sábado, 4 de abril de 2015

Porta que partiu!


Um homem em Gaza sente-se enganado depois de ter sido induzido a vender uma porta ao preço de uma...porta? Conta-se assim: Rabea Darduza, um residente da Faixa de Gaza ficou a sua casa destruída durante um bombardeamento aéreo (coisa normal por aqueles lados) no Verão passado, e tudo o que ficou de pé foi a entrada, completa com a respectiva porta. Sendo isto normalmente o mesmo que nada, mais tarde o homem vendeu a porta por 175 dólares (1500 patacas) para poder alimentar os seus seis filhos - faz todo o sentido, pois ter porta de casa sem casa para entrar é que não parece muito certo. Acontece que agora Darduza descobriu que a porta valia uma pequena fortuna, pois estava decorada com um "graffiti" do famoso artista urbano Banksy, que durante a visita à região em Fevereiro passado deixou várias mensagens políticas, um pouco por toda a parte, inclusivé portas de casas em ruínas - nesta deixou uma deusa grega. Assim durante meses o pobre homem ficou com um tesouro em frente do seu nariz sem saber, até que alguém ofereceu-se para lhe comprar a porta. Agora vejam só se isto não é burrice: tudo bem, o senhor não tem casa, portanto não tem uma sala onde poderia saber pela televisão quem é Banksy, ou o que é um "graffiti", mas raios me partam se não dá para desconfiar quando alguém se dispõe a dar dinheiro por uma porta, que ainda por cima ao contrário das portas comuns, tinha um desenho lá pintado. Sei lá, se calhar em Gaza o barulho das explosões atrapalhe o raciocínio, mas talvez, ó talvez, o indivíduo estivesse interessado não na parva da porta, mas no desenho lá gravado. Se calhar os filhos do senhor tinham muita fome, coitadinhos, e mais famintos ficaram quando alguém lhes quis comprar uma porta. Antes disso nem lhe ocorreu vender aquilo que agora, e sabendo do seu valor, diz ser "tudo o que tinha". E diz muito bem, "tinha", pois o comprador vai agora exibir a obra de arte (não a porta, que raio), e apesar dos apelos de Darduza não desfaz o negócio, pois "não enganou ninguém". E tem toda a razão, e se fosse devolver a porta ao papalvo, esta ia vendê-la "pelo dobro" dos 175 dólares que recebeu inicialmente, e ainda ficava todo contente, o palermóide. Estúpido que nem uma...porta!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Vêm aí...os pandas!


António Costa, o chinê$


O caso tem sido comentado nas redes sociais nas últimas semanas e começa finalmente a chegar à imprensa: António Costa comporta-se como se as eleições legislativas de Setembro já se tivessem realizado, o PS ganho, e ele empossado como primeiro-ministro. A certeza da vitória "chuchalista" é tanta, que Costa já abandonou cargo de Presidente da Câmara de Lisboa, depois de ter garantido aquando da sua eleição como secretário-geral do PS que fazia planos de ocupar até às legislativas deste ano - começa bem, em matéria de coerência. Alguma imprensa pró-PS interpretou este passo como uma "preocupação" por parte de Costa com as sondagens que apontavam para uma percentagem nas intenções de voto "aquém das expectativas", e que a sua bonita figura faria com que os eleitores se apaixonassem e fossem a correr votar no PS. A vitória rotunda do PSD na Madeira nas eleições regionais do fim-de-semana passado é um facto que nunca serve de barómetro ao continente, e não são por isso motivo de preocupação para o PS - não tanto como o caso Sócrates, pois não dá mesmo jeito nenhum que o último secretário-geral vencedor de umas legislativas se encontre em prisão preventiva, suspeito de crimes que nada abonam na hora de convencer os indecisos. Mesmo assim o PS não tem uma vitória por antecipação desta dimensão desde que o "Chechas" venceu as presidenciais de 1991, que o habilitaram a segundo saque mandato, e pode-se apontar a gatunice cleptocrática alternância democrática, que leva a que PS e PSD façam turnos na expoliação governação do país - neste ora agora mamas governas tu, ora agora roubo governo eu, chegou a vez dos "chuchalistas" chegarem ao poleiro a S. Bento, dando-se a já habitual (e dispendiosa, convém lembrar) mudança dos "boys" chefes de gabinete. Fala-se de uma "visita secreta" do líder "chuchalista" à China, onde estabeleceria contactos ao mais alto nível, e apresentada uma agenda das futuras relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, feita com base na possibilidade mais que realista de um Governo PS no poder, e com António Costa como número um desse Governo.


O "namoro" de António Costa com a China começou a tornar-se público em Fevereiro, por alturas do Ano Novo chinês, tendo ficado na altura célebre a sua "gaffe", quando num jantar no Casino da Póvoa e perante uma plateia de chineses residentes em Portugal, entre os quais alguns empresários, disse que o país "está melhor do que há quatro anos" - faltou qualquer coisa ali no meio, com toda a certeza. Mesmo assim nem isto impediu que o secretário-geral do PS fosse declarado «Personalidade do Ano» de 2014, pela Liga dos Chineses em Portugal. Antes disso, a 13 de Fevereiro foi apresentar cumprimentos ao embaixador da China em Portugal, Huang Songfu, um gesto que mereceu nota de destaque na página da própria embaixada. Entretanto os rumores que davam conta de uma visita "particular" de Costa à China foram ganhando força, com a sua divulgação nas redes sociais, com o "leak" a partir da oposição suscitando reacções fortes da parte de simpatizantes do PS, que viram nisto um eventual perigo: que a opinião pública fizesse uma leitura pouco abonatória das intenções de António Costa, que são aquelas que se sabem, e que nem é preciso ser um génio para lá chegar: pedir financiamento para a campanha eleitoral, e prometer em troca contrapartidas diversas, como sejam prioridade em investimentos ou em outras áreas estratégicas e lucrativas. Entretanto o Hoje Macau mencionou a possibilidade desta visita na sua edição do dia 26 de Março, sem que lhe fossem adiantados quaisquer detalhes - continuava o secretismo à volta do que nunca foi segredo. A verdade é que na comitiva de António Costa constam os nomes de empresários ligados aos ramos das obras públicas, dos transportes ou da energia, que não são propriamente pessoas que percam tempo com apresentações de cumprimentos e visitas de cortesia.


No dia 31 de Março o semanário "O Diabo" abre o jogo, fazendo um apanhado do plano de António Costa e do PS, dando ênfase ao secretismo da visita à China, de que António Costa inicialmente fez tabu, cingindo-se a adiantar que "só sabia que era a Pequim", mas que "não existia ainda um programa delineado". O então edil da capital portuguesa fez estas declarações ao novel "Diário de Todos", abrindo a "caça ao motivo" - e não é para menos, pois não se trata (ainda) de um Chefe de Estado, mesmo que agora se saiba que é assim que se pretende apresentar aos dirigentes do Governo de Pequim. O desenvolvimento mais recente prende-se com a súbita ausência, podemos mesmo chamar-lhe "desaparecimento" de António Costa, que poderá mesmo ter aproveitado os feriados da Páscoa para realizar a famigerada visita. Estranhou-se a sua ausência na apresentação dos pêsames pelo falecimento de Manoel de Oliveira, tendo essa função ficado a cargo de Inês de Medeiros. Pode ser que haja quem associe a ligação da deputada à pessoa do realizador ontem desaparecido aos 106 anos, mas seria ingenuidade pensar-se que o secretário-geral do PS se absteria de dar a cara num momento de tanta solenidade - será que foi já a caminho de terras do Oriente que António Costa soube da notícia? O Hoje Macau referiu na "caixa" do dia 26 que Macau não estaria incluído nesta digressão-relâmpago, mas há indicadores de que a RAEM faz parte dos planos de Costa, e que seria aqui que faria o arranque não-oficial da campanha do PS com vista às legislativas deste ano. Alguém sabe? Alguém confirma ou desmente? Em caso afirmativo, termino com um "justifique a resposta dada", ao jeito dos testes de avaliação que se fazem na escola.


Ultima hora: Carlos César substitui António  Costa à última da hora na missão de ir vender o resto da EDP e restante património público à China. O secretário-geral do PS cancelou a deslocação por motivos de nhufa agenda. Same, same, but different.

Big Brother is f***ing you


Quando alguém que rasteja na lama vos diz que "não sabe como isto aconteceu", ou "como foi ali parar", o mais provável é que esteja a mentir, e quer apenas a vossa peninha, um "oh coitadinho", e já agora uns trocados para ir apanhar outro "pifo". É o exemplo desta criatura, um tal Peter Bennett, que há 9 anos era uma das personalidades mais mediáticas do Reino Unido, uma máquina de fazer dinheiro em potência, e hoje é um sem abrigo que depende da misericórdia alheia para poder dormir num qualquer canto da sala, ou com alguma sorte no sofá. A ascensão e queda de Bennett tem uma razão de ser, e que é comum a muitos casos do seu tipo nos tempos que correm: os "reality shows", e neste caso o maior (e pior) de todos eles, o "Big Brother". O mesmo tipo que esteve recentemente no programa de Jeremy Kylem na ITV Network, a contar detalhes da sua ascensão e queda, e depois outra queda, e a seguir mais uma, e em suma, este rapaz agora com 33 anos deu um novo sentido à expressão "do chão não passa" - nós é que não vemos o que está debaixo do chão, e quantas vezes mais se pode voltar e cair, a até que profundeza isso nos pode levar.

