quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Same same but different


Com a escolha dos sete deputados nomeados pelo Chefe do Executivo, anunciados na última segunda-feira, estão encontrados os 29 deputados da 4ª legislatura da RAEM, quadriénio 2009/2013. Olhando para o novo hemiciclo, não se vislumbram grandes diferenças, e a meu ver perdeu-se uma excelente oportunidade para "começar de novo", que é como quem diz, renovar a AL no sentido de avançar para as tão necessárias reformas, como a democratização do sistema, ou um funcionamento mais fiscalizador e profissionalizado do orgão máximo legislador da RAEM.

Dos doze deputados eleitos no sufrágio directo do último dia 20 de Setembro, não há mudanças significativas a assinalar: perde-se um deputado da ala tradicional, entra mais um democrata. É verdade que o sector democrata fica a ganhar, e o sinal que passa é de que a população, se bem que timidamente, anseia por mais democracia. Neste caso aplica-se a máxima do "se um elefante incomoda muita gente" aplicada aos democratas: "se dois democratas incomodam muita gente, três democratas incomodam muito mais".

Os restantes deputados eleitos reflectem a cultura eleitoral que ainda vigora, infelizmente, em Macau: a cultura do sectarismo. Quem trabalha nos casinos vota no candidato dos casinos, os operários votam nos operários, os funcionários públicos votam em Pereira Coutinho e a malta de Fujian vota na malta de Fujian. Ainda falta cultura cívica que permita o eleitor pensar um pouco mais para além do seu umbigo, e que vote em alguém que possa representar os interesses de toda a população, e não apenas os seus. Diga-se também em abono da verdade que faltam candidatos para o efeito.

Dos deputados eleitos pela via indirecta, e permitam-me a redundância, fica-se sem perceber como vão lá parar, quanto mais o que estão lá a fazer. É verdade que existe alguma qualidade, com destaque para Leonel Alves, obviamente. Mas o processo pouco claro (de certeza que é legítimo, mas isso não significa que seja perceptível) que leva à (re)condução de nove deputados faz com que a população se sinta deixada de fora. Nove deputados são quase um terço do hemiciclo, e a juntar aos sete nomeados, são uma maioria.

Desta maioria os interesses empresariais estão fortemente representados, até pela via do sufrágio directo (Angela Leong, Chan Meng Kam, por exemplo). Isto significa que muito provavelmente os direitos dos trabalhadores ficarão novamente para segundo plano. No fundo o papel dos empresários no hemiciclo passa por garantir que os seus interesses estão salvaguardados, ou por outras palavras, que não lhes estragam o negócio. Muito pouco para uma Assembleia que se quer representativa e popular.

Quanto aos deputados nomeados pelo CE, cheguei a sonhar alto. Cheguei a pensar por instantes que fossem juristas, que dessem mais qualidade, credibilidade e celeridade à produção legislativa, acompanhados por profissionais da área social, que levassem para a AL os anseios e expectativas das classes mais desprotegidas do segundo sistema. Dos primeiros ficamos com Leonel Alves (via indirecta), Pereira Coutinho (directa) e Vong Hin Fai (nomeado). Dos segundos pouco ou nada.

Amanhã a 3ª legislatura, ainda em exercício, vota a controversa proposta de lei da contratação de trabalhadores não residentes. Seria uma surpresa enorme se essa lei não passasse. O que se quer da 4ª legislatura é que trabalhe mais e melhor que as suas antecessoras, de que não difere em substância e conteúdo. Era bom que os próximos quatro, oito ou doze anos trouxessem a tal maturidade política que o território necessita, para que possa decidir sozinha a sua direcção, no âmbito do segundo sistema e da grande China. Mas é o que se pode esperar de uma criança com menos de dez anos que é a RAEM: que não salte mais que o seu próprio tamanho. Por enquanto...

Homofobia no futebol francês


O clube de futebol francês Creteil Bebel, um clube de muçulmanos, recusou-se a jogar contra o Paris Foot Gay, um clube gay, uma partida a contar para o campeonato amador de futebol. A direcção do PFG recebeu no Sábado um e-mail do Bebel anunciando que não iria comparecer na partida marcada entre as duas equipas no dia seguinte. O Bebel alega que são um clube de muçulmanos devotos, e não comparecem no jogo "por uma questão de princípio". Os gays reagiram mal, e dizem-se "magoados", recordando que fundaram o PFG exactamente para combater a homofobia no futebol. Zahir Belgarbi, porta-voz do Creteil Bebel, afirmou à rádio France-Info que "não compareceram no jogo porque não concordam com as ideias do adversário", e pede desculpa se ofenderam alguém. Curiosamente o treinador do PFG e alguns dos seus jogadores são muçulmanos.

Banderas não faz de Senna


O actor espanhol António Banderas já não vai fazer o papel do mítico piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva, num filme que está em pré-produção. O actor mostrou-se interessado no papel, mas depois de ver horas a fio de imagens do brasileiro concluiu que é demasiado velho para o papel. Banderas tem 49 anos, enquanto Senna faleceu aos 34 anos em Imola, durante o GP de São Marino, em 1994. O filme vai incidir sobre os últimos meses da vida do piloto.

Mercado Negro


Realiza-se entre 23 e 25 de Outubro o Festival da Lusofonia, como habitualmente nas Casas Museu na zona do Carmo, na Taipa. Este ano os convidados musicais são os portugueses Quinta do Bill e os angolanos Mercado Negro, uma banda de "raggae". Para conhecer melhor estes últimos, fica aqui o tema "Oh Lua".

PS: Não comento a redução do orçamento do Festival, mas acho bizarro que as listas concorrentes às últimas eleições tivessem um tecto de 9 milhões de patacas, enquanto um Festival onde toda a população se pode divertir tenha um orçamento de 4 milhões. Se calhar havia Caipirinha a mais durante a campanha eleitoral...

Letterman pede desculpa


A semana passada David Letterman, célebre apresentador do "Tonight Show", foi vítima de chantagem e confessou que se envolveu sexualmente com membros da sua equipa. Na noite de segunda-feira o apresentador pediu desculpa à restante equipa (aquela que não "papou") e à sua mulher. E ao mundo. Estás perdoado, David. Podes voltar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mouros, diabos, chinas e a restante fauna





A reportagem de Maria Caetano publicada hoje no Ponto Final sobre a exigência de uma parte ofendida em que se mude a designação em chinês da Shelley Street, em Hong Kong, de mo lo miu kai (Rua do Templo dos Mouros) para uma que "não ofenda" é deveras interessante. Leva-me a dissertar um pouco sobre algumas especificidades desta região, e de como em Macau e Hong Kong o racismo e a descriminação por etnia e religião são uma coisa descabida. Simplesmente não existe, e quando se verifica esporadicamente não devia, porque não faz sentido nenhum.

"Mouro" é a designação antiga usada na região para designar os maometanos, dop latim "maurus", que significa literalmente "indivíduo originário da Mauritânia", ou por extensão, da África muçulmana ou do magrebe. Foi nas primeiras lições de História que tomei contacto com os "mouros", os tais que D. Afonso Henriques, o nosso herói genocida, e os reis que lhe seguiram expulsaram da Península Ibérica. É errado chamá-los "árabes", opção considerada politicamente correcta, pois não eram originários da península arábica. Em Macau os "mouros" são os maometanos, pronto. Os islâmicos, se quiserem. Muito mais ofensivas são designações como "Towelheads" (cabeças de toalha), como lhes chamam os ingleses ou americanos.

Existe um prato regional que se chama mo lo kai fan, uma perna de galinha assada com molho picante de coco, com arroz de açafrão e passas, uma verdadeira delícia. E nem sabia tão bem se lhe mudassem o nome! É o arroz de galinha dos mouros, portanto. Temos ainda em Macau o Ramal dos Mouros, onde se encontra a única mesquita e cemitério maometano do território, e ainda o Quartel dos Mouros, um dos ex-libris de Macau, perto da Barra.

Macau sempre foi um ponto de encontro de etnias e culturas tão díspares: chineses, portugueses, africanos, sul-americanos, indianos, malaios, filipinos, tailandeses, enfim, uma verdadeira caldeirada de sabores. E para mim ainda sabe a pouco. É normal que se distingam os diferentes habitantes de acordo com a sua origem, língua ou religião, sem que para tal exista alguma forma de intolerância. Essa bitola do "todos diferentes, todos iguais" funciona aqui de um modo diferente, sem complexos de ordem histórica. Aqui não cabem leis anti-descriminação pensadas à la minuta, pois Macau sempre funcionou bem sem elas. Se existe descriminação entre residentes quanto à língua, religião ou origem, a Lei Básica já contempla formas de resolver o problema. Se é ou não bem aplicada, isso já é outra conversa.

