quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Rua da Amargura 苦味街 Bitterness Rd.



Aí está uma notícia que me aborrece, mas que não me consegue provocar surpresa ou espanto: Libo Yan, académico da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST na sigla inglesa, o que explica muito do que vem a seguir) defende que em Macau as vias públicas deviam ter denominação em inglês, de forma a "estimular o interesse dos visitantes". Ah! Boa, é que cansados de confundir a Duck Street (Rua do Pato) com o Chicken Alley (Beco das Galinhas), acabando assim perdidos, andando por portas e travessas sem encontrar a Happiness Street (Rua da Felicidade) - talvez fosse melhor passar primeiro pelo Spectacles Alley (Beco dos Óculos) antes de bater de frente com a Wall Lane (Travessa do Muro). A reportagem do Ponto Final terá certamente como pretexto um estudo publicado no início do mês passado intitulado "Tourist Perceptions of the Multi-Linguistic Landscape in Macau" (旅遊者對澳門多語種景觀的感知, no título original) e subordinado a um tema que me é muito querido: a toponímia de Macau. Uma das (poucas) coisas em que concordo com o tal dr. Libo Yan é nisto: é um tema complexo, riquíssimo, com uma temática diversa, e passível de diversas interpretações. Sendo assim, não entendo como é que se vai chegar a um consenso complicando-o mais ainda, ou seja, introduzindo um terceiro idioma onde se tem procedido a um trabalho incessante na procura de onde dois (português e chinês) têm pontos em comum, ou na busca das razões das suas divergências, procurando entender os porquês. Quando se fala de toponímia de Macau, reduzo-me a um "karma" da humildade muito especial: quanto mais procuro saber, menos sei, e quanto mais aprendo, mais tenho para aprender. Posto isto não posso senão começar a sentir fortes dores no cabelo quando vejo um turista (licenciado em Turismo, neste caso) qualquer vir com as maiores e mais ridiculas presunções que se possam imaginar sobre o tema. Sacrilégio!

Sim, é verdade que até 1869 a toponímia de Macau vivia debaixo de um sistema separatista, com alguns dos arruamentos a ter apenas um nome, ora em português, ora em chinês, com prevalência para os últimos, em especial na zona antiga da cidade, a do bazar chinês, pouco frequentada pela comunidade portuguesa e macaense - esta na altura ainda uma novidade, não existindo sequer o conceito de "macaense" como o conhecemos hoje. Foi o governador António Sérgio de Sousa, na sequência da política reformista do seu antecessor José Maria da Ponte e Horta que deu início ao registo cadastral das ruas, edifícios e terrenos, tendo a própria Conservatória do Registo Predial sido inaugurada precisamente nesse ano: 1869. Como é normal acontecer em situações desta natureza, alguns dos nomes foram dados "à pressa", ora seguindo uma tradução literal do nome em chinês da via publica, ora atribuindo-lhe nomes de figuras da época, algumas obscuras para a actualidade. No entanto fez-se o melhor que se podia para atender ao peso das tradições, superstições e restantes sensibilidades, o os nomes que não se traduziram ficaram na sua forma original, provocando assim as discrepâncias que temos hoje, e que se observam com facilidade: nomes de arruamentos que em português e chinês querem dizer coisas que nada têm a ver uma com a outra. Bom exemplo disso é a própria rua onde vivo, a Rua do Padre António, que em chinês se chama "gou lau kai" (高樓街), ou "rua das casas altas".

O exemplo que Libo Yan usa (e isto fazendo inteiramente fé na tradução do Ponto Final, que faço sempre) do Pátio dos Cules (e não "Beco do Cule", que não existe) é absurdo - o nome português é de facto esse, e na sua versão cantonense "Fu Lek Vai" (苦力圍), mas o nome "Choi Long Lei" (聚龍里) está lá também. Sim, isto significa "encontro de dragões", e tem um sentido positivo, de prosperidade, e talvez por isso mesmo seja fácil encontrar esse mesmo nome em restaurantes e lojas. De facto os cules eram trabalhadores braçais, pouco educados e facilmente ludibriáveis, que muitas vezes eram enganados por quem os contratava e que mais nada tinham para garantir a sobrevivência do que o seu esforço, e muitos deles eram negociados como escravos comuns. A palavra "cule" não é apenas mais do que uma tradução do original inglês "coolie", e chegando à fonte fica fácil de entender de onde é originária esta modalidade tão "porreira" de vínculo laboral, mas pondo essa questão de lado, gostaria de saber como foi Libo Yan chegar às conclusões que o levam a falar de "esperança num futuro melhor" - terá viajado século e meio no tempo, até àquela data, e perguntado a quem morava naquele pátio? É que não eram só os cules que eram conhecidos por dragões, mas sim todo o povo chinês: os chineses são "filhos do dragão", metaforicamente falando. Os cules, esses, eram chamados também de "leitões", pela forma ingénua como se deixavam enganar e ser tratados como mercadoria. Não penso que exista qualquer referência a leitões ou qualquer outro suíno na denominação original daquele arruamento, mas se a prosperidade é o problema, talvez o espertalhão do Libo Yan se tenha "esquecido" de mencionar que "Choi Long Lei" é uma designação que consta quer do cadastro de ruas de Macau, quer da placa toponímica. Mais difícil é de explicar porque é que a Rua dos Cules se chama em chinês "Tin Tong Kai" (天通街), qualquer coisa como "caminho do céu". Isso é que era interessante estudar, em vez de arrotar insinuações provocatórias.

Os restantes exemplos também pecam pela pobreza dos argumentos que os sustentam; "Fonte da Inveja" é o nome em português de "Yi Long Hau" (二龍喉) ou seja, "Fonte dos dois dragões". E depois? Alguem proibiu que se chamasse algum destes nomes, que são os que constam da placa toponímica? O Pátio da Ilusão (não "das ilusões" que não existe) é "Van Kok Vai" (幻覺圍), sendo que "van kok" significa exactamente "ilusão", e por acaso como fica aqui perto de casa, é também conhecido por "Kou Lau Lei" (高樓里) - "Beco das casas altas". Aqui perto existiam casas altas, pelos vistos. Uhhh...que místico. A Travessa do Garfo é "Ch'a Hong", e este "ch'a" (叉) quer dizer exactamente isso mesmo: garfo. Pátio da Adivinhação? "Pok Vai" (卜圍), tendo este "pok" o sentido de "adivinhação", nem mais nem menos. Pátio da Eterna União? "Veng Lun Toi" (永聯台): "veng" = eterna; "lun" = união; "toi" = pátio. Mas Rua da Barca, uh? Que tal? Agora é que me apanharam! Qual quê: "Tou Sun Kai" (渡船街), precisamente "rua da barca" - ou "balsa", se forem esquisitos. Nem Rua da Barca da Lenha, ou "Ch'ai Sun Mei Kai" (柴船尾街) engana seja quem for, pois quer dizer e-xa-cta-men-te isso: uma barca que carrega pequenos pedaços de madeira normalmente usados para atiçar ou alimentar o fogo, ou seja, "lenha". Já agora uma curiosidade: a célebre "Travessa da Chupa", à qual tanta gente acha imensa piada ao nome, é em chinês "Ma Kok Tai Sam Hong" (馬閣第三巷), ou seja, "terceira travessa a contar do templo da Barra", ou "templo de A-Ma". Desconheço o que seja esta "chupa", mas duvido que tenha a ver com alguma sauna de tailandesas ali existente, e deve ser algum objecto especial que os chineses usavam, tal como a "pinga", ou "tam kon" (擔桿), que deu nome a um beco algures na zona do Tarrafeiro.

Recordo que estou a falar sem ter tido acesso ao estudo completo, mas se é mais disto ou pior, também não vale a pena ler. Certamente que na altura em que foram atribuídos nomes em português às ruas que só tinham nome chinês e vice-versa, não seria humanamente possível reunir uma espécie de conselho de notáveis, composto por adivinhos, sinólogos e elites de ambas as partes para que não se perdesse pitada do significado dos arruamentos ou que se ferissem sensibilidades. Uma rua tem um nome, e o nome vale o que vale, e se há por detrás desse nome uma origem que nos remeta para a história, para a simbologia ou que tenha um significado especial, é só ir investigar - que parece ser algo que o dr. Libo Yan não fez, ou fez em cima do joelho. E se com ele foi assim, não seria muito diferente com um turista que olhasse para o nome traduzido de uma via pública em Macau. Fosse um estrangeiro ver o nome da Escada do Quebra-Costas traduzido em inglês para "Brokeback Staircase" e julgava ser alguma referência a um certo filme sobre dois "cowboys" larilas,muito popular há alguns anos. Desconheço as intenções do dr. Libo Yan, e não ouso especular, e muito menos estou aqui a fazer um exercício de vaidade, ou a mostrar que sei muito. É que mesmo eu, sabendo o que sei e vivendo em Macau há 21 anos, em permanente contacto com esta realidade da toponímia, só ousei arrotar postas de pescada sobre o assunto quando já tinha muitos calos - e ainda tenho muito que aprender. Não vai ser alguém que só porque é investigador ou jornalista que cai com o cu redondo em cima do assunto e pensa que vai saber tudo em dois dias. Humildade, meus amigos. Humildade, olhinho bem aberto (o de cima) e ouvidos bem atentos, é o que é preciso.

Didja know, maka-ists?



Olá! Hi! Sabiam que o dr. Roy Xavier vai estar amanhã às 13 horas na UMAC a dialogar com o pessoal na sala G024, o "Fellows Salon". Oh yeah, tumoróu, tartin our, salon, but no "hey barman, whiskey"...dialogate, iu no? Assim quem tiver questões a pôr sobre a comunidade  macaense ou a pesquisa do académico sobre o assunto, é mais que bem vindo! Ife iu áve cu-estions abaute macanist cólture ore riçarxe of academic for ichue, iu uélcome, iu no? Sempre é melhor do que ficar a falar mal e dizer disparates sem saber do que se trata. Béter den sepuique bulechite ande béde maute, uidoute noing uát tóquing, iu no? Então apareçam! Den xou ápe!

Porto nos oitavos, Sporting de raiva



O Porto qualificou-se ontem para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões ao vencer no sempre difícil Estádio de San Mamés Barria, casa do Athetic Bilbao, por duas bolas a zero. Os dragões deram-se ao luxo de desperdiçar uma grande penalidade, por Jackson Martínez aos 42 minutos, mas o colombiano redimia-se aos 55, ao assinar o golo inaugural do encontro, para o argelino Yacine Brahimi fazer o segundo aos 72. O Porto lidera o Grupo H com 10 pontos, contra 8 do Shaktar Donetsk, 3 do BATE Borisov e 1 do Bilbao. O Shaktar voltou a golear o BATE, desta vez em casa por 5-0, depois da vitória por 7-0 na Bielorrússia. O brasileiro Luiz Adriano marcou oito (!) golos nos dois jogos, e juntando o golo apontado ao FC Porto no empate a duas bolas entre as duas equipas em Donetsk, é o melhor marcador da prova, com um total de nove remates certeiros.



