segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Éééééé...éééééé....



Oi, aê tchurma. Falou, a Djilma, né, ganhou eleição, pôxa. Foi djuficiu pacas, che, qui lá no Brasiu, treis milhões dji voto naum é nada naum, é menos djentchi qui no Barra Shopping num fim-dji-semana, ô, tá pensando o quê? Quem naum gostou nada nada dji Dilma ter ganho a reeleição foi Luana Piovani, atriz, que era da turma do Aécio, aê, morou? Escuta agora gentchi...Luana é cursada, valeu? Éééééé...éééééé...tirou curso dji môdelo, tá ligado? Éééééé...éééééé...tá bom, naquela cabeça só tem merda, e da boca só merda sai, mas ô, oia o raciocínu dela aê no Tuíta, ô, jóia, manêro, nota deiz: PT é Partjido dus Trabaiadôris, e é também Pôrtugau. Ah! É a sigla dos "gaijos, rrrraiuxxxx"! É isso aê, Pôrtugau esporrou o Brasil pa caramba, sô! Qué-si dizê...explorô, é...ééééé. Naum lembra naum? Ahh....tá baum, naum enchi tá? Vintchi anu dji praia, naum veim qui naum teim. E a Luana é responsa, falou?

Dilma reeleita



Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) foi ontem reeleita presidente do Brasil, após disputar a segunda volta com Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), numa das eleições mais renhidas da história da democracia brasileira. As projecções antes do sufrágio variavam entre uma vitória do candidato de direita e uma vitória sofrida de Dilma, e a última hipótese acabou por prevalecer, com a actual chefe de estado a obter 51,5% dos votos, contra 48,5% do candidato do PSDB, neto do saudoso Tancredo Neves, primeiro presidente eleito do Brasil após a ditadura militar, que teve fim em 1985, mas que nunca chegaria a tomar posse, pois morreria 39 dias depois da eleição.



Este vídeo é esclarecedor quanto ao eleitorado base de Dilma e do PT: as regiões mais pobres e urbanizadas do Brasil, que em finais de 2002 elegeram finalmente um comunista para presidente do Brasil. Depois dos mandatos de Lula da Silva, a sua discípula e herdeira política Dilma ganha também a oportunidade de exercer um segundo mandato, mas quer para ela quer para o Partido dos Trabalhadores, estes serão quatro anos decisivos. A vitória conseguida apesar das inúmeras controvérsias, desde a crise na petrolífera Petrobrás, às acusações dos grupos LGBT, que a acusam de não cumprir muitas das suas promessas, aos rumores sobre o seu estado de saúde devido ao linfoma com que foi diagnosticada há cinco anos, Dilma jogará até 2018 um desafio que ditará o seu lugar na história do Brasil, e o próprio futuro do PT.

Benfica perde; concorrência à perna



O Benfica perdeu ontem pela primeira vez para o campeonato, confirmando as previsões dos adeptos encarnados mais pessimistas, que viam na deslocação a Braga um dos jogo mais complicados da campanha da sua equipa. Mas o Benfica não podia ter começado melhor, pois logo aos dois minutos Talisca inaugurou o marcador, ao mesmo que igualava Jackson Martínez no topo da lista de melhores marcadores com sete golos. Só que o Braga não é equipa para se deixar ir abaixo com apenas uma contrariedade, e ainda antes da meia-hora, aos 28 minutos, o internacional português Éder empataria para os minhotos, levando as equipas empatadas para o descanso. O jogo teve qualidade no primeiro tempo, mas no segundo o árbitro perdeu o "pulso" e deixou os jogadores entrar em demasiadas quezílias. No que toca ao futebol jogado propriamente dito, fica para a história o golo de Salvador Agra, que entrou aos 72 minutos para o lugar de Rafa Silva, e nove minutos após a aposta do treinador Sérgio Conceição justificou a confiança nele depositada, dando a vitória aos arsenalistas. Pouco habituado a perder (pelo menos a nível interno), o Benfica reagiu mal, os bracarenses não se ficaram, e a partida terminou quase com uma batalha campal.



Já antes disso em Alvalade o Sporting recebeu e venceu o Marítimo por 4-2, num dia em que os leões comemoraram o seu 106º aniversário. Decididos em presentear os adeptos com uma vitória, os jogadores tornaram tudo fácil, depois complicaram, mas terminariam com um final feliz. O defesa alemão dos insulares, Patrick Bauer, quis ajudar à festa, marcando na própria baliza aos 8 minutos, e aos 15 o médio João Mário, produto das escolas do clube aniversariante, ampliava a vantagem, para Paulo Oliveira, defesa contratado este ano ao V. Guimarães, fazer o terceiro ainda antes do intervalo. Cheirava a goleada, mas no segundo os madeirenses "acordaram" e em cinco minutos Moussa Maâzou, internacional do Niger, apontava dois golos que deixavam um travo a incerteza quanto ao vencedor do encontro. Foi então que a linha avançada do Sporting resolveu dizer "basta", e Freddy Montero marcava aos 66 o quarto golo da equipa da casa, e o seu primeiro em Alvalade desde - pasme-se - 2 de Dezembro do ano passado, quando apontou dois golos na goleada ao P. Ferreira por 4-0. Com este resultado o Sporting isola-se no quarto lugar com 16 pontos, a três do líder Benfica, dois do Porto e um do sensacional V. Guimarães.




domingo, 26 de outubro de 2014

Para males diferentes, o mesmo remédio?



Os acontecimentos das últimas semanas em Hong Kong captaram a atenção dos média estrangeiros, que fazem deles a habitual leitura: foco de instabilidade na China, forte possibilidade do regime de Pequim ceder e eventualmente cair. Estando nós deste lado, e tendo como referência o caso que conhecemos melhor, a portuguesa, sabemos que isto não é a mesma coisa que sair um governo PSD e entrar outro do PS, ou ver o Presidente da República dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, tudo coisas a que já estamos mais ou menos habituados e até já nos deixam a sorrir perante a forma cómico-trágica com que encarados a nossa democracia. Agora no que à China diz respeito, não estamos bem a falar da "mesma coisa"; somos um país com dez milhões de cabecinhas pensadoras (às vezes menos às vezes mais), o que na China representa uma cidade, e nem chega a uma das mais populosas: só a área metropolitana da grande Guangzhou, da província de Cantão, tem mais de 40 milhões de habitantes, de um total de 1200 milhões em toda a China, sendo um quarto desta população composta por trabalhadores migrantes. Imaginem o que seria quando fossem "à terra" passar a Páscoa com a família e tivessem 200 milhões de tipos como vocês à espera do comboio, do autocarro ou de outro transporte, e quem tem carro deve estar agora a reconsiderar o conceito de "utilitário" quando aplicado a essa imensidão que é a China.

No topo de tudo isto, que já não é pouco, está o "capitão do navio" - alguém tem que meter esta gente na ordem, pois apesar da infame política do filho único, imposta já depois do fim do maoismo, aqui pode-se dizer literalmente que os chineses são "mais que as mães". Em matéria de população chegaram a ser um quinto de todo o planeta, e hoje andarão pela ordem de um em seis habitantes da Terra, e não porque a imposição das medidas de controlo da natalidade tenham provocado um efeito de "marcha atrás", servindo apenas de travão ao que poderia ter sido uma invasão, o que o Ocidente vinha temendo vai para um século: o perigo amarelo. O que temos hoje não são menos chineses que antes, mas um aumento brusco da natalidade em países ditos "em vias de desenvolvimento", nomeadamente no sub-continente indiano e no sudeste asiático. Mesmo sendo um dado adquirido que a população da India ultrapassará a China em poucos anos, há sempre que ter em conta o "dragão asiático", e quando se fala de "queda do regime", aqui a palavra "queda" não tem o mesmo impacto que o miúdo de três anos que cai do triciclo, ou do lavador de pratos que deixa cair um alguidar de loiça.

Quem estiver completamente por fora deste assunto, pode estar agora a pensar: "como é que uma cidade com sete milhões de habitantes como é Hong Kong pode determinar o futuro de uma realidade imensamente maior?". Da mesma forma que um pequeno rastilho pode fazer rebentar com toneladas de dinamite, lá está. Hong Kong tem sido desde sempre o espinho encravado na pata do dragão, e isto começou logo pela génese do território onde se localiza uma das grandes praças financeiras mundiais: arrematado pelo império britânico a troco de ópio, o que se traduz hoje por uma ninharia. E não foi por acaso, pois os ingleses aproveitaram as qualidades daquela planta que trouxeram da India com o intuito de juntar os chineses ao grupo de súbditos de Sua Majestade. Talvez a sua origem infame não tenha muito a ver com a actualidade, mas a verdade é que o territorio foi sempre conhecido como porto de abrigo a todos os que eram perseguidos no interior do continente - quanto mais abastados fossem, mais bem vindos eram, o que ficou demonstrado pela pouca hospitalidade com que foram recebidos os refugiados vietnamitas, a "boat people", um problema que ainda está por resolver em definitivo.

Terá sido mais por culpa da instabilidade na China de Mao do que pela boa vontade dos senhorios ingleses que o movimento pró-democracia ganhou a força que tem hoje - aliás em termos da salvaguarda dos interesses dos residentes ultramarinos do império, penso que ficou tudo dito com a questão dos passaportes. Estes movimentos nunca esconderam qual era a sua base de apoio: os nacionalistas de Taiwan, derrotados na guerra civil pelas tropas comunistas, e remetidos para Taiwan, onde Pequim manteve sempre uma apertada vigilância. No entanto em Hong Kong criaram uma base de operações que lhes dá um acesso mais facilitado ao continente, ganhando aliados que foram recrutando entre a população local, especialmente a mais jovem, que já por si olha para o actual regime chinês com desconfiança. Regime esse que não está isento de culpas no cartório, pois não soube apoveitar as vantagens do sacrossanto segundo sistema, deixando-o na RAEHK a cargo de gente com pouco tacto e nenhuma cultura política.

O movimento "Occupy Central", que agora começa a dispersar e perder o apoio que inicialmente lhe foi dado pela população anónima, a que nada tinha a ver directamente com esta luta, foi uma iniciativa que visava muito mais do que trazer democracia para Hong Kong; já o afirmei aqui várias vezes, mas essa pretensão seria apenas um pretexto para causar no continente um efeito dominó, aproveitando-se da fragilidade do regime para regressar ao poder. Digo "regressar" porque é disso mesmo que se trata: na China existem duas forças, como sempre existiram, uma no poder, e outra na busca desse poder. Não se pense que aqueles que se denominam hoje de "democratas" são muito diferentes dos nacionalistas da I República, fundada em 1911 por Sun Yat-Sen, e se não sabem como era a China antes das invasões japonesas, procurem saber: não tenha nada a ver com democracia, pelo menos no sentido como é entendida. Manter o actual "status quo" pode não ser muito producente, mas na situação actual acaba por ser um mal menor. Quem apoiou o movimento a que ousou chamar revolução não tem nada com que se envergonhar, mas não posso deixar de fazer este reparo: algumas das atitudes demonstradas pelos manifestantes nada abonam a favor da "democracia" pela que diziam estar ali a lutar. Lutar nem sempre quer dizer brigar.

O regime perdeu uma excelente oportunidade no período de grande crescimento económica de 1999-2009, para se reformar e adaptar-se às exigências do novo século. Se não o fez pode ter sido por temer revelar sinais de fraqueza, mas já não é segredo para ninguém que as lutas internas se têm intensificado, a corrupção é endémica, e o pouco apoio que têm é de gente directamente interessada na continuidade do partido único no poder; não se pode pedir o apoio às massas com atitudes paternalistas e opressoras, e a censura tem funcionado como um rombo no dique do sistema. Nada serve para justificar certas atitudes da parte das autoridades num regime totalitário, especialmente tendo como valores fundamentais a liberdade de expressão, de associação, de culto e todas as restantes que se confundem com "democracia". Esse tem sido o grande problema, e o erro que se comete quando se analisam estas questões, primeiro o caso de Hong Kong, e depois o da China - e tenham sempre em conta que esta é a minha opinião; não sou o dono da verdade nem reconheço em mim quaisquer poderes hipnóticos, mas não entendo que a "democracia" seja uma panaceia para todos os males.