Os portugueses, por exemplo, sempre foram conhecidos por kwai lo (鬼佬, diabos brancos) ou ngao (vacas). esta última designação deriva do facto dos antigos militares portugueses, que sempre se deram mal com o clima quente e húmido do território, cheirarem a "vaca", de acordo com os chineses. Não que os chineses ou qualquer outro povo cheire bem quando sua, mas era esse o cheiro que os distinguia: de vaca, que era um animalzinho que existia em grandes quantidades na altura no território. E o nome ficou, mesmo que a malta lusa use fatinhos caros e perfume Chanel, não se livram do epíteto. O que sinto eu quando oiço da boca de um chinês um piropo deste tipo? Nada. É normal. Às vezes até esboço um sorriso, como que a apreciar a perspicácia e a forma natural como se convive com este tipo de pequenez e ignorância, já que a cultura não está ao alcance de todos.

Mesmo entre os chineses do território existem distinções. Os continentais são conhecidos por tai lok ian (pessoa do grande continente) ou simplesmente a-chan (阿燦), um nome próprio. Esta designação tem uma história curiosa. Em 1977 o actor de Hong Kong Liu Wai Hung (廖偉雄) deu corpo a um personagem no filme "O bom, o mau e o vilão" (網中人), que contava a história de um imigrante do continente acabadinho de chegar a Hong Kong, e de como ficava deslumbrado com tudo o que via. Numa das cenas o personagem é desafiado a comer 20 hamburgers do McDonald's, uma imagem que ficou famosa e é ainda hoje lembrada como estereotipo. O personagem chamava-se, adivinharam, "A-chan".

Para o observador ocidental menos atento, "todos os chineses são iguais", mas os ou mun yan pensam de maneira diferente. e tratam o a-chan com algum desprezo. É o tal que se põe na rua de cócoras, tem a unha do dedo mindinho maior que as outras, usa chinelos de plástico e acompanha as refeições por uma embaraçosa banda sonora. Segundo a minha sinóloga de serviço, "mesmo a segunda geração de imigrantes chineses ainda se comporta de forma diferente dos locais", que é como quem diz, os ou mun yan, os chineses de terceira ou quarta geração, nascidos em Macau.

Mesmo entre os macaenses - ou portugueses de Macau - mais antigos, fazem-se algumas distinções, ora a nível de "pureza", ora pela qualidade do português falado e escrito, uma característica que os distingue dos restantes naturais de Macau. Por exemplo os macaenses de ascendência indiana eram chamados de "Canarins" (Nhonha na jinela/Cô fula mogarim/Sua mãe tancarera/Seu pai canarim). Até os filipinos que trabalham em Macau não são apenas "todos filipinos". Os filipinos da área metropolitana de Manila "olham de cima" para os de Vissaya (a ilha central do arquipélago) ou os igorot, uma etnia indígena da zona das cordilheiras.

Nos documentos mais antigos da província ultramarina de Macau, os chineses eram referidos como "chinas", seguindo-se o seu nome (ex: "o china a-fong"). São apontamentos da História, e não há que ter vergonha disto. São estas pérolas que tornam Macau um local especial, único. Neste âmbito não penso que Macau e Hong Kong sejam piores em termos de racismo de outros sítios onde já vivi. Em Portugal por exemplo, o convívio entre pessoas de diferentes origens está longe de ser pacífico, até a nível regional ou bairrista. Se em Hong Kong a convivência e as suas particularidades ainda incomoda muita gente, isso deve-se talvez à influência dos ingleses, que além de racistas por natureza são arrogantes ao ponto de fazer leis para regular o racismo dos outros.

Uma outra história em jeito de conclusão para ilustrar este ponto: existe uma pasta dentífrica baratucha produzida na região, a Darlie (黑人, literalmente, "gente preta"), que pode ser encontrada em qualquer farmácia ou supermercado. Na caixa original do produto vemos um negro de cartola, sorridente, a mostrar o esmalte branquinho característico das gentes de tez escura. Esta pasta dentífrica chamava-se "Darkie", mas porque ofendia sensibilidades, mudou o nome e o negro da cartola tornou-se pálido. Pode ser mais politicamente correcto, mas perdeu a graça, a matriz, a originalidade. É isto que temos que evitar que aconteça entre nós.

(Não) Vá pelos seus dedos


Ele há coisas que me deixam de boca aberta. O famigerado Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) advertiu a CTM. Em causa está a publicação de nomes, moradas e contactos na lista telefónica local. Segundo o GPDP, "a privacidade dos assinantes não está a ser levada em conta". Portanto é assim, uma lista telefónica, onde constam nomes, múmeros de telefone e moradas dos assinantes da linha fixa da CTM é uma "invasão da privacidade". Alguém me ajude que estou completamente perdido neste tiroteio. Então que raio de informação consta de uma lista telefónica normal? Leio listas telefónicas (são um best-seller) desde pequenino, e que eu saiba a principal função das mesmas é fornecer informação desse tipo. Se esta paranóia da protecção dos dados pessoais chegou às listas telefónicas, então estamos perdidos. Mas o GPDP não agiu porque tem alguma coisa contra as listas telefónicas ou contra a CTM. Aparentemente alguns utilizadores do serviço queixaram-se ao gabinete. Querem ter telefone fixo, claro, só que não querem que ninguém saiba qual o número, onde moram ou sequer como se chamam. É lógico, portanto. Ao contrário das listas telefónicas em Portugal, por exemplo, em Macau não consta a informação completa do assinante. Vem o nome, o número e a rua ou o nome do edifício onde mora. Não se fornece nenhuma informação que se possa considerar supérflua, como o andar ou o bloco por exemplo. Ou seja, se eu estiver à procura de um sr. X, a lista telefónica diz-me que existem três. Um mora na Rua A, outro no Edifício B e outro na Travessa C. É informação útil que me permite descortinar qual dos srs. X estou à procura, sem precisar de incomodar os outros dois. Depois os motivos da queixa fazem-me desconfiar. Em Macau quem não quer que ninguém saiba onde mora ou qual o número de telefone de casa tem alguma coisa a esconder. Dívidas ao jogo, alguma amante maluca, algum filho ilegítimo, ou outra trafulhice qualquer. Se realmente as listas telefónicas são um problema, então toca a acabar com elas. Ficamos todos mais felizes. A propósito, amanhã vou levantar uma encomenda. Será que devo facilitar o BIR para que o funcionário dos correios saiba que sou realmente o destinatário, ou isso também é invasão da minha privacidade? Procurarei resposta junto do GPDP.

Gato Fedorento Esmiuça o Sufrágio


Os Gato Fedorento entrevistaram Mário Soares, "pai" da Democracia (ahahahahahahahahahahahahahahah) no Dia da República. Uma entrevista engraçada, porque Mário Soares é engraçado. Vide.

Dez anos sem Amália


Passam hoje dez anos desde a morte da grande diva do fado, Amália Rodrigues. Hoje às 21 horas é exibida uma curta-metragem sobre a cantora na Casa Garden, realizado por João Drago, jornalista, realizador e ex-residente de Macau. Uma iniciativa da Casa de Portugal. Vamos recordar "Solidão", da banda sonora do filme "Les amants du Tage", de 1955.

Benfica móvel na capital do móvel


O Benfica venceu ontem o P. Ferreira na Mata Real por três bolas a uma, e somou a sexta vitória consecutiva na Liga Sagres. Os encarnados resolveram cedo a contenda, com golos de David Luiz, Carlos Martins e Oscar Cardozo, todos na primeira parte. O melhor que a equipa de Paulo Sérgio conseguiu foi reduzir, através do brasileiro Maikon. O Benfica mantem assim o segundo lugar do campeonato, a dois pontos do Braga e com mais três que o FC Porto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os sete magníficos


Foram nomeados os sete últimos deputados que vão completar a Assembleia Legislativa 2009-2013. Os sete nomeados por Edmund Ho (com a cumplicidade de Chui Sai On, CE elect) são Chui Sai Peng, Tsui Wai Kwan, Ho Sio Kam, Tong Io Cheng, Vong In Fai, Lau Veng Seng e Sio Chi Wai. Os dois primeiros foram reconduzidos, enquanto que para Vong Hin Fai, advogado e mandatário da candidatura de Chui Sai On ao cargo máximo da RAEM, é um regresso. Ho Sio Kam, Tong Io Cheng, Lau Veng Seng e Sio Chi Wai são quatro caras novas. Ao contrário do que tinha sido adiantado pelo Ou Mun, a advogada Paula Ling não foi nomeada. Conheça aqui os deputados nomeados pelo CE, na reportagem da TDM.