O Sporting venceu em Alvalade os alemães do Schalke 04 por 4-2, depois de uma derrota na Alemanha por 3-4, num jogo marcado pela arbitragem polémica de um árbitro russo, o que provocou um debate sobre os patrocínios da liga milionária. Os leões entraram com o pé esquerdo, com o goleador Islam Slimani a marcar um autogolo aos17 minutos, mas o central francês Mohammadou Sarr faria o empata nove minutos depois. Já no segundo tempo o brasileiro Jefferson dava vantagem a Sporting aos 52 minutos, ampliada por Nani aos 72. Os alemães ainda ameaçaram quando Dennis Aogo reduziu aos 88, mas em cima dos 90 Slimani redimia-se do erro inicial ao fazer o resultado final. Na outra partida do Grupo G o Chelsea empatou a uma bola no reduto do Maribor, mas continua na liderança com oito pontos, contra 5 do Schalke, 4 do Sporting e 3 do Maribor.



No Grupo F o Barcelona venceu em Amesterdão o Ajax por 2-0, e Lionel Messi aproveitou para fazer história ao mesmo tempo que os catalães se qualificavam para a fase seguinte. O argentino bisou, alcançando os 71 golos na Champions, igualando o português C. Ronaldo e o espanhol Raúl. Apurado também está o Paris SG, que venceu no Parque dos Príncipes os cipriotas do APOEL, mas apenas pela margem mínima. Edison Cavani marcou no munuto inicial, mas o que prometia ser uma goleada ficou apenas por isso mesmo, uma promessa. O PSG lidera com 10 pontos, seguido do Barcelona com 9, Ajax com 2 e APOEL com um ponto.



Finalmente no Grupo E, o Manchester City voltou a comprometer a passagem à fase seguinte, ao perder em casaa com os russos do CSKA Moscovo por 1-2. A equipa de Manuel Pellegrini continua sem traduzir para a Europa o sucesso a nível interno, e caíram para o último lugar do grupo com 2 pontos, contra 4 dos russos e dos italianos do Roma. Os romanos foram a Munique perder "apenas" por 2-0, e digo "apenas" porque no jogo da primeira mão em Itália os alemães foram impiedosos, goleando copiosamente o adversário por sete golos sem resposta. O Bayern de Josep Guardiola já garantiu a qualificação, somando 12 pontos - mais do que toda a concorrência junta.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O homem da broca (e dos sete instrumentos)



O empresário da construção civil Liu Chak Wan tem sido notícia nos últimos dois dias por uma série de motivos, digamos, assaz infelizes. O dono da empresa Tin Wai arrematou em hasta publica um lote de terreno situado na zona do Patane por 1400 milhões de patacas depois de um diferendo, ou melhor, vários diferendos com o Governo por causa de mil e uma parvoíces, entre a democção das máquinas, a mudança do plano urbanístico, exigindo que se eliminasse um arruamento, e até a limpeza do lixo, anunciou ontem que vai finalmente construir blocos habitacionais com 90 metros de altura, o que equivale a qualquer coisa como 50 andares. Uau! Isto é, como se diz na minha terra, "foda da grossa". E qual é a finalidade de tamanho colosso, que se elevara qual falo erecto e prepotente ali no triângulo não das Bermudas, mas das Lamúrias, entre o Fai Chi Kei, o Lam Mau e o Patane? Habitação pública? Dava jeito...atendendo ao preço que está o metro quadrado, longe do alcance das bolsas mais modestas, que serão todas menos a dos espertalhões cá do burgo mais as suas odaliscas e odaliscos. Imaginem que o cavalheiro até cometeu o desplante de vir dizer que o Executivo devia "reconsiderar se é mesmo necessário construir mais habitação pública" - lá é isso é coisa que dê dinheiro a alguém, ou melhor dizendo, a ele e aos seus "pangyaos"? Isto é o que se chama "sinceridade" senhoras e senhores. Podia ter reduzido o sermão a duas simples palavrinhas: "estao f...dos" que a gente entendia na mesma, só que em vez disso preferiu gabar-se da sua "capacidade de penetração", que atinge os 150 metros de profundidade. Bolas, bolas, bolas! Quantas úlceras estomacais e gargantas inflamadas provocam uma broca desta envergadura?



Aí está o arquivo do Bairro do Oriente em acção, e vejam só como a notícia é de 10 de Janeiro de 2008, quase tão antiga quanto este bloque, que arrancou 41 dias antes. Mas há mais: no Hoje Macau, em Agosto de 2012, o patrão da Tin Wai queixava-se que ainda não lhe tinham sido entregues os terrenos, coitado, que os adquiriu com o suor do seu rosto. Lá um ano depois (talvez cansados de o aturar) lá lhe entregaram o chupa-chupa, que os milhares de milhões não caem do céu. de nada adiantou que a revista Macau Business denunciasse a marosca. Sim, porque o tipo está em todas, e até à pedreira de Coloane queria deitar as unhas, em inícios de 2012. Epá mas este tipo não tem qualquer espécie de escrúpulos de ordem alguma, e em muitos países teria que responder pela justiça, pendurado por uma orelha. Mas esperem lá...afinal este não é uma "toupeira" que anda por aí a atrapalhar o bem social. É delegado de Macau à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, e ainda membro do Conselho Executivo, sempre em contacto com o continente, além de curador da Fundação Macau como presidente da MUST - Universidade de Ciência e Tecnologia, "chairman" da Trasnmac, cônsul-honorário da República da Estónia em Macau (um passaporte diplomático dá sempre jeito) e em 2006 foi apontado director não-executido da sucursal do Banco da América em Macau. Impressionante!



É isso mesmo, tudo isso, o homem farta-se de trabalhar! E têm dúvidas? Olhem que bem que se expressa em Mandarim. E o que faz a massa crítica? Nada. Entretém-se a brincar com a pilinha, que com "vergas" destas o melhor mesmo é ficar a rir feito um patetinha, como quem diz: "sou um espertalhão e sei de tudo isto, mas tenho o cu encolhido e ui, ui, medo, medo, portanto encolho os ombros e dou uma risadinha tonta, de espertalhão das dúzias". Entendo,entendo muito bem. É que se vocês chateiam o tipo, ele ainda vai fazer queixinhas ao tio, e três horas depois, quando este entender o que ele disse, 'tão tramados, ó pázinhos. Portanto aguentem aí com a broca do "man", que aquilo no início até aleija um bocadinho, mas depois habituam-se. Como é que se diz? Kkkkkk... Ah, isso deve querer dizer qualquer coisa, não é. Não trouxe foi o meu dicionário de grunhês. Eu dia eu ensino-vos como se faz uma coisa séria, que as pessoas entendam. Agora não tenho paciência para pedantes.

Maria nua, Maria tua, no meio da ruuuuaaaa!!!



Um casal chinês foi surpreendido na última quinta-feira a ter relações sexuais no meio da rua, e em plena luz do dia. Dong Jen, de 26 anos, e a namorada Lei Mei Ni, de 25, tinham estado a beber, e ao contrário do que dizem os defensores que o alcool estimula o líbido mas prejudica o desempenho, resolveram expressar fidicamente o seu amor em cimas de umas caixas de uma armazém em Bengbu, província de Anhui. Tain Yu, de 40 anos, segurança do armazém, ficou chocado com o que viu: "inicialmente pensava que estavam a dormir, mas depois viu-o com as calças em baixo com a cintura encostada à namorada, dando a entender...". Pois, a gente já sabe, normalmente isso é tudo menos "dormir". Tain diz que ainda "gritou com eles", mas parece que a bebida, além de inibir a condução de veículos, provoca ainda a surdez. Os TRANSEUNTES (é assim que se escreve, para quem a única língua em que comunica é o português e ainda se orgulha de o fazer MAL, chamando vaidoso a quem DISCRETAMENTE tenta evitar que faça figura de urso, acabando por fazer ainda PIOR) filmaram o acontecimento, que foi parar à rede YouTube desta forma, censurada. Fica para o registo um conjunto de ladrilhos a fazer bolinhas em público. Ah a censura na China...depois admiram-se que a rapaziada cometa estas extravagâncias em público.

Há esperança para o Benfica



O Benfica venceu finalmente para a Liga dos Campeões, ao derrotar ontem na Luz o Monaco por uma bola a zero, mantendo intactas as ambições de seguir em frente na prova. Uma vitória sofrida, que foi também a primeira derrota dos monegascos no Grupo C, com o único golo a chegar a oito minutos do fim pelo médio brasileiro Anderson Talisca, que tem o sido um verdadeiro "abono de família" para Jorge Jesus. O Bayer Leverkusen ficou praticamente com a passagem garantida para os oitavos-de-final, ao vencer na Rússia o Zenit por 2-1. O coreano Son Heung-Min foi o herói dos alemães, ao apontar dois golos, deixando a sua equipa destacada na liderança com 9 pontos, contra 5 do Monaco e 4 de Zenit e Benfica. Os encarnados estão praticamente obrigados a vencer em S. Petersburgo na próxima ronda, para não ficarem de calculadora na mão, mas dependem também de um deslize do Monaco nas duas últimas partidas.



Nos outros grupos Real Madrid e Borussia Dortmund foram as primeiras equipas a carimbar um lugar na fase seguinte. Os "merengues" venceram em casa o Liverpool por 1-0, com um golo do francês Karim Benzema, e lideram o Grupo B só com vitórias e 12 pontos, contra 6 do Basel, que goleou os búlgaros do Ludgorets por 4-0, que têm 3 pontos, tantos quantos o Liverpool; os alemães golearam em casa o Galatasaray por 4-1, e beneficiaram ainda do empate caseiro a três golos entre Arsenal e Anderlecht para liderarem o Grupo D com 12 pontos, mais cinco que arsenalistas, mais dez (!) que os belgas e onze que os turcos. Finalmente no Grupo A o Atletico Madrid isolou-se na liderança ao vencer na Suécia o Malmö por 2-0, mantendo três pontos sobre a Juventus e Olympiakos, que se defrontaram em Turim com vitória dos italianos por 3-2, e seis sobre os suecos.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Diplomacia, diplomatas e outros fdp (e ainda o Pai Natal)



As palavras, e por inerência as intenções que delas podemos retirar, variam conforme a situação e o contexto em que são usadas. Esta regra nem sempre se aplica, uma vez que há palavras e frases que dificilmente se podem justificar através de diferentes contextos e circunstâncias, tal é a sua força ou a força da ideia que acabam por transmitir. Há outros casos ainda em que a pontuação pode alterar o sentido, ou a acentuação, e podem ainda ter outro sentido pelo simples facto de se iniciarem com letra maiúscula; é o caso de "Homem", no sentido de humanidade, a raça humana em geral, e "homem" no sentido de um único indivíduo do sexo masculino, ou ainda no caso que gostaria de comentar neste artigo, "diplomacia" e "Diplomacia". Entendemos por "diplomacia" no seu sentido mais lato a habilidade na gestão das relações interpessoais de modo a resolver um problema, solucionar um diferendo ou tratar uma questão mais sensível. Já a "Diplomacia" no seu sentido mais específico tem a ver com a representação dos interesses de um determinado estado num país estrangeiro, e como todos sabemos, os caminhos da "Diplomacia" são por vezes tão ínvios que podem decidir um conflito armado; tudo depende portanto de quão diplomática é a Diplomacia.

