Saiu o relatório anual sobre os direitos humanos do departamento de estado norte-americano, relativo ao ano de 2007. Os nossos amigos americanos consideram que em Macau "os direitos humanos são respeitados" de um modo geral, e ainda bem! Consideram ainda que existem "limites à capacidade dos cidadãos em mudar de Governo" e ainda "zonas cinzentas" no que toca à corrupção. O departamento de estado elogia ,no entanto, o desfecho do processo Ao Man Long. A prostituição - que no ano passado fez com que Macau entrasse na lista negra - continua a ser um problema, mas o Dep. considera que a maioria das mulheres que se prostitui no território fá-lo voluntariamente. Veja aqui a reportagem da TDM e aqui a relatório completo no que toca a Macau (em inglês).
1) Afinal o que se passa? Já se esperava que os bilhetes para o Festival de Artes de Macau esgotassem num ápice, mas o clientelismo e a "cultura do amigalhaço" que por aqui grassa voltou a fazer as suas vítimas. Não faço ideia quantos lugares tem o Grande Auditório do Centro Cultural. Daqueles em que dá para ver qualquer coisinha devem ser cerca de 300. Destes 300, mais de metade vão direitinhos para os mesmos senhores. É o caso da récita em patuá dos Doçi Papiaçam di Macau (DPDM), que terá duas actuações nos dias 10 e 11 de Maio. Os bilhetes começaram a ser vendidos no último Domingo e passadas duas horas já só restavam os tais cujos lugares exigem uma rotação de 180 graus do pescoço. Alguns senhores habituam-se a ter a papinha toda feita e, já se sabe, têm lugar cativo no auditório. Depois é o desconsolo de existirem lugares vazios e muita gente que queria ir ficar à porta.
2) Vai regressar o concurso Miss Macau, dez anos depois de ter acabado e não ter deixado saudades. Nem sei bem para quê ou porque carga de água. Dinheiro a mais? As edições anteriores promoveram o tal recorde mundial digno do Guiness, quando quatro irmãs de uma ilustre família macaense concorreram em anos separados e venceram todas. Por muito respeito que a tal família e as respectivas meninas mereçam da minha parte (e merecem), aquilo é que foi uma colossal banhada que 1) retira qualquer tipo de credibilidade ao concurso e 2) é injusto para as demais concorrentes. Fora isso, muitas das vencedoras - que nem nasceram em Macau - enveredaram pela carreira na pornografia ou na moda rasca. O concurso deve fazer no entanto as delícias dos "provadores" e "apalpadores" oficiais cá do burgo.
Bee Movie (2007) **** Realização: Simon J. Smith, Steve Hickner Com: as vozes de Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, John Goodman, Chris Rock, Kathy Bates Duração: 90 minutos Rating MPAA: PG (algum humor sugestivo e referências ao fumo/tabagismo)
Bee Movie marca o regresso de Jerry Seinfeld ao humor. Depois da série homónima que o celebrizou nos anos 90, Jerry regressa e logo numa aliança com a DreamWorks e a Paramount, e num desenho animado. Resulta? Digamos que sim, eu gostei de filme, que sofre apenas de um pequeno defeito. As crianças podem achar difícil perceber algumas das piadas, e os adultos podem sentir-se intimidados por ser um desenho animado. Mas os números contradizem este senão. Bee Movie fez 281 milhões de dólares de bilheteira.
O filme fala-nos de Barry (Seinfeld), uma abelha que depois de se graduar (um dia de escola primária, um dia de secundária e outro dia de faculdade) descobre que o seu destino não é assim tão atractivo. As abelhas produzem mel, cera e fazem a polinização desde há 27 milhões de anos (o filme está cheio de notas interessantes deste tipo), e fazem-no todos os dias, sem parar, até à morte. Barry decide fugir às convenções e embarca numa aventura fora da colmeia.
Numa das suas escapadelas de abelha rebelde (na vida real seria morto pelos guardas da raínha) conhece Vanessa (Zellweger), uma florista humana, e desenvolve com ela uma relação de amizade. Ao descobrir que os humanos comem mel que roubam das abelhas, decide processá-los (!), e ganha! As cenas em tribunal são provavelmente as mais hilariantes e fazem inúmeras referências a outros filmes e casos do sistema judicial norte-americano, que segundo dizem os seus detractores, "funciona bem demais". O facto de uma abelha poder questionar todo um sistema é prova disso.
No fim o bom do Barry descobre que uma abelha desempenha, afinal, um aspecto bastante importante no ecossistema de que dependem todos os seres vivos. Uma lição aprendida a muito custo. O filme tem momentos bastante engraçados, e o melhor fica guardado para o fim. Uma vaca pergunta a um mosquito de nome Mooseblood (Chris Rock) se é advogado. O mosquito responde-lhe: "eu já era um parasita sugador de sangue, só precisava de uma mala!". Mesmo muito engraçado.
O Casu marzu (também chamado casu modde, casu cundhídu, ou em italiano formaggio marcio) é um queijo originário da Sardenha, Itália, conhecido por servir de habitat a larvas de insectos vivas. Casu marzu significa "queijo podre" em Sardenho.
Derivado do Pecorino Sardo, casu marzu vai além da fermentação normal até ao ponto da decomposição, feita pela acção digestiva das lavras da mosca-do-queijo. estas larvas são deliberadamente introduzidas no queijo, causando um elevado nível de fermentação e decompondo as moléculas gordas do queijo. A textura torna-se então pastosa, com algum líquido, a que os sardenhos chamam lagrima. As larvas são brancas e semi-transparentes, com um comprimento de 8 mm. Quando perturbadas, conseguem saltar até à altura de 15 cm. Algumas pessoas retiram as larvas antes de consumir o queijo. Outras não.
O queijo é normalmente consumido com pane carasau, um pão sardenho, e Cannonau, um vinho tinto da casta Grenache. Devido à natureza deste queijo, a sua venda e consumo estão proibidos na Itália continental bem como no resto da Europa. Foram reportados alguns casos de míase, ou seja, desenvolvimento nos intestinos de larvas que passaram vivas o tracto digestivo e cujos ácidos estomacais não conseguiram matar. Já comeu o seu Casu marzu hoje?
Esta é a aposta da RTP para o Festival da Eurovisão 2008 que se vai realizar em Belgrado, na Sérvia, entre 20 e 24 de Maio. A música chama-se "Senhora do Mar" e a intérprete é Vânia Fernandes.
Estas são imagens de um vídeo colocado no YouTube que demonstra mais uma agressão numa escola na zona norte de Macau, ocorrida "no início do ano lectivo". Segundo os responsáveis da escola, a agressora foi expulsa e o caso entregue à Polícia Judiciária. O vídeo de 37 segundos apareceu indicado num fórum em chinês (pois, em português só este, modéstia à parte, mas adiante...) e segundo os seus autores havia mais de um telemóvel a filmar as agressões. Se esta é a tal educação pública e gratuita que o governo anuncia com tanta pompa e circunstância, porque não colocam lá os filhos deles?
Sabe quais são os sete pecados mortais? Isso mesmo, são a inveja, ira, gula, luxúria, orgulho, preguiça e avareza. De cometer alguns destes na vida não nos livramos. Esse da luxúria, por exemplo, é giro, não? E a preguiça? É bastante relativo, quem não sente preguiça plo menos uma vez por dia? E a gula, de deixar tantas vezes água na boca? Enfim. Ora bem, se por acaso não conhecia os sete pecados ou por vezes se esquece de um ou dois deles, agora tem mais quatro para se lembrar, os pecados sociais: a poluição ambiental, a manipulação genética, o tráfico de droga e a desigualdade social, divulgou ontem o Vaticano.
O primeiro diz-nos respeito a todos. A partir de agora, poluir é oficialmente pecado. É porreiro que o Vaticano se junte à malta e cante aquele clássico do Joel Branco, "Uma árvore é um amigo", ou que faça o incauto cidadão que atira um papel para o chão e leva multa se sentir um pecador, ainda por cima. Em todo o caso este novel pecado deve ser feito à medida para os senhores da indústria, que estando-se nas tintas para os anteriores sete, talvez se sintam tocados por este. Vai ser vê-los agora de olhos cheios de lágrimas enquanto observam descargas de matadouros ou de fábricas de celulose nos pobres rios e murmurar entre dentes "perdão". Será?
