sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Os blogues dos outros


O PM tem aproveitado todas as frases de Manuela Ferreira Leite (MFL) para fazer jus ao mais reles exercício de demagogia. Primeiro, quando MFL disse que as obras públicas, megalomaniacamente propaladas pelo governo, não resolveriam a questão do desemprego entre os portugueses, a não ser talvez o dos cabo-verdianos e outros que trabalham na construção, Sócrates veio a terreiro apelidar MFL de xenófoba. Depois, quando MFL disse, num contexto muito específico, que por vezes seria melhor suspender a democracia para levar a efeito as necessárias mudanças estruturais, pois só assim não se teria de suportar a influência dos grupos de pressão, eis que Sócrates e seus seguidores lá vieram afirmar que MFL era anti-democrática. Ora, isto demonstra, desde logo, uma de duas coisas: ou Sócrates e afins desconhecem o conceito de ironia e estão, por conseguinte, munidos de uma duvidosa capacidade de compreensão; ou agem de má-fé, distorcendo o óbvio sentido das palavras proferidas pela líder da oposição e, assim sendo, não passam de canalhas e meros aproveitadores políticos. Escolham qual das alternativas preferem, desde que estejam conscientes que não há outras. Seja qual for a opção, só resta concluir que estes pacóvios não nos podem governar. Não sabemos como Sócrates alcançou o seu título de engenharia, mas sabemos que fechou hospitais e maternidades, que deu a mão ao BPN, que tem a educação e a cultura a ferro e fogo, que quer aprovar uma incongruente lei sobre o divórcio, que exerce um controlo ditatorial sobre os órgãos de comunicação social, que tem um Pinho, um Lino e um Amado. Só alguém com pensamento viciado ou intelectualmente falso poderá acreditar que MFL é xenófoba ou anti-democrática. Só alguém que não aprecie a tradicional (embora esquecida) ironia portuguesa poderá asininamente deturpar o que MFL disse. Só alguém que quer que Portugal se afunde irremediavelmente poderá eleger Sócrates outra vez. Só quem não preza o nosso país poderá deixar de dar uma oportunidade à responsabilidade e à coerência, ou seja, a MFL. Sócrates, jamais! Pinho, Lino e Amado ao pelourinho! E levem o Menezes, a ver se o gajo se cala de vez!

VICI, MACA(U)quices

A verdade é que muitos “democratas” que não calaram a sua indignação partilham da mesma falta de convicção nas virtudes na democracia que Manuela Ferreira Leite manifestou ao afirmar que não acreditava na possibilidade de implementar reformas em democracia, ainda que goste de recordar as reformas empreendidas durante os governos de Cavaco Silva. Em Portugal há três tipos de democratas, os que acreditam na democracia, os que preferem a democracia com receio de uma ditadura de sentido inverso à que desejam e os que consideram a democracia o regime que cria melhores condições com a sua estratégia de alcançar uma ditadura.

Jumento, O Jumento

O regime socialista não aguenta o confronto com o êxodo de trabalhadores portugueses e ignora-os. Mas os emigrantes, que continuam a chegar, em novas levas, todos os dias a França, Luxemburgo, Suíça, Espanha, Alemanha, Reino Unido e outros países, existem e têm de ver, em Portugal, os seus direitos respeitados e protegidos. Mesmo se, tal como durante o salazarismo, se escondem e varrem, como lixo, para debaixo do tapete da pretensa recuperação económica.

António Balbino Caldeira, Do Portugal Profundo

Desculpem mas vou assistir a umas partidas de ténis e já venho…
Vou ter oportunidade de ver ao vivo o tenista mais amuado, mal criado e com menos desportivismo da história do ténis: O McEnroe está cá! Partia raquetes, insultava o árbitro, fazia gestos feios com as mãos, um infindar de ordinarices com que todas as crianças vibravam! As partidas não voltaram a ter o mesmo sabor...
Espectáculo!


Mor, Mor Alone

Quem ouvia falar Basílio Horta há uns meses ficava banzado. O presidente da AICEP, personalidade que mais papa almoços e jantares de 'negócios', dizia que os investidores eram aos montes, que a economia de Sócrates era o caminho mais directo para a felicidade dos portugueses, blá, blá, blá. Hoje no DN, o mesmo Basílio Horta veio dizer que "a crise é gravíssima e exigem medidas para salvar empresas e atenuar a queda nas exportações". Mas como? Talvez, com mais uma almoçarada de 'negócios'...

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Maria de Lurdes Rodrigues esteve bem durante a entrevista que deu ontem à RTP. A agressividade despropositada de Judite de Sousa ajudou-a a passar uma imagem mais cordata do que é habitual. Assumiu os erros que mais repetidamente foram apontados ao seu modelo de avaliação e afirmou-se apostada em prosseguir com uma reforma cuja necessidade é do consenso geral. Seria perfeito não fosse o timing. Agora já é tarde para os sindicatos também recuarem. Reféns da dinâmica que o movimento de professores criou, não querem abdicar da sua pseudo-liderança. Vão continuar sem estratégia definida a fingir de porta-vozes, tendo apenas como referência o ódio irreversível que esta ministra despertou na classe dos professores. Enquanto ela não sair não creio que possa haver acordos para a Educação.

Teresa Ribeiro, Corta-Fitas

Oliveira e Costa foi detido no âmbito da Operação Furacão, uma investigação em que estão implicadas dezenas de grandes empresas portuguesas e que já tem mais de 2 anos. Até ao momento não havia qualquer sinal de resultados. Existem mesmo dúvidas que a Operação Furacão seja um investigação criminal. Mais parece uma operação de extorsão fiscal. De entre as centenas de envolvidos, Oliveira e Costa foi o único a ser detido. Não é coincidência que só tenha sido detido depois de cair em desgraça.

João Miranda, Blasfémias

Bom, eu achava que tinha perdido parte da experiência da construção democrática. Nascer em 82 amputava grande parte da noção de "rua" na experiência portuguesa. Hoje, mais uma manif aqui à porta de casa. Sinto-me em 75, com estes "fascismo, nunca mais" (e ninguém lhes diz que o governo no poder é PS, na inocência da designação?). Obrigada, CGTP, por mais este passo no meu desenvolvimento pessoal.

Ana Margarida Craveiro, Blogue Atlântico

a tvi, vá-se lá saber por quê, transmitiu um treino da selecção brasileira. e foi muito giro.

