sábado, 4 de fevereiro de 2017

Bairro do Oriente em números


Não tenho por hábito apresentar estas "estatísticas", mas fiquei inspirado por um blogue da concorrência. Aqui foram mais de 31 mil cliques no último mês, já agora.


Esta semana o tema Maria Vieira voltou a ser o mais requisitado pelos leitores do blogue (ah, celebridade!)...


...e a campanha no Facebook continua a dar frutos. Um bom fim-de-semana para todos, e obrigado!



Um grande galo



Termina mais uma semana, bem produtiva, por sinal (só nestes três últimos dias publiquei mais artigos que no resto do ano), e nada como terminar com o artigo desta semana do Hoje Macau. É ainda sobre o Ano Novo Lunar, já em "full throttle", mas aqui fica para quem ainda está a entrar na capoeira deste Galo. Bom fim-de-semana, e nunca é demais desejar, um bom Ano do Galo.

O que deseja você para este Ano Novo Lunar? Está aí o último dia do Ano do Macaco, e à meia-noite os panchões anunciam a chegada do Ano do Galo. Parece mentira que já tenham passado doze anos desde o anterior Galo. Tantas aventuras fantásticas que vivi, e que doces memórias guardo desse magnífico galináceo, e em todas elas estava plenamente consciente que “isto só me está a acontecer porque estamos no Ano do Galo”.

Agora falando a sério – ou talvez não. Nesta altura a televisão vai à rua saber o que querem os cidadãos para este Ano Lunar que amanhã começa. Os portugueses ainda confundem isto com o Natal, ou com o nosso Ano Novo, e dizem que querem “paz”, “saúde” e outras inaninades. Quem se interessa realmente por essas coisas, e quer saber o que se deve fazer e o que não se deve fazer por altura do Ano Novo Lunar para evitar que um mau Galo lhe cante. Este ano, e apenas por acaso, tropecei num artigo do Yahoo! News intitulado “As 10 principais superstições do Ano Novo Lunar”, que vou ter o prazer de partilhar aqui, numa versão adaptada. Para quem teve a paciência de ficar a ler estes cinco parágrafos cheios de “palha”, é agora finalmente recompensado. E afinal quais são as dez superstições e tabus deste festival que mais devemos ter em conta, nem que seja apenas para evitar ofender os nativos? Aqui estão elas:

Limpeza da casa. Deve ser realizada ANTES do Ano Novo Lunar, até à véspera e não no primeiro dia, como alguns sugerem. Dessa forma afasta-se o azar que ficou do ano anterior, e que assentou em forma de poeira, e recebe-se o novo ano com a casa “limpa”. Antes da meia-noite do último dia do ano cessante, convém guardar os utensílios de limpeza, quer vassouras, esfregonas, panos ou espanadores num local fechado. Para quem acredita mesmo nestes miasmas do outro mundo, o melhor mesmo é deitá-los fora e comprar uns novos.

Panchões. Voltamos, portanto, ao fascínio da cultura chinesa pelos explosivos. Os estalos produzidos pelos panchões são uma forma de anunciar a chegada do novo ano, e nada como fazer um estardalhaço do caraças para que todos saibam, mas também servem para afastar os “maus espíritos”. Compreendo que os chineses não queiram entrar em detalhe sobre este assunto, especialmente com os estrangeiros, mas estes maus espíritos a que se referem é apenas um mau espírito – o Nian Shou!

Linguagem e atitude. Os chineses acreditam que a forma como correr o primeiro dia do ano, assim será o ano inteiro. Assim não é nada recomendável discutir, entrar em conflito, dizer obscenidades, transmitir pensamentos ou ideias negativas, falar de morte, doenças ou contar histórias sobre fantasmas, ou mencionar algo relacionado com os maus espíritos. Nesse dia devem ser todos bonzinhos, fazer votos de prosperidade, desejar saudinha e andar bem disposto (mesmo que lhe doa um dente). Este é um tabu levado muito a sério pelos chineses, e por acaso reparei como nos dias que antecederam o Ano Novo, os meus colegas tornavam-se bastante cautelosos e pouco receptivos a entrar em conflitos ou polémicas, e abstinham-se de fazer comentários depreciativos de qualquer espécie. Se tiver alguém a quem precisa de dizer “das boas”, pode sempre aguardar pelo terceiro dia do ano, que é reservado às discussões e quezílias entre amigos, cônjuges e familiares.

Lavar o cabelo. Os chineses têm por hábito não lavar o cabelo ou a cabeça no primeiro dia do ano, de modo a não sacudir as energias positivas que chegam da Lua. Portanto da mesma forma que se limpa a casa, a lavagem da cabeça deve-se realizar antes da chegada do ano.

