terça-feira, 3 de junho de 2014

A caminho do Brasil: aqui, no fim do mundo


Os países da Ásia Oriental foram sempre o parente pobre das federações afiliadas na FIFA. Entretidos com as suas versões muito próprias de desporto, ora as artes marciais, ora os desportos colectivos trazidos pelos colonizadores ingleses para a subcontinente do Hindustão ou o a península malaia, a juntar aos problemas políticos e estruturais, o futebol na sua vertente técnico-táctica sofreu anos de atraso que apenas na segunda metade do século XX começaram a ser recuperados. Por isso muito timidamente as selecções asiáticas foram ganhando o seu espaço, e apenas neste século começaram a ser relativamente respeitadas. Vamos olhar o longo caminho percorrido pelos habitantes do fim do mundo, e além dos membros da AFC (Confederação Asiática) mais a oriente, vou incluir também os países da Oceânia, ou OFC.


Se estiver a participar num concurso de conhecimentos gerais e lhe perguntarem se a Indonésia já participou na fase final de um mundial, diga que sim.

A AFC, a Confedaração Asiática de Futebol, foi criada apenas em 1954, a 8 de Maio, portanto há apenas 60 anos acabadinhos de fazer. Contudo numa tentativa de alargar a participação no mundial de 1938 a paragens mais distantes no mundo, a FIFA atribuíu uma vaga à região Ásia-Pacífico, à qual concorreram apenas dois países. Quer dizer, um país e uma colónia holandesa, o Japão e as Indias Holandesas, território hoje conhecido por Indonésia. Os japoneses, mais ocupados com a agressão ao continente chinês e outras regiões limítrofes, declinaram a participação, e assim o treinador Johannes Mastenbroek, um holandês de Dordrecht que era ao mesmo presidente da Federação e vice-presidente do Comité Olímpicos das Indias Holandesas, selecionou um grupo de 17 rapazes que alinhavam nos campeonatos amadores da colónia holandesa, a maior parte deles oriundos de clubes de Jakarta (na altura chamada de "Batavia") e de Surabaya. A experiência em Itália resumiu-se ao jogo da primeira ronda, onde perderam por 6-0 contra a Hungria. Vendo bem, até foi um resultado decente. Depois da independência, e já como Indonésia, nunca mais viriam a participar de uma fase final de um campeonato do mundo.


Em 1950, ano do mundial do Brasil, a India obteve a qualificação, mas desistiu antes do torneio final, por duas razões: a distância que os separava da América do Sul, e o facto de não terem equipamento adequado para participar no torneio, nomeadamente chuteiras, e a FIFA não permitir que os atletas jogassem descalços - vamos dizer que a primeira razão prevaleceu. A primeira vez que uma equipa do extremo oriente participou numa fase final foi em 1954, com a Coreia do Sul a levar uma equipa até à Suíça, onde teve simplesmente a pior participação de sempre de qualquer selecção em fases finais de um mundial - sim, pior ainda que a Grécia em 1994 ou El Salvador em 1982. Os coreanos ficaram num grupo ingrato, sem dúvida nenhuma, e na estreia perderiam por 9-0 com a Hungria, que era simplesmente a melhor equipa do mundo. No segundo perderiam também com a Turquia, desta feita por 7-0, o que apesar de parecer um progresso, foi na realidade pior que o primeiro resultado. Mas não se exigia muito mais de um país asiático, que naquele tempo participava como uma espécie de "ingrediente extra".


Apesar da estreia nada auspiciosa, a Coreia do Sul viria a tornar-se a maior potência futebolística da região, e tem participado de todas as fases finais desde 1986, nunca passando da primeira fase ou obtendo qualquer vitória nas primeiras quatro presenças consecutivas. Seria preciso esperar até 2002, ano em que organizaram o mundial em conjunto com o Japão para festejar pela primeira vez, e seria a 4 de Junho em Busan, contra a Polónia, que venciam finalmente uma partida de um mundial. Depois de um empate a uma bola com os Estados Unidos, obtinham o segundo sucesso contra Portugal por 1-0 em Incheon, num jogo de triste memória para as nossas cores. Já na segunda fase beneficiaram de arbitragens algo controversas para vencerem a Itália nos oitavos-de-final por 2-1 após prolongamento, e a Espanha nos quartos-de-final nos "penalties", após 0-0 ao fim de 120 minutos, e com dois golos mal anulados à selecção espanhola. Nas meias-finais apanharam uma Alemanha à prova de arbitragens caseiras e perderam por 0-1, com um golo de Ballack aos 75 minutos, e terminaria em quarto lugar após derrota por 2-3 com a Turquia. Mesmo assim conseguiam uma presença nas meias-finais para uma selecção asiática, que é mais do que podem dizer os africanos, outras "vítimas" da expansão colonialista europeia.


Os sul-coreanos tinham finalmente vencido um jogo em fases finais de campeonatos do mundo, e tinham ganho o gosto. Em 2006 na Alemanha repetiam a dose no primeiro jogo, frente ao estreante Togo, ganhando por 2-1, e de seguida empatando a uma bola com a França. No entanto a fase seguinte ficaria à margem após derrota 2-0 com a Suíça. Em 2010 conseguiam finalmente o apuramente longe do seu público, na África do Sul, após venceram a Grécia por 2-0, serem goleados pela Argentina por 1-4, e empatar a dois golos com a Nigéria, valendo-lhes a derrota dos gregos frente aos argentinos para terminarem no segundo posto. Nos oitavos-de-final perderiam com o Uruguai por 2-1, valendo aos sul-americanos a inspiração de Luis Suarez, que apontou dois golos. Este ano no Brasil a Coreia do Sul participa pela oitava vez consecutiva, encontrando-se no Grupo H com a Bélgica, Rússia e Argélia.


A outra Coreia, a do Norte, tem dependido bastante dos "ventos" políticos que sopram no paralelo 38. Em 1966 participaram no mundial de Inglaterra, onde obtiveram uma vitória histórica frente à Itália na fase de grupos, a cairiam na fase final frente a Portugal por 5-3, após terem estado a vencer por 3-0 ao fim de 22 minutos. Em 1970 tiveram novamente outra oportunidade de brilhar, no mundial do México, mas recusaram-se a jogar em Israel no "play-off" de acesso, e assim o estado judaico pode participar pela primeira vez. Regressariam somente aos grandes palcos do futebol mundial em 2010, na África do Sul, e voltariam a encontrar Portugal, com quem perderiam por 0-7. No primeiro jogo do grupo G perderam com o Brasil por 2-1, e ficou na retina a emoção com que Jong Tae-Se, o seu único jogador profissional, na altura a actuar na J-League japonesa, sentiu o hino do seu país, chegando mesmo a verter lágrimas.


Miura, a estrela japonesa dos anos 90.

O Japão ficou sempre de fora de fases finais de mundiais de futebol, por uma razão ou outra, mas ficou perto de atingir o mundial de 1994 nos Estados Unidos, mas na partida decisiva da "poule" final, disputada no Qatar, empatariam 2-2 em Bagdade frente ao Iraque, com o segundo golo dos iraquianos a ser obtido nos descontos. Antes disso tinham um pé no mundial após uma vitória sobre a eterna rival Coreia do Sul por 1-0 no jogo anterior, com o golo a ser apontado por Kazuyoshi Miura, a maior figura do futebol japonês moderno, tendo representado os italianos do Génova como profissional, e ainda alinhado em alguns clubes brasileiros na sua juventude. Miura via o seu esforço premiado em 1998, em França, após uma qualificação dramática contra o Irão no "play-off" asiático, mas os nipónicos perderiam todas as partidas na estreia em mundiais: 0-1 contra Argentina e Croácia e 1-2 contra a Jamaica.


Seria em 2002, no mundial que co-organizaram com a Coreia do Sul que os japoneses obtinham a sua primeira vitória. Depois de um empate frente à Bélgica a dois golos, venciam os russos por 1-0, com golo de Junichiro Inamoto, e repetiam a dose a seguir frente à Tunísia, que venciam por 2-0. Um grupo acessível, sem dúvida, e talvez por isso nos oitavos faltou o engenho para bater a Turquia, que seguia para os quartos-de-final após vitória por 1-0 sobre os nipónicos. Em 2006 o Japão marcaria novamente presença na Alemanha, mas voltaria à estaca zero - zero vitórias. Primeiro derrota com a Austrália por 1-3, depois empate com Croácia sem golos, e derrota frente ao Brasil por 1-4. O bom hábito de ganhar jogos foi readquirido há quatro anos na África do Sul, onde conseguiram vencer os Camarões por 1-0, e depois de perderem com os holandeses pelo mesmo resultado, conseguiam uma vitória fabulosa sobre a Dinamarca por 3-1. Nos oitavos seriam afastados pelo Paraguai no desempate por "penalties". Este ano no Brasil participam pela quinta vez consecutiva.


A China, apesar da sua dimensão populacional e a paixão pelo futebol (ou qualquer outro jogo, para esse efeito), só passou ter futebol semi-profissionalizado a partir de 1992, e demoraria mais dez anos a estrear-se em mundiais. E foi pela mão de "Bora" Milutunovic, aproveitando as vagas asiáticas deixadas em aberto por Coreia do Sul e Japão para o mundial 2002. Ali a estreia foi modesta, perdendo os três jogos para Costa Rica por 0-2, Brasil por 0-4 e Turquia por 0-3. Ficou a recordação de ter jogado com a "canarinha", que nesse ano foi campeã mundial, para contar depois aos miúdos. A China não mais se voltaria a qualificar depois disto, mesmo com José António Camacho como selecionador nos últimos anos.


A Austrália, que tal como os Estados Unidos tem outros desportos além do futebol a que dá primazia, qualificou-se pela primeira vez para o mundial de 1974 na Alemanha através da única vaga reservada para países do continente asiático e Oceânia, mas no torneio final perderia com a Alemanha Democrática por 0-2, depois com a Alemanha Ocidental por 0-3 e saía com um honroso empate sem golos frente ao Chile. Depois disso foram muitos anos de ausência, muito por culpa de precisar de jogar um "play-off" inter-continental, normalmente contra uma selecção das Américas. Tudo mudaria quando os "socceroos", como são conhecidos, afiliaram-se na AFC, discutindo uma das vagas da zona asiática, e a partir daí qualificariam-se para os três torneios seguintes. Em 2006 sob o comando do holandês Guus Hiddink, que levou uma geração de jogadores com carreira feita no futebol europeu, casos de Harry Kewell, Mark Viduka, Tim Cahill, Brett Emerton ou o guarda-redes Mark Schwarzer, conseguiu não só vencer e marcar golos pela primeira vez, como ainda passar da fase de grupos. No primeiro jogo venceram o Japão por 3-1, marcando os três golos nos últimos dez minutos do encontro, depois perderam com o Brasil por 0-2, e empataram com a Croácia a duas bolas. Nos oitavos seriam afastados pela eventual campeã, a Itália, com o único golo do encontro a ser apontado por Totti no quinto minuto de descontos para lá dos 90. Em 2010, com outro holandês ao comando, desta vez Pim Verbeek, ficariam pela primeira fase, perdendo com a Alemanha 0-4, empatando 1-1 com o Gana, de nada valendo depois a vitória por 2-1 sobre a Sérvia.


A Nova Zelândia conta com duas participações, interessantemente marcadas pela regularidade; em 1982 em Espanha qualificaram-se através de uma das duas vagas da AFC/OFC, indo a outra para o Kuwait, e na fase final seriam goleados em todas as partidas: 2-5 c/Escócia, 0-3 c/União Soviética e 0-4 c/Brasil. Em 2010 chegavam à África do Sul através do "play-off" inter-continental (finalmente), e empatavam todos os jogos do seu grupo: 1-1 c/Eslováquia e Itália e 0-0 com o Paraguai. O jogo contra os italianos foi especial, e chegaram a estar em vantagem aos 7 minutos com um golo de Shane Smeltz. Este ano vão ficar longe, bem longe do Brasil, do outro lado do mundo.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

E o meu dinheiro, pá?