João Gaspar, Last Breath

Lisboa treme


Queda do viaduto de Alcântara-Mar, derrocada no Hospital de Santa Maria, incêndio numa bomba de gasolina em Alfama, o horror, a tragédia, milhares de mortos e feridos. Este vai ser o cenário este fim-de-semana em Lisboa. Não, não é o dia do julgamento final nem sequer a repetição do terramoto de 1755. É um simulacro de um sismo de 6.7 na escala de Richter que vai decorrer até Domingo, e vai contar com a participação de 2750 profissionais dos serviços de emergência e 1798 figurantes, e a mobilização de profissionais de bombeiros, GNR, PSP, Aviação Civil, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, INEM e Forças Armadas, entre 68 entidades. A primeira simulação vai decorrer na praça de touros do Campo Pequeno, às 18h de hoje, com um camião de transporte de matérias tóxicas a ter um acidente e a derramar a carga. O trânsito vai estar condicionado nas regiões de Lisboa, Setúbal e Santarém. Divirtam-se, que não é todos os dias!

Febre natalícia em Hong Kong


Os honconguenses já começaram a fazer as suas compras de Natal, aproveitando a onda de saldos da época, enquanto retalhistas se preocupam que a crise económica se agrave, e leve os consumidores a ficar em casa. Ontem os saldos nas lojas da cadeia japonesa da Yata em Sha Tin New Town Plaza atraíu 140 mil pessoas, formando-se fila a partir das 6 da manhã, três horas antes da loja abrir. Produtos lácteos e artigos de cama do Japão foram os mais procurados. Só nas primeiras duas horas foram vendidas 3600 latas de leite em pó (!). Outros centros comerciais no território vizinho têm investido nas compras de Natal. O IFC de Central gastou 10 milhões de HKD em decorações e promoções, enquanto o Kowloon Tong vai realizar o sorteio de um carro híbrido no valor de 310 mil dólares. Algumas das promoções incluíem descontos de 80% em produtos variados.

Zarganar condenado


O actor e comediante birmanês Zarganar (né Thura) foi condenado a 45 anos de prisão por ter organizado entrega de alimentos e outros bens a vítimas do ciclone Nargis, que vitimou 138 mil birmaneses em Maio último. O actor, que foi previamente proibido de actuar em público, é acusado de denunciar a situação humanitária vivida na Birmânia após a tragédia, e dos poucos esforços governamentais em ajudar as vítimas. Juntamente com Zarganar (que significa "tesouras" em birmanês) foi também condenado o jornalista desportivo Zaw Thet Htwe, este a cumprir agora uma pena de 15 anos. Mais uma notícia triste do país dos sanguinários generais de Yangoon.

Saíu o Chinese Democracy


Aí está a notícia que os fãs dos Guns N'Roses anseavam. Saíu o Chinese Democracy, o álbum mais caro de sempre da História, com uma produção que demorou quase 15 anos. É o primeiro álbum da banda desde "The Spaghetti Incident?" em 1993, e o primeiro de originais desde os duplos "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II", de 1991. Entretanto os fãs dos Guns N'Roses casaram, constituíram família e alguns cansaram-se de esperar. Eu também gostava dos Guns N'Roses, sim, quando tinha uns 15 anos...

Os vinte que paguem a crise


A cimeira dos G20 vista pelo brasileiro Fernando Maurício. Hilariante, como sempre.

Periquita do Superpop


E porque hoje é sexta-feira, eis mais um êxito da turma do Vaivc.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

9-1? Bolas!


Talvez pouca gente tenha reparado, mas ontem foi dia de futebol internacional no território. A selecção de Macau realizou um amigável com a sua congénere de Hong Kong, aqui mesmo no território, e perdeu...por 1-9. Mas que diabo. Um-a-nove? Perderam por uma bola a nove, que até parece uma bola de neve?

Mas qual foi a ideia de realizar um internacional desta natureza se nem sequer estavam preparados, e inscrever uma página negra na história do confrontos com a região vizinha, que apesar do registo negativo, não chegam ao ponto de se perder por uma cabazada deste tamanho. Se calhar deviam ter ido para casa ao intervalo, em que já perdiam por cinco secos, em vez de, ahem, esperar para ver se conseguiam dar a volta ao resultado (oh, oh, oh).

Não se percebe como o futebol em Macau não consegue evoluir. Temos mais infra-estruturas, mais campos, mais atletas e até mais população que antes, mas os resultados passam de maus a muito maus, e de muito maus a exasperantes. Basta olhar para o ranking da FIFA para perceber que Macau regrediu; do 156º lugar em Setembro de 1997, ao 197º lugar actual, o pior de sempre, e atrás de países como o Tonga, Aruba ou Comoros, onde provavelmente nem existem relvados em condições.

Os técnicos que realmente têm vontade de trabalhar voltam as costas a Macau como o Diabo foge da cruz e o futebol fica entregue a um grupo de amadores e brincalhões cuja formação passa por visionar os jogos do Arsenal e do Chelsea na Macau Cable TV.

Outra coisa que não se compreende é o fascínio pela contratação de técnicos japoneses. É verdade que o Japão é o país asiático que mais evoluíu nos últimos vinte anos, um modelo a seguir no contexto da AFC, o parente pobre do futebol mundial, mas é essa a ambição das gentes do desporto em Macau? Tornar a selecção numa espécie de Japão em miniatura? Talvez fosse altura de olhar a alternativas, investir um pouco e tornar isto um pouco mais sério, e talvez pensar em trazer alguém com ideias novas.

Já sei que vão dizer que ninguém se interessa pela selecção, e que “não vale a pena”. Mas se calhar não se interessam porque ninguém gosta de andar sempre a perder, e não vale a pena porque dá trabalho. Outros vão dizer que isso não é o mais importante, mas numa cidade onde há dinheiro e os problemas que existem não se resolvem, o que é importante, afinal?

O campeonato local é uma anedota, com resultados fabricados, audiências de meia dúzia de espectadores (nem as famílias dos jogadores vão ver os jogos), arbitragens zarolhas e uma organização terceiro mundista, tudo realizado num estádio (o da Taipa) moderno e bem equipado que faz inveja a países como o Laos, o Belize, as Seychelles ou as Ilhas Caimão, todos classificados bem à frente de Macau not tal ranking da FIFA.

O futuro não augura nada de bom. Não existem campeonatos de jovens, o que vale por dizer que os que ainda se interessam em imitar os seus ídolos vão fazendo uns treinos, e tal, mas não tomam o gosto à competição, às tácticas, aos resultados, e por isso não conseguem progredir. É verdade que o desporto só por si é uma actualidade saudável, mas também não é menos verdade que “o que importa é competir”, e em Macau não se proporcionam sequer condições para isso.

As únicas tentativas de formação dignas desse nome foram estranguladas à nascença por não pactuarem com a filosofia de mediocridade que tem sido imposta no futebol macaense. Que o digam os responsáveis do Benfica de Macau, só para citar um exemplo mais concreto.

