sábado, 27 de julho de 2013

You MUST remember this


Uma das notícias da semana prende-se com o diferendo já antigo entre a Associação de Advogados de Macau (AAM) e a Faculdade de Direito da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST). A AAM, responsável pela admissão à carreira de advogado na RAEM, tem recusado a admissão de licenciados em Direito na MUST, alegando que o curso que aquela instituição de ensino superior administra é insuficiente para responder às necessidades de Macau. O próprio presidente da AAM, Jorge Neto Valente, deixou várias vezes bem claro que o curso da MUST deixa muito a desejar, e não prepara adequadamente os futuros juristas para a carreira de causídico. Em causa estará sobretudo a deficitária abordagem da MUST à lei de Macau, e à sua matriz portuguesa, dando mais ênfase ao Direito da China continental, além das noções universais mais básicas. A opção da AAM e a firmeza do seu presidente são de um modo geral bem recebidas entre os operadores do Direito locais, mas entre as elites as opiniões dividem-se: há quem não prescinda das características específicas do Direito local e a sua influência do direito continental (continental em oposição à britânica “common law”, onde se insere o Direito português), e há quem defenda a aproximação gradual às leis chinesas e à “juris” de Hong Kong. Uma questão que tem mais a ver com as tricas da política do que propriamente com a eficácia da justiça.

Mas eis que surge um novo desenvolvimento neste caso. Um licenciado em Direito pela MUST viu o acesso ao estágio para a advocacia recusado, e recorreu às instâncias judiciais, que lhe deram razão. Um golpe duro para a AAM, que mesmo após mais recurso ou menos recurso, poderá ser obrigado a admitir os licenciados da MUST no estágio para a advocacia. Desconheço o conteúdo do acordão do Tribunal que deu razão ao queixoso, mas provavelmente terá base em qualquer coisa como a legitimidade da sua licenciatura, à revelia da instituição onde foi obtida. Agora resta à irredutível AAM demonstrar a inaptidão dos candidatos a jurista que saem daquela a que muitos se referem como “Farmácia chinesa”, a MUST. Se reprovar no estágio, é porque realmente lhe falta estofo. Se passar…bem, se passar é mais complicado. Mas será que passa mesmo? Eu duvido, e faço pouco.

Esclarecendo o esclarecimento


O Hoje Macau publicou na semana passada a tradução de excertos de uma entrevista que Wan Kwok Koi, mais conhecido por “Dente Partido”, deu à revista “Next”, uma publicação em língua chinesa de Hong Kong. Na tradução do artigo do HM era possível ler que o ex-líder sa seita 14 quilates teria “dado dinheiros aos portugueses”, que “eram estes que lhe pediam”, e que o total das ofertas teria ficado em “mais de cem milhões de patacas”. Na edição de ontem do mesmo jornal o visado vem desmentir ter proferido essas afirmações, e que tudo no terá passado de um erro na tradução. Na realidade algumas pessoas que dominam o chinês escrito já me tinham dito que em lugar algum da entrevista à “Next” tinha Wan Kwok Koi mencionado a dádiva de dinheiro a governantes da administração portuguesa ou a quem quer que seja. Eu próprio estranhei esta “confissão”, especilamente por vir da parte de alguém que não terá nada em ganhar com este tipo de confissões. Afinal trata-se de uma forma de corrupção active, mesmo que provocada. O Hoje publicou a carta do ofendido na íntegra apresentou um pedido de desculpas. Fico sem perceber muito bem onde o sinólogo de serviço do jornal terá lido isto dos cem milhões, pois não será certamente um carácter ou dois mal traduzidos que originam um equívoco desta natureza, ou a interpretação errónea do sentido de uma frase que se transforma em algo tão sério como uma afirmação destas. Contudo isto vale o que vale, e nem chega a haver palha para alimentar o fogo da polémica, até porque não são mencionados nomes nem especificado quando e porquê o visado teria alegadamente oferecido dinheiro aos portugueses. Fico aliviado que os nossos governantes saiam disto sem que a sua imagem de gente séria e impoluta seja beliscada por alegações de que eram na verdade corruptos pedinchões e gulosos. Quanto ao próprio Wan Kwok Koi, está no seu direito em esclarecer a situação, e no seu lugar fariamos a mesma coisa. É deveras aborrecido quando nos atribuem a autoria de frases que nunca saíram da nossa boca, especialmente quando se tratam de acusações não concretizadas ou difíceis de provar. Mas outra vez, detalhes sem muita importância. Não foi por ter andado a corromper as altas patentes da adminsitração portugueses que o “Dente Partido” cumpriu a pena de prisão a que foi condenado. Antes fosse, que assim ainda podia chamar alguns dos “bois” pelos nomes…

Classe: quanto custa?


O crescimento vertiginoso da China em termos de economia e produção de riqueza não deixou ninguém indiferente. Apesar de existir ainda bastante pobreza, a classe média como a conhecemos vai sendo uma realidade, com cada vez mais famílias a passar da indigência à sustentabilidade. E de entre os que melhor aproveitaram a abertura do mercado no país mais populoso do mundo, emergiu um respeitável número de chineses mais abastados, entre os quais os novos-ricos. São cada vez mais as famílias que passaram de gerações marcadas pela fome e pela austeridade à riqueza instantânea, tirando o máximo de benefícios dessa verdadeira "selva" que é o capitalismo, onde a competição obedece muitas vezes à lei do mais forte. Mas depois de adquirida como um facto, a riqueza trás novos patamares de exigência ao nível do trato social. Quem se torna de repente podre de rico é normalmente convidado para eventos de que só ouvia falar enquanto nadava na sarjeta, tentando-se manter à tona. Mas uma vez inserido na elite, como se livrar da "casca grossa" da modéstia com que se nasceu e cresceu, sem acesso à educação fidalgal que muitos dos seus pares adquiriu? Como disfarçar a evidência de se ter nascido rafeiro e tentar adquirir algum "pedigree"?

O Instituto Sarita, em Pequim, tem a resposta, e pela módica quantia de 100 mil yuan por um curso de duas semanas, o mais rústico dos novos endinheirados transforma-se no equivalente chinês de uma "tia" de Cascais. Pode parecer uma fortuna, mas para quem quer aprender a comportar-se como gente fina, de acordo com o património amealhado, é dinheiro bem empregue. Por detrás deste instituto está Sara Jane Ho, uma chinesa que emigrou para os Estados Unidos com os pais, estudou em Harvard e frequentou mais tarde o Institut Villa Pierrefeu, uma das escolas de etiqueta mais frequentadas do mundo. O programa do curso é abrangente, e os formandos podem ficar a conhecer os truques mais elaborados da vida em "high society", como o garfo indicado para cada prato, a forma mais indicada de segurar um chávena de chá, a "toilette" mais apropriada a cada evento, postura, e outros preceitos. Para os principiantes ensinam-se noções mais básicas, como comer de boca fechada e o posicionamento dos braços à mesa. Entre os aspectos que por si já seriam o suficiente para se dedicar uma cadeira estará o saudável hábito de usar um palito, em vez de recorrer a uma unha ou "pescar" os restos de comida entre os dentes com a língua. Uma iniciativa que se saúda, apesar do preço. Às vezes não há dinheiro no mundo que compre a classe, mas assim sempre podem pelo menos ficar mais perto.

Liberdade para que te quero


A crise em Portugal parece afectar todos os quadrantes da sociedade, e a falta de perspectivas de um futuro melhor começam a pôr em causa alguns dos valores mais prezados pelos portugueses, como o da liberdade. Nos anos 90 viram o fim do Serviço Militar Obrigatório, uma vitória para quem considerava anti-democrático obrigar os jovens a fazer a tropa, mesmo contra a sua vontade. Anos depois, e perante os números galopantes do desemprego, foram cada vez mais os que se voluntariavam para os ramos da armada, em busca de tecto, comida e roupa lavada, além de uma perspectiva de carreira, mesmo que modestamente remunerada. A subversão de valores que antes levava a juventude a encarar a vida militar como um obstáculo aos valores da paz e da liberdade e agora a considerava "um mal menor" levou mesmo a que o Ministério da Defesa começasse a impôr certos limites. É verdade que a carreira militar não exige um elevado grau de inteligência ou aptidão, mas da fome rapidamente se passou à fartura, e não há vagas de sargento que cheguem para todos.

Mais grave é o que passa agora nas prisões propriamente ditas; Portugal tem actualmente 14 mil reclusos, e desde 1998 que a população prisional não crescia tanto. A razão é a mesma de sempre: o mundo lá fora não está para que se abra mão de um lugar onde dormir, mesmo que se trate de uma cela, e três refeições diárias garantidas, sem que seja preciso preocupar-se com a barriga a dar horas e a carteira vazia. São cada vez mais os reclusos que optam pelo Regime Aberto, modalidade que lhes permite visitar periodicamente os familiares, do que a liberdade condicional, que implica procurar um emprego que pague as contas que na prisão não existem - pelo menos para eles. O número de detidos que cometeram pequenos delitos por "não terem um sítio onde dormer" é cada vez maior, e torna-se preocupante que o cárcere se começe a tornar uma opção à luta cada vez mais desgastante que se tem tornado o cotidiano. E assim vamos tendo um país com cada vez mais tropas e presidiários, que preferem a dureza da vida do que uma vida na dureza. Como ninguém vive do ar que respira, mesmo que seja puro, nem do canto dos passarinhos, é caso para perguntar: do que vale esta liberdade?

Sangue oculto


Agora numa nota mais ligeira. Neste pequeno "apanhado" que nos chega da Turquia vemos um jovem obeso num consultório médico que se recusa a fazer uma recolha de sangue para análise. O pequeno otomano, que não terá mais que nove ou dez anos de idade, fica possesso quando a mão sugere que os medicos o segurem enquanto recolhem a amostra de sangue, levanta-se e diz uma série de obscenidades bastante coloridas para a sua idade. "Vou f... o vosso cérebro inexistente", ou mais tarde "Que se f... este hospital". Antes disso ainda avisa: "Não querem que eu grite? Deixem-me ir embora!". Pelo meio deixa bem claro quais são os limites: "O sangue é meu, e as veias também, não há mais nada a dizer!" Muito convicto, este gorducho refilão, mas desconfio que no fim os profissionais de saúde levaram a melhor, e apesar do berreiro e da choradeira, o jovem turco voltou para casa com um adesivo no braço. Os resultados da análise nem são difíceis de prever. Se desse para apostar, eu punha o meu dinheiro no colesterol. Isso mesmo miúdo, diz-lhes das boas.

O rosto da tragédia



Francisco Jose Garzon Amo, um condutor de comboios de 52 anos, é o homem mais odiado em Espanha desde quarta-feira. Amo sobreviveu com ferimentos ligeiros ao trágico acidente com um comboio de alta-velocidade em Espanha, que resultou em 78 mortos e cerca de 170 feridos, o pior acidente ferroviário dos últimos 70 anos no país. O condutor encontra-se hospitalizado debaixo de escolta das autoridades, que o apontam como principal responsável pelo acidente. O comboio TGV que fazia a viagem entre a capital espanhola Madrid e a cidade galega de Ferrol despistou-se perto de Santiago de Compostela, e o excesso de velocidade terá estado na origem da tragédia. Amo fez a curva a 190 km/h quando a velocidade máxima para uma manobra daquela natureza era de 80. O condutor poderá ser indiciado por negligência criminosa, mas por enquanto as autoridades analisam a caixa preta da composição para perceber em detalhe o que realmente aconteceu. Os bombeiros e restantes socorristas que ocorreram ao local do sinistro falam de um cenário de horror nunca visto, e até ao momento foram identificados apenas 72 corpos, pois o inferno de metal e de chamas originado pelo acidente deixou vários cadáveres impossíveis de identificar, dependendo o reconhecimento de exames de ADN. Amo poderá não ter medido as consequências das suas acções, e não lhe terá passado pela cabeça que o atrevimento daria origem a uma tragédia desta dimensão, mas o sangue que agora tem nas suas mãos é demasiado para que tudo se resolva com um simples pedido de desculpas. Foi muito mais do que "um dia mau no emprego".

