domingo, 26 de março de 2017

Nomeada


Carrie Lam obteve 777 votos do colégio eleitoral, e foi eleita nomeada o quarto Chefe do Executivo da história da RAE de Hong Kong, vinte anos depois da transferência de soberania do antigo território britânico.


P'Almada retro


Ponte Salazar?!?! Alguém oferece ao sr. candidato do PNR à Câmara Municipal de Almada um calendário, ou diz-lhe em que século estamos. Começa mal, quem concorre a uma autarquia da qual desconhece o nome da sua infraestrutura mais conhecida...



Neo-voyeurismo, ou turismo de homicídios


Sexta-feira aconteceu uma tragédia em Barcelos, Portugal, quando um indivíduo esfaqueou mortalmente quatro pessoas, incluindo uma mulher grávida, e tudo porque alegadamente as vítimas se haviam a depor a favor do homicida num caso de tribunal. Uma jornalista da TVI que fazia reportagem no local, deparou com um casal idoso que não conhecia nenhuma das vítimas, e muito menos o homicida, mas "como estava ali por perto", resolveu "ir espreitar". A reacção da repórter, que suspirou um "enfim..." em forma de desabafo, diz tudo.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Wait, what???


Donald Trump Jr. tem a quem sair na arte de troca tintas - o nome diz tudo. Na sequência do atentado de quarta-feira em Londres, que causou 5 mortos e 39 feridos de 11 diferentes nacionalidades, o filho do presidente dos Estados Unidos foi reproduzir na sua conta de Twitter declarações do "mayor" da capital inglesa, Sadiq Khan, que teria dito que o perigo de atentados terroristas "faz parte" daquilo que representa viver numa grande cidade. Soa a alguma coisa de "grave", assim à vista, mas o que parece ser irrelevante ao herdeiro Trump, bem como a muito boa gente, é que Sadiq Khan proferiu estas declarações em Setembro do ano passado, e não na sequência dos ataques de há dois dias, como estes "confusionistas" pretendem fazer crer. Já escrevi sobre as declarações de Khan na altura em que as proferiu, mas deixo a dúvida no ar: será que o Trumpinho não entendeu o que quis dizer Sadiq Khan? É bem possível.


O Trump Jr. tem 39 anos e nasceu em Nova Iorque, portanto tem idade mais que suficiente para se recordar dos atentados de 11 de Setembro de 2001 - tem só memória curta, pronto. Mas se aqui os autores dos atentados partilhavam mais que uma coisa em comum com o atacante de Londres há dois dias...


...este, que aconteceu alguns anos antes, exibia algumas "diferenças" em relação a essa padrão. E sim, Oklahoma City é uma grande cidade, também. E de que ia valer aos terroristas cometerem atentados lá na parvónia, onde o Trump pai angariou os votos que tem andado a usar para enganar os americanos e a fazer pouco do resto do mundo?


quinta-feira, 23 de março de 2017

E agora, em estrangeiro


Terrorismo cristão


...E isto são notícias dos últimos dois dias. "É preciso fechar as fronteiras e correr daqui com esta gente".

PS: Há ali duas notícias que nem aconteceram sequer em Portugal, o que vem reforçar o meu argumento. Além do mais, para quem é...


quarta-feira, 22 de março de 2017

Dos confrontos na FCSH


A reter isto, apenas.



terça-feira, 21 de março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Neo-mini-dicionário


Outra vez em trânsito, deixo-vos com o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Bom fim-de-semana!

Hoje decidi fazer uma coisa diferente, e compilar alguns neologismos, bem como termos e expressões que passaram a adquirir um sentido diverso do original, depois de passarem pelo inferno das redes sociais. Espero que não detestem muito.

Abortismo: apoio à prática do aborto, como parte do plano para o Genocídio Branco.

Anti-Semitismo: qualquer demonstração de relutância em aceitar a política expansionista e o comportamento criminoso do estado de Israel.

Benfica: não sabendo bem do que se trata, é aquele ou aquilo que tem a culpa de tudo; “a culpa é do Benfica”.

Burguês: um indivíduo que sabe escrever; “Ao contrário de muito burguês a quem o paizinho pode pagar os estudos, existe gente que teve de começar a trabalhar muito cedo e não aprendeu a escrever devidamente. De qualquer maneira e independentemente dos estudos, todos temos direito a opinar.” (da página do PNR).