A ambição de um território onde se vive bem, em paz, e onde o nível de vida é acima da média, é que exista um campeonato decente e uma selecção funcional. O objectivo devia ser perder por poucos com os mais fortes, dar luta aos ligeiramente melhores, discutir o resultado com os iguais, e vencer os mais fracos. Ao olharem para resultados como os de ontem, o que os jovens vão pensar? É para eventualmente um dia integrarem esta selecção de coxos que treinam e sonham ser um dia como os seus ídolos? Se for para isto, se calhar o melhor era mesmo acabar. Assim ninguém se chateava, não é?

Europeana


Está a partir de hoje acessível ao público a Europeana, a primeira biblioteca multimédia "on-line" da Europa. Através desta biblioteca virtual, poder-se-á acedar a mais de 2 milhões de obras, entre livros, mapas, fotografias, arquivos, pinturas e filmes dos 27 Estados-membros da EU. O site está acessível em todas as línguas da EU e conta com material fornecido por mais de mil organizações culturais de toda a Europa, e já se registaram só no primeiro dia mais de 10 milhões de visitas por hora (talvez por isso demore um bocadinho a carregar). Portanto vale a pena visitar. É a Europeana, people.

Acabou o Mal


Dizem que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe. Mas há males que vêm por bem, e esse era o caso d'O Mal, o blogue do humorista e guionista João Quadros, que agora abandona a escrita bloguística para abraçar novos projectos naquilo que melhor faz: humor. Fica O Mal que já está feito, e que vai ficar nos anais e orais da história da Blogosfera em português. O Mal acabou tal e qual como começou nesse glorioso dia 26 de Dezembro de 2006:

A culpa da fome em África é em grande parte da Igreja. Eles é que meteram na cabeça dos africanos que o canibalismo era pecado. Fiz as contas, e bastava cozinhar todo o pessoal dos Médicos Sem Fronteiras que neste momento presta ajuda em África, para haver comida suficiente para os próximos cinco anos. Isso é que era solidariedade! - Mãe, estive a pensar e vou dar um braço a Moçambique. - Ainda bem que dizes isso, meu filho. Eu já tinha pensado em dar esta perna que está cheia de varizes e já pouco a uso mas a eles dá-lhes muito jeito.

João Quadros promete regressar se as coisas "correrem mal". Já sei que com o seu talento isso é impossível, mas secreta e egoisticamente, quase fico a torcer para que sim. Espero que ele não me leve...a Mal.

Nota: A imagem dos tremoços não tem nada a ver com O Mal nem com o post em geral. É a minha singela homenagem ao João.

A anedota do português


Os brasileiros ainda se devem estar a rir daquele grupo de Manéis e Jaquins que se apresentaram a noite passada (esta manhã em Macau) no Bezerrão, em Gama, perto da capital Brasília. Uma vitória por seis bola a duas a uma selecção portuguesa que não teve quaisquer argumentos para contrariar o "escrete", que parecia uma equipa de outra galáxia (comparada com Portugal, entenda-se). Portugal ainda esteve em vantagem, marcando aos 4 minutos por Danny, mas os brasileiros deram a volta ao resultado ainda antes do intervalo, com dois golos de Luiz Fabiano. Na segunda parte foi o descalabro, com os jogadores brasileiros a aparecerem na área lusa cada vez que lhes apetecia, marcando a seu bel-prazer. Foi mais uma exibição pobre da selecção nacional, que não sofria seis golos desde 1955 (!). É altura de Carlos Queirós deixar o comando da selecção antes que seja tarde de mais. Se alguém ainda lhe dava o benefício da dúvida, agora as dúvidas parecem estar todas dissipadas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sands, quartel de Mong-Há e IPOR


1) A Las Vegas Sands diz que a suspensão das obras no COTAI é do Governo Central e do Governo da RAEM. Quem o diz é o seu presidente Bill Weidner, que acusa o Governo Central de ter mudado a sua política com Macau. Steve Wynn, da rival Wynn Resorts já veio criticar a estratégia da Sands para Macau, acusando-os de falta de planeamento e faseamento. Seja como for, os senhores americanos que nos vieram ensinar "como se faz" estão agora com as calças na mão. Quem paga o pato são os 11 mil trabalhadores dos lotes 5 e 6 do COTAI, que ficam no desemprego. Veja aqui a reportagem da TDM.

2) O antigo quartel do Mong-Há, cuja muralha ficava sita ali junto da Rua Francisco Xavier Pereira, foi abaixo. Depois da novela do Farol da Guia, o buraco na muralha protectora da cidade no Colégio de Santa Rosa de Lima, agora é mais uma parte do rico património de Macau que desaparece. Macau pode-se orgulhar de ser um exemplo no que toca à preservação de monumentos e edifícios antigos, mas deste jeito, até quando?

3) O IPOR faz planos de vender o espaço comercial onde fica a Livraria Portuguesa e a respectiva galeria, na Rua Pedro Nolasco da Silva. A proposta é bastante aliciante, na ordem dos 50 milhões de patacas, ou mais. A comunidade portuguesa já se mexeu, através da Casa de Portugal, que enviou uma carta ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Partindo do princípio que a Livraria Portuguesa é um espaço vital para a divulgação da língua e cultura portuguesas no território, quais são os planos do IPOR, que tem estado completamente à deriva nos últimos meses? Estão em Macau para investir no mercado do imobiliário?

Contas bem feitas


O Orçamento de Macau foi totalmente executado ao nível da receita prevista para 2008 no final de Outubro com o encaixe global de 43.063,8 milhões de patacas, revelam dados oficiais divulgados pelos Serviços de Finanças. Com as “receitas públicas totais” cumpridas a cem por cento e a registar um crescimento homólogo de 33,1 por cento, as “receitas correntes” subiam nos primeiros dez meses do ano 32,4 por cento para 42.760,4 milhões de patacas e estavam executadas em 106,3 por cento.

in Hoje Macau

Oba! Isto do orçamento já estar executado em Outubro, quer dizer que a malta pode tirar férias até ao fim do ano? Ou não?

A ocasião faz o burlão


Uma visita à padaria pode ser uma grande aventura. Quando tinha 13 anos saí de casa às 7 da manhã com os cem escudos com que comprava todos os dias os 10 papo-secos que se consumiam lá em casa. Estávamos em Janeiro, e o nevoeiro não deixava avistar um palmo à frente do nariz, e a rua estava deserta. Perto da padaria, que ficava a 5 minutos a pé de casa, apercebi-me que tinha perdido a nota com a imagem do Bocage, e voltei a casa para pedir outra à mãe. Tudo o que ela me disse foi "vê lá se não perdes esta". Ah, as memórias da adolescência.