Este fenómeno da popularidade da popularidade meteórica trazida por "Big Brothers" e afins explica-se exactamente dessa forma - é como um meteorito: passa a alta velocidade, irradia luz, toda a gente olha, depois apaga-se, cai, e passado uns dias mais ninguém se lembra dele. Mesmo em Portugal tivemos o exemplo do tal Zé Maria, que para começar é um nome parvo para uma potencial celebridade (os "Zé Maria" que me desculpem, não me referia a vocês, pessoas comuns, mas sim às pretensas celebridades com o nome Zé Maria), o primeiro vencedor do "Big Brother", que depois do segundo vencedor ocupar o seu lugar no pódio improvisado da fama temporária das pessoas sem qualquer talento, entrou em depressão, tentou o suicídio (até nisso fracassou, o pateta), e pronto, até desconfio que sem poder exibir as suas macacadas na TV, tentou chamar a atenção dessa forma, rebaixando-se até ao ponto de cessar a sua existência para continuar à tona das revistas da especialidade. Até aposto que a "depressão" dele coincidiu com o momento em que começou a deixar de receber convites para festas do "jet-set" e outros eventos sociais. É um mundo cruel, esse, que mastiga as pessoas e as deita fora quando acaba o sabor, metáfora que o grupo de "rock" Táxi celebrizou no tema "Chiclets". Ora aí está, é isso mesmo que a canção queria dizer.

Agora este Bennett podia muito bem ter-se retirado graciosamente com a chinga de lana (calão mexicano para "pipa de massa") que fez com a sua participação no "reality show", qualquer coisa na ordem do meio milhão de libras, e isto só do prémio e de uma sessão fotográfica para uma revista de "showbiz" que ficou célebre na altura pelo elevado "cachet" que o modelo (ele, portanto) auferiu. Em vez disso Bennett resolveu ser "igual a si próprio", e o quer isto dizer? Simples, as pessoas votaram nele não por ser um erudito e ecléctico intelectual, adepto da reciclagem que chora quando morre um golfinho e com uma higiene tão cuidada que quando sua cheira a "eternity for man" de Calvin Klein, mas por ser um boca-de-trapos, um fala-barato que diz o que lhe vai na cabeça (e era melhor se não dissesse) e pontua as frases com caralhadas de toda a espécie. A sua queda para a vulgaridade e o discurso carregado de obscenidades deve-se, segundo o próprio, ao síndrome de Tourette, uma desculpa que os boçais encontraram para poderem ser ordinários à vontade e ainda esperar que os outros sintam pena deles. Nada a ver portanto com o facto de se ter viciado em ketamina há 15 anos, um hábito que só recentemente viria a deixar, como confessou no programa de Kylem. Os espasmos nervosos, o comportamento errático, a queda para dizer só disparates, tudo isso se deve a uma condição médica, o síndrome de Tourette, e não aos efeitos de um tranquilizante para cavalos que usado para fins recreativos provoca...isso tudo, exactamente! Coitadinho...

Portanto não é difícil imaginar o que fez Bennett com o dinheiro que angariou durante os seus 15 minutos de fama que por acaso duraram meses: estoirou-o em droga e em excessos próprios de quem pensa que o dinheiro nunca vai acabar, e se isso acontecer é só aparecer, e pimba, pagam-lhe só por ele existir - de tudo o que comprou com o dinheiro que obteve com as suas macacadas certamente que não constava um espelho. E não se pense que a decadência foi assim tão rápida, ou que não lhe foi dada outra oportunidade. É que pouco depois de vencer o "Big Brother" em 2006, Bennett iniciou uma carreira musical e tentou outros subterfúgios para se manter à tona do mar do sucesso, mas seria quando começou a tomar drogas psicadélicas que se viria a afundar. Na entrevista conta que o consumo de ácidos e outras drogas que em pessoas normais surtem efeitos nefastos, e no caso dele, que já era tantã, ainda foi pior, deveu-se "à morte de alguns amigos" (?). Estranho, para alguém que tem pouco mais de 30 anos, mas Bennett deu o exemplo de um amigo íntimo que morreu electrocutado numa linha de comboio "mesmo à frente dos seus olhos". Ora lá está, essa deve ter sido uma experiência fascinante, e não fosse pela morte que as descargas eléctricas induzem, inclusivamente chegando a cozer as vísceras, o amigo sempre se podia desculpar com "epilepsia" para justificar aquele comportamento. Tenho a certeza que esteja onde estiver, vai apreciar a homenagem que Bennett lhe prestou, submetendo-se a este calvário.


Apresento-vos agora a antítese: Aisleyne Horgan Wallace, que é o exacto oposto de tudo aquilo que Peter Bennett representa. Aisleyne foi educada numa família de Testemunhas de Jeová, estudou nos colégios mais conceituados e tirou o curso de "design" no London College of Fashion, e é actualmente desenhadora de moda, modelo, colonista, actriz, gente de bem e cheia de nota, tanta que nem sabe quanto, até porque nem precisa de gastá-la, tal é a rapidez com que as passadeiras vermelhas surgem onde ela aparece, e as portas se abrem à sua chegada. Em comum com Bennett tem o facto de ter participado na mesma edição do "Big Brother", tendo-se classificado no 3º lugar. E o que tem ela que ele não tem? Bem, educação, juízo, saber-estar, e sobretudo talento, muito talento, como podem verificar na imagem. E um talento muito natural também; tão natural é o seu talento quanto de morangos há no "strawberry milkshake" do McDonald's. A diferença é que usou o "Big Brother" para se projectar, para se dar a conhecer, e não ficou à espera de fazer carreira com isso. Se calhar nem se orgulha de ter participado naquela cagada, sendo que se trata (mesmo) de uma rapariga inteligente. Sobre a entrevista onde o vagabundo do ex-colega se confessa e lamenta, Aisleyne diz que "fica contente por saber que ele procurou ajuda para o seu problema", e que por vezes "temos que bater no fundo para então daí recomeçar de novo". E o que queriam que ela dissesse? Que se está a marimbar para o tipo, e que na choldra há outros com muito mais qualidades que ele? Só estaria a pecar por excesso de sinceridade, enfim...

A gravidade é grave, a inércia deixa-me inerte



Aconteceu (como não podia deixar de ser) nos Estados Unidos: Um professor de Física faz uma demonstração aos seus alunos sobre o princípio da inércia, e usa um voluntário que depois atinge nos testículos com um machado. Ora essa, está certo que o professor não bate bem, como qualquer "average american" que se preze, mas quem mandou ao parvalhão do puto acreditar nas "leis da Física"? Dez avé-marias e seis pais-nossos, já!

Hoje uma foto, amanhã o vício


É oficial: estamos em plena era do politicamente correcto e do incrivelmente estúpido. Billy Spears, um texano de 47 anos que ganha a vida como agente do Departamento de Segurança Pública e Transportes em Austin, tirou esta imagem ao lado de Snoop Dogg, controverso "rapper" que não bate lá muito bem, a pedido do último, que a publicou na rede social "Instagram" com a legenda "Me n my deputy dogg", que não se traduz, mas digamos que é um tratamento "simpático". Ao verem a imagem, os seus superiores não gostaram mesmo nada (inveja?) e emitiram uma nota de censura a Spears, onde ainda se recomendava que fosse seguido por um supervisor devido a "deficiências no desempenho do dever". Razão? O artista "é referenciado por vários crimes de posse de substâncias ilícitas, dos quais alguns resultaram em condenação e pena". Claro que para o pobre Spears, que segundo afirmou o seu advogado "desconhecia a identidade do cantor" (e eu acredito, agora se fosse o Willie Nelson...) isto não é nenhum comenda nem um louvor, mas para se escusarem a fornecer mais explicações, os seus superiores usaram uma advertência que não requer procedimento disciplinar, e por isso têm o direito de não se pronunciar sobre o assunto. Por este caminho, qualquer dia temos mesmo que pedir o certificado de registo criminal a cada pessoa que venha connosco num elevador, num autocarro, ou na sala de espera do consultório do dentista. Faz todo o sentido: hoje a tirar fotografias com o "ganzado" do Snoop, amanhã a roubar velhinhas por esticão para alimentar o vício. Os estudos comprovam esta relação com quase 100% de fiabilidade! Qual estudo? Um estudo, não interessa, e tenho não dizer qual por não se tratar de procedimento disciplinar. Ora toma!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bem tirada


Enquanto a página electrónica do Hoje Macau não regressa em todo o seu esplendor, deixo-vos com o artigo da semana passada em versão PDF (virem até à página 20), ou se tiverem muita preguiça de o fazer, podem ler aqui a transcrição completa, que asseguro ser fiel à do jornal. Um feliz feriado de sexta-feira santa e uma boa Páscoa, ou como se diz por estas bandas. "chupa ovo!".

