sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Portunhol


Algures nos anos 80 tivemos o prazer de assistir a um programa da RTP em que um indivíduo sisudo e uma senhora com belas pernas apresentavam, em que se ensinava o português gramaticamente correcto. A senhora das pernas era Edite Estrela, que 20 anos depois volta a fazer um grande favor à língua portuguesa, demonstrando-nos como não se deve falar castelhano, correndo o risco de fazer figura de palhaço Batatinha.

Os presidentes


Foram divulgadas através do YouTube as escutas telefónicas feitas a Pinto da Costa. Isto da justiça desportiva e o carago (pronto, apanhei os tiques), é coisa que já começa a meter nojo, e portanto não me vou prounciar sobre a legitimidade das acções da pessoa que colocou estas escutas no YouTube, nem me alongar sobre o segredo de justiça e o camano (pronto, outra vez). O mais extraordinário foi o teor da conversa entre os presidentes do FC Porto, Pinto da Costa e o ex-presidente da Liga e um senhor do seu nariz, Valentim Loureiro. O primeiro puxava uns cordlelinhos ao major para suspender determinado jogador, enquanto insistia na retardação mental do roupeiro do Sporting. O segundo dizia enormidades à boca cheia - provavelmente já ou ainda embriagado - deixando notar que o futebol português é, no fundo, "uma merda do caralho". Vide o vídeo.

Zâmbia e Camarões "in", Gabão e Tunísia "out"


Muita emoção e golos na última jornada do Grupo D da fase de grupos da Taça das Nações Africanas. Zâmbia e Camarões conseguiram o apuramento, mas houve emoção até ao último minuto. Os zambianos, que vêm apresentando um futebol bastante agradável de seguir, bateram o Gabão por duas bolas a uma, e venceram o grupo, graças ao empate entre Camarões e Tunísia a duas bolas. Os tunisinos empataram todos os encontros, e a conjugação de resultados mais equilibrada de todos os grupos deixou-os em último lugar. O Gabão, que marcou apenas dois golos, ficou de fora graças aos cinco apontados por zambianos e camaroneses. Nos quartos-de-final a Zâmbia vai defrontar a Nigéria no Lubango, enquanto os Camarões defrontam o Egipto em Benguela. Jogos a realizar na próxima segunda-feira

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A pensar (o esta-secagandismo no seu esplendor)


O director do Hoje Macau, Carlos Picassinos, assinou ontem um artigo no seu jornal intitulado Os escrivães do sistema onde avalia o estado da democratização progressiva do sistema, contemplado na Lei Básica, e de como certos expedientes só servem para atrasar a democracia e prolongar o status quo que mantem sempre os mesmos na cadeira do poder. No mesmo dia o director do JTM, José Rocha Dinis, assina um artigo onde se congratula pela "mansidão" com que os sectores democratas, moderados e radicais, encaram agora a eventual "progressização" do sistema. Já no JTM de hoje, JRD aproveita para disferir algumas farpas ao director do HM, bastante bem sustentadas por sinal, e mal posso esperar pela réplica de Picassinos.

Isto é tudo muito interessante e diverte-me um pouco, mas e quanto ao estado da democratização? Penso que nem sim, nem não: nim. É interessante que se discutam duas propostas tão diferenciadas sem se perguntar à população o que realmente deseja. Aqui tendes as vossas duas escolhas: ficamos como estamos, ou então é "sempre a abrir", com toda a gente a eleger tudo directamente, criando-se o perigo do voto ir parar a quem tem mais dinheiro, e não em quem é realmente competente. E o mais engraçado é que a população está-se nas tintas, venha o que vier. Isto é, se não lhes doer no bolso. Parece que ninguém consegue entender que a população anda indiferente e os seus representantes no tal estado de "esta-secagandismo" cunhado por Picassinos, porque essa população vive no melhor período económico de sempre.

A "classe média" de que Agnes Leong tanto fala não é mais que os trabalhadores que voltam a casa às vezes às 10 da noite, trabalham Sábados e às vezes Domingos e Feriados, e nem têm tempo de andar a ler opiniões tão construtivas da malta tuga cá do sítio, ou de politólogos que trabalham sentados em universidades o dia inteiro, que parecem saber muito da vida deles. Sabem da vida deles e sabem o que querem, também, e apresentam as duas escolhas como as únicas viáveis. Uma neutraliza a outra, uma vez que a população sempre gosta de ficar debaixo da asa de uma grande potência económica e militar que é a China, e por outro lado manter a sua identidade apoiando a "democracia". Daí o misto de patriotismo e descontentamento de que tanto se fala.

É claro que não convem a muitos que a AL, por exemplo, seja apenas composta por deputados eleitos pela via directa, pois aí fica aberto o caminho para a aprovação de um chorrilho de leis de carácter social que vão afectar os empresários que vivem da exploração do trabalho precário. É curioso observar a fatia da população que considera "trabalho precário" melhor que "nenhum trabalho", e daí que evitem fazer muitas ondas que arrisquem um queda no vazio. Daí que de quatro em quatro anos votem nos democratas, para mostrarem que não estão realmente chateados - como aliás demonstra a fraca adesão às manifestações - mas também que "estão vivos", ao mesmo tempo que acham que a integração completa no primeiro sistema é algo ainda "a pensar".

Taça quente


Foi uma noite muito louca em Portugal, com a realização dos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Em Alvalade o Sporting bateu o Mafra por quatro bolas a três, com o chinês Zhang Chengdong a apontar um "hat-trick" para os saloios. Zhang é um jovem de 20 anos, uma promessa do futebol chinês a ganhar experiência nas divisões secundárias em Portugal. Entretanto o director desportivo do Sporting, o ex-interbacinal Ricardo Sá Pinto, demitiu-se do cargo depois de se envolver numa cena de pugilato com Liedson, em pleno balneário. Testemunhas dizem ter visto Sá Pinto agredir violentamente o "levezinho".

No Restelo, Belenenses e FC Porto empatavam a dois golos, resultado que persistiu depois de 30 minutos de prolongamento. Na marcação dos pontapés da marca de grande penalidade, foram preciso 30 pontapés até se encontrar o vencedor. Os guardiões estiveram em grande destaque, com Bruno Vale, dos azuis do Restelo a defender quatro, e Beto, dos dragões, a defender cinco. 10-9 para o FC Porto.

Nos restantes jogos destaque para a vitória do Braga em Freamunde por três bolas a uma, com os bracarenses a dizer "presente" na segunda maior competição nacional. De resto só mesmo o Sporting venceu em casa. O Rio Ave empatou a duas bolas em casa frente ao V. Guimarães, mas venceu na lotaria dos "penalties". O P. Ferreira foi à Choupana vencer o Nacional por duas bolas a uma, e a Naval, a braços com problemas legais, foi vencer fora o Aliados do Lordelo por uma bola a zero. O mesmo resultado no único encontro entre duas equipas da II "B", com o Pinhalnovense a vencer na Camacha. Quando ainda falta realizar o Chaves-Beira Mar, estão qualificados para os "quartos" o Sporting, FC Porto, Sp. Braga, P. Ferreira, Rio Ave, Naval e Pinhalnovense.

Adeus a Moçambique


A Nigéria bateu com facilidade a frágil selecção de Moçambique por três bolas a zero. Um jogo em que os "mambas" podiam fazer história, caso vencessem as "águias" africanas. Odemwingie, com dois golos, e Obafemi Martins fizeram as despesas dos golos. Entretanto o Egipto, já qualificado, bateu o Benim por duas bolas a zero. Hoje realizam-se a última jornada do Grupo D, com Gabão-Zâmbia e Camarões-Tunísia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Haiti, ai de ti


1) Mais um tremor de terra se fez sentir hoje no Haiti, desta vez de intensidade 6 na escala de Richter. Foi a mais forte das 40 réplicas que se seguiram ao terramoto de 12 de Janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos e afectou três milhões de haitianos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. Apesar de rápido, o novo tremor de terra causou algum pânico entre a população já traumatizada pelo terramoto da semana passada. Numa praça transformada em dormitório público, uma mulher usou um megafone para rezar e orientar os haitianos desorientados. Em Pétion-ville, leste da capital, diante do Hotel Kinam, a multidão começou a repetir: "É o fim do mundo! É o fim do mundo!". Teme-se que este novo abalo sísmico venha tornar ainda mais difícil o trabalho humanitário no país mais pobre do hemisfério ocidental.