Bem. Li na imprensa de Macau que uma menina, também ela adolescente, mas de 15 anos, saíu da sua casa na Av. Horta e Costa em direcção à padaria. Pelo caminho foi interceptada por um homem de aproximadamente 20 anos, que falava Mandarim. A menina, uma patriota e boa aluna, percebeu tudo o que o homem lhe dizia. Tinha vindo de Taiwan e alegava que os seus cartões de crédito "não funcionavam em Macau", e pediu-lhe que deixasse ligar para a família, que lhe mandaria dinheiro através da conta...da menina.

Isto já era razão mais que suficiente para gritar e procurar o primeiro polícia à mão de semear, mas a menina anuiu ao pedido do homem, deixou-o fazer o telefonema e de seguida passou-lhe para a mão o cartão ATM, onde vinha indicado o número da conta. Com o cartão na mão, o homem desatou a correr. Mais tarde o homem ligou-lhe para o telemóvel e pediu-lhe o código pessoal, uma vez que "a família já tinha transferido o dinheiro". Foi aqui, e só aqui, que a menina achou que havia "algo de estranho" e contou ao pai, que comunicou o incidente às autoridades.

Temos aqui portanto, o caso da menina burra e do ladrão mais burro ainda. Na semana passada na Taipa, num truque semelhante mas mais bem elaborado, outro burlão pediu seis mil patacas emprestadas a uma outra menina, promotendo que a família lhe transferiria o dinheiro para a conta mais tarde. Duas horas depois de não ter mais notícias de família nenhuma, fez queixa à polícia.

Macau pode ser a capital das burlas e muitos incidentes deste tipo são registados, mas serão os nossos cidadãos assim tão crentes e ingénuos? E como é que uma miúda de 15 anos anda com um cartão multibanco assim sem mais nem menos? Se um dia passar um cartão para os meus filhos, quero primeiro certificar-me que não caiem nestas esparrelas. Ou melhor, se estão realmente preparados para assumir essa responsabilidade. Macau sã assi...

De cabeça perdida


Um homem inglês de 50 anos suicidou-se em Winchester cortando a própria cabeça com uma serra eléctrica. David Phyall não aceitou de bom grado que a sua casa fosse penhorada pelo banco, e revelava-se "inquieto" e "perturbado" nos últimos dias, afirmou o médico-legista Simon Burge. Segundo Burge, Phyall terá atado a serra eléctrica a uma mesa de bilhar na garagem, prendeu o botão de "on" com fita-cola, e ligou-o a um timer usado para ligar e desligar as luzes. Deitou-se então debaixo da mesa e colocou a serra no pescoço, que lhe cortou três quartos da cabeça, tendo depois ficado presa na sua camisola e parado. Phyall esteve a beber antes de cometer o tresloucado acto, mas não consumiu qualquer droga.

O grande saque



Hoje foi dia VIP no Centro Comercial New Yaohan, o que vale por dizer que milhares de pessoas (mulherame, na maioria) invadiu aquele espaço comercial agora na Av. da Praia Grande para aproveitar os 10% de desconto nos bens mais fúteis que se possa imaginar. Colchões, lençois, cosméticos, brinquedos e electrodomésticos foram os itens mais procurados, mas por volta da hora de almoço a bicha nas caixas do supermercado estendia-se até à entrada. Como é hábito, a segurança foi mais apertada que o habitual, de modo a prevenir os habituais atropelamentos, empurrões e total desrespeito pelas mais básicas regras de civismo que são comuns nestas ocasiões. Por acaso não sabia que era dia VIP, e como não tinha o dia todo para perder ali, voltei de mãos a abanar. Em todo o caso volto lá amanhã, quando tiver acabado o saque e o New Yaohan voltar ao seu estado normal, ou seja, às moscas. Não posso deixar de elogiar esta forma interessante de marketing aliado ao ilusionismo. O que um descontozinho da caca é capaz de fazer...

Paulo Sousa em Londres


O português Paulo Sousa, antigo futebolista internacional que passou pelo Benfica, Sporting, Juventus, Inter de Milão, entre outros clubes, é o novo treinador do Queen's Park Rangers. A equipa londrina, propriedade do patrão da escuderia Renault da F1 Flavio Briatore, milita na Championship League, o segundo escalão da pirâmide do futebol inglês, e ocupa neste momento um modesto 10º lugar. O técnico português asinou um contrato de 2 épocas e meia, e substitui o o irlandês Iain Dowie, que foi despedido a 24 de Outubro. Para Paulo Sousa, 38 anos, esta é a estreia como técnico principal de uma equipa de futebol.

Irão censura


A República Islâmica do Irão bloqueo mais de 5 milhões de páginas na internet, entendidas como "imorais" e "anti-sociais", declarou uma entidade judicial daquele país. "Os inimigos procuram violar a nossa identidade religiosa através da internet", afirmou Abdolsamad Khoram Abadi, conselheiro do Procurador Geral do Irão. A república islâmica tem mais de 20 milhões de utilizadores da internet, e é um dos 20 países com mais utilizadores. Nos últimos anos os ISP iranianos bloquearam acesso a sites políticos, relacionados com direitos humanos ou direitos das mulheres, ou páginas pessoais com conteúdos pornográficos ou anti-islâmicos. Uma carreira com futuro? Censor da internet no Irão.

Era bom, era


A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, ironizou sobre a forma autoritária como o Governo de José Sócrates governa, questionando mesmo se "não era bom se houvessem seis meses sem democracia para pôr tudo em ordem". Manuela Ferreira Leite afirmou que "não acredita em reformas quando se está em democracia", e que o Governo "tenta fazer as reformas hostilizando as classes profissionais". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", acrescentou a presidente do PSD, acrescentado de seguida "e até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".

Apesar de polémicas e facilmente manietáveis pelo PS, não posso deixar de concordar com MFL. Democracia a mais atrapalha, sem dúvida. É difícil fazer ou mudar quando cada cabeça tem a sua sentença. Agora se a democracia existe, é preciso negociar, procurar em conjunto a melhor solução, e, mais importante que isso, não impor. É o "factor democracia".

Bikini Night


Agora numa nota mais ligeira. Realiza-se dia 29 (deste Sábado a oito) no Fashion Club na Doca dos Pescadores a Bikini Night, das 22:30 até...sabe-se lá quando! As possibilidades são infinitas quando se trata de uma noite com muitas mamocas baloiçantes. As madames pagam 100 patacas (uma bebida), os cavalheiros pagam 180 (duas bebidas), e as meninas que ousem vir de Bikini Top (ainda mais com o frio que se faz sentir) não só não pagam como ainda têm uma bebiba de borla para aquecer o esqueleto! A música fica a cargo da DJ Missy Dizzy, e vai haver uma passagem de modelos de Bikini de Hong Kong à 1:30 da madrugada. O prémio para o "jogo do Bikini" são 10 mil patacas! Uma ajuda agora nestes tempos de crise. Faça as suas reservas pelo número 28898999. Uau!