A democracia é uma ideologia, uma teoria que aplicada transforma-se num sistema político, e não é infalível - não estamos aqui a falar de uma aspirina para a dor de cabeça. Estamos aqui a falar de um país que foi unificado à força, e onde não existe uma grande vontade de manter essa unificação, e há províncias com uma ideia muita própria de como as coisas deviam funcionar. É um pouco como a Espanha, mas mil vezes pior, e ligado à corrente eléctrica. Pode ser que haja quem entenda nisto algum comodismo, mas apesar de confessar que não me dava jeito nenhum que o regime caisse, pois com toda a certeza seriam cometidos excessos brutais - como é do apanágio de qualquer mudança do poder na China - seria muito pior para os chineses, e francamente não lhes desejo esse mal, nem estando longe do seu epicentro. Dizer que a China devia tornar-se numa democracia parlamentar,e pouco importa se está ou não preparada para isso, era como dizer que vou demolir a vossa casa e construir uma nova, não sei quando vai estar pronta ou se vou conseguir realizar a a tarefa, e enquanto esperam vão viver noutro sítio. Não têm outro sítio? Vão viver ao relento.

Pensar numa "democracia parlamentar" neste momento na China leva-me a pensar num cenário dantesco, onde existiriam mil e um partidos, desde os homens do lixo aos polícias, dos habitantes do bloco XX de um complexo residencial, e entre todos estes haveria sempre uma luta pelo poder interno. Eleições democráticas? Imagino banquetes organizados por um partido, com elementos de outro partido rival a envenenar toda a gente, e eleitores que demonstrassem o seu apoio a uma das forças a serem assassinados a caminho das urnas. Debates televisivos? Sim, até um dos candidatos ficar sem argumentos e sacar de uma pistola, e aí passa a ser um duelo ao pôr-do-sol, ao estilo do velho faroeste. Não surpreende que os americanos digam que a tal "democracia parlamentar" seria a "a solução ideal" - para eles, lógico, pois num estado de anarquia não seriam os próprios chineses a beneficiar com a mão-de-obra barata, sem um braço forte para evitar a exploração e a pilhagem. Para os chineses não seria trazer a democracia: seria mandá-los à democracia, como quem manda alguém a tal sítio.

Leocardo, sunt eu



É com grande orgulho que apresento mais um episódio da minha série de pequenos filmes, que deixo ao dispôr de quem me quiser seguir no canal que tenho no YouTube, e para quem é mais tímido ou não sabe como fazê-lo, basta clicar aqui e depois no botão de "subscribe", ou quem tiver conta em português - e não tenho muita paciência nem tempo para acompanhar a evolução das páginas que inicialmente eram apenas em inglês - deve o botão de "subscrever", ou "seguir", ou algo que os valha. Isto não é publicidade nem um apelo de um ego que anda a precisar de ser alimentado, mas antes um "serviço despertar", que faço aqui neste caso com o meu canal do YouTube, mas faria com qualquer outro, desde que tivesse conhecimento ou me fosse feito esse apelo. A verdade é que tenho tenho recebido de algumas pessoas um "feedback" positivo, mas ao mesmo tempo algumas me têm dito que não se assumem como seguidores do blogue ou dos vídeos porque "senão já se sabe". Claro que não vou dizer quem são estas pessoas ou sequer quantificá-las (isso encantaria muito boa gente, de certeza, que pensa que me consegue "apanhar" no terreno da provocação, e me leva a cometer alguma inconfidência) mas se me estiverem a ler, permitam-me que vos pergunte: desde quando é que deixaram de acreditar nos princípios pelos quais foram - fomos, pois eu também fui - educados? Se nasceram poucos anos antes, ou até depois do 25 de Abril, foram certamente induzidos a acreditar que somos livres e temos direito a gostar e fazer o que nos der na gana desde que isso não mexa com o direito do vizinho, que é exactamente o mesmo que o nosso. Convenceram-nos que somos do mais democráticos que se pode imaginar; aliás ainda sou partidário da ideia de que levamos a coisas ao extremo, ou "tudo é permitido", ou "não há nada para ninguém".

E é neste mar revolto da extremização de conceitos que me tenho sentido a navegar um pouco solitário pelo riacho do meio-termo. Posso rejeitar uma ideia, uma prática ou um pensamento que me pareça abjecto, ou até repulsivo, mas desde que não seja ilegal, não só o aceito como encorajo quem se identifique com isso a assumi-lo - ou não - mas definitivamente que o faça se isso lhe está a causar transtorno, ou o impede de dormir descansado à noite. Do outro lado, e caso considere pertinente fazê-lo, não me vou inibir de criticar, ou refutar algum ponto de vista com que discorde ou me pareça oportuno ser passível de refutação; dogmas são da competência das religiões, e normalmente inserem-se no âmbito do sobrenatural, e daí à superstição e outras técnicas milenares de manipulação da mente vai um pequeno passo. Quem me considera "provocador" está logo aí a entregar os pontos: se "provoco" é porque levanto alguma temática debatível que é deixada por discutir para não "ofender sensibilidades", o que para mim traduz-se para "não aborrecer o menino , coitadinho, ai que ele faz birrinha", e assim vamos perpetuando os tabus e deixando os têm mais dinheiro, poder, influências, etc. fazer dos outros gato-sapato, e tudo em nome da "moral e bons costumes", que é uma daquelas coisas que nem dão para cortar às tiras, enrolar e pendurar na retrete. Se levanto uma questão que não tem interesse só com o fim de lançar a discórdia, seria um intriguista, e não "provocador", ou como me foi dito ainda hoje, e agradeço por entender como um elogio, dotado de um "humor corrosivo".

Fiquei a saber recentemente, e digo "recentemente" porque foi há semanas, e os factos terão ocorrido há coisa de ano ou meio ou menos, que fui indicado por alguém a uma pessoa que ocupa um cargo de elevada responsabilidade para realizar um projecto semelhante a este, um blogue ou um "website", neste caso mais relacionado com a área específica de trabalho do interessado. Causa-efeito, houve outro alguém que de seguida desaconselhou os meus serviços, mesmo que eu nunca os tenha oferecido, ou sugerido sequer que estou aqui a vender seja o que for. Fico agradecido a quem avançou com o meu nome, apesar de ter quase a certeza que não aceitaria a proposta - não me iam pagar milhões de dólares pelo serviço que provavelmente seria enfadonho e e não me deixaria muito espaço para a criatividade, mas conheço muito boa gente que ia subir pelas paredes ao saber que perdeu uma "oportunidade". Mas qual "oportunidade", se não deixei a entender que estava interessado? Lamento muito e tenho pena de quem gostaria de me ver na fossa, e isso deixa-me bastante triste, pois quem me conhece bem sabe que não sou nenhum "monstro" ou um "sacana mal intencionado", mas tenho um emprego remunerado, e não sendo uma fortuna chega para pagar as contas e ainda sobra para beber um copo. Se fosse fazer o blogue e todo o resto para sobreviver ou ascrescentar mais qualquer coisa ao que me é devido pelo produto do meu trabalho - e nunca misturo as duas coisas, não vai ser por aí que me apanham - não o faria, ou não sentiria o mesmo entusiasmo.

Apesar de já ter deixado isto bem claro, e ter prometido a mim mesmo que não insistiria no tema, há quem ainda pense que tudo o que faço é com o propósito de atingir algum fim, ou de obter benefícios que não obteria por outra via, e assim dei-me a conhecer, saí do anonimato para ficar no "mercado", ou que estou a soldo de fulano para atingir ou intimidar outrano, em suma, a minha postura deixa um pouco baralhados todos os que se esqueceram que não faço mais que exercer um direito que me é garantido, pois nesse processo aprenderam que "não há almoços grátis". Ora permitam-me discordar, e dizer que foram enganados, meus amigos. Temos compromissos a cumprir para que nos seja garantido ter todos os dias na mesa um almoço e um jantar, mas não é imperativo que tenhamos que renunciar ao que somos apenas porque o estômago fala mais alto. Há que distinguir entre fazer concessões e prostituir os valores: no primeiro caso podemos "concordar em discordar", o que tem a sua graça, não no sentido de "piada", mas de graciosidade; no segundo estamos a sujeitar-nos a um papel que não é o nosso, e se nos morde a consciência ao pensarmos que não queremos o mesmo para os nossos filhos, então nada como ser o exemplo - com que outro querem que eles se identifiquem?

Finalmente, e voltando ao ponto de partida deste texto que pretendia que fosse mais curto, reparem como deixei ali em cima uma série de imagens com que tenho ilustrado alguns artigos e vídeos, e isto tem uma razão de ser. Quando decidi fazer o primeiro blogue, e optei por adoptar um pseudónimo (não o fiz com a intenção de ganhar popularidade, pois essa foi-me atribuída sem eu ter pedido nada; há que os sabem disso, os que não sabem porque não viram, e os que se fazem de esquecidos) escolhi "Leocardo" com base nas iniciais do meu nome próprio e do apelido, e foi algo que me veio à cabeça de repente. Se repararem nos filmes podem notar que às vezes podia fazer melhor, mas tenho um pouco de "pressa" em passar a mensagem, o que sendo um efeito que admito, no fim é a mesma coisa: ou a mensagem passa, ou fica encalhada. Não sou do signo de Leão, nem acredito na astrologia ou em quaisquer qualidades atribuídas aos felinos que muitos humanos invejam, e o meu animal favorito é o pinguim - esta comparação foi feita por alguns leitores logo no início, e nem fica bem, nem mal. Vale o que vale. Não me considero vaidoso, sou o mesmo que era em Março de 2006 quando comecei o primeiro blogue, em Dezembro de 2007 quando comecei com este, e em 2012 quando revelei a minha identidade. Podia-o ter feito no auge da tal popularidade, mas só o fiz quando achei que não fazia mais sentido andar a esconder-me e ao mesmo tempo levantar suspeitas sobre terceiros. Agora para os que acham que sou "arrogante" porque falo de coisas que eles próprios não entendem, porque não lhes interessa ou porque lhes falta argumentos, ou porque não sabem escrever (houve um tempo em que nos ensinaram como fazê-lo, chamava-se "escola") lamento muito, mas não tenho por hábito nivelar as coisas por baixo. Se a vista é melhor do terraço e no rés-do-chão tenho uma parede em frente, posso tentar chegar lá a cima pela escadas, mas se os degraus forem mais altos que a perna, paciência. O que nunca vou fazer é chamar quem está no terraço para me sentir menos só na minha miséria.

PS: Para quem fica muito irritado quando lhe apontam os erros ortográficos, e depois ainda vem com uma grande lata dizer que "sabia", ou pior, que "não interessa", pode sempre usar o dicionário, que esclarece todas as dúvidas e é completamente gratuito. Eu às vezes também uso, e em caso de dúvida é sempre melhor fazer as coisas bem feitas do que andar por aí com filosofias da treta, defendendo que "toda a gente se engana" e não sei que mais. Podendo evitar o erro, para quê recorrer à teoria de que ninguém nasce ensinado? Isso contribui para o quê, exactamente?