2) Entretanto a ajuda humanitária, ora em apoio médico ora monetário tem chegado de todas as partes do mundo. O terramoto e a força das imagens televisivas elevou o melhor que há em nós, e fez-nos esquecer por uns instantes algumas querelas mais perniciosas. Macau não tem sido excepção, e têm chegado de várias individualidades e associações generosos donativos, lembrando-nos que ninguém no mundo está livre desse flagelo das catástrofes naturais, que mudam por vezes a face do mundo. Todas as contribuições são bem vindas, e já é um triunfo que pelo menos uma parte da nossa ajuda chegue para amenizar um pouco que seja da agonia do povo haitiano.

3) Se há algo de positivo que saíu desta enorme tragédia humanitária no Haiti, foi a consciencialização da situação de miséria que aquela república da América Central vive há já várias décadas. Deixada às mãos de homens bons e de loucos desde a sua indendência, conheceu o pique da desgraça e da indecência durante a presidência de François Duvalier, vulgo "Papa Doc", que deixou o país nas mãos de um bando de criminosos analfabetos denominado "Tonton Macoutes". Há quem diga que um ataque cardíaco sofrido pelo ditador em 1959 terá afectado a sua capacidade de julgamento, mas seja a razão médica ou simplesmente sádica, este "Papa Doc" foi um dos diatadores mais sanguinários de toda a História do século 20. Todos os haitianos minimante inteligentes ou qualificados deixaram o país, numa espécie de "Revolução Cultural" à moda das Caraíbas de que o país nunca recuperou. Só para que se tenha uma ideia ao que o país estava entregue, Duvalier chegou a temer que um dos seus maiores inimigos se tinha transformado "num cão preto", e ordenou a matança de todos os canídeos negros do país. Depois da morte de François, sucedeu-se o filho Jean-Claude, de apenas 19 anos, conhecido por "Baby Doc", mais suave em estilo mas igualmente corrupto, déspota e incompetente. Caíram os Duvalier, mas a corrupção, a gerência ruinosa e a pobreza continuavam a ser endémicas. E no meio de tudo isto está aquele povo, descendente de escravos, que nunca se desamarrou das correntes da opressão e da miséria. Que se levante dali um país novo, das cinzas daquele que a História terá o dever de apagar.

O efeito Avatar


A vitória de "Avatar" e do realizador James Cameron nos Globos de Ouro do último Domingo, deixam prever que Hollywood cometa outra grande injustiça. Tudo indica que o filme que quebrou todos os recordes de bilheteira neste início do ano (até na China, o que tem sido encarado como um problema de "ocidentalização") venha também a levar em Março as estatuetas douradas, em deterimento do excelente "Inglourious Bastards", de Quentin Tarantino. É certo que "Avatar" beneficia dos efeitos visuais e especiais, e do encanto do argumento que vem na sequência de uma onda de filmes como "Harry Potter" ou "Senhor dos Anéis". Com ou sem óscares, prevejo que a franchise venha a ser explorada, com uma sequela ou mesmo uma série. Um frisson como já não se via desde "Star Wars". Só que "Inglourious Basterds" é um filme épico, um filme completo, o magnum opus de Tarantino, que já em 1995 tinha sido injustiçado ao perder com "Pulp Fiction" para "Forrest Gump", um daqueles filmes espécie "sabor do mês". Pelo menos fica o consolo de saber que Christopher Waltz, no papel do pérfido coronel Hans Landa, o "caçador de judeus", será mais que certamente vencedor do óscar para melhor actor secundário.

Apenas birra?


A selecção de hóquei de patins do território conquistou pela sexta vez o asiático da modalidade, o que representa mais uma conquista para as cores de Macau numa competição internacional - coisa rara. Mesmo assim oiço o vice-presidente do IDM, José Tavares, vir dizer que o território precisa de mais instalações para desportos como "basquetebol, voleibol, etc." sem nunca referir o Hóquei em Patins, o único desporto de competição disputado mundialmente em que Macau já esteve representado num Mundial. Será esquecimento, má vontade, ou apenas birra?

Resumo dos últimos dias do CAN


Os jogos da CAN 2010 têm passado a um ritmo frenético na TDM de Macau. Confesso que é a primeira vez que vejo mais que 1 ou 2 jogos duma CAN, e devo dizer que estou bastante bem impressionado com a qualidade de algumas das equipas.

Para já a Costa do Marfim, adversário de Portugal, que foi a primeira equipa a ser apurada para os quartos-de-final. Drogba e companhia, adversários de Portugal no próximo mundial, até tiveram uma entrada em falso, com um empate a zero frente ao Burkina Faso, mas obtiveram uma vitória convincente frente ao Gana, outro dos qualificados para o África do Sul 2010.

Os ganeses qualificaram-se graças a uma vitória por 1-0 frente ao Burkina Faso, orientado pelo português Paulo Duarte, num grupo que ficou marcado pela desistência do Togo, depois de um ataque terrorista no enclave de Cabinda.

Dos não qualificados, merecem destaque o Egipto e a Zâmbia. Os faraós são a única equipa apenas com vitórias, e defendem o título de 2008 e 2006. Se os egípcios vencerem o "tri", serão a primeira a fazê-lo num campeonato continental de selecções em todo o mundo. O Egipto apresentou um futebol muito atractivo e eficiente contra a Nigéria, e venceu tranquilamente Moçambique, apesar de uma primeira parte menos conseguida.

A Zâmbia tem jogado um futebol muito atractivo, muito "Africano", e apesar do empate frente à Tunísia a um golo e a derrota frente aos Camarões por três bolas a uma, ainda se podem qualificar para os quartos, caso vençam amanhã o Gabão, naquele que é o grupo mais equilibrado da prova.

Já a equipa da casa, a Angola de Manuel José, tem aproveitado o factor casa para disfarçar alguma inexperiência, e venceu o Grupo A com mais um ponto que Argélia e Mali, e mais dois que o Malawi.

O Mali, apesar de ter conseguido marcar sete golos contra apenas um dos argelinos, perderam o segundo lugar a favor destes últimos, por culpa do único golo dos argelinos ter sido marcado exactamente numa vitória sobre o Mali por 1-0.

A Argélia tem sido uma tremenda desilusão. Os magrebinos, que se qualificaram para um mundial 24 anos depois, têm mostrado um futebol muito defensivo e meio atabalhoado.

Nos quartos estão já alinhados os jogos Angola-Gana e Costa do Marfim-Argélia. Hoje Moçambique pode fazer história, caso leve de vencida a selecção da Nigéria, e o Egipto não dê uma "borla" ao Benim. Os "mambas" nunca venceram um jogo em fases finais do CAN.

Voltei, voltei

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ventoinha


Cheguei à pouco de fora e notei que tenho uma avaria no PC. Problemas relacionado com a ventoinha do CPU, que faz um barulho demoníaco. Sendo assim, é possível que o Bairro do Oriente regresse apenas amanhã, ou mesmo quarta-feira. Obrigado pela compreensão.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Até já


Mais uma vez este blogueiro de fim de tarde e início de noite está em trânsito, desta vez em trabalho. O Bairro do Oriente regressa na segunda com toda a pujança. Até lá fiquem com mais um momento de génio de Manuel João Vieira e os Irmos Catita: "É pra ganhar". Um hino ao futebol.

Angola vence na CAN


A selecção angolana deu ontem um passo importante rumo à qualificação para os quartos-de-final da Taça das Nações Africanas, ao bater o Malawi por duas bolas a zero. Os golos dos angolanos foram apontados por Flávio e Manucho, tendo o benfiquista Mantorras jogado os últimos 25 minutos. Com esta vitória a formação comandada por Manuel José liera isolada o Grupo A, e basta-lhe apenas um empate frente à Argélia para garatir a qualificação. Argélia que ontem redimiu-se da pesada derrota sofrida na primeira jornada frente ao Malawi, batendo o Mali por uma bola a zero. O único golo do encontro foi marcado aos 44 minutos pelo defesa Rafik Halliche, jogador do Nacional da Madeira. Angola lidera o grupo com 4 pontos, seguido de Malawi e Argélia com 3, e Mali com apenas um ponto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O caminho do coração


Jantei ontem naquele restaurante japonês muito giro no 1º andar daquele edifício em frente aos Correios, onde fica o Pacific Coffee. Faço-o uma vez por semana, e posso dizer que é uma forma agradável de consumir algum peixe fresco, mesmo que cru, e tomar o excelente chá verde japonês, já que não sou grande adepto do chinês. Não é difícil encontrar bons restaurantes japoneses em Macau, e no me interessa muito se são melhores, piores ou idênticos aos do Japão, uma vez que só gosto de sushi ou sashimi.

O mesmo já não se pode dizer de outros tipos de restaurantes, ou especialidades. Existe também uma miríade de restaurantes italianos, especialmente nos novos hotéis, e apesar da maioria ser uma porcaria (faço melhor comida italiana em casa), parece ser um negócio muito rentável. Talvez o facto dos italianos previligiarem as massas, à semelhança dos chineses, seja explicativo.

