segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Benfica sofre contra Académica


O Benfica viu-se e desejou-se para vencer a Académica ontem à noite na Luz, tendo alcançado a vitória apenas nos descontos com um golo de grande penalidade, transformada pelo avançado brasileiro Lima. Uma grande penalidade discutível, mas que veio trazer alguma justiça ao resultado, uma vez que o Benfica desperdiçou um sem número de oportunidades de golo. Com este resultado os encarnados continuam em igualdade com o FC Porto no primeiro lugar da Liga com 49 pontos, com vantagem para os dragões nos golos marcados e sofridos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Liga de Elite - 5ª jornada


Realizou-se este fim-de-semana a 5ª jornada da Liga de Elite de Macau, depois da pausa de quinze dias derivada do Ano Novo Chinês. A ronda teve início na sexta-feira no Campo da MUST, com o Lam Pak a golear a sua filial, o Lam Ieng, por cinco bolas a zero. A vitória dos azuis-e-brancos era já previsível, ficando apenas por saber os números. O brasileiro William Gomes, um dos artilhieros da liga, apontou mais dois golos. Mais tarde o campeão Ka I goleou a Polícia por cinco bolas a duas, com Nicolas Torrão e Rodrigo Toledo a apontarem dois golos cada. O Ka I beneficiou de três grandes penalidades a seu favor, e a formação da PSP mostrou novamente ser uma das mais aguerridas da Liga.

No Sábado a jornada começou com o Kei Lun a bater os sub-23 da AFM por 2-1, numa partida entre duas formações que ainda não tinham pontuado. Os 'recém-promovidos do Kei Lun obtêm assim os primeiros três pontos, graças a golos de Wu Yu Kin e Hu Hoi Cheng, virando o resultado que ao intervalo era favorável aos sub-23, fruto de um golo madrugador de Mak Chi Ieong. Às quatro realizou-se o jogo de maior cartaz da jornada, com o Monte Carlo a bater o Benfica por 2-0, com golos dos brasileiros Filipe Sousa e Rafa, ambos na segunda parte.

A jornada encerrou-se esta tarde com a vitória do Kuan Tai sobre o lanterna-vermelha Chau Pak Kei pela margem mínima, com o único golo do encontro a ser apontado pelo jovem Áureo Peio. A classificação é liderada por Ka I e Monte Carlo com 15 pontos, seguidos do Lam Pak com 12, Benfica e Kuan Tai com 9, Polícia com 7, Lam Ieng com 4, Kei Lun com 3, Sub-23 e Chau Pak Kei com 0. No próximo fim-de-semana realiza-se a sexta jornada, com os líderes Ka I e Monte Carlo a jogarem respectivamente com Kei Luen e Lam Ieng. O Benfica disputa o quarto lugar com o Kuan Tai, a Polícia mede forças com o Lam Pak enquanto Chau Pak Kei e Sub-23 lutam pelos primeiros pontos no campeoanato.

Na segunda divisão, sortes diferentes para as equipas de matriz portuguesa. O Sporting somou a terceira vitória consecutiva ao bater a Alfândega por duas bolas a zero, enquanto a Casa de Portugal perdeu por 2-3 com o Lai Chi, depois de ter estado em vantagem por dois golos. O Sporting juntou-se aos primeiros, enquanto a Casa de Portugal mantem-se na cauda da tabela, com apenas três pontos em quatro partidas disputadas.

Minchi é outra coisa, pá!


Foi hoje para o ar o programa "Ui di sabroso", uma produção da TDM com a apresentação da encantadora Ana Isabel Dias, dedicado à culinária macaense. Uma ideia genial, um tipo de produção local que faz falta, e só peca por tardia. Existe em Macau um sem número de temáticas que dariam para uma diversidade de programas. O 'título, "Ui di Sabroso", é muito bem escolhido, inspirado na língua maquista, o "patuá" local. Existe um sistema de classifcação local para a qualidade da comida: a mais pobrezinha é "rafêra", aquela que se come sem que no entanto seja especial é
"Pode, já", e a mais deliciosa é "Ui di sabroso", ou "Ui ui di sabroso". Sân nunca?

A culinária macaense é sem dúvida um dos temas mais sumarentos (e deliciosos). Uma das mais originais do mundo, que combina as características da culinária portuguesa com o toque especial dos condimentos chineses. Quem não conhece a culinária macaense não sabe o que está a perder. O primeiro programa de hoje foi dedicado ao "minchi", um prato que toda a gente que vive em Macau conhece, ou deve conhecer. Trata-se de um prato de carne picada, de vaca, de porco, ou de ambos, fácil de confecionar e sujeito a várias interpretações: todas as casas macaenses têm a sua própria versão do Minchi. Há quem o faça mesmo com outros tipos de carne picada, ou "minced meat", como galinha, camarão e até carneiro.

O Minchi é um prato que colhe junto de qualquer macaense que se preze. O meu filho, um puro macaense, não gosta de Tacho, ou "chau chau pele", não é fã do Bafassá ou do Porco baclichão tamarindo, mas adora minchi. Como disse aquele rapazola estudante da Escola Portuguesa de Macau, "Minchi? Minchi é outra coisa pá! Por acaso vai ser o meu almoço". Só por acaso? O Minchi é o prato que todos escolhem em qualquer restaurante macaense (infelizmente existem cada vez menos) quando não têm bem a certeza do que vão comer. O nome do prato é uma variante do inglês "minced", como em "minced meat", ou carne picada. É servido normalmente com batatas fritas cortadas aos cubos, com ou sem um ovo estrelado, e claro, com arroz.

O "cozinheiro" deste primeiro episódio foi José Maria da Silva, conhecido no mundo virtual por "Zito Chai", membro do grupo do Facebook "Conversas entre a malta", e pai de uma colega de turma do meu filho. Zito apresentou a sua versão pessoal do Minchi, que temperou com molho de ostra. Há quem escolha o simples sutate (molho de soja), junte açucar, "óleo de pérola" (chü chap), coentros e outros condimentos. Os ingredientes indispensáveis são a carne picada, o alho e cebola picadas, e o óleo ou o azeite. Os especialistas consideram que o ideal será uma combinação de 60% de carne de vaca e 40% de carne de porco. A carne de vaca é demasiado "seca", e o porco adiciona um toque mais gorduroso. A apresentadora aprovou a versão do Zito: estava "Ui di sabroso".

Fico à espera dos próximos episódios, onde certamente vamos ficar a conhecer mais sobre outros pratos da deliciosa cozinha indígena (peço desculpa, parece feio chamar "indígenas" aos filhos da terra). Anseio pelas sugestões na confec'~ao do Bafassá, do Tacho, do Porco balichão tamrindo, do Porco indiano, da Galinha à Macau, do Diabo (o único prato macaense que nunca provei) e todas essas delícias. Está de parabéns a TDM pela iniciativa. E o programa passa mesmo à hora do jantar! "Que astrevidos!". Ficamos todos com água na boca. Qui demónio!

Galo da sorte para o Sporting


O Sporting regressou ontem às vitórias na Liga Sagres ao vencer em Barcelos o Gil Vicente por três bolas a duas. Uma entrada "de leão" para os verde e brancos, com Bruma a inaugurar o marcador logo no primeiro minuto, e Tiago Ilori a fazer o segundo cinco minutos mais tarde. Corria tudo bem tudo indicava que iria ser uma noite tranquila, mas o Sporting tremeu e o Gil chegou ao empate, com dois golos de Hugo Vieira ainda na primeira parte. O golo da vitória chegaria no segundo tempo por Capel, curiosamente no dia em que o espanhol completou 25 anos de idade. Com esta vitória o Sporting respira melhor, igualando Estoril e Marítimo no sexto posto da Liga, com 22 pontos.

Eu show Messi


GRANADA 1 BARCELONA 2 发布人 acosart
O Barcelona venceu ontem o Grana por duas bolas a uma, um apartida que se adivinhava difícil, pois os "granadeiros" vinham de duas vitórias consecutivas, uma delas frente ao Real Madrid. A equipa da casa diantou-se no marcador no primeiro tempo por Ighalo, com uma assistência do nosso conhecido Nolito, emprestado pelo Benfica. Na segunda parte "despertou" Messi, que conduziu a reviravolta e levou os três pontos para a cidade condal. O Barça lidera com mais 15 pontos que o Atlético Madrid, e o "pulga" já conta com 37 golos em 24 jogos, "arriscando-se" a bater o recorde de 50 golos numa só época, que estabeleceu a época passada.

Arsenal está mesmo mal


Realizou-se ontem mais uma eliminatória da FA Cup, a Taça de Inglaterra, e a grande surpresa aconteceu no Emirates Stadium, onde o Arsenal perdeu com o Blackburn, da Championship, o segundo escalão do futebol inglês. O único e decisivo golo do encontro foi apontado por Kazim-Kazim Richards, um inglês com nacionalidade turca. Os portugueses Fábio Nunes e Nuno Gomes não sairam do banco de suplentes. Hoje realizam-se os jogos de desempate da 4ª eliminatória, entre o Chelsea e o Bentford, bem como o Manchester Cuty-Leeds, a contar para a quinta eliminmatória. Amanhã o Manchester United recebe o Reading.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cão ou gato?



Cão ou gato, qual o animal de estimação ideal? Esta é uma escolha difícil que nos acompanha desde sempre, e a opção por um deles chega mesmo a dizer da personalidade de um indivíduo. Há quem goste mais de cães, há quem prefira os gatos, há quem goste de ambos e há quem não goste de nenhum. No que me toca, é algo circunstancial. É uma questão de quando, como e onde, e no actual estado de coisas, opto por nenhum deles. O meu “quando” e “onde” não me permitem ter um animal de estimação, e o meu “como” está virado para a função de “não me chateiem”. Mas quais as vantagens de um sobre o outro? E as desvantagens?

O cão é sem dúvida uma óptima companhia, e pode facilmente preencher a vaga de “melhor amigo”, tantas vezes em aberto. O cão é conhecido por ser “fiel”, e não se trata de um exagero. Uma vez abracei um amigo que não via há muito tempo, e fui mordido pelo seu cão que pensou que eu estava a agredir o seu dono. A melhor qualidade do cão é também o seu maior defeito: é um animal um bocado estúpido. Tem a capacidade de aprender uns truques, mas tem uma dificuldade enorme em distinguir o bem do mal. Bebe água das sanitas e das sarjetas, lambe os próprios testículos, come as próprias fezes e tem uma tendência homossexual latente, engajando em sexo anal activo e passivo com outros machos da mesma espécie. Aliás a relação entre cães é um dos grandes mistérios da natureza. Porque carga de água ficam tão agitados quando vêem outro cão? Já pensaram como seria o mundo se as pessoas se comportassem da mesma forma? Ter um cão exige ter um quintal ou pelo menos uma varanda grande, onde o bicho possa fazer as suas coisas de cão. É até cruel manter um cão num apartamento pequeno, onde em vez de ervas e postes eléctricos existe mobília e soalho. Um cão pode ser uma óptima companhia, mas é chato à brava. Num dia que tenha corrido menos bem e só nos apeteça ficar em casa deitados no sofá, lá está o gajo a pendurar-se nas pernas, com a língua de for a, a pedir que o levemos à rua, de onde acabámos de vir e não nos apetece nada voltar até ao dia seguinte.