Capitalismo: um horror porque o dinheiro está nas mãos dos outros, mas uma maravilha na hora de atacar os esquerdalhos.

Cientistas: esquerdalhos pagos pelo George Soros para nos impingir a teoria do aquecimento global e prejudicar o humilde negócio familiar das petrolíferas.

Direitinha: alguém que se diz de direita, mas que na verdade não passa de mais um esquerdalho.

Estalinista: pessoa que se opõe à verborreia demente do fadista João Braga.

Esquerdalho: basicamente qualquer indivíduo que não partilha de ideologias fascistas e não seja um reaccionário.

Fascismo: ideologia de esquerda; “Mussolini pertenceu ao Partido Socialista italiano e Hitler ao Partido Nacional Socialista”.

Feminazis: partidárias radicais dos ideais feministas, que “são lésbicas e querem acabar com os homens”. A existência destas implica que toda e qualquer pretensão do feminismo seja “uma grande treta”.

Genocídio Branco: a teoria de a vinda de refugiados e imigrantes para o Ocidente faz parte de um plano maior com vista à extinção de raça branca. A sério.

George Soros: bilionário americano relativamente discreto até há poucos anos, quando lhe foi atribuída a autoria da “Conspiração globalista”.

Globalismo: a ideia de um mundo sem fronteiras. Uma coisa “terrível”.

Globalização: coisa boa quando se vai comer ao chinês e fazer compras no Toys’R’Us, péssima quando se vive paredes meias com imigrantes.

Invasão Uterina: vinda para o Ocidente de mulheres islâmicas “que têm oito filhos EM MÉDIA cada uma”, com o intuito de contribuir para o Genocídio Branco.

Islamo-fascismo: é melhor nem procurar saber do que se trata.

Liberalismo: “uma doença mental”. Vem também em versão “neo” e “ultra”.

Maoista: pessoa que se opõe à realização de palestras onde o convidado seja o Dr. Jaime Nogueira Pinto.

Me(r)dia: os media convencionais, que “escondem a verdade”.

Nazi: lengalenga infantil; “- És um ganda nazi! – Não não, nazi és tu!”

Neo-marxismo: supostamente o mesmo que Marxismo, só que da era tecnológica; na prática é tudo que não se insira neste rol de disparates que estou aqui a debitar.

Nova Ordem Mundial (NOM): Parece qualquer coisa saída de um plano diabólico de Lex Luthor, ou do imperador Ming, mas “estamos a caminho dela”, com a ajuda do Globalismo, Soros, abortocionistas, feminazis, etc.

Politicamente Correcto: serviu durante muito tempo para que certas pessoas não ouvissem o que não gostam, e é actualmente desprezado por estas mesmas pessoas para que possam dizer os disparates que muito bem entenderem.

Refujihadista: deixem para lá.

Salazar: ditador que morreu pobre e decrépito, tal como o país que deixou; D. Sebastião do saudosismo lusitano.

Trump: o santo e a senha; quem é anti-Trump não entra no clube Trump, e vice-versa.


quinta-feira, 16 de março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

DomiNando Maria Vieira


Tem sido um tema transversal desde o final da última semana, as declarações de personalidades próximas da actriz Maria Vieira, que "estão quase certas" que não é a própria que actualiza a sua página no Facebook. Eu vou mais longe; tenho a certeza absoluta que não é ela a autora dos posts que têm causado celeuma, e deixam o grande público a torcer o nariz e a interrogar-se de espanto: "A Maria Vieira?" Não, nada disso. O presidente do PNR disse uma vez a propósito da polémica com Ana Bola que "a Maria Vieira pensa pela própria cabeça". Tenho a certeza que sim, bem como toda a gente, uns bem, outros menos bem, mas a cabeça da Maria Vieira não pensa assim - e ainda bem.