Do que gosto mesmo é de comida indiana, que em Macau se limita ao restaurante do Tony, na Nova Taipa, e à Aruna, residente no território há mais de duas décadas, e considerada a autoridade máxima deste deliciosa e exótica cozinha. Existia um restaurante paquistanês óptimo, primeiro situado na Rua Fernão Mendes Pinto, perto dos três candeeiros, e que mudou mais tarde para o Centro Internacional, onde adquiriu um aspecto mais marginal, e depois fechou.

O que é mesmo pena é que não exista um restaurante de comida árabe digno desse nome em Macau. Temos lojas de kebab aqui e ali, e o Beirut, situado na NAPE, aberto por libaneses. Sempre que vou a Hong Kong delicio-me no Habibi, no Soho, onde se pode apreciar a culinária das mil e uma noites com uma relação preço-qualidade bastante apetecível, e um serviço de cinco estrelas. Existia também no NAPE um restaurante cujo nome agora não me recordo (Star Hub?) que oferecia “a autêntica cozinha da Malásia e Singapura”. Não era grande coisa, mas pelo menos era diferente.

Infelizmente a indústria da restauração em Macau não oferece muita variedade, e obedece muito à regra dos monopólios. O que é mesmo muito curioso é que Macau deve ser um dos poucos lugares no mundo onde é quase impossível encontrar a culinária local, a de origem, a “indígena”. Obviamente que me refiro à comida macaense. Não existe um restaurante macaense propriamente dito, uma vez que o Riquexó é mais uma cantina, e o Litoral oferece apenas uma gama generalista dessa deliciosa e interessante cozinha. Acreditam que estou em Macau há 18 anos e nunca comi Diabo?

Li ontem no JTM, na coluna de Luís Machado aquele interessante poema naife da autoria do sr. Monteiro, e fico a perguntar: o que é brêdo raba-raba? E Saran surabe? E onde posso comer chau-chau lacassá, dodol ou barbá? Serão estas iguarias previlégio exclusivo da tal Confraria da Gastronomia Macaense, e de uma ou outra família que ainda a saiba cozinhar? Ou estarão extintas? E porque será que oiço tantos macaenses saudosos e desiludidos com as ofertas de binbinca de nabo ou porco bafassá que ainda se podem encontrar, suspirando que fulano ou fulana que já não estão entre nós é que sabem fazer bem?

Curiosamente vejo naquelas reportagens que o JTM às vezes faz sobre as Casas de Macau da Califórnia ou de S. Paulo que os macaenses da diáspora mantêm ainda viva a boa mesa macaense. Será que a distância é amiga da culinária original? E será que os seus descendentes vão preservar essa tradição, ou o “segredo” morre com os seus gurdiões? É uma pena que esta culinária seja to elitista, e que os turistas que visitam o território confundam a culinária típica do território com o camarão assado, os pastéis de bacalhau ababatados ou a tal “Portuguese chicken” que se oferece naqueles restaurantes de imitação de comida portuguesa.

É que não basta cozinhar tudo com molho de tomate e cebolas e chamar-lhe “comida macaense” ou “portuguesa”. Assim ficamos mal vistos. Daí que desejo boa sorte para o Luís Machado e para a Confraria que agora preside, e que não deixe cair estas tradições gastronómicas. É preciso não esquecer que o caminho do coração passa também pelo estômago, citando um ilustre macaense.

Robertson e os haitianos "malditos"


Uma prova de que é nas horas de maior crise que os malucos resolvem fazer as suas aparições. Pat Robertson é um tele-evangelista norte-americano conhecido pelas suas afirmações controversas que revelam bastante insensibilidade, racismo, e laivos de demência. O fundador da Coligação Cristã afirmou em tempos que "o Islão não é uma religião", que "as crianças pobres inalaram maus espíritos", que o yoga não devia ser praticado por cristãos porque é "adoração a deuses hindus", que ensina os pais "a lidar com os seus filhos homossexuais", e que já previu o fim do mundo dezenas de vezes, entre outras pérolas, deu a sua opinião sobre a tragédia no Haiti. Segundo Robertson, os haitianos "fizeram um pacto com o Diabo" para obter a independência dos franceses em 1804, e que se tornaram "Servos de Satã" desde então. Robertson afirma que o terramoto "pode ser uma benção", e insiste que os haitianos "estão amaldiçoados". São estas pessoas que dão um mau nome à religião.

SOS Haiti









São algumas imagens que nos chegam da tragédia que abalou o Haiti. Imagens de destruição, de morte, de sofrimento e de miséria. As primeiras estimativas dão para uma centena de milhar de mortes, mas os mais pessimistas falam na possiblidade de meio milhão de vítimas mortais. Catorze capacetes azuis brasileiros da ONU encontram-se entre os mortes, dez deles iam regressar a casa no dia seguinte ao terramoto. Os haitianos tentam socorrer os soterrados entre os escombros manualmente, ou através de meios rudimentares que pouco adiantam perante as pedras e o cimento. A ajuda humanitária começou a chegar ao país, e qualquer contribuição é bem vinda. Pode ajudar as vítimas do terramoto no Haiti através destas organizações, mas cuidado com os contos de vigário, pois como sempre existem oportunistas para quem a tragédia dos outros é mais uma forma de fazer dinheiro fácil. Certifique-se sempre que ajuda através de organizações licenciadas.

Sporting de faca na Liga


Pelo menos uma competição está a correr a cem por cento ao Sporting este ano: a Taça da Liga. Os leões foram a Leiria vencer o União por duas bolas a uma, e garantiram já a presença nas meias-finais da prova. João Pereira estreou-se a marcar de leão ao peito, e ainda na primeira parte Miguel Veloso ampliava a vantagem. O melhor que os leirienses conseguiram foi reduzir a vinte minutos do fim por Carlão. No mesmo grupo registou-se a grande surpresa da noite, com o Trofense, da Liga de Honra, a bater o Braga, líder da Liga Sagres, por uma bola a zero. Messi é nome de ás, e foi o Messi da Trofa que garantiu o triunfo aos comandados de Vítor Oliveira, que seguem no segundo lugar a dois pontos do Sporting. Os bracarenses, com duas derrotas em outros tantos jogos, estão afastados da prova. Noutros encontros, só deu empate. O Porto não foi além de um nulo em Coimbra frente à Académica, enquanto Estoril e Leixões empatavam a um golo na Medideira. No Grupo C o Benfica empatava a um golo em Guimarães, e o mesmo resultado se verificou em Vila do Conde, entre Rio Ave e Nacional.

Gabão surpreende


O Gabão venceu ontem os super-favoritos Camarões no jogo de abertura do Grupo D da Taça das Nações Africanas, disputado na cidade angolana do Lubango. O único golo da partida foi apontado aos 17 minutos por Daniel Cousin, jogador da equipa do Hull City, da Premier League. Nem a "estrela" de Samuel Eto'o, um dos jogadores mais cotados da competição, serviu aos camaroneses, que comprometem desta forma o apuramento para os quartos-de-final. Isto porque Zâmbia e Tunísia empataram a uma bola, com os zambianos a constituírem também uma agradável surpresa. Os Chipolopolo, como são conhecidos, adiantaram-se no marcador aos 19 minutos por Mulenga, tendo os tunisinos empatado aos 40 por Dhaouadhi. Na segunda parte a equipa da África meridional foi mais perigosa que os magrebinos, que podem agradecer à sorte o facto de terem conseguido conquistar um ponto.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os inimigos da verdade


A procura da verdade é uma ambição do ser humano desde os tempos mais remotos. Desde sempre. O pior é que verdade nem sempre convém, e muitas vezes dissipa-se no oceano da mentira, da falsidade, do boato, da intriga, do fanatismo, dos processos judiciais e do “direito ao bom nome”. Não admira que exista uma expressão “a verdade, doa a quem doer”. Porque muitas vezes a verdade dói, e é preciso recorrer ao analgésico da não-verdade. São três, os maiores inimigos da verdade: os mentirosos, os falsos e os indiferentes. Com tantos inimigos assim, não surpreende que a verdade tenha medo de sair de casa, ou quando sai seja atacada, mesmo que use capacete ou outro tipo de protecção.

Os mentirosos usam a lei, o tempo e a justiça para esconder a verdade. Os mentirosos não gostam da verdade, porque a verdade não lhes interessa. Os mentirosos são a favor dos valores familiares, mas frequentam prostíbulos e outros antros de vício. Os mentirosos são contra o aborto, mas forçaram a amante a fazer um. Os mentirosos são contra a legalização da cannabis, mas fumam às escondidas. Os mentirosos falam de transparência e legalidade, mas dissipam os bens em contas offshore e em sociedades anónimas de carácter duvidoso. Os mentirosos falam de competição justa, mas arranjam empregos para os familiares e amigos próximos, sem concurso ou entrevista. Os mentirosos são figuras públicas que exigem privacidade, sem se aperceberem que a venderam no momento em que se tornaram conhecidos do grande público.