Noé e os seus espiões


As autoridades turcas soltaram um pássaro que tinha sido detido no início desta semana suspeito de espiar para os serviços secretos israelitas. O pássaro, uma espécie da família do falcão, foi encontrado pelos residentes de uma pequena aldeia com uma fita metalizada na pata onde se lia ’24311 Tel Avivunia Israel’, e entregaram-nos às autoridades, que suspeitaram de espionagem. Depois de analisarem a ave e não terem encontrado qualquer equipamento que indicasse que se tratava de um espião, soltaram-no. Resta saber se o interrogaram recorrendo a métodos de tortura, ou se os direitos civis do pássaro foram respeitados, como o direito a um advogado. Os turcos vivem sob a paranóia de que Israel recorre a métodos desta natureza para recolher informação estratégica; em Maio do ano passado em Ancara as autoridades dissecaram um abelharuco por suspeitarem que transportava aparelhos de escuta, e em Dezembro uma águia foi capturada suspeita de espionagem. Já em 2010 uma alta patente militar egípcia acusou Israel de treinar tubarões para atacar banhistas no Mar Vermelho. É um facto que Noé, o patriarca bíblico e construtor da arca do dilúvio é tido pela religião judaica por "profeta da sabedoria", mas daí a trabalhar para a Mossad, vai uma grande distância.

O preço certo daquele orfão é...


Um concurso de televisão no Paquistão (onde mais?) está a causar grande controvérsia por oferecer como prémios...crianças orfãs. O concurso é a versão local do nosso conhecido "O Preço Certo", e em vez de electrodomésticos ou automóveis, o "jackpot" tem como um dos prémios crianças recém-nascidas abandonadas pelos pais. O vencedor contemplado com um dos bebés, uma menina, foi um casal que está há vários anos a tentar ter filhos, mas sem resultados. O apresentador Aamir Liaquat Hussain, o Fernando Mendes local, alega que as crianças foram abandonadas na lixeira, um problema muito comum no país. As associações de defesa dos direitos das crianças em todo o mundo estão chocadas com o que consideram uma forma de tráfico humano. A Chhipa Welfare, uma entidade local que se dedica a resgatar crianças abandonadas nas ruas, apela aos pais que não tenham possibilidades de cuidar de mais um filho que os deixe em instituições destinadas ao efeito, mas nem os orfanatos locais têm mais mãos a medir, nem o orçamento de estado destinado à acção social tem a capacidade para dar às crianças condições mínimas de alojamento, alimentação ou educação. Um dilema moral difícil de resolver: se os recém-nascidos são abandonados as instituições funcionam mal e dar as crianças de brinde é desumano, qual é alternativa? Deixá-los no lixo para servir de repasto aos ratos?

Sons da "silly season": Cambodia


Imaginem que têm oito anos e ouvem pela primeira vez esta música. Qual é a pergunta que se faz? Exacto, “o que é Cambodia”? Apesar da letra dramática, este é um tema bastante dançável, e lançou Kim Wilde na senda do estrelato, cujo auge chegaria alguns anos depois com o single “You Came”. Um dia perdi uma aposta com um amigo por causa deste tema. Teimei que a intérprete era Kim Carnes, e não Kim Wilde, e perdi. Um lapso imperdoável, uma vez que a voz rouca de Kim Carnes é inconfundível, e nada tem a ver com a desta outra Kim.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sai um cachorro-quente, no ponto!


Dois empregados da cadeia de “fast-food” Subway foram despedidos depois de postarem na internet “fotografias impróprias”, tiradas no local de trabalho. “Impróprias” é favor, pois numa delas vê-se um dos empregados a colocar o pénis dentro de um pão destinado a uma sanduíche, enquanto na outra o seu colega segurava uma garrafa de plástico contendo um liquido amarelado, e lia-se numa legenda “hoje congelei o meu mijo”. As imagens foram publicadas numa rede social e rapidamente foram partilhadas por milhares de cibernautas. Os dois “brincalhões” trabalhavam num restaurante da Subway localizado numa estação de serviço numa pequena localidade do estado do Ohio, nos Estados Unidos. Um porta-voz da companhia justificou o sucedido com a juventude dos dois funcionários, que trabalhavam em regime de “part-time” durante as férias escolares. Perdoem-nos senhor, que são novos e por isso são estúpidos e não sabem o que fazem. Seja qual for a justificação, a noção de que os trabalhadores destas cadeias de comida rápida acertam as contas com o mundo através de atitudes envolvendo o uso de excrementos é suficiente para que se perca o apetite. Mais um prego no caixão da confiança do consumidor.

At. Mineiro vence Libertadores


O Atlético Mineiro sagrou-se ontem pela primeira vez campeão da Taça dos Libertadores, a competição de clubes mais importante da América do Sul. A equipa brasileira onde alinha Ronaldinho havia perdido na primeira mão da final no Paraguai frente ao Olimpia Assunción por 0-2, e venceu pelo mesmo resultado no Mineirão de Belo Horizonte. No desempate pelos pontapés da marca de grande penalidade, os mineiros registaram quatro remates certeiros, contra apenas três do Olimpia. Com esta vitória o Atlético Mineiro garantiu um lugar no mundial de clubes em Dezembro, onde podem encontrar os campeões europeus, o Bayern de Munique.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Batas brancas, perigo de morte


O Hoje Macau deu destaque na sua edição de hoje às declarações de Wong Kit Cheng, vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau e nº 2 da lista da União Promotora para o Progresso (UPP), apoiada pela Associação dos Moradores, vulgo "kai-fong", às eleições do próximo dia 15 de Setembro. Wong opõe-se à contratação de enfermeiros portugueses ao abrigo de um protocolo entre Portugal e a RAEM, ideia que esta semana o Executivo anunciou estar a ponderar para suprir a falta de pessoal de Enfermagem, especialmente em lares da terceira idade e outras instituições de assistência social. Wong Kit Cheng chama a atenção para a necessidade destes profissionais dominarem a língua chinesa, pois apesar do português ser idioma oficial, "a esmagadora maioria da população só domina o chinês". Wong chega mesmo sugerir que a contratação de enfermeiros portugueses é "perigosa", ao ponto de "poder colocar em risco a vida dos cidadãos". As afirmações desta senhora são de deixar qualquer um de boca aberta, e tivessem partido de elementos do Novo Macau, por exemplo, seriam entendidas de imediato como uma forma de "xenofobia".

A UPP é uma das forças tradicionais de Macau, pró-Pequim, de orientação conservadora e nacionalista. Nunca simpatizaram com a administração que governava o território antes do "handover", e não seria de esperar que o fizessem, mas nunca assumiram uma postura de confronto, e optaram sempre pela via da diplomacia. Este "rasgo" de anti-lusitanismo que as afirmações da sua nº 2 dão a entender só se podem explicar pela proximidade das eleições, que os leva a querer "agitar as hostes". Recorde-se que a UPP perdeu um lugar no hemiciclo nas últimas eleições, estando representada apenas pelo deputado Ho Ion Sang, que encabeça novamente a lista concorrente este ano, o que quer dizer que Wong Kit Cheng terá que "fazer pela vida" se quiser um lugar na AL. Não conheço o perfil do eleitorado da UPP, ou se este tipo de expedientes resultam mesmo, mas ao explicar as razões porque os enfermeiros portugueses não servem, mete os pés pelas mãos. Fica mesmo muito mal no retrato.

Wong alega que "hoje em dia a enfermagem é mais profissinalizada", e que o enfermeiro moderno "presta apoio psicológico e verbal aos doentes", além de lhe mudar os pensos e administrar injecções. Ignoro de que forma evoluíu a profissão nos últimos anos, mas se por acaso os enfermeiros fazem as vezes de psicólogos e assistentes sociais, espero que sejam devidamente remunerados para o efeito. Vendo bem, torna-se uma profissão bem atraente, com a perspectiva de três vencimentos em vez de um. Wong diz ainda que os enfermeiros precisam de conhecimentos linguísticos "quer orais, quer escritos". Escritos? Então querem lá ver que começaram também a passar receitas e tudo? Estes que a sra. vice-presidente da Associação Geral das Mulheres conhece são super-enfermeiros, verdadeiros homens dos sete instrumentos. Já agora que diga onde param, que assim já não é necessário trazer os tais portugueses que tanto a incomodam. Só que assim como fazem outras cabecinhas pensadoras aqui do burgo, criticar é sempre mais fácil do que apresentar alternativas.

Tirando estes pequenos detalhes que Wong aponta, o trabalho dos enfermeiros é praticamente igual em todo o mundo, e não varia de país para país ou conforme factores culturais. Julgo que um enfermeiro português que proceda a uma colheita de sangue para uma análise ou administre o soro a um paciente não vai ter problemas em encontrar as veias, que ficam no mesmo sítio, quer nos portugueses quer nos chineses. As agulhas e as seringas devem ser mais ou menos idênticas em Portugal e na China, pelo menos da última vez que comparei ambas. Não será necessário dialogar com um doente a que se muda um penso, ou fundamental escutar com atenção as instruções de um idoso a se dá um banho de esponja. Vendo bem até um surdo-mudo pode ser enfermeiro, desde que receba formação adequada nesse sentido. Quanto à ideia de que um enfermeiro que não domine um idioma representar um risco para a vida do doente, Wong Kit Cheng está apenas a ser tontinha. Um enfermeiro não realiza cirurgias, não é responsável pela posologia de medicamentoss ou planificação de tratamentos médicos, e não precisa que lhe digam quando chega a hora de administrar primeiros-socorro - sabe muito bem quando e como o deve fazer.

As afirmações desta jovem (sim, porque esta Wong Kit Cheng não deve ter mais que 31 ou 32 anos, o que torna ainda mais difícil de entender a sua casmurrice), inserem-se num tipo que agrada a muitos patrioteiros de pacotilha, que fazem questão de mostrar ao povo quem manda agora na casa. É pena que mais uma vez a questão da língua sirva de arma de arremesso político, quando se devia antes dar prioridade à competência, eficácia e conhecimentos técnicos. Compreendo que a Associação Geral das Mulheres tenha ficado abalada pela perda de representatividade na AL há quatro anos, e que queiram agora operar uma mini-revolução cultural para conquistar votos. Porque pensam que esta é uma forma eficaz é que não sei, e há problemas muito mais sérios para resolver do que a nacionalidade do pessoal de enfermagem. Mas olho para esta Wong Kit Cheng e fico um pouco triste que tanto disparate saia da boca da menina, que a julgar pela fotografia publicada no jornal é uma giraça, uma gatinha. Não sou enfermeiro mas sou português, e era bem capaz de lhe fazer boca a boca ou dar-lhe uma injecção com a minha seringa, que a faria logo mudar de opinião. E antes que me critiquem por estar agora a ser incorrecto, digo isto em minha defesa: tenho tanto direito em ser chauvinista como ela em ser xenófoba.