O que está aqui a acontecer é um "Tootsie" arraçado de trissomia, e que em vez de concorrer aos Oscares, limpa os "razzies" todos. Num programa do "Cinco para a Meia Noite" aqui há uns anos, Maria Vieira confidenciou que era o marido que escrevia os livros sobre as viagens dos dois, e não em co-autoria, como consta da versão oficial dos factos - "eu sou actriz, apenas", referiu inclusivamente Maria Vieira. E disso nós sabemos muito bem, e desde sempre. O problema é que ninguém está a ver a Rosa de "A Gaiola Dourada" a debitar impropérios contra imigrantes, nem a frágil Dona Coisinha a impor-se de peito cheio contra o mundo islâmico, como se vê em muitas entradas da sua página do Facebook. Há um narcisismo latente que levou a que este enredo não tivesse sido levado a bom porto: um homem de 50 e tal anos a fazer de homem de 50 e tal anos com o nome da Maria Vieira. Acusações graves? Não são acusações nenhumas, são constatações. Grave aqui só se for o prejuízo que isto vai tendo para a carreira da própria Maria Vieira. E de mais que se especula não falo, porque não sou mosca. Mas vou ficando atento.


A entrada de ontem na página do Facebook de Maria Vieira; o comentário a um artigo da página Embaixada da Resistência, um entreposto de xenofobia de extrema-direita. Nunca li nenhum livro escrito pelo Nando - assim se chama o tal marido da Maria Vieira - nem tenho curiosidade em fazê-lo. Reparo contudo que o cavalheiro tem imenso jeito para encher chouriços, como se vê naquela ultra-adjectivação positiva feita à protagonista do vídeo. Ali para o fim é que temos uma salada russa à moda dos pretendentes a escritor fracassados. Olha lá, ó Nando, eu também sei a diferença entre legal e ilegal, e sei a diferença entre ilegal e crime. Sei mais que tu, tás a ver? Quanto aos que "insistem em não saber distinguir uma coisa da outra", reparo que tens uma certa dificuldade em distinguir o moral do imoral, bem como o real do ilusório:


É preciso ser-se muito pretensioso, e especialmente burro para tentar iludir desta forma as pessoas que conhecem a Maria Vieira há 30 anos, e saberiam que uma coisa destas nunca sairia da sua cabeça - e ainda bem, repito. Isto é o tipo de coisas que se vêem ditas e escritas por pessoas seguidoras de ideologias de dar a volta ao estômago, e que curiosamente têm sido presença frequente na página de Facebook da Maria Vieira:


Ainda em relação ao post de ontem, e na secção de comentários, vemos uma conversa muito animada entre "Maria Vieira" e uma conhecida militante do PNR. Nada contra a pessoa, mas de onde é que se conhecem tão bem? Do teatro de revista? Da televisão? Do Brasil não é com toda a certeza, e estou a cingir-me a localizações que Maria Vieira frequenta quase na totalidade durante o seu trabalho, e que torna públicas para que toda a gente saiba. Ahhh..."da internet", dizem vocês. E bem, e deve ter sido também na internet que Maria Vieira desenvolveu a sua paixão pelo hard-rock nacionalista alemão. Bate certo, portanto. Sou só eu a especular, claro. 


Recuemos mais um pouco no tempo, para o início do mês, mais concretamente 2 de Março, data do 60º aniversário de Maria Vieira. A revista Nova Gente dá-lhe destaque, com a sessão de fotografias in loco, mas com a entrevista (ou pelo menos parte dela, confirmado) dada "de casa, a partir de e-mail". Ora bem, o que é que a Maria Vieira tem para dizer em casa que não possa dizer em pessoa? Aquilo não é um filme. São estas evidências que levadas ao lume do mero senso comum identificam que não é a Maria Vieira a escrever na sua página, e que as tentativas de encerrar o assunto com textos dessa mesma página garantindo que é ela mesma são de um amadorismo inacreditável. Patéticas, até. Essa de tentar intimidar a Ana Bola "e todas as pessoas públicas" com o caso "entregue a um advogado" é de bradar aos céus. E matéria de facto? E a Maria Vieira deixou de ter boca para falar, agora? Dá um tempo, ó Nando. Tens a mania que tens a mania. 


Eu não sei a que ponto está a situação familiar de Maria Vieira, e que ?, deus dos agnósticos me livre de querer meter a colher entre marido e mulher. Só que os factos inclinam para algo nada de salutar, e o pior é que não se ouve da própria Maria Vieira qualquer esclarecimento sobre aquilo que, enfim, faz parte da vida de qualquer figura pública. Quem conhece a Maria Vieira há muito tempo, e não consegue reconhecê-la naqueles devaneios nas redes sociais está preocupado, com razão e com legitimidade. E não vai ser a ostentar com perdizes no forno com castanhas e cogumelos regados com um tal de "Chateneuf" que vais atirar areia para os olhos de alguém, ó Nando. Esta verdade é um azeite para o qual nunca tiveste água que chegasse. Azar. 

domingo, 12 de março de 2017

Mea culpa (pois...)