Essa da manipulação genética não está ao alcance de qualquer um. Uma dona de casa que tenha comido dois babás cheios de creme e olhado com despeito para as cashemiras novas da vizinha, pode ser acusada de gula e inveja, mas é improvável que lá entre as maizenas e as tupperware (em português taparuére) cometa, mesmo que acidentalmente, um bocadinho de manipulação genética. Não, nem que lhe caia um cabelo na massa do bolo. Este deve ser um pecado destinado a que se construam capelinhas lá nos laboratórios yankee onde se trucidam embriões para fins científicos.
O tráfico de droga, que antes era um caso de polícia, passa a ser também pecado. Numa tentativa de demover algum traficante (colombiano? brasileiro?) menos preocupado com a polícia mas que seja um fervoroso católico e temeroso a Deus. A questão da "desigualdade social" é mais melindrosa e abstracta. Será que se destina a qualquer um que, saíndo do banco sorridente com as cifras da sua caderneta bancária, se deva sentir culpado pelos miseráveis que procuram a sua próxima refeição nas latas do lixo? Ou apenas os bancários e industriais maus como as cobras que exploram sem misericórdia a classe operária de forma a conseguir os seus ávidos intentos?
Fica-lhes bem que lá no Vaticano se sentem e discutam estas coisas. Afinal já se passou um bom bocado desde a publicação dos últimos sete pecados, e era uma lista que urgia ser actualizada. Mas será que ficam por aqui? E que tal considerar também pecados: consumo de produtos transgénicos e fast food, especulação imobiliária, corrupção (como é que se foram esquecer desta???) ou condução sob o efeito de bebidas alcoólicas. É mesmo um mundo fodido, este em que vivemos.
Esta bonita engenheira de 29 anos será a primeira coreana no espaço, anunciaram ontem as autoridades sul-coreanas, em Seul. Yi So-Yeon vai assim no lugar de Ko San, um homem de 31 anos, e que era a primeira escolha da Coreia do Sul. Ko foi rejeitado por ter desrespeitado as rígidas regras do centro de treino de astronautas, em Moscovo, por duas vezes. Yi ficará a conduzir experiências científicas durante 10 dias na Estação Espacial Internacional, com cinco outros cosmonautas.
O bi-campeão olímpico e tetra-campeão mundial dos 10.000 metros, e recordista mundial da maratona, o etíope Haile Gebrselassie, não vai aos Jogos Olímpicos de Pequim, disse ontem. Haile, apelidado de "imperador" do atletismo, sofre de asma, e teme que a poluição em Pequim lhe prejudique seriamente a saúde. O atleta, que vai completar 35 anos em Abril, rejeita assim a única oportunidade que terá em vencer uma medalha de ouro olímpica naquela disciplina. Halie deixou um apelo às autoridades chinesas que lidem com o problema da poluição, pois "é prejudicial aos atletas, e interfere com o seu desempenho", disse.
Agora que volto de mais umas férias fora de Macau, preciso de mais uns dias para recuperar. Não do jetlag ou de qualquer tipo de actividade física exigente praticada no local de férias, mas daquilo que gosto de chamar "stress de viajante". Eis aqui uma série de conselhos que gostava de deixar à massa anónima que faz de cada uma das minhas viagens um tormento:
No aeroporto: - Se por acaso estava distraído, aconteceu no dia 11 de Setembro de 2001 um pequeno incidente que mudou um pouco o esquema de segurança nos aeroportos. Não são permitidos a bordo: isqueiros, líquidos, objectos cortantes (e isto inclui limas e corta unhas) ou tesouras. Não pode levar estes objectos e ponto final. Não insista em continuar a fazer perder o tempo dos outros passageiros.
- Se o detector de metais tocar, não entre em pânico nem faça uma cara de "ai meu Deus agora é que sou preso". É provavelmente por causa do cinto ou das chaves. Tenha a gentileza de colocar esses objectos de metal (...e é por isso que o detector toca) na cesta e recolha-os do outro lado.
- Empurrar não adianta. Os lugares estão marcados (menos na Air Asia, ouvi dizer, mas aí tem-se aquilo que se paga) e de certeza absoluta que não fica ninguém de fora. As companhias aéreas não vão vender mais bilhetes do que lugares no avião.
No avião: - Se vai com crianças, não se pode sentar junto da saída de emergência. Capisce? Se por acaso não sabia, paciência. Não adianta discutir com a hospedeira, até porque não foi ela que fez as regras.
- Quando o capitão manda sentar-se e apertar os cintos, faça-o. Aquando da aterrizagem mantenha o cinto apertado até o avião parar. O avião pode bater em qualquer objecto na pista, e se por acaso partir todos os ossos do corpo graças à sua burrice, os outros passageiros, que podem levar com um braço ou uma perna sua na cabeça, não têm a culpa.
- Não vale a pena ter pressa, nem empurrar, nem se levantar antes do avião parar. Ninguém sai do avião antes do aparelho chegar ao terminal e a tripulação abrir a porta. E mesmo que seja o primeiro a sair, não vai a lado nenhum sem passar pela imigração e recolher as bagagens, o que nos leva...
Na recolha das bagagens: - As bagagens vão no porão do avião. Por muito rápido que seja ao chegar ao posto de recolha, os rapazes trabalham depressa e as malas vão chegar.
- Pegue nas bagagens que tem a certeza serem suas. Não há nada mais irritante que ver estranhos a pegarem nas nossas malas e atirarem-nas de volta à esteira quando se apercebem que não são suas.
- Se a sua mala não chegou, existe um posto que trata da bagagem extraviada, e em 99% dos casos encontram-na e entregam-na em poucos dias. Gritar com funcionários do aeroporto que não têm nada a ver com isso não resolve nada.
- O trolley que leva a bagagem não é seu, não lhe pertence. Não pode levar até ao carro ou ao táxi e depois deixá-lo no meio da rua, nem entrar onde muito bem lhe apetece dentro do aeroporto com ele.
E pronto. Se por acaso se sente incluido em algum destes grupos, não me leve a mal. Afinal a culpa é só minha, por não ser milionário e não ter o meu jacto particular.
Bairro do Amor (1989) ***** Produção Executiva: Francis, Tó Pinheiro da Silva e Jorge Palma Duração: 41.11 Músicos: Guilherme Inês - Bateria e Percussão Joca de Sousa - Bateria Zé Nabo - Baixo e Coros Zé da Ponte - Baixo Zé Carrapa - Guitarras Eléctricas Jorge Palma - Teclas e Guitarra Acústica Júlio Pereira - Guitarras Acústicas e Sintetizador Carlos Zíngaro - Violino Carlos Bexegas - Flautas Edgar Caramelo - Saxes Soprano, Tenor e Barítono Jorge Reis - Saxes Altos Tomás Pimentel - Trompetes e Felizcórneos Aníbal Lima - Violino Cecília Lima - Violino Isabel Pimentel - Viola d'arco Tereza Portugal - Violoncelo Isabel Campelo - Coros Graça Lami - Coros
Diz-se do Jorge Palma que é um gajo que se está nas tintas para as convenções. É um rapagão grande, de cinquenta e tal anos que bate nas costas do sôtor e diz "'tás bom, pá?". Numa entrevista recente ouvi-lhe dizer que começou a cultivar "hábitos saudáveis": já não bebe cerveja com amendoins para o pequeno almoço. Apesar de ser um gajo que pega numa guitarra e faz aí uma canção qualquer em cima do joelho que se torna um hino para os seus fãs ("Quero o meu dinheiro de volta", estão a ver?) em Bairro do Amor o Jó (ele que me desculpe) revela toda a sua formação musical. Imaginem um disco - português ainda por cima - em que todas as músicas entram no ouvido logo à primeira.