Um ex-colega meu, chinês natural de Macau, falava-me de quando em vez de algumas experiências que teve durante uma estadia de seis meses em Portugal, onde tirou um curso de Língua Portuguesa através de um desses intercâmbios que por alturas da transição apareciam dia sim, dia não. Uma das coisas que mais o surpreendeu durante a estadia no nosso país (que diz ter adorado) foi a facilidade com os portugueses mandavam para trás uma “bica” que considerassem estar “mal tirada”. Não sendo ele um aficionado da nossa versão do café Expresso, ou qualquer outra, olhava para esta cena numa perspectiva económica, e ficava a matutar em como era possível que um estabelecimento comercial colocasse a satisfação do consumidor à frente do seu lucro – não generalizando, é claro, mas temos a noção de que fazer o mesmo em Macau era considerado como uma ousadia, um ultraje. “O senhor está a gozar comigo ou quê? Se quer outro, paga!”. E pouco lhes importa se acabou o primeiro que pediu, ou se não o fez por ser intragável, e a única maneira de lhe darem razão era se tiver um insecto a boiar na chávena. E ainda era olhado com desdém, possivelmente sem um “obrigado, volte sempre” na hora de pagar e sair.

Pode-se dizer que para nós, portugueses, a “bica” é um bem de primeira necessidade, tanto ou mais que o pão ou o leite. De acordo com números referentes ao ano de 2012, cada português bebia em média 2,5 “bicas” por dia, o que equivale a milhões de doses diárias, portanto pouco importa que não entrem em caixa os trocados de uma ou duas delas mal tiradas. Em Portugal quando se trata da “bica”, o cliente tem sempre razão, mesmo que continuemos a primar pela cordialidade e pelo bom senso, preferindo não insistir quando é notório que se está a “chover no molhado”. Por isso dificilmente se vê alguém a mandar para trás duas bicas de seguida – mesmo que a segunda esteja ainda pior que a primeira. Pode ser que se confunda este comportamento com resignação, ou mesmo falta de coragem de se impor com firmeza no momento de exigir um produto com qualidade, mas aqui a situação requer uma espécie de ponderação, da racionalização daquilo que o lado mais primitivista do nosso ego poderá interpretar como uma afronta à dignidade.

Após uma primeira reflexão, podemos concluir que a “bica“ mal tirada que foi posta à nossa e nos parece estar a chamar de “frouxo” alto e bom som, convidando a um acto irreflectido de revolta com recurso à barbárie tem afinal uma outra razão de ser. Pode ser apenas defeito da máquina, e se for esse o problema com toda a certeza que será detectado e resolvido a tempo de salvaguardar o bom nome daquele estabelecimento. Pode ser ainda devido à inexperiência do empregado, que ainda não está habituado a tirar “bicas”, ou ainda não domina a técnica. Talvez seja músico por vocação e e entenda mais de orgãos da Korg do que de máquinas de café da La Cimbali. Quem sabe se não queria estar ali a servir-nos a nós, que não conhece de lado nenhum, tratando-nos com uma deferência que não nos deve, e que nem consegue demonstrar condignamente, pois não está para aí virado. Se calhar a mãe é viúva e vive de uma pensão miserável, e está urgente necessitada de uma operação da qual depende a própria vida. E tantas vezes tudo que temos para lhe dizer são inanidades do tipo “ó maçarico, é assim que se tira uma bica?” ou “pedi uma italiana e trazes-me esta banheira? Olha que já tomei banho hoje”.

No fim número de oportunidades que se dá um estabelecimento que desrespeite este ritual que mantém a maior parte da população activa de um país inteiro a salvo de um colpaso fica ao critério de cada um, se lhe dá mais jeito em termos de localização, ou pode ser que nem se importe se a “bica” está bem ou mal tirada, e se fosse mais fácil injectá-la na veia, era isso mesmo que fazia. Tanta coisa que se pode aprender com uma simples chávena de café. Posto isto dou comigo a pensar como seria o mundo se em tudo o que fazemos usassemos os ensinamentos transmitidos pelo frequente consumo da nossa “bica” – a preocupação com a qualidade, os estímulos sensoriais, a tal ponderaçāo perante a contrariedade que é ser servido de duas “bicas” mal tiradas, tudo valências que poderiam ser aplicados noutras funções do nosso dia-a-dia. Os antigos gregos tinham a Academia, e nós temos o café da esquina, com a vantagem de que as proposições epistemológicas contidas na “bica” são literalmente absorvidas num ambiente de solitude, propício à mais profunda introspecção, ou quem sabe a produção de uma ideia que possa mudar de uma vez só o rumo das nossas vidas. Um exemplo? E que tal Fernando Pessoa, para ilustrar as possibilidades de uma simples “bica”? Só é pena que não se tenha chegado ainda ao equilíbrio ideal: mandar para trás a “bica”, e ao mesmo tempo tentar entender as razões pelas quais foi mal tirada, nascida imperfeita sem que lhe seja dada uma chance de nos poder vir a inspirar.

Pum, pum, rasta man! - La venganza (I's a-muggin'!)


Whaddya sayin' cabrones? E eis que tal como prometi neste artigo, estou com as últimas da "mui picante" primeira eliminatória da zona CONCACAF de qualificação para o mundial de 2018 na Rússia. Disputados os encontros das duas mãos, o sonho de chegar à maior festa do futebol terminou para alguns, e...vai terminar em breve para os restantes. Assim já são as sete selecções que vão a prolongar a angústia esperança de obter uma das três, possivelmente quatro vagas a que tem direito a confederação dos países da América do Norte, Central e Caraíbas, ou noutros termos mais acessíveis, "yankees", guerrilheiros, rastafari e paraísos fiscais - estes últimos servidos sempre como aperitivo aos restantes.



Vamos começar pelos piores, e quando digo "piores" refiro-me mesmo ao fundo do barril, às selecções que estando a disputar uma fase muito, mas mesmo muito prematura da qualificação são corridas com goleadas, sem apelo nem agravo. Foi o caso das Baamas, que tinham sido goleadas em casa pela sua congénere "offshore" das Bermudas por cinco "secos", e que agora foram a Hamilton, capital desta última acrescentar mais três à conta que mantêm em segredo por motivos fiscais. Os golos apareceram todos nos últimos dez minutos, o que dá a entender que ou os baameses (baamenses? baaminos? baamaneses?) ficaram sem pernas, ou até estavam a beneficiar da complacência dos bermudinos (bermudenhos? bermudeses? bermudanos?) só que armaram-se em parvos e mandaram-lhes umas bocas em "jive", e de seguida levaram na tromba. O avançado Nahki Wells, que alinha no Championship inglês ao serviço do Huddersfield Town, foi o homem do jogo ao apontar dois dos golos das Bermudas, elevando o seu total para três, tornando-se a par de outro de que já vamos falar a seguir o melhor marcador de todas as zonas de qualificação para o mundial - recorde-se que a procissão ainda vai no adro. Eis um jogador que tem mais que qualidade para jogar no mundial, mas nunca pelas Bermudas, é lógico, e já nos próximos dias 8 e 16 de Junho a Guatemala pode já silenciar a festa, que como se pode ver no vídeo, foi bastante animada. Não consta que no regresso das Bermudas até casa a selecção das Baamas tenha ficado perdida em algum triângulo imaginário onde acontecem...coisas.



A selecção de S. Cristóvão e Nevis tinha deixado a selecção de Turcos e Caicos feita em "caicos" na primeira mão, com uma vitória por 6-2 em Basseterre, a sua capital. Agora em Providenciales, capital de Turcos e Caicos, repetiu-se o mesmo resultado. Como assim, "o mesmo resultado?" Isso mesmo, 6-2 para S. Cristóvão e Nevis, que deixam bem vincado que a diferença entre as duas selecções é essa: seis golos para uma, e dois para a outra, nem mais um golo, nem menos um golo. Desta feita o inglês-cipriota Harry Panayiotou, jogador do Leicester City da Premier League inglesa que se naturalizou S. Cristovense em virtude de uns grãos de areia que lhe vieram daquelas ilhas dentro de uns calções de banho que emprestou a um amigo, marcou um "hat-trick", igualando Nahki Wells na lista dos artilheiros da qualificação para o mundial. Convido-vos a verem este vídeo, que é em todos os apectos a-do-rá-vel. Desde o estádio onde a partida de disputou, onde se vê o parque de estacionamento por detrás de uma das balizas, até às grandes penalidades, assinaladas com um rigor, ahem, deixam lá, que também não conta para nada de especial.



Se gostaram do estádio nacional de Turcos e Caicos, vão adorar este James Ronald Webster Park, em The Valley, capital da Anguilla. Se estão recordados, a Anguilla é aquele pequeno país a que os exploradores espanhóis deram o nome de "enguia", e assim (não) se explica os golfinhos no seu brasão de armas. A selecção da Anguilla tinha perdido por cinco bolas a zero na Nicarágua, e tinha uma missão quase impossível perante os Sandinistas, e nem o campo que faz lembrar o do Beira-Mar de Almada ajudou. Os visitantes não se sentiram intimidados (pudera, para quem vive debaixo de fogo cruzado...) e acrescentaram mais três golos aos cinco que levavam de vantagem. Na próxima eliminatória vamos ter um puro duelo "guerrilha-rasta", com a Nicarágua a defrontar o Suriname. Promete.



