quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O profeta perdido


Ian Watkins, 36 anos, é o vocalista e líder da banda de "metal" galesa Lostprophets (profetas perdidos), fundado em 1997, e que gozou de uma certa popularidade no início da década. Como tantos outros no seu ofício Watkins caíu em desgraça, mas não foram as drogas ou o álcool que o levaram a perdição - ou pelo menos não foi só esse o motivo. Naquele que é o julgamento mais mediático do ano no Reino Unido, Watkins admitiu ser culpado de 11 dos 24 crimes de abuso sexual de menores de que é acusado, incluíndo a tentativa de violação de dois bebés. O cantor chegou às crianças através das suas mães, com quem mantinha relações. Alguns dos detalhes da acusação são sórdidos, e incluem uma conspiração da parte de Watkins de tornar os bebés escravos sexuais através da administração de drogas duras. Numa das mensagens que mandou a uma das mães e usada como prova em tribunal, lia-se "se tu és minha então o teu bebé também me pertence". Inicialmente Watkins admitiu ser pedófilo, e as provas são demasiado fortes para que o músico alguma vez o negasse. Num texto mandado em Março a outra das mulheres dizia que queria "um Verão de pornografia infantil". O sr. Watkins não estará bom da cabeça, certamente, mas depois de ser lida a sentença no tribunal de Cardiff no próxima dia 19 de Dezembro, terá muito tempo para organizar as ideias. Toda a vida, possivelmente.

Shit chicken





Um restaurante de "fast-food" na zona leste de Londres foi encerrado depois de uma inspecção levada a cabo após uma denúncia de uma infestação de ratos. O departamento de inspecção alimentar e saúde do distrito de Waltham Forest encontrou aquilo que um dos seus agentes diz ser "o restaurante mais sujo do mundo", e encerrou-o de imediato, sem sequer esperar pela ajuda das autoridades policiais. O que lá se via é aquilo que as imagens documentam. Pelo chão batatas fritas de tempos idos, gordura "vintage", que aparentando ter vida própria subia pelas paredes, e muitos, mas mesmo muitos primos ingleses do sr. rato. Este restaurante fica localizado em 36, Wood Street, Walthamstow, e chama-se, vejam bem, QFC - este "Q" deve querer dizer "questionável". Além de galinha frita, este QFC serve ainda pizzas e hamburgueres, e vem classificado no guia All in London, destinado a turistas, com quatro estrelas e meia em cinco possíveis. Estes gajos é que sabem o que é bom. Já os chineses descobriram há muito este segredo: não limpando a gordura do fogão, a comida fica muito mais saborosa. Os ratos? É o pessoal da cozinha. Pensam que é fácil arranjar empregados que trabalhem a troco de amendoins e não reclamem?

Pressão e lenços brancos


PVsA 1-1, CL 2013 发布人 futbolsapiens
O FC Porto empatou ontem no Estádio do Dragão a uma bola com o Austria de Viena, e comprometeu seriamente a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Os dragões entraram em campo sabendo à partida do empate do Zenit frente ao Atletico de Madrid a uma bola na Rússia, e bastava vencer os frágeis austríacos - que ainda não tinham marcado qualquer golo na prova - para passar ao segundo lugar e ficarem a depender apenas de si. No entanto a equipa de Paulo Fonseca voltou a demonstrar que não lida bem com a pressão, e aos onze minutos Roman Kienast aproveitou uma infantilidade da defesa portista para marcar o golo de estreia da sua equipa. O Porto correu atrás do prejuízo, mas a "tremideira" era muita, e apenas no início da etapa complementar chegaria ao empate, por intermédio de Jackson Martínez. O Austria passou então a defender apenas, espreitando um eventual contra-ataque, e a divisão de pontos é má para as duas equipas, pois deixa o Porto a depender de terceiros, e afasta os austríacos das competições europeias. Este é o quarto empate em cinco jogos para o FC Porto, o terceiro consecutivo em casa, e no final da partida os adeptos azuis-e-brancos acenaram com lenços brancos. Paulo Fonseca considera a situação "normal", mas terá que recuperar a equipa e levá-la aos bons índices competitivos que demonstrou no início da época se quiser manter o seu lugar como treinador. O At. Madrid lidera o grupo G com 13 pontos, Zenit tem 6, Porto 5 e Austria Viena 2. O Porto garantiu pelo menos um lugar nos dezasseis-avos da Liga Europa, mas para chegar aos oitavos da Champions está obrigado a vencer em Madrid e esperar que o Zenit não vença em Viena.


Nas restantes partidas da noite, destaque para a vitória do Ajax sobre o Barcelona por 2-1, em partida a contar para o grupo H. Uma derrota rara dos catalães, que ao intervalo já se encontravam com dois golos de desvantagem, graças a golos de Thulani Serero e Danny Hoesen. No início do segundo tempo Xavi reduziu de "penalty", num lance em que o defesa Joel Veltman foi expulso, e os holandeses passaram a segurar a vantagem a jogar com dez elementos, mas no fim sairam da Arena de Amesterdão com os três pontos. Na outra partida do grupo o AC Milan, que este ano está a atravessar uma crise de resultados, de sinais de vida ao vencer o Celtic em Glasgow por 3-0, Kaká, Cristian Zapata e Mario Balotelli puxaram dos galões "rossoneri" e assinaram os golos de uma vitória expressiva, num terreno considerado sempre difícil. Barcelona lidera com 10 pontos, e apesar da derrota já tinha um lugar garantido nos oitavos-de-final, segue-se o AC Milan com 8, Ajax com 7 e Celtic com 3. O segundo lugar decide-se na última ronda, com o AC Milan a receber o Ajax, sendo os holandeses obrigados a vencer.

No grupo E apenas um golo nas duas partidas de ontem, e foi marcado na Suíça, onde o Basel voltou a vencer o Chelsea de José Mourinho. O golo da equipa da casa foi apontado a três minutos do fim por Mohammed Salah, e vale ao Basel o mérito de ter vencido as duas partidas contra os ingleses nesta fase de grupos. Em Bucareste acabou tudo como começou, com Steua e Schalke 04 a ficarem em branco. Chelsea lidera o grupo com 9 pontos e garantiu o apuramento, Basel é segundo com 8, Schalke 04 tem 7 e Steaua Bucareste tem 3. O encontro Schalke 04-Basel decide quem acompanha o Chelsea nos oitavos-de-final.

Finalmente no grupo F, o Arsenal ficou mais perto do apuramento ao vencer em Londres os franceses do Marselha por duas bolas a zero. Jack Wilshere foi o "gunner" com melhor pontaria, ao apontar os dois golos do encontro, no primeiro e aos 65 minutos. Na Alemanha o Borussia Dortmund parece ter ultrapassado a derrota por 0-3 no seu estádio frente ao Bayern para a Bundesliga, e venceu o Nápoles por 3-1. Marco Reus marcou para os da casa de penalty aos 11 minutos, e aos 60 o polaco Jaukb Błaszczykowski fazia o segundo. Os italianos ainda reduziram aos 71 por Lorenzo Insigne, mas sete minutos depois Pierre Aubemayang voltava a dar vantagem de dois golos aos alemães. As contas do grupo estão complicadas, com Arsenal a liderar com 12 pontos, seguido de Dortmund e Nápoles com 9. Tudo se vai decidir na última ronda com os jogos Marselha-Borussia Dortmund e Nápoles-Arsenal, e caso as três equipas terminem empatadas em pontos, a diferença de golos marcados e sofridos pode ser decisiva. A título de curiosidade refira-se que o Marselha é a par dos checos do Viktoria Plzen a única equipa que ainda não pontuou nesta edição da liga milionária.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sempre em festa, parte VI: 13 de Maio


O 13 de Maio é uma data muito querida de uma grande parte dos portugueses. Não é feriado, mas devia ser. Porquê? Sei lá, porque gosto de feriados. Mas porquê o 13 de Maio e não outro dia qualquer? Bem, por mim quanto mais feriados melhor, e nem era preciso uma razão, mas já que perguntam, o 13 de Maio é o dia em que se assinalam as aparições da Virgem Maria na Cova da Iria. A quê e aonde? Fátima, pá! Ah está bem, Fátima, a Nossa Senhora? Pois é, isso mesmo.

Foi a 13 de Maio de 1917 que três pastorinhos analfabetos e subnutridos foram levar as ovelhas a pastar a um monte ribatejano e "viram uma luz" que "falou com eles". Quando uma luz "fala" comigo, normalmente é mau sinal. Diz-me "puff!", e depois dá o badagaio e deixa de ser luz. Mas em 1917, quando ainda não existia a EDP, uma luz que não fosse a do sol podia ser qualquer coisa: um farol, uma moita em chamas, a mãe de Jesus, etcetera. Por acaso naquele dia foi a mãe de Jesus, filho de Deus.

A Virgem Maria escolheu aparecer, de entre toda a gente no planeta, a três pastorinhos ribatejanos menores de 10 anos, pobres e iletrados, e revelou-lhes três segredos. Ah! Que grande responsabilidade para três criancinhas. Se eu fosse uma criatura sobrenatural com três segredos para confiar, escolheria alguém mais velho, e certamente com um pouco mais de educação, nem que fosse para ter a certeza que me entendiam e não ficava ali a falar para o boneco. Crianças seria a minha última escolha; podia assustá-las, coitadinhas. Só que para estes pastorinhos isto foi apenas mais um dia no monte. As ovelhas pastaram...fez vento...apareceu a Virgem Maria...tudo normal.

Quem no deve ter achado muita graça foi o Papa Bento XV, ocupante do trono da Santa Sé naquela altura. Quer dizer, anda ali um tipo a trabalhar como representante da Deus & Filhos Lda., e depois vai a senhora estabelecer contactos com...crianças ribatejanas? Haja paciência. Para provar que estava mesmo a falar a sério, Maria fez mais aparições no mesmo local, às mesmas crianças. A mais célebre deu-se a 13 de Outubro desse ano, quando um grupo de camponeses molhados da chuva testemunhou um fenómeno que lhes deixou a roupa seca. Ou era uma campanha de uma empresa de "limp-a-sec", ou era a Virgem Maria. Um jornalista d'"O Século" presente no local, garante que era a Virgem. Por acaso fui pesquisar se o LSD já existia em 1917, mas descobri que foi sintetizado pela primeira vez em 1938. Mistério, mistério...

Portanto, três segredos, revelados a três crianças. Que segredos eram estes? O primeiro segredo era a existência do Inferno. Pronto, o Inferno existe, é esse o segredo. A Virgem mostrou aos pastorinhos o sofrimento dos pecadores no Inferno, deu-lhes o "tour" completo. Digo-vos uma coisa: professora que quisesse levar um filho meu a uma visita de estudo a um sítio desses, eu não autorizava. Quer dizer, se o miúdo pedisse muito, deixava-o ir, desde que tirasse boas notas e comesse a sopa toda ao jantar, mas mesmo assim levava um boné e o protector solar. Como "segredo" não tem muito que se lhe diga. Os pastorinhos viram o Inferno, mas e nós? Quer dizer, se era para ficar "em segredo", porque é que o revelaram?