Não usar cor preta. O preto é a cor (ou a ausência da cor, como preferirem) associada com a morte, portanto a evitar no dia da chegada do novo ano. Atenção a este detalhe, ó Carlos Morais José.

Hora de dormir/longevidade. Esta é talvez a superstição mais interessante. Na noite da chegada do novo ano, é suposto toda a gente ir dormir tarde, mesmo as crianças. Existe uma crença que nessa noite, enquanto as crianças estão acordadas estão a “guardar a vida” dos pais, e portanto quanto mais tarde forem para a cama, mais tempo os pais vivem. Se nesse dia o seu filho ou filha se quiserem ir deitar cedo, se calhar anda um Nian do fundo do mar atrás de si. O melhor é ir comprar uns panchões, nunca se sabe.

Não chorar. Quem chorar no primeiro dia do ano, vai chorar o ano inteiro, e por isso os pais evitam castigar as crianças, mesmo que elas façam algumas travessuras. Mas aqui pode-se dar um contra-senso; remeto ao ponto anterior por exemplo: e se a criança chorar porque está rabugenta de sono, pois ficou a pé até às cinco da madrugada para que os pais vivam mais? E já agora o ponto nº 3: e se a criança conta histórias de fantasmas, disser palavrões ou desejar que a família toda morra? Questões a levantar ao oráculo mais próximo.

Loiça partida. Não se deve começar o ano com loiça partida, rachada ou lascada, pois isso dá azar. No último dia de cada ano certifique-se da integridade de pratos, travessas, potes, canecas, etc., e se necessário vá às compras.

Cortes. Esta pode apanhar os mais distraídos: dá azar cortar seja o que for durante o período do Ano Novo, pois isto pode-se reflectir na sorte e na fortuna. Torna-se complicado ter isto em mente, pois pode aparecer um pacote de leite que seja necessário abrir cortando uma das pontas, ou uma malha na roupa. O melhor mesmo é não levar esta regra muito à letra.

Vermelho. O vermelho é a cor da sorte, da prosperidade, da fortuna e tudo mais, por razões que já expliquei acima e que têm a ver com o tal Nian. Por isso é comum observar o vermelho vivo nas indumentárias, nas decorações nos envelopes de “lai-si”, em tudo o que esteja relacionado com o Festival. Para quem não gosta de vermelho, pode optar pelo amarelo-ouro, que também se aceita, a regra de ouro é esta: vermelho, bom; preto, mau. Entendidos? Uhn? Carlos Morais José? Ok.

E depois há tudo aquilo que já se sabe: não oferecer livros, que em chinês têm uma sonoridade semelhante ao da palavra “perder”, comprar sapatos, pela mesma razão, mas neste caso o som é semelhante a uma interjeição de dor, e uma dica que vos deixo que aprendi por experiência própria: não tocar em alguém que esteja à mesa do jogo, nem que seja apenas mah-jong. Quanto aos “lai-si”, os tais envelopes vermelhos que contêm dinheiro “abençoado” e que se começam a distribuir esta semana, a regra é simples: os casados dão aos solteiros, os ricos dão a toda a gente, e as crianças recebem de todos. Pode dar “lai-si” à vontade, pois como naquela canção dos Beatles, “o amor que você recebe é igual ao amor que você dá”. KUNG HEI FAT CHOI!

Artigo escrito a 26 de Janeiro




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

N'A Toca


...do Fernando Marques, que está ali situada na Rua dos Negociantes, na Taipa - e está lá há exactamente um ano, sem que eu tivesse dado por isso. É para que vejam como vou tantas vezes à Taipa. Mesmo assim, fica aqui o mapa para os não-taipenses mais distraídos, como eu, e como recomendação que vão lá provar também, que vale mesmo a pena. Recomendo o leitão (óbvio), e já agora a sangria, que estava muito bem feita. Bon appetit!


Ele há com cada um...


Fiquei a saber deste artista através da caixa de comentários.