A eterna juventude


Todos diferentes, todos iguais...todos adolescentes

O futebolista colombiano Radamel Falcao, que representou o FC Porto entre 2010 e 2012, poderá ter afinal 29 anos e não 27, como consta da sua ficha de jogador. Em vez de 10 de Fevereiro de 1986, o avançado recentemente contratado pelo Monaco terá nascido na mesma data, mas dois anos antes, em 1984. Uma diferença insignificante agora, que não deverá desvalorizar o jogador em mais que cinco ou seis milhões de euros – uma ninharia. Mas o caso muda de figura se tivermos em conta que o jogador foi campeão sul-americano de sub-19 e participou no mesmo ano no mundial de sub-20 na Holanda, quando tinha…21 anos. E isto é o que se chama de batota.

A questão da adulteração da idade dos jogadores é um tema sensível, e tem muito que se lhe diga. No futebol profissional ao nível se seniores pouco importa que um jogador tenha 20, 25, 30 ou 40 anos, desde que tenha qualidades técnicas que o notabilizem. Já no que toca aos escalões de formação, um ou dois anos podem fazer toda a diferença em termos de evolução ao nível táctico e físico. Num clube que obedeça aos mesmos critérios e siga os mesmos programas de treino em todos os escalões, um jogo entre os juniores, ou sub-19, e os juvenis, ou sub-17, termina inevitavelmente com a vitória dos primeiros, normalmente por uma margem folgada. É perfeitamente natural que uns estejam mais avançados na preparação para a chegada ao futebol senior.
É complicado abordar este tema sem ser acusado, ou pelo menos suspeito, de racismo. Isto porque os países frequentemente suspeitos de falsificar a idade dos jogadores são do continente africano. E de facto é curioso que países como a Nigéria ou o Gana sejam crónicos favoritos nos mundiais jovens, e o mesmo não se verifique nos mundiais para jogadores adultos. Alguns dos promissores jovens jogadores africanos que se revelam em torneios internacionais “desaparecem” após completarem 21 anos. Um mistério que carece ainda de explicação.

Os seus adversários, sentindo-se prejudicados pela provável falsificação das idades dos atletas, protestam e querem ter a certeza que estão a jogar contra adolescentes, e não contra homens feitos, alguns deles pais de família. A FIFA propôs uma solução que passava por um simples raio-x ao pulso dos jogadores, que determinaria a sua idade com uma margem de erro minima.As federações dos países suspeitos recusaram, alegando que “a radiação seria prejudicial para atletas de tão tenra idade”. Como não há nada que os obrigue, voltou tudo à estaca zero. Deixar as dúvidas por esclarecer pode ser comparado ao “shoplifting”; quando um miúdo mete um chocolate ao bolso no supermercado, é apanhado e depois se recusa a mostrar os bolsos.

Os mais bem humorados recordam alguns estereótipos associados aos africanos, como “os pretos não têm idade”, ou que “vão para o registo de bicicleta”. Mas fora de brincadeiras, em muitos países daquele continente, especialmente nas regiões do interior, menos desenvolvidas e inacessíveis, algumas crianças são registadas tardiamente, em muitos casos apenas quando atingem a idade, ou neste caso o “tamanho” escolar. O dia em que se isto acontece fica como data de nascimento. Mesmo sendo isto verdade, é improvável que seja a razão pela qual as federações da CAF optam por falsificar a idade dos jogadores – se realmente o fazem. O objectivo será meramente o de ficar em vantagem em relação à competição.

No mundial de sub-20 realizado em Portugal e que viria a resultar no segundo título mundial para Carlos Queirós e para a nossa selecção, os portugueses alinharam com o jogador Carlos Fortes, conhecido por Cao, de origem cabo-verdiana que em 2002 se viria a descobrir que tinha afinal 22 anos, e não 19. Na mesma competição a selecção da Síria, que viria a ser eliminada pela Austrália nos quartos-de-final, continha jogadores que revelavam indícios de calvície, aparentando uma idade muito superior aos 18 e 19 anos que constavam das suas fichas de inscrição. É complicado acusar alguém sem provas, e mais difícil provar a idade de um atleta cuja aparência ambígua não dá a certeza de ter 19 anos ou 22. Mas as competições jovens valem o que valem, e voltando ao caso de Falcao, quem se interessa se tem 27 ou 29 anos, ou sequer 35? No futebol dos homens de barba rija cumpre melhor que ninguém o que se espera dele, que é meter as bolas no fundo das redes.

O Calvário de Santiago


Tragédia em Espanha, quando ontem um comboio de alta velocidade descarrilou a 190 km/h em Santiago de Compostela, causando 70 mortos e mais de uma centena de feridos. A causa do desastre terá sido mesmo a velocidade, que fez as 13 carruagens que transportavam 218 passageiros a sair dos carris e causar um cenário de destruição, uma amálgama de metal e de fumo. Foi o pior acidente ferroviário em Espanha nos últimos 70 anos, e o primeiro desde o início do serviço de TGV.

À boleia dos porcos (uma aventura à hora de almoço)



Macau, hora de almoço, chove a cântaros. Como uma bucha rápida e aproveito o resto da hora de folga para ir ao supermercado Welcome, junto ao Hoi Fu, comprar meia dúzia daqueles deliciosos papo-secos cozidos em forno de pedra e posteriormente congelados, que após aquecidos 5 ou 10 minutos no forno, matam as saudades de um pão como deve ser. Aproveitei para comprar ainda outras mercearias simples, paguei e fui à luta. A chuva caía como que dizendo que não estava ali para brincadeiras.

No regresso, e perante a incessante chuva, decido regressar de autocarro, e ponho-me na paragem do BNU da Av. Sidónio Pais. Já agastado pela molha que nem o guarda-chuva consegue evitar e pela forma como as pessoas andam na rua, ou melhor, não andam na rua, deparo com quatro autocarros, uns atrás dos outros. O costume, tal é a organização dos transportes públicos como os conhecemos.

Na paragem propriamente dita estava o nº 2, e logo atrás o nº 18A, à frente de outros dois que não consegui identificar. Pouco habituado a andar de autocarro e desconhecendo em pormenor as carreiras (e para quê, perda de tempo e espaço no meu disco rígido), faço uma consulta rápida nos cartazes da paragem, e descubro que o 18A é ideal: duas paragens, e estou na Rua do Campo, de regresso ao ponto de partida. Fecho o guarda-chuva e encaminho-me para a porta, e espero que o motorista me deixa entrar.

Foi neste momento que teve início uma sucessão de acontecimentos filha-da-puta, designação que assenta que nem uma luva ao homenzinho de cor-de-laranja sentado atrás do volante do tal nº 18A da Transmac ou da TCM ou da puta-que-os-pariu, cancro da língua para eles todos, só sei que não era da Reolian porque esses "há mas são verdes". Fitou-me por alguns segundos, hesitando em abrir-me a porta, com uma expressão de mete-nojo, que não fosse a minha imensa bondade, paciência e amor aos animais e plantas, valiam-lhe de imediato uma coronhada com o cabo do guarda-chuva que lhe deixavam exposto o miolo de pinhão que tem dento daquela cabeça de c%#$^^lho.

A sua hesitação devia-se ao facto de já ter deixado os passageiros entrar antes de mim e fechado a porta. Mas como nem tinha chegado sequer à paragem e agora estava ali eu, no pleno cumprimento das regras mais básicas da tomada de um transporte, que até uma criança de quatro anos entende, o que eu mais queria era que ele me deixasse entrar, e de seguida fosse levar no rego. Mas quem pensa que é aquele trinca-pilas para decidir sequer quem deixa entrar no autocarro, que nem é dele, pois não passa de um mero borra-botas que na eventualidade de morrer hoje, ninguém daria pela falta?

Ao ver-me gesticular, de dedo apontado ao céu como quem indica ao mesmo tempo de que está a chover, e que a minha próxima acção será bater violentamente no vidro da porta com o cabo do guarda-chuva, resolveu deixar-me entrar, e de imediato manifesto o meu descontentamento da forma mais educada possível, dada a situação e o facto de me ter deixado à porta feito parvo a levar com chuva na tola. Digo-lhe no meu melhor cantonense: "está a chover, porque é que não abrias a porta?". Emitiu uns grunhidos imperceptíveis em voz alta, como se tivesse a boca cheia de favas, e respondi-lhe com um "pok kai" entre dentes, não fosse perder o amor a uma das garrafas de água da marca Carvalhelhos que levava num dos sacos e lhe fizesse ali um baptismo "à lá minuta". Temos que admitir que seria um desperdício usar uma excelente água mineral gaseificada para afogar aquele ninho de piolhos.

A viagem durou três ou quatro minutos, e chegado ao destino saio calmamente pelas traseiras do veículo, chego à entrada onde ainda subiam alguns passageiros, e despeço-me com o tradicional dedo do meio estendido, como quem pergunta: "já almoçaste? cuidado e não te engasgues com o molho!". A cavalgadura urrou um sonoro "uaahhh", e se mais relinchou não sei, pois virei-lhe as costas triunfante e deixei-o a bufar sozinho. Que não lhe tenham saído os bofes pela boca, que o benza o Santo Buda.

Não sei o que pensam estes motoristas de autocarro, quando é do conhecimento público que a população está tudo menos satisfeita com o serviço das três companhias, qual delas a pior, venha o diabo e escolha. Talvez fosse altura de em vez de um puxão de orelhas no sentido figurado, seja a hora de passar aos actos, e literalmente encher-lhes os cornos de porrada, caso se comportem como este artista do nº 18A. Espero que tenha feito bom proveito do chouriço que lhe deixei como recordação do nosso breve mas intenso encontro. E que já agora aproveite a chuva para dar uma voltinha a pé, que assim refresca as ideias e aproveita para tomar banho, que já é hora. Fim.


Papa Chico e os "demónios" evangélicos


O Papa Francisco está pelo Brasil, o maior país católico do mundo, perante sentimentos mistos. De um lado os fiéis, que deliraram ao poder ver de perto o líder da sua igreja, do outro lado manifestantes que aproveitaram a cobertura do evento para fazer que a sua voz se ouvisse - e os cartazes fossem lidos. O sumo pontífice rezou ontem uma missa no Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo, depois de dois dias no Rio de Janeiro, onde iniciou a sua primeira visita ao estrangeiro.

A respeito do significado da visita de Francisco ao maior país do mundo onde se fala português, destaco este artigo de Ferreira Fernandes no DN de terça-feira, reproduzido na edição de ontem do Jornal Tribuna de Macau. Concordo plenamente com tudo o que o cronista diz, e é um facto de a Igreja Católica vai perdendo seguidores no Brasil. Não deixa de ser irónico que a visita papal se tenha iniciado logo no estado brasileiro com a menor percentagem de católicos no país, como Fernandes tão bem referiu.

Só que enquanto noutros países a Igreja Católica e as religiões em geral vão perdendo adeptos à medida que melhora a qualidade de vida das suas populações (está comprovada a relação causa-efeito entre a pobreza e a crença no divino), no Brasil e no Rio em particular o problema é a concorrência: um terço dos cariocas são evangélicos, e um pouco por toda a cidade maravilhosa é possível encontrar templos protestantes de todos os tipos e feitios, das mais variadas confissões e cada um com a sua versão muito própria da interpretação da fé cristã.