Além do tema que dá nome ao disco, Bairro do Amor, que saíu numa versão acústica em 1977 no disco 'Té Já cada música conta uma história. Passos em Volta, segundo Jorge Palma, "foi escrito na tasca do Sr. António, ali ao lado do Conservatório, depois de umas aulas". Dá-me Lume é uma canção que foi originalmente escrita em inglês, no ano de 1978, quando Jorge Palma estava em Paris e "era dedicada a uma namorada, por acaso norte-americana, vinda da Geórgia, amiga dos Talking Heads e dos B-52". Eternamente Tu foi escrito numa bomba de gasolina, à saída da auto estrada, enquanto Jorge Palma esperava que lhe lavassem o carro.
Frágil, o primeiro single do disco, é ainda hoje uma das músicas de referência de Jorge Palma, pedida em todos os concertos. Bairro do Amor foi considerado pelo Público um dos melhores discos portugueses do século XX.
José António Camacho já não é treinador do Benfica. Estive fora estes dias, sem acesso à internet, e assim que voltei esta tarde e verifiquei os resultados no livescore.com, adivinhei logo que este empate dos encarnados em casa frente ao lanterna vermelha, U. Leiria, tinha tido este desfecho. Em onze jogos em casa esta época para o campeonato, o Benfica só conseguiu vencer quatro. Na última quinta-feira o Benfica comprometeu seriamente a qualificação para os quartos-de-final da Taça UEFA ao perder na Luz 1-2, com o Getafe. A antiga glória "encarnada", Fernando Chalana, vai orientar agora a equipa principal, provavelmente até ao final da temporada.
O Bairro do Oriente vai fechar para umas curtas férias e volta na Segunda-Feira, fresco como uma alface. Votos de um excelente fim-de-semana a todos, e como diz o nosso Herbert Ramos, "stay safe Macau".
Saiu a nova lista da Forbes dos homens mais ricos do mundo. O patrão da Microsoft, Bill Gates perdeu a liderança para Warren Buffett, e o segundo lugar para o mexicano patrão das telecomunicações Carlos Slim. Curiosamente estão quatro indianos entre os dez mais ricos. O décimo-primeiro e o décimo-segundo lugares são ocupados por conhecidos nossos, Li Ka-Shing e Sheldon Adelson, respectivamente. O patrão do Chelsea Roman Abramovich é 15º, enquanto o "nosso" Stanley Ho é 153º. Estão 26 bilionários de Hong Kong nesta lista. Quanto aos portugueses, existem quatro bilionários: Américo Amorim, rei da cortiça (132º), Belmiro de Azevedo (605º), Joe Berardo (677º) e Horácio Roque (843º). Veja a lista completa aqui.
"Quando o governador Almeida e Costa se afastou para deixar o campo aberto ao recém eleito presidente Mário Soares, iniciou-se em Macau um período de "caça às bruxas", sendo estas aqueles que, como eu, representavam o chamado "almeidismo". O jornal surgiu assim como um elemento aglutinador do sector referido e um instrumento de defesa, pessoal e política."
"Os jornais não foram um negócio, mas apenas instrumentos políticos, como disse. O único dinheiro que ganhei foi a vendê-los e só serviu para repor as perdas. Os meus adversários políticos - os representantes do "soarismo" de tão triste memória no Território - mandavam emissários disfarçados para os comprar, na suposição que me compravam também a mim. Saiu-lhes caro e permitiram-me suportar os custos. Assim que vendia um, abria outro. Até que, cansados, mudaram de método: tentaram assassinar-me fisicamente, felizmente também sem êxito."
"A última vez que estive em Macau foi em 1996 e as diferenças são notórias. Tenho que confessar, por muito que me custe, que Macau está melhor, sem portugueses, do que estava enquanto lá pontificámos."
Extracto da entrevista de Carmona e Silva ao Ponto Final da última Terça-Feira. Veja aqui a resposta do director do JTM, José Rocha Dinis, ao advogado que viveu em Macau durante mais de dez anos.
Se me perguntarem, não sei se Macau está melhor ou não sem os portugueses, mas de uma coisa tenho a certeza: está sem portugueses.
Rambo (2008) *1/2 Realização: Sylvester Stallone Com: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish Duração: 91 minutos Rating MPAA: R (violência gráfica e sangrenta, violações, cenas horrendas e linguagem)
Cerca de 20 anos depois do último Rambo, eis que o sexagenário Sylvester Stallone regressa com o quarto filme da série. Desde que a Guerra Fria acabou e a Cortina de Ferro caíu, começa a ser cada vez mais difícil arranjar carne para canhão neste tipo de filmes. Como rebentar com árabes ou chineses não é politicamente correcto, eis um inimigo com que todos se identificam: a junta militar birmanesa. Ouvi dizer que o filme foi elogiado por “denunciar as atrocidades cometidas pela junta contra o povo birmanês”, mas no fundo é difícil descortinar quem comete o quê aqui, tantos são os troncos, membros e cabeças pelo ar.
Os primeiros trinta minutos do filme demonstram apenas quão cruéis são os soldados da junta, e como só o Rambo tem tomates para ir vivendo por ali. O filme diz-nos que o Rambo tem uma espécie de prazer masoquista em viver numa área de conflito, em vez de ir para a sua all-american casa na pradaria e tal. Só isto já explica metade do filme. O resto é simples: os gajos da junta são personagens uni-dimensionais que só estão contentes a matar civis, queimar aldeias inteiras, violar mulheres e empalar criancinhas. Nem é preciso legendas para que se entenda o que eles dizem, é tudo “ba...bu...bababu”, já o nosso Rambo fala um thai (?) impecável, com honras de legendagem.
Mas eis que um raio de sol espreita na tempestuosa vida deste povo. Um grupo religioso qualquer vem com ajuda humanitária, medicamentos e Bíblias para amenizar a dor, e é o nosso Rambo quem os leva à aldeia dos pobres nativos. A meio caminho o barquinho onde Rambo leva os “gravatinhas” é interceptada por uma lancha do exército. Começam logo a ser malcriados com o nosso herói, e eis que em três segundos (ou quatro, contem) Rambo rebenta com meia dúzia deles. Um dos missionários fica chateado e diz quer vai reportar Rambo pelo sucedido. Mas o rapazola além de bonzinho é um palerma que não percebe nada disto. Estes gajos são maus como as cobras e segundo o próprio Rambo “violavam-vos cinquenta vezes e arrancavam-vos as cabeças”. O melhor é disparar primeiro e fazer perguntas depois.
E não é que, e que cabeça a deles, os missionários ficam lá no meio de nenhures, ensinando os selvagens a ser bons cristãos e não sei que mais, até ao belo dia em que a junta passa por lá, massacra a aldeia inteira e faz dos missionários brancos prisioneiros. O pastor ou lá o que é contrata um grupo de mercenários também brancos para resgatar as suas ovelhas, e quem tem que os levar lá é o nosso Rambo. No princípio o nosso herói é desprezado, visto apenas como um barqueiro, mas mais tarde consegue quase sozinho matar centenas de soldados da junta e resgatar os prisioneiros. Limpinho. Numa das cenas Rambo arranca a garganta de um oficial com as próprias mãos, e noutra corta um deles ao meio com uma faca de mato.
Este é o filme da série em que Rambo menos fala, e mais mata. E sempre que fala parece que tem a boca cheia de favas. Aliás este deve ser o filme mais violento de toda a série, e o número de mortes no ecrã deve ser superior a um milhar. Algumas destas mortes entram para a galeria das mais sangrentas da história do cinema. Fico sem perceber qual o objectivo deste filme. São só 91 minutos (parece muito menos) e na maior parte do tempo só se vê matança. Dou uma estrela pelo filme e mais meia pela forte possibilidade de ter sido o último. Ah sim, e no fim ele vai mesmo para a tal casa na pradaria.
Agora que a Orquestra Sinfónica de Nova Iorque visitou a Coreia do Norte, pode-se dizer que as relações entre Pyongyang e Washington caminham para uma ligeira cordialidade. Mas até há muito pouco tempo, cartazes como estes enchiam as paredes da capital norte-coreana. E não fazem as coisas por menos; mísseis, provavelmente nucleares, destroem o Capitólio e rasgam a bandeira norte-americana. Tão inimigos que eles são...
