Na senda do artigo de Sábado sobre nomes extravagantes, e à boleia do futebol, hoje gostava de abordar um caso que vai deixar o leitor a exclamar "f... da p..., como é isto possível?". Ah pois, este é um mundo cheio de surpresas, com mais variedade que os sabores dos "jelly-beans", e mais contornos de um "bretzel". Vamos hoje até ao continente africano, mais precisamente até à ilha de Madagáscar, no Oceano Indico. Assim se compreende melhor aquela imagem ali em cima, o dístico da Federação desse país, onde se vê um atleta a deixar passar uma bola pelo meio dos cornos.
Descobri esta bizarria enquanto me inteirava dos resultados da primeira eliminatória zona africana (CAF) de apuramento para o Campeonato do Mundo da FIFA em 2018, na Rússia - isto é, se a FIFA ainda existir, e já agora o mundo também. Nesta primeira ronda separa-se não o trigo do joio, mas o joio...o que é ainda mais reles que o joio? Deixem para lá. Assim, o sorteio que contou com países que nunca nos seus sonhos mais molhados podem aspirar a chegar a uma fase final de um mundial, ditou o encontro entre República Centro-Africana e Madagáscar. Ora bem, eu não conheço (ou conhecia) nenhum jogador de qualquer destes países, e estava mesmo convencido que em Madagáscar só habitavam elefantes, rinocerontes e animação com a voz do Ben Stiller. Afinal parece que também se joga à bola por ali, e nem por acaso os malgaxes (é este o gentílico dos habitantes de Madagáscar, e não "madagasquenses" ou "madasgasquinos") eliminaram o seu opositor, com uma esclarecedora vitória por 3-0 fora, seguida de um mais comedido empate a dois golos em Antananarivo, capital desta nação insular africana. Mas espera lá, Antananarivo? Dá para cantar uma sevilhana com este nome, de tão musical e silabado que é. E isto é apenas o rastilho para um paiol de Madagasquices muito mad-mad-mad...agascar. Vejam bem quem são os bravos heróis da bola nesse país:
Mas o que é isto, estamos aqui a madagascar com a tropa, ou quê? Andrianomenjanahary? Rakotonomenjanahary? Razakanantenaina? Ramiadamanana? Isto são nomes de gente, ou os ingredientes activos de uma pomada para os calos fabricada nos laboratórios da Bayer? Agora entendi porque é que os centro-africanos (ah, ah!) perderam: andavam a tentar ler o nome dos adversários, mesmo que seja improvável que os estes coubessem nas camisolas. Aposto que o árbitro foi condescendente nos cartões amarelos; já viram o que era escrever no relatório do jogo "Ao minuto 63 foi admoestado com cartão amarelo o jogador Tovohery Rabenandrasana, por protestos"?Imaginem o que é ter que fazer a convocatória, e sem se enganar no jogador? E quando se enganam, como é?
- "Espera lá, tu aí, não és o Stephan Raheriharimanana, o maior artilheiro do campeonato?"
- "Não...sou Randy Rambelomasina, o guarda-redes mais frangueiro de Madagáscar"
- "Antananarivo...querem lá ver que..."
- "Pois é, pá, já madagascaste esta m... toda, como de costume"
Para o treinador não deve ser nada complicado, uma vez que ele próprio se chama Frank Rajaonarisamba. E agora deve estar o arfante leitor e interrogar-se, intrigado e saltitão: mas isto não é na África, onde é suposto os jogadores se chamarem N'Kongo, Dié, Makunga ou Barafunda? Claro que sim, e ainda por cima Madagáscar foi uma colónia francesa, e era mais normal que os tipos tivessem como nome próprio "Pierre", em vez de Mamisoa, Lalaina, ou Faeva. Mas mais uma vez: tudo se explica. Até isto.
