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Pelo meio dos meus afazeres diários, passei pelo Largo do Senado esta tarde, e foi com este cenário que deparei. Não tive tempo para tirar uma fotografia melhor ou sequer filmar o espectáculo, mas quem por lá passou durante o dia durante as últimas semanas sabe bem do que falo. De um lado estão aqueles gajos liderados por aquele indivíduo que se veste de roupão vermelho e longa barba preta, que protesta contra uma agência de seguros da China ou lá ou que é (já ninguém quer saber bem porquê...). Do outro lado está um grupo de galinhas cacarejantes, quiçá poedeiras, que reclamam a reunificação com os seus filhos da China. Falemos destas.
Entenda-se aqui por “reunificação” o Governo de Macau atribuir residência permanente a indivíduos da China continental sem qualquer tipo de formação académica ou profissional, e que normalmente engrossa o contingente de operários desempregados, ou que não querem trabalhar. Ninguém impede às senhoras que visitem ou que se “reúnam” com os filhos no continente. Podem lá ir e voltar todos os dias, se quiserem. Por isso não dá para entender muito bem algumas atitudes de desespero, como chorarem, atirarem-se para o chão ou dizerem que “preferem morrer a não ter aqui os filhos com elas”. Mais uma vez, por “filhos” entenda-se matulões já com mais de 30 anos e que praticamente não vêm contribuir com nada para a RAEM.
Confesso que a primeira vez que ouvi falar deste problema da “reunificação das famílias” pensei: coitadinhas das crianças. Não se deixem iludir, como eu. Antes as mães cujos filhos lhes foram arrancados do ventre (ena, boa!) protestavam em frente ao Palácio do Governo, na Praia Grande, mas mudaram-se (por causa do frio?) para o Largo do Senado, ao lado dos Correios, mesmo no centro da cidade. Primeiro foram roubar o lugar onde normalmente os filipinos bebem umas jolas e engatam-se uns aos outros (coitados dos filipinos), e depois estão a proporcionar um espectáculo lamentável aos turistas e residentes, com lamentações e ganidos constantes que fazem Macau parecer uma cidade em estado de sítio.
Nem sei como é que o Governo impede que manifestações passem durante alguns minutos pelo Largo do Senado mas não se incomodem com horas deste circo. E isto não é mau para o comércio? Pelo menos alguns estrangeiros vão pensar que sim senhor, Macau é uma cidade muito democrática, porque na China já tinha sido todos corridos à paulada e internados em asilos de malucos. Para ajudar à festa só faltava lá aquela associação dos operários e os Homens da Luta em versão macaense.