cantinho do Oriente. Para nós é chato festejar com os pés molhados e de guarda-chuva aberto. Assim não há sardinha ou febra que resista.

Marginais de quatro patas


Todos temos mais ou menos uma ideia do mundo preverso das prisões, e muito pouca vontade de conhecê-lo, ou presenciar na primeira pessoa o que vai para lá das paredes que confinam aqueles cuja vida levou a que paguem desta forma uma dívida com a sociedade. É também mais ou menos do conhecimento geral de que nem sempre – ou quase nunca – se cumprem as regras que proíbem a entrada de certos objectos nas prisões, ou do acesso de reclusos a comodidades que lhes estão interditas, e que são em muito caso perigosas. Uma dessas comodidades são os telemóveis, e apesar de lhes estar vedado o contacto com o exterior, muitos condenados a cumprir pena intramuros têm ou gostariam de ter um meio de comunicar com os seus entes queridos. Nada de mal, se fosse essa o único uso que lhe dessem. O problema é que em muitos casos os aparelhos são utilizados para dar continuidade ao exercício da actividade criminosa. Uma das formas de fazer entrar telemóveis na prisão é através das visitas, que os ocultam em objectos permitidos, ou corrompendo um guarda prisional. Ambas as opções arriscadas e muitas vezes pouco práticas.

Mas um grupo de prisioneiros de um estabelecimento correcional de Komi, na Rússia, teve uma ideia melhor, e providenciou que um cúmplice no exterior lhes fizesse passar telemóveis através de…um gato. A agilidade dos felinos e a sua dimensão que lhes permite subir os muros da prisão e passar por entre as grades parecia garantir o sucesso de uma operação deste tipo. Contudo o agente de quatro patas designado para a missão era talvez inexperiente nestas andanças do crime, e o seu “comportamento suspeito” levantou suspeitas, levando-o a ser interceptado pelos guardas, que apreenderam o contrabando. A forma pouco professional como a operação foi levada a cabo é evidente na imagem. Só alguém muito distraído não ia desconfiar de um gato quase mumificado com fita cola castanha, dando a entender que não andava por ali aos pardais. Como não é possível fazer um gato falar, nem através de métodos menos lícitos, como a tortura, não se sabe quem o enviou, nem a quem eram destinados os telemóveis. Seja como for, os criativos mas ingénuos reclusos que aguardavam a visita do gato vão continuar incomunicáveis por mais algum tempo. Esta é a terceira vez em menos de um ano que um gato é utilizado como “correio” em estabelecimentos prisionais. Em Agosto passado em Rostov, também na Rússia, um felino foi apanhado enquanto transportava heroína na coleira, e no dia de Ano Novo no Brasil, os guardas de uma prisão de Alagoas ficaram estupefactos quando encontraram no recinto um gato que transportava uma serra, uma broca, um telemóvel com cartão de memória e carregador. Devia ser grande, o bichano.

Viver e respirar em Singapura


Singapura está a braços com uma das maiores crises ambientais da sua História, com a poluição do ar a registar níveis alarmantes. Não que a cidade-estado tenha descurado a qualidade do ar que os seus cidadãos respiram através de uma produção industrial desenfreada ou pela utilização de veículos inimigos do ambiente, nada disso. Desta vez a culpa é do vizinho, a Indonésia, onde os incêndios florestais produziram uma densa névoa de fumo que está a afectar os países anexos. O governo de Singapura encerrou 200 escolas na sexta-feira, e apesar do comércio decorrer normalmente e não terem sido cancelados vôos, recomenda-se aos cidadãos que não saiam de casa, ou que pelo menos usem máscara quando circulem na cidade. Foi feito um apelo às autoridades indonésias que “façam mais” para resolver o problema, muito frequente nesta altura do ano. Muitos agricultores e latifundiários na Indonésia realizam queimadas, um método mais económico de desmatação, mas o calor e o vento leva a que muitas vezes os incêndios fiquem fora de controlo. Um daqueles casos de má vizinhança que não se resolve mudando de casa.

Roberta da tromba inchada


Quem se recorda dos anos 80 lembra-se certamente de Roberta Close, um modelo transsexual brasileiro tornado celebridade nacional. Nascido Luís Roberto Gambine Moreira no Rio de Janeiro, sempre se assumiu como transgender, e desde cedo adoptou uma aparência feminina. Em 1984 foi a estrela do Carnaval, e deixou uma legião de brasileiros (míopes?) que “não acreditavam ser um homem”. Foi então capa da Playboy, apesar dos apetrechos que a denunciavam como homem, mas em 1989 fez uma vaginoplastia em Inglaterra e voltou à revista para cavalheiros no ano seguinte, já com uma aparência mais compatível. Em Março de 2005 conseguiu que a justiça brasileira lhe reconhecesse a mudança de nome e de género, depois de quinze anos de tentativas e negas. Antes disso casou com um alto quadro da companhia de lacticínios Nestlé e foi viver para a Suíça, cansada da discriminação de que era alvo no Brasil. Actualmente com 48 anos, Close volta a ser notícia, mas agora pelos piores motivos. Quem sabe se numa tentativa de retardar os efeitos da idade, a modelo “abusou” da bacteria butócita, vulgo “botox”, e a sua nova aparência valeu-lhe uma comparação cruel com o Fofão, um personagem de TV facilmente identificável pelas suas rechonchudas bochechas. Alguns dos seus fãs expressaram a sua tristeza nas redes sociais, incapazes de aceitar a nova aparência de uma mulher que sempre consideraram “bonita”. Bem, gostos não se discutem, mas este nunca me enganou. Nem quando estava no seu auge.

Alegria todo o dia


Frederic Bulot, um médio francês de origem gabonesa a representar actualmente os belgas do Standard Liege, está a ser alvo de críticas depois da sua conduta pouco ética para um desportista de alta competição. O atleta publicou uma fotografia na rede de partilha de imagens Instagram onde aparecia exalando fumo, juntamente com uma legenda onde se lia “fumando erva todos os dias”. Pedrado mas talvez ainda meio sóbrio, Bulto arrependeu-se e retirou a imagem, mas tarde demais: foi copiada pelos seus seguidores, tornou-se viral e visualizada de cibernautas. Choveram críticas quanto ao seu comportamento, e apesar do futebol belga se encontrar no período de defeso, dificilmente se livrará da mão pesada da federação e do seu clube, que certamente não terá achado muita piada à ousadia do seu assalariado. Bulot nasceu em Libreville, no Gabão, há 22 anos, mas emigrou para França ainda pequeno, onde se iniciou no futebol pelas camadas jovens do Tours. Passou pelo Monaco e esteve emprestado ao Caen antes de assinar pelo Standard em 2012. É actualmente internacional sub-21 pela França, depois de ter passado por todas as selecções jovens desde os 15 anos. Um jovem talentoso com um futuro promissor pela frente, e a quem se desculpa o disparate próprio da sua juventude. Só precisa de aprender a ter mais cuidado com o grande poder das redes sociais, que não deixam passar uma faúlha, quanto mais uma gaffe desta natureza.

Os sons do mundo


Um video deveras comovente, que captura o momento em que um pequeno de três anos ouve pela primeira vez a voz do pai. Grayson nasceu surdo, mas graças a uma operação realizada na Universidade da Carolina do Norte, adquiriu quase na totalidade o sentido da audição. Grayson recebeu um implante auditório no seu cérebro, depois de meses de testes no sentido de avaliar este procidemento inédito, que só tinha sido realizado em adultos, e que constitui agora uma enorme esperança para crianças na mesma situação que ele. Depois da surpresa inicial e de um mundo novo que tem pela frente, o pequeno Grayson tem agora pela frente anos de terapia auditiva e da fala. É como nascer outra vez. Agora é só recuperar o tempo perdido.