Pronto, aqui está: os primeiros habitantes de Madagáscar chegaram aquela ilha algures entre os séculos IV e V D.C., e eram povos austronésios, que vieram de canoa, do Bornéu. Se calhar queriam fugir de algum Suharto daquela época, não se sabe, mas como não tinham os instrumentos super XPTO que mil anos mais tarde os portugueses usaram para dar inúmeras voltas ao bilhar grande oceânico, estes foram sempre a direito, e montaram a barraca no primeiro pedaço de terra que encontraram. Daí que a língua que se fala hoje em Madagáscar, o "malagasay", é da família do indonésio, do tagalog e do malaio - só que pior. Realmente os gajos exageraram, pá. Razakanantenaina? Olha, bebe um copo de água que isso passa, e vê lá se comes mais devagar, madagascando correctamente os alimentos.
Já agora, não queria terminar sem referir que na 2ª eliminatória da qualificação, e que antecede a fase de grupos, Madagáscar vai defrontar o Senegal, como já devem ter deduzido pela imagem, onde aparece Konaté, o melhor amigo da rapaziada hetero. Além deste temos ainda Baby, Mané, Touré e outros que nos levam a concluir que não atracou nenhuma canoa do Bornéu na costa do Senegal. A primeira mão vai ser disputada a 9 de Novembro em Antananarivo, e a segunda nove dias depois, em Dacar, e se os senegaleses não se distraírem a tentar ler os nomes dos adversários, devem seguir em frente sem dificuldade, provando assim que "tamanho não é documento". Estou a falar dos nomes, é claro...
O Benfica foi ontem à noite derrotado na Turquia por 1-2 pelo Galatasaray, depois de ter estado em vantagem graças a um golo de Gaitán aos 2 minutos. Uma derrota que pode perfeitamente ser corrigida na Luz daqui a duas semanas, quando receberem os turcos, uma vez que os encornados encarnados lideram o seu grupo com seis pontos, em igualdade com o Atletico de Madrid, e mais dois pontos que o Galatasaray. Já sei que a carneirada lampiona vai andar por aí a bufar que "somos maus", e que "devíamos apoiar as equipas portuguesas", ou seja, devíamos ser diferentes do resto do mundo - aposto que os adeptos do Barcelona choram baba e ranho quando o Real Madrid perde na Europa. Mas os adeptos do Benfica devem estar preocupados, pois recordemos a última visita do Galatasaray à Luz:
Pois é, foi em 2008, e tal, e agora os turcos já só conseguem ao Benfica em casa. Palmas para esta evolução extraordinária. No fundo o problema do Benfica foi o excesso de confiança, pois algumas horas antes desta partida, os sub-19 de ambas as equipas defrontaram-se numa partida a contar para a UEFA Youth League, e foi isto que aconteceu:
Não é engano, não, e no fim dos 90 minutos o placard assinalava 1-11 (!) para os visitantes, que curiosamente até estiveram a perder e tudo. O problema foi depois, quando chegou a vez dos HOMENS, e jogaram A SÉRIO. Pode-se dizer portanto que aquilo que faltou ao Benfica foi um adversário com um onze composto apenas por adolescentes. Vá lá, pronto, não chorem mais. Afinal no cômputo das duas refregas com os turcos, levam vantagem de 12-3! Fantástico. Um dia chegam lá.