O gato é muito menos exigente, mas não é isento de defeitos. Pertencendo à família dos felinos, tal como o leão e o tigre, é bastante mais portátil e inofensivo que estes seus “primos”, e tem a vantagem de se contentar em ficar em casa. Caçador por natureza, o gato doméstico tem uma tendência para se tornar preguiçoso, passando os dias deitados numa almofada ou dentro de um armário, ou onde seja mais aconchegante. Ao contrário do cão, a quem basta abanar a cauda para partir a loiça toda da sala, o gato é ágil, e consegue-se mexer entre um conjunto de cristais sem causar qualquer prejuízo. O maior problema do gato é a sua higiene. A urina do felino emana um odor que nos leva a pensar que está podre por dentro, e mesmo o “gatófilo” mais cuidadoso não evita ter a casa a cheirar ao mijo do animal. Os pêlos são outro problema, e o gato não se recomenda a asmáticos ou pessoas com outros tipos de alergias. As unhas rectrácteis podem também constituir um problema, e quem sofre são os sofás, onde os gatos têm o hábito de afiar as garras.

Existe uma ideia feita de que cães e gatos não se entendem, mas isso é apenas uma meia-verdade. Há quem tenha mesmo a duas espécies a coabitar debaixo do mesmo tecto, e depois da estranheza inicial acabam bons amigos, na maior parte dos casos. Outro preconceito diz que os cães ganham nas brigas com os gatos. É claro que um rotweiller ou um pitbull não dá qualquer hipótese a um persa, mas entre dois “rafeiros” de cada espécie no seu estado natural o gato leva vantagem, pois além mais ágil e também mais rápido. Existe um sem número de videos no YouTube que comprovam este facto.

Ter um cão e um gato depende portanto de uma série de factores, mas é sempre um compromisso que se deve assumir de forma consciente. É preciso não esquecer que é outro ser vivo, que respira, sente dor, fome e frio, e não deve ser tratado como um objecto a que se dá corda para nos entreter quando nos apetece. Não se deve maltratar outro ser vivo, da mesma forma que não gostaríamos de ser nós próprios mal tratados. Ao contrário dos humanos, são seres que não conhecem a inveja, a vingança ou o ressentimento. E recordando aquela canção dos Beatles, que eram uns gajos que adoravam cães e gatos, “o amor que recebemos é igual ao amor que damos”. Amando o seu bichinho de estimação, vai ver que ele não o vai deixar mal.

Fomos quase pró c...



Já todos temos consciência da nossa insignificância, é certo. Os 70 anos que passamos nesta Terra, com alguma sorte mais e muito possivelmente menos, são uma ninharia comparados com os muitos milhões de anos que nos levaram até à nossa pífia existência. Não é surpresa portanto que exista uma possibilidade real de tudo acabar tão depressa como começou, e perante os caprichos do cosmos, esse sim imenso e imprevisível, somos completamente impotentes. Não há crença que nos valha quando um qualquer calhau vindo dos confins do universo colidir com o nosso frágil planeta, e citando as previsões mais apocalípticas, “a vida, como a conhecemos, chegar a um fim”. É tudo uma questão de sorte, no fundo.

O asteróide que passou mesmo agora rente à Terra não chegou a ser uma ameaça. Foi um pequeno “ufa”, apesar de 270 mil quilómetros nos parecerem uma distância enorme para fazer a pé, de carro ou até de avião, mas elevado à dimensão cósmica, é como se uma bala nos passasse a dois centímetros da têmpora. Foi menos que uma notícia; foi uma mera curiosidade. A ciência dotou-nos da capacidade de prever uma tragédia deste tipo, e o tal asteróide DA14 não chegou sequer a provocar um terramoto, um tsunami ou uma simples rajada de vento. Já passou. Livrámo-nos de boa.

O filme “Armageddon”, de 1998, era sobre um asteróide “do tamanho do Texas” que se preparava para colidir com a Terra e com isso obliterar toda a humanidade. Os que viram lembram-se como o personagem interpretado por Bruce Willis e os seus colegas que se dedicavam à prospecção petrolífera viajaram até ao espaço e implantaram um engenho nuclear que faria o asteróide rebentar em pedaços, salvando a Terra de um fim mais que certo. O filme foi massacrado pela crítica, mas tem uma razão de ser. É interessante que nos lembremos da nossa própria fragilidade. Rotação? Translação? Gravidade? São tudo fenómenos que nos são dados a conhecer, mas o que podemos fazer por eles?

O DA14 é do tamanho de metade de um campo de futebol, e na realidade bastaria um asteróide mais pequeno que isso para nos atirar para fora da nossa esfera gravitacional, quanto mais um do tamanho do Texas. Os astrónomos, essa malta que passou a vida a estudar estas complicadas coisas do espaço (muitos contra a vontade dos pais), já nos tinham assegurado que não tinhamos razões para nos preocuparmos. Nem sei como reagiriam se fosse caso para entrarmos em pânico. As predições sobre o fim do mundo ficam para mais tarde, portanto. Razão tinham os antigos Gauleses, que só temiam que o céu lhes caísse em cima da cabeça, E agora estivemos perto…

Ídolo com pés de carbono (é pena)


Oscar Pistorius chora em tribunal após primeira audiência sobre acusação de homicídio premeditado.

Oscar Pistorius, o multi-campeão para-olímpico, é o principal suspeito do homicídio da sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, que foi assassinada com quatro tiros de arma de fogo na madrugada do Dia dos Namorados. Uma tragédia. As primeiras notícias davam a entender que se tratou de um acidente, e que Pistorius confundiu a namorada com um assaltante. Dado que ambos são sul-africanos e a África do Sul é um país minado de criminalidade, seria uma justificação credível, mesmo que infeliz. No rescaldo ficou-se a saber que o casal tinha um passado conflituoso, e a tese de acidente poderá ser descartada. É bem possível que Pistorius tenha morto a namorada intencionalmente. É pena...

Pistorius é uma figura que nos diz muito. Amputado dos joelhos para baixo desde os 11 meses de idade devido a um defeito congénito, o sul-africano superou a deficiência através da prática desportiva, e ainda adolescente adaptou uma prótese de ligas de carbon que lhe permitiram ganhar seis medalhas de ouro nos “Special Olympics”. Nos últimos Jogos Olímpicos de Verão em Londres conquistou o direito de competir entre os “normais”, uma decisão polémica, pois alguns competidores consideravam que as próteses serviriam como uma vantagem para o atleta. Apesar disso Pistorius ficou pelas meias-finais da prova dos 400 metros, tendo participado da final dos 400 metros estafeta. Independente dos resultados, ficou o exemplo de coragem e resiliência de um atleta que nunca deixou que o infortúnio que o acompanhou desde a nascença se colocasse no caminho dos seus objectivos. Um verdadeiro herói. Outra vez, é pena.

Não sabemos os detalhes da vida privada de Pistorius, ou até que ponto a sua namorada – outra vez, uma modelo – lhe seria fiel ou se o trataria como um homem normal. Tivemos há alguns anos o exemplo de Tiger Woods, alguém completamente insuspeito e conhecido apenas pelas suas vitórias e patrocínios milionários que afinal era um adúltero sem vergonha. É difícil separar a imagem do campeão da imagem do homem. Gostariamos de pensar que Pistorius é inocente, pois custa-nos aceitar que alguém tão corajoso e empenhado na luta contra a adversidade seja na verdade um comum criminoso. É da natureza humana acreditar em contos de fadas, afinal. Mais uma vez: é pena.

Quem é vivo...


Ay Caramba, estoy vivo!

…Sempre aparece, diz o povo e com razão. Hugo Chávez “apareceu” sorridente acompanhado das suas filhas (cara chapada di pai), numa fotografia alegadamente recente, dando a entender que o presidente da Venezuela está vivo, e recomenda-se. Chávez está internado desde Dezembro em tratamento a um tumor persistente, e o seu estado de saúde tem sido objecto de muita especulação, variando de “estável", até “sensível”, passando por “morto”. O jornal espanhol El País foi alvo da censura pública do regime venezuelano quando divulgou o mês passado uma fotomontagem de Chávez ligado a tubos, dando a entender que o líder bolivariano estaria nas últimas. Acreditando nesta feliz imagem, parece que El Presidente ainda vai assinar muitos decretos, e brindar-nos com os seus delírios socialistas durante mais algum tempo.

Porto regressa à forma


Nigeriano Christian Atsu estreou-se a marcar na Liga com a camisola do FC Porto.

O FC Porto venceu em Aveiro o Beira Mar por duas bolas a zero, no jogo que abriu a 19ª jornada da Liga Sagres. Um regresso à forma dos dragões depois do empate em casa frente ao Olhanense no Domingo, em vésperas de receber os espanhóis do Málaga em jogo a contar para os oitavos da Champions League. Os golos foram apontados pelo nigeriano Christian Atsu e pelo colombiano Jackson Martínez, um em cada parte do encontro. O Porto isola-se assim no primeiro lugar com 49 pontos, ficando à espera do desfecho do Benfica-Académica, que se realiza apenas na segunda-feira.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Formigas...eram tantas formigas


Foto: Conversas entre a malta (Facebook)

O tema que anda nas bocas do mundo em Macau estes dias é sem dúvida o caos que se verificou durante a semana do Ano Novo Chinês, com centenas de milhares de turistas a “entupir” o território, tornando a vida mais complicada a residentes, e mesmo aos próprios visitantes, que dificilmente terão achado a situação divertida, ou até mesmo normal. Macau recebeu 1,2 milhões de visitantes nos últimos dez dias – mais que o dobro da população local – e foi no centro comercial e histórico da cidade que mais se notou a sobrelotação. A semana dourada ficou marcada por vários episódios caricatos, que levaram a que se abrisse a discussão: terá Macau capacidade para receber tantos visitantes? A cidade chega para todos ou será necessário repensar estratégias? Depois de escutar e ler as mais diversas opiniões, eis o que eu penso.

A resposta é clara: não, Macau não tem capacidade para receber mais de um milhão de visitantes em tão poucos dias. É de salutar que tantos turistas queiram visitar o território, é óptimo para o comércio, mas torna-se urgente que existam meios para acomodar os visitantes. Deixar entrar sem mais nem menos e depois “que se desenraquem” não se aceita. Macau não tem dois ou três andares de rua, e as pessoas não são automóveis que se podem “estacionar” em meia dúzia de metros quadrados sem chatear ninguém. O alojamento foi outra dor de cabeça, e chegou-se ao ponto de ter turistas a acampar (!) em Hac-Sá por não terem conseguido reservar um quarto ou encontrar acomodação de acordo com as suas possibilidades financeiras. Assim não dá. Agora acampam na praia, qualquer dia acampam no meio do Largo do Senado.