Já quanto às qualidades que fazem um bom Diplomata, assim com "d" maiúsculo, a diplomacia deve sem dúvida ser uma delas, além dos conhecimentos históricos, culturais e linguísticos, e depois já dentro do espírito mais pragmático da ciência, a capacidade de se negociar em nome da defesa dos interesses do país que se representa - daí se chamar ao ministério em questão "dos negócios estrangeiros". Aqui convém ter em conta o passado comum dos países em causa, pois ou a representação diplomática é meramente simbólica, ou no caso de existir um passado de relações menos pacíficas, requer-se algum "jogo de cintura", e além de diplomático dá jeito ser ainda um pouco desconfiado, ou porque não dizê-lo, um bocadinho filho da puta. Como o temos o terrível hábito de viver do passado, cometemos por vezes erros de julgamento, e teimamos em ser diplomáticos quando a hora exige que sejamos filhos da puta. Nao é que não nos dê vontade em ser filhos da puta, ou que rejeitemos essa qualidade, mas o que acontece é que ou não sabemos quando ou como ser filhos da puta, ou confiamos demasiado que outros não terão a coragem de ser filhos da puta connosco. O valor da "amizade" entra nestas contas como um factor relativo, ou melhor dizendo, na operação matemática da divisão seria o resto: "amigos, amigos, negócios à parte", ou se os negócios forem "estrangeiros" mais à parte ficam os amigos. Às vezes são mesmo postos de lado.

A recente notícia que nos dá conta de cinco magistrados portugueses, portanto "amigos", que foram postos de parte em Timor-Leste são um bom exemplo disso. O que terão ficado a pensar eles quando lhes foi dito que os seus serviços deixaram de ser necessários? Terão dito qualquer coisa como "filhos da puta...". É bem possível, até porque sendo eles da area do Direito e não da Diplomacia, a diplomacia é uma coisa que não é para aqui chamada. No entanto não podemos deixar de ficar curiosos quanto ao que pensa a nossa Diplomacia deste assunto, claro, que aquilo que para nós, opinião pública, pode parecer apenas uma desfeita da parte de uns filhos da puta ingratos, para eles pode ser algo mais complexo, uma área sensivel onde não há lugar para esse tipo de linguagem - ou seja, não se diz: pensa-se. A nossa tendência para sermos diplomáticos sempre antes de ser Diplomatas causa-nos este tipo de dissabores: se fossemos mais Diplomatas e um bocadinho filhos da puta de vez em quando, talvez ficássemos menos à mercê dos filhos da puta que nem uma pitada de diplomacia sabem usar. Parece sina, 'cum raio.

Sabendo o pouco que se sabe deste caso (o facto de lhes terem sido dadas 48 horas para deixar o país dá a entender que foram expulsos), dá no entanto para deduzir que voltámos a ser anjinhos, cheios de boas intenções, querendo o melhor para os meninos, ensinar-lhes que a separação dos poderes executivo, legislativo e judicial é a oitava maravilha, garante direitos iguais a todos e não sei que mais, mas e depois? Se calhar eles gostam mais de outra forma. Talvez prefiram continuar assim, uns fazem amor com os outros contra a vontade expessa destes e com recurso à coacção física, e a corrupcao para eles nao é um mal, mas uma "estranha forma de vida", como era o fado para a nossa Amália. Foi tudo uma ilusão...buhhh...uma ilusão...lembram-se como andávamos contentes em ter aqueles indiozinhos a comer-nos da mão? Acendiamos velas como se fosse para os mortos, com a diferença de que eles não estavam mortos (longe disso)? E quando pensávamos que o Banana Gusmoso era uma espécie de super-herói? Vai ser tão bom, não foi?

Pois é, mas eles "têm uma dívida connosco", não é mesmo? Ora, as dívidas pagam-se, é ou não é? Ou se não se pagam, ficam-se a dever "ad eternum" - obrigadinho, ó tansos, pagamos no dia de S. Nunca à tarde. Ainda há coisa de um ano deixei aqui em forma de "verbu divino" este "post" sobre o que é "emprestadar" (leiam os três últimos: "o descarado", "a virgem ofendida" e "o investidor", que se inserem na descrição), e as desvantagens quando isso acontece. Mas pronto, não me dão ouvidos...ou não põem os olhos em cima, e depois é o que acontece. Mas também Jesus foi assim, quer dizer, Jesus, o fundador do Cristianismo. E voltando à introdução, sobre as diferenças que podem existir entre as mesmas orações em contextos distintos, é fácil acreditar em Jesus, mas é mais difícil "engolir" a ideia do "Menino Jesus", da estrela de Belém, dos pastorinhos e (especialmente esta) do Espírito Santo. Acreditando em boas intenções sem querer ser um pouquinho filho da puta de vez em quando, qualquer dia damos connosco a acreditar no Pai Natal. E por falar em Natal, pelo menos os magistrados portugueses vão poder passar a consoada em casa, uma vez que aparentemente para estes timorenses "não há pai" - nem Natal, nem nenhum outro.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os destravados do táxi amarelo



Wong Wan, o irredutível, corajoso, destemido e obeso director da Direcção da Direcção dos Serviços de Tráfego (DSAT) deu um ultimato à companhia dos táxis amarelos: "ou vocês começam a vir só quando as pessoas vos telefonam, ou não vos renovamos a licença". A licença dos táxis amarelos termina no dia 6, quinta-feira, mas a companhia Vang Iek, que faz a gestão dos táxis amarelos há vários anos não deu o braço a torcer: "o bucha não tem coragem. É melhor nem dizer isso duas vezes, senão desata a suar e depois coitados dos pobres diabos que tem que andar com ele o dia todo. Ou ele nos dá o que nós queremos, ou chapéu".



Mas dito e feito: desta vez Wong Wan não se acagaçou - apesar de estar a usar uma camisola cor-de-rosa - e anunciou o fim do contrato com a Vang Iek: "Eles foram maus, e a minha mamã disse para eu não falar com meninos maus, por isso não brinco mais, prontos". E depois foi-se embora, pois eram quase sete horas e a mãe disse-lhe que se chegasse atrasado, não havia jantar. Quando lhe perguntaram o que seria o jantar, respondeu "hot-dogs", e sobre quantos estariam reservados para ele, respondeu "no total são 60", como se pode ver na imagem. Já os táxis amarelos eram mais: cem, para ser exacto. A partir de quinta ficaremos sem...eles.



A gerência da Vang Iek e os motoristas dos táxis amarelos nem queriam acreditar. Os responsáveis pela empresa gestora do serviço disseram que os termos da proposta da DSAT eram "inaceitáveis", e apenas para que não tivessem prejuízo, "seria necessário aumentar a bandeirada para 300 patacas", e ainda que os utentes "ajudassem a empurrar o carro nas subidas". Depois disso fizeram uma vénia e foram cometer "hara-kiri". Os motoristas lamentavam-se, sem saber muito bem o que fazer. "Talvez mudar para a companhia dos táxis pretos", desabafou um deles. Coitado...



Tony Kuok, o semi-invisual da associação dos motoristas de táxi diz que "assim não dá". Os táxis amarelos têm lugar de estacionamento, assistência, base, tudo e mais alguma coisa, mas chegam ao local onde era suposto estar o freguês, e puff...este já foi levado por um táxi preto. Pois, pois, que os táxis pretos andam por aí a dar boleia a todo o mundo. É resmas deles por toda a parte quase à chapada para ver quem apanha os clientes. E assim como é que os gajos vão viver com 75 patacas por hora? Isso é menos de um dólar por dia, pá! Ah não...não é. Deixem lá, é mau na mesma.



Depois temos este tipo que é "do contra", e diz que os taxistas amarelos "nunca nos atendem às chamadas". Pudera, pá; quando atendem tu depois vais com o primeiro táxi preto que te aparece pela frente, seu, seu...racista!



Já esta freguesa, por exemplo, diz que nem pretos, nem amarelos, nada. Nenhum aparece. Diz que quando o seu filho era pequeno ainda era menos difícil apanhar um táxi, agora o rapaz cresceu, casou e deu-lhe dois netos, e nunca mais houve táxis para ninguém.



Já Andrew Scott, da Associação dos Utentes de Táxis de Macau diz que é "um disparate" termos ficado com menos cem táxis, e devíamos era ter mais táxis! Milhares de táxis! Mais do que milhares, centenas! Apesar de ser uma medida polémica, o administrador do grupo do Facebook "Macau Taxi Driver Shame" diz que "precisamos também de mais taxistas, e importá-los de fora, se necessário". Boa ideia! Estou com ele, e boa sorte em ensinar-lhes os caminhos, e quando tiverem aprendido, avise, ok? Ah é verdade aquela do Governo dar as licenças de táxi de borla também é muito boa. Quando se lembrar que está em Macau, diga.

Ela vive, aleluia!



Voltou! Ela está de volta! Levanta-te Lázaro! Perdão...Lázara! A semi-analfabeta santinha das causas perdidas, doutorada "ó-nora-és-cáustica" pela Macao Faculty of Social Sciences "oh yeah moda foca" está de volta, depois de fazer "birrinha" e suspendido a sua conta ultra-mega-secreta no Faissebuque, onde prossegue a sua (inútil) peleja pelos frangos e comprimidos, perdão, fracos e oprimidos. Enquanto não acaba de ler o primeiro livro que alguma vez pegou na vida (um daqueles que se lê quando se tem 14/15 anos), diz que leu 577, e participa em concursos de escrita da treta, enquanto vai debitando postas de pescada de justiça instantânea, como o caldo Knorr.

- Foi o Governo que fez? Está mal feito!
- Não está feito? O que anda a fazer o Governo???

- A polícia deteve? É inocente! Perguntou? Foi para intimidar!
- Andam à solta? Onde pára a polícia???

Mas porquê? Tem alguma razão de queixa, esta rebelde sem causa? Não, e mais: pode-se dar por contente por ter um emprego para o qual actualmente se exigem muito mais que as habilitações que ela própria tem. Estranhamente assume-se contra a nomenclatura, apoia a queda do Governo central sem ter o discernimento para perceber que a alternativa seria muito pior - pelo menos para ela. Apoiou o movimento "Occupy Central" sem saber muito bem do que se tratava ou sem noção da sua finalidade; faziam barulho e para ela isso é razão de sobra. Quando se apercebeu do ridículo a que se expunha e na inocuidade do movimento, disse que não comentava mais, "por respeito aos manifestantes". Oh yeah, respeeeect - coitadinhos dos meninos. Enquanto ela procura no dicionário os significados de "discernimento", "inocuidade" ou "nomenclatura", vá sabendo que o Leocardo continua atento, sempre disposto a denunciar todos os que ousam mijar acima para lá do muro onde não têm sequer a capacidade de subir e espreitar o que está do outro lado. E chame-me o que quiser, não sou eu que vendo o que não sou ou o que não tenho. 'Jinhos, laroca!