Este cão vive numa fábrica de massa, e é por causa da farinha que o seu focinho é branco. Um dia mordeu um senhor que vinha a passar na mota e o dono mandou abater a mãe dele. Uma vez estava eu a jogar à bola na rua com os miúdos e o cão chegou a ladrar e tentou morder-me. Este cão é filho de uma cadela que, coitada, até por ele morreu.
Enquanto em Portugal se discute o papel da ASAE, essa "besta negra" do povão, bem como tantas outras cuja designação começa por "autoridade", na China foi divulgado que morreram 258 pessoas de intoxicação alimentar o ano passado, um aumento de 32% em relação a 2006. De mão dada com estes trágicos números oficiais (os não oficiais devem ser ainda maiores) estarão os números do crescimento económico, a ambição desmedida de alguns agentes, a própria corrupção, e, lá está, um problema de que a China tem sofrido desde sempre, o controlo de qualidade.
Desde que me lembro, a malta deste lado da fronteira torce o nariz a tudo o que é "made in China". Conta-se o episódio de um empresário da região de Cantão que utilizou um lubrificante industrial para dar mais brilho a pevides de melancia, e que terá causado problemas de saúde graves ao seu próprio filho. A verdade é que muitas vezes não se olham a meios para se atingir os fins, e os fins normalmente passam pela maximização do lucro, custe o que custar, e sem o mínimo de respeito pelo precioso valor da vida humana.
Claro que existem excepções. Alguns produtos feitos na China por companhias multinacionais têm até bastante qualidade, isso porque o tal controlo é feito de acordo com os padrões exigidos pelos investidores estrangeiros no país do meio, onde, como se sabe, o preço da mão-de-obra é bastante convidativo. Quem se ressente com isto são as marcas chinesas; não há marketing que consiga incutir no consumidor refinado o mínimo de confiança que seja na produção nacional que não passe por controlo estrangeiro.
Não surpreende que muitos dos 'convidados' à Aldeia Olímpica que a China montou declinem gentilmente o convite. A delegação americana vai levar a própria carne, enquanto o tenista número um do mundo, o suíço Roger Federer, prefere instalar-se num hotel de cinco estrelas. Tenho a certeza absoluta que tudo ia correr às mil maravilhas, a as autoridades chinesas iam ter cuidados redobrados com os seus convidados, mas nestas coisas, já se sabe, o seguro morreu de velho. Quanto à "teoria da batota" - e há quem diga que a China teria interesse em inferiorizar de algum modo os seus adversários - não comento.
Em todo o caso, são bastante elevados estes números de casualidades na China derivados de envenenamentos alimentares. Duvido que nos restantes países desenvolvidos este número seja muito superior a zero, e é nisto que ainda há muito que fazer nesta pátria de muitos milhões, e nem o número de habitantes serve de desculpa. Será que uma Autoridade alimentar assim do tipo ASAE dava jeito aqui na China? E com poderes redobrados, como convém...
A menina de três anos que morreu no Sábado no Hospital de Tuen Mun foi diagnosticada com a estirpe H3 do vírus Influenza A, declararam as autoridades de saúde de Hong Kong ontem à noite. A sua irmã de 6 anos encontra-se também infectada pela mesma estirpe do vírus, e está internada em situação estável. Temia-se que as jovens estivessem infectadas com a estirpe H5, da família do letal H5N1, vulgo gripe aviária.
Ho Po-yi - assim se chamava a menina - apresentava sintomas de uma gripe comum: febre, tosse e escorrimento nasal. Os pais levaram-na a um médico privado na Sexta-Feira, e mais tarde ao Hospital de Tuen Mun, com febre de 40.3 graus celsius. Um dos médicos que a viu não terá encontrado quaisquer anormalidades na menina, e mandou-a para casa. Na tarde de Sábado voltou a dar entrada no hospital por ambulância, com insuficiência cardíaca. Foi declarada morta às 17:27.
A estirpe H3 do vírus Influenza é comum e sasonal nesta altura do ano. Os grupos de risco são os idosos, as crianças até 2 anos e os diabéticos, pelo que cuidados especiais devem ser prestados a estes grupos. Prevê-se que a época das gripes continuará por mais seis a oito semanas.
Juno (2007) ***1/2 Realização: Jason Reitman Com: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons Duração: 96 minutos Rating MPAA: PG-13 (temas adultos, conteúdo sexual e linguagem)
Tudo começou com uma cadeira. Juno MacGuff (Page) é uma jovem de 16 anos, liberal e independente, que descobre que está grávida. Como foi isso possível? O pai é Paulie (Cera), um jovem da equipa de atletismo da escola secundária onde ambos estudam. Um "bom rapaz". A mãe dele não gosta de Juno.
Juno pensa em abortar, mas reconsidera depois de saber que o feto "tem unhas". É então que decide dar o bebé para adopção. Encontra Vanessa (Garner) e Mark (Bateman), um casal que quer adoptar uma criança. Vanessa é pragmática e obsessiva, Mark é um criativo publicitário com que Juno se identifica imediatamente.
Só depois da questão da adopção praticamente resolvida Juno decide contar aos pai (Simmons, o neurótico director do jornal de Spider Man) e à madrasta (Janney, num papel que merecia maior reconhecimento), que aceitam a situação com uma calma superior. A gravidez decorre normalmente, ao mesmo tempo que Juno começa a ter dúvidas sobre a viabilidade da relação entre Mark e Vanessa.
Jason Reitman (Uncle Sam, Thank you for smoking), um realizador de apenas 30 anos, trata os seus miúdos como adultos. A motivação de Juno desde o início é conduzida pelo facto de ela própria saber muito bem que não está preparada para ser mãe, e muito menos Paulie para ser pai. Os miúdos de hoje podem ser uns cabeça-de-vento alienados, mas não são burros.
O filme foi nomeado para vários óscares incluindo o de melhor filme e melhor actriz. Quanto ao primeiro, terá sido bem entregue a No Country for Old Men, e quanto ao segundo, espero ver mais de Ellen Page no futuro, e espero que não se torne noutra Lindsay Lohan. Juno contentou-se com o óscar para melhor argumento original.