A eliminatória entre as Ilhas Caimão e o Belize tinha registado um empate a zero na primeira mão, na casa dos últimos. Depois de ninguém ter dado com a "belize" nesse encontro (piada reciclada) a decisão passou para o estádio Truman Bodden, em George Town, capital das Ilhas Caimão, onde ambas as equipas voltaram a empatar, mas desta vez a uma bola, o que qualifica o Belize no desempate pelo factor dos golos fora. Depois de muita cerimónia que deu em nada no primeiro desafio, aqui o resultado ficou logo feito aos 20 minutos, quando Elroy Kuylen fez o golo do empate do Belize, depois de Mark Ebanks ter adiantado a equipa da casa no marcador logo aos 5. Assim as Ilhas Caimão podem-se orgulhar de dizer que foram afastadas da fase final do mundial "sem perder qualquer jogo" - e tecnicamente é mesmo assim, enquanto o Belize perdeu uma boa oportunidade para vencer o seu primeiro desafio oficial desde Janeiro de 2013, altura em que bateu a Nicarágua por 2-1 numa partida realizada na Costa Rica, a contar para a Copa Centro-americana. Se dois anos sem provar o sabor da vitória já é preocupante, o que dizer das Ilhas Caimão, cuja última vez que venceram foi em...2010. Exactamente, mais precisamente a 5 de Outubro em Bayamón, Porto Rico, em partida a contar para a Taça Caribenha, com 4-1 sobre Anguilla. Como se pode verificar, estes tipos já se conhecem todos de ginjeira.



Uma das surpresas da primeira mão desta eliminatória foi a vitória fora das Ilhas Virgens Americanas sobre os Barbados por 1-0, e digo isto agora, depois do jogo da segunda mão, onde os visitantes corrigiram esse resultado e com juros, o que não é muito habitual ver numa "offshore": 4-0, resultado que não deixa dúvidas quanto a qual é a menos má das duas selecções. O jogo realizou-se naquele que eu consideraria o estádio mais catita de todos os sete que apresento nestes resumos, caso fosse mesmo um estádio. O Cancryn Field em Charlotte Amalie, St. Thomas, é como o nome indica um "campo", e eu diria mais, um terreno baldio onde cresceu alguma relva e foram colocadas duas balizas. Não sei onde anda o tão apregoado rigor da FIFA no que toca aos requisitos mínimos para um estádio poder acolher um desafio que, e em rigor, é a contar para as eliminatórias do mundial de futebol. Fica também a ideia de que o apoio dado às pequenas nações ao nível de infra-estruturas no sentido de desenvolver a modalidade não passa pelas Ilhas Virgens Americanas - quem sabe pensam que se tratando de um paraíso fiscal, têm lá dinheiro que chegue, e não querem mais. Quanto ao desafio propriamente dito, e se isso realmente diz alguma coisa a alguém, o onze dos Barbados fez dois golos em cada metade e aos 25 minutos já tinha dado a volta à eliminatória. Parece que pelo menos fizeram bem em apostar num treinador brasileiro, neste caso um tal Marcos Falopa, que acumula o cargo com o de director-técnico da CONCACAF. Já as Ilhas Virgens Americanas nomearam em Fevereiro o somali (?!) Ahmed Mohamed Ahmed (nome tão original quanto encantador), que tem 35 anos e está radicado na Suíça desde a sua juventude. Tive curiosidade em ir pesquisar estes factos, pois julguei tratar-se de alguma pirata do golfo de Aden que tinha ido depositar um tesouro numa "offshore" daquelas ilhas, e aproveitou para ficar a orientar a selecção.



Agora o momento pelo qual todos os adeptos dos paraísos fiscais em Macau aguardavam: as Ilhas Virgens Britânicas, local onde há mais dinheiro de Macau do que em Macau (por motivos legais, reservo-me ao direito de esclarecer que isto se trata de uma sátira, e desconheço o grau de veracidade desta afirmação, que poderá mesmo ser completamente falsa). Más notícias, pois as Ilhas onde fica situado o célebre Offshore Incorporations Centre em Road Town, Tortola, foi eliminado pela Dominica, com 3-2 e 0-0 nas duas mãos. Ambos os encontros foram disputados em Roseau, capital da Dominica, que tem como mascote um primo do Zé Carioca:


Como podem ver, o parente caribenho do famoso caloteiro carioca tem um ar que intimida, e aparentemente reage mal à medicina alternativa que se pratica por aquelas bandas, a julgar pela carregada rubescência evidente ao nível das vistas. Mesmo assim foi uma vitória suada, e este loiro muito "dread" vai ter pela frente na eliminatória seguinte a selecção do Canadá, que não se intimida por bicharocos de poleiro.



Finalmente o outro jogo que ainda não tinha sido disputado aquando do primeiro "post", e que pôs frente a frente duas formações com uma inclinação marcadamente "rasta": Curação e Montserrat. Na primeira mão no estádio Ergilio Hato em Willemstad, capital do Curação, a equipa da casa obteve uma vitória por magros 2-1, com o golo inaugural a ser apontado por Pepito Merancia. Este fulano com nome de tocador de congas num conjunto mexicano é na verdade uma das estrelas da selecção de Curação, alinhando como outros colegas numa equipa do campeonato holandês, neste caso o ADO Den Haag. No campeonato holandês, mas no NAC Breda, alinha também Felitciano Zschusschen, autor do segundo golo dos Curaçenses (curaçãoenses? curaçados? curações?), na transformação de uma grande penalidade. Pelo meio Montserrat marcou o seu golo por intermédio de Lyle Taylor, que joga pelos escoceses do Partick Thistle, de Glasgow, destoando assim dos seus colegas de equipa, quase todos a alinharem por equipas dos escalões secundários do futebol inglês. Esta foi provavelmente a eliminatória da CONCACAF com mais jogadores profissionais em campo.



O jogo da segunda mão foi disputado em Montserrat na cidade de, e atenção a isto, "Look Out". Parece um aviso ou uma ameaça velada à equipa de Curação, que trazia um resultado frágil da primeira mão, mas aparentemente esta cidade foi baptizada com o nome do vigia que costumava ficar num posto junto dos mastros dos navios antigos. Montserrat esteve para se afundar em 1995 devido à erupção do vulcão Soufrière Hills, ainda em actividade, e para quem pensa que foi apenas "exagero", atente a estas imagens:



E já agora ao documentário:



Isso mesmo, e chegou-se a proceder mesmo à evacuação dos residentes de Montserrat, que hoje vivem com aquela "bomba-relógio" à sua porta, e mais erupções tiveram lugar depois de 1995. Isto não chegou para intimidar a selecção de Curação, talvez conscientes do ponto do planeta onde vieram cair (coitados), e depois de um empate a duas bolas vão defrontar Cuba na eliminatória seguinte. Charlie Vicento, que joga na...Holanda, exacto, na equipa do Willem II, marcou a 3 minutos do fim o golo que deu o empate e evitou o prolongamento.

Posto isto, a segunda eliminatória realiza-se em meados de Junho, e inclui as sete equipas qualificadas nesta ronda e mais 13, num total de 10 encontros, novamente a duas mãos. A saber:

S. Vicente e Granadinas - Guiana
Antígua e Barbuda - Santa Lúcia
Rep. Dominicana - Belize
Guatemala - Bermudas
Aruba - Barbados
S. Cristóvão e Nevis - El Salvador
Curação - Cuba
Nicarágua - Suriname
Dominica - Canadá
Porto Rico - Granada

Isto promete, e eu também prometo trazer-vos todas as incidências deste futebol muito, muito louco.

Causa-efeito

Estava a pôr em dia a leitura semanal e como sempre deitei uma vista de olhos no Blogue do Firehead, da autoria do meu camarada Hugo Gaspar, sempre na linha da frente da defesa dos valores democráticos e tradicionais do século XIII, quando a humanidade ainda não sabia que existia mais mundo para além de onde a carroça a levava. Foi neste artigo do dia 29 de Março que me detive, e que mesmo não sendo tão "vintage" como o mundo da pré-globalização, leva-nos até 1939, altura em que o então protectorado britânico da Palestina tinha a bandeira que vemos em destaque no mapa: uma cruz de David com um fundo azul e branco, que me faz lembrar a antiga bandeira da monarquia portuguesa ou a camisola da equipa de futebol inglesa do Blackburn Rovers - não sei precisar. Tomei a liberdade de copiar a imagem e aproveitei ainda para destacar a página de onde o meu caro Hugo Gaspar a retirou. Não comento, ele é maior de idade e eu não sou ninguém para recomendar que não ande em más companhias, e para mim quem me tira um leitão à Bairrada ou um entrecosto de porco na brasa, tira-me tudo. 

