sábado, 11 de outubro de 2008

Auf Wiedersehen


Jörg Haider, o polémico governador da Caríntia, Áustria, e líder da Aliança para o Futuro da Áustria, faleceu esta manhã num acidente de viação. Haider tornou-se conhecido quando em 1999 o seu partido de então, o Partido da Liberdade, coligou-se com o Partido Popular de Wolfgang Schüssel, e formou Governo. Haider proferiu declarações polémicas, afirmando a sua admiração pelas SS nazi, e assumindo-se como líder da extrema-direita austríaca. Tinha 58 anos.

É muito natural


A crise da melamina em alguns produtos de consumo (leite, gelados, regrigerantes, etc.) alterou os hábitos dos consumidores locais. No supermercado aqui perto de casa, reparei hoje nesta simpática senhora que escolhia um pacote de sumo Compal, o que provavelmente não lhe passava pela cabeça fazer há alguns meses. Perguntei à proprietária deste supermercado familiar se tinha notado algumas diferenças. Disse-me que sim, e que alguns produtos portugueses tinham registado uma subida vertiginosa nas vendas, principalmente sumos e água do Luso, Alardo e Sete Fontes. Os produtos da Vita, Dairy Farm ou Nestlé registaram uma quebra, e os gelados produzidos na China "estão todos aí, ninguém leva" e na falta de leite Mimosa, o tal leite australiano tem vendido bastante bem. Mesmo a cerveja Haizhu, bastante popular entre os chineses e bastante barata (5 patacas uma garrafa de litro) tem sido substituída pela ligeiramente mais cara Tsingtao, que inspira mais confiança. Mas por falar em preços, um pacote de sumo Compal de maracujá custava 9.90 patracas antes da "crise", e agora custa 13.50. É muito natural.

Do Ya Think I'm Sexy?


Há trinta anos Rod Stewart tomava de assalto os topes ingleses com este "Do Ya Think I'm Sexy", uma música que é ainda uma referência, e uma das mais conhecidas do cantor. O que pouca gente sabe é que a música é um plágio de "Taj Mahal", de Jorge Ben Jor, que Rod Stewart terá ouvido quando esteve no Brasil. O cantor brasileiro ganhou o processo judicial e Rod Stewart aceitou doar todas as royalties do single à UNICEF. Um gesto bonito.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Arrefecimentos


1) Depois de um Setembro tórrido em Macau, temos tido uns dias bem amenos, os melhores do ano, antes da chegada do tão aconchegante frio. Começaram também a sair dos armários as roupas de Inverno (o povo reage logo), as botas, os casacos, as licras. Pessoalmente acho que as mulheres de Macau são mais bonitas "a frio".

2) A tal redução dos vistos individuais a turistas do Continente (porque teimam em chamá-los assim? Macau é uma ilha?) tem surtido os seus efeitos, para o pior (leia-se indústria hoteleira) e para o melhor. Fui ao New Yaohan duas vezes esta semana e dá-se logo pela diferença. Menos empurrões, mais espaço, menos tempo de espera pelos elevadores. Há males que vêm por bem...

Os blogues dos outros


O futuro da Electricidade de Portugal (EDP) no capital da Companhia de Electricidade de Macau (CEM) é incerto. Um administrador da empresa de Macau disse ao jornal 'Hoje Macau' não acreditar na continuação da EDP na RAEM. Em Lisboa, a empresa não confirma. Mas a não renovação de contratos de metade dos engenheiros portugueses acentua a ideia de que está de saída. O cônsul português já reuniu com a administração da CEM. Sem resultados. Os ingleses estão cada vez mais em Hong Kong. Nós, abandonamos tudo em Macau, incluindo a Escola Portuguesa.

João Severino, Pau Para Toda a Obra

amanhã há eleições legislativas na tailândia. hoje, desde as seis da tarde e até que fechem as urnas - 24 horas depois -, não podem vender-se bebidas alcoólicas. como me pareceu uma medida caricata, sobretudo para turistas que vêm passar uns dias a este belo país, perguntei ao porteiro do restaurante o porquê. respondeu que era à cause de uma lei que impõe a secura alcoólica. segundo ele, é uma óptima medida. as pessoas pensavam melhor antes de elegerem os seus representantes. e que não havia mal porque era só uma vez de quatro em quatro anos. perante as sábias palavras do tailândes, e apesar de ter acompanhado o jantar com ums limonada, quando se impunha uma jola fresquinha, dei comigo a pensar que seria uma medida muito boa caso fosse adoptada nalguns países. ninguém me tira da cabeça que o bush foi eleito numa bebedeira geral e que o sócrates foi eleito em ressaca - do santana lopes, está claro.

Santiago, MACA(U)quices

Considerando as proporções que o escândalo das casas da Câmara Municipal de Lisboa está a tomar, sugere-se que a letra da popular canção entoada por Milú no clássico da comédia portuguesa O Costa do Castelo, e retomada décadas mais tarde em versão rock pelos Xutos & Pontapés, seja alterada para: "Que saudades que eu já tinha/da minha alegre casinha/dada pela Câmarazinha/de um presidente amigo meu".

Victor Abreu, Jantar das Quartas

Ao contrário do que se diz, não é verdade que as mulheres sejam sensíveis às palavras. O que elas valorizam é o capital, sempre e só. Materialistas sem coração, o que lhes interessa é saber qual a sua cotação na bolsa. Por quantas valem se estão a pensar dispersá-las e quanto é que investem nelas. Sobretudo isso: quanto tempo, quanta paciência, quanta persistência, quantos planos quinquenais, em suma, quanta atenção. É segundo este racio que fazem as suas avaliações, apostas e previsões. De acordo com estes princípios as palavras, para elas, valem o que valem. A mesma palavra, proferida pelo mesmo agente, pode ter co(no)tações muito diferentes. Por isso "amo-te", o vocábulo cujo valor facial é consensualmente o mais elevado, segundo este rigoroso critério nunca é um activo seguro.

Teresa Ribeiro, Corta-Fitas

Parece que mulher a sério só lê o The Economist. Mulher que é mulher não revela nunca o mais pequeno laivo de consumismo, sob pena de nunca na vida ser levada a sério. De nunca vir a conseguir um bom emprego. De nenhum homem lhe pegar. Mulher que é mulher não sai à rua de blush na cara, que não viemos ao mundo para ser alvo de desejo sexual. Estamos aqui para ser iguais aos homens, e se eles sobem na vida sem usar saltos altos, então nós também.

apipocamaisdoce, A Pipoca Mais Doce

O argumento de que a Igreja Católica não fecha os olhos à SIDA porque defende o celibato ou a fidelidade, é falacioso. E é falacioso por duas razões: primeiro porque pressupõe que advogar o celibato ou a fidelidade é eficaz—não é; segundo, porque considera que a Igreja não pode/não deve fazer mais nada. Para mim, o ponto realmente importante é o seguinte: será que se a Igreja Católica defendesse o uso (em casos limite e cheios de advertências) de contraceptivos estaria a ser mais responsável? Eu acho que sim. O Papa e alguns Católicos, acham que não, porque estariam a trair os seus princípios e a mensagem da igreja. O meu problema com esta posição reside na forma como entendemos a noção de ‘responsabilidade’. Eu prefiro ser responsável perante a vida e as pessoas do que perante dogmas que quando são aplicados cegamente tornam-se intolerantes, insensíveis e crueis. Chamem-me ímpio, se quiserem.

João Galamba, Cinco Dias

São 13h25. Vinte e cinco minutos foi quanto demorou até que um dos três canais desse a notícia da atribuição do prémio Nobel da paz. Mas a RTP já passou uma muito mais relevante peça sobre uma sondagem que diz que se as eleições fossem hoje o PS ganharia.
Estranhas prioridades.


Arcebispo de Cantuária, Blogue Atlântico

Este é um país oficialmente feliz. Enquanto as bolsas mundiais se afundam, o Parlamento português discute costumes como quem deglute pastéis de Belém numa manhã de primavera. Temos - e teremos- tudo o que merecemos.

João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos

Ministros, oposições, economistas, analistas, palpitadeiros, todos têm uma palavrinha a dizer sobre a crise. Tentam minimizar os danos e aplacar o pânico. Evitam o desespero e o desatino dos investidores, dos clientes dos bancos, dos accionistas das empresas, dos pequenos e médios aforradores. Eu até já vi a Deco dar conselhos sobre o dinheiro depositado nos bancos...

Pedro Rolo Duarte, Pedro Rolo Duarte

Quin sân?