Não me agrada a proliferação deste tipo de igrejas, muitas delas autênticos negócios que enriquecem os tais "pastores" à custa da generosidade (e ingenuidade) do seu "rebanho", mas a Igreja Católica faz pouco pela vida. O povo brasileiro é por natureza festivo,e certamente que a muitos lhes agrada mais um serviço religioso onde se canta, dança, tocam-se cuícas e pandeiretas e se urram aleluias enquanto se realizam milagres, tudo sob o tecto de um templo moderno, arejado e equipado com sistemas de som topo de gama e outros efeitos, quem sabe. Uma opção menos taciturna que as cinzentonas igrejas tradicionais onde as bafientas missas obedecem a preceitos rigorosos, apelando ao silêncio e ao respeito, "temendo a Deus". É praticamente a diferença entre um alegre dia de sol na praia e um penoso funeral à chuva.

Os evangélicos oferecem tudo o que a Igreja Católica não tem, desde cânticos a "rock" cristão, coros "gospel", sermões coreografados num tom de alegria e dados por pastores delirantes, que em tudo diferem dos sisudos padres e os suas leituras do evangelho em voz moribunda e cara de poucos amigos. Certamente que os grupos condenados pela doutrina oficial do Vaticano, como os homossexuais, são mais que bem vindos numa das inúmeras confissões evangélicas do vasto sortido, podendo assim praticar a sua crença sem que lhes apontem o dedo acusatório. Arrisco mesmo a dizer que há mesmo uma ou outra que realize casamentos entre pessoas do mesmo sexo, nem que sejam apenas simbólicos.

Enquanto vão aparecendo cada vez mais cultos alternativos e mais pessoas optam pelo agnosticismo ou ateísmo, a Igreja Católica vai fingindo que não é nada com eles. Enquanto não se realizarem as reformas urgentes que façam a igreja de Roma entrar definitivamente na era moderna e abandonar a mentalidade estagnada do medievalismo, os fiéis vão abandonando o barco, e o destino é o naufrágio no agitado mar dos escândalos, dos dogmas ultrapassados, da condenação da homossexualidade, da proibição do preservativo, do aborto, dos progressos da ciência e da medicina, da dificuldade em estabelecer o dialogo com diversos quadrantes da sociedade moderna, da crise das vocações.

O Brasil recebeu o Papa com o carinho e alegria que se esperava do povo brasileiro, e muitos terão gostado de ter o líder da Santa Sé no seu país, mesmo que não professem ou pratiquem o catolicismo. Este Papa Francisco irradia simpatia, e quem sabe se pode mudar qualquer coisa, algo que seja. Mas da mesma forma que dois paus não fazem uma cabana, um homem só não muda uma religião. Há muito trabalho pela frente, e será que o "chefe" (Deus) ajuda?

CR7 quebra-ossos


Cristiano Ronaldo partiu acidentalmente o braço a um adepto de 11 anos, durante a marcação de um livre na partida amigável que o Real Madrid disputou em Bournemouth, Inglaterra, que os merengues venceram por 6-0. O remate forte foi parar à bancada, e o pequeno Charlie Silverwood levantou os braços de forma a proteger o rosto. Só que a "bomba" do CR7 levava fogo, e o jovem inglês não se livrou de uma temporada de braço ao peito. O português tem uma certa tendência para provocar casualidades nas bancadas, e ainda há dois anos atingiu um adepto do Getafe no nariz, tendo no final desse jogo pedido desculpa pessoalmente e autografado a camisola da vítima. Charlie não ficou aborrecido com o incidente, diz ser grande fã de Ronaldo e se calhar até gostou do mediatismo à volta do incidente. Não é todos os dias que o nosso herói nos parte um osso, e como consolação ainda levou para casa uma camisola do Real Madrid, oferecida pelos dirigentes Bournemouth FC. Devem ter ficado com pena do miúdo, coitado.

Olá, amiga! E adeus...


Mais um video chocante que nos chega da Rússia, com a agravante de se tratar de um acidente tão infeliz quanto mirabolante. Irina Astakhov, uma educadora de infância de 49 anos, conduzia o seu Skoda Fabia na cidade de Tihoretsk, quando deparou com a sua velha amiga e colega Aida Yugay, de 42 anos, que regressava de bicicleta do trabalho. Irina resolveu travar para cumprimentar a amiga, mas em vez de carregar no travão pisou no acelarador, e atropelou-a, deixando-a mais a bicicleta debaixo do seu automóvel. Apesar da violência do acidente, Aida sofreu apenas fracturas em três costelas e na clavícula, encontrando-se internada e em situação estável, mas em estado de choque. Em estado de choque ficou também Irina, que nesse dia devia ter deixado o Skoda na garagem. Ambas vão precisar de algumas sessões de psicoterapia depois deste "encontro" inesperado. Se Aida perdoar a amiga, podem até ir juntas.

George Alexander Lewis


George Alexander Lewis, é este o nome do herdeiro da coroa britânica, o filho do príncipe William e da duquesa de Cambridge, Kate Middleton, nascido na última segunda-feira. Quando todas as previsões apontavam para que se demorassem quatro a seis semanas antes que o nome do novo príncipe fosse divulgado, eis que surpreendentemente a casa de Windsor anuncia o nome do fedelho, apanhando os súbditos de surpresa. Ainda bem que se despacharam, que esta conversa do bebé, do nome e do raio que os parta já enjoa. Agora vão para casa e tratem da vossa vida, e deixem lá o careca loiro, a gaja dele e o miúdo em paz. O nome não constitui surpresa, pois “George” e “Alexander” eram os favoritos das bolsas de apostas. Eu próprio considero que em nome da multiculturalidade e diversidade do antigo império britânico, a criança podia chamar-se antes Mohammed Shaka Zulu Ghandi. Era só uma ideia. George também serve, que se lixe.

Sex on the telephone


Que os ingleses eram criaturas aborrecidas, especialmente no que toca aos momentos de intimidade não era novidade, mas uma nova pesquisa vem agora comprovar esta evidência. Metade dos britânicos utilizam o telemóvel durante o sexo com o seu parceiro, e os mulheres ganham aos pontos com 62% das inglesas a acharem o aparelho mais interessante que o acto sexual. Assim os resultados do inquérito realizado pelo Voucher Codes Pro, uma companhia de internet especializada em estudos sobre as tendências de consumo, demonstra que 34% dos adultos de ambos os sexos atende o telemóvel durante as relações sexuais, 24% lê ou responde a SMS, 22% lê e responde aos e-mails, e 12% faz telefonemas, Os casos mais graves não são assim tantos quanto isso, pois apenas 4% considera que ligar às redes sociais como o Facebook ou o Yahoo! Messanger é preferível ao desempenho do companheiro ou companheira. Surpreendentemente ou talvez não, 34% dos inquiridos não se importa que o parceiro utilize o celular durante a intimidade. Em termos de utilização da internet diária através do “smartphone”, os homens gastam 2 horas e meia, mais uma hora que as mulheres. George Charles, o responsável pelo estudo, diz que à primeira vista os resultados podem parecer “divertidos”, mas demonstram “o quanto deixamos a tecnologia interferir nas nossas vidas”. Charles considera ainda “grave” que as mulheres utilizem o telemóvel durante os momentos íntimos. Elementar, meu caro. Mas o que sugere que as senhoras faças enquanto o parceiro se diverte? Pintem as unhas?

Vídeo da semana


Beyoncé fez em Montréal, Canadá, mais uma paragem da sua "Mrs. Carter Show World Tour", e tudo corria às mil maravilhas até que um dos adereços resolveu fazer das suas. Foi enquanto interpretava o tema "Halo" que a cantora ficou com o cabelo preso numa ventoinha que se encontrava no palco, e apesar do susto, continuous a cantar, dando uma grande demonstração de profissionalismo. Foi uma questão de segundos até uma assistente libertar a cantora, bastando para tal uma tesourada na sua cabeleira.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Licenciatura em Prostituição: porque não?


Duas notícias na imprensa em português do território merecem destaque, e dão que pensar. A primeira diz respeito ao ex-governador de Macau, Vasco Rocha Vieira, que alugou um dos seus apartamentos em Lisboa a indivíduos pouco recomendáveis, que além de usarem o espaço para a prática e exploração da prostituição, não pagam renda há 10 meses. Rocha Vieira e um grupo de residentes do condomínio já apresentaram queixa, e um dos locatários chegou mesmo a ligar para o general ameaçando-o, e com uma enorme cara-de-pau, ainda deixou claro que não pagaria as mensalidades em falta. Noutra notícia a polícia de Macau desmantelou uma rede de prostituição que rendeu aos “empresários” qualquer coisa como 1,3 milhões de patacas num ano. Isto leva-me a pensar que fomos enganados, meus amigos. Tudo o que nos disseram sobre a honestidade, os estudos e o trabalho duro são estórias da carochinha. Afinal parece que o crime compensa. A maior fatia do bolo está no tráfico de droga e de armas, no contrabando e na contrafacção, na lavagem de dinheiro, e claro, na prostituição. Com os conhecimentos certos e um pouco de jeito, ainda se atinge o nirvana da impunidade.

Levemos em conta a prostituição, por exemplo, um negócio milionário. Se muitas vezes as coisas correm mal aos agentes desta profissão liberal sempre tão requisitada, não é apenas pela sua natureza ilegal. É também por falta de formação adequada, que leva a que se pratique com amadorismo. É necessário que de uma vez por todas se dotem os trabalhadores desta indústria dos conhecimentos e das técnicas que façam com que os negócios corram bem para todos, e que muitos não acabem na prisão, cortados às postas no lixo ou dentro de um saco cheio de pedras no fundo de um rio, É preciso elevar a mais velha profissão do mundo a um estatuto académico. A profissionalização tão urgente não pode ser feita nas ruas. Assim vamos levar isto a sério e deixá-la a cargo das universidades. Sim, é preciso um curso superior de Prostituição.

O curso de Prostituição, que poderá ser completado em quatro anos (ou três com o acordo de Bolonha) estaria ao acesso de maiores de 18 anos, sem limite máximo de idade – nunca é tarde para aprender. Os formandos seriam preparados para enfrentar o difícil mundo do sexo remunerado, apetrechados de conhecimentos teóricos e técnicos que transformariam uma actividade tantas vezes humilhante e decadente num emprego como outro qualquer, e bastante mais atractivo aos jovens que transitam do ensino secundário. Teria o currículo mais completo e eclético da História do Ensino Superior, com cadeiras que bebem da inspiração de outras actualmente administradas, como a medicina (Contracepção e Prevenção de Doenças Infecto-Contagiosas), cirurgia estética (Cirurgia de Reconstrução do Hímen), da farmacêutica (Afrodisíacos e Intoxicantes) da pintura (Maquilhagem de Bordel), do teatro (Simulação de Orgasmos), e até do direito (Ocultação de Provas, Produção de Alibis e Fraude Fiscal). Além de outras relacionadas com a área da Economia, do Cálculo Financeiro e da Gestão, e nem preciso especificar quais, além da garantida prática de bastante exercício físico.