Adrià solidário


O melhor cozinheiro do mundo, o catalão Ferran Adrià, e a sua equipa do restaurante El Bulli vão preparar um jantar de no salão nobre do Hotel Ritz, em Lisboa, na próxima segunda-feira. Adrià vai preparar algumas das suas especialidades, que o bom e endinheirado garfo poderá provar pela módica quantia de 200 euros por cabeça (perto de 2000 patacas). A iniciativa é da Associação Terra dos Sonhos e visa ajudar crianças portadoras de doenças crónicas ou terminais a realizar os seus desejos.

Crise no futebol


Ao ponto que chegou a crise no futebol, com a falta de pagamento de salários e prémios de jogo. É mais um vídeo do Zé Carlos, dos Gato Fedorento.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

As outras LAG


Mais um ano, mais uma edição das Linhas de Acção Governativa (LAG), a fogueira das vaidades do território. Faz-se o balanço deste ano, fala-se do próximo, vem a “artilharia pesada” para a AL. Os srs. Secretários, directores, técnicos, deputados, juristas, jornalistas. A fina nata dos intelectuais e dos bem informados.

É a oportunidade para afinar os dotes políticos ou da oratória. Este ano não vou falar das duas semanas das LAG, não vou discutir, não vou entrar em detalhes sobre o que se diz, o que se faz, e o que sempre, sempre se promete estudar, fazer, melhorar, ver, analisar, tomar atenção. Há quem diga que as LAG são sempre iguais, vira o disco e toca o mesmo.

Mas para o ano é que é; eleições para a AL, novo Executivo, dança das cadeiras, baralha e volta a dar, tudo será diferente. Será? O ambiente é de cortar à faca as fatiotas e as gravatas. Mas pura ilusão, é tudo parte do espectáculo. São todos amigos. Talvez a excepção seja um sr. Deputado e uma sra. Secretária, desavindos desde tempos idos sabe-se lá como e sabe-se lá porquê, mas este ano até o primeiro teve o cuidade de trazer à segunda uma prendinha. Foi um momento très romatique.

Durante os meus afazeres diários ontem e hoje estive em dois ou três serviços públicos, e foi curiosa a forma como os funcionários (e não só) estavam atentos às LAG. Isto são coisas que lhes interessam, mas parece que não vai haver aumento este ano. Mas os assuntos que se debatem nas LAG? O que têm relamente a ver com as necessidades da população em geral? Sim, o atraso na justiça ou a falta de magistrados, isso interessa. A língua chinesa e portuguesa? Não sei se interessa assim tanto.

Depois vamos ter os deputados que falam do lixo, das calçadas, dos ajardinamentos, do estacionamento, da medicina chinesa, dos horários da recolha o lixo, do barulho aos fins-de-semana, depois a tal deputada eleita pelas domésticas analfabetas e velhotas continuará a sua cruzada contra a internet e os seus males, e todos vão ter a sua opinião muito própria de qual é a forma de repartir melhor os bolos. Cada um com a sua encomenda muito especial.

Para mim as LAG ideais discutiriam problemas sérios e terrenos, como a falta de mercado de emprego para a juventude, a falta de qualidade e o preço de alguns serviços (o das telecomunicações, por exemplo), a lástima que são os transportes públicos, a poluição, o planeamento urbanístico (e nem só da Guia vive o homem), a necessidade de mais um hospital público, enfim, mil e uma coisas. A terceira idade, por exemplo, de que tanto se fala, não me parece assim tão mal. Os velhos andam aí, enchem os autocarros, fazem o que muito bem lhes apetece, não lhes faltam centros de dia, parques públicos ou pedrinhas daquelas redondas para andar em cima.

Todos os dias vejo mais injustiça, mais desigualdade, mais desespero. Uns vejo que comem um min na rua, que almoçam por dez patacas ou menos, que andam por aí ao papelão, que aproveitam tudo o que há de grátis, duas ou mais famílias que vivem em duas assoalhadas porque não conseguem responder aos preços do imobiliário. Outros há que almoçam em restaurantes de luxo todos os dias, que tiram férias fora de Macau duas ou três vezes por ano, que vivem em apartamentos do tamanho de um campo de futebol.

Cada vez oiço mais histórias de caristia, de desemprego, de isolamento. Os mais pobres são atirados para a zona norte da cidade, onde são vetados a um círculo interminável de pobreza. As escolas, cada vez mais elitistas, “atiram” os seus alunos mais problemáticos para escolas onde não podem aspirar a um futuro melhor ou a qualquer ambição de progresso. Faltam agentes sociais, psicólogos, sociólogos. Haver há, estudam lá fora e acabam a trabalhar nos casinos por falta de “saída profissional” ou uma remuneração condigna com o investimento que foi feito. Não faltam só magistrados ou sacerdotes católicos que falem português, minha gente.

Os trabalhadores não-residentes pagam a factura. Alguns que vivem e trabalham no território há mais de dez anos mas nunca conseguiram passar disso mesmo, que constituíram aqui família e criaram raízes, que tanto contribuíram e cujo regresso ao país de origem seria um enorme choque, têm medo. A solução passa por serem os primeiros a sair, em nome do politicamente correcto, e não passam de "números", de excedentário.

A cultura não existe, por muito que se apregoe o farto calendário “cultural” que esporadicamente vai havendo. A cultura geral da população é uma anedota, proporcional à exiguidade deste território onde vivemos. Falta um curso de medicina, de bioquímica, de outros que não façam os jovens precisar de sair do território para prosseguir o seu sonho. Há tanta ponta por onde se pegar, há tantos novelos por desenrolar que davam para umas novas LAG. Ou mais duas. Ou mais três.

Ironia em japonês


Um inspector da polícia de Tóquio encarregado de manter as ruas da cidade livres de condutores sob a influência do alcool foi apanhado a conduzir embriagado, disse um porta-voz da polícia da capital japonesa. O inspector foi apanhado na noite de ontem depois de bater noutro carro e sair da estrada. "Ele cheirava a alcool e não conseguia andar direito", disse o oficial que fez a detenção. O polícia em causa era responsável por uma campanha contra o alcool, e distribuia panfletos e autocolantes por bares e restaurantes.

Manuel José tetracampeão


Manuel José conquistou a sua quarta Liga dos Campeões africanos à frente do Al-Ahly do Egipto, ao empatar a duas bolas nos Camarões com o Cotonsport, depois de ter vencido a primeira mão no Cairo por 2-0. Manuel José conquistou a sexta Liga dos Campeões para o clube egípcio, depois de ter alcançado o feito em 2001, 2005 e 2006. O Al-Ahly torna-se assim o clube africano a vencer mais vezes a mais importante competição de clubes do futebol africano. Manuel José já venceu 17 troféus (!), entre campeonatos, taças e supertaças em 5 anos no comando do clube egípcio.

