domingo, 17 de março de 2013

Os pastéis de Zink e a morcela de RAP


Termina hoje o Festival Rota das Letras, que trouxe até Macau alguma da fina flor da literatura da Lusofonia. Uma semana especial, em que se falou de livros, de escrita, de poesia, de tudo o que faz bem à alma. Desconheço o impacto que este encontro teve na população, nomeadamente a de etnia chinesa, mas espero que pelo menos tenha tido algum. Que tenha pelo menos despertado a curiosidade de alguns. Macau é infelizmente uma cidade onde se lê muito pouco, onde a falta de cultura geral é gritante, e o sistema de educação fica muitos furos abaixo do desejável. Não vou insistir no cenário de “deserto cultural”, que mais uma vez o meu colega e amigo José Rocha Dinis abordou a propósito deste festival. O director do JTM insiste que é a falta de motivos de interesse cultural na RAEM é “uma falsa questão”, mas eu discordo; não é a realização de um evento, mesmo que desta monta, ou uma ou outra iniciativa esporádica que vão mudar seja o que for. Temos uma cidade de gente superficial e materialista, e entre gastar alguns milhares de patacas na compra do último modelo do iPhone ou algumas centenas em dois ou três bons livros, opta-se normalmente pela primeira. É salutar que entre as novas gerações já se denotem alguns progressos, e que exista alguma curiosidade pela literatura, pelos clássicos ou pelos autores estrangeiros, mas há ainda muito trabalho pela frente no sentido de mudar a mentalidade vigente de que “os livros não enchem a barriga a ninguém”. Mas adiante.

Tive pena que à última da hora Francisco José Viegas não se pudesse juntar a esta festa das letras, mas terá os seus motivos. Certamente que seria instado a comentar as recentes afirmações que fez a propósito da obrigatoriedade do pedido de factura em Portugal – a malta aqui adora uma boa polémica. Foi uma baixa de vulto. As presenças mais mediáticas foram na minha humilde opinião a do escritor Rui Zink e do humorista Ricardo Araújo Pereira (RAP), que justificaram em pleno o estatuto de cabeças de cartaz. Com todo o respeito pelos restantes autores que abrilhantaram esta Rota das Letras, era em Zink e em RAP que se centravam as maiores expectativas. Eram as grandes estrelas, o Messi e o Ronaldo do certame, se me permite a analogia. Zink é escritor, tradutor e professor universitário, um homem bastante culto e ao mesmo tempo descontraído, que dá imenso gosto ouvir. RAP é mais conhecido pelo seu trabalho no quarteto humorístico de maior sucesso na última década em Portugal, os Gato Fedorento, e para mim foi uma surpresa. Não estava dentro das minhas expectativas que fosse convidado, e para mais que viesse até cá, tão longe, ele que de certeza tem uma agenda preenchidíssima. Mas ainda bem que veio. Se é surpresa, é bastante agradável. Fiquei com curiosidade em saber o que pensaram Zink e RAP sobre Macau, como bons observadores que são, frontais e directos, sempre com uma inclinação para o discurso humorístico que serve para aligeirar saudavelmente qualquer assunto, por mais sério que seja.

Gostei de ouvir Zink, sobre a impressão com que ficou do território. A sua reacção é típica de quem chega e fica por aqui alguns dias. Não seria de esperar que ficasse completemante esclarecido sobre a realidade de Macau, mas pelo menos deu a entender que “captou” algumas das vibrações. Rui Zink faz-me sempre sorrir, e não pude evitar uma risada quando falou com Jorge Silva no Telejornal de sexta sobre a versão local dos pastéis de nata, as tais “portugueses egg tarts”. É de facto uma das curiosidades mais interessantes para um turista português, que este parente distante dos pastéis de Belém tenha no território uma grande aceitação, apesar da maior parte dos portugueses não lhe reconhecer as mesmas qualidades do original. Zink achou graça à interpretação macaense dos pastéis de nata, e sugeriu a Jorge Silva uma parceria (“agora que ninguém nos está a ver”, ah ah) na sua comercialização em Portugal. É lógico que Rui Zink estaria a desdramatizar o que alguns podem considerar um “defeito”, mas para nós que temos saudades dos nossos pastéis de nata é mais que isso: é um drama! As “egg tarts” de Macau seriam um fracasso em Portugal da mesma forma que os Pastéis de Belém originais seriam (e são, foram feitas algumas tentativas) um fracasso em Macau. É tudo uma questão de gosto, que neste particular difere muito entre as duas culturas que fazem parte da génese de Macau. Aliás já abordei o tema da pastelaria e das diferenças entre o gosto ocidental e local neste post.

Quanto a RAP, tenho pena de não ter visto mais dele, mas surpreendeu-me pela positiva em alguns aspectos. A sua bagagem cultural é um dos aspectos que mais se destaca, mas aqui a minha surpresa deve-se a alguma falta de atenção da minha parte, pois afinal RAP é licenciado em Comunicação Social, tendo optado antes pela escrita humorística – em boa hora, RAP é um excelente humorista, e não o imagino como jornalista “sério”. As suas primeiras impressões sobre Macau coincidem em parte com as minhas, se bem que com uma distância de vinte anos. É normal que alguém que chegue pela primeira vez a um território que esteve sob administração portuguesa durante cinco séculos espere encontrar mais pontos em comuns com Portugal. Eu próprio pensava antes de aqui chegar que a maioria da população falaria português. A minha ingenuidade desculpa-se mais facilmente pelo facto da minha chegada ter-se dado em 1993, quando Macau era ainda parte do antigo império. Congratulo-me que RAP tenha mantido uma posição sóbria e não tivesse optado pela “piada fácil” que infelizmente ainda colhe entre tantos humoristas e não só, que olham para os chineses de forma redutora, como “os gajos das lojas e dos restaurantes”. Se tenho algo a apontar a RAP (além do seu benfiquismo) é a sua excessiva humildade, que faz com que se repita “ad nauseum”. Diz que “é um palerma”, um infantilóide, que deve tudo mais ao acaso que ao talento, enfim, insiste nesta espécie de auto-crítica e com isto aproveita para fazer umas piadas. Acho que a intenção é mesmo essa.

RAP disse que “não esperava encontrar morcela no chop suey”, em jeito de graça. Ora, aqui nem temos assim tanto “chop suey”, mas temos morcela à farta. Quem sabe se o RAP, e já agora o Rui Zink, se tivessem demorado um pouco mais por estas paragens teriam a oportunidade de provar o “ma ka iao chao fan”, o arroz de bacalhau, ou a “galinha à portuguesa”, que apesar do nome, é um prato local desconhecido em Portugal. Existem detalhes deliciosos e pistas da convivência entre a civilização chinesa e portuguesa no território que não se detectam a não ser com uma visita mais demorada. Há mesmo quem viva aqui há anos e desconheça algumas das curiosidades que tornam Macau tão especial; existe uma diferença entre viver Macau e viver EM Macau. Só no primeiro caso dá para que se tenha consciência do contributo que cinco séculos de presença portuguesa deram para a matriz do território. Talvez seja presunçoso esperar que o Rui Zink e o RAP leiam estas linhas, mas se por alguma coincidência aqui chegarem, convido-os a regressar a Macau, desta vez apenas como visitantes, e que explorem melhor os recantos da cidade. Não é bem um convite, é mais uma sugestão.

Tivemos ainda um “finale” musical, com o fadista Camané e os Dead Combo, ambos de Portugal, uma espécie de cereja no topo deste bolo cultural. Foi uma semana diferente, portanto, bem passada, e era bom que outras iniciativas desta natureza fossem mais frequentes. Além do aspecto da Lusofonia, que nos diz respeito, tivemos literatura, poesia e arte chinesa, e já agora gostava que em jeito de rescaldo se fizesse um balanço da adesão dos residentes locais, e se há necessidade de fazer mais e melhor. Espero que a iniciativa se repita, e que o Festival Rota das Letras em Macau se torne num evento apetecível para autores do universo da língua portuguesa e não só. E já agora, quem é que eu gostava que viesse até cá no próximo ano? Que tal Alice Vieira, Miguel Sousa Tavares, Mia Couto e Miguel Esteves Cardoso, por exemplo? Com o calibre dos autores que tivemos este ano, não seria de todo impensável. O céu é o limite.

Raikkonen vence em Melbourne


O finlandês Kimi Raikkonen venceu esta tarde o GP da Austrália, corrida inaugural da época 2013 do mundial de Fórmula 1. Raikkonen levou o seu Lotus ao primeiro lugar à frente de Fernando Alonso, em Ferrari, e Sebastian Vettel, em Red Bull. O alemão tri-campeão do mundo largou da "pole-poistion", mas atrasou-se no jogo dos abastecimentos, contentando-se com o último lugar do pódio. Filipe Massa, Lewis Hamilton e Mark Webber classificaram-se no quarto, quinto e sexton lugar, respectivamente, enquanto o alemão Adrian Sutil, regressado esta temporada pela Force-India, obteve um satisfatório sétimo lugar. Paul di Resta, Jenson Button e Romain Grosjean fecharam os lugares dos pontos. Nico Rosberg, um dos favoritos aos primeiros lugares, abandonou nà 26ª volta devido a uma avaria eléctrica no seu Mercedes. A McLaren e a Williams, dois históricos da F1, parecem muito longe de poder competir com os Ferrari, Red Bull e Lotus. Button garantiu dois pontos para a McLaren, mas Sergio Perez foi 11º, primeiro dos lugares não pontuáveis. Na Williams o venezuelano Pastor Maldonado despistou-se à 24ª volta, enquanto o finlandês Valtteri Botas, um estreante, não foi além do 14º lugar. Por falar em estreantes , o mexicano Esteban Gutierrez, de apenas 21 anos, foi o melhor, levando o seu Sauber-Ferrari ao 13º lugar, à frente de Bottas e de outro iniciante, o francês Jules Bianchi, em Marussia-Cosworth. O inglês Max Chilton, também em Marussia, foi 17º, e o holandês Giedo van der Garde, em Caterham, foi 18º e último dos pilotos que finalizaram a prova. A classificação de pilotos é liderada por Raikkonen com 25 pontos, seguido de Alonso com 18 e Vetel com 16. Nos construtores a Ferrari leva vantagem, com 30 pontos, seguida da Lotus com 26 e a Red Bull com 23. A próxima etapa do mundial realiza-se na Malásia, no circuto de Sepang, no próximo Domingo.

Real puxa dos galões


REAL MADRID 5 MALLORCA 2 发布人 acosart
O Real Madrid goleou ontem em casa o Mallorca por cinco bolas a duas, um resultado enganador, pois os maiorquinos, que lutam pela manutenção, foram um osso duro de roer. Nsue silenciou o Santiago Bernabéu logo aos 6 minutos, mas Higuaín restabeleceu a igualdade aos 15, para seis minutos depois Alfaro colocar os visitantes em vantagem, resultado com que se chegou ao interval. No segundo tempo os merengues carregaram no acelerador, e marcaram três golos em apenas quarto minutos: C. Ronaldo, Modric e novamente Higuaín deixavam Mourinho mais descansado. Benzema, que entrou como substitute fechou as contas, e o Real está ainda a 10 pontos do líder Barcelona, que só joga hoje no Nou Camp frente ao Rayo Vallecano.