Tudo bem, não me vou fazer de anjinho e dizer que "não sabia" que era assim, ou que ignorava este problema. Um novo "problema", daqueles que por vezes aparecem em Macau, e que tornam o território numa espécie de balão de ensaio para os "fenómenos" antes que estes cheguem ao Entrocamento e sejam ali exibidos em estreia mundial. Já tinha ouvido falar, sim, que é difícil levantar dinheiro das caixas multibanco, ou ATM se preferirem, nos Domingos à noite ou nos dias feriados, especialmente se cairem numa segunda-feira, como foi hoje o caso. Mas de ouvir falar a sentir na pele o incómodo de precisar de percorrer quase meia cidade para levantar dinheiro vai uma grande distância. Uma distância que nem teria importância, que andar até um exercício que se recomenda, mas o pior é quando não nos apetece, e mesmo assim somos obrigados a suar as estopinhas - literalmente - para obter um serviço pelo qual pagamos, e não é apenas em juros, serviços e o diabo a sete: os bancos cobram uma taxa anual pelos cartões de crédito, de ATM e de débito, e no fim o serviço é-nos negado por mera incompetência. E tanta incompetência já começa a cheirar mal.

Ontem foi véspera de feriado do Tung Ng, ou "Barco Dragão" e deixado sozinho em casa, após dispensar o jantar que assinala o festival (quem viu um já viu todos), sou avisado pela minha mulher que "não há bebidas", ou mais precisamente, estas encontram-se em vias de acabar, com o estoque reduzido ao essencial para não morrer de sede. Digo-lhe que vá jantar descansada, que eu logo que acabasse o "post" que estava a dedicar ao futebol mundial ia sair para reabastecer o frigorífico. E assim fiz, quase meia-hora depois, passavam alguns minutos das 8, decidi ir então comprar bebidas, com esperança de poder voltar a tempo de assistir ao Telejornal, e jantar o Bacalhau à Gomes de Sá que estava a meia-hora de forno de ficar confecionado. Pegando na carteira, reparo que tenho menos que dez patacas - é já hábito, uma vez que não gosto de andar com muito dinheiro, e raramente tenho na carteira mais que cem ou duzentos paus. "Não faz mal", pensei eu, "vou até à Rua da Praia do Manduco e levanto uma centena, que chega e sobra". Ingenuidade a minha.

Saio de casa, bem disposto como é hábito, e a primeira que caixa que encontro ao chegar à tal rua é a do Banco da China, que me diz estar "fora de serviço". Tudo bem, pois são apenas dois passos até à nova dependência do BNU, inaugurada naquela zona o mês passado, e fica o problema resolvido. Entro na sempre agradável sala onde se encontram as máquinas (todas deviam ser assim), meto o cartão na caixa, e dizem-me que esta está "temporiaramente sem dinheiro", e perguntam-me "se desejo continuar". Então não filha, quero que me leias a sina, pode ser? Retirei o cartão e mantive a calma: existiam pelo menos mais duas caixas na mesma rua. Fui à primeira, à porta do então mais que encerrado Mercado de S. Lourenço, e levo com a mesma mensagem da anterior: "temporariamente sem dinheiro". Bufo pela primeira vez, e já com o passo apressado vou até ao Banco Tai Fung, quase no fim da rua, perto da Almirante Sérgio. Meto o cartão, digito o código, opto pelo levantamento, escolho o numerário, patacas, tudo bem, parece que finalmente ia ter liquidez. Qual quê, que só têm notas de mil. É aqui que me sai o primeiro "f...-se". Viro a esquina, já com o vapor a quere sair pelo nariz, e entro na dependência do Banco Weng Hang da Av. Almirante Sérgio, onde sou recebido com um simpático "temporariamente fora de serviço, desculpe o incómodo". É aqui que me salta a tampa, cerro os punhos, e antes de deixar a caixa permanentemente KO, lembro-me que existem ali uma câmara apontada para mim. Conto até dez e saio calmamente.

E agora? Completamente teso e já depois de ter tentado quatro caixas na minha área de residência, o que fazer? Começo a andar na direcção do Patane, e em menos de cinco minutos estou na caixa do BCM da Praça Ponte e Horta, já consideravelmente longe de casa. Resultado? "Temporariamente sem dinheiro". Foi aqui que comecei a praguejar, e penso ter inventado pragas novas, combinando os elementos químicos da má lígua e dos males de fígado, desde as partes privadas das mães e das irmãs, até à fidelidade e preferências sexuais de outros familiares dos responsáveis por esta palhaçada. A sério, inventei um novo léxico do insulto e do palavrão. Andei, andei, andei, porra, afinal precisava do dinheiro. E onde fui encontrá-lo? Na caixa do BNU da Rua Cinco de Outubro, aquela que vêem em cima na imagem. E consegui, bolas, sucesso! E pelo sim pelo não levantei quatrocentos paus que me chegassem para hoje, e nem foi necessário, uma vez que nem saí de casa. Decorria ali na 5 de Outubro aquela feira que se tem realizado todos os domingos, e no regresso após levantar dinheiro, tive sorte de não ser interpelado por um dos polícias que ali estava de plantão - é que estava mesmo com cara de quem ia cometer homicídio.

Volto para casa já perto das nove horas, perdi o Telejornal e estava suado que nem um porco, bradando raios e coriscos que o próprio Satanás cobriria os ouvidos de vergonha se escutasse. É assim que a qualidade de vida em Macau vai caindo pelo ralo abaixo; custava muito aos bancos rechearem as caixas multibanco com dinheiro que desse para três dias? O que foi, agora estes chicos-espertos têm algum estudo que determina quanto é que cabe em média a cada um gastar? Se chegamos ao Domingo à noite, precisamos de dinheiro e as caixas estão sem nenhum, o que recomendam que façamos? Liga-mos para V. Exas. e vocês vêm com a chave abrir a loja para nos darem o dinheiro, que é nosso? Já se sabe que nestes fins-de-semana prolongados e o tanas vêm mais turistas, de Hong Kong e da China, e surpresa!, têm cartões com os quais conseguem levantar dinheiro em Macau. Nesta economia tão próspera onde quem mais benificia é quem pratica o capitalismo selvagem, as entidades bancárias têm sido quem tem menos razões de queixa. Deixem lá de ser somíticos, pá. Querem que a gente vos mande também com uma manifestação em cima, ou quê? Só à porrada, sinceramente...






Depilações



- Boa noite Leocardo, hoje o tema forte é, como não podia deixar de ser, o recuo do Executivo na aprovação da lei das garantias aos titulares aos principais cargos públicos.

- Boa noite, Borges Rivas. O que se passa é o seguinte: o problema foi o "timing". A sério, o "timing" aqui foi tudo. Este governo é o máximo, é um exemplo de bonomia e caridade, mas o "timing" é terrível. Todos os países e todos os governos têm este tipo de lei...todos os presidentes da república, ministros, etc., recebem um Rolls-Royce e uma subvenção vitalícia que lhes permite comer faisão e caviar todos os dias, porque havia Macau de ser diferente?

- Mas o Executivo cedeu às exigências dos manifestantes...

- É o "timing", Borges Rivas, é o "timing". Esses malandros não têm razão, aproveitaram-se apenas do "timing". Vai ver que quando o Chefe do Executivo for reeleito e eles não tiverem outro remédio senão aturá-lo durante mais cinco anos, se a lei não passa tal e qual como está. Upa, upa!

- Quarta-feira assinala-se o 25º aniversário do massacre da Praça Tiananmen. Parece que neste particular a China não alterou a posição que vem mantendo desde o início.

- Olhe, Borges Rivas, é assim: eu voltei da China agora mesmo, e ainda venho com os olhos em bico, e imagine você que ainda no Sábado queria saber o resultado do Portugal-Grécia, e só soube ontem, quase vinte e quatro horas depois. É assim, tal e qual, quando se trata de desgraças, a China prefere não deixar o povo saber, e sofrer. É a China, Borges Rivas, é a China.

-Pois...luta pela liderança no PS, António José Seguro ou António Costa, você que é chuchalista, quem prefere para a liderança dos "boys"?

- O António, Borges Rivas! Fique já aqui bem claro que desde a primeira hora que apoio o António. O António é a solução para o PS e para o país. António! António!

- Estou a ver, Leocardo. Então boa noite e até à próxima.

- Ora essa!


Sois rei! Sois rei!



A coroa espanhola mudou de cachola.
O que digo eu, o rei Juan Carlos morreu???
Não, não, ele abdicou, e passou para o Filipão
- Para o Scolari? Que bom! - Não, para o Filipe de Bourbon.
- Ai sim? Mas porquê? - Corrupção e outros escândalos, veja só você.
Iñaki e a esposa, a Cristina infanta, envolvidos em corrupção, e há a elefanta...
A elefanta e os elefantes, que no Botswana, o rei mandou-os de penantes.
- E do que mais o rei tem culpa? - Do "porque no te callas", mas pediu desculpa...
- Ao Chávez? Esse já morreu, e o rei ganhou juízo? - Talvez, mas em breve ajustam contas, lá no Paraíso.
- É interessante abdicar...o rei não tinha capacidade? - Está velho e doente, e o mesmo faria a rainha de Inglaterra, tivesse o filho qualidade.



A caminho do Brasil: um barril de pólvora


O médio-oriente, ou mais correctamente o próximo-oriente é uma região do globo problemática, onde as querelas entre países não se resolvem apenas nos estádios de futebol, infelizmente. Os imperativos de ordem religiosa, cultural e outros deixam o desporto-rei para segundo plano, mas nos últimos mundiais não têm faltado selecções oriundas destes países onde tantas vezes as tensões sobem de tom, e paira a ameaça de guerra. Vamos olhar para estes países onde se está sentado num barril de pólvora.


Senol Gunes, o treinador do pódio turco.

A Turquia é um país onde durante muitas décadas o desporto mais popular foi a luta-livre...na lama. Só que nos últimos anos os turcos desenvolveram um carinho muito especial pela sua selecção de futebol, que lhes tem dado alegrias, vencendo muitas vezes jogos internacionais com países europeus, os quais sentem que os "desprezam". Em campeonatos mundiais a Turquia participou pela primeira vez em 1954, tendo perdido com a Alemanha Ocidental por 4-0 na primeira partida do grupo 2, vencendo de seguida a frágil selecção da Coreia do Sul por 7-0, perdendo novamente no "play-off" com os alemães por 7-2. Depois de participações nos campeonatos europeus em 1996 e 2000, os turcos conseguiram finalmente uma nova qualificação para o mundial de 2002, na Coreia e no Japão, e o treinador Senol Gunes, ele próprio um ex-internacional, tendo feito a sua carreira no futebol como guarda-redes, levou a melhor geração de jogadores turcos da história, onde estavam nomes como o guardião Rustu Recber, os defesas Bulent Korkmaz, Fatih Akyel ou Hakan Unsal, os médios Yildiray Basturk, Umit Davala, Emre Belozoglu e Tugay Kerimoglu, e os avançados Hakan Sukur, Ilhan Mansiz e Nihat Kahveci, a maioria deles a alinhar em equipas estrangeiras.


A Turquia pode-se dar por satisfeita com o grupo onde foi colocada, sendo o Brasil um adversário de respeito, mas com Costa Rica e China a serem acessíveis para poder aspirar à fase seguinte. E assim aconteceu, mas não foi fácil, e depois de derrota com o Brasil e empate com a Costa Rica, a vitória sobre a China qualificou os turcos na diferença de golos marcados e sofridos. Nos oitavos-de-final venceram o Japão por 1-0, e nos quartos-de-final o sensacional Senegal, pelo mesmo resultado, sendo afastados de uma eventual final pelo Brasil, também por uma bola a zero. Pode-se dizer que a Turquia teve o caminho semi-aberto; não defrontou qualquer equipa europeia, e a única selecção cotada que apanhou pela frente foi o Brasil, com quem perderam nas duas vezes que os defrontaram.


No jogo para o 3º lugar os turcos defrontaram a Coreia do Sul, e venceu por 3-2, num jogo que registou um recorde: o avançado Hakan Sukur marcou o primeiro golo aos 15 segundos, o que passou a ser o golo mais rápido marcado em mundiais de futebol. A Turquia falharia o Euro 2004, em Portugal, e o mundial de 2006 na Alemanha, regressando no Euro 2008, onde voltou a surpreender, chegando às meias-finais. Contudo isto não se expressou na qualificação para o mundial da África do Sul, que voltariam a falhar, tal como o Euro 2012 e o mundial deste ano. Os fãs turcos queixam-se de "falta de amor à camisola" por parte dos jogadores da selecção, que "estão mais preocupados com os seus contratos".