À primeira vista fiquei sem entender qual era a intenção de publicar aquele livro de bandeiras do Dicionário da Larousse tão desactualizado, e estive para recomendar que da próxima vez que fosse à agência de viagens que fica ali do outro lado da rua em em frente à Livraria Portuguesa, na Calçada da Sé, se detivesse a contemplar o "mapa mundi" colado na parede junto ao balcão, e onde ainda consta a Jugoslávia, a Checoslováquia, e pasme-se, a União Soviética. Não olhei em detalhe mas suponho que a ex-RDA também está lá (olha, rimou). Mas não é o coleccionismo a motivação do interesse do Hugo ou dos usurários que originalmente publicaram a imagem, pois o Hugo deixa bem claro numa dedicatória mais abaixo que esta entrada no seu blogue é, e passo a citar, "dedicada a todos os anormais que são anti-Israel". Não sei se houve por estes dias alguma agitação maior que a habitual lá por Israel, mas suponho que não, e isto só me leva a deduzir que quando está tudo mais ou menos calmo, são os próprios apoiantes do estado zionista que agitam as águas - a malta sente-se mole, sem acção da boa, com gajos a explodir e a rebentar aos bocadinhos, e tal. Eu não sou tanto anti-Israel como não sou pró-Palestina, e sempre da fui da opinião que se deviam entender, enfim, já que nenhum quer dali para fora e ambos têm motivações históricas, culturais e religiosas para ali se manterem, portanto mantém-se o impasse, paciência. However...

Se a intenção era promover algum sentimento saudosista, permitam-me que dê destaque também a uma outra bandeira, e acrescente "Segundo a Enciclopédia Larousse de 1939, a bandeira da Alemanha era assim como está assinalada":


Sim senhor, pá, assim dá gosto, ter as coisas no sítio, como dever ser: a estrela de David na bandeira na Palestina e esta tão janota, que parece um menino a mexer os bracinhos enquanto dança o "twist". E realmente é um "twist" interessante, este, de pedir um mundo "melhor", onde a Palestina é um território judaico, e em Bergen-Belsen todos os dias há pizza -  e "kosher", atenção! Claro que estou aqui a ser sarcástico, e não adianta virem-me dizer que "foi em 1941 e não 1939" (sabem muito bem o quê), porque desconfio que a Larousse não lançou entre esse espaço de tempo nenhuma versão actualizada do seu dicionário. Isto tudo para dizer que quando convidamos os burros para a nossa casa, convém ter cuidado com as moscas que vêm com ele, que entram sem pedir licença. Posto isto, esta posta é dedicada a todos os anjinhos que às vezes falam sem saber o que dizem. Ah, sim, e já agora continuação de boas férias ☺ 


Na hora da morte de Manoel de Oliveira


Podia começar este artigo por "correndo o risco de ser desagradável..." ou rodear o que REALMENTE penso com floreados, mas como já sou "desagradável" (como toda a gente é, mas com o senão de me estar nas tintas para isso) e já tomei banho e não me apetece outro depois de me borrar de hipocrisia, aqui vão algumas palavras a respeito do realizador Manoel de Oliveira, desaparecido esta manhã aos 106 (cento e seis) anos.

Em primeiro lugar, Manoel de Oliveira era um "mestre", tal como muitos se referem a ele, e eu subscrevo. Um mestre da vida, isso sim, pois acima de todo o resto que se possa pensar, viveu 106 anos e a sua carreira estendeu-se de 1931, data do documentário "Douro, fauna fluvial", até hoje, dia 2 de Abril de 2015, data da sua morte. Só por isso mereceu o respeito quer dos portugueses, todos eles, quer de alguma crítica estrangeira, para quem era mais conhecido por "o realizador mais velho do mundo em actividade". E não fez a coisa por menos, pois por alturas da sua última longa-metragem "O Gebo e a Sombra", de 2012 tinha 103 anos completos. Se lerem as (poucas) críticas estrangeiras ao filme, vão reparar que começam sempre exactamente com essa menção. A idade de Manoel de Oliveira e o facto de ser o único realizador cuja carreira atravessa-se desde o cinema mudo à era digital relega tudo o que se possa dizer a respeito da sua filmografia para segundo plano - e é difícil chegar a um consenso.

A pessoa de Manoel de Oliveira, e poucos sabem disto, tem uma história que talvez desse um filme muito mais interessante que alguns dos filmes do próprio. Vindo de uma família abastada, com uma fortuna obtida na indústria fabril, muito desse património seria alienado com o 25 de Abril, e Oliveira passaria a partir daí a dedicar-se de corpo inteiro à realização. Só para que se tenha uma ideia, realizou mais longas-metragens entre 1985 e 1993 do que nos 43 anos que se seguiram a "Aniki Bobó", o seu primeiro trabalho fora da área do documentário e da curta-metragem. Tido como um experimentalista e bebendo da influência do cinema francês, recorreu amiúde a autores portugueses e estrangeiros para os argumentos, transpôs para cinema obras de Agustina Bessa Luís e foi buscar inspiração a autores tão diversos como Camões, Goethe ou Nietzsche. A sua resiliência valeu-lhe o reconhecimento internacional, mesmo nunca tendo sido nomeado para um Oscar da Academia, provavelmente um dos poucos da sua geração a não obter esse reconhecimento. Mas aí está, isso levaria-nos a tecer considerações sobre a obra no seu conteúdo, e aqui pode-se dizer que a morte do realizador não terá o mesmo impacto em termos de vendas do que teria um escritor famoso, por exemplo. Mas isso faz parte do todo que foi a pessoa de Manoel de Oliveira, que temos que admirar pela sua persistência, nunca em busca do protagonismo, mas sempre com a sua arte em primeiro plano. Goste-se ou não dela, a ele há que se lhe tirar o chapéu.

Ian Uranga Chong


Apresento-vos Ian Uranga Chong, futebolista actualmente ao serviço do Arenas Club de Getxo, da III Divisão espanhola, onde faz a posição de defesa lateral-direito ou médio-ala direito, podendo-se adaptar a outras posições do meio-campo, sendo tido como um jogador polivalente. Ian Uranga, como é conhecido, tem 27 anos e nasceu em Durango, cidade da província de Biscaia, da região autónoma do País Basco, ou Euskadi, como os locais preferem chamá-la no seu dialecto, o basco, ou "euskarra". O jogador fez a sua formação no Recreativo Alavés, de Vitória-Gasteiz, e depois de um empréstimo ao Barakaldo, assinou um contrato profissional com o Real Union Irún, e depois de duas passagens pelo Lemona e um breve regresso ao Barakaldo, veste desde 2012 a camisola do Arenas Getxo. Tendo a sua carreira toda feita em clubes bascos, chegou a despertar o interesse do maior clube da região, o Athletic Bilbao, e pode-se dizer que terá passado ao lado de uma grande carreira, como outros jovens da sua idade - nem todos podem almejar ao sucesso de um Joseba Etxeberria, o artilheiro-mor do Athletic em anos recentes, ou de Andoni Goikotxea, o célebre "carniceiro de Bilbau", ou ainda de um Andoni Zubizarreta, dono da baliza do FC Barcelona e da selecção espanhola durante grande parte dos anos 80 e 90. Em Espanha Uranga é um dos muito poucos jogadores de futebol sino-espanhóis a nível profissional, sendo outro mais conhecido Víctor Zi-hsuan Chou Hsieh, ou Víctor Chou, de origem taiwanesa e que se encontra actualmente sem clube, depois de ter passado pelos escalões do Atletico Madrid, e já como sénior pelo Salamanca, South China, de Hong Kong, e Ruby Shenzhen, da Superliga chinesa. Uranga tem contudo uma curiosidade interessante, e que me leva a dedicar-lhe estas linhas: a sua mãe é chinesa de Macau, e ele próprio é elegível para representar a selecção "A" da RAEM, sendo o único jogador espanhol legalmente habilitado para esse efeito.

Assim que soube desta "raridade", fui investigar as origens da ligação de Ian Uranga a Macau, e sendo ele originário do País Basco, só poderia existir uma explicação: o jogo da Pelota Basca, que durante os anos 70 e e 80 trouxe para Macau vários atletas "euskarra", que praticavam a modalidade no Casino Jai-Alai, junto do Porto Interior. Já tinha falado da Pelota Basca neste artigo, de Março de 2008, e nesta entrada do blogue "Macau Antigo" faz-se um abordagem mais histórica da passagem do desporto por Macau, trazido pela então STDM via Filipinas, mas pouco se sabe dele em matéria humana, e mesmo os apelidos dos atletas são bastante comuns, e partilhados por milhares de outras pessoas no Euskadi - penso que apenas o sr. Miguel Larrea, radicado em Macau onde reside até hoje poderá dar mais detalhes sobre este interessante período dos últimos anos da administração portuguesa em forma de testemunho na primeira pessoa. Contudo fui investigar, e sem ter a certeza absoluta, julgo que o pai de Ian Uranga é Chus Uranga, natural de Durango, para onde regressaria ainda antes da decadência e posteriormente o fim do Jai-Alai, na companhia de sua esposa, de apelido "Chong" (鐘), e na altura com 26 anos. Foi já na terra-natal do pai que nasceria Ian Duranga, que tem o nome chinês de Yu Yien (余义恩).



