quarta-feira, 29 de novembro de 2017

زيت الزيتون Azeite



Ana Malhoa tem um vídeo novo, este que vemos aqui em cima, e que se chama "Ampulheta", e que já tem mais de 250 mil cliques em menos de uma semana. Normal, atendendo à popularidade da artista, que ao contrário do que fazem os seus detractores (e há bastantes) vou evitar chamar de "azeiteira". Não gosto, acho do mais foleiro que há, mas pronto, não como. Ninguém me obriga a visualizar os vídeos ou a escutar a música da Ana Malhoa, que leva já quase tantos anos de vida quantos de carreira, e é pessoa que trabalha imenso, além de ser igualmente uma excelente profissional - diz quem a conhece. Posto isto, este vídeo chamou-me a atenção devido a uma série de comentários que li na publicação online do jornal Blitz, que lhe deu destaque, e dos quais selecionei alguns, para que se tenha uma ideia do "problema":


E pronto, a Ana Malhoa resolve dar uma de odalisca, veste-se de semi-arabesca, vai filmar para um "deserto" (que na verdade é uma pedreira), e salta logo a histeria islamófoba da "invasão do Islão". Onde diabo está aqui a Ana Malhoa a "ofender", ou a "promover" o Islão ou outra coisa qualquer? É a Ana Malhoa, cum raio! Eu imagino o sofrimento das pessoas que padecem desta maleita quando se deparam com coisas destas; entortam a boca, piscam compulsivamente de um olho, e pimba! não resistem e vão desabafar nas redes sociais, aprestando-se a fazer estas figuras tristes. Se forem ver a contabilidade dos "likes" no vídeo da cantora, vão verificar que são poucos mais que os "dislikes", o que é pouco habitual para a artista em questão. Ou a Ana Malhoa é realmente uma pessoa acima destas parvoíces, e nesse caso tiro-lhe o chapéu que não uso, ou deu um passo em falso em matéria de "marketing". Seja como for, daqui a uns tempos todo a gente se esquece. E ainda bem.



Sinceramente tenho saudades dos tempos em que as pessoas eram saudavelmente ignorantes. Lembram-se das Doce, e do seu "Homem das Arábias", que no início dos idos anos 80 nos deixavam a cantarolar "Ali-Babá, bá-bá-ali"? Que bom que era, quando falar de árabes era sinónimo de mil e uma noites, do Aladino e do génio da lâmpada. Ai, suspiro. Hoje, enfim, é disparate em cima de disparate, e um simples véu é mote para conversas sobre "terrorismo", "opressão", e toda a loja dos horrores. Haja paciência. É só para concluir:


Foge, Roberto Leal! Vem aí o Daesh!


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