Vizinhos da Turquia e rivais fidagais, muito por culpa da invasão turca da ilha de Chipre em 1974, os gregos participam este ano pela terceira vez numa fase final de um mundial de futebol. A estreia foi em 1994 nos Estados Unidos, e não correu nada bem, com três derrotas em outros tantos jogos: 0-4 contra a Argentina e Bulgária, e 0-2 contra a Nigéria, com o treinador Alketas Panagoulias a utilizar um guarda-redes diferente em cada partida. Dez anos depois os gregos venciam o Euro 2004 em Portugal, um tanto surpreendemente, e às custas da selecção portuguesa, mas os helénicos voltariam a falhar a qualificação para o mundial seguinte, na Alemanha. O regresso ao mundial só se daria em 2010, na África do Sul, e depois de mais uma derrota por 0-2 com a Coreia do Sul, chegou a primeira vitória, e os primeiros golos, com Dmitris Salpingidis e Vasilis Torosidis a marcarem na vitória por 2-1 frente à Nigéria. A qualificação não chegaria, pois tal como em 1994, voltariam a perder com a Argentina, desta vez por 0-2. Este ano no Brasil é o português Fernando Santos quem vai tentar levar os gregos pela primeira vez à fase seguinte.


No centro da tensão da região está Israel, que participou uma única vez no mundial de 1970, no México. Os isralitas foram durante anos um problema para a FIFA, pois os seus vizinhos recusavam-se a jogar no estado judaico por não o reconhecerem, devido à ocupação dos territórios palestinianos. O problema ficou resolvido com a integração de Israel na UEFA a partir de 1991, mas à custa de uma eventual qualificação para outro mundial, uma vez que a competição é difícil. Em 1970 os israelitas contavam com Mordechai Spiegler, a sua maior estrela, que passou pelos franceses do Paris SG, onde foi colega de Humberto Coelho. Depois de uma derrota por 0-2 com o Uruguai no jogo inicial, os israelitas empatariam com a Suécia a um golo, com Spiegler a marcar o único golo, e o empate a zero com a Itália no jogo seguinte não chegaria para atingir a fase seguinte. Sem muitos argumentos técnicos, ou de outro tipo, os israelitas optaram por um futebol agressivo, às vezes duro, e muito faltoso.


Inimigos mortais dos israelitas, o Irão participou pela primeira vez num mundial em 1978 na Argentina, ainda em vésperas da revolução islâmica, e pelo meio de derrotas com a Holanda por 0-3 e Perú por 1-4, conseguiram um empate a uma bola com a Escócia. A braços com a adoração a Alá e a sua versão muito própria do radicalismo xiita, o Irão regressaria em 1998 no mundial de França, onde obtinha a sua primeira - e até agora única - vitória em mundiais, e contra os Estados Unidos, para eles "o grande Satã". Com uma equipa que contava com o trio de jogadores a alinhar no futebol alemão, Khodadad Azizi, Ali Daei e Karim Bagheri, alémn do jovem médio polivalente Mehdan Mahdavikia, que se viria a juntar a eles mais tarde, venceriam os americanos em Lyon, com golos de Hamiod Estili e Mahdavikia. Na primeira partida haviam perdido com a Jugoslávia por 1-0, e no jogo decivisivo perdiam com a Alemanha por 2-0. Em 2006 voltavam a uma fase final, e ficariam no grupo de Portugal, juntamente com o México e Angola. Depois de derrotas por 1-3 com os mexicanos e 0-2 com os portugueses, empatavam a um golo com Angola. Este ano regressam sob os comandos de Carlos Queiroz. Penso que não são necessárias quaisquer apresentações.


Vizinhos do Irão e igualmente inimigos é a selecção do Iraque, que apesar da paixão pelo futebol e algum talento tem sofrido nas últimas décadas com a ditadura de Saddam Hussein e com a guerra, e nos últimos anos com a reconstrução. Contudo participaram do mundial de 1986 no México, em pleno conflito com o Irão, e até deram boa conta de si, apesar de terem ficado pela primeira fase, só com derrotas, mas todas por apenas um golo. Na estreia e na despedida perderam por 0-1, com Paraguai e México, mas pelo meio marcaram um golo na derrota por 1-2 com a Bélgica, autoria de Ahmed Radi. O Iraque teve o seu momento de glória em 2007, quando venceu o Asiático, e três anos antes já tinha obtido um brilhante 4º lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas, com a selecção de sub-23, mas não participou mais de nenhuma fase final de um campeonato do mundo.


Carlos Alberto Parreira, um brasileiro das arábias.

Antes de falar dos países árabes onde o petróleo compra a ambição, convém falar de Carlos Alberto Parreira, o treinador brasileiro que é a par do sérvio Velibor Milutinovic (v. peça sobre os Estados Unidos) outro "globetrotter" do futebol mundial. Parreira participou em seis mundiais com cinco países diferentes: primeiro com o Kuwait em 82, depois com os Emirados Árabes Unidos em 1990, antes de se sagrar campeão mundial pelo Brasil em 1994. Regressaria quatro anos depois com a Arábia Saudita, e em 2006 voltaria a orientar o Brasil, mas desta vez ficou pelos quartos-de-final. E seria apenas com o Brasil que passaria da primeira fase, pois nem com a África do Sul, equipa da casa no mundial de 2010, passaria aos quartos-de-final.


E foi exactamente com Parreira que o Kuwait se estreou em mundiais de futebol, apresentando-se no Espanha 82 sem grandes ambições. A estreia foi auspiciosa, contudo, com um empate a um golo frente à Checoslováquia, mas as carências viriam ao de cima na segunda partida com a França, com quem perderiam por 4-1. No último jogo contra a Inglaterra as hipóteses eram mínimas, e um único golo de Trevor Francis aos 27 minutos mandou os kuwaitianos de volta para as arábias, mas não se pode dizer que tenham ficado mal de todo no álbum da história dos mundiais, apesar de ainda não terem voltado a participar desde então.


Ficaram bem melhor que os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, que também com Parreira participaram no mundial de Itália em 1990, sendo esta a sua primeira e única presença. Depois de uma derrota com a Colômbia por 0-2 na estreia, confirmaram frente à Alemanha Ocidental e à Jugoslávia que não tinham argumentos, e que a viagem serviria apenas para ganhar experiência, perdendo ambas as partidas por 1-5 e 1-4 - valeu terem marcado duas vezes, pelo menos. A experiência não foi aproveitada, pois os Emirados não mais voltariam a uma fase final.


De todos estes países do Golfo Pérsico, o mais bem sucedido é a Arábia Saudita, se bem que a sua estreia pecou por tardia, com a qualificação a chegar apenas em 1994, no mundial dos Estados Unidos. E para as américas os sauditas vieram cheios de ganas, fazendo uma participação muito acima das expectativas. Orientados pelo argentino Jorge Solari, estrearam-se com uma derrota frente à Holanda por 1-2, mas chegaram a assustar, ao marcar primeiro aos 18 minutos por Fuad Amin, o que lhe deve ter valido qualquer coisa como um Mercedes de último modelo, ou algo assim. No entanto mostraram que não estavam ali para fazer turismo, e venceram Marrocos na segunda partida por 2-1, e depois contra a Bélgica surpreenderam ao vencer por 1-0, com um golo muito especial; Saeed Al-Owairan marcou aquele que seria considerado o sexto golo do século XX, e o segundo em mundiais de futebol, depois do golo de Maradona em 86 contra a Inglaterra, o que valeu a Al-Owairan a alcunha de "Maradona das arábias". Nos oitavos-de-final perderiam por 1-3 com a Suécia, mas contas feitas, tinha sido uma participação bastante positiva.


Em 1998 voltariam ao mundial em França sob o comando de Carlos Alberto Parreira, e apesar do optimismo ficavam pela fase fase de grupos, depois de derrotas com Dinamarca e França, e empate com a África do Sul. Em 2002 tiveram a pior participação de sempre, com três derrotas em outros tantos jogos, incluíndo uma goleada de oito golos sem resposta frente à Alemanha, o resultado mais pesado desde a vitória da Hungria sobre El Salvador por 10-1 no mundial de Espanha, em 1982. Em 2006 seria a última participação dos sauditas, novamente com um empate e duas derrotas, e para 2010 e 2014 não se qualificariam, ficando à espera de melhores dias.



Adversários de Portugal em preparação


Portugal começou a preparar a participação no mundial do Brasil este Sábado com um empate a zero no Estádio do Jamor. As restantes equipas do Grupo G, onde está inserida a selecção portuguesa, realizaram também elas jogos de preparação, com o saldo a dar uma vitória, um empate e uma derrota. A Alemanha recebeu os Camarões no Borussia Park de Mönchengladbach e não foi além de um empate a dois golos, e chegou a estar em desvantagem. Depois de uma primeira parte sem golos, Samuel Eto'o adiantou os africanos no marcador aos 62 minutos, um golo que teve o condão de despertar a "mannschaft", que daria a volta ao resultado com golos de Thomas Müller aos 66, e Andree Schürrle aos 71. Os camaroneses não baixaram os braços e voltaram à carga, chegando ao empate aos 78, por intermédio de Maxim Choupo-Moting. Portugal estreia-se no mundial frente aos alemães no dia 16 em Salvador da Bahia.


Já no Red Bull Stadium, em New Jersey, os Estados Unidos escolheram a Turquia como adversário nesta sua preparação, e venceram por duas bolas a uma. Fabian Johnson e Clint Dempsey marcaram para os norte-americanos aos 26 e 52 minutos, respectivamente, enquanto o golo dos turcos foi apontado já nos descontos por Inan Selcuk, de grande penalidade. Um teste positivo para a equipa de Jurgen Klinsmann, que joga com a selecção portuguesa em Manaus no dia 22. Noutras partidas realizadas ontem envolvendo selecções que vão participar na fase final do mundial, a Bélgica foi vencer à Suécia por 2-0, enquanto a França não foi além de um empate a um golo em Nice, frente ao Paraguai.


A selecção do Gana, por seu turno, tinha o jogo mais complicado, ao defrontar no Sábado a Holanda no Estádio do Feyenoord em Roterdão, o célebre "de kuijp", ou "a banheira", e saiu derrotada por uma bola a zero. Os holandeses resolveram cedo a questão com um golo aos 5 minutos da autoria de Robbie Van Persie. Os ganeses vão encontrar a selecção portuguesa no derradeiro encontro do Grupo G, a realizar-se em Brasília no dia 26. Também no Sábado o Uruguai venceu em casa a Irlanda do Norte por 1-0, e o Chile recebeu e derrotou o Egipto por 3-2. México e Equador encontraram-se na casa dos primeiros, com vitória para os mexicanos por 3-1, enquanto que Bósnia-Herzegovina, estreante este ano em fases finais do mundial, recebeu e venceu a Costa do Marfim por 2-1, mesmo resultado com que a Croácia venceu o Mali. Das equipas africanas a única a sair vencedora foi a Argélia, que bateu a Argélia por 3-1 em Sion, na Suíça. Empates no Noruega-Rússia, com um golo para cada lado, no Colômbia-Senegal, partida disputada em Buenos Aires, Argentina, que terminou em 2-2, enquanto Itália e Rep. Irlanda não marcaram qualquer golo num amigável realizado em Londres.

Portugal terceiro em Toulon


Portugal terminou a edição deste ano do Torneio Internacional de Toulon, reservado a selecções de Sub-21, com um honroso 3º lugar, após vencer a Inglaterra por 1-0. O único golo do encontro foi apontado por Ricardo Horta, extremo que alinha no V. Setúbal, decorriam 56 minutos de jogo. Na final o Brasil goleou a França por 5-2, e venceu o torneio pela oitava vez, sendo a França, equipa da casa recordista em títulos, com onze. Portugal venceu por três vezes, em 1992, 2001 e 2003. Esta ano o torneio foi disputado por 10 equipas divididas em dois grupos de cinco, com o vencedor de cada grupo a disputar a final, e os 2ºs classificados e jogar para o 3º lugar. Portugal, orientado por Ilídio Vale, treinador que levou a selecção de sub-20 à final do mundial de juniores em 2011, estreou-se com uma vitória por 2-0 sobre o México, seguindo-se mais dois triunfos, por 3-1 sobre o Chile e 4-1 sobre a China. Na quinta-feira a selecção das quinas perderia o acesso à final ao ser derrotada pelos franceses por 2-1, quando bastava apenas um empate. O Torneio de Toulon realiza-se anualmente desde 1967.

domingo, 1 de junho de 2014

Em Macau, sê tu próprio


Houve no Domingo passado uma entrada no blogue da AICL - Associação Internacional dos Colóquios sobre a Lusofonia, assinado por um autor que terá alegadamente exercido a profissão de docente em Macau que gerou alguma polémica, mas que não tive, infelizmente, a oportunidade de comentar durante a semana. E foi pena, pois como sabem o tema forte foi a contestação à lei das garantias dos titulares dos principais cargos da RAEM, e fico ainda com mais pena porque actualmente a página a AICL não se encontra disponível - é como se tivesse evaporado. É estranho, e não acredito que terá sido por culpa do artigo em questão, e mesmo que fosse não existiria necessidade de encerrar a página inteira: bastava retirar essa entrada em particular. Fiz "bookmark" do artigo, e hoje que tive algum tempo disponível para abordar o tema, a página sumiu, pelo que vou ter que fazer um pequeno exercício de memória, o que não é difícil de todo, pois quanto a isto já tenho há muito uma opinião formada.