O curso não requer quaisquer atributos físicos especiais, e pode ser frequentado por todos, desde a loira bombástica ao anão corcunda, graças à vasta oferta de saídas profissionais: prostituição feminina e masculina, proxenetismo, lenocínio, tráfico humano, chantagem e extorsão, serviço de acompanhantes de luxo e pornografia, para os que preferem seguir uma carreira no mundo do espectáculo. Além do horário flexível e outros benefícios, existe o aliciante de se poder trabalhar para o Crime Organizado. Quantos de nós se podem orgulhar de trabalhar para uma entidade patronal “organizada”? Permite ainda viajar pelo mundo e conhecer gente interessante, desde outros profissionais do mesmo ramo, como traficantes de armas, barões da droga e músicos “rock”, e até personalidades do “jet-set”, recebendo convites para as festas privadas de politicos, empresários, atletas de alta competição e dirigentes desportivos.

Outro aspecto aliciante tem a ver com o local onde a profissão pode ser exercida. Avenidas, auto-estradas, casas de passe, bares de alterne, saunas, clubes nocturnos, hotéis, chamadas ao domicílio, banco de trás de um automóvel ou camião, enfim, as possibilidades são infinitas. Como a prática da prostituição não requer qualquer equipamento além daquele com que todos viemos ao mundo, pode-se executar um serviço mais improvisado, ou “rapidinha”, numa casa-de-banho de avião, atrás das dunas da praia ou numa mobília de escritório. Os mais afoitos podem mesmo ganhar uns extras sem recurso à penetração vaginal ou anal. Um “bico” numa retrete pública ou num vão de escada, ou uma simples gratificação manual por baixo da toalha de mesa num restaurante.

A profissionalização da prostituição através da formação académica atrairá certamente um número crescente de jovens, ansiosos por aventura, emoções fortes e oportunidades lucrativas que nunca conseguiriam obter optando por outros cursos mais generalistas. Lembram-se quando os nossos pais nos diziam “já tens um corpinho muito bom para trabalhar”? Aqui a palavra-chave é “corpinho”, portanto toca a fazer uso dele. Uma vez com o canudo na mão, passa-se da marginalidade à prosperidade, e qualquer professional que se preze que seja chamada de “puta” pode a partir daí responder altiva: “Puta não…Dra. Puta, faz favor!”.

Voando sobre um ninho de cucos


O Hospital Kiang Wu realizou um estudo sobre a sanidade mental dos cidadãos de Macau, e concluíu que são as crianças e os "croupiers" os que mais sofrem de problemas do foro psiquiátrico, com a depressão a ocupar o primeiro lugar das maleitas que afectam estes grupos. Os estudantes sofrem com a pressão dos resultados escolares, e com a exigência dos pais para que obtenham um aproveitamento entre os melhores da sua turma. Os sintomas da depressão manifestam-se periodicamente: insónias, falta de apetite, dores de cabeça e de estômago ou vómitos são os mais frequentes. Muitos encarregados de educação, especialmente os mais velhos ou os menos educados, "não acreditam" na depressão, e se o miúdo tem dores de cabeça é porque "passou tempo demais em frente ao computador e jogos de videos". Se tem dores de estômago e vómitos é porque "só come porcarias". Na competitiva sociedade chinesa, onde a "face" tem um valor incalculável, os psicólogos e psiquiatras são olhados com desconfiança, e as doenças mentais "não existem". Está tudo na cabeça dos miúdos, e não há nada que um bom par de estalos não resolva. Esta negação leva a que se atrase o tratamento, e quando finalmente se torna difícil provar que o problema é resolúvel no seio familiar, a recuperação torna-se longa e difícil. No caso dos "croupiers", funcionários dos casinos, o problema prende-se sobretudo com o trabalho por turnos e a alteração dos hábitos de sono. Numa cidade como Macau, onde nem sempre os resultados escolares de excelência valem uma carreira interessante fora do círculo do jogo e da hotelaria, o futuro não se afigura risonho. Certamente temos hoje uma boa dose de jovens "malucos" nas escolas, que mais tarde se tornarão "croupiers", e por inerência "grandes malucos". E já se sabe: aqui não há pão para malucos.

Leve-me consigo, sra. agente (que eu sou um mau menino)


Desde pequeno que me sinto fascinado pela figura da mulher-polícia. Sempre as achei especialmente “sexy”, mesmo antes que a puberdade me batesse à porta, e ainda hoje me sinto meio acalorado quando vejo uma cachopa de farda, cacetete e pistola. Nem precisam de ser dotadas de atributos de beleza por aí além, boas mamocas ou uma bela peida, pois só o uniforme é quanto baste para garantir a batalha. Cheguei a pensar que tinha um problema qualquer, uma parafilia rara ou outra tara, mas quando constatei que em qualquer “sex-shop” que se preze é possível adquirir a farda completa com distintivo e as indispensáveis algemas incluídas, deduzi que fetiche tem uma respeitável legião de adeptos. É uma dos pratos mais pedidos da ementa do sado-maso pelos apreciadores da culinária erótica mais condimentada. Foi por pouco, mas ainda fui a tempo de cancelar a lobotomia a que me ia submeter de forma voluntária. Talvez este fascínio pela mulher-polícia se explique pela subversão da figura do agente da ordem pública, predominantemente masculina. Subversão essa que arrasta consigo o nosso libido, e nos deixa a suspirar por dócil bófia-fêmea que nos leve para o calabouço dos lençois e nos encha de tau-tau e abuse da sua autoridade até ao ponto do orgasmo múltiplo.

Isto tudo a propósito de uma notícia do jornal Ou Mun reproduzida na edição de segunda-feira do Jornal Tribuna de Macau, que dava conta de um episódio envolvendo uma agente policial a quem faltaram ao respeito. A agente em causa ia no elevador do seu prédio, perto da esquadra onde trabalha, quando foi vítima de assédio sexual por parte de quatro indivíduos oriundos da China continental, com idades compreendidas entre os 21 e os 26 anos. A mulher identificou-se, deixando saber com que se estavam a meter os malandrecos, mas nem assim conseguiu que estes se acalmassem. No dia seguinte os quatro turistas foram detidos e levados para a esquadra, onde não devem ter encontrado motivos para repetir a gracinha. A noticia, uma “breve”, não fornece outros detalhes, nomeadamente o grau de assédio sexual em questão, que pode tanto ir de um simples piropo a insultos, apalpadelas ou até uma tentativa de violação. Não se sabe ainda se os indivíduos em questão se encontravam embriagados ou se há algum excesso de zelo por parte da queixosa, e se a gravidade da ofensa justifica a caça ao homem que se seguiu e que acabou na detenção dos quatro jovens. Mas suponhamos que os agressores se encontravam no pleno uso das suas faculdades cognitivas, e que os seus actos podem ser considerados pelo menos de média gravidade. Dá que pensar. Se uma mulher-polícia se sentiu ameaçada ao ponto de precisar de puxar do distintivo, como se sentiria uma civil indefesa, fechada num elevador com quatro matulões mal intencionados? Uma brecha preocupante na segurança pública, se bem que impossível de prevenir.

Isto há gente que nunca aprende, enfim. Podemos fantasiar sobre a nossa mulher fatal à vontade, vestida de polícia, enfermeira, freira, coelhinha da Playboy, Catwoman ou de Mulher-Maravilha. Mas quando chega a hora de tratar uma senhora, cavalheirismo é a palavra de ordem. Podemos até reparar numa desconhecida atraente que partilhe connosco o elevador ou o assento no autocarro, imaginá-la toda nua, submissa e rendida às investidas da nossa masculinidades, suando em bica, com os cabelos desgrenhados e alternando gritos de dor com gemidos de lascívia, conforme a intensidade com que lhe açoitemos as nádegas. Mas isto fica cá dentro, contido na central de incineração dos pensamentos sujos. Tudo o que devemos mostrar é simpatia e acima de tudo bons modos, e optar pelo assédio ou pela javardice como desbloquador de conversa é começar a construir a casa pelo telhado. Se lhe conquistarmos a simpatia, dando início a uma bela amizade e com alguma sorte algo mais, então é a altura ideal para extravazar uma boa dose de charme masculino mais “brutal”. E se for bem feito, elas até pedem bis da próxima vez! Por isso sejam pacientes, meninos rabinos, e controlem-se.

No formigueiro de Pequim


Numa cidade como Pequim, com mais de dez milhões de habitantes e ainda por cima na sua maioria chineses, a hora de ponta pode ser um caso sério. Do metro da capital da China chegam estas imagens espectaculares, com milhares de passageiros a travar uma autêntica batalha para garantir lugar numa das composições do comboio. A competição é tanta que alguns passageiros que tentam sair são empurrados de volta por outros que tentam desesperadamente não ficar de fora e esperar pela próxima viagem, o que mesmo assim não lhes garante um lugar. Cenas do cotidiano que mais se aproximam da actividade de um formigueiro.

Piloto automático


Depois de anunciar a indisponibilidade de Tito Vilanova por motivos de saúde, o Barcelona começou a procurar quem preenchesse a vaga de treinador principal, com vista à nova época que se aproxima. Em cima da mesa estavam alguns nomes conceituados, mas a direcção do clube catalão optou pelo argentino Gerado Martino, que já tinha sido o primeiro nome indicado. A opção recai assim sobre um virtual desconhecido, e muitos ter-se-ão interrogado ao ter conhecimento da notícia: "quem?". George Martino, carinhosamente conhecido por "Tata", é de facto um nome que não diz muito a quem não acompanha o futebol sul-americano. Depois de uma carreira mediana como jogador professional, "Tata" treinou vários clubes sem grandes ambições na Argentina e os paraguiaos do Cerro Porteño, sem alcançar feitos assinaláveis. Mas foi na selecção do Paraguai, que treinou entre 2006 e 2011 que atingiu a notoriedade. Foi logo eleito treinador do ano na América do Sul em 2007, e esteve no mundial de 2010 - facto que leva os mais atentos a poderem dizer que tinham ouvido o seu nome antes, pelo menos. Depois disso orientou o seu clube de sempre, o Newell's Old Boys, que curiosamente foi também o emblema que Lionel Messi representou antes de ser contratado pelo Barça, ainda com 13 anos. "Tata" tem ainda o comum com o "pulga", que é agora seu discípulo, o facto de ambos terem nascido na cidade de Rosário. Se Martino fracassar, não será por não se conseguir entender com a maior estrela da equipa, com toda a certeza. E por falar em expectativas, "Tata", actualmente com 50 anos, tem pela frente uma tarefa algo ingrata nesta sua primeira experiência europeia, onde entra logo pela porta grande. Se correr bem, vai haver quem diga que foi por causa do Barcelona, cuja qualidade do plantel permite que quase não seja necessário um treinador. Se falhar, dirão que "nem com o Barça teve sucesso". Seja qual for o nome do técnico, os "blaugrana" vão com toda a certeza manter-se fiéis ao seu estilo e guiados pela mesma motivação: derrotar o Real Madrid e elevar ainda mais o nome da Catalunha.