Cristiano Ronaldo, ou "CR7", a marca, o produto, o boneco de cera, prepara-se receber mais 20 milhões de dólares! Ai ainda bem, que o rapaz andava mesmo a precisar, que se mata a trabalhar e anda com aquele aspecto espectacularmente desolador - da parte do "espectacularmente" fica ele encarregado, enquanto eu e os restantes machos adeptos do galanteio (des)contentamo-nos com o factor "desolador". Sempre se pode dizer que se perdeu para o CR7, pronto, e sentimos-nos todos um bocadinho Messis, se bem que com uns bons centímetros de altura a mais, lá está. Acontece que a nossa estrela da bola foi convidada para participar de um filme como actor - desconheço com que parte ou até que ponto - e os seus advogados incluíram no contrato uma cláusula que previa essa choruda indemnização caso o português mais popular da actualidade (desculpa, Mourinho...) não chegasse a participar das filmagens. E assim foi, e no lugar do rapaz eu pagava uma rodada das grandes aos meus representantes legais, que há que admitir, são uns espertalhões do caraças. Mas porque não vai o nosso menino fazer o filme, afinal? Não deve ser por razões estéticas, e mesmo que eu arrisque dizer que o rapaz tem mais jeito para a bola que para a representação, o motivo parece ter sido outro: birra. Uma birra que pode (e pelos vistos vai mesmo) custar 20 milhões de dólares. F...-se! Mas isto tem muito mais que se lhe diga, pois quem vetou a participação do futebolista do Real Madrid na rodagem da película, foi o próprio tópico da mesma! Este gajo:
Alessandro Proto, milionário italiano que...espera lá, isto não está certo. Só esta imagem não diz nada desta sinistro personagem. Vejam antes um "portfolio" que eu próprio elaborei:
Pronto, e se vocês quiserem fazer outro completamente diferente (ou 2, ou 159...) também podem! Basta escrever "Alessandro Proto" em qualquer motor de busca, e não há uma única foto em que o caramelo apareça noutra pose que não a de paneleirote. Dizer que este pensa que é uma dádiva de Deus às mulheres não chega nem para descrever metade da cagança que para ali vai. Imaginem que este tipo, que ainda no ano passado comprou uma ilha grega em parceria com Warren Buffet, garante ter sido a inspiração da autora britânica E.L. James para a sua trilogia "50 Shades of Grey", um "best-seller" da literatura erótica, entretanto transposto para cinema. Bem que podia fazer a coisa por menos, uma vez que assim sendo, insinua ter existido algum tipo de contacto mais íntimo com a escritora, que é casada, ou pelo menos foi, sei lá, e isso interessa? Coisas de homens, já se sabe, mas acontece que nem sempre isso é sinónimo de festa rija com uma galante donzela, esculpida do molde da própria Vénus em pessoa. Aqui o território de que o galifão cantarola a conquista é este:
Deixo o leitor tirar as suas próprias conclusões, que não sou adepto de intrigas de saias, e muito menos de filmes de terror. Mas o senhor tem uma meia-desculpa, que atenua a sua surreal petulância: é italiano. Aqui mais uma vez se pode apontar o dedo acusador ao sexo dito "fraco", que do alto da sua ingenuidade feminina (redundância), propagou o mito de que os homens italianos eram "deuses sexuais", quando todos sabemos (e é verificável) que a aparência de um italiano médio anda próxima de um destes moldes:
E não me venham dizer que estes não são italianos. Nem entendo para que é que o tal Alessandro Proto se revira todo feito uma bicha com fomeca, se até o Varofodas, ou como é que chama lá o cúmplice da tentativa do calote do Sirisa, é um "predilecto" das mulheres, e é grego. Isto é o que dá quando se levam a sério os delírios produzidos pelos afrontamentos. Mas pronto, agora onde é que o Cristiano Ronaldo entra nesta "salata di conopida fiarta, mamma mia!" (calma, que "conopida" é "couve-flor" em italiano; tarados...)? Entra ele e entram outras celebridades, e quem sabe se um dia destes não vem à baila o nome do Papa, de Putin, ou daquele rapaz moreno e simpático que lidera Boku Haram.
E ali está a chave do mistério, entre os personagens principais do enredo: Martin Scorsese, que tanto pelo nome como pela aparência, vê-se logo que é italiano, também. Portanto, como ali o Proto é um tipo humilde cumó caraças, encomendou ao mestre Scorsese a realização de um filme "sobre a sua vida" - proponho já um título provisório: "O Calígula das donas-de-casa e outras sopeiras". Como o realizador premiado com o Oscar para o seu filme "The Departed" (que nem chega a ser um dos seus cinco melhores filmes...) não é de ferro, e o fanfarrão lhe deve ter deixado um camião cheio de nota à porta, prostitui a sua integridade artística (outra redundância) e aceitou fazer o filme. Bela merda que vai sair dali, garantidamente. Quando o "cliente" soube da inclusão de CR7 na "encomenda", trepou pelas paredes acima - não porque tenha ficado com ciúmes, atenção, mas porque, e isto segundo o próprio, "CR7 é famoso mas não é o dono do mundo". Ora aqui está, a suprema ironia. Alguém mais a detectou, ou é demasiado subtil? E para o manganão pagar 20 milhões de chocos para afastar aquele potencial "pilha-galinhas" do seu harém cinematográfico não é nada, e diz mesmo que está disposto "a entregar pessoalmente o dinheiro ao jogador". Epá, eu sei que o CR7 é jogador da bola, mas não é burro ao ponto de cair nessa. E desde quando é que se passam assim 20 milhões para a mão, como se fosse o troco da bica do almoço? O gajo quer é que o nossa estrela lhe rompa a anilha da bufa, e de goleada. Foge, Cristiano! Se ele ligar manda dizer que não estás, e que não é nenhum Luigi nem nenhum Mario! Mamma Mia!