O almanaque dos rafeiros


Podia dizer que "fiz escola", mas não só não me apetece agora, como nem tenho a certeza se é realmente assim. A verdade é que só recentemente deparei com páginas do Facebook dedicadas às enormidades que auto-proclamados nacionalistas (ou "naçionalistas", como alguns escrevem) deixam nesse rede social - já não sou o único! E são hilariantes, as "pérolas" dessa gente que um dia se lembrou de que não é necessário saber do que se fala para exercer "o direito à opinião" (LOL), ou que "os outros filhos da p... só sabem insultar", chamando-lhes aquilo que eles realmente são: burros, fascistas e nazis. Um exemplo:


Este indivíduo tornou aquelas afirmações públicas, ninguém o obrigou a fazê-lo, e ao contrário do que ele se calhar julga, quem está do outro lado a ler são pessoas como ele. Bem, como ele não, mas pessoas humanas, portanto. Com olhos e uma cabeça para pensar. Agora pergunto eu: se eu estiver a partilhar as declarações deste infeliz, independente de se tratar ou não de um contexto humorístico, estou a "insultá-lo"? Se os amigos do mundo real que ele tem (eventualmente terá, sei lá) o associarem àquelas declarações, ou o inquirirem sobre as mesmas, a culpa é minha? "Ele não é aquilo que ali está escrito"? Bom, desculpem lá, mas a única informação que tenho a respeito do fulano é aquela - que ele me providenciou! Não surpreende que a maioria destes tipos e tipas sejam anónimos; os empregos fazem falta, e aposto que até dançam o kuduro nas festas da empresa realizadas na discoteca Luanda (se ainda existir).


E parece que há mais do que uma destas páginas - há várias! Esta por exemplo é intitulada de "Grunho do PNR" (existe ainda "A Mulher do Grunho do PNR" e "A Amante do Grunho do PNR"), em homenagem ao partido onde se encontra a maior comunidade destas aves raras, e não é por acaso:


Pois é, o "Donal Trump" pegou nos votos do PNR, levou-os para a América e multiplicou-os por 120. Só assim se explica que seja o "embaixador" do partido e tal...pfff, até lhes roubou o programa, vejam lá vocês. Agarra que é ladrão! Mas isto são pevides pá, e não se brinca com coisas sérias, neste caso a iliteracia e imbecilidade das pessoas. Daí que apareceu um "contra movimento":


O Almanaque da Raça Inferior...ai que originaaaaaal! O que seria de esperar de pessoas que nem sabem escrever porque acharam que a escola "era uma seca" e agora estão na fossa e culpam imigrantes e muçulmanos por serem idiotas? O número de likes entre esta e o original é proporcional aos resultados eleitorais do PNR e tudo: 75 contra 376. Para eles isto é "a maioria" LOL. Bem, e uma vez que ficou por demais demonstrado que estes indivíduos não têm sentido de humor, sentido de estado, maneiras, etc. etc., o que esperar daquilo?


Lá está! Delação da boa, há bela maneira nazi e pidesca. Sinceramente não entendi: o que é que tem mostrar as fotografias de pessoas que fizeram "like" da outra página? Ah é para rir? Ah ah ah ah ah! Não têm emenda, estes tristes.



O caso Jonet


Esta senhora na imagem em cima é Isabel Jonet, presidente há vários anos do Banco Alimentar Contra a Fome, em Portugal. Jonet está agora no centro de (mais uma) polémica, na sequência de declarações que basicamente lhe foram imputadas. E de forma maldosa, também.

Isabel Jonet NUNCA afirmou aquilo que consta daquele monumento ao jornalismo de sarjeta na forma de parangona. Será que a preguiça e a má vontade só chegam para retirar conclusões do título, quando logo no subtítulo se contradiz o anterior? Ela disse que é uma coisa BOA, porque há pessoas a ganhar muito mal, MAS... Este "mas" significa "porém, contudo", e não anula nada em relação à afirmação anterior. O aumento do salário mínimo (coisa boa) é uma medida acertada, MAS pode gerar mais desemprego  (coisa má). E quem nos garante que esta perspectiva macro que Jonet projecta não é o espelho da nossa realidade? Quem nos diz que a partir de agora para reduzir custos, um empresário com 10 trabalhadores por conta não dispensa dois ou três deles e obriga os outros a trabalhar mais? E depois para onde vão esses desempregados?


Alguns antes de mais nada, vão para as redes sociais dizer mal da vida de todos, quando o único problema é com a sua. Não deixa de ter razão, Jonet, quando indicou este "problema" em 2014, o que lhe valeu novamente a censura das massas mal informadas. O caso dos refugiados da guerra da Síria durante o ano passado foi gritante, com a quantidade de grunhos que invadiram as redes sociais com conversas do tipo: "Us mussolmanes virem pra cá com casa e tude pague, e eu nepias", queixando-se das regalias de que usufruem pelo simples facto de terem nascido lhes haverem sido sonegadas.