Macalhau Espiritual - 3º episódio

Caíndo na(o) Real



Em Espanha jogou-se o sempre apetecido clássico entre o Real Madrid e o Barcelona, duas formações sempre no lote das melhores do mundo. Os catalães chegaram à capital na frente da liga com sete vitórias e um empate para o campeonato, e com a curiosidade de não ter ainda qualquer golo sofrido. Começaram bem, os "blaugrana", com Neymar a inaugurar o marcador logo aos 3 minutos, mas os "merengues" foram um adversário à altura, e deram a volta à situação com os internacionais portugueses em destaque; primeiro foi C. Ronaldo a acabar com a inviolabilidade das redes adversárias, e mesmo que se possa dizer que foi através da marcação de uma grande penalidade, Pepe desfez as dúvidas com o segundo golo aos 50 minutos, e Benzema faria o terceiro onze minutos depois. O Real Madrid fica agora no segundo a um ponto dos seus maiores rivais, e mais um que o Valência de Nuno Espírito Santo, que ontem venceu em casa o Elche, também por 3-1.

Vaca arouquesa é "petisco" para dragão faminto



O FC Porto foi ontem Arouca, zona predominantemente rural situada nos arredores da invicta e conhecida pela criação do famosos gado bovino a que deu o nome "arouquês", e goleou com facilidade a equipa local por cinco golos sem resposta. Depois de três jogos em casa que se traduziram em duas vitórias, uma para a Liga contra e Braga e para a Champions frente ao Athletic Bilbao, e uma derrota para a Taça de Portugal frente ao rival de Lisboa, o Sporting, subsistia uma certa curiosidade em saber como seria o Porto fora de casa em termos de atitude, e parece que confiança é algo que ainda vai sobrando à equipa de Lopetegui. O adversário não era o que se pode chamar de "teste difícil", mas apesar da localidade ter pouco mais de 20 mil habitantes, o que não chega nem para compôr metade do Estádio do Dragão, a equipa do Arouca é aquilo que se designa por "arrumadinha", sem "inventar" muito, aguerrida, sempre sóbria e consciente das suas limitações, bem à imagem do seu técnico Pedro Emanuel. E foi aliás o ex-defesa-central que como jogador se sagrou campeão nacional com o Boavista e depois com o Porto que montou aquela formação que na época passada se estreou no escalão principal obtendo um 12º lugar, realizando um campeonato mais tranquilo do que até os mais optimistas previam. Este ano o objectivo será novamente a permanência, sempre com a linha de água em mente, mas apesar da goleada de ontem e dos 4-0 sofridos na Luz, os arouquenses deram boa conta de si na deslocação a Alvalade, onde viram um ponto a fugir-lhe nos descontos por culpa de um golo de Carlos Mané. O Porto ontem teve a vida mais facilitada a partir do minuto 25, altura em que os colombianos Juan Quintero e Jackson Martínez marcaram dois golos em outros tantos minutos, com o brasileiro Casemiro a fazer o terceiro pouco depois, resolvendo praticamente a questão do vencedor. Jackson ainda marcaria o segundo do encontro e o sétimo na liga, ultrapassando o brasileiro Talisca, do Benfica, no topo da lista dos melhores marcadores, e o camaronês Vincent Abounbakar, vindo do banco, aproveitou a fragilidade do adversário para se estrear a marcar com a camisola azul-e-branca. Os dragões colocam assim pressão sobre o líder Benfica, que tem um ponto de vantagem e uma deslocação complicada a Braga neste Domingo. O V. Guimarães confirmou o bom momento que atravessa ao vencer na sexta-feira em Setúbal o confronto entre "vitorianos", e encontra-se no terceiro lugar a dois pontos dos encarnados. Já este Sábado o Moreirense aproveitou bem o factor casa e venceu 2-0 o lanterna-vermelha Gil Vicente, e o P. Ferreira foi ao Bessa vencer o Boavista por 2-1, e subiu ao 4º lugar, mesmo à condição, e somou o quinto jogo sem derrota.

sábado, 25 de outubro de 2014

Simpáticos antípodas



Esta semana o artigo de opinião do Hoje Macau é o primeiro daquela que espero ser uma pequena série em que me dedico a partilhar com os leitores algumas conclusões que retirei da nossa convivência - e falo como estrangeiro e ocidental, mas ao mesmo tempo residente de Macau - com outra cultura, neste caso a que predomina em termos étnicos, muito graças à própria situação geográfica do território onde todos vamos fazendo pela vida. Espero que gostem, agradeço se já estão a acompanhar ou se fazem planos nesse sentido, e recordo que as opiniões expressas são do foro pessoal, e qualquer um é mais que bem-vindo a comentar, discordar, dinamizar...eh, eh, lá está. Posto isto, a continuação de um bom fim-de-semana.

Ser estrangeiro num local tão distante e culturalmente tão antagónico como a China significa submeter-se a um fútil mas interessante exercício de adaptação a certos valores, alguns deles absolutamente intragáveis à luz do que consideramos serem princípios elementares, e sem os quais não é possível sustentar as relações humanas. Estes princípios foram-nos emanados por períodos ou episódios da História que não tiveram na China um paralelo que lhes sirva como referência, e mais importante do que isso, que os torne quantificáveis – os chineses só levam em conta aquilo que se pode quantificar. A este ponto é possível que já haja quem me esteja a acusar de estar a cometer uma generalização injusta, e que em última instância possa ter que pagar por isso. Aí está, é exactamente aqui que reside a grande diferença entre as nossas culturas, e é essa reacção que esperam de nós: impetuosa, derivada de um juízo que é feito logo após a segunda frase do texto, e uma repreensão com num intimidatório implícito, um sermão que ninguém encomendou.

Aquilo que nós chamamos de “racismo” é algo que para os chineses adquire a qualidade de “abstracto”, não se quantifica e portanto não serve um fim específico – é portanto “inútil”. O povo chinês faz uma diferenciação entre a sua própria etnia com base na origem, condição social, e se for mesmo pertinente, a ancestralidade ou o apelido. Se isto já é complicado, o que seria caso tivessem um contraponto que ao mínimo “toque” levantasse a questão da descriminação e do princípio da “igualdade”? Este é um raciocínio que por muito que eles tentem entender não conseguem tirar o sentido: qual igualdade, se a primeira noção que adquirem é a do indivíduo, e de que a diferença é algo que é dado a saber logo pelo sentido da visão? E o que é isso, “descriminação”? Alguma vez viram os chineses da diáspora a fazer “lobby” no sentido de serem integrados no país de acolhimento, ou a queixarem-se que são “guetizados”, ou outra designação que nós ocidentais nos damos ao trabalho de produzir e com isso levantar questões que levam debates intermináveis, onde existe necessariamente um agressor e uma vítima?

Quando se comete a audácia de fazer uma análise a este povo há algo que temos que ter sempre em conta: são uma civilizaçāo com um passado de cinco mil anos, e onde não houve nada semelhante a um Renascimento ou uma Revolução Francesa. Não significa que os chineses não prezem valores como a liberdade, ou valorizem a justiça, mas é tudo encarado de uma forma tão pragmática que não permite deambulações do foro ideológico, e onde as convicções valem o que valem. Reparem como os autores chineses de referência continuam a ser Confúcio e Sun Tzu – a obediência, ou em alternativa a guerra, o vencedor e o vencido, o poder que se conquista pela espada . Onde estão os equivalentes chineses de Montesquieu, de Shakespeare, de Voltaire ou de Nietzsche? Mesmo a poesia era uma audácia reservada aos intelectuais caídos em desgraça – ninguém foi estudar para se tornar poeta. Du Fu era um oficial do governo afastado devido ao seu carácter íntegro que o tornou incorruptível, Li Bai é pelos padrões actuais considerado um “louco”, quem bastava olhar para a Lua para fazer um poema, e vivia praticamente de esmolas oferecidas por quem procurava entretenimento.

Sax Rohmer, escritor inglês do início do século XX celebrizou-se por ter criado o personagem do Dr. Fu Manchu, o estereótipo do vilão oriental, neste caso o chinês. Como o próprio nome indica, este Fu Manchu era um médico, ou cientista (a origem do personagem foi sendo alterada de acordo com a própria história da China), um génio do mal, metódico, calculista, conhecedor da mente humana e especializado em venenos, e eventualmente tinha duas ambições: a riqueza material e o segredo da imortalidade. Rohmer nunca terá viajado pela China, ou sequer por Hong Kong, e inspirou-se nas qualidades que observou nos chineses e que parecem mais evidentes depois do choque cultural: a ambição desmedida, a perfídia, a ausência de valores considerados próprios da cultura cristã, casos da misericórdia ou da compaixão. Nada disto é racional, claro, mesmo que interpretemos algumas das diferenças que nos separam como vestígios deste arquétipo – é a reacção normal de quem não se identifica com algo e impulsivamente vê nisso uma luta entre o bem e o mal.

Não surpreende portanto que a tabela com que avaliamos certas atitudes, comportamentos ou juízos de valor nos deixem muitas vezes chocados e a pensar por vezes que existe qualquer coisa de desumano em tudo isto, algo que é identificado mas poucos procuram entender a razão de ser. Essa é uma tarefa que se reveste de uma presunção tamanha que seria o mesmo que tentar encontrar o princípio e o fim do universo. Mas podemos aprender sempre mais um pouco, e enquanto eles não ambicionam a ser igual a nós, vão dando umas pistas enquanto se divertem a observar como as seguimos, utilizando a lógica como régua e esquadro para desenhar o seu perfil. Somos um Li Bai à procura do Dr. Fu Manchu.

Macalhau Espiritual (O espírito sem espinhas)



E é com grande prazer que anuncio o "nascimento" do 3º episódio da série "Macalhau Espiritual", já em fase de pós-produção, e com "parto" marcado para amanhã (vou tentar que seja de manhã). Serão mais cerca de 20 minutos de material completamente original - ou quase, se atendermos às habituais colagens de clips e imagens retirados da "net", mas com boa intenção, é claro. O que não vai ser habitual são os personagens; dois completamente novos, e ainda dois que tinham feito apenas uma tímida aparição. Mais uma vez o autor tenta divertir, e a bem ou a mal penso que consegue, fazendo rir de tão ridículo, ou chorar de pena. Aguardem então por mais uma "posta" desse "Macalhau Espiritual"!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A honra, ora a honra...



Estes últimos dois ou três dias tive a oportunidade de observar (e rir com) algumas "trocas de galhardetes" nas redes sociais entre elementos da nossa "tribo" lusófona, por norma pessoas de bem, cada um na sua, mas sempre atenta ao picador alheio no seu lombo sensível. Que maldade a minha, vejam só, e que indivíduo mal formado eu sou, a tentar desunir a nossa comunidade. Tivesse eu uma nota de mil por cada vez que ouvi ou li isto, e punha os anjinhos no Céu todos ao estalo uns nos outros, e assim podia ser tambem que juntasse a fama ao proveito. Nas tais redes sociais, a arena onde decorrem estes combates ideológicos, os gladiadores estão armados apenas com o tridente da ironia, a espada do escárnio, e a rede do sarcasmo. A estratégia pode variar conforme a preparação, experiência ou astúcia do gladiador, mas a cada golpe corresponde a réplica, que aqui vem sempre na forma de um delicoce eufemismo a que chamam de "direito a resposta". Quando se fala do "direito" a algo, a coisa adquire logo uma seriedade que antes não tinha, mesmo sem que fosse esta a intenção inicial (é por isso que tanta gente diz "ter direito" a tudo e mais alguma coisa quando na realidade não tem assim tantos direitos quanto isso) e se neste caso tratando-se de uma discussão, acesa, a média luz ou apenas ténue, o entusiasmo pode levar a que se perca a controlo, e se entre pela via do insulto, e mais grave do que isso, que se produzam afirmações "a quente", que sendo graves, menos graves ou um simples desabafo, são muitas vezes difíceis de provar, ou até falsas, e tendo ficado escritas e registadas, podem constituir matéria para procedimento judicial.