Grã-Bretanha, a maior ilha da Europa. Sim, "ilha da Europa", assim como Madagascar é uma ilha de África, ou "do continente africano", se preferirem, assim como Cabo Verde é um arquipélago, um "conjunto de ilhas". Consegue nomear um "arquipélago asiático"? Isso mesmo: Japão, Filipinas, Maldivas, e ficamos mais ou menos conversados. Quando era miúdo ficava pasmado com a ignorância de alguns concorrentes daqueles concursos de televisão onde é suposto responder a perguntas de cultura geral, pelo que convém pelo menos ter ...cultura geral. Alguma pelo menos, vá lá, e às vezes não é preciso ser-se um marrão de óculos com lentes de fundo-de-garrafa ou passar o dia inteiro a "ler livros" (o maior pesadelo do tuga espertalhão, vivaço e burro que mete dó) - basta ser um bocadinho curioso. Num desses concursos - nem vale a pena tentar lembrar-me de qual - pedia-se ao concorrente que dissesse em 30 segundos o maior número possível de "ilhas da Europa". O palermóide ficou ali a balbuciar "Madeira" e "Açores" durante o tempo todo, depois "Açores" e "Madeira", e pronto, ficou em "tilt", quando tudo o que precisava era de se localizar na tal "Europa". Então temos assim tantas ilhas que só de cor e sem recurso a mais nada, consigo lembrar-me de Malta, Chipre, Córsega, Sicília, Sardenha, Creta, Maiorca, Ibiza, Islândia, e tendo a certeza que haverá uma ou outra que fica de fora sendo isso "imperdoável", temos a Grã-Bretanha e a Irlanda, que ganham notoriedade com a presença no seu espaço físico de países que com certeza já toda a gente ouviu falar: Inglaterra e Escócia, só para citar os dois mais mediáticos. E onde diabo fica, por exemplo, a Escócia?
Fica a norte da Grã-Bretanha, para lá das terras altas, ou "Highlands", que é um nome comum a várias marcas de "whiskey". Quem se encontrar no meio da ilha, ou seja, na Inglaterra, à medida que se for dirigindo para o norte, vai deparar com dois fenómenos curiosos: 1) está mais frio e o sol aparece menos, dando sempre a sensação de ser noite todo o dia, e 2) as pessoas falam quase todas com um sotaque semelhante ao do actor Sean Connery, possivelmente o mais ilustre dos escoceses vivos. Podem ver ali no mapa as cidades mais importantes da Escócia, casos de Glasgow, que em português ficou traduzido para um inaceitável "Glásgua", que deve ser irmã gémea da Maga Patalógica,; Edimburgo, que em inglês é "Edinburgh" mas diz-se "EdinBRÁ", vá-se lá saber porquê; ou ainda Aberdeen, nome que ficou na língua dos portugueses aquando da célebre semi-final da Taça das Taças de 1984, entre o FC Porto e a equipa daquela cidade, que alguns dos nossos compatriotas teimava em chamar "Gabardine" (devia ser mais fácil para lembrar). Recentemente foi notícia o referendo que poderia resultar na independência da Escócia, que não chegou a acontecer, mas que levou muito boa gente a interrogar-se: mas afinal a Escócia não é já um país, onde toda a gente chuta na veia por não ter nada melhor que fazer? (contribuição dos que só conhecem o país através do filme "Trainspotting"). Bem, é um país, e ao mesmo tempo não é país algum. É assim:
Se um inglês vos mostrar o passaporte, vão deparar com isto, em vez de um documento de viagem onde se lê simplesmente "England". Este "United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland" - Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte lança muitas vezes a confusão, levando a que não se saiba muito bem a diferença entre "Reino Unido" e "Grã-Bretanha", e muito menos onde se encaixa a Escócia no meio de tudo isto. Simples: Grã-Bretanha é A ILHA, atenção, A ILHA, ou seja, o espaço geográfico onde se situam quer a Escócia quer a Inglaterra, e ainda o País de Gales, de que vou tratar mais à frente. Escócia, Inglaterra e Gales são os territórios da Grã-Bretanha que fazem parte do Reino Unido, que inclui ainda a Irlanda do Norte, que é referida separadamente porque NÃO FICA NA GRÃ-BRETANHA, mas sim NUMA OUTRA ILHA: a Irlanda, cuja maior parte da área é ocupada pela República da Irlanda, que por ser precisamente uma república, não faz parte de reino nenhum. Como deveis estar fartos de saber, esse território irlandês também conhecido por Ulster está OCUPADO ILEGALMENTE pelos ingleses, de um modo tão ou mais brutal e arrogante como o Tibete está ocupado pela China. Mas pronto, esta não chega a causa, e se calhar é porque os irlandeses não sabem voar. Aquando do referendo da independência escocesa, cheguei a chamar a atenção para a impossibilidade dos escoceses "deixarem de ser britânicos", como apregoava o partidário do "Sim". Quem nasce na Grã-Bretanha, a ilha, quer seja em Londres, Cardiff, ou ainda na "Gabardine" será sempre britânico. Se faz parte ou não do Reino Unido, isso logo se vê.
Quanto ao resto da Grã-Bretanha que não é Escócia, encontramos na maior parte do seu território a Inglaterra, o país propriamente dito, e cuja bandeira é aquela que vemos ali em cima: uma cruz de S. Jorge (St. George's Cross) sobre um fundo vermelho. É essa, ouviram? Não esta:
...que é a bandeira do tal Reino Unido, também conhecida por "Union Jack". É um dos últimos símbolos ainda vigentes do passado colonialista, imperialista e esclavagista dos ingleses. Já sei que é sempre apetecível comprar uma t-shirt com a estampa desta bandeira na "Óqueseforde Stríte" em Londres para se levar de "suvenire" para os invejosos dos amigos, mas sabem o que podem fazer com ela depois? Ah...deixem lá. Voltemos ao tema da Grã-Bretanha.
Portanto, a Inglaterra ainda é relativamente grande em território e população, que está dispersa por várias cidades, cujos nomes somos induzidos a saber graças à mega-divulgada "FA Premier League", o campeonato de futebol inglês. Se não fosse isso, alguém fazia alguma ideia de que existe uma cidade chamada "Middlesbrough", ou outra com o nome de "Hull"? Nem por sombras. A parte da Inglaterra que vemos na imagem em cima é o norte, onde fica as cidades mais industrializadas do país, nomeadamente Leeds, Sheffield, Sunderland ou York, que dá o nome a "Nova Iorque", e a um tipo de pudim intragável, o "Yorkshire pudding", que sabe a sal e come-se acompanhado de carne assada e molho. Ah???!!!! Ah pois, são ingleses, que comem também torta de mioleira e rins de ovelha, ou ainda um intermédio entre uma queijada e uma pizza a que chamam de "Quiche", que se come frio e acompanhado de cerveja...morna. São assim os ingleses, que tratamos carinhosamente por "bifes", devido a aparência semelhante à de carne de vaca crua que adquirem após a exposição ao sol algarvio, que para eles é apenas "o sol, yuppi!". Mas não têm praias por aquelas bandas, os malandros? Bem, lá ter têm, só que...