E recuando até 2012, vemos Jonet a ser novamente criticada por dizer a verdade. Se fosse a Maria Vieira a dizer que os portugueses não prestam, são analfabetos e o Brasil é que é bom, o coro dos energumenos batia-lhe palmas, e ainda elogiava o facto da anã "não ter papas na língua". Como foi a presidente do Banco Alimentar, exigem "a sua demissão" - simples ou mista, já agora? E depois quem é que ia para a frente do banco, andar a pedinchar e aturar pessoas com fome? Atenção que não estou a falar de pessoas que não almoçaram hoje ou que comeram só um pão com manteiga logo de manhã. Falo de pessoas COM FOME. Por mais donativos que Jonet receba no seu Banco Alimentar,  nunca serão em número suficiente para encher a  boca aos ignorantes.


OK, está bem


Para uma ideia decaldada do original holandês, até que não está mal. A propósito, os alemães e os suíços já fizeram a mesma coisa.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Com que então, "o Trump"


Não me pronunciei ainda sobre a inauguração do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem das medidas que já tomou desde o dia 20 de Janeiro, data em que tomou efectivamente posse, mas penso que chegou a altura de o fazer.

Primeiro explico aquilo que alguns poderão ter interpretado como "indiferença", ou até resignação: não falei porque achei que desde a eleição de Trump, se tem perdido mais tempo com querelas parvas entre Trumpistas e respectivos "anti", do que propriamente com aquilo que é o essencial. E o que é isso, afinal? O próprio Trump, ora essa. Não são os "apoiantes do Trump" quem vai governar a América, nem tomar decisões que possam directa ou indirectamente afectar todos nós - é o burgesso, em pessoa.

Não julguem que estou com isto a chamar de "anjinhos" aos Trumpistas, nada disso. Entre esses encontra-se o (numeroso) segmento daqueles que defendem que "quem não está com 'o Trump', é esquerdelho". Para esses desde já os meus mais sinceros desejos que que encontrem a idílica Bardamerda, e que por lá permaneçam. (Bem vistas as coisas, até são a maioria dos Trumpistas, estes).

O essencial, portanto. Dou dois anos a Trump antes que venha o inevitável "impeachment"; alguns analistas dão-lhe um ano ou menos, e sem dúvida que de ilegalidade em ilegalidade, vai haver uma que vai custar a este mui garboso "cowboy" o fim da brincadeira. Mas eu fico-me pelos dois anos, pronto. Um ano e meio, vá lá, que estou a colocar na balança a possibilidade da França cometer o disparate de eleger aquela mulherzinha irritante e histérica e ficam as contas todas baralhadas. Mas há algo que está acima de qualquer presidente - pelo menos num país tão heterogéneo como os Estados Unidos: a lei. E em paralelo com a lei estão os mercados. E para esses "o Trump" não é só um imbecil: é também um potencial perigo. Um "loose cannon".


Brilhante, essa de boicotar a entrada de portadores de passaportes de países "terroristas" - e aqui ficam de fora os wahhabistas da Arábia Saudita, país da família Bin Laden, ou os Emirados Árabes, aliados da Casa Branca desde o tempo do primeiro Bush (pelo menos), portanto. Enfim, uma forma que o gajo arranjou para lixar milhares de famílias que precisam REALMENTE de ajuda, desprezando acordos pré-estabelecidos, chegando ao ponto de desligar o telefone na cara do primeiro-ministro australiano. Esta política do "orgulhosamente sós", e de isolacionismo "sempre em frente e fé em Deus" é algo que não agrada aos mercados, e logo aos americanos, cujos empresários estão habituados a fazer do resto do mundo o seu tabuleiro de xadrez. E não, não me venham com coisas, que "o Trump" não vai "pôr as elites na linha". Nada disso. Ali toda a gente tem um preço, e atreva-se ele a mudar essa regra, e engolem-no vivo. Ah, depois há ainda isto:


É óbvio que acabarão por ser os americanos a pagar aquele muro idiota, e esperem quando souberem que terão que pagar pela manutenção daquilo, também, que só em oito anos vai ultrapassar o custo total da obra (yep). Não é que alguns lares (é o que quer dizer "household") não se importem de entrar com 120 paus yankees, mas outros há para quem esse montante faz alguma diferença, e outros ainda que preferiam investir o dinheiro nuns ténis novos da Nike. Os gajos do Alaska e do Hawaii, por exemplo, vão pagar por um m... que nunca vão ver, nem lhes vai servir para porra nenhuma? Agora, construir um muro com o pretexto de que "os mexicanos são assassinos e violadores", e depois mandar a conta para o próprio México, é um bocado estúpido, falando a sério. A propósito de tudo isto, recordam-se porque é que Adolf Hitler resolveu atacar a URSS apesar do pacto de não-agressão que tinha com Estaline? Porque o Reich tinha uma dívida com os russos que nunca poderia liquidar, e por isso resolveram "ou vai, ou racha". Mais do que "rachou": partiu-se aos bocadinhos! Mas não estou a estabelecer nenhum paralelo entre esta "estória" da História e o muro de Trump. Que é isso, é lógico que nada de semelhante se vai repetir. Pelo menos espero, para bem de todos. Especialmente dos mexicanos, coitados.