Não posso concordar com as afirmações da directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, quando esta diz que a época “não deve servir para avaliar a capacidade do território”. Se não vamos avaliar agora essa capacidade, quando é posta à prova, quando é que o vamos fazer? Quando não vier ninguém? É no limite que se testam as capacidades, e não nos podemos desculpar com situações de “excepção”. Foi o primeiro grande teste para a sra. Directora, explicar esta caótica situação. Quero acreditar que com mais alguma dose de experiência fará melhor da próxima vez. De resto as opiniões são quase unânimes: foi um verdadeiro inferno, a circulação nas principais ruas da cidade nos últimos dias.

Dois episódios mereceram destaque especial no meio de toda esta confusão. Na noite de terça-feira a fronteira das Portas do Cerco registou uma afluência anormal, com cerca de 300 mil pessoas a tentar passar para o continente. Nem a acção policial conseguiu conter a loucura, com milhares de turistas impacientes a furar as barreiras que as autoridades improvisaram para evitar o impossível. Já se justifica que as fronteiras estejam abertas 24 horas. Por muito que isso possa ferir a identidade de Macau e tudo mais, o afluxo de pessoas para um e outro lado da fronteira decorreria muito melhor com a fronteira a funcionar a tempo inteiro. Se isto já não acontece – e não será por falta devontade do Governo central – será apenas por interesse de alguns empresários locais, nomeadamente os do sector do imobiliário, que ainda não conseguiram vender todas as fracções.

Outro problema foi o inflacionamento no sector da restauração, justificado pelo facto dos proprietários dos restaurantes precisarem de pagar o triplo aos seus funcionários durante os feriados obrigatórios. Para já esta lei é muitas vezes contornada, especialmente no caso dos trabalhadores não-residentes: se não vão trabalhar são despedidos, com ou sem pagamento suplementar. E depois porque recai esta despesa suplementar no consumidor? Não terão os restauradores lucro suficiente, ainda para mais nestes dias em que o volume de negócio justifica ter a porta aberta. Isto só fazia sentido se oferecessem descontos quando têm lucro suplementar, o que obviamente não acontece. É mais uma daquelas “tipicidades” de Macau, que para ser sincero, já começam a enjoar.

Eu próprio aproveitei os feriados do Ano Novo para me remeter a um isolamento sabático, evitando sair de casa a não ser para o estritamente necessário. Contudo na quarta-feira à tarde precisei de me deslocar ao centro por motivos de força maior, e foi impossível circular naquele segmento de via pública entre os Correios e o BNU – uma verdadeira loucura. Muitos residentes se queixaram do mesmo, e muitos atribuem as culpas aos turistas da China continental, a maioria dos visitantes durante este período. Não concordo com este tipo de ressentimento, chamesmo-lhe assim. São estas pessoas que vêm contribuir para a saúde da nossa economia, e temos a obrigação de os receber bem. Mas no actual estado de coisas, isso torna-se difícil. Cabe apenas às entidades competetentes apretechar Macau de forma a que situações como as da semana que agora termina não se repitam.

Vídeo da semana


A ministra francesa da justiça, Christiane Taubira, não aguentou e desmanchou-se a rir durante o debate sobre o casamento homossexual no parlamento francês. Não se sabe bem se a senhora se lembrou de alguma piada mesmo muito engraçada, ou se o casamento entre pessoas do mesmo sexo é algo com mesmo muita piada. Agora escolha.

Benfica ganha na Alemanha


O Benfica deu um importante passo para se qualificar para os oitavos-de-final da Liga Europa ao vencer na Alemanha o Bayer Leverkusen por uma bola a zero. O único golo dos encarnados foi marcado pelo paraguaio Oscar Cardozo ainda na primeira parte. O avançado redimiu-se assim do seu comportamento reprovável no último Sábado na Madeira, quando foi expulso pouco depois de Jorge Jesus ter apostado nele para ajudar o Benfica a vencer o jogo, tendo o resultado terminado num empate a dois golos. Os encarnados são favoritos numa eliminatória que se adivinhava bastante difícil.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Porque és assim, Valentim?


Excepcionalmente no próprio dia, aqui vos deixo com o artigo desta semana do Hoje Macau, dedicado ao Dia de S. Valentim.

Festejamos hoje, dia 14 de Fevereiro, o Dia de S. Valentim, vulgo Dia dos Namorados. Mas esperem, “festejamos”? A sério? Não existe um dia mais cruel ou batoteiro que este alegadamente dedicado ao “amor”. Amor é o que menos tem a ver com esta data parva, que preocupa muitos, deprime outros e enche os bolsos a alguns. É deplorável, sempre pensei assim, e nunca vou mudar de opinião, por muito politicamente incorrecto que seja o meu ponto de vista. Foi idealizado por algum sádico que sentia gozo em ver sofrer o resto da humanidade. Se existisse alguma forma inofensiva de induzir o coma, eu queria adormecer no dia 13 e acordar apenas no dia 15. Uma semana entre 8 e 15 seria melhor ainda. Mas porquê, se é um dia em que tanta gente se sente ou se deve sentir feliz e apaixonada? Meus amigos, isto é como o comunismo: perfeito na teoria mas desastroso na prática.

Primeiro devo confessar que nunca fui um rapaz muito endinheirado durante a minha adolescência, e o Dia dos Namorados só poderia significar duas coisas: solidão ou despesa. Preocupava-me quando chegava o mês de Fevereiro e estivesse a namorar. Era preciso desencantar uns trocos para não passar por pobrezinho ou forreta, ou na melhor das hipóteses suspendia o namoro por uns dias para “reflexão”, e de preferência antes do dia 14, para reatá-lo por volta do dia 19 ou 20, para que não se desconfiasse muito das verdadeiras intenções. Sair com a namorada no Dia dos Namorados implicava uma ida ao cinema, possivelmente um jantar fora mas com toda a certeza uma prenda. Este empreendimento ficava um pouco acima dos meus gastos normais, e nem sozinho ia eu tratar-me tão bem, quanto mais duplicando a despesa. Aliás, já que cerimonializaram tanto este dia, devia ser também feriado público, e ficava tudo mais fácil.

O facto de ser “teso” nem é sequer o principal motivo. É tudo tão mais caro nesse dia que ainda não encontrei escrita em lei nenhuma algo que diga que toda o comércio tem o direito de aumentar os preços à revelia das regras e do bom senso. Desde quando é que um ramo de rosas custa 20 patacas nos dias normais, e uma única rosa enfeitada com uma fita de plástico custa 100 patacas no Dia dos Namorados? O mais irritante é que deixam de se vender flores “normais” logo a partir do final de Janeiro, seja para aniversários, graduações ou outra coisa qualquer: todos pagam pela tabela de S. Valentim. É uma espécie de cerco. Semanas antes deste dia as floristas aumentam paulatinamente os preços, atingindo o clímax da roubalheira na véspera e no próprio dia 14. Quanto ao jantar em algum local de bom gosto, poderá ser necessário uma reserva antecipada.

O ónus da prenda recai sobretudo sobre o homem, e caso a namorada seja um daqueles anjinhos que gosta de tudo o que é “fofinho”, o que não falta são lojas que vendam essas mariquices. O pior nem é comprar a prenda, mas encontrar uma coisa de jeito. Um investimento do tipo relógio, pulseira ou jóia seria arrebatador, mas dispendioso. Tudo depende da expectativa da namorada, ou da forma como encaramos a relação, mas nestas coisas as melhores são muito sensíveis (para não dizer complicadas). Se a fatídica data cai num dia se semana, pode-se sempre alegar a falta de vagar para encontrar uma lembrança mais especial. Mas se cai num fim-de-semana, então aí não há desculpa.

Não tenho os números aqui presentes, mas desconfio que este deve ser um período em que os suicídios disparam. Não sei quem foi o génio que resolveu assinalar deste dia, mas não pensou que para alguns seria feliz, claro, mas para outros um sinónimo de solidão, isolamento e desprezo. Quem se sente só e ignorado não se deve sentir melhor num dia dedicado a parzinhos amorosos partilhando beijinhos e festinhas, exibindo pela rua os bouquets da moça, qual deles o mais composto e caro. Tudo isto em nome um santo romano do século V, numa celebração inaugurada pelos anglo-saxónicos medievais, de orientação presbítera, portanto protestante. A única explicação para a aceitação deste ritual entre católicos, chineses e até ateus é o seu apelo comercial.

Muitos namorados festejam o dia compulsivamente, ignorantes do seu verdadeiro significado ou origem, e chega a ser pecaminoso menosprezar a tradição. A ordem é portanto puxar da carteira, não olhar a caprichos nem prejuízos, e fazer a garota contente pelo menos até à próxima data festiva. Os namoros que começaram neste dia e ainda perduram fazem mesmo uma espécie de “renovação de contrato” por mais um ano. O significado e despesa são a redobrar. Enquanto os namorados se vão entreter com um sorriso mais amarelo da parte dele, quem lucra são os habituais “exploradores” do Dia dos Namorados, em muitos casos gente que só sente amor quando se trata de dinheiro. É normal, pois existe sempre um antídoto para um veneno, luz depois das trevas, um ying e um yang quaisquer, etc. Não existe mesmo bela sem senão.

Não censuro os casais que consideram o Dia dos Namorados especial, ou que o celebram e com isso ficam felizes, independente das posses. Não tomem a minha opinião pessoal como uma verdade, ou se quiserem nem me levem a sério. Simplesmente não tenho estômago para este tipo de imposição do amor romântico, das florzinhas, dos cupidos e dos ursinhos cor-de-rosa, de toda essa foleirice inerente. Todos os dias deviam ser Dia dos Namorados, sem os ditames de convenções baseadas em crendices e factos históricos duvidosos. Para isso já nos basta o Natal. Agora que o fel já está todo caro fora, resta-me desejar a todos um feliz Dia de S. Valentim. Que o dia corra bem e termine de preferência já de noitinha, e com um final feliz. Só assim vale a pena o sacrifício.

Especial S. Valentim: O que é um Cupido?


Cupido e Psique eram danados para a brincadeira.

O Cupido (do latim “cupido”, que significa desejo) era filho de Vénus na antiguidade clássica, e tornou-se no símbolo do amor e da paixão por excelência. O seu equivalente grego é Eros, o próprio Deus do amor. A sua história é contada na obra do “O Asno de Ouro”, do século II, de Lucius Apuleio. Nessa obra com um nome tão curioso, Cupido fere-se com as suas próprias armas e apaixona-se por Psique, a personagem mitológica que representa a alma. São sempre um deleite, estes coloridos episódios mitológicos.

Independente da origem, o Cupido é a grande estrela do Dia de S. Valentim, que hoje se assinala. A sua representação mais comum é a de um anjo, um querubim, na forma de um bebé alado com flechas em forma de coração que quando disparadas fazem com que as pessoas se apaixonem. É complicado explicar porque é que isto acontece, e creio que terá mais a ver com a química do que propriamente com a mitologia ou com o Cupido. A sua namoradinha do romance do Asno, a tal Psique, é provavelmente mais culpada pelo transtorno que leva ao amor.