Portugal estreia-se a ganhar no mundial de sub-20


Nigeria 2-3 Portugal - Bruma 69' 发布人 simaotvgolo12
Portugal estreou-se ontem com uma vitória no Grupo B do mundial de sub-20, que teve hoje o seu início na Turquia. O sportinguista Bruma esteve em destaque ao apontar dois golos, confirmando os atributos que fazem dele um jogador pretendido por vários clubes europeus. Portugal começou bem, e chegou ao intervalo em vantagem por 2-0, com Alidje a marcar aos 34 minutos, depois de Bruma ter inaugurado o marcador aos 30. No segundo tempo os nigerianos fizeram uso do seu poderio físico que os tornam um habitual cliente destes mundiais de juniores, e chegaram ao empate com Ajagun a marcar aos 57 e aos 67. Dois minutos depois Bruma dava o melhor seguimento a um passe de Ricardo Esgaio e voltava a colocar Portugal em vantagem, e depois foi sofrer até ao fim. Estava ganho o jogo teoricamente mais complicado do grupo, e os jovens lusos entravam com o pé direito. Na outra partida do grupo a Coreia do Sul venceu Cuba, mas não foi fácil. Os cubanos, inexperientes nestas andanças, estiveram em vantagem desde os sete minutos, e os coreanos só consomaram a reviravolta na etapa complementar, com um golo de grande penalidade e outro quando faltavam seis minutos para os noventa.

No Grupo A a Espanha mostrou credenciais ao golear os Estados Unidos por quatro bolas a uma. As estrelas da “cantera” do Real e do Barça deram nas vistas, com o “merengue” Jesé Rodriguez e o “blaugrana” Gerard a apontarem dois golos cada. Na outra partida a França bateu o Gana por 3-1, com todos os golos a surgirem apenas no segundo tempo. Um primeiro dia positivo para as equipas europeias, com Portugal, Espanha e França a somarem vitórias.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vai ser tão bom, não foi?


1) Como é já do domínio público, o jornalista e director do Hoje Macau, Carlos Morais José, anunciou que iria concorrer à Assembleia Legislativa na lista do Observatório Cívico, que será como tudo indica encabeçada pela professora universitária Agnes Lam. Num editorial da última segunda-feira, dia em que assumiu a candidatura, CMJ expressou a sua intenção de continuar no cargo de director do jornal de que também é proprietário, considerando o “proforma” de suspender o cargo em nome da independência uma “hipocrisia”. O director justifica-se alegando que suspender a direcção de um media que no fim de contas é seu, em nada contribui para que se elimine qualquer suspeita de falta de isenção. Quer dizer, o jornal é dele, bem como a última palavra na eventualidade de qualquer disputa relacionada com a sua orientação editorial ou conflito com entidades externas. Que diferença faz se assume ou não a direcção?

Contudo há quem não pense assim, e a Associação de Imprensa em Inglês e Português de Macau (AIPIM) veio dizer de sua justiça no dia seguinte. A AIPIM congratulou a decisão de CMJ em candidatar-se, e depois disso sacou da moca, entendendo que “seria ética e deontologicamente mais adequado que o director suspendesse a sua actividade durante o período da campanha eleitoral”. Ooops! Lá está a sacrossanta deontologia a ser chamada para o caso. Com isto da deontologia não se brinca, apesar de muitos jornalistas ainda pensarem que se trata de uma coisa dos dentistas (Deontologia…odontologia. Perceberam a piada? Genial, não é?).

Apesar do comunicado da AIPIM (que soa a um legume brasileiro no idioma tupi) se revestir de mera recomendação, o facto de CMJ insistir em manter-se na frente do jornal de que é proprietário caíu mal, e a atitude mereceu reprovação nas redes sociais em língua chinesa (?), que condenaram a persistência do jornalista em manter a “incompatibilidade”. Em vez de emendar a mão e abandonar a direcção do Hoje, CMJ preferiu retirar a candidatura, temendo que a hesitação fosse utilizada para denegrir a lista durante a campanha, com prejuízo para a sua número um. A AIPIM reagiu dizendo que apenas actuou de acordo com as regras, sem olhar a nomes ou a situações excepcionais, e eu acredito. O que veio partir a loiça foi a reacção negativa que a decisão de CMJ teve na opinião pública. Surpreende-me que a massa crítica local tenha estado atenta a uma controvérsia “portuguesa”. Não é nada habitual.

Tenho pena que Carlos Morais José tenha desistido da candidatura. É público que sou seu fã, e venho seguindo o seu trabalho desde que cheguei ao território em 1993. Tenho a certeza que na remota possibilidade de ser eleito deputado elevaria a media do QI na Assembleia Legislativa – o que não seria muito difícil, falando a sério. Contudo a sua presença na lista do Observatório Cívico, mesmo debaixo do fogo das críticas, não teria influência no resultado da lista: dificilmente Agnes Lam será eleita, com ou sem um nome português, polémicas à parte. Os apoiantes de Agnes Lam não deixariam de lhe confiar o voto por causa de uma ninharia destas, e nem a retirada da candidatura do jornalista português terá mais ou menos influência no resultado do próximo dia 15. Atrevemo-me mesmo a duvidar que a presença de CMJ nesta lista atrairia um número significativo de eleitores portugueses ou de origem portuguesa. Talvez fizesse alguma diferença se a eleição de Agnes Lam estivesse à partida garantida e CMJ fosse o seu nº 2. Penso que nunca ficaramos a saber, portanto.

O que mais me surpreende é a rápida reacção das redes sociais indígenas, e o repúdio pela possibilidade de existir “falta de isenção” do candidato português de uma lista que, vendo bem, não é sequer uma das mais “lobbyistas” que se apresentam a sufrágio em Setembro. Não entendo como a intelligenzia chinesa se agita tanto perante uma situação deste tipo mas permanece apática e amorfa perante outras mais gritantes e até surrealistas que se passam no território a um ritmo quase alucinante. Não coloco de parte a hipótese de existir ali o dedo de alguém com uma agenda bem definida contra as listas de matriz “democrática”, que se demarcam das forças tradicionais, fora da esfera dos interesses económicos e empresariais. As eleições em Macau requerem uma “matreirice”, e não faltam profissionais do “chico-espertismo” a minar o campo de batalha eleitoral. O Observatório Cívico foi apenas a primeira vítima, e nem foi dado ainda o tiro de partida. Um aviso para os restantes desafiadores do sistema.

2) Angela Leong apresentou ontem a sua candidatura, o que aconteceria mais cedo ou mais tarde. A quarta mulher do magnata da Sociedade de Jogos de Macau, Stanley Ho (que para todos os efeitos é viúvo e só casou uma vez) tem o forte apoio dos trabalhadores da indústria do jogo, e só um descalabro evitará que seja reconduzida num terceiro mandato – a empresária faz questão de garantir que os empregados da sua empresa votam nela, e não disfarça sequer o uso de métodos semi-coercivos para ter certeza que o fazem. Mas Angela Leong quer ir mais longe, e desta vez apelou ao voto dos eleitores portugueses e macaenses, lembrando “o que Stanley Ho fez por eles ao longo de todos estes anos”. Como português e como eleitor recenseado tanto em Macau como em Portugal, vou-me lembrar disso da próxima vez que votar nas eleições legislativas em Portugal. Só não acredito é que a senhora se candidate…

A vã glória de mandar


É sexta-feira...yeah...trabalhei a semana inteira...yeah...e é tempo de publicar o artigo semanal do Hoje Macau. Bom fim-de-semana, recos!