Quanto ao resto, bem, resta-me falar da inauguração propriamente dita, no dia 20 de Janeiro. Não assisti, não tenho muita coisa a acrescentar ao que já foi dito, mas houve algo que me deixou perplexo: as comparações entre Melania Trump e Jacklyn Kennedy em matéria de "elegância e bom gosto". Deve ser piada, pá. Quando olhei para o vestido da Melania, pensei cá para mim: "onde é que eu já vi isto antes"? 


Ah sim, fez-me lembrar este bolo que vi num centro comercial em Taipé, quando estive lá agora pelo Natal. Só que esta em vez de ter um Pai Natal em cima, tinha "o Trump" ao lado, oh oh oh. Bem, é assim, meus amigos, agora resta-nos esperar sentados e ver no que isto dá. Segurem-se bem, que a viagem vai ser turbulenta. 


Acabou-se a "frutó-chocolate"?


Tenho andado por aí nos supermercados a olhar para gelados - coisa normalíssima, pelo menos para mim - e tenho deparado com isto: gelados de...flores?! "Rose"??? Que diabo, isto são gelados ou desodorizantes do ar? E que raio é aquilo "elderflower", que fui saber no Google Translate tratar-se de "flor de sabugueiro". Sabugueiro?!?! Mas somos bestas de carga para andar a comer feno, ou quê? E a seguir, vêm os sabores a trevo, alfafa, ou para o mercado português, palha de Abrantes? Será que se está a acabar a fruta no planeta para que se torne necessário recorrer a este improviso? O que aconteceu aos poços de colesterol e indutores de coronárias que são o chocolate, o caramelo, o "rocky road" e afins? Vejam só vocês o que andam hoje em dia a dar as crianças. Estou mesmo a ficar velho.


Alô Macau FA: o Uranga existe


Este jovem que vemos ser entrevistado no final de uma partida entre o Barakaldo e o Alavés, a contar para a II divisão "B" de Espanha de há seis anos é o hispano-macaense Ian Uranga Chong, cuja história já aqui contei num post de Abril de 2015. Sim, o Ian Uranga nasceu em 1987 em Durango, no País Basco, filho de um antigo "pelotari" que passou por Macau, e de uma encantadora senhora chinesa natural do território, que para lá dos Pirenéus partiu com o seu príncipe encantado (ena!). O Ian chegou a vir algumas vezes a Macau, quando era pequeno, mas depois disso dedicou-se de corpo e alma à carreira de futebolista. Apesar de se ter formado nos escalões jovens do Deportivo Alavés,  o jovem foi de Vitória-Gasteiz para outros pontos do Euskadi durante toda a sua carreira de sénior, nunca passando do terceiro e quarto escalões, mas sempre como profissional. Actualmente representa o Arenas Club de Getxo, desde 2012, depois de uma curta passagem pelo Lemona. Estamos aqui a falar de um jogador com um percurso não ao mais alto nível, mas que certamente impõe respeito se olharmos para o historial de jogadores com alguma ligação a Macau (o David Kong Cardoso ainda está a escrever a sua história). Olhemos para a sua ficha de jogador do Arenas para atestar isso mesmo:


Aí está: experiência, regularidade, e até alguns elogios, constam da matrícula do jogador na página do Lapreferente (olé!), que se dedica ao futebol semi-profissional, amador, regional e de formação. E não estão a ver mal, não, o rapaz tanto joga a "lateral derecho" como a "medio centro", e se precisarem de mais provas...


...tenho aqui a sua "performance chart" recente, do site Transfermarkt; Uranga defende bem, faz o corredor direito completo, e adapta-se ao centro do terreno, também. Além do mais remata bem com o pé direito, e é especialista em lances de bola parada. Reparei também no Transfermarkt que o seu contrato com o Arenas termina em Julho próximo (é sempre renovado ano após ano), e então qual é a minha ideia? 