United com o título na mira


O Manchester United bateu ontem o Reading por uma bola a zero em Old Trafford, a beneficiou da derrota do Manchester City frente ao Everton para ampliar a vantagem no primeiro lugar da Premier League. A equipa de Ferguson tem agora mais 12 pontos que os "citizens", quando estão apenas 27 pontos em disputa. O único golo do encontro foi apontado por Rooney aos 21 minutos. Alex Ferguson perspectiva assim o 13º título de campão ingles, que seria o 20º dos "red devils".

Leão moribundo vence Setúbal


O Sporting bateu ontem o V. Setubal em Alvalade por duas bolas a uma, encontro correspondente à 23ª jornada da Liga Sagres. O Sporting, novamente com uma equipa jovem começu bem, e adiantou-se no marcador aos 16 minutos com um autogolo do defesa sadino Amoreirinha. Quatro minutos depois Labyad fazia o segundo na tranformação de um grande penalidade, e adivinha-se uma noite tranquila para a equipa de Jesualdo Ferreira - para variar. Não foi bem assim, pois o Setubal reagiu e reduziu no início do segundo tempo por Makukula, e o porting tremeu. Os leões podem contudo queixar-se da sorte, pois criaram oportunidades flagrantes de golo, e viram pelo menos três bolas a bater no poste da baliza do polco Piszczek. O Sporting sobe ao 9º lugar com 27 anos, menos três que Guimarães e Rio Ave, que partilham o quinto lugar. De mal a mal, o Sporting ainda está na corrida por um lugar europeu.

sábado, 16 de março de 2013

Aumento? Epá...obrigadinho


Foram ontem anunciados os aumentos na Função Pública de Macau, que este ano serão de 6,06%. Na prática isto significa que o factor de multiplicação da tabela indiciária passa de 66 para 70 pontos. Um funcionário que aufira o índice 300 da tabela passa a ganhar mais 1200 patacas mensais, um aumento que se pode considerar antes uma “actualização”, uma vez que pouco mais de mil patacas mensais no orçamento não será propriamente motivo de festejo. Para quem aluga uma casa, por exemplo, poderá esperar um aumento da renda mais ou menos dessa ordem – na melhor das hipóteses. É um pouco como chover no molhado. E isto sem contar com o aumento do custo de vida derivado da inflação, aumento esse que muitas vezes leva a fazer contas que não batem muito certo. Como é que uma refeição num restaurante que antes custava 50 patacas passa a custar 60? Este não é um aumento de 6 ou 7%, números oficiais da inflação. É um aumento de 20%! No que ficamos, afinal?

Tal como no ano passado, os aumentos não têm rectroactividade ao mês de Janeiro, o que para o tal funcionário que aufere o índice 300 serão menos cerca de cinco mil patacas que entram no orçamento. Recordo-me que o ano passado a justificação para não haver retroactividades passou pelo facto do orçamento não ter sido previsto nas linhas de acção governativa para 2012, mas se a memória não me falha, o próprio Chefe do Executivo anunciou aumentos para a Função Pública (ou “actualizações”, para não ferir sensibilidades) em Novembro último. A realidade é que não há retroactivos “porque não”, e uma vez que no ano passado “já foi assim”, não é preciso nenhuma justificação. As actualizações ainda carecem de aprovação da Assembleia Legislativa, mas uma vez que a proposta é apresentada pelo Executivo, será aprovada com toda a certeza. Mesmo o sector empresarial que ocupa uma parte significativa do hemiciclo aprovará a proposta, se bem que lá no fundo sintam que os funcionários “levavam aumento era o tanas”.

Em Macau não falta dinheiro, já se sabe, mas quem se lixa é sempre o mexilhão. Não interessa aos tais sectores empresariais que os trabalhadores da administração sejam aumentados de forma concomitante, pois isso implica que eles próprios tenham que aumentar os seus empregados, e isso dói-lhes no bolso, é claro. A necessidade de aumentar vencimentos para dar resposta ao evidente encarecimento dos bens de consumo, mesmo os mais básicos, é considerada hoje uma inevitabilidade, mas esta correlação entre o público e o privado já serviu de argumento para que os salários na Função Pública tivessem ficado “congelados” durante vários anos depois de 1999. Assim uns não mamam, e os outros não choram. Como não existem sindicatos propriamente ditos e o direito à greve é uma daquelas coisas que “não vale a pena” legislar, esta é a “concertação social” que vamos tendo por aqui.

É ideal, como aliás foi sugerido pela ATFPM e a sua congénere chinesa, que se adopte um mecanismo que permita que as actualizações sejam feitas automaticamente e de acordo com os números da inflação, e no início de cada ano. Assim era mais prático e menos “teatral”, e os funcionários não ficavam reféns de interesses externos ao Executivo, que afinal tem o dever de cuidar dos seus. A distribuição da riqueza não passa por dar cheques a meio do ano por dá cá aquela palha, sem olhar a quem, mas sim por recompensar o esforço e pagar o que é justo. Os aumentos não devem ser visto como uma dor de cabeça, “ai que aí vêm eles pedir mais, estes chatos”. Devem ser antes entendidos como uma resposta à evolução da economia, sempre com a atenção a uma eventual perda do poder de compra. A tal “harmonia” de que tanto se fala não se atinge com cada vez mais contas para pagar e de barriga vazia.

O cão (romano) e o gato (chinês)


O que têm a China e o Vaticano em comum? Muito pouco, já se sabe. Pequim e a Santa Sé estão de costas voltadas desde 1949, altura da implantação da RPC, cuja génese assentaou em princípios acentuadamente ateístas. Não significa isto que no país mais populoso do mundo tenham deixado de exisitir católicos, mas estes estão limitados a prestar o culto a Cristo na Igreja Patriótica, controlada pelo Governo Central, e a Roma não é reconhecida qualquer autoridade na escolha dos bispos. A Igreja Católica-Romana sediada no Vaticano foi vetada à clandestinidade, e as relações entre o maior e o mais pequeno estados do planeta têm-se caracterizado pela distância, e pela discordância.
Uma das maiores cautelas que o Governo chinês tem tido desde sempre é o controlo do associativismo dentro do país. O regime de partido único a isso o obriga, e é preciso estar atento a organizações de fora do PCC que sigam orientações e linhas de pensamento divergentes. O próprio direito à reunião é atentamente escrutinado, e as actividades não autorizadas que reunam um grande grupo de cidadãos são desencorajadas – é preciso dividir para poder reinar. O caso da perseguição aos membros da seita religiosa Falun Gong é um bom exemplo disso. A História recente da China demonstra que a mobilização das massas não é uma tarefa difícil, que o povo chinês é facilmente seduzível, e apesar disto parecer que se lhes está a passar um “atestado de burrice”, a preocupação do regime é legítima.

Perante tudo isto, é lógico que a Igreja Católica não é bem vista. A Igreja tem uma longa História de interferência com o meio político dos países onde o catolicismo é a religião da maioria, e chegou a ter um papel decisivo na queda de regimes que desaprova – e noutros casos um papel estabilizador, como é exemplo Portugal, onde o Estado Novo e a Igreja andavam de mão dada. Pequim tem motivos fortes para temer os sermões encomendados por Roma. O regime chinês, para o melhor e para o pior, tem muito pouco de “católico”. Para este afastamento contribui ainda o facto do Vaticano ser um dos (cada vez mais poucos) estados que mantém relações diplomáticas com Taiwan, o que á interpretado por Pequim como uma “provocação”. Ao contrário de outros estados que passaram a reconhecer a China e cortaram relações com Taiwan, o Vaticano não carece de uma potencial relação comercial com aquela que é agora a segunda maior economia global. A fé não tem preço, e a Santa Sé não se queixa das finanças.

O que estas duas realidades tão díspares têm em comum é o facto das suas lideranças terem mudado esta semana. Em Pequim Xi Jinping foi confirmado como novo presidente e Li Kexiang como novo “premier”, sucedendo assim à dupla Hu Jintao e Wen Jiabao, que atingem agora o limite de dez anos à frente dos destinos do país, e em Roma foi eleito o novo Papa, com Francisco I a suceder ao demissionário Bento XVI. Mais de mil milhões de chineses e cerca de mil milhões de católicos – um terço da população mundial – têm agora uma novos líderes. É obra. E é uma coincidência que a mudança de intérpretes tenha acontecido na mesma semana.

Pequim comentou a eleição do novo Papa, e como seria de esperar a posição do regime mantém-se inalterada: não admite interferências da Santa Sé nos assuntos do país e ao mesmo tempo exige que esta reconheça o princípio de “uma só China” e repense as relações com Taiwan. Da ilha nacionalista chegam calorosas bem-vindas ao novo pontífice, e Taipé já deixou saber que enviará uma delegação a Roma para a inauguração de Francisco I na próxima semana. O Vaticano é aliás visto pelos opositores ao regime chinês como uma espécie de “irmão mais velho”, e até o Dalai Lama já se congratulou com a eleição do novo Papa. Um nó atravessado na garganta de Pequim, pois torna-se complicado negociar outra via que não a económica para angariar aliados. O Vaticano não precisa de engenheiros que lhes vão lá constuir pontes ou estádios de futebol, nem que os chineses lhes comprem a dívida – mas qual dívida, afinal?

Do Vaticano não se espera também uma mudança de posição, e a aproximação a Pequim continua a ser uma miragem. Os contactos, mesmos que tímidos e a nível não-oficial podem continuar a decorrer entre ambos, é certo, mas dificilmente qualquer das partes fará qualquer tipo de concessão. Nem de um Papa reformador outra coisa seria de esperar. O Vaticano pode continuar a piscar o olho à China, mas esta vai continuar a virar-lhe a cara. Ficará tudo na mesma, para jubilo de Taiwan. Uma aliança entre Pequim e a Santa Sé seria um passo importante para a reunificação, nos termos determinados pelo regime chinês. Pode ser que até não existam assim tantos católicos em Taiwan, mas um amigo destes vale mais que ouro.

You so small!


Uma mulher de 52 anos em Taiwan obteve o divórcio do seu marido, alegando que o seu pénis era "demasiado pequeno". A mulher, uma funcionária pública de apelido Zhang, diz que o seu agora ex-marido, um homem de 55 anos de apelido Zhou, também funcionário, não cumpriu com o que prometeu quando casaram há quatro anos - sexo pelo menos três vezes por semana. Zhang diz que o pénis de Zhou é pequeno, "como o de uma criança", medindo uns modestos cinco centímetros. Resta saber se a medição foi feita com precisão ou apenas "a olho", mas a verdade é que segundo Zhang o casal nunca teve relações. Os dois conheceram-se em Julho de 2008 por intermédio de um amigo comum, e deram o nó cinco meses mais tarde. Zhang queria que ambos tivessem relações antes do casamento, mas o namorado recusou alegando "motivos religiosos", que impediam o coito pré-marital. Recordo que ambos têm mais de 50 anos. Zhang só se apercebeu do problema do marido na noite de casamento, e além da pequenez do dote, o pobre homem sofria ainda de impotência. Discutiram durante toda a noite de núpcias, e Zhao prometeu recorrer a ajuda médica. O casal separou-se logo no dia seguinte, mas voltou a encontrar-se mais algumas vezes - exactamente dez, segundo Zhang - para ver se o diminuto e flácido membro registava melhoras. Infelizmente Zhou não passava dos cinco centímetros e Zhang ficou "à espera do padeiro". Zhou interrompeu o tratamento há dois anos quando a mulher meteu os papéis para o divórcio. O infeliz homem nega ser impotente, e diz que o problema tem a ver com o "timing": o meio-dia é a sua hora de ponta, mas a mulher queria festa sempre depois da meia-noite, e por essa altura "estava já muito cansado", explicou. Zhou teceu ainda considerações sobre a santidade do matrimónio, defendendo que o sexo "não é tudo", negando ainda que prometeu relações três vezes por semana, uma vez que não tem um apetite sexual devorador - ainda por cima, coitado. O tribunal de Taipé concedeu-lhes recentemente o divórcio, e agora o mais curioso: este foi o primeiro casamento de ambos! Pois é, burro velho não aprende línguas.