Neste âmbito temos no Titulo I da parte II do Código Penal, "Crimes contra a pessoa", o capítulo VI, que abrange o que se chama de "Crimes contra a honra". Entre estes estão os crimes de difamação (Artigo 174.º) e de injúria (Artigo 175.º-177.º), cuja discriminação visa defender a nossa reputação e bom nome de acusações ou actos que nos são imputados por outrém, por meio verbal, escrito ou por outra forma de expressão, diferenciando-se a difamação pela publicidade dos mesmos, ou seja, pela divulgação na presença de terceiros. Portanto, se o que estão agora a pensar é: "posso ter que responder perante a justiça se chamar alguém de palhaço? Ou apenas de palerma?". Depende, mas sim, é possível, e vou mais longe: caso mandem a alguém um SMS dizendo a essa pessoa que a "vão matar" ou "partir-lhe a cara", mesmo na brincadeira ou noutro contexto que não aquele que a mensagem sugere, isso pode valer-vos um processo-crime por ameaça (Artigo 147.º). Isso mesmo. Claro que tudo depende com quem estão a lidar e em que circunstâncias ocorrem os factos, e apesar do palavrão "crime" que estas acusações implicam, dificilmente acarretarão consigo uma pena de prisão efectiva, mas podem valer uma multa avultada acompanhada de mancha no registo criminal. É preciso nunca esquecer que estamos em Macau, e o melhor é evitar este tipo de confrontação com gente que conhecemos mal ou que tem fama de filho da puta. Mas o que acontece quando estas figuras jurídicas são transportadas para o exercício de uma liberdade individual ou de uma actividade profissional, casos da liberdade de expressão ou a liberdade de imprensa. Aí somos remetidos para o campo das sensibilidades, que como se pode perceber desde logo, é bastante subjectivo.

Eu tenho como pressuposto que a justiça deve servir um fim nobre, e que deve ser apenas usada em situações onde não existe uma outra via para que se resolva um diferendo, ou onde existam dúvidas sobre a legalidade de um procedimento, ou ainda em questões relacionadas com a interpretação ou a aplicação da lei, mas tudo em casos concretos, ou de carácter técnico-teórico. No caso dos crimes privados é lógico que se deve aplicar "strictum sensum" em situações onde exista uma parte pesada, ou possa vir a dar-se algum prejuízo considerável. No que toca aos crimes contra a honra, existem duas formas de encarar a gravidade dos mesmos: grave e mesquinho. Tudo o que se diz ou escreve é inserido num determinado contexto ou situação, depende da forma como foi expresso, com recurso a figuras de estilo ou/e dentro de um conteúdo humorístico ou satírico, ou pode ser apenas uma parte de um raciocínio mais elaborado, ou seja, nunca se deve interpretar literalmente seja o que for, a não ser que a intenção fosse, acima de qualquer dúvida, colocar em causa a cidadania da pessoa atingida, do receptor. Numa sociedade que queremos livre e onde não exista o medo de expressar uma opinião ou transmitir uma ideia, temos que elevar a tolerância ao patamar da liberdade em causa, e não limitar essa liberdade tendo em atenção os seus limites. Para se estar a pensar sempre duas vezes antes de falar, mais vale ficar calado. É uma sociedade de mudos que queremos, e onde o uso da palavra dependa de autorização prévia, ou seja um exclusivo de quem está apoiado pelo poder?

Antes de passar aos exemplos, vamos colocar ambas as liberdades, quer a de expressão, quer a de imprensa, no mesmo patamar, e assim escusamos de diferenciar injúria de difamação, de modo a centrar mais o tema no que pode ser considerado ofensivo ou o lesivo para a honra e para o bom nome de alguém. Vamos ter também em conta que todas as afirmações que poderão ser apresentadas como prova são obtidas por métodos legais, e dirigidos directamente a pessoa concreta, seja ela individual ou colectiva. Há casos flagrantes que penso não terem discussão possível, como imputar a alguém um crime, uma conduta criminosa ou moralmente reprovável, ou a prática de um ilícito no exercício da sua profissão ou de um dever que lhe foi incumbido, ou ainda que mexa com a sua vida familiar e íntima, ou lese o seu direito à privacidade. Afirmar num jornal, blogue, televisão ou outro meio audio-visual que A. é corrupto, por exemplo, é um caso flagrante de difamação, e pouco importa a veracidade dos factos; a ser verdade, existem os meios apropriados para que seja feita uma denúncia, e tornar este facto é lesivo do direito à presunção da inocência do visado. Revelar que A. é adúltero ou que é traído pela esposa, ou vice-versa, ou sugerir deixando ser passível de tratar de uma verdade que B. é homossexual, consumidor de substâncias ilícitas, alcoólico ou portador de uma tara ou doença mental, é nos dois primeiros casos devassa da vida privada, e nos restantes ofensivo à honra e ao bom nome do visado - isto se não se assumir como tal, ou não forem factos tornados públicos, é claro. Os crimes privados dependem da queixa do ofendido, e aqui entra o factor da subjectividade dos crimes contra a honra.

O caso Ao Man Long, por exemplo, ficou marcado por uma polémica que levantou a discussão da sobreposição do interesse público ao procedimento judicial, quando foram divulgados na imprensa factos sobre o processo que em circunstâncias normais estariam em segredo de justiça. Este é sem dúvida um exemplo extremo da dificuldade que existe em encontrar um equilíbrio entre aquilo que se pode tornar público, pois aqui tinhamos num dos pratos da balança o direito do indivíduo à presenção da inocência, e do outro a opinião pública e a própria imagem do Executivo, ultimamente responsável pela conduta do secretário. Mas pegando em casos mais simples onde por vezes é colocada em causa a honra, temos o exemplo daquilo que eu faço: expressar a minha opinião. Identificado um texto como sendo de opinião, fica-se a coberto de uma série de protecções que uma notícia não tem; não existe o dever da precisão ou da veracidade dos factos, mas há cuidados a exercer quando se faz referência a alguém ou algo, neste caso uma pessoa colectiva ou uma entidade pública, por exemplo. Posso afirmar que "A. é incompetente" a cobro da liberdade de opinião, mas caso A. sinta que estou a pôr em causa o seu bom nome, pode-me pedir esclarecimentos, e caso eu não tenha qualquer motivo para o ter ofendido na sua honra, posso vir a ter problemas. Agora se conseguir apontar uma conduta que seja que considere danosa , nem que seja apenas para mim mesmo, e que lhe possa ser imputada, nada feito - é a minha opinião, não estou obrigado a justificá-la. Sugerir que alguém é homossexual por exibir um comportamento efeminado, por exemplo, não é o mesmo que afirmar que alguém é de facto homossexual. Tive o exemplo do personagem Filipe, dos meus filmes, que corresponde a esta descrição, e escutei comentários nesse sentido, no entanto não me sinto melindrado nem reconheço uma intenção de quem faça esse juízo de me ofender ou atingir a honra.

Mas nisto da opinião há que exercer certas cautelas. No caso de insinuar que certa conduta é ilegal ou criminosa e nesse contexto inserir o nome de alguém, pode-se abrir a porta a um precedente perigoso; levando uma situação deste tipo à barra dos tribunais e dando-se razão ao autor, pode-se dar o caso de serem permitidas os maiores atentados e para branqueá-los basta escrever no canto da página ou no subtítulo do artigo a palavra "opinião". Na eventualidade de ser dar razão à parte ofendida, pode acontecer o extremo de não ser mais possível incluir o nome de qualquer pessoa singular ou colectiva num texto onde se descreva uma situação passível de ser associada com esse nome - mesmo que em polos opostos desse texto. No exercício da opinião pessoal há ainda que usar o senso comum, especialmente na hora de detectar uma figura de estilo, como uma metáfora ou uma antítese, hipérbole ou simile. Comparar por exemplo uma reunião ou uma assembleia que tenha decorrido de forma atribulada ou desordeira a um "circo" parece perfeitamente legítimo, mas caso não existam razões para tal, pode ser entendido como uma provocação, e depois tudo depende de quem e do que está em causa. É também sensato identificar se estamos na presença de uma sátira, ou de uma simples rábula. Um texto que contenha elementos do fantástico, do sobrenatural ou qualquer coisa que nunca poderia ser interpretado como verídico ou que tenha de facto ocorrido dispensa mesmo que se indique previa ou posteriormente tratar-se de ficção - a não ser que pelo meio se façam asserções que remetam para algum caso concreto, facto ou acontecimento real, e aqui convém não ter uma imaginação muito fértil, ou fazer leituras abusivas, identificando intenções que não foram de todo expressas.

E aqui entramos no tal campo das "sensibilidades", e aqui pesam vários factores, desde o sentido de humor, a relação do potencial ofendido com o autor, os antecedentes, as circunstâncias, a intenção, muita coisa. Um árbitro que cometa um erro grave durante um jogo de futebol não vai certamente dar-se ao trabalho de processar todos os que lhe chamem "ladrão" num momento que é facilmente tido como sensível, e que seja passível de produzir declarações "a quente". O caso muda de figura se no dia seguinte essa ousadia for cometida por um jornal desportivo, que normalmente usaria um eufemismo para se referir ao erro do árbitro: "a arbitragem cometeu um erro que teve influência no resultado", no máximo. Chamar de "palhaço" ou "corno" a alguém durante uma troca de insultos ou uma briga de rua ou de café não é o mesmo que fazê-lo na televisão, ou caso haja alguém demasiado púdico que processe quem lhe tenha chamado de "chimpanzé" arrisca-se a uma discussão sobre a sua aparência ou comportamento, que podem ou não assemelhar-se à de um primata. Com toda a certeza uma afirmação desta natureza poderá levar alguém a pensar que o visado é de facto um chimpanzé. Para concluir, vou dar um exemplo de um caso que muitos de nós aqui em Macau certamente se lembra, quando um professor universitário escreveu no seu blogue que um aluno era "cretino e mal formado", sem especificar quem em concreto. O visado, sentindo que existiriam mais pessoas que o identificariam com aquela descrição. O caso foi resolvido (mal, a meu ver) pela própria instituição de ensino, mas demonstra o perigo que pode representar uma acusação desta natureza, e é aqui que se testam os limites da liberdade de expressão. Se eu escrever "o meu vizinho é um palerma", tendo eu mais que um vizinho, estou no meu pleno direito, mesmo que o indivíduo saiba que estou a falar dele, e que os restantes vizinhos tenham conhecimento desse facto. Não se tratando aqui da imputação de um facto grave ou uma ofensa à sua dignidade, devassa da vida privada ou íntima, tem um bom remédio: responder pela mesma moeda.

É preciso não esquecer que não foi assim há tanto tempo que a honra era lavada em muitos casos com recurso a duelos de pistola ou de espada, e ainda bem que hoje temos os tribunais para resolver os casos mais graves.No entanto há que ter o bom senso de não levar atritos sem importância ao terreiro da justiça, em muitos casos para resolver questões pessoais que não são interesse geral nem servem nenhum princípio válido. Há quem se iniba de avançar simplesmente por querer manter uma imagem de pessoa tolerante e democrática, mas tem o direito de exigir que não se ponha causa a sua dignidade ou integridade, e certamente terá o apoio da opinião pública caso esteja com a razão do seu lado. Num outro extremo temos quem sinta o mínimo "toque", e tendo os meios a seu dispôr para levar às barras dos tribunais um caso ou casos que possam ser resolvidos com diálogo ou cavalheirismo, está a perverter o sentido da justiça, atrasando outros processos com o volume do seu ego, e ao mesmo tempo deixando em cheque esses valores que tanto estimamos, que são a liberdade de expressão e de imprensa. Bom senso recomenda-se, e já agora que os magistrados usem sempre o critério que coloca um direito sempre acima de um dever, quando se trata de um simples diz-que-disse, e tenha em conta que a opinião pública tem o discernimento de distinguir o certo do errado.