Os representantes do Conselho das Comunidades Portuguesas para a Ásia - Pereira Coutinho y sus muchachos - vai trazer alguns assuntos relacionados com Macau para o próximo plenário do C.C.. Além do pedido de uma máquina de emissão de passaportes para o Consulado Geral e a melhoria dos serviços das instituições portuguesas a funcionar no território, "mais protecção" para algumas famílias portuguesas desfavorecidas. A notícia tem sido muito comentada e levanta muitas dúvidas. Segundo Coutinho existem cem famílias portuguesas a "enfrentar dificuldades económicas", num total de 300 pessoas. Cidadãos nascidos em Macau, e mesmo alguns nascidos em Portugal". Responsáveis da Casa de Portugal e da Associação dos Macaenses desconhecem casos específicos, limitando-se a apontar que "alguns portugueses não vivem propriamente no luxo". A questão é esta: se estamos aqui a falar de famílias portuguesas metropolitanas ou macaenses, cem é um número demasiado elevado, sem dúvida. Se estamos a falar de portadores de passaporte português (portanto, "portugueses"), o número peca por escasso...

The China probrem


A série norte-americana da Comedy Central "South Park" está na sua 12ª série. Cada série é dividida em 14 episódios - sete em Março e Abril, sete em Outubro e Novembro. A série regressou aos ecrãs na quarta-feira depois das férias de Verão, e em grande estilo. A série é conhecida por lidar com temas actuais, e a actual crise económica será explorada muito brevemente. Só que enquanto esperamos, no último episódio intitulado "The China probrem", Eric Cartman assistiu à cerimónia dos Jogos Olímpicos de Pequim e ficou impresionado com o "poder" dos chineses. Teme que a China invada os Estados Unidos, e junta-se ao seu amiguinho Butters, vestem-se de chineses (como a imagem comprova) e toma de assalto um restaurante da P.F. Chang's (uma franchising sino-americana), faz reféns e quer obrigar os chineses a confessar os seus planos de invasão. Grande imaginação dos criadores Trey Parker e Matt Stone, sem dúvida.

Ahtisaari do alívio


O ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari, 71 anos, foi premiado hoje com o Prémio Nobel da Paz "pelos esforços para a resolução de vários conflitos internacionais nas últimas três décadas". Ahtisaari sucede assim ao norte-americano Al Gore. De recordar que um dos fortes candidatos à conquista do Nobel era o activista e dissidente chinês Hu Jia, e que a China afirmou que a sua vitória seria "uma grave ingerência nos assuntos internos do país".

Revolta de Wuchang


Passam hoje 97 anos desde a revolta de Wuchang, dia em que o Dr. Sun Yat-Sen proclamou a república na China, pondo termo à monarquia mais antiga da História.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Liberdade "a mais"


A propósito da crise da banca, parece que a PJ está a investigar os rumores que apontavam para a falência de algumas instituições bancárias do território, que há duas semanas originaram a corrida aos bancos por parte de milhares de depositantes, receosos de perder as suas economias. As investigações parecem estar a correr bem, e foram já interrogados alguns participantes de um fórum em chinês da internet onde se suspeita que os rumores tenham começado. Alguns dos utilizadores desse mesmo fórum já se defenderam alegando que apenas comentaram sobre o que ouviram, e que não foram eles os autores desses rumores. No seu editorial de hoje, o jornal Ou Mun acha que alguns utilizadores da internet têm liberdade "a mais", e que os autores de notícias inflamatórias devem ser punidos.

Aí está um conceito muito em voga hoje em dia: a liberdade "a mais". Quando deviamos estar a discutir a liberdade ou a privação dela, estamos a medi-la. Neste caso particular trata-se de encontrar um ou mais bodes expiatórios para aquilo que toda a gente sabe: a banca meteu a pata na poça, a ambição desmedida e a ganância levaram à falência do sistema, e há quem defenda que Marx tinha razão quando dizia que "o capitalismo entregue a si mesmo devorar-se-á". Não sei se é preciso ir tão longe ao ponto de citar Marx, ou dar-lhe razão, mas a crise ainda agora está no seu início e prevê-se que seja diariamente matéria para a actualidade informativa num futuro próximo.

Acredito que sempre se disse que há liberdade "a mais". O conceito de liberdade é intrínseco à condição humana e à própria evolução da espécie. Hoje em dia temos liberdades e garantias que seriam impensáveis há algumas décadas, quanto mais há alguns séculos ou mesmo milhares de anos. Basta lembrar que a convenção de Genebra sobre os direitos fundamentais do Homem foi apenas assinada em 1949, não há duzentos ou trezentos anos. Antes disso seria perfeitamente legítimo alguém que tivesse dinheiro, poder e estatuto dirigir-se a um pobre peão e rebentar-lhe os miolos "porque lhe apetecia", sem que tivesse que responder pelos seus actos.

Existe uma corrente que defende que os países colonizadores deviam indemenizar os países colonizados por atrocidades que foram cometidas há 400 ou mais anos. Só podem estar a brincar. Alguma vez passou pela cabeça de Gengis Khan compensar quem quer que fosse cada vez que pilhava e incendiava uma aldeia, decepando homens e crianças e brutalizando mulheres? Será que alguém se lembrou de responsabilizar a Igreja Católica pelas atrocidades cometidas nos últimos 800 anos, e que por algumas das quais só muito recentemente pediu desculpa?

O meu pai dizia que os jovens de hoje não sabem utilizar a liberdade que têm. A liberdade conquistada por si e pelos da sua geração, entenda-se. As lutas da juventude de hoje parecem sempre "ridículas" quando comparadas com as do passado. Eu que o diga, que me custa compreender algumas das reivindicações dos estudantes de hoje em dia. Só que não vou ao ponto de considerar que têm mais ou menos valor. Simplesmente não me dizem nada, e eles um dia vão sentir o mesmo. E assim se vão sucedendo as gerações, cada vez menos preconceitos, e mais contradições. Os que estão com os pés para a cova dão lugar aos novos, e tudo se renova.

Mas há quem não pense assim. Alguns dos combatentes de outrora acomodam-se, vendem-se, entregam-se áquilo que chama "pragmatismo". São os ex-hippies, agora yuppies, que não passam de uns yuckies. Começam as frases com "No meu tempo...", como se o tempo deles fosse o melhor de sempre, em que existia realmente uma causa, e que o combate deles era realmente o que interessava, pois afinal foi o que fez deles aquilo que são hoje. E muitos nunca contribuíram de forma sólida para isso. Falam com nostalgia dos tempos que levavam porrada da bófia, em que eram torturados, perseguidos, e quem os ouve a falar dos problemas de hoje até pensa que têm saudades desses "gloriosos" tempos.

A internet tem sido encarada como "um problema". Está ao alcançe do cidadão médio, que se ergeu da pintura nos muros ou dos jornais clandestinos que ninguém lia, e entrou na era digital. Os blogues e os fórums, criações mais ou menos recentes, tornaram a internet numa ameaça. A maior parte da imprensa (que como se sabe não é independente em parte alguma) considera-os uma ameaça. Alguns articulistas e opinion-makers, alguns que o são por cunhas, amizade ou convite, arrancam os cabelos de raiva porque há "amadores" a dizer de sua justiça, e pior que isso, "anónimos". Alguns políticos socorrem-se de uma faixa da população ignorante e analfabruta a quem as novas tecnologias ainda assustam, mas que também votam, para acenar com a "ameaça" que a liberdade de expressão representa aos seus tacanhos valores. E pior que isso, há quem defenda que ninguém tem o direito de se expressar livremente, pois temos "profissionais" encarregados de resolver todos os nossos problemas. Esses são os piores.

Tive a sorte de durante a minha vida ter sido abençoado com o aparecimento da auto-estrada da informação. Lembro-me dos meus primeiros anos em Macau ter-me sentido como um verdadeiro alienado, ausente do mundo, no marasmo que só o evento da internet me veio tirar. Quero acreditar que os meus filhos pensem o mesmo de mim um dia, que me considerem "brega" e desactualizado, e é muito mau deles que esteja eu mais a par das novas tecnologias que eles. Quero ser um velho rezingão, desconfiado da juventude e do progresso. Quero planear a minha velhice calmamente e que um dia sirva de banquete aos vermes enquanto os meus descendetes tomam conta do mundo. Como é maravilhoso, o tempo que passa. E que haja sempre mais liberdade, e não...liberdade "a mais".

A Conquista da China


Tomei conhecimento hoje através da secção de comentários da existência deste blogue, o A Conquista da China, da autoria de Micaklo (na foto), um dos jovens que está em Macau por dois anos a tirar o tal curso de tradução português-chinês. O blogue contém imensas curiosidades e o seu autor partilha esta (ainda) recente experiência por terras do Oriente do ponto de vista de um europeu recém-chegado, o que é sempre interessante de seguir. Para ele(s) um grande abraço e bem vindos a Macau, este território que no seio do grande gigante asiático não passa de um pequeno bairro. Um Bairro do Oriente. E boa sorte para eles, já agora! Fica o link à direita deste espaço, e voltem sempre.