Pessoalmente nunca percebi muito bem porque é que as pessoas se apaixonam. O que leva uma pessoa a gostar de outra, e apenas daquela, e mais estranho ainda, que essa outra pessoa corresponda com o mesmo sentimento? Para quem não acredita no amor (e não há mal nenhum nisso) fica mais fácil de entender. Nem sempre a atracção é decisiva numa relação amorosa, e pesam ainda factores como a confiança, a segurança, a cumplicidade, o medo de estar só, enfim, quase tudo menos setas apimentadas com amor lançadas pelo Cupido.

O Cupido é um daqueles mitos que gostávamos que fossem reais, como o Pai Natal, por exemplo, mas com as devidas distâncias. O Cupido entra na galeria dos personagens secundários das emoções, que incluem o João Pestana (que traz o sono), a Fada dos Dentes (que deixa uma notinha debaixo da almofada) ou o Ciúme, que dizem, é “um monstro de olhos verdes”. O método é que não é assim muito convidativo. Penso que ninguém gostaria de ser atingido por uma seta ou por um dardo. É daquelas coisas que causam dor além daquilo que o “amor” e os sacrifícios que se fazem por ele justificam.

Fosse o Cupido real e vivesse nos dias de hoje, expulsava os vendilhões do Templo, como fez Jesus. Ou reclamaria direitos de autor, e ficava rico. Usa-se e abusa-se da sua imagem no Dia de S. Valentim, e à custa da sua angelical figura vendem-se chocolates, flores, jóias, pechisbeque e todo o tipo de porcarias. Fico mais descansado que se trate afinal do filho de Vénus, e que se tenha feito à tal da Psique. Essa conversa de que os anjos “não têm sexo” faz-me uma certa confusão. Glória do Rei dos Namorados, o misterioso Cupido.

Especial S. Valentim: The Love Boat


"The Love Boat" (em português "Barco do Amor", que parece o título de um filme porno) foi uma série transmitida pela ABC de 1977 a 1986, num total de 249 episódios. A acção decorria num barco de cruzeiro onde todos os problemas sentimentais eram resolvidos com a ajuda de uma simpática tripulação (curiosidade: os actores ainda estão todos vivos). Chegados a Acapulco ou a qualquer outro destino das Caraíbas, os problemáticos passageiros estavam todos acasalados, e o final era, inevitavelmente, um final feliz. O tema musical do genérico era este, que muitos ainda guardam na memória, uma daquelas coisas que nunca saem do ouvido. "Welcome aboard it's love, looooove, loooooooooooove!"

Especial S. Valentim: Estúpido Cupido


Primeiro grande sucesso de Celly Campello em 1959, "Estúpido Cupido" é uma versão de Fred Jorge para "Stupid Cupid", de Neil Sedaka e Howard Greenfield. A música é um dos clássicos dos primórdios do rock nacional e internacional. O próprio autor, Neil Sedaka, fez sucesso com a canção, também gravada por artistas como Patsy Cline, Connie Francis, Wanda Jackson, Teresa Brewer, The Dicers, Mandy Moore e outros, sendo que no Brasil há regravações de Wanessa Camargo, Lílian (da dupla Leno & Lílian), Cleide Alves, Títulares do Ritmo, Valter Wanderley, Golden Boys, e outros.

Especial S. Valentim: Namoro


"Namoro" é um tema de Sérgio Godinho, originalmente gravado em 1976 eincluído no álbum "De Pequenino se Torce o Destino". Não sendo uma das canções mais populares do cantor, é sem dúvida uma das mais bem conseguidas. "Namoro" foi regravado por Fausto em 1987 para o seu álbum "A Preto e Branco". Fica aqui uma interpretação de Sérgio Godinho ao vivo em dueto com D. Kikas no programa "Sorte Grande", da RTP.

Real e ManU empatam em Madrid


Real Madrid e Manchester United empataram ontem a um golo no jogo da primeira mão dos oitavos da Champions, realizado no Santiago Bernabéu. Os ingleses estiveram em vantagem graças a um golo de Danny Welbeck logo aos 20 minutos, mas Cristiano Ronaldo restabeleceu a igualdade dez minutos depois. O herói do jogo foi o guardião espanhol De Gea, que negou várias vezes ao madrilistas o golo que lhes daria vantagem para a segunda mão. Alex Ferguson parte assim em vatagem, e Mourinho terá de correr atrás do prejuízo. Na outra partida realizada ontem o Borussia Dortmund foi à Ucrânia empatar a duas bolas frente ao Shaktar Donetsk. A partida foi antecedida de um minuto de silêncio em memória de cinco adeptos da equipa da casa que morreram num acidente de aviação, quando se deslocavam a Donetsk para assistir ao jogo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O vinho e a muralha


Estava ontem a ver o programa “Portugal em directo”, dedicado ao tema dos vinhos (outra vez…), e falou-se de regiões, de tintos, brancos e verdes, com qual deles se acompanha cada refeição, a que temperatura devem estar os vinhos, o costume. Cada vez que se fala de vinho ouço tantas opiniões diferentes que já não acredito em nenhuma, mas como também não sou um grande apreciador, tanto fez. Deixo isto para aqueles tipos que percebem ou têm a mania que percebem, aos enólogos e todo o resto. Certamente que têm muito que falar (e beber) sobre o assunto.

O que me chamou mesmo a atenção foi uma pergunta que a apresentadora fez ao um produtor a propósito do mercado chinês. Ora quando se fala de “mercado chinês”, apontam-se os radares vindo de todas as direcções: a China é o sonho de qualquer empresário que se preze. Quem não quer investir na China nos dias que correm? Ainda mais se forem investidores europeus, pois como todos sabem, a nossa querida e velhinha Europa está de rastos. Falida e mal paga, coitadinha.

O produtor vinícola respondeu dizendo que a penetração no mercado chinês “é difícil”, uma vez que para entre o consumidor chinês existe ainda o conceito de que vinho é tinto, tinto é francês e é “Bordeaux”. É um “problema” característico de um mercado relativamente recente; duvido que até há pouco mais de 30 anos fosse possível encontrar uma pomadinha digna desse nome na China continental. Enquanto não se educa o consumidor chinês – e recorde-se que não existe uma tradição vinícola no país do Meio – são os franceses de Bordéus que vão esfregando as mãos de contentes. Existem vinhos de outras origens na China, óbvio, mas para o exportador português é complicado competir com o “pedigree” do vinho francês, italiano e até mesmo o australiano, que fez uma campanha agressiva e bem sucedida nos últimos anos.

A apresentadora referiu Macau no meio de toda esta conversa, e de como o território podia ser “uma porta” para fazer entrar o nosso produto na China. Aí está, quando se fala em “entrar” no mercado chinês, Macau vem logo à baila. É triste admitir isto, mas para sê-lo não basta parecê-lo. Durante os últimos anos da Administração Portuguesa nunca existiu uma vontade concreta de tornar Macau na tal “porta”, e isto aplica-se tanto ao vinho como para todo o resto . Para que isso acontecesse era preciso um investimento sério e demorado, e não é agora que a China se tornou um freguês apetecível que vamos bater na testa e dizer “ah pois é, temos ali Macau e tal”. Já não temos. Tivemos. Agora paciência.

Acredito que o vinho português tem qualidade, e para um consumidor médio pouco importa que o rosbife vá abaixo com a ajuda de um Quinta da Cachorra ou um Chatêau- qualquer-coisa. A diferença será o preço, certamente. Beber um tinto de 1000 patacas a garrafa não provoca nenhuma sensação diferente de beber um que custe apenas 100, e nem se podem sequer falar de benefícios para saúde – que não existem, claro. Resta aos produtores portugueses competir nesse mercado ao lado dos estrangeiros, e se quiserem triunfar terão que ser agressivos e trabalhar muito. Sem isto não há Macau ou outra “porta” que os valha.

Vamos ao dentista?


Tenho um amigo que se pela de medo do dentista. Quando lhe dói um dente aguenta, usa todas as mezinhas conhecidas, reza, e apenas em última instância recorre ao estomatologista, e ironicamente sai de lá satisfeito, e chega mesmo a elogiar o profissionalismo do cirurgião dentário. Assim está pronto para outra – quando lhe doer outra vez um dente além dos limites do suportável.

Não há nada pior que uma dor de dentes. As mulheres dizem que apenas as dores de parto são piores, mas já se sabe, as mulheres são umas exageradas. É difícil evitar a ocasional ida ao dentista. Por muito que se cuide da higiene oral, a boca é um santuário encerrado durante a maior parte do tempo, e sem que demos por isso, ocorrem ali episódios bacteriológicos que provocam cáries, tártaro, halitoses e outras doenças da boca. Brrr…doenças da boca. Que nojo.

A odontologia – assim se chama a ciência do tratamento dentário – evoluíu à brava nos últimos anos. Tempos houve em que o barbeiro da aldeia acumulava as funções de dentista, e o paciente era embebedado de bagaço antes da extração de um dente. A extração era a única opção disponível antes do evento das obturações, dos pivots, dos implantes e das outras mil e uma opções que existem nos dias de hoje. No tempo dos nossos avós as opções estavam limitadas aos dentes arrancados e ao uso da placa de plástico. Ou em alternativa uma boca desdentada e encolhida, a fazer lembrar uma bruxa ou um velho doido varrido. Sim, tivemos mesmo muita sorte.

O dentista é ainda visto por muitos como uma espécie de sádico, alguém que gosta de torturar outro ser humano com agulhas, brocas e alicates. Apesar dos tratamentos serem praticamente indolores nos tempos que correm, o preconceito subsiste: batas brancas, instrumentos cortantes e lâmpadas apontadas ao rosto são um cenário digno de uma autópsia. Pouco importa que o dentista seja um gajo jeitoso e simpático ou uma tipa boazona. É alguém que se prepara para nos meter a mão na boca com os seus instrumentos. Mesmo fora de contexto, isto não soa nada bem.

Pessoalmente nunca tive nenhuma antipatia especial pela profissão, e assusta-me a ideia de um mundo sem dentistas. Isto pode parecer um contrasenso, mas até acho piada à sensação de dormência na face causada pela novocaína, componente principal da tal anestesia. O único senão é o preço dos tratamentos dentários, e em alguns casos uma revisão completa mais os arranjos necessaries saem tão caro como comprar um automóvel. Não surpreende que tanta gente recorra ao dentista apenas em ultimo recurso: além de nos esburacarem a boca, esvaziam-nos a carteira.

Em Macau a população descura muitas vezes a higiene oral, e profissão de dentista continua a não ser muito bem vista. Quando o Governo atribuí os tais vales de saúde (este ano são 600 patacas) a população prefere gastá-la nas farmácias chinesas na compra de barbatanas de tubarão, pepinos do mar, ninhos de andorinha e outros ingredientes dignos de entrar na composição da poção de uma bruxa do que numa necessária limpeza de dentes. O argumento do preço dos tratamentos é utilizado como desculpa, mas há quem troque de telemóvel de seis em seis meses e tem a boca numa lástima.