Os falsos são a espécie que gosta de maquilhar, de transvestir a verdade. Uma das principais características dos falsos é a hipocrisia, que aliada ao fingimento tornam-se armas letais contra a verdade. Os falsos abraçam um “amigo” e mais tarde referem-se a ele como “aquele filho da puta”, quando estão rodeados de outros falsos. Os falsos consolam um amigo a quem aconteceu uma tragédia, e pensam que o mesmo nunca vai acontecer com ele, porque é “vivaço”. A frase preferida do falso é “antes ele que eu”. Os falsos dizem “coitado” com ar de desdém, e lá no fundo congratulam-se com a desgraça dos outros. Os falsos não gostam de falar de negócios ou dinheiro a não ser com outros falsos, pois têm sempre algo a esconder. Os falsos conseguem disfarçar-se facilmente de mentirosos quando usam chavões como “para ser sincero” ou “sabes que sou muito teu amigo”. Entre os falsos encontramos muitas vezes os invejosos, que não sendo propriamente inimigos da verdade, estão sempre dispostos a aprender.

Claro que existem boas pessoas. São os cidadãos anónimos, trabalhadores, que acabam o dia cansados da rotina e não têm energia para maquinar planos diabólicos ou montar cabalas contra os outros. Entre estes encontramos os indiferentes, a espécie que se cansou de procurar a verdade, que desistiu da luta e abandonou os companheiros às mãos do inimigo. Os indiferentes tornaram-se cínicos da verdade. Não os incomoda mais ver um amigo a ser “tramado” pelos falsos e mentirosos, e até tiram ilações do exemplo. Os indiferentes aconselham os outros a desistir da procura da verdade A frase preferida dos indiferentes é “e o que é que queres que eu te faça?”. Os indiferentes já não se incomodam quando vêm imagens de fome e violência. Os indiferentes têm um tique: encolhem os ombros. Enfim, os mentirosos, falsos e indiferentes somos todos nós e não é ninguém. Essa é que é a verdade.

Tragédia no Haiti


Um terramoto de 7,3 pontos na escala de Richter abalou ontem o Haiti, na ilha caribenha de S. Domingos, também conhecida por Hispaniola. Ao terramoto seguiram-se 13 réplicas, sete delas superiores a 5 pontos. Calcula-se que as perdas humanas sejam enormes, e entre as personalidades já confirmadas mortas nesta tragédia encontram-se Jimmy Barikad, um rapper haitiano, e a pediatra brasileira Zilda Arns, que desenvolvia trabalho humanitário naquele que é um dos países mais pobres do mundo. O Haiti é a verdadeira República das Bananas, minada por corrupção e crime, fruto da pantomima de ditadores e déspotas que (des)governaram o país nas últimas décadas. Casas, escolas, edifícios públicos e até governamentais cairam como castelos de cartas, prevendo-se que o número de mortes sejam na ordem dos milhares. No Haiti vivem pelo menos 12 cidadãos portugueses, tendo um deles sofrido ferimentos ligeiros, e uma perna fracturada. A jornalista Mariana Palavra, que trabalhou e residiu em Macau, encontra-se a salvo. Uma tragédia cujas reais dimensões só vamos saber nos próximos dias.

Camone and learn english


Hello baby! Zézé Camarinha, o macho latino português, está de volta numa campanha publicitária do Wall Street Institute (?), que promove o ensino do inglês correcto. Pelo menos não podemos acusar o algarvio de não ter sentido de humor. If you speak english, you desenrascate best. Without english, you're done ao beef. Thank you very nice!

Os faraós mostram a sua garra


Foi um dia grande na Taça das Nações Africanas, com o encontro e dois gigantes do continente: os bi-campeões Egipto e a Nigéria. Os nigerianos começaram melhor, com um golo logo aos 12 minutos por Obasi. Os faraós no acusaram o golo e partiram para cima dos nigerianos, e empatariam aos 34 minutos por Moteab. O veterano Ahmed Hassan marcou um espectacular golo aos 52 minutos, e Meteeb Gabo "matava" a encontro a 3 minutos dos 90, numa altura em que Nwanko Kanu, a estrela da selecção nigeriana de um passado recente já se encontrava em campo. No outro jogo do grupo C, Moçambique e Benim empatavam a duas bolas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Macau violento


1) Um taxista foi agredido barbaramente pr um grupo de marginais durante o fim-de-semana, encontra-se internado em estado grave e é provável que fique paralisado da anca para baixo. O homem foi atacado enquanto fazia o turno da noite na Av. Coronel Mesquita, não muito longe do centro no cidade. As autoridades detiveram oito suspeitos com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, que se suspeita estarem embrigados no momento do assalto. Tudo o que levaram foi algum dinheiro e o telemóvel. O taxista de 35 anos, pai de dois filhos menores, não se encontra segurado, visto ser "trabalhador por conta própria". Um filme que já vimos em qualquer parte, e que volta a levantar questões sobre a segurança.

2) Entretanto hoje foi encontrado um turista sul-coreano enforcado numa árvore no COTAI. As autoridades afastam a tese de suicídio, suspeitando que a vítima, de 31 anos, tenha sido morto primeiro e depois pendurado na árvore. O homem era suspeito de vários crimes e aguardava julgamento, e o caso poderá ter a ver com dívidas ao jogo. Também um cidadão vietnamita foi brutalmente agredido na noite de ontem, não tendo resistido aos ferimentos e falecido no hospital. A PJ está a investigar se existe alguma relação entre os dois casos. Veja aqui a reportagem da TDM.

Hello-lujah


Uma igreja anglicana britânica realizou ontem uma cerimónia muito especial: um vigário abençoou os telemóveis e computadores portáteis dos trabalhadores de um distrito financeiro de Londres. O serviço foi realizado na St. Lawrence Jewry Church e foi presenciado por 80 pessoas, que levantaram os telemóveis enquanto o vigário David Parrott os benzia, enquanto os notebooks permaneciam no altar. A ideia veio de uma tradição histórica em que os trabalhadores da antiguidade levavam as ferramentas para serem benzidas na primeira segunda-feira de trabalho depois do Natal. "Decidimos realizar o serviço com uma nota de modernidade - orei pelas pessoas que apoiam a tecnologia, que a usam", disse o vigário. Excepcionalmente, os telemóveis permaneceram ligados durante o serviço religioso, quando normalmente Parrott apela aos crentes que os desliguem. "Nesta ocasião especial permiti que os telemóveis ficassem ligados, mas pedi que desligassem o som", acrescentou Parrott.

Arrefecimento global ao contrário


Assim como o hemisfério norte geme de frio, o hemisfério sul tira a língua de fora com o calor. Em Melbourne foram registadas as temperaturas mais altas dos últimos 100 anos, chegando os termómetros a atingir os 37º C...à meia-noite. O calor levou os cidadãos a sair de casa, e procurar locais mais frescos. Curiosamente o ano passado as temperaturas na capital do estado de Victoria chegaram aos 45,7º C, o que chegou a causar cortes de energia devido ao derretimento dos cabos de alta tensão. É claro que para os negacionistas do aquecimento global isto é "normal", enquanto o frio que se faz sentir no norte da Europa é prova mais que evidente que estamos na presença de um...arrefecimento global.

Morreu Miep Gies


Faleceu aos 100 anos Miep Gies, uma cristã holandesa conhecida por ter dado guarida à família de Ann Frank, a jovem judia autora do diário mais lido em todo o mundo. Gies impediu ainda que o diário, escrito pela jovem durante o Holocausto, caisse nas mãos dos nazis. Gies faleceu ontem devido a complicações de uma queda que deu em casa na altura do Natal. De recordar que durante o Holocausto form mortos 105 mil judeus holandeses, de um total de 140 mil que existiam naquele país antes da guerra.

E por falar em Malawi...


Por falar em Malawi, uma notícia curiosa. Um casal homossexual daquele país africano pode ser condenado a 14 anos de prisão depois de ter tentado realizar uma cerimónia de núpcias. Tiwonge Chimbalanga e Steven Monjeza, o primeiro casal homossexual no Malawi a tentar contrair matrimónio, são acusados de indecência agravada e "práticas sexuais não naturais". Vários grupos de direitos humanos já condenaram a detenção e pedem que o casal aguarde julgamento em liberdade, mas as autoridades garantem que o casal "está mais seguro na prisão". O Malawi é um país bastante conservador, de maioria cristã, que faz fronteira com Moçambique, Zâmbia e Tanzânia. É um dos países mais pobres de África, com uma elevada taxa de mortalidade infantil e uma elevada prevalência de HIV/SIDA.