Calças apertadas dão prisão


Mais de 35 jovens mulheres foram detidas no Domingo em Juba, Sudão, por usarem calças apertadas. Segundo as autoridades, as jovens estavam a "perturbar a ordem pública". A polícia afirmou que as detenções foram parte de uma operação que visava desmantelar um grupo de delinquentes que bebia, brigava e expunha-se em público. As mulheres foram libertadas na segunda-feira, sem culpa formada. Este é o episódio mais curioso com calças desde Ana Malhoa e as suas calças rasgadas.

Vai cair


A crise dos mercados vista por Maurício Ricardo, do Charges-Brasil. Uma adaptação do tema "Dentadura Postiça", de Raul Seixas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

23


Está aí novamente a discussão sobre o artº 23 da Lei Básica, comum às duas mini-constituições das RAE de Macau e de Hong Kong, o tal que diz, na sua versão portuguesa, que "A Região Administrativa Especial de Macau deve produzir, por si própria, leis que proíbam qualquer acto de traição à Pátria, de secessão, de sedição, de subversão contra o Governo Popular Central e de subtracção de segredos do Estado, leis que proíbam organizações ou associações políticas estrangeiras de exercerem actividades políticas na Região Administrativa Especial de Macau, e leis que proíbam organizações ou associações políticas da Região de estabelecerem laços com organizações ou associações políticas estrangeiras".

Em 2003 em Hong Kong fizeram ouvir-se protestos contra o artigo, que chegaram a levar milhares para a rua. Tudo ficou em águas de bacalhau até agora, que a vizinha RAEM se prepara para dar o exemplo, e a discussão tem iníco já este mês. Na edição de hoje do Hoje Macau o presidente da Associação de Advogados, Jorge Neto Valente, desvaloriza a controvérsia, afirmando que “a legislação não terá efeitos práticos em Macau”, enquanto Agnes Lam, auto-proclamada líder da maioria silenciosa que tem andado muito na berra, está preocupada com os eventuais atropelos a liberdades individuais que as leis produzidas pelo artigo possam emanar.

O artº 23 foi introduzido na Lei Básica como forma da China, à luz do princípio “um país, dois sistemas”, assegurar a soberania sobre as RAEs e evitar que estas servissem de base a associações ou movimentos anti-China. As dúvidas que o artº 23 suscita prendem-se sobretudo com o que se entende por “traição à Pátria” , “sedição” ou “subversão”, uma vez que isso da secessão (que entendo por separatismo), subtracção de segredos de estado ou organizações políticas estrangeiras não está ao alcance do cidadão comum. Por um lado a produção destas leis no território como forma de demonstrar a Hong Kong que afinal não há motivos para preocupações poderá ser benéfica para a RAEM, pois pode ver as leis ser apresentadas em versão mais soft, e até convidativa. Como disse, e bem, Neto Valente, é mais provável que a China siga o exemplo de sistemas mais abertos do que o contrário.

Por outro lado há que pesar outro factor. Quem vai produzir esta legislação? E quem vai aprová-la? É muito possível que com a mudança do Executivo já no próximo ano se dê uma autêntica dança das cadeiras, e que a política local tenha novos intérpretes nos dez anos seguintes. A questão é simples: é a legislação feita sensível e conscientemente a pensar no futuro e nas gerações imediatas, ou para quem cá fique pagar o pato? E é preciso não esquecer que alguma legislação na calha pode entrar em conflito com outras na própria Lei Básica.

Não consigo deixar de pensar nas palavras de Au Kam San aqui há uns tempos, quando disse que esta legislação não era urgente, uma vez que não haviam ameaças reais à estabilidade ou razões plausíveis para que fosse aplicada. Além disso a população local e o Executivo têm dado provas de fidelidade à China e ao Governo central, e as demonstrações de que o patriotismo "está bem e recomenda-se" têm sido evidentes. E no fim é preciso ter outro factor em conta. Era bom que Macau conseguisse manter e atraír para cá gente inteligente, independente e criativa – e isso não se consegue só com dinheiro. É que de gente amorfa e obediente temos a nossa conta.

Linkin Park não vêm


A banda californiana Linkin Park já não vai actuar na arena do Venetian no dia 21 deste mês. O vocalista Chester Bennington (na imagem) sofreu uma queda e uma lesão nas costas, e foi aconselhado por médicos a repousar. A banda tinha programados concertos em Xangai, Pequim, Wuhan e Taipé, além de Macau. A banda pede desculpa aos fãs, e a Cotai Venetian reembolsa a partir de hoje os bilhetes. Quanto aos fãs, nos quais não me incluo, têm de esperar por outra oportunidade. Paciência.

Islândia na bancarrota


A Islândia está à beira da falência. O país do Atlântico Norte, cuja economia depende maioritariamente do crédito (a banca detém nove vezes mais o PIB do país) não resistiu à crise financeira que abala o mundo, e o primeiro-ministro Geir Haarde fez um apelo inédito à nação, onde anunciou a grave crise e a nacionalização do Glitnir, o terceiro maior banco do país. A Rússia já se ofereceu para ajudar a Islândia com 4 mil milhões de euros. Os responsáveis do governo islandês lamentaram que os seus parceiros mais próximos, a União Europeia, não se tenha oferecido para ajudar. Quem diria, que a crise económica derrubaria o aparentemente sólido sistema financeiro de modelo nórdico...

Queda da bolsa

Dia da Independência da Croácia/Dan nezavisnosti


Festeja-se hoje o Dia da Independência na Croácia. Passam hoje 17 anos que o parlamento croata cortou todos os laços com a antiga Jugoslávia. Uma liberdade que todos sabemos bem o que custou. Ficam aqui algumas lindas imagens daquela república da Europa central.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Macau dos sobreviventes


Crise asiática, SRAS, gripe aviária, crise do leite, crise internacional dos mercados, eis que Macau é como um pequeno alvo onde, por vezes mais que uma ao mesmo tempo, acertam estas maleitas. Mas isso não é nada. A população de Macau até agradece, isto é que é o sal da vida. São sobreviventes natos, a sobrevivência está no sangue. Enquanto em Hong Kong os locais ligam muito ao estatuto e à aparência, e lá se suicidam ou cometem outros tipos de disparates, por causa de quedas na bolsa, insucesso escolar, e outros problemas de lana caprina. São uns finórios mal habituados, descendentes da fina flor da burguesia chinesa. Aqui em Macau levámos com o pessoal da pesada, os camponeses, os cules, os peões. Aqui é tudo man-man. Gente que não se deixa abalar pelas intempérides, que não desanima, que procura fazer do dia melhor que o anterior.

É malta que apanha dez avos do chão, que espreita para dentro de um caixote sem se incomodar com o cheiro, que arranja qualquer coisa que fazer nos feriados. Alguns ganham 5 ou 6 mil patacas por mês mas têm chorudas contas bancárias, duas ou três propriedades em seu nome. É gente que lutava enquanto outros desesperavam. Se um terço da população mundial vive com menos de um dólar por dia, o que é uma tragédia, aqui há quem prove que se consegue viver com pouco mais do que isso, e chama-se "boa gestão". Aqui os sinais exteriores de riqueza que tanto dão que falar no Ocidente transformam-se em sinais exteriores de pobreza, com a riqueza toda interiorizada nas contas de um banco.

Sobrou arroz do almoço? Há jantar. Está calor? Pagamos a electricidade mais cara do mundo? Abre-se uma janela. Ainda está calor? Dizem que suar faz bem à saúde. Não há autocarro? Vai-se a pé. E por falar em autocarro, adoro o pragmatismo com que a populaça encara um autocarro mais cheio que uma lata de sardinhas: cabe sempre mais um. Se os tempos são de crise, como agora, nada como um pouco mais de contenção, menos despesismo. Já aqui contei a história da dona daquela mercearia onde comprei um gelado da marca Dryer's por quinze patacas. A senhora comentou: "quinze patacas...com este dinheiro podia comprar duas caixas de arroz". Não satisfeita ainda por eu lhe estar ali a dar negócio, ainda me deu uma lição de economia "a la minuta". Sabes o que se faz com quinze patacas, seu idiota? Duas caixas de arroz. Uma refeição para uma família de três ou quatro. Ás vezes nem percebo como alguns supermercados conseguem fazer negócio.

Daí que tenha achado graça áquela senhora que se queixou de ter perdido um milhão de patacas em mini bonds da Lehmann Brothers (os tais irmãos Limão, principais responsáveis por este estado de coisas) e que queira que o Governo a compense! Coitada. Aí está um bom exemplo de quem sonhou demasiado alto. Com que então perdeu o milhãozinho porque achou que era seguro investi-lo. Se tivesse duplicado aquela pequena fortuna, ninguém tinha nada com isso e nunca se tinha ouvido falar da senhora. Terá aprendido a lição ou não? Da próxima vez invista o milhão...debaixo do colchão.