Toma lá do Vilhena



Um dos meus "mestres", ou se preferirem uma das minhas referências ou fonte de inspiração é o grande José Vilhena. E é com um sorriso largo e malandreco, juntando uma risada sacana e um olhar de espertalhão que digo "é" - o mestre vive, e encontra-se no activo (ou pelo menos até muito recentemente) aos 87 anos. E quem disse que a pouca-vergonha e o deboche não eram bons para a saúde. São pois, e para os restantes que resistem levando a vida de anjinho que Nosso Senhor lhes recomendou, ou que andou a fazer as suas patifarias às escondidas, há sempre o Viagra. Vilhena inventou o Viagra antes de ele existir, e inventou sem saber ou para o que é que servia. Foi, é, e ficará para sempre como uma das nossas almas mais livres, das mais soltas.



José Alfredo Vilhena Rodrigues nasceu a 7 de Julho de 1927 em Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, e foi no conservadorismo e isolamento do interior de um Portugal muito mais pobre e atrasado do que possamos imaginar que cresceu, até ir estudar Belas Artes para o Porto, mas antes de concluir o curso migrou para Lisboa, onde podia dar asas aos seus talentos: o desenho, a ilustração, o humor e a sátira. Às vezes combinava duas destas valências, outras vezes três, quase sempre todas. Atribuiram-lhe desde o início a fama de "provocador", o que é só por si ambíguo. O que "provoca" um "provocador"? Pode ser desde a alegria e o riso até à guerra e à morte. Vilhena provocava sobretudo e boa disposição, enquanto "picava" o seu povo, tão taciturno e temerário às superstições, para que se soltasse, libertasse, não tivesse vergonha de ter tesão e de lhe apetecer uma queca, e já agora com bis.



Trabalhou nos primeiros anos como ilustrador para o Diário de Lisboa e humorista para outras publicações tidas como "marginais", e em 1956 publicou a sua primeira colectânea de anedotas. Tornou-se famoso com a revista "O Mundo Ri", e mesmo depois do fim desta não lhe faltaram convites para trabalhar, e conseguia como ninguém contornar a censura do Estado Novo, fazendo gato-sapato dos censores, a quem a sua inteligência e "ratice" chamavam um figo, e aproveitava cada vez que uma obra sua era censurada para fazer mais publicidade da próxima. Foi detido pela PIDE em três ocasiões nos anos 60, mas nunca o conseguiram acusar de distribuir material indecente, ou "pornografia" - quem pensa que aquilo que o Vilhena faz é pornografia, das duas uma: ou não sabe o que é pornografia, ou sabe muito bem mas está a fazer-se de parvinho. O máximo que os púdicos conseguiram foi atribuir ao seu trabalho a designação de "humor erótico", o que deixaria os adeptos do "erótico" propriamente dito desiludidos, mas os fãs de Vilhena ainda mais sequiosos.



Chegou o 25 de Abril e com ele o fim da censura. Recusou-se sempre a ser instrumentalizado pelo poder político - para ele qualquer um era satirizável. No entanto aproveitou o fim da censura para "atacar" com mais à vontade o poder e os seus figurinos, ao ponto de se confundirem com os originais. Nem a liberdade lhe subiu à cabeça, e continuou no estilo que o celebrizou, gozando de um período de grande sucesso com a revista "Gaiola Aberta", que dirigiu entre 1974 e 1983. Remeteu-se a um hiato de 4 anos regressando em 1987 com "O Fala Barato", numa primeira fase em formato de jornal, e até ao seu encerramento em 1994 como revista. Mesmo com um país com uma mentalidade muito mais aberta para que o seu humor provocasse um efeito de choque, regressou com "O Cavaco" e "O Moralista" nos anos 90, e mais recentemente com a segunda edição da "Gaiola Aberta".



Um dos seus alvos predilectos era, lá está, a Igreja, de quem ria com gosto dos seus moralismos de trazer por casa, dos "padrecos" (nome pelo qual os padres são conhecidos, e que até prova em contrário é da sua autoria), das beatas, e de toda a hipocrisia que andava de mãos dadas com um regime (ou regimes) que amordaçavam o povo e não o deixavam ver o que para ele era evidente. "Viram aquele padre com o pau feito, que quase lhe saltavam os botões da batina?", "Olha, lá está o sr. Neves a apalpar o rabo da secretária, e a meter-lhe a lígua fétida no ouvido, o cabrão", "O quê, não viram? Abram os olhos c..., os de cima, porra". Hoje conta com mais de 60 colectâneas de ilustrações nos mais diversos média, e continua com o seu estúdio no Bairro Alto, local privilegiado para o ver o que muitos teimam em não ver, ou pelo menos aprender a lição que desde há seis décadas o mestre insiste em repetir. Será que ele tem uma secretária boa, com mamas grandes e cu redondo? Aposto que sim. E isso pergunta-se?


(Mais um) zero europeu



As equipas portuguesas voltaram a não pontuar na Liga Europa, confirmando-se os receios de quem não acreditava no Estoril e Rio Ave, os representantes do futebol português nesta primeira fase, devido sobretudo à inexperiência de ambas as equipas. Nos "canarinhos" ainda se depositavam algumas esperanças, uma vez que na última ronda haviam vencido em casa os gregos do Panathinaikos por 2-0, mas a jogar novamente no António Coimbra da Mota, não foram capazes de contrariar os russos do Dinamo Moscovo, saíndo derrotados por 1-2. O Dinamo conta com várias estrelas, desde os internacionais russos Denisov e Zhirkov, o búlgaro Manolev ou o francês Valbuena. E foi este último que fez o passe para o primeiro golo aos 52 minutos, da autoria de Kokorin, enquanto Zhirkov fazia o segundo a dez minutos do fim. Foi já ao cair do pano, no último minuto dos descontos, que Yohan Tavares reduziria para a equipa da linha, que com esta derrota e o empate caseiro do PSV frente ao Panathinaikos cai para o terceiro lugar do grupo E com três pontos, menos um que os holandeses e mais dois que os gregos. O Dinamo lidera apenas com vitórias, somando um total de nove pontos.



No grupo J o Rio Ave somou a terceira derrota em outros tantos encontros, ao perder na Roménia frente ao Steaua por 1-2. Os romenos chegaram ao intervalo a vencer por dois golos, ambos da autoria da sua estrela, Raul Rusescu. O melhor que os vila-condenses conseguiram foi reduzir por Yonatan Del Valle, logo no início do segundo tempo, mas seria insuficiente para evitar a derrota, e uma situação muito complicada nas contas do apuramento; os dinamarqueses do AaB venceram o Dinamo Kiev por 3-0, deixando os três adversários dos vila-condenses com seis pontos contra zero da equipa portuguesa. Depois de uma fase eliminatória positiva para uma equipa que se estreava este ano nas competições europeias, Pedro Martins precisa agora de um milagre para poder passar esta fase de grupos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

TPC: amochar



A Universidade de Macau (UMAC) é sem dúvida um templo do conhecimento. Senão reparem: agora ficámos a saber que houve pelo menos um caso de assédio sexual, quando um professor da Faculdade de Ciências Sociais natural do continente terá convidado uma aluna para ter relações sexuais. Convidado...como é se convida, que eu quero exprimentar também? Estou cansado das velhas tácticas de engate, da "body language", dos bilhetes de entrada verdes com um número cinco e dois zeros...isto de convidar parece ser interessante. Quem é que recusa um convite, se for endereçado com jeitinho. Podia usar aqueles convites que mandei aos meus amiguinhos quando fiz cinco anos, e bastava alterar ligeiramente o texto: em vez de "gostaria de convidar-te para a minha festa de anos" ficava "gostaria de convidar-te para uma festa no teu ânus". Simples. O caso foi denunciado pela revista satírica (aqui "satírica" confunde-se com "satânica") "Macau Concealers", dirigida por Jason Chao, e terá ocorrido no ano passado. Hmmm...no ano passado? Já estou a imaginar o diálogo:

- A menina quer ir beber um café comigo?
- Não obrigado, tenho que ir para casa, fica para a próxima.
- Precisa de boleia?
- O meu pai vem buscar-me, mas obrigado na mesma.
- E que tal abocanhar-me o tarolo e depois levar com ele todo por trás e à bruta?
- Isso vai sair no teste?
- Mais ou menos...mas quer ir agora à oral? Depois pode ganhar créditos com a actividade extra-conicular...
- Ok, mas agora não estou preparada. O meu pai já se veio e está à esporrar por mim lá em baixo (a menina é disléxica e tem uma costela setubalense).

Só muito mais tarde é que a jovem percebeu: "Eh pá...aquilo era...UM CONVITE!" (tcha, tcha, tcha...). Vai de fazer queixa, e a UMAC decidiu suspender o professor por 12 dias: "Perante os factos, e da gravidade com que se revestem, o professor em questão é suspenso por doze dias. Desencoraja-se quer o pessoal docente, quer os estudantes a consumirem café, uma vez que a cafeína é um estimulante que actua sobre o sistema nervoso central, podendo ter influência nos ciclos do sono". Depois de emitirem este comunicado, ligaram para a loja de artigos medievais para saber se já tinha chegado o azorrague e o pau-de-arara que tinham encomendado para castigar condignamente um terrível violador que andava por lá a solta, o "Big Bill", que sodomizava os estudantes com o dildo da ideologia política.



Entretanto a Associação de Estudantes, presidida por este rapaz na imagem, Haochi Kiang, não ficou satisfeita com a explicação, e dizem que o problema não era o café, mas o "creamer": aquilo era assédio sexual! Nããããoooo! Que palavra tão feia essa, "sexual". Haochi Kiang diz ainda que o caso não foi o primeiro, e ao Bairro do Oriente disse: "No princípio até tinha a sua piada, como curiosidade e tal, mas passado algum tempo vai ficando difícil passar uma hora e meia sentado nas aulas". Os restantes alunos ficaram ainda mais alarmados quando uma gralha fez ler numa circular que "para o ano lectivo de 2014/2015 iam mudar para a Ilha da Montada".



Aqui vemos uma troca de e-mails entre o presidente da Associação de Estudantes e a vice-reitora Sylvia Ieong. Reparem como eles se tratam por "dear", ou "querido/a". O que quer isto dizer, uh?!?! Nada, seus perversos. Ai, ai, querem lá ver? Bom, ele pede mais esclarecimentos sobre o caso, e a exma.sra. vice-reitora responde que o caso "está a ser tratado de acordo com a lei", e perante a insistência de Haochi Kiang, responde...:"está a ser tratado de acordo com a lei". Dessa vez alguém se esqueceu de apagar o fim da cassete e ouviu-se ainda: "depois do segundo sinal, são nove horas, quatro minutos e vinte e cinco segundos, beeeep". Agora antes que pensem que ando a espalhar brasas, como é hábito, gostava de dizer que estas imagens foram retiradas da página do Facebook da Associação de Estudantes da UMAC, onde aliás se pode encontrar mais informação sobre o caso. Quanto a Sylvia Ieong, é mais misteriosa - o costume nestes casos, e só posso assumir que seja uma coincidência que estas "personalidades" envolvidas nestas "polémicas" nunca dêm a cara. Pudera; "tudo de acordo com a lei". Beeep!



Agora cumprindo com a vertente lúdica do Bairro do Oriente, proponho aos leitores um pequeno jogo de "Descubra as diferenças", ou neste caso, "Descubra as semelhanças". Em cima vemos uma foto de família da Associação de Estudantes da UMAC, por alturas da sua eleição, datada de 10 de Outubro, e em baixo uma outra foto com um grupo de elementos da Associação Novo Macau de visita à Assembleia Legislativa, ostentando os famosos laços amarelos que foram o símbolo do movimento "Occupy Central" datada de 18 do mesmo mês. O desafio é encontrar quantas pessoas aparecem nas duas fotografias. Eu contei seis! Será que conseguem fazer melhor?!?! Não tirem daqui segundas leituras, pois isto é apenas um jogo para "desenjoar". (A propósito, enquanto tiraram a fotografia de baixo tiveram que separar Sulu Sou, presidente da ANM, e Ng Kwok Cheong, deputado, que estavam à chapada e ao murro. Enquanto o primeiro exigia o uso da sala da AL reservada aos deputados pela associação, o último dizia ir retirar o apoio financeira à mesma. E as vacas voam, e as galinhas têm dentes).