O título do artigo era "Ser português em Macau; vítimas de racismo e discriminação". Só com isto já para entender que o tema é deveras sensível, e o autor fala de algumas das suas experiências pessoais, e tira as suas próprias conclusões, que assume, e está completamente no seu direito. A peça foi divulgada na rede social Facebook, e causou uma certa indignação, especialmente junto de portugueses residentes em Macau, que chegam mesmo a questionar se o autor do artigo viveu efectivamente em Macau para ter legitimidade em produzir certas afirmações. Bem, eu diria que existem ali vários equívocos e alguns mal-entendidos em relação a certos aspectos, e uma intepretação muito livre de certos "choques culturais" que vão acontecendo, advindos do facto de nós portugueses, sermos diferentes da maioria dos residentes de Macau, que são de etnia chinesa. Se duas pessoas nascidas no mesmo país, na mesma cidade e até no mesmo hospital no mesmo dia e à mesma hora têm diferenças, o que dizer deste caso?

Há alguns pontos que o autor aborda em que não me resta senão concordar com ele. O primeiro tem a ver com a falta de informação que existe entre a comunidade chinesa sobre Portugal e sobre os portugueses, mesmo entre os que têm nacionalidade portuguesa, e o nosso passaporte como documento de viagem. Os chineses de Macau são aquilo que se pode chamar de "semi-apátridas"; não se identificam com Portugal de todo, e muito pouco com os chineses do continente - daí a expressão "ou mun yan" (澳門人), que difere da designação portuguesa de "macaense", ou "tou sang" (土生), literalmente "filho da terra", que se utiliza para os mestiços de ascendência portuguesa nascidos em Macau. Esta é uma das razões porque Macau é um local tão fascinante. Em pouco mais de 20 km2 e com uma população de meio milhão de habitantes existe uma mescla cultural e uma diferenciação que que pode levar a que cinco agregados familiares que habitem no mesmo andar de um prédio se diferenciem em muitos aspectos. Os próprios "ou mun yan" distinguem-se entre eles através dee critérios residenciais e geracionais. Os "ou mun yan" de S. Lourenço ou de S. Lázaro acham-se diferentes daqueles que vivem ou sempre viveram na zona norte da cidade, e os de terceira geração (cujos avós nasceram na China, mas os pais em Macau) demarcam-se dos de segunda geração (que nasceram em Macau, mas os pais na China), identificando neles preciosismos de índole cultural com que eles próprios já não se identificam. É realmente muito interessante.

E isto significa que existe racismo, discriminação, ou se quisermos, elitismo ou sectarismo. Julgo que não, e que os chineses em geral são por natureza um povo que preza bastante a sua privacidade, e sente-se mais à vontade "inter-pares", retraindo-se quando na presença de alguém que não lhe é culturamente compatível. Isto nota-se mais com os estrangeiros, e além da razão cultural, existe ainda um certo pudor em relação à vertente linguística. Um chinês, seja ele de Macau, Hong Kong ou da província de Cantão, sente-se mais à vontade na presença de outro da sua origem, mesmo que não sinta por ele empatia, mas sabe com o que pode contar. Na presença de um estrangeiro, seja ele um europeu, um norte-americano ou um africano, adopta uma posição mais defensiva, pois teme cometer alguma indelicadeza ou "gaffe" na forma como conduz o diálogo, ou cair em alguma armadilha durante o "trato social", que o leve a "perder face". A questão da língua dá-nos a entender um certo complexo de inferioridade. Os chineses são perfecionistas, e têm consciência que mesmo que dominem outra língua, o inglês por exemplo, a articulação da sua língua materna não lhe permite atingir o mesmo nível do seu interlocutor estrangeiro, e por isso é possível que evite travar um diálogo com ele - os chineses de Hong Kong são muito mais liberais neste aspecto. Outra questão a levar em conta, já que toco neste ponto, é a própria dimensão de Macau, que é apenas um enclave, e os horizontes da sua população são bastante mais curtos do que se vivessem num país com a dimensão de Portugal, onde se pode estabelecer um parâmetro de distância. Se um chinês de Macau nos perguntar onde fica Setúbal, e lhe dissermos que fica "a 50 km de Lisboa", ele tem a tendência para nos perguntar: "isso é como daqui até onde?".

É um facto que os portugueses descuraram o aspecto da educação dos residentes de Macau de etnia chinesa, mas também não é menos verdade que eles próprios tiveram a tendência para se "guetizar", ou seja, criar uma sociedade paralela à dos portugueses e dos macaenses. Isto seria sempre inevitável, uma vez que a maioria da população de etnia chinesa natural de Macau nasceu e cresceu já durante a era da China popular, que apesar do distanciamento e da abertura tardia (apenas a partir dos anos 80 passou a ser fácil atravessar as Portas do Cerco), nunca olvidou os "compatriotas" deste lado, e organizou-se em associações de cariz "patriótico", tendo como matriz didáctica a percepção de que os portugueses eram um povo "invasor", que ocupava parte do território chinês. Os balanços que evitaram os naturais atritos a que uma acepção deste tipo poderiam levar foram feitos, e bem feitos, quer pela administração portuguesa, quer pelos representantes da comunidade chinesa, nomeadamente os comerciantes e homens de negócios através da poderosíssima Associação Comercial de Macau e outras associações do núcleo duro, tal como os operários, "kai-fong", Tong Sin Tong e do Hospital Kiang Wu, e da própria Igreja Católica, que muitas vezes apaziguou certas diferenças que poderiam levar a situações desagradáveis. No fundo, as partes foram convivendo no mesmo território sabendo que todos poderiam beneficiar com um ambiente de paz e harmonia. E mais uma vez isto me leva a destacar o carácter único de Macau, o que torna o território num local tão especial.

Aquilo com que não posso mesmo nada concordar é com a definição que o autor tem de "racismo", nomeadamente no que toca a alguns termos que os chineses utilizam para tratar os estrangeiros. Chamar a um ocidental, especialmente um caucasiano de "gwei lou" não é a mesma coisa que chamar a um afro-americano de "nigger", ou qualquer outro epíteto racista semelhante. Aliás neste particular existe uma enorme hipocrisia da parte dos povos anglo-saxónicos, esses sim, racistas por natureza, mas que gostam de apontar o que consideram de "racismo" da parte dos outros. Foram os americanos, por exemplo, que cunharam termos como "spade" (espadas, o naipe de cartas), "spook" (susto) ou "chickaboo" (o equivalente a "escarumba", em português) para os negros, "towelheads" (cabeças-de-toalha) para os árabes, ou "gook", um termo depreciativo com origem secular, para designar os asiáticos em geral, especialmente os vietnamitas e os coreanos. Eu, pessoalmente, se chamar a alguém de "preto estúpido", faço-o por ele ser estúpido, e não por ele ser preto. E ninguém é realmente "preto", a não ser que esteja carbonizado, nem eu próprio sou branco - considero-me "rosáceo", como os leitões. Expressões que os chineses utilizam como "gwei lou", literalmente "demónio branco" ou "hak gwei", ou "demónio preto" não significam literalmente que estão a chamar a alguém de "demónio". Outra expressão, "ngao chai", ou "cowboy", reservada aos portugueses e outros estrangeiros, ou "hong mou gwei", que significa "demónio de cabelo vermelho", uma expressão reservada aos ruivos. Mesmo os "pak tao", ou "cabeças brancas", termo usado para os indianos, árabes e especialmente para os "parsis" tinham a ver com o turbante que estas pessoas usam para tapar a cabeça. Isto é o que os locais, que como referi acima não têm os mesmos horizontes que muitos de nós, viam com os seus olhos, sem que lhes fosse explicado o porquê destes sinais particulares exibidos por alguém que não era igual a eles. Expressões como "gwei lou" e as restantes adquiriram o significado de "estrangeiro", apenas isso, e não têm qualquer conotação racista.

O que é verdade e não me resta senão concordar é com a ideia que o autor transmite que os chineses nos consideram um país "pobre", ou "atrasado" e ainda "fraco". Isto dava uma discussão para horas e horas, mas quem os pode censurar, se nós próprios não nos temos muito em conta, e sofremos de uma certa tendência para o fatalismo? Mas há uma razão para este tipo de preconceito, e tem a ver com as notícias que têm chegado recentemente em relação aos mercados, ao pedido de ajuda económica que Portugal fez e levou a tão badalada "troika" até ao nosso país, a questão da dívida, etc, etc. Não vamos exigir que os chineses fiquem completamente inteirados da nossa situação económica ou do que se passa realmente em Portugal, pois não? Quanto ao facto de não saberem apontar Portugal no mapa ou não conseguirem dizer uma frase em português, apesar de terem nacionalidade portuguesa, isto é produto de anos e anos a fio de desinteresse mútuo e de costas voltadas - ninguém nos impediu de lhes dar a mão, nem eles de se aproximarem de nós. O abismo foi criado voluntariamente, e há chineses sem qualquer ascendência portuguesa ou qualquer outra que falam português, sentem-se portugueses e gostam de Portugal. E esta foi a nossa maior conquista. E o que tem, se partilham connosco a nacionalidade, se nós partilhamos este lugar com eles? O importante para um português que queira viver em Macau não é tanto respeitar as diferenças, mas entendê-las. E uma vez que este patamar é atingido, basta sermos nós próprios, e se tivermos qualidades, certamente que eles nos acolhem, e aproveitam para tirar disso dividendos. Onde o autor daquele artigo peca, é por se assumir como professor, e não ter tido a humildade para ele próprio aprender mais, e assim mostrar que os seus horizontes são mais curtos que os dos locais.



Where is Leocardo?



STEAK & BEANS & FRIES CHA-CHA

Aquilo que ao olhar menos treinado não passa de um prato com dois bifes, batatas fritas e salada de grão, feijão e cebola é na realidade uma obra de arte. A carne e os feijões representam a dialéctica do consumo da carne e do vegetarianismo, da proteína e da fibra, da vaca e da vagem. As batatas representam a América, o novo mundo - é uma paródia ao consumismo, à devastação da selva Amazónia, pulmão do nosso planeta. É ainda uma representação da globalização; se repararmos o grão, o feijão e a cebola estão juntos, misturados, lembrando a sobremesa indo-chinesa, o "mou mou cha cha", e a ligeira nota de tomate remetemos para Navarra, para a solarenga Pamplona. O prato, ou o "recipiente", é branco, o que simboliza a supremacia caucasiana ainda vigente; é a raça branca que consome, é ela a recipiente. Isto é arte, come-se com os olhos, mas eu comi com os dentes, na mesma.



O PORTAL MARRON

Uma porta. Castanha. É tudo o que os olhos nos permitem ver. Para onde dará esta misteriosa porta? Para a rua? Para outra dimensão? Será esta uma das portas da percepção que nos fala Aldous Huxley? Ou dará apenas para o corredor de um andar de mais um bloco de apartamentos, ou, choque!, para outra porta, esta metalizada? E ao abrir a porta, ao escolher a sorte? Sai a Dama ou o Tigre, sai amor ou morte? Porque é ela castanha, o que nos esconde atrás da sua opacidade, o que não nos deixa ver e saber? E se alguém bater a esta porta, ou quiçá abri-la? A tensão hitchockiana sobe de tom em "O Portal Marron", o novo filme de Leocardo, autor de "Tinta de parede a secar", um clássico do "film-noir" (a tinta era preta), ou ainda do filme de acção "Ventoinha de Tecto". Não perca!