É do sistema


O deputado Pereira Coutinho acusou o Governo de querer ocultar as verdadeiras razões porque foram despedidos o mês passado pela DSE os dois professores, alegadamente por incompetência e incumprimento das suas obrigações profissionais. Curiosamente os professores foram agora re-admitidos, mas este emendar de mão parece não satisfazer o presidente da ATFPM, que considera o processo "incompleto". Segundo Coutinho existem no seio da administração lobbies, "que são parte do sistema", que decidem promoções, colocações e aumentos. Veja aqui a reportagem da TDM.

UEFA andou à roda


O Benfica e o Sp. Braga conheceram hoje os seus adversários na fase de grupos da Taça UEFA. O Benfica vai discutir um dos três lugares nos dezasseis-avos de final com os gregos do Olympiakos, os turcos do Galatasaray, os alemães do Hertha de Berlim e os ucranianos do Metallist Kharkov. Um grupo acessível para os comandados, mas sem pêras doces. O Braga tem uma tarefa mais complicada, pois vão ter pela frente o colosso AC Milão, os alemães do Wolfsburgo, e os carrascos de duas das equipas portuguesas: o Portsmouth, que eliminou o V. Guimarães, e os holandeses do Heerenveen, que bateram o V. Setúbal. Confira aqui o resultado completo do sorteio, do site da UEFA.

Chung Yeung (重陽節)


Hoje observa-se o Chung Yeung (重陽節), feriado em Macau, Hong Kong e Vietname (e em Taiwan como "Dia do Idoso", desde 1966). É um dia considerado particularmente aziago, uma vez que é o nono dia do nono mês do calendário lunar, e o número nove (九) é carregado de muito yang (陽). Reza a lenda que na antiguidade um professor muito sábio terá dito a um aluno que iria haver um desastre que afectaria a sua aldeia, e que deveria levar toda a sua população para o topo de uma montanha, e regressaria ao final do dia. Sem suspeitar de nada ou perceber bem porquê, o pupilo assim fez. Quando todos regressaram, ao final do dia, tudo o quee tinham deixado estava destruído: casas, animais, todos os bens. Outra lenda diz também que havia um rei que foi assassinado, e que a sua servente, habituada à boa vida do palácio, foi mandada para casar com um senhor abastado. Para lembrar os tempos em que trabalhava para o rei, bebia vinho de crisântemo e usava o zhuyu (茱萸), um vestido feito de uma planta que se acredita ter propriedades medicinais. A partir daí é tradição a população procurar o topo de montes, montanhas ou colinas, beber vinho de crisântemo e usar o zhuyu neste dia. Eu por mim fiquei cá pelo 20º andar. É também o segundo dia mais importante do ano para se prestar homenagem aos mortos, depois do Ching Ming (清明節), daí que se verifique uma afluência aos cemitérios. Um bom feriado do Chung Yeung para todos.

Dia do Compositor


Hoje, 7 de Outubro, celebra-se no Brasil o Dia do Compositor. E quando se fala de Brasil e de compositores, fala-se de António Carlos Jobim. Pois claro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Bons e maus hábitos


1) A população de Macau tem bons hábitos de saúde, nomeadamente nos hábitos alimentares, mas no entanto descura alguns aspectos da prevenção, segundo os resultados do primeiro Estudo de Saúde de Macau, divulgado hoje. Dulce Trindade, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, adianta que enquanto a população tem consciência de que uma alimentação saudável é importante, existem problemas com a obesidade e hipertensão. Segundo o estudo, a população não se previne contra os tumores (cancro em linguagem menos diplomática), a principal causa de morte em Macau, o rastreio de vários tipos de cancro é deficitário, e existe ainda alguma desinformação sobre o uso do preservativo. Veja aqui a reportagem da TDM.

2) Outro dos hábitos passa por falar mal. A selecção feminina de hóquei em patins do território perdeu hoje com a sua congénere da Alemanha por 31-0, depois de ter perdido ontem com a Argentina por 32-0. Resultados perfeitamente normais, atendendo à diferença entre experiência e condições de treino das argentinas e alemãs, e as atletas da RAEM. Só é pena que alguns responsáveis do desporto de Macau sejam tão mesquinhos e invejosos. Afinal, em que outro desporto Macau participa em campeonatos do mundo ao lado dos maiores atletas a nível mundial? Se perder por muitos tem assim tanta piada, aplica-se a velha máxima bem portuguesa: "diz o roto ao nu, porque não te vestes tu?".

Aumentos, porquê?


As tarifas dos autocarros em Macau vão aumentar vertiginosamente em 2009, sem razão aparente. Assim para as viagens dentro de Macau, a tarifa vai aumentar das 2.50 patacas, preço que se vem mantendo fixo há seis anos, para 3.5 patacas. Um aumento de 40%, sem que a qualidade do serviço tenha melhorado, ou que os preços dos combustíveis - cada vez mais em baixa - justifiquem. A viagem entre Macau e a Taipa, que custava 3.30 patacas, vai passar a custar 4.50 patacas. Se alguém acha que o aumento não é significativo, uma vez que os táxis também aumentaram, experimente andar num autocarro, apertado que nem sardinha em lata, de pé, e durante o dobro ou o triplo do tempo. Não se justifica, sinceramente.

Conversas com o meu filho (VII)


- Pai, o que é hoje o jantar?
- Calamares.
- O que é isso?
- Não sabes o que são calamares?
- Ah, já sei! É aquilo com queijo em cima, tomate, massa e carne no meio.
- (Depois de pensar um pouco) Não...isso são cannellonis.
- Ah, pois é...

Porto vence em Alvalade


O Porto foi ontem a Alvalade vencer o Sporting por duas bolas a uma, em jogo da 5ª jornada da Superliga portuguesa. Foi o terceiro "clássico" do ano, e a segunda derrota para os comandados de Paulo Bento. Lisandro López inaugurou o marcador aos 19 minutos, João Moutinho igualou na marcação de uma grande penalidade, mas três minutos depois Bruno Alves fez o resultado final, com este estupendo golo de livre directo. O Porto lidera a Superliga à condição, pois só hoje o Benfica vai ao Estádio do Mar jogar com o Leixões. Caso vençam, os encarnados igualam os dragões no topo da classificação, mas curiosamente, caso o Leixões vença, isola-se no primeiro lugar. A ver vamos, como dizia o cego...

domingo, 5 de outubro de 2008

Ruas de Macau


Uma visita mais demorada pelos arruamentos de Macau deixa-nos aprender um pouco mais da sua História. A quase todos os Governadores da antiga província de Macau foi dado o nome de um arruamento: Horta e Costa tem a sua rua e avenida, bem como o Ouvidor Arriaga e o Coronel Mesquita. Temos a Rua e a Travessa de Pedro Coutinho, a Avenida Lopo Sarmento de Carvalho (o governador das guerras com os holandeses), Avenida Tamagnini Barbosa, e mesmo os mais obscuros Almirante Costa Cabral ou Conselheiro Ferreira de Almeida têm uma rua e uma avenida em seu nome respectivamente. O benemérito Nobre de Carvalho tem uma ponte em seu nome, bem como uma Estrada na Taipa, enquanto o infame Ferreira do Amaral tem nada mais que uma Rua, uma Praça, uma Estrada e até um Istmo.

Já os Presidentes da República têm menos sorte. Existe um Largo do General António Ramalho Eanes em Coloane, merecidamente, uma vez que além de ter cumprido o serviço militar em Macau, o General assinou em 1985 em Pequim a declaração conjunta. O marocas, querido do povo, viu uma das principais avenidas do território baptizada com o seu nome, a Avenida do Doutor Mário Soares, onde fica o Edifício do Banco da China. O marechal Gomes da Costa tem uma rua lá para o Patane. Dos presidentes mais antigos temos a Rua de Manuel Arriaga, e a Avenida Sidónio Pais. O Professor António de Oliveira Salazar tinha até ao 25 de Abril uma Avenida em seu nome, que passou depois a ser simplesmente Avenida da Amizade.

O evento da República tornou a Rua Nova d’el Rei em Rua Cinco de Outubro, mas continua a existir a Avenida D. João IV, que juntamente com a Estrada D. Maria II, são a únicas com nome de monarcas. A Praça de D. Afonso Henriques não conta, sendo o fundador da nação lusitana um “natural”. Os descobrimentos não ficaram de fora. Assim temos a Avenida do Infante D. Henrique, a Rua de Fernão Mendes Pinto (uma em Macau e outra na Taipa), a Rua Afonso de Albuquerque e o Jardim Vasco da Gama. Não podia faltar, é claro, Jorge Álvares, com uma rua e uma praça em seu nome. Da literatura, Luís de Camões tem uma praça e um Jardim em seu nome, enquanto Bocage tem uma rua. Já Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, por exemplo, não tiveram tanta sorte.