Segundo segredo: vai eclodir uma II Guerra Mundial, caso os homens continuem a ofender Deus e a Rússia não se converta ao Sagrado Coração de Maria. Este segredo foi revelado em 1941, com a tal "previsão" a decorrer. Quer dizer, assim é fácil. Olha, prevejo que o Benfica vai ganhar 1-0 ao Braga na Luz com um golo do Matic na segunda parte. Olha, acertei. Sou um vidente, e o facto do jogo ter sido no último Sábado pouco importa. São detalhes. Estávamos em 1917, no decurso da I Guerra Mundial, que naquele tempo era designada apenas por "Guerra Mundial", e uma segunda seria certamente terrível. Podiam ter avisado antes, em vez de esperar 24 anos. Podiam-se ter evitado 60 milhões de mortes. E essa história da Rússia converter-se e não sei quê cheira-me a retórica anti-comuna.

O terceiro e último segredo foi revelado em Fátima a 13 de Maio de 2000, por altura do 83º aniversário das primeiras aparições. A expectativa era enorme, pois foi preciso esperar 83 anos para revelar um segredo, deve ser importante. Afinal o tal segredo falava da perseguição aos católicos no século XX, que culminaria com o atentado à vida do Papa João Paulo II em 1981. O quê? E fizeram-me ficar a olhar para a televisão três horas para isto? Oitenta e três anos para anunciar um acontecimento que tinha ocorrido 19 anos antes? Ah já sei, a ladainha do século XX. Estávamos no último ano do século XX, pois é. O segredo tinha que esperar até este dia, pois, faz sentido. Só pode ser verdade, verdadinha. Epá, estou convencido.

Convencido ficou também o Vaticano, apesar da hesitação, mas a força da fé prevaleceu. Claro que estes "segredos" foram anunciados num texto elaborado alegadamente proferido pela própria Virgem Maria e ditado aos pastorinhos, que podiam ser analfabetos, mas tinhas boa memória. As aparições foram reconhecidas, e no lugar onde se pastavam ovelhas foi erguido um sumptuoso santuário. Esse bem podia ter sido o quarto segredo: "construam em homenagem à minha visita um santuário amplo, elegante e caro onde se vendam velas, imagens minhas em miniatura, terços e outros pechisbeques. Que os crentes peçam ou paguem as minhas boas graças percorrendo a pé a distância de suas casas até esse santuário, e cumpram uma volta completa a ele arrastando-se pelos joelhos". Quase cem anos de mistério, segredos, devoção e milagres? Repito: bem podia ser feriado.

Hamburguer gay


O que é um hamburguer? Um pastel de carne de vaca redondo e achatado, que se pode comer no prato com batatas fritas, ovo e salada, ou no pão com queijo, alface, tomate e molhos a gosto. O que é um hamburguer gay? Je ne sais pas, mas de acordo com a reportagem do Hoje Macau de hoje, existe em Macau uma casa de hamburgueres "alternativa". Quanto a hamburguers "alternativos", sei que existem os de soja, para aquela malta que chora quando as vaquinhas choram, e qualquer coisa que dê para transformar em picadinho dá para fazer um hamburguer, desde peixe a outros vegetais além da soja, e até minhocas. A "alternativa" apresentada pelo Brick's, um restaurante que abriu em Outubro na Calçada do Tronco Velho, não tem nada a ver com a origem da carne picada, mas com a carne que...bem, esqueçam. Ia fazer um trocadilho com "carne" e com "picar", mas seria incorrecto da minha parte.

Portanto vou directo ao assunto: o Brick's é uma loja de hamburguers "gay". Porquê? Não sei, mas dizem que sim. Podia ser mauzinho, e dizer que isto tem qualquer coisa a ver com uma certa publicação jornalística efeminada nas imediações, mas isso era estar a ser mauzinho, e não faria muito sentido. É "gay" mas não era, pois eu lembro-me de passar por lá antes, e não vi nenhuma bandeira de arco-íris à porta. É a primeira vez em dois anos que oiço dizer que o Brick's é um restaurante LGBT, e a primeira vez em toda a minha vida que oiço falar de um hamburguer "gay". Entretanto têm já outra loja, no Fai Chi Kei, mais precisamente na Rua do General Ivens Ferraz, edifício "Pou Choi", loja "S". Ou será loja..."ass". Oops, desculpem, não queria ofender ninguém. Retiro o "ass". Aliás, levo-o para bem longe daqui.

Por acaso adoro hamburguers, mas detesto os hamburguers do McDonald's. Pelo menos aqueles mais murchinhos, fininhos, secos e sem graça nenhuma. As lojas de hamburguers "independentes" fazem hamburguers sumarentos, daqueles que quando damos uma dentada pinga aquele molho onde é possível identificar umas plaquetas do sangue da vaca - pelo menos gostamos de pensar que é uma vaca. O que faz do Brick's um restaurante "gay" não sei, mas espero que não seja por causa do hamburguer, e que não tenha nada a ver com a maionese, também. Bolas, lá estou outra vez. Peço desculpa. Se ainda fosse uma loja de "hot-dogs" entendia-se, porque afinal...ah merda, não consigo. Epá vou parar com isto. Boa noite e bons hamburguers, e se forem ao Brick's garantam que saem de lá com a barriga cheia, mas só a barriga, e não...arghhh! Adeuzinho!

És tão querido...vou-te matar


O Nycticebus, ou "Loris lenta", é um primata que habita nas florestas do subcontinente indiano, da China e do arquipélago malaio, onde é mais abundante, nomeadamente na ilha do Bornéu. O Loris é um animal inocente e indefeso, alimenta-se sobretudo de frutos e de nozes, e devido à sua natureza pacífica e aparência engraçada, é presa fácil de caçadores furtivos, que os vendem depois a mercados clandestinos de animais raros. O tráfico deste animal é mais comum na China, onde se acredita que a sua carne tem propriedades medicinais, e na Indonésia, onde se faz a ponte para outros países onde a Loris é mantida como animal de estimação.

O procedimento da captura da Loris, como documenta este vídeo publicado pelo jornal de Hong Kong em língua chinesa Apple Daily, é o mais cruel que se pode imaginar. Os caçadores sobem nas árvores, abatem os adultos e levam as crias. Depois de vendidos aos intermediários, são-lhe retirados os dentes, uma das partes mais valiosas do animal para a tal medicina, e as Loris são remetidas a pequenas jaulas onde não conseguem crescer até ao tamanho de um adulto. São inúmeros os mercados em Jacarta onde o animal pode ser adquirido pela módica quantia de 25 dólares, e podem ser vendidos a famílias russas ou japonesas como animal doméstico por 2500 dólares - cem vezes mais. É um daqueles casos em que o crime parece compensar.

Este vídeo em língua chinesa é um dos mais recentes, mas são inúmeros os que podemos encontrar na net que nos falam deste negócio do tráfico de animais raros e espécies protegidas na Ásia. A pobre Loris, por exemplo, tem estatuto de espécie protegida ana Tailândia - um dos poucos países onde se combate o seu tráfico - a cantora Rihanna publicou no Instagram uma fotografia com um exemplar no seu ombro, o que a deixou no centro de uma polémica. Interrogada pelas autoridades, Rihanna foi obrigada a dizer onde viu o animal, e acabaram por ser detidos dois homens ligados ao tráfico dos Loris.

A crueldade humana parece não ter limites, e são cada vez mais os exemplos de atentados contra outras espécies, levados a cabo com requintes de malvadez. Há quem pense que isto não lhe diz respeito, mas não existiria oferta se não existisse procura, e para cada um destes criminosos que arrancam da natureza, torturam e matam estes animais pela sua pele, pêlo, carne, chifres ou seja lá o que for, há meia dúzia de pessoas "de bem" como nós interessados em comprar. Tenha atenção à origem dos produtos derivados de animais que consome, e se quiser um animal de estimação, adopte um, de preferência. Recuse-se a ser cúmplice desta prática horrível.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cara d'anjo mau


Foram apresentadas esta tarde na AL as linhas de acção governativa para a Economia Finanças, que contaram com a presença do secretário da tutela Francis Tam, que se fez acompanhar do seu séquito da área Alcoólica e Bagaceira, perdão, Económica e Financeira. Do diz-que-disse habitual, um dos temas fortes foi, como não podia deixar de ser, o emprego e a mão-de-obra, nomeadamente a questão dos trabalhadores não-residentes, o cavalo de batalha da gente ignorante que prefere enveredar pela via do populismo, quando qualquer idiota com um terço da capacidade cerebral de uma anta sabe bem que sem a mão-de-obra importada é impossível Macau funcionar.

Cai sempre bem aos pseudo-políticos do burgo agitar as massas acenando com a bandeira da xenofobia, culpando os trabalhadores não residentes por todos os males do mundo, acusando-os de "retirar o emprego aos locais". São um perigo, estes não-residentes, que vêm para cá ganhar fortunas como 5 ou 6 mil patacas mensais por 12 horas de trabalho diário, com uma folga ou menos por semana e 11 dias de férias anuais, a maioria deles sem direito a bónus, assistência médica gratuita ou muitos outros dos direitos dados como garantidos pelos residentes de Macau. Como ousam estes imigrantes do Sudeste asiático limpar a nossa casa, cuidar dos nossos idosos, levar os nossos filhos à escolar e servir às mesas dos restaurantes em troca de um salário igual ou inferior ao subsídio de desemprego de muitos dos nossos trabalhadores locais sem trabalho, coitadinhos? Como se atrevem estes operários do continente a trabalhar de sol a sol, sem intervalos ou dias de descanso por metade do se paga aos locais, que fazem pausas para o pequeno-almoço, almoço e lanche, queixam-se do calor, da chuva , do frio, acham algum do trabalho "muito pesado", e exigem ir para casa às seis da tarde? Ao que o mundo chegou, minha gente.

Muita da "inteligenzia" mais consciente de que apenas com os locais metade do comércio de Macau tinha a porta fechada, incluíndo os hotéis e os casinos, aponta o dedo ao sector pró-democrata, nomeadamente à Associação do Novo Macau, que acusam de adoptar um discurso xenófobo. Não vou aqui discutir se têm ou não razão (é claro que estão mais iludidos que alguém que acabou de tomar uma "trip" de ácido), mas vamos imaginar que têm (não, estão errados). Nesse caso, Ng Kwok Cheong e seus pares são meninos de coro quando comparados a esta menina na imagem de cima. Song Pek Kei, aquela criatura angelical que vemos na imagem, conseguiu em dois minutos ser mais racista e xenófoba do que os deputados do Novo Macau em 15 anos. O seu discurso de ódio contra a mão-de-obra estrangeira que nem a capa da defesa dos trabalhadores locais disfarçou leva-me a pensar que a sua leitura de mesinha de cabeceira é o "Mein Kampf", de Adolf Hitler. Ponham legendas em francês naquilo que ela disse e a Marine Le Pen tirava notas. O PNR, o diminuto partido português de extrema-direita, viria até cá para ter aulas com a menina Song. Em muitas jurisdições por esse mundo fora, aquelas onde se respeitam os direitos humanos e civis, teria sido presa mal acabasse de debitar as alarvidades que ouvi sairem da sua boquinha de passarinho esta noite.

