sábado, 21 de fevereiro de 2009

O estímulo de Obama


A Obamagirl, que esteve em grande destaque o ano passado fazendo campanha por Barack Obama, está de volta. E desta vez rende uma homenagem ao pacote de estímulos para a Economia proposto pelo presidente norte-americano. Mais um produto da imaginação de Michael Gregory. Imperdível.

Já Leocardo não sou...


Acabei de receber um e-mail de um tal Jorge Silva (não o nosso simpático "lagarto" da TDM) representando uma tal Luxury Services, e que reza assim:

Bom dia Caro Jorge Fão,
Venho por este meio fazer apresentação da Luxury Services, uma empresa virada para quem gosta de produtos e serviços de qualidade.


A isto segue-se um anúncio publicitário qualquer em que não estou nada interessado. Ou isso ou se calhar não gosto de "produtos e serviços de qualidade".

Depois do Cardoso, do Leonel, do Leonel Cardoso e de "autores diferentes", agora sou o Jorge Fão. Já Leocardo não sou..., citando grande poeta que como eu era grande apreciador do chavascal e da badalhoquice em geral.


Nota: o corpo da imagem pode ou não ser o meu.

Hard as a rock


A banda australiana AC/DC vai actuar em Portugal a 3 de Junho, e só esta manhã, entre as 10 e o meio-dia foram vendidos 16 mil bilhetes (!). Uma autêntica loucura. Angus Young e comapnhia actuaram pela última vez em Lisboa em 1996, portanto há 13 anos. Vamos recordar aqui o tema "Hard as a Rock", do álbum "Ballbreaker".

Saudita come escorpiões


Um homem na Arábia Saudita, Majel al-Maliki, come 22 escorpiões...vivos. Um vídeo divertidíssimo com uma música fantástica, a não perder!

Afinal já podem


O tribunal de Torres Vedras autorizou o carro alegórico de Carnaval que exibe mulheres nuas num ecrã gigante do famoso computador Magalhães. Segundo Sérgio Lopes, autarca torreense, "Esta polémica serviu acima de tudo para ressuscitar estas características que diferenciam o nosso Carnaval. Aqui reina a crítica, a sátira social e a imaginação, não há lugar para a censura". Para Sérgio Lopes, a polémica da proibição do carro alegórico veio projectar o nome do Carnaval de Torres no mundo. "Hoje podemos ler comentários on-line de pessoas que estão nos mais variados pontos do globo, desde Berlim, à China e ao Japão e que gostavam de cá estar", afirmou. Haja algo de positivo numa polémica completamente desnecessária, que só serviu para fazer correr tinta. É simpático observar que Portugal afinal está a ir no bom caminho no que diz respeito à liberdade de expressão.

Não lhe dão música


O primeiro-ministro russo Vladimir Putin já reagiu ao facto da música representante da Georgia ao Festival da Eurovisão, que se realizará entre 12 e 16 de Maio em Moscovo, fazer referência ao seu nome. Putin, que se manifestou através do seu porta-voz Dmitri Peskov, considera que a canção é uma "transmissão de ambições pseudo-políticas" ou "simples hooliganismo". Peskov afirma que os russos não pactuarão com este tipo de insultos "anti-Rússia", e espera que a Georgia leve uma canção "representativa da riqueza cultural do povo georgiano". O júri de selecção do Festival poderá ter a última palavra em relação ao assunto, uma vez que os regulamentos proíbem manifestações, discursos ou gestos de cariz político e semelhantes. Uma bota difícil de descalçar para Putin, que não quererá arruinar a primeira edição do ESC realizada na Rússia. O Festival vem tendo uma popularidade crescente na Europa de Leste nos últimos anos, com Sérvia, Ucrânia, Estónia, Letónia e Rússia entre os vencedores na útima década.

Vodka Hendrix


Um fã de Jimmy Hendrix foi proibido de comercializar uma marca de vodka com o nome do mítico cantor norte-americano, falecido em 1970, aos 27 anos, de overdose. Segundo a "Experience Hendrix", detentora dos direitos de autor e imagem do artista, Craig Dieffenbach abusou do legado de Hendrix para fins comerciais, e segundo a família Hendrix, o vodka ainda por cima "sabia mal". O tribunal de Seattle determinou que Dieffenbach tem agora de pagar uma indemnização de 3,2 milhões de dólares (25 milhões de patacas). É caso para dizer que a brincadeira saiu cara...

Factos sobre o Carnaval


- Para homenagear o Deus Saturno, havia uma festa na Roma Antiga chamada “Saturnais”. As escolas ficavam fechadas, os escravos eram soltos e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de “carrum navalis” por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Muitos dizem que pode ter sido daí a expressão “carnavale”.

- A Igreja Católica opunha-se a estes festejos pagãos, mas, em 590, decidiu reconhecê-los. Exigiu, porém, que o dia seguinte (Quarta-Feira de Cinzas) fosse dedicado à expiação dos pecados e ao arrependimento.

- De lá para cá, o Carnaval foi mudando aos poucos de face. Na Idade Média, incluía sátiras aos poderosos. Os foliões protegiam-se de possíveis retaliações com a desculpa de que a festa os deixava loucos (”folie”, em francês, significa loucura).

- No Brasil o início da festa é conhecido como “grito de carnaval”. Antigamente os clubes promoviam festas pré-carnavalescas com este nome. Nessas festas as pessoas iam fantasiadas e cantavam e dançavam ao som de marchas de Carnaval.

- A data em que se comemora o Carnaval é definida com base na Páscoa. A Quarta-Feira de Cinzas sempre cai 46 dias antes do domingo da festividade, que é a soma dos 40 dias (quaresma) que antecedem o Domingo de Ramos com os 6 dias da Semana Santa.

- Em 1855 aconteceu aquele que foi considerado o primeiro desfile de Carnaval. Uma comissão de intelectuais formou um bloco chamado “Congresso das Sumidades Carnavalescas”. Os participantes foram até o palácio de São Cristóvão pedir para que a família real assistisse ao desfile. Dom Pedro II aceitou o convite. A polícia do Rio de Janeiro autorizou o desfile de blocos pelas ruas em 1889.

- Foi na Rua Visconde de Itaúna, próximo a Praça Onze, que nasceu o samba. Uma roda de amigos improvisava versos na casa de uma das moradoras do morro, a tia Ciata (Hilária Batista de Almeida). Em 6 de agosto de 1916, o grupo criou a música "O Roceiro", que caiu no gosto do povo. Depois de repetida noutras noites, sempre com muito sucesso, Donga, um dos participantes, resolveu registrar a canção em seu nome, com o título de "Pelo telefone". Quando ela foi gravada, em 1917, os outros integrantes do grupo - Germano Lopes da Silva, Hilário Jovino Ferreira, João da Mata, Sinhô e tia Ciata - reivindicaram direitos pela composição. Donga contestou essa versão.

- O nome do ritmo é de uma língua africana chamada banto, falada em Angola. Há duas versões para sua origem: ou ela deriva do termo samba (bater umbigo com umbigo), ou é uma junção de sam (pagar) e de ba (receber). Nas antigas rodas de escravos praticava-se a "umbigada", dança em que dois participantes davam bordoadas um no baixo-ventre do outro.

- O Carnaval brasileiro é descendente do “entrudo” português. O dicionário diz que "entrudar" significa molhar com água, empoar de goma ou talcos, fazer peça. E a farra era esta mesmo. No século 17, os foliões armavam-se de baldes e latas cheias de água, e todos acabavam molhados. Até Dom Pedro II atirava água nos nobres. Acontecia aqui antes do início da Quaresma e durava três dias, do domingo até a terça-feira gorda.

- Com o passar dos anos, a brincadeira foi ficando mais agressiva. Água suja, farinha e talco lambuzavam as roupas dos brincalhões. Limões, laranjas e ovos eram atirados em quem estivesse na rua. Logo surgiu uma lei proibindo o entrudo. Em 1854, um chefe de polícia do Rio de Janeiro determinou que a partir daquela data o entrudo tinha de “ser seco para não estragar as roupas mais caras e cuidadas e não provocar desordens e confusão”. O entrudo seco transformou-se no Carnaval.

Fonte: Guia dos Curiosos (editado)

O dia de João Pinto


Outro clássico, desta vez de boa memória para o Benfica, realizou-se em Maio de 1994. O Sporting lutava pelo título e o jogo em Alvalade era decisivo. Os leões até começaram bem, e estavam a vencer 2-1 com golos de Cadete e Figo. Mas era o dia de João Pinto. O avançado do Benfica realizou uma exibição de sonho e marcou três dos seis golos com que o Benfica venceu por 6-3. Os restantes golos dos encarnados foram apontados por Isaías (2) e Hélder. O Benfica de Toni foi campeão nesse ano.