O clero encontra-se fortemente representado; além das ruas, becos, travessas e afins com nomes de santos (S. Paulo, S. Pedro, S. João, S. Miguel, S. Nicolau, S. Roque, S. Francisco Xavier, etc. mas não S. Pedro, curiosamente) temos arruamentos baptizados com os nomes do Padre António, Padre António Roliz, Padre Eugénio Taverna, Padre João Clímaco, Padre Luís Fróis, Padre Narciso, Padre Soares e Padre Vasconcelos, em Macau, Padre Estevão Eusébio Sítu e Padre Tomás Pereira, na Taipa. Madres, curiosamente, só uma, a Madre Terezina e mais nenhuma.

Das personalidades de Macau destaca-se a Rua Pedro Nolasco da Silva, em homenagem ao maior macaense de sempre. O Dr. Carlos D’Assumpção tem uma Avenida em Macau e uma Rotunda na Taipa, o Dr. Pedro José Lobo uma rua, enquanto Adé dos Santos Ferreira foi homenageado com um Passeio em seu nome (?). Depois os personagens de que a história se esqueceu, mas o nome da rua ficou. A Travessa do Paiva - cuja história já foi contada no blogue anterior - a Travessa do Abreu ou a Calçada do Januário.

Os chineses estão bem representados, com a Avenida do Comendador Ho Yin, pai do actual chefe do executivo, a Avenida de Xian Xing Hai, em homenagem ao compositor autor da “Cantata do Rio Amarelo”, e nascido em Macau, e mesmo uma Avenida do Dr. Sun Yat-Sen em Macau, e outra na Taipa. Depois há os personagens menos conhecidos: Lam Tac Un, Ho Cóng Loi, Lai Chi Vun ou Ho Chin Sin Tong. O milionário Lu Cao tem uma rua em seu nome, em Macau, e uma pomposa Estrada de Lou Lim Ieoc, na Taipa. O Dr. Stanley Ho fica com o nome paraa posteridade gravado num dos novos arruamentos, uma Avenida que se atravessa por toda a Praia Grande.

Por falar em arruamentos novos, na Taipa optou-se por um sem número de nomes de cidades portuguesas. Assim temos as ruas de Bragança, Aveiro, Braga, Évora, Guimarães ou Lagos. Em Macau, além da velhinha Avenida de Lisboa, onde fica situado o Hotel com o mesmo nome, optou-se por uma toponomástica mais internacional. No NAPE temos a Rua de Bruxelas, de Madrid, de Paris ou de Berlim. As únicas excepções parecem ser a Rua da Cidade do Porto e da Cidade de Santarém. De cidades chinesas há ruas a dar com um pau: Pequim, Xangai, Cantão, Foshan e Kunming. Do resto da Ásia temos as ruas de Goa, Malaca e Nagasaki.

A recente organização por Macau de alguns eventos desportivos internacionais e a construção das respectivas infra-estruturas originaram uma Avenida Olímpica, uma Rotunda da Piscina Olímpica, uma Avenida do Estádio e uma Rua do Desporto, tudo na Taipa. Os animaizinhos têm várias homenagens: Beco do Porco, Beco e Escada do Caracol, Beco das Galinhas e uma tal de Travessa das Galinholas, e até uma Rua do Pato, no tardoz do Consulado Geral de Portugal, Calçada do Galo, Beco do Ganso, Travessa do Gafanhoto, entre outras.

Depois há as ruas com nomes mais curiosos: a célebre Travessa da Chupa, e a Travessa da Boceta, que os brasileiros acharão mais graça. Depois há as ruas mais personalizadas; a malta da passa pode procurar a Rua da Erva, o Beco do Tabaco, a Travessa do Gelo ou o Beco da Agulha, nos casos mais graves. Os alcoolicos de Macau preferirão o Beco da Pinga, e os da Taipa a Travessa da Pipa, enquanto os preguiçosos podem optar pela Estrada do Repouso, a Alameda da Tranquilidade ou a Praceta da Serenidade. Os mais supersticiosos deverão evitar a Travessa ou o Pátio da Boa Morte, os mais azarados a Escada do Quebra-Costas, e as criancinhas não vão gostar de visitar o Beco Escuro (aqui ao pé de casa, curiosamente). Quem não gosta de ser assaltado deve evitar a Travessa dos Ladrões (Taipa) ou a Azinhaga dos Piratas (Coloane), principalmente se já viveu na Rua da Prosperidade ou na Rua da Riqueza (ambas na Taipa).

No final há quem tenha a sorte de poder chamar morada à Travessa dos Currais, à Travessa dos Ovos, ao Pátio do Mungo, à Rua do Peixe Salgado, Travessa das Lindas, Travessa da Escama, Pátio do Gordo e outros nomes que puxam pelo imaginário de cada um. Mas no fim, como ninguém é eterno, todos envelhecemos, e quem sabe se acabamos na Rua do Asilo, na Rua da Mitra, no Pátio dos Velhos, ou mesmo na Estrada do Cemitério. Há que manter acesa a chama da Rua da Esperança e ir sempre em busca da Rua da Felicidade. Isto é que é uma Calçada das Verdades.

Trinta e dois secos


A selecção feminina de hóquei em patins feminina de Macau estreou-se a perder por 32-0 com a Argentina, no primeiro jogo do mundial da modalidade, a realizar-se no Japão. As comandadas de Alberto Lisboa estavam inicialmente no grupo da equipa da casa, da França e de Portugal, mas a desistência do Brasil obrigou a organização a reformular o torneio, e Macau acabou no Grupo da Argentina e Alemanha. As macaenses jogam amanhã com as alemãs, num jogo em que se espera que a diferença de golos seja inferior. Aliás, só pode...

Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón


"Pepi, Luci y Bom, y otras chicas del montón" foi o primeiro filme do conceituado realizador espanhol Pedro Almodovar, realizado com um orçamento de um milhão de pesetas, em 1980, e produzido e distribuído pela desconhecida Fígaro Films, S.A.. E em boa hora, diga-se em abono da verdade. O filme, considerado a viragem no cinema espanhol, explora o submundo de Madrid, poucos anos depois do fim da ditadura franquista, o que se considerava impensável.

Pepi (Carmen Maura, a diva de Almodovar) é uma herdeira desempregada, que passa os dias a ouvir rock e a cuidar da sua plantação de marijuana. Um dia é violada por um polícia (Félix Rotaeta), e perde a sua virgindade, que planeava vender por 60 mil patacas. Jura vingança, e para tal conta com os elementos de uma banda punk, os Bomtoni, onde pontifica a sua amiga Bom (Olvido Gara), uma adolescente lésbica. Bom seduz a mulher do polícia, Luci (Eva Siva), uma masoquista, e fogem juntas. No fim Luci volta ao marido, porque este, que a tratava como se fosse sua mãe, lhe começa a bater.

Praticamente todos os elementos dos futuros elementos dos filmes de Almodovar estão presentes neste filme: as drogas, o desemprego, a exclusão social, a juventude rebelde que desperta de uma era de marasmo e opressão. Não faltam as cenas mais ousadas, os gays, os travestis e as bandas alternativas com que Almodovar sempre manteve uma complicidade próxima. O filme saíu em DVD apenas o ano passado, e recomenda-se vivamente. Quem sabe se um ciclo de filmes do realizador espanhol seria uma boa ideia para as noites de sexta-feira da TDM, em vez daqueles intragáveis filmes portugueses?

Dia da República


Passam hoje 98 anos desde o evento da República em Portugal. Parabéns à República Portuguesa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Leituras


- No Hoje Macau, Carlos Picassinos fala do primeiro aniversário da morte do jovem Luís Amorim, e do que ainda não foi feito para se descobrirem as verdadeiras causas dessa tragédia, bem como do artº 23, em editorial da passada terça-feira.

- No JTM, Leonel Barros fala da medicina tradicional chinesa, em Farmácia Chinesa.

- Rodolfo Ascenso, director do Macau Daily Times, inaugura esta semana um espaço de opinião no JTM, e fala das manifestações, em Manifestações em crise.

- Ainda no JTM, Nuno Lima Bastos fala do futuro da comunidade portuguesa em Macau, em Nós em Macau.

- N'O Clarim, semanário da Igreja Católica, José Miguel Encarnação fala dos M&M's, da melamina e do aeroporto, em Rimas.

- A propósito do Clarim, fiquei a saber que o seu director, Pe. Albino Pais, recupera de um acidente de viação no Hospital Conde S. Januário. Para ele os votos de rápidas melhoras.

Bom fim-de-semana!

Hot Kebab





O restaurante take-away Hot Kebab 2 fica na Rua da Alfândega (o Hot Kebab 1 fica na Rua Pedro Nolasco da Silva), perto do jornal Va Kio. Ali pode levar para casa os melhores sabores da cozinha do médio-oriente: os kebab, as shawarma, os falafel, entre outros. O preço também é convidativo (77 patacas por tudo isto) e, porque não dizê-lo, já fazia falta uma alternativa destas.