Avaliação sexual dos professores


A ministra "in person" avalia o desempenho sexual dos professores. É mais um clipe dos Gato Fedorento, do programa Zé Carlos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Drogas? Não. Mas porquê?


Gostava em primeiro lugar de mandar um grande abraço à Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), ao seu presidente Augusto Nogueira, ao Luís, e ao resto da malta que tem feito um trabalho exemplar, que nem sempre é fácil, dadas as características exíguas do território e a tudo o que se tem passado nos bastidores, que é como quem diz, no que tem sido feito no combate ao tráfico e consumo de estupefacientes, que tem sido muito pouco além das medidas punitivas.

Quando se lê na maioria da imprensa que "Macau está a perder a luta contra a droga", que significa que tem aumentado o consumo, resta perguntar: "que luta é esta?". Todas as semanas aumentam os casos de polícia relacionados com o tráfico, ao que não é alheia a nova Lei da Droga, que reduz a tolerância no que toca às quantidades de estupefacientes que são consideradas "tráfico".

Num território onde a maior indústria é o jogo, onde vivem e passam estrangeiros de todas as origens, onde a prostituição acontece à luz do dia, é uma sorte que não sejam apanhados navios, camiões ou contentores com toneladas de cocaína, heroína ou, vá lá, cannabis. Recentemente têm-se registado casos insólitos de tráfico, como o daquele cidadão africano que foi apanhado no passado dia 27 com heroína no interior do corpo, e só no final da semana passada expeliu o último "pacote" (!). Foi uma sorte não ter morrido.

Quando se fala de droga, é preciso em primeiro lugar diferenciar o que são drogas recreativas e drogas duras. Já se sabe que muita gente gosta de meter tudo no mesmo saco, que isto tudo "são porcarias", mas ao que parece esta estratégia tem sido a mais utilizada, e desculpem lá a sinceridade, não tem dado resultado.

Não vou aqui fazer o elogio da cannabis, ou de como tem resultado a despenalização do consumo da mesma em outros países, ou de como os seus efeitos não se comparam nem de perto nem de longe ao de outras drogas ditas duras, e mesmo ao alcool. Não aconselho o consumo de cigarros a ninguém, quanto mais de canabinóides ou outras substâncias dissociativas.

Mas parece-me que muito do esforço que tem sido canalizado para combater as drogas leves podia ser utilizado para combater antes as drogas duras, as injectáveis, que provocam um ciclo de dependência que levam ao crime, ao contágio por doenças infecciosas, e depois à morte. O facto do consumo de haxixe ser hoje superior ao consumo de heroína é, na minha humilde opinião, um grande progresso.

A tal ARTM realizou há duas semanas uma campanha de sensibilização na Escola Portuguesa de Macau, onde participaram alunos do 2º ciclo (10-12 anos). Uma iniciativa louvável, sem dúvida. A sensibilização deve começar nessa idade. As opiniões de alguns dos alunos fizeram-me sorrir. Como quem vê uma criança a dizer um monte de disparates, e sorri da patetice. O tal lúdico-trágico.

"Tomam drogas para ficar malucos", "para se auto-afirmarem", "para escapar da realidade", foram alguns dos comentários que se ouviram. Certo, certo. O que vai um jovem de 10 anos dizer? Que não tem opinião formada até experimentar as drogas? Ou como disse uma vez o Miguel Esteves Cardoso, "as drogas são boas, mas fazem mal". O que sabem estes chavalos e chavalas? Claro que vão dizer "é mau e nunca vou experimentar".

A função da escola passa por explicar aos jovens de forma concreta e científica, continuamente e sem tabus os efeitos das drogas, os tipos de droga, as psicotrópicas à cafeína ou à nicotina. A última coisa que se deve dizer a um jovem é "as drogas são todas más e ai de ti se tocas nisso" ou que "os consumidores de drogas são criminosos". É a morte do artista.

É necessário que os jovens aprendam a dizer não às drogas, mas não vai ser apresentando-as como um "fruto proibido" que chegamos lá. Nem vai ser intimindando-os, ameaçando-os com a prisão ou a exclusão social. Não vai ser mantendo-os na ignorência, ou como defendia a minha avó "enforcando um deles à frente dos outros para servir de exemplo". Não vai ser trancando-os no quarto enquanto chovem drogas lá fora.

Existe ainda um conceito torpe que associa o consumo de estupefacientes a um certo extrato social, ou a problemas familiares e sociais. Isto para não falar da tal dictomia "droga/desporto", que tem sido a bandeira do combate à droga. Nada mais errado. Todos os jovens estão expostos ao consumo, ora por curiosidade, ora por irreverência e rebeldia, ora pela associação indirecta a certos estilos de vida. Os ricos, os pobres, os doentes, os saudáveis, os atletas, os bons e maus alunos, todos.

Certas campanhas de combate à toxicodependência têm que ser revistas com urgência. É preciso deixar de se considerar o toxicodependente um desgraçadinho, alienado de tudo e todos, um miserável que anda caído pelas ruas com a língua de fora, à espera que alguém caridoso lhe estenda a mão. Alguns dos sintomas descritos pelo consumo de certas drogas incluiem "perda de memória" ou "paranóia". Eu não consumo drogas, e a minha memória já não é o que era, e às vezes ando um bocado paranóico. É deste mundo...

Da crise: escolas internacionais e filipinos


1) A crise económica faz-se sentir em Hong Kong, com vários alunos a estudar em escolas internacionais a regressar ao seu país de origem, porque os pais perderam os empregos. Os colégios americano, francês, americano e a Escola Internacional de Discovery Bay dizem ter perdido entre 10 e 50 alunos desde o colapso do grupo financeiro Lehmann Brothers, em Setembro, e prevêm mais transferências até ao Natal. Os maiores afectados são alunos oriundos de famílias com empregos ligados à banca.

2) Imunes à crise estão os imigrantes filipinos em Macau e Hong Kong, que continuam a mandar dinheiro para às suas famílias. Segundo o responsável de uma agência de transferências "Door to Door", a crise não teve qualquer efeito na quantidade de filipinos que mandam dinheiro para casa, nem nos montantes envolvidos. Existem nas RAEs mais de 100 mil imigrantes filipinos, de um total de mais de dois milhões no mundo inteiro. O dinheiro dos imigrantes é uma das principais fontes de receita do país. Um salário médio no sector dos serviços nas Filipinas ronda os 2000-3000 pesos mensais (400-550 patacas).