O anti-herói e o seu heroísmo


George Zimmerman é o homem de quem todos falam na América. O vigilante de 29 anos que no ano passado matou a tiro um jovem negro foi absolvido por um tribunal da Florida, o que causou a revolta dos afro-americanos e restantes auto-proclamados defensores dos direitos civis, exigindo que o sistema judicial produza uma pena de prisão efectiva que apazigue as hostes que vociferam “racismo!” a torto e a direito. Este é um tipo de pressão que deixaria muito boa gente trancada no quarto e escondida debaixo da cama, mas Zimmerman vai tentando viver o dia-a-dia dentro do possível, e agora foi notícia pela positiva. O ex-vigilante andava a pé por uma auto-estrada da Florida quando deparou com um veículo acidentado, um utilitário desportivo que tinha capotado minutos antes e deixado os seus passageiros retidos no interior. Zimmerman e o amigo viraram o veículo e resgataram a família de dois adultos e duas crianças, que escaparam do desastre com ferimentos ligeiros. Um porta-voz da polícia local confirmou o acto de heroismo, reiterando que Zimmerman não testemunhou o acidente. Contudo não vão tão longe ao ponto de o chamar um “herói”, não vá isso resultar em problemas com a mole anti-Zimmerman que anda aos berros pela América, mas inserem o acto na categoria de “boa acção”. Se Zimmerman é um bom samaritano disposto a ajudar quem precisa ou um porco racista que saíu impune depois de praticar um crime de ódio depende da perspectiva. Se foi realmente heroísmo ou não, o infortúnio desta família que capotou na auto-estrada vem mesmo a calhar para o homem que precisa desesperadamente de transmitir uma boa imagem que reablite a sua arruinada reputação. Uma sondagem realizada pelo conceituado Centro de Pesquisas Pew demonstra que 39% concordam com o veredicto do júri que absolveu Zimmerman, enquanto 42% se opõem, e 19% estão-se nas tintas. A família de Trayvon Martin, o jovem mortalmente atingido naquela fatídica noite de Fevereiro de 2012, estará a pensar em interpôr uma acção civil contra Zimmerman, mas uma lei em vigor na Florida que defende o direito à auto-defesa recorrendo ao uso de qualquer meio, incluíndo a violência, coloca-se como obstáculo a essa intenção. Uma lei muito contestada, que já levou algumas celebridades a exigir o seu boicote. Stevie Wonder tomou a iniciativa, e logo foi secundado por Madonna, Jay-Z e Usher, entre outros.

Sons da "silly season": Abraço a Moçambique


Estávamos nos meados dos anos 80, mais precisamente no Verão de 1985, e os Dire Straits estavam no topo de vendas em Portugal com o seu álbum “Brothers in Arms”, o magnum opus da banda de Mark Knopfler. Entretanto a ex-colónia portuguesa de Moçambique encontrava-se devastada pela guerra civil, e o número de refugiados crescia a um ritmo diário, bem como a escassez de alimentos e por inerência a fome. E esta era fome a sério, da Africana. As imagens das criancinhas famélicas e rodeadas de moscas que nos entravam pelos lares através da televisão derretia o coração dos portugueses, ainda para mais tratando-se de um país irmão. E foi assim que nasceu o projecto “Abraço a Moçambique”, uma campanha humanitária com o objectivo de amenizar o sofrimento dos moçambicanos. O tema da campanha contou com a colaboração voluntária de várias figuras da música portuguesa, e a selecção dos artistas foi, no mínimo, conservadora. A primazia foi dada aos nomes fortes da música de intervenção e do nacional-cançonetismo, não deixando de fora os clientes habituais dos Festivais da Canção. A música moderna portuguesa ficou timidamente representada por um discreto Jorge Palma, que quase nem se nota não fosse pelo chapéu que coloca na cabeça perto do fim da música, e Rui Veloso, que contribui com um solo de guitarra. A parte de leão em termos de interpretação vai para artistas como Manuel Freire, Lena D’Agua, Samuel, Tonicha, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, o saudoso RaúI Indipwo, José Mário Branco ou Maria Guinot, que tinha vencido o Festival um ano antes, entre outros. Os mais novos podem encontrar um paradoxo entre esta selecção do passado e os artistas de hoje, podendo mesmo assumir que isto se trata de uma espécie de proto-pimba. Os mais velhos, especialmente dos sessenta anos para cima, vão recordar com saudade este que foi o “We are the World” tuga.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nome? Leocardo. Idade? 38. Sexo? Sim, obrigado!


Sexo. E pronto, comecei um texto com a palavra “sexo”, o que não é para qualquer um. A vantagem de ser maior e vacinado e administrador de um blogue que ainda é lido por meia dúzia de gente com tempo livre a mais é poder falar de “sexo” sem levar com a moca. Atrevesse-me eu a falar de sexo numa composição do secundário e era no mínimo suspenso, ainda que me esmerasse em fazer uma abordagem séria ao tema. Agora tenho campo aberto para falar de sexo, pénis, vaginas e o que me der na gana, e ainda me posso dar ao luxo de mandar os puritanos irem mamar na quinta. Os que sabem o que “mamar na quinta” quer dizer, estão não só bem informados como ainda dominam a terminologia técnica da mais natural e saudável função do corpo humano, sem os constrangimentos da moral, do respeito e da tradição. São dos meus.

A palavra sexo é por natureza agressiva. Quatro letras, duas delas vogais, e com a presença do misterioso “x”, uma das letras que ocupa menos páginas no dicionário. A presença de um “x” numa palavra deixa os sentidos de alerta. O “x” marca o local, o “x” é o número da equação que procuramos decifrar, e é com o “x” que votamos e decidimos os destinos de um país (bem, ou mais ou menos isso). É através do Raio-X que nos conhecemos por dentro (literalmente), e já que estamos a falar de sexo, é nos filmes XXX que encontramos a mais desinibida e debochada javardice e pouca-vergonha, a pornografia. “Pornografia” não leva “x”, e é pena. Devia chamar-se “Pornografixa”.

Sexo não é um palavrão feio mas podia muito bem ser. Uma criança com menos de 10 anos que pronuncie a palavra na presença de um pai ou professor candidata-se a um raspanete, e no limite ainda leva com o rótulo de “problemática”, contribuindo para que psicólogos, pedopsiquiatras e assistentes sociais tenham pão na mesa. Somos ensinados desde novos que o sexo “é uma coisa suja”. Quando tomamos plena consciência de que afinal nos mentiram, sentimo-nos enganados, e em sinal de protesto procuramos praticar o sexo o maior número possível de vezes, e de preferência com muitos parceiros, só para ter a certeza que nos fazemos entender. Nada como deixar as coisas preto no branco, para que não restem dúvidas.

Nas sociedades mais conservadoras, na qual se inclui a nossa, termos como “erecção”, “orgasmo”, “ejaculação” ou “climax” são ainda tabu, mesmo que para qualquer criatura normal e funcional sugerem uma ou duas horas bem passadas. São palavras que não se ouvem no dia-a-dia, e ficam remetidas para as consultas médicas em casos de disfunção erectil ou frigidez, ou muito timidamente nas aulas de Biologia. Na TV enquadram-se em rubricas de sexologia que passam depois da meia-noite, e no evento de um jornalista precisar de pronunciar uma delas durante o Telejornal, não o faz sem sentir pelo menos algum desconforto. Mas porque carga de água? Todos gostamos de orgasmos, e pobres dos que no conseguem produzir uma erecção ou ejacular em condições. São aleijados, coitadinhos.

O evento da civilização trouxe-nos um sem número de benefícios, sem dúvida. O facto de não vivermos mais em cavernas cobertos de peles ensanguentadas, podermos usufruír de comodidades como água potável, saneamento ou electricidade são algumas das vantagens do progresso e da vontade do ser humano em tornar a sua vida melhor, digna de ser vivida. Por outro lado foi complicado encontrar um consenso no que diz respeito aos valores, à necessidade de estabelecer o que se entende por correcto e o que se entende por marginal. Foi bem pensado condenar acções que agridam outro ser humano, como o roubo, o homicídio ou a violência física e até verbal. No particular dos comportamentos primários, é de salutar a ilicitude da violação, do incesto ou da pederastia (ou pedofilia, como é hoje conhecida). Contudo tenho a certeza que os nossos antepassados hominídeos eram muito mais felizes sem as imposições de ordem moral que transformaram a percepção de “acto sexual”, que nos tempos do Paleolítico era praticado com a mesma naturalidade com que se bebe um copo de água. O que quer isto dizer? Que defendo a promiscuidade e a selvajaria? Nada disso. Já lá vamos.

Aceito – mesmo com reservas – a componente de “propriedade privada” que implica o casamento. É difícil imaginar um mundo onde a concretização do desejo comum de exclusividade quanto ao uso do equipamento genético do parceiro fosse negada, mesmo que a perspectiva de comer o mesmo prato até ao fim da vida seja algo assustadora. Casa quem quer, e se por acaso se arrependeu e quer partilhar a genitália com terceiros, quartos ou quintos, pode sempre optar pelo divórcio, uma modalidade criada para desatar o nó do matrimónio. Mas casamentos à parte, e gozando da plenitude do celibato, quem foi que se lembrou de colocar obstáculos à alternância de parceiros sexuais no número e na forma que muito bem entendermos? Onde estão escritas as regras da sexualidade, ou estabeleceu limites quanto a quem vai para a cama com quem?

Mais uma vez, e isto já parece um disco riscado, a culpa é da Igreja. Ou pelo menos grande parte da culpa. Atendamos aos nomes feios com que a Igreja se lembrou de decorar a actividade sexual, e estragar-nos a festa: “deboche” e “luxúria” para designar as manifestações naturais do libido, “sodomia “ para o sexo anal, e “onanismo” para a masturbação, inspirados numa cidade e num personagem bíblicos, respectivamente, que ainda por cima carecem de confirmação quanto à sua existência, e “fornicação” para o sexo praticado fora da santidade do casamento. Em pleno século XXI, um casal de namorados que tenha relações sexuais está a “fornicar”. É caso para responder: vão vocês! Não tivesse o próprio clero que tanto se orgulha do celibato dos seus sacerdotes um historial de deboche, luxúria, fornicação e etcetera e tudo isto faria algum sentido. Era estúpido na mesma, mas pelo menos livre da casca grossa da hipocrisia. Já o Direito, essa ciência mais séria, atribui aos actos carnais designações igualmente pesadotas, mas que se redimem pelo seu carácter regulatório. Palavras como “coito” ou “cópula” soam melhor quando ditas em tribunal do que simplesmente “foda”, que no fundo é o que querem realmente dizer.

A prática sexual sem compromisso com parceiros múltiplos recorrendo ao maior número possível de expedientes para maximizar o prazer passou a ser conhecido por “libertinagem”. Cortesia dos clássicos, com o Marquês de Sade como seu expoente máximo. Não compreendo porque se atribui à libertinagem uma conotação negativa, ou porque tanta gente demoniza o marquês, um mero “bon-vivant” francês que estava muito longe de ser um louco pervertido possuído por Satanás. Quem, no uso pleno das suas faculdades mentais, não pensa em sexo todos os dias? Mesmo os mais reprimidos que caíram na cantilena do “sexo é pecaso”, pobres diabos, que se vão lentamente afundando nas areias movediças da demência. Não é preciso que um homem deite a língua de fora e uive quando passa uma mulher atraente, ou que uma mulher estimule o clitoris em público quando passa um homem que a agrade, mas das poucas certezas que ainda vamos tendo, uma delas é que o sexo está sempre na mente de todos, sejam eles prefixados de hetero, homo ou bi.