Ilegal sabe melhor


Não me façam rir, acabei de fumar uma jamaicana gorda.

Um caso gritante de hipocrisia, e para não variar, chega-nos da América. Desta vez não se trata de um congressista conservador que se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo enquanto passa os tempos livres em casas-de-banho públicas à procura de sardões para chupar, mas anda lá perto. Este senhor na imagem com um ar muito distinto e mais que idade para ter juízo é Steve Katz, congressista eleito pelo estado de Nova Iorque com o apoio do "Tea Party", plataforma ultra-conservadora do Partido Republicano. Katz votou contra a legalização da marijuana para fins medicinais em 2010, uma posição coerente com os rígidos valores morais defendidos pela facção que o apoia. O que já não é tão coerente é o facto de ter sido apanhado a semana passada na posse da substância contra a qual votou para fins medicinais, mas que usa para fins recreativos. Segundo o New York Post, Katz foi apanhado em excesso de velocidade, e os polícias que o autuavam sentiram um forte cheiro a marijuana vindo do seu carro. Antes que o revistassem, o congressista entregou-lhes um saco de erva, valendo-lhe assim uma "cooperação com as autoridades" que lhe pode dar muito jeito quando for a julgamento no próximo dia 28. Isso e o facto de ser membro do congresso norte-americano, claro. Katz é veterinário de profissão, mas tem a licença suspensa por causa de acusações de mau tratamento a animais. Se calhar estava tão pedrado que ouviu os bichinhos chamarem-lhe um nome feio. Mais um cromo dessa enorme caderneta que é a América.

Um dia com Manuel João Vieira


A Visão foi passar um dia com Manuel João Vieira. E há alguém melhor com quem passar um dia (com a excepção de umagaja boa, entenda-se)? Já que hoje é Sábado, aproveite a viagem.

Foram os seus lindos olhos


Tem visto algum homem de Neandertal ultimamente? Não? Pudera, já estão extintos há 28 mil anos, e qualquer semelhança com um indivíduo menos dotado de beleza não passará disso mesmo: semelhança. O Neandertal volta a ser notícia devido a um novo estudo elaborado pela Universidade de Oxford em conjunto com o museu de história natural de Londres, que adianta uma nova teoria para a sua extinção. Analisados os crâneos de alguns Neandertais, concluiu-se que este antepassado do homem actual teria um cérebro de tamanho semelhante, mas os seus grandes olhos limitavam-lhe as capacidades cognitivas. Assim o cérebro dedicava mais espaço e recursos ao sentido da visão, e menos ao processamento da informação. É caso para dizer que o Neandertal via muita coisa, mas exclamava sempre: “que m… é esta, pá???”. A visão mais apurada era útil durante as noites mais longas, próprias das regiões onde habitavam, mas a falta de capacidades cognitivas, vulgo “burrice”, tornaram-nos menos aptos para lidar com mudanças como a Idade de Gelo. O Homo Sapiens, com que ainda conviveu, era mais dotado de inteligência, criou roupas quentes e organizou-se em grupos sociais maiores. Há quem diga que os Sapiens ainda os terão avisado: “Ó Neandertal, agasalha-te e vai para dentro que está frio!”, mas os Neandertáis estavam entretidos a olhar para qualquer coisa com aqueles olhões que atrapalhavam a mioleira. Mesmo assim eram considerados “inteligentes”; durante os 250 mil anos que habitaram a Terra fabricaram roupas e utensílios, utilizavam o fogo e enterravam os mortos com rituais. E viram tanta coisa que nunca chegaram a entender, coitados.

Bairro do Amor


O programa “Não me sai da cabeça”, um dos melhores da RTPi (apesar da atitude “all over your face” da apresentadora Sílvia Alberto) foi hoje dedicado à canção “Bairro do Amor”, do imortal Jorge Palma, o mais talentoso e completo dos músicos portugueses. “Bairro do Amor” é uma tema lindíssimo, um poema fascinante da autoria do génio, que depois o dá uma musicalidade do mesmo nível. O tema apareceu pela primeira vez no álbum “’Té já”, de 1977, e seria regravado em 1989 para o disco a que também deu o nome (mais conhecido pelo single “Frágil”). O músico gravaria uma terceira versão dois anos depois para o álbum “Só”, onde Palma se faz acompanhar apenas de piano e da própria voz. Só. Em 1993 aparece uma versão ao vivo incluida no disco “Palma’s Gang no Johnny Guitar”. A versão de 1989 foi incluída na colectânea oficial “Dá-me Lume”, de 2000.

“Bairro do Amor” é um dos temas mais requisitados nos concertos de Jorge Palma, e é uma daquelas canções que não me canso de ouvir. Atente-se ao calibre destes versos: “O Bairro do Amor/É uma zona marginal/Onde não há hotéis, nem hospitais/No Bairro do Amor/Cada um tem que tratar/Das suas nódoas negras sentimentais”. Arrepiante. No outro dia descobri no YouTube uma raridade: Jorge Palma e Lena D’Água a interpretarem o tema em dueto, com Palma ao piano, e que não pude deixar de partilhar com o leitor. Desconhecia esta colaboração entre ambos, e a julgar pela juventude de Palma este dueto será datado de meados dos anos 80.

Fiquei surpreendido que tanta gente conheça e consiga cantar este tema, que não é muito conhecido fora do círculo dos Palmaníacos – os fãs mais atentos de Jorge Palma. Os programas anteriores foram dedicados a canções mais populares, como “Dunas” dos GNR, ou “Chiclete” dos Táxi. Não é preciso ser fã dos GNR para saber a letra de “Dunas”, e tirando duas ou três canções, não conheço o trabalho dos Táxi, mas ouvi “Chiclete” centenas de vezes. “Bairro do Amor” é um santuário que julgava eu ao acesso de poucos. Congratulo-me que há quem conheça a canção, mesmo não sendo um fã de Jorge Palma. É importante ouvir boa música, e melhor música que Jorge Palma, pelo menos em português, é difícil encontrar.

Ainda a propósito de Jorge Palma, começo a ficar um pouco irritado com um certo “humor” que é feito a propósito do cantor quanto aos seus hábitos, nomeadamente a bebida. Ainda há pouco foi no programa “Anti-Crise” (pois…), onde se insinuou mais uma vez que Jorge Palma é um alcoólico. A piadola sem graça nenhuma tinha qualquer coisa a ver com o cantor ter bebido um litro de whiskey, enfim, não interessa. Para quem anda menos atento, gostava de recordar que Jorge Palma tem 62 anos, mantem-se no activo e gravou cinco discos de originais nos últimos dez anos, fora colaborações com outros artistas. Tem uma agenda de concertos respeitável, e desconheço se alguma vez precisou de cancelar algum por qualquer motivo, mas duvido. Não sei se esta insistência com o alegado alcoolismo do cantor tem algo a ver com este video, em que aparece na cerimónia dos Globos de Ouro da SIC visivelmente alterado (se virem o video ficam com a ideia que o Palma bebeu, mas foi o Herman que fez a figura triste). Se bebe muito, se bebe pouco, se bebe terpentina, água de colónia ou apenas água, não sei, mas quem dera a muitos músicos a sua forma, coerência e produtividade com aquela idade. Um artista com uma carreira de respeito que não merece ser achincalhado por indivíduos sem talento.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Com os dois pés em Macau


É sexta-feira, e como é habitual aqui no Bairro do Oriente, deixo-vos com o artigo publicado na edição de ontem do Hoje Mmacau. Bom fim-de-semana!

Tenho um amigo que viveu em Macau durante o tempo da administração portuguesa, e que regressou ao território há alguns anos, onde permanece até hoje. Sobre a situação em Portugal na altura disse-me estas palavras que nunca esquecerei: “Aquilo não tem nada de mal, nós é que estamos mal habituados”. Com este “mal habituados” referia-se naturalmente à vida de Macau, e queria dizer obviamente “bem habituados”. Atendendo à actual situação de desgoverno que o nosso país de origem atravessa, este meu amigo teria hoje uma opinião diferente, mas é um facto: quem vive em Macau durante alguns anos sente a diferença quando regressa à Pátria lusitana. Mesmo eu próprio, que passei aqui a maior parte da minha vida, noto esta diferença quando vou a Portugal de férias. Sinto-me um estranho na minha própria terra.

Não preciso de me gabar de ter tomado a decisão certa quando chegou a hora de escolher entre ficar ou partir, até porque não foi uma decisão bem ponderada. Foi sobretudo o comodismo que me levou a adoptar Macau. Não me apetecia mesmo nada recomeçar e passar por um processo de readaptação, mesmo na pujança dos vinte e poucos anos que tinha na altura. Fui ficando apenas porque sim. Nunca me passou pela cabeça que a transição fosse reeditar os erros da descolonização em África. Nunca me senti numa “colónia” propriamente dita, e sempre dependi do meu trabalho para sobreviver. Nunca receei que me expulsassem, e foi com algum humor que registei as opiniões dos mais pessimistas e demais profetas da desgraça. A forma como a transferência de poderes foi executada é actualmente um dos poucos motivos de orgulho que tenho do meu país. Pasme-se, que nos tempos que correm fizemos qualquer coisa bem feita. Para variar.

Não falo sem conhecimento de causa. Cheguei a viver e trabalhar em Lisboa antes de vir para Macau há quase vinte anos, e não há distância, saudades ou preocupações de natureza cultural ou política que me dificultassem a decisão de ficar. A exiguidade, a tranquilidade e a serenidade desta terra foram a “água do Lilau” que bebi e que me prenderam aqui. Não desprezo quem optou pelo regresso, e desejo-lhes a melhor sorte do mundo, mas para mim não, obrigado. Não troco isto por nada. É bom saber que lá longe há quem nos vá receber de braços abertos, é sempre reconfortante ter um segundo lar, mas para mim o primeiro e até ver o único é este. Mesmo quando Macau me trai, quando se comporta como uma amante caprichosa, as raízes que me prendem impendem-me que lhe vire as costas. É mais que um simples compromisso. É uma cumplicidade.

O facto de poder deslocar-me a pé praticamente para todo a parte, a conveniência de andar para o serviço em menos de 15 minutos, sem precisar de depender de transportes públicos, sem a condicionante dos engarrafamentos, greves e tudo mais, a vantagem de poder atravessar a rua e jantar numa tasquinha qualquer por uma módica quantia, tudo isto é o que faz de Macau um local perfeito. Aqui não sabemos o que é precisar de dormir cedo durante a semana para depois acordar ainda de madrugada e apanhar o autocarro, o barco ou o comboio, e se os pequenos passam mal durante a noite em menos de cinco minutos estamos nas urgências. Por aqui não há maternidades ou centros de saúde a encerrar por falta de verba. Em Macau é possível sair do trabalho às sete da tarde e ainda comprar tudo e mais alguma coisa, e nem precisa de ser nas lojas dos chineses – que diabo, aqui todas as lojas são “dos chineses”.