Segundo uma entrada neste fórum da rede Hupu, dedicado ao futebol, datada de Dezembro de 2013 e da autoria de uma tal Carolina Go, que apesar de escrever em caracteres chineses simplificados suponho ser pelo menos radicada em Macau, Ian Uranga terá visitado Macau na sua juventude, e diz-se mesmo disposto a representar a selecção do território, "caso surja um convite". A este ponto gostava de deixar claro que não "descobri a pólvora", e deverá haver uma ou mais personalidades ligadas ao desporto local que têm conhecimento da existência e da elegibilidade deste atleta para representar a selecção de Macau - pelo menos sei que Fernando Silva, do Sport Macau e Benfica, é amigo dele no Facebook. Se as circunstâncias que impedem que isso aconteça são de ordem logística, ainda se entende mais ou menos (um bilhete de avião de quando em vez não ia "secar" os cofres da AFM, suponho...), mas se for de ordem burocrática, então lá temos Macau a dar mais um dos seus famosos "tiros no pé". As federações de outros países da região fizeram esta aposta, procedendo ao levantamento de atletas com ascendência que os tornasse seleccionáveis, e as Filipinas são o melhor exemplo desse esforço, ao ponto de actualmente haver jogadores que voluntariamente demonstram a sua disponibilidade para representar as Filipinas, alegando ter um parentesco tão distante quanto um bisavô para o efeito. Além dos resultados desportivos, com progressos facilmente verificáveis, a selecção filipina conta com jogadores oriundos das divisões secundários de vários campeonatos europeus, e cujos passes atingem valores próximos e em alguns casos superiores a um milhão de euros. Alguns destes chegaram a emigrar para o campeonato profissional das Filipinas, onde têm ajudado a elevar o nível do qualidade do mesmo, que só teve a sua época de estreia em 2011.

Por fim, penso que não seria injusto ou despeitoso para os atletas formados em Macau que se convocasse um "estrangeiro" para a selecção, até porque não existe tal coisa como "formação" aqui na RAEM. Sem um único campeonato onde competir e assim adquirir ritmo, os jovens da RAEM são "carne para canhão" cada vez que participam em torneios internacionais, e ainda esta semana isso ficou patente na qualificação para o asiático de Sub-23, com mais três derrotas, muitos golos sofridos e zero marcados. Um atleta do nível de Ian Uranga viria pelo menos transmitir alguns dos seus conhecimentos, já que o outro que temos que se pode equiparar a ele é David Kong Cardoso, que alinha do Mafra, em Portugal, e com 20 anos ainda tem uma margem para poder optar pela selecção "A" entre as que é elegível para representar (isto dando-lhe o devido crédito, claro). E nem vale a pena entrar em discussões fúteis sobre a qualidade da III divisão espanhola e o campeonato de Macau, pois claro que a primeira é muito mais competitiva, ainda tratando-se da Série onde se inclui o Arenas Getxo, que ocupa actualmente o 2º lugar, a dois pontos do líder. É apenas um a questão de começar finalmente a pegar no futebol de Macau e fazer alguma coisa por ele.

MJ


George Eliot definiu o sentimento melhor que ninguém: "Em cada despedida existe a imagem da morte". Apesar da evidente carga funesta, a frase tem o condão de redimir a despedida, aliviando-a do peso das alabardas da saudade, e recordar-nos que de cada vez que dizemos "adeus" estamos vivos, e por isso, apenas e só, é que dizemos adeus.

Na hora da saída de Maria João Caetano da direção do jornal Ponto Final, ocorrem-me mil palavras, desde "desilusão" a "desencanto", passando por "oportunidade perdida" entre outras que não ficariam bem em qualquer discurso elegíaco - mas não é disso que se trata aqui, de qualquer lamentação, ou queixume, nem me cabe a mim nesta hora fazer o papel do tipo que bebeu um trago a mais do vinho amargo da festa, e desatou nesciamente a soltar a língua, ditando o sermão que não lhe fora encomendado.

Deixo-a assim com um apaziguador "até breve", e "obrigado", já agora, porque não? Sinceros desejos que as muitas estações da vida onde ainda lhe falta parar contribuam de uma forma ou outra para que adquira aquilo que não vai encontrar em nenhuma delas, mas que um dia, mais cedo ou mais tarde, brota de dentro de nós, qual raio de luz rasgando por entre a penumbra: a maturidade. Enquanto isso, e sempre atento a todo e qualquer futuro registo, fica este adeus, mais um, menos um, quem sabe? - chamemos-lhe antes "um deles", dos que forem necessários.

Fac valeás!

Leocardo 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

1º de Abril?!?! A mim não me enganam vocês! Oh, oh, oh...


Olha-me estes..."recordada", é? Porquê, a senhora esteve lá, foi? Ah bem... Ó! Ó!



A Florbela Queiroz falida, e a pedir esmola no Facebook? Ah, ah, ah! Está bem está, vão ali à esquina ver se eu lá estou!


Rihanna lança uma nova música intitulada 'Bitch Better Have My Money', que fará parte do seu novo álbum "R8". Ah! Com esta eles apanham sempre uns tolos, que acham mesmo que a tal Rihanna...canta! Mas eu? Pffff...e logo hoje! Ia ser bom, ia!


Olha este a dizer que perdeu massa no BES, e eu sou o Brad Pitt, né? Têm razão os que dizem que este tipo não respeita nada!


Dois aviões da Ryanair chocaram no aeroporto de Dublin?!?! Chocaram o quê, um ovo de avioa? LOOOOOL



Uiiii...então não sabia? Estava careca de saber! Aquilo era uma sabedoria que para ali ia....este Correio da Manhã...será que alguma coisa que vem lá escrito é verdade?



Olha...assumam-se vocês também!



Não, não é brincadeira de 1 de Abril, pois já era ter publicado no dia 31, e já é datada do dia 30. É sobre um templo pagão em Montréal onde os rabetas fiéis adoram o Deus Pénis. A ideia teve início nos anos 70 em San Francisco (onde mais?) e tem-se espalhado um pouco por toda a América (idem ibidem) e chegou nos anos 90 ao Canadá (América em miniatura, gostam deles mais pequenos, portanto). O paneleiro pontífice-mor é um tal David Francis Cassidy, que pelo voz sôfrega que faz dá a entender que os tipos da reportagem estão a atrapalhar a...ahem, "devoção". Mesmo assim ficamos a saber - sem termos perguntado nada - que o templo foi erigido em homenagem a Priapus, deus grego da fertilidade, filho de Dionísio e Afrodite, blá, blá, blá, deviam eram ter vergonha de fundamentar a rabechice com a mitologia. As desculpas que estes gajos arranjam para levar na bufa...

Eu assumo: és uma besta, ó chavalo



Se o Pelé, jogador do Belenenses, tem motivos para ficar preocupado com a divulgação do registo magnético da sua prova de virilidade, talvez isso se deva a gentinha do tipo deste palermóide no vídeo que aqui apresento, da sua autoria - é mesmo tótó, se pensava que uma coisa destas ia abonar a seu favor. Deixo bem claro que este vídeo não é aconselhável a pessoas facilmente influenciáveis, para não dizer "com falta de carácter", e numa medida menos severa, a menores de idade - não sendo possível atestar o nível de maturidade de cada um, é o mínimo que posso fazer.

O personagem do vídeo é um tal Gonçalo Carter, que se auto-intitula "organizador de meets", e se estão a perguntar o que isso é, vou adiantando que não é nada, e portanto o tipo não faz nada, ou diz "que estuda", não é isso que importa. Inúteis e desocupados como este há por aí ao pontapé, mas calha que de vez em quando surja um que se eleva do esterco e pensa que é um roseiral, e anda por aí a espalhar o merdume julgando que está a contribuir para a salubridade do ar, quando está a poluí-lo ainda mais. Então passemos ao estratagema deste "artista": diz-se "bissexual", passou pelo inevitável "conflito interior", depois "provou o preconceito" (e piça, tendo detestado o primeiro e adorado a última), e agora vem-nos transmitir a sua "comovente mensagem de tolerância", acrescentando que "toda a gente devia assumir a sua sexualidade". Isto apesar de ninguém lhe ter pedido nem uma, nem outra coisa. Estava muito melhor se tivesse ficado caladinho. O mais triste é que no fim haverá um número respeitável de gente (iludida) que vai dizer que este rapaz "é corajoso", e que "pelo menos dá a cara", etc.,etc., testículos. Isto é o que ele quer que vocês pensem, seus básicos! Acordem, camaradas!

De tudo o que ele diz neste ataque de caganeira verbal (descrever isto como "verborreia" não lhe faz justiça) de uma coisa tenho a certeza que ele não se enganou: na frustração da sua mãezinha, pobre senhora, que a esta hora deve estar a pensar onde errou na missão de educar esta infeliz criatura. Essa conversa do "bissexual" tem muito que se lhe diga; conheci homossexuais que tinham relacionamentos com mulheres e diziam-se "homossexuais" na mesma, e todos sabemos que existem homens casados que escondem o facto de se sentirem atraídos por outros homens, ou chegarem mesmo ao ponto de ter experiências homossexuais, e finalmente há homossexuais que por receio de censura por parte da sociedade reprimem a sua sexualidade e eventualmente casam e constituem família, sem nunca evidenciar a sua verdadeira natureza. Há de tudo um pouco, como na farmácia, e neste particular as senhoras conseguem ser menos complicadas que os homens. O que não existe é casos como o deste Gonçalo Carter, que nem por isso é uma raridade: é apenas uma palerma armado em espertalhão.