Malawi surpreende


Foi perante apenas mil espactadores no Estádio 11 de Novembro em Luanda que o Malawi causou a primeir grande surpresa da Taça das Nações Africanas. Os bandas, como são conhecidos, só tinham participado na CAN em 1984, e ocupam um modesto 99º lugar no ranking da FIFA, e mesmo assim golearam a Argélia, 26ª no mundo, e que recentemente se qualificou para o mundial da África do Sul, por três bolas a zero. Os golos foram apontados por Mwafulirwa e Kafoteke, na primeira parte, e por Banda, na segunda. Entretanto no Grupo B, o grupo "maldito" que se realiza em Cabinda, a Costa do Marfim não foi além de um empate a zero frente ao Burkina Faso, orientado pelo português Paulo Duarte. Os marfinenses contam com grandes estrelas na sua formação, como Drogba, Kalou, Eboué, Traouré ou Koné, e apesar de terem encostado o seu adversário à defensiva, não conseguiram marcar. Os burkinabés tinham sido goleados na Costa do Marfim por cinco golos sem resposta na fase de qualificação. Hoje realizam-se os jogos do Grupo C, Egipto-Nigéria, e Moçambique-Benim.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A outra Meca


Encontrei no elevador um dia destes o meu vizinho, o sr. Cheang. Trocámos dois dedos de conversa sobre o frio que tem sentido no território, e é aí que ele me diz que “só se está bem a jogar, no casino”. Deveras interessante, esta opinião, e espero que os turistas também pensem assim, para bem da nossa economia lúdico-dependente. Mas pensando bem, não deve ser má ideia, andar ali pelo quentinho das salas de jogo, aproveitando os amendoins e as coca-colas gratuitas, ao som das slots e a curtir o fumo do tabaco. Melhor que isso, só ficar em casa, na cama.

Esta manhã dou com os meus colegas de trabalho, todos jovens ou mun yan, a discutir as incidências do fim-de-semana desportivo. Mais uma vez o tom da conversa era marcado pela “mossa” que alguns resultados da Premier League inglesa ou da Liga espanhola tinham feito nas apostas desportivas. Perguntaram-me se assisti a certo jogo, disse-lhes que sim, e como sempre perguntaram-me se apostei. Quando lhes digo que não, e que as apostas não me interessam, isto faz-lhes uma confusão enorme: então porque vi o jogo? Em regra, só vêem os jogos em que apostaram, e só apostam para ver os jogos. Uma simbiose muito particular.

De resto os apostadores chineses não têm um clube propriamente dito, apesar de usarem camisolas de vários clubes diferentes, pois seguem o sistema de apostas desportivas emanado pela Macau Slot. Alguns conseguem ser adeptos do Arsenal, Chelsea ou Manchester United, dependendo da época desportiva em questão. Os jogadores de futebol são tratados como cavalos; se é bom e desiquilibra, e com ele há outros “cavalos” que podem desiquilibrar, então toca a apostar naquela equipa.

Quando a nossa selecção portuguesa vence, dou-lhes uma ou duas palmadinhas nas costas, exprimindo a minha satisfação. Aí a reacção passa sempre por me dar os parabéns, e perguntarem-me “quanto ganhei”, assumindo que aposto sempre quando Portugal joga. Como a selecção da RPC não lhes interessa e não seguem o campeonato chinês, gostam das selecções que ganham e que lhes dão a ganhar. A selecção ou o campeonato de Macau contam muito menos. Imagino se fossem autorizadas as apostas nos jogos da “Premier League” de Macau, a corrupção desportiva que ia ser.

Os ou mun yan são os apátridas do futebol, e mesmo tendo alguns deles nacionalidade portuguesa, chegam a apostar contra a nossa selecção. Simpatizam em geral com a Inglaterra, muito por influência dos vizinhos de Hong Kong, mas isso não os impede de apostar contra os ingleses, se as “odds” forem boas. Outra curiosidade prende-se com o facto de alguns deles pensarem que os resultados de alguns dos jogos da Liga dos Campeões ou de outras competições de elevado calibre são “falseados”. Alguns chegam a ter o desplante de assumir que certa equipa perdeu pelo simples facto de que apostaram nela, e que o mundo está contra eles.

Percebe-se quando o director da DSEJ, Sou Chio Fai, apelou aos jovens durante o último europeu de futebol que apreciassem o jogo pelo conteúdo, pelo espectáculo. É uma chatice enorme ensinar os jovens de Macau a apreciar a competição sem que dela possam sair necessariamente ganhos pessoais. Alguns dos meus amigos e colegas ficam embasbacados quando lhes conto que em Portugal há pessoas que jogam cartas sem ser a dinheiro, ou que normalmente ninguém joga no passeio da via pública, como se vê aqui com o mahjong ou o xadrez chinês. Devem pensar que somos malucos.

Sem querer fazer uma análise redutora, pois claro que nem toda a gente pensa a toda a hora no jogo, posso concluir apenas que "Macau sã assi". Como diz um velho provérbio chinês, “pode não haver dinheiro para comer, mas tem que haver dinheiro para jogar”. Não podiam ter escolhido um local melhor para implantar uma Meca do jogo.

Entre portas


Tem sido um bico de obra, o frio que se tem feito sentir no hemisfério norte por esta altura do ano. O norte da Europa está praticamente paralisado, e no nordeste da China espera-se uma vaga de frio polar que fará os termómetros descer até aos 30 graus negativos. Em Pequim foram registados 16 graus negativos, a temperatura mais baixa dos últimos 40 anos. Enquanto o consumo de energia dispara (ainda mais) na China continental, em Macau a situação só é ligeiramente melhor. O frio tem vindo acompanhado de chuva (não me lembro de ter visto chover tanto em Macau nos meses de Dezembro e Janeiro), e amanhã a temperatura máxima será de 13ºC. Parece que a culpa é "de uma massa de ar frio transportada pela circulação de um vasto anticiclone que cobre a China", segundo os Serviços de Metereologia e Geofísica. Quem tem o privilégio de andar por Bangkok, Ho Chi Minh ou Manila por esta altura do ano, sua as estopinhas com temperaturas acima dos 30 graus. Enquanto esperamos pelo final da semana para "aquecer" mais um bocadinho, o melhor mesmo é tirar do armário os cobertores e agasalhos. Que bem que se está "entre portas".

HK on acid



Um suspeito foi detido em Hong Kong depois de 30 pessoas, incluíndo nove turistas, ficarem feridos com ácido lançado de um edifício perto do mercado nocturno em Temple Street. Gerou-se o pânico entre os transeuntes quando foram atiradas perto das 21:30 de Sábado duas garrafas contendo ácido corrosivo. Entre as vítimas encontra-se uma criança de sete anos. Apesar de algumas das vítimas terem sofrido queimaduras nos braços e na cabeça, não se registaram feridos graves, e todos tiveram alta ontem. Horas depois do ataque, um homem de 39 anos, de etnia chinesa foi encontrado escondido perto do local do crime. Apesar da detenção, a polícia de Hong Kong diz que se trata de um caso isolado, e que o responsável pelos ataques com ácido - seis no total - que aterrorizam a RAEHK desde Novembro de 2008.

Violador condenado em Singapura


Um tribunal de Singapura condenou um homem a 24 anos de prisão por ter abusado sexualmente da própria filha durante vários anos. O homem de 57 anos, emrpegado numa companhia de segurança, terá começado os abusos mem 2002, quando a jovem tinha apenas 8 anos de idade. O sabusos repetiram-se até 2008, quando a mãe da criança descobriu. O casal tem ainda quatro outros filhos. O homem, cujo nome não foi divulgado para proteger a identidade da vítima, não vai ser vergastado porque tem mais de 50 anos.

Guardiões da moral e bons costumes


Iris Robinson, 60 anos, é a mulher do primeiro-ministro da Irlanda do Norte, Peter Robinson. Iris é membro da Igreja Metodista Livre, uma facção da Igreja Protestante. Como se sabe o território da Irlanda do Norte, ou Ulster, está ocupado pelo Reino Unido, naquele que é um dos últimos bastiões do colonialismo no mundo, e provavelmente o último na União Europeia.

Iris e Peter casaram em 1970, e têm três filhos maiores. O mais velho, Gareth Robinson, é membro do Concelho para Castlereagh Borough, seguindo as pisadas dos pais na carreira política. A sra. Robinson é conhecida por ser uma acérrima defensora da moral e dos valores da família, e pela sua homofobia latente. Em 2008 durante um programa de rádio, aconselhou os homossexuais a "procurar ajuda psiquiátrica". A propósito da agressão a um homem homossexual em Belfast, a sra. Robinson condenou a violência, mas acrescentou que os homossexuais "lhe metem nojo" e "causam-lhe nauseas".