Celebra-se hoje em toda a China, dia 5 de Março, o dia de Lei Feng. Lei Feng nasceu em 1940 em Wangcheng, província de Hunan, ficou orfão muito novo e foi acolhido e educado pelo Partido Comunista. Alistou-se na juventude comunista e aos 20 anos integrou uma unidade de transporte do exército de libertação. Em 1962, com apenas 21 anos, foi atingido por um poste telefónico e morreu. Em 1963, na altura que a economia da China recuperava do fracasso do Grande Passo em Frente, foi lançada uma campanha para encorajar os jovens a fazerem boas acções, seguindo o exemplo de Lei Feng. Em 1964 a campanha subiu de tom, e foi divulgado que o diário de Lei Feng dizia "Submetam-se inquestionavelmente ao controlo do grande líder", referindo-se a Mao. Nos anos 70 foi criado um adjectivo, huo lei feng (活雷鋒), que significa fazer qualquer coisa de bem, em prol dos mais desfavorecidos. Como Lei Feng
"Se Elton John tivesse nascido na Chamusca, não teria tido tanto êxito como eu." in Pública, 2003
"Tentaram e conseguiram pôr-me na prateleira. Mas a verdade é que os outros artistas estão na prateleira e eu estou cá." in Pública, 2003
"A nova geração tem de descobrir qual é o seu dinossauro. Todos os países têm o seu dinossauro. Os franceses têm o Johnny Halliday, os espanhóis o Miguel Rios. Ambos são uma porcaria ao pé de mim. Sou infinitamente melhor do que eles e tenho uma melhor estética." in Pública, 2003
"Usem e abusem de mim. Estou cá, canto e bem ao vivo. Façam de mim o que quiserem. Estou com uma grande voz." in Pública, 2003
"Adoro o «Cantor da TV», a canção menos comercial daquele álbum [Nasci prà música]. Dificilmente conseguiria escrever [outro] tema daquela maneira. É muito bem esgalhado e muito bem tocado." in Pública, 2003
"Essa canção [Como o macaco gosta de banana] foi um escândalo. As pessoas julgaram que era uma canção ordinária. (...) Divirto-me à brava quando a oiço, porque é uma canção que não se pode levar a sério. Tem um sentido de humor de abandalhar o sistema." in Pública, 2003
"Olá malta! Tudo bem? Tá-se?" in anúncio Lipton, 2004
"Dá-me favas com chouriço." in Cabaré da Coxa, 2004
"Se o Rui Veloso é o pai do rock português, eu sou a mãe." in Queima das Fitas do Porto, 2004
"O último álbum da Madonna é um cagalhão", em entrevista à Rádio Comercial, 2006
"Gostava que não reparassem só no mau (...). De qualquer forma, o meu pior é muito melhor do que o melhor do Tony Carreira.", em entrevista ao jornal Metro, 2006
"Adoro favas com chouriço. Quem não gosta?", em entrevista ao jornal Metro, 2006
"Quando chego para jantar, estás agarrada ao pito.", claramente ironizando com a sua própria música "Pouco a pouco", onde canta "Quando chego para jantar, quase nem acredito". in Aveiro - Festa de São Gonçalinho, 2007
"Uma vez perguntaram-me se eu era um cantor romântico... eu raramente sou um cantor romântico, os cantores românticos tem mau hálito e pila pequena.", in Aveiro - Festa de São Gonçalinho, 2007
"Elas comem as favas, nós comemos o chouriço" - na Semana Académica da Universidade do Algarve, 07/05/2007
"Não me mandem cuecas para o palco, eu não sou o Tony Carreira" - na Semana Académica da Universidade do Algarve, 07/05/2007
1) Manuel Silvério está de saída do IDM. Alex Vong será o novo presidente, e José Tavares o seu vice. Leia a entrevista que o ex dirigente desportivo dá na edição de hoje do Hoje Macau, bem como a reportagem de ontem no telejornal da TDM. O director do JTM, José Rocha Dinis, assina hoje um editorial em que elogia a contribuição de Manuel Silvério para o desenvolvimento das infra-estruturas desportivas na RAEM.
2) Leonel Alves sentiu-se emocionado quando ouviu o hino nacional na sessão de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, de que é agora novo membro. Veja tudo aqui na reportagem da TDM. Curiosaente José Luis Sales Marques assina hoje um artigo no JTM intitulado "Os novos macaenses", cuja leitura recomendo.
Um caso de chantagem sexual e violação está a apaixonar Hong Kong. O Tribunal Superior da RAEHK está a julgar um caso de alegada violação com contornos fora do comum, que envolvem paixão, traição, sexo, fotografias e vídeo. Os condimentos necessários para um filme de softcore porn.
De modo a satisfazer o seu namorado, uma mulher casada terá repetidamente tomado parte em orgias e permitiu que as suas actividades sexuais fossem filmadas e fotografadas. O namorado, Danny Chan Tsun-tao, 45 anos, é acusado de violação de uma amiga próxima da mulher, e três tentativas de obtenção de favores sexuais sem consentimento. Chan, um motorista, negou todas as acusações.
A mulher casou em 2000, mas terá começado na mesma altura uma relação extra-conjugal com Chan, também ele casado. Para fazer Chan feliz, a mulher tatuou o nome dele acima dos seus orgãos sexuais. O casal tirou também fotografias e fez filmes dos seus actos sexuais. Em finais de 2006, Chan fez duas propostas à mulher - a primeira seria observá-la a ter relações com outros homens, e a segunda de que ela encontraria outras mulheres com que ele pudesse ter relações.
Ainda no mesmo ano o casal deslocou-se a Shenzhen onde participou de um ménage a trois com uma massagista, durante o qual Chan terá utilizado o telemóvel para filmar o acto. Depois disso Chan terá insistido com a mulher para que encontrasse outras parceiras para actos semelhantes.
A vítima era amiga próxima da mulher, e a acusação alega que Chan e a mulher tudo fizeram para atraír a vítima para o apartamento da mulher em Tuen Mun. A 8 de Janeiro do ano passado, a mulher terá dito ao seu médico que sofria de insónias, de forma a obter soporíferos, enquanto Chan procurou obter uma pequena quantidade de ketamina. A vítima aceitou um convite para visitar o apartamento da mulher a 13 de Janeiro.
Ao entrar no apartamento, a vítima tomou banho com a mulher (!) - e foi secretamente filmada por uma câmara oculta na casa-de-banho. A vítima bebeu então um copo de vinho que continha um soporífero e ketamina, pelo que terá caído inconsciente de seguida. Quando acordou, encontrava-se na cama com a mulher e com Chan, e acredita que terá sido violada.
Alguns dias mais tarde, a mulher telefonou à vítima e e disse-lhe que o que tinha acontecido naquele dia foi "divertido" e que deviam repetir. A vítima rejeitou a proposta. No dia 23 de Janeiro, a mulher voltou a ligar-lhe e disse-lhe que tinha em sua posse uma gravação da vítima a gemer enquanto tinha relações sexuais. O casal terá usado a gravação para pressionar a vítima a regressar ao apartamento e ter relações, de modo a satisfazer Chan.
Chan e a mulher continuaram a dizer à vítima que lhe entregariam as gravações se ela continuasse a regressar ao apartamento e a ter relações com ambos. A vítima regressou ao apartamento pela última vez a 14 de Abril, altura em que Chan lhe disse que não entregaria as gravações. O caso continua a ser julgado hoje, e a mulher terá confessado a co-autoria nos crimes de que Chan é acusado.
Rum, Sodomy & the Lash (1985) ***** Produção: Elvis Costello Duração: 45:25 The Pogues: Shane MacGowan - Voz Spider Stacy - Flauta irlandesa James Fearnley - Acordeão Jem Finer - Banjo Cait O'Riordan - Baixo Andrew Ranken - Bateria Phillip Chevron - Guitarra Pessoal adicional: Henry Benagh - Violino Dick Cuthell - Trompa Tommy Keane - Gaita irlandesa
Este é um dos discos mais fabulosos da história. Apenas o segundo dos Pogues e o seu magnum opus. O disco podia muito bem ser a banda sonora de um filme sobre marinheiros, corsários, bêbados e outros aventureiros. Abre logo com uma louca correria, The Sick Bed of Cuchulainn, passa para um tema forte sobre prostiuição masculina, The Old Main Drag e passa por clássicos como A Pair of Brown Eyes ou Sally MacLennane, que saíram em single. Dirty Old Town, um clássico do poeta Ewan McColl celebrizado pelos Dubliners é outro dos temas fortes do disco, e a última faixa é uma sentida evocação da batalha de Gallipoli, da Primeira Grande Guerra, escrita por Eric Bogle em 1972, The Band Played Waltzing Matilda. MacGowan em grande forma canta 9 das 12 faixas originais do disco. A reedição de 2004 conta com seis faixas extra.
Eastern Promises (2007) **** Realização: David Cronenberg Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassell, Armin Mueller-Stahl Duração: 100 minutos Rating MPPA: R (violência brutal, algum sexo gráfico, nudez e linguagem)
Londres, tempo presente. Um barbeiro turco mata um cliente checheno. Num hospital uma adolescente russa morre a dar à luz uma menina. Deixa para trás um diário onde conta a sua história. Uma parteira (Watts), filha de imigrantes russos, tenta descobrir as origens do bebé, e mergulha no mundo da máfia russa. Um mundo violento e complexo, onde o mínimo erro ou hesitação pode ser a morte do artista.
O misterioso e carismático Nikolai Luzhin (Mortensen) é o motorista de de uma das famílias mafiosas mais poderosas da Europa. A família é parte da Vory V Zakone (literalmente, irmandade dos ladrões), e liderada por Semyon (Mueller-Stahl), um charmoso e impiedoso 'padrinho', proprietário do restaurante russo mais famoso de Londres. A persistência da parteira em descobrir as origens da jovem despoleta a fúria dos Vory, à medida que vamos descobrindo que Nikolai não é quem aparenta ser.