Hamilton rei da América



Lewis Hamilton venceu ontem o GP dos Estados Unidos em Austin, Texas, antepenúltima prova do mundial de Fórmula 1, somando a sua décima vitória da temporada, e quinta consecutiva. O piloto britânico aumentou para 24 pontos a vantagem no mundial de pilotos sobre o seu companheiro de equipa Nico Rosberg, que foi 2º na prova norte-americana, valendo à Mercedes a terceira "dobradinha" consecutiva. O alemão saíu da pole-position pela nona vez este ano, mas foi novamente suplantado por Hamilton, que é o grande favorito à conquista do título mundial, apesar de faltarem ainda duas provas e estarem 75 pontos em disputa - na última corrida em Abu Dhabi a pontuação conta a dobrar. Daniel Ricciardo, em Red Bull, foi terceiro, intrometendo-se no domínio dos carros da Mercedes, deixando para trás os Williams de Filipe Massa e Valtteri Bottas, que foram quarto e quinto classificados, respectivamente. Fernando Alonso levou o seu Ferrari ao sexto lugar, à frente do Red Bull de Sebastian Vettel, que foi obrigado a iniciar a corrida das boxes. Kevin Magnussen, em McLaren foi oitavo, e em nono ficou o Lotus de Pastor Maldonado, que fiz os primeiros dois pontos da época. O Toro Rosso do francês Jean-Éric Vergne fechou os pontos, terminando na décima posição. Hamilton tem 316 pontos, Rosberg 292, Ricciardo 214, Bottas 155 e Vettel 149. Nos construtores a Mercedes lidera destacada com 608 pontos, contra 363 da Red Bull, 238 da Williams e 196 da Ferrari. A próxima etapa do mundial de F1 realiza-se já este Domingo em S. Paulo, no Brasil.

Premier League - 10ª jornada



Mais uma ronda da Premier League, a décima, que só termina hoje com o Crystal Palace-Sunderland, que não terá influência na tabela quanto aos lugares da frente. No Sábado foram Newcastle e Liverpool a abrir as hostilidades, com os "magpies" a vencerem por uma bola a zero, e a somaram a terceira vitória consecutiva, depois de não terem conseguido vencer nos primeiros sete jogos. Um golo de Ayoze Perez aos 73 minutos ditou a quarta derrota do Liverpool, que ocupa um modesto sétimo lugar.



A subir na tabela está o Arsenal, que venceu no Emirates o lanterna-vermelha Burnley por 3-0. Contudo a equipa de Arsene Wenger sofreu para quebrar a resistência do adversário, inaugurando o marcador apenas aos 70 minutos por Alexis Sanchez. O chileno assinava o segundo da sua conta pessoal já em cima dos 90, depois de Calum Chambers fazer o 2-0 decorriam 72 minutos. Os arsenalistas aproveitaram o empate do West Ham a duas bolas na visita ao Stoke City para se colarem aos "hammers" na quarta posição com 17 pontos.



Bem lá em cima com 26 pontos está o líder Chelsea, que venceu em casa o Queen's Park Rangers por 2-1 - uma vitória arrancada a ferros, já habitual nestes "derbies" entre as duas equipas londrinas. Oscar marcou para o Chelsea aos 32, para Charlie Austin empatar aos 62, valendo a José Mourinho a pontaria de Eden Hazard, que transformou uma grande penalidade a quinze minutos do fim. O Chelsea mantém quatro pontos de vantagem sobre o sensacional Southampton, que venceu fora o Hull City por uma bola a zero. Mesmo resultado na deslocação do West Bromwich ao reduto do Leicester, enquanto Everton e Swansea City empatavam sem golos no Goodison Park.



Já no Domingo jogou-se o "derby" de Manchester, com o campeão City a receber o United ainda em crise, mas vindo de quatro jogos sem perder. Contudo os pupilos de Van Gaal voltaram a provar o amargo sabor da derrota, mas tiveram a jogar durante todo o segundo tempo com 10 elementos, devido à expulsão de Chris Smalling aos 39 minutos. A partida seria decidida com um único golo do argentino Kun Agüero aos 63 minutos. Também ontem o Tottenham conseguiu uma vitória no último minuto no Villa Park, naquela que foi a sexta derrota consecutiva do Aston Villa na liga.

Classificação (dez primeiros):

1 Chelsea 10 26
2 Southampton 10 22
3 Manchester City 10 20
4 Arsenal 10 17
5 West Ham 10 17
6 Swansea City 10 15
7 Liverpool 10 14
8 Tottenham 10 14
9 Everton 10 13
10 Manchester United 10 13

domingo, 2 de novembro de 2014

O traque final



Jantei um Cozido à Portuguesa que me deixou nocauteado, o fui obrigado a fazer a digestão em coma induzido (mesmo assim a sede ainda me fez levantar feito um "zombie" duas vezes). Agora com a espertina, hora de actualizar esta choça, e se o Cozido me deixou fora de combate umas horas, nada como esta sobremesa que deixei preparada pela hora de almoço, e tinha guardada no frigorífico até agora. Oba, oba, ainda mexe.

Passam agora seis anos que o ex-embaixador João Hall Themido lançou um livro de memórias a que deu (inteligentemente) o título "Uma autobiografia disfarçada", e onde "vomita" tudo o que lhe foi dado a saber durante os (muitos) anos em que chafurdou na lama da diplomacia portuguesa. Epá peço desculpa se a linguagem vos ofende, mas eu quando for grande quero ser como este gimbras, e antes de quinar e ir servir de repasto aos vermes, quero ser uma puta coscuvilheira e deixar também um livro destes, onde possa contar tudo o que de outra forma me ia meter numa carga de trabalhos: revelar segredos de estado e factos que na altura poderiam ter relevância mas agora já não têm interesse, falar mal deste e daquele, ajustar contas, desmontar mitos, solucionar enigmas de que já ninguém se lembra, enfim, tudo o que me andaram a pagar para não dizer mas quando estiver quase a morrer solto cá para fora, e toma lá que já almoçaste. Com sorte ainda não estarei gágá e assim levam-me a sério. Ou não. O que importa, de qualquer jeito soltam-se uns traques que já se encontravam em avançado estado de fermentação, bem para lá de azedos, e vai-se para a cova com a consciência menos pesada, e assim pode ser que Lúcifer tenha misericórdia e escolha um tronco com menos lascas para me enfiar pelo rêgo acima e lá ficar para toda a eternidade.

Assim este livro conta episódio "fantabulásticos" testemunhados por Hall Tremido, perdão Themido (a mim não mete medo nenhum, e pelos vistos nem mim, nem a ninguém), e vem provar aquilo que há muito se suspeitava, ou melhor vem reforçar essa ideia: Kissinger era um filho da puta de um porco-judeu - e os judeus que não se intimidem, que o gajo era um judeu que era porco, e não um porco que era judeu, portanto nada contra V.Exas. e um grande shalom de beleza da minha parte. Devia dizer "Kissinger é um filho da puta de um porco-judeu", pois ainda vive (a maldade preserva), mas o senhor agora não faz mal a uma mosca. O mesmo não se podia dizer nos anos 70, quando foi o "spin doctor" dos presidentes Nixon e Gerald Ford, ocupando os cargo de secretário de estado entre 73 e 77, mas desde 1969 andou a fazer o trabalho sujo do imperialismo "yankee", e com o pretexto de esfriar ainda mais a Guerra Fria, punha e dispunha de governos inteiros um pouco por todo o mundo, trocava líderes, ordenava golpes de estado, enfim, todas essas coisas que deixam milhões de pessoas na miséria, ou pior, no cemitério, mas que para ele era uma brincadeira. Era como beber um copo de água.

Ah pois, que injustiça, Leocardo, o homem foi responsável pelo cessar fogo que culminou na retirada das tropas americanas do Vietname, assinando o tratado de Paris, o que lhe valeu o prémio Nobel da Paz (isto é prova do que vale essa merda), reatou as relações com a China de Mao, atribui-se a ele o conceito de "realpolitik" (grande coisa), em suma, é um génio. Claro, acreditem no que quiserem, e já agora agradeçam-lhe a invasão de Timor-Leste pelo exército indonésio em 1975, e acendam uma velinha à Nossa Senhora dos Desenrascados por não termos tido os espanhóis a fazerem-nos o mesmo, quando no mesmo ano o Verão foi tão quente que ali o Kissinger queria ligar uma ventoinha para refrescar a "troika" encabeçada pelo lãzudo do Cunhal, o Otelo de cinco estrelas e mais o camarada Vasco da muralha d'aço - e isto só para mencionar a parte que nos toca, e já que falei da China de Mao, mais à frente vou abordar Macau no contexto da época. Mas de volta ao livro do outro velhote.

Entre a peixeirada da grossa que Hall Themido vende na sua lavandaria em forma de livro de memórias, contam-se algumas curiosidades que são de uma importância que ai Jesus! se a gente não soubesse que a princesa Diana afinal não era grande e não sabia dançar, ou que Sá Carneiro fazia "birrinha" porque o departamento de estado norte-americano gostava mais do Marocas do que dele. Contudo a maior polémica tinha a ver com a revelação de que Aristides de Sousa Mendes era "uma fraude", que "nem era embaixador, mas apenas um cônsul" (?), e que os próprios judeus criaram o mito de que Sousa Mendes salvou resmas deles de serem transformados em sabão - porque carga de água não sei. Esta predisposição contra os judeus leva-me a deduzir que o senhor estava realmente gágá, pois um dos sinais de que demência tomou conta da loja é a embirração com essas coisinhas de nada, tipo as crianças, as mulheres de saia, a música alta, os judeus...além disso o tipo era um "facho", e esses andam a implicar com tudo desde o 25 de Abril. Não pude deixar de sorrir quando ele diz que Kissinger - que não gostava mesmo nadinha dos portugueses - dizia que Mário Soares era "um tonto". Só tenho pena que na minha épica tarefa de remar contra a maré da idolatria do suposto "pai da democracia" portuguesa esteja em tão má companhia. Mas pronto, Kissinger apenas disse o que toda a gente sabe mas muitos preferem guardar para si, ou fingem que não sabem.

Hall Themido já tinha "ameaçado" em 1995 com a publicação do livro "Dez anos em Washington, 1971-1981: As verdades e os mitos nas relações luso-americanas", este num tom mais "cordial", mas é nas memórias publicadas passam agora seis anos que revela o deboche total que foram meio século de diplomacia lusa, falando de tudo, desde a tomada das províncias da India Portuguesa a Timor-Leste, a descolonização em África, com destaque para a forma bestia como f...os Angola, e lá está Macau, a Revolução Cultural e os incidentes do "1,2,3". A respeito disto que nos diz bastante traça um cenário negro da posição portuguesa após os incidentes, diz que Macau "lhe ficou a dever muito" e lamenta não ter recebido um convite para as cerimónias do "handover". Não sei o que lhe ficámos a dever, e porquê, mas a verdade é que o período de dez anos entre o "1,2,3" e o fim da Revolução Cultural, com o 25 de Abril e a descolonização pelo meio tiveram influência decisiva na forma como decorreu a própria transição, e deixa-nos a pensar como teria sido se, para variar, tivessemos feito bem as coisas - se podia ter sido pior, nem quero imaginar. Já hoje fiz duas referências ao tema, mas enquanto pesquisava na net de modo a encontrar mais algumas pistas, deparei com este documento que me deixou saber um pouco mais. Ao contrário do ex-embaixador Hall Themido, não nasci há 500 anos, e não me resta senão pesquisar. Quanto ao "handover", olhe, se não esteve cá (podia ter vindo a título individual, porque não o fez?) não perdeu grande coisa, mas se diz que lhe devemos assim tanto, deixe-me dizer-lhe que nem em rua, estátua, ou mera menção na porta de uma retrete pública o seu nome consta.