Segundo a menina Song, a quantidade de mão-de-obra estrangeira em Macau tem um impacto que vai muito além do mercado de trabalho. Parece que estes imigrantes têm ainda influência no preço da habitação e dos bens de consume, além de "incomodarem" os residentes com os seus comportamentos, derivado das suas diferenças culturais. Não disse que são poluição visual por causa da sua etnia diferenciada, mas aposto que pensou. Portanto está explicado: a culpa da especulação imobiliária e da inflação é desses malandros dos filipinos, indonésios ou trabalhadores do continente, que partilham diminutos apartamentos aos dez de cada vez, e vivem com pouco mais de 20 patacas diárias - os que podem. E por isso o governo "deve limitar a contratação de trabalhadores não residentes", diz a senhora deputada. Esqueçam lá os 40 mil trabalhadores que o território vai precisar nos próximos dez anos, que a menina Song e a sua malta de Fujian fazem as vezes. Chegam muito bem para a encomenda, e nem sequer são de fora. Para quem não sabe, Fujian fica ali para os lados de Coloane, perto do Parque Industrial da Concórdia, onde a menina Song faz planos de construír os fornos crematórios onde vai fazer sabão com essa escumalha não residente que por aí anda.

Song Pek Kei foi a maior surpresa destas eleições. Como número três da lista da Associação dos Cidadãos Unidos, de Chan Meng Kam, a grande vencedora das eleições de 15 de Setembro, nunca lhe passou pela cabeça ser eleita. Saiu-lhe na rifa, portanto. A jovem menina Song tem apenas 28 anos, sabe muito pouco da vida. Isto podia servir-lhe de desculpa, não fosse pela gravidade do teor das suas afirmações. Não quero pensar que o seu discurso traduz a opinião generalizada da população de Macau, prefiro nem pensar nisso. Se é isto que pensam as gentes de Macau, se é esta a agenda de Chan Meng Kam, que convenceu o eleitorado em número que chega e sobra para lhe conferir credibilidade, tenham medo, tenham muito medo. Qualquer dia o melhor é andar armado, não nos vão cair as SS em cima. Queriam saber como eram os novos deputados eleitos no último sufrágio? Ora aqui têm um exemplo. E começamos mal.

Depilações



- E como hoje é segunda-feira, temos a nossa rubrica de Depilações...boa noite, Leocardo, tivemos um fim-de-semana bem animado.

- É verdade, Borges Rivas, não sei se o meu pobre coração aguenta. Já precisei de trocar as pilhas do "pacemaker" e tudo.

- Tivemos o combate de boxe com Manny Pacquiao, o concerto de Alicia Keys, Beckham, Paris Hilton...

- Sim, e José Eduardo Moniz. É preciso não esquecer que passou por cá o vice-presidente do Benfica. Vamos lá a ver...

- E Durão Barroso.

- Passou bem. Dei-lhe um passou bem e um xi-coração.

- E que leitura podemos fazer disto?

- Ora, Borges Riva, isto só pode querer dizer uma coisa: Macau começa a tornar-se a capital mundial do entretenimento. Comparado com o COTAI, Las Vegas parece o Casal Ventoso. Eu já lá estive e aquilo é uma javardice. Ciganos, drogados, arrumadores de carros...

- Mas as grandes figuras do mundo do espectáculo param por Las Vegas, Leocardo.

- Sim, mas veja, em breve vamos ter aqui os Rolling Stones, esse jovem grupo que enche estádios em todo o mundo, ou os Kool & the Gang, que estão nos tops, enfim, é um corropio, o mais difícil é escolher.

- E o próprio Beckham vai continuar ligado em Macau.

- Sim! E ouvi dizer que esteve a ver um apartamento no One Central.

- E a partir daqui?

- O Céu é o limite, Borges Rivas. Podiamos começar a apostar no turismo cultural, no turismo religioso, no turismo de saúde, visitas guiadas ao Hospital público para demonstrar como eram exercidos os cuidados médicos durante a Idade Média, e cinema, podiamos apostar no cinema, ter cá o Woody Allen a fazer filmes, enfim,

- O...Woody Allen?

- Exacto, o que é que Nova Iorque, Londres, Barcelona, Paris ou Roma têm que Macau não tem? Já estou a imaginar o título e tudo: "Viver e amar no Fai Chi Kei".

- Obrigado, Leocardo.

- Não tem nada que obrigadar!

Sua alteza, o sr. rato - o mistério das uvas



PARTE I : SUA ALTEZA, O SR. RATO

Começa a ser cada vez mais difícil entender o sr. rato. O que faz? De onde vem? Para onde vem? Quais os seus sonhos e ambições? Será que existe uma rata no seu coração de rato? Acredita no amor? E em Deus? Tudo o que sei dele é aquilo que cada vez menos ele me deixa saber. Nestes últimos 6 dias desde o incidente com o caixote do lixo tenho feito tudo para o encontrar, para passar tempo com ele, para poder entender melhor a sua natureza de criatura imunda e rastejante. Retiro, imundo não. Em vias de higienização, isso. Os meus últimos avanços nesse grande projecto científico a que dei o título temporário "O que come o sr. rato" redundaram em fracasso. Começo a pensar que o bicho é esquisito, ou finório. Se calhar é da realeza. Sendo um "ratus norvegicus", pode ter vivido em tempos em Skaugum, onde era rato do rei Haraldo V, enquanto o seu pai e avô tinham roído o queijo de Olavo, o antecessor. Pode ser que tenha sido enxotado pela rainha Sónia por lhe ter entornado o akevitt no vestido. É bem possível, pois é preciso não esquecer que o sr. rato é um pouco trapalhão.

Na terça-feira, depois daquela incursão pelo lixo nas primeiras horas do dia, deixei-lhe arroz cozido. Mais uma vez mandou-me a mim comê-lo. Desconfio que o sr. rato não gosta de nada que não esteja bem temperado. Sim, anos a chafurdar no entulho deixaram-lhe um apetite pelos sabores mais intensos. A especialista em nutrição de quadrúpedes caninos, roedores e marsupiais (a minha irmã) ficou de me passar um pouco daquela ração que dá ao seu esquilo, mas enquanto isso precisava de improvisar. Na quarta à noite fui ao supermercado e encontrei um pacote com uvas pretas, marcado a duas patacas. Perfeito para o sr. rato, pensei eu. Cortei-lhe as uvas ao meio, cortes longitudinais, e deixei-as no pratinho com o desenho do Templo da Barra juntamente com quatro pedaços do seu chocolate preferido. Na manhã seguinte tinha comido algumas (poucas) uvas, mas ao chocolate chamou-lhe um figo. Que parvoíce a minha...o sr. rato ficou com a boca doce do chocolate e achou as uvas insonsas. Amanhã deixo-lhe apenas uvas.

Na noite de quinta para sexta, o sr. rato encontrou apenas uvas no pratinho com o desenho do Templo da Barra. Na manhã seguinte, depois do sono dos justos, acordo perante um cenário caótico, pior do que aquele que tinha encontrado naquela infame terça-feira. As uvas tinham sido todas comidas, mas à volta do prato estavam duas ou três cascas, e, audácia das audácias, mais uma em cima do estofo do cadeirão da sala. Como se atreveu o sr. rato a sentar-se onde se sentam os homens e as mulheres para comer uma metade de uma uva, deixando a casca como marca da sua ousadia? Peguei na casca e fiquei surpreso com o que vi. A polpa da uva estava compeltamente comida, e a casca intacta, ainda redonda, fazia lembrar um barquinho. A precisão dos dentes de roedor nato que é o sr. rato tinham separado quase mecanicamente a polpa da casca. Fascinante, o trabalho de dentes do sr. rato. Mas uma dúvida assombrava-me: se não gostava da casca, porque tinha deixado apenas algumas? Teria comido a casca das outras? Eram umas boas vinte e tal metades de uva, e nesses dois dias tinha encontrado apenas cinco ou seis. Um mistério que vim mais tarde a desvendar e
me deixaria ainda mais assombrado. Era o mistério das uvas.

(INTERVALO E INTERLÚDIO COMERCIAL)



(FIM DO INTERVALO)



PARTE II: O MISTÉRIO DAS UVAS

Sexta-feira durante o dia encontrei-me finalmente com a especialista em nutrição de quadrúpedes caninos, roedores e marsupiais (a minha irmã), que me passou uma pequena quantidade da ração que habitualmente dá ao seu esquilo,o suficiente para uma refeição. Chegado a casa essa noite, sento-me em frente ao computador, e quando me preparo para me virar para o ecrã, reparo em algo debaixo do cadeirão da sala, mesmo junto à parede, algo que se assemelhava a manchas escuras. Aproximei-me, e foi com grande espanto que vi que eram...cascas de uva. As que faltavam, as daquela noite e as da noite anterior. A peça que faltava do puzzle. O sr. rato levou as uvas da cozinha até à sala, onde se abrigou debaixo daquele cadeirão chinês de pau-rosa envernizado para realizar o processo de separação da polpa. Foi aí que deduzi que a casca que tinha deixado em cima do estofo foi como que uma amostra: "é assim que eu quero as uvas, Leocardo". Para castigo deixou-me as cascas debaixo do cadeirão para eu limpar. Peço desculpa, sua majestade. Não se volta a repetir.

Ao limpar as cascas de uva notei a fascinante "craftsmanship" das favolas do sr. rato. A polpa havia sido clinicamente retirada do interior de cada uma das metades da uva, nem uma casca partida, nem um pequeno rasgo, nem uma marca de dentes. Foi como se a uva se tivesse evaporado, desintegrado do universo deixando apenas a cápsula. A maneira como o sr. rato ratou as metades daqueles bagos de uva é trabalho de ourives, requer a minúcia de um contraste. Devia ser considerado uma forma de artesanato reconhecido pela UNESCO como património intangível da humanidade. No fundo eu merecia estar ali a catar as cascas de uva deixadas pela sr. rato. Fui descuido da minha parte, ofender a sua alteza ratal. Eu tinha o dever, mais, a obrigação de descascar as uvas para o sr. rato, e dá-las à sua boca, se necessário. Fosse este ultraje cometido nos tempos do Imperador Ratão, e ele mandava-me cortar a cabeça, ou outra coisa que me fizesse mais falta. Bom, pelo menos não deixou nenhuns cocós no chão.

Essa noite foi a última vez que tive contacto visual como sr. rato. Deixei-lhe a ração para o esquilo no pratinho, no sítio do costume, aguardando pela sua opinião quanto a esta novidade gastronómica. Eram quase uma da manhã, estava sentado em frente ao computador, quando começo a escutar passos no sótão. O som dos passos tornavam-spulinhos à medida que se iam aproximando da escadaria. Era o sr. rato, sem dúvida. Mal me viro e olho para cima, vejo um vulto a esconder-se, rápido como uma seta. Insisti, fiquei de pé em frente à escada com as mãos na cintura, esperando uma nova aparição do sr. rato. É aí que se dá um contacto, que mesmo que ténue, foi repleto de significado. O sr. rato espreita por detrás do alçapão, mostrando apenas a cabeça. Olha para mim e mexe o focinho três vezes, como quem pergunta: "estás chateado comigo, gajo?". Permaneço imóvel e olhando para ele, como quem o convida a descer. O sr. rato desiste, dá meia-volta, e regressa à solidão e penumbra do sótão, preferindo aguardar pela hora que o gigante que permanecia do meio da sala fosse repousar.