O que este rapazola tem não é o que se define como sexualidade, mas sim um quadro clínico. O que nos quer dizer com toda esta retórica de chacha é que gosta de mulheres, sim senhor, porque é melhor que os rabetas e não quer cá misturas, mas que de tempos em tempos é acometido por um prurido anal que requer um tratamento que o sexo oposto não lhe pode providenciar. Para o efeito procura não outros "bissexuais" como ele, mas sim homens homossexuais, que sintam "ponta" por outros homens. Em suma: são a "mula" da sexualidade, e na perspectiva nada animadora que isto representa, fazem uma "fuga para frente" no sentido de dar a entender que isto é "normal", e que qualquer outra opinião que não vá nessa direcção é logo "preconceito" e "discriminação" e outros chavões que copiou do SOS Racismo e outros malas do tipo, que onde não existe discurso de ódio ou ânimos inflamados, aparecem eles para os criar. A forma como fala dos "jovens" como se estes o tivessem eleito o líder, maioral, califa ou paxá deles ia-me fazer desmarcar de qualquer tipo de juventude que me identificasse com a sua laia. Ia logo pedir um passe social para a terceira idade.

Mas ele assumiu, ai, ai, que valente. Assumiu, foi? Assumiu o quê? Que é um puto parvo com problemas pessoais e quer arrastar os outros com ele? E que merda é essa, de "assumir"? O que é que a sexualidade de cada um e aquilo que faz no seu íntimo tem de relevante para o resto da humanidade que seja preciso "assumir"? Colar a preferência sexual na testa no caso de alguém nos querer tirar da prateleira e levar-nos para casa, é isso? Saber em quem eu posso enfiar a língua na orelha, ou se é seguro dar uma olhadela para o parceiro do lado quando estiver num urinol público sem me arriscar a ficar com um olho roxo ou uns dentes a menos? Qual é a finalidade deste tão libertário "assumir-se ou sumir-se"? Mas isto não é terreno estranho, e apesar de não me meter por estas matas e atalhos obscuros, já os tinha identificado no mapa. Portanto, eu, como heterossexual, não preciso de me assumir, pois não é relevante e não faz de mim um carapau de corrida que quer fazer carreira como líder de qualquer-coisa-fora-do-comum, que sempre é melhor do que estudar e depois/ou então arranjar um emprego. Para quê competir entre iguais se como alternativa sempre se pode ser líder de uma das muitas massas silenciosas que existem por aí a precisar de quem os guie para fora da sarjeta da opressão?

O problema é que tivemos no passado exemplos que sim senhor, primavam pela firmeza dos seus princípios, e por eles se bateram, sacrificaram a liberdade, e em muitos a própria vida, e...oops! Aí está. Quem quer ser o maior do mundo e arredores se estiver morto como o Harvard Milk, ou tiver que passar metade da vida na choldra como o Nelson Mandela? E este Gonçalo Carter não chega a um traque de feijão fradinho de nenhum destes dois, nem de outros que tais, meus amigos. Aguentava-se no máximo quinze dias no EPL numa cela privativa e ainda saía de lá todo "dread" e mais tarde escrevia não sei quantos livros sobre a "experiência" - ou pedia a outros para os escreverem por ele, tanto faz. Não aprovo nenhum tipo de violência, mas talvez se em vez de umas "bocas" vindas de gente rasca como ele o Gonçalo Carter tivesse sentido na pele o preconceito na forma de umas botas a rebentarem-lhe o focinho fosse mais comedido nas palavras, e entendesse porque é ninguém se lembrou desta ideia tão "revolucionária" antes dele. Talvez porque ele é especial...mente estúpido?

Portanto não liguem a mais um palerma trazido ao vivo e cores pelo milagre da era YouTube, que deixa que qualquer ave-rara faça passar para o mundo a sua tosse, dor-de-corno, e seja o que for que nunca sairia de um raio de vinte centímetros da sua bocarra, pois não teria interesse em ser divulgado de outra forma. E se me quiserem incluir mais à minha dissertação nesse lote, façam como entenderem, sois livres de fazê-lo como eu sou de vos mandar pró c..., e viva a liberdade. Sois ainda livres de assumir ou não a vossa rabechice, ou menos livres, se calhar se forem atrás da conversa deste enjeitado. Podem em alternativa pensar um bocadinho pela própria cabecinha, e quando aparecer este tipo de chico-esperto que vos diz "sejam livres, façam como eu digo" possam raciocinar e procurar onde está o contra-senso implícito nessa mesma oração. Durmam bem e fiquem com os anjinhos, e, epá, não façam nada de que depois se arrependam. Pacóvios. Isto para os miúdos de hoje é preciso explicar tudo tintim por tintim. Chiça!

O tempora o mores!



Este é um sinal evidente da falência de valores que marca o tempo em que vivemos, onde tudo parece ser o oposto daquilo que devia ser. O jogador de futebol profissional Judilson Mamadu Tuncara Gomes, nascido há 23 anos em Sintra e com ascendência guineense, é agora notícia por estar a ser vítima de "chantagem" por parte de desconhecidos que ameaçam divulgar imagens de vídeo "comprometedoras" para a sua carreira. O atleta que actualmente representa o Belenenses, clube onde se formou, mas por empréstimo dos italianos do AC Milão, para onde se transferiu com 19 anos de idade, é mais conhecido no mundo do futebol por "Pelé", um apelido que se tornou célebre por Edson Arantes do Nascimento, um brasileiro que é hoje considerado o melhor jogador dos todos os tempos, e que muitos futebolistas da mesma derivação étnica que ele adoptam, mesmo que não tenham a capacidade de atingir o mesmo patamar, quer em termos de qualidade, quer de popularidade - às vezes basta apenas "dar uns toques". Assim este "Pelé", como passarei a designá-lo, terá participado de uma pequena festa íntima na companhia de um amigo, e na qual participaram ainda duas moças brasileiras, e aparentemente todos se divertiram num ambiente da maior concordância e sem qualquer disputa ou desaguisado, mas com um senão: ficaram registadas imagens em vídeo desse encontro, e este é o móbil da alegada chantagem de que o jogador diz agora ser vítima, e que terá o intuito de "arruinar a sua carreira", caso não aceda às exigências dos chantagistas.

Desconheço se terá existido uma verba pré-acordada, o que a ser verdade não seria novidade para Pelé, ele próprio um profissional, mesmo que doutro ramo, mas não foi um desentendimento nesse particular que preocupa o atleta, que também não é casado, pelo que não se põe o problema de uma eventual infidelidade conjugal - se tem ou não namorada, esta pode perdoá-lo ou deixá-lo, nada a obriga ou impede de nada. Então qual é o problema? Recuemos até 1980, mais ano, menos ano, quando tivemos um caso semelhante, só que sem vídeos e sem chantagem de espécie alguma, mas apenas "rumores". Na altura o atleta Reinaldo, que partilha com este Pelé a ascendência guineense e o apelido "Gomes" (Maurício Zacarias Reinaldo Rodrigues Gomes de sua graça), era jogador do Benfica, onde fazia a posição de avançado. Certo dia ou certa noite, algo que tal como a veracidade nos factos, nunca viria a ser comprovado, ter-se-ia envolvido com uma conhecida cançonetista de uma banda "pop" que começava a ganhar popularidade, e num momento de afeição mais extremo, terá causado a rotura do esfíncter da jovem, e uma lesão que foi muito além da simples físsura anal - o tribunal popular apressou-se a vaticinar que o Reinaldo "partiu a bilha" à tal cantora, e muitos devem estar recordados, ou pelo menos ouviram falar do caso, que apesar de nunca ter sido confirmado por nenhum dos intervenientes, passou a constar do imaginário da época, onde não era fácil recolher imagens de vídeo e o conservadorismo vigente não olhava com bons olhos para o cúpula inter-racial, que é actualmente uma modalidade com muita saída.

Pesando todos estes factores na balança, a preocupação de Pelé não tanto com o registo magnético do seu desempenho (se tivesse que apostar diria que foi "excelente", ao nível de um desportista profissional, entenda-se), ou com a honra da sua parceira casual, que entretanto fechou a sua conta no Facebook por "temer represálias" - ou por ser cúmplice de um eventual crime de extorsão, possibilidade que vem ganhando alguma força - mas pelo "prejuízo que isto poderá trazer para a sua carreira". Agora pergunto eu: porquê? Desde quando é censurável que um jovem solteiro, saudável, e no pleno uso das faculdades tenha um relacionamento consentido a este nível num país livre e democrático, ainda para mais sem as consequências do anteriormente descrito, onde foi necessário reconstruír a flora rectal da receptora da já célebre virilidade guineense? Está tudo louco, bêbado, ou virado para a fanchonice? Quer dizer que o rapaz corre o risco de ver desvalorizado o seu passe por ter feito um passe de morte para o seu ponta de lança, que assim com sucesso atirou a contar para o fundo da rede do adversário? Serão estes chantagistas panilas, e na verdade querem que o Pelé lhes faça o mesmo que consta do rumor em que o seu compatriota Reinaldo deu uma andar novo a uma garbosa cantora, que ainda ficou com uma "souvenir" em forma de pontos no bujão? Espero que as autoridades detenham estes tipos, sim, mas pela tentativa de chantagem, que é crime, e não pelo seu móbil. Quase que fico a desejar que por uma feliz coincidência fossem parar à "ala Bissau" quando fossem metidos na choldra, mas depois fico a pensar: será isso castigo, ou prémio? Fora isso, força Pelé! Não fizeste nada de errado, rapaz. Obrigado por me deixares com alguma fé no género masculino, ao adoptares um comportamento dentro dos parâmetros da normalidade. Abençoado sejas.