O que não lhe parece causar nojo nem nauseas são os rapazes adolescentes. Em 2008 a sra. Robinson teve um caso com um jovem de 19 anos de seu nome Kirk McCambley, que Iris prometeu ajudar após a morte do seu pai, Billy. Iris terá arranjado 50 mil libras para ajudar McCambley a abrir um restaurante, através de um esquema de financiamento parlamentar. Quando terminou a relação, a sra. Robinson terá tentado obter o dinheiro de volta, e em Março de 2009 tentou suicidar-se, num acto de desespero.

A história, já conhecida por Irisgate, veio a público na última sexta-feira, através do programa televisivo Spotlight, da BBC. A sra. Robinson terá afirmado um dia "Os governos têm o dever de fazer cumprir as leis de Deus". Assim vão os arautos da moral e dos bons costumes.

Ken Lee


Uma concorrente do concurso Idolos da Bulgária interpreta esse grande êxito de Mariah Carey, "Ken Lee". Não conhecem? "Ken Leeeee...tulibu dibu douchoo". É só rir!

O show Messi


O Barcelona parece estar de volta às grandes exibições e goleadas, ao vencer nas Canárias o Tenerife por cinco bolas a zero. O argentino Lionel Messi, melhor jogador do mundo em 2009, apontou três golos, tendo os restantes sido apontados por Puyol e o defesa Luna na própria baliza. O Real Madrid bateu o Mallorca em casa por duas bolas a zero, como golos de Higuaín e Granero, e mantem o segundo lugar a dois pontos dos catalães.

Porto sofre mas vence


O FC Porto era obrigado a vencer o U. Leiria para se manter na perseguição a Braga e Benfica pelo primeiro lugar na Liga Sagres. Os dragões sofreram para bater os leirienses por três bolas a duas, com dois golos do avançado colombiano Radomel Falcao. O guardião brasileiro Helton foi contudo o herói dos azuis e brancos, ao defender uma grande penalidade no último minuto. O Porto termina assim a primeira volta em terceiro lugar,a quatro pontos de bracarenses e encarnados.

Malis de fígado


O treinador português Manuel José ainda não deve acreditar: a selecção angolana tina quatro golos de vantagem sobre o Mali no jogo de abertura do CAN 2010, e permitiu o empate. Flávio bisou para as palancas negras ainda na primeira parte, e penalties (muito duvidosos) de Gilberto e Manucho na segunda parte davam contornos de goleada ao marcador. Só que o Mali, que conta com estrelas como Seydou Keita ou Frederic Kanoute, conseguiu uma reviravolta incrível, marcando os últimos dois golos em período de descontos. Este empate a quatro foi o jogo com mais golos na história da Taça das Nações Africanas. Angola perdeu assim uma excelente oportunidade de se estrear com uma vitória frente a um adversário directo, e pode ser hoje ultrapassada por Argélia ou Malawi, que se encontram daqui a três horas em Luanda.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A gritar no deserto


Depois de ver a entrevista com Carlos Morais José na TDM, cheguei à conclusão que o CMJ consegue ser ainda mais naife que eu. E chamo-lhe naife com o mesmo carinho com que chamaria naife ao meu pai, mãe, irmão ou melhor amigo. Acompanho e respeito o que CMJ tem feito em nome da literatura no território, o seu trabalho no Hoje Macau (tenho pena que não escreva mais), e enfim, cada vez que fala parece saber o que diz.

A cultura ocidental não é o Starbucks ou o McDonald’s nem a cultura oriental são os casinos ou os croupiers, mas Macau é pequeno, não existem matérias-primas, o saldo da balança comercial é equiparado ao de países do terceiro mundo, não há espaço nem pessoas para desenvolver um interesse pelas artes e pela cultura. É portanto natural que a população se preocupe mais com o saldo da conta bancária do que com a riqueza do programa cultural.

Esta é uma visão realista, mais que derrotista ou pessimista. Quem queria realmente fazer qualquer coisa deu a corda aos sapatinhos há muito, e outros que por aqui passam tiram rapidamente a radiografia, e pouco se demoram. Daí que a produção artística no território esteja entregue a pessoas que, se tivessem mesmo muita qualidade, tinham batido as asinhas e voado para prados mais floridos.

É verdade que a economia de Macau depende apenas do jogo, mas helas, pelo menos de cabeça vazia, mas de barriga cheia. É difícil conversar com a malta chinesa sobre qualquer coisa que não seja “prática” ou próxima. No outro dia estava a explicar a uma colega onde ficava a Somália, e outro colega disse-me que “saber onde fica a Somália não dá dinheiro”. Aliás isto é um reflexo daquilo que se ensina nas escolas do território; tudo muito directo, muito pragmático, muito "útil".

Uma vez estava a explicar a um colega porque se fala português e espanhol na América do Sul, e este acusou-me de ter “pesquisado a informação na internet e decorado para depois lhe dizer”. Mesmo que isso fosse verdade, pelo menos era um esforço pela procura de informação a que eles próprios não se dão, uma vez que só usam a internet para joguinhos infantis no Facebook ou para ler notícias autorizadas pela nomenclatura.

A “cultura” em Macau resume-se aos concursos televisivos da TVB Pearl, ou a um ou outro documentário sobre o café ou a culinária. No outro dia a minha mulher ficou surpreendida quando soube através de um desses documentários que na Etiópia existem pessoas que não estão no deserto a morrer de fome. Mas por falar em deserto, tiro o chapéu ao CMJ. É no imenso deserto de Macau que ele vai gritando.

Eu vos pronuncio marido e marido


Foi aprovado na sexta-feira o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. O nosso país volta a ser pioneiro nesta coisa de “direitos peregrinos”, como já o havia sido quanto à pena de morte, e é o oitavo país do mundo e sexto da Europa a legalizar a união civil entre homossexuais. Olhando para os restantes países europeus que o fizeram, temos a Suécia, Noruega, Bélgica ou os Países Baixos, por exemplo. Países com níveis de desenvolvimento muito superiores aos nossos, o que revela uma tentativa patética de reclamar um pârametro em que estejamos ombreados com a poderosa Escandinávia. Já que não pode ser na qualidade de vida e nos resultados a Matemática...

Fui em tempos um “activista” contra o casamento “gay”, porque sempre achei que se tratava de lançar uma confusão na sociedade em nome de uma minoria. Existem problemas que são da vontade da maioria resolver, e no entanto não conseguem ser resolvidos. A legalização vai trazer duas novas modalidades de casamento: homens com outros homens, e mulheres com outras mulheres, quando antes existia apenas uma. Eu por um lado até compreendo as mulheres, e se eu fosse uma, também continuava a gostar de mulheres. Quanto aos rapazes, agora vão poder casar também “unos con los outros”, como na anedota das batatas salteadas.

Não me identifico com os argumentos da Igreja, pois isso de “família” não é algo necessariamente emanado do casamento hoje em dia. Posso ter filhos, e viver maritalmente com alguém, sem precisar de assinar nada. Existem ainda casais que vivem juntos durante anos sem nunca terem tido filhos, e porque iam os homossexuais ser diferentes? Pois é, a questão dos direitos e das transmissões hereditárias, isso é que os incomoda. Não parece incomodar tanto assim os casais que vivem em união de facto, que não devem pensar assim tanto na morte e na tragédia. Quer dizer, vemos marmanjões de vinte e trinta e poucos anos preocupados com o que vai acontecer com o parceiro quando morrerem? Porque será?

Hoje em dia o assunto já não me diz tanto, e até me sinto mais ou menos aliviado que isto tenha sido legalizado e agora podemos começar a falar do passo seguinte: a adopção entre casais do mesmo sexo. Aí não há problema, pois num caso de divórcio, por exemplo, em que ambos os pais se voltam a casar, a criança fica com dois pais ou duas mães. Agora também a criança orfã pode ser adoptada por dois pais, ou duas mães. Pode ser que depois se encontrem todos uns com os outros e façam uma festa, e se divirtam e tal (ooops, é melhor parar antes que me acusem de defender o “mito” de que os homossexuais são promíscuos), e aí os orfãos ficam a dispor de uma gama de vários pais e várias mães, e aí não temem que nada de mal lhes aconteça.