E para terminar o fim-de-semana que foi ocupado por outras actividades que não o blogue (mas sempre ao serviço do bem, claro), aqui fica o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Uma excelente semana de trabalho ou de lazer para todos, conforme o caso.

Passei um destes últimos fins-de-semana em Hong Kong, e mais uma vez levei “um banho” de aquilo que não temos aqui deste lado. Já sei que fazer comparações entre os dois lados do delta não é de bom tom, é território minado, e não me livro com toda a certeza de alguns “estás mal muda-te” sussurrados entre dentes, mas é assim mesmo: isto é a minha opinião, e é aquilo que os meus sentidos apuraram. A culpa é minha, que tal? Primeiro “Mea culpa”, pronto. Não dói assim tanto. Não dói de todo.

Primeiro a descontracção, que é um valor que eu prezo. Saí à noite em Tsim Sha Tsui, e depois de tentar um ou dois bares (que estavam cheios) em Knutsford Terrace, deparei um bar catita, situado num dos andares de um edifício comercial ali perto. Talvez por este último motivo podia-se fumar dentro do bar – pasme-se. Mas não foi só com esse pormenor que deparei quando subi entrei; havia música, “snooker”, dardos, muita animação. Gente toda ela mais jovem que eu, mas num ambiente super-descontraído, onde entre a risota e a música podia-se berrar “Daaarby!” sem ninguém ficar a pensar que estamos escangalhados da cachola. Foi uma mudança em relação à noite aqui em Macau, onde se nota o constrangimento em dar um murro na mesa, ou se dizer alto que se está ou é feliz. Há muito olhar por cima de um ombro, muitos “ai tu aqui?” ou o risco de no dia seguinte alguém nos dizer “ontem vi-te” – sabem como é. Mas mesmo assim deixem lá, que vos carregos essa cruz também: a culpa é só minha. Mea culpa ao quadrado. Aguenta-se bem.

Falemos de comida para o estômago e para a alma. Em Hong Kong come-se bem, barato e caro, e há sempre qualquer coisa para se ver ou para comprar. Fazem-se coisas mais ousadas, também, que houve quem ensinasse às gentes aqui do lado a pensar fora do chapéu, e olhar para além do próprio nariz. Aqui tivemos agora o Festival Rota das Letras, que vai na sexta edição. Acho óptimo, e cada ano tem sido melhor, e o futuro da iniciativa parece assegurado. No entanto não posso deixar de concordar com um opinador de uma publicação compita deste jornal, que lamentou a “falta de tempo”. Sim, de facto o Rota das Letras é muito coelheiro: vai ser tão bom, não foi? Eu espero com mais tempo e mais orçamento se possa dar mais atenção e apreciar com mais cuidado uma iniciativa destas, que este ano trouxe a Macau nomes como Raquel Ochoa, Sérgio Godinho e José Rodrigues dos Santos – só este ano. Mas aí está, eu é que não tive lugar na agenda, paciência, e salta o terceiro Mea culpa. Amén.

Falámos de Hong Kong e do Festival Rota das Letras, falemos agora dos Doçi Papiaçam de Macau, que vão estar no Festival de Artes com uma nova peça, onde a RAEHK entra também no enredo. O título ficou qualquer coisa como “Sorte em Terra de Tufões”, não sei ao certo, mas conta a história de um maquista que ganha o “Mark Six”, e por culpa de um tufão fica impedido de ir à Sociedade de Lotarias de HK reclamar o prémio. Consigo imaginar o que vem a seguir, pois tendo em conta que a tal sociedade entrega o prémio a qualquer um que apareça com o bilhete, o tal sortudo vai ter um dia cheio de novas “amizades”. Se calhar era melhor ter ficado calado, e eu calo-me já também. Dos Doçi nunca sei bem o que esperar – e isso é óptimo – mas de mim eles podem contar com o mesmo dos últimos 9 anos: uma “review” no blogue. Ok, pode ser que alguém ache isto mau, ou que eu “não devia”, mas penso que não estaria a fazer-lhes nenhum ficando calado. Não sai uma Mea culpa aqui, que de boas intenções está um certo lugar cheio. E não é Hong Kong. Pois…