Sábado de manhã, desilusão. O sr. rato não gosta da comida de esquilo. Isto pode ter algum valor científico para alguns, mas para mim não vale nada; fico sem saber o que dar ao sr. rato quando não consigo pensar em nada de original ou complicado para lhe oferecer. Dava mais jeito comprar um pacote de meio quilo daquela ração e deixar-lhe um pouco todos os dias. Afastou as sementes de girassol, cheirou o resto e mandou-me à fava. Era Sábado, e estava-me nas tintas para o sr. rato, portanto deixei a ração ali durante todo o fim-de-semana. Mas nem sinal do sr. rato. Foram dois dias de muita animação em Macau, e como realeza o sr. rato participou dos múltiplos eventos. Tivemos boxe, tivemos Alicia Keys, passaram por cá celebridades como David Beckham. Um fartote. Penso que rata da Paris Hilton piscou o olho ao sr. rato, mas ele é de sangue azul-fel, e não vai com qualquer uma. Pensam o quê?

Passei pelo supermercado aqui ao pé de casa ontem ao final da tarde, e vi lá um pacote com fatias de papaia madura a três patacas e meia. Está para o sr. rato, pensei. Tirei as cascas, deixei-as no prato e fui dormir. Esta manhã estava o repasto pela metade, e encontrei dois pedaços debaixo do cadeirão da sala. Devia ter ficado furioso, mas o sr. rato faz-me sorrir. Hoje vou deixar-lhe umas fatias fininhas de mozzarella, do meu estoque pessoal, e uns pedaços do chocolate que ele tanto gosta. Ele merece. Afinal não são todos que têm a honra de receber realeza em casa.

Vettel, o recordista


Sebastian Vettel venceu ontem (esta madrugada em Macau) o GP do Brasil, realizado no circuito de S. Paulo, última prova do mundial de Fórmula 1 de 2013. Nem a chuva que caíu na segunda maior cidade brasileira impediu o alemão de obter a sua nona vitória consecutiva, igualando um recorde com 60 anos, que pertencia a Alberto Ascari. O italiano venceu as últimas seis corridas do mundial de 1952 e as primeiras três de 1953. Vettel igualou também o recorde do seu compatriota Michael Schumacher, datado de 2004, vencendo 13 provas numa só temporada. Atrás de Vettel ficou o seu companheiro Mark Webber, que realizou a sua última corrida na F1, e vai agora correr na Fórmula Porsche. Foi a quarta dobradinha da Red Bull este ano. A fechar o pódio ficou Fernando Alonso, um regresso depois de seis corridas fora do palco onde jorra o champanhe. Jenson Button, foi quarto classificado, a sua melhor classificação da época. O campeão mundial em 2009 mostra assim que não faz milagres com o pouco competitivo McLaren Mercedes FO 108Z. O outro McLaren, do mexicano Sergio Perez, foi sexto, atrás do Mercedes de Nico Rosberg. Filipe Massa, que corria "em casa", não fez melhor que o sétimo lugar na sua despedida da Ferrari, terminando à frente do Sauber de Nico Hulkenberg. Lewis Hamilton foi nono, e pode-se dar por satisfeito. O inglês da Mercedes colidiu com o Williams de Valtteri Bottas na 49ª volta, e enquanto o finlandês ficou fora de combate, Hamilton ainda conseguiu terminar a prova e somar dois pontos para a sua equipa. Daniel Ricciardo terminou em 10º, conquistando um ponto para a Scuderia Toro Rosso. O francês Romain Grosjean, a grande sensação deste ano, ficou logo na terceira volta, devido a problemas mecânicos com o seu Lotus. O seu companheiro de equipa Heikko Kovalainen não foi além de um não-pontuável 14º lugar, demonstrando que Kimi Raikkonen tinha um capacete enorme para preencher.

Classificações finais:

Pilotos: Sebastian Vettel 397, Fernando Alonso 242, Mark Webber 199, Lewis Hamilton 189, Kimi Raikkonen 183, Nico Rosberg 171, Romain Grosjean 132, Filipe Massa 112, Jenson Button 73, Nico Hulkenberg 51.

Construtores: Red Bull 596, Mercedes 360, Ferrari 354, Lotus 315, McLaren 122.

Pés da serra


Se já existiam pés que tresandavam a queijo, eis o queijo que cheira a pés. Ou mais ou menos isso. Duas investigadoras da Universidade de Dublin criaram um queijo fermentado com bactérias recolhidas dos pés humanos, do umbigo, das axilas e das lágrimas. Christina Agapakis, cientista, e Sissel Tolaas, especialista em odores (nem quero pensar o que isso é) fizeram a colheita com cotonetes esterilizados. O projecto, intitulado "Selfmade", foi aprensentado na feira científica da capital irlandesa, e foram apresentados onze queijos, cada um com um "cheirinho" diferente, dependendo de que parte do corpo foram retiradas as bactérias. Fascinante. E nojento também. Escusado será dizer que ninguém se atreveu a provar o queijo, mas não era esse o objectivo. Segundo Agapakis, o queijo foi criado para “inspirar novos diálogos sobre a nossa relação com o corpo e essas bactérias”. Bolas, para "dialogar" só é preciso abrir a boca e falar, e não andar por aí a mexer em chulé e sovaqueira. Parece que a Universidade de Dublin anda a precisar de rever o financiamento do seu departamento de investigação científica.

Telediabo


Imagine que está em casa na paz de Deus e de repente recebe um telefonema do Diabo? Foi o que aconteceu com Jenn Vest, uma mulher do Colorado, que a julgar pela aparência vestiu-se de bruxa para receber o Príncipe das Trevas, pelo sim pelo não. Jenn estava a amamentar o seu filho quando recebeu no telemóvel uma chamada do número 1-666-666-666. Como muita gente sabe, “666” é o número da besta, segundo o livro do Apocalipse. O telefone só tocou uma vez, mas depois disso a senhora recebeu 48 mensagens, todas de números diferentes, e que incluíam a palavra Satanás. Uh uh. Jenn disse que enquanto alimentava a criança estava quase a adormecer, mas depois disto não dormiu toda a noite, e ficou a rezar para que nada de mal lhe acontecesse. Pois é, o Diabo telefona, adere às novas tecnologias, enquanto que para chegar a Deus ainda é preciso recorrer à telepatia. Mas agora de volta ao mundo real, tudo não terá passado de uma elaborada brincadeira, talvez vinda de alguém que se esqueceu que o Halloween foi há quase um mês. É que Jenn começou um negócio recentemente, e andou a distribuir panfletos com o seu número de telefone. Se calhar o Diabo queria um desconto...

PS: Na página do Daily Mirror, onde li esta notícia, um leitor de nome Raja Sahib (tem nome de gelado) deixou o seguinte comentário: “Satanás é uma ilusão. Deus é uma ilusão. Tudo é limitado. A verdade é que não existe bem nem mal: é tudo uma ilusão. Pensem nisso”. Tá bém ó Raja, penso amanhã. Olha, se tudo é uma ilusão, tu és uma desilusão.

O pesadelo de Villas-Boas


O Manchester City goleou ontem no City Ground o Tottenham por seis bolas a zero, um resultado que pouca gente estaria à espera, uma vez que os locais estavam um ponto atrás do seu adversário de hoje. Foi uma goleada "latina", com o espanhol Jesus Navas e o argentino Sergio Agüero a apontarem dois golos cada. O também espanhol Negredo e o brasileiro Sandro, este na própria baliza, fizeram o resto. Foi a derrota mais pesada do treinador André Villas-Boas em Inglaterra, e o seu Tottenham cai assim para o 9º lugar, enquanto o City subiu ao quarto posto, que divide com o Southampton.


Entretanto no País de Gales o Cardiff City interrompeu a série vitoriosa do Manchester United, impondo um empate a dois golos frente aos campeões. Wayne Rooney inaugurou o marcador aos 15 minutos, Fraizer Campbell empatou para os galeses aos 33, e o defesa Patrice Evra voltava a adiantar os visitantes mesmo em cima do intervalo. Foi apenas nos descontos do segundo tempo que o coreano Bo-Kyung Kim fez saltar o Millenium Stadium, marcando um golo que vale um ponto ao Cardiff. O Manchester United é sexto classificado com 21 pontos, a sete do líder Arsenal.

A estrela do leão


O Sporting venceu esta noite o V. Guimarães por uma bola a zero, alcançando o Benfica no 2º lugar da classificação, a um ponto do líder FC Porto. Foi uma vitória arrancada a ferro no Estádio D. Afonso Henriques, com o golo a chegar mesmo em cima dos 90 minutos por Islam Slimani, o tunisino que tem sido uma das grandes revelações desta temporada. O Sporting de Leonardo Jardim continua a dar cartas, a jogar bem, e ainda por cima tem tido a sempre essencial "estrelinha" que lhe andava a fugir nos últimos anos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Ilusão, tontura e mentira


Sempre que se fala de droga em Macau, fico preocupado e triste. Preocupado porque como qualquer pai preocupa-me que o meu filho se perca pelos labirintos do vício, que o veja sofrer a enfrentar um inimigo tão poderoso, e não me resta senão orientá-lo no sentido de não cair nessa armadilha. Triste porque sou o único que lhe pode valer nessa luta para se manter afastado do degredo que é o vício. Em Macau não se leva o problema da droga a sério. O combate passa por meter consumidores e traficantes na prisão, e a prevenção passa por avisar que para quem fizer o mesmo, espera-lhe a mesma sorte. O combate e a prevenção confudem-se; ao meter um toxicodependente e o tipo que lhe vendeu a droga na prisão está-se a "combatê-los", e assim "previne-se" que voltem a fazer o mesmo, pelo menos durante alguns anos. Com estes dois fora de combate, aparecem outros, cada vez mais, e o que fazer com eles? Cadeia, que vai chegando para todos, e se não chegar fazem outra. Tapa-se a cabeça e destapam-se os pés, e lençol está cada vez mais curto.

O combate à toxicodependência é o combate ao tráfico. O tráfico mistura-se com o consumo. Quem consome e quem vende é basicamente o mesmo agente do mal, pois o consumidor está a ser cúmplice do traficante. Se há traficantes, é porque existem consumidores: é a lei da oferta e da procura. Os meios justificam os fins; o tráfico aumentou? O consumo também? Estão a ver como é preciso meter estes gajos todos na cadeia? Se temos baratas em casa, matamo-las. Se amanhã temos mais, continuamos a matá-las. Se todos os dias vamos tendo mais e mais baratas, a solução é continuar a eliminá-las, e não mudar de casa. Por incrível que pareça, este exemplo um bocadinho parvo que usei aqui com as baratas assenta como uma luva no caso da toxicodependência. O aumento do consumo serve para justificar uma acção policial mais intensiva, penas mais pesadas, e nenhum dó ou piedade. Em Macau o quê interessa mais do que o porquê.

Os números do consumo são isso mesmo: números. O aumento serve para justificar tudo e mais alguma coisa, desde que metam estes malandros na prisão. A maioria da população composta por gente feliz, saudável e obediente nem quer ouvir falar de droga, e concorda com a lei da moca para resolver o problema. Não lhes passa pela cabeça que da próxima vez que estes números aumentarem, incluam os seus filhos, netos, irmãos, esposos ou namorados. O problema só deixa de ser dos outros quando entra pela nossa casa. Aí vamos querer que a moca não bata com tanta força, mas vai continuar a haver quem queira que se bata ainda com mais força; nós sabemos disso, pois já estivemos desse lado da barricada. Antes nem queríamos ouvir falar de droga, não queríamos saber se há umas piores que as outras, pois para nós era tudo o mesmo, uma porcaria. Subitamente desperta-nos a curiosidade.