Liga de Elite - 15ª jornada


Mais uma jornada da Liga de Elite de Macau, este fim-de-semana a 15ª, sem surpresas que levassem a grandes alterações na tabela. O Benfica folgou, e assim permitiu a aproximação dos seus perseguidores, e a três jornadas do final do campeonato, torna-se proibitivo a qualquer um dos (ainda) candidatos perder pontos. A jornada abriu no Sábado às 17:30 com a partida entre os Sub-23 e o Ka I, com estes últimos a vencerem por 4-1. Os jovens apoiados pela AFM tiveram uma entrada de "leão", marcando logo aos 5 minutos por Ho Ka Seng, e havia surpresa do Estádio de Macau, na Taipa. Mas não por muito tempo, pois o Ka I conseguiu virar o resultado num ápice, com golos do coreano Kim Youngbin aos 26 minutos, e Gustavo Oliveira três minutos depois, fazendo o 2-1 com que se chegou ao intervalo. No segundo tempo Lee Keng Pan aos 60, e Samuel Thabo aos 78 deram mais expressão ao resultado, expressando a diferença entre as duas formações. O Ka I soma a segunda vitória consecutiva, e com goleada, mas é uma recuperação tardia da equipa da Tam Iao San, que está a sete pontos do líder Benfica com apenas nove pontos em disputa. Matematicamente é ainda possível chegar ao título, mas seria preciso quase um milagre. Os Sub-23 vêem o fim da corda cada vez mais próximo, pois precisam de duas vitórias nas três partidas que lhes restam para atingir a manutenção. Um deles realiza-se já na próxima quarta-feira, frente à Polícia, referente à 12ª jornada, que havia sido interrompido a menos de meia-hora do fim devido ao mau tempo, quando a formação da PSP vencia por 2-0. Seria imperativo aos "benjamins" da Liga de Elite marcar três golos no tempo que lhes resta, mas é altamente improvável que o façam.

A seguir foi o Sporting a entrar em campo frente ao Chao Pak Kei, equipa que na primeira volta roubou dois pontos aos leões, empatando a uma bola - dois pontos que poderão fazer muita diferença à equipa de João Maria Pegado nas contas do título. Desta vez foi tudo diferente, e a equipa de matriz portuguesa goleou o adversário por 4-0, com dois golos distribuídos por cada uma das metades de 45 minutos. Luís Ferreira aos 20 e Wamba aos 27 levaram o Sporting para o intervalo com meia-vitória no bolso, e Henrique Cunha aos 51 e novamente Luís Ferreira aos 58 fizeram os restantes golos de mais uma vitória dos leões, que parecem ainda "rugir" na direcção do título. Na quarta-feira acertam calendário frente ao lanterna-vermelha Kei Lun, e no caso da vitória - que parece mais que certa - igualam o Benfica no topo da classificação. Tudo vai apontando para que o título se decida na última jornada, quando Benfica e Sporting se voltam a encontrar, depois dos encarnados terem vencido no jogo da primeira volta por 3-0. Este Sporting parece agora mais motivado e mais entrosado que há dois meses.

Esta tarde realizaram-se as restantes duas partidas, a primeira delas entre o Monte Carlo e o lanterna-vermelha Kei Lun, que ficou após esta jornada matematicamente despromovido. Era apenas uma formalidade, e a única dúvida em relação a este encontro era saber por quantos golos ia a equipa de William Chu vencer. E foi por oito bolas a uma, com um "poker" de Rodrigo Francisco. O avançado "canarinho" marcou o primeiro dos seus quatro golos aos nove minutos, de grande penalidade, e bisava aos 41, levando o resultado em 2-0 para o descanso. No início do segundo tempo o Kei Lun reagiu, marcando por Mak Keng Hou aos 47, mas pagaria caro pela ousadia, pois em apenas sete minutos o Monte Carlo elevou o marcador para 6-1, com golos de Francisco Medeiros aos 54, Rodrigo Francisco aos 56, Chan Man aos 58 e novamente Rodrigo Francisco aos 61, encerrando assim a sua contabilidade pessoal. Até ao fim os ainda campeões em título estiveram em velocidade de cruzeiro, e foram-se aproveitando das fragilidades do adversário para fazer mais dois golos, pelo suplente Chao Wai Fong aos 79, e por Francisco Medeiros, que assim bisou, aos 84. O Monte Carlo tem 30 pontos em 14 jogos, menos dois pontos que o Benfica, e virtualmente menos dois que o Sporting, que não deverá "escorregar" frente a este mesmo Kei Lun na quarta-feira. Contudo os "canarinhos" têm mais um jogo que as equipas "portuguesas", e precisam de mais que um empate entre as duas na última ronda, para poder ainda sonhar com o título.

Quem respira melhor agora é a Polícia, que mais uma vez realizou um campeonato tranquilo, mas sem deslumbrar. Os policiais golearam o Lai Chi por quatro golos sem resposta, e pode-se dizer que conquistaram a "última fronteira", pois dispõem de cinco pontos à maior sobre o seu adversário de hoje, e nove sobre os Sub-23, e podem mesmo ascender ao quinto lugar esta quarta-feira caso confirmem a vitória frente à equipa dos jovens da AFM. Ho Kin Tong (24', 66') e Cheong Loi (56',88') repartiram as despesas dos golos. O Lai Chi está quatro pontos acima da linha de água, debaixo da qual se encontram os Sub-23, e a julgar pelo calendário, tudo indica que se decida apenas na última jornada quem vai acompanhar o Kei Lun na descida à 2ª divisão, quando ambos se encontrarem; antes desse encontro o Lai Chi joga com o Benfica e o Monte Carlo, e em teoria não deverá somar qualquer ponto, enquanto os jovens da AFM têm oportunidade para ficar a um ponto do 7º lugar quando defrontarem no próximo Domingo o Kei Lun.

Classificação:

Benfica-13 10 2 1 50-3 32
Monte Carlo-14 9 3 2 44-16 30
Sporting-12 9 2 1 27-8 29
Ka I-13 7 4 2 37-14 25
Chao Pak Kei-13 4 4 5 22-18 16
Polícia-12 4 3 5 17-15 15
Lai Chi-13 3 1 9 20-39 10
Sub-23-13 2 0 11 7-52 6
Kei Lun-13 0 1 12 9-68 1

Cenas dos próximos capítulos


Já que falamos do Dia Mundial da Criança, gostava de recordar que no próximo dia 4 assinala-se o 25º aniversário do massacre da Praça Tiananmen, em Pequim. Não é por nada, não, pois apesar de não existir qualquer relação entre estas duas datas, há quem insista em festejar o Dia Mundial da Criança no dia 4 de Junho, e para o efeito reserva o Largo do Senado, a praça principal de Macau, onde até há alguns se assinalava o aniversário do massacre. A razão? Política dizem uns, mas na verdade nunca existiu qualquer directiva de Pequim - a única entidade a quem eventualmente incomodaria uma concentração organizada de gente a assinalar a data - no sentido de desaconselhar qualquer manifestação. Duvido que o regime, que tantas vezes apregoa as qualidades do segundo sistema, acenando a Taiwan com as vantagens de uma eventual unificação sem a perda de liberdades inerentes a um regime democrático e aberto, tolerasse que 100 mil pessoas saissem à rua em Hong Kong para recordar as vítimas do 4 de Junho de 1989, e em Macau não permitisse que algumas centenas de pessoas se juntassem pacificamente numa praça, sentadas no chão realizando uma simples vigília. É graxa, servilismo, sabujice da mais reles, um sermão que ninguém encomendou. Simplesmente vergonhoso.

A recém-criada Associação Consciência Macau, liderada por Jason Chao e Sulu Sou (na imagem), entregou há algumas semanas um requerimento no sentido de levar a vigília ao centro do Largo do Senado, em vez (ou ao mesmo tempo) do local para onde é habitualmente relegada, junto da Igreja de S. Domingos. Mais uma vez sem dar uma justificação clara, o pedido foi recusado, mas Jason Chao insiste que "não existe nenhuma lei ou regulamento que impeça a realização de dois eventos no mesmo local ao mesmo tempo", e prometeu insistir na iniciativa, com ou sem autorização. Isto foi antes das manifestações do último Domingo e de terça-feira, cujo impacto levou o Governo da RAEM a ceder pela primeira vez na sua história de quase 15 anos às reivindicações dos seus participantes, e onde as forças da autoridade revelaram uma tolerância pouco habitual. Para o dia 8, daqui a uma semana, está programada mais uma manifestação com o objectivo de pedir o sufrágio directo e univeral para a eleição de todos os lugares na Assembleia Legislativa, bem como do Chefe do Executivo, mas e se a meio da semana a Consciência Macau mobilizar, digamos, um milhar de pessoas para ocupar o Largo do Senado? É certo que esta é uma "vaca sagrada" do regime, e certamente que aqui os manifestantes não teriam a condescendência do Governo Central, mas como vai o Executivo responder? A não perder, as cenas dos próximos capítulos.

Dia da criança (deixem os putos em paz)


Hoje é Dia Mundial da Criança. Hoje, dia 1 de Junho. Hoje, 1, do mês 6, e não 4 de Junho. O dia 4 de Junho não é Dia Mundial da Criança. O Dia Mundial da Criança é a 1 de Junho - hoje! Mesmo que não saibam que hoje, dia 1 de Junho é Dia Mundial da Criança, e decidam comemorá-lo noutro dia, escolham de vez em quando o dia 2, ou 3, ou quem sabe 5 ou 6, e não sempre o dia 4. Esta é uma mensagem dirigida aos cabrões que usam o Dia Mundial da Criança para fins políticos, e "comemoram-no" sempre no dia 4. Vocês sabem quem são.

Agora falando das crianças e isso. Bom, este vídeo que coloquei ali em cima é uma canção de 1968, da autoria de um tal Gary Puckett, acompanhado da sua banda, os The Union Gap. Este Puckett é um pedófilo da pior espécie que existe, e sorte dele ter feito esta declaração de "amor" a uma miúda menor de idade (se prestarem atenção à letra não deve ter mais que 13 anos) numa época em que ninguém ligava muito a estas coisas - estava tudo mais preocupado com o perigo nuclear. Na canção o fulano diz que "foi enganado" pela miúda, que "julgava-a mais velha", e pede para que ela "fuja", ou caso contrário ele pode "ir longe demais". Ainda sugere que "foi ela" quem o provocou "com o olhar", que parece dizer para ele "ir ter com ela". Pois, pois, essa é velha, dizer que foi a miúda quem quis.

É realmente pena que não se deixe as crianças serem crianças. É quando se é criança que fazemos os disparates próprios de...bom, crianças? O pior é que existem uns tipos que entendem isto de outra forma, e acham-se no direito de "ensiná-las" uns truques, usá-las para propósitos maldosos (e não estou a falar só de sexo), enfim, que se aproveitam da sua ingenuidade. Aqui há alguns anos cheguei a pensar que tinhamos iniciado uma nova ordem mundial, com a consciência global de que o abuso de menores, ora para fins sexuais, ora para trabalho infantil, e sabe-se lá mais o quê ia colocar um fim a este estado de coisas. Aparentemente enganei-me, e para ser sincero, a tal tomada de consciência serviu para os predadores adoptarem novas estratégias e "imunizarem-se" contra a mão pesada da justiça.

Numa sociedade em que cada vez se dá mais importância à estética, à beleza, ao jovem, e envelhecer é sinónimo de decadência, damos cada vez mais passos atrás no sentido de proteger os inocentes dos perigos que os espreitam a cada esquina. Fico chocado quando oiço ou leio afirmações absurdas no sentido de justificar o injustificável. Coisas do tipo "ela tem 14 anos mas é mais mulher do que muitas com 20 ou 25", ou ainda "há miúdas com 15 anos que só pensam em 'levar'". Uma desgraça, um autêntico carnaval da devassa e da conspurcação dos valores da infância e educação condigna e contínua. Custa assim tanto esperar que os putos cheguem aos 18 anos, a idade maior em grande parte do mundo civilizado? Deixem os putos em paz, e procurem antes alguém com mais "rodagem". Vão ver como se divertem na mesma, e com a consciência tranquila.