As novas gerações têm menos receio do dentista. Ou pelo menos deviam ter. Longe vão os tempos dos alicates, das bacias metalizadas, dos trapos de gaze, dos consultórios cinzentões com salas de espera onde se liam revistas de há muitos meses atrás. Algumas das clínicas apresentam-se com um ar muito modernaço, com acesso à internet e tudo, e sempre muito higienistas, apesar de ainda não se terem conseguido livrar daquele irritante cheiro a éter. O melhor mesmo é não partilhar com os nossos filhos o pânico que sentiamos quando era dia de consulta no dentista. É um daqueles traumas que não nos resta senão recalcar. E o barulhinho daquelas brocas? Bzzzzzz……

Bento XVI e a História

Um raio atingiu o Vaticano poucas horas depois do anúncio da renúncia de Bento XVI. Deus ficou zangado?

O anúncio da renúncia do Papa Bento XVI foi sem dúvida a grande notícia da última semana, provocando reacções por parte de todo o mundo cristão. Existem cerca de mil milhões de católicos em todo o mundo, e a saída do seu líder espiritual é um acontecimento de relevo. Não acontece todos os dias. Já que todos meteram a colher nesta resignação papal durante estes dias, chegou a minha vez de dizer o que penso. Com a devida vénia, e desculpem se discordam dos meus pontos de vista.

Se me perguntam o que acho de Bento XVI ter abdicado, respond que acho muito bem. O cardeal Ratzinger fê-lo de forma voluntária, a decisão foi amadurecida e alega razões de saúde. Nada a apontar. É uma decisão pessoal, não é produto de nenhum escândalo, nem foi feito nenhum tipo de pressão para que o Papa saísse. Saíu porque quis, e se achou que não tinha condições para continuar, tiro-lhe o chapéu. Sendo o primeiro Papa em 600 a tomar esta decisão, entra dessa forma para a História. Antes assim que por outro qualquer motivo menos digno.

O cargo de sumo-pontífice reveste-se de uma importância enorme; é um guia-espiritual, uma figura que representa como que um “líder mundial”, ao nível do presidente dos Estados Unidos, permitam-me a comparação. Por muito que custe a um agnóstico como eu e aos restantes não-crentes, o que o Papa diz conta, e muito. Há gente que lhe dá ouvidos. Por esse mundo fora, existem milhões de pessoas que contam com o Papa para lhes indicar o caminho da fé.
É por isso que se torna grave quando do Vaticano continuam a ser emanadas orientações a respeito de temas tão sensíveis como o aborto, a contracepção, a homossexualidade ou a SIDA que teimam em pautar-se pelo conservadorismo. A insistência da Igreja Católica em não aceitar as transformações próprias de uma sociedade em constante mudança e cada vez mais progressista fere de morte a sua credibilidade, e não surpreende que exista uma crise de fé e de vocações cada vez mais evidente.

O impacto das afirmações do Papa ou das orientações do Vaticano nas sociedades onde a maioria professa a fé Católica é discutível, mas não é inócua. Como se sentirá um católico homosexual sabendo que a sua Igreja o condena? Será que se torna mais fácil a uma mulher crente tomar a decisão de interromper uma gravidez, por razões que só a si dizem respeito? Existe uma certa falsa de sensibilidade na Igreja, e os sete anos de pontificado de Bento XVI não vieram alterar nada. Foi um Papa “neutro”, e que só entra para a História pela decisão que agora vem a tomar.
Bento XVI foi eleito Papa em 2005 e sucedeu João Paulo II, provavelmente o Papa mais popular de sempre, que ocupou o cargo durante quase 27 anos, desde 1978 até à sua morte. Achei absolutamente atroz a forma como o anterior Papa foi obrigado a manter-se no trono do Vaticano apesar do seu lastimável estado de saúde. Bento XVI sai “apenas” porque deu uma queda, sofre de artrite e de problemas de memória. O seu antecessor passou os últimos anos do seu pontificado num estado de semi-comatose. É desumano exigir que um homem velho e doente seja obrigado a exercer um cargo tão exigente e revestido desta importância. Aliás que imagem quer a Igreja Católica passar, quando o próprio Papa demonstrava sinais de fraqueza evidente?

O cargo é efémero por natureza. O Papa João Paulo I resistiu apenas 33 dias (!), o que lhe valeu o cognomen de “Papa de Setembro”, visto que foi eleito em finais de Agosto de 1978 e faleceu pouco mais de um mês depois. Não se pode exigir que o Papa seja jovem, até porque requer uma ascensão na hierarquia que demora anos, mas não se pode esperar “estabilidade” quando se aponta alguém com quase 80 anos, como foi o caso do cardeal Ratzinger, que resolve assim sair antes que “Deus o chame”, usando um eufemismo.

Quanto ao próximo Papa, cujo nome será conhecido em menos de um mês, não espero que a escolha recaia no Bispo do Gana ou da Nigéria, dois dos favoritos. Era refrescante que o novo pontífice fosse pelo menos não-Europeu ou até Africano, uma mudança que se saudava. É nos países pobres e em vias de desenvolvimento que o mistério da fé ainda encontra muitos adeptos incondicionais, e não ficava mal ao Vaticano “piscar o olho” a esse segmento de crentes. Mas duvido que se dê este passo. Seria demasiado “progressista” para a velhinha e previsível Igreja Católica. Espero estar enganado…

PSG e Juve em grande no regresso da Champions


A Liga dos Campeões está de volta, agora com a sua fase decisiva a eliminar, e realizaram-se ontem à noite dois jogos dos oitavos-de-final. No Est;adio Mestalla em Valência o Paris SG confirmou as credenciais que lhe valeram a vitória no Grupo A (à frente do FC Porto) e venceram por duas bolas a uma, colocando-se em excelente posição para atingir os quartos-de-final pela segunda vez na sua história. Os argentinos Lavezzi e Pastore marcaram para os franceses ainda no primeiro tempo, e o melhor que os espanhóis fizeram foi reduzir no último minuto por Rami. O PSG não vai poder contarna segunda-mão com a sua grande estrela, o sueco Zlatan Ibrahimovic. Na outra partida realizada ontem a Juventus fez ainda melhor, ao golear na Escócia o Celtic por três bolas a zero. Hoje realiza-se o jogo de maior cartaz desta eliminatória, com o Real Madrid a receber no Santiago Bernabéu o Manchester United.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Aqui Bobo


Bem, e porque hoje é Carnaval, deixo-vos com este "Aqui Bobo", um poema do Adé dos Santos Ferreira, poeta do patuá, gravado em 1983 pela imortal Tuna Macaense. Um vídeo interessante com imagens antigas de Macau, cortesia do site Gente de Macau. Feliz Carnava! Chupa Ovo! ☺

Mau perder em Braga


O Braga perdeu ontem no Estádio AXA frente ao P. Ferreira, no jogo entre os dois candidatos ao terceiro lugar da Liga Sagres. Os pacenses chegaram ao 3-0 no início da segnda parte, e os bracarenses conseguiram apenas reduzir, ficando agora a quatro pontos do seu adversário desta noite. O final do jogo ficou marcado por confrontos entre adeptos das duas equipas. Apesar dos maus resultados, o presidente dos minhotos, António Salvador, diz manter a confiança no treinador José Peseiro.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Barba & Cabelo


Cortar o cabelo, aí está uma necessidade básica que chega a ser um enfado. Não me apetece perder quase uma hora no cabeleireiro, sentado e imóvel, enquanto alguém vai lentamente removendo as madeixas rebeldes que ganham um comprimento inaceitável com o passar das semanas. Quase que me deixo dormir, e o ambiente dos salões também não ajudam muito: praticamente só se ouve o som de tesouras, secadores e chuveiros. Como fui abençoado com um cabelo farto e sou completamente imune a uma indesejada calvície, o meu cabelo cresce rapidamente além dos limites do aceitável, e depois de dois meses assemelha-se a um ninho de andorinha. É um mal necessário em nome da estética, enfim.

Não será esta a melhor altura de abordar este assunto, agora que durante o Ano Novo os preços dos salões de cabelereiro duplicaram, e em alguns casos triplicaram. Mas durante o resto do ano, pelo menos, ninguém se livra de deixar uma nota de cem no “baeta” – no caso das mulheres umas três ou quatro, ou mais, dependendo do serviço. Tal como nas idas à casa-de-banho, as mulheres demoram mais no cabeleireiro. Não porque tenham um cabelo mais complicado que os homens, mas um macho que se preze quer entrar, ser tosquiado e sair o mais rapidamente possível, sem muita mariquice.

A comunidade portuguesa debate-se com enormes dificuldades de comunicação, pois não existem cabeleireiros que falem português em Macau, e com excepção dos filipinos, poucos falam inglês. No caso dos homens basta aprender uma ou duas palavras, como “tüen”, que significa “curto” (diz-se como o inglês “tune”, mas com mais ênfase no “u”), mas no caso das mulheres as coisas complicam-se. É curioso que nenhum cabeleireiro ou barbeiro português se lembre de vir exercer a sua profissão em Macau. Não faltariam clientes com toda a certeza. Será que a crise não os atingiu? Era interessante ter por cá um barbeiro português, daqueles que começa as conversas com “então e o nosso Sporting?”. O barbeiro é uma espécie de psicólogo dos pobres, um “compincha” de tesoura na mão.

As senhoras portuguesas que requeiram um tratamento mais elaborado terão que levar um tradutor, pois dificilmente conseguirão explicar ao chinês do salão o que querem de entre as mil e uma opções de penteados, permanentes, colorações e o diabo a sete. E não basta dizer o que querem; tem que se deixar claro também como querem. Os fins-de-semana são sempre o período crítico, e é normal encontrar nos salões senhoras chinesas de certa idade que não se importam de passar uma tarde inteira de Sábado com um “capacete” e rolos na cabeça. Chega mesmo a ser uma das poucas ocasiões em que convivem com outro ser humano.

O tempo que requer um corte de cabelo torna uma eventual espera completamente proibitiva. Se está uma ou mais pessoas à minha frente, desisto e volto noutro dia. Para evitar este problema, chego a acordar cedo no Sábado para ser o primeiro freguês no meu salão de eleição (já agora permitam-me a publicidade: salão Blossom, Rua de S. Lourenço, nº 36-38). Não há nada pior que perder horas de vida à espera de um corte de cabelo, e as deprimentes (sempre deprimentes…) revistas existentes nesses salões não chegam a ser uma opção de leitura.

Quem tem a sorte de ter uma esposa com jeito para a tesourada e um cabelo mais maleável não precisa de passar por este enfadonho processo que requer tempo, paciência e oportunidade, tudo em nome da estética e da higiene. E por falar nisso, estou a precisar de um corte mais ou menos urgente. Por enquanto vou adiando a ida, ao mesmo tempo que vou ganhando coragem. É preciso coragem…

Não habemus Papa


O cardeal Joseph Ratzinger, ou Papa Bento XVI, abdicou hoje em comunicado divulgado pelo Vaticano. Ratzinger, 85 anos, alegou razões de saúde para deixar o trono de Pedro, e a sua saída será efectiva no final do mês de Fevereiro. É apenas a segunda vez na História que um Papa abdica. Ratzinger, nascido em 1927 em Marktl, na província alemã da Baviera, foi eleito Papa em Abril de 2005, sucedendo o carismático João Paulo II. Aos 78 anos, foi o segundo Papa mais velho de sempre a iniciar um pontificado, depois de Clemente XII, no século XVIII. O pontificado de Bento XVI, que durou menos de oito anos, ficou marcado pelos escândalos de pedofilia que abalaram a Igreja Católica. Um Papa discreto e assumidamente conservador, manteve-se fiel aos dogmas da Igreja, nomeadamente no que toca aos assuntos mais sensíveis, como o aborto, a contracepção, a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Vaticano garantiu que a sucessão será rápida, e entre os principais candidatos encontra-se o cardeal ganês Peter Tuckson, que poderá ser o primeiro Papa negro da História. Já se aceitam apostas sobre o nome do próximo sumo-pontífice; Pedro é o favorito, seguido de Pio, Paulo, Bento, Paulo e Leo (moi?). Esperemos pelo fumo branco.