Um filme crú e cruel sobre o underground londrino, a máfia russa que tenta manter as suas tradições e alma num país onde "nunca neva nem faz calor", como diz Semyon, ou "o futuro é hoje", como escreveu no seu diário Tatiana, a adolescente que morre no início do filme. Alguns dos pormenores foram trabalhados ao detalhe, como o das tatuagens. Aprendemos que cada uma conta uma história, e que um homem sem tatuagens, "não existe".
Viggo Mortensen faz o papel da sua vida, o que lhe valeu até uma nomeação para o óscar de melhor actor (só a cena na sauna foi meia nomeação...). Ainda não foi desta que David Cronenberg, que nos trouxe no passado filmes como The Fly, M. Butterfly ou Crash mereceu o reconhecimento da Academia. Fica para a próxima. Quanto a Eastern Promises? Bastante recomendável.
"Vamos fazer o nosso trabalho!" Em 1961, as escolas cubanas estiveram fechadas durante vários meses. Todos os estudantes foram para o campo ensinar a população analfabeta a ler e a escrever. O analfabetismo foi reduzido de cerca de trinta por cento para quase zero. Os livros pelos quais aprendiam a escrever incluíam conceitos como "cooperação, "socialismo" e "reforma agrária".
Os Soler, a banda de Macau composta pelos irmãos Dino e Julio Acconci, os mais poliglotas membros da família das "pizzas". Este tema '失魂' (sat wan) foi o single que os tornou conhecidos fora de Macau. Há quem os compare aos Maroon 5...
Mais do que a inflação ou o incomportável preço do imobiliário, o que mais me preocupa hoje em dia em Macau é a forma como os nossos cidadãos estão cada vez mais egoistas e individualistas, ao ponto de começarem, por vezes, a perder o discernimento. Desta vez a Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Avenida Almeida Ribeiro (ufa!), através do seu presidente Lei Chek Kuan, vem manifestar-se contra a presença de filipinos no Largo do Senado.
Reparem na última frase daquele último parágrafo: "vem manifestar-se contra a presença de filipinos no Largo do Senado". Eufemismo utilizado: apela às autoridades que tomem medidas contra a concentração de imigrantes nos bancos do Leal Senado. Não que os imigrantes tenham cometido algum crime ou incomodem o normal funcionamento das instituições ou estejam a atrapalhar o trânsito ou o comércio, não. Simplesmente porque estão ali a mais, pronto.
Segundo Lei Chek Kuan os moradores queixam-se da falta de locais para se sentarem e conversarem. Coitados. Isto realmente é preciso agir, e com urgência. Quando estes residentes compraram uma moradia, apartamento ou água-furtada na Av. Almeida Ribeiro, estavam também a comprar uma fatia ou talhão do Largo do Senado. Isto como se não bastassem os parquímetros ou o exagerado preço do parque automóvel em Macau, eis que agora é preciso pensar duas vezes antes de sentar o bronzeado rabinho (o dos filipinos, gostaram?) numa das cadeiras do San Ma Lou.
Não que esta associação esteja contra os tais imigrantes. Nada disso. Também os moradores do Helen Garden nada têm contra os velhos, nem eu tenho nada contra as baratas que aparecem cá em casa, só que quando as vejo, piso-as. Só que estes filipinos são da espécie mijanaestradus, já observada também lá para os lados das Ruínas de S. Paulo, e são facilmente reconhecidos pelo rasto de urina que deixam quando passam.
É que assim não dá. Os filipinos deixam lá lixo e "fazem barulho de madrugada". Sem ofensa, senhor Lei, mas o senhor é mesmo mentiroso, pá. É neste momento uma da manhã e desafio-o a ir ao Largo do Senado procurar um filipino que esteja a fazer barulho. Ah pois, sugere "mais policiamento" e aconselha as autoridades a patrulhar intensivamente a área de modo a fazer cumprir os regulamentos. Oh, oh, oh. Imaginem só, os senhores guardas de pauzinho em riste a garantir que cada cidadão não cospe ou deita lixo para o chão.
Mas é que isto pode até criar preconceitos nesta terra maravilhosa onde convivem tantas raças e credos em perfeita harmonia, diz Lei. Por causa de meia dúzia de filipinos mijões, a população pode pensar que nas Filipinas é hábito mijar-se na traseira dos Correios, como se de um ritual se tratasse. É engraçado, no outro dia fui ao Colégio D. Bosco assistir ao jogo de basquetebol do primo dos meus filhos, e fiquei estupefacto com a quantidade enorme de lixo que lá ficou depois do jogo. Juro que se tivesse levado o bate-chapas registava o momento. Mas ainda posso vir a fazê-lo, para a próxima.
E quanto à imagem do Largo do Senado, ex libris do território? Fica mal ter lá uns filipinos sentados todo o santo dia na amena cavaqueira? Eu preocupo-me mais com a imagem que passamos para os milhares dos turistas que nos visitam e observam aquele pobre velho que está de pé junto do Starbucks enalando um intenso cheiro a urina. O que se passa neste caso? Atracção turística? Património mundial? E o que faz esta associação da treta? Trava uma guerra contra os filipinos motivada por preconceitos racistas. Nada mais do que isso.
E depois o que sugere o presidente desta associação? Que se faça "uma divulgação mais eficaz de conceitos de educação cívica" entre os imigrantes, e que se "apazigue as saudades que têm de casa, dinamizando a cultura das comunidades locais". Noutras palavras, toca a educar os indígenas e atirá-los para guetos onde possam exercer livremente os seus actos de canibalismo ou lá o que é. Mas sabe uma coisa, sr. Lei? O Largo do Senado não é seu. É independente, é de toda a gente, não é de ninguém. E onde é que já ouvi isto?
Com o aparecimento da internet (leia-se "world wide web") apareceram alguns fenómenos interessantes. Um dia, mais cedo do que possamos pensar, a humanidade vai-se questionar como era possível viver sem internet, telemóveis ou TV cabo, e a tal "auto-estrada da informação". Se antes os nossos pais nos criticavam se passavamos muito tempo em frente à televisão, hoje os papás rendem-se às consolas, megadrives e outros artefactos sem os quais parece não ser possível um petiz moderno viver.
Agora que sai um estudo do IASM que indica que 40% dos conflitos domésticos em Macau são derivados do uso da internet e dos jogos "online", isso não me surpreende. Não faltam jogos e alienações diversas que façam os jovens passar horas a fio em frente ao computador, o que se por um lado é bom (é insensato afastar as crianças do computador), por outro lado torna-se uma obsessão. Olhos no ecrã, phones nos ouvidos a fazer lembrar o "Battlestar Galactica", olhamos para os nossos filhos e sabe-se lá porquê, não nos revemos.
É como se fosse uma espécie de Poltergeist bonzinho que passa o dia a jogar ping pong com os fedelhos e nunca se cansa. Diabólicas as Nintendo, Sega, Blizzard Entertainment e outras companhias que enriquecem à custa dos putos que consomem avidamente os seus aditivos produtos. Existe mesmo uma série de jogos chamada "Warcraft" em que os petizes - e que grande responsabilidade - têm que cortar madeira, fabricar armas e partir em combate para defender a aldeia, conquistar não sei quê, enfim, parece complicado mas faz-se sentado, com um ar pálido e abatido enquanto se ganha peso ao ficar com o rabo inerte o dia todo.
E pior! Existe uma série de jogos em que os jovens tomam contacto com música "rock" através de simuladores em forma de guitarra mas que não produzem qualquer som. Há quem considere isto a "tábua de salvação" da indústria discográfica, pois caso contrário os jovens nunca conheceriam a música! Escusado será dizer que os lucros das editoras discográficas são uma sombra quando comparados com as maiores developers de jogos de vídeo. Curiosamente aprender a tocar uma guitarra a sério é uma ideia que não atrai a juventude nos dias que correm.