A caminho do Brasil: o resto da América


A CONMEBOL, acrónimo para CONfederatión SudaMEricana de FútBOL, é juntamente com a UEFA a mais bem sucedida confederação da FIFA em campeonatos mundiais de futebol, com nove títulos conquistados pelo Brasil (5), Argentina (2) e Uruguai (2). Mais além destes três há mais sete federações que a compõem, seis delas com participações em fases finais de mundiais. A única excepção é a Venezuela, que tem como desporto de eleição o basebol, e o futebol é relegado para terceiro plano depois do basquetebol. Problema deles, enfim, pois assim não entram nesta resenha dos países sul-americanos que participaram em fases finais de mundiais, e vamos então começar por cima.


O Chile é das selecções sul-americanas que nunca foi campeã mundial aquela que obteve a melhor classificação: um terceiro lugar em 1962, no único mundial que organizou, e onde venceu quase tantos jogos como nas restantes sete participações. No mundial de 1930 foram uma das selecções que foi até ao Uruguai, mas ficou pela fase de grupos apesar de duas vitórias iniciais, por 3-0 frente ao México e 1-0 contra a França, perdendo depois por 1-3 com a Argentina, que rumou às meias-finais. Vinte anos depois, no Brasil, ficariam no famoso grupo 2, com Espanha, Estados Unidos e Inglaterra, e depois de derrotas por 0-2 com os ingleses e espanhóis, redimiram-se com uma vitória por 5-2 sobre os norte-americanos, que naturalmente não foi suficiente para seguir em frente. Em 62 seriam então a equipa anfitriã, e treinados pelo nosso conhecido Fernando Riera, que treinou os três grandes em Portugal, chegariam ao último lugar do pódio. Na fase de grupos venciam a Suíça por 3-1 e a Itália por 2-0, assumindo-se como uma equipa a levar em conta, e só não venceram o grupo devido a uma derrota por 0-2 com a Alemanha Ocidental. Mesmo assim nos quartos-de-final batiam a União Soviética por 2-1, e seriam apenas afastados da final pelo super-Brasil de Garrincha e Vává, que os derrotou por 4-2. No jogo de consolação arrebatavam o terceiro lugar com uma vitória por 1-0 contra a Jugoslávia.


Seguiu-se então uma fase muito irregular, com qualificação-sim, qualificação-não, mas sempre sem impressionar cada vez que chegavam a uma fase final. Em 1966 ficariam pela primeira fase em Inglaterra, depois de derrotas com a Itália (0-2), empate com a Coreia do Norte (1-1) e derrota com a União Soviética (1-2), falhariam o mundial de 70, e em 74 seriam eliminados na primeira ronda, com derrota por 0-1 com a Alemanha Ocidental, empate a um golo com a outra Alemanha, e 0-0 com a Austrália. Regressariam em 82 na Espanha, onde perderiam todos os encontros da fase de grupos: 0-1 com a Áustria, 1-4 com Alemanha Ocidental e 2-3 com a Argélia. Ausentes do mundial de México em 1986, os chilenos estavam apostados em participar do mundial da Itália em 1990, mas havia um pequeno problema: era preciso vencer o Grupo 3 da CONMEBOL, onde estavam a Venezuela e...o Brasil. Chilenos e brasileiros venciam com relativa facilidade as partidas contra os venezuelanos, e no jogo em Santiago do Chile entre ambos os candidatos, o resultado foi um empate a um golo. Com o "escrete" em vantagem no "goal-average", as duas equipas encontravam-se a 3 de Setembro de 1989 no Maracanã, e perante uma assistência de 140 mil espectadores, o Chile estava obrigado a vencer para garantir uma vaga no mundial. Os brasileiros estavam super-confiantes, sabendo que bastava um empate para carimbar o passaporte para Itália, e aos 49 minutos Careca dava vantagem à "canarinha". Os chilenos viam-se com cada vez menos argumentos, até que no minuto 67 algo de inesperado acontece: um "very-light" cai na área do guarda-redes Ricardo Rojas, e este atira-se para o chão queixando-se de ter sido atingido por "estilhaços" do projéctil. A equipa médica do Chile entra no terreno de jogo, e o guardião é retirado em maca a sangrar da cabeça, e o jogo é suspenso. Após inquérito da FIFA, descobre-se que o sangue era na verdade mercúrio-cromo, e que o guarda-redes chileno estava a fazer uma grande fita. A vitória é atribuída ao Brasil, que se qualifica, e o Chile fica banido do mundial seguinte, em 1994, nos Estados Unidos.


Em 1998 o Chile regressa, e fica no grupo da Itália, Áustria e Camarões. Ao obter três empates nos três jogos, passa quase como por milagre, pois austríacos e camaroneses empatam um com o outro e perdem com a Itália. Nos oitavos perdem por 4-1 com o Brasil. Depois de mais duas ausências, voltam em 2010, com o argentino Marcelo Bielsa no comando, e já com estrelas como Arturo Vidal, actualmente na Juventus, e Alexis Sanchez, um dos ídolos do Barcelona. Pela primeira vez desde 1962 os chilenos vencem um jogo, aliás dois, contra as Honduras e Suíça por 1-0, antes de perderem com a Espanha por 1-2 e ficar em 2º lugar no grupo. Nos oitavos, triste fado, outra vez o Brasil, e derrota por 3-0. Este ano voltam para mostrar o que valem.


Teofilo Cubillas, um grande perú, quer dizer, peruano.

Uma selecção que teve o sua idade dourada nos anos 70 mas que tem falhado as qualificações desde então é o Perú. Curiosamente da última vez que o Perú participou de uma fase final de um mundial foi em 1982, tinha eu sete anos, e colecionava os cromos de caricaturas de jogadores do Espanha 82, e achei interessante saber que existia um país chamado "Perú", tendo já noção da existência da ave com o mesmo nome. Pensava eu então que os habitantes do Perú eram os "perús", mas na realidade são os "peruanos", e o país partilha o nome com o delicioso pássaro por mera coincidência, pois deriva de um tribo que habitava aquela região, os "virú". Mais descansado fiquei, então. Pois bem, o Perú foi uma das selecções que aceitou o convite da FIFA para participar no mundial do Uruguai em 1930, mas ficaria pela fase de grupos, depois de perder por 1-3 frente à Roménia, com Luis Souza Ferreira a tornar-se o primeiro a marcar pelos peruanos, e depois por 0-1 com o Uruguai. Foi preciso esperar 40 anos para voltar a ver o Perú em mundiais, e lá apareceram eles em 1970 no México, com um jogador que passou pelo futebol português, e que é ainda hoje o "Eusébio" lá do sítio: Teofilo Cubillas, jogador das escolas do Alianza Lima e que representou o FC Porto entre 1973 e 1977. Cubillas teve o mérito de apontar 10 golos em dois mundiais, em 1970 e 1978.


O Perú de Cubillas chegou ao mundial do México em 1970, e chegou com facilidade aos quartos-de-final, vencendo a Bulgária por 3-2, Marrocos por 3-0 e perdendo com a Alemanha Ocidental por 1-3. Perder o primeiro lugar do grupo teve importância, pois a seguir depararam com o Brasil de Pelé, e apesar da boa réplica perdiam por 2-4. Voltariam em 78, na Argentina, com um Cubillas mais maduro, e passaram a primeira fase de grupos com vitórias por 3-1 sobre a Escócia e 4-1 sobre o Irão, ficando pelo meio um empate sem golos frente à Holanda, a "laranja mecânica". Na segunda fase de grupos estiveram envolvidos em alguma polémica, pois após derrotados por 0-3 com o Brasil e 0-1 com a Polónia, e virtualmente eliminados, seriam goleados por 0-6 com a equipa da casa, a Argentina, que precisava do "goal-average" para desempatar com o Brasil, e foram acusados de "entregar os pontos". Em 1982, já sem Cubillas, empataram a zero com os Camarões e a um golo com a Itália, antes de serem goleados pela Polónia por 1-5, e terminar em último lugar do grupo. E foi a última vez que os vimos em mundiais.


O Paraguai falhou a qualificação para o mundial do Brasil este ano, e é a primeira vez que isto acontece desde 1994. Os paraguaios participaram oito vezes em mundiais, mas nunca deixaram uma grande impressão, e obteriam o seu melhor resultado há quatro anos, na África do Sul. Participaram em 1930, 1950 e 1958, não passando da primeira fase, e em 1986 no México alcançaram pela primeira vez os 16 finais, mas seriam goleados pela Inglaterra por 3-0. Duas ausências depois, surgem no mundial de 1998 em França, e a grande estrela estava na baliza, o guarda-redes José Luis Chilavert, que em 74 internacionalizações marcou oito golos, que ficam aqui na totalidade no vídeo. Isso mesmo, marcou, pois era um especialista em livres directos e frequentemente chamado a cobrar grandes penalidades. Nunca marcou em mundiais, mas tentou - faltou-lhe pontaria - mas era "el capitan" e grande motivador da sua selecção. Em 1998 os paraguaios empatariam com a Espanha e Bulgária sem golos e venciam depois a Nigéria por 3-1, seguindo para os oitavos às custas da Espanha, mas onde perderiam com a França por 1-0 no prolongamento, com um golo dourado de Laurent Blanc. Em 2002, ainda com Chilavert como capitão e orientados pelo italiano Cesare Maldini, empatariam e dois golos com a África do Sul e sentiam a vingança da "roja", perdendo com a Espanha por 1-3, mas venceriam a Eslovénia pelo mesmo resultado e passariam com melhor diferença de golos sobre os sul-africanos. Nos oitavos mais uma derrota pela margem mínima, desta feita com a Alemanha.


Em 2006 na Alemanha, já sem Chilavert, têm uma prestação modesta, e ficam pela fase de grupos pela primeira vez desde 1958, ao perderem por 1-0 com Inglaterra e Suécia, de nada servindo depois a vitória por 2-0 com Trinidad e Tobago. Quatro anos depois redimiam-se, e venciam o grupo da Itália, chegando depois pela primeira vez aos quartos-de-final, com o benfiquista Oscar Cardozo nos 23 escolhidos de Gerardo Martino, o argentino que este ano orientou o Barcelona. Depois de um empate a um golo com os italianos, venciam a Eslováquia por 2-0 e empatavam a zero com a Nova Zelândia, e nos oitavos contra o Japão vencem no desempate por "penalties", depois do 0-0 persistir após 120 minutos. Nos quartos-de-final seriam eliminados pela Espanha por 1-0, com David Villa a marcar o único golo do encontro aos 83 minutos. Desta vez fizeram uma campanha desastrosa com vista ao mundial do Brasil, terminando no último lugar da zona de qualificação da CONMEBOL.


A Colômbia de 1990, uma equipa muito "louca".

A Colômbia participaria pela primeira vez de uma fase final de um mundial em 1962, onde depois de perder com o Uruguai na estreia por 1-2, empatava a quatro golos, protagonizando uma fantástica recuperação depois de ter estado a perder por 0-3 e 1-4. As energias devem ter ficado esgotadas, pois a seguir perdiam com a Jugoslávia por 0-5 e eram, naturalmente, eliminados. Depois de um período em que o país seria conhecidos por razões menos nobres que o futebol, uma nova geração de jogadores colombianos chegaria ao mundial de 1990, em Itália. Uma equipa muito exótica, muito cabeluda, muito "dangerous" e comum guarda-redes "kamikaze" entre os postes, um tal René Higuita, que anos mais tarde chegaria a estar preso por rapto. Treinados por Francisco Maturana, contavam com Carlos Valderrama, um médio facilmente identificável pela sua farta cabeleira loira, e que se tornaria o mais internacional dos jogadores colombianos. Lá na frente tinham jogadores como Bernardo Redín e Freddie Ríncon, eram uma equipa com que dava para simpatizar. Na estreia não podiam ter pedido um adversário melhor, os Emirados Árabes Unidos, que venceram com naturalidade por 2-0, e depois de uma derrota por 0-1 com a Jugoslávia, empatavam a uma bola com a Alemanha Ocidental, com um golo de Rincón a surgir no último minuto de descontos, e qualificavam-se para os oitavos como um dos melhores terceiros. Nessa fase apanharam a surpresa, os Camarões, e tinham uma oportunidade para chegar mais longe, mas Higuita estragou tudo; depois de 0-0 após os 90, o veterano Roger Milla marcou dois golos no prolongamento, com o segundo a resultar de uma das saídas de Higuita da sua área, perdendo depois a bola e deixando a baliza completamente deserta. Redín ainda reduziu, mas tinha acabado a aventura colombiana em terras italianas.