São cada vez mais os portugueses que escolhem Macau para viver, uns que chegam pela primeira vez, outros que regressam. Muitos que por aqui passaram sentem saudades e querem voltar – e do que estão à espera? Não quero adoptar um tom paternalista, nem ensinar nada sobre Macau. Cada um deve estar e ser nesta terra da forma que muito bem entender. Mas se me permitem gostava de deixar um pequeno conselho: ponham os dois pés em Macau, pelo menos enquanto aqui estão, enquanto o território vos servir de casa. Basta de chorar pelo leite derramado lá longe, suspirar por um Portugal melhor onde um dia choverá dinheiro, o mel jorrará das fontes, cães e gatos serão finalmente amigos. Chega de promessas vazias. Não é proibido sonhar, mas já que aqui estão aprendam a amar esta terra, escutem com atenção as lições que ela tem para ensinar. Como disse um dia um grande homem: “Não queiram mudar Macau. Deixem antes que Macau vos mude”.

Newcastle no caminho do Benfica


O Benfica vai defrontar os ingleses do Newcastle nos quartos-de-final da Liga Europa, com os jogos a serem realizados a 4 de Abril no Estádio da Luz, e uma semana depois em St. James Park. Um sorteio assim-assim para a equipa de Jorge Jesus, uma vez que os "magpies" ocupam a segunda metade da classificação na Premier League inglesa, mas têm a vantagem decidir a eliminatória em casa. O sorteio determinou ainda os jogos Chelsea-Rubin Kazan, Tottenham-Basel e Fenerbahce-Lazio.

O sorteio dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, já se equipas portuguesas, determinou os seguintes jogos: Málaga-Borussia Dortmund, Real Madrid-Galatasaray, PSG-Brcelona e Bayern-Juventus. A primeira mão disputa-se a 2/3 de Abril, e a segunda a 9/10 do mesmo mês.

Vinho Benfica imperador em Bordéus


O Benfica qualificou-se ontem à noita para os quartos-de-final da Liga Europa ao bater o Bordéus em França por 3-2. O Benfica fez o que lhe competia e foi o primeiro a marcar, pelo efesa Jardel ainda na primeira parte, obrigando assim os girndinos a marcar três golos para acalentar esperanças de passage. Os restantes golos surgiram apenas nos últimos quinze minutos de jogo, e os encarnados nunca estiveram em desvantagem no marcador. Destaque para o paraguaio Oscar Cardozo, que apontou dois golos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O mundo é redondo (e tão giro!)


Quando estudamos na escola primária e começamos a perceber melhor o mundo que nos rodeia, somos confrontados quase diariamente com um sem número de novidades. A vida é uma verdadeira caixinha de surpresas. Quando tinha 8 anos ofereceram-me um Atlas Universal pelo Natal. Foi provavelmente a melhor prenda que alguma vez recebi, pois aprendi a localizar quase todos os países no mapa mundo e “empinei” a esmagadora maioria das capitais. Cheguei a entreter os amigos dos pais com os meus conhecimentos geográficos, e todos achavam imensa graça que um puto de 9 anos soubesse que a capital da Mongólia é Ulaan Bator – especialmente por eles próprios ignorarem esse facto. É básico fazer troça de nomes estrangeiros que nos soam estranho, mas é impossível deixar de tecer algumas observações “off the record”. Não seria capaz de fazer um trocadilho com um natural da Mongólia chamando-o de “mongolóide”, mas há realmente locais com nomes que nos convidam a rir baixinho.

Dos países propriamente ditos não há motivos de risota galhofeira. Quer dizer, no continente africano temos o Burkina Faso, o Botswana ou o Lesotho, que fazem lembrar letras das músicas do Bonga, mas nada de muito grave. Temos um país que se chama “Camarões”, e cuja simples menção nos lembra uma bela petiscada regada com imperiais geladinhas. O que pouca gente sabe é que foram os portugueses que baptizaram este país da costa Atlântica do continente africano, devido à abundância de lagosta branca no mar da região. Há países no continente negro que não se livram dam á fama. Cada vez que se fala de Etiópia, lembramo-nos de criancinhas subnutridas com barrigas inchadas do edema da fome e moscas no rosto. É no continente africano que predominam os territórios começados pela letra “Z”: Zâmbia,Zimbabwe, Zanzibar (na Tanzânia, que também leva um “z”) e Zaire, um dos maiores rios de África e antigo nome do país hoje conhecido por República Democrática do Congo. A palavra “democrática” é aqui usada livremente, este é o país dos Mobutus. Existe um arquipélago no mar Índico, não muito longe de Moçambique, chamado “Seychelles”, facilmente confundível com o nosso querido Seixal, na margem sul de Lisboa. A maior ilha do continente, Madagascar, tem como capital “Antananarive”. Quando alguém diz que vai de férias a Antananarive, quando acaba de pronunciar o nome já se acabaram as férias.

Na América do Sul temos o Perú, a ave que todos adoramos saborear no Natal, só que neste caso o nome do país tem origem na tribo indígena dos Viru. A capital, Lima, faz lembrar uma ferramenta ou um citrino, o que só vem agravar a miséria dos pobres peruanos aos nossos olhos. Pior que o Perú temos a Antigua e Barbuda, um estado insular das caraíbas. Quer dizer, Barbuda? Estarão a falar da mulher do presidente ou quê? Tenham dó. Ainda nas Caraíbas existia um país chamado “Antilhas Holandesas”, que há dois anos foi extinto e dividido em dois: Sint Maarten e Curacao, que é nome de bebida. A região caribenha deixa-nos a sonhar. Quem nunca ambicionou a umas férias nas Baamas, em Aruba, na Jamaica ou na República Dominicana? Ou ter uma conta bancária bem recheada nos paraísos fiscais das Ilhas Caimão (que é um lagarto gigante) ou nas Ilhas Virgens Britânicas? O maior país da América Central é o fascinante México, um local encantador. Não consigo deixar de brincar com o nome do país dos antigos aztecas. Quando estou com pressa e há alguém no meu caminho a pisar ovos digo sempre “México, México”. Perceberam a piada? É muito gira.

A velha Europa, onde estamos inseridos, não é fecunda em nomes bizarros, talvez devido à sua exiguidade que leva a que não existam diferenças culturais ou linguísticas de monta. Mesmo assim não posso deixar de achar alguma piada à “Macedónia”, que além de uma salada de ervilha, cenoura e batata e um gelado de frutas cristalizadas é também um jovem país das Balcãs. Também nas balcãs temos outra ex-república jugoslava que dá pelo nome de “Kosovo”, ainda não reconhecida na sua plenitude. Não sei se sou apenas eu, mas quando oiço falar no “Kosovo”, lembro-me de ovos cozidos. Existe ainda quem confunda a Eslovénia e a Eslováquia, talvez pelo facto de terem sete letras em comum no seu nome. Para evitar a confusão basta saber um pouco de História: a Eslovénia e uma ex-república Jugoslávia, enquanto a Eslováquia era parte da antiga Checoslováquia. Até aos anos 80 existiam apenas 40 países europeus, mas com o fim da União Soviética, Jugoslávia e Checoslováquia passaram a existir mais de 50. Ficou tudo um pouco mais baralhado, de facto.

Na Ásia, o maior continente do mundo, temos dois pólos distintos: o médio e o extremo oriente. Antigamente tinhamos o próximo oriente, que englobava os países da peninsula arábica e da antiga Pérsia, o médio oriente era então a Índia e arredores, e o extremo-oriente: China, Japão, peninsula coreana e países do sudeste asiático. Quando era puto ouvia falar muito de uma tal Cochinchina, que era um sítio misterioso onde tudo era supostamente muito diferente: “nem aqui nem na Cochinchina”, dizia o povão. Esta região, localmente conhecida por “Nam Ký”, é situada no sul do actual Vietname, e fazia parte da Indochina francesa. Pelas arábias temos o “Kuwait”, que se lê “cu-ueit”, se bem que há quem teime em pronunciar “cu vai-te”. Em Agosto de 1991 foi notícia a invasão do Iraque de Saddam…“ao cu vai-te”. No subcontinente indiano, além do Bangladesh (que vem depois do Banglanove e antes do Banglaonze) temos o Butão. Sim, o Butão, não o “botão”, sem bem que ambos se pronunciam da mesma forma. Um nome bem divertido, sem dúvida. Uma das tais ex-repúplicas soviéticas, o Uzbequistão, tem como capital “Tashkent”, que se lê “tás quente”. Hilariante!

Finalmente na Oceânia, já em pleno Oceano Pacífico, existe um sem número de estados de que sabe muito pouco. Todos conhecemos a Austrália e a Nova Zelândia, e mesmo os adeptos do “rugby” são familiares com países com o Tonga, as Fiji, o Tuvalu, a Samoa – ou Samoas, existe a Samoa Ocidental e a Samoa Americana, também conhecida por “Ilhas Marianas”. Outros estados, se é que os podemos chamar de tal, são completamente desconhecidos. Um bom exemplo disso é Niue (não sei como se pronuncia), localizado mesmo no meio do Oceano Pacífico e com pouco mais de um milhar de habitantes. A sua capital é Alofi, mas a maior cidade é Hakupu. Talvez porque a primeira tenha apenas 200 habitantes, enquanto a segunda tem 250. Mas uma curiosidade sobre este Niue desconhecido: foi o primeiro país a ter Wi-Fi, em 2003. Ora toma! As capitais de alguns destes países polinésios têm nomes que não lembram ao Diabo. A do Tuvalu é “Fanafuti”, que parece o nome de um prato africano. A capital do Tonga é Nuku’alofa. Às vezes dá-nos vontade de mandar alguém ir tomar “Nuku’alofa”. É um mundo tão divertido, este que habitamos.

Casamata de Portugal em Macau


A Casa de Portugal "esqueceu-se" do equipamento amarelo.

Agora que tanto se fala da construção de um prédio em Coloane que coloca em risco uma antiga fortificação portuguesa, é preciso "estar à coca" quanto aos restantes vestígios da multi-secular presença lusitana nesta terra do Oriente distante. É importante estar atento aos detalhes, mesmo os aparentemente mais insignificantes, e como neste caso a roçar a palhaçada. O que aconteceu ontem no Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia é um exemplo de má vontade e acima de tudo, de cobardia.

Tudo se passou durante o jogo entre as formações da Casa de Portugal e o Pau Peng (ou em português, "Artilheiros", designação que lhes deve causar alguma repulsa). As equipas preparavam-se para esgrimir argumentos dentro de campo quando "alguém" entendeu que os equipamentos de ambas as equipas era passível de gerar confusão, e que a equipa da agremiação portuguesa no território deveria apresentar um equipamento alternativo, uma vez que se encontrava na condição de "visitante". Como os rapazes da CPM não levaram com eles um guarda-roupa compatível com os caprichos do palerma que entendeu que um equipamento azul-escuro seria facilmente confundível com outro preto às riscas amarelas, o jogo não se realizou, e a CPM fui punida com uma derrota de 0-3 por "falta de comparência".