...são inglesas. Sendo ilha, obviamente que têm praia, pelos menos tecnicamente - basta ter um oceano para onde saltar dentro, afinal. Só que aqui a costa com "praia" que se pode visitar sem arriscar dar de cara e focinho, respectivamente, com o monstro do Lago Ness (Inverness, na Escócia), fica em lugares como "Southampton", "Bournemouth", ou "Brighton". Eles acham aquilo porreirinho e agradável, pois ao contrário do resto da ilha, o sol aparece mais tempo os 5% do ano em que visita Londres e arredores. Não podem entrar na água, é certo, ou pelo menos ficar de molho durante mais de quinze minutos sem ficarem cadáveres - quinze minutos é o tempo que se sobrevive mergulhado no Mar do Norte, onde se inclui o Canal da Mancha, que separa a Grã-Bretanha do continente europeu. Por isso, uma vez em Southampton, Brighton ou Raiqueosparton, quando fazem 12º ao meio-dia, que para nós é um briol do c..., os bifes vestem os calções, calçam as sandálias, metem um chapéu de palha patético e vão deitar-se numa esteira a ler o "Testicles & Vaginas Standard Times", ou outra publicação qualquer com um desses nomes ingleses tão pitorescos (e apaneleirados, diga-se de passagem). Por falar em nomes...
Os nomes das cidades na Inglaterra são mais um pretexto para os bifes se armarem em parvos, que é o que fazem melhor, e com particularidades que os tornam mundialmente conhecidos: "Olha lá vem um inglês. Vamos dar-lhe um carga de porrada, para ver se lhe passa a caganeira". Vejam aquela cidade bifa que assinalei a vermelho no mapa: "Walsall", que fica entre "West Broche" e "Óvairampton, vai já, põe-te a mexer daqui pra fora". Como é que se lê aquilo? Com o som do "l", é ou não é? Vêem ali por acaso algum "o", ou um único "u" que seja? Então porque diabo a bifalhada nativa pronuncia "Uoussou", com cara de quem sofre de obstipação aguda e explosiva? E em "Leicester", para que servem o resto das letras se os gajos dizem "Léster"? E que tal "Derby", nas West Midlands, que correctamente (para eles) se diz aos berros "DÁÁÁÁRBEHHH", com um ar de quem nos vai comer, a estalar de traça, pois nesse dia perdeu a hora de almoço lá no manicómio? Ah sim, e há ainda "Reading", que se escreve exactamente igual ao tempo do verbo ler ("lendo", neste caso), mas que se diz "Réding". E por aí fora, isto para não falar dos Stratford-Upon-Aven, Stoke-Upon-Trent, e Me-Upon-Your-Mothers, nomes dignos de gente afectada, a tombar aos trambolhões pela ravina da rabechice militante. Mas esperem, que neste particular o pior ainda está para vir, com o resto da Grã-Bretanha. O seu apêndice, sexto dedo, terceira perna, e nenhuma pila:
O País de Gales, ou "Wales", em inglês, e que os americanos julgam escrever-se "whales" (baleias), e depois acham a isso muita graça. Ahem. Bom, quem deixa Londres para trás em direcção a oeste, chega a Bristol, e atravessando o canal com o mesmo nome chega ao País de Gales, facilmente identificável pelas cidades de Cardiff e Swansea, as únicas que se podem considerar "normais", em matéria de nomes de localidades e sítios. A um habitante do País de Gales chama-se "galês", ou em inglês corrente "welsh". Só que os ingleses chamam-lhes "sheep shaggers", e limito-me a dizer que "shag" é um calão para designar uma relação sexual incluindo penetração, e "sheep" é ovelha. Agora juntem as peças. Esta fama tão bizarra deve-se à proporção de cabeças de gado ovino, na ordem dos 3 para um em relação aos habitantes humanos de Gales. Isto até pode ser verdade em parte, pois duvido que em Cardiff convivam com os trezentos e poucos mil humanos mais de um milhão de ovelhas. Julgo que isso seria um transtorno, apesar de nunca faltar a lã para as camisolas. É que ali, assim como no resto da Grã-Bretanha, faz um frio que mete nojo. Acho que deve ser castigo. Sim, só pode ser isso. Mas voltando à vaca inglesa, que por isso mesmo só pode ser fria - quem atravessa o canal de Bristol não chega a outro país, mas antes a outro planeta. Vejam só isto:
Alguém sabe explicar que fanfarra picolha é esta? Um minuto estamos em "Chester", e sem dar por nada vamos parar a...Llanrhaeadr-ym-Mochnant? Como é que se lê essa m..., pá? E Dyffryn Ardudwy? Isto são lugares onde pessoas de carne e osso e a tresandar a amor de ovelha vivem? Espera lá, vou fazer uma pequena pausa para baptizar umas cidades no País de Gales.