Claro que o sexo não é tudo na vida, e mal de nós que fosse. É preciso encontrar um equilíbrio que evite uma indesejável tara que nos deixe à margem da sociedade. A liberdade de escolha de quantos parceiros e quais é algo que apenas a nós diz respeito, mas convém cumprir os preceitos próprios da vida em sociedade. Um homem e uma mulher – ou dois homens, ou duas mulheres, o que quiserem, desde que exista consentimento de ambos – que se sintam irresistivelmente atraídos um pelo outro não podem simplesmente tirar a roupa toda e satisfazer o desejo na esquina mais próxima.
É anti-social. Mas se realmente existe esta atração mútua, mesmo que o interesse seja apenas físico, o que os impede de a consumar com a maior brevidade possível, sem precisar do consentimento de ninguém ou preocuparem-se com o que os outros pensam?

O sexo tem um poder quase magnético que se manifesta em quase todas as actividades humanas, mesmo que de forma inconsciente. Existe uma relação íntima entre a ambição e o sexo. Quem se esforça por estudar, conseguir um bom emprego, ganhar mais dinheiro, comprar uma casa maior e um carro melhor, investindo na aparência habilita-se a mais e melhor sexo do que um pobretanas que mal tem onde cair morto, reduzido a partilhar a sua miséria com outra pobretanas que conheceu na fossa céptica que ambos frequentam. Pode parecer um disparate estabelecer um paralelo entre uma vida melhor e a tesão, mas pensar assim é negar as evidências. Porque é que os homens usam perfume quando têm um encontro? Que relevância tem o vestuário ou o penteado, se no subconsciente não estiver a esperança, mesmo que ténue, de acabar a noite na pouca-vergonha com a menina? De que vale estar rodeado de luxos sem que estes sejam complementados com a realização sexual? Está cientificamente comprovada a eficácia de uma vivenda com piscina e um Lamborghini na garagem no engate de modelos de biquini, actrizes principiantes e outras bimbas. E nem é preciso ser atraente, interessante ou ter bom hálito. Olhem para o exemplo do Jean Todt. Caso encerrado.

Em Macau os adeptos de um bom chavascal e restantes apreciadores dos prazeres carnais sofrem com o puritanismo e a hipocrisia vigentes. A mentalidade local está ainda presa às cordas da moralidade e da noção de que uma relação sexual é um caça ao tesouro através de rios infestados de crocodilos e savanas habitadas por leões famintos. Impera o pensamento retrógrado e medieval de que o prazer sexual é um privilégio dos homens e as mulheres as vítimas da procura desse prazer. Por vezes isto leva o "sexo fraco" a adoptar uma estratégia de auto-defesa, inibindo-se de se entregar, mesmo que por vontade própria, sem que o "invasor" lhe garanta contrapartidas. E assim nasceram as promessas de alcofa, o "pillow talk". Como se os homens não fossem já mentirosos quanto baste para que sejam obrigados a esta astúcia mais conhecida por "canção do bandido". E não fossem já as mulheres tão ingénuas que ainda por cima caem na esparrela. Um homem que durma com muitas mulheres é elevado ao estatuto de “mestre”, enquanto uma mulher que tenha mais que um parceiro é leviana e fácil. Se exigir que o seu parceiro a satisfaça da mesma forma que ela o satisfaz, é tida como devassa ou ninfomaníaca, e muitas vezes a melhor opção é ficar a olhar para o tecto enquanto geme num ritmo cadenciado, para que a virilidade do macho não fique beliscada. A virgindade é vista como um património em vez de uma simples membrana, e a pressão exercida sobre as jovens para que casem com o primeiro homem que as leve para a cama leva a que se tornem demasiado defensivas, ou encarem com desespero o fim de um relação.

Posto isto, o que tem o sexo de tão complicado ao ponto de necessitar que se cumpram tantos preceitos, em vez de mergulhar de cabeça no poço dos desejos? Que diferença faz que fulano ou sicrana tenham muita ou pouca tesão, prefiram outra posição que não a de missionário, a única que “não ofende”, ou que tenham um fetiche? A única implicação do sexo na personalidade, no desempenho profesional, no estado de espírito ou no equilíbrio emocional é só uma: a frequência com que se faz e a satsifação que se obtem dele. Se o problema é com o “equipamento”, não há que ter vergonha em procurar ajuda. Da mesma forma que se leva o automóvel ao mecânico quando não pega ou tem folgas na embraiagem, é fundamental tratar da mecânica do sexo, se esta nos impede de realizar os nossos desejos e fantasias mais deliciosas. Assim como quando vamos buscar o carro depois do conserto, o que nos interessa é que no fim seja possível dar as nossas voltinhas. Mais sexo e menos preconceito, mais sedução e menos inibição. E depois vão ver que após consomado o pecado original, dormimos mais descansados, sonhando com a próxima aventura dos sentidos. E quem disse que a culpa é nossa por pensarmos tanto no sexo, ao ponto de precisar de aturar tanta coisa? Somos mesmo assim. É defeito de fabrico.

Mariza a mais...enjoa?


Mariza passou mais uma vez por Macau, e deu o seu terceiro concerto no território no espaço de cinco anos, se não estou em erro. Desta vez a nova rainha do fado actuou na arena do Venetian, e ao contrário dos espectáculos anteriores, a lotação do anfiteatro não ficou esgotada. Longe disso, ao ponto da cantora lamentar o facto, em jeito de desabafo, e depois resolver muito desportivamente o problema, convidando o público a chegar-se aos luagres vagos mais próximos do palco. O sucesso internacional alcançado por Mariza nos últimos anos valeram-lhe o estatuto de diva, que a fadista tem conseguido gerir com inteligência e profissionalismo, e como qualquer diva que se preze, não reage bem à existência de clareiras nas salas de espectáculo por onde passa. Foi um pouco embaraçoso para todos que o maior nome do fado, a canção nacional por excelência, não tenha sido recebido com casa cheia logo em Macau, a última jóia do império português. Talvez isto se explique com o facto de estarmos na segunda metade de Julho e muitos dos nossos expatriados aqui residentes estarem já em pleno gozo das suas férias, ou talvez muitos ainda não tenham digerido a última passagem de Mariza pelo território. Seja qual for o motivo, não será certamente pela falta de qualidade do artista que a Arena do COTAI não encheu. Apesar de não ser um fã, gostei da forma como a cantora reagiu. Amália talvez virasse as costas à plateia incompleta. E com toda a certeza que Mariza continuará a sentir pelo público de Macau o carinho especial que demonstrou aquando das suas passagens anteriores, e a incluir-nos nas suas futuras tournés. E com um reportório renovado com a qualidade a que habitou o seu público, a adesão será com toda a certeza correspondente com os seus pergaminhos. Por enquanto é melhor dar um tempo...

Gugu dadá essa coroa


Boas novas! Boas novas! Ele já chegou! Alegria, alegria! The bells are ringing! Celebremos bonança! Que não falte à mesa o Kirsch, a tarte de mioleira e rins de ovelha, as tartes de custarda! Sirvam o vosso melhor cherry e o tragam o ponche mais doce! Que dobrem os sinos das catedrais, que o povo saia à rua! Venham as fanfarras, toquem o hino, e que viva a rainha! A Inglaterra está em festa, nasceu o seu futuro rei! Hip, hip, hooray! Catarina, duquesa de Cambridge, deu à luz um menino, que é "só" o terceiro na linha de sucessão ao trono britânico. Depois de semanas de expectativa que custaram aos súbditos de sua majestade as unhas das mãos e dos pés, eis o novo fruto da árvore da realeza. O bisneto de Isabel, o neto de Carlos e da malograda Diana Spencer, sobrinho-neto de André e Ana, filho de William e sobrinho de Harry. Este já cá canta, e o berço de ouro de Windsor já tem outro inquilino. Benditas as ilustres fraldas que vão amparar os nobres xixis e cocós. Deus abençoe o ventre plebeu fecundado pela aristocrática semente. Custou mas foi, e agora só falta que o pequeno príncipe dê a cara e tenha um nome, e os ingleses podem finalmente dormir descansados. E vivam as monarquias, o brinquedo caro da populaça.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Porca do quê?


As novelas e filmes portugueses foram sempre marcados por uma grande dose de pudor dos seus intérpretes. O "cuidado com a língua" leva mesmo a que os actores e actrizes fiquem meio atrapalhados cada vez que precisam de dizer algo tão simples como "merda", e é preciso uma grande dose de audácia e muito fôlego para que saia qualquer coisa do tipo "filho da puta", e na maioria das vezes opta-se pelo mais familiar "filho da mãe". Mas na novela "Destinos Cruzados", da TVI, operou-se uma verdadeira revolução, ou na óptica dos mais sensíveis, um "escândalo". O personagem interpretado pela actriz Jessica Athayde lê uma revista no sofá, enquanto comenta em voz alta "queres, queres...o que tu queres sei eu...porca do caralho". A última parte foi dita um pouco entre dentes, o que dá a entender que o comentário não estaria no guião. Desconheço por completo o contexto, ou a quem se referia a actriz como sendo uma suína do pénis, mas Jessica Athayde é a pioneira da boca suja na TV portuguesa em programas sem bolinha no canto do ecrã. Fez história, e fosse ou não a obscenidade parte da sua fala, isso pouco importa. Está de parabéns.

Sombra de pecado


A revista TIME, uma das mais antigas e respeitosas publicações da actualidade noticiosa e da reportagem, está no centro de uma polémica que se pode considerar, no mínimo, engraçada.E nem é preciso abrir a revista para perceber a razão, pois o “escândalo” tem a sua origem logo na capa. Acontece que esta semana é o Papa Francisco que faz a capa da TIME, com excepção dos Estados Unidos, onde a honra vai para o malogrado Trayvon Martin, o tal adolescente assassinado por um vigilante, tornando-se no sabor do mês. Na capa vemos a imagem do sumo-sacerdote tapando o logotipo da TIME, e logo por azar a sua iminente cabeça cobre a letra “M”, deixando de fora as duas extremidades superiores, dando a ideia que o Papa tem um par de corninhos. Ainda por cima nesse dia a malta do grafismo resolveu colorir de vermelho as letras. Chifres pequenos, aguçados e vermelhos, uma imagem que os mais crentes associam normalmente ao Diabo. Uma heresia das grandes. Oh, a humanidade.

Atendendo aos pergaminhos de publicação séria de que TIME usufrui, quero acreditar que se trata apenas de uma coincidência, e no texto que acompanha a imagem do líder da Igreja Católica lê-se “The People’s Pope” – o Papa do Povo, e não “eis o Anti-Cristo em pessoa” ou algo que dê a entender que se está a querer denegrir a imagem do bom Chico, que para Papa até é fixe e mais facilmente identificável com as pessoas normais. Mas sem dúvida que o “boneco” do Papa-chifrudo que algum desocupado se lembrou de identificar (eu próprio precisei de ler a notícia para perceber a origem da controvérsia) é mais que suficiente para alimentar os adeptos de uma boa teoria da conspiração, daquelas “à antiga”. Pois de facto qualquer bom cristão, temente a Deus e convencido de que existem mesmo um Céu e o Inferno, ficará escandalizado com a associação do seu Santo Padre ao pútrido mafarrico, mesmo que acidental. Afinal o Papa foi escolhido por Deus para o representar entre os mortais, e…mas esperem, foi escolhido por Deus? Literalmente, de papel assinado, reconhecido e depositado no cartório? Não? Bem, assim já não digo nada. Tanto pode ser apenas uma questão de enquadramento da imagem na capa, ou o próprio Satanás a piscar-nos o olho. Lagarto, lagarto, lagarto.

Esse bife sai ou demora muito?