Em 1994 a Colômbia regressou com Maturana aos comandos, Valderrama como capitão e sem Higuita entre os postes, por estar fora de forma depois de ter passado mais de um ano na prisão. Com alguns dos jogadores de 90 agora com mais traquejo, e outros novos com muita qualidade, casos de Faustino Asprilla e Adolfo Valência, a Colômbia era favorita para passar à fase seguinte no Grupo A, onde tinha a concorrência de Roménia, Estados Unidos e Suíça. Na qualificação para o mundial os colombianos tinham derrotado fora a Argentina por 5-0, e Pelé tinha-os como favoritos à vitória final. Talvez por isso tenham acusado a pressão, e começaram por perder 1-3 com os romenos, numa exibição muito pobre. A seguir era o tudo ou nada com a equipa da casa, os Estados Unidos, e tudo começou a correr para o torto quando Andres Escobar marcou na própria baliza aos 35 minutos, desviando um remate do ataque adversário, enganando o guardião Oscar Cordoba. A Colômbia ficava eliminada na fase de grupos, de nada adiantando a vitória por 2-0 com a Suíça. De regresso ao seu país, Escobar seria assassinado à saída de uma discoteca por um corrector de apostas, que o culpou pela saída precoce da equipa da competição. Em 1998 a Colômbia regressou, mas num grupo complicado, onde perderia com Inglaterra e Roménia, contendando-se com uma vitória sobre a Tunísia. Neste mundial no Brasil regressam depois de 16 anos de ausência, e com um lote de jogadores de impôr respeito, e só para mencionar dois deles, têm Radamel Falcao, que recupera
a forma física após uma lesão que o afastou durante quase toda a época, e James Rodriguez, o creativo esquerdino, ambos ex-FC Porto.


A Bolívia foi uma das selecções pioneiras em mundiais, participando da primeira edição em 1930, mas saíndo com derrotas por 4-0 com Brasil e Jugoslávia. Em 1950 participaram do mundial no Brasil, mas devido a algumas desistências acabaram sozinhas no Grupo 4 com o Uruguai, com quem perderiam por 8-0. Foi preciso esperar 44 anos para ver os bolivianos novamente num mundial, e seria nos Estados Unidos, com Erwin Sanchez, uma antiga glória do Boavista, que teve ainda duas passagens menos bem sucedidas pelo Benfica. Ficariam novamente pela primeira fase, mas conseguem alguns progressos. Depois de uma derrota por 1-0 frente à Alemanha, empatam a zero com a Coreia do Sul, o primeiro jogo que terminam sem perder, e a seguir marcam o primeiro golo na sua história em mundiais, frente à Espanha, com quem perdem por 1-3. O autor? Sanchez, claro, que manda um "tiraço" de fora da área que é desviado pelo defesa Voro, e termina no fundo da baliza de Zubizarreta. Apesar da vantagem de jogar em casa a 2000 metros de altitude, em La Paz, o que complica a vida à equipa visitante, que se cansa mais facilmente, os bolivianos nunca mais se qualificaram para um mundial.


Finalmente o Equador, que depois de muitas tentativas durante o século XX, é apenas em 2002 na Coreia e no Japão que finalmente se estreia em mundiais de futebol. E a experiência não corre mal, pois após derrotas normais contra a Itália por 2-0 e México por 2-1, saem com uma vitória por 1-0 sobre a Croácia. Em 2006 fazem um pouco melhor, passando no Grupo A, da equipa da casa, a Alemanha. Após surpreenderem a Polónia por 2-0, goleiam a Costa Rica por 3-0, mas são "enviados de volta à Terra" pelos alemães, que vencem por 3-0 com facilidade. Nos oitavos perdem com a Inglaterra por 1-0, e em 2010 faltam à chamada na África do Sul. Mas não foi o fim da selecção do país com nome de linha divisória imaginária: este ano estão de volta ao mundial, e vão no Brasil tentar mostrar do que são feitos, pela terceira vez.





A caminho do Brasil: guerrilha e "reggae"


Nas duas últimas entradas desta rubrica falei do México e dos Estados Unidos, indiscutivelmente as duas selecções com mais pergaminhos na ona CONCACAF. Só que esta confederação não é só "Tex-Mex", pois há por ali outras nações onde se joga à bola, e com uma diversidade tal que a tornam na que será talvez a mais "exótica" das confederações filiadas na FIFA - só falta uma equipa de esquimós em representação do Pólo Norte, quando este se afiliar. Há estados tão pequenos que nunca poderão ambicionar a participar num campeonato do mundo, casos de St. Kitts & Nevis, Antigua e Barbuda (não a cantora da Áustria, mas o país), Bahamas, ou as Ilhas Virgens Britânicas, aquela pequena nação caribenha "irmã" de Macau, e onde estranhamente estão sediadas muitas das empresas que fazem negócio com o imobiliário na RAEM. Sabiam que o André Villas-Boas, actual treinador do Zenit, foi selecionador das Ilhas Virgens Britânicas quando tinha 21 anos? E nem ele os conseguiu levar ao mundial, imaginem. Vamos então dar uma olhadela aos países que representaram a CONCACAF em campeonatos mundiais.


A selecção de Cuba que participou de um mundial de futebol. A sério, juro.

Ainda não existia CONCACAF, e já Cuba tinha participado num mundial, em 1938. Como foi tal coisa possível? Bem, o presidente era Federico Laredo Brú, mas o General Fulgencio Baptista é que mexia os cordelinhos, cinco anos passados desde o golpe militar que o elevou a "el chefe". Fidel Castro era um miúdo de 12 anos que colecionava cromos de basebol, e ainda não tinha barba, e portanto o futebol era o desporto-rei em Cuba. Os cubanos qualificaram-se para o mundial de França, o último antes da guerra, por defeito, pois Colômbia, Costa Rica, Guiana Holandesa, El Salvador, México e
Estados Unidos, restantes selecções do Grupo 11 de qualificação, desistiram, e então lá fizeram eles o "sacrifício". Em terras de França apanharam a Roménia na primeira ronda, e depois de um empate a três golos, venceram por 2-1 no desempate, e estavam nos quartos-de-final! Só que alia apanharam a Suécia, que não se intimidou com a masculinidade caribenha do adversário, e aplicou uma goleada de 8-0. Agora uma curiosidade: o melhor marcador dos cubanos foi um tal Héctor Socorro, que apontou dois dos cinco golos. Só isso. Um dia o tal Fidel Castro deixou crescer a barba, tomou conta da ilha, e ordenou que o futebol já não seria mais o primeiro desporto, mas sim o basebol, e por isso Cuba nunca mais se qualificou. Fim.


De todas as selecções desta lista, qual delas a mais pitoresca, aquela com mais sucesso é claramente a Costa Rica. Um sucesso tardio, contudo, mas isso tem uma razão de ser; o país que hoje é conhecido pelo turismo ecológico foi sempre apaixonado por futebol, mas desde que começou a participar nas qualificações para mundiais, em 1958, só era atribuída uma vaga à CONCACAF, e esta ia normalmente para o México - salvo algumas excepções que vamos ver a seguir. Os csota-riquenhos até tinham uma equipa até bastante jeitosa, e conquistaram o campeonato continental em 1963 e 1969, mas estava complicado chegar a um mundial. Até que em 1988 surgiu uma grande oportunidade: o México estava suspenso pela FIFA, e a CONCACAF ia ter duas vagas para o mundial de Itália em 1990. Assim investiram na equipa, e venceram o Taça CONCACAF em 1989, que também serviu de apuramento para o campeonato do mundo. Para enfrentar o grupo C, onde foram colocados com o Brasil, Escócia e Suécia, chamaram o treinador "Bora" Milutinovic, de que falei aqui onte, e este levou para Itália uma equipa interessante, de onde se destacavam o guarda-redes Luis Conejo, o capitão Roger Flores, que actuava na posição de líbero, e o avançado Hernan Medford. Logo na estreia em Génova, frente à Escócia, mostraram que não tinham ido ao mundial apenas para "aprender", e surpreenderam com uma vitória por 1-0, como golo de Juan Cayasso. Depois de terem dado muitas dores de cabeça ao Brasil, perdendo apenas por 0-1, venceram a Suécia por 2-1, com golos de Flores e Medford. Nos oitavos-de-final perdiam para a Checoslováquia por 4-1, e apesar da diferença entre as duas equipas ser notória, a Costa Rica pode-se queixar do azar, pois perdeu o guardião Conejo, a braços com uma lesão, e jogou com o suplente Hermidio Barrantes. Deixaram uma boa impressão na sua primeira viagem.


E se dizem que não há vez como a primeira, isto aplica-se na perfeição à Costa Rica. Depois de falharem a qualificação para os mundiais de 94 e de 98, regressariam em 2002, com Medford a ser o único elemento da geração de 90. Na estreia não podiam pedir um adversário mais "tenrinho", a estreante China, que venceram por 2-0 - e essa seria a sua última vitória até hoje. Depois de um empate a um golo com a Turquia, seguiu-se uma goleada de 2-5 imposta pelo Brasil, e a eliminação na diferença de golos para os turcos. Em 2006, na Alemanha, regressavam e ficavam no Grupo A, com a equipa da casa, o Equador e a Polónia. No jogo de abertura do mundial perderam por 4-2 com os alemães, mas chegaram a assustar, pois após o golo inaugural de Philip Lahm, logo aos seis minutos, empatariam aos 12 pela grande estrela da equipa, Paulo Wanchope, que entre 1996 e 2004 andou pelo futebol inglês, representando o Derby County, o West Ham e o Manchester City. Wanchope ainda marcaria mais um golo, que seria o 2-3, mas no fim a Alemanha impôs a sua superioridade. Apesar da estreia auspiciosa, a Costa Rica deitaria tudo a perder frente ao Equador, que já tinha vencido a Polónia, e levou a melhor sobre os costa-riquenhos por 3-0. Já eliminados, não conseguiram sair com pelo menos uma vitória, perdendo também para os polacos por 1-2. Outra curiosidade: o guarda-redes chamava-se José Porras. Só isso. Depois de mais uma ausência em 2010, regressam este ano para fazer a sua quarta aparição em mundiais. Fuerza, coño!


Quando o futebol foi pretexto para a guerra.

Agora antes de falar de El Salvador e das Honduras, convém referir um episódio que ficou conhecido por "Guerra do Futebol", isto apesar do futebol ter tido um pequeno papel nesse conflito. Nos anos 60, El Salvador era um país pobre e pequeno - e desde aí não ficou maior, nem mais rico - enquanto as Honduras eram um país cinco vezes maior em dimensão e ligeiramente...bem, "menos pobre". Daí que se verificou uma onda migratória massiva de salvadorenhos para o vizinho do lado, e os hondurenhos andavam aborrecidos com a quantidade de imigrantes dali do lado, que em 1969 eram na ordem dos 300 mil, e o governo das Honduras passou uma lei que expropriava as terras pertencentes a salvadorenhos, e entregou-as aos seus cidadãos. Lei esta que foi imposta pela força em 1967, o que originou um regresso em massa de muitos salvadorenhos ao seu país, o que não deixou o governo de El Salvador nada contente. A tensão entre os dois países foi subindo de tom, e para piorar as coisas, em 1969 as selecções de futebol dos dois países foram defrontar-se no apuramento para o mundial da Alemanha no ano seguinte. Na primeira mão nas Honduras, a equipa da casa venceu por 1-0, com muita violência entre os adeptos nas bancadas, e no jogo de retorno, em San Salvador, os salvadorenhos venciam por 3-0, e além de terem ganho no relvado, ganharam também na violência, que foi ainda pior que no primeiro jogo. Como o que contava eram os pontos e não a diferença de golos, as duas selecções obrigadas a um jogo de desempate em campo neutro - não fossem matar-se uns aos outros - e na Cidade do México, onde se iria realizar a abertura do mundial, El Salvador venceu por 3-2 após prolongamento, passando para a fase final. Depois disto o governo salvadorenho declarou guerra às Honduras, um conflito que ficaria também conhecido por "guerra das 100 horas", que foi o tempo que durou. Estranhamente, sendo El Salvador um país muito mais pequeno e mais pobre que as Honduras, investiu mais homens e meios de combate nesta guerra, que terminou com 900 mortos do lado dos salvadorenhos, e mais de 2000 do lado das Honduras. Os países assinaram um cessar fogo e ficaram outra vez amigos. Ou mais ou menos amigos, pronto.