Macau menos transparente


Macau voltou a descer no Indice de Percepção da Corrupção (CPI), publicado pela Transparency International em 23 de Setembro, referente a 2008. A RAEM baixou nove lugares, encontrando-se em 43º lugar. Isto depois de em 2006 se encontrar em 26º lugar. Macau encontra-se agora, a nível de transparência, atrás de países como o Botswana, Porto Rico ou Maurícias. A tabela é liderada pela Dinamarca, a par com a Nova Zelândia e Suécia. Singapura manteve o quarto lugar enquanto a Finlândia desceu para quinto, por troca com os suecos. Suíça, Islândia, Países Baixos, Austrália e Canadá encerram o top-10. Hong Kong continua a subir no ranking, encontrando-se agora em 12º lugar logo atrás do Luxemburgo, depois do 14º lugar em 2007, e do 15º lugar em 2006. A China manteve o 72º lugar do ano passado. Portugal ocupa o 32º lugar, tendo descido quatro posições. Dos países lusófonos, o único que subiu foi Cabo Verde, passando do 49º lugar em 2007 para 47º em 2008. O Brasil está em 80º lugar (desceu oito), Moçambique 126º (desceu quinze) e Timor-Leste desceu 22 lugares (!), encontrando-se agora no 145º lugar. Angola continua, aos olhos da TI, a ser um dos países mais corruptos do mundo, ocupando um 158º lugar numa lista de 180 países e territórios. Os países mais corruptos do mundo continuam a ser o Haiti, Iraque, Birmânia e a Somália, os mesmos quatro do ano passado. Consulte aqui a lista completa dos CPI.

Gabinete subaquático


Como é sabido, as Maldivas correm o risco de desaparecer do mapa, graças ao aquecimento global e à subida do nível da água. No pequeno e paradisíaco arquipélago do Indico, a ameaça é levada mesmo muito a sério. Na imagem vemos o ministro da defesa Ameen Faisel a ter lições de mergulho. A ideia é do presidente Mohamed Nasheed, que resolveu organizar reuniões com o seu gabinete...debaixo de água. Provavelmente para se ir habituando. Nasheed tem sido um dos mais acérrimos defensores da redução da emissão de gases de estufa, e deu o exemplo ao tornar as Maldivas o primeiro país a depender totalmente de formas de energia alternativa, como a eólica e a solar.

Lá vai alho! E ovos...e castanhas...


Manifestantes lançam ovos e castanhas a quem entra na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os ministros da Agricultura dos 27 se reúnem num almoço informal sobre a crise do leite, sem qualquer decisão.

A crise do sector do leite está já há meses na agenda comunitária, sem grandes soluções à vista.

De um lado, os agricultores exigem medidas para o sector, nomeadamente o aumento dos preços ao produtor, ajudas de Estado e a redução das quotas de produção.

Do outro lado, a Comissão Europeia recusa rever a decisão de aumentar as quotas até à sua abolição, em 2013, e não quer pagar do orçamento comunitário um aumento artificial dos preços.

A solução poderá passar pela melhor regulação do mercado.

Dados de Bruxelas mostram que enquanto os preços ao produtor dos produtos lácteos baixaram, desde o final de 2007, 39 por cento para a manteiga, 49 por cento para o leite em pó desnatado, 18 por cento para o queijo e 31 por cento para o leite, do lado do consumidor esta quebra não se reflectiu, uma vez que o preço do leite e derivados só diminuiu em cerca de dois por cento.

In Sapo

Parabéns, República!


A República Portuguesa faz hoje a bonita idade de 99 anos. Um dia histórico para a nossa nação, que durante mais de 700 anos foi governada por indivíduos cuja única qualificação para tal era o facto de terem nascido. Mesmo assim, e por incrível que pareça, há cada vez mais quem tenha saudades. Fica aqui um vídeo explicativo, uma espécie de "Republicanismo for dummies". Bom proveito.

Violência no futebol da Guatemala


Imagens chocantes de um jogo da liga da Guatemala entre o Universidad de San Carlos e o Heredia Jaguares. Os adeptos da equipa da casa, o Universidad de San Carlos invadiram o terreno de jogo e agrediram sem dó nem piedade o trio de arbitragem. Consequencia destes actos, apenas um jogo de punição à porta fechada e uma multa.

Chelsea "português" vence derby


No jogo grande da oitava jornada da Premier League inglesa, o Chelsea bateu o Liverpool por duas bolas a zero. Os "blues" contaram com o guardião Hilário, o defesa Ricardo Carvalho e o médio Deco no onze inicial. Os golos apareceram somente na segunda parte através dos franceses Anelka e Malouda. Com esta vitória o Chelsea isolou-se na liderança da EPL com mais dois pontos que o Manchester United. No Emirates Stadium em Londres o Arsenal esmagou o Blackburn Rovers por seis bolas a duas, com 3-2 ao intervalo.

O vôo do Falcao


"O Falcao voa para onde quer", disse Pinto da Costa. E o avançado colombiano do FC Porto voltou ontem a voar para o golo duas vezes, frente ao Olhanense, em jogo a contar para a Liga Sagres. Foi a primeira visita dos portistas ao Algarve para o campeonato desde a é poca 2001/02, e a primeira visita a Olhão desde 1975. Os dragões venceram por três golos sem resposta, com Bruno Alves a marcar entre os dois golos de Falcao. O Sporting, por seu lado, voltou a desiludir, ao empatar sem golos com o Belenenses em Alvalade. Os adeptos brindaram a equipa com um coro de assobios, e Paulo Bento passa pela maior crise desde que é treinador do Sporting, há já quatro anos. Noutros jogos destaque para a vitória suada do Leixões em casa frente ao U. Leiria por três bolas a duas. O Benfica só hoje entra em campo, e joga na Mata Real frente ao P. Ferreira.

Palmeiras soma e segue


O Palmeiras continua firme na liderança da Série A brasileira, e desta feita a vítima foi o Santos. O "verdão" foi no Estádio Urbano Caldeira vencer por três bolas a uma, e manteve a vantagem de cinco pontos para o S. Paulo, que foi na quinta-feira vencer o Naútico, em Recife, por 2-1. Meia surpresa aconteceu em Goiás, onde a equipa da casa foi derrotada pelo aflito Botafogo por três bolas a uma. Uma vitória providencial para os cariocas, que assim continuam na zona de rebaixamento, mas com os mesmos pontos que o Santo André, que bateu o Vitória por uma bola a zero, interrompendo a série vitoriosa dos baianos. No Rio destaque para o derby Fla-Flu, com o Flamengo a levar a melhor por duas bolas a zero. O Fluminense continua no último lugar da tabela. O Corinthians continua em crise, e desta feita foi batido por 1-3 em casa frente ao Atlético Paranaense. Coritiba e Atl. Mineiro cumpriram, batendo em casa respectivamente o Inter PA e o Grêmio Barueri, por 2-0 e 2-1. Empates com muitos entre Avaí e Cruzeiro (2-2) e entre Grêmio PA e Sport Recife (3-3). A classificação é liderada por Palmeiras com 53 pontos, seguido de S. Paulo com 48, Inter PA com 47, Goiás com 45, Inter PA com 44 e Flamengo com 41.

domingo, 4 de outubro de 2009

Festival do Bolo Lunar


É hoje o feriado do Bolo Lunar, mais conhecido pela sua versão inglesa, Mid-Autumn Festival (中秋節), que se celebra no 15º dia do 9º mês do calendário lunar. Como o calendário lunar é diferente do nosso, e a lua não espera por ninguém, este ano tivemos o dissabor do feriado ter caído a um Domingo. Foi ontem o dia em que a lua nos agraciou com a sua presença no seu potencial máximo, entre as 23:30 e a meia-noite. O festival é a altura em que se comemoram as colheitas de Verão - uma versão chinesa das nossas vindimas ou do Oktoberfest alemão. Na Malásia, Singapura ou Filipinas a festividade é também conhecida por "Festival da Lua" ou "Festival das Lanternas". Nesta data plantam-se árvores, acendem-se as tradicionais lanternas, fazem-se ofertas a Cheng'e (嫦娥), a deusa da lua, e come-se o bolo lunar, um tipo de pastel rectangular, feito com pasta de lotus e ovo de pato, de elevado teor calórico. Curiosamente no conheço quase ninguém que os coma, e os bolos são normalmente oferecidos por cortesia. O mais importante desta festividade é a reunião familiar, que atinge um ponto apenas comparado ao Ano Novo e ao Solstício de Inverno, e que fica pouco ou nada a dever ao Natal cristão. As famílias jantam juntas, fazem piqueniques (este ano o tempo ajudou) e convivem umas com as outras num ambiente de harmonia que nunca me deixa de impressionar. É uma autêntica celebração de amizade e união, que este ano curiosamente veio cair no final da "semana dourada", em que se comemorou o 60º aniversário da Fundação da RPC. Foi muito bom para o negócio.