É por isso que é preciso colocar alguma ordem na casa, e não deixar que os nossos miúdos sejam educados em frente ao PC, por muito eficazmente que isso substitua uma baby-sitter. É preciso manter as pernas a mexer, uma bola a saltar, e um sorriso genuíno nos lábios. Educá-los é a nossa função. Conflitos domésticos? Sem discussão possível.
A conhecida actriz de Hong Kong, Lydia Shum, conhecida por Fei Fei, foi a enterrar este fim-de-semana no Canadá, enquanto que na região vizinha decorreu uma cerimónia que teve um pouco de tudo. Um dos amigos próximos de Fei Fei, Alan Tang, criticou o ex-marido da gorducha mais querida de Hong Kong, acusando-o de ter sido um "pai ausente", referindo-se a Joyce, filha de ambos.
Adam Cheng, que casou com Lydia em 1985 depois de onze anos de vida em comum, separou-se apenas dois anos mais tarde, causando uma enorme depressão nervosa na actriz, que praticamente criou sozinha a filha. Adam subiu ao palco e defendeu-se, alegando que queria acompanhar Lydia na sua doença, mas Joyce achou por bem "poupar a mãe a essa emoção". Enquanto Adam falava, ouviam-se na sala comentários do tipo "isso são só desculpas" e "cala-te".
Joyce saíu em defesa do pai, e lembrou o auditório que estavam ali para homenagear Lydia, e não para lavar roupa suja. Acrescentou que não ia tolerar mais comentários e mexericos sobre a sua família, e que mais importante do que as pessoas falam, é o facto de que ela e o pai "entendem-se muito bem". Adam tentou falar com Alan Tang enquanto descia do palco, mas este último recusou.
A cerimónia contou com cerca de 200 convidados, entre os quais personalidades da televisão, cinema e música de Hong Kong. A sala estava decorada com uma cortina dourada, 10 mil rosas champanhe e quatro fotografias de Fei Fei. O discurso de homenagem foi dado pelo actor Eric Tsang.
Acabei de falar com um bandido. Bandido a sério. Daqueles que já conheceu vários estabelecimentos prisionais e que começou a sua vida de entre as grades em Macau. Conhecio-o ali quando resolveu residir naquele território para negociar em estupefacientes. Hoje vive em liberdade, em Lisboa, onde controla uma rede de bandidos. Ele próprio me diz que é bandido e que comanda bandidos. Salienta que é um revoltado contra a sociedade que o "injustiçou" e que o "atirou" para a marginalidade. Uma marginalidade de "alto nível", que envolve "bandidagem à séria" e que presta serviços "aos tipos da alta" bem sucedidos na vida...
Resolvo falar com o bandido porque há uns meses encontrei-o e o homem desfez-se em abraços a afirmar que não se esquecia "até morrer" que eu tinha sido a "única pessoa" que o tinha visitado na prisão da ilha de Coloane. Recordo-me perfeitamente que a minha visita ao presídio se ficou a dever à vontade que sempre me atingiu de querer fazer coisas diferentes dos outros. Na imprensa macaense foi a primeira entrevista a um presidiário. O bandido respondeu à chamada num ápice e pensou que eu estivesse em apuros por algum motivo. Acalmei-o, mandei-o sentar e disse-lhe que o único inimigo que tenho e que me destruiu a vida está bem longe, e como nem a esse guardo rancor, não o tinha chamado por precisar de qualquer serviço seu de bandidagem. Expliquei-lhe o que era um blogue, ao que me respondeu que sabia perfeitamente. Adiante. Disse-lhe que tinha achado inverosímil a versão que a Comunicação Social tinha tornado pública sobre a morte de Alexandra Neno, em Sacavém, mulher de um jornalista, e que se baseava na teoria de o crime ter sido uma acção de carjacking. Expliquei-lhe que no meu blogue tinha imediatamente a seguir ao crime escrito que não se tratava de carjacking. Que tinha recebido alguns emails a contrariar a minha tese e a perguntarem-me em que me baseava para afirmar que não era carjacking. E mostrei ao bandido os jornais desta manhã onde uma fonte policial afirma estar posta de parte a possibilidade de ter sido carjacking. Resposta do bandido: "Você tem razão. Mais uma vez mostrou que é um bom jornalista e que os seus colegas andam cá a ver passar os comboios. O gajo do crime não tem nada a ver com o carjacking... (pausa para beber uma cerveja às 9.30) o pessoal do carjacking actua sempre em grupos de quatro a oito. Quatro num carro, dois noutro carro e outros dois numa garagem para onde levam o chaço... não matam e atiram com o bimbo para fora do carro... querem é o chaço e daqueles dos bons, tipo Porsche, BM's, Mercedes e Volkswagen porque há uma grande procura das peças destes últimos... naquela zona faz-se carjacking e nunca se matou ninguém". Estava confirmado que o que eu escrevi aqui após o crime não tinha sido nenhuma leviandade.
O bandido adiantou-me várias razões que podem justificar o crime, plausíveis, mas que me abstenho de as mencionar. Isso é trabalho para as polícias. O bandido quis pagar a despesa e despediu-se com um "Para si, estou sempre livre, adeus!". E desapareceu. Com este bandido tudo pode acontecer até ser morto esta noite... porque é profissional da bandidagem. Mas, tem uma virtude: não tem falta de memória e nem é ingrato. Pessoalmente, confesso-vos: prefiro falar com um bandido destes do que com os 50 tipos que se diziam meus amigos e que agora nem o telefone atendem porque... são mais bandidos que este bandido.
Ontem foi dia de Sporting-Benfica. O derby aqueceu mesmo antes da partida propriamente dita, com confrontos entre adeptos. É normal. O derby de Lisboa é facilmente comparável ao "old firm" Celtic-Rangers, ao derby de Belgrado entre o Estrela Vermelha e o Partizan, ou ao encontro entre os dois maiores clubes de Atenas, o Olympiakos e o Panathinaikos. E na Europa é difícil encontrar outro igual.
Quando era miúdo não havia somente Sporting-Benfica. Havia "a semana do Sporting-Benfica", ou as semanas, uma vez que a anterior era uma ante-câmara do jogo, e na seguinte só se falava do resultado do jogo. Sendo superior a essas coisas do clubismo, custava-me assistir a discussões entre "leões" e "águias", e observar a forma como adeptos dos dois clubes se sentiam separados por essa barreira que por vezes consegue ser maior que a política ou a religião.
Mas ele há derbies inesquecíveis. Eram tardes de Domingo ou noites de Sábado com os olhos na TV ou os ouvidos no rádio. Lembram-se daquele que o Benfica venceu 1-0 e o Katzrirz defendeu um penalty? E no ano seguinte quando o Sporting venceu 1-0 com golo do "Manel" logo aos 3 minutos? E os 7-1 de que se falou durante meses? E os 2-0 com golo de Balakov aos 15 segundos? E os 3-6 na noite de João Pinto que deu o título ao Benfica?
Hoje o derby tem um significado menos especial. Confesso que tive de consultar a net para verificar quantos pontos de vantagem tem o FC do Porto. Doze depois deste derby. Ao que parece os portistas encaminham-se a largos passos para o "tri", quinto título em seis anos, décimo em catorze, décimo-segundo em dezassete, e por aí fora. Mas o derby...é sempre o derby. É nosso.
No Country for Old Men (2007) ****1/2 Realização: Ethan & Joel Coen Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly McDonald Duração: 122 minutos Rating MPAA: R (violência gráfica e linguagem obscena)
Eis o filme que os irmãos Coen queriam fazer há muito tempo. Se gostou de Fargo vai adorar No Country for Old Men. Só quem em vez do gelo do Dakota do Norte, a acção decorre debaixo do forte calor texano.
Llewelyn Moss (Brolin) é um soldador aposentado e veterano da guerra do Vietname que vive tranquilamente no seu trailer com a sua mulher Carla Jean (McDonald), até ao dia que, enquanto caça, encontra uma cena que aparenta ser uma transação de narcóticos que acabou em tiroteio, perto de um dos cadáveres está uma mala com 2 milhões de dólares que Moss leva com ele, e que é apenas o início dos seus problemas.