Viseu, France


Resta saber se o pobre Chefe Dias, que produz as sapateiras lá em Viseu, via o seu marisco desvalorizado se fosse vendido como produto nacional.


sábado, 11 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

NP


Passou-se assim: um grupo da direita conservadora marcou há duas semanas uma conferência para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova, e ontem esta acabou por ser cancelada - motivo? Por "receios de violência" da parte de alunos da faculdade que consideraram o teor da conferência "fascista e colonialista". Não é por acaso, pois o orador convidado era o Prof. Jaime Nogueira Pinto, conhecido salazarista, e portanto quem se deita com cães assim, acorda com pulgas fascistas e colonialistas. O tema em debate era igualmente "fresquinho": "Brexit, Trump e Le Pen - populismo ou democracia?". Eu inclino-me para a segunda, administrada à plateia em supositórios, e com muita vaselina à mistura. Pareceu-me que mesmo assim houve excesso de zelo da parte da FCSH, até porque logo a seguir muitas outras faculdades e associações ofereceram-se para acolher. Só que era tarde demais, pois a tal associação, denominada "Nova Portugalidade", aproveitou o toque para se fazer ao penalti, e o que para ali foi, minha gente. Foi "fachos" para um lado, "estalinistas" para o outro, "saudosismos" para aqui, "vermelhos" para acolá, ó meus amigos, somos ou não somos um país de brandos costumes? Vão-me obrigar a levantar-me aqui da sombra do chaparro ou quê? Mas fiquemos a conhecer melhor o rosto da Nova Portugalidade envolvido neste incidente.


Rafael Pinto Borges, este rapaz aqui na imagem, com um ar de quem vai fazer de rabejador numa pega de touros. Ora bem, neste projecto da Nova Portugalidade estão pessoas de "diversos partidos à direita e à esquerda" - mas aposto que são mais do CDS - e algumas delas que conheço, e de que tenho a maior reverência. Gente de bem, e tal como muitos dos seus camaradas, com dois apelidos que orgulhosamente ostentam. Este tal Rafael, que respeito como pessoa, tem uma retórica que tresanda a hóstia, e diz-se "admirador de Salazar, mas não salazarista". Eu também acho que Hitler era um tipo cinco estrelas, mas ai de mim ser nazi, que horror. Problema meu se eu não gostar, e pelos vistos há quem goste, mas há muito mais quem não goste. Não estou a dizer que há mais pessoas que pensam como eu, mas sim que pensam contra o meu caro Rafael. Como paladino da democracia que se apresenta, certamente que reconhece que não estar interessado na sua ideia, e considerá-la em alguns pontos pavorosa, não faz de mim um "estalinista", pois não? É que cheguei a pensar que sim. Por falar em rótulos...


O Rafael Pinto demarcou-se do PNR, considerado-os um partido "racista e xenófobo", mas o PNR não se demarca de ninguém, especialmente se for chinfrim daquele que dá para aparecer. Note-se como é inato para a extrema-direita acusar de "insulto" quem os chama de "fascistas", e acaba a chamar ao próprio Rafael "um direitinha alinhado com o sistema". Repito: é inato. E o problema é exactamente este, caro Rafa. A noção deles de "Portugalidade" é para si uma coisa execrável, e o que impede de achar que vocês os dois estão bem um para o outro? E isso faz de mim um "estalinista", é? Por não querer comprar nenhuma dessa banha da cobra? E por falar em populismos e outras aldrabices:


O que é que vocês fizeram à Maria Vieira, ah? Onde é que a têm cativa? Querem lá ver eu...


Nightmare on Kim Street



Achei tenebroso, este vídeo onde vemos um personagem que é querido aqui de Macau. Vá lá, o puto não tem a culpa. Mas se por um lado as imagens nos deixam apreensivos, os comentários em baixo na página da YouTube são de revirar a tripa:


E estes eram os que estavam logo à tona. O pobre rapaz já tem a sua dose de loucos com que se preocupar, só faltavam mais estes. Força, pequeno Kim! Não os deixes apanharem-te! Foge, rapaz!