Dá-me Música


"Dá-me Música" é o novo enlatado da RTP em exibição nas noites de Sábado na TDM. Apresentado por Catarina Furtado (só podia ser...), o DM é um programa que entretem. E isto é o melhor que posso dizer dele. Entretem porque há música, na sua maioria portuguesa, e é bom recordar alguns clássicos dos anos 80, por exemplo. O problema passa por perceber como é que a malta mais nova se identifica com ela.

DM é uma espécie de concurso, só que não chega a ser concurso, pois os "concorrentes" são personalidades do mundo do espctáculo. No programa de estreia, ontem, as equipas eram formadas por José Cid e Ana Brito e Cunha, de um lado, e André Sardet e Maria Vieira (ridícula) do outro. Algumas das provas passavam por identificar músicas ou cantores.

Numa delas era preciso identificar a canção através dos acordes do menor número de instrumentos. Numa delas José Cid respondeu que se tratava de "Bohemian Symphony", dos Queen. "Symphony", meus senhores. O Elton John da Chamusca, que conheceu o auge da sua carreira nos anos 70 não sabe que aquela que é provavelmente a melhor canção de todos os tempos se chama "Bohemian Rhapsody", de 1974. E o pior é que a resposta nem estava certa. Tratava-se de uma canção dos Queen, sim senhor, mas era "I Want to Break Free".

Noutra prova era preciso que os concorrentes escrevessem (?) a letra de uma canção interpretada pelos cantores "da casa". Uma delas era "P'ra ti, Maria", dos Xutos & Pontapés (referido erradamente por quase toda a gente como "Maria", uma marca de bolachas), e a letra rezava assim: "De Lisboa a Bragança/São nove horas de distância/Queria ter um avião/P'ra lá ir mais a miúda". Não sei se o Tim se incomodou a ligar para o programa para corrigir aquela gente, mas a letra correcta é "P'ra lá ir mais amiúde". Amiúde, que é uma palavra que existe, é um advérbio que significa "frequentemente; muitas vezes".

Quanto aos cantores de serviço, os tais "da casa", são uma desilusão. Parece que saíram de um dos outros programas apresentados pela Catarina Furtado, a Operação Triunfo ou lá o que é, mas no lugar deles procurava um emprego a sério. Isto de uma carreira a cantar não está ao alcance de todos, e sempre é melhor passar o dia a carimbar papéis numa repartição de finanças, que sempre se desconta para a caixa, do que passar a vida a cantar as músicas dos outros.

O próprio título do programa, "Dá-me Música", é um bocado rafeiro. Faz-me lembrar quando saía o boletim das notas no ciclo preparatório, e como eu tirava sempre boas notas a Educação Musical (modéstia à parte...) o meu pai dizia: "Estás a dar-me música". Os concorrentes divertiram-se muito, principalmente a Ana Brito e Cunha que parecia ter tomado uma pastilha antes da gravação do programa. Mas será que pensaram no telespectador?

Morreu Shoichi Nakagawa


Morreu o ex-ministro das finanças japonês, Shoichi Nakagawa. Nakagawa era ministro do governo de Taro Aso, derrotado nas eleições japonesas o mês passado, e ficou conhecido em todo o mundo por se ter apresentado aparentemente embriagado na cimeira do G7 em Fevereiro último, que causou um embaraço enorme ao governo nipónico. Nakagawa era um economista conservador, licenciado na Universidade de Tóquio, e que entrou na política aos 30 anos, depois da morte do seu pai, um prestigiado membro do LDP. As autoridades encontraram Nakagawa morto em casa, e ainda não conseguiram determinar a causa da morte. Tinha 56 anos.

Public Enemies


"Public Enemies", de Michael Mann (Manhunter, Collateral, Miami Vice) é um dos filmes do ano. O filme conta, em pouco mais de duas horas, a história de um herói americano. Só que este era um herói especial: assaltar bancos era a sua profissão. O seu nome era John Dillinger, e acabamos por simpatizar mais com ele do que com os personagens que o perseguem e capturam como criminoso. Dillinger é capturado e foge da prisão juntamente com Baby Face Nelson e Pretty Boy Floyd, em 1933, durante a Grande Depressão. Depois da fuga, Dillinger e os seus comparsas iniciam uma onda de crimes em Chicago, e o FBI (na altura apenas conhecido como Bureau of Investigation) põe um dos seus melhores homens no seu encalce, Melvin Purvis. Pervis recruta cowboys do Arizona a rangers do Texas para acapturar Dillinger e seus homens, habituados que estão a tiroteios. Segue-se um autântico jogo do gato e do rato, até que Dillinger é obrigado a deixar Chicago para nunca mais voltar. Rico e livre, Dillinger poderia ter muito bem ficado a gozar os frutos dos seus roubos numa qualquer ilha paradisíaca, mas é o seu amor por Billie Frechette que o faz regressar a Chicago, onde não é mesmo nada bem vindo. Dillinger, um amante da sétima arte, é finalmente apanhado, como todo o mundo sabe, à saída do cinema. O filme conta com as interpretações de Johnny Depp no papel de Dillinger, Christian Bale no papel de Pervis e Marion Cottilard no papel de Frechette. Johnny Depp, 46 anos, intepreta Dillinger (que morreu aos 31) com uma classe e uma graça própria dos predestinados. Só uma hecatombe privará Depp do óscar de melhor actor na próxima edição dos prémios da Academia. Um filme que recomendo.

Porque fazem sexo as mulheres


Algumas, como Manuela Ferreira Leite, dizem que é para procriar. Outras, que é para ter prazer. A imensa e silenciosa maioria não diz nada. Faz ou não e pronto. A 'Newsweek' desta semana revela no seu site um novo livro que aborda o tema: por que fazem sexo as mulheres. O tema é antigo e mantém a polémica, pelo que este é mais um contributo para a discussão.

Intitulado "Porque as Mulheres Fazem Sexo", o livro de Cindy Meston e David Buss , dois psicólogos da Universidade do Texas, tenta iluminar as complexidades da vida sexual feminina, dando palavra às próprias mulheres. Foram cinco anos de pesquisas e mais de mil mulheres entrevistadas. As respostas vão desde razões altruístas ("tinha pena dele") às vinganças e até à necessidade de resolver uma dor de cabeça. Literalmente.

Um inquérito online e sob anonimato realizado em 2007 deu origem ao livro de Meston e Buss, tendo identificado 237 razões para que os humanos tenha relações sexuais. No universo masculino domina a necessidade de diversão, mas o universo feminino revelou-se bastante mais complexo. Situação que se reflecte no facto de um quarto da s mulheres dizerem ser incapazes de ter orgasmos. "O sexo feminino depende muito mais do contexto em que acontece", afirma Meston à 'Newsweek'.

Laura Berman, professora de Psiquiatria na Universidade de Northwestern e autora do livro "Real Sex for Real Women", diz à 'Newsweek' que, embora possa haver dúvidas (quanto ao rigor das respostas) , esta obra é um grande passo para tentar perceber as ambições femininas face às relações sexuais.

In Expresso

Quem quer um T-Rex?


Este é Samson, o simpático Tyranossaurus Rex que se encontra em leilão no Venetian Resort em Las Vegas. O esqueleto de 66 milhões de anos está a ser leiloado por um mínimo de 6 milhões de dólares, mas ninguém ofereceu mais de 3,7 milhões. Mesmo assim é um número considerável, oferecer 30 milhões de patacas por um monte de ossos que nem dão para fazer sopa...

Vettel big in Japan


Sebastien Vettel venceu o GP do Japão, realizado hoje no circuito de Suzuka. Uma corrida em que ficou ainda tudo por decidir, quando faltam duas provas para o fim do mundial 2009 de Fórmula 1. Depois de uma sessão de treinos bastante acidentada, a corrida decorreu normalmente, tendo os pilotos mantido mais ou menos as mesmas posições da grelha de partida. Assim o alemão da Red Bull foi o vencedor, Trulli foi segundo, Hamilton terceiro e Raikkonen quarto. Rosberg conseguiu o quinto lugar para a Williams, Heidfeld foi sexton, e os dois Brawn conseguiram os últimos lugares dos pontos, com Barrichello à frente e Button. O mundial de pilotos é liderado por Button com 85 pontos, seguido de Barrichello com 71, Vettel com 69, Webber com 51,5, Raikkonen com 45, Hamilton com 43 e Rosberg com 34,5. Vettel ainda pode ser campeão, caso vença as últimas duas corridas e Button não faça mais de quatro pontos. Nos construtores a Brawn está a meio ponto de garantir o título: 156 pontos contra 120,5 da Red Bull. Segue-se a Ferrari com 67 e a McLaren com 65. A próxima prova do mundial realiza-se a 18 de Outubro no Brasil.