Foram só sete


Hoje é dia de Sporting-Benfica, o maior clássico do futebol português. Muitos sportinguistas certamente se lembram deste jogo no Estádio de Alvalade, em Dezembro de 1986. O Sporting goleou os encarnados por sete bola a uma, a maior goleada de sempre do "clássico". Manuel Fernandes esteve em grande destaque ao apontar quatro dos sete golos dos leões. Curiosamente esta foi a única derrota do Benfica para o campeonato essa época, e o inglês John Mortimore levou o Benfica ao título e ainda à conquista da Taça. Vamos recordar.

Porto passa em Paços


O Porto bateu ontem o P. Ferreira no Estádio da Mata Real por duas bolas a zero, com golos de Hulk e Bruno Alves (penalty), um em cada parte. O Porto fica assim à espera do desfecho do Sporting-Benfica de hoje, e caso os leões vençam, poderão ficar no frente com quatro pontos de vantagem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Os blogues dos outros


Nesta história em redor da venda das actuais instalações da Livraria Portuguesa, impressiona o desprezo com que o Governo Português trata do assunto. Ao invés de procurarem estimular o sentimento lusófono por estas bandas, adoptam uma postura de “aqueles gajos que estão para lá que se entendam”. A prioridade parece ser impingir os Magalhães aos compinchas Chavez e Kadaffi. Nunca a Cultura e a Língua deveriam estar sujeitos aos meros interesses de mercado. Passe o exagero, qualquer dia o que restará da presença portuguesa em Macau serão os pseudo-pastéis de nata que aqui são vendidos.

El Comandante, Hotel Macau

Os “homemsexuais” (na velha expressão que o povo cunhou), sejam eles bichas ou gays, têm afinal a mesma opinião da Igreja Católica (“IC”) no que aos temas mais polémicos diz respeito. De facto, a IC, volvidos tantos anos a apregoar a interpretação metafórica e alegórica do Livro Sagrado, vem agora dizer, pela boca do Cardeal D. José Saraiva Martins, que há que atender à interpretação literal das Escrituras. Se a Bíblia fala de Adão e Eva (e não de Adão e Ivo), é porque os “homemssexuais” não têm espaço bíblico, são anormais e não têm nada que casar. Casamento é para os heterossexuais! Ponto. Ora, por sua vez, os tais “homemsexuais”, a par da IC, são os maiores defensores do casamento heterossexual (coisa que nem os heterossexuais defendem, pelo menos os que não são padres). É que, meus amigos, sem os casais heterossexuais a procriar em barda, falta a matéria que será o objecto da próxima luta do lobbie da "Opus Gay": a miudagem. Sem miudagem, não há cá adopção para ninguém. E, a não ser que recebam a graça divina de procriar entre si, os “homemsexuais” estão lixados! O que será uma chatice, pois até o próprio Bloco de Esquerda vai ter de inflectir e meter-se na droga. É que começam a faltar temas que interessem aos bloquistas. E essas merdas das questões económicas dão trabalho e são uma maçada.

VICI, MACA(U)quices

Lembro-me agora que na última vez que estive em Hong Kong deparei com uma manifestação da seita Falun Gong, que protestava contra as perseguições de que tem sido alvo pelas autoridades de Pequim. Ora, a bandeira da organização é uma suástica cercada por quatro ying e yang (as polaridades do equilíbrio), inscritos sobre um círculo açafrão. O laranja, que entre nós só se vende com a Fanta ou com o PSD, é a cor da pureza monacal com que os religiosos se cobrem. Como são diferentes as culturas, como é rica a diversidade humana. Por favor, quando vierem à Tailândia, não façam qualquer reparo à suástica. Se o fizerem, terão uma multidão em fúria defendendo um dos seus mais estimados e reverenciados símbolos.

Miguel Castelo Branco, Combustões

O crescimento da esquerda nas mais recentes sondagens é uma boa notícia para o PCP e o Bloco de Esquerda, que têm feito uma pertinaz oposição ao Governo de José Sócrates. Mas é também algo que poderá forçar ambos os partidos a mudar a sua natureza, deixando de ser forças que se esgotam no protesto para se assumirem como eventuais parceiros de uma coligação governamental. Na hipótese, cada vez mais provável, de o PS ficar longe da maioria absoluta nas legislativas, tanto o Bloco como os comunistas poderão ser potenciais parceiros de uma coligação com Sócrates. É para isso, aliás, que o PCP pede votos aos portugueses de eleição em eleição: para “alterar a correlação de forças políticas e levar o PS a praticar uma política de esquerda.” Palavras que seriam absurdas se não traduzissem uma vontade sólida de vir a ser governo. A alternativa seria a continuação das “políticas de direita”, de que se queixam em simultâneo comunistas e bloquistas, com uma hipotética coligação PSD-CDS ou com a reedição do “bloco central”, sob a inspiração do actual modelo alemão de “grande coligação” entre democratas-cristãos e sociais-democratas em Berlim. Assumirão PCP e BE o ónus do regresso da direita ao poder? Será para isso que um número crescente de portugueses manifesta a intenção de votar nestes dois partidos?

Pedro Correia, Delito de Opinião

Ofereço um doce especial das iguarias conventuais da minha terra, ao leitor que adivinhar qual é o director de jornal que ao ser contratado exigiu que lhe fosse antecipadamente paga a indemnização a que teria direito, caso um dia viesse a ser dispensado pela entidade patronal. Exigiu e foi aceite. Agora não vale desmaiar: foi-lhe pago 1 milhão de euros.

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Sobretudo o ar sisudo do ser de cabeleira loura é um eloquente retrato dum país em que no Carnaval se discutem coisas sérias como a liberdade de expressão e o poder do ministério da Educação sobre os professores e nos restantes dias fazemos de conta que é Carnaval e ninguém leva a mal cursos por fax, licenciamentos à medida, denúncias de que o SIS pressiona magistrados, os negócios da CGD…

Helena F. Matos, Blasfémias

O debate, ontem, no Prós e Contras foi um belo momento político, cívico e cultural. Os que se opõem ao casamento homossexual (ou entre pessoas do mesmo sexo, satisfazendo o preciosismo jurídico) entraram vencidos e saíram derrotados. Nem de outra forma poderia ser; tanto pela profundidade e complexidade da questão, que não dominavam, como pelo ar do tempo, que os domina. As declarações finais, de Isabel Moreira e de Miguel Vale de Almeida, foram particularmente felizes e complementares, num composto de intencionalidade emocional e assertividade intelectual – e até taxativas nisso de apelarem àquele mínimo de bom senso que suporta a existência mesma de uma dada comunidade. Posto que a homossexualidade não é crime nem doença, como o século XX ocidental acabou por estabelecer, decorre que a igualdade antropológica obriga à igualdade de direitos.

Valupi, Aspirina B

A CENA É CONHECIDA, e o que se passou ontem em Torres Vedras foi apenas uma penosa variante: Está um grupo de amigos a contar anedotas, e a certa altura um deles dá nas vistas porque, ao contrário dos outros todos, permanece sisudo. O que se passará com ele? Estará doente? Já conhecerá as piadas? Nada disso; pura e simplesmente ele, privado de senso-de-humor, não as percebe. Nessa altura, um dos presentes faz o que sempre se deve evitar em circunstâncias semelhantes: desata a explicar as anedotas, perante o ar atento do infeliz que, em vão, dá o seu melhor para as entender. A situação provoca uma nova onda de gargalhadas - agora já não a propósito das anedotas, mas sim à custa da outra "anedota" que ali está a fazer a triste figura.

Carlos Medina Ribeiro, Sorumbático

Das gazetas: "Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras". Fico agradado em saber que o Ministério Público zela pela segurança e pela protecção dos cidadãos, ao ponto de inspeccionar os "conteúdos" ofensivos da acção educativa do Governo, no notoriamente subversivo Carnaval de Torres Vedras. Já agora, lembro ao Ministério Público que existe um sketch dos Gato Fedorento em que se goza despudoradamente com o Magalhães, e se ouvem crianças inocentes a dizer "gaijas" e "gaijas nuas", e ainda por cima se caricatura despudoradamente o Senhor Primeiro-Ministro. É favor agirem em conformidade.

Victor Abreu, Jantar das Quartas

Que há liberdade de expressão, que se podem satirizar os políticos e as suas políticas e propostas. Já se percebeu que José Sócrates não consegue viver com a oposição parlamentar sem ser mal-educado (talvez isso seja uma constante na sua personalidade, não sei que felizmente não o conheço, de qualquer forma fica mal em televisão), sabíamos que Sócrates também não gosta de manifestações que não idolatrem a sua pessoa e até manda a polícia espantar tais ingratos manifestantes, ficamos agora a saber que até com brincadeiras de Carnaval se amofina. E a independência do Ministério Pùblico está bem e recomenda-se, claro.