Em Macau os números estão a cargo do Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, um orgão sob a tutela do Instituto de Acção Social, mas podia muito bem ser da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, ou da Polícia Judiciária. Previnem e tratam a toxicodependência, como o nome indica? Não, apresentam números e sugerem medidas punitivas. No âmbito da Comissão de Luta contra a Droga, o chefe deste departamento, um tal Hon Wai, divulgou a semana passada os números relativos ao primeiro semestre, e ficámos a saber que há mais 83 toxicodepentes que no semestre anterior, e que o "ice" passou a ser a droga de eleição entre os jovens com menos de 21 anos, mas que no geral o consumo de ketamina aumentou. Tenho pena que não estivesse ali alguém para perguntar "desculpe lá, senhor Hon Wai, mas se o seu departamento devia supostamente prevenir o consumo, porque é que este aumentou e o senhor está aqui com esse ar de tolinho a dizer-nos isso mesmo?". Ele bem podia responder com este facto interessante, que aliás usou como justificação: o aumento do consumo de droga no domicílio "o que torna mais difícil a detecção". Eureka! A solução é instalar cameras de vigilância com ligação à PJ na casa de toda a gente, e fica o problema resolvido.

Por falar em medidas preventivas radicais, Hon Wai anunciou que a comissão não tenciona implementar o plano de análises à urina nas escolas do território, de modo a detectar jovens consumidores. Isto porque a medida foi lançada em Hong Kong, e não foi detectado nenhum caso. Aleluia! Digam-me quem é o santo ou santa padroeira de Hong Kong para eu lhe acender uma velinha. Fosse esta ideia tão descabida quanto evasiva adiante, que alunos seriam submetidos a essas análises? Todos? Impossível. Qual o critério? Os mais pobrezinhos? Os mais problemáticos? Aqueles com piores notas? Os menos sociáveis? Certamente como todo o resto em Macau, existiriam alguns "acima de qualquer suspeita".

Hon Wai é aquele rapaz simpático que vemos ali na imagem, ao meio, entre duas outras paladinas o combate à droga. Reparem no seu ar angelical. Isto é que é um bom menino, que nunca deve ter fumado um pintor em toda a sua vida. No entanto ele diz-nos que o "ice" é uma droga que cria "ilusão nos pensamentos", ou que a ketamina provoca "tonturas", e que a marijuana causa "paranóia". Não quero dizer que é preciso um ex-toxicodepente ou alguém que já tenha fumado um charro para saber do que fala, e isso nem faria sentido, pois trata-se aqui de prevenção. Só que convém pensar um bocadinho mais para entender aquilo que não se aprende nos livros. Quem é que quer sentir tonturas, paranóia ou ilusão, ou sentir-se mal? Acham isso normal? Os nossos jovens são estúpidos ou quê? A velha máxima de "a droga leva à morte" é engraçada. Se alguém quiser morrer, para quê recorrer à droga? Pode saltar do topo de um edifício ou rebentar os miolos com um tiro, que sai mais barato.

Em vez disso sugere-se penas mais duras, incrementar a cooperação com regiões vizinhas de modo a combater estes criminosos malditos, incluir tudo o que dê "moca", provoque "ilusões" ou "paranóia" na lista de substâncias proibidas. Proibir, proibir, proibir. Prender, prender, prender. O que interessa a diferença entre o "ice" e a ketamina? É tudo a mesma porcaria. E o Panadol? Não, porque se vende na farmácia, ó estúpido. E se proibirem? Se proibirem é porque é mau, e toca a prender toda a gente que toma Panadol. Porque é que os jovens se iniciam nas drogas, afinal? Porque são maus. Se calhar estão possuídos pelo demónio.

Direito à resposta


Enquanto organizava esta tarde a minha blogoteca (inventei esta palavra mesmo agora), navegava pelo arquivo da página electrónica do Hoje Macau e deparei com um comentário ao artigo de 3 de Outubro, Pelo direito à roupa passada. O comentário é datado de 7 de Outubro, e desde já peço desculpa pela demora na resposta, que achei por bem dar aqui, no blogue. O autor do comentário identifica-se apenas por Vasco, o que por mim não faz diferença nenhuma, e podia nem sequer se identificar, e diz o seguinte:

Temos entao, a seu ver, o direito a ser burgueses e a explorar a mao de obra barata que vem das Filipinas e da Indonesia. Ora bem, eu compreendo o ponto que quer focar, e ate concordo em parte com ele, agora, o que nao concordo de todo esta explicito numa simples frase assassina “por uma pequena fraccao dos nossos vencimentos”. Ora, aqui se levantam duas questoes a meu ver, deveras importantes, primeiro, aquilo a que chama uma pequena fraccao do seu vencimento, mas no meu, 3 ou 4 mil patacas ja passa bem daquilo a que chamo uma pequena fraccao. Depois, claro esta, como e que alguem vive em Macau com essa quantia? Denoto claramente um desfazamento da realidade, as colonias ja acabaram, foram entregues a quem de direito. A vida em Macau esta cara, para todos, e nesses todos incluo aqueles a quem se refere neste texto como mao de obra barata. Tem familias, casa, uma vida inteira, como voce tem. Um pouco de decencia nao lhe ficaria mal. “nao temos que nos sujeitar a ir buscar os nossos filhos a escola” Fale por si, eu considero isso um prazer para qualquer pai que se preze. Pondo isto, se calhar era melhor pensar um bocado antes de comecar a debitar asneirada numa coluna que ate tinha tudo para ser interessante. Facilitar a contratacao de estrangeiros, concordo plenamente e assino por baixo, mas nunca pelas razoes que o sr. escreveu. numa palavra: Ridiculo.

Em primeiro lugar obrigado pelo comentário, aprecio sobretudo o tom tão diplomático, Deus lhe dê o dobro daquilo que me deseja e espero que este Natal alguém lhe ofereça um teclado com acentos.

Feitas as introduções, vamos ao que interessa. Ainda bem que compreende o ponto que quero focar, pois cheguei a pensar que tinha escrito o texto em grego, e fico feliz que concorda "em parte". Só não sei em que parte, pois no essencial parece não só discordar por completo como pelo seu tom afectado dá a entender que o estou a ofender a si e aos seus.

A questão da "pequena fracção dos rendimentos" é relativa, sem dúvida. As tais três ou quatro mil patacas de que falo podem ser apenas uma fracção para algumas pessoas, e podem ser metade do vencimento, ou mais, para outros. Mas no caso de um agregado familiar cujo rendimento total do casal é de 40 ou 50 mil patacas, o que não é assim tão raro, 4 mil patacas serão menos de 10% desse rendimento, e portanto, uma fracção. Façamos 1/10, se quiser. Talvez eu tivesse deixado esse ponto mais claro, mas aí estaria a desviar-me do essencial. É claro que há pessoas que podem ter empregada, e outras não. O artigo é sobre o facto de se poder ter e querer ter empregada, e serem colocados obstáculos a essa pretensão.

Sim, a vida em Macau está mais cara, todos sabemos disso, e é difícil viver apenas com 3 ou 4 mil patacas por mês, como é o caso das empregadas domésticas, mas agora vou-lhe dizer uma coisa que se calhar o Vasco não sabia: ninguém as obrigou a vir! Parem as rotativas. Apesar de isto ser muito pouco, e talvez seja o montante que eu o meu amigo gastamos em coisas triviais, como saídas à noite ou jantares fora, estas pessoas sujeitam-se a trabalhar por esse preço, deixam o seu país, as suas famílias, e em Macau vivem em apartamentos que partilham com 8 ou 10 pessoas ou dormem na casa dos patrões, reduzem ao mínimo as despesas com alimentação ou vestuário, tudo para poder mandar dinheiro para casa. Não me venha dizer que isto já não é uma colónia, porque eu já sabia, mas mesmo tendo sido entregue "a quem de direito" (fica-lhe a matar, essa graxa aos mandarins) as regras continuam a ser as mesmas para os trabalhadores não-residentes, com a agravante de o salário ser praticamente o mesmo e estar tudo muito mais caro. Parece-me que aqui o desfazado é o Vasco.

Não me considero "burguês" por ter a alguém para me passar a roupa a ferro ou limpar-me a casa; faço-o porque quero, porque posso, e para tal estou disposto a pagar o preço estipulado pelo mercado e cumprir todos os trâmites legais. Posso contudo discordar de algumas exigências que considero descabidas, como estas que refiro no artigo. Acho muito bem que "tenha prazer" em ir buscar o seu filho à escola, mas antes de lhe entregar o prémio para pai do ano, permita-me a seguinte questão: se o Vasco e a sra. Vasco ambos trabalharem até às 18:30, mas o infantário onde estuda o pequeno Vasquinho exigir que o venham buscar até às 18:00, faz o quê? Despede-se? Isso ia-lhe custar muito mais do que três ou quatro mil patacas, suponho. Não se admire depois se o pequenote lhe disser no Natal: "ó pai gosto muito quando me vens buscar, mas gostava mais de uma bicicleta".

Por muito que nos desagrade, como gente de bem, que os trabalhadores não-residentes sejam explorados pelas agências, mal-tratados pelos empregadores e ainda por cima mal pagos, é a isto que se sujeitam. Tal como você (pelo menos penso que tem boas intenções) gostaria que não fosse assim, mas estas são as condições do estatuto de não-residente. Sendo não-residente, não se pode esperar ter os mesmos direitos dos residentes. O "blue card" implica que se venha para Macau trabalhar, e não aspirar a uma qualidade de vida igual a quem detém cidadania plena. Repito: não quer dizer com isso que eu concorde que se tratem as pessoas como objectos ou utilitários, mas as coisas são o que são.

Não comento os "mimos" com que me presenteia, como as "asneiras" ou o "ridículo", mas fico sem saber em que circunstâncias concorda com a facilitação da contratação daquilo que chama de "estrangeiros" (penso que queria dizer 'mão-de-obra não-residente', porque estrangeiro também eu sou). Médicos? Engenheiros Civis? Físicos nucleares? Explicadores de português que façam o Vasco entender do que quis eu tratar naquele artigo? Fica por explicar.

Sem mais, com os melhores cumprimentos,

Leocardo

Pacquiao rei das moscas


Manny Pacquiao renovou o título mundial de pesos-mosca da World Boxing Organization (WBO), ao derrotar o norte-americano Brandon Rios aos pontos, depois de oito assaltos. O combate foi realizado esta manhã às nove horas na Arena do Venetian, em Macau. Agora, para quem não percebe nada destas coisas do boxe, porque carga de água vão querer dois matulões andar ao soco logo de manhãzinha, e ainda por cima ao Domingo? Porque a malta da WBO, que organiza esta palhaçada, está sediada na América, e é o público americano que entra com o pilim. Foram cerca de 13 mil os madrugadores e outros com uma directa em cima que ocorreram ao COTAI para ver o lutador Filipino regressar às vitórias, depois de ter perdido os anteriores combates para Timothy Bradley e Juan Manuel Marquez - quem são esses? Também não me perguntem. Pacquiao dedicou a vitória às vítimas do tufão Haiyan, encantou os (poucos) compatiotas que assistiram ao combate ao vivo, a maioria deles turistas vindos das Filipinas, e deixou cheios de orgulho os elementos da comunidade local.