Este "alguém" que referi entre aspas, visto que a própria equipa de arbitragem se encontrava disposta a dar início à partida, será um daqueles cancros que permite que o futebol na RAEM se encontre ainda em estado de "pré-amadorismo", o que não chega sequer a ser amadorismo. A AF de Macau é motivo de chacota das restantes associações asiáticas, e com atitudes deste tipo, o que seria de esperar? Fala-se de uma eventual ligação entre o treinador do Pau Peng e a selecção de sub-18 de Macau, ou seja, de compadrios entre o adversário da CPM e a AFM, mas a verdadeira razão porque o resultado foi decidido na secretaria em vez de dentro das quatro inhas é fácil de entender: a Casa de Portugal conta agora com um avançado fantástico que apontou cinco golos no último jogo, e os "Artilheiros" estavam com medo de voltar a casa com o rabinho assado.

O treinador da CPM, Pelé, ameaça levar a AFM a tribunal, e faz muito bem! Não costumo alinhar neste tipo de teorias da conspiração, mas desta vez é demais. Quem sabe se da próxima vez a equipa de matriz portuguesa necessite de se apresentar em campo com um pijama magenta e coraçõezinhos cor-de-rosa. Ou melhor ainda: da próxima vez, joguem nus!

Papa Chico


O senhor que vemos a meio na imagem é o novo líder da Igreja Católica, de um rebanho de quase mil milhões de almas imortais. Até ontem conhecido apenas por Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, o clérico de 76 anos é agora o Papa Francisco I. Eram cerca das duas da manhã em Macau quando saíu fumo branco da chaminé d Vaticano, provocando o delírio entre os milhares de fiéis que aguardavam na Praça de S. Pedro pelo sucessor do demissionário Bento XVI. Bergoglio fez história ao tornar-se o primeiro Papa não-europeu, e confesso que julguei que se tratava de alguma brincadeira quando ouvi falar do "Papa argentino" - estariam a falar de Maradona? Este argentino foi tido como possível sucessor de João Paulo II em 2005, e foi apenas batido pelo cardeal Ratzinger, agora vetado à reclusão. Diz-se que o então arcebispo Bergiogli terá implorado chorando para não substituir João Paulo II, mas aparentemente Bento XVI é menos difícil de fazer esquecer. O facto de ter 76 anos, uma idade consideravelmente avançada, dá a entender que se trata de uma Papa de transição. Os que esperavam um Papa mais jovem e reformista viram goradas as suas expectativas. E de facto é uma pena que o Vaticano tenha mais uma vez feito uma opção conservadora.

Tripas com Malag(eut)a


O Porto foi ontem eliminado dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões ao perder 02 em Málaga, de nada valendo a vitória por uma bola a zero no Dragão na primeira mão. A jovem sensação Isco Suárez e o paraguaio Roque Santa Cruz ditaram o afastamento dos dragões, e explicaram o porquê do Málaga ser actualmente uma equipa de topo na liga espanhola. O Porto fica a disputar apenas a Liga Sagres e eventualmente a Taça de Liga, dependendo de um recurso apresentado pelo V. Setúbal. A pressão é agora maior sobre o técnico Vítor Pereira.


Entretanto na Alemanha o Arsenal foi vencer o Bayern por 2-0 em plena Allianz Arena, resultado ainda assim insuficiente para anular o 1-3 da primeira mão em Londres. Mesmo assim os teutónicos não ganharam para o susto, quando o avançado francês Olivier Giroud marcou logo aos 3 minutos, mostrando que os "gunners" vinham discutir a eliminatória. Foi preciso esperar até aos 85 minutos para Koscileny apontar o segundo, e os ingleses ficaram a um golo dos "quartos", mas os bávaros garantiram os serviços mínimos para seguir em frente. Depois da eliminação do Manchester United pelo Real Madrid a semana passada, não há qualquer equipa inglesa nos quartos da Champions, o que acontece pela primeira vez em 19 anos (!).

quarta-feira, 13 de março de 2013

Remontada no Nou Camp, "turkish delight" na Alemanha


O Barcelona goleou ontem o AC Milan no Nou Camp por quatro bolas a zero, recuperando assim da derrota por 0-2 há 3 semanas em San Siro. Os catalães puxaram dos galões e operaram a "remonta" perante uns italianos impotentes perante o talento de Messi e companhia. O argentino bisu na primeira parte, levando a eliminatória empatada para o descanso, e na etapa complementar Jordi Alba e David Villa fizeram o resto.


Entretante em Glelsenkirchen, na Schalke arena, os alemães o Schalke 04, a atravessar um bom momento na Bundesliga, foram surpreendidos pelos turcos do Galatasaray. Os locais não aproveitaram a vantagem obtida pelo empate a uma bola no Ali Sani Yen e perderam por 2-3, com o golo dos turcos a ser obtido nos descontos, numa altura em que o Schalke dava o tudo por tudo para corrigir o empate a dois que os deixava eliminados. É a primeira vez que o Galatasaray se qualifica para os quartos da Champions desde 2001.

terça-feira, 12 de março de 2013

Levar com um limão e ir comer uma banana


No outro dia estava no serviço a conversar com três colegas chinesas, e a explicar-lhes o significado da palavra “despacho”. Depois de esclarecidas, aproveitei para acrescentar que “estar no despacho” ou “dar despacho” tem um duplo sentido, e que pode também significar “estar a defecar”. Acharam imensa graça a esta curiosidade, e explicaram-me que em chinês existe um equivalente inspirado no jogo de casino “grande e pequeno”. Diz-se de quem se está a aliviar que “está a apostar no grande”. Parece que a brejeirice e os duplos sentidos são comuns a todas as culturas.

Existem muitas formas de dizer as coisas de forma indirecta, e muitas vezes optam-se por eufemismos ou duplos sentidos de modo a não ferir algumas sensibilidades. Às vezes mais vale ir directo ao assunto, sem muitos rodeios, mas há situações em que é melhor recorrer a outros expedientes. Anunciar uma má notícia, por exemplo, requer uma sensibilidade especial. Se queremos dizer ao nosso filho que o cão foi atropelado e morreu, convem imaginar algum “céu dos cães” para onde o Bóbi foi, ou preparar um discurso sobre a fragilidade do dom da vida, algo poético. Para quem não tem muito jeito, o melhor é comprar-lhe outro cão no mesmo dia e dizer-lhe: “Toma lá um cão novo. O outro foi-se”.

Há expressões que utilizamos frequentemente no dia-a-dia de forma quase automática, sem que alguma vez nos tenhamos detido a analisar o seu significado. Frases que expressam emoções, algumas delas que nem sequer fazem muito sentido, são debitadas a um ritmo diário sem que demos por isso. Fui procurar a origem de algumas, mas debalde. A origem destas expressões deverá ter-se perdido na bruma do tempo, e resta-nos ficar a tentar adivinhar o seu significado.

Existem algumas bem directas e completamente esclaracedoras. Quando queremos dizer que qualquer coisa nunca vai acontecer, dizemos que será “No dia de S. Nunca” (por vezes acrescenta-se “à tarde”, dando a entender que a tarefa é tão irrealizável que não vale a pena acordar cedo, nem no “dia de S. Nunca”), ou que acontecerá “quando as galinhas tiverem dentes”. Para dar ênfase pode-se dizer que “nem que a vaca tussa”. Não sei se as vacas tossem, mas acho graça à ruralidade intrínseca a esta expressão. Portanto o nosso interlocutor “pode tirar o cavalinho da chuva”. Para explicar esta curiosa expressão encontrei o vídeo que acompanha este post, e que dá a entender que nem sempre é utilizada correctamente. Convido-vos a saciar a curiosidade.

Por vezes apetece-nos manda alguém à merda, mas as regras mais básicas da boa educação não nos permitem, e portanto mandamo-lo “ir dar uma volta ao bilhar grande”. Aqui reside um grande mistério. O que é este “bilhar grande”? Se é uma mesa de “snooker” grande, não é uma grande tarefa contorná-la. Suspeito que este “bilhar grande” seria um sítio pouco recomendável e mal frequentado. Provavelmente em Lisboa. Como alternativa podemos mandá-lo “à fava” – outra vez a persistência no nosso ruralismo inato. Nunca participei da colheita da fava, mas consigo captar o sentido de mandar lá alguém. Há quem recorra ao “vai pentear macacos”, mais ousado, com um toque tropical. Pentear macacos, além de pouco sanitário é também perigoso. Esta será uma daquelas expressões que se atiram sem medir a sua real dimensão. É mesmo preferível ir à merda.

Algumas expressões são especialmente divertidas. Gosto sobretudo daquelas que insinuam que a pessoa de que falamos tem “cornos”. Exemplos: “este bife está rijo como os cornos de quem o fritou”, “o bilhete da lotaria está branco como os cornos do cauteleiro”. Quando alguém ameaça porrada, diz que “vai aos cornos” do outro, ou que lhe vai “partir os cornos”. Isto requer uma força quase sobre-humana. Corno que se preze é quase impossível de partir. Diz-se ainda que um homem enganado pela esposa é “corno”, adjectivação assaz desagradável. Os chineses dizem que neste caso a esposa “deu-lhe um chapéu verde”, o que é menos agressivo, enquanto os filipinos dizem que o marido traído “tem merda na cabeça”. Entre um par de cornos a enfeitar a testa ou um cagalhão na tola, venha o Diabo e escolha.

Falando de expressões idiomáticas que encontram paralelo no cantonense local, destaco duas. Dizemos que quando uma moça rejeita um potencial candidate a namorado que lhe “deu uma tampa”. Os chineses dizem que ela lhe “deu um limão”, e por isso o moço “ficou um bom peixe”. Vamos lá entender que sentido isto faz, mas não deixa de ter a sua graça. Quem reside em Macau há alguns anos deve estar familiarizado com os insultos em cantonense, pelo menos os mais “hardcore”, mas há um que não deixa de ser curioso. Aparentemente é ofensivo mandar alguém “comer uma banana”, muito por culpa da forma, digamos, "sugestiva" da fruta, e é normalmente utilizado por senhoras que se preferem abster de usar palavrões e mandar alguém para o c... . Ora bolas, eu adoro bananas, e raramente recuso se alguém me oferecer uma. Ficava mesmo chateado era se me mandassem comer um durian, mas o que esté aqui em causa não é o sabor. Bem, agora se não se importam, vou “para o choco”, que se faz tarde. (Não, não vou mergulhar em busca de nenhum cefalópode. Isto quer dizer que vou dormir).

O Papa que se segue: vale uma aposta?


O italiano Angelo Scola, o grande favorito a suceder Bento XVI, segundo os bookers.


Odilo Scherer, arcebispo de S. Paulo, forte possibilidade para primeiro Papa não-europeu.


O cardeal ganês Peter Turkson, o "cavalo preto" na bolsa de apostas (salvo seja).

Iniciou-se hoje o conclave que determinará o sucessor de Bento XVI, Papa demissionário que terminou o pontificado no final do mês passado. Apesar da crença que será o "espírito santo" a escolher o novo líder da Igreja Católica, a questão reveste-se de contornos políticos que pouco ou nada têm a ver com os mistérios da fé. Os mais optimistas acreditam que a escolha do novo Papa será célere, mas tudo indica que o novo ocupante do trono de Pedro seja apenas conhecido no início da próxima semana. Enquanto isso os entusiastas das apostas que queiram tornar o evento mais "interessante" têm um leque de bolsas de apostas online onde, e já agora, podem facturar algum dinheiro extra. Não sei se Deus aprova, ou se vai ficar zangado, mas seja como for, pode-se apostar no "vencedor", até do concurso ao mais alto posto do Vaticano.