ManU por uma unha negra


Foi por uma unha negra que o Manchester United evitou a primeira derrota em casa na Premier League inglesa, frente ao modesto Sunderland. Os "red devils" só conseguiram o empate no período de descontos graças a um autogolo de Anton Ferdinand. Um empate a duas bolas que mesmo assim deixa os comandados de Alex Ferguson na liderança provisória do campeonato, com mais um ponto que Chelsea, que só joga hoje em Anfield Road frente ao Liverpool. Noutros jogos destaque para o empate do Tottenham em Bolton, a para a vitória do Portsmouth em Wolverhampton por uma bola a zero - a primeira da época.

Braga 7/7


O Sp. Braga está mesmo imparável. Ontem os pupilos de Domingos Paciência derrotaram em casa o V. Setúbal por duas bolas a zero, confirmaram o melhor início de época de sempre e igualou a melhor série consecutiva de vitórias: sete. Os bracarenses contaram ontem com a expulsão do sadino Luís Carlos, ainda na primeira arte, e só viriam a marcar na etapa complementar, primeiro por Paulo César, e depois por Hugo Viana, já no tempo de descontos. Noutra partida antecipada, o Naval impôs ao Rio Ave a primeira derrota da época, ao vencer por três bolas a duas. Na sexta-feira o Marítimo vence em Coimbra a Académica por quatro bolas a duas, resultado que ditou o afastamento do treinador dos estudantes, Rogério Gonçalves.

sábado, 3 de outubro de 2009

Leituras


- No Hoje Macau, José I. Duarte fala ainda do último acto eleitoral em Macau, em A derrota do debate político.

- Ainda no HM, leia sobre o 45º aniversário da personagem argentina mais conhecida do mundo (não, não é o Maradona), a Mafalda, em Parabéns a você...

- No JTM gostava de voltar a mencionar o artigo de Nuno Lima Bastos publicado na edição de quinta feira, Um deplorável incidente.

- Ainda no JTM, o seu director José Rocha Dinis debruça-se sobre quatro temas da actualidade do território, em Histórias de sucesso, apesar de tudo...

- N'O Calrim, Pedro Daniel Oliveira fala das últimas eleições legislativas em Portugal, em Sócrates sofre meia derrota.

- Também n'O Clarim, José Miguel Encarnação traz-nos um Oceano pouco pacífico, um olhar sobre a actualidade em Macau.

- Saiba mais sobre o feriado do Bolo Lunar no Valium 50, o blogue de Irene d'Abreu, em Festa da Lua ou Festividades de Outono.

Bom fim-de-semana!

Volta à China


XANGAI - Várias prisões de Xangai estão a ensinar prisioneiros clássicos da literatura chinesa, como "Clássico dos três caracteres" ou os "Analectos" de Confúcio. As prisões acreditam que o ensino da literatura pode ter um papel importante na reabilitação dos reclusos.

JIANGXI - As autoridades provinciais vão investir 70 milhões de yuan até ao final do ano num programa de três anos para formar 4 mil licenciados em medicina, uma iniciativa que visa aumentar o número de médicos nos hospitais. Cada estudante vai receber uma bolsa de 5 mil yuan em troca de serviços prestados em hospitais provinciais.

ZHEJIANG - Mais de 50 palhaços de todo o mundo estão em Hangzhou a participar no Dia Mundial da Palhaçada (!), como parte das celebrações do Dia Nacional. Um dos palhaços segurou um cartaz onde se lia "fazemos palhaçadas em troa dos vossos aplausos.

LIAONING - Um condutor alcoolizado arrisca-se a ser executado em Shenyang, depois de ter atropelado um peão e fugido do local do acidente. O homem é a primeira detenção feita no âmbito da campanha que visa reduzir os números da sinistralidade rodoviária, e a ser acusado de "ameaçar a segurança pública". Na altura do acidente o homem tinha 300 ml de alcool por litro de sangue, quando o limite legal é 80 ml.

HUNAN - Cerca de 100 bebés nasceram no Dia Nacional em Changsha, capital da província de Hunan, província natal de Mao Zedong, fundador da RPC. A maioria dos pais escolheram a cesariana como forma de assegurar que os seus filhos nasciam no aniversário da fundação.

HUNAN - Um oficial foi ontem condenado à morte em Chenzhou devido ao desvio de mais de 100 milhões de yuan de um fundo de habitação social. Li Shubiao, antigo director do Fundo de Habitação Social, usou o dinheiro para pagar dívidas de jogo e é também acusado de fraude e operações financeiras ilegais.

CHONGQING - Companhias de fomento predial de Chongqing vão ser multadas em 100 mil yuans depois de terem divulgado informação pessoal e confidencial sobre compradores de imóveis. Isto depois de ter entrado em vigor na quinta-feira uma nova lei que regula a compra de imóveis. O direito à propriedade privada ainda não é completamete reconhecido na China, sendo que os imóveis podem ser adquiridos em regime de "leasing".

XINJIANG - Mais oito aeroportos vão ser construídos na província mais ocidental da China entre 2011 e 2015, de acordo com mais um programa de cinco anos implementado pelo governo chinês. Os aeroportos vão custar mais de 16 mil milhões de yuan, e depois de construídos, a provícia terá 21 aeroportos. O investimento nas obras públicas e infra-estruturas tem sido a resposta do governo à insatisfação de uma parte da população de Xinjiang, que reclama mais autonomia.

Carnaval em Outubro


Foi um carnaval antecipado ontem à tarde (hora local) no Rio de Janeiro. O Brasil foi escolhido para organizar a XXX Olimpíada da era moderna, que se realizará pela primeira vez na América do Sul. O Bairro do Oriente deu ontem a notícia em primeira mão, uma hora antes do anúncio oficial do COI. Uma escolha natural por um país que nos últimos anos se tem desenvolvido de forma espectacular, e que se perfila para que seja uma das maiores economias do sec. XXI. O Brasil já não é apenas o país das praias, do samba e do futebol, e é hoje um parceiro económico de respeito, um país onde toda a gente quer investir. Fica também a ganhar a língua portuguesa, que será idioma olímpico nesse Verão de 2016. O Brasil junta assim a organização do mundial de futebol em 2014 à organização do maior espectáculo desportivo do mundo dois anos depois. De parabéns a organização brasileira, e o presidente Lula da Silva, que conseguiu nestes últimos seis anos que o Brasil granjeasse o respeito da comunidade internacional. Provavelmente o melhor presidente brasileiro de todos os tempos.

Foi bonita a festa, pá!











Imagens espectaculares de Pequim, da comemoração do 60º aniversário da fundação da República Popular da China.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Línguas afiadas


1) O título de "frase da semana" vai para Manuel Gonçalves. Quando questionado sobre o facto da emissão especial da RTPi do último Domingo dedicada às Eleições Legislativas em Portugal ter sido interrompida para se transmitir um jogo do campeonato italiano de futebol, o administrador-geral da TDM disse: "Seria uma discussão infindável até que ponto as legislativas portuguesas terão alguma importância para os espectadores". Tem razão, pois se há coisa de que a malta está farta é de "discussões infindáveis". As declarações de MG podem ser inseridas na categoria de "humor", mas não acredito que tenham sido feitas com algum tipo de maldade, mas antes um tipo de pragmatismo frio. Senão vejamos, em primeiro lugar a TDM tem a habitual programação a cumprir, e neste caso particular o tal jogo já tinha sido anunciado. Em segundo lugar, é preciso não esquecer que Macau é a cidade das apostas desportivas por excelência, e provavelmente havia muita gente acordada até tarde à espera do jogo (em Macau trabalhou-se na segunda-feira, e as primeiras projecções eleitorais foram anunciadas depois das 3 da madrugada). E finalmente, e em jeito de desabafo, MG até tem um fundo de razão: independentemente de quem fosse o novo Governo, Macau e os portugueses aqui residentes continuarão a ser esquecidos. Como sempre foram...

2) Nuno Lima Bastos assina um interessante artigo na edição de ontem do JTM, intitulado "Um deplorável incidente", que recomendo desde já a leitura. Neste artigo NLB conta um episódio que se passou há 3 semanas com um indivíduo que também escreve naquele diário, a propósito da série de artigos que o articulista escreveu a propósito da visita do General Rocha Vieira ao território, em Julho último, intitulado "Antologia da Transparência, publicado em dez partes. A discussão chegou ao ponto do indivíduo em questão o ter ameaçado fisicamente, e acabou com NLB a apresentar uma queixa-crime à justiça. Ora é por estas e por outras que insisto no anonimato. Acredito que a justiça tem mais que fazer do que se preocupar com tricas deste género. Problemas como divórcios, partilhas ou homicídios resolvem-se na justiça, ameaças deste calibre resolvem-se logo ali mesmo, e com direito a epílogo no hospital, se necessário. Os maiores inimigos da liberdade de expressão em Macau não são as instituições, mas sim as próprias pessoas. Uma vénia para o director do JTM, José Rocha Dinis, pela publicação do artigo.