Putaoya para os putaoya ren


O Partido Nacional Renovador (PNR), o partido das cabeças ocas e rapadas, montou mais uma barraca em Lisboa. Desta vez um cartaz em que se vê uma ovelha branca a expulsar de Portugal as ovelhas negras da criminalidade, desemprego, multi-culturalidade (!?), baixos salários, etc., numa referência clara aos imigrantes. Esqueceram-se foi ainda de colocar outras ovelhinhas brancas, como a do abandono escolar, da corrupção, do clientelismo, da burocracia ou da evasão fiscal. Eu até concordo que se expulsem os criminosos do país usando a sua nacionalidade como critério, sim senhor. Mas como a criminalidade não é exclusivo dos africanos, ciganos, ucranianos, moldavos ou brasileiros que o PNR tanto odeia, se calhar iamos ter o país entregue...aos chineses. E não me venham com a história do leite contaminado, pois afinal só lá ficavam mesmo os chineses para bebê-lo. Se calhar não era mau. Viva Putaoya!

Regresso ao passado: Italo-disco


A moda do italo-disco, ou europop, teve seu início nos primeiros anos da década de 80, e estendeu-se até ao final dos anos 80. Um dos pioneiros foram estas alemãs Arabesque, que contavam com Sandra Lauer Cretu, casada com Michael Cretu (fundador dos Enigma), e que encetou também por uma carreira a solo com grande sucesso. Outros fenómenos do italo-disco que tiveram sucesso em Portugal nos meados da década de 80 foram os austríacos Joy, os alemães Modern Talking e o irlandês Baltimora. Da Itália propriamente dita chegavam Sabrina Salerno e os seus volumosos peitos, os Scotch, Spagna e Silver Pozzoli. Os temas revesavam-se no primeiro lugar do top português naquele Verão de 1987, e havia quem pensasse que era ali que a música ia ficar para sempre. Sabe bem recordar...

La Puerta de Alcala


Madrid, Verão de 1986, a minha primeira visita a Espanha, e logo a Madrid. Num supermercado encontro o single em velhinho vinil deste "La Puerta de Alcala", de Ana Belen e Victor Manuel, que era o #1 dos tops espanhóis na altura. Comprei sem nunca ter ouvido a música. A curiosidade valeu, e não me arrependi nada das duzentas pesetas gastas no disco. A recordar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O homem da máscara de ferro


O deputado eleito à AL e presidente da ATFPM José Pereira Coutinho voltou a estar em destaque esta semana, quando organizou no último Domingo dia 28 uma pequena marcha até à sede do Governo que contou com a participação de cerca de 600 funcionários públicos. Desta vez a iniciativa teve a nuance da maioria dos seus participantes terem a cara tapada por máscaras cirúrgicas, com receio de eventuais represálias das suas chefias.

Pereira Coutinho, macaense, fiscal da Direcção dos Serviços de Economia, estudou direito na UMAC, exerceu primeiro o cargo de vice-presidente da ATFPM ainda nos tempos da Administração Portuguesa, e mais tarde presidente. Concorreu às eleições para a AL em 2001 tendo ficado perto de assegurar um lugar. Concorreu em 2003 com uma lista para o Conselho das Comunidades Portuguesas, tendo vencido sem quaisquer dúvidas. Em 2005 chegava finalmente à AL, novamente contando com o voto dos funcionários da Administração, que são a força laboral do território em maior número (perto de 20 mil).

Recentemente JPC especulou sobre uma eventual recandidatura à AL, o que parece ser mais que certo que aconteça. Pereira Coutinho, quer se goste ou não dele, tem desde a primeira hora dado a cara pelos direitos dos funcionários públicos, um grupo que tem reivindicado desde há vários anos por direitos que alegam ter vindo a perder desde a transferência de soberania.

Conheço pessoalmente Pereira Coutinho, conversei com ele em algumas ocasiões. Parece-me uma pessoa com um carácter bem vincado, com tiques de político, com todos os defeitos que isso acarreta. Alguém que está nestas lutas como um peixe na água. As críticas de JPC são dirigidas principalmente à secretaria para a Administração e Justiça, que segundo ele tem retirado aos FP direitos básicos. O descontentamento é evidente, e é mesmo possível que a sua lista venha em 2009 a eleger um segundo deputado.

Faz parte, juntamente com operários (às vezes) e democratas (quase sempre) de um grupo de desalinhados na AL com as políticas do Governo, nomeadamente as que têm a ver com os trabalhadores. Apresentou uma proposta para a revisão da Lei Laboral que foi recusada. É parte de uma oposição dentro da AL que praticamente não existe. Outra questão interessante que se levanta: é Pereira Coutinho o representante político por natureza da comunidade portuguesa (e macaense, entenda-se)? Não sei responder, mas basta olhar para os resultados das últimas eleições para que se aperceba da derrota esmagadora da lista que se dizia representar realmente essa comunidade, com a participação - ou falta dela - que se conhece da nossa comunidade na política do território.

Alguma imprensa (e a imprensa quer-se sempre imparcial) tem movido uma guerra sem quartel a Pereira Coutinho, chegando mesmo a recorrer ao insulto gratuito e ataques nem sempre bem identificados, como se de uma encomenda se tratasse. Isto de dar a cara - e falo com conhecimento de causa - é para quem quer ou para quem está para se chatear com isso. Alguns dos maiores escritores da história escreveram sob pseudónimos (Mark Twain, Lewis Carroll), mas agora atacar alguém por não dar a cara, não dando ele próprio a sua cabe no âmbito do ridículo que cada um quer para si.

Os blogues dos outros


Nada melhor do que ir à raíz do problema... A nova publicidade chinesa encontrou a maneira de descansar os consumidores quanto à insegurança do leite. "Compre uma casa, oferecemos uma vaca" é o novo slogan que garante que com a casa nova, vem também o leite original. O dono da casa torna-se também dono de uma vaca que será a sua única fonte de leite. Ao que parece a vaca não fica dentro do apartamento... Há uma pessoa responsável por tomar conta da vaca para o senhorio e entregar leite em casa... exclusivo da sua vaca como é bom de ver. Como adoramos esta originalidade chinesa!

Maria João Belchior, China em Reportagem

Como se o marxismo tivesse algum dia, alguma coisa de chinês ou uma conecção ainda que remota com o pemsamento de Confúcio e dos grandes pensadores chineses. Quanto se esquece que o marxismo é uma invenção ocidental trazida para a China pelo delegado para a Asia do Komintern soviético, que a mando de Estaline, tudo fez para frustar qualquer hipótese de união entre os comunistas e os nacionalistas.

Arnaldo Gonçalves, Exílio de Andarilho

Ao ver as tristes notícias de que o (des)governo português prepara para breve o reconhecimento da autoproclamada "independência" do Kosovo, lembro-me da série televisa Battlestar Galactica e dos cylons, que perante o que lhes era ordenado respondiam pronta e metalicamente "By your command" — tal é a atitude de máquina obediente deste executivo face aos ditames de Bruxelas e de além-Atlântico.

Duarte Branquinho, Jantar das Quartas

Em 1992 senti na pele, na Austrália, o que é uma recessão. Não vou pormenorizar a desgraça que foi. Apenas vos digo que é uma experiência chocante no pior sentido. Por exemplo, vizinhos que batem à porta uns dos outros a mendigar algo que se possa comer. Filhos que se retiraram dos colégios por impossibilidade de pagamento. Fábricas que encerravam todos os dias. Centenas de restaurantes com mais de duas décadas de serviço que fecharam as portas de um dia para o outro. Stands de venda de automóveis que desapareceram no espaço de um mês. Médias e pequenas empresas que se evaporaram. Advogados, engenheiros e arquitectos que encerraram os escritórios e milhares de pessoas que debandaram para outras paragens. A recessão económica é de tal forma traumatizante e injusta que só desejo que não chegue a Portugal. Seria mau demais para ser verdade num país onde ainda há dias os governantes anunciavam que íamos de vento em popa...

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Do tempo dos especuladores e dos jogadores de Casino, é pedido que se volte ao tempo dos empresários, da iniciativa responsável com risco de cabedais particulares; nunca a jigajoga a que assistimos ao longo dos últimos quinze anos e que se apresentou sob o nome de "globalização". Restaurar fronteiras económicas não implica contradição com as premissas do capitalismo. A história confirma que o capitalismo funciona alternadamente entre períodos de protecção ao tecido produtivo e períodos em que, para crescer, pede menor vigilância. O capitalismo é dinâmico e confundi-lo, apenas, com a finança é desconhecer que o capitalismo oferece melhores condições para a realização da felicidade e, necessariamente, da justiça.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

A discussão acerca da presente crise financeira tem, por vezes, falado de fraudes, burlas, burlões e vilões. É um pouco a maneira portuguesa de pôr as coisas. Trata-se, porém, de um preconceito cultural e que, em geral, não ajuda nada à discussão. Os portugueses, no entanto, ficam felizes quando apontam o dedo, nem que seja para o ar.