Domingos deixa a Corunha


Domingos Paciência deixou o cargo de treinador principal do Deportivo da Corunha, depois de uma derrota em casa frente ao Granada por 0-3 no último Sábado. O ex-internacional e ex-treinador do Braga e Sporting não resistiu a uma série de maus resultados, e anunciou a sua saída hoje, apesar do voto de confiança dado ontem pelo presidente da equipa galega. Domingos, de 43 anos, assumiu funções no início de Janeiro, e até começou bem, com uma vitória frente ao Málaga, e um empate fora com a Real Sociedad na semana seguinte. Depois disso seguiram-se quatro derrotas, e o Depor encontra-se actualmente no último lugar com 16 pontos, menos seis que o Osasuna, a primeira equipa acima da linha de água. O Depor é a equipa mais "portuguesa" da liga espanhola, contando com sete jogadores lusos: Zé Castro, Sílvio, André Santos, Pizzi, Bruno Gama, Nélson Oliveira e Diogo Salomão.

Quem não relincha não mama


O escândalo que chocou a Europa durante o fim-de-semana: foi encontrada carne de cavalo nas lasanhas congeladas da marca Findus no Reino Unido e na Irlanda! Análises feitas no produto da multinacional sueca detectaram “entre 60 e 100% de carne de cavalo” num produto que deveria ser inteiramente composto por carne de vaca. O problema torna-se mais sério tendo em conta que a carne de cavalo é tabu nas ilhas Britânicas, onde como se sabe, os equídios sou usados para fazer corridas onde os simpáticos britânicos fazem as suas apostas. Ninguém se imagina a comer ao jantar o cavalo vencedor do último “derby”. Na Irlanda os cavalos que correm as Galway races não terminam à mesa do jantar. É grave. Tão grave que o próprio primeiro-ministro David Cameron manifestou o seu repúdio pela fraude.

Para termos uma ideia do impacto desta descoberta no Reino Unido, imaginemos que era encontrada carne de cão nos hambúrgueres do McDonald’s em Portugal. Não sei quantos dos leitores já provaram carne de cavalo, mas eu já provei, e não é assim tão má. Não nutro pelo cavalo mais simpatia que pela vaca, pelo porco ou pela ovelha. Não sendo uma das primeiras opções tendo uma lista de alternativas, posso dizer que a carne de cavalo “come-se”. Apenas isso.

Em Portugal não foram encontradas quaisquer adulterações na lasanha da Findus, mas para quem está minimamente informado, não seria uma grande surpresa: os produtos congelados ou enlatados são normalmente uma grande trampa. O melhor mesmo é não pensar no processamento daqueles tronquinhos de pescada congelados (“de pescada”, dizem), das salsichas de lata ou das sardinhas em lata. A propósito, já visitaram alguma fábrica de enlatados onde se fazem aqueles patés de sardinha e atum? Não recomendo. Assim como qualquer outro “negócio”, o objectivo é naturalmente o lucro, e isto aplica-se para marcas europeias, asiáticas ou de outra origem: nenhuma é completamente fiável.

Quem não sabe fazer uma lasanha pode sempre optar por um restaurante italiano, e quem opta por alimentos congelados, enlatados, condensados ou instantâneos arrisca-se a comprar gato por lebre. Ou neste caso cavalo por vaca. Não estou a dizer que não como deste tipo de produtos, que chegam a dar muito jeito quando falta tempo para andar à volta das panelas e dos tachos, mas tenho consciência que me arrisco a comer algo de que não estou à espera. Mas como disse Nietzsche, “o que não me mata torna-me mais forte”, ou na adaptação lusitana, “o que não mata engorda”. Ou ainda referindo a obra immortal de Horace McCoy, “os cavalos também se abatem”. E será que os cavalos têm alma?

Ma-Manuel Fu-Fúria


Manuel Fúria la-lançou o seu pri-primeiro album a solo (não me perguntem qual era a anterior banda do fulano, vi isto por acaso no programa Pop Lusa da RTPi), in-intitulado “Manuel Fúria Contempla os Lírios do Campo”, um ti…um ti-tulo do ca-caraças. O Manuel Fúria fa-fala assim, o que só prova que os ga…os ga-gagos não ga-guejam quando ca-cantam. Fica aqui um d..dos si-singles do di-disco, “Que haja festa não sei onde”.

Grandes perdem pontos na Liga Sagres


O FC Porto empatou esta noite no Dragão frente ao Olhanense, o primeiro empate em casa esta temporada. O Porto só se pode queixar de si próprio, desperdiçando um sem número de oportunidades, sem tirar mérito ao guardião brasileiro Braccali – curiosamente emprestado pelo Porto – que brilhou nas redes dos algarvios. O Olhanense adiantou-se no marcador aos seis minutos, depois de uma fuga de Tiago Targino, que aparaceu na área do Porto e bateu Helton sem apelo nem agravo. O Porto precisou de arregaçar as mangas e só chegaria ao empate na segunda parte por Jackson Martínez. O colombiano esteve em destaque pela negativa ao desperdiçar uma grande penalidade, e os últimos minutos foram de sufoco na defesa do Olhanense, sem que contudo os dragões tivessem o acerto necessário para conquistar os três pontos.


O Benfica empatou a duas bolas na Choupana frente ao Nacional, um resultado que deixava adivinhar uma fuga do FC Porto, caso os dragões tivessem batido o Olhanense. Uma deslocação que se previa difícil começou mal para os encarnados, quando Diego inaugurou o marcador logo aos seis minutos para os insulares. O Benfica contou com uma pontinha de sorte para chegar ao empate, beneficiando de um autogolo do defesa moçambicano Mexer aos dezassete minutos. A “máquina” da Luz carburou, e a vantagem chegaria pouco antes do intervalo com um golo de Urreta. A segunda parte voltou a ser cheia de espinhas para os comandados de Jorge Jesus, e o internacional angolano Mateus refez a igualdade aos 54 minutos. O final do encontro foi marcado por uma expulsão para cada lado: Cardozo, que fez na Madeira o seu regresso, e Matic, para o Benfica, e Marçal para os insulares.


Em Alvalade o Sporting perdeu frente ao Marítimo por uma bola a zero, com um golo do sul-coreano Suk na primeira parte. Foi a quarta derrota em casa para o Sporting esta temporada para a Liga, e apesar do clube de Alvalade ser actualmente notícia por outros motivos, o espectro da descida não é um cenário de todo fora de hipótese. O Sporting encontra-se em 10º lugar com 19 pontos, apenas quatro acima da linha de água e cinco acima do lanterna-vermelha, o Moreirense. O calendário é também um problema; seguem-se duas deslocações, a Barcelos e ao Estoril, antes da recepção ao FC Porto e outra saída ao reduto da Académica. Até ao fim da temporada o Sporting ainda tem jogos na Luz, em Braga e em Paços de Ferreira. A pior classificação de sempre dos leões foi o 5º lugar, mas a possibilidade de piorar essa marca é mais que muita, até porque os actuais quintos classificados, o Rio Ave, está já a nove pontos. Precisa-se uma revolução no Sporting. E com carácter de urgência.

Nigéria tri-campeã da CAN


CAN 13 Final: Nigeria 1-0 Burkina Faso... 发布人 ourmatch
A Nigéria venceu a noite passadaa CAN, a Taça das Nações Africanas, ao vencer na final o Burkina Faso por uma bola a zero. Os burkinabés foram a grande sensação da prova, atingindo a final às custas da super-favorita Gana, que eliminou nas meias-finais no desempate nos pontapés da marca de grande penalidade. Os nigerianos confirmaram o favoritismo no jogo decisivo, e o único golo chegoo aos 40 minutos por M'Ba. Este foi o terceiro título dos nigerianos, o primeiro desde 1994, e garante a presença das "super-águias" na Taça das Confederações, que se disputará entre 15 e 30 de Junho próximos no Brasil.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

No Entrudo (carne)vale tudo


Está aí mais um Entrudo, mais conhecido por Carnaval, uma festa que aprendi desde novo a detestar. Não quero com isto tentar ser “especial” ou diferente,ou um estraga-prazeres, mas a experiência de muitos carnaváis passados deixou-me com uma espécie de trauma difícil de ultrapassar. Até gosto de “brincar” e aprecio o significado desta festa pagã e carnal, mas os “carnaváis” do meu passado deixaram-me com um amargo de boca que nem a mais competente pasta dentifrica ou elixir oral me conseguem tirar.

No Montijo, onde cresci, bem como em qualquer outra “anytown” portuguesa do último quartel do século XX o Carnaval era um pretexto para que cometessem abusos contra a dignidade humana. Na semana antes da terça-feira de Carnaval as ruas e as escolas eram já frequentadas pelos foliões, os “mascarados”, que consideravam divertido cometer actos de vandalismo, como atacar pessoas com ovos, farinha ou vinagre, atirar bombinhas de mau-cheiro ou rebentar pequenos explosivos, um hábito reprovável que muitas vezes resultou em lesões graves para os seus praticantes. Isto acontecia com a cumplicidade das lojas da especialidade, que vendiam este tipo de produtos, apesar da censura de (pouca) gente mais sensata. Além destes produtos explosivos e tóxicos, vendem-se ainda confeites, fitas e outras porcarias que na ressaca do Carnaval só servem para dar trabalho aos profissionais da limpeza. Até a poluição mais ordinária entra na “festa”.

O lema é bem conhecido: “É carnaval, ninguém leva a mal”. Era uma altura do ano em que o facto que chegar a casa todo molhado ou cagado de farinha e ovos se insiria numa “normalidade” revestida com contornos barbáricos. Era a época dourada dos grunhos e outros indivíduos que recentemente receberam a designação de “bullies” mas que sempre existiram, aproveitando-se da fraqueza de outros ou da impunidade que o Carnaval conferia aos seus actos de terrorismo amador. O pior é que quem não estava interessado em “brincar” e queria simplesmente levar uma vida normal até à quarta-feira de cinzas era obrigado a atravessar um campo minado, que conhecia o expoente maximo no fim-de-semana antes da terça-feira do Entrudo. Sem o mesmo glamour do Carnaval de Veneza ou a irreverência dos carnaváis do Rio ou da Bahia, o nosso Entrudo servia de desculpa para a anarquia e o vandalismo autorizados.