"Grandes" goleam em Espanha


BARCELONA 4 GRANADA 0 发布人 acosart
Golos a rodos nos jogos antecipados da liga espanhola, com os três primeiros a golear e a manter as distâncias entre eles. No Nou Camp o Barcelona, ainda sem a sua grande estrela Lionel Messi, bateu o Granada por 4-0. Os golos foram divididos pelas duas metades do encontro, e na primeira parte ambos apareceram na transformação de grandes penalidades. A primeira foi convertida pelo capitão e municiador Anres Iniesta, e o seguinte por Cesc Fabregas. Na etapa complementar o chileno Alexis Sanchez fez o terceiro, e Pedro Rodríguez encerrou a contagem no último minuto.


ALMERÍA 0 REAL MADRID 5 发布人 acosart
A seguir o Real Madrid foi ao sul de Espanha, a Almeria, vencer a equipa local por cinco bolas a zero. Cristiano Ronaldo, o homem do momento, marcou logo no terceiro minuto, o seu 17º golo na Liga e o seu 14º nos últimos sete jogos em todas as competições. Mas o português viria a ser substituído no início da segunda parte devido a lesão, que já se veio a saber não ser grave. Os restantes golos chegaram na última meia hora do encontro, autoria de Benzema, Bale, Isco e Morata.


Atl. Madrid 7 Getafe 0 发布人 acosart
Se o Barça marcou quatro e o Real cinco, o Atletico não quis ficar atrás a brindou o Getafe com um expressive 7-0 no Vicente Calderon. Raú Garcia inaugurou o marcador aos 26 minutos, e o defesa do Getafe Lopo marcou na sua própria baliza aos 37, ampliando a vantagem dos colchoneros. Juan Valera foi expulso para os visitantes antes do interval e tudo ficou mais fácil para o Atletico, que construíu a goleada nos 45 minutos finais. David Villa marcou dois, Raúl Garcia também bisou, Diego Costa e Adrián fizeram os restantes. Barcelona lidera com 40 pontos, Atletico tem 37, Real Madrid tem 34.

Empate no "derby", Arsenal distancia-se


Everton X Liverpool - 23.11.2013 - HD - 3RBY.NET 发布人 3rby
Golos, espectáculo e muita emoção ontem no confronto entre os dois maiores emblemas do futebol inglês. Everton e Liverpool empataram a três golos em Loftus Road no "derby" de Merseyside, um dos maiores clássicos da Premier League. O brasileiro Philippe Coutinho abria as hostilidades marcando para os visitantes logo aos cinco minutos, mas apenas três minutos depois o avançado belga Kevin Mirallas empatava para os "toffees". Aos 19 apareceu Luis Suarez a colocar o Liverpool em vantagem, condição em que os "reds" chegariam ao intervalo. Foi preciso esperar até aos 72 minutos para ver mais golos, com o avançado belga de origem zambiana Romelu Lukaku a igualar a partida. Dez minutos depois o mesmo Lukaku marcava o terceiro do Everton e consomava a reviravolta, e seria o herói do encontro, não fosse por Daniel Sturridge, que empatou aos 89 e fez o resultado final. O Liverpool mantem o segundo lugar com 24 pontos, enquanto o Everton subiu ao quinto posto à condição, com 21.


Outro "derby" teve lugar em Londres, com o Chelsea de José Mourinho a bater fora o West Ham por esclarecedores 3-0, tornando fácil uma partida que se afigurava complicada. O veteran Frank Lampard, que viria a ser o homem do jogo, inaugurou o marcador de grande penalidade aos 21 minutos, e aos 34 o brasileiro Oscar fazia o segundo, levando o Chelsea para o itnervalo com uma vantagem tranquila. Só a oito minutos do fim os "blues" apontaram o terceiro, novamente por Lampard, e alcançaram o 2º lugar em igualdade pontual com o Liverpool


αρσεναλσαουθαμπτον ourmatch.net 发布人 ourmatch
O maior beneficiado desta ronda foi o Arsenal, que venceu no Emirates o Southampton, grande sensação da prova, por duas bolas a zero, e aumentou para quatro pontos a vantagem sobre os segundos, o Liverpool e o Chelsea. O francês Olivier Giroud chamou a si as despesas dos golos, marcando aos 22 e aos 86, este último de penalty. Hoje realizam-se o Manchester City-Tottenham, o jogo grande da jornada, e o Cardiff City-Manchester United.

Benfica sofre mas vence, Porto domina mas empata


O Benfica venceu ontem o Sp. Braga no Estádio da Luz por uma bola a zero, com o golo da vitória a chegar aos 73 minutos por intermédio do sérvio Nemanja Matic. Uma vitória sofrida da equipa de Jorge Jesus, contra um adversário que vinha de quatro derrotas consecutives na Liga, e encontra-se mergulhado num incaracterístico nono lugar na Liga ZON Sagres. Com esta vitória os encarnados alcançaram no topo da tabela o FC Porto, que entrou em campo logo a seguir, recebendo o Nacional.


Entrando em campo na liderança em igualdade pontual com o Benfica, o Porto recebia o Nacional, equipa que venceu três vezes na casa dos dragões desde 1988, época de estreia no escalão principal. No entanto os nacionalistas contavam por derrotas as últimas sete idas à Invicta, e não marcavam qualquer golo há cinco. Ontem o Porto dominou, teve 77% de posse de bola, criou as melhores oportunidades de golo, mas só marcaria aos 52 minutos por Otamendi. A equipa de Paulo Fonseca continuou a revelar-se perdulária, e pagou a factura aos 81 minutos, quando Rondón aproveitou um erro do central Otamendi, que vinha sendo um dos melhores elementos em campo. Com este empate, os primeiros pontos perdidos em casa esta temporada, o Porto lidera apenas com mais um ponto que o Benfica, e pode ver o Sporting aproximar-se também, caso os leões vençam logo à noite em Guimarães

Talento vs. pataca


Por ter recebido convidados em casa ontem à noite, a programação do Bairro do Oriente ficou um tanto ou quanto desencontrada. Antes de passar à programação de hoje, deixo-vos com o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Aproveitem bem este resto de Domingo.

I

Quando ouvimos falar de “talento”, pensamos em engenho, em arte, numa qualidade especial que nos distingue dos outros. O talento nasce com cada um, não se aprende nos livros, não se compra e raras vezes passa de pais para filhos. Alguém que é talentoso é normalmente um músico, um atleta ou um artista. O talento bebe da inspiração, e muitas vezes sem ser trabalhado e incentivado, pode acabar desperdiçado, diluído, perdido, desaproveitado. É como um diamante em bruto, que precisa de ser talhado, sintetizado e lapidado para poder adquirir a sua forma e brilho, caso contrário nunca passará do seu estado alotrópico. Quando o Chui Sai On, o nosso Chefe do Executivo, falou a semana passada na apresentação das Linhas de Acção Governativa da importância de preservar e estimular os nossos “talentos”, fico a pensar que não era bem esta palavra que queria usar. Talvez algo tenha ficado perdido na tradução, não sei. Para que floresça, o talento requer um ambiente ideal para a sua germinação, crescimento e proliferação. Num território onde os pais desencorajam os filhos a usar o seu talento para a música, para a escrita ou para as belas-artes porque são coisas que “não dão dinheiro”, está-se a arrancar o talento pela sua raíz. O pragmatismo é o herbicida do talento. Quem tem mesmo talento, vai procurar outros pastos mais verdes, onde o seu dom possa brotar, longe desta selva de cimento, e onde a criatividade não se iniba com o som do camartelo e do áspero movimento circular da betoneira. Um talento era também o nome de uma antiga medida de massa da antiga Ática, equivalente a cerca de 26 quilogramas de prata. Um talento correspondia a 6000 dracmas, ou 25,8 kg do metal precioso branco. Em Macau o talento não tem lugar, e quem manda é a pataca. Como naquela anedota do alentejano, “aqui nunca nasceu um grande homem; só nascem crianças”.

II

A tragédia que assolou as Filipinas após a passagem do tufão Haiyan apela à nossa natureza humanitária. É impossível ficar indiferente às imagens de devastação, de morte, de uma miséria que assume contornos ainda mais dramáticos nestes momentos, quando as intempérides deixam expostas as nossas fraquezas, reduzidos à condição de criatura frágil e indefesa perante esse monstro em que a natureza por vezes se transforma. Imagens que circulam pela net e pela imprensa mostram populações inteiras em prantos, famílias que perderam os que mais amavam, e que viram o muito pouco que tinham reduzido a destroços. Posto isto, ficamos com vontade de ajudar, de dar e de partilhar, nem que seja o mínimo dentro das nossas possibilidades. Não é possível reclamar de volta as vidas que a força dos ventos e das marés arrastaram com a sua fúria, e a forma mais fácil de aliviar o sofrimento daquelas gentes que como nós são feitas de carne e osso, choram, sentem, e neste momento tão sensível contam com o nosso apoio, é através da contribuição em dinheiro. Não podemos lá ir e levantar vilas e aldeias inteiras das ruínas causadas pela passagem do super-tufão, mas através de um donativo, mesmo que simbólico, podem-se tapar alguns buracos, sarar algumas feridas deixadas pelo Haiyan. Mas tanto ou mais doloroso que este drama humanitário, é saber que existe quem dele tire proveitos ilícitos, arrecadando para si parte da ajuda que devia chegar aos mais necessitados, aproveitando-se de um sistema torpe, minado pela corrupção e sem uma mão firme que coloque alguma ordem na vilanagem. Quem dá de boa vontade não gosta de se sentir enganado, e quer apenas que a sua doação chegue a quem dela realmente precisa. Foi com isto em mente que o Governo das Filipinas lançou uma página na internet para deixar saber de que forma estão a ser aplicados os donativos internacionais, de modo a elevar a transparência e sacudir um pouco essa sombra de dúvida sobre se a ajuda está realmente a ser canalizada para os sobreviventes da tragédia. Uma iniciativa pioneira em nome da transparência, que mesmo não sendo “tiro e queda” na resolução do problema, deixa-nos dormir um pouco mais descansados. O dia em que a desconfiança se sobrepôr à caridade, será o dia em que nos tornamos tão maus como o lado mais negro da natureza. O mesmo que nos trouxe o Haiyan.

A fibra que nos faz falta


Não se pense que o "post" anterior, dedicado a Mário Soares, rei dos chuchas, se deve a alguma simpatia da minha parte pelo actual presidente Cavaco Silva. Nada disso. Na verdade temos andado muito mal servidos em matéria de chefes de Estado, e entre Soares e o sr. Silva tivemos dez anos de vazio presidencial, e...ah não esperam lá, parece que estou enganado. Tivemos alguém ou qualquer coisa, aquele indivíduo com cabeça de lâmpada, aquela amostra de judeu, um tal Sem Paio ou lá o que é. Bom, os que ainda se lembram sabem tão bem como eu que esse não conta. Mas nem sempre foi assim. Antes de Soares tivemos um Presidente da República digno desse nome, um homem com H, alguém com a coragem, com a verticalidade e com a fibra que nos faz tanta falta agora neste momento de crise: o General António Ramalho Eanes.

Militar de carreira e grande patriota, combatente na Guerra do Ultramar, Eanes foi o homem certo no lugar certo e à hora certa durante o conturbado periodo que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. Liderou o golpe de 25 de Novembro de 75, evitou que o país caísse numa Guerra civil, e colocou um ponto final no PREC, tirando Portugal do marasmo ideológico em que se encontrava mergulhado. Eleito presidente em 1976, é autor da célebre frase "Serei o presidente de todos os Portugueses" - máxima recorrentemente usada pelos que se seguiram a ele, muito menos dignos do cargo. Depois de cumprir um segundo mandato, liderou o Partido Renovador Democrático (PRD), mas depois do fracasso das legislativas de 1987, retirou-se da vida política. Em 2000 recusou a promoção à patente de marechal, por já se encontrar na reserva. Na altura alegou razões ético-políticas. Ética, consenso e humildade são os traços gerais que sempre caracterizaram este grande homem.