Maria João Marques, Farmácia Central

Mais tropas norte-americanas para o Afeganistão significa que, mais dia menos dia, virá um pedido de ajuda de Washington para que a Europa também assuma a sua quota de responsabilidade. Aí se verá o encanto europeu para com esta nova Administração.

Carlos Manuel Castro, Palavra Aberta

O Café Aliança, um dos Cafés mais antigos do país, situado na «baixa» de Faro, foi encerrado, esta semana, por decisão judicial, na sequência de uma acção de despejo por falta de pagamento das rendas. Com mais de cem anos, o Aliança resistiu à voragem do final dos anos sessenta, como resistiram o Majestic, do Porto, o Santa Cruz, em Coimbra ou a Brasileira do Chiado, em Lisboa. Resistiu à ASDAE há dois anos quando decretou o encerramento por deficiências «técnico-funcionais», mas não resistiu à actual crise. O Café Aliança guardava a memória dos «famosos» que por lá se sentaram: Marguerite Yourcenar, na década de 60; Simone Beauvoir, nos anos 40; Fernando Pessoa, que aqui se reuniu com os futuristas algarvios. O poeta António Aleixo, ali ia vender cautelas. José Apolinário, presidente da Câmara de Faro, declarou que quer «salvaguardar o património histórico e material do Café Aliança». Mas não disse como pensa fazê-lo. É nestas situações (de litígios privados), sobretudo quando toca à defesa do património e da memória colectiva, que os poderes públicos não sabem agir e falham desastradamente.

Tomás Vasques, Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos

Os "suspeitos que não são suspeitos" do caso Fripór andam a comer o pão que o DIAP amassou.

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Ovos, subsídios e jornalistas


1) Os consumidores estão alertas em relação a ovos falsificados que vêm da China. Os tais ovos são feitos com uma série de compostos químicos, incluíndo alume, uma espécie de cristal utilizado na indústria como um coagulante. Os ovos são vendidos a metade do preço dos ovos originais. Com todo este trabalho e ainda por cima a por metade do preço, pergunto se não faria mais sentido vender, sei lá, ovos normais?

2) A Fundação Macau vai oferecer subsídios no valor de 300 patacas a cada residente que queira participar nas comemorações do 60º aniversário da implantação da R.P. China e o 10º aniversário da criação da RAEM. A ideia é boa e as intenções são as melhores, mas como é costume em Macau em tudo o que envolve dinheiro, têm sido vários os casos de "desonestidade" com o objectivo de obter os subsídios, que só podem ser conseguidos através de participação em actividades organizadas por associações. O Gabinete para Proteção de Dados Pessoais já veio avisar os cidadãos a ter "cuidado" com a quem fornecem dados como o número do BIR e outros. Dada a importância destas datas "redondas", não seria melhor atribuir as 300 patacas aos residentes e deixá-los fazer o que quiserem, sem os obrigar a nada? Às vezes tanta "organização" resulta em...desorganização.

3) Um jornalista do South China Morning Post devidamente credenciado não foi autorizado a entrar em Macau para fazer a cobertura do julgamento do ex-secretário Ao Man Long, realizado esta semana. A situação causou um grande mal estar entre os democratas de ambos os lados do delta do Rio das Pérolas, e teve honras de grande destaque na imprensa. Certamente que os Serviços de Migração têm muito boas razões, e podiam apresentar uma qualquer (ex: não nos apeteceu). Mas só uma pergunta: o que tem o jornalista a mais que os deputados do Legco que foram impedidos de entrar em Dezembro, para merecer tal destaque e preocupação pela malta da imprensa? Ao impedir a entrada de uns pela mesma razão (ou seja, nenhuma), abre-se um precedente. E agora é só "normal" que aconteça.

Mulheres nuas é que não


É carnaval, ninguém leva a mal. Ou alguns levam, como é caso do Tribunal de Torres Vedras, que ordenou que fosse retirada uma sátira do desfile carnavalesco da cidade, um dos mais populares do país. O monumento mostra um adolescente a pensar no futuro, com um computador Magalhães de ecrã gigante, que apresentava pequenas imagens de mulheres nuas. O tribunal socorreu-se de um decreto de lei datado de 1976 e assinado pelo primeiro minsitro Pinheiro de Azevedo que proíbe a "exibiçã de material pornográfico ou obsceno", ou "imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública". Como resposta da organização do carnaval torreense, vai-se ler agora no ecrã do Magalhães: "conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora-adjunta da Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras".

Com mil macacos


O New York Post está a ser acusado e racismo, e não é para menos. Na sua edição de quarta-feira, o jornal nova iorquino publicou um cartoon de um macaco abatido pela polícia e onde se pode ler "parece que agora vamos precisar de outra pessoa para apresentar o pacote de estímulos económicos", numa referência ao aatque de alguns macacos violentos no Connecticut na segunda-feira, e ao presidente Barack Obama. Várias associações de direitos humanos e civis já demonstraram o seu repúdio.

We don't wanna put in


O Festival da Eurovisão 2009 realiza-se entre 12 e 16 de Maio mas já há uma polémica. A canção da Georgia chama-se "We don't wanna put in", e além do título já de si bastante suspeito, a letra inclui o que se presume serem referências ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin ("We don't wanna put in/The negative move/It's killin' the groove"). De recordar que o ano passado a Rússia teve uma intervenção violenta naquela ex-república soviética. Os autores e intérpretes da canção, um quarteto chamado Stephane and 3G poderá ter problemas com o regulamento do concurso que especifica que "as canções a concurso não devem incluir letras, gestos ou discursos de natureza política ou equivalentes". Para piorar a situação, o Festival realiza-se este ano em Moscovo.

Why worry?


Para terminar a semana em beleza, nada como uma das vozes mais extraordinárias da música, a grega Nana Moskouri. "Why Worry?" é um original dos Dire Straits interpretado por esta talentosa cantora, que fala correctamente oito línguas, foi deputada do Parlamento Europeu entre 1994 e 1999 e vive actualmente na Suíça.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Igreja e homossexualidade


Os últimos tempos têm sido marcados por uma certa discussão que muito divide a opinião pública: o casamento de pessoas do mesmo sexo. Este blogue têm dado uma especial atenção ao assunto, não propriamente à essência da questão (o direito ou não dos homossexuais de contrair matrimónio), mas a certas opiniões da Igreja Católica sobre o assunto. Alguns leitores mostram-se visivelmente incomodados com as minhas opiniões sobre a posição marcadamente homofóbica da Igreja, ou do direito desta última em interferir numa questão meramente civil e social, mais do que moral ou ética. Nunca em ocasião nenhuma neguei o direito à Igreja Católica de dar a sua opinião sobre o assunto, mas quando o faz, é de um conservadorismo atroz, e de uma enorme falta de humanismo. Humanismo pelo qual a Igreja se tem pautado, e bem, em outras situações.

Considero-me agnóstico e nem sequer sou baptizado, crismado ou qualquer outra modalidade da vasta gama que a Igreja Católica oferece aos reles seres humanos como forma de “entrar no reino dos céus”. Não sou judeu nem comunista, sou sim de uma família ribatejana em que o chefe de família (o pai, conceito muito católico) teve a inteligência e a sensatez de deixar os seus filhos escolher o que queriam para o seu futuro, incluíndo a religião. Não foi fácil, e a família Leocardo sofreu pressões de muitos lados para que os seus rebentos fossem registados no grande index do catolicismo, dos que se podem, no fim, “salvar”. Preocupam-me mais os assuntos terrenos, nomeadamente o exercício da democracia e dos direitos terrenos inerentes a qualquer cidadão. O que mais me preocupa é a vida, e a hipoteca da casa. Com o pós-vida e o lugar no Céu preocupo-me depois.

A Igreja tem defendido o “modelo tradicional de família”, que consiste no pai, na mãe e nos filhos, quantos mais melhor, segundo a doutrina cristã na sua vertente católica. Os cidadãos homossexuais, que na falta de um yang para o seu yin ou vice-versa, não são capazes de concretizar este conceito de família tradicional, daí que sejam vistos como uma “anormalidade”, um senão no glorioso plano que a Igreja diz ser “o de Deus”. Generalizando este conceito, incomoda-me que a Igreja não tenha pensado em todas as ovelhas do seu rebanho. E não me refiro apenas aos homossexuais, mas aos casais inférteis, por exemplo, aos que optaram por não ter filhos (que são cada vez mais) ou às pessoas que gostam simplesmente de ficar sozinhas. Como se pode observar facilmente, são muitos os exemplos de família “não-tradicional”. O que se sentem estes cristãos que têm fé como qualquer outro quando a sua Igreja insinua que o seu estilo de vida é uma “anormalidade”?

