segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O horror, a tragédia, o pesadelo


As meninas da selecção de hóquei em patins de Macau voltaram a noite passada do Japão com um resultado desastrosos: só derrotas, nenhum golo marcado, e noventa e sete golos sofridos. Se tivessem trazido tantos ovos quanto golos sofridos, dava para fazer uma tortilha para entrar para o Guiness. Isto realmente é mau, uma tragédia, uma desgraça. Houve mesmo quem lhe chamasse "mundial de pesadelo". Eis que o nome de Macau fica "indelevelmente manchado" em campeonatos do mundo.

Mas esperem? Campeonatos do mundo? Macau? Mas que raio estamos aqui a falar? Pois é, o hóquei em patins foi o único desporto em que Macau participou num campeonato do mundo propriamente dito. Isso mesmo, com os rapazes em 2005 nos Estados Unidos, e com as meninas em 2006 no Chile e agora, no Japão. Isto para não falar dos mundiais "B" em que Macau defronta países como a Áustria, a Holanda, os Estados Unidos ou o Japão, impensável noutros desportos.

As meninas, que só começaram a patinar há menos de meia dúzia de anos, contam com já dois mundiais no bornal. Isto é, algumas. Outras mais talentosas foram estudar, casaram, desistiram, enfim, foi difícil manter a mesma equipa durante o tempo em que a selecção de hóquei existe. E a média de idades? Não conheço bem a equipa, mas quase posso garantir que será na ordem dos 20 anos, ou menos.

E depois o que fizeram as autoridades competentes quanto a uma equipa que representa o território num campeonato do mundo? Absolutamente nada. Até lhes tiraram o único recinto onde podiam treinar, no Colégio D. Bosco, que se encontra actualmente em obras. Foram obrigadas a preparar o mundial ao ar livre, em Coloane, num ringue destinado ao futebol de salão.

O IDM, COM, ACOLOP, BOSTEX e afins preferem acarinhar os atletas que participam nas provas em que Macau não tem qualquer expressão, como o atletismo, por exemplo. São tantos e tão conhecidos os atletas de Macau que se excedem no atletismo que nem preciso mencioná-los aqui. Foram tantas as medalhas que Macau ganhou nos Jogos da Ásia Oriental, ou em Recinto Coberto, que está perfeitamente justificado o investimento. E que ninguém ouse sequer questionar isso.

Voleibol? Não existe. Basquetebol? Fiquei surpreendido que Macau tenha apresentado uma equipa nos Jogos da Lusofonia, e tenha ficado em 4º lugar à frente da Guiné-Bissau e Timor-Leste, visto que não tinha conhecimento de um campeonato em Macau. Mesmo o hóquei em campo, desporto com alguma expressão e tradição em Macau, limita-se a jogar um Interport com Hong Kong, que sempre perde. Torneios internacionais nem vê-los.

As artes marciais como o judo ou o karate têm catrefadas de praticantes (e há quem considere o hóquei em patins um "desporto violento"), mas nenhuma expressão internacional. Só se pode mesmo justificar o peito cheio de orgulho por estes resultados com base no contexto regional em que inserem. A estes, apoios e homenagens "pelo esforço realizado" nunca faltam.

Enfim, mas ride do hóquei sobre rodas. Ride destes resultados. Eu acho que ria muito mais se Macau jogasse jogos competitivos de futebol contra as selecções da Argentina ou da Alemanha, como fizeram as meninas. Perder por 32 ou 31, respectivamente, seria uma estimativa bastante conservadora, até. Ah, sim, mas para o futebol não faltam recintos. E apoios, podem não ser muitos, só que qualquer coisa vezes nada...é nada.

2 comentários:

racismo? Não! disse...

A falta de apoios não será porque as selecções de hóquei em patins de Macau são constituídas maioritariamente por não-chineses? Eu estou em crer que a explicação é essa.

Anónimo disse...

Não se apoiam as selecções de Hóquei em Patins porque nesta modalidade nunca deu para se roubar nos quantitativos concedidos...