Enquanto Mário Soares aufere uma choruda reforma de 500 mil euros anuais, Eanes ganha 65 mil, sendo de todos os ex-presidentes o que menos custa ao erário público. Este é o homem que recentemente afirmou que "não se importa que lhe cortem as reformas se isso significar que não há pessoas a passar fome". O general descontou como militar ao longo de 36 anos mas nunca recebeu esta reforma, uma vez que a Lei n.o 26/84 dizia que as subvenções não eram cumuláveis com pensões de reforma do Estado. Houve um momento em que a Assembleia da República tentou alterar esta situação, juntando-lhe o aumento dos deputados, mas Ramalho Eanes não promulgou a lei, considerando que não poderia actuar em benefício próprio.Ramalho Eanes passou a acumular a subvenção com a reforma de militar. A lei foi alterada em 2008, e considerou que esta situação era excepcional entre os ex-chefes de Estado, e foi-lhe proposto que recebesse retroactivos no valor de 1,3 milhões de euros, que recusou na íntegra.

Ramalho Eanes vai amanhã ser homenageado na FIL, um evento organizado por um grupo da sociedade civil, no aniversário da data em que o ex-presidente salvou o nosso país de Yuma Guerra civil e uma possível anexação por parte de potências estrangeiras. Apesar da sua mulher Manuele a o seu filho Manuel terem confirmado que vão participar na condição de oradores, Eanes recusou inicialmente o convite, porque entende que tudo o que fez foi cumprir o seu "dever de cidadão e militar". De seguida repensou e decidiu aparecer na parte final da cerimónia, porque "não quer ser deselegante com as pessoas que estão envolvidas na preparação deste evento". Este é António Ramalho Eanes: humilde, sóbrio, racional, sempre em busca de um consenso. Se se voltasse a candidatar à presidência, teria com toda a certeza o meu voto.


O rei dos chuchas


Esta semana a actualidade noticiosa em Portugal ficou marcada pela manifestação dos agentes das Forças de Segurança, que foram protestar junto do Parlamento na noite de quinta-feira contra o Orçamento de Estado para 2014. Os ânimos estiveram exaltados, e os polícias chegaram mesmo a galgar as escadas de S. Bento, uma imagem a fazer lembrar o filme "Braveheart". Podia ter sido igualmente épico, não fossem já oito da noite. Fosse durante o horário de expediente e tinham acagaçado os srs. deputados que aprovaram o infame orçamento em causa. A polícia de choque foi chamada a intervir, e acabou tudo em paz, não se repetindo o célebre episódio dos "secos e melhados" dos anos 80.

Das reações aos protestos da classe da polícia, a mais mediática terá sido a do ex-presidente Mário Soares, que aproveitou mais esta sacudidela no executivo de Pedro Passos Coelho para enunciar uma nova teoria do caos, dizendo que "é preciso ter noção de que a violência está à porta", e ainda que "Portugal está à beira de uma nova ditadura". Soares pediu a demissão do Presidente da República e do primeiro-ministro, recomdando inclusive que o façam "pelo próprio pé", e assim evitem "uma onda de violência". Do lado do Executivo a resposta veio do vice-PM Paulo Portas, que considera as declarações de Soares graves, e que com elas "legitima, ainda que indirectamente, o uso da violência". Indirectamente? Isto é o Portas a ser bonzinho. O que quer dizer "saiam pelo próprio pé senão há violência", senão isso mesmo?

Não fosse Mário Soares um senhor com uma certa idade, a quem o barulho das folhas a cair deve incomodar, e desconfiava que anda a escutar o disco "Sex and violence", do grupo "punk" britânico Exploited. Para uma plateia de outros "chuchalistas", Soares não incitou à violência, não senhora. Foi mais do tipo "se levarem na tromba não digam que não vos avisei", pois já conseguiu prever com a sua bola de cristal que Cavaco e Passos iam ser corridos ao pontapé, em vez de sairem pelo próprio pé. Os "chuchalistas" aplaudiram. Mário Soares, o Mao Zedong do PS, pode até engasgar-se com uma pipoca e começar a estrebuchar, que os seus admiradores batem palmas. Suspeito que ainda o vamos ter a concorrer a umas próximas presidenciais, e pode ser que desista quando tiver 120 anos. Depois de morrer é embalsamado e depositado num mausoléu ao lado da sede do Largo do Rato.

Não me recordo de Soares ter ficado tão preocupado com uma eventual onda de "violência" durante os períodos de insatisfação generalizada que se registaram no governo anterior a este, liderado pelo seu afilhado, o Zé Trocas. É engraçado que diga que estamos à beira de uma nova ditadura, pois se bem me lembro foi o Trocas que andou a perseguir jornalistas, a ordenar buscas a jornais e a mandar cancelar noticiários da TVI. E por falar em Zé Trocas, aí temos outro bom exemplo do cromo "lusitanus". Depois de ter chefiado dois executivos que nos conduziram a toda a velocidade para o precipício, aparece agora na RTP "escandalizado" com o actual governo. Ainda não o ouvi a dizer que "fazia melhor", mas isso deve ser porque ainda lhe resta um pinguinho de vergonha na cara. O próprio Soares sabe bem o que é isso de ser corrido do Governo, pois aconteceu-lhe o mesmo duas vezes. Not once but twice. Depois disso foi o que se viu, e agora ainda mexe. Bem dizia a minha avózinha que "a maldade conserva".


Não posso deixar de achar cómico quando oiço Mário Soares tão preocupado com a situação dos portugueses, ou com a austeridade. Estamos aqui a falar de alguém que aufere uma reforma de 500 mil euros anuais, nasceu no seio de uma família nobre, criou em 1991 uma Fundação com fins socioculturais incertos, mas que recebe milhões do Estado em financiamento. Sim, ele sabe do que fala, certamente. É verdade que "lutou" contra a ditadura, esteve preso sim, mas exilou-se em França em 1970 e voltou depois do 25 de Abril de 1974, depois dos seus "camaradas" lhe terem deixado a papinha toda feita. O "pai da democracia" é um democrata dos quatro costados, e odeia ditadores. Quando recebeu das mãos do ditador Mobutu Sese Seko o Grande-Colar da Ordem Nacional do Leopardo do Zaire, não lhe cuspiu na cara apenas porque estava com a boca seca, coitadinho. Estava "Seko", como o Mobutu.

O mais irónico é o facto de tudo o que Mário Soares é como politico, deve-o aos seus inimigos e adversários. É "monumento" à liberdade e democracia graças a Salazar, ganhou as primeiras presidenciais graças a Álvaro Cunhal, que lhe deu o voto dos comunistas, e realizou dois mandatos tranquilos graças aos governos de Cavaco Silva, que com o dinheiro dos fundos europeus levou Portugal a um período de prosperidade e desenvolvimento como há muito não se via. Ele bem tentou deixar-nos mais cedo na miséria, enviando de Belém para S. Bento cabazes cheios de vetos presidenciais, especialmente durante o seu segundo mandato. Enquanto Cavaco vai entrar para a História como o presidente da austeridade, Soares fica conhecido como o peixe-palhaço dos presidentes, montado num elefante na India, ou sentado num cadeirão em Belém a fumar um charuto.

Já que agora lança a nova teoria do caos com esta manifestação das forças de autoridade, recordo-me de alguns episódios caricatos envolvendo Soares e a polícia. Uma vez durante a sua presidência, seguia o "querido líder" dos chuchas num autocarro quando é apanhado num engarrafamento. Irritado coma demora, tira a cabeça de fora da janela e começa a berrar com o pobre agente da Brigada de Trânsito que tentava fazer o seu trabalho o melhor que sabia: "ó seu guarda, vamos lá a deixar passar, vá!". E não foi essa a única vez que Soares achou que está acima da lei. Ainda recentemente foi apanhado a conduzir a 199 km/h, e disse ao agente que o autuou para "mandar a multa para o estado, que eles pagam". O povo acha graça; outro qualquer ia malhar com o couro na choldra, mas "Soares é fixe". Aquando das suspeitas do seu envolvimento no tráfico de marfim e diamantes de África, sairam os restantes "chuchalistas" em sua defesa: "Mário Soares é um cidadão acima de qualquer suspeita". Aí está, não custa nada enganar os tolos: bastam papas e bolos.

A maioria dos portugueses, especialmente os mais desinformados, olham para Mário Soares como carinho e tratam-no com uma certa familiaridade. É o Marocas, o tio de toda a gente mas que se esquece de mandar uma prenda nos anos. Os mais atrevidos chamam-lhe o "Bochechas", que mais parece o nome de um cão daqueles tipo o buldogue. De facto Soares lembra um pouco o Mastife Francês, mas com um sotaque francês ridículo. O "cidadão acima de todas as suspeitas" completa 89 anos no próximo mês, uma idade respeitável. Não lhe nego o direito de participar da vida pública, seja qual for a sua idade, mas este personagem já há muito devia ter pendurado as chuteiras da oratória. Há uns vinte anos, diria eu. Se Soares eventualmente escrever as suas memórias o título devia ser: "Como enganar meio mundo e acabar com uma reforma de 500 mil euros anuais". Sucesso garantido, e quem sabe se o Marocas já tem um esboço lá gaurdado na mesma gaveta onde guardou o socialismo?

sábado, 23 de novembro de 2013

Benção ou maldição?


Quem os viu...

Foi no dia 25 de Novembro de 1932 que as já longas vidas de John e Ann Betar mudaram para sempre. A América vivia os tempos difíceis da Grande Depressão , o filme "King Kong" arrastava multidões, e o futuro presidente John F. Kennedy frequentava o ensino secundário. John e Ann eram vizinhos no bairro sírio de Bridgeport, no Connecticut; ela tinha 17 anos e estudava no Liceu, ele tinha 21 e dava-lhe boleia todos os dias no seu Ford Roaster, e viviam o amor platónico que a sua conservadora comunidade lhes permitia. Mas tudo mudou quando o pai de Ann decidiu casá-la com um homem muito mais velho, e aí John, qual cavaleiro andante de armadura reluzente, fez do Ford um cavalo alado e resgatou a sua donzela da masmorra. Fugiram os dois e casaram em Harrison, Nova Iorque, onde passaram a residir. Fazem esta segunda-feira 81 anos de casados, se lá chegarem - e vamos bater na madeira - e são o casal mais antigo dos Estados Unidos. Arrisco-me a dizer do mundo, mesmo.


...e olha, ainda cá estão!