Que vão buscá-lo e que o tragam para Macau, bolas! Custa muito tentar? O que falta a Macau fazer como fez as Filipinas, por exemplo, que fez a prospecção de talento em divisões inferiores no futebol europeu, e encontrou na Holanda, Inglaterra, Alemanha, Espanha e França jogadores de ascendência filipina, dispostos a ajudar a desenvolver o futebol do país dos seus antepassados? Aos 29 anos o Uranga deve andar um bocado farto de percorrer o Euskadi, e ainda fazia uma perninha aqui até aos 40, além de ainda ajudar na selecção, onde pode entrar directamente, pois um dos seus pais é local, e nunca representou a selecção espanhola. Não precisavam de lhe pagar nenhuma fortuna, e era um excelente pretexto para dar impulso (finalmente) aos escalões de formação - os miúdos iam adorar. 

Isto é mais um desabafo que uma sugestão, confesso, e além do mais podia ser que o rapaz não estivesse para aí virado, ou que desse meia-volta uma semana depois de chegar cá e ver isto, sei lá, tanta coisa podia acontecer. Mas isso já é outra conversa, e para a qual não tenho argumentos para esgrimir. E alguém tem?


"Morreu" o Jean Carreira



Não sei se estão familiarizados com a personagem do Jean Carreira, um "boneco" criado pelo cantumorista (neologismo inventado agora mesmo) Vasco Duarte, o "Falâncio" dos Homens da Luta (incrível como o tipo é um autêntico camaleão), durante uma rábula no programa "Sábado à (ou "há"?) luta", decorria o ano de 2013. Vasco encarnou na perfeição a personagem de Jean, um jovem luso-luxemburguês que se dizia "o filho perdido" do cantor Tony Carreira, porque "sentiu-se um Carreira". Chiça. A brincadeira enganou os mais distraídos, que julgaram ter-se tratado de um caso extra-conjugal (neste caso pré-conjugal) que o cantor teria levado a cabo durante o tempo em que esteve efectivamente emigrado no Luxemburgo. Eu confesso: não ia achar muita piada à brincadeira, especialmente atendendo à vida complicada que o cantor e a família tiveram antes do chefe do clã ter atingido o estrelato, mas para surpresa de muitos...


...Tony Carreira "tolerou" a caricatura, que de tão bem feita, valeu ao imitador um disco de ouro pelo seu álbum de originais, inteiramente composto por temas debruçados sobre a temática do "filho perdido (!). A lata destes gajos, realmente. E coitado do Tony Carreira, que a certo ponto parece nem saber se deve continuar "na desportiva", ou dar um murro na mesa e "alto e pára o baile". É preciso ter mesmo estômago, e só por isso, o tipo sobe na minha consideração.


Mas isto foi em 2013/2014, as modas passam, e quando já poucos se recordavam do fenómeno, eis que "morre" o Jean Carreira. Que tétrico. A piada aqui, menos conseguida, passava por incluir a "morte" deste personagem no rol de celebridades que desapareceram em 2016, casos de "David Bowie, Prince, Leonard Cohen e George Michael", conforme constou da página do Facebook de Vasco Duarte há cerca de um mês. Segundo a mesma, Jean "morreu ao salvar um cachorrinho na auto-estrada". A primeira parte teve piada por uns bons cinco ou dez minutos. O epílogo nem por isso.

José has left the building


José Mourinho não é conhecido por saber perder e dar o braço a torcer, e ontem não foi excepção, após o empate caseiro sem golos do "seu" Manchester United contra o penúltimo classificado, o Hull City, orientado agora pelo também português Marco Silva. O "special one" ficou especialmente agastado com a arbitragem, que segundo ele "permitiu ao adversário praticar anti-jogo", e sair de Old Trafford com "um ponto precioso". Quando o jornalista que o entrevistou na zona do "post-match" lhe levantou essa questão, Mourinho irritou-se, e enquanto se afastava disse ao profissional dos "media" que "se não percebe de futebol, o que faz com o microfone na mão?", dando a entender que isso nem era pergunta que se faça. Na conferência de imprensa o técnico deu continuação à birra, retirando-se novamente quando lhe foi colocada a questão da arbitragem. Este foi o terceiro empate consecutivo do Man. United para a liga inglesa, e que lhe vai valendo um modesto 6º lugar, e mesmo que apenas a 5 pontos dos segundos Arsenal e Tottenham, já se requer um par de binóculos para ver o Chelsea, em primeiro com mais 14 (!) pontos que os "red devils". Mas shhh ... culpem antes os árbitros.


Try for free


Ainda há "almoços grátis". Sort of...


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Hoje fui ao templo!