Aparentemente os incidentes do "1,2,3" foram apenas o desfecho inevitável de um século XX de muito pouca vontade de parte a parte em manter Macau como colónia portuguesa. A situação na China continental deteriou-se desde o início do século, e a própria república "nasceu torta", com os nacionalistas a nunca se assumirem como um Governo que afirmasse a independência e soberania do país, deixando-o nas mãos dos chamados "warlords", ou "senhores da guerra", valendo por dizer que as leis eram ditadas pela forças das armas. Em Macau o administração colonial era feita de uma forma tosca e embrutecida, e os seus intérpretes insistiam em passar legislação que ia no sentido oposto dos costumes chineses. Algumas eram de louvar, como a proibição da venda de ópio ou do jogo ilegal, mas o "caldo" ficou entornado em Maio de 1922, quando após a humilhação de uma mulher chinesa por parte de um soldado africano, um grupo de operários chineses resolve fazer justiça pelas próprias mãos, enchendo de porrada o atrevido, e disto resultaria a detenção de alguns dos agressores. Posto isto vários companheiros seus juntaram-se junto das instalações da polícia na Rua da Caldeira, exigindo a sua libertação, e a situação descambou no dia seguinte, quando já se encontravam dez mil (!) residentes à porta do posto, o que levou as autoridades a disparar, resultando na morte de 70 operários chineses. O incidente ficou lamentavelmente conhecido por "Massacre de chineses por soldados portugueses" - mau prenúncio, e depois disso seguiram-se greves, e o ambiente demorou a arrefecer.

A administração ganhou alguns pontos durante a II Guerra Mundial, com o estatuto de neutralidade de que Portugal usufruia a tornar Macau num oásis perante a ocupação japonesa da China e de Hong Kong. Um oásis salvo seja, pois a presença de qualquer coisa como cem mil soldados nipónicos do outro lado das Portas do Cerco impediam a chegada de mantimentos, a fome era uma realidade que se ia acentuando com a chegada de cada vez mais refugiados do continente, e era comum encontrar cadáveres espalhados pelo chão das ruas. A existência de "traidores" (chineses que apoiavam o exército invasor) infiltrados provocava ocasionalmente o terror entre a população, e o diminuto exército português encontrava-se um pouco sem saber o que fazer, temendo que a qualquer momento os japoneses entrassem pelo território e tomassem o seu controlo. A guerra terminou com a derrota das tropas imperiais de Hirohito, e Macau voltou à normalidade, mesmo que logo após a Guerra Civil de onde sairam vencedores os comunistas de Mao Zedong se tivesse começado a falar do regresso do território à soberania chinesa. Os argumentos para evitar que tal acontecesse eram poucos, pois em inícios da década de cinquenta a população de Macau era de cerca de cem mil habitantes, e pouco mais de mil destes eram portugueses e macaenses. Valeu então na circunstância a desastrosa gestão de Mao, que resultou na grande fome de 1959/61, e as lutas internas dentro do PC chinês que culminaram com a Grande Revolução Cultural, poucos anos depois.

Os planos de Mao, que visavam consolidar o poder e proceder a uma "limpeza" interna começaram finalmente e merecer a atenção de Lisboa sobre Macau, e amiúde chegavam relatórios sobre as actividades dos guardas vermelhos no território, e do crescente ambiente de insatisfação com a administração portuguesa. Os incidentes do "1,2,3" foram o clímax dessa insatisfação, e peço desde já desculpa com quem discorda desta ideia, muita da culpa de tudo o que se passou se deve à falta de tacto do tenente-coronel Carlos Armando da Mota Cerveira e do seu superior tenente-coronel Octávio Galvão de Figueiredo, que perante o ambiente de agitação que se vivia no continente, mantiveram uma posição desafiante e inflexível perante a fúria dos "patriotas" de Macau. As obras de ampliação da escola chinesa na Taipa serviram no fundo de pretexto para um fim maior, primeiro o de parar com as actividades de espiões nacionalistas no território, uma das exigências que constaria de muitas das listas que seriam entregues ao Governo nos meses seguintes, quiçá a maior (única?) preocupação de Mao, empenhado em "sacudir" a ameaça de uma contra-revolução, e passar a administração "de facto" dos destinos de Macau para as mãos da Associação Comercial. Uma das condições, mesmo que tendo apenas um carácter simbólico, era a retirada da estátua do antigo governador Ferreira do Amaral de frente do Hotel Lisboa, que era vista como um "insulto" à comunidade chinesa; Ferreira do Amaral foi como se sabe um dos mais destemidos e firmes executores da soberania portuguesa sobre Macau.

A única referência a Hall Themido surge no contexto da visita de uma delegação do Ministério do Ultramar composta por 4 elementos, no dia 23 de Janeiro de 1967, que segundo o próprio tinha um carácter "de averiguação", pois em Lisboa temia-se que o Governo de Nobre de Carvalho não estaria a cumprir com as directivas de Salazar que eram "de firmeza" (assim foi em Goa quatro anos antes, e depois foi o que viu). Themido participou numa reunião no Palácio da Praia Grande, onde "se vivia um ambiente de guerra", descreve o diplomata, "como se estivessem cercados". Nessa reunião estavam Mesquita Borges, Carlos Assumpção e Adolfo Jorge, além do Governador. Regressado a Lisboa dois dias depois, Themido elaborou um relatório onde dava conta das cedências feitas pelo Governo de Macau, que leu a Salazar, e este laconicamente dava por perdida a autoridade de Portugal sobre a província, e que "uma vez perdida, dificilmente seria recuperada", mas tacitamente o ditador nada decidiu. Sorte nossa, digo eu, que outro relatório, este "secreto", elaborado por Ribeiro da Cunha foi apresentado ao presidente do Conselho no dia seguinte, e este decidiu-se pela manutenção simbólica da adminstração portuguesa em Macau: bandeira, moeda e pouco mais - "seria como administrar um condomínio, e não um exercício de soberania", nas palavras de Salazar.

E os incidentes iam cessando a pouco e pouco, e a retirada da estátua de Ferreira do Amaral em frente ao Hotel Lisboa, uma das exigências dos "patriotas", bem como a entrega dos espiões de Taiwan e a cessação das actividades dos nacionalistas esfriou os ânimos, numa altura em que os portugueses eram constantemente humilhados pela comunidade chinesa, com esta a recusar-se vender-lhe um grão de arroz que fosse. Passada a tempestade, Macau gozaria a partir dos anos 70 de um período de grande prosperidade económica, com as regras a serem ditadas pela Associação Comercial, com os nomes de Ho Yin (pai de Edmundo Ho), Chui Tak Kei (pai de Chui Sai On) e Ma Man Kei (avô de...deixem para lá) à cabeça. Nobre de Carvalho ficou lembrado pela sua tremenda abnegação e capacidade de sofrimento, e depois dele a administração portuguesa passou basicamente a ter um papel paralelo, mais burocrático. Apesar dos sobressaltos (descolonização e consulado de Almeida e Costa, para citar dois exemplos) foi-se fazendo calmamente até à passagem de testemunho em Dezembro de 1999. Perante os factos, é possível que alguém pense que os chineses foram fazendo jus à sua famosa paciência, ou têm memória curta pelo facto de não terem corrido connosco mais cedo, mas trata-se de uma questão de "manter a contabilidade", e no fim todos ficam a ganhar. Quem não entra nessas contas é o ex-embaixador Hall Themido, que (sal)azarentos são os gatos pretos, e dos fracos não reza a história.

Revelação Escultural



Juro que me assustei quando passei esta tarde pela Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, e na primeira rua à direita depois da Biblioteca Central encontrei este mastodonte. "Voltámos ao '1,2,3'???" - pensei por um nanosegundo, até cair em mim (foi rápido...) e perceber que isso não faria nenhum sentido. Deve ser uma homenagem a esses gloriosos tempos, contudo; é um "monumento" que assinala a passagem do 65º aniversário da R.P. China e ao mesmo tempo o 15º aniversário da criação da R.A.E. Macau. Não é 1,2,3 mas é 2 em 1. Gostei do detalhe dos astronautas. Trés patriotique, Monique.

Esquê???



Auto-equipamento = invenção japonesa que ajuda os jogadores de futebol a equiparem-se.

Salvação em altura = Nova modalidade olímpica? Desporto radical, semelhante ao "bungee-jumping"?

Sendo John Malkovich



John Malkovich, um actor genial, um homem das letras, criatura especial, posou para o fotógrafo Sandro Miller numa homenagem aos grandes mestres da fotografia. Podem ver aqui a comparação cos originais e aqui na página da galeria de Catherine Edelman a totalidade da sessão de Malkovich. Muito criativo, sem dúvida.

The Other Half 另一半



Há dias em que voltamos a acreditar, mesmo que seja só por instantes, que em Macau se podem fazer coisas simples, boas e despretenciosas - como Macau foi uma vez, e como gostaríamos que fosse de novo. A curta-metragem "The Other Half", de João Luis Silva, é numa palavra: di-vi-nal! Com Sally Victoria Benson e Kelsey Wilhelm, "The Other Half" tem como pano de fundo a velha Taipa, e fala-nos da visão do Macau moderno do ponto de vista de uma jovem expatriada britânica, tendo como referência o diário de sua mãe durante este mesmo período do ano em 1966, nos conturbados tempos da Revolução Cultural e do "1,2,3". Pode ver aqui o filme, são menos de seis minutos e garanto que não vai dar o seu tempo por perdido. (Se me permitir uma pequena crítica, a primeira cena podia ser um pouco mais curta, tirando isso, nada a apontar, antes pelo contrário). O filme concorreu ao "Love Beautiful Macau", um concurso de curta-metragens que infelizmente não tem sido divulgado em língua portuguesa; e aqui não culpo nem a imprensa nem ninguém, só acho pena: se tivermos lá mais filmes deste calibre, então estamos a perder algo de único e raro. Já agora podem votar também na mesma página do filme. Parabéns a todos, desde o João Luís Silva, aos actores e equipa de realização, produção, fotografia, etc., etc., e obrigado!

Real goleia em Granada, Celta "gela" Nou Camp



O Real Madrid foi ontem a Granada golear a equipa local por quatro bolas a zero, uma vitória tranquila que começou a ser construída logo no segundo minuto, com Cristiano Ronaldo a assinar o seu golo nº 17 em dez jogos da liga espanhola. No entanto o dia era de James Rodríguez, com o colombiano a marcar por duas vezes, aos 31 minutos e outra vez perto do final do encontro, aos 87, enquanto o francês Benzema fez o outro golo aos 54. Foi a sétima vitória consecutiva para os "merengues", que se isolaram na frente da liga à condição, aguardando o desfecho do jogo Barcelona-Celta de Vigo, que se realizaria de seguida.



E não podiam ter pedido um melhor resultado, os madrilenos. O Celta viajou da Galiza e foi ao Nou Camp bater os "gigantes" do Barça por uma bola a zero, com um golo do argentino Joaquin Larrivey, decorriam 55 minutos do encontro. Os visitantes contaram com a estrelinha da sorte, pois os catalães acertaram três vezes no ferro da baliza à guarda de Sergio Alvarez, mas no final levaram os três pontos que os colocam no 6º lugar do campeonato. Quanto ao Barcelona somou a segunda derrota consecutiva na prova, descendo ao 3º lugar atrás do Real Madrid e do Atletico Madrid, que venceu também ontem em casa o Cordoba por quatro bolas a duas.