Salvador?



Esta é a canção vencedora do Festival da Canção, "Amar pelos dois", de Salvador Sobral, que representará Portugal no Festival da Eurovisão em Kiev, entre 9 e 13 de Maio. O representante nacional entra na primeira meia-final, na terça, dia 9, e tem que obter pelo menos um décimo lugar entre 18 concorrentes para atingir a final de Domingo. Eu quase não tenho dúvidas que vai lá chegar, mas mesmo que não chegue, a pergunta que se impõe é esta: o que é que este rapaz estava a fazer no Festival? A canção é sublime, e a interpretação atinge uma êxtase que muita gente confundiu com um "tique" do cantor (não percebem nada de "aqui jaz", pá). Espero sinceramente que o Salvador progrida, independentemente ou não de fazer boa figura na Ucrânia.


Korwin-Mikke explicado por um polaco


segunda-feira, 6 de março de 2017

sábado, 4 de março de 2017

Sabes onde é que podias enfiar a banana?


Este gajo devia ser a última pessoa do mundo a ter filhos. Ah pois é, mas "liberdade de expressão", e tal. #JeSuínoRaminhos


Je Suíno João Braga


Começo sinceramente a pensar que anda a sair água marada da torneira de muita gente lá em Portugal. Agora surgiu no Facebook um grupo de apoio ao fadista João Braga, que esta semana foi notícia ao afirmar que "Basta ser preto ou gay para ganhar um Óscar". O fadunchoso não fez mais do que saltar para a prancha e apanhar a onda facha que se começa a manifestar esporadicamente em alguns dos sectores da sociedade, e se por um lado sabia que lhe iam cair em cima, por outro lado tinha garantido o apoio dos "suspeitos do costume". Era bom para ele que estes sejam em número suficiente para lhe comprar os discos e encher as salas onde ele actua. Eu sinceramente espero que não.

Mas não me levem a mal, então? Estou só a "exercer o meu direito à opinião", que para estes fresquinhos funciona de um modo muito peculiar: podem dizer os disparates que muito bem lhes apetecer, e se o resto abre a boca está a "censurar". Ora bem, já que estamos numa de "liberdade de expressão", permitam-me que elabore um pouco mais sobre aqueles pontos (negros) da introdução àquele grupo ridículo, e que assinalei não com o lápis azul, mas antes com o vermelho.

- Não, ele não disse nada - escreveu - e chamar àquilo "pensar" é uma ofensa a quem pensa.

- A maioria daqueles que votaram em Trump não o fizeram por "racismo ou homofobia", certamente, mas o que é que isso interessa se são os restantes que se manifestam, deixando a tal "maioria" a corar de vergonha?

- Não deve favores a ninguém? Corrupção? "Lobbies"? Vamos ver quando se abrir não a Caixa de Pandora, mas antes a Matrioska da marosca que envolve Trump com os banqueiros russos e os outros  lacaios de Vladimir Putin.

- O João Braga fez mais que o quê? Não me façam rir. Nasceu com uma colher de prata enfiada na boca, e com excepção daquele "acidente de percurso" que foi o PREC, não fez mais nada na vida que cantarolar e armar-se em cavaleiro da triste figura. E olhem que eu nem sou de atirar com este tipo de coisas, mas já que estamos no campo da "vossa" liberdade de expressão, aqui está. E finalmente...



Batiam-se com barriga e roçavam-se nas coxas
Os corpos já dourados de suor
E as bocas já vermelhas dos amores

Quisemos nós saber qual é o nome desta moda
Respondeu-nos um velho já mirrado
Lundum mas se quiserem chamem-lhe fado

Trovante, "Travessa do Poço dos Negros".

Quando teve oportunidade para se explicar, o faduncheiro marialva afundou-se ainda mais. É como eu vos digo: pode ser que da próxima vez que for fazer a única coisa que sabe, o João Braga não consiga encher nem...uma cubata.