Os blogues dos outros


Nos primeiros meses após o handover, quando ainda não havia o Bairro do Oriente (ahah), muitos portugueses residentes de Macau, ou antigos residentes, deram largas à sua revolta contra os abusos da administração vieirista no então frequentadíssimo Fórum Macau. A secção de debate, onde se "lavava a roupa suja", foi há muito desactivada, mas a extensa lista de documentos ainda continua disponível. Uma página a não perder por quem quiser saber um pouco mais sobre aquele tempo e as figuras que o marcaram.

Nuno Lima Bastos, O Protesto

O bispo da Diocese de Macau, D. José Lai, aliás Lai Hung Seng foi posto em causa pelo macaense José Guerra, membro da Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, por não ter permitido a eleição do presidente da Confraria como exigem os estatutos. A revolta de José Guerra prende-se igualmente porque o bispo prometeu-lhe pessoalmente que iria consultar o secretário da Confraria, Francisco Xavier do Rozário, de 94 anos, sobre a eleição dos corpos dirigentes, facto que não se verificou até à data em que o idoso faleceu. Entretanto, a Confraria tem sido dirigida por uma comissão não-eleita. A negligência do bispo Lai foi tema de uma carta de protesto enviada por José Guerra a responsáveis da Igreja Católica no Vaticano e em Portugal.

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Vejo-o duas ou três vezes por semana na biblioteca. O Liu é professor universitário de história chinesa em Banguecoque, um conversador de talento, qualidades intelectuais assinaláveis, ávida curiosidade e grande abertura. Se alguém me tem ensinado o tailandês do dia-a-dia é o Liu. Insiste em ensinar-me e nunca se dá por vencido quando resvalo para o inglês. Hoje estava diferente. Os olhos cintilavam, o queixo erguido, a voz espaçada, uma bandeira vermelha na lapela. Perguntou-me: "não viste o meu país? Não viste como nos levantámos, que grandes somos ?". Sim, vi a enorme parada, as maravilhas da nova tecnologia chinesa, o aprumo das falanges apeadas, as intermináveis colunas de blindados, as baterias de foguetões, os céus de Pequim coalhados de helicópteros e bombardeiros. A China acordou e impõe a nova multipolaridade do século XXI.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

A declaração de Cavaco fez-me lembrar os velhos tempos de Octávio Machado. Falou muito sem no entanto dizer nada de concreto. O Sr.Silva como diria Alberto João Jardim, tem desempenhado um papel ridículo e provinciano nos últimos tempos. Sinceramente fico com a convicção que tentou dar uma ajudinha à sua amiga Manuela Ferreira Leite mas que tudo lhe correu mal e desde aí se tem vindo a enterrar cada vez mais. PS: Será que Cavaco se prepara para não nomear Sócrates como primeiro ministro? Uma hipótese teórica mas perfeitamente possível.

El Comandante, Hotel Macau

Já aconteceu a muito boa gente, numa altura ou outra da vida, receber mensagens públicas de apreço e reconhecimento de pessoas que preferiam que não dissessem que os conheciam. Terá sido o que aconteceu agora com José Sócrates, publicamente felicitado pela sua vitória eleitoral por aquela figura trágico-cómica que dá pelo nome de Hugo Chávez. "Nós juntamo-nos ao júbilo que há nos socialistas do mundo. Esse é o caminho" terá declarado um entusiasmado Chávez durante a II Cimeira África/América do Sul (ASA). Para acrescentar que "Esse é o caminho, o socialismo! África tem muito que apostar nisso, o socialismo africano, corrente muito forte que surgiu no século XX, que trataram de apagá-la mas que aí está, viva. [Muhamar] Kadhafi é uma testemunha disso, da República Socialista da Líbia" (via "Hoje Macau"). Ora aí estão duas companhias perfeitamente dispensáveis - Chávez e Khadafi. O Engenheiro também não merecia este castigo! As fontes do Devaneios garantem que, no Largo do Rato, Sócrates terá gritado bem alto - Por qué no te callas?

Pedro Coimbra, Devaneios a Oriente

Nunca fui cavaquista, mas sempre o reconheci como um homem cujo principal activo era a sua integridade. Agora especula-se: será que ele nos andou a enganar durante 20 anos? Tenho dúvidas. O tecido da política é demasiado poroso para que tal seja possível. Não querendo desculpá-lo, parece-me, cada vez mais que o que aconteceu foi uma trama urdida pela gente de quem se rodeou. Afinal Humphreys há muitos. Não foi por acaso que aquela série fez tanto sucesso quando passou. Diziam os políticos que a seguiam que retratava os bastidores da política tal como são.

Teresa Ribeiro, Delito de Opinião

Imaginemos que Cavaco procedera com cálculo eleitoral objectivo, aquando do seu silêncio prolongado na matéria das escutas e que, por omissões sucessivas, manifestara gravosa inépcia e inabilidade na gestão de tal problema obscuro, agravando-o numa escalada de fragilização da própria Presidência. Mesmo assim a verdade é só uma: os coiotes e as hienas do sistema político português logo se apressaram a senilizar o Presidente, eliminando-o politicamente, abatendo-o sem apelo nem agravo. Hoje aparece completamente isolado, alvo do escárnio de Ana Gomes, o que é lisonja, alvo da devastação argumentária de variados Filipe Tourais, objecto dos insultos sibilinos do Governo, contestado e autopsiado por qualquer blogger e blogue engajado como este, e é assim que o grande combatido e desprezado de Mário Soares aparece confinado na cena política portuguesa, passando ele pelo exclusivo urdidor de conjuras, pelo único perturbador do "normal" funcionamento da "democracia". Na verdade, o trunfo dos porcos vigora claramente em Portugal. Saem a perder os menos calculistas e menos capazes de perfídia. Saem a perder os detentores de uma rectidão rara, apesar de todos os defeitos e défices políticos. Nunca se leva a melhor, neste mundo de homens, em relação àqueles que vivem do lodo e para o lodo moral. Podem pois rafastelar-se no esgoto e no reles os que hoje desqualificam e apodam de zaranza Cavaco Silva: «É o primeiro encontro de Cavaco Silva e José Sócrates depois das eleições e da troca de acusações em torno do chamado caso das escutas.»

Joshua, PALAVROSSAVRVS REX

Não sei se, como contam os seus próximos, Mário Soares ainda se refere nestes termos a Cavaco Silva. Mas é importante esclarecer que chamar-lhe gajo não me parece nada depreciativo tanto mais que o termo gajo, na fulanização que tem implícita, dá conta daquilo que Cavaco Silva tem sido em Portugal: uma espécie de intruso, um tipo com quem volta e meia se esbarra e que suscita quase sempre uma pergunta meio irritada: “Mas o que quer este gajo?”. É preciso que se perceba que o espaço do poder governamental é em Portugal naturalmente socialista. Não por uma qualquer malfeitoria dos socialistas mas sim porque foram os socialistas os grandes vencedores políticos e morais do momento que fundou os compromissos do regime, o 25 de Novembro de 1975. O socialismo que o PS prometia aos portugueses pareceu-lhes tão paternalmente bondoso quanto o Estado Social anunciado por Marcelo Caetano, com a vantagem acrescida de se livrarem de que alguém os dissesse de direita ou estalinistas, pois se ser de direita permaneceu como algo de pejorativo já ser de esquerda, desde que daquela esquerda delimitada pelo PS, tornou-se um traço distintivo pela positiva. A isto que já de si não é nada pouco juntou-se a extraordinária mais valia da aristocrática concepção do poder do pater familias dos socialistas portugueses, Mário Soares. Ver Soares a deslocar-se é talvez o que temos de mais próximo com o que terá sido a naturalidade aristocrática com que D. Carlos devia passear em Vila Viçosa. Mas Soares não trouxe para os socialistas portugueses apenas a concepção de que o poder lhes é naturalmente devido, cultivou-lhes o espírito de corte: há um séquito que lhe repete as graças, as conversas com os grandes do mundo, a maravilha dos quadros que lhe ornamentam as casas, a grandiosidade da biblioteca e, não menos importante, reage ao primeiro sinal de crítica àquele que definem como pai da democracia.

