quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Liberdades


1) O professor de 40 anos suspeito de ter começado os rumores sobre a falência de algumas instituições bancárias em Macau foi ilibado pelo Ministério Público. De acordo com o docente, este limitou-se a comentar a actual situação da economia mundial, o que foi (mal) interpretado pelas autoridades como um comentário inflamatório. Aí está outra vez o dedo do "big brother", que faz o que vai além da sua competência, ler nas entrelinhas. Da forma como se caçam ameaças de bomba, roubos de tochas ou falências bancárias, qualquer dia não se pode dar um peido. A internet continua a ser tratada como uma coisa nova, que apareceu ontem e é um mal a abater. Entretanto há um programa do canal chinês da Rádio Macau onde todos os dias cidadãos quase anónimos (identificam-se pelo apelido na maior parte dos casos) destilam puro veneno, acusam tudo e todos: instituições, organismos e até as próprias autoridades. São um autêntico urinol dos maus espíritos, a praça onde se pode falar mal do Governo à vontade. E lá vão eles cantando e rindo, enquanto a culpa de todos os males é da internet.

2) O deputado Fong Chi Keong tem "sérias dúvidas" quanto à nova lei da droga. Segundo o deputado, que é conhecido por cometer algumas gaffes, a lei penaliza demasiado o consumidor, coloca Macau na rota do tráfico de droga sem que se justifique e não promove a reabilitação. Tem toda a razão. Esta lei, que é conhecida em alguns círculos por "oito anos a grama", é desadequada e infeliz para Macau. Quer dizer, a qualquer hora posso jogar um milhão de patacas de origem duvidosa nos casinos, e até sou encorajado a fazê-lo, ou requerer os serviços de uma prostituta em pleno dia, mas se fumar um charro sou um criminoso? Às vezes penso que este povo está tão habituado a ser tratado ao empurrão, ao pontapé e à chapada, que só conhece a lei do chicote. É pena.

3) A notícia de que foram roubados os holofotes e alguns cabos debaixo das três pontes de Macau é estranha, surrealista até. Então esta forma curiosa de pirataria dedica-se a roubar lâmpadas? E a Polícia Marítima, não viu nada? Imaginem só o impacto desta notícia nos media estrangeiros. A imagem de Macau fica irremediavelmente afectada. Até parece uma anedota.

2 comentários:

anónimo muitíssimo anónimo disse...

Desde que comecei a usar esta coisa chamada Internet que reparei logo que o melhor era não dar o verdadeiro nome (e muito menos a cara). Há uma perseguição na Internet que não se verifica noutras áreas. E não é só em Macau. Em Portugal, por exemplo, também já vários foram vítimas do "sistema" por se terem atrevido a dar opiniões nos seus blogues.

Anónimo disse...

É, as retaliaçõezitas que os mais papistas que o papa tanto gostam...
Podemos não gostar de coisas que o Fong Chi Keong às vezes diz, mas desta vez ele marcou pontos, atafulhar as prisões não é solução...