E lá está Jason Chao acompanhado de Kam Sut Leng, que tem sido a "baby-sitter" da Associação de Estudantes durante estes dias, anunciando que vão fazer história daqui a uma semana, ao inaugurar a série de manifestações na ilha da Montanha, com um protesto junto do campus da UMAC. O motivo era para ser apenas o despedimento do professor Bill Chou, actualmente vice-presidente da ANM, mas "já agora" juntam a isso este caso de assédio sexual, dando assim uma mãozinha a estes jovens estudantes, que como já vimos, "não conhecem de lado nenhum". O presidente dos democratas, Sulu Sou, disse que "apoia a iniciativa" - que generosidade! Ainda há gente caridosa. Ao anunciar a abertura da época de caça activista, Jason Chao falou da necessidade do ensino de algo novo e revolucionário na Universidade: não Educação Sexual, que é uma coisa para bebés e anjinhos, mas “Educação sobre os abusos sexuais”. Tenho curiosidade em saber que cadeiras incluem um eventual curso superior deste tipo. "Canzana na secretária do professor"? "Rapidinha no armário do material"? "Introdução" (só "Introdução", assim mesmo)? Uma ideia a ter em conta.

PS: Já agora gostava de deixar claro que isto é uma sátira, e ao contrário do "Macau Concealers" não é satânica - é só um bocadinha parva. Penso que a maioria já tinha percebido, mas nunca se sabe...

Vídeo da semana



E aí está, acabou-se o que era doce. Ficou resolvido o problema dos táxis em Macau. No momento em que este tanso, este auto-intitulado taxista, fez-se ao "penalty" em frente ao COTAI, assinou a sentença de morte dos seus colegas abusadores, mafiosos, malandros, peçonhentos, e já que estamos numa de atirar pedras à adúltera, satânicos, sidosos e sanguessugas. Que pateta, este marcenário do carro preto, a pensar que podia enganar tudo e todos, ao atirar-se para o chão e ainda dizer que lhe bateram. Pfff...vê-se logo que ninguém o agrediu. Não foi agredido, agrediu-se! Não o suicidaram, suicidou-se! E ainda chamou a polícia. Deve pensar que somos todos parvinhos, e só porque acreditamos no Governo, vamos acreditar naquela "fita". Até parecia um filme português. Agora estão tramados, pá. Aqueles vinte e poucos minutos a buzinar à volta do Venetian foram a marcha fúnebre, o lamento dos danados. Depois da investigação (uma formalidade apenas) vai ser fácil apanhar outra vez um táxi. Basta levantar o braço para ver as horas e param dois ou três à nossa frente .Vai ser tanta a vontade de nos apanhar que até nos levam de Ká-Hó às Portas do Cerco por uma pataca. Nos dias de tufão vêm-nos buscar a casa e ainda nos pagam 400 patacas, para compensar pelas injustiças cometidas pelos malandrins no passado. E quanto a esses, vão acabar no fundo do rio com um pedregulho atado no tornozelo. Amanhã é um novo dia, e no futuro os nossos filhos vão poder andar de táxi com um brilho nos olhos e um sorriso do tamanho do mundo. Obrigado, Capitão América!

Não sou de cá...vim ver a bola



Kenny G, nome artístico de Kenneth Bruce Gorelick, tem 58 anos e ainda acredita no Pai Natal. O instrumentista que nos levou à beira da náusea nos anos 90 com a sua gaita esteve em Hong Kong estes dias em trânsito para Hainan, onde vai ser uma das cabeças de cartaz do torneio internacional de golfe. E uma vez na RAEHK, onde foi ele procurar fãs? Entre os manifestantes do movimento "Occupy Central", onde mais? Os amantes das liberdades e da democracia "made in USA" procuram os seus pares, e além de dar uns autógrafos o gaiteiro ainda aproveitou para tirar umas fotos junto com a malta, e em menos de um nada as imagens apareceram no Twitter, para todo o mundo ver que bonita é a amizade entre os justos. Olha Kenny G, se me estiveres a ouvir, presta atenção: desde o tempo em que vendias muitos discos com música de elevador a gente demasiado preguiçosa para ouvir música decente e espertalhões que punham a tua música quando planeavam dar uma queca (não tinha letra, portanto não distraía), inventaram coisas como o Facebook, o Twitter, o Instagram e mais uma porrada de coisas que reproduzem um peido teu antes de acabares de o dar. Pois, pois, andas aí agarrado à gaita, admiro a tua firmeza de carácter, mas depois não chores. É que agora a China, que como tu sabes é um regime totalitário (sabes porque ouviste falar, viver lá é outra coisa) não achou piada nenhuma à gracinha, e agora ficas a pensar se vale a pena confirmar a reserva do hotel. Quer dizer, que ingenuidade a minha; o receio é que chegues ao "lobby" e digam que "não conhecem nenhum Kenny G", ou que "nunca ouviram falar". E olha que mesmo que não te digam nada, até uma hora antes do concerto podem riscar-te da lista, e ninguém se vai lembrar que o teu nome estava no programa. Mas deixa lá, olha, e espero que eles tenham misericórdia de ti, e como és "kwai-lou", pode ser que te dêm um desconto. Por outro lado...



Estes é que não têm desculpa. Quer dizer, os da imagem têm, um bocadinho, pois da esquerda para a direita temos Denise Ho, Anthony Wong e Chapman To. Os dois primeiros são "gay", o que neste caso não só não justifica nada como ainda piora a situação, e o terceiro foi diagnosticado como obsessivo-compulsivo, o que trocado por miúdos, quer dizer que é maluquinho, e de vez em quando "passa-se". São estes artistas, um grupo de actores e cantores da RAEHK onde estão incluídos ainda alguns nomes mais conceituados, casos de Andy Lau e Chow Yun-Fat, que estão agora com trampa até ao pescoço, depois da Liga da Juventude Chinesa, orgão do Partido Comunista, apelou ao boicote do seu trabalho, desde os filmes, discos e até aos seus blogues, ou seja, ficarão completamente "apagados", tudo porque manifestaram o seu apoio pelo movimento pró-democrata em Hong Kong. O apelo recebeu a aprovação de 200 mil cibernautas, e isto traduz-se em muitos milhões de consumidores, os tipos que compram os discos e vêem os filmes que estes gajos fazem, e por isso as respectivas indústrias dependem do mercado do continente para...sei lá, pagar as contas? Comer, viver? Independentemente dos dígitos nas contas bancárias, que neste tipo de coisas determina o tamanho dos "tomates" de cada um, destes "heróis", dificilmente conseguirão entrar noutro filme ou gravar um ai num CD, e mais valia terem ficado quietos. Afinal querem cantar e representar, ou fingir que pensam pela própria cabecinha? Isto é o que se chama apostar no cavalo errado. Não me levem a mal, a sério, já estou farto de ter esta discussão: não estou a favor do regime, que é responsável por deixar tudo isto acontecer, nem posso ficar do lado de quem pensa que pode usar as massas como "peões" para atingir um fim, e ainda por cima aproveitando-se da sua ingenuidade. Até numa revoluçãozinha como a nossa, o 25 de Abril de 1974, o povo só saíu à rua depois de ter a certeza que não havia um regime com força para os aniquilar. E agora...a China?

A escola (nunca vai acabar)




Já dizia Jorge Palma no seu "A Escola", do álbum Bairro do Amor: "A escola ainda não acabou/ainda há tanta matéria a estudar". Para Madeline Scotto, uma professora de 100 anos natural e residente em Nova Iorque, a escola só vai acabar com o seu último suspiro. Scotto reformou-se oficialmente do ensino há 10 anos, quando tinha 90, devido a problemas auditivos. Mesmo ouvindo mal, decidiu continuar no activo, e três vezes por semana fica na biblioteca da St. Ephrem’s Elementary School, a escola onde estudou até 1928, a dar explicações de Matemática a alunos que estejam mais atrasados na matéria. A professora sente-se no seu sétimo céu, pois nunca deixou de sentir grande afecto pela escola onde estudou, apesar de ter feito a maior parte da sua carreira e ensinar noutras instituições de ensino. Mãe de cinco filhos, já todos aposentados, com nove netos e 16 bisnetos, Scotto começou a dar aulas em 1954, já aos 40 anos, depois de cumprir a sua "recruta" como mãe e dona-de-casa. Ganhou-lhe o gosto, e depois da morte do marido em 1999 nunca mais deixou o ensino, o contacto com os mais pequenos, e nem quer ouvir falar de reforma. Vive num bairro a poucos minutos da escola onde ensina, que manda um funcionário buscá-la todos os dias a casa. Um exemplo de dedicação muito para além do limite da idade.

Anti-social de quatro patas



Robin Herman, de Newton Massachusetts, nos Estados Unidos, é proprietária de um abrigo que se dedica a recolher cães abandonados, e dentro do possível tratar os que se encontram enfermos - em suma, é uma ANIMA lá do sítio, mas com mais apoios e assumidamente dedicada apenas a cães. O abrigo tem o nome de "Lucky Dog", ou "cão sortudo", e um desses sortudos foi Adam, um amigo de quatro patas que foi encontrado com o que indicava ser sarna: sem pêlo e com feridas em várias zonas do corpo. Robin tratou do cão o melhor que sabia, mas apesar de Adam ter adquirido uma aparência mais saudável, persistia o problema da comichão, que o deixava a largar largas quantidades de pêlo e não lhe deixavam restaurar a pele. Tendo usado os melhores champôs, insecticidas e vermífugos, resolveu levá-lo ao veterinário para descobrir a razão da maleita de Adam, e ficou perplexa ao saber que afinal que o problema era...ela própria - o cão é alérgico a humanos. Um caso raro, que até parece uma anedota, ao estilo de quando dizemos que somos "alérgicos a certas pessoas", mas não, nem foi piada do veterinário, nem o cão tem o sentido de ironia, e até está a sofrer sem saber porquê. Acontece que assim como há pessoas alérgicas aos cães, o contrário também é possível de se suceder, mesmo que seja raro. Cada uma das espécies tem bactérias - e nós transportamos sempre bactérias, algumas sem as quais não conseguiriamos viver - que provocam na outra uma reacção alérgica. E o que fazer com Adam, agora que se sabe que o contacto com os humanos é a razão do seu sofrimento? Abandoná-lo de novo? Cremá-lo e fazer sabão com as suas bolsas adiposas? Nada disso! Assim como as pessoas podem tratar a alergia aos cães (contudo muitas preferem não o fazer), os amigos de quatro patas podem ser tratados da sua incompatibilidade com os humanos. E a mesma dedicação que leva Robin Herman a socorrer os canídeos da agressão dos homens sem coração levará também a que Adam possa de novo ter um lar.

1X2 na Champions



Uma vitória, um empate e uma derrota, saldou-se desta forma a participação das equipas portuguesas na Liga dos Campeões, que teve ontem e terça a sua terceira ronda da fase de grupos. O FC Porto foi a única formação lusa ao sair vitoriosa, derrotando no Dragão o Athletic Bilbao por 2-1, com golos de Herrera aos 45 minutos, e Quaresma aos 75, depois de Guillermo Hierro ter feito o empate para os bascos aos 58 minutos. Os dragões estão bem encaminhados para conseguir o apuramento, liderando com 7 pontos contra 5 dos ucranianos do Shaktar Donetsk, que foi à Bielorrússia golear o BATE Borisov por 7-0 (!) com a curiosidade de todos os golos terem sido apontados por jogadores brasileiros, com Luiz Adriano a marcar cinco apenas à sua conta. O BATE soma três pontos e o Athletic Bilbao um ponto apenas.