Helena F. Matos, Blasfémias

Triste foi o que fizeram a Manuela Ferreira Leite. Ela entrou neste filme só porque Cavaco lhe pediu, é o que agora os acontecimentos permitem inferir. E cumpriu com excesso de zelo a sua missão. A senhora acabou a campanha a fazer coro com o Zé Manel na infâmia contra o SIS e a assustar os populares com a possibilidade de violação da sua correspondência pelo Governo. E também nos garantiu que os telemóveis poderiam estar todos sob escuta, qual reactualização da RDA, servindo-se para o efeito de declarações do Procurador-Geral da República retiradas do contexto e cujo sentido ficava adulterado. A cultura de grupo que permitiu tamanha indignidade, utilizando sem pudor a Manela como carne para canhão, é uma fatalidade do actual PSD. Um partido de advogados manhosos, videirinhos, e nada mais. Asfixiados pelo seu próprio fel.

Valupi, Aspirina B

Os irlandeses estão a votar no segundo referendo sobre o Tratado de Lisboa e, segundo dizem as sondagens, deverão aprovar o documento. No entanto, o simulacro democrático é demasiado eloquente sobre o actual estado de impotência europeia. Repetir a consulta até os irlandeses responderem o que se pretende é uma humilhação para os eleitores. Fui contra o referendo europeu em Portugal para evitar que nos passassem um atestado de incompetência como aquele que está a ratificar o povo irlandês. Ainda bem que não votámos, ou corríamos o risco de rejeitar o tratado e depois íamos votar outra vez até acertarmos na resposta. Há também a possibilidade dos irlandeses rejeitarem o tratado, mas penso que não se coloca a situação de decidirem por nós. Não se percebe bem o que acontece nesta circunstância, mas provavelmente existe um esquema de empurrar a Irlanda para um segundo (e menor) patamar de integração. Seria uma espécie de purgatório semelhante ao que alguns querem desenvolver para a Turquia, que cumpre todos os critérios de adesão mas que não entra no clube até que exista formalmente este segundo nível. Às vezes, apetece dizer sobre a UE o mesmo que Gandhi disse quando lhe perguntaram o que achava da Civilização Ocidental: "Acho que seria uma boa ideia". Deixo uma reflexão: a única solução para o défice democrático será a realização de um referendo a nível europeu para os futuros tratados da UE.

Luís Naves, Corta-Fitas

Testamento vital – O direito dos doentes terminais a recusarem tratamento não é um favor do Estado nem uma decisão que o Papa ou o Presidente da República devam impedir, é um sinal de respeito pelos cidadãos que cabe ao Parlamento acolher.

TVI – O saudoso Mário Castrim disse que o canal «nasceu na sacristia e acabou na sarjeta», um diagnóstico certeiro.

Costa Rica – Está em curso a reforma constitucional que pretende acabar com o último Estado confessional da América Latina, tema que aquece a campanha eleitoral perante o azedume dos bispos católicos face aos ventos da laicidade que sopram.

Irão – A aventura nuclear continua ao ritmo da demência islâmica à espera de que as democracias, assustadas, respondam com violência depois de esgotadas todas as tentativas de negociação.


Carlos Esperança, Diário Ateísta

Porque é que Campo Maior é uma planície?
Por café move montanhas.


João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro


O Bairro do Oriente tem a honra de anunciar em primeira mão que os Jogos Olímpicos de Verão em 2016 serão realizados no Rio de Janeiro, Brasil. Quando faltam mais ou menos 20 minutos para o COI anunciar a organização vencedora, foi anunciado que as candidaturas de Chicago e Tóquio foram excluídas. Restam o Rio e Madrid, mas como os próximos JO de 2012 se realizam na Europa (em Londres), é mais que certo que a capital espanhola não será a sede em 2016. O Brasil junta assim a organização do mundial de futebol em 2014, à organização do maior evento desportivo do mundo dois anos mais tarde. Parabéns a todos os brasileiros.

Mais anos, mais trabalho


Viver muito não será um privilégio de gerações daqui a muitos séculos, ou dos japoneses de Okinawa. Mais de metade dos bebés nascidos hoje nos países desenvolvidos viverão mais de 100 anos, se se mantiver esta tendência de aumento da esperança média de vida, divulgaram investigadores dinamarqueses. Isto pode significar maiores desafios para o sistema de segurança social e saúde, mas o estudo revela também que não só as pessoas viverão mais, mas também se manterão saudáveis até uma idade mais avançada. O estudo foi publicado no Lancet Medical Journal, assinado por Kaare Christensen, do Centro de Pesquisa do Envelhecimento dinamarquês. O estudo usou como modelo a população da Alemanha, que em 2050 será mais reduzida, e mais envelhecida - uma situação típica dos países mais ricos. Vários países estão já a aumentar a idade da aposentadoria, como forma de lidar com os problemas levantados pela segurança social. "Se as pessoas na casa dos 60 e 70 anos continuarem a trabalhar, isto também beneficia o restante mercado de trabalho, que poderá trabalhar menos horas, e ter mais tempo livre", publicou o estudo, que concluíu também que trabalhar menos horas durante mais anos "pode também contribuir para uma vida maior".

Letterman confessa-se


David Letterman estava a ser vítima de chantagem, e resolveu pôr tudo a pratos limpos no seu programa "Late Show". O chantagista pediu ao apresentador 2 milhões de dólares para não revelar provas que o poderiam compremeter. Letterman confessou mesmo que é verdade que estava envolvido com mulheres que trabalham na produção do show. Letterman fez queixa às autoridades, mas não identificou o alegado chantagista. Era bom que toda a gente fosse como David Letterman, assim tinhamos um mundo mais limpinho. Veja o vídeo.

Actualização: Foi detido o alegado chantagista. Trabalha na CBS, no show "48 Hours", e segundo uma fonte daquela cadeia de televisão chama-se Robert J. Halderman, e foi suspenso.

Descubra o alho preto


Nada pior para o bom gourmet do que deitar comida fora, mesmo que sejam alhos. Mas isso pode mudar. O alho preto é obtido através de um processo de fermentação que dura mais ou menos um mês, e deixa o alho assim: preto, mole e com uma textura que dá que para barrar no pão ou numas bolachinhas, Melhor do que isso, não deixa mau hálito! O alho preto contém os mesmos anti-oxidantes do alho crú, e ainda outros que previnem o cancro. Saiba mais sobre o alho preto aqui, e onde o pode comprar.

Portugal. The Man


Isto pode não ser novidade para muita gente, mas existe uma banda chamada "Portugal. The Man". Assim mesmo: Portugal, ponto, e depois "The man". Os Portugal. The Man são uma banda rock do Alaska, sediada em Portland, no Oregon, e foram fundados em 2005 com os elementos da extinta banda "Anatomy of a Ghost" (?). Já gravaram quatro albums de originais, o último dos quais intitulado "The Satanic Satanist" (!?). Sobre o nome da banda, o guitarrista John Gurley explica: "Portugal foi o primeiro país que nos veio à cabeça. O nome da banda é 'Portugal'. 'The Man' significa que é apenas uma pessoa". Não sei o que andou o rapaz a fumar, sinceramente. Em todo o caso, aqui fica "People Say", do último disco dos "Portugal. The Man".

Penso eu de que...


Pinto da Costa voltou à carga. O presidente do FC Porto "agradeceu" aos olheiros do Benfica por terem descoberto o avançado colombiano Radomel Falcao, autor de um golo de calcanhar "à Madjer" na última quarta-feira frente ao Atletico de Madrid, em jogo a contar para a Liga dos Campeões. "O Falcão voa para onde quer. Mas realmente é preciso dar mérito a quem o tem e se não fosse o Benfica ele não estaria aqui", ironizou Pinto da Costa. O presidente portista disse ainda que "não está impressionado" com o momento actual do Benfica, que se encontra em segundo lugar da Liga Sagres com mais três pontos que os dragões, e com 21 golos marcados em seis jogos. Curiosamente as declarações de Pinto da Costa foram feitas antes da derrota dos encarnados em Atenas frente ao AEK, em jogo da Liga Europa.

Viram-se gregos


Original Video- More videos at TinyPic
Os ares da Grécia continuam a ser tóxicos para as equipas portuguesas. Ontem foi o Benfica, que depois de seis vitórias onsecutivas (entre algumas goleadas) que perdeu em Atenas frente ao AEK, onde pontifica o avançado brasileiros Gustavo Manduca, dispensado pelos encarnados há dois anos. O único golo da partida foi apontado aos 43 minutos por Majstorovic. O Benfica complica assim o apuramento para a fase seguinte, uma vez que se seguem dois jogos contra o Everton, do competitivo campeonato inglês. O Sporting venceu o Hertha Berlim, laterna vermelha na Alemanha, por uma bola a zero. Os leões tiveram bastantes dificuldades em vencer, e realizaram uma partida cinzenta. Feitas as contas, são seis pontos em dois jogos, e seguem-se os letões do Ventspils, teoricamente o adversário mais fácil do grupo do Sporting. O Nacional empatou a uma bola na Austria, frente ao Austria Viena, e soma um ponto em dois jogos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

E daqui para a frente?