O website Bet365 dá o favoritismo ao cardeal ganês Peter Turkson, de 64 anos, que a conformar-se, tornar-se-ia no primeiro Papa negro. Cada dólar apostado em Turkson dá um retono de 4,33 dólares. Contudo a competição é renhida, com o canadiano Marc Ouellet (68 anos) muito próximo com 1/4,5, o nigeriano Francis Arinze (80 anos) com 1/5, e o argentino Leonardo Sandri (69 anos) com 1/6,5. É caso para dizer que o favoritismo é bastante relativo, e a competição bastante renhidas. O Bet365 inclina as apostas para potenciais Papas não-europeus. Uma novidade refrescante.

No site de apostas PaddyPower, onde além do próximo sumo pontífice se pode ainda apostar na sua idade, país de origem ou duração do conclave, o favoritismo vai para o italiano Angelo Scola (71 anos), com 4 dólares a renderem nove. O brasileiro Odilo Scherer (63 anos) - tido como uma forte possibilidade - é segundo com 1/4, e Peter Turkson vem em terceiro com 1/6, Tarcisio Bertone, italiano de 78 anos, conhecido prelado e diplomata do Vaticano reparte o quarto lugar com Ouellet, com 1/10. O cardeal José Policarpo surge aqui com a baixa probalidade de 1 para 150.

A casa de apostas William Hill, uma das mais conceituadas do ramo, dá o favoritismo a Angelo Scola, seguido de Turkson e Oullet, surgindo outro italiano, Gianfranco Ravasi (70 anos) em quarto lugar, à frente do americano de ascendência iralndesa Seán O'Malley, bispo de Boston com 68 anos de idade, e Leonardo Sandri. O filipino Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila e um dos mais jovens candidatos surge aqui em sétimo lugar, com probabilidades de 1 para 25.

Outra conceituada agência, a Ladbrokes, começa a revelar uma espécie de padrão, dando como favoritos Scola, Scherer, Bertonen, por esta ordem. Quem se intromete nestas contas é o austríaco Schönborn (68 anos), à frente de Ouellet nesta bolsa de apostas. Na OddSharks Ouellet aparece como favorito, seguido de Arize, Turkson, Sanddri e Scola. A maioria das bolsas inclina-se para que o novo Papa venha de Itália, seguindo-se o continente africano, a América do Norte/Central, e a América do Sul. É improvável que o novo pontífica seja originário da Ásia, o que deixa o tal arcebispo de Manila com poucas hipóteses.

Confiando nestes "especialistas", será o italiano Angelo Scola o grande favorito a suceder a Ratzinger. Caso a escolha recaía pela primeira vez num religioso fora do continente europeu, serão o paulista Odilo Scherer e o ganês Peter Turkson os maiores candidatos. O canadiano Marc Ouellet e o argentino Leonardo Sandri correm por fora. Resta que o fumo branco da chaminé do Vaticano dissipe todas a dúvidas. Boa sorte para os apostadores!

A hóstia de Morales


Evo Morales sugere que o novo Papa "dê na coca"

O Presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu hoje perante as Nações Unidas as vantagens para a saúde humana da folha de coca e argumentou que até o próximo papa poderá beneficiar do seu uso, como fizeram outros papas.

Na Comissão de Estupefacientes da ONU, Morales distinguiu mais uma vez a cocaína da folha de coca, que é usada na medicina ritual.

"O uso da folha de coca no seu estado natural tem inúmeros e comprovados fins medicinais e provou a sua eficácia durante centenas de gerações no alívio da artrite, diabetes, vertigens e problemas digestivos", garantiu.

Morales lembrou que no século XIX se produzia na Europa um tónico conhecido como "vinho Mariani", que incluía folha de coca na sua composição e que o Papa Leão XIII, que morreu em 1903, era um utilizador, apelando mesmo a que o próximo Papa retome o seu uso.

O Presidente boliviano reivindicou que a folha de coca seja reconhecida como um produto tradicional e agrícola, lembrando que a Bolívia regressou à Convenção de Estupefacientes acordada em 1961 porque foi admitida uma exceção para a folha de coca mascada (conhecida localmente como "acullicu"), que deixou de estar classificada como atividade proibida.

"Penalizar a folha de coca é um erro histórico e hoje esse erro está a ser corrigido pelo apoio que temos tido na comunidade internacional", afirmou o Presidente defensor dos "cocaleros", ou agricultores que cultivam a folha de coca.

Morales defendeu que se deve apostar na industrialização e comercialização de produtos fabricados com folha de coca, referindo que já há no mercado vinhos, xaropes, compotas e pastas de dentes que a incluem.

A Bolívia vai celebrar com outros países acordos para a comercialização de produtos com folha de coca, anunciou ainda.

In Expresso

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nostalgia todo o dia



O acesso rápido à informação, aos media e ao entertenimento são hoje uma realidade que aceitamos com normalidade. Tudo se processa ao segundo no mundo virtual, e não há notícia de relevo que não percorra o mundo em poucos minutos. Estamos mais bem informados que nunca, está tudo à distância de um clique. Como costumo dizer, é um tempo fantástico para se estar vivo, e tenho a certeza que o futuro vai ser ainda mais cheio de surpresas. Só para dar um exemplo, quando a Nokia lançou o primeiro modelo de telemóvel com GPS, que permitia filmar, tirar fotografias e enviá-las em segundos, todos pensaram que se tinha atingido o pique das telecomunicações. Depois chegou o iPhone. E certamente não vamos ficar por aqui; o caminho é para a frente, e quem se considera “satisfeito” é porque perdeu a “joie de vivre” – e mesmo estes rendem-se mais cedo ou mais tarde às mais recentes inovações.

Aqui estou eu outra vez a soar a um velho de barba branca, bengala e dentadura, mas ainda sou do tempo (aí está…) em que prezávamos o acesso à informação, que era muito mais difícil de obter. Antes do evento da internet existia uma coisa chamada “livros”, antes do jornais online existiam jornais de papel, que publicavam notícias do dia anterior (pasme-se!). Para saber os resultados de futebol das divisões secundárias e das ligas estrangeiras era necessário esperar pelo dia seguinte. Antes da Wikipedia existiam as bibliotecas, e consultavam-se enciclopédias clássicas que eram verdadeiros calhamaços e ficavam desactualizadas no dia seguinte à sua publicação. Por incrível que pareça, muita gente dependia dos serviços noticiosos na televisão para ficar informado. É curioso que apesar de ser possível saber de tudo o que se passa no mundo através da internet e em tempo real, existem cada vez mais blocos noticiosos na TV.

Mesmo a música (e nem vou falar dos filmes), que há alguns anos ainda se pagava (e bem), tornou-se um bem acessível a qualquer um que tenha um computador e uma ligação à rede, graças ao evento dos downloads ditos “ilegais” (eu pessoalmente fiquei fo… com o dinheiro que gastei em discos e CD’s até ao final dos anos 90). Quando era puto só comprava discos no aniversário ou no Natal, ou caso conseguisse juntar umas massas (o que era raro). Os mais velhos estarão certamente lembrados que um LP, aqueles discos redondos de vinil preto, custavam por volta de dois contos de réis ainda nos anos 80! Quando comprava um disco (CD’s só mesmo em Macau) guardava-o religiosamente. Hoje fazemos os próprios CD’s em casa e temo-los atirados pelos cantos da sala. Se os perdemos, riscamos ou partimos, fazemos outro. Oferecer um CD como prenda a alguém foi um luxo, em tempos, hoje é quase um insulto.

Não surpreende que exista uma grande dose de nostalgia por parte dos mais velhos e curiosidade entre os mais novos, que não entendem muito bem como viviamos sem internet. O programa da RTP “Não me sai da cabeça”, apresentado pela hiper-activa Sílvia Alberto relembra êxitos da música portuguesa dos anos 80 e que muitos ainda sabem de cor. A semana passada o programa foi dedicado ao tema “Dunas”, dos GNR, e esta semana foi a vez de “Chiclete”, dos Táxi. Quase trinta anos ou mais depois, há quem saiba a letra das canções de cor, mesmo os que eram ainda bastante pequenos, e alguns que nem tinham ainda nascido! Uma boa canção resiste à ferrugem dos anos. É engraçado e ao mesmo tempo trágico observar como os músicos mudaram tanto desde então. No fundo somos nós que envelhecemos também. Já sinto arrepios quando vejo fotos minhas de quando tinha 20 anos, e não foi assim há tanto tempo.

Outro programa que nos estimula a glândula nostálgica é aquele que passa por volta das 11 da noite ao Domingo na TDM, “Estranha forma de vida”, que faz uma resenha histórica da música portuguesa. Os primeiros programas eram dedicados aos primórdios da canção nacional, ao fado, música ligeira e restantes géneros dos quais restam poucos sobreviventes. Os programas mais recentes são dedicados ao período que se seguiu ao evento do “rock” português, e aí pudemos recorder grupos como os Salada de Fruta, os Roquivários, os Peste & Sida, os Heróis do Mar, os Ban, entre muitos outros. Leva-me de volta ao passado, ao tempo em que aguardava ansiosamente pelos programas musicais na TV onde podia assistir (e gravar, afinal existiam as cassettes VHS) aos meus videos preferidos. Hoje temos o YouTube. Devia sentir-me mais feliz por poder ver qualquer clip musical sempre que me apeteça, mas não sei porquê, sinto-me indiferente.

Tenho saudades dos tempos em que percorria as lojas de discos em Lisboa à procura dos meus albums preferidos, de percorrer com os dedos os discos organizados por autor, em ordem alfabética. Chegava a passar tardes inteiras na Valentim de Carvalho dos Restauradores (aquela que tinha os discos na cave, lembram-se?), e nunca me inibia de entrar em qualquer loja de discos que tivesse a porta aberta. Sabia lá que surpresas podia ali encontrar? Quando comprava um disco gravava para os amigos, em compensação eles gravavam-me os discos deles, e assim se realizavam os desejos melómanos da adolescência. Gostos não se discutem, é o que menos interessa. Quando vi num programa apresentado pelo Álvaro Costa nos finais dos anos 80 (Via Rápida?) que em Londres as lojas de discos “já só vendiam CD’s”, tremi, pois do alto da minha ingenuidade juvenil receava nunca poder comprar um leitor de CD, e que os meus queridos discos de vinil acabassem. A verdade é que acabaram sim, mas os CD’s também para lá caminham.