Pedro Arroja, Portugal Contemporâneo

Falemos um pouco de política, para variar. Tzipi Livni prepara-se para ser a primeira-ministra da Israel. A segunda, desde Golda Meir. E a primeira que não parece um homem.

Pedro Correia, Corta-Fitas

sim, vi o jogo do porto. sim, ri-me muito. quer dizer, aquilo não foi bem o porto. aquilo era uma mistura entre a defesa do benfica, o ataque do sporting e o guarda-redes da selecção nacional.

João Gaspar, Last Breath

Meu querido pastel de nata


A companhia Kanematsu Corporation, do Japão, encontrou vestígios da tal melamina em produtos congelados, que se apurou serem "Macau egg tarts", fabricadas na província de Cantão. Ainda bem que esta porcaria dos "egg tarts", que não passam de um miserável sucedâneo dos nossos queridos pastéis de nata, feitos com nata branquinha em vez da nojenta "custard" inglesa com que nos habituaram aqui em Macau, passam incólumes a tudo isto. Prefira sempre os pastéis de nata originais, os de Belém e os seus pares. Diga não às "egg tarts". Cuidado com as imitações impõe-se, pois então.

Benfica e Braga seguem em frente


O Benfica qualificou-se para a fase de grupos da Taça UEFA ao bater ontem em casa o Nápoles por 2-0, depois de um derrota 2-3 em Itália. Os golos foram apontados por Reyes - cada vez mais em evidência nos encarnados - e Nuno Gomes. O Benfica cometeu a proeza de ter sido a única equipa a eliminar uma das equipas italianas em prova nas competições da UEFA. Quem faz companhia ao Benfica é o Sp. Braga, que se desembaraçou facilmente dos eslovacos do Artmedia. Depois da goleada 4-0 em Braga, foi à Eslováquia vencer por duas bolas a zero.

As restantes equipas portuguesas não tiveram tanta sorte. O V. Guimarães ainda conseguiu levar a decisão da eliminatória contra os ingleses do Portsmouth para prolongamento, depois de anular a desvantagem de 0-2 trazida da 1ª mão, mas dois golos do gigante Peter Crouch decidiram para o Pompey. O Marítimo ainda chegou a sonhar, pois esteve a vencer em Valência por 1-0 até 10 minutos do fim, com golo de Marcinho. Mas Del Horno empatava para o onze "che", e David Villa selava a vitória por 2-1 no último minuto, na conversão de uma grande penalidade. O V. Setúbal foi inapelavelmente goleado por 5-2 nos Países Baixos, frente ao Heerenveen. Os holandeses voltam assim, dois anos depois, a ser os carrascos dos sadinos. O sorteio da fase de grupos realiza-se terça-feira.

Ghost Town


O novo filme com Ricky Gervais, da fama da série original britânica "The Office". Os fantasmas mais cómicos do ano.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Como é Macau? Venha cá ver!


Nós que andamos aqui pelo Oriente sabemos o que custa estar tão longe da família e dos amigos. Se os primeiros até nos toleram tudo, já os outros são muitas vezes “da onça”, e aqueles que nunca estiveram em Macau têm um conceito pré-definido (um…preconceito?) de como é esta cidade à beira-China plantada, e da Ásia em geral. Sempre que me perguntam “e como é Macau?”, respondo sempre “é bom…o que quer saber exactamente?”. Pode parecer um pouco rude, mas sempre evita alguns embaraços. O tuga médio é, em geral, desconfiado e incrédulo. O padroeiro de Portugal devia ser S. Tomé, o tal que só crê no que vê. Todo o resto ou são mentiras ou exageros. Basta atentar a um dos maiores cronistas da nossa história, Fernão Mendes Pinto, que narrou uma vida inteira de fantásticas aventuras, e a quem teimam chamar mentiroso. Existem três tipos de curiosos: os preocupados, os invejosos e os brincalhões.

Os preocupados são o grupo que, com uma noção básica da geopolítica de Macau (território actualmente sobre administração chinesa) e da China (de que nunca se fala pelas melhores razões) metem os dois no mesmo saco. Quando estive em Portugal há uns anos, já depois da transferência de soberania, entrei com a família numa loja de malas em Lisboa. O simpático casal olhou para nós e perguntou de onde vinhamos. Respondi “de Macau”, e imediatamente fizeram uma casa de preocupados e perguntaram: “ah…e como está aquilo por lá”. Respondi que estava tudo bem, o que fez o casal respirar de alívio. Provavelmente imaginam um local cercado, onde reina a opressão e a ditadura, e onde há fome. Os preocupados ouvem as notícias preocupantes de Macau (cada vez menos, por sinal) e apressam-se a ligar para cá (os que têm cá família ou amigos). Basta lembrar o que se passou em 1993 com o tufão Becky, que segundo os serviços noticiosos em Portugal, “destruíu Macau”.

Já os invejosos, normalmente um grupo muito mal informado de patetas com empregos miseráveis, acham que em Macau toda a gente é rica. Que temos tudo facilitado, que basta ser português para arranjar um bom emprego, que cada vez que precisamos de dinheiro basta passar pelo casino e buscá-lo. Para o invejoso vamos a Portugal e gastamos “dinheiro de Macau”, e se nos queixamos de alguma coisa ou tentamos explicar que Macau não é nenhum paraíso e que é preciso trabalhar a sério, responde com qualquer coisa do género “Ai é? Então para ficares mal mais vale voltares para a tua Terra”. Não há maneira de agradar ou convencer o invejoso. Se acreditasse realmente no que pensa e no que diz, já há muito que tinha feito as malinhas e vindo para cá, “ficar bem” como nós.

Finalmente o pior grupo, e o mais numeroso: os brincalhões. Estes nunca foram a Macau, nem lhes interessa. Os mais endinheirados preferem passar férias em Cuba, Punta Cana, Fortaleza ou qualquer outro sítio que tem muito menos a ver com o ser português que Macau. Esta região do mundo “diz-lhes pouco”. E ainda bem. Quando estive há uns anos em Malaca e os únicos portugueses que lá vi eram fáceis de identificar. Berravam, falavam português com toda a gente que encontravam (curiosamente falaram inglês comigo, mas não me identifiquei…) tiveram fotografias a torto e a direito e tudo era “tão giro!” Para eles toda a gente que esteve em Macau ou mente ou exagera sobre o que conta. Que o digam os que optaram pela integração nos quadros da Repúlica, que ao contar as maravilhas de Macau aos novos colegas são sempre recebidos com um “Ai sim? Ai é? Não me digas”. Viram-lhes as costas e começa o corte e costura. Começam a ouvir bocas que culminam sempre com um "olha lá vem o petas de Macau". Se entram em conflito com um colega levam logo com um "está mal habituado, aqui não é Macau". Como hoje é o dia da não-violência, é difícil sugerir como tratar com os brincalhões.

Como conclusão, o melhor mesmo é deixar o que se sabe de Macau na conta bancária, nos móveis de casa (o tal Pau-rosa que estala com o tempo seco) ou os recuerdos que se trouxeram de Macau. Mesmo estes últimos já podem ser adquiridos facilmente em qualquer loja de chineses de Corroios ou da Bobadela. Querem saber como é Macau? O melhor é virem cá ver. Surpreendem-me os dados da Direcção de Serviços de Turismo que todos os anos indicam um aumento do número de visitantes de Portugal? Será só de passagem? Claro que há os residentes de cá (os mais desocupados) que convidam os amigos, mas eu pessoalmente não conheço ninguém que tenha vindo a Macau...de férias.

Agora o Higos


Este tem sido um no profícuo em tempestades tropicais. Agora é o tufão Higos que se aproxima do mar do sul da China, e em Hong Kong já está içado o sinal nº 1. Ficamos a torcer para que o Higos não nos estrague o fim-de-semana...

A fé de Nuno Valente


O futebolista Nuno Valente comprou 100 bilhetes do EuroMilhões numa loja em Sainsbury, Liverpool, noticiou hoje o Daily Mirror. De acordo com o dono da loja, o internacional português ao serviço do Everton demorou perto de 20 minutos a fazer a transação, o que irritou os restantes clientes. "Foi bastante engraçado", confidenciou o comerciante. É caso para dizer que o português está cheio de fé em conseguir reformar-se mais cedo, ou o que o Everton lhe paga...não chega.