O homem é por natureza um animal politico. Desde que alguém bem intencionado teve um dia a brilhante ideia de escolher representantes para tratar do funcionamento das instituições, a governação e a segurança do povo, das tarefas mais aborrecidas, outro alguém decidiu subverter algumas destas responsabilidades e com isso chamar a si o poder. Entrar no jogo da política é o pináculo da afirmação, o supra-sumo da identidade social. Faço política, logo existo, e faço questão que se saiba que existo. Aqui estou eu, pronto para servir a sociedade, disposto a sacrificar a minha privacidade e tempo livre e dar o meu melhor para contribuir para a sociedade. Quem pode resistir a tão generosa oferta? Que homem tão corajoso, disposto a “trabalhar para nós”, sujeito ao desgaste da sua imagem e às vertigens da popularidade. Para que se concretize esta espécie de “magia” basta colocar uma cruzinha ao lado do seu nome e lá vai ele, qual cavaleiro andante de armadura reluzente numa cruzada pelo bem. É pena que não seja bem esta a imagem que se tem dos políticos e da política. Temos que reconhecer que é muito mais encantadora. E menos deprimente, também.

Nas sociedades que têm a sorte de viver numa democracia pluralista que lhes permita eleger em liberdade os seus representantes, há um ciclo que se repete de quatro em quatro anos: o acto eleitoral. “Outra vez? Que grande chatice” – dirão alguns políticos quando é ano de eleições – “Mas quem são estes gajos para dizerem se fico mais quatro ou se vou embora? O que é que eles sabem?”. Nos círculos onde existe uma tradição democrática solidamente enraizada, não se permite sequer questionar a validade das eleições, sob pena de “morte política” (é como a morte normal, mas fica-se vivo). Fica bem aceitar a derrota com um desportivismo “democrático”, elogiando a participação do eleitorado e tecendo loas à democracia. Mesmo que a vontade seja de mandar todos à fava. Apesar do despesismo, do incómodo e da poluição ambiental e sonora que provoca a campanha eleitoral, o sufrágio é a única forma eficaz de fiscalizar a acção da política, avaliar os políticos e lembrá-los que estão ali para trabalhar, e caso não sirvam cedem o lugar a outros. Infelizmente nem sempre se faz a escolha mais acertada, e mesmo que se mudem as moscas continua a mesma…bem, já sabem. Mas pelo menos o direito de poder escolher e de mudar de moscas é uma garantia preciosa. Pelo menos temos forma de correr com os gajos que nos andaram a enganar durante quatro anos. Vingança, doce vingança.

Não censuro os políticos, mesmo que tomem medidas que não me agradem ou que me prejudiquem. Consolo-me com o facto de que tenho alternativas, e mesmo que o tipo que me tramou seja reeleito não me resta senão respeitar a vontade da maioria – mesmo que seja uma maioria de cavalgaduras com tendências masoquistas. A democracia permite até que manifestemos a nossa insatisfação com o elenco governativo eleito sem que estes nos deportem para um “gulag” ou se recusem a tratar com e mesma deferência que o seu eleitorado. Quando o General António Ramalho Eanes, que muito estimo, disse aquando da sua eleição para Chefe de Estado: “serei o presidente de todos os portugueses”, resumiu este conceito em apenas uma frase. Foi uma tirada de génio.

Mesmo que apenas nos seja permitido exercer o nosso dever cívico aos 18 anos, na plenitude da maioridade (se as crianças pudessem votar, votavam no MRPP), é ainda durante a infância e a adolescência que temos o primeiro contacto com essa meretriz traiçoeira que é a política. Elegemos os delegados de turma, negociamos com os professores as datas dos testes, votamos para a associação de estudantes. Somos uns democratas como deve ser. Lembro-me de ter feito parte da associação de estudantes que venceu as eleições no Liceu, uma eleição tão renhida e participada que deixaria as presidenciais americanas rubras de inveja. E o que fizemos depois de eleitos? Nada, como qualquer político que se preze. Fizemos meia dúzia de reuniões onde a maioria aparecia com um sorriso parvinho como quem diz “olha para mim aqui a mandar, mamã”. Ao fim de algum tempo ninguém estava para se chatear e ficar na escola durante as horas livres, e desistimos. Em suma, fizemos política. Política-júnior, mais precisamente.

Em Macau também temos eleições, “or something like that”. É no dia 15 de Setembro que se vai eleger pela via directa e do voto popular catorze deputados para a Assembleia Legislativa recorrendo a um método inspirado no de Hondt, só que aldrabado. Os resultados das eleições não determinam a formação de um Governo, como outras por esse mundo fora, mas nem por isso têm menos valor. Os nossos políticos, que os temos, mesmo que em regime de part-time, vão fazer uso da sua imaculada imagem, aparecendo em cartazes sorrindo de orelha a orelha ostentando camisolas foleiras com as cores e a simbologia das suas listas, ao mesmo tempo que dizem que nos vão servir e aos nossos interesses…Esperem, não é preciso repetir. Basta uma remissão para o primeiro parágrafo. No fundo é um pouco como a própria política; no final volta tudo ao início. É baralhar e voltar a dar. Mas pelo menos nesse dia, um em cada olimpíada, temos algo valioso que deixa os políticos a salivar: o voto. E só por isso já vale a pena brincar à política, apesar de tudo.

Vídeo da semana


Os japoneses são conhecidos pela sua atração pelos mais variados tipos de fetiches sexuais, mas este mais recente tem causado preocupação ao nível dos cuidados de saúde. Trata-se de "lamber o olho" - o de cima. Os japoneses andam doidos por lamber os olhos uns dos outros, enfiando a linguona no globo ocular do parceiro ou da parceira. A moda resultou numa epidemia de conjuntivite e outras infecções do globo ocular. Não surpreende, pois sabe-se lá onde andaram aquelas línguas antes de "darem nas vistas"?

Espanha chega à dezena


A Espanha goleou ontem o Taiti por dez golos sem resposta na segunda ronda do Grupo B da Taça das Confederações. O resultado, o mais volumoso de todas as fases finais de competições organizadas pela FIFA, espelha a diferença entre as duas equipas: os espanhóis são campeões da Europa e do mundo, o Taiti é uma equipa semi-amadora. Fernando Torres fez o gosto ao pé por quatro vezes, e ainda se deu ao luxo d falhar um penalty, David Villa marcou três, David Silva dois e Juan Mata um golo. A Espanha ainda não está matematicamente qualificada para as meias-finais, mas só um descalabro no Domingo frente à Nigéria deixará os espanhóis fora da "final-four".


No outro jogo o Uruguai deu um passé importante rumo às meias-finais ao bater a Nigéria por 2-1. Os uruguaios tinham saído derrotados pela Espanha na primeira ronda, e só necessitam bater o frágil Taiti por mais de cinco golos de diferença no Domingo para acautelar quaisquer surpresas desagradáveis nas contas finais. A Nigéria, actual campeã africana, está a braços com uma crise interna devido a um conflito entre jogadores e federação por causa dos prémios de jogo. Dificilmente as "águias negras" encontrarão o discernimento necessário para bater a Espanha e aspirar a seguir em frente na prova.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O "dar na veia" virtual


Vi ontem uma reportagem no programa “O nosso tempo” da RTP sobre indivíduos viciados em jogos online. Um tema interessante, um “case-study” na área da psicologia. Quando se tratam de crianças ainda se aceita, e pode ser entendido com apenas uma “fase”. Os putos depois fartam-se daquilo e vão fazer outra coisa, e se não forem levam dois safanões e deixam de ser parvos. Mas o que leva um adulto normal e aparentemente na posse de todas as suas faculdades mentais a ficar viciado nos jogos da internet ao ponto de requerer tratamento? Num dos casos o entrevistado, um ex-viciado da rede, esteve internado durante oito meses numa instituição psiquiátrica! Incrível. Como foi possível chegar a esse ponto?