 ...da cerveja, lá está. Ambiente acolhedor, oferta de marcas estrangeiras a preços sensíveis (para Macau, entenda-se), o suficiente para atrair a estrangeirada, e tal. E agora a pergunta sacramental que farão os que ainda desconhecem o local: onde fica?


Existem duas, pasme-se! Aquela onde fui "orar" hoje fica na Rua de Nossa Senhora do Amparo, atrás das Ruínas de S. Paulo, mas há outro templo aparentemente mais popular lá para as bandas de S. Lázaro. Prometo fazer-lhe uma visita em breve, talvez no fim-de-semana, quando me estiver a sentir outra vez "religioso". O resto podem saber através do Facebook (façam busca de "Beer Temple Macau"), ou do Google Maps, que é uma coisa muito jeitosa, também. À nossa!


Missão: impossível


Conhecem aquela piada em jeito de adivinha, "- Qual é o cúmulo da força? - Dobrar uma esquina"? Muito gira, por sinal, mas o autor nunca deve ter tentado dobrar esta esquina, da Av. Almeida Ribeiro para a Rua dos Mercadores, em pleno Ano Novo Lunar, a meio da tarde de hoje, quinta-feira. Ia chamar-lhe "o cúmulo da paciência". O que valeu foi o Banco Tai Fung estar aberto, que permitiu que algumas pessoas passassem por dentro das suas instalações, com entradas pelas duas vias.


Travessa da Paixão


Hoje mesmo, esta tarde.


Eddy Francis, o chinês do Boavista


Entretanto no futebol fechou a janela de transferências de Janeiro, com mais valores milionários a serem despendidos pelos grandes clubes no mercado de Inverno, e com os pequenos a desenrascarem-se como podem. Foi o caso do Boavista Futebol Clube, que não podendo gastar os milhões que os clubes chineses investiram em reforços dos principais campeonatos europeus, foi buscar um jogador à China - devem haver muitos com vontade de mudar de ares, perante a invasão de talento estrangeiro. O jogador em causa é referido no site do Boavista como sendo "Aidi Fulang Xisi", que mesmo sendo "de origem chinesa e tanzaniana", como o artigo refere, tem um nome muiiiito esquisito, pá. Aqui em Macau os expatriados tugas como eu devem estar a pensar se aquele "Xisi" do nome quer dizer "maluco" ou "queijo". Fui então procurar saber como é que o rapaz se chama realmente. Quer dizer...coitado, né? A chamarem-lhe aquilo tudo...


Ah, pronto, valha-nos a Wikipédia. O rapaz nasceu em Xangai, filho de mãe chinesa e pai tanzaniano, e deram-lhe o nome de Eddy Francis, que no pinying da tradução para chinês ficou aquela monstruosidade que o Boavista agora o chama: "Aidi Fulangxisi", sendo que "Aidi" é tradução de "Eddy", e "Fulangxisi" de "Francis". Tem que ser, uma vez que o abecedário romano não é utilizado na China. 


Tudo bem, que o rapaz é chinês e tanzaniano, nasceu na China, tudo o que quiserem. Mas já que vai jogar em Portugal, porque não chamá-lo de "Eddy Francis", que no fundo é o nome que os pais lhe deram, ou simplesmente de "Eddy"? Só uma sugestão.


Eles lá falar, falam


Ainda a propósito do post anterior, fiquei também a saber que o deputado madeirense José Manuel Coelho foi condenado a um ano de prisão EFECTIVA, no âmbito de um processo interposto contra ele pelo advogado Garcia Pereira. Tanto o deputado como o advogado, que também é líder do PCTP/MRPP, foram candidatos à Presidência da República em 2011, e no calor da campanha, o primeiro acusou o segundo de "ser um agente da CIA", e de "fazer fretes ao Governo Regional da Madeira", entre outras inanidades. Ao contrário de alguns que "deixam fazer", e remetem os ataques que são feitos à sua imagem pública ao contexto de uma "doença mental", Garcia Pereira agiu, e bem, pedindo ao ilustre adversário que apresentasse provas daquilo que afirmou de forma tão peremptória. Bem, falar é fácil, mas depois provar é que "moua", e no fim ganham-se umas férias nada apetecíveis. Numa ilha, curiosamente. E a culpa depois "é dos tribunais", que são isto ou aquilo, conforme a pancada do indivíduo em causa.