Pagou, comeu, calou


Os ingleses são um povo que vive apaixonadamente o futebol, e ao contrário dos portugueses e outros povos mais fatalistas encaram o desporto-rei de uma forma muito sério, e têm o condão de se indignar perante as verbas auferidas pelos atletas ou pelas quantias exorbitantes que por vezes se pagam pelos seus passes - se o jogador tem mesmo muita qualidade, justifica o preço que se paga por ele. Esta parece ser a regra de ouro do mercado para os britânicos, mas se o investimento não se justifica e o jogador defrauda as expectativas, é chamado de "flop", que em português se pode traduzir livremente para "barrete". Há clubes a quem o barrete é enfiado com tanta força que dificilmente conseguem desencravá-lo da cachola, e por vezes não têm outra escolha senão "engolir a seco", pois se o atleta não apresenta um rendimento ao nível da pequena fortuna que se pagou por ele, dificilmente se valoriza e aparecem outros "patos" que paguem mais, ou pelo menos o mesmo. Daí que alguns vão permanecendo no clube com a ténue esperança de que se lembrem como se faz, ou que no mínimo exibam os dotes que levaram a despertar o interesse de quem abriu (e bem) os cordões à bolsa para os ter, e assim fazerem a alegria dos seus adeptos. O que está fora de questão é vendê-los ao desbarato, por um preço muito inferior ao que pagaram por ele, e assim o "flop", ou "barrete", vai ficando até ao fim do seu contrato, auferindo um balúrdio sem precisar de demonstrar os seus atributos. Noutras circunstâncias, isto seria um emprego de sonho, mas a carreira é curta e há que manter o alto o preçário, de preferência até depois dos 30 anos, e evitar o mais possível a terrível etiqueta de "flop".

Quem fica menos prejudicado com um potencial "flop" é o clube que vendeu o jogador, arrecadando assim uma quantia considerável por um activo que estava prestes a "passar do prazo". Ou talvez não, pois há ainda outros factores, como a da adaptação, quer ao clima do novo país, quer ao próprio estilo de futebol ou a um campeonato diferente daquele onde era considerado um "craque". Neste particular Pinto da Costa e o "seu" FC Porto são conhecidos por raramente deixar sair jogadores a preço de saldo, rentabilizando ao máximo os seus investimentos. O clube da invicta tem a fama de comprar barato e vender caro, e exemplos recentes não faltam, havendo mesmo casos em que os atletas foram "dados", e posteriormente vendidos por quantias milionárias. O luso-brasileiro tornou-se o símbolo desta política; "rejeitado" pelo Benfica, seria vendido pelo Salgueiros a um preço "de amigo", e depois para o Barcelona por uma quantia astronómica. Nos últimos anos tem-se mantido esta cadência, com o Dragão a servir como de "oficina" onde os jogadores são afinados com vista a outros patamares de grandeza. Dos que deixam saudades entre os adeptos destacam-se nomes como James Rodríguez, João Moutinho ou Radamel Falcão, mas entre outros que passaram valorizaram o passe e depois foram "à vida" sem antes encher o cofre do clube estão outros menos "espectaculares", como é o caso do defesa francês Eliaquim Mangala, que consta agora de praticamente todas as listas de "flops" da Premier League desta temporada.

Mangala chegou ao Porto vindo dos belgas do Standard Liege na companhia de Steven Defour, internacional desse país para onde regressaria e onde actualmente representa o Club Brugge. Pelos dois jogadores o FC Porto desembolsou 15 milhões de euros, para dois anos depois vender apenas Mangala ao Manchester City por...40 milhões de euros. Um "negócio da China", que seria ainda mais não fosse pelo salário do jogador, e nestes casos a "afinação" requer um "combustível" que de barato não tem nada. A contratação de Mangala teve a particularidade de o tornar no defesa mais caro da história do futebol inglês, pelo que as expectativas a seu respeito só podiam ser mesmo enormes. No entanto o francês tem desiludido, não se conseguindo impor numa equipa que conta com vários "craques" igualmente adquiridos a preços proibitivos para outros clubes que não tenham um consórcio árabe que os financie. Vendo bem as coisas, é difícil a um defesa tornar-se um ídolo dos adeptos, uma vez que a sua função não tanto por criar jogadas de ataque, ou por fazer golos, mas mais por impedir que os adversários o façam - é portanto um "empata-famas". Não se pede a um defesa que seja "espectacular", mas antes eficaz, e quando um jogador naquela posição é notícia, é normalmente pelos piores motivos. Se convém ser discreto, no caso de Mangala a discrição por que se tem pautado tem sido mais do que aquela que se pedia dele, mas quem os mandou pagar tanto por ele?

Os ingleses são especialmente exigentes quando toca aos jogadores estrangeiros, de fora das ilhas Britânicas, onde apesar dos jogadores serem igualmente caros (em alguns casos muito acima do seu valor real) têm pelo menos a atenuante de serem "da casa" - é o que há, e mais não pode exigir. Quando se procura colmatar as deficiências recorrendo à importação de atletas que não fizeram a sua formação na velha Albion, é normal que se exija excelência, pois para pagar tanto por um gajo qualquer que se calhar nem fala inglês que faz o mesmo ou pior que o John Smith da taberna da esquina. Tudo depende do que os estrangeiros tiverem para oferecer, e há compras de que os ingleses ainda hoje se recordam com especial carinho. Jogadores como Eric Cantona, Dennis Bergkamp, Thierry Henry ou Didier Drogba fizeram história num campeonato onde ainda há vinte anos era muito difícil a um jogador estrangeiro conquistar a simpatia dos adeptos; mesmo um fora-de-série vindo da França, Espanha ou Itália era considerado "not bad, for a continental". Entretanto muita coisa mudou, ao ponto de clubes como Arsenal, Chelsea ou mesmo Liverpool chegarem a alinhar com um onze composto por uma maioria de estrangeiros, e no casos dos primeiros, a totalidade. Ainda assim os "intrusos" não se livram de um veredicto mais cruel por parte dos críticos, caso se demorem a impor a sua mais-valia. Nas listas de "flops" desta época, e existem muitas, constam vários estrangeiros, como Di Maria, que depois de sair do Benfica foi mais feliz no Real Madrid do que actualmente no Manchester United, Falcão, de que se pode dizer o mesmo com Porto e Atletico Madrid nos lugares dos outros dois clubes, e Mario Balotelli à cabeça, depois de demorar oito meses (!) a marcar um golo pelo Liverpool. Mas nenhum nome bate Mangala, quer em número de listas diferentes de onde o seu nome consta, quer pela disparidade entre o preço e a qualidade. E quem se importa menos com isso? Pinto da Costa, claro. O senhor não pediu este "prato"? Então agora...coma e cale-se.

A tuga tá pa bodje



A selecção de Portugal defrontou ontem a sua congénere de Cabo Verde num encontro amigável com a receita a reverter para as famílias vitimadas pela erupção do vulcão da ilha do Fogo, no ano passado. Contudo alguém se esqueceu de avisar os espectadores que se deslocaram ao António Coimbra da Mota (mesmo assim não foram muitos) que a caridade era extensiva ao resultado, uma vez que Cabo Verde venceu por 2-0 com relativa facilidade, com golos de Odair Fortes aos 37 minutos, e Gegé seis minutos depois. Não quero com isto desprezar a selecção cabo-verdiana, ou desvalorizar a sua vitória, que teve a destreza de levar a sua melhor equipa e encarar a partida com profissionalismo, mas se a segunda linha de Portugal é isto, então rezem para que o C. Ronaldo e companhia lavem e durem até aos 50 anos. Se essa é a justificação, a ausência dos principais titulares, então ainda pior: quer dizer que este onze, onde foi dada oportunidade a jogadores seleccionáveis e todos a alinhar no escalão principal do seu país não sabe melhor que isto? Talvez tenha sido uma mudança muito brusca de programa, um erro de planeamento. É que depois de defrontar equipas do calibre da Albânia, Arménia e Sérvia, que ainda lhes fizeram suar as estopinhas, deviam ter optado por um adversário mais ou menos a esse nível, ou apenas ligeiramente melhor. Um misto dos ciganos da Feira de Carcavelos e da Praça de Espanha ou a selecção dos reclusos do Linhó talvez fosse mais indicado. Agora sim é começar a construir a casa pelo telhado. Assim não pode ser, vamos lá com calma!