Voltando ao futebol propriamente dito, El Salvador foi para a final da zona CONCACAF discutir com o Haiti a vaga para o mundial de 1970 no México - valeu à concorrência o México ser o país organizador. Os haitianos tinham eliminado os Estados Unidos nas meias-finais, e em Port-au-Prince os salvadorenhos obtiveram uma vitória por 2-1 e pareciam lançados para a sua primeira fase final de um mundial. Só que em San Salvador o Haiti voltou à carga, vencendo por 3-0, e obrigaram a um jogo de desempate, desta vez em Kingston, Jamaica, que terminou com uma vitória para El Salvador por 1-0, após prolongamento. Já no ano seguinte, no México, três derrotas em outros tantos jogos: 0-3 c/Bélgica, 0-4 c/México e 0-2 c/União Soviética. Os salvadorenhos regressariam em 1982, depois de se qualificarem com as Honduuras numa poule final, onde deixaram o México em 3º lugar, e de fora do mundial de Espanha, pasme-se. Na estreia em Elche os salvadorenhos perdiam por 1-10 (um a dez) com a Hungria, um dia memorável para o avançado húngaro Laszlo Kiss, que apontou um "hat-trick" em sete minutos. Mas para os salvadorenhos saíu qualquer
coisa de positivo: um golo marcado, autoria de Luis Ramirez Zapata. Viva Zapata! Nas restantes partidas El Salvador foi mais realista, remeteu-se à defesa e perdeu "só" por 1-0 com a Bélgica e 2-0 com a Argentina. E não mais vimos El Salvador num mundial, onde o registo é de seis jogos, seis derrotas, um golo marcado e 22 sofridos.


A selecção das Honduras, conhecidos por "los catrachos" ou ainda "la garra catracha", em homenagem ao povo indígena que ali habitava antes de ser massacrado pelos espanhóis, têm um registo bem mais decente que El Salvador. Participando pela primeira vez em 1982, os hondurenhos ficaram no grupo 5, com Espanha, Irlanda do Norte e Jugoslávia, e deram alguma luta aos seus adversários europeus. No jogo de estreia contra a Espanha marcaram logo aos oito minutos, por Héctor Zelaya, e foi preciso um "penalty" de Lopez Ufarte aos 65 para evitar um escândalo no Estádio Luis Casanova, em Valência. Na partida seguinte voltavam a empatar, outra vez a um golo, com a Irlanda do Norte, e a eliminação foi ditada após derrota por 0-1 com os jugoslavos. Regressariam somente há quatro anos, na África do Sul, e com uma equipa mais profissionalizada, onde se destacava o avançado David Suazo, que passou pelo Benfica. Desta vez as coisas não correram tão bem, saíndo eliminados após derrotas 2-0 com o Chile, 1-0 sobre a Espanha e um empate sem golos com a Suíça - nem um golinho para festejar lá na América Central. Este ano têm mais um oportunidade, pois graças ao terceiro lugar na zona CONCACAF, à frente do México, qualificam-se pela terceira vez para um torneio final.


O Haiti, como muita gente sabe, é aquela nação falhada que divide a ilha Dominica com a Rep. Dominicana, e é mais conhecido pela corrupção e feitiçaria vodu do que propriamente pelo futebol. Perto de conseguir a qualificação em 1970, perdendo na tal final com El Salvador, conseguiram finalmente esse ensejo em 1974, graças à vitória na Taça CONCACAF em 1973, e à sua grande estrela, o avançado Emmanuel Sanon, que no torneio realizado em Port-au-Prince apontou cinco dos oito golos da sua selecção. Já na Alemanha os haitianos foram o "saco de pancada" do grupo 4, perdendo com a Itália por 1-3 na estreia, 0-7 com a Polónia e 1-4 com a Argentina. O autor dos dois golos foi, inevitavelmente, Sanon, que graças ao seu desempenho ganhou um contrato com os belgas do Germinal Beerschot, onde jogou durante seis anos. Nem o Haiti voltou a ter outro Sanon, nem mais regressaria a uma fase final de um mundial.


René Simões, o brasileiro mais "reggae" do mundo.

A Jamaica é mais conhecida pelo "reggae", e falando desportivamente, pelo atletismo e os seus velocistas campeões olímpicos. Mas no país de Bob Marley e Usain Bolt também se gosta de futebol, e depois de vários anos de tentativas frustradas, os "reggae boys", como ficaram conhecidos, chegaram a um mundial de futebol, em 1998. Para chegar a França a equipa orientada pelo brasileiro René Simões, que em Portugal chegou o treinar o V. Guimarães, disputou o 3º lugar da zona CONCACAF taco-a-taco com a Costa Rica, mas a 9 de Novembro de 1997 houve festa toda a noite em Kingston, depois da Jamaica empatar a dois golos em El Salvador, e a Costa Rica empatar 3-3 no México, e com uma jornada a faltar para o fim da fase de qualificação, os "reggae boys" tinham mais 4 pontos que os costa-riquenhos.


Para França os jamaicanos trouxeram aquela que é sem dúvida a sua melhor geração de sempre, com alguns jogadores a alinhar na Premier League inglesa, casos de Frank Sinclair, do Chelsea, Deon Burton, do Derby County, ou Marcus Gayle e Robbie Earle, do Wimbledon. Colocados no Grupo H com outros dois estreantes, Croácia e Japão, e a grande favorita, a Argentina, o "baptismo" foi frente aos croatas, que apesar de participarem pela primeira vez como país independente da Jugoslávia, tinha jogadores muito mais experientes, e venceriam por 1-3. Os jamaicanos bateram-se bem, e chegaram ao intervalo empatados a um golo graças a um golo de Earle. No segundo a fragilidade dos jamaicanos ficou exposta frente aos argentinos, e sairiam vergados por uma derrota por cinco golos sem resposta, e confirmava-se a eliminação na fase de grupos. Para o último jogo em Lens o adversário era o Japão, igualmente derrotado nos dois primeiros jogos, e era a oportunidade para um destes estreantes sair com uma vitória do seu primeiro mundial. Dois golos de Theodore Whitmore contra um de Masashi Nakayama deram a vitória aos caribenhos, que ficaram um momento Kodak - para mais tarde recordar.



E o último país da CONCACAF a chegar a uma fase final de um mundial foi Trinidad e Tobago, um país igualmente muito exótico, muito "rasta". Os tobaguenhos tinham ficado perto da qualificação em 1974, quando foram segundos atrás de El Salvador no torneio continental de 1973, e em 1990, quando lhes bastava um empate em casa com os Estados Unidos, mas foram derrotados por 0-1. Finalmente em 2006 conseguiram a tão almejada qualificação, depois de vencerem o Bahrein num "play-off" intercontinental, após o 4º lugar atrás México, Estados Unidos e Costa Rica. Na Alemanha foram orientados pelo experiente treinador holandês Leo Beenhakker, e capitaneados pela sua grande estrela, o ex-avançado do Manchester United Dwight Yorke, que aos 34 anos tinha finalmente oportunidade de pisar o grande palco do futebol internacional. Na estreia empataram a zero com a Suécia, o que seria considerado uma surpresa. Depois seguiram-se derrotas por 0-2 com Inglaterra e Paraguai, e nem um golinho para a mostra.


E antes que digam que me esqueci de alguém, aqui vai uma última referência para a outra selecção da CONCACAF que não é de um país de "guerrilha" nem de "reggae": o Canadá. Sim, os canadianos, que gostam mais de hóquei no gelo e preferem o "curling" ao futebol cairam de pára-quedas no mundial do México em 86, depois de vencer na "poule" final o grupo com as Honduras e Costa Rica. No torneio final trouxeram uma equipa de 23 jogadores, seis dos quais "sem clube" (?), e defendendo como podiam, perderam por 0-1 com a França na estreia, com um golo de Papin aos 79 minutos, e depois 0-2 com Hungria e União Soviética. Apesar de terem contado com os nossos conhecidos Alex Bunbury (Marítimo) e o luso-canadiano Fernando Aguiar (Benfica), nunca mais se conseguiram qualificar.

Valongo campeão de hóquei em patins


A AD Valongo, ou "Balongo", no dialecto local, sagrou-se ontem campeão nacional de hóquei em patins pela primeira vez na sua história, ao vencer por 5-3 o FC Porto na 30ª e última jornada do campeonato nacional. Os dragões lideravam a prova à penúltima jornada com 74 pontos, contra 71 do Benfica e do Valongo, e bastava um empate para renovar o título conquistado no ano passado, o 12º em 13 anos, com uma única excepção em 2011/2012, quando o Benfica interrompeu a série de 11 títulos dos azuis-e-brancos. As águias eram a única equipa sem hipóteses de ganhar o campeonato, pois no caso do Valongo vencer o Porto e terminarem todos em igualdade pontual, os valonguenses seriam campeões, devido ao maior número de pontos obtidos no confronto directo entre as três equipas (Valongo -7 pontos, Benfica-6 FC Porto-4). E foi isso mesmo que aconteceu, pois o Benfica foi a Braga vencer o HC Braga por 5-1, e garantiu assim o 2º lugar, relegando os portistas para a terceira posição. Mesmo assim os dragões qualificam-se para a Liga Europeia junto com os novos campeões e os encarnados, assim como a Juventude de Viana, que terminou no 4º lugar. Física de Torres Vedras, HC Mealhada, Cambra e Sp. Tomar descem à 2ª divisão, Tigres de Almeirim e CD Póvoa sobem à divisão principal, enquanto HC Braga e CH Carvalhos jogam uma "liguilha" com Sanjoanense e Hóquei de Sintra, com o campeonato principal a ficar reduzido de 16 para 14 equipas no próximo ano. O Valongo é o 12º campeão nacional, juntando-se a Ferroviário de Lourenço Marques, Campo de Ourique e CUF na lista de equipas com um título, lista essa liderada por FC Porto e Benfica com 21 títulos, seguidos do Paço D'Arcos com 8, Sporting com 7, Hóquei de Sintra com 4, OC Barcelos, Desportivo de Lourenço Marques e Futebol Benfica com 3.

Filho de rei é vagabundo


Edson Cholbi do Nascimento, mais conhecido por "Edinho", foi guarda-redes do Santos, clube brasileiro de S. Paulo, foi ontem condenado a 33 anos de prisão por lavagem de dinheiro e tráfico de droga. Edinho, de 43 anos, é mais conhecido por ser filho de Pelé, o maior futebolista da histórica, e desde a sua juventude tem tido problemas com o consumo de estupefacientes, e é conhecido o seu envolvimento com redes de tráfico de droga paulistas. Além da pena de prisão, o tribunal decidiu ainda pela apreensão de 100 veículos que se encontravam na posse do grupo a quem Edinho pertencia, liderado por um tal Naldinho, que se encontra foragido há cinco anos e foi julgado à revelia. Edinho jogou no Santos, passando ainda pelo Ponte Preta e pelo S. Caetano, terminado a sua carreira aos 29 anos depois de uma condenação por homicídio em 2000, do qual viria depois a recorrer e eventualmente ilibado em 2005. Actualmente era treinador de guarda-redes dos Santos.

Um longo bocejo


Portugal e Grécia empataram ontem a zero golos num particular de preparação para o mundial do Brasil, realizado no Estádio do Jamor. A partida foi disputada numa toada muito morna, com poucas oportunidades de parte a parte, com os jogadores de ambos os lados a não arriscar contrair uma eventual lesão que os afaste da fase final do campeonato do mundo, que tem o seu início daqui a 11 dias. Portugal não contou com Cristiano Ronaldo e Pepe, ambos ainda a recuperar fisicamente do desgaste derivado da época mais prolongada, e de início alinhou com André Almeida, William Carvalho, Éder, Varela e o guarda-redes Eduardo, além de Nani. O jogador do Manchester United, que teve uma temporada menos conseguida, foi talvez o melhor jogador de Portugal, mostrando que quer dar o seu contributo à selecção e um novo alento à sua carreira. A Grécia, treinada pelo português Fernando Santos, voltou a mostrar "encaixar" no estilo de futebol dos portugueses, e continua a ser a "besta negra" da selecção das quinas. A última vitória de Portugal frente aos helénicos foi a 27 de Março de 1996, num particular em Lisboa, com Oceano a marcar o único golo do encontro. Já lá vão 18 anos.