Pronto, com isto são mais uns belos lugares para alguém escrever no campo da residência quando for tratar de papelada, e pronunciar quando lhe perguntarem a origem: "Ah olhe, bata aí com os dedos no teclado sem olhar, que eu sou exactamente desse sítio. Esse mesmo". Agora o clímax desta anti-f... :
Lá está ela: Llanfairpwllgwyngyll, a gozar com a nossa cara. E sabem o que mais? Aquilo é apenas UMA ABREVIATURA DO NOME COMPLETO, que é:
Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Isso mesmo, não estão a ver mal, e realmente há ali quatro "l's" juntos, que só podem querer dizer uma coisa: ESTES GAJOS ESTÃO A GOZAR CONNOSCO, PÁ! Mas atenção que este lugar não foi montado ali na semana passada para fazer de cenário ao último filme de Tim Burton; este "sítio", como o vou passar a designar doravante, para evitar mais "copy-paste", já lá estava antes dos bifes irem chatear os galeses, 'tadinhos, que tão entretidos estavam a tosquiar lã com direito a "happy-ending". E lá os ingleses iam deixar que se chamasse ao "sítio" uma coisa daquelas? Para eles era logo "My-Buttocks-Upon-Your-Sausage", ou algo do género. Mas aqui o "sítio" esteve outra vez na berlinda, e vejam só porquê:
E pronto, aí está como se diz "aquilo", sabem...o "sítio". Este Liam Dutton nasceu e cresceu no País de Gales, e apesar de desconhecer se desposou alguma ovelha antes de se mudar para o planeta ao lado (a Inglaterra), tenho a certeza que fala galês, uma vez que aprendeu na escola...ouvia as pessoas falar...pois também não é surdo...em suma, tudo normal. Este Hutton nem consegue disfarçar que isto se tratava de uma piada, e ninguém se interessa pelo Tempo na Grã-Bretanha: "temperaturas baixas, céu de muito a bastante nublado, com a certeza quase absoluta de aguaceiros, resumindo: uma m..." - eis o Boletim Meteorológico na Grã-Bretanha. Nem é preciso imagens de satélite, e falar-se em "prever o tempo" é uma extrema presunção, típica dos bifes, aliás. Mas além deste Liam Dutton, outros viveram em Gales, e conhecem o "sítio", pasme-se. Por exemplo:
Naomi Watts, que VIVEU no "sítio" quando era uma bifa de novilho, e como tal sabe falar galês, e pronunciar correctamente o nome ilegível do "sítio". Jimmy Kimmel, um daqueles americanóides apresentador de programas rotulados de "talk-show", também estes americanóides, dirigidos a um público igualmente americanóide, acha aquilo fascinante. De facto quem diria, que algum dia alguém se lembrava de juntar um monte de letras e formar uma palavra assim tão comprida. Se lhes perguntarem, a maior parte dos americanos diz que "é impossível", ou ainda "só Deus consegue". Até ao público que assistia à gravação do programa ria, mas de uma forma algo desconfortável, como quem está com pena dos coitadinhos que vivem no "sítio", conjecturando se não serão criminosos condenados, a cumprir uma forma "tradicional" de castigo que se usa nas ilhas britânicas. Para muitos americanos (e não só), a imagem que se tem dos ingleses é de uns gajos pequeninos, anémicos e tuberculosos que usam ceroulas, e que de madrugada agitam um sino no meio da rua, enquanto berram "Oll iz well, oll iz well, in Uoussou!" (a sério, não se diz "walsall" como em "uól-sol"?). Mas afinal estes gajos falam mesmo assim, ou estão só gozar com a nossa cara, como defendo e sempre defenderei, apesar das provas em contrário? E aí estão elas:
Aqui temos, da esquerda para a direita, a bandeira e o brasão de armas da cidade de Cardiff, que originalmente se chama de Caerdydd. Santinho. Na última vemos duas criaturas antropomórficas: um cavalo-sereia com cara de poucos amigos (pudera...), e uma cabra...cabra? Pois, recordo que as ovelhas ali são mais ou menos "sagradas". Humm. Nas armas que as criaturas seguram e onde aparece a mesma imagem da bandeira lê-se o lema "Y ddraig goch ddyry cychwyn", que significa "o dragão vermelho indicará o caminho". Mas..."dragão vermelho"??? Imaginem que uns galeses malucos se lembravam de desfraldar uma coisa destas em pleno Estádio do Dragão, mesmo junto à claque dos Super-Dragões? Será que pensam nas ovelhas, que iam ficar viúvas, coitadas? Esta língua tem o nome de "cymraeg", ou "câmbrico", ou ainda "está tudo bem consigo, ou precisa de um copo de água?", mas quem se estiver nas tintas (e eu entendo), pode chamar aquela tosse com especturação acompanhado de um coro de engasgados e asmáticos apenas de "galês". Segundo os números do talho dos bifes, "apenas 15 a 20% dos galeses falam e escrevem galês, mas pelo menos um terço entende a língua". Além de Gales, o idioma fala-se na Patagónia argentina, onde existe uma considerável diáspora galesa. Isto é tão interessante que demorei três dias para acabar este artigo, tais eram os ataques de sono de que era acometido ao pesquisar essa utilíssima informação.
Quanto ao "sítio", continua por lá, habitável, mesmo que impronunciável, e vemos aqui um dos Llanfaiporostomatesnumtornoecortacumserrote-enses a ostentar o nome da cidade numa das lojas do centro, para galhofa dos pouco mais dos seus 3 mil habitantes, enquanto os forasteiros ficam a pensar que o tipo que colou as letras era bastante desleixado, além de analfabeto. O sítio tem uma razão qualquer para se chamar assim por alguma razão - claro, aquilo quer dizer qualquer coisa, só pode. Então fiquei a saber que Llanta-coiso-aquilo-tudo significa em português "Igreja de Santa Maria no fundão da avelaneira branca perto de um redemoinho rápido e da Igreja de São Tisílio da gruta vermelha". Porra, a gente compreende que o sítio tem a sua história, e tal, mas e se lhe chamassem antes...sei lá, "Santa Maria", e depois contava-se o resto aos turistas? Isto é para economizar nos guias, ou é "para facilitar"? É que não ficou nada descomplicado, antes pelo contrário. Isto era como se nós, por exemplo, pegássemos na lenda do Sítio da Nazaré, e em vez disso chamava-mos-lhe "Lugarondeoprínciperealiacaindoaoseguirarapousamalvadapossuidapelodemoniomasocavaloprendeuapatanorochedoeaijesusquefoiporpouco". Com toda a certeza que qualquer português fluente na língua entende o que está aqui escrito, e pronuncia facilmente - as regras nosso idioma é que não permitem este tipo de "palavras compostas". Mas o mundo ia achar imensa piada, o Jimmy Kimmel peidava-se de tanto rir da "saloiice dos não-americanos", e era tudo uma festa. E não era preciso ir a Gales, e arriscar-se a assistir ao vivo a alguma idílica cena de amor ao ar livre entre...epá, não. Adoro caldeirada de borrego. Esqueçam isso, e leiam lá a palavra, que é tão gira. Eu não tenho tempo.
Vi ontem o programa "Contraponto", que desta vez teve o aliciante de abordar alguns temas pertinentes e acontecimentos recentes que se podem considerar, digamos, "picantes". Penso que seria sempre irrelevante que elementos do painel do programa comentariam estes temas, que todos alinhariam mais ou menos pela