Obama fecha Guantanamo


O presidente eleito Barack Obama anunciou que tem intenções de fechar a prisão de Guantanamo Bay, onde se encontram alguns prisioneiros da "Guerra ao Terrorismo" encetada pelos Estados Unidos nos últimos anos. No programa 60 Minutes, Obama reafirmou uma das suas promessas eleitorais: "Eu disse repetidamente que a América não tortura, e vou ter a certeza que não tortura mesmo. Isto é apenas uma parte do esforço da América para reconquistar o seu estatuto moral no mundo". Boas notícias, portanto.

AS Roma contrata criança de 9 anos


Um caso sério de exploração do trabalho infantil. O AS Roma, clube italiano da Serie A contratou um jovem talento brasileiro...de 9 anos de idade! O jovem chama-se Caio Werneck (aqui na imagem com De Rossi, da equipa principal), e foi escolhido de entre 60 candidatos de uma captação no Brasil. Caio vive na capital italiana há quatro meses e divide o seu tempo entre os estudos e os treinos. "Quero ser defesa. Tenho força para jogar nesta posição", diz Caio, que regressou ao Brasil para passar as férias, tendo que apresentar-se no Roma em Janeiro de 2009.

Ensaio sobre a cegueira dos árbitros

Ainda no Zé Carlos, os GF fazem a sua versão muito especial do Ensaio sobre a cegueira...dos árbitros portugueses. Com participação especial de...ahah poizé. Não percam!

Tumba! Na Casa do Toy


Os Gato Fedorento recordam o programa da SIC "Na Casa do Toy", e comprovam o que toda a gente já sabia: O Toy é um burgesso. É do novo episódio do Zé Carlos. Vide!

domingo, 16 de novembro de 2008

O cheiro a peixe


Sou um gajo que adora os seus vizinhos. Tento conhecer o maior número possível de pessoas que vive no meu prédio. Não é difícil, basta pôr um sorriso simpático, cumprimentá-los no elevador e mandar chauzinhos quando os vejo na rua. Tenho uma vizinha que vive no 6º andar, que deve ter uns 17-18 anos. A moça é bem antipática, a cadela. Os pais são umas jóias de pessoas.

A mãe trabalha numa loja de roupa, e o pai é peixeiro. Isso mesmo, peixeiro, uma daquelas profissões que dá dinheiro, mas que se volta a casa a cheirar a tripas de peixe e cheio de escamas. A restante vizinhança tapa o nariz quando o senhor vai no elevador, com as suas botas pretas de quem passa o dia inteiro no mercado a amanhar o peixe que cospe água pelas guelras. A bata, outrora branca, está pintada pelo sangue e pelas vísceras, que mais parece um desenho infantil.

A catraia sai quase todas as noites nas férias com as amigas, usa roupa de marca, volta para casa num BMW que suponho que seja do namorado. Mas é arrogante e tem sempre cara de caso. Queria ser menina “de bem”, mas não passa de uma betinha assanhada, que gasta a massa do pai, mas tem vergonha. Tem tiques de realeza, e só não vou mais longe neste comentário por deferência aos meus leitores do sexo feminino.

Os jovens de Macau, que não sabem nada de História ou nunca passaram fome, que nunca precisaram de usar a roupa, os sapatos ou os livros dos irmãos mais velhos, são uns sortudos. São os tais filhos dos operários, dos peixeiros, dos talhantes ou das vendedoras de jornais, que todos os dias lutam por uma vida melhor. Basta olhar para o cidadão idoso médio, que vê uma lata na rua e começa a dar-lhe pontapés, a imaginar que seis daquelas davam uma ou duas patacas, ou os tais que andam ao cartão e de quem se diz que têm “uma fortuna no banco”. É gente que dá valor ao trabahlo, gente que luta, que cresceu a comer o pão que o Diabo amassou.

Infelizmente é sempre assim. Os pais esforçam-se para que os filhos tenham uma vida melhor que eles tiveram. O meu avô, por exemplo, voltou da lezíria anos a fio com merda nas unhas para que o filho dele (o meu pai) não precisasse de fazer o mesmo. O mesmo se passou com o meu pai, e o mesmo ambiciono para os meus filhos. Às vezes os jovens cometem excessos e não percebem porque os pais ficam furiosos. Nas palavras de “Hamlet” de Shakespeare, os “velhos desconfiam da juventude porque também foram jovens um dia”.

Pode parecer estranho que um pai fique furioso quando o filho tira más notas na escola, e pode parecer antiquado quando ralha se ele volta tarde a casa, mas aí está, é difícil perceber quando tudo nos foi dado quase de mão beijada. Basta ver a forma como queremos que os garotos de apliquem desde tenra idade para que sejam melhor que os outros, ora inscrevendo-os na ginástica, nos futebóis, nas melhores escolas, protegendo-os dos perigos que às vezes nem existem, transformando-os em pequenos lordes, porque “é um mundo cão”. Não os conseguimos imaginar a cavar a terra, a trabalhar na estiva ou a apanhar cartão, ou no talho com o lombo às costas.

Queremos que fiquem fortes e saudáveis, mas no fim tornam-se nuns fracos, que não sabem responder à mínima contrariedade. Sim senhor, crescem grandes, saudáveis, com melhores condições, mas o que aconteceria se precisassem de dar o corpo ao manifesto? Quando se fala da crise económica global, quando ainda se temia que fosse a mais grave desde a Grande Depressão de 29, tremi. Não por mim, mas por eles. Isto são miúdos que não estão preparados para passar fominha, para dividir uma laranja com os irmãos, para passar uma longa temporada sem um bife da vazia.

Depois crescem (e crescerão, vão-se preparando) e viram-nos as costas, os maganos. Depois de vinte e tal anos a cuidar que nada de mal lhes aconteça, lançamo-os ao mundo como quem manda um Mercedes acabadinho de sair da linha de montagem. Alguns, inebriados pelos excessos da juventude, zangam-se com os pais, saem de casa mais cedo, falam da sua “liberdade”. Para prevenir que isso aconteça, alguns de nós dá-lhes rédea solta, deixa-os gozar a “liberdade”. Só que a “liberdade” é uma droga, e quanto mais se toma, menos satisfaz. Porque muitas vezes esquecemo-nos de lhes ensinar a responsabilidade.

Às vezes mostro aos meus filhos aquelas imagens deprimentes da fome em África, aquelas que nos entravam em casa nos noticiários, quase sempre à hora do jantar. Faço-lhes ver a sorte que têm, e de como no mundo morrem milhares de meninos e meninas com menos sorte que eles. O meu filho pergunta “porque têm fome? não têm dinheiro?”, enquanto a minha filha apresenta a solução “porque não vão para outro sítio onde haja comida?”. Mais não faço que sorrir da ingenuidade. Santa ingenuidade.