Todos conhecemos casos de viciados “clássicos”, ora dependentes de substâncias como o álcool ou a droga, ora jogadores compulsivos, onde o casino é o antro de perdição. A dependência física provocada pelas substâncias ou a comprovada problemática do vício do jogo têm um efeito devastador sobre os indivíduos, as suas famílias e a própria sociedade em geral, levando-o a uma espiral de decadência que o deixa fisicamente debilitado ou arruinado. Para fazer face a estes problemas e reabilitar as suas vítimas retirando-os da esfera da marginalidade existe um conjunto de soluções, algumas com eficácia comprovada. O problema do jogo ou da droga foram há muito identificados, e os profissionais encarregados da recuperação das vítimas destes flagelos têm uma respeitável “escola”, que produz um leque vasto de soluções eficazes. Mas o que fazer com um tipo que passa o dia em frente ao computador entretido com joguinhos, ao ponto de perder a noção do tempo?

Nunca entendi bem porque ficam as pessoas viciadas no jogo, perdendo o que têm e até o que não têm nas mesas de jogo e afins, ainda para mais tendo consciência que estão a deitar dinheiro fora, e é muito improvável que o recuperem. Eu próprio ainda suspiro pelas 200 patacas que deixei numa “slot-machine” do Lisboa, e posso ficar horas a assistir ao “big and small” sem que por isso me dê vontade de apostar. No entanto aceito a teoria de que o cérebro humano tem uma queda para o jogo, e desde tempos remotos que a batota tem seduzido o Homem e constituído fonte de problemas. O que é mais difícil de aceitar é que alguém fique horas a destruír frotas espaciais inimigas imaginárias ou a plantar hortas virtuais sem que gaste ou ganhe um tostão, ou que daí resulte algo de realmente produtivo ou sequer palpável. Muito boa gente gasta parte do seu dia nesses jogos, e tem o discernimento para interromper a brincadeira e ir fazer o que tem que fazer. Todos sabemos que se não conseguirmos passar do nível 20 de uma merda de jogo qualquer, este lá outra vez amanhã à espera de outra tentativa.

No entanto tenho que reconhecer mérito aos programadores que inventam estes jogos, alguns muito imaginativos e até se pode dizer….”viciantes”. Só que aqui por “viciantes” quero dizer que dêm gozo jogar, que mantenham um tipo entretido durante uma hora ou duas enquanto não sai o jantar ou se ainda é cedo para dormir, não ao ponto de manter alguém agarrado 48 horas consecutivas ou ao ponto de requerer internamentos de oito meses e tratamentos de choque. Se no caso da droga ou do jogo o indivíduo recuperado evita voltar a procurar estupefacientes e entrar novamente num casino, o que acontece a um ex-viciado em jogos online? Nunca mais vai à internet para o resto da vida? Parece-me improvável, e até um pouco estúpido. Só faltava cortar-lhe os dedos, não vá precisar de fazer uma consulta na Wikipédia e use isto como pretexto para entrar num jogo de “trivia” e fique novamente “agarrado”.

Curiosamente o Facebook é fértil neste tipo de jogos que cativam as massas, cuja maioria, felizmente, joga com moderação ou fica farto a certo ponto e nunca mais joga. Há uns anos tivemos a moda do Farmville, que deixou milhões de cibernautas insuspeitos de todos os quadrantes e estratos sociais a plantar tomates e tratar de animais virtuais, obtendo assim pontos que depois lhe permitiam comprar celeiros e tratores, e “ajudando os vizinhos” (outros jogadores seus amigos no Facebook) ou “oferecendo-lhes prendas” de modo a poder passar de nível e “ampliar a quinta”. Conheci indivíduos que tinham duas ou mais contas no Facebook para poderem oferecer prendas raras a si mesmo. Claro que por muito habilidoso que se fosse neste tipo de agricultura de sofa, não se ganhava realmente nenhuma quinta com um lago de cisnes e uma árvore de açaí em frente à granja. A moda depois passou, e não conheço ninguém que ainda jogue Farmville. Os seus criadores ainda se lembraram de uma “Farmville 2”, e existem outros jogos semelhantes, mas a moda já era. Deu-se o exôdo do campo para a cidade, e as quintas foram abandonadas. Paciência.

Depois disso tivemos o “Angry Birds”, a resposta da Apple para rivalizar com os jogos do Facebook, e que coincidiu com a moda dos “smartphones”. Este “Angry Birds”, que nunca joguei e feria o meu sentido de estética, era tão popular que originou “merchandise” em forma de t-shirts, mochilas escolares, chávenas de café e mil e uma coisas. Todo o mundo se entretia em catapultar passarões para cima de porcos que lhes tinham roubado os ovos onde estavam a suas crias ainda por nascer. Ou qualquer coisa assim. Como, repito, nunca joguei, perdoem-me se estou a cometer alguma heresia. O jogo já tinha passado de moda quando chegou às consolas e aos PCs. As crianças de 4 anos de idade e menos ainda lhe acham alguma piada, mas passados alguns minutos a atenção vira-se para outra coisa qualquer mais colorida. Perde consistência a teoria de que estarei a offender algum leitor revelando a minha ignorância sobre o conteúdo e objectivo do jogo, portanto. Fico mais descansado.

Actualmente temos o “Candy Crush”, que é uma versão revista e aumentada do fenómeno. Quando se vê alguém a usar o iPhone ou o iPad em qualquer sítio, existe 85% de possibilidade que esteja a jogar “Candy Crush”. Os criadores tiveram a argúcia de elaborar centenas de níveis, e não sei se é possível chegar ao fim do jogo (não conheço ninguém). Assim garante-se que o ópio chega para todos e não acaba depressa. De todas as modas, esta foi a que aderi com mais ou menos convicção, mas nunca ao ponto de gastar mais de 20 minutos por dia ou um pouco mais ao fim-de-semana. Como sou um diletante por natureza e irrita-me ficar muitos dias sem conseguir passar um nível, é provável que fique farto muito em breve e parta para outra. Mas quando o “Candy Crush” for parar ao grande ferro-velho dos jogos electrónicos, surgirá com toda a certeza outro. Existe agora um tal de “Bubble Witch”, que promete, tendo já feito mexer os entendidos. Se daqui a um mês for considerado a maior invenção da humanidade depois da roda, lembrem-se que foi aqui que ouviram falar pela primeira vez (os que já não conhecem, claro).

O facto de estar aqui a falar de tudo isto e os leitores perceberem do que se trata é indicador da crescente influência deste tipo de entretenimento nos nossos dias. No tempo das Ataris e dos Commodores, ou mesmo da Sega e da PlayStation, estes jogos eram sobretudo destinados aos mais pequenos ou indivíduos imaturos e desocupados (depois o Wii mudou tudo, e pode-se mesmo dizer que foi um marco na mudança dos costumes). Hoje temos gente de todas as idades a procurar estes jogos para preencher as suas horas de lazer, as horas mortas no trabalho, ajudar a tornar menos aborrecida uma longa viagem de autocarro ou o tempo que se espera pela consulta no médico. É verdade que ficamos desumanizados de cabeça baixa a mexer em botões e com os olhos no ecrã, alheios ao que nos rodeia e evitando o contacto com outro ser humano, mas o que fazer perante a implacável marcha da tecnologia? Recusar-se a aceitar o progresso é teimosia. Rejeitar o mundo que se renova é um sintoma de que se está com os pés para a cova. Agora é preciso apenas que se saiba quando parar, dizer basta, largar o PC, o smartphone ou seja lá o que for, levantar novamente a cabeça e encarar todo o resto – que é muita coisa. O dia em que não consigamos impôr estes limites acabamos como aqueles tipos que “injectam jogos para a veia” e depois recorrem à medicina para os tirar do buraco. E isto é o que se chama fazer uma figura triste, meus amigos. Um figurão.