A realidade é que há 20 anos, em plena idade do Walkman, ninguém imaginava que hoje podiamos levar milhares de canções num aparelho do tamanho de uma carteira de fósforos, o iPod. Ninguém pensava que podiamos “sacar” da rede discografias inteiras dos nossos artistas favoritos (incluíndo raridades), cujos discos comprávamos com tanto sacrifício. Claro que quem ficou a perder foram os próprios artistas, que vêem assim o seu trabalho acessível a preço zero, à mercê de qualquer cibernauta, e condenados a viver dos concertos. Não sei se hoje é melhor que no meu tempo, eu diria apenas que é diferente. Não posso deixar de me sentir um pouco frustrado, contudo. Quando era um adolescente “teso” sonhava com o dia em que podia comprar um disco sempre que me apetecesse, com o dinheiro obtido através do suor do meu rosto. Assim lixaram-me, pá. Não se faz…


Bibó Biba


Justin Bieber, aquele rapazote na fotografia que parece uma adolescente lésbica, dá hoje o primeiro concerto em Portugal - Aleluia! Fomos abençoados. Mas nem tudo são más notícias: o canadiano programou dois concertos na capital tuga, mas o de terça-feira foi cancelado, pois a receita de bilheteira não justificava o "encore". Apesar do nosso país ter a sua quota de pitas histéricas ainda não estamos assim tão mal. Mesmo assim os (poucos) fãs (?) que compraram bilhetes para o concerto de amanhã vão poder receber o dinheiro de volta. Aproveitem para comprar um bom livro, ou melhor ainda, um disco de música a sério. Bieber está a atravessar uma fase complicada; chegou atrasado duas horas a um concerto na O2 arena em Londres e foi vaiado pelos fãs, e mais tarde sentiu-se mal em palco, e na última sexta-feira "pegou-se" com um paparazzi quando saía da sua limosina. Há quem diga que o cantor está deprimido devido à sua recente separação com Selena Gomez, uma espécie de versão feminina de Bieber, com quem manteve um relacionamento de dois anos. O próprio Bieber diz estar a atravessar "o pior período da sua carreira". Ah sim, Bieber tem 19 anos.

C. Ronaldo príncipe em Vigo


Celta 1 Real Madrid 2 发布人 acosart
O Real Madrid bateu ontem o Celta de Vigo por duas bolas a uma na Galiza, com o português Cristiano Ronaldo a merecer novamente nota de destaque ao apontar dois golos. O marcador só ganhou colorido no segundo tempo, com o português a abrir as hostilidades. O Celta empatou de seguida pela sua maior estrela, Iego Aspas, mas uma grande penalidade convertida pelo CR7 decidiria a partida, e manteria-se na senda das vitórias. A equipa de Mourinho aproveitou para ascender ao segundo lugar da liga espanhola, beneficiando do deslize caseiro do Atlético de Madrid frente à Real Sociedad, que aproveitou para alcançar o Málaga no quarto posto. Mesmo assim o Real continua a 13 pontos do líder Barcelona. Os catalães bateram o Deportivo no Sábado por 2-0, em vésperas da partida decisiva da segunda mão da Liga dos Campeões frente ao AC Milan. O Barça necessita de recuperar de uma desvantagem de dois golos trazida de Milão há três semanas, pelo que a "remonta" é urgente.

Manchester perde o pássaro, Tottenham falha recorde


O Manchester United perdeu uma excelente oportunidade de se qualificar para as meias-finais da FA Cup ao deixar-se empatar a duas bolas em Old Trafford frente ao Chelsea, depois de chegar ao intervalo comm dois golos de vantagem. Os "red devils" entraram a todo o gás, e marcaram aos 5 e 11 minutos por Javi Hernandez e Rooney, respectivamente. O Chelsea parecia dominado ao intervalo, mas reagiu no segundo tempo e chegou a igualdade com golos deo belga Hazard e do brasileiro Ramires, ex-Benfica. A eliminatória decide-se agora em Stamford Bridge, e a equipa de Alex Ferguson passa agora por uma pequena crise de resultados - depois da eliminação da Champions a meio da semana frente ao Real Madrid, a FA Cup fica também em cheque.


O Tottenham de André Villas-Boas perdeu após 12 jogos sem conhecer o amargo sabor da derrota, e falhou uma in;edita série de seis vitórias consecutivas no campeonato inglês após perder em Anfield Road frente ao Liverpool por 3-2. Os "spurs" estiveram em vantagem até meio do segundo tempo, mas foram encostados à rede pelo adversário e concederam dois golos nos últimos 25 minutos, com Stewart Downing e o capitão Steven Gerrard a liderarem a reviravolta,como segundo a dar a vitória à equipa da casa com um penalty duvidoso. O Tottenham mantém o terceiro posto com mais um jogo e dois pontos que o Chelsea, enquanto o Liverpool ascendeu ao sexto lugar, mas ainda longe dos lugares que dão acesso à Liga Milionária.

Galo tenrinho no ninho da águia


O Benfica goleou a noite passada o Gil Vicente no Estádio da Luz por cinco bolas a zero, o voltou a isolar-se no comando da Liga Sagres com mais dois pontos que o FC Porto, e graças ao resultado volumoso obtido ontem, passa a ter vantagem de mais um golo no "goal-average" que os dragões. O Gil Vicente nunca teve argumentos para contrariar a entrada "a matar" dos encarnados, e já perdia por três golos de diferença à passagem da meia-hora. Primeiro foi Luís Martins a fazer um autogolo, desviando um remate de Maxi Pereira, desviando a trajetória da bola fora do alcance do guarda-redes Adriano, e poucos minutos depois Salvio fazia o segundo, com muitas culpas para o guardião gilista, que deu um enorme frango. Melgarejo fazia o terceiro poucos minutos depois, e o Benfica tirava o pé do acelerador. Adriano daria o seu lugar ao suplente Murta ao intervalo, alegadamente tocado num braço, mas na verdade este foi um daqueles dias em que o brasileiro não devia ter saído da cama. No segundo tempo nada mudou, e o Benfica ainda chegou à mão cheia com golos de Lima e Gaitán. Antes do início do encontro foi feita uma homenagem ao defesa Fábio Faria, que colocou um ponto final na sua carreira aos 23 anos devido a um problema cardíaco. O Benfica cumprirá o contrato com o jogador, que tem ligação com o clube até 2005. Fábio Faria, filho do antigo avançado Chico Faria, foi contratado ao Rio Ave em 2010, esteve emprestado aos P. Ferreira e aos espanhóis do Valladolid, e depois novamente aos vila-condenses, e era tido como uma jovem promessa, contando com 11 internalizações na selecção nacional de sub-21. Fábio viria a ser diagnosticado com uma insuficiência cardíaca quando se sentiu mal durante um jogo do Rio Ave contra o Moreirense em Fevereiro de 2012.

domingo, 10 de março de 2013

Fittipaldis de fim-de-semana


Estava na sexta-feira a ver o jogo do Porto contra o Estoril, e saí de casa ao intervalo para comprar uma bucha qualquer e algumas bebidas no Circle K aqui perto de casa, junto à Ponte 16. Fiquei surpreendido com o que vi nos dez minutos que me ausentei do sofá e percorri aquela pequena distância até à loja de conveniência. Como de noite todos os gatos são pardos, os “velocistas”do território aproveitam as altas horas da madrugada para testar a capacidade dos seus bólides. A (quase) ausência de trânsito e a dormência da polícia convidam os Vettels e os Alonsos de Macau a transformar as ruas numa espécie de Circuito da Guia fora de época – mesmo ali, em plena Av. Almirante Sérgio, na Barra.

Os pouco mais de 20 km2 de área que limitam Macau não permitem que se excedam os 80 km/h em circunstâncias normais, e talvez apenas na ponte os mais ousados “puxem” até mais de 100 à hora. Não existirá no território uma recta com mais de mil metros que não seja interrompida por um semáforo ou por uma passagem para peões, pelo que só mesmo no circuito fechado da Guia no mês de Novembro seja permitida – encorajada até – a alta velocidade. Ter automóvel em Macau resume-se à condição de “veículo utilitário”, e ser proprietário de uma grande “bomba” só pode mesmo ser visto como uma forma de ostentação. De que vale ter um carro que atinga os 250 km/h se dá para chegar da Praia Grande às Portas do Cerco em menos de cinco minutos sem trânsito? O problema é que há sempre trânsito, e muito. Pelo menos durante o dia.

Nunca fui um grande adepto da velocidade, especialmente se me encontrar na posição de passageiro. Cada vez que se entramos num automóvel estamos a arriscar a vida, se bem que pensar nisso cada vez que acontece seja entendido por algum tipo de fobia ou desequilíbrio mental. Como sou adepto da condução defensiva e segura, resta-me esperar que todos os santinhos me protejam e que não apareça pela frente um maluco qualquer com tendências suicidas e uma enorme dose de desrespeito pela vida alheia. Morrer devido à nossa própria estupidez ainda vá lá, agora devido à estupidez alheia é que não. Sinto-me mais seguro em Portugal, onde existem estradas a perder de vista, e onde é permitido “pecar” sem que disso resulte prejuízo próprio ou a outrém, mas em Macau não dá. Paciência.

Não sei se se aplica aos automóveis o mesmo que dizem sobre as armas de fogo: se o tamanho e a potência são uma forma de compensar por algo menos volumoso e menos potente. Mas seja como for, não se justifica ter um carro de grande potência numa cidade como a nossa. Existe em Macau e em Hong Kong uma cultura da velocidade e das corridas, a que não é alheio o próprio Grande Prémio, mas para demonstrar a minha masculinidade prefiro o convívio íntimo com o sexo oposto. Talvez o problema seja somente meu, mas os carros não me enchem as medidas. Não me dão tusa. Arriscar a vida atrás do volante (ou sujeitar-se a levar uma multa) não é um acto de braveza. É apenas parvoíce, que me desculpem os adeptos desta espécie de desporto radical.

Os espertalhões que aproveitam a madrugada para acelerar e roncar os motores não fazem senão uma figura triste: pisam prego a fundo durante três segundos, fazem um alarido que deixa toda a gente a olhar, e depois param num sinal vermelho. Coitados. Não que estas sejam normalmente contas do meu rosário, pois salvo raras excepções, como nesse dia, as 3 ou 4 da madrugada são reservadas ao sono, e ninguém me manda andar na rua àquela hora. Mesmo assim desconfio que em alguns casos este atrevimento dos “aceleras” locais é espicaçado pelo consumo de álcool ou de drogas, o que nesse caso torna o problema ainda mais grave. Seria recomendável mais atenção por parte das autoridades. Macau é cada vez mais a cidade que não dorme, e qualquer hora é hora para se ficar atento a estes Fittipaldis de fim-de-semana.

Liga de Elite - 8ª jornada


Realizou-se este fim-de-semana a 8º e penúltima jornada da Liga de Elite de Macau, que arrancou na sexta-feira com o "derby" Ka I-Monte Carlo, indiscutivelmente as duas formações mais fortes do futebol do território. O Monte Carlo venceu por 3-2, e aproveitou para isolar-se na liderança com vitórias em todos os jogos disputados. Razões para sorrir têm Firmino Mendonça, proprietário do clube, e o experiente treinador Tam Iao San, que investiram sobretudo em talentos locais em deterimento da legião de estrangeiros que vão fazendo a diferença em clubes rivais. Para o tri-campeão Ka I resta aguardar por um eventual deslize do Monte Carlo e decidir o título na partida da segunda volta, uma vez que dificilmente ambas as equipas perderão pontos com a restante competição.

No Sábado o Lam Pak exibiu todo o seu poderio ao golear o modesto Kei Lun por seis bolas a uma. O brasileiro William Gomes, um dos artilheiros do campeonato, apontou um "hat-trick". Os azuis e brancos já venciam por 3-0 ao intervalo, numa partida sem grande história. Seguiu-se um dos jogos mais equilibrados da ronda, entre o Kuan Tai e a Polícia, equipas que disputam o quinto lugar da tabela. A equipa de João Rosa foi superior, batendo a formação da PSP por duas bolas a zero, com golos do jovem estudante da Escola Portuguesa de origem angolana, com apenas 15 anos, Aureo Peio, e Lo Ka Hou.