A actualidade do Reino Unido tem sido marcada pelo calor “anormal” para as Ilhas Britânicas, com os termómetros a atingir os 30º Celsius, o que tem deixado os súbditos de sua majestade mais “acalorados” que o habitual – se antes era comum ver os tais “hooligans” dos estádios sem camisa, agora a moda ameaça passar para o cidadão comum. Além do calor, o país aguarda com ansiedade o nascimento real: o primeiro filho do príncipe William e de Kate Middleton, que estão prestes a se tornar pais. O problema é que o mediatismo já há muito transbordou da panela do tolerável, e não se fala de outra coisa. É mesmo possível apostar na data do nascimento, sendo a mais provável o dia 2 de Agosto, de acordo com os medicos que acompanham Kate Middleton. O tablóide The Sun chegou mesmo a publicar fotografias prognosticando como será a chegada do novo membro da família real, incluíndo uma em que se vê a rainha Isabel II com o bisneto ao colo. O custo de toda esta brincadeira é de fazer abrir a boca de espanto: 243 milhões de libras em comemorações e bugigangas, desde lenços e camisolas até a conjuntos de chá completos. É verdade que para a coroa britânica este é um momento que se reveste de importância, pois a criança que aí vem poderá vir um dia a ocupar o trono, tratando-se do herdeiro do provável futuro rei de Inglaterra, bisneto primogénito da rainha. Mas toda esta expectativa em torno de um simples parto a encher os noticiários já enjoa. É caso para perguntar: então o pequeno “bife” sai ou não?

Tito vida nova


O treinador do Barcelona, Tito Vilanova, foi obrigado a abdicar do seu lugar no banco devido ao carcinoma na garganta que o tem apoquentado há mais de um ano. Vilanueva esteve afastado do comando da equipa catalã durante parte da época passada enquanto realizava tratamento, mas a persistência da doença obriga-o agora a um novo período ambulatório, incompatível com as exigências do futebol de alta competição. Na época passada Vilanova teve a complicada tarefa de substituir Josep Guardiola, que em quatro anos ao leme dos “blaugrana” ganhou tudo o que havia para ganhar, e apesar da época menos conseguida e das derrotas frente ao eterno rival, o Real Madrid, conquistou a liga espanhola e alcançou a marca dos 100 pontos, igualando o recorde dos merengues obtido um ano antes. Para o seu lugar fala-se de vários nomes, entre os quais o português André Vilas-Boas, actualmente ao serviço dos ingleses do Tottenham. Tito Vilanova, um bom professional e homem discreto, que evitou sempre alimentar polémicas com o “enfant terrible” José Mourinho enquanto este esteve do lado do inimigo, tem agora pela frente um novo desafio. Uma batalha mais desgastante que o dia-a-dia dos treinos, das tácticas e das instruções para dentro das quatro linhas. Um jogo em que nem sempre o génio, a persistência e a vontade de vencer imperam. Não nos resta senão desejar-lhe as melhoras, e que saia vencedor contra esse adversário tão matreiro que é o cancro, que não faz cerimónias quando entra a pés juntos e deixa o adversário inferiorizado. Se por enquanto os adeptos do Barça não podem mais gritar “viva Vilanova”, que nestas horas dramáticas entoem alto e bom som “que Vilanova viva”.

Sons da "silly season": Manic Monday


E como hoje é segunda-feira, esta vem mesmo a propósito. Quando éramos chavalinhos, eu os restantes gândulos discutiamos com qual das cantoras da moda gostaríamos de rebolar no palheiro – conversas típicas da pré-adolescência, quando as hormonas saltam como pipocas. As favoritas da época eram Samantha Fox, Sabrina Salerno e restantes mamalhudas, Cindy Lauper e “aquela gaja gira das Bangles”. Na verdade trata-se de Susana Hoffs, aquela morena baixinha de narizinho arrebitado, além de pernocas sexy que sugeriam uma boa dose de luta na alcofa. Hoffs era a vocalista e o maior referência das Bangles, um grupo inteiramente composto por elementos do sexo feminino. Mas num tempo em que a era das “girls band” inaugurada pelas Spice Girls era apenas uma miragem, estas cinco meninas de Los Angeles tocavam o pop corrente dos anos 80, e eram mundialmente famosas. O tema que as catapultou para o estrelato e ficou na boca de toda a gente que encara com angústia o início de mais uma semana de trabalho foi este “Manic Monday”, do álbum “Different Light”, de 1986. A canção foi escrita por Prince, esse mesmo, que na altura atravessava um período de grande produtividade em termos musicais. Fica aqui este “Manic Monday”, na voz "daquela gaja gira”, acompanhada das restantes Bangles.

domingo, 21 de julho de 2013

Derby dos "pequeninos"


BEN1-2SLI 发布人 omfgoals
Ainda plena pré-temporada futebolística, jogou-se ontem o primeiro "derby" da época entre os dois grandes de Lisboa, o Sporting e o Benfica. Foi a contar para as meias-finais da Taça de Honra da AF Lisboa, uma competição que regressa agora após vinte anos de interregno. Com as equipas principais ainda em estágio e com o plantel por definir, ambas as formações apresentaram um onze composto na maioria por jogadores da equipa "B", e os leões levaram vantagem, vencendo por 2-1. Os golos resultaram de lances de bola parada, e o Benfica até começou melhor, com o desconhecido Harramiz a inaugurar o marcador logo aos cinco minutos. O central Nuno Reis empataria ainda antes do interval com um excelente cabeçeamento, e seria outro defesa a dar a vitória ao Sporting: o camaronês Fokobo, aos 54 minutos. Mesmo sendo a feijões, este jogo vale aos leões a primeira final da época, e nela vão encontrar o Estoril, que bateu na outra meia-final o Belenenses por 3-0.

sábado, 20 de julho de 2013

O mundo de amanhã foi ontem (e não volta mais)


Artigo da edição de quinta-feira do Hoje Macau. Continuação de um excelente fim-de-semana.

Ainda parece que foi ontem que recebíamos em festa a chegada do ano 2000, com toda a simbologia do seu número bem redondo, e um ano depois virava-se a primeira página de um novo livro da História, que todos queremos que tenha um final feliz. Diziam os mais optimistas que saíamos do século das ideologias e iniciávamos o século das pessoas. Ninguém desejaria certamente que nos cem anos que tiveram a estreia no primeiro dia de 2001 se repetissem os mesmos erros do século XX, um dos mais sangrentos desde que há registo da nossa curta presença neste velhinho universo, cheio de equívocos terríveis, que no fim deixaram a própria espécie dotada da capacidade para se auto-extinguir. Naqueles dias que nos correm menos bem, chegamos a pensar se não seria melhor assim, assistir ao fim dos dias ao vivo e a cores, de preferência em 3D. Perante a certeza da morte, o nosso egoísmo inato leva-nos a estar nas tintas para o futuro do resto da humanidade. O que importa se o mundo acaba no dia seguinte àquele em que soltamos o último estertor? Problema dos vivos, dos que ficam. Que se desenrasquem. O nosso poeta-mor, Luís Vaz, deixou como últimas palavras “Morro feliz porque morro com a Pátria”. Era um lírico, coitado, mas levou consigo a Pátria, mesmo que esta depois tenha renascido, fazendo valer o seu carácter de abstracto que faltou a Camões, que morto ficou.

Perante a inegável simbologia da chegada de um novo milénio, uma nova era, era porreiro que todos dessemos as mãos e fizéssemos um esforço para escrever a nova História, uma que não envergonhasse as gerações vindouras quando a aprendessem dos livros. Num futuro utópico, a disciplina de História seria abolida dos currículos, uma vez que durante os séculos seguintes à nova ordem que emergiu das cinzas dos milénios anteriores, este em que agora vivemos seria resumido com um refrescante “nada a registar”. Bom sinal, pois fazendo fé na velha máxima, “boa notícia se não há notícias”. No tal século dos homens que daria lugar ao das ideologias que não deixa saudades, teríamos um mundo mais justo, mais solidário, igualitário e com o homem a contribuir para o bem do homem, indiferente às diferenças de natureza étnica, religiosa ou política. Um mundo em que a tecnologia estaria aos serviço de todos e nunca usada na tentativa de intimidar, aterrorizar e agredir. Seria uma busca incessante pela solução para os problemas, na perspectiva de alcançar o sonho da imortalidade, ou pelo menos algo que nos aproxime mais dos Deuses.

Infelizmente não é assim, e o novo mundo que tantos ambicionava tarda. Os dentes da realidade mordem mais que nunca, e apesar das diferenças na forma e nos métodos, persiste a dialéctica do opressor e do oprimido, que já o incompreendido Marx teorizou antes que as suas ideias fossem transformadas numa desculpa para o homicídio em massa, e ironicamente, ainda mais opressão. O aumento do fosso entre ricos e pobres, a persistência da miséria, da fome, das pestilências que teimam em se renovar, do “salve-se quem puder”, da idolatria do lucro e do capital que se sobrepõe a qualquer religião, dos que vivem e prezam a vida, e dos que se vão simplesmente existindo, arrastando-se pelo limbo, à espera do fim sem nunca chegar a entender a razão do seu ser. As ideologias que nos esmagaram no passado foram substituídas pelo poder dos oligarcas, pela ditadura dos mercados, pela especulação agressiva e forças invisíveis que puxa uns poucos para maré calma da riqueza e do supérfluo, e empurra muitos para o mar revolto da miséria, cada vez mais tendencialmente hereditária e incurável. Vamos assistindo ao regresso em força do feudalismo, até ao dia em que as massas se atropelarão desarmadas e indefesas junto das muralhas do castelo aguardando os restos atirados pelas elites. A única diferença dos tempos medievais é o cenário, com telemóveis inteligentes, fibra óptica, wi-fi, LCDs, DVDs e “blue-ray” para todos. A mesma tecnologia que nos devia servir, e em vez disso teima em nos alienar.

Algures no meio de todo este cenário pré-apocalíptico, do cancro terminal que vai consumindo o que resta de bom da natureza humana, estamos nós, cidadãos de Macau. Meio milhão de alminhas num universo de sete mil milhões, arrumados num cantinho de um país grande dentro de um mundo enorme. Remetidos à nossa evidente insignificância, vamos deixando a banda passar, e até não temos razão de queixa, tendo em conta os problemas grandes dos países grandes que afectam a gente pequena. O que ficamos sem saber muito bem é que valores vamos passar aos nossos filhos, os que têm pela frente um amanhã incerto e sem perspectivas de poder contar com alguns do mais básicos valores humanistas, como a bondade, a solidariedade ou a tolerância. É tortuoso prepará-los para o futuro ensinando-lhes que compitam sem dó nem piedade, que abdiquem de princípios como a ética, que desconfiem de tudo e de todos, que não hesitem em subir nas costas alheias sempre que se justifique. Vai contra o que nos vai restando da nossa fibra moral transmitir-lhes a ideia que de fazer dinheiro é mais importante que estudar, obter conhecimento ou trabalhar no duro, que o crime até pode compensar, desde que não se seja apanhado, e que muitas vezes os meios justificam os fins. Era bom que os preparássemos para o mundo que nos prometeram quando se derrubaram os muros, caíram regimes apodrecidos e faliam os preconceitos, anunciando o fim dos déspotas e dos tiranos, que afinal estão bem e recomendam-se, mesmo que hoje vistam a capa do pluralismo democrático. Desde a data que ficou combinada para começar de novo já passaram mais de treze anos, e começamos a perder a esperança. Ainda falta muito?