No Grupo G o Sporting foi a Gelsenkirchen perder com o Schalke 04 por 4-3, numa partida em que os leões se podem queixar da arbitragem muito "caseira". Nani deu vantagem à equipa de Marco Silva aos 16 minutos, mas a expulsão do central Maurício ainda no primeiro tempo complicou as coisas, e os alemães chegaram aos 3-1. Mesmo a jogar com dez o Sporting conseguiu empatar, mas no último minuto um "penalty" mal assinalado ditou a derrota, e o último lugar do grupo com um ponto, contra 7 do Chelsea, que goleou o Maribor por 6-0, e cinco do Schalke. Noutras partidas do dia destaque para a goleada do Bayern por 7-1 no Estádio Olímpico de Roma, a contar para o Grupo E, que deixa os alemães no topo só com vitórias, enquanto que no Grupo F o Paris SG foi ao Chipre vencer o APOEL por 1-0, mantendo a liderança com sete pontos, mais um que o Barcelona que venceu em casa o Ajax por 3-1.



Já ontem o Benfica não foi além de um empate sem golos no Estádio Louis II, complicando bastante o apuramento para a fase seguinte. Os encarnados jogaram os últimos quinze minutos do encontro reduzidos a dez unidades devido à expulsão do central Lisandro Lopez por acumulação de amarelos, e apesar de terem somado o primeiro ponto estão em último lugar do Grupo C, estando praticamente obrigados a vencer os encontros que faltam, em casa contra Monaco e Bayer Leverkusen, e pelo meio na deslocação à Rússia, contra o Zenit. O Leverkusen assumiu a liderança do grupo com seis pontos, depois de derrotar em casa o Zenit por 2-0, seguindo-se o Monaco com 5 e os russos com 4 pontos.



No Grupo C o Real Madrid foi a Liverpool vencer por claros 3-0, não deixando os seus créditos de campeão europeu por mãos alheias. C. Ronaldo marcou o primeiro e o francês Benzema os dois restantes. A equipa merengue lidera com nove pontos, contra 3 dos búlagaros do Ludgorets, que venceram em casa por 1-0 os suíços do Basel, que somam igualmente três pontos, tal como o Liverpool. O finalista vencido e rival da capital espanhola, o Atletico Madrid, goleou os suecos do Malmoe por 5-0, e lidera o grupo A com seis pontos, tantos quantos o Olympiakos, que derrotou na Grécia a Juventus por 1-0. Transalpinos e suecos repartem o último com três pontos. Finalmente no Grupo D o Dortmund foi passear à Turquia, onde venceu facilmente o Galatasaray por 4-0, enquanto o Arsenal foi à Bélgica vencer o Anderlecht por 2-1, e ocupa o 2º lugar com seis pontos. Turcos e belgas estão praticamente de fora da fase seguinte, partilhando o último lugar com um ponto cada.



terça-feira, 21 de outubro de 2014

Édito positivo, é sempre bem feito



Tenho por vezes o hábito de praticar algo que para muitos é considerado "mau", que é aquilo a que chamam de "comentar os comentários". Ora, mas isso é o que toda a gente faz, não é? Ou será a opinião de cada um o seu castelo, e se for esse o caso, para quê divulgá-la? Ou será que as opiniões estão seladas, lacradas e fechadas ao cadeado e não são passíveis de refutação? Se a liberdade deixa as palavras voarem ao vento, é bem possível que venham parar ao meu quintal, e posso escolher varrê-las com as folhas e mandá-las para o lixo, ou levá-las para dentro, e nesse caso tenho ainda a opção de lhes dar uso que achar mais conveniente, ou não? Serão as opiniões exclusivas do seu autor, e como tal protegidas ao abrigo da lei? É que assim desconfio que as duas que pretendo agora analisar já foram feitas por outros, ou pelo menos existe uma forte semelhança, o que já por si é prova da existência de plágio. Bem, entendidos ou nem por isso, vamos ao que interessa. Dois artigos na imprensa em língua portuguesa de Macau merecem a meu ver que se façam algumas observações. Tratando-se de editoriais assinados pelos respectivos directores do jornal em que são publicados, que desde já saúdo, podia exercer o meu direito ao contraditório escrevendo para os mesmos jornais, mas prefiro fazê-lo aqui, que assim só cá vem quem quer, e não é obrigado a deparar com as minhas diatribes enquanto faz as suas leituras de eleição.

O primeiro artigo é do Hoje Macau, da autoria de Carlos Morais José e tem o título de Perigosa Brincadeira, tendo como tema o Festival da Lusofonia, que como se sabe realizou-se até ao último Domingo. Há quem não saiba e confunda o Festival da Lusofonia com o arraial que se realiza entre sexta-feira e Domingo no Largo do Carmo, na Taipa, na zona das casas-museu, mas a realidade é esta: o Festival confunde-se com o arraial e quem ouve falar do primeiro associa imediatamente ao segundo e tudo o que isso acarreta, desde as "jolas" às bifanas, das caipirinhas aos matraquilhos e pelo meio dar um abraço à malta e "ver passar os chineses", citando o autor. Para o director do Hoje isto é "uma desgraça", e por "desgraça" faço uma interpretação simpática de outros epítetos do tipo "palhaçada", "vergonha" ou "humilhação", com a desvalorização do papel histórico de Portugal no que é agora a RAEM, reduzindo-nos a meros saloios, baterias apontadas ao IACM, e o papel de cúmplice para quem aderiu, caindo que nem um patinho no conto do tuga pândego e beberrão.

Pronto, agora que ele já nos deu porrada, vamos ver se saímos disto vivos, pelo menos, e com alguma sorte sem as pernas e os braços partidos. Sem dúvida que Portugal e a herança cultural deixada pelos nossos antepassados é muito mais do que o arraial e de tudo o que CMJ referiu algures pelo meio da artilharia pesada com que arrasou o Festival da Lusofonia. Não vou cometer o atrevimento de chamar a este seu raciocínio desonestidade intelectual simples (nem chega a ser qualificada) pois reconheço como pode ser até uma forma de ginástica mental bastante agradável, querem ver: "mas mostrar o quê afinal? qual ciência, qual cultura e qual história? o melhor é ficar mesmo pelo arraial porque se nos pomos com conversa de chacha ainda vão pensar que queremos que nos comprem a dívida". Estao a ver como é fácil? Mas pronto, independentemente de quem está aqui a tentar ser mais cínico, noto no discurso de CMJ alguma sinceridade, e entendo que alguém como ele, que tanto tem feito pela divulgação da língua e da cultura portuguesa sinta alguma frustração ao ver tudo resumido a um simples arraial. Tudo bem, mas e depois?

Este é um vício antigo que nós temos e que face às características do local onde nos encontramos pode ser isso sim, uma "brincadeira perigosa": portanto, não é assim que se faz bem as coisas, o melhor era não fazer nada. E ainda acabamos por engolir essas palavras, que por estas bandas existe uma tendência para complicar o que é aparentemente simples em alguns casos, e noutros fazer interpretações literais do segundo sentido que se dá às coisas. Haja vontade para levar a cabo tudo e mais alguma coisa que diga respeito à Lusofonia, e pronto, foi tudo uma maravilha, não entremos nessa discussão, mas que mal tem o arraial? É preciso não esquecer que a China não se pela de amores pela glorificação de uma potência estrangeira dentro do seu território, mesmo que seja apenas do seu passado, e que a intenção seja compreender melhor o próprio contexto de onde nos inserimos. O arraial pode não ter o mesmo impacto que a literatura ou a música, mas ainda deixa passar qualquer coisa, dá umas pistas. Das vezes que lá vou com pessoas que não sabem nada sobre Portugal, denoto sempre um misto de surpresa e de respeito quando tomam conhecimento da nossa epopeia expansionista. Para consumo local, para uma população que não aprende a cadeira de Filosofia no secundário e não é estimulada a pensar, um arraial pode servir como aperitivo, e se estiverem interessados podem ir tentar saber mais.

E quanto à natureza rústica do arraial propriamente dito, não entendo o desatino. Portugal é muita coisa e de tudo o que entra na caldeirada o arraial é mais um ingrediente, e não é nada de vergonhoso ou humilhante, tipo romagem a algum santuário para prestar homenagem a criminosos de guerra. Todos os povos têm o seu lado brega, e para isso basta ter um passado; os alemães têm o Oktoberfest, os austríacos têm os tiroleses, e reparem como o príncipe Carlos usa um "kilt" (vulgo saia) em certas cerimónias oficiais - não se pense que achou que lhe ficava bem com o chapéu e resolveu sair assim de casa nesse dia. Acho que é mais fácil para mim ser português e digerir um arraial ou outro aspecto cultural mais populucho do que se fosse turco e tivesse que brigar na lama semi-nu com outro homem em nome da "tradição". E mais: é verdade, estamos na China! O melhor é ficar por aí, que podia entusiasmar-me e ser desagradável. Já agora, juntemos a isto o facto de não ser nada producente andar constantemente a rebaixar o que se tem, apenas para lamentar o que não se tem.

E na mesma tónica que nos leva a tabelar as coisas por baixo, mas com uma mensagem ligeiramente diferente ,do tipo "mesmo que não seja óptimo ou sequer bom, é melhor que nada", temos o editorial de Sérgio Terra no Jornal Tribuna de Macau. Em primeiro lugar saudações ao autor, que no fundo não diz nenhuma mentira, mas deixa-me meio desconfiado, como quem olha pela janela e vê um linda dia de sol mas instistem para que saia de casa com o guarda-chuva. Com o título Não vale tudo, o editorial tem um papel vincadamente didático, ao estilo do "modo de usar" que lemos nas parte de trás de certos medicamentos ou outras coisas que não temos por hábito comprar, como armadilhas para os ratos e baratas, mas aplicado a um direito fundamental, neste caso o da liberdade de expressão. Não entendo o teor de artigo de outra forma que não o de uma eventual réplica em Macau do movimento "Occupy Central", esse engodo que vai para a lista dos "case-studies" regionais que nos deixam saber mais um pouco sobre o que vai na cabeça desta gente. Mas neste caso eu acho que é mais prejudicial do que benéfico levantar esta questão, e explico já porquê.

Uma das diferenças que notei entre a administração portuguesa e a actual após 1999 foi a mudança na forma como se encaram os direitos, mormente como e em que circunstâncias podemos activá-los em nossa defesa ou proveito. Quem tem contacto com a máquina burocrática ou não consegue evitar ser também uma peça dessa mesma máquina repara certamente que a forma com que os chineses entendem a justiça é pelo lado preventivo: é melhor prevenir do que deixar acontecer e depois decidir se há ou não infracção da parte do agente. No caso de Macau esta opção terá sido feita mais com receio de não conseguir dar resposta a certas situações que requerem mais experiência ou que obrigam a uma sustentação de base literária, reflexão com recurso a consultas diversas oiu a analogias de casos idênticos, enfim, tudo o que requer tempo e se puxe pela cabeça. Isto leva a que se negue o acesso a diversas valências, que mesmo não tendo importância no que toca ao exercício das liberdades, limitam os movimentos e podem dificultar o cumprimento de certas tarefas, e se há algo em que estes tipos têm muita imaginação é na dedução que fazem de certas atitudes ou comportamentos - e ainda justificam isto com uma falsa preocupação, em nome da nossa "protecção e segurança". Enfim, uma tristeza. E foi mesmo a parte em que o Sérgio Terra fala de "segurança" que me deixa a entender que o subjacente é uma hipotética imitação das manifestações que deixaram Hong Kong em suspenso durante as últimas semanas.