Ciao bello


Faleceu ontem aos 51 anos o actor norte-americano de ascendência italiana James Gandolfini, celebrizado pelo seu papel de Tony Soprano na sé "The Sopranos". Gandolfini sofreu uma paragem cardiac enquanto gozava férias em Roma, no país dos seus ancestrais. Gandolfini foi nomeado inúmeras vezes para vários prémios pelo seu papel de patrono da família mafiosa, tendo vencido o Globo de Ouro em 1999. Ontem o actor que prendeu a América e o resto do mundo aos ecrãs entre 1999 e 2007 foi traído pelo coração, a que não sera alheio o facto de possuir um largo porte.

13


Uma boa notícia para os amigos metaleiros satanistas: os Black Sabbath estão de volta! E não é tudo, pois os três elementos da formação original, Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler reuniram-se para gravar juntos pela primeira vez em 34 anos! O resultado foi o album "13", e apesar da idade avançada dos roqueiros (todos a caminho dos 70), é pesado. Muito pesado. O disco entrou directamente para o primeiro lugar do top britânico, e o single de apresentação é este "God Is Dead". Pode ouvir o álbum completo aqui.

Brasil e Itállia qualificam-se


Brasil e Itália qualificaram-se para as meias-finais da Taça das Confederações, depois de somarem a segunda vitória em outros tantos jogos do Grupo A do torneio a realizar-se actualmente no Brasil. Os brasileiros derrotaram o México por duas bolas a zero no Estádio Castelão, em Fortaleza. Os "canarinhos" voltaram a entrar bem, e marcaram aos seis minutos por Neymar, mas precisaram de esperar até ao último minuto para voltar a festejar, quando Jô fez respirar de alívio a formação do nosso conhecido Luiz Filipe Scolari.


Na outra partida do grupo houve emoção e golos a rodos na Arena Pernambuco, no Recife, com a Itália a bater o Japão por 4-3. Os italianos não ganharam para o susto, pois aos 33 minutos encontravam-se em desvantagem por dois golos. Não foi um jogo fácil para o árbitro argentino Diego Abal, que cometeu erros que prejudicaram as duas equipas. O jogador da Juventus Sebastian Giovinco decidiu a partida com um golo aos 86 minutos, que deixa os italianos na liderança do grupo em igualdade pontual com o Brasil, mas com desvantagem na diferença de golos marcados e sofridos.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Limpinho, limpinho


A capa do Ponto Final de hoje. Genial!

A Secretária para Administração e Justiça Florinda Chan não será mais arguida no “caso das campas”, decidiu o Tribunal de Ultima Instância (TUI) durante o debate instrutório realizado ontem. O TUI não encontra provas qualquer ligação entre a Secretária e a atribuição alegadamente ilícita de dez campas definitivas no Cemitério de S. Miguel em 2001, denunciada como um caso de abuso de poder no exercício das funções. O actual president do IACM, Raymond Tam, e o seu número dois, Lei Wai Nong, são agora os únicos arguidos no processo. Um desfecho que não constitui surpresa, uma vez que praticamente ninguém duvidava que Florinda Chan fosse julgada pelas acusações que lhe eram imputadas. Mais uma vez foi “o outro menino”.

Este lamentável caso veio à luz do dia há dois anos, quando a advogada Paulina Santos denunciou a concessão irregular de dez campas no maior e mais conhecido cemitério de Macau, depois de ter visto recusada a concessão de uma campa permanente para o seu recém-falecido irmão – para quem não sabe, Paulina Santos é irmã do também advogado e deputado à AL, Leonel Alves. Depois da notícia ter saído na imprensa, Florinda Chan negou que uma das campas atribuídas fosse a do seu pai, um rumor que chegou a circular. De tudo o que tem vindo a público nesta bronca, essa é a “one million dollar question”: afinal quem são os requerentes das tais campas permanentes? Será que algum dia ficaremos a saber? Será producente para o desfecho do processo que se fique a saber? Cherchez la femme.

Quem aproveitou para retirar dividendos do caso foi o deputado José Pereira Coutinho, que praticamente desde a chegada da Secretária ao seu posto em finais de 1999 lhe tem feito uma guerra sem quartel, assumindo-se como um dos seus maiores críticos. Quem os conhece a ambos é familiar com o facto de terem sido colegas na Direcção de Serviços de Economia, onde o agora deputado e presidente da ATFPM desempenhava funções de fiscal. A animosidade revelada agora numa esfera mais mediática terá laivos de “ajuste de contas”. Um jornalista d’O Clarim publicou em 2011 uma reportagem sobre o caso, tendo sido advertido e levando o semanário da Igreja Católica a demarcar-se da polémica e chegado mesmo a mudar a sua orientação editorial, relembrando a sua natureza eclesiástica. Falou-se então de censura. Começava a ficar feio, e apesar da tentativa de se abafarem os factos, parecia ter-se chegado ao ponto do não retorno. Tinhamos material para intervenção judicial.

Em suma, um processo que tem todos os ingredientes de novela das oito: vingança, ajuste de contas e lavagem de roupa suja em público. Com a excepção deste terceiro, julgo mesmo que tivemos telenovelas com estes títulos. Raymond Tam, que exercia desde 2007 as funções de presidente do IACM em substituição de Lau Sio Io, que foi para o lugar do malogrado Ao Man Long na Secretaria para as Obras Públicas, foi agora suspenso por 90 dias. Ainda o mês passado demitiu-se da Comissão Eleitoral por “motivos pessoais”. Motivos a que não serão alheias as críticas de vários sectores depois de ter insistido em manter-se no cargo depois de noticiado o seu envolvimento neste caso das campas. Para o seu lugar foi agora indigitado o ex-presidente do Instituto de Desporto, Alex Vong, tendo o vice José Tavares assumido as funções de presidente-interino do IDM. Uma operação de cosmética levada a cabo em tempo recorde pelo Executivo.

Há quem especule que esta mexida estaria já a ser pensada pelo Executivo na próxima legislatura, e é muito provável que Raymond Tam não regresse ao cargo de que foi agora suspenso, e que Alex Fong seja mesmo o presidente do IACM para os próximos anos. Não sei que desfecho terá o caso das campas, mas dificilmente os arguidos sairão com um leve puxão de orelhas – e não esquecendo desde já o princípio da presunção da inocência. Contudo não se augura um novo caso Ao Man Long nem nada que se pareça, atendendo aos valores e à própria complexidade deste processo. Contudo a opinião pública não estará a achar muita piada a todo este diz-que-disse e fez-que-fez, e o Executivo não se livra do embaraço e de uma enorme dor de cabeça. Fica complicado exigir aos residentes que cumpram escrupolosamente a lei quando os exemplos que chegam de cima não são os melhores. E mais uma vez: trata-se de campas, da última morada dos mortos. É já desagradável que se façam tricas com as concessões de terrenos, que a especulação imobiliária tome contornos de epidemia com prejuízo da classe média e da camada mais baixa da população no acesso à habitação, um direito que devia ser mais respeitado. Agora campas…cemitérios…túmulos, é tétrico. Será que existem limites?