Se comentar, não beba


Deparei com este comentário neste artigo de Abril de 2015, e juro que não percebi. A sério, e como podem ver, tentei decifrar o que ali está, mas nem o Google Translate ajuda. De todos os "namorados" que esta arranja, o deste mês parece muita perigoso, pá! Pelo sim pelo não, já disse ao meu fotógrafo para não escrever a ninguém, a não ser à família, ou isso. É para que vejam a "qualidade" desta gentinha. Quem se mete com o "mundo da moda", leva - uma barrigada de riso!


sexta-feira, 3 de março de 2017

Gernika


No fim de mais uma produtiva semana, deixo-vos com o artigo desta semana do Hoje Macau (a página do jornal não está disponível na net, e espero que esteja tudo bem e o problema seja apenas temporário). Um excelente fim-de-semana para todos.

Passavam alguns minutos das dez da manhã do último dia 1 de Agosto quando sai da minha casa na Rua Urritibide, em Bilbau, e minutos depois estava na estação de Casco Viejo, onde menos de meia hora de metro me levaram à estação do ajuntamento de Gernika-Lumo. A cidade de Gernika, completamente destruída em Abril de 1937 pelos bombardeamentos da Luftwaffe nazi, tem hoje 16 mil habitantes, e um outro tanto de histórias para contar. Situada na região de Basturialdea, no vale do rio Oka, a cidade ficou imortalizada naquele que é provavelmente o quadro mais famoso de Pablo Picasso, "Guernica" - o seu nome em castelhano.

Cheguei pouco antes da hora de almoço, e depois de me deliciar com algumas guloseimas na conceituada pastelaria Bidaguren, fui visitar um pouco da cidade, sentir-lhe o pulso, e depois de queimar as calorias do "brunch", arranjei lugar para os deliciosos pimentos verdes de Gernika - os melhores do mundo, sem exagero. Era então altura de realizar um sonho de infância: ir ver a "Gernikako arbola" - o carvalho centenário de Gernika, símbolo vivo da identidade basca.

A primeira “arbola” (“árvore”, em basco), conhecida entre os locais como “o pai”, foi plantada no século XIV, e ali ficou durante 450 anos, até dar lugar à “velha árvore”, cujo tronco se encontra rodeado de um pequeno gazebo perto da actual. A terceira, e provavelmente a mais famosa, foi plantada em 1860, sobrevivendo ao bombardeamento de Gernika e às tentativas das tropas falangistas de a destruir durante a Guerra Civil espanhola. Contudo não resistiu a um fungo, que acabaria por a matar já em 2004, mas o ajuntamento preservou algumas pernadas, entre elas a actual “arbola”, plantada em 2015.

Quando cheguei às “juntas generales”, onde se encontra o carvalho de Gernika, deparei com o tal gazebo onde se encontra o tronco já ressequido e praticamente oco, e resolvi confirmar junto de um funcionário que se encontrava à porta do museu se era aquela a segunda encarnação da árvore. Não sei se me fiz entender, mas o simpático senhor colocou-me a mão no ombro, levou-me por uma pequena sala dedicada à heráldica basca, e deixou-me à porta do jardim onde se encontrava a “arbola”, dizendo em voz baixa, quase sussurrando: “esta é a nossa árvore, a original, e a alma do nosso povo”. Agradeci-lhe, e lá me deixou ali, completamente só, perante a famosa “arbola”, junto da qual e ainda hoje os mandatários do povo basco prestam juramento quando tomam posse de cargos públicos. Não me comovo com facilidade, e nem senti nada que se parecesse com um nó na garganta, mas antes uma espécie de apertão no peito: perante mim estava a árvore que um dia Adolf Hitler quis para si, crendo que possuía poderes mágicos. Foi um momento especial, e ainda mais sabendo que aguardei tantos anos até estar perante aquele pedaço do meu imaginário.

Não sou muito dado a nacionalismos de nenhum tipo, mas simpatizo com a causa basca, pois é um pretensão que além de justificada pela História, é também inclusiva – na eventualidade de um dia ser criado o estado independente do Euskal Herria (País Basco espanhol e francês e Navarra), pode ser basco quem quiser, quem se sentir basco. Para quem ainda não o fez, recomendo a todos que incluam na lista de destinos a visitar enquanto ainda por cá andam a cidade de Gernika, e a sua “arbola”, o orgulho de um povo que resistiu às mais violentas intempérides da História. Denok Gernikako dira – somos todos cidadãos de Gernika.






Get out


Aqui está um filme de terror (pasme-se) que me desperta grande curiosidade. Espero que passe por Macau, para variar.