Há 60 anos Mao Zedong declarou perante uma multidão em Tiananmen que “o povo chinês levantou-se”, um momento de orgulho e esperança para um povo que saía de três séculos de Guerras internas e ocupação estrangeira. Mao e o Partido Comunista Chinês (PCC) chegaram ao poder sem qualquer apoio estrangeiro significativo – a revolução era fundamentalmente doméstica. Mao trouxe para a China um objectivo ambicionado desde os reformistas do século XIX da dinastia Qing: recuperar o fu qing (riqueza e poder), dignidade, respeito internacional e integridade territorial. Para tal, Mao e o PCC apostaram na conquista do respeito e lealdade do povo chinês, uma linha que tem sido seguida pelos sucessivos governos.

Tragicamente, a crença de Mao em restaurar a grandeza da China passava pelo desejo de transformar o país num regime socialista e revolucionário. As medidas nesse sentido resultaram na quebra de produtividade e em campanhas políticas desastrosas que causaram a perda de vidas. Apesar de tudo, a China embarcou no comboio da industrialização e manteve-se firme, e 60 anos depois daquela manhã fria em Tiananmen pode-se dizer que atingiu progressos significativos e tornou-se uma potência mundial. Mao reconheceria o sucesso, o que não significa que estaria completamente feliz com ele.

Há muito para comemorar nesta dia do 60º aniversário da RPC. A nação mais populosa e industrializada do mundo “arrisca-se” até ao fim do ano a tornar-se na segunda maior economia mundial, à frente do Japão e apenas atrás dos Estados Unidos, que este ritmo, ultrapassará ainda antes de 2020. Tornou-se uma nação respeitável em termos de progresso e inovação científicos e diplomacia, é detentor de exército que nada fica a dever às restantes grandes potências, e está a desenvolver um sistema de ensino superior de grande calibre. O seu modelo híbrido de capitalismo de estado e autoritarismo semi-democrático – chamado “consenso de Pequim” – tem chamado a atenção dos países em desenvolvimento.

Os Jogos Olímpicos de 2008 foram a maior demonstração de desenvolvimento e modernidade da nova China, e a exposição mundial de Xangai no próximo ano está envolvida na mesma aura. A celebração dos 60 anos da República Popular em Pequim foram, como seriam de esperar, marcados por rigor e espectacularidade, e como os chineses nos têm habituado, nada correu mal. Porque não podia correr mal. O que é menos visível mas no deixa de ser um facto, é que a China é o primeiro país a sair da crise económica mundial, e a lever consigo o resto do mundo.

O progresso da China são mais espectaculares quando postos ao lado da linha do tempo. Os últimos trinta anos têm sido marcados por enormes transformações, principalmente nas cidades. Em 1979 vestígios da Revolução Cultural eram ainda evidentes, mas tornaram-se cicatrizes com a progressive democratização do sistema, centrado no desenvolvimento aconómico, encetado nos anos 80, e pontuado por por contra-campanhas lançadas pelos grupos neo-Maoistas na liderança do partido. Este padrão de convivência entre reformistas e radicais culminou nos incidente de 4 de Junho de 1989 em Tiananmen, quando a China “salvou” o regime da tendência que se vinha a acentuar da Europa de leste até à gigante Rússia: a queda do comunismo e a vitória do “western way of life” e do capitalismo.

Quando se pensava que o regime podia simplesmente implodir e desagregar-se lentamente, esse mesmo regime respondeu a essa “inevitabilidade” com crescimentos económicos anuais na ordem dos dois dígitos. Por cada um dos feitos conseguidos, deparam-se novos desafios. Um deles é o PIB per capita, que continua inferior ao de países como El Salvador, Turcomenistão ou Arménia, barómetro das desilgualdades que são ainda uma realidade, nomeadamente nas zonas rurais. Se os seus líderes se conseguirem adaptar às mudanças – como têm feito, e bem – esperam-se mais agradáveis surpresas, e novos avanços para o gigante asiático. Aqui em Macau só podemos esperar que sim, para o bem e progresso da região.

China: 100 cidades


Um olhar para a China urbana. Cem cidades de 28 provícias, provas evidentes do desenvolvimento de um país moderno, virado para o futuro.

Deng Xiaoping - 鄧小平


Se Mao fundou a China moderna, Deng Xiaoping abriu-a para negócio. O pequeno grande Deng sobreviveu a duas purgas e chegou à liderança do CCPCC em 1978, aos 74 anos. Implementou políticas de abertura que são hoje a principal razão do sucesso da economia da China. Normalizou as relações externas, criou as primeiras Zonas Económicas Especiais e idealizou o princípio "um país, dois sistemas" que vigoram actualmente em Hong Kong e Macau. Estabeleceu também a rotatividade do cargo de presidente do PCC, dez anos, de modo a não permitir a eternização no poder. A sua gestão ficou manchada com o episódio da Praça Tiananmen, em 1989. Faleceu em Fevereiro de 1997, meses antes de realizar o seu grande sonho: assistir ao regresso de Hong Kong à mãe-pátria. Quando Deng faleceu, entrevistaram um cidadão em Pequim que desabafou: "graças a Deng tive finalmente uma bicicleta". Pode parecer pouco, mas tem um significado enorme.

Mao Zedong - 毛泽东


Para muitos um visionário e o pai da China moderna, para outros um ditador responsável pela morte de milhões de pessoas, Mao Zedong é uma figura que não reúne consenso. Nascido em 1893 em Hunan, Mao ascendeu no início dos anos 30 à liderança do Partido Comunista Chinês (PCC), resistiu à ocupação japonesa e mais tarde afastou o Kuomitang do poder, fundando a RPC e unificando a China depois de mais de três séculos de desagregação. Implementou um plano de 5 anos entre 1953 e 1958 que deu resultados positivos, e de seguida iniciou o "Grande Passo em Frente", plano que visava a independência da China em termos da produção de aço, o que falhou redondamente e deixou o país à beira do colapso. Foi afastado do centro das decisões por Deng Xiaoping e Liu Shaoqi, mas em 1966 deu início à consolidação do seu poder através da Revolução Cultural, que deixou marcas profundas na China e serviu de inspiração, por exemplo, para os Khmer vermelhos do Cambodja. A sua morte em 1976 significou também o fim do Maoísmo, mas a sua imagem continua a ser respeitada em toda a China.

O Leste é Vermelho - 東方紅


"O Leste é Vermelho" é uma canção patriótica que foi de facto o hino da RPC durante a Revolução Cultural. Foi escrita por Li Yuoyuan, um camponês de Shaanxi, e a música é inspirada por uma canção folclórica local. Li teve a inspiração depois de ver o nascer do sol. A canção era tocada no sistema sonoro de cada cidade e aldeia de manhã e no fim do dia. As emissões televisivas começavam com "O Leste é Vermelho" e terminavam com a "Internacional Socialista". Os estudantes cantavam em uníssono todas as manhãs antes do início da primeira aula. Durante este período, Tian Han, autor da "Marcha dos Voluntários", foi preso, e a sua canção não foi usada.

Eu amo Beijing Tiananmen - 我爱北京天安门


"Eu amo Beijing Tiananmen" é uma canção patriótica infantil, normalmente ensinada a crianças, escrita durante a Revolução Cultural. A canção tornou-se rotina nas escolas primárias da China, e era cantada antes da Internacional Socialista e de "O Leste é Vermelho".

Nanniwan - 南泥灣


"Nanniwan" é uma canção patriótica escrita em 1943 pelo poeta He Jingzhi (贺敬之), e uma das canções mais conhecidas da China. Nanniwan é uma barragen a 90 km de Yan'an, província de Shaanxi. Como resposta ao bloqueio económico do Exército Imperial japonês em 1941, os comunistas organizaram um comité de produção de ópio, e começaram a produzir papoilas em pequena escala para conseguirems er auto-suficientes. A 359ª brigada do 8º exército foi mobilizada para ajudar na produção. Em 1943 Nanniwan foi declarada um sucesso, e a canção propagandística foi comissionada. A canção tornou-se muito popular durante a Guerra Sino-Japonesa e continuou a sê-lo depois da implantação da RPC em 1949. O músico Cui Jian (崔健), o "pai do rock chinês", criou uma versão rock em 1991.

Marcha dos voluntários - 義勇軍進行曲

Há 60 anos...