
Onde se come melhor em Macau? Além das inúmeras tasquinhas onde o turista mais curioso pode provar o que se faz em termos de generalidades da comida chinesa, o que pode esperar o verdadeiro "gourmet", ansioso por levar do território as mais deliciosas recordações gastronómicas? Compilei uma pequena lista que não tem por objectivo ostracizar ninguém, e é baseada apenas na minha opinião pessoal.
Em termos de gastronomia portuguesa, ninguém bate aos pontos o restaurante
Afonso III, sito há já vários anos (quase 20) na Rua Central, mesmo ao lado da Polícia Judiciária. Recomenda-se vivamente o Bacalhau à Lagareiro, a bem guarnecida Carne de Porco à Alentejana e a Açorda de Marisco, discutivelmente a melhor da Asia. O bom do Afonso mantém uma fiel clientela de advogados e "hongkongeses" e outros ilustres cá do burgo, e dá-se ao luxo de fechar ao Domingo.
Já a cozinha de fusão português-macaense conhece o seu expoente máximo no
Restaurante Litoral, na Rua do Almirante Sérgio, perto da Capitania dos Portos. A gastronomia macaense é rainha, e mandam o Tacho - que tão bem cai com este frio - ou o Porco Tamarinho. Pratos mais exigentes como o Leitão Assado ou o Diabo requerem encomenda com antecedência.
Mas nas ilhas também se encontra comida portuguesa com qualidade. Na Taipa manda
O Santos, na Rua da Cunha, e a sua leve mão alentejana, onde se destaca a imbatível Sopa de Cação. Em Coloane, na Praia de Hac-Sá, o
Fernando mantém uma reputação imovível, especializado em grelhados (frango e entrecosto à cabeça) e com um sucesso tão indiscutível que o bom do açoreano nem aceita reservas. Boa sorte.
Voltando à comida macaense
per si, sobrevive ainda na Av. Sidónio Pais, ao lado do BCM, o
Clube dos Amigos do Riquexó, que oferece também (com "set menu") as delícias da gastronomia de cá. Também para o "gourmet" mais poupado e não menos refinado (e por favor não riam) temos a messe da
Capitania dos Portos, sita no Quartel dos Mouros, onde pela módica quantia de 34 patacas se pode comer uma farta refeição (também "set menu"), com sopa e fruta incluída.
Mudando de ares, falemos de comida italiana. A família Acconci continua a liderar neste departamento, e apesar de não desdenhar os restantes, continuo a preferir a versão do Oseo, na sua
Toscana na Travessa de S. Domingos. Recomendam-se vivamente o Carpaccio di Carne ou o Ossobuco. Molto bueno. Da concorrência, resistia há até algum tempo, na Rua Central, um senhor napolitano que dava pelo nome de Vincenzo, mas a tragédia da falta de mão de obra levou-o a fechar.
Um olhar mais exótico. Os adeptos da comida tailandesa podem procurar no restaurante
Nina, na Rua Abreu Nunes, o melhor que se faz no país dos sorrisos. O aspecto do restaurante pode ser um tanto ou quanto intimidante, mas lição número um e última no que toca à comida tailandesa: quanto mais "castiça" a aparência, melhor. De resto a Rua Abreu Nunes e arredores oferece mais alternativas para os aficionados desta cozinha.
Já no que toca à comida indiana, foi, é, e sempre será no
Indian Garden, no Edif. Hou Keng, na Taipa. Um pouco de toda a India está lá ao alcance do cliente, desde o xakuti de Goa ao arroz de Kashmira, passando pelos sabores de Chennai ou do Punjab. Recomenda-se vivamente o roganjosh de carneiro ou a korma de galinha. E pão, tudo com muito pão.
Os adeptos do "tex-mex" têm pouco por onde escolher. O único restaurante mexicano é o
Tacos, no NAPE, mas altamente recomendável. Provem os tacos (claro) e o chili con carne. Ali perto o
Star Hub Cafe promete uma experiência única da cozinha vietnamita e singaporeana, e pelo menos não me deixou ficar mal.
A comida francesa começou bem, e chegaram a co-existir alguns restaurantes do género. Actualmente existem o
Chez Vous, junto do Centro Cultural, o
La Bonne Heure, na Travessa de S. Domingos, ou ainda o
Le Bistrôt, no Jardim Hou Keng, na Taipa. Não sendo um grande adepto da cozinha francesa, não posso deixar de recomendar estes dois. O serviço é de cinco estrelas, bem como o preço. Muito requisitados por esta altura, dia de S. Valentim.
Não deixem também de visitar o
Restaurante 4,5,6 no Hotel Lisboa, se procuram comida de Xangai, ou o
D. Quijote (sob nova gerência), na Taipa, para comida espanhola, ou ainda o
Restaurante Boa Mesa, ali perto da Igreja da Sé, onde se come uma excelente dobrada. Bom apetite!