PS: Sobre o que foi dito na imprensa sobre o assunto, nomeadamente na portuguesa, a única a que tive acesso, prefiro não me alargar em grandes comentários. Cada um tem direito à sua opinião, mesmo que isso leve à prática de alguma desonestidade intelectual em nome da empregabilidade e do dinheiro a cair na conta ao fim do mês. Não que este desfecho me deixe quaisquer dúvidas sobre a inocência da pessoa em causa. O princípio da presunção da inocência é-me também muito querido, e considero que é melhor deixar um culpado sair em liberdade do que condenar um inocente. O que me deixa perplexo é a certeza sobre a cristalina eficácia da justiça, a transparência e a limpidez do sistema. Aliás a transparência é tal que às vezes dou por mim a espetar a tromba no seu vidro imaculado quando ando pela rua. Preciso de tomar mais cuidado, acho.

Mein geliebten Führer... (meu querido líder)


O líder norte-coreano, Kim Jong-un, ofereceu cópias de "Mein Kampf" (A Minha Luta), do ditador nazi Adolf Hitler, a altos responsáveis do regime comunista, segundo revelou um portal de informação dirigido por desertores norte-coreanos. Kim Jong-un distribuiu as traduções do manifesto por ocasião do seu aniversário, em Janeiro, de acordo com o New Focus International, encorajando os altos quadros do seu regime a olhar para a obra como um manual sobre liderança. O artigo, que tem como fonte um responsável norte-coreano não identificado que trabalha na China, é citado hoje pela maioria dos títulos da imprensa sul-coreana. Ainda como forma de celebrar o seu aniversário o "querido líder" distribuíu às crianças do país...rebuçados. Ufa!

Actualização: Kim Jong-Un negou a notícia e condenou qualquer associação entre si e Adolf Hitler, ou o livro "Mein Kampf"

Camaleão, cherne ou enguia?


Um jovem Durão Barroso na sua fase de apaziguador

O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, está debaixo do fogo dos franceses, que não gostaram de certas afirmações suas. O governo francês defende a excepção das indústrias culturais nas negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos, garantindo assim a protecção da produção artistica na Europa. Barroso não gostou da rebeldia e chamou os franceses de “reaccionários”, o que não caíu nada bem na aldeia dos irredutíveis gauleses. O presidente da CE defende-se dizendo que as suas afirmações foram “mal transcritas”, mas eu próprio recuso-me a acreditar – Durão Barroso apanhou essa mania de chamar “reaccionários” a toda a gente dos seus tempos de militante do MRPP. Ontem o “Le Monde” foi especialmente duro com o português, chamando-o de “camaleão” e acusando-o de se estar a posicionar para um alto cargo na ONU ou na NATO, que lhe possa garantir “uma bela reforma”.

O nosso Zé Manel foi um dos pontas-de-lança do cavaquismo, tendo ficado celebrizado ainda enquanto Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação com a assinatura em 1991 dos Acordos de Bicesse, uma iniciativa sua, que estipulou um cessar-fogo entre o MPLA e a UNITA e a realização das primeiras eleições livres e democráticas em Angola. Apesar do fracasso da paz na ex-colónia portuguesa (culpa da teimosia de Savimbi), Durão Barroso era um jovem politico a seguir com atenção, e mais tarde chegaria a Ministro dos Negócios Estrangeiros até a derrota do PSD e o fim do reinado laranja em 1995. Foi em 2002 que regressou triunfante como secretário-geral do seu partido, vencendo as legislativas e terminando com sete anos de governo PS. Ficou célebre uma afirmação da sua mulher Margarida de Sousa Uva durante a campanha, quando num comício disse que se o marido fosse um peixe, “seria um cherne”. Não terminou o mandato que exerceu em coligação com o PP, pois em 2004 foi convidado para o cargo que ocupa actualmente em Bruxelas. Decisão sensata, pois já naquela fase a situação em Portugal não cheirava muito bem. Teve visão, o senhor. O “Le Monde” anda mal informado, portanto, quando o apelida de “camaleão”. A mulher chamou-lhe de “cherne”, e depois esgueirou-se que nem uma enguia para a Comissão Europeia. Quem sois, ó Durão?

Mário Nogueira: suspeito...muito suspeito


Quem vê com mais ou menos frequência os noticiários da RTP conhece este senhor. Quem não vê também. Na realidade é difícil nunca ter visto este rosto tão facilmente identificável graças ao bigodinho “retro” que sobreviveu ao evento do novo milénio. Agora que estabelecemos que o personagem é familiar, vamos ao seu nome: Mário Nogueira. Não tem importância se não sabia. Profissão: professor. Ou será mesmo assim? Mário Nogueira é o presidente da FENPROF, o sindicato que representa os professores portugueses. Há quanto tempo? Vinte e dois anos, e está dispensado desde então das salas de aula por motives de “actividade sindical”. Há mais de duas décadas que não atura os alunos. Uma pergunta pertinente: é professor de quê exactamente? Acho que já nem ele próprio se lembra, mas pela pinta arrisco a dizer “Electrotecnia”. É nas alturas de grande agitação por parte do pessoal docente contra as políticas do Governo que Mário Nogueira atinge o seu apogeu; não há greve ou manif dos professores onde não apareça, pedindo a cabeça do Ministro da Educação. E desde que está à frente da FENPROF já azucrinou a vida a nem mais nem menos que 13 (treze) ministros. Fossem realmente peças de caça com a cabeça a prémio e Mário Nogueira tinha um salão com as paredes repletas de troféus.

É um personagem misterioso, este Mário Nogueira. Misterioso e por inerência suspeito. Nunca o vi sorrir, nunca o vi na televisão, seja numa entrevista, ou atendendo a um evento, num “talk-show” ou num concurso do tipo “Dança Comigo”, qualquer coisa onde manifeste um lado humano. Nada disso. Só em manifs, abaixo o ministro ou a ministra conforme o caso, todos à rua, vamos aderir à greve. Parece um disco riscado. Se calhar é por isso que a malta do “Cinco para a Meia-Noite” nunca o convidou para lá ir. O seu discurso em mono ia derrubar recordes mundiais de tédio. E o que vai fazer este Mário Nogueira quando a artrite já não permitir que desfile agitando o punho cerrado bradando palavras de ordem? Vai à vidinha dele. O bom do Mário desconta para a reforma há 32 anos…como professor. Mesmo sem saber o que é dar uma aula desde 1991. Falai com conhecimento de causa e sê coerente com ti mesmo, disse uma vez um velho sábio. Com que cara vai um professor recorrer ao seu sindicalista quando este já nem se sabe o que é ser professor? É irónico que exija a demissão de ministro atrás de ministro, enquanto se mantém de pedra e cal no mesmo cargo há tanto tempo. Não podiam arranjar outro gajo lá para a FENPROF, nem que fosse em nome de uma sã alternância democrática? Estou farto do Mário Nogueira.