A questão da adopção é ainda muito complicada, e falo da burocracia e da exigência. Não é fácil a qualquer casal adoptar uma criança simplesmente porque é estéril ou porque prefere salvar uma criança orfã do que trazer outra ao mundo. Pesam factores como as condições económicas, o registo criminal, a estabilidade do casal e outros. Na falta de uma China ali à mão de semear, o processo pode demorar vários anos e muitas vezes esbarra na regra da família de acolhimento (famílias que recebem crianças em risco) não poder adoptar. Quando o Bispo D. José Policarpo disse que a legalização do casamento entre homossexuais “é um mau exemplo para as gerações futuras”, que “podem escolher de uma lista aquilo que podem ser”, errou. O que mais queremos é que as gerações futuras possam escolher o que querem ser, e há cada vez mais alternativas. O que mais faltava era que os nossos filhos fossem o que nós queremos, ou pior ainda, o que a Igreja quer que eles sejam.

Fui criticado aqui por ter dado a entender que o lugar da Igreja Católica é a “dar a missa”. Nada disso. A Igreja tem e sempre teve um papel importante na sociedade, no seu aconselhamento e na orientação a homens, mulheres, casais, jovens e marginais da sociedade, como os sem abrigo, presidiários, prostitutas ou toxicodependentes. O que me leva a questionar: o que têm afinal contra os homossexuais em geral? Duvido que Jesus, um homem bom e fundador do cristianismo (que se confunde muitas vezes com a Igreja Católica) tivesse preconceito com os homossexuais, da mesma forma que não tinha com os aleijados, os leprosos ou as prostitutas. Sabem qual das citações atribuídas a Jesus é a minha favorita? “Que atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Se o que os preocupa é a palavra “casamento” e a instituição em si, que se chame outra coisa qualquer, então.

Já expliquei porque me oponho ao casamento de pessoas do mesmo sexo, e não tem nada a ver com religião ou com o núcleo familiar. Nada me irrita mais que as bichas loucas (passo o brasileirismo) que usam o lobbyismo para marcar a sua afirmação, e a volatilidade das suas relações pessoais, que são mais um “estilo de vida” do que propriamente uma convicção. Quem fica a perder são os restantes homossexuais que se amam (yes, they can) e não querem mais que a mesma liberdade do restantes casais que se amam. Mas se essa for a vontade expressa de uma maioria parlamentar eleita democraticamente pelos portugueses (ao contrário de uma religião que é inerente e seguida muitas vezes apenas por tradição), que seja.

Nem o argumento do eventual divórcio dos homossexuais (que para uma certa corrente de pensamento “prova” que os homossexuais não conseguem ter uma relação estável) pega, quando perto de metade dos casamentos heterossexuais em Portugal acabam eventualmente em divórcio. E entenda-se que não simpatizo com os “devassos” que agem em nome da homossexualidade da mesma forma que me irritam os chamados “machões”, que tratam mulheres como objectos e praticam a infedilidade conjugal como forma de afirmação da sua masculinidade, não olhando a quem magoam, com um completo desrespeito pelos votos a que se comprometeram a cumprir.

Quanto à questão da minha insistência em escolher a Igreja Católica como alvo preferencial. Os católicos têm no seu historial um rol de atrocidades e horrores que cometeram quando tinham demasiado poder, e por alguns dos quais chegaram mesmo a pedir desculpa. Um fiel leitor chamou-me a atenção para esse facto, e lembrou-me que “já não estamos nos tempos das cruzadas e da inquisição”. Muito bem, mas é para isso mesmo que serve a História: para que nos lembremos dos maus exemplos do passado, e que não os deixemos repetir no futuro. O leitor usou o exemplo do passado bélico da Alemanha e do Japão. A diferença é que nem um nem outro estão interessados em repetir esse passado, e o mundo olha com atenção e suspeita de qualquer acontecimento que possa fazer lembrar esse passado, e eventualmente dê a entender que se repita. Basta recordar as peregrinações do ex-primeiro ministro japonês ao mausoléu de Yasukuni, onde se encontram os restos mortais de alguns dos piores criminosos de guerra japoneses, que veio acordar alguns fantasmas desse triste passado.

Quando o Bispo D. José Saraiva Martins fala de “anormalidade” e usa Adão e Eva como exemplos, está a fazer lembrar os tempos em que o dogma se sobreponha à lógica e à razão. A igreja não pode nunca passar uma mensagem para um povo que se diz (ou se quer) educado e inteligente que “Deus não queria homossexuais, por isso fez um homem e uma mulher”. Chega a ser insultuoso. Se outras religiões condenam igualmente a homossexualidade, isso é outra história. O que está a acontecer em Portugal agora é a sequência do que está a acontecer em outros países de maioria cristã, como os Estados Unidos, os Países Baixos, o Reino Unido e mesmo a nossa vizinha Espanha, onde já existem leis que regulam o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo.

Comparar o caso de Portugal com o que passa no Islão (prisões, torturas, morte) é descabido. Acredito ainda que o Islão (que tem um “atraso” de sete séculos em relação ao cristianismo no que toca à sua fundação) possa vir a evoluir, como tudo que evolui, no sentido de ser mais tolerante e aberto. Existem exemplos de países islâmicos onde a homossexualidade não é punida por lei, como a Turquia e a Malásia (que castiga a sodomia, mas não a homossexualidade per si), e um bom exemplo de que Islão pode não ser igual a homofobia. Além do mais, se a homossexualidade ou os seus malefícios vêm referidos na Bíblia ou na Torah judaíca, talvez não seja uma coisa de ontem, ou de há alguns séculos, mas um aspecto diferenciado da natureza humana. Não uma “anormalidade”.

Finalmente uma referência aos leitores que dizem que dou demasiada importância à Igreja Católica, e de que esta discussão não é mais que uma manobra de charme do Governo socialista de José Socrates para desviar a atenção de coisas muito mais importantes, como a Economia. Ora bem, a Igreja Católica tem importância, sim, e daí a dualidade quanto ao tema da homossexualidade. Se os portugueses, bem como toda a gente, não fossem maleáveis ou influenciáveis, ignoravam simplesmente o assunto, o que não acontece. O português médio (e Portugal não é só Lisboa e Porto) é temente a Deus, e reconhece na Igreja a Sua palavra. Se não é praticante e muitas vezes não é o melhor dos cristãos, isso é aceitável, e perfeitamente normal. Agora numa questão que não lhe diz directamente respeito, pode muito simplesmente seguir a orientação que a sua fé lhe indica, o que neste caso é a homofobia. O homófobo padrão usa os mesmos argumentos que a Igreja Católica tem vindo a apresentar: os homossexuais não se reproduzem, não é “natural”, é pecado, etc. Em relação à “urgência” de debater outros temas urgentes para o futuro da nossa nação, só posso dizer uma coisa. Duvido que os portugueses percebam mais de economia do que de sexualidade. E desde quando um tema social não é importante para que se discuta a qualquer altura?

PS: peço desculpa pela extensão do post subordinado a este assunto, mas são posições que gostava de clarificar, e que não cabem na secção de comentários.

Outro acidente...


Um autocarro colidiu esta manhã num pilar de betão na Av. Almeida Ribeiro, causando ferimentos ligeiros em onze pessoas, que foram assistidas no Hospital Kiang Wu. O condutor alega que se tentou desviar de alguns peões que tentavam atravessar fora da passadeira. As autoridades revelaram que o condutor submeteu-se ao teste de alcoolemia, mas "não excedia o limite permitido por lei", sem divulgar no entanto a taxa acusada. Mas esperem, o senhor bebeu? Logo de manhã? Confira aqui a reportagem da TDM.

Amor e vida


Uma mulher italiana de 32 anos vai ser inseminada com o esperma do marido de 35 anos que se encontra em coma irreversível, vítima de um tumor cerebral. O esperma foi recolhido ontem na clínica do conceituado médico Severino Antinori (na imagem), conhecido por realizar fertilizações in vitro e ajudar mulheres na menopausa a engravidar. O caso ganhou alguma notoriedade por outras clínicas se recusarem a avançar com o procedimento sem uma autorização judicial, mas o pai do homem em coma agiu como "tutor" do filho e autorizou o procedimento. O Vaticano (outra vez...) condena a pretensão do casal, alegando que "um filho deve ser fruto de um acto de amor e não de uma experiência de laboratório". O ginecologista Antinori refuta as acusações da Igreja, dizendo tratar-se de "um acto de vida e de amor".