Quem persegue Moss e a mala é Anton Chigurh (Bardem), um assassino implacável a fazer lembrar o Terminator de Schwarzenegger, que parece igualmente indestrutível e imparável. Carrega uma garrafa de ar comprimido que transforma numa arma eficazmente letal, e desconhece o significado da palavra "misericórdia". Este papel valeu a Bardem o óscar para melhor actor secundário na edição dos prémios da Academia deste ano.
A acção decorre em 1980, e fala-nos muito sub-repticiamente de um país desiludido, cansado, ainda mal recuperado de uma guerra que perdeu e cujos valores - muitos deles inerentes à sua própria fundação - foram abandonados. A América deste filme não é, certamente, um "país para velhos".
Um filme cheio de violência, onde o sangue jorra, e que algumas pessoas impressionáveis podem achar melhor não ver. Se me perguntarem se este é um dos melhores filmes de sempre, posso responder que é um dos melhores dos últimos anos, sim. Pelo menos dos que têm vencido os óscares...
Durante uma das minhas viagens ao outro lado das Portas do Cerco encontrei este excelente DVD de animação soviética que explica em forma de documentário o trabalho destes animadores que trabalhavam dedicadamente para aquele regime. O primeiro disco é intitulado "Americanos imperialistas", o segundo "Bárbaros fascistas", o terceiro "Tubarões capitalistas" e o último "A caminho de um futuro brilhante: o comunismo". Mais do que pura ideologia, a propaganda comunista é arte. Basta lembrar os lindíssimos murais - e poucos subsistem, infelizmente - que a malta do MRPP pintava em Lisboa no tempo do PREC. Posto isto, de iniciar agora uma nova rubrica sobre os cartazes e posters de propaganda comunista de países como a extinta União Soviética, Coreia do Norte, Vietname, Cuba e, como não podia deixar de ser, a China. Espero que gostem.
1) O ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra foi recebido como um autêntico herói no país dos sorrisos, depois de ano e meio no exílio acusado de corrupção e favorecimento a familiares. Thaksin é no entanto amado pelo povo, pois ao contrário de muitos políticos com poucos escrúpulos, dava "uma no cravo e outra na ferradura", que é como quem diz, estendia a mão aos mais pobres. Depois da ditadura militar a que se seguiu a saída the Thaksin, as eleições de Janeiro trouxeram Samak Sundaravej para o posto de primeiro-ministro do país, e foi dada luz verde para o regresso.
2) Na Rússia parece que ficará tudo na mesma de pois das eleições de hoje. Ao déspota Vladimir Putin vai suceder Dmitry Medvedev, apoiado pelo partido "Rússia Unida" e mais outros três. Enquanto que parece certo que Putin continuará a manter a sua tentacular influência, nos Estados Unidos o candidato Medvedev parece começar já a incomodar. A pré-candidata às eleições presidenciais norte-americanas, Hillary Clinton, não conseguiu dizer o nome daquele que será provavelmente o próximo inquilino do Kremlin. Para os que perguntavam o que é feito de Vladimir Zhirinovsky, está vivo e de boa saúde, e é mais uma vez candidato pelo Partido Nacionalista russo.
3) Em Macau o projecto da nova ponte que fará a ligação entre Hong Kong-Macau-Zhuhai colheu reacções mistas. Há quem defenda que a ponte vai piorar o congestionamento do trânsito no território, enquanto os operadores turísticos aprovam. Especialistas questionam a potencialidade económica do projecto, enquanto ambientalistas preocupam-se com o golfinho branco chinês. Há de tudo. Em termos práticos a ponte significa que o cidadão se pode deslocar a Hong Kong de carro em apenas 15 ou 20 minutos. As questões do trânsito, licenças de circulação e afins resolvem-se depois. O resto é conversa...
É um blogue novo, fresco e cheio de humor. A arte bem portuguesa do trocadilho interpretada por João Moreira de Sá, aliás, Arcebispo de Cantuária. A seguir de perto e com atenção.
Por vezes quando oiço o programa das sextas à tarde da Rádio Macau "Com O Santos na Liga Portuguesa", esse exemplo de marialvismo tuga apresentado sem mácula pelo Hélder Fernando, noto que telefona um senhor espanhol chamado Miguel Larrea. Espanhol, ou basco, se preferirem. O Miguel veio para Macau nos anos 70 para jogar pelota basca, e foi ficando, exercendo a profissão de mecânico. Mas o que é a pelota basca, esse desporto praticamente desconhecido entre nós, portugueses?
É um desporto originário da região do País Basco espanhol e francês, é jogado a individuais ou a pares, e consiste basicamente em atirar uma bola de couro de cerca de 125 gramas contra uma parede a uma alta velocidade (o recorde foi estabelecido por José Ramón Areitio em Newport, em 1979, quando atirou a bola a 302 km/h!) com a ajuda de uma xistera (ou punta cesta, em castelhano), uma raqueta em forma de bico de pato. Melhor que explicar as regras só assistindo ao próprio jogo. Perceberam? Eu também não. Dá para perceber que é uma espécie de mistura entre o ténis e o andebol.
A arena onde se joga este desporto chama-se jai alai (lê-se "rai alai"), o que explica o nome do casino de Macau onde se jogava outrora a pelota basca. Jai alai significa, em basco, "festa feliz". A pelota basca chegou a ser incluída nos jogos olímpicos de 1900 (dois peloteiros espanhóis ganharam o ouro, que supresa...), e como modalidade de exibição em 1968 e 1992. O jogo foi exportado do País Basco para as Américas, principalmente para locais onde se privilegiava a diversão e os casinos, como a Florida, Las Vegas ou Tijuana.
Em Macau a Pelota Basca era moda no final dos anos 70 até ao início dos anos 80. Os peloteiros - entre os quais se incluía o nosso Larrea - eram autênticos ídolos desportivos. O palácio do jai alai enchia-se de miúdos e graúdos que assistiam avidamente aos jogos, e eram feitas apostas milionárias. O jogo começou a perder popularidade quando se começou a suspeitar de batota, e os adeptos foram procurar divertimento para outros locais. Ficou lá o Palácio, e por cá o Larrea...
1 pacote de "Petit mix donuts" 1 pacote de chá de maçã (15 saquetas) 1 pacote de banana frita "Banana Chips" 1 barra de chocolate com amêndoas "Fukui" 1 pacote de castanhas "Mukiguri" 1 barra de chocolate "Cacao 52" da "Fukui" 1 pacote de chocolates com arroz tufado "Fukui" 1 pacote de chocolate com frutos secos "Meito" 1 pacote de drageias de chocolate "Furuta" 1 barra de chocolate com arroz tufado "Tango" 1 barra de chocolate com bolachas "Oreo" da "Tango" 2 gravatas (uma preta para funerais)
Este é o restaurante Pou Heng Fu em Zhuhai. O ambiente é simpático e acolhedor, e lá podemos encontrar algumas delícias da cozinha de Cantão e Hubei. Mas mais do que o restaurante ou a comida propriamente dita, o que me encanta é a sua arquitectura.
Keith Richards não tem mesmo papas na língua. O guitarrista dos Rolling Stones descreveu o seu colega e amigo de longa data Mick Jagger como sendo "obcecado" e "vaidoso". Richards foi entrevistado pela revista Uncut a propósito do documentário que Martin Scorsese está a realizar sobre a banda. "Ele mal acorda já sabe a quem tem que telefonar", disse ainda a propósito de Jagger, "eu só dou graças a Deus por estar vivo e espero três ou quatro horas antes de fazer o que quer que seja". Sobre a vaidade do vocalista dos Stones, Richards acrescentou: "não interfere com nada do que fazemos; a vaidade não carrega uma banda, mas uma banda pode carregar alguma vaidade". Quando lhe perguntam que conselho daria aos jovens que começam agora no mundo da música, Richards é peremptório: "afastem-se das drogas". O músico, que foi durante vários anos viciado em drogas duras rematou: "entendo o fascínio pelas drogas, mas no fim, não vale mesmo a pena..."