Quando vim sozinho para Macau, tinha quase 20 anos, sofri muito de saudades. Saudades da sopa e do empadão de carne da minha mãe, do cozido à portuguesa que a minha avó fazia aos Domingos e juntava toda a família. Era ao Domingo que eu ligava a perguntar novidades, com a leve esperança de, sei lá, poder sentir o cheirinho do cozido pelo telefone. Depois chorava. Era um masoquista, no fundo. Quem quer uma “independência” assim? Só quando perdemos o que mais estimamos, aprendemos a dar valor ao que não volta mais.

Notas sobre o GP de Macau


- Este japonês de 19 anos feitos em Agosto foi o grande vencedor da corrida de F3. O vice-campeão da F3 japonesa terminou à frente de Edoardo Mortara e do britânico Brendon Hartley.

- O britânico Robert Huff, em Chevrolet, foi o vencedor do troféu WTCC, de carros de turismo. O francês Yvan Muller, em Seat, foi segundo, e sagrou-se campeão mundial. O pódio ficou completo com o também britânico Andy Priaulx, anterior campeão mundial.

- O piloto de Macau, André Couto, sobre o qual recaiem sempre grandes expectativas, voltou a desiludir, batendo o seu Honda Accord quando se encontrava na 8ª posição.

- Os pilotos de Macau estiveram em grande destaque no Troféu Hotel Fortuna, para pilotos de Macau e Hong Kong. O pódio foi totalmente preenchido por pilotos de Macau, com Chou Keng Kwan a vencer, seguido de Filipe de Souza e Célio Alves Dias.

- O escocês Stuart Easton foi o grande vencedor nas motos, num pódio completamente britânico. O segundo foi Michael Rutter, e o terceiro John McGuiness. O português Luís Carreira foi quarto, enquanto o piloto "da casa", João Fernandes, não foi além do 17º lugar.

- Esteve um tempo maraviloso durante todo o fim-de-semana. Temperaturas entre os 23-26º, humidade relativa entre os 60-70% e nem uma núvem no horizonte. Fica assim concluída a 55ª edição do GP de Macau. Encontramo-nos para o ano, novamente no circuito da Guia.

Wilson Vai


Prometi a mim mesmo não abusar muito dos vídeos no fim-de-semana, mas não consegui resistir a este, que me deixou a rir uns bons cinco minutos (parecia um maluquinho). É de novo a turma do Vaivc, com uma rendição muito especial de "I Will Survive" de Gloria Gaynor. É O "Wilson Vai".

Leixões entre os maiores


O Leixões Sport Clube está a viver uma época de sonho. Os leixonenses lideram a Liga Sagres com quatro pontos de vantagem sobre o Benfica (que só joga hoje), cinco sobre o Porto e seis sobre o Sporting. Depois do empate no Estádio do Mar contra o Benfica e da vitória no Dragão, ontem os "bebés" de Matosinhos foram a Alvalade levar de vencida o Sporting, o que já não acontecia desde 1973. O Leixões de José Mota já conseguiu ao cabo de oito jornadas tantos pontos quantos tinha conseguido na época passada ao fim de 23. É obra.

Cristiano allez


O Manchester United goleou ontem o Stoke City por cinco bolas a zero em mais uma jornada da Premier League inglesa. Cristiano Ronaldo foi a figura do encontro, marcando o primeiro e o último golo dos "red devils", ambos na transformação de livres. O Português leva agora oito golos na Premiership, sendoa penas superado pelo francês Nicolas Anelka, do Chelsea, que leva 12.

O Chelsea de Scolari venceu fora o West Bromwich Albion por 3-0, com o internacional português José Bosingwa a inaugurar o marcador, e mantém a liderança, a par do Liverpool que venceu por duas bolas a zero em Bolton. A maior surpresa terá vindo do Emirates Stadium, onde o Arsenal foi derrotado pelo Aston Villa, 0-2.

sábado, 15 de novembro de 2008

Leituras


- No Hoje Macau, Pinto Fernandes fala dos festivais que vão por esta terra, em Um festival nunca vem só.

- Também no HM, Hélder Fernando fala da Festa (ou Festival) da Lusofonia, e o que podia ser feito para melhorá-la(o), em Novas condições para a Festa Lusófona.

- No JTM, José Rocha Dinis faz um balanço das LAG, e do papel do Chefe do Executivo, em Quem poderá criticá-lo?

- Também no JTM, Nuno Lima bastos continua o seu trabalho na discussão dos sims e senãos do artº 23, em A oportunidade ideal?

- N'O Clarim, semanário da Igreja Católica, José Miguel Encarnação fala da crise mundial e do BPN, em Má sina.

- Os cibernautas Tiago Macedo e César da Fonseca trazem-nos o humor caústico a que já nos habituaram na sua rubrica E-mails da quinta dimensão, esta semana intitulado Os Deuses devem estar loucos.

- Saiba tudo e mais alguma coisa sobre a 55ª edição do Grande Prémio de Macau no portal do Governo, aqui (em português).

Bom fim-de-semana!

8












Hoje foi dia de yam cha no Restaurante 8, no segundo andar do Grand Lisboa. Um ambiente agradável, atendimento excelente, decoração luxuosa. Destacam-se o char siu, os van tan de várias formas e feitios, e para sobremesa pudim de manga e coco em forma de peixinhos, e um caldo quente de noz com dumplings de sésamo. Para beber - e como o nome indica isto é "beber chá" - o magnífico chá de crisântemo. Uma refeição para duas pessoas fica entre as 300 e 400 patacas.

Barrichello e as uvas azedas


Muitos se lembram de Rubens Barrichelllo, actual piloto da escuderia Honda, da F1, quando estava na Ferrari. Nunca se assumindo como segundo piloto, abria as pernas para Michael Schumacher, hepta-campeão mundial, sempre que era necessário, e só ganhava quando Schumacher já não precisava dos pontos. Barrichello demonstrou a sua antipatia pelo alemão numa festa da Ferrari este ano, e agora ameaça publicar um livro (será que sabe escrever?) em que conta toda a história. Mas não era Barrichello que no pódio andava sempre aos beijinhos e abraços com Schumacher? Agora já é tarde, e ninguém quer saber, não é mesmo?

Irmãos unidos


A polícia de Chicago encontrou três cadáveres na casa de uma idosa de 94 anos, quando tentava interná-la num lar. Margaret Bernstorff, que vivia sozinha, mantinha na sua residência os corpos dos seus três irmãos, que morreram de causas naturais. Elaine Bernstorff morreu com 60 anos há mais de trinta anos. A outra irmã, Anita, faleceu aos 98 anos, em Maio, e Frank morreu em 2003, aos 83 anos. Os três estavam envoltos em lençóis em divisões distintas da casa. A idosa foi internada no lar, e sobre ela não recai qualquer acusação.

Non ho l'età


Como no passado há coisas lindas...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008