Uma questão de orgulho


O jornalista iraquiano que atirou dois sapatos ao ex-presidente americano george W. Bush a 14 de Dezembro em Bagdade diz que o fez para "restaurar o orgulho ao seu país, devastado pela guerra e pelos Estados Unidos". Muntadhar al-Zeidi, de 30 anos, cujas imagens a atirar os seus dois sapatos a Bush correram mundo, disse hoje na primeira sessão do seu julgamento que "não tinha intenção de magoar Bush, ou envergonhar o primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki", mas que a sua reacção se devia "ao sentimento de raiva e frustração por ver o seu país destruído, e ter assistido à morte de mulheres e crianças inocentes". Al-Zeidi recebeu uma enorme ovação quando entrou no tribunal, e usava um cachecol com as cores da bandeira iraquiana, feito pela sua tia. Devido à enorme comoção, o presidente do colectivo de juízes ameaçou mandar evacuar a sala, e adiou o julgamento para 12 de Março. Al-Zaidi encontra-se sob custódia das autoridades desde o ataque a Bush, e pode ser condenado a 15 anos de prisão por "ataque a um chefe de estado estrangeiro".

Suicídio por nicotina dá prémio


Um tribunal da Florida ordenou à tabaqueira Philip Morris o pagamento de uma indemnização de oito milhões de dólares (64 milhões de patacas) à viúva de um fumador que morreu de cancro do pulmão. O veredicto pode abrir um precedente para os 8 mil casos semelhantes pendentes naquele estado do sul dos Estados Unidos. O juíz rejeitou o pedido de Elian Hess, a viúva de Stuart Hess, de uma indemnização de 130 milhões de dólares, uma vez que o marido foi "parcialmente responsável" pela sua própria morte. Hess fumava três maços de tabaco Benson & Hedges por dia, até à sua morte em 1997, aos 55 anos. Depois de nove horas de deliberação o tribunal decidiu que a gigante tabaqueira devia parar dois milhões de dólares à viúva,um milhão ao filho de ambos, David, e cinco milhões em danos. A Philip Morris já anunciou que vai recorrer da sentença.

O regresso de Julia


Lembram-se de Julia Roberts? A actriz que se celebrizou em "Pretty Woman" no papel de uma prostituta com um coração de ouro está de volta com "Duplicity", um filme de espionagem realizado por Tony Gilroy em que contracena com Clive Owen. Numa entrevista à revista Allure, Roberts falou da sua vida nos últimos quatro anos, o seu casamento com o cameraman Danny Moder e o seu novo papel de mãe, dos gémeos Hazel e Finn, 4 anos, e Henry, de 2 anos. O que me chamou a atenção para a entrevista de Roberts foi o rol de queixinhas que fez dos "paparazzi", que "não a deixam a paz". Julia defende que devia existir uma lei (?!) que impedisse qualquer pessoa de fotografar os filhos das celebridades. Diz-se ainda "chocada" quando descobriu na internet uma fotografia dos filhos que ela própria nunca tinha visto. É o preço da fama, Julia...

Para que serve o Google?

As uvas amargas de Lauda


O tri-campeão mundial Niki Lauda criticou os pilotos de F1 de hoje em dia, e o actual campeão Lewis Hamilton em particular. O austríaco foi entrevistado a propósito do seu 60º aniversário (no próximo Domingo), e disse "que os pilotos de hoje são como robots, não têm paixão". Lauda disse ainda que no tempo dele "a morte era sempre uma opção", e que hoje em dia os pilotos guiam karts até aos 18 anos, e depois entram direitinhos para a F1. Sobre Hamilton, disse ainda que o único carisma que tem é a sua namorada, a cantora Nicole Scherzinger das Pussycat Dolls. Niki Lauda foi campeão mundial em 1975, 1977 e 1984, esta última vez apenas com meio ponto de vantagem sobre o francês Alain Prost, seu colega na McLaren. Em 1976 sofreu um grave acidente em Nürburgring que lhe queimou metade da cara, e lhe danificou gravemente os pulmões. Desde que se retirou do "circo" em 1985 é mais conhecido pela companhia aérea com o seu nome, a Lauda Air.

Braga em grande


O Sp. Braga goleou ontem os belgas do Standard Liège por 3-0, no jogo da primeira mão dos dezasseis-avos da Taça UEFA. O colombiano Wason Rentería inaugurou o marcador com este golo fantástico aos 16 minutos, Leone aumentou a vantagem ainda antes do intervalo, e Luis Aguiar fez o resultado final a seis minutos do fim. Os bracarenses vão agora para a Bélgica daqui a quinze dias com um confortável vantagem, e caso passem a eliminatória jogam com os franceses do Paris SG ou os alemães do Wolfsburgo. Ontem no jogo da primeira mão os franceses venceram por duas bolas a zero, em Paris.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Há esperança


O restaurante Boca Macau, situado no Venetian, organiza amanhã um jantar de beneficência e um leilão como forma de ajudar o Berço da Esperança, a única instituição de caridade em Macau que ajuda crianças orfãs e abandonadas entre os 0 e os 6 anos de idade. O Berço da Esperança tem-se debatido com enormes dificuldades há já vários anos, que a recente inflação aliada à crise económica mundial vêm piorar. O jantar é bastante chique, o cocktail de recepção é às 18:00, e o jantar começa às 20:00. O preço do jantar é de 488 patacas (mais 10% de taxa de serviço) e o dinheiro angariado reverte para a associação do Berço da Esperança. Ainda pode fazer a sua marcação através do número 2882 8477 (sr. Jun Fermin) ou através do e-mail jun@boca.com.hk. Vamos lá, então.

Acidente no túnel


Sete pessoas ficaram feridas, entre as quais uma mulher grávida, num acidente que se deu esta manhão no Túnel da Guia, junto ao Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Um veículo pesado embateu numa estrutura que estava a ser usada para fazer reparações no túnel, fazendo-a ceder. As autoridades suspeitam que o condutor do camião, que media 3,80 metros e transportava um excesso de peso, terá perdido o controlo da viatura. Cinco motociclos não conseguiram parar a tempo e colidiram com o camião. Para prevenir acidentes, os serviços de trânsito proibiram a passagem de veículos com mais de 3,60 metros de altura, e o condutor do veículo terá ignorado os avisos. O acidente condicionou o trânsito na Av. Sidónio Pais durante toda a manhã. Veja aqui a reportagem da TDM.

Saraivada


O Cardeal D. José Saraiva Martins veio lançar mais uma farpa na discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entrevistado por Fátima Campos Ferreira na Figueira da Foz, o cardeal disse que a homossexualidade é uma anormalidade, e que um casal homossexual não tem capacidade para educar uma criança, por exemplo.

"Quando se juntam dois homossexuais, eles ou elas, se há crianças, evidentemente, aquela união, aquele casamento, não pode providenciar a formação das crianças", disse sua santidade. "Porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe. E não de dois pais ou de duas mães", acrescentou. A propósito da homossexualidade em geral, o cardeal argumentou que "não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja". Leia-se ixto com um xotaque axim.

A propósito da pressão da Igreja Católica numa eventual lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, D. José Saraiva Martins disse "quando se fala de direitos civis não tem de se interrogar a Igreja, tem de se interrogar o Estado. Quem elabora as leis do Estado não é a Igreja, seria uma intromissão, evidentemente". Mas mesmo assim defende que numa lei deste tipo deve "existir uma colaboração estreita entre o Estado e a Igreja". Lá vão continuando a avisar.

D. José Saraiva Martins reiterou as palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa D. José Policarpo, quando este aconselhou as mulheres cristãs a "pensar muito bem" antes de casar com um muçulmano. "Uma mulher cristã deve ter a certeza que pode continuar a professar a sua fé depois de casada, e que podem dar uma educação cristã aos seus filhos". Esta é a Igreja Católica que temos. Manda recados em tons paternalistas, impõe as suas posições, mesmo que de forma moderada, e vive parada na idade das Trevas. Com que então Deus não queria homossexuais, por isso criou o homem e a mulher, e a homossexualidade é uma "anormalidade". Muy cristão, sem dúvida.

A mulher, o intermediário, o malaio e o amante dele


Um casal homossexual foi condenado em Hong Kong por planear um casamento fraudulento, segundo o Departamente de Imigração de Hong Kong. O malaio Derek Chong, 29 anos, e o honconquense Andrew Lam, 51, pagaram em 2006 a quantia de 25 mil dólares de Hong Kong para que o primeiro casasse com uma residente e conseguisse obter através dela fixação de residência. Depois de obter um visto provisório, os dois amantes começaram a viver juntos, e em Novembro de 2007 Chong obteve um visto de três anos. Chong e Lam foram condenados a oito meses de prisão por "conspiração conjunta". Um amigo de Lam foi condenado a cinco meses de prisão por ter servido de intermediário, ajudando a encontrar a mulher com que Chong casou.