Sporting goleado, Porto "pica o ponto"



O Sporting sofreu ontem em Guimarães a sua primeira derrota para a Liga ZON Sagres, saíndo do Estádio D. Afonso Henriques goleado por três golos sem resposta. Os vimarenenses, que têm feito um campeonato sensacional, entraram bastante fortes, e marcaram aos 15 minutos pelo marfinense Bakary Saré. Talvez surpreendido pela pressão da equipa da casa, o Sporting não conseguia pegar nas rédeas do jogo, e consentia o segundo golo ainda antes do intervalo, com o defesa Maurício a introduzir a bola na sua própria baliza, decorridos 42 minutos. No segundo tempo o Vitória geriu a vantagem, e ainda fez o terceiro de grande penalidade por André André (assim mesmo, duas vezes "André"), filho do antigo internacional do FC Porto, António André. Foi provavelmente a pior exibição do Sporting esta temporada, mas isso não tira mérito ao V. Guimarães, que tem uma equipa bem organizada, recheada de jovens valores.



A seguir foi a vez do FC Porto entrar em campo, recebendo no Dragão os madeirenses do Nacional, que ocupam um modesto 12º lugar na classificação. Os portistas não realizaram uma exibição de encher o olho, mas marcaram cedo logo aos 9 minutos por Danilo, o que permitiu uma melhor gestão do esforço durante o resto do encontro, tendo em vista a deslocação a Bilbau a meio da semana para a Liga dos Campeões. O franco-argelino Yacine Brahimi estreou-se em marcar em jogos da liga, ao fazer o segundo golo aos 74 minutos. O Porto é agora a única equipa invicta no campeonato, ocupando o 2º lugar a um ponto do líder Benfica, e com um que o terceiro classificado, o V. Guimarães, e mais cinco que o Sporting, que é quarto.

sábado, 1 de novembro de 2014

IMA vs. CCM: um ponto de vista



Publiquei anterior a este um artigo onde falo da mentira, dos mentirosos, e das formas como a mentira se apresenta. Tratei o tema, ou pelo menos tentei fazê-lo, sem o mínimo de preconceito ou tendência para fazer juízos de valor, e a própria palavra "mentira" é usada no seu sentido específico, ou seja, o oposto de "verdade". Não se tratou de censurar ninguém, mas devo confessar que fui inspirado por uma discussão que teve lugar no grupo do Facebook "Conversa entre a malta", a propósito de uma entrada de Roy Xavier, que recentemente fundou a "Internacional Macanese Alliance" (IMA), de que é ele próprio presidente. A discussão vem durando há alguns dias, e é notório que mexe com certas sensibilidades, como é adágio de tudo o que tem a ver com a comunidade macaense, mais precisamente com a legitimação da sua representatividade a nível global. Tive sérias reservas em abordar este tema, que insiro numa perspectiva muito "tribalista", muito particular, que passa por dividir (ou tentar dividir) o que já de si é muito pouco, e como tal acaba sempre por caber a cada um uma quantidade que mal chega para encher a cova de um dente. No fim aplica-se a velha máxima do sábio léxico proverbial lusitano, aqui adaptado para a realidade de Macau: "em casa onde não há balichão, todos ralham e ninguém tem razão". Se há alguém que pensa que isto não são contas do meu rosário, engana-se redondamente, e se a palavra "contas" é aquela que vos incomoda (e percebo muito bem a razão) então opto por outro chavão: é pato seco do meu chau-chau pele.

A "controvérsia", e coloco entre aspas porque acabou por ser um copo de água transformado num tornado, começou com esta notícia publicada no Jornal Tribuna de Macau (JTM), que dava conta da fundação da AIM por um grupo de dez associações da diáspora macaense, a maioria delas dos Estados Unidos e Canadá, e apenas duas filiadas com o Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), sediado em Macau, e representante oficial (e não sei muito mais do que isto sobre esse assunto) das casas de Macau espalhadas por esse mundo fora, cabendo-lhe actualmente a organização do Encontro das Comunidades Macaenses, que se tem realizado de dois em dois anos, a última das vezes em Dezembro do ano passado. O corpo de fundadores da AIM regozijou-se com a menção no JTM, mas na segunda-feira seguinte o seu director José Rocha Dinis assinou um editorial onde tece considerações sobre a recém-criada associação, que só podem ser entendidas como mera opinião pessoal. É evidente que não concorda com o projecto, mas não carrega muito nessa intenção; "mau começo" é um miminho comparado com o que foi dito e escrito a partir daí.

Parte ofendida foi certamente o CCM, que se apressou a desacreditar quer a AIM, quer Roy Xavier. Este personagem de que nunca ouvi falar antes é aparentemente elemento de uma das associações da diáspora macaense, nomedamente da Califórnia, onde reside, e é professor no Departamento de Sociologia da Universidade de Berkeley, onde se dedica à investigação científica. Tem trabalhos publicados na área da comunicação social, incluíndo uma dissertação sobre a história da televisão por cabo nos Estados Unidos, intitulada "Distant Signals: a history of cable television in the United States", em 1988. Terá sido mais recentemente que Roy Xavier se começou a dedicar ao estudo de Macau e dos macaenses, e apesar de ter aparentemente caído de pára-quedas neste tema, existe trabalho realizado, mesmo que em língua inglesa, no sítio MacStudies, uma página onde divulga os resultados da sua investigação, (com uma apresentação do mesmo aqui, na mesma página), além de um canal no YouTube onde faz mais do mesmo, e segundo o próprio o projecto do "Arquivo Macaense" foi apresentado à Fundação Macau meses antes de se formar a AIM - julgo que ele terá provas do que afirma, caso lhe venham a pedi-las. Interessante o que se pode saber através de uma pesquisa na net, mais interessante do que tudo o que tenho visto escrito a respeito da pessoa: que "nunca viveu em Macau", "não é macaense", ou ainda "é de Xangai", como se isto tivesse alguma importância decisiva para esta discussão - "diz o roto ao nu: porque é que não te vestes tu?".

Quanto ao que tem sido feito pelo CCM no que toca à pesquisa sobre os macaenses no mundo ou a identidade macaense sei pouco. Sei o que me diz a página da associação, enfim, que é actualizada de quando em vez, a uma distância de meses. Mas o que é que isso interessa? As casas de Macau e afins espalhadas pelo mundo fazem o favor de deixar quem quer saber mais sobre os macaenses ou a cultura local na secção dos "links". Fazem tudo, que maravilha, menos receber os subsídios da Fundação Macau, claro, que para isso estão lá os seus iluminados representantes, pois então. E porquê? Porque segundo outro editorial do director do JTM a este respeito têm "obra feita há décadas". Uh? Bom, o CCM foi fundado em 2004, ou seja, há dez anos, o que equivale a uma década. Claro que se formos quantificar "décadas", podem ser seiscentas ou pode ser apenas uma, da mesma forma que eu vivo em Macau "há séculos" - 0,21 séculos, para ser mais exacto. Se vamos discutir este assunto como gente séria, nada como usar as mesmas armas, não é assim? Mas sem dúvida que este artigo do director do JTM produziu o mesmo efeito que teria atirar um carapau para um aquário de focas famintas: basta olhar para a tal discussão no Facebook e ler alguns dos comentários. O imperador teve o seu cristão atirado aos leões, e aqui por "imperador" entenda-se o CCM, e por "cristão" o dr. Roy Xavier.

Mas lá está, não quero ser desonesto; de facto o CCM existe apenas há dez anos, mas antes disso já existia a APIM, se bem que concordamos em discordar na tal "obra feita", que sempre partiu de iniciativas de privados. Tenho aqui mesmo à minha frente uma peça fantástica da história de Macau, o CD "Doci Papiá di Macau", uma recolha do material fonográfico de Adé dos Santos Ferreira, que reúne algumas das suas gravações no dialecto patuá, que foi produzido pela extinta Tradisom de José Mouças, que fez praticamente todo o trabalho em conjunto com Hélder Fernando, e com o apoio financeiro a ser dado na totalidade pelo Instituto Cultural, então ainda sob administração portuguesa. Nem nos agradecimentos vejo uma única menção ou agredecimento ou boné tirado a qualquer elemento da APIM ou quejandos, e apenas o nome de Miguel Senna Fernandes aparece como colaborador. Se isto não é relevante em termos de "obra feita" com interesse para Macau não sei o que é. Talvez a obra "Famílias Macaenses" da autoria do investigador Jorge Forjaz, uma espécie de "jóia da coroa" da identidade macaense, pesquisada praticamente na totalidade através dos registos na Conservatória do Registo Civil e da Paróquia Diocesana, e apresentado no encontro das comunidades em 1996. Agora prestem atenção a isto: este investigador descobriu 450 famílias macaenses! Quatrocentas e cinquenta! E isto só na primeira edição do livro! E agora, não vos dá vontade de rir? Só "um milhão de macaenses" é que tem piada? Mas já que falei de Adé, Miguel Senna Fernandes e das famílias macaenses, há que referir a questão da "identidade macaense", que tem um peso enorme quando se fala nisto da diáspora. Agora não se assustem, pois vamos entrar pelos caminhos do sobrenatural, apesar do "Halloween" ter sido ontem.


Buhhh...iô sân Adé....iô vir de ôtro mundo-mundo, falá vosôtro côza ser maquista...buhh...quim sân maquista, afinal?

Está bem, pronto, fora de brincadeiras. Aqui está uma citação de José Santos Ferreira, vulgo Adé, sobre esse mistério do que é "ser macaense", datada de 1996, ou seja, três anos depois...de ter morrido. Recolhi esta imagem da página "Memória Macaense", e sei que o meu caro Rogério da Luz não vai levar a mal, pois isto é demonstrativo da falta de consenso sobre a identidade macaense, que mesmo assim é atirada "à balda" sempre que se dá uma discussão sobre quem tem legitimidade para representar a comunidade e por conseguinte a diáspora. Quando o director do JTM se refere ao facto das conclusões do trabalho de investigação do dr. Roy Xavier indicarem a existência de "mais de um milhão de macaenses" como se fosse alguma piada, está a jogar uma parada alta - podem ser um milhão, ou até mais, como podem ser meia dúzia, e segundo o dr. Roy Xavier adiantou numa pesquisa serão "cerca de 150 mil e os seus descendentes". Tudo depende do que se entende por "macaense", e Miguel Senna Fernandes deu uma espécie de grito no deserto ao discutir esse tema da identidade, realizando no ano passado algumas sessões dedicadas ao tema, em que à boa maneira da casa, todos concordaram em discordar sobre esse conceito. Agora a pergunta que muitos devem estar a fazer: "quem é este 'ngao-sok' para vir meter aqui o bedelho nos assuntos da diáspora macaense"? Estava a ver que nunca mais perguntavam, pá!