#mariajáfoste


Para quem andou preocupado por onde andei eu estes dias - se alguém de todo - deixem-me que vos diga que "estou bem, obrigado, e que o frio dá mais vontade de ver e ler, do que propriamente escrever. Mas é assim que formamos opiniões e debatemos as ideias, falando do que se viu, lê e/ou sabe, do que propriamente desatar a vomitar disparates apenas para exercer o que chamam "direito à opinião". LOL. E nestes dias fiquei a saber deste drama que se deu em Portugal, pior que qualquer cheia ou outra calamidade: Ana Bola vê-se ameaçada por uma bola. Tudo o que escrevi neste blogue sobre Maria Vieira, que está devidamente documentado (vão lá ver se não está, vá!), leva ainda mais longe esta suspeição que Ana Bola levantou sobre a autoria daquelas entradas atrozes da anterior nas redes sociais. Como Maria Vieira não deve saber, só existe crime de difamação se ficar provado que as afirmações em causa são de facto caluniosas, ou em linguagem popular, "quem a verdade diz, não merece castigo". Passo a elaborar já a seguir.


Aquilo que alguns designavam de "tiradas contra a Maria Vieira" da minha parte - obrigado, já agora - nada tinham a ver com aquela actriz engraçada que o Herman levou para a sua equipa nos anos 80 até à década seguinte, e que nos fazia sorrir mal entrava em cena. Nada disso. O que me deixou com a alma caída no chão foi ver o que estava escrito na página do Facebook da Maria Vieira. Atenção: na página de Facebook da Maria Vieira não é a mesma coisa que "a Maria Vieira". Entendido? Óptimo. Assim, logo no início dei-me ao trabalho de tirar esta questão a limpo:


Estes comentários estão há um ano e meio na página pessoal de Maria Vieira - não a sua página pessoal do Facebook, atenção, mas antes uma "page" aparentemente abandonada. De facto assim é; Maria Vieira é actriz, e o seu marido é escritor. Foi o autor material dos relatos dos livros de viagens de Maria Vieira, aliás "Parrachita". Assim se pode explicar, por exemplo, o persistente azedume contra Cristiano Ronaldo e a sua família, nomeadamente a mãe do melhor jogador do mundo, e tudo porque esta conseguiu um sucesso de vendas com a publicação das suas memórias. Mais difícil de explicar é como a Maria Vieira passou a entender tanto de futebol, começado a gostar de "trash-metal", ou ainda um certo desprezo pelo contraditório:


Sim, já existe um grupo e tudo, para pessoas que, como eu próprio, foram bloqueadas por Maria Vieira por terem discordado dela, ou em alguns casos questionado os seus pontos de vistas. E serão mesmo "os seus"?


Este tipo assegura-nos que sim senhor, "ela pensa pela própria cabeça", e a Ana Bola "é lixo", e "ofende quem pensa de modo diferente" (ó ironia...), por isso "força Maria VIERA". Viera mas já não vem mais. Não há nada a fazer, realmente. Mas ao contrário deste génio (sarcasmo), Ana Bola conhece Maria Vieira, trabalharam juntas durante anos, e deve saber do que fala. No entanto, para Maria Vieira basta afirmar que "sim, escreve aqueles textos", e de fora fica a SUSPEITA (ninguém afirmou nada categoricamente) de que não é ela a autora das suas entradas na página pessoal do Facebook com o seu nome. O problema não é esse, sequer, pois se o receio de Maria Vieira é o de "ficar prejudicada profissionalmente"...


,,,muito pior será se assumir os pontos de vista atrozes que partilha naquela rede social, e assim dar-lhes mais visibilidade. Aqui, por exemplo, o "lixo do mundo" são os islâmicos, africanos e "esquerdistas". Basta ir à página pessoal da Maria Vieira - se ainda não foram bloqueados, também - e atestar isto mesmo que vos estou agora aqui a dizer. Entre os pobres encalhados na maré de crude destes tempos que batem palmas à verborreia que vem debitada nesta e noutras páginas que por aí andam, há pessoas de bom senso que vão ver o mesmo que eu, a Ana Bola, e outros "Bloqueados por Maria Vieira". E olhem que apesar "do Trump", ainda são estes que fazem a banda marchar.



Ui di genti-genti


Tem sido este o aspecto das artérias normalmente menos concorridas durante os primeiros dias deste Ano Novo Lunar. Eu gosto de ficar por cá nesta altura, e não me recordo de alguma vez ter saído, mas para o ano vou reconsiderar essa posição.


Pátio das quê?!


Se ainda lhe chamassem "Pátio das Chapas", ou na melhor das hipóteses "Pátio das Plantas na Parede ao Fundo", tudo bem. Mas..."Pátio das Flores"?! Deve ser por isso que pintaram aquele "smiley" quadrado por baixo do dístico. É só uma piada.