O diabo no corpo


Um tribunal japonês condenou a prisão perpétua o homem que raptou, matou e esquartejou uma jovem em Abril do ano passado. Takanori Hoshijima – um programador informático de 34 anos apelidado pela família da vítima de "demónio com rosto humano" - foi ontem considerado culpado de homícidio premeditado no Tribunal de Tóquio. Em Abril de 2008 Hoshijima raptou a sua vizinha Rurika Tojo, de 23 anos, com a intenção de torná-la sua escrava sexual. Temendo ser apanhado pela polícia, cortou o pescoço da jovem, cortou-a em postas usando uma serra e uma faca, despejando alguns pedaços do seu corpo pela sanita abaixo e guardando o resto em sacos pretos que deitava no lixo a caminho do trabalho. O juíz Kiichi Hiraide considerou que "ficou arrepiado com os factos", e que o réu "tratou a vítima como um mero objecto", destacando ainda o enorme sofrimento por que tem passado a sua família. Hoshijima foi apanhado em Maio, depois da polícia ter encontrado partes do corpo da vítima num esgoto perto da sua casa.

Os melhores blogues


A conceituada revista norte-americana Time elegeu os 25 melhores blogues de 2009. Os melhores para eles, claro. Uma lista que pode ser consultada aqui.

Em primeiro lugar encontramos o Talking Points Memo, um blogue inclinado para a actualidade política norte-americana, da autoria do jornalista Joshua Marshall. Marshall teve a ideia de começar o blogue durante a polémica recontagem dos votos da Florida na eleição presidencial americana em 2000.

Em segundo lugar está o Hugffington Post, da socialite Arianna Huffington. O "London Observer" considerou o blogue de Huffington "o mais poderoso do mundo".

Na última posição do pódio está o Lifehacker, um blogue com sugestões para downloads e não só, e que recentemente se tem tornado uma espécie de manual de sobrevivência de como combater a crise económica. Conselhos de como viver bem sem gastar muito, onde encontrar as melhores ideias ao melhor preço, e muito mais.

O Bairro do Oriente encontra-se, infelizmente, em 26º lugar. Estou só a brincar LOL.

A fórmula francesa


As autoridades sanitárias da região vizinha de Hong Kong lançaram um alerta aos consumidores para não comprarem leite em pó da marca Babynat Organic Infant Milk, uma "fórmula francesa", fabricada pela Vitagermine, depois de ter sido testada positiva com a endobactéria sakazakii. O Centro para a Segurança Alimentar, alertado pela União Europeia, já avisou os retalhistas que retirem o leite das prateleiras dos supermercados. A bactéria foi já encontrada em 135 quilos do leite na Coreia do Sul. A endobactéria sakazakii pode provocar a meningite e a enterite.

Já bebeu seu chichi hoje?


O gau jal é um refrigerante feito de urina de vaca, e é a bebida mais popular na região e Haridwar, no norte da Índia. O grupo Rashtriya Swayamsevak Sangh, o maior grupo nacionalista da Índia, desenvolveu a bebida como uma alternativa saudável à Coca-Cola, o refrigerante mais vendido em todo o mundo. A ideia do grupo em desenvolver a bebida é uma tentativa de "diminuir a influência estrangeira no país", e promover a ideologia do Hindutva, ou hinduísmo. Devido à adoração dos hindus pela vaca, é comum que se comam fezes e urina do animal na Índia, e é um item normal nos supermercados em algumas regiões ao lado do leite e dos iogurtes. Existe mesmo uma pasta de dentes feita com a bosta da vaca (para um hálito especial). Om Prakash, responsável pelo gau jal (que significa literalmente "água de vaca") diz que a bebida "é muito saborosa, e não cheira nem sabe a urina", e quer agora alargar o prazo de validade do produto, para que possa ser comercializada para fora da Índia. Nós cá esperamos.

Os dez brinquedos mais gay


Se apanhar os seus filhos a brincar com estes, tenha medo. Tenha muito medo. Uma brincadeira da Liquid Generation.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E beber? Ajuda?


Um homem embriagado causou um incêndio na noite de ontem na Praça de Ponte e Horta, em Macau. Anteontem em Hong Kong um outro homem que bebeu uns copos a mais atacou um taxista e alguns transeuntes. O ministro das finanças japonês Shōichi Nakagawa demitiu-se depois de aparecer aparentemente inebriado numa conferência de imprensa. A culpa é do alcool? Ou de quem o bebe, ou melhor, não o sabe beber?

Não sou um grande adepto de bebidas alcoolicas, para ser franco. Tomo ocasionalmente um copo de vinho às refeições, e como sou apenas humano, aprecio uma cerveja bem geladinha no Verão com um pratinho de pipis, caracóis ou tremoços. Claro que já apanhei bebedeiras de caixão à cova, e já cheguei a fazer figuras tristes. Mas orgulho-me de pertencer ao grupo dos "bêbados alegres". Nunca me deu vontade de agredir ou chatear ninguém.

Apesar dos inúmeros malefícios que o alcool traz à saúde, beber com moderação e de vez em quando pode ser um passatempo agradável, e trazer benefícios à saúde. Os anti-oxidantes presentes na uva bebida em forma de vinho (sinceramente, quem gosta de sumo de uva?) podem reduzir em 30% o risco de doenças cardíacas no homem (na mulher, nem por isso). Mas falamos aqui de um copo de vinho, cerca de 12 cl diários. Cuidado com os excessos. A cerveja, diurética, e a sua levedura não fazem mal nenhum, contando que se beba menos de meio litro diariamente.

O alcool é responsável pela cirrose, aumenta o risco de certos tipos de cancro (colon, rectal, da mama), aumenta a produção de triglicémios causando obesidade e hipertensão. Nos diabéticos o alcool é perigosíssimo, uma vez que provoca a hipoglicose, pelo que se recomenda que nunca seja bebido de estâmago vazio. As bebidas refinadas (licores, bebidas "brancas" e os cocktails) são as piores. Um rum com coca-cola contém 240 calorias, um vodka com laranja perto de 250, um banana daiquiri 230 e uma Pina Colada quase 300 calorias! Eu pessoalmente guardo os cocktails para as férias, no resort, à beira da piscina.

Depois há os aspectos sociais do alcool. O alcoolismo é realmente um problema, e muitos alcoolicos não o sabem que são. O haloalcano (substância que provoca os efeitos inebriantes do alcool) aumenta a euforia, a sensibilidade, provoca a desidratação (as famosas "ressacas" não são mais do que isso) e oxidação. Não há nada mais degradante para o cérebro que o consumo frequente de bebidas alcoolicas. O alcool dilata as estruturas celulares que transportam cálcio para o cérebro, levando a uma actividade cerebral anormal, prejudicando a forma como as células comunicam. Daí as habituais "perdas de memória".

Quem não "aguenta" o seu alcool não deveria ser autorizado a beber. Existem os efeitos mais ligeiros e até um pouco cómicos, como o discurso arrastado, a urinação em público, os disparates que se dizem. Menos engraçados são os efeitos preversos: a confrontação física, a violência doméstica, e pior que tudo, os acidentes. O alcool é o maior responsável pela sinistralidade rodoviária e a morte nas estradas, bem como um dos maiores responsáveis por acidentes de trabalho. A um outro nível bem preocupante, influi directamente no desempenho sexual, e pode provocar impotência prematuramente.

Em Macau existe pouca informação, educação até, sobre os efeitos preversos do consumo excessivo de bebidas alcoolicas. Não existem programas de desintoxicação, e a lei que regula a venda de bebidas alcoolicas a menores é deficientemente aplicada, levando cada vez mais jovens a abusar do alcool em tenra idade. O consumo excessivo continua associado às classes mais baixas. Não é raro encontrar cidadãos inebriados a jogar mahjong em algumas partes da cidade, e o letal vinho de arroz (o tal que custa dez patacas o litro) é bastante consumido por trabalhadores da construção civil, que por falta de uma forma de ocupar o tempo livre, aliviam o cansaço e chamam o sono inebriando-se da forma mais rápida e barata possível.

Não quero aqui fazer o papel de higienista nazi que aponta para os males do tabagismo ou do alcool. Todos nós, maiores e vacinados, temos o direito de entrar num supermercado e açambarcar o estoque inteiro de Gin (prefira Saphire Bombay) ou de whisky (Glenffidich, Four Roses). Festa é festa, e dias não são dias. Eu próprio, quem me tira o ocasional champanhe (leia-se champanhe, não Raposeira) com morangos tira-me tudo. Muitas vezes não resisto a um Drambuie depois de uma farta refeição e o respectivo café (já agora uma cigarrilha de vez em quando nunca fez mal a ninguém, depende da ocasião e companhia). Mas sobretudo é preciso lembrar que a moderação é o segredo para se poder apreciar todos os frutos proibidos desta árvore da vida. E lembre-se: beber mais alcool não faz de nós mais homens.