Isso leva-me à questão do outro “mito” de que os homossexuais não conseguem manter uma relação amorosa estável. É verdade que conhecemos exemplo de bravos soldados do lobby gay que mantêm relações estáveis com pessoas do mesmo sexo durante décadas, e chegam a envelhecer juntos. Tiro-lhes o chapéu. Mas por cada um desses, conheço dez casos de indivíduos que têm outros parceiros sexuais enquanto numa relação estável, nunca chegam a ter uma relação estável, ou em alguns casos separam-se porque um deles começa a gostar de mulheres, casa-se e tem filhos. Não estou com isto a insinuar que a homossexualidade é uma doença mental ou um desiquilíbrio que se pode curar, mas está muito longe de ser um compromisso sério e estável.

A legalização do casamento gay não me incomoda, não me faz ter dúvidas sobre a minha própria sexualidade, nem obriga ninguém a casar com uma pessoa do mesmo sexo. O que me incomoda é que mais uma vez seja uma minoria a ditar o que está certo e errado. Não gostamos nada quando é uma pequena minoria de empresários, banqueiros e aldrabões a ditar o rumo da nossa economia. Não gostamos quando é uma minoria de políticos, fanáticos e malucos a gerir as nossas vidas. E não deviamos gostar quando uma minoria de gays nos dita quem pode casar com quem, ou que nos ensine o que é uma família.

PS: Não me importo que discordem com os pontos de vista aqui expressos, mas agradecia que não pautassem os comentários pelo insulto fácil e gratuito. Nesse caso até prefiro que não comentem.

Vocês sabem lá



Vocês sabem lá como foi ontem o programa “Dá-me Música” transmitido ontem pelo canal 1 da TDM. O programa foi consagrado a um tema que me é bastante querido: a música dos festivais. Os convidados eram Simone de Oliveira, Heitor Lourenço e Marta Norton, na equipa A, e Anabela, Serenella Andrade e Eládio Clímaco na equipa B.

Simone e Anabela foram vencedoras do Festival da Canção. A primeira duas vezes nos longínquos anos 60, e a segunda em 1993, quando tinha apenas 16 anos. Eládio Clímaco é aquele senhor afectado que fez a voz-off de dezenas de Festivais da Eurovisão. Sim, aquele que dizia uma catrefada de disparates a respeito de canções de outros países, enquanto mendigava pontos para a canção portuguesa durante a votação. Um verdadeiro patriota.

Fiquei desiludido com as músicas, bastante previsíveis. Deu-se destaque à música dos festivais nacionais, mesmo algumas que não ganharam, e as músicas da Eurovisão eram todas antigas e mais que batidas. A música italiana e francesa dos festivais da Eurovisão foi completamente ignorada. Um escândalo. Foi penoso assistir aos dançarinos residentes, aqueles rapazes e raparigas altos, belos e cheios de músculo, a dançar “profissionalmente” ao som de “Puppet on a String” de Sandie Shaw, ou “Ele e Ela” de Madalena Iglesias.

O vestido de catarina Furtado era, numa palavra, sexy. Melhor que aquele vestido, só se ela o tirasse. No final Anabela e Simone interpretaram “Vocês sabem lá”, sem dúvida o momento alto do programa. Para a semana é o último “Dá-me Música”, que em Portugal terminou no início de Outubro. Se calhar lá para o Verão a TDM traz-nos as “Danças no Gelo”, um programa nos mesmos moldes, a ser actualmente trasmitido na RTPi.

PS: Para a semana vai estar lá o palerma do Nuno Markl. Espero que os Delfins estejam lá para lhe atirar ovos quando ele cantar.

Acidente no Circo Chen


A queda de parte de uma bancada do Circo Chen, no Parque das Nações, lançou o pânico nas cerca de mil pessoas que aguardavam o início da sessão das 17:30.

Junto ao circo, as autoridades colocaram dois pontos de atendimento e já foram enviadas para os hospitais de São José, Dona Estefânia e Santa Maria 28 pessoas com ferimentos ligeiros, muitos delas com escoriações. O INEM informou que o total de feridos é composto por 9 homens, 13 mulheres e 6 crianças.

De acordo com o INEM, o caso que mais preocupações suscita é o de uma grávida que também sofreu ferimentos ligeiros.

Uma das crianças feridas teve, no entanto, de receber assistência num veículo da Polícia Municipal por falta de ambulâncias no local.

Em declarações à Agência Lusa, Miguel Chen, director do circo, afirmou que «a bancada escorregou para a frente e assentou no chão». De acordo com o director do Circo Chen o acidente ocorreu porque «alguém tirou os travamentos» que a imobilizavam a bancada.

"Foi mesmo escorregar, as pessoas ficaram sentadas onde estavam e depois saíram", afirmou Miguel Chen.

In SAPO

Togo fica na CAN


A selecção do Togo retirou-se da Taça das Nações Africanas (CAN) que tem início hoje em Angola na sequência da morte do treinador adjunto Abalo Amelete e do porta-voz Stanislas Ocloo, atingidos na sexta-feira por disparos de rebeldes da FLEC, Frente de Libertação do Enclava de Cabinda. O treinador Hubert Velud foi atingido num braço, e o guarda-redes Kodjovi Obilale foia tingido com dois tiros nas costas, encontrando-se internado num hospital na África do Sul. Apesar dos receios, a FIFA já anunciou que a CAN se vai mesmo realizar, apesar da tragédia. De recordar que a selecção togolesa fez a viagem do Congo para Cabinda de autocarro, ignorando as recomendações da organização para irem de avião.

Entretanto, de acordo com o L'Equipe e o Jornal Record, a selecção togolesa resolveu à última hora disputar o torneio. O médio Alexys Romao afirmou: "A comitiva acabou de se reunir e decimos que vamos entrar em campo na segunda-feira para defrontar o Gana. Morreram duas pessoas e outras estão feridas mas não podemos abandoná-los como cobardes. Se ficarmos aqui, é por eles. E não podemos dar uma satisfação aos rebeldes. O nosso governo não está de acordo connosco mas nós estamos determinados a jogar esta competição. A decisão foi tomada por unanimidade." O Togo está integrado no Grupo B do CAN, com as selecções da Costa do Marfim, Burkina Faso e Gana.

Arsenal e ManU empatam


Arsenal e Manhester United, dois candidatos ao título da Premier League inglesa, não conseguiram melhor que empates numa jornada marcada pelo adiamento de seis jogos da liga principal devido ao mau tempo. Os arsenalistas empataram em casa a duas bolas frente ao Everton, e só chegaram ao golo do empate em período de compensações através de Thomas Rosicky. O Manchester United foi a Birmingham empatar a uma bola, beneficiando de um autogolo do defesa Scott Dann.

Benfica passa nos Arcos


Previa-se difícil o jogo de ontem do Benfica em Vila do Conde, no Estádio dos Arcos, reduto do Rio Ave. Os encarnados voltaram a vencer com um golo solitário do argentino Javier Saviola, aos 48 minutos. O Benfica termina assim a primeira volta em segundo lugar, com os mesmos pontos do líder Braga, que derrotou na sexta-feira o Nacional por duas bolas a zero. O Sporting termina a primeira metade do campeonato em quarto lugar, mercê de uma vitória em Alvalade pela margem mínima frente ao lanterna-vermelha Leixões, com o golo a chegar apenas a seis minutos do fim, por intermédio do defesa Tonel.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Leituras


- Zélia Ribeiro regressa à opinião no Hoje Macau, com 2010: o regresso ao passado?

- Pinto Fernandes fala das notas falsificadas na China, em Os Fecs e os Fakes.

- No JTM, José Rocha Dinis fala da saída de Lee Peng Hong do IPIM e da nomeação de Alexis Tam para porta-voz do Governo, em Seria bonito com vários porta-vozes!!!

- Ainda no JTM o seu vice-director Sérgio Terra fala do (des)encontro entre o Chefe do Executivo e os deputados do sector democrata, em Mais uma acção mediática.

- No Ponto Final saiba tudo sobre a Lei do Tabagismo, em Casinos de fora sem explicação convincente, uma reportagem de Isabel Castro.

- N'O Clarim, Pedro Daniel Oliveira fala da legislação do artº 27 da Lei Básica, em Porque não existe ainda a Lei Sindical?

Bom fim-de-semana!

Os blogues dos outros (especial)


Gostava de reproduzir, com a devida vénia, um texto de Miguel Castelo-Branco, publicado no blogue Combustões, e que considero ser de grande interesse.

Clerk of Councils, ou seja, Secretários Gerais da Colónia, José Maria de Almada e Castro e seu irmão Leonardo de Almada e Castro ocuparam durante décadas a terceira posição na hierarquia administrativa de Hong Kong e foram decisivos para a moldagem institucional da mais importante colónia da coroa britânica no extremo-Oriente. Conselheiros de John Bowring, governador de Hong Kong e embaixador incumbido de negociar o primeiro "tratado desigual" com o Sião em 1859, mantiveram-se como influentes figuras e, depois, o clã Castro ocupou relevantes posições até vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não se tratou de caso isolado. Já antes da ascensão dos Castro, outro português, Alexandre Grande-Pré, ocupara as funções de Secretário da Colónia nos conturbados anos 40, ou seja, imediatamente após a cedência de Hong Kong ao Reino Unido, no desfecho da Primeira Guerra do Ópio. Grande-Pré foi depois comandante geral da polícia.