Muito bem, quem sou eu, afinal? Para vocês, sou Deus. Ou pelo menos para alguns. É assim: se nos formos cingir à definição-tipo de macaense, "mestiço de português e chinês que fala ambas as línguas e nasceu em Macau", permitam-me que vos diga que o meu filho é 100% macaense - sem qualquer desprezo por seja quem for, mas sendo ele 50% de cada coisa, e falando a língua portuguesa e o idioma cantonense, "chapêau", sou o Gepeto da comunidade macaense. Demasiado redutor? Mais redutor ainda se por "macaense" entendermos toda a gente nascida em Macau, o que faz sentido, não fosse pelos próprios chineses terem feito essa diferenciação: "ou mun yan" (澳門人, literalmente "pessoa de Macau") para os chineses, e "tou san" (土生, literalmente "filho da terra", podendo ser ainda "nativo" ou "indígena") para os macaenses. Mas para ser macaense é preciso ter sangue português ou chinês? E se tiver só um? Ou nenhum deles, mas estiver inserido na comunidade, como estavam os seus pais? E se não falar ambas as línguas, mas apenas uma? E se não tiver nascido em Macau? Epá tantas perguntas. Vamos ver o que diz o dr. Alfredo Dias na sua tese de doutoramento em Geografia Humana, datada de 2011 e com o sugestivo título: "Diáspora Macaense: Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952)":
"(...) Os movimentos migratórios convergentes para o território de Macau, tendo como principais territórios de origem Portugal e China, e os movimentos migratórios que daquele território divergiram para o mundo, constituindo-se como diáspora, devem ser incluídos na caracterização da comunidade macaense, privilegiando-se o seu principal núcleo de organização social, isto é, a família macaense."
Aí está! Bingo! A família é a chave! A sua família é macaense, mas você não fala português nem chinês, e não nasceu em Macau, mas quer ser considerado parte da diáspora? Pôdi! Nasceu noutro país, os seus pais são macaenses, fala um dos idiomas ou ambos, mas prefere ser considerado cidadão do país de acolhimento para assim mais facilmente se integrar? Também pôdi! E sabe o que mais? Pode as duas coisas, também, assim como os seus descendentes! Não é ninguém que lhe vai dizer o que é ou o que não é só porque recebe subsídios! Aliás como eu próprio sugeri neste artigo o ideal seria a qualquer comunidade exercer em primeiro lugar a sua cidadania, que no caso de Macau é a de residente da RAEM, seja qual for a sua origem, e uma vez integrado dedicar-se a preservar os aspectos culturais que o diferenciam, sejam eles a gastronomia, o "kung-fu" ou a dança da chuva - qualquer coisa desde que não vá contra as leis do país onde residem. Mas o que é que eu sei? Tudo o que fiz foi contribuir com um elemento da comunidade (se ele se quiser considerar como tal) e uma definição de desonestidade intelectual, que pelo menos ajuda a explicar certas "tontices".

Aproveitava já agora para recomendar a tal tese do dr. Alfredo Dias, que podem ler aqui na íntegra, que não explica tudo mas é interessante, e dá algumas pistas sobre as primeiras migrações de macaenses que eventualmente viriam a dar forma à diáspora que está espalhada pelo mundo. Nunca ouviram falar do dr. Alfredo Dias? Pudera, esse nunca pediu nada a ninguém, e para elaborar a tese o único apoio remotamente local que teve foi uma bolsa de curta duração da Fundação Oriente e a simpatia do Consulado Geral de Portugal e do Arquivo Histórico. Já quanto a esse "malandro" do Roy Xavier, "o que ele quer é massa", que é a única explicação que se encontra aqui para justificar tudo e mais alguma coisa. Ah sim, "e quer desunir os macaenses". Pois quer, é por isso que congregou dez associações da diáspora na tal AIM e segundo ele há mais a quererem juntar-se. É o meu dicionário que está avariado, sabem? Diz lá que "congregar" significa "reunir, juntar". Que patetice a minha. Isto é vingança do tipo, que tem mau carácter, tudo porque em Dezembro durante o último encontro das comunidades "tentou que a sua associação fosse reconhecida pela CCM e viu o pedido recusado". Eu também sou um grande sacana, pá, e quando não me aceitam numa associação, vou a correr fazer outra...dez meses depois. Essa é melhor que a anedota do alentejano. E pouco importa que o próprio Roy Xavier explique tudo e mais alguma coisa na tal entrada no grupo da CEAM no Facebook, porque "deve ser mentira", assim como o seu trabalho, que afirma a pés juntos existir "um milhão de macaenses". Nem vale a pena ler, portanto.

E de facto fica mais fácil dizer mal e desvalorizar o trabalho dos outros que levantam o cuzinho da cadeira, sopram o pó dos arquivos, leem coisas e entrevistam as pessoas com o intuito de encontrar mais respostas. Dá muito trabalho, né? É melhor dizer que "o gajo não sabe" ou que não está credenciado, pois não tem "décadas de obra realizada". Assim não se preocupe sr. Roy Xavier, os "ignorantes de Macau" estão-se nas tintas para "os custos do seu trabalho intensivo", e têm tudo o que precisam. Sabia por exemplo que vai haver um Seminário dedicado ao tema "Protecção da Cultura de Macau - Provérbios, Frases Idiomáticas e Canções"? Ah espera lá, foi em Junho. Não faz mal, para o ano há mais! Numa coisa concordo: Roy Xavier não conhece Macau. Nem sabe onde se foi meter, coitado.

A verdade sobre a mentira



Uma das constatações mais duras que precisamos de fazer na vida é a de que toda a gente mente - todos mentimos e continuaremos a mentir enquanto as nossas forças o permitirem. Tomando consciência deste facto, o Homem regulou a mentira, categorizando-a a si e aos próprios mentirosos (ou seja, todos nós) de maneira a que não caíssemos na anarquia, obliterando o valor da confiança no próximo, que temos como precioso e sem o qual nunca poderíamos coexistir. Assim foram elaboradas escalas para determinar quem mente mais ou quem mente menos, e com que gravidade. Analisando a mentira e o mentiroso à lupa, existem portanto os factores "frequência" e "intensidade". Pode-se portanto concluir que mentir mais pode significar ser mais mentiroso, mas há quem minta menos e seja mais perigoso. Vamos esmiuçar estes conceitos.

Há quem passe a vida a mentir, há quem minta de vez em quando, ou seja, "o normal" e há quem faça o que pode para evitar mentir, ou minta menos. O ramo da psicologia identificou um tipo de indivíduo a que deram a designação "mentiroso compulsivo", ou seja, alguém que mente mesmo não tendo a consciência de que está a mentir. Este é um caso que não entra nestas contas, pois aqui prefiro falar apenas de quem mente conscientemente, e fá-lo com um objectivo ou um fim concreto. As pessoas que mentem muito fazem-no normalmente por duas razões: para adquirir vantagens, perpetuar essa ou outras mentiras ou simplesmente por negação, por não conviver bem com a verdade. Nesta análise vamos excluír o que é da competência judicial, como são os casos da fraude, do perjúrio ou da difamação, tipos de "mentira" a que cabe aos tribunais julgar, sendo aí a sede própria para o efeito.

No primeiro grupo encontramos quase sempre os políticos e os delinquentes. Pode parecer piada, mas apesar das diferenças, estes grupos partilham entre si o móbil da mentira. Assim um político recorre à retórica de duas formas: em campanha para convencer o eleitorado de que está a dizer a verdade, e já no poder para justificar as suas faltas, ou o incumprimento dos compromissos que assumiu inicialmente. Os delinquentes optam pela mesma estratégia mas de um modo diferente, mentindo para se protegerem, tentando convencer os outros de que são inocentes. Os toxicodependentes, por exemplo, são a par dos políticos os mentirosos mais criativos, pois tanto as substâncias de que dependem, que o poder que os políticos pretendem atingir têm um poder inebriante que estimula a imaginação. Posto isto basta "saber mentir", ou seja, dizer uma mentira com a mesma convicção com que se diz a verdade. Para isso é preciso que o interlocutor tenha a percepção das duas coisas, e observe exactamente o mesmo comportamento em situações de quem tem a certeza serem verdade, e outras em que tem dúvidas. No caso de alguém mentir perante outro que conhece a verdade, testemunhou os factos e consegue desmentir as alegações do mentiroso, diz-se que "se apanha um mentiroso mais depressa que um coxo". Convém não só saber mentir mas também saber a quem mentir.

No segundo caso, o de perpetuar uma mentira ou mentiras previamente tidas como verdades, encontramos a religião. Agora sem querer melindrar a fé dos crentes, todos temos consciência de que a Igreja, seja ela a Católica ou de outra confissão cristã, judaica ou islâmica, quer as crenças pagãs, acreditam em factos que não são possíveis de ser verificados, o que se convencionou chamar de "dogmas". Os dogmas têm vários graus; há coisas que são revestidas de um carácter sobrenatural mas que gostaríamos que fossem verdade, e que no nosso consciente atribuimos o benefício da dúvida. Outros há no entanto em que os próprios crentes têm sérias dúvidas da sua veracidade, mas continuam a acreditar por uma questão de coerência - o caso da dialética criação/evolução, por exemplo. Pode-se dizer portanto que a religião é um enorme pacote onde se encontram coisas que podemos aproveitar e outras que nem por isso, mas é preciso aceitar e conviver com todas.

Finalmente os que têm o hábito de mentir porque consideram a mentira uma alternativa mais plausível à realidade. Aqui encontramos aqueles que em linguagem corrente chamamos de "vaidosos" e "teimosos". Estas são pessoas que quer por ignorância, quer por arrogância não aceitam certas verdades por estas "desmontarem" total ou parcialmente o mundo onde vivem, e que consideram o melhor. Normalmente têm pouca tolerância a tudo o que seja contrário às suas convicções, e aqueles que os conhecem bem e sabem lidar com eles concordam com tudo o que ele diz, evitando entrar em discussões ou fazer o exercício do contraditório. Dependendo da "vaidade" ou da "teimosia" do indivíduo, este chega a fazer fé nas teorias mais absurdas que se possam imaginar, e reagem mal a tudo que se desvie do seu percurso em linha recta. Para eles a mentira dos outros é a sua verdade, e têm a tendência para achar que o mundo inteiro está errado com excepção deles próprios.

Quem não tem o hábito de mentir e fá-lo por necessidade, ou perante uma situação especial ou como último recurso está no pior dos mundos. Primeiro porque tem consciência do carácter nefasto da mentira, custa-lhe mentir, e mesmo em caso de sucesso o facto de ter mentido pesa-lhe na consciência. Quem descreveu melhor este sentimento de culpa foi o romancista norte-americano Edgar Allan Poe em "O coração revelador" ("The Tell-Tale Heart"), em que um homem calcula metodicamente um homicídio, mata e desmembra a vítima escondendo os seus restos mortais debaixo do chão da sua casa, para mais tarde ser assombrado pela batida do coração (provavelmente alucinatória) do homem que matou, vinda de baixo das tábuas do soalho sob o qual ocultou a prova do crime.

Mas o mais desagrádavel para estas pessoas que usam como medida dos julgamentos que fazem os seus princípios e a sua moral - que pode ser justa ou injusta, e am alguns casos atroz, mesmo que ingenuamente acreditem ser válida - é o facto de conviverem no mesmo mundo que os hipócritas. Estas pessoas que são apelidadas de hipócritas (um nome feio, mas no fundo todos temos um pouco de hipócrita) têm uma característica em comum: uma perspectiva muito pessoal do certo e do errado. São capazes de mentir em dadas circunstâncias com o pretexto de "apaziguar os ânimos" ou "não ferir sensibilidades", ou serem cínicas além dos limites do razoável usando como desculpa a pseudo-honestidade da "verdade doa a quem doer". O problema aqui é que uma vez que se bebe da fonte da hipocrisia, existe uma tendência para ser hipócrita com toda a gente, e mais tarde selecionar quem melhor se adapta a sua personalidade ou pode vir a ser útil, deixando cair todos os outros. A desvantagem é que entre os que ele mantém nas suas boas graças é difícil encontrar quem não se aperceba da sua estratégia, e o hipócrita fica assim à mercê da hipocrisia dos outros.