Homem aranha volta a atacar


O francês Alain Robert, conhecido por "homem aranha", voltou a escalar as paredes do Edifício Cheung Kong (o "centro financeiro" do bilionário Li ka-shing), em Hong Kong, sem o auxílio de qualquer equipamento especial. Robert demorou 40 minutos para escalar os 283 metros dos 62 andares do edifício, e foi questionado pelas autoridades no final da contenda, sem que no entanto tenho sido formada qualquer acusação contra ele. Esta é a segunda vez que Robert escala o Cheung Kong (já o tinha feito em 2005), e a quarta vez que "trepa" um prédio na RAEHK. O ano passado escalou os 45 andares do Hotel Four Seasons. Alain Robert, 46 anos, já escalou de mãos nuas perto de 100 edifícios e monumentos em todo o mundo, incluindo a Torre Eiffel em Paris, a ópera de Sidney e as torres da Petronas, em Kuala Lumpur. Normalmente as autoridades não autorizam que Robert escale os edifícios. Um passatempo diferente, sem dúvida.

7 milhões


A população de Hong Kong ultrapassou pela primeira vez a barreira psicológica dos sete milhões, dados referentes ao final de 2008. Vivem agora em Hong Kong 7.008.900 pessoas, de acordo com o departamento de estatística e censos da RAEHK. É um aumento de 56.100 habitantes em relação a 2007, ou seja mais 0.8%. Registaram-se 78.700 nascimentos, 41.300 mortes e 18.700 novos residentes vindos do exterior, na sua maioria da R.P. China. A população de Hong Kong aumentou em 211 mil nos passados cinco anos, e prevê-se que seja de 8.3 milhões em 2033. Hong Kong tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, com uma média inferior a uma criança por mulher em idade fértil. O controlo da imigração tem sido um dos maiores problemas de Hong Kong, e uma vez que a maioria dos novos residentes provêm de estratos sociais mais baixos, temendo-se que os números da qualidade de vida de população caiam, e não consiga acompanhar as necessidades da economia em termos de competitividade.

Tensão na Coreia


Hillary Clinton, de visita ao Japão, pronunciou-se sobre a situação na península coreana. Segundo a secretária de estado de Barack Obama, os Estados Unidos "estão dispostos a abrir a mão a quem quiser descerrar os punhos". Não parece ser o caso da Coreia do Norte, que se diz "no direito" de testar um míssil nuclear de longe alcance, com a capacidade de chegar até ao Alasca. A imagem mostra manifestantes sul-coreanos em Seul a queimar bandeiras do vizinho do norte como protesto à ameaça nuclear de Pyongyang.

Eis o Aptera


O Aptera é um carro futurístico, a fazer lembrar o planador dos Jetsons, e é o último grito dos carros híbridos. Amigo do ambiente, o Aptera gasta um litro de combustível a cada 42 km, pesa cerca de 800 kg e custa qualquer coisa entre os 20 e os 40 mil dólares (160-320 mil patacas). Vai estar disponível ao público americano em larga escala até ao final do ano.

Xenofobia


Fernando Maurício e o seu Charges Brasil explicam porque é que não há razão para os brasileiros não poderem trabalhar nos States. Mais um momento de humor inteligente e incisivo.

Nakagawa é fixe


O ministro das finanças japonês Shōichi Nakagawa (中川 昭一) demitiu-se hoje, um dia depois dum escândalo onde aparece inebriado durante uma reunião do G7. Nakagawa respondeu a perguntas dos jornalistas com um discurso hesitante e arrastado, estava com uma aparência desmazelada e mantinha os olhos fechados durante a maior parte do tempo. Nakagawa, de 55 anos, explicou que tudo isto se deve a "medicamentos contra a gripe, e um pouco de vinho". Independente do que é "pouco vinho" para o agora ex-ministro japonês, a demissão foi inevitável, e a oposição japonesa aproveita para colocar mais pressão sobre o chefe do Governo, Taro Aso. O Governo atravessa a maior crise económica em 50 anos.

Boazona


Mais um produto do génio de Manuel João Vieira e os seus Ena Pá 2000. "Boazona" é um tema do disco "Opus Gay", de 1997. Um reggae de amor.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Darwin e a criação


A propósito dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e do século e meio da publicação do seu “A origem das espécies”, sinto que não posso deixar de expressar alguns pontos de vista sobre as teorias evolucionista e criacionista, e dos argumentos de ambas. É óbvio que defendo a teoria evolucionista, pelo simples facto de que a evolução está sempre presente, está sempre a acontecer. Todos os dias o Homem faz novas descobertas nos ramos da ciência, da tecnologia.

Se o engenho humano nunca tivesse evoluído, teríamos desde sempre o telefone, o automóvel, a electricidade ou mesmo a roda e o fogo, invenções relativamente recentes quando se mede a História da humanidade no tempo geológico. Mesmo a nossa civilização – oito mil anos – é insignificante perante os milhões de anos do tempo cósmico. A cristiandade, o Islão, e até mesmo a escrita aconteceram “ontem”. Se a vida deste planeta que hoje habitamos se reduzisse a um ano, estes oito mil seriam apenas um segundo.

Lembro-me de uma conferência dada há muitos anos pelo meu professor de Antropologia, em que falou que “no futuro” o Homem evoluirá ao ponto de ter apenas dois dedos num pé, uma caixa craniana maior, um sentido de visão cada vez menos apurado, e um apuramento dos sentidos da audição e do olfacto. Claro que este discurso foi motivo de galhofa na sala inteira. Risos de medo. A ignorância leva normalmente ao medo que usa o riso como que para afastar os maus espíritos, como quem bem lá no fundo está a pensar: “e se me sai um filho macrocéfalo com dois dedos em cada pé?”. A espécie humana é isto mesmo; o resultado de uma selecção natural, da lei do mais forte e com muito acaso à mistura.

Um dos argumentos utilizados pelos criacionistas para minar a teoria da evolução é: “Se o Homem descende do macaco, porque é que os macacos continuam a ter outros macacos e não um Homem?”. Isto é demonstrativo da pouca vontade de debater este tema que existe por parte dos criacionistas, que ao contrário dos evolucionistas, apresentam primeiro as conclusões, sem se preocuparem com os factos. Claro que se deve respeitar a fé (a tal que às vezes move montanhas) de cada um, mas não é menos verdade que as evidências são por vezes demasiado fortes para que se mantenham certos princípios como dogmas.

Para os criacionistas a Terra foi criada há seis mil anos por Deus, e tudo é hoje exactamente como sempre foi e sempre será. O primeiro homem foi Adão, e a primeira mulher Eva, que foi criada de um costela de Adão. Se Adão e Eva foram o primeiro homem e mulher, então os seus filhos tiveram filhos com quem? Não quero acreditar que a origem da humanidade é suportada no incesto. Assim como esta, há muitas outras perguntas que ficam por responder. A Bíblia é um livro maravilhoso, cheio de alegorias, simbolismo, e cuja leitura a todos recomendos, mas deve ser tomada em pequenas doses, com uma colher de chá, e não se deve levar tudo rigorosamente à letra. E há mesmo quem leve, pois só nos Estados Unidos, o país científicamente mais desenvolvido, existem 48% de criacionistas.

O livro de Genesis (é preciso não esquecer que todas as religiões/culturas têm a sua própria interpretação da origem do Universo e do Homem) é uma espécie de explicação, de teoria. Ninguém sabe exactamente a resposta para o sentido da vida, o porque estamos aqui. Aliás é curioso que a Igreja esteja sempre a procurar explicações para os mistérios que a sustentam. Ninguém sabe o que acontece depois da morte, não há provas da existência da reencarnaçã, do Paraíso, Purgatório ou Inferno. É irónico criticar a motivação dos terroristas islâmicos e as tais 72 virgens que os esperam no Paraíso, mas qual é a diferença entre essa convicção e as outras?

Mesmo Darwin, que recebeu uma educação cristã, terá ficado tão abismado com as descobertas que fez durante as suas viagens quanto ficaram as pessoas do seu tempo quando as deu a conhecer. Ao contrário dos ateus, esses senhores cheios de certezas, não duvido da existência de Deus. Talvez não do mesmo Deus que Miguel Ângelo pintou no tecto da Capela Sistina, mas um ser superior, um alfa. Se a própria evolução, indiscutível como é, tem as mesmas falhas que qualquer outra teoria. Darwin revolucionou o pensamento humanista da mesma forma que o fizeram Da Vinci, Galileu, Newton ou mesmo Marx.

Não é fácil discutir este tema abertamente; as pessoas gostam de qualquer coisa de divino a que se agarrar para justificar a sua própria existência. E não há nada de errado com isso. A Teologia é um conjunto de estudos respeitável, que tem uma história e um peso respeitáveis. O diálogo é quase impossível, e haverá sempre uma fenda irreparável entre as teorias do evolucionismo e do criacionismo. Se um meio termo existir, se a evolução faz parte de um grande plano divino que por alguma razão limita a nossa existência a uns meros 70 anos entre milhões que seja. Cada um acredita no que quiser, e eu não sou de dar sermões.