Não acredito que em Macau se vá em frente com uma iniciativa semelhante à de Hong Kong, e por duas razões: primeiro porque não produziu o efeito desejado, e não fazia sentido importá-la para aqui, e segundo porque os democratas, por muitos defeitos que tenham, têm a virtude de aprender com os erros. Agora os outros, bem, para bom entendedor, etc.. No entanto reconheço-lhes o direito de se manifestarem, tanto a eles quanto a outra pessoa qualquer, e nem se põe a questão de ser dentro dos limites da lei - qualquer um sabe disso. O pior é o que se entende por "limites", e ali o director do JTM toca na ferida ao mencionar duas palavras que podem querer dizer mil coisas: "segurança" e "caprichos". Ainda penso que vivemos num ambiente de respeito pelo primado da lei, mas depois desse teste à eficácia do sistema e à competência das autoridades que foi o referendo civil, passei a desconfiar um pouco. Quer dizer, é improvável que a polícia vá andar atrás de avózinhas, virgens e outra gente insuspeita, mas fiquei com a ideia de que se pode deter alguém, mantê-lo na esquadra um dia inteiro e depois mandá-lo para casa sem dar explicações de espécie alguma, e tudo em nome da "segurança". Quanto a isto dos caprichos, é claro que não basta dizer que não se gostou do que alguém disse para agir judicialmente contra essa pessoa, mas há portas e travessas por onde se pode lá chegar. Se somos amantes da liberdade e defensores de uma lei igual para todos, é preciso encarar o Direito na sua vertente positiva: sentir que estamos seguros, conscientes dos deveres, mas sem estar olhar por cima do ombro com receio de nos faltar o chão onde por os pés, com medo de errar ou ser induzido em erro. E é só, obrigado, e desculpem qualquer coisinha.

Desalinhados



No Sábado passado foi criada em Toronto, no Canadá, a "International Macanese Alliance", uma aliança que congrega dez casas de Macau, a maioria delas dos Estados Unidos e Canadá. A inicitativa terá partido do “Amigu di Macau Club”, presidido por José Cordeiro, e pelo investigador macaense Roy Eric Xavier, professor na Universidade de Berkeley, na Califórnia, e que há cerca de dois anos apresentou um estudo que estimava em "cerca de 150 mil", o número de macaenses da diáspora, espalhados na sua quase totalidade por dez países. A Aliança aparece à revelia do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), que oficialmente serve de elo de ligação entre muitas casas de Macau em todo o mundo, e cujo seu presidente José Luís Marques já veio criticar a iniciativa. Segundo Roy Xavier a ideia é "concretizar projectos que nunca foram apoiados pelo CCM", que o investigador considera "estar deslocado" da diáspora. Das dez associações que formam a aliança cinco são dos Estados Unidos e três do Canadá, e dessas apenas duas são membros do CCM. Das outras duas fora do continente americano pouco se sabe; há uma "International Portugal-China North American Association of Macau", supostamente sediada em Portugal, mas da qual basta fazer uma simples pesquisa na net para se perceber que vem do "nada". De Macau há uma "Associação de Promoção da Cultura de Arte e Economia entre a China e os Países Lusófonos”, também desconhecida, mas que poderá ter o dedo do deputado José Pereira Coutinho e da secretária-geral adjunta do Fórum Macau, Rita Santos. Algumas das associações que compõem esta aliança viram recusada a sua entrada como membros da CCM em Dezembro último, por altura do Encontro das Comunidades Macaenses, o que pode explicar muita coisa, mas por enquanto Roy Xavier desvaloriza qualquer eventual polémica e fala do interesse de "pelo menos mais cinco associações" da diáspora macaense em juntar-se à IMA.

Este é um assunto que não é fácil abordar sem mexer com algumas sensibilidades, e não vou sequer pela via do "quem é quem", ou do "qual é o quê", porque conheço muito pouco ou mesmo nada das comunidades macaenses no exterior, e se de facto, como defende Roy Xavier, existem 150 mil macaenses espalhados pelo mundo, o tal encontro que se realiza em Macau agora com mais frequência é apenas residual, e não diz muito do que é a diáspora no seu todo - não deixa de ser encantador, entenda-se. Cada vez que me é dado a saber qualquer coisa sobre as casas de Macau, fico impressionado com a união que existe entre os seus elementos. Duas delas de que me recordo ter sido dado destaque na televisão são a de Lisboa e a de S. Paulo, e nesta última notei não só a capacidade de recriar um ambiente ainda mais macaense do que em Macau, como a forte presença de algumas características que já se perderam ou que se vão perdendo aqui no território. Se pensam que estou a exagerar, convido-vos a verem o canal do YouTube de Francisco António, presidente da Casa de Macau em S. Paulo. A tal questão da identidade macaense, um tema que dificilmente se esgotará e que é passível das mais diversas leituras, ganha uma nova luz perante a forma como os macaenses da diáspora encaram esse sentimento de pertença, não a Macau, mas à sua própria herança cultural e genética. É impossível pegar na questão e elevá-la a uma perspectiva científica, pois é possível que no caso de se poder quantificar a identidade, encontrássemos casos em que alguém que nunca esteve em Macau seja "mais macaense" que outro nascido no território e correspondendo às características tidas como mais comuns para identificar essa origem: o sangue português e chinês, a cultura oriental com forte influência lusitana. Não é para admirar que sejam uma gente que sente muito o seu ser, pois deriva de duas culturas que dificilmente abandonam a sua matriz inicial., onde quer que se encontrem. Sendo esta é uma qualidade do tamanho do mundo, Macau adquire um estatuto simbólico, e nascer em Macau pesa pouco numa eventual definição dessa identidade.

Agora permitam-me meter os meus "fai-chis" no lacassá alheio, mas fico sempre com a impressão de que das inúmeras comunidades macaenses no mundo, a de Macau é que tem mais dificuldades em se afirmar, e isto tem uma razão de ser. Passo a elaborar a partir desta afirmação, mas peço que tenham sempre em conta que é apenas a minha opinião, mas mesmo valendo o que vale há pontos em que as opiniões são unânimes. A razão de raíz que leva a uma certa timidez por parte da comunidade local é talvez a mesma que levou à existência da diáspora: o estatuto de Macau, e a permanente incerteza quando ao seu futuro. Isto levou a que se dessem os grandes movimentos migratórios para as Américas e Hong Kong nos anos 60 e 70, mais tarde a Austrália começou a ser outro destino de eleição, talvez mais conveniente em termos geográficos, e depois Portugal foi o destino de muitos que optaram pela integração na altura da transferência de soberania para a China. Nos últimos cem anos os macaenses estiveram sempre na posição privilegiada de elo de ligação entre a potência soberana, Portugal, e a etnia dominante, a chinesa, mas apesar da vida ter sido menos dura para eles que do que para os restantes naturais de Macau, nunca beneficiaram de um período de estabilidade aliado à prosperidade económica que fizesse emergir da sua elite um grupo que aspirasse a um lugar específico no contexto do território, e que aspirassem a uma maior autonomia, ou a formar uma terceira parte que pudesse negociar o seu próprio futuro. Basicamente estiveram do lado dos portugueses até 1999, considerando-se muitos deles "portugueses" de identidade e mais nada, e os que optaram em ficar precisaram de se adaptar, e aqui é que eu penso que reside o principal problema que leva uma certa cisão entre os macaenses de Macau e da diáspora: os daqui tentam agradar demasiado, como se precisassem de um favor para ficar na terra que os viu nascer, e em muitos casos onde nasceram também os seus pais e avós, e caso demonstrem ficar numa posição de antagonismo com o poder, arriscam-se ao ostracismo e remetidos a um zero existencial. Foi também esse o pensamento que levou a que muitos abandonassem o território, e entre esses há quem tenha mudado de ideias e regressado.

E é esse mesmo o ingrediente que tem faltado à comunidade macaense, o da afirmação plena. Desfazem-se em cortesia e em salamaleques com o poder, não se atrevem a discutir ou a debater os temas de Macau, que aqui é o equivalente a "colocar-se num lugar de extrema oposição", e assimilaram o estranho conceito de que recusar a integração total na China significa desaparecer, ao que leva ao paradoxo das novas gerações terem um nome português e não saberem dizer uma frase na língua de Camões. Por muito que os chineses apreciem o esforço, a sua natureza etnocentrista nunca os considerará iguais a eles - e isto sem querer fazer qualquer juízo; é assim e é assim, pronto. A juntar a esta reverência excessiva há depois o habitual elitismo, factor inato de desagregação, e uma certa sede de protagonismo. Nada impede os macaenses de se afirmarem como aquilo que são, mas o que os leva a pensar que não têm os mesmos direitos e deveres do resto dos residentes ao ponto de ser necessário "correr por fora", optando ora por agradar a todo o custo, ou quedar-se pelo anonimato, numa postura de quase invisibilidade? E desse modo, que sentido faz a que insistam em ter uma palavra a dizer nos centros de decisão politica? São livres de o fazer, claro, mas se a atitude é de ora estrita cooperação com o poder, ora de silêncio, só se pode entender nisto um exercício de vaidade e de benefício em causa própria. Mesmo a única via que encontraram para chamar a si alguma representatividade causou mais uma rotura (falo da ATFPM e de José Pereira Coutinho, lógico), e a impressão que fica é que cada um tem uma ideia muito própria do que deve ser a comunidade, e um visão estritamente pessoal do todo. Quem não conheça a realidade poderá ficar com a noção de que existe aqui um défice democrático, mas eu chamar-lhe-ia antes rigidez de princípios. Não é bem uma cegueira, mas antes uma miopia grave.

E só assim se explica o excesso de associações disto e daquilo, pois para alguns egos nenhuma associação que não os tenha como elemento dirigente, é uma associação que não serve "os interesses de todos". Justificava-se apenas as associações de cariz cultural mais específico, casos da Confraria da Gastronomia Macaense, e dos Doçi Papiaçam di Macau, neste caso um grupo, mas assim junta-se a Associação dos Macaenses, representa-se toda a gente dentro dos limites daquilo que a comunidade representa, e já está. É que a vantagem das comunidades macaenses ultramarinas é o facto de estarem integrados no país de acolhimento, e partindo daí expressarem a sua vertente cultural "inter pares", sem precisarem de andar a pedir favores a ninguém. Aqui onde existe ainda a vantagem de não ser preciso adaptar-se a coisa nenhuma, ora se procura uma "brecha" entre o poder onde se possa anichar, ou se faz o papel de "índio", apelando de braços abertos à preservação dos aspectos culturais - e é aí que se estabelece a relação com a comunidade portuguesa em geral: há aqueles que os acham "muito giros", e os outros que os desprezam. Os chineses desvalorizam tudo isto, na melhor das hipóteses toleram as pretensões, desde que não interfira com as directivas, enquanto as comunidades na diáspora, dotadas de horizontes mais largos que os levam as coisas de uma perspectiva mais global,  viram-lhes as costas. Mas por que não ser residente de Macau em primeiro lugar, e então depois macaense? É exactamente o que eu faço, o que muitas vezes leva a que se entenda que sirvo de "um grão de areia na engrenagem" - mas do quê, exactamente, se os discursos oficiais dizem que eu não sou mais nem menos que o meu vizinho do lado ou dos meus colegas do trabalho? Sim, sou português na hora em que isso é pertinente, e não será concerteza para obter vantagens ou escusar-me das obrigações. Há sem dúvida uma falta de estratégia, e a criação desta aliança faz mais do que transmitir uma mensagem: dá o alerta. A comunidade só se vai extinguir por culpa própria, por mais boa vontade que exista de qualquer uma das partes externas a este "conflito interno". Outra vez, isto é só uma opinião, e nem pretende ser uma tentativa de diagnóstico. Cabe só a vocês reflectir e fazer o que entenderem melhor. Mas vejam lá se desta vez o fazem juntos, e puxam para o mesmo lado.