Finalmente temos os que evitam mentir o mais possível, ou que pelo menos tentam não mentir mesmo quando é convidativo fazê-lo. Diz-se de alguns que são "sinceros", mas tal coisa não existe. Isso é uma ilusão, e portanto já por si uma mentira. Entre os que não querem mentir existem dois grupos que parecendo extremos opostos, convergem em algo comum: a "alergia" à mentira. Assim há quem não queira mentir por convicção, pois acha que mentir "é pecado" ou por outra razão sonsinha. No fim acabam por ser obrigados a mentir, pois ao mesmo tempo que aprenderam que mentir é mau, aprenderam ainda que não se deve magoar os sentimentos alheios e que é feio fazer queixinhas. Portanto misturando estes três preceitos ficamos com uma mistela mais explosiva que o TNT, e o "santinho" passa a "mau mentiroso". Do outro lado temos o cínico, a pessoa que acredita na utopia que a verdade sairá triunfante sobre a mentira. Não se inibe de dizer o que sente e o que pensa, ou de apontar os defeitos de toda a gente, e acaba isolado a falar com as paredes, mesmo que esteja coberto de razão. Não mente mas é a mesma coisa do que se mentisse, pois vive uma mentira. É muito raro encontrar alguém com estas características, e é preciso não confundir o seu caso com "frontalidade" - quem é tido como "frontal" também sabe ser falso e hipócrita, só que o faz com mais astúcia.

Apresentados que estão os mentirosos - todos nós sem excepção - passemos às mentiras propriamente ditas. Temos um tipo de mentiras específico, as chamadas "mentiras brancas", e depois todas as outras. Diferencia-se ainda a forma como a mentira é apresentada ,e diz-se que "mente descaradamente" quem aplica a mentira sem os lubrificantes existentes para o efeito, figuras de estilo da mentira, que mais à frente vamos ficar a conhecer os graus de mentira existentes.

A "mentira branca" é normalmente usada para proteger os inocentes, e não produz qualquer efeito desagradável ou acarreta prejuízos. É exemploo de "mentira branca" fazer as crianças acreditar no Pai Natal, ou durante o velório do avô dizer-lhes que o velho "está a dormir", no caso do jovem não ter ainda uma percepção da morte e da perda de um ente querido. Com os adultos também se podem aplicar "mentiras brancas", mas isso pode ser perigoso e gerar um efeito contrário do pretendido. Se mentimos para proteger alguém ou nós próprios, é preciso ter em mente se não estamos a agir em prejuízo de terceiros, obstruíndo a prática da justiça, ou a contribuir para a perpetuação de uma prática danosa, ou para algum mal maior que possa advir da nossa percepção de que estamos a fazer o bem. Para quem mente, mas tem consciência de que essa conduta é errada. deve ponderar para que fim serve a mentira.

E daí partimos para as mentiras "não brancas", que não são necessariamente "negras", e tudo depende para que finalidade mentimos. Uma vez conscientes de que o facto de mentirmos não vai trazer nenhum bem de espécie alguma, depende do propósito e do carácter de cada um, e de como aceita conviver com a mentira. Pode-se mentir em proveito próprio, ora para retirar vantagens ou apenas para se proteger, ou para se distanciar de situações que lhe desagradam, ou em interesse de terceiros, mas uma vez que se opta pela mentira, há que ter em mente que se pode vir a apurar a verdade, e portanto existe sempre o risco de se passar por mentiroso, e as consequências determinam a gravidade da mentira, e tudo isto tem efeitos sobre a credibilidade e a honra - ninguém gosta de ser conhecido por "mentiroso", mesmo que isso seja verdade.

No extremo da gravidade da mentira temos as mentiras perigosas, das quais podem resultar prejuízos graves, ou gerarem equívocos difíceis de solucionar. Há os que vivem bem com isso, pois são vingativos ou no seu âmago consideram que a vítima da mentira merece o mal que dela tenha advindo. Quem acredita na eterna luta entre o bem e o mal pode identificar nestas pessoas algo de perverso, ou demoníaco, mas tudo depende da formação de cada um, que nestes casos normalmente é produto da indução de valores distorcidos. No extremo dos extremos temos os que mentem com frequência e usam mentiras perigosas para o efeito, e os seus actos podem resultar em conflitos graves, como guerras. Aqui remeto-vos para o terceiro e quarto parágrafos, onde falo dos políticos e das religiões. Se pensam que estou a exagerar, desafio-vos a que me digam que conflito armado recente não teve origem em motivações políticas ou religiosas.

Quem manipula os factos de modo a fazer passar uma mentira como sendo verdade tem à sua disposição uma vesta gama de expedientes, mas tudo acaba por depender quer da habilidade do mentiroso (e da credibilidade, e recordo a fábula do "rapaz que gritou "lobo!"", um excelente exemplo), quer da solidez dos seus argumentos, e finalmente da inteligência de quem espera que engula a sua patranha. Em vez de chegar à Rua da Mentira através da Travessa da Falsidade ou a Estrada da Calúnia, há quem prefira outros caminhos, casos da Alameda da Omissão, a Rampa do Exagero ou a sempre matreira Escada da Demagogia, onde os mais crentes caem quase sempre - coitados. Seja qual for o atalho ou desvio que se escolha, acaba-se em frente ao Centro Comercial da Peta, onde se vendem as interpretações extensivas e abusivas, as segundas leituras ou os juízos baseados no preconceito e na ignorância.

Há casos em que nem vale a pena discutir a validade dos argumentos. Um bom exemplo: numa cidade onde existem mil residentes são registados dois casos de gripe no mesmo dia. No dia seguinte quatro casos, e no dia depois oito casos de gripe. Posto isto, é credível prever que ao fim de dez dias toda a população esteja contaminada com gripe? Claro que não, pois a lógica aritmética não é aqui aplicável. Outros casos onde o que se entende por "verdade" depende da capacidade de argumentação ou da interpretação de princípios ambíguos são normalmente terreno fértil para os advogados, que - e com o todo o respeito e deferência pelas opç­ões de cada um - fazem da mentira a sua profissão. Escusado será dizer que aqui alguns dos critérios são bastante obscuros, e por vezes a verdade e a mentira não são para ali chamadas.

Pode-se mentir por omissão, excluíndo de um contexto partes relevantes que sejam ao mesmo tempo determinantes para o seu desfecho, ou dar mais ênfase a outras irrelevantes, ou ainda exagerar os feitos de alguém, minimizando ou mesmo ignorando os defeitos, ou vice-versa. Lembro-me de repente da campanha contra o Islão, onde se compilam todas as notícias que dão a entender que se trata de uma religião onde só existe o ódio e a intolerância. É um facto que o Islão sofre de um déficit em termos de credibilidade, mas por outro lado é possível pegar em factos pouco abonatórios respeitantes a qualquer nação ou crença e produzir um efeito semelhante. No sentido oposto temos aquilo que é conhecido também por "propaganda", e temos o exemplo da nossa epopeia dos Descobrimentos, onde se dá mais destaque aos aspectos positivos do que ao sofrimento dos marinheiros que passavam meses nas naus entregues ao deus-dará, ou aos destinos onde eram recebidos de forma hostil, tratados como piratas ou usurpadores.

A todos estes "truques" para fazer passar a mentira como sendo verdadeira chama-se desonestidade intelectual. Isto consiste na defesa de argumentos que se sabem à partida serem falsos ou tendenciosos, ou omissão consciente dos aspectos da verdade conhecida com a finalidade de alcançar um objectivo ou cumprir uma agenda. Perante mais ou menos evidências, isto pode ser chamado de "tapar o sol com uma peneira", ou "varrer o lixo para debaixo do tapete", e ainda "guardar esqueletos no armário" - como já disse um pouco mais acima, tudo depende daquilo que cada um considera válido, e de como convive com os seus fantasmas. Achei importante expôr aqui estas verdades sobre a mentira.

Morreu Lei Pang Chao



Faleceu na última quinta-feira aos 81 anos Lei Pang Chao, vice-director do jornal Ou Mun, a publicação mais lida na imprensa de Macau. Co-fundador do diário, para o qual contribuíu durante mais de 50 anos, foi ainda membro permanente da Comissão Consultiva da Lei Básica de Macau, sub-secretário-geral da Associação Promotora da Lei Básica de Macau, membro da Comissão de Selecção do Primeiro Governo da RAEM e representante de Macau na 10.ª Assembleia Popular Nacional. Além do Ou Mun, foi ainda um dos fundadores da Associação dos Escritores de Macau e da Associação dos Calígrafos e Escultores de Selos de Macau, sendo ele próprio mestre na arte da caligrafia chinesa, e autor publicado, encontrando-se entre a sua bibliografia os títulos “O Presente e Passado de Macau” e “Obras Literárias de Macau”, consideradas obras de referência para entender melhor as vivências do território.

Brigada anti-megera



É uma tendência cada vez mais em voga na China continental: mulheres amantes de homens casados são linchadas em público pela esposa do amante e suas amigas. Este caso ocorreu em meados de Outubro em Puyang, província de Henan. Uma mulher de 38 anos de nome Lin Yao Li foi encurralada por outra mulher que alegou ser a esposa do seu amante, passando de seguida para a agressão, puxando-lhes os cabelos e atirando-a para o chão. De repente surgiram as amigas da agressora, que rasgaram a roupa de Lin enquanto lhe davam pontapés e socos, ao mesmo tempo que deixavam os transeuntes saber que a vítima era uma adúltera que "procurava homens casados com o propósito de lhe destruír o casamento". A agressão teve lugar em plena luz do dia numa rua movimentada, sem que ninguém chamasse as autoridades, e só terminou quando dois homens resolveram intervir. Um deles, Jin Feng, de 30 anos, diz que "são cada vez mais comuns estes casos na China", de mulheres traídas a resolverem pelas próprias mãos um problema que a justiça considera "sensível e problemático", preferindo que as partes se entendam entre elas. Um aviso sério para as mulheres que procuram um homem: verifiquem bem a disponibilidade dos machos, meninas.

Águia melhor que Ave



O Benfica deu ontem o pontapé de saída da nona jornada da Liga ZON Sagres, ao vencer no Estádio da Luz o Rio Ave por uma bola a zero. Vindos de um empate sem golos no Monaco para a Liga dos Campeões e uma derrota por 1-2 em Braga para o campeonato, os encarnados procuravam o regresso às vitórias, e o jogo em casa com os vila-condenses poderia ser o tónico para o compromisso europeu de terça-feira, novamente com os monegascos. O Rio Ave veio para a capital com uma postura mais defensiva, procurando explorar alguma eventual ansiedade da parte do adversário, mas tudo se decidiu aos 60 minutos com um golo do médio brasileiro Anderson Talisca, que ao assinar o oitavo remate certeiro na liga, isolou-se na lista de melhores marcadores. O Benfica mantém assim a liderança da prova com 22 pontos, mas quatro que o Porto, que só joga esta noite em casa frente ao Nacional.