Um momento de claridade


Um homem no Reino Unido perdeu 28 polegadas de cintura após ter realizado uma operação laser para corrigir a sua miopia. Não, não se trata de um efeito secundário da operação até agora desconhecido, nem sequer de alguma dieta revolucionária que inclui terapia laser. Trata-se de passar a enxergar melhor, simplesmente. Michael McCarthy, um ilustrador de 30 anos de Essex, Inglaterra, era obrigado a usar óculos extremamente graduados devido à miopia que afectava a sua visão, ao ponto de não conseguir ver um palmo à frente do seu nariz sem o auxílio das lentes grossas. Como temia que os óculos se partissem, McCarthy movimentava-se com cuidado, evitava mexer-se bruscamente e não praticava qualquer desporto. A sua condição levava-o a ficar deprimido, o que compensava comendo mais do que a sua limitada mobilidade recomendava. Procurou ajuda, e foi no London Vision Clinic, na capital inglesa, que o dr. Dan Reinstein lhe sugeriu o procedimento, completamente indolor e com a duração de seis minutos. A operação foi um sucesso, tendo McCarthy ficado com a visão completamente restaurada, abrindo-se assim um mundo de novas perspectivas. Passou a praticar desporto, a mexer-se como nunca tinha feito antes, e rapidamente passou de uma cintura de 60 para uns elegantes 32. Quando divulgou a sua nova aparência no Facebook, os seus amigos nem o reconheceram – como é fácil comprovar pela imagem acima. Recuperou a sua auto-estima, perdeu a timidez e começou a sair com o sexo oposto. Há um novo gato no pedaço, meninas. Além das vantagens em termos de qualidade de vida, McCarthy demonstra ainda mais entusiasmo no seu trabalho, e ambiciona dedicar-se mais a uma carreira na ilustração, que faz para filmes e televisão. Tudo graças a um procedimento que demorou apenas uma fracção do tempo de uma lipo-aspiração. É caso para dizer que muitas vezes a solução está à nossa frente. Basta abrir os olhos e encontrá-la.

O outro Brasil (há vida além do futebol)


This is not the Lambada, gringo

O mundial de futebol de 2014 vai realizar-se no Brasil, como se sabe, pela segunda vez na História. A primeira vez que o nosso país irmão recebeu a maior competição do desporto-rei foi em 1950, e que teve uma final triste para os adeptos canarinhos, reconhecidos mundialmente como os maiores adeptos da bola, bem como os seus artistas mais talentosos. Há 63 anos o título mundial discutia-se numa ronda de quatro finalistas, e depois de derrotar a Suécia e a Espanha, bastava ao escrete um empate frente ao vizinho Uruguai para garantir que a copa ficava em casa, e o Brasil se sagraria pela primeira vez campeão do desporto que os ingleses inventaram, mas que eles embelezeram. No dia da final os jornais traziam a fotografia da equipa brasileira e lia-se em letras garrafais: “Eis os novos campeões do mundo”. Os festejos antecipados faziam-se em toda a parte, e eram teoricamente justificados. Bastando um empate no recém-inaugurado Maracanã com 200 mil gargantas a puxar pela equipa, só podia dar certo. O jogo era apenas uma formalidade. Mas os uruguaios tinham outros planos, e apesar de chegarem ao intervalo em desvantagem, levaram a cabo uma reviravolta épica, vencendo por 2-1 e levando o título para o Uruguai pela segunda vez. No Brasil foi a desilusão, choros de desespero, consternação generalizada, e até suicídios em massa! Foi preciso esperar que Pelé e companhia conquistassem três títulos para que o escrete recuperasse a sua arrogância que teimam em não disfarçar. A confiança para o mundial do próximo ano é muita, e poucos querem a repetição daquele fatídico dia em 1950.

O Brasil está de novo em alvoroço por causa da copa, mas por razões diferentes. Milhares de brasileiros têm saído à rua nos últimos dias em protesto pelo despesismo que representa a organização do mundial. A FIFA concedeu a organização da copa ao Brasil em 2008, fazendo a festa do futebol regressar à América do Sul pela primeira vez desde 1978, ano em que se disputou na Argentina do ditador Videla. Mas como organizar uma competição desta natureza passa por muito mais do que jogar dentro das quatro linhas, a FIFA exigiu que o país do futebol se equipasse de infra-estruturas muito mais modernas e dispendiosas que da organização do longínquo ano de 1950. Em nome do desporto que amam, os brasileiros meteram mãos à obra, e propuseram-se a oferecer 10 estádios com condições para receber as 32 selecções que disputam o troféu no país do samba, bem como reforçar o aspecto da segurança, uma das maiores preocupações dos visitantes. Decorre no Brasil desde Sábado a Taça das Confederações, o torneio intercontinental entre as selecções campeãs das suas confederações que se realiza habitualmente no país organizador do próximo mundial no ano anterior a este. A organização aproveitou este torneio para testar a sua capacidade e identificar eventuais falhas, mas não contavam com a “traição” dos brasileiros. Mesmo simpatizando com o seu desporto favorito, os brasileiros não vêem com bons olhos os milhares de milhões de olhos que tudo isto custa, as suspeitas de corrupção com as verbas destinadas ao mundial, e que mesmo assim não evita o atraso nas obras. Para piorar as coisas o preço dos bens de consumo tem sido inflacionado à medida que o mundial se aproxima, e um novo aumento da tarifa dos transportes fez transbordar o copo e originou o estado de sítio, com lojas destruídas e incendiadas, confrontos com as autoridades e outros actos de vandalismo. Os brasileiros aproveitaramo a própria Taça das Confederações para manifestar o seu descontentamento, e a presidente Dilma Roussef foi vaiada durante a cerimónia de abertura, em Brasília. Enquanto alguns fazem uma leitura política deste facto, para o resto do mundo a revolta constitui uma surpresa: o país do futebol está contra…o futebol.

Espanha ganha europeu de sub-21 (outra vez...)


Final del Europeo sub-21: Italia 2-4 España 发布人 terrytoliver
A Espanha sagrou-se esta noite campeã da Europa de sub-21 ao derrotar a Itália por quatro bolas a duas, numa final disputada em Jerusalem, Israel. A figura da partida foi Thiago Alcântara, filho do ex-internacional brasileiro Mazinho nascido em Espanha, e actualmente ao serviço do Barcelona, ao apontar um "hat-trick". Os "nuestros hermanos" revalidaram o título da categoria que tinham conquistado em 2011, e não se cansam de ganar. Desde o Euro 2008 que os espanhóis se tornaram a equipa a abater em todas as competições a todos os níveis. Já enjoa, e com esta equipa que venceu este torneio, recheada de jovens talentos, parece que o domínio está para lavar e durar.

Ayatollah Queiroz


Lembram-se de Carlos Queiroz, o treinador mal-amado que saíu da selecção portuguesa pela porta pequena em 2010 depois de um mundial abaixo das expectativas e um início desastroso da qualificação para o Euro 2012? Ora bem, este senhor que muitos de nós não confiaria para treinar a equipa do nosso bairro fez história ao tornar-se o primeiro selecionador a qualificar três países diferentes para um campeonato do mundo! Depois da Africa do Sul em 2002 e Portugal em 2010, o “professor” levou agora o Irão a carimbar o passaporte para o Brasil em 2014, e em grande estilo. Os iranianos foram defrontar a Coreia do Sul fora, e esperava-os um ambiente hostil. O treinador sul-coreano Choi Kang-Hee afirmou no lançamento do jogo que “queria o Irão fora do mundial”, comprando uma briga com o onze persa sob o comando do português. Precisando apenas de um empate para garantir a qualificação directa – bastando que o Uzbequistão não batesse o Qatar por cinco ou mais golos – o Irão fez melhor e venceu por 1-0 em pleno Estádio Munsu, em Ulsan. O golo chegou aos 60 minutos por Ghoochannejhad, e depois foi só aguentar a pressão sul-coreana durante mais meia hora para fazer a festa. A Coreia do Sul também viaja até ao Brasil, pois apesar da vitória do Uzbequistão por 5-1 que os deixar em igualdade pontual, os coreanos têm vantagem no confronto directo. É a oitava qualificação consecutiva dos sul-coreanos para um mundial.