John tem actualmente 102 anos, e Ann 98. Ninguém diria, eu próprio não lhes daria mais que 95. Reparem como sorriem, no ar jovial e bem-disposto, na compostura e na verticalidade. Não há sedativo ou opiáceo que deixe alguém em tão bom estado. Tiveram cinco filhos, e a sua longevidade (teimosia?) viu dois deles partirem dos vívos nos últimos 15 anos, vítimas do cancro - não terá sido hereditário, certamente. Em compensação têm 14 netos e 15 bisnetos, e isto é o que se pode chamar uma sociedade produtiva, que começou no dia em que o jovem John fui raptar Ann da casa do sogro. Quando lhe perguntam o segredo de um casamento tão longo John diz: "oiço sempre a minha mulher, e faço tudo o que ela manda". Espera lá, o quê? Com esta é que tu nos tramaste, ó John. Mas no fundo o centenário até é capaz de ter alguma razão. Isto de "aturar a patroa" só custa nos primeiros 40 ou 50 anos, depois a gente habitua-se, e finalmente chega a paz do túmulo. Só no caso do John isto está a tardar, e Ann afirma que "vão ficar juntos para frente, seja onde isso for". Será maldição?

Suinicídio made in USA


Aí está uma prova de que os maus tratos aos animais destinados ao consumo humano ou à produção de peles e outros produtos derivados não é um exclusivo da China. Nesta produção suínicola no Oklahoma, nos Estados Unidos - isso mesmo, nos Estados Unidos, o país da liberdade e da justiça - os porcos são tratados pior que...porcos? Os animais que ali trabalham passam os leitões uns para os outros e atiram-nos para a jaula como se fossem uma bola de futebol Americano, procedem à sua castração sem recurso à anestesia e cortam-lhe a cauda com com uma pedra. E como são mortos estes leitões? São atirados com toda a força para o chão, espezinhados, e deixados a sofrer uma morte lenta e horrível. Os porcos adultos são confinados a um espaço onde nem se conseguem mexer, e precisam de ficar o focinho de fora das grades durante toda a sua vida adulta, e quando chega a hora da matança, arrancam-lhes os olhos com os dedos, para não se "distraírem" no caminho do matadouro. Numa cena é possível ver uma daquelas criaturas bípedes asquerosas a espancar um porco com uma tábua, enquanto noutra assistimos a uma bola de bowling a ser atirada à cabeça de um inocente e rosacea porquinho. As imagens foram divulgadas na quarta-feira pela organização de defesa dos direitos dos animais "Mercy for Animals", que apela ao boicote da cadeia de supermercados Wallmart, a quem é exclusivamente destinada a carne desta loja dos horrors. Gostava de chamar a atenção para a violência das imagens. Um verdadeiro suinicídio.

Choplifting


Um grupo de amigas estão numa tasca chinesa entretidas a comer e a conversar, sem se aparceberem da presença de um amigo do alheio na mesa atrás. O indivíduo, com pinta de malandro, aproveita a distração das "madamas" e usa um pauzinho de madeira do restaurante para subtraír o telemóvel de uma delas. Aqui está um carteirista fiel às tradições e costumes do seu país. Um verdadeiro patriota. O que mais me surpreende é que a vítima não tenha usado o aparelho durante os dez segundos em que decorria o furto. Se calhar não era um Smartphone da última geração.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Pouco sexual, nada consensual


O Governo da RAEM, por intermédio da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) desempenha o seu papel de bom pai que ama os seus filhos (os residentes) e aposta na Educação Sexual, mas para isso convoca associações que trabalham de perto com crianças, adolescentes e jovens adultos para fazer esse trabalho “sujo”. Educar os jovens sobre a sexualidade tem uma importância fundamental quando chega a hora de optar por ter uma sociedade de gente civilizada ou um bando de trogloditas, mas não é fácil derrubar as barreiras que ainda existem. É um bolo que ainda leva uma farta cobertura de preconceito, mas é entendido como um mal necessário, uma “noblesse oblige”, uma daquelas coisas em que se é preso por ter cão e por não ter: se é feito um investimento sério na Educação Sexual dos jovens, “estamos a deixá-los na mão de tarados que os ensinam a ser prevertidos”, se não se investe os jovens fazem merda por culpa da ignorância, aponta-se o dedo por “não existir Educação Sexual”.

Portanto para garantir o balanço entre o sal e a água do mar de modo a evitar o degelo das calotas e prevenir os “tsunamis”, é preciso pensar muito bem como abordar o tema da sexualidade, e como no Governo eles percebem mais é de dinheiro, convém ir buscar psicólogos, agentes sociais e essa gente que não faz nada de útil e gosta muito de falar sem dizer nada. Metade destas associações - cinco de um total de dez – que vão fazer este “brainstorming” em busca da melhor forma de explicar aos jovens “aquilo” são de cariz religioso. Claro, não podia faltar o factor do pecado original. Para falar de sexo é preciso meter Deus, o casamento, o amor e os bebés ao barulho. Não vão deixar o assunto entregue a quem percebe alguma coisa de sexo e tem prática nesse ramo (isto assumindo que alguns elementos destas associações ligadas à Igreja não têm), e começam todos a falar de pénis e de vaginas e de orgasmos sem ter lá alguém que os recorde que o sexo tem como finalidade a procriação e a continuidade da espécie humana. Vejam este exemplo de uma abordagem interessante e que assenta como uma luva na realidade local: sem sexo não há “croupiers” locais, e vai ser necessário importar não-residentes. Tão simples como respirar.

Quando éramos novos, e falo da minha geração em particular, das pessoas nascidas nas décadas de 60 e 70 do século passado, aprendiamos a reprodução nas aulas de ciências. Entretanto na escola da vida, ou através da descoberta do próprio corpo, ficamos a saber que as pessoas fazem sexo por prazer. Mas como é isto possível – interroga-se um jovem pré-púbere que apenas tem noções do processo que leva a que nasçam mais bebés. A mecânica que implica a reprodução dificilmente terá alguma coisa a ver com prazer. Que prazer se pode retirar daquela violência, de um membro erecto e cilíndrico que penetra numa cavidade estreita e sensível, composta de chicha e tecido nervoso? É como enfiar um “bratwurst” por uma narina acima. Deve doer. A pior parte: como se explica a um jovem que começa a ficar dotado desta capacidade que a maior parte das pessoas faz sexo sem a finalidade de ter bebés? E que muitas tomam precauções para evitar que isto aconteça? E que é possível fazer sexo sem amor? E a maior das espinhas desta caldeirada, que há pessoas que têm sexo com outras do mesmo género?

A abordagem no sentido do sexo por prazer é essencial; ensinar a um jovem que já experimentou um orgasmo que isto é para fazer bebés e só se pode ter depois do casamento é tomá-lo por parvo. Por muito que custe aos púdicos e aos moralistas, fomos dotados com o dom do prazer sexual, e portanto o melhor é partir desse ponto e deixar de lado essa conversa dos bebés e da espécie humana. Se a contracepção e o planeamento existem, isso é prova mais que evidente que as pessoas não procuram o sexo com o fim de dar continuidade à espécie humana, que em número anda bem e recomenda-se, mas porque buscam o prazer como expressão máxima e última do amor – e não só. É preciso deixar claro, até aos jovens que ainda não se iniciaram na vida sexual, que não é preciso existir amor para haver sexo, e que nem sempre ambos obtêm do sexo gratificação. Há sexo por dinheiro, por interesse, sem o consentimento de uma das partes, casos onde um dos parceiros aceita ter relações com o outro para o fazer feliz, problemas como a disfunção eréctil ou a frigidez, enfim, mil e uma coisas que dariam para tratar num curso universitário completo e não num mero apêndice à escolaridade normal, apenas para constar na lista de países evoluídos onde existe Educação Sexual.

A questão da homossexualidade é um dos temas mais difíceis de abordar, de uma natureza especialmente sensível, e não vai ser com a Associação dos Jovens Cristãos de Macau ou com as Irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor que o vamos ter incluído no currículo de uma eventual disciplina de Educação Sexual. Não sei se a Igreja Metodista tem uma aproximação diferente a este tema, mas permitam-me duvidar. No entanto posso garantir que é muito melhor para um jovem ter este conceito apresentado em teoria antes de o encarar no mundo real sem qualquer preparação ou noção da sua prática. Pode ser até perigoso. Por muito que custe a muita gente, é impossível ocultar a existência da homossexualidade, varrer os homossexuais para debaixo do tapete, e não é com a sexualidade a ser restringida ao âmbito da família, do papá, da mamã, do esperma e do óvulo e depois do bebé que se leva o seu ensino a sério. É tapar o sol com uma peneira.

Tenho a certeza que existem em Macau casais inteligentes que encaram a sexualidade como uma coisa normal, e que desejam que os seus filhos possam aprender e disfrutar de um prazer natural sem limitações de ordem moral ou social, até mais do que eles próprios, que não tiveram essa oportunidade. Só que infelizmente por cada um destes existem uns dez que ainda consideram o sexo uma coisa suja, uma moeda de troca, que a virgindade é uma pedra preciosa e uma mulher que tenha relações com um homem sem depois casar com ele é uma “perdida”. Paira uma núvem negra retrógrada e machista de que os homens procuram o sexo e as mulheres são as vítimas, e que tudo não passa de um jogo onde os primeiros tentar enganar as segundas. Um homem que tenha várias parceiras é um devasso, um tarado, e uma mulher que tenha mais de dois ou três homens é uma vadia, e se ousa assumir que sente desejo ou retira prazer do sexo, é uma ninfomaníaca. Um homem que durma com uma mulher no primeiro dia que se conhecem, aquilo que nós chamamos de "sexo casual", precisa pagar.
- Porquê?
- Porque é melhor assim.
- Mas ela pediu dinheiro? Combinaram algum preço?
- Não, mas é mais seguro pagar.
- Mas ela pode tê-lo feito porque sentia desejo, e tirou igualmente prazer...
- Impossível.
- E se ela te procurar outra vez?
- Já paguei...portanto não vai chatear mais.

Alguns pais ainda pensam que Educação Sexual significa “ensinar os jovens a ter relações sexuais, e incentivá-los para essa prática”, e que esta função é “um dever da família”, só que depois “esquecem-se” de os educar, e assim continua este ciclo de ignorância e cegueira, por vezes com consequências desastrosas. O mês passado um chefe de família chegou a casa e surpreendeu a filha de 16 anos e o namorado de 17 a vestirem-se à pressa, aparentemente depois de terem tido relações sexuais. O homem chamou a polícia, apesar da insistência do casal que o sexo foi consentido, e o rapaz foi acusado de "abuso sexual de menores" - apesar de ser ele próprio um menor. O que queria este pai da sua filha jovem-adulta e sexualmente active? Que lhe pedisse autorização expressa para fazer o uso que quiser da sua própria vagina? Queria que o rapaz pagasse portagem, ou que lhe desse um dote? Se calhar estava mesmo convencido que aquele malandro agrediu a menina, ameaçando-a depois caso negasse o consentimento Não foi aquilo que ensinou à sua pequena, sangue do seu sangue, indefesa nas mãos daquele vampiro. Na verdade nunca lhe ensinou coisa nenhuma.

O Governo entende a necessidade da Educação Sexual, mas não querendo ferir sensibilidades, passa a batata quente para essas instituições que vão garantir que se continua aos solavancos por essa estrada com um calhambeque de rodas quadradas. Vai-se manter a retórica do sexo como aquela coisa mui privada e intimíssima que os meninos e as meninas vão conhecer depois de casarem com alguém que amam muito, muito, muito, e que depois de muito diálogo, entre-ajuda e compreensão, passam ao acto de fazer bebés, de preferência às escuras, na posição de missionário, sem gemer muito ou deitar saliva em cima do parceiro. Depois não se esqueçam de rezar muito pois acabaram de pecar, e lavem-se bem, porque isto é uma coisa muito suja. Quanto custa, a continuidade da espécie...