Os britânicos, tal como acontecera em Penangue em finais do século XVIII e em Singapura no primeiro quartel do século XIX, tentaram compreender o funcionamento e aplicar o modelo português, tido por mais experiente e alicerçado num profundo conhecimento dos modos e práticas asiáticos.

Hong Kong fazia parte, em 1848, do "império-sombra" português na Ásia. Ali funcionavam três escolas católicas - uma para rapazes europeus, leccionando em português e inglês; outra para raparigas e outra para chineses - e o ensino aí praticado era considerado modelar, pois desenvolvido por "scholars" (1). Em finais do século XIX, entre 10.000 britânicos e estrangeiros vivendo na cidade, 1.263 eram portugueses; ou seja, 12% de elite da colónia, pois que a massa dos quase 200.000 chineses ocupava funções modestas e detinha acesso limitado à engrenagem do poder.

Não deixa de ser sintomático o facto de Portugal abrir o primeiro consulado em Hong Kong antes de quaisquer outras potências europeias presentes na Ásia e, também, o facto do Sião ter aberto consulado em Macau anos antes de nomear um representante em Hong Kong. No trabalho que realizo detecto outra curiosidade: a chegada ao Sião, nas décadas de 60, 70 e 80 de muitos portugueses de Macau, fez-se através de Hong Kong; ou seja, Hong Kong era utilizado como agente difusor da rede informal de poder que os portugueses possuíam há muito. Positivamente, os portugueses viviam dentro do aparelho britânico, dominavam-lhe as fragilidades e tiravam partido da força britânica para se candidatarem a concursos para lugares de conselheiros junto da corte siamesa.

A defesa de Hong Kong foi, também, desde os primeiros momentos da colonização britânica, entregue a portugueses. Ao criar-se o Corpo de Voluntários, em 1854 - sintomaticamente durante a governação de Bowring - com a incumbência de proteger a cidade e manter a ordem pública, o número de portugueses fardados e armados atingia 15% dos efectivos. Os Voluntários Portugueses mantiveram-se como força relevante do dispositivo militar da colónia até à invasão japonesa de Dezembro de 1941 e muitos pagaram com a vida a defesa da sua terra, caso muito similar ao dos luso-descendentes na Malaia Britânica (actual Malásia), que foram notados pela bravura que demonstraram ao longo dos anos de guerrilha anti-nipónica (1942-45). Igualmente em Xangai se constituiu um Corpo de Voluntários Portugueses, que executava tarefas de vigilância e manutenção da ordem dentro do perímetro da Concessão Internacional.

Para todos quantos cultivam o miserabilismo como princípio para a análise da presença recente portuguesa nesta paragens, estes curtos apontamentos surgem como uma provocação. O propósito não é, evidentemente, provocar, mas contrariar lugares-comuns e essa tremenda inibição que tem feito de nós e da nossa historiografia um caso perdido e digno de piedade no triunfalismo historiográfico que domina a visão anglo-saxónica. Há muito que fazer e investigar, mas este é, creio, o caminho certo.

(1) ENDACOTT, G.B. A history of Hong Kong. London: Oxford Press, 1964

Miguel Castelo-Branco, Combustões

Natal Catita


E querem ver como foi o Natal dos Hospitais no Mundo Catita? Garanto que vão gostar. Mais um momento de génio de Manuel João Vieira.

Volta à China


ZHEJIANG - Um homem foi detido na estação de comboios de Shaoxing por ter pornografia no telemóvel. O homem foi abordado à saída do comboio pelas autoridades, que lhe pediram a identificação e o telemóvel, onde encontraram um vídeo pornográfico. O homem foi multado em 200 yuan e depois queixou-se que a polícia não lhe passou um recibo.

ZHEJIANG - Um homem de 61 anos morreu num supermercado super-lotado, onde centenas de pessoas ocorreram para comprar arroz quatro yuan mais barato. O homem entrou com a sua mulher, e uma vez dentro do supermercado separaram-se. Duas horas mais tarde foi comunicado à mulher que o seu marido tinha morrido.

JIANGSU - Um homem de Runzhou pagou uma compensação de 40 mil yuan à família de um amigo que morreu depois de terem estado juntos a beber. Os homens encontraram-se em Maio último para jantar, mas terão bebido demasiado. A família pediu uma compensação de 300 mil yuan.

HENAN - Um estudante universitário de Zhengzhou foi processado por ter ajudado uma idosa a levantar-se do chão. O jovem alega que encontrou a idosa em dificuldades e ajudou-a a levantar-se, mas esta alega que o caíu porque o jovem a agrediu. O estudante procura agora testemunhas do incidente.

GUANGDONG - Um homem comprou um pedaço de carne de porco num supermercado em Shenzhen e ficou chocado quando descobriu que a carne brilhava no escuro. O homem diz ter visto à noite a brilho a vir da cozinha, e foi para grande surpresa que constatou que que era a carne. O brilho vinha principalmente da zona do osso.

GUANGDONG - Três pessoas de Dongguan foram hospitalizadas depois de terem comido fígado de cão frito. Uma vítima diz ter comprado o fígado de um quilo por 10 yuan no mercado e comido com a família ao jantar. Os três começaram a sentir-se mal durante a noite.

GUANGDONG - O gerente do cinema Imax em Dongguan foi obrigado apedir desculpa de joelhos aos espectadores do filme "Avatar", depois destes terem sido obrigados a ver uma hora de anúncios publicitários antes do início da sessão. Quando o filme finalmente começou, o som não estava enquadrado com a imagem, o que obrigou a segundo pedido de desculpas, a devolução do preço do bilhete e ainda uma indemnização de 200 yuan a cada espectador.

HUBEI - Um professor do Instituto de Educação Física de Wuhan encontrou uma forma original de castigar três alunos que se ausentaram do instituto sem autorização: ou construíam um boneco de neve de um metro e meio, ou passavam a noite na rua, ao frio. Os jovens optaram por fazer o boneco de neve.

SHAANXI - Uma parturiente foi rejeitada em três hospitais de Xian antes de dar à luz. A mulher contraíu gripe A no Sábado passado, e foi rejeitada pelos hospitais quando chegou a hora marcada de ter a criança. A mulher foi então dar à luz numa clínica privada.

SICHUAN - Os funcionários públicos do distrito de Jinjiang, em Chengdu, podem agora tomar op pequeno-almoço, almoço ou jantar na cantina por apenas 1 yuan. A promoção gerou uma onda de protestos entre alguns habitantes do distrito, que consideram que os funcionários públicos têm "demasiadas regalias".

Terrorismo no CAN


As Forças de Libertação do Estado de Cabinda/Posição Militar (FLEC/PM) reivindicaram esta sexta-feira um ataque à escolta militar da comitiva da selecção do Togo na região de Massabi, naquela província angolana disputada pelo movimento separatista.

"Às 15 horas de sexta-feira, a resistência das FLEC/PM realizou um ataque no sector de Massabi contra as Forças Armadas Angolanas, que escoltavam a selecção nacional do Togo", diz um comunicado enviado para a agência Lusa, assinado por Rodrigues Mingas, secretário-geral da organização, "em representação do estado maior operacional das FLEC/PM".

Do ataque, resultou "um morto e três feridos graves nas fileiras inimigas" e nenhuma baixa do lado da resistência, indica o mesmo comunicado, que não refere nenhuma vítima entre a comitiva togolesa.

"Esta operação comando não é mais do que o começo de uma série de ações dirigidas que vão continuar em todo o território de Cabinda", conclui o texto.

Mas de acordo com um porta-voz do Ministério do Desporto do Togo, no ataque "o motorista do autocarro morreu no local" e entre os feridos estão dois jogadores e dois médicos.

O autocarro que transportava a selecção do Togo foi, recorde-se, metralhado ao atravessar a fronteira entre o Congo e o enclave Angola, onde se vai realizar a Taça das Nações Africanas (CAN'2010).

Segundo Alaixys Romao, um dos jogadores da equipa africana, sete pessoas foram baleadas, duas delas jogadores. O avançado Thomas Dossevi, do Nantes, disse que vários jogadores se encontram em estado grave. "Atiraram nos jogadores como se eles fossem cães e tivemos que ficar 20 minutos debaixo dos assentos para escapar às balas", disse o internacional do Togo. Ainda segundo Dossevi, o ataque foi executado por homens encapuzados fortemente armados.

In Record