Os portugueses adoram brincar ao Carnaval, e cidades como Ovar, Loulé ou Torres Vedras, para citar algumas, conhecem nesta quadra o seu apogeu turístico. Uma vez que o nosso país se encontra no hemisfério norte, o Carnaval é em pleno Inverno, e reza-se a S. Pedro e aos restantes santinhos que o tempo ajude, que não chova ou que não faça um frio de rachar que intimide as “escolas de samba” lusitanas de mostrar as plumas e lantejoulas, dando expressão à festa pagã da carne que antecede a Quaresma. O Carnaval brasileiro, o mais famoso e espectacular do mundo, é o modelo e a inspiração máximos, e só os rigores da meteorologia preocupam os organizadores dos carnaváis portugueses, que amiúde convidam artistas brasileiros para conferir um sabor mais tropical à festa.

Não pensem que desprezo o Carnaval porque fui vítima frequenta das brincadeiras parvas, nada disso – durante essa delicada semana evitava sair de casa, evitando assim dissabores – mas em Macau encontrei a trégua carnavalesca que procurei durante toda a minha vida. Não gosto de me mascarar, fi-lo apenas quando era pequeno e mais por capricho dos pais, não me agradava a ideia de incomodar desconhecidos nem precisei de escapes para a minha rebeldia. Não acho piada aos desfiles, e as músicas de Carnaval são patetóides: Mamãe eu quero? Se você fosse sincera (oh oh oh oh) Aurora? É dos carecas que elas gostam mais? Tenham dó…

Aqui a muitos milhares de quilómetros de distância daquela palhaçada sinto-me protegido pela capa do paganismo, que leva a que a população local seja completamente ignorante do significado do Carnaval. Folgo viver num território onde atirar farinha ou ovos a alguém e rebentar explosivos fora do contexto do Ano Novo Chinês dão direito a uma visita mais demorada à esquadra da polícia. O Carnaval tem as suas tradições entre a comunidade macaense, e tiveram uma idade do ouro nos tempos do saudoso Adé e das festas no Teatro D. Pedro V, mas num tom mais moderado.

Actualmente o Carnaval reveste-se do mesmo significado do Halloween, e celebra-se de forma privada e discreta, sem “arrastar” as pessoas que preferem paz e sossego. E é assim que quero que seja o meu Carnaval: insignificante. Para quem gosta, que se divirta à brava, mas eu não preciso de datas para exteriorizar a minha extravagância. E já agora, cumpram o jejum da quarta-feira de cinzas, se querem levar a coisa mesmo a sério.

"Shoplifting" em Angola


Um caso que está a chocar Angola. Duas mulheres foram apanhadas a roubar num supermercado - uma garrafa de champanhe no valor de 600 patacas e um sabonete - e foram de seguida brutalmente agredidas por três funcionários da loja. As imagens são bastante violentas, e a intensidade das agressões está longe de justificar o "crime" cometido. Os agressores foram detidos e aguardam julgamento em prisão preventiva.

Faca e alguidar


"Mariscador" algarvio morre ao cair ao mar enquanto pescava perceves em Aljezur.

A PSP de Lisboa deteve um homem suspeito de balear outro numa perna.

Empresário madeirense aparece morto na costa da Córsega durante um cruzeiro do Mediterrâneo.

Jovem de 20 anos é preso pela PSP de Lisboa depois de dois assaltos com navalha. Uma mulher ficou ferida num braço.

Bombeiros impedidos de combater fogo por dois cães da raça pibull em Gaia, no Porto.

Detido em oeiras é levado paa a esquadra e agride polícias, partindo o dedo a um agente.

Real volta às goleadas, Ronaldo marca mais três


Real Madrid 4-1 Sevilla 发布人 goalsarena2012
O Real Madrid deu ontem um pontapé na crise, ao golear em Chamartin o Sevilha por quatro bolas a uma. Um tónico que chega mesmo antes do encontro dos madrilenos com o Manchester United na próxima quarta-feira em jogo dos oitavos da Champions League. C. Ronaldo voltou a apontar um "hat-trick", elevando para 24 golos a sua contabilidade na liga esta temporada. Noutras partidas destaque para a vitória do Málaga por duas bolas a uma no reduto do Levante. Os malaguenhos vão defrontar também na quarta-feira o FC Porto em jogo da liga milionária. Entretanto o Deportivo voltou a perder, desta feita em casa por 0-3 frente ao Granada, e continua no último lugar. O treinador português Domingos Paciência deverá anunciar hoje a sua demissão do cargo.

City diz adeus ao título


S3-1M www.fasthighlights.com 发布人 2013fasthighlights
O Manchester City terá ontem dito adeus ao título da Premier League ao perder no The Dell frente ao aflito Southampton por três bolas a uma. Os "citizens" podem ficar assim a doze pontos dos seus rivais de Manchester, o United que apenas hoje joga com o Everton em Old Trafford. Em grande continua o Tottenham de André Villas-Boas, que bateu o Newcastle por 2-1, e mantém o quarto lugar com mais quatro pontos que o Arsenal, que venceu em Sunderland por uma bola a zero. O Chelsea mantém-se firme no terceiro posto, depois de golear em Stamford Bridge o Wigan por 4-1.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A hora da cobra

Uma cobra branca é exibida em Taiwan nas vésperas do Ano Novo Lunar.

Tinha uma namorada que se pelava de medo de cobras, serpentes, víboras, boas, anacondas, pitons e toda a espécie de reptéis rastejantes e com pernas. O aparecimento de uma destas criaturas na televisão era razão mais que suficiente para mudar de canal, e a fobia era tal que nem se podia falar de “cobras”. Quando lhe perguntei porquê, disse-me que a principal razão era o meio de locomoção do réptil: rastejante e sem pernas. Nunca fiz a experiência, mas desconfio que se a moça vise uma inofensiva minhoca entrava em pânico.

Não sei diferenciar uma cobra de uma jibóia ou do resto da complicada espécie, deixo isso aos especialistas, mas tenho que admitir que o design não é o mais chamativo. Além da já referida qualidade rastejante, ainda têm o corpo coberto de escamas, uma língua bifida e um olhar hipnótico que causa arrepios a muita gente, já para não falar no mortífero veneno presente no aguçado dente de grande parte destes répteis. Eu até não desprezo o bichinho, e prefiro pensar nela como uma tartaruga mais esguia.

Habituei-me ao bicho desde pequeno. A sala dos reptéis nos zoo de Lisboa era sempre motivo de uma visita mais demorada; considerava a família das serpentes fascinante. Quando fui pela primeira vez à Tailândia, paguei 100 baht para tirar uma fotografia com duas cobras enormes, a quem tinha sido retirado o venenoso dente, e que eram mais inofensivas que um velho vampiro desdentado. Na China comi cobra algumas vezes, com a perfeita consciência disso, e não me causou qualquer espécie de asco. Para mim é só mais uma das criaturas da natureza, e se for comestível, ainda melhor. Uma vez cozinhada e no prato, para mim a cobra é apenas uma enguia que se esqueceu de viver no mar.

Mas compreendo a má fama que a serpente leva. Fazendo fé na Bíblia e no livro da Genesis, Satanás, o desafiador, disfarçou-se de serpente e levou Eva a cometer o pecado original. Querem um começo pior que este? Nos documentários do National Geographic e afins de que tanta gente gosta, a serpente aparece normalmente a devorar animais mais pequenos, alguns deles bastante simpáticos e que dá pena ver morrer de forma tão cruel e violenta, ou a engolir surrateiramente os ovos de pássaros, aniquilando assim uma vida que nunca chegou a ser, numa atitude cobarde. “Filha da puta da cobra”, desabafam os espectadores mais revoltados.

Não sei o que pensam os nativos da Serpente, os que este ano completam 12, 24, 36, 48, 60, 72, 84 anos de vida ou mais, com alguma sorte, sobre o animal que lhes calhou no zodíaco chinês. Podia ser pior – eu pessoalmente preferia ser da serpente do que do rato. Tal como o Tigre (de que sou nativo) , igualmente perigoso para os humanos, ou o Dragão, que não existe, é um dos poucos animais dos doze da velha lenda que não dá para ter em casa ou no quintal, ou para fazer festinhas. Mas relaxem, isto não é importante, e seja qual for o bicho que sai na roda, a malta vai festejar na mesma, e no caso particular da Serpente, realiza-se uma operação de charme que nos faz esquecer os seus nefastos vícios e a sua amaldiçoada natureza. A cabrona…

KUNG HEI FAT CHOI

Estou arrependido...mas talvez faça outra vez


Aqui está um adepto de futebol sem papas na língua. João Garcia ganhou os seus quinze minutos de fama na passada semana quando chamou por Messi durante a chegada de Cristiano Ronaldo a Guimarães na véspera do particular da última quarta-feira frente ao Equador. O adepto explica que apenas o fez porque ficou agastado com a forma como a estrela do Real Madrid ignorou os seus fãs, nomeadamente as crianças, a quem não correspondeu sequer com um sorriso. Garcia diz-se arrependido dos seus actos, e explica que "ficou muito nervoso, e que "estava num mau dia", mas não rejeita a hipótese "de um dia mais tarde chamar outra vez". Quem fala assim não é gago. Para quê prometer e depois não cumprir? Nunca se sabe...

Carlos Cruz: a queda de um anjo


Vou deixar isto bem claro: nunca gostei de Carlos Cruz. Não sou do tempo do Zip-Zip, e sempre achei o concurso “1,2,3” uma forma sofrível de entretenimento. Enquanto o país parava para assistir aos concorrentes que perdiam carros, apartamentos, electrodomésticos e tudo mais ao ritmo da chantagem negocial do Carlos Cruz, eu desconfiava de tudo aquilo. Pouco me importa que fosse uma forma inovadora de fazer televisão, ou que o apresentador fosse um “grande comunicador”, já para não falar da simpatia do público feminino pelo fulano. Havia ali qualquer coisa que não batia certo. Passados quase vinte anos, a verdade veio ao de cima: o gajo gostava de comer putos. Xeque-mate. Teje preso, Carlos Cruz.

Tenho que lhe tirar o chapéu, contudo. Apesar de não nutrir qualquer simpatia pelo Carlos Cruz, nunca me passou pela cabeça que fosse um pedófilo nojento. A sua popularidade dava-lhe uma certa dose de credibilidade, e as mulheres bonitas com quem se envolveu romanticamente não davam a entender que o seu vício era a carne tenrinha de putos pré-púberes. Fosse alguém especular sobre a sexualidade de Carlos Cruz enquanto este se entretia a apalpar as assistentes do “1,2,3”, e seria considerado alguma espécie de maluquinho. Nem o facto de levar menores à Holanda e à Bélgica com o pretexto de servirem como modelos para roupa infantil e anúncios televisivos levantava suspeitas. Afinal estava a levar os putos ao castigo, coitadinhos.