Vai-te catar, Rod Stewart


Nunca gostei de Rod Stewart, aquele macacóide oxigenado que rouba músicas dos outros. E se é isto que ele se lembra de fazer quando dá por si numas dunas de um deserto qualquer, imitar execuções ao estilo do DAESH, fica confirmado: é mental.


quinta-feira, 2 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Quem policia a polícia?


Esta foi a missiva publicada no jornal Hoje Macau de ontem, onde a jornalista Ana Isabel Dias conta um episódio bizarro que se passou com ela no seu regresso em Macau. Não se pode dizer que tenha sido propriamente recebida por uma comitiva de boas-vindas. O que aconteceu à Ana Isabel Dias é revoltante por uma série de razões que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso entenderá facilmente - bom senso esse que parece faltar a quem tem o dever de zelar pela ordem pública, e mais importante que isso, servir a população da RAEM. Quem a conhece sabe que ela seria incapaz de constituir uma ameaça seja a quem for, de fugir ou de incorrer no crime de desobediência, ou outro qualquer. E quem não a conhece terá também a mesma opinião: a Ana Isabel Dias dá praticamente para levar debaixo de um braço, e sei que ela não me vai levar a mal porque sabe que a adoro. Foi um incidente escusado, lamentável,  e que infelizmente cairá rapidamente no esquecimento, como se a dignidade de alguém que passou pelo que ela passou não valesse um tostão furado. E é mais um caso a juntar a outros.

Durante os dias de ontem e hoje vi nas redes sociais vários comentários em relação a este tema, e não faltou quem partilhasse outros casos que se passaram consigo, ou de que têm conhecimento. O somatório de todos eles dá a entender que em Macau há mais um problema a juntar ao trânsito, aos táxis e às rendas de casa, e este é muito mais grave. Eu posso escolher ir a pé, encontrar uma habitação mais barata ou dividir a renda com outra pessoa, mas não posso dizer como é que as autoridades devem ou não agir. Nem eu nem mais ninguém - só a lei - mas se a lei é para ser cumprida e aplicada, há que saber como, atender às circunstâncias particulares e à gravidade de cada caso, e mais importante que tudo isso, respeitar o princípio da presunção da inocência.  Ninguém deve ser suspeito de coisa nenhuma sem provas que sustentem uma eventual acusação, nem culpado de nada até que um juiz tome uma decisão nesse sentido.

Choca-me mas não me surpreende o tratamento que foi dado ao caso da jornalista, e já há alguns meses havia reportado aqui no blogue uma situação semelhante. E o mesmo já aconteceu comigo, e sem querer entrar em detalhes (porque AINDA não posso), posso adiantar que fui acusado por um doente mental, a quem bastou DIZER à polícia que o ameacei, sem apresentar qualquer prova, para que o levassem a sério. Garanto que uma criança com a quarta classe teria o discernimento para não cair naquela esparrela. Hoje uma colega minha contou-me que a sua prima de sete anos foi impedida de entrar em Macau porque a romanização do seu nome era semelhante à de um activista da RAE vizinha que está na tal lista negra que "pode ou não pode existir". Repito: uma menina de sete anos que tinha um nome semelhante a um homem adulto. Aqui há um par de anos aconteceu a mesma coisa com um bebé, Deus meu. Não é sequer necessário desconfiar ou ter qualquer dúvida; basta usar a lógica. 

É um facto que a exigência é grande, há contas a prestar no que toca à área da segurança, e além do segredo ser a alma do negócio, existe o mesmo medo de assumir responsabilidades, tomar decisões e sobretudo o mesmo pavor de errar que se verifica noutros departamentos do Governo. Ora quem faz as coisas com medo de errar, mais se arrisca a cometer um erro. É preciso, repito, presumir que toda a gente é inocente até prova em contrário, e quando falo de provas, falo de coisas concretas, e não palpites. Tudo isto é grave, pois absolutamente ninguém está livre de ter um destes dissabores e ser tratado como um comum criminoso sem saber sequer do que é suspeito. É bom que casos como o de Ana Isabel Dias, e outros que tais não caiam em esquecimento, e que fiquem devidamente registados. Se não podemos confiar nas autoridades, vamos confiar em quem?


Par-Ra-Chi-Ta