Outubro suave


Perto de 300 pessoas representando 4 associações manifestaram-se ontem em Macau, pedindo ao Governo que tenha mão na importação de mão-de-obra estrangeira, que combata a mão-de-obra ilegal e que resolva rapidamente o problema da habitação social, e ajude as famílias que não conseguem suportar o inflacionado preço das casas. Uma manifestação menos concorrida que a do ano passado, que teve direito a uma bandeira da China em tamanho família, e honras de hino nacional. De recordar que o ano passado a manifestação contou com centenas de motociclistas que se insurgiram contra o novo Código da Estrada, que entrou em vigor em 1 de Outubro do ano passado.

Não à violência


Comemora-se hoje, dia 2 de Outubro, o Dia Mundial da Não-Violência, que coincide com a data de aniversário de Mahatma Gandhi, que nasceu neste dia em 1869. Um dia para lembrar que, afinal, a violência não é solução para nada. Aproveite este dia para resolver qualquer conflito de forma pacífica: o amigo que ainda não devolveu aqueles cem paus, o colega que anda armado em bufo do chefe, a vizinha que pendura sempre a roupa molhada por cima da sua já quase seca. Valeu?

Dia da batata


Hoje é o 11º dia do Vendémiaire, o primeiro mês do calendário republicano francês. É um dia dedicado à batata (Pomme de terre), esse tubérculo que faz parte do nosso imaginário, indispensável na culinária portuguesa em particular, e mediterrânea em geral. A batata é indicada como solução para a crise alimentar mundial, face ao aumento do preço dos cereais.

Hoje vamos celebrar a batata, começando o dia com um chá de casca de batata. Ao almoço batatas recheadas (com batata) e puré de batata. Para o lanche uma batata doce, para o jantar filetes de batata com batata frita, tudo com muito molho de batata, e para a sobremesa um pudim de batata. Viva a batata!

Sporting vence Basle


O Sporting venceu ontem os suíços do Basle por duas bolas a zero em jogo da 2ª jornada do Grupo C da Liga dos Campeões. O Basel, equipado "à Barcelona", não resistiu à segunda parte dos leões, que inauguratram o marcador através de um autogolo bastante esquisito, como documenta o vídeo. Derlei fez o segundo golo a três minutos do fim, dando mais colorido à primeira vitória do Sporting nesta edição da Champions. O Barcelona propriamente dito foi a Donetsk, na Ucrânia, vencer o Shaktar por 2-1, com Lionel Messi a marcar dois golos nos últimos 5 minutos, depois da equipa catalã ter ficado em desvantagem já na segunda parte.

No Grupo A o Chelsea foi à Roménia empatar a zero com o sensacional CFR Cluj, que lidera o grupo a par dos comandados de Luiz Filipe Scolari, enquanto o Roma ia a Bordéus vencer por 3-1. No Grupo B o Inter de Mourinho empatou em casa a um golo com os alemães do Werder Bremen, em jogo transmitido pela TDM. O Inter, pouco personalizado, "Esqueceu-se" de jogar depois de ter ficado em vantagem logo aos 13 minutos, com golo de Maicon, e consentiu o empate já na segunda parte. No outro jogo do grupo os cipriotas do Anorthosis continuam a ser sensação, e ontem venceram o Panathinaikos da Grécia por claros 3-1. Finalmente no Grupo D o Liverpool bateu o PSV por 3-1, enquanto o Atletico de Madrid vencia o Marselha por 2-1. Liverpool e Atletico lideram o grupo com seis pontos, marcando claramente o seu favoritismo na passagem à segunda fase.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Parabéns, RPC!


Passam hoje 59 anos desde que Mao Zedong anunciou da Praça Tiananmen a fundação da República Popular da China. Para choque do mundo, sorrisos de Leste e desespero do Ocidente, que via uma das maiores civilizações da Terra cair aos pés do comunismo. Os anos seguintes foram de afirmação; participação na guerra da Coreia, anexação do Tibete e definição das fronteiras. Na milenar China vivia-se um ambiente de euforia, depois de várias décadas de humilhação à mão de potências estrangeiras, as sangrentas invasões japonesas e séculos de guerras que levaram à cisão do país do meio em vários impérios. Seguiram-se as grandes fomes dos anos 50, e a Revolução Cultural, que levou a grande nação chinesa a um retrocesso sem precedentes, e ao isolamento e ainda mais fome.

A morte de Mao em 1976 e a sua eventual sucessão por Deng Xiaoping deram início a um conjunto de reformas que, adoptando os princípios da economia de mercado, que levam hoje a China a ser a terceira economia mundial. Em retrospectiva, a liderança chinesa na última década tem implementado as reformas necessárias que fizeram o país mais populoso do mundo "apanhar o comboio" do progresso e do desenvolvimento sustentado, que culminaram na organização dos Jogos Olímpicos este ano, e o início de um programa espacial ainda há alguns anos impensável.

Os problemas são ainda muitos e difíceis de resolver, a começar pelos estruturais. A corrupção é ainda endémica, a pobreza no interior é um facto, a poluição fora de controlo, e a recente crise do leite trouxe de volta a discussão daquele que é um problema difícil de ignorar na "maior fábrica do mundo": o controlo de qualidade. Ou neste caso, a falta dele.

As questões dos direitos humanos, da liberdade de imprensa ou os índices de democracia pura e dura ainda longe dos parâmetros ocidentais parecem ser questões secundárias para a actual nomenclatura, que é acusada de se querer perpetuar no poder. A direcção parece ser, no entanto, apenas uma, e para a frente. O esforço tem sido verdadeiramente estóico para melhorar dia a dia a vida da população, da China "real", e a máquina da diplomacia está mais oleada que nunca. Existe hoje uma classe média significativa, uma juventude proactiva, e muita, muita riqueza. Para quem não quer aceitar o tal socialismo de mercado de características chinesas tem apenas uma opção, que passa por achar que a China "não interessa". E quem se atreve?

Nós aqui deste lado, das regiões administrativas especiais inseridas no princípio de "um país, dois sistemas" tudo bem. Com as suas habituais dores de crescimento, fruto de alguma falta de experiência dos seus líderes, pode dizer-se que o segundo sistema tem funcionado sem uma interferência de fundo do poder central. Olhando para trás devemos congratular-nos por pertencer a esta imensa China direcionada para o futuro, e não à outra, que realmente não daria garantias do bem-estar da sua população. Quanto ao futuro propriamente dito, só quero acreditar que seja risonho. Quem não gosta de acreditar que assim será?

Coelhos da cartola


A crise económica está aí, depois da recusa da reserva federal norte-americana em injectar 700 mil milhões de dólares para salvar o mercado bolsista, e vai afectar todos. E Macau não vai ser excepção. O secretário para a economia e finanças, Francis Tam, já veio dizer que prevê tempos difíceis, um aumento do desemprego e um abrandamento da economia. Não sendo economista e não percebendo muito do assunto, penso que seria esta a hora certa para tirar os coelhos da cartola, e tomar decisões certas e incisivas. No fundo é altura do executivo e da sua inteligenzia mostrar o que vale, depois de vários anos em auto-gestão, graças aos chorudos lucros do jogo.

Hóquei no Japão


A selecção feminina do território de hóquei em patins parte amanhã para o Japão, onde vai disputar o IX mundial da modalidade, na cidade de Yuri-Honjo, entre 5 e 11 de Outubro. As pupilas de Alberto Lisboa estão inseridas no Grupo D, com a equipa da casa, França e Japão. A estreia do cinco macaense será o Domingo, às 14:00 (hora do Japão), contra as japoneses, seguindo-se as francesas e as portuguesas, na segunda e na terça-feira, respectivamente. Veja aqui o calendário completo. Boa sorte para as meninas do hóquei patinado macaense!

De cabeça fria


O Porto sofreu ontem em Londres a maior goleada dos últimos 11 anos na Liga dos Campeões. A última vez que os portistas tinham perdido por mais de 3 golos foi em 1997, contra o Real Madrid. Jesualdo Ferreira desvalorizou o resultado, afirmando que o Porto "perdeu apenas três pontos". Os dragões continuam em segundo lugar do grupo, mercê do empate a zero do Fenerbahçe em casa contra os ucranianos do Dinamo de Kiev. O Porto realiza agora dois jogos contra o Dinamo, sendo o primeiro dia 15, na Ucrânia.

Noutros grupos, destaque para a goleada do ManU na Dinamarca, no terreno do AaB Aalborg por 3-0, com dois golos do búlgaro Dimitar Berbatov, uma das contratações da pré-temporada. No outro jogo do grupo E o Villarreal venceu o Celtic por 1-0. No grupo F o Bayern não foi além de um empate em casa com o Lyon (1-1), enquanto Fiorentina e Steaua ficavam em branco. Finalmente no grupo H o Real Madrid foi a S. Petersburgo bater o Zenit por 2-1, com o golo dos russos a ser apontado pelo português Danny. O BATE, da Bielorrússia, impôs um empate a duas bolas contra a Juventus, tendo mesmo chegado a uma vantagem de 2-0.

Há 59 anos, em Tiananmen...