Quando rebentou o escândalo Casa Pia nunca me restaram dúvidas quanto à culpa dos suspeitos. Somos um país de brandos costumes e nunca alguém tão popular como Carlos Cruz ia parar à choldra sem que existissem provas cabais da sua culpa. Por muito que custe aos fãs do “1,2,3”, o Carlos Cruz gosta de rabinhos de menino, pertencia a uma rede de pedófilos e o lugar dele é na prisão. É assim que gostamos de ver tratados os criminosos, sejam eles estrelas de televisão, politicos, empresários ou simples gatunos e pindéricos. Todos presos, e sorte deles não viverem num país onde vigora a “sharia”.

Esgotados os recursos e as restantes tecnicalidades ao alcance de quem consegue pagar a um bom advogado, o apresentador e a restante croja de abusadores de crianças podem voltar agora ao xadrez, de onde nunca deviam ter saído. Congratulo-me que o meu país faça justiça, mesmo que tardia, sem olhar a quem, e sem que existam cidadãos acima de qualquer suspeita. Sinto pena pelos filhos menores de Carlos Cruz, mas pode ser que também eles consigam um dia perceber a dimensão deste tipo de crime. Não se iludam. O abuso sexual de menores não é brincadeira. É a segurança dos nossos próprios filhos que está em jogo.

O peso de ser Peseiro


Nunca achei José Peseiro uma boa opção como treinador para uma equipa ambiciosa como o Braga, que tem disputado nos últimos anos uma vaga na Liga dos Campeões. Peseiro é um treinador “jovem”, apesar dos seus mais de 50 anos, e foi colega de José Mourinho no mesmo curso. É caso para dizer que o actual treinador do Real Madrid bem podia ter sido o professor, e Peseiro um aluno cábula.

Natural de Coruche, Peseiro subiu a pulso até à primeira liga, onde treinou o Nacional depois de passagens pelo U. Montemor e pelo Oriental. Por algum motive obscuro, Carlos Queirós levou-o consigo para o Real Madrid como adjunto em 2003, sendo ambos dispensados devido aos maus resultados. A experiência value-lhe o cargo de treinador principal no Sporting em 2004/05, ficando então conhecido pelo treinador do “quase”: em apenas uma semana perdeu o campeonato nacional, a final da Taça UEFA e a final da Taça de Portugal. Seguiram-se passagens pela Arábia Saudita, Grécia e Roménia com um resultado em comum: zero títulos conquistados.

Há alguns dias um cibernauta português editou a página do Wikipedia dedicada a Peseiro, ironizando sobre os seus fracassos, um facto que mereceu a atenção do jornal Expresso (ver aqui o link). É triste que se faça pouco da desgraça alheia, mas no caso de Peseiro é quase inevitável. Contratado pelo Braga para substituír Leonardo Jardim, que levou os minhotos ao terceiro lugar a época passada, Peseiro está a discutir o lugar do pódio com o Paços de Ferreira, foi eliminado da Europa e dos quartos-de-final da Taça de Portugal. António Salvador, presidente dos bracarenses que muitos comparam a Pinto da Costa em termos de “ratice” não devia estar nos seus dias quando optou por Peseiro para treinador principal do clube que mais cresceu nos últimos anos. É pena. Coitado do Peseiro…

Uma portuguesa de fibra


Erica Fontes esteve na última quarta-feira no programa “Cinco para a meia-noite”, apresentado por Nuno Markl. O convidado principal era o músico Kalú, baterista dos Xutos & Pontapés, que lançou recentemente o seu primeiro trabalho a solo, mas foi a actriz porno portuguesa que chamou a atenção. Não é fácil imaginar uma actriz porno portuguesa, sendo o país de brandos costumes que sempre fomos, mas Erica Fontes é uma lufada de ar fresco nesse bafiento contexto.

Gostei do à vontade da miúda, que teve o seu trabalho reconhecido recentemente nos “óscares” da pornografia como melhor actriz estrangeira. Não sei até que ponto é a pornografia considerada uma forma de representação, mas não existe outra actriz (ou actor, ou realizador, para esse efeito) que tenha obtido reconhecimento internacional a este nível. O mais importante é que Erica Fontes gosta do que faz, e o seu trabalho foi devidamente recompensado. A sua opção de carreira pode não ser a mais ortodoxa, mas que importa que portas e travessas se tenham que passar a caminho do sucesso?

A indústria da pornografia pode não ser uma manifestação artística que colha entre a maioria, mas se somos bons no que fazemos e ainda por cima não pedimos que nos respeitem ou sequer nos reconheçam, o que se pode censurar na opção da Erica Fontes? Pelo menos realiza um trabalho positivo que deixa muita gente feliz, mesmo que essa gente tenha um gosto discutível. A dedicação da Erica levou-a mesmo a realizar uma “workshop” de sexo oral. E bolas, quem é que não gosta de sexo oral e gostaria de aperfeiçoar essa vertente? Quem não gosta de fellatio ou cunnilingus que procure um médico, pois não é normal.

Para quem não conhece o trabalho da jovem actriz, gostaria de deixar aqui um link do RedTube, e escusado será dizer que é preciso ter 18 anos para aceder (Nota: o actor que com ela contracena esteve também no "Cinco"). A actriz tem ainda uma página pessoal na internet. Divirtam-se!

"E depois do adeus" em revista


Assisti no outro dia a um episódio da série “E Depois do Adeus”, a tal que referi aqui há algumas semanas, e cuja acção decorre durante o Verão Quente de 1975, o período mais conturbado do PREC (Processo Revolucionário Em Curso), que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. Foi uma época em que se cometeram todos os tipos de excessos, quiçá resultantes de um certo deslumbramento pela liberdade recentemente adquirida depois de quase cinco décadas de ditadura. Foi o “saltar da tampa” de uma garrafa que foi aguentando o gás durante muito tempo, e as pessoas não sabiam muito bem o que fazer com essa liberdade. Arriscámo-nos mesmo a cair noutra ditadura, não fosse outra intervenção militar poucos meses depois, a 25 de Novembro, que colocou alguma ordem e evitou uma provável Guerra Civil ou uma intervenção estrangeira no sentido de evitar que Portugal se tornasse num país socialista de inspiração soviete. Foram tempos complicados, e ainda bem que tinha pouco mais de seis meses de idade, senão emigrava. Assim ainda precisei de esperar mais 18 anos.

A série está impecavelmente bem pensada e é competentemente produzida, e quem passou por estes loucos tempos identifica-se com grande parte do enredo. Uma família de retornados (ou “refugiados” como se auto-intitulavam) deixa Angola à pressa e vai morar com a irmã do seu patriarca, que se debate com dificuldades em encontrar emprego, uma vez que é considerado um “colonialista” que passou a vida “a explorar os pretos”. Num mercado de trabalho onde os sindicatos ditavam as regras, um retornado batia quase sempre com o nariz na porta. Era mais uma angústia a juntar ao choque que foi perder tudo num ápice, graças a uma descolonização vergonhosa feita em cima do joelho. A adaptação a um país completamente desconhecido era difícil, especialmente num tempo de muita incerteza quanto ao rumo que esse país ia tomar.

Uma grande parte da população urbana da capital, especialmente a mais jovem, estava entretida com uma qualquer ideologia a que chamava “luta”. As palavras que mais se ouviam eram “burguesia” (o inimigo), “proletariado” (o povo, pá!), “luta de classes” (o desporto nacional de então) ou “reaccionários” (os inimigos da revolução). Os comunas mais radicais entretinham-se a participar em comícios, a imprimir folhetos ou a pintar paredes – tudo o que não fosse trabalhar ou estudar, claro. Os ideólogos de onde se bebia a inspiração eram Marx, Lenine, Estaline e Mao. O Governo era liderado pelo comunista Vasco Gonçalves, enquanto o líder histórico dos comunas tugas, Álvaro Cunhal, entretinha-se a vender segredos de estado a Moscovo. Vejam só em que sarilho estávamos metidos.

Os portugueses, outrora oprimidos ao ponto do esmagamento pela União Nacional, o partido único do regime fascista, dividiram-se em mil partidos, e além dos “reaccionários” do PPD e do CDS e dos moderados do PS, existia o PCP e uma miríade de sucedâneos comunistas, de onde se destacavam a UDP e o MRPP como os mais radicais. Este é o povo que temos. Em vez de aprender com os erros do passado e tentar organizar-se de modo a construír um país democrático com uma orientação liberal, optou pelo extremo oposto do regime que os oprimiu. É caso para dizer que só estavam contentes com a lei do chicote. E queriam um chicote novo, diferente do anterior.

Voltando à série, uma cena que me chamou a atenção aconteceu dentro de um autocarro que terminava a carreira no Cais do Sodré. Os passageiros queriam ir até ao Terreiro do Paço, e alguns mesmo até Santa Apolónia, porque moravam lá perto e “dava jeito”. O motorista insistia na carreira normal, mas o revisor discordava, pois “os operários querem ir até ao Terreiro do Paço, e a vontade dos operários deve ser feita”. A discussão foi sujeita a “plenário” e de seguida “votada”, de modo a obter uma solução “democrática”. Mal sabia esta gente que este tipo de comportamento tinha muito pouco de democrático. Era uma autêntica loucura. A mais elementar subversão de valores, mesmo que improdutiva, era tida como um assomo de liberdade.

Gostei do cuidado com os adereços. As roupas, os penteados, as músicas e até os carros compõem o cenário que nos levam atrás no tempo quase 40 anos, para a idade das calças de boca-de-sino, dos cabelos compridos, dos bigodes farfalhudos e das barbas fartas. Junto com a revolução chegou a falência dos barbeiros. Quem mais lucrou com toda esta fantochada foram os músicos de intervenção, como Fernando Tordo, Sérgio Godinho, Fausto, Vitorino, José Mário Branco e outros que alinhavam no “espírito revolucionário”, uns que se afirmavam depois de anos na clandestinidade, outros que iam então aparecendo. O Festival da Canção de 1975, o primeiro depois da revolução, foi uma autêntica parada de canções revolucionárias, e do mal o menos, ganhou “Madrugada” de Duarte Mendes, uma das menos radicais (e menos ridículas). Ora mas tudo isto até faz algum sentido: se a ditadura durou 48 anos, a revolução devia durar pelo menos outros 48. As nacionalizações, as expropriações, os atentados bombistas, as greves e outras formas de anarquia eram produto da “vontade do povo”, que agora unido, jamais seria vencido.

Estou um pouco surpreendido que se tenha demorado tanto tempo a retratar este período tão único da nossa História recente. Quer dizer, conseguimos produzir séries televisivas de inspiração histórica com muita qualidade, e assim de repente lembro-me de “Bocage”, “O Processo dos Távoras”, “A Ferreirinha” ou “Ballet Rose”, e admira-me que só agora se lembrem de explorar este tema tão sumarento que foi o PREC. Quem sabe se a ideia andou a ser amadurecida e chegou o “timing” adequado. (Ou se calhar o Francisco Moita Flores é uma formiguinha burguesa, um reaccionário!). Ficamos agora à espera que a TDM transmita a série a horas decentes o mais brevemente possível, pois às cinco da madrugada de Domingo é difícil que a consigamos acompanhar aqui deste lado. Em todo o caso fica o registo. É uma série de grande qualidade e que vale a pena ver. E aprender.