Mulher histérica em Chep Lap Kok


A grande sensação da internet do momento. Uma mulher chinesa de meia-idade ficou histérica em pleno aeroporto internacional de Hong Kong, após perder um vôo da Cathay Pacific com destino a San Francisco. Ao se aperceber que tinha perdido o vôo, e já depois da sua bagagem ter sido colocada no avião, atirou-se para o chão enquanto gritava "Deixem-me embarcar! Tenho que entrar no avião!" e precisou de ser controlada pela segurança do aeroporto. As imagens foram captadas por telemóvel, e desde o uploading na passada quinta-feira já foi vista 600 mil vezes.

Catorze e basta


Nadya Suleyman, a mulher que deu a luz oito gémeos no passado dia 26 de Janeiro está a gerar controvérsia na América e no resto do mundo. A mãe de 14 filhos chegou mesmo a receber ameaças de morte através de mensagens telefónicas e e-mail, e encontra-se agora em parte incerta "por razões de segurança" com os seus primeiros seis filhos, com idades entre os 2 e os 7 anos. Nadya recebe apenas senhas de alimentação no valor de 380 euros mensais, e subsídios por deficiência de três dos seus filhos. A super-mãe contraíu recentemente um empréstimo de 39 mil euros para continuar os seus estudos. Apesar da sua precária condição, sujeitou-se a um tratamento de fertilidade que a levou a subir as contas. A sua mãe é a sua maior crítica, justificando a fascinação de Nadya por tantos bebés pelo facto de ser filha única. Apesar das críticas e ameaças, Nady abriu uma página na internet onde aceita contribuições monetárias, e já foi convidada para dar entrevistas pagas, fazer anúncios televisivos e até a escrever um livro. O que lhe parece faltar é a simpatia da opinião pública, que defende que Nadya devia ser forçada a fazer uma esterilização.

Quem é o pai?


Afinal Alfie Patten pode não ser o pai da pequena Maisie. Aparentemente o jovem inglês que foi notícia em todo o mundo por se ter tornado pai aos 13 anos não foi o único (não, não foi o único, lalala) a ter relações sexuais com Chantelle Steadman. Outros dois rapazes, de 16 e 14 anos, afirmam ser eles os pais de Maisie, e um total de oito (!) rapazes afirmam ter tido relações com Chantelle. Segundo a sua mãe, a sra. Patten, o bom do Alfie está "devastado" por ter ouvido de outros rapazes que dormiram (bem, "dormiram") com a namorada na altura que ela engravidou. Não é para menos. Chantelle defende-se dizendo que "era virgem" e foi Alfie que lhe tirou a carica. Max Clifford, um representante da família Patten, diz que um dos rapazes que dormiu com Chantelle "tem fortes parecenças com o bebé". A família Patten vai agora realizar um exame de ADN para esclarecer toda esta putaria. Que desgraça...

Chavez forever


O despótico presidente venezuelano Hugo Chávez vence o referendo que aprova a emenda à constituição que o permite recandidatar-se à presidência da Venezuela sem limites de mandatos. Um ano depois de ter perdido o mesmo referendo, o ditador insistiu, e com um conselho eleitoral muito suspeito, levou a dele avante com 54% dos votos no sim. Chávez já anunciou que se recandidata em 2013, e promete só ficar se for reeleito pelo "povo". Não sei bem porquê, mas não acredito. Aqui temos outro Fidel Castro in the making. Ou pior, outro Mugabe. Para bem da Venezuela, esperemos que não.

Morreu Augusto Moreira de Oliveira


Faleceu na passada sexta-feira aos 112 e 127 dias o sr. Augusto Moreira de Oliveira. O simpático sr. Augusto nasceu em Guetim, Espinho, a 6 de Outubro de 1896, era a pessoa mais velha de Portugal, o segundo homem mais velho da Europa e o quarto do mundo. Foi um dos 25 homens registados que mais tempo viveu. Que descanse em paz este super-centenário, que desafiou o tempo que a todos nos leva. A pessoa mais velha de Portugal é agora o sr. António Fernandes de Castro, de Durrães, Barcelos, que tem 111 anos.

JPC deixa Expresso


O colunista João Pereira Coutinho deixou o Expresso, depois de cinco anos de contribuição semanal com a sua coluna de opinião intitulada "Divina Comédia". JPC despediu-se assim dos leitores do expresso:

Hoje [Sábado] é dia dos namorados e eu, rapaz romântico, termino aqui uma relação de cinco anos por decisão estritamente pessoal. Falo da minha relação com o Expresso, claro, e não posso deixar de partir com alguma frustração à mistura. Entendam: eu faço parte de uma geração que cresceu com o semanário "O Independente". E fazer parte dessa geração implicava olhar para o Expresso como o "saco de papel" institucional e cinzento, onde a liberdade criativa não abundava. O Expresso era o inimigo: na filosofia e nas vendas. Abominar o Expresso era o dever de qualquer colunista "conservador" que se prezasse.

Pois bem, estes cinco anos de colaboração com o Expresso foram a prova semanal de que estava errado. Com José António Saraiva, primeiro; e com Henrique Monteiro, depois, o Expresso foi, ironia das ironias, um prolongamento natural da doce liberdade, e da doce inconsciência, que eu bebi no "Independente". Sim, era bom bater com a porta, armar barraca, acusar o Expresso de maldades várias. Mas o Expresso é um desmancha-prazeres: nesta casa, escrevi sempre o que quis, como quis, onde quis. E, pior, directores e editores foram permitindo e apoiando, sem pressões, sugestões ou hesitações de qualquer espécie, os meus recorrentes números jornalísticos. Se falhei, falhei por mim. Se acertei, foi por minha conta e risco. É pouco?

Não, leitores. É tudo. A liberdade é a condição básica de que vive qualquer colunista. Hoje, cinco anos depois, saio como entrei: grato e de cabeça limpa.


Leia aqui o último artigo de JPC no Expresso.

Portugueses brilham em Inglaterra



O Manchester United goleou ontem o Derby County, fora, por quatro bolas a uma, em jogo dos oitavos de final da FA Cup. O português Nani inaugurou o marcador com um grande remate, e Cristiano Ronaldo apontou o terceiro golo dos red devils, e ainda viu um golo mal anulado.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Comida e sexo


E por hoje deixo-vos com um pequeno vídeo da Howcast sobre qual a melhor dieta a seguir para melhorar o seu desempenho sexual. Para o menino e para a menina. E lembre-se, sexo é também uma forma de exercício.

Leituras


- Esta semana no Hoje Macau Pinto Fernandes fala dos mitos do território, em Os mitos e a publicidade.

- Também no HM, Sheila Zandonai fala do património, em Cada patrimônio no seu tempo (sic).

- No JTM, Leonel Barros traz-nos mais um aspecto da misteriosa cultura milenar chinesa e suas superstições, em Deuses do portão contra o mau olhado.

- Nuno Lima Bastos comenta os estudos realizados pelo CEEDS esta semana sobre a qualidade de vida em Macau, em Estudos...

- N'O Clarim, semanário da Igreja Católica em Macau, José Miguel Encarnação fala da aproximação entre a China e o Vaticano, e ainda de um pequena história envolvendo a Venetian e aquele semanário, em Igreja e Venetian.

- Os e-mails da quinta dimensão levam-nos esta semana ao diferendo entre a AAM e a MUST quanto ao reconhecimento dos cursos de Direito da última, e ainda ao Grupo Corticeira Amorim, do outro lado. Em Uma questão de Direito.

- Já agora uma nota de simpatia para os leões de Macau, o Sporting local, que elegeu o seu corpo gerente. Saiba tudo aqui no blogue do SCM.

Boa semana de trabalho!

Querido Aníbal...


O presidente norte-americano Barack Obama escreveu ao presidente português Aníbal Cavaco Silva. Na carta Obama reitera a importância da amizade entre Portugal e os Estados Unidos, e manifestou o desejo de trabalhar com Cavaco com o objectivo de "edificar um mundo mais seguro". Na missiva divulgada há pouco pela agência Lusa podia-se ler "Estou confiante em que poderemos trabalhar em conjunto, nos próximos quatro anos, num espírito de paz e amizade, com vista a edificar um mundo mais seguro. É meu desejo trabalhar com Vossa Excelência nesse esforço e na promoção das boas relações entre os nossos países". Na carta Obama agradeceu ainda as mensagens de parabéns enviadas pelo presidente português aquando da sua eleição em Janeiro último. Enquanto primeiro-ministro, Cavaco Silva esteve na Casa Branca, no âmbito de visitas oficiais aos EUA, a convite de três Presidentes norte-americanos: Ronald Reagan, George H. Bush e Bill Clinton. Já como presidente esteve o ano passado em Nova Iorque por ocasião da Abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, e em Junho de 2007, quando abriu em Washington a exposição "Abraçando o Globo: Portugal e o Mundo nos Séculos XVI e XVII".