A jornada concluiu-se esta tarde, com o Lam Ieng-Sub-23 e o Benfica-Chao Pak Kei, com goleadas para os primeiros. O Lam Ieng confirmou a recuperação e bateu os jovens patrocinados pela AFM por quatro bolas a uma. Os sub-23 são cada vez mais últimos, somando por derrotas todos os jogos disputados, adivinhando-se uma eventual despromoção no final da temporada. O Benfica venceu facilmente o CPK por 4-0, uma meia-surpresa, uma vez que o adversário dos encarnados venceu os últimos dois jogos, evidenciando uma notória subida de forma, Os golos do Benfica foram todos obtidos no segundo tempo, po Luís Ferreira (2), Bruno Martinho e Pio Júnior.

A classificação é liderada pelo Monte Carlo com 24 pontos, seguido do Ka I com 21, Benfica e Lam Pak com 18, Kuan Tai 12, Lam Ieng 10, Polícia 7, Chao Pak Kei 6, Kei Lun 3 e Sub-23 com zero pontos. A próxima jornada, a última da primeira volta, arranca na sexta-feira com o Kuan Tai-Ka I, prosseguindo no Sábado com o Benfica-Kei Lun e o prato forte da jornada, o Monte Carlo-Lam Pak. No Domingo decidem-se as posições da cauda da tabela com o Sub-23-Polícia e o Lam Ieng-Chao Pak Kei.

Morreu Manuel Vicente


Morreu esta manhã em Lisboa aos 78 anos o arquitecto português Manuel Vicente, autor de do edifício do World Trade Center, do edifício do canal de televisão da TDM e do plano da Baía da Praia Grande, em Macau. Figura querida em Macau, trabalhou ainda Lisboa, Funchal e Goa. Licenciado pela Universidade de Belas Artes de Lisboa em 1962, tirou o mestrado na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Manuel Vicente foi membro da comissão instaladora da Associação de Arquitetos Portugueses (1975-1977) e vice-presidente da Ordem dos Arquitetos (2002-2007).Em 2008 candidatou-se a bastonário da Ordem dos Arquitectos pela Lista C ficando em segundo lugar com 28% dos votos. Em 1998 foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.Em 2005 recebeu pela segunda vez a Medalha de Ouro da Arcásia, o Conselho Regional dos Arquitetos da Ásia, na categoria de melhor espaço público.

Divórcio por conveniência


A China foi "inundada", durante esta semana, por uma "onda" de divórcios, mas as razões não são sentimentais. Os chineses estão a acabar com os casamentos oficialmente, apenas, o verdadeiro motivo é a fuga a um imposto sobre os lucros na venda de propriedades.

O imposto de 20%, criado pelo Governo de Pequim no dia 1 de março para travar a especulação imobiliária, é aplicado sobre os dividendos resultantes da venda de propriedades imobiliárias.

Mas, segundo a agência France Press, uma lacuna na lei permite que, em certas condições, os casais proprietários de duas casas se divorciem, dividam as duas propriedades e vendam uma sem pagar imposto. Depois, os divorciados podem casar-se outra vez.

"É uma atitude prática. Pode ser estranho, mas a política força as pessoas a fazerem isso", disse à agência Reuters Li Li, director-geral da "International Strategic Group", uma empresa de consultadoria imobiliária de Xangai.

Muitos chineses, dadas as escassas opções de investimento, aplicam grande parte das suas poupanças em património imobiliário, o que tem contribuído para o aumento dos preços das casas, segundo a "Tribuna de Macau" que adianta ter-se tornado este "fenómeno inflacionista" num grave problema na China, já que "os preços elevados das casas impedem que muitos habitantes se convertam em proprietários".

"As autoridades de Xangai escusaram-se a divulgar estatísticas sobre o número de divórcios recentes, alegando que esses dados poderiam encorajar as táticas de evasão fiscal", refere o jornal com sede em Macau.

Xangai parece ser a localidade mais afetada, mas o crescente número de divórcios não se verificou apenas na maior cidade da China, segundo a imprensa chinesa, também em Cantão, no sul, Harbin, no norte e Ningbo, no leste, os cartórios fegistarm uma afluência anormal.

In Expresso

Olha as lindas noivas


Quando ela e ela se tornaram numa só.


Eu vos declaro...mulher e mulher. Podem beijar as noivas.


Ó sole mio...non c'è salsiccia...

]
Os ratos apadrinharam as ratas.

Duas lésbicas foram o primeiro casal a contrair matrimónio no resort da Disney de Tóquio, que engloba os parques da Tokyo Disneyworld e a Tokyo Disney sea. Ambas trajaram um fato de noiva, apesar das regras exigirem que pelo menos um dos nubentes usasse fato preto e gravata ou laço. Uma das noivas, Koyuki Higashi, de 28 anos, escreveu na sua conta do Twitter: "Eu e o meu amor Hiroko usamos vestido de noiva e fizemos uma parada no Disney Sea, o meu local de sonho. Fiquei tão feliz!". Foi um dia mesmo divertido para as meninas, com direito a cerimónia simbólica na capela do parque, e até o rato Mickey e a sua namorada Minnie se juntaram à festa. A maior controvérsia teve mesmo a ver com a indumentária das noivas, pois o facto de não existir alguém vestido de noivo causou confusão entre os restantes visitantes da Disney da capital japonesa. A administração do parque desdramatiza o facto, defendendo que "cada um é livre de se vestir como quiser quando visita o parque temático". É caso para dizer, desde que ande vestido, claro. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido no Japão, mas activistas e defensores do casamento "gay" estão atentos, e reconhecem que o país do sol nascente poderá ser o primeiro país asiático a legalizar estas uniões.

A enfermeira satânica de St. Gallen


Uma enfermeira na Suíça que publicou fotografias no Facebook ao lado de cadáveres está a ser investigada pelo Ministério Público helvético. A Federação de Enfermagem da Suíça já emitiu um publicado dizendo que está "chocada e triste" com a conduta de uma enfermeira
de St. Gallen, cujo nome não foi divulgado. As fotografias foram divulgadas a semana passada no jornal 20 Minuten, e denunciadas por um leitor. Em algumas das imagens a enfermeira aparece a rir ao lado de uma mulher morta, acrescentando à foto alguns comentários de mau gosto. Outras imagens encontradas na conta do Facebook da enfermeira mostram-na sentada num motociclo em frente a uma ambulância em poses sado-masoquistas, além de outras fotografias e desenhos com motivos satânicos. O departamento de assuntos sociais de St. Gallen e do cantão suíço com o mesmo nome já garantiram que a "profissional" em questão nunca mais exercerá enfermagem, e que se arrisca a uma pena de prisão pela brincadeira.



Faca e alguidar


Homem atira-se ao poço em Chafé, Viana do Castelo, com um bébé de dois anos. O corpo do homem de 29 anos foi recuperado, mas a criança continua desaparecida.

Um rapaz de 14 anos ficou gravemenete ferido na mão em Gondomar, depois de uma bomba de carnaval lhe ter rebentado na mão.

Deficiente auditivo foi espancado com murros e pontapés por um bando de assaltantes que lhe levaram nove euros, em Gaia, Porto.

Na Gare do Oriente, uma mulher e o genro foram atropelados por militar. Na avenida de Roma, condutor foge após matar idosa de 80 anos.

City esmagador na FA Cup


O Manchester City qualificou-se para as meias-finais da FA Cup ao esmagar o Barnsley, da Chammpionship, o segundo escalão da pirâmide do futebol inglês. O argentino Carlos Tevez consuziu os "citizens" à vitória ao apontar trÊs dos cinco golos, tendo o bielorusso Kolarov e os espanhol David Silva marcado os restantes dois golos. Noutra partida dos quartos da Taça o Wigan surpreendeu o Everton em pleno Goodison Park por três bolas a zero. Hoje realizam-se os restantes jogos dos quartos-de-final, com o Manchester United a receber o Chelsea no jogo de maior cartaz, enquanto o Millwall recebe os Blackburn Rovers.

Coimbra foi quase uma lição


O Sporting empatou ontem à noite em Coimbra a uma bola com a Académica, resultado lisonjeiro para os leões, que chegaram a ser completamente dominados pelos estudantes. Fazendo uma primeira parte avassaladora, os locais chegaram ao intervalo em vantagem graças a um golo de Wilson Eduardo de penalty. O Sporting, que mais uma vez apresentou uma equipa muito jovem, chegou ao empate por Wolfswinkel no segundo tempo, garantindo assim um ponto muito suado. As duas equipas estão separadas por dois pontos na classificação da Liga Sagres; o Sporting ocupa um modesto 10º lugar com 24 pontos, enquanto a Académica mantém o 12º posto com 22.

sábado, 9 de março de 2013

Patos bravos à moda de Macau


1) O projecto do edifício com mais de cem metros de altura em Coloane, junto da Estrada de Seac Pai Van, vai mesmo para a frente, apesar do protesto de ambientalistas e outros sectores preocupados com o pesadelo urbanístico em que o território se ameaça tornar, e onde os milhões que o imobiliário vai facturando vão falando mais alto. Em risco está ainda a casamata construída no tempo da administração portuguesa, e que tanta polémica gerou há cerca de um mês, quando uma associação apelou à sua demolição com o pretexto de ser um “símbolo da ocupação militar estrangeira” – agora percebe-se porquê. O mais revoltante foi ver aquele indivíduo que dá pelo nome de Sio Tak Hong, empresário da construção civil, a explicar no projecto na televisão. Quer dizer, de um “pato bravo”, ainda por cima com a pinta daquele senhor, não se pode esperar grande coisa, mas este merece um prémio qualquer pela ousadia. Afirmações como “E depois? Existem muitos prédios altos em Macau…não sou o único a prejudicar o ambiente” são de deixar o credo na boca. É preciso decidirmos o que queremos afinal para Macau, se uma cidade onde existe qualidade de vida para todos, ou um mero entreposto que serve para alguns enriquecer a todo o custo. A população que decida, em vez de ficar de braços cruzados a ficar a assistir impávida a este chorrilho de disparates.

2) O diário em lingual chinesa de Macau, o Ou Mun, jornal mais lido do território, recebeu 160 mil patacas para publicar uma página dedicada a publicitar as notas do ano da Serpente, noticiou o Hoje Macau. As notas podem ser adquiridas nos bancos do território apenas por residentes, que depois podem revendê-las com lucro a colecionadores no exterior. Já não é nenhuma novidade em Macau, onde a emissão de moedas, medalhas e selos comemorativos provocam normalmente uma afluência fora do normal aos correios e outras entidades emissoras – e não porque existam no território muitos adeptos da filatelia ou da numismática. O Ou Mun foi criticado por incentivar a especulação (e ainda foi pago para tal), mas este tipo de conduta já nem chega a ser notícia: ao Ou Mun tudo é permitido. Ainda está bem fresca a polémica do edifício concedido pelo Governo ao jornal, que por sua vez o subarrendou a outra das associações “tradicionais” do território, isto para não falar dos critérios editoriais duvidosos daquele diário. Desde empresas de imobiliário a saunas, passando por cartas apelando à destruição de património histórico e declarações esquisitas (é comum publicarem-se notas entre sócios desavindos declarando que já não têm qualquer relação um com ou outro), vale tudo, desde que se pague, é claro. Quem fica mal servida é a população que só domina a lingua chinesa. Mal servida e mal informada.