No Grupo B a Austrália juntou-se ao Japão na qualificação directa para a “copa”, depois de bater o Iraque em Sydney pela margem minima. Os “socceroos” tiveram uma tarefa complicada pelos iraquianos, tendo marcado o único golo apenas a sete minutes do fim pelo suplente Joshua Kennedy. Em Amman a Jordânia bateu Omã por 1-0 e garantiu um lugar no “play-off”, graças ao terceiro lugar que “roubou” aos omanitas. Os jordanos vão defrontar o Uzbequistão a duas mãos, e o vencedor discutirá com o quinto classificado da zona sul-americana uma vaga no mundial do próximo ano. Dois países asiáticos que procuram estrear-se em fases finais do mundial, mas que terão certamente uma tarefa nada fácil.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Os filhos do Silva


Quando era chavalo tinhamos uma espécie de “anedota” (não chegava a ser engraçada) sobre o “filho do Silva”. A lenga-lenga era sobre um jovem que obtinha todo o tipo de vantagens e gratuitidades, e para tal bastava dizer que era “filho do Silva”. Um dia mais tarde, já no seu leito de morte, o pai prepara-se finalmente para lhe explicar o porquê desta estranha benção, mas o velho Silva dá o último suspiro antes que possa contar ao filho a razão porque tudo lhe foi dado de mão beijada simplesmente por dizer quem era. O conto era uma espécie de rasteira para deixar o nosso interlocutor na expectativa, e depois irritá-lo com o desfecho. Executada por um talentoso contador de chalaças, este truque produzia normalmente o efeito desejado. Concluir com um “Olha filho…a razão porque te davam tudo quando dizias que eras meu filho é porque…e morreu”, seguindo-se de um “F…-se, vai pró c…” era um deleite para o ego. Mais um patinho que caíu no conto do “filho do Silva”.

No mundo real o que não falta são filhos que vivem à sombra do sucesso, do dinheiro ou da influência dos pais. Não venho de famílias ricas, de grandes comerciantes ou latifundiários, mas isso não impediu que lá na terra fosse conhecido pelos mais velhos apenas como “o filho do António João”, ou entre os ainda mais velhos, “o neto do Zé António”. Duvido que estes conhecidos dos meus pais e avós soubessem o meu nome próprio, mas a pele tenrinha própria da minha juventude chegava para fazer rechaçar o vexame. “Sim, sim, sou filho de fulano e neto de outrano, e vou continuar a ser depois de V. Exas terem batido as botas”, dizia para os meus botões, confiante na implacável marcha do tempo que me faria justiça. Pelo menos estou onde estou hoje graças ao suor do meu rosto, e às vezes bem outras mais ou menos, vou parar às estações do destino guiado pelas minhas próprias decisões. Ainda tenho alguns bons anos pela frente, espero, mas duvido que vá deixar aos meus descendentes uma grande fortuna, mas estou certo que não me recordarão como “aquele grande sacana que não nos deixou cheta”. Não fui “filho do Silva”, mas também nunca cheguei a “Silva”. Boa sorte para os que vou deixar, é o mínimo que posso desejar.

Alguns defendem que as grandes fortunas só aguentam no máximo três gerações. A ser verdade isto são más notícias para os bisnetos de “self-made men” como Stanley Ho, Belmiro de Azevedo ou António Champalimaud. Não reconheço a eficácia desta teoria, até porque nascer em berço de ouro é a melhor forma de começar nesta vida onde é cada vez mais importante ter uma conta bancária bem recheada para ser levado a sério. Pode não significar o primeiro lugar do pódio, mas pelo menos é sair da “pole-position”. O tempo dos pobrezinhos que se tornaram milionários à custa de muito trabalho, um “timing” perfeito e a essencial pitada se sorte já lá vai. Nos dias de hoje dificilmente alguém com a quarta classe que começa a trabalhar aos 13 anos chega longe – mais do que isso, seria considerado trabalho infantil e objecto de intervenção dos agentes da acção social. O contrabando também é chão que já deu mais uvas, e as oportunidades não são tantas como nos idos tempos do pós-guerra, quando a reconstrução do mundo criou uma geração de milionários. Enriquecer depressa nos tempos que correm implica um risco onde a probabilidade de sucesso é muito menor que acabar na cadeia ou com um balázio na testa. Quem não conta com a simpatia dos regimes novo-riquistas precisa de olhar bem para o chão onde pisa. Mikhail Khodorkovsky, Bo Xilai e outros que pisaram os calos errados que o digam.

É apenas natural que os ricos queiram preparar os filhos para a continuidade da sua fortuna e do seu “bom nome”. Os “filhos do Silva” disfrutam de uma infância opulenta, frequentam os melhores colégios, vêem abrir-se todas as portas, rodeados de criadagem e engraxadores, alheios ao conceito de trabalho duro e ignorando o que é passar um dia de fome. Facto. Quando tomam as rédeas do negócio que os pais lhe deixaram não se livram da associação com o nome dos progenitors, das comparações com a sua capacidade e da eventual má-língua: “Aquele só é quem é porque o pai era o Silva”. Até o mundo do futebol não foge à regra: não há futebolista de sucesso que tenha visto os filhos excederem-nos. Lembram-se do filho do Cruijff? Uma anedota. E o filho do Pelé, que esteve preso por tráfico de droga? Alguns cujos pais foram futebolistas modestos conseguiram superá-los em fama e talento: Bruno Alves e João Moutinho, filhos de ex-futebolistas medianos, e outra vez Pelé, cujo pai teve uma carreira discreta.

Alguns filhos desnaturados ou mais revoltados estão-se nas tintas para o nome dos “Silva” e preferem gozar a vida estoirando o dinheiro dos pais, indiferentes à perspectiva dos seus próprios filhos precisarem de fazer pela vida como o resto da carneirada que não teve a sorte de nascer com uma colher de prata espetada no rabo. Outros preferem usar o poder e a influência herdada tomar um rumo diferente, uns com mais sucesso – os politicos, por exemplo –, outros com menos – alguns artistas, sendo o talento irrelevante face ao peso da heridatariedade quando se trata de obter notoriedade. Ai da galeria que se recuse a expôr os quadros do filho do sr. comendador. Querem fazer um filme, os meninos? Compra-se uma produtora de cinema qualquer. Alguns “Silvas” insistem em preparar os filhos para seguir as suas pisadas. Nada lhes dói mais se pelo menos um deles não evidenciar algum jeito ou merecer confiança para manter o negócio nas mãos do clã. Outros menos orgulhosos não se preocupam se os herdeiros forem esbanjadores irresponsáveis preocupados apenas em viver à sua custa. Para algumas pessoas o facto dos filhos não terem precisado de passar pelas mesmas dificuldades que eles próprios é já uma grande conquista.

O mais importante nesta fábula dos Silva e dos seus filhos é transmitir a mensagem: nada se conquista sem trabalho e dois dedos de testa. A melhor lição de vida que se pode deixar a um filho é de que não há nada mais gratificante que o mérito obtido através do próprio esforço, e não pela reverência e pela subserviência, ou outros expedientes mais rasteiros. Não deve haver nada mais frustrante do que ouvir de alguém qualquer coisa como: “tens sorte de ser filho de quem és” ou “faço-te um favor por respeito ao teu pai”. Mas para quem se quer libertar do peso do nome e subir na vida a pulso, e depois farta-se das dentadas deste mundo cão e dos trambolhões causados por tantas patarronas que encontra pelo caminho, dá jeito puxar dessa carta na manga para se chegar à frente: - “Epá pronto, sou filho do Silva, sabia?” – “A sério? Se precisar de qualquer coisinha é só dizer, patrãozinho”. Não fica mal se for usado com boas intenções e sem prejuízo de outrém. Quem sabe se no fim a obra vale mesmo a pena, e até ficávamos a perder não fosse o rapaz ter uma cunha do paizinho? Quem nos dera a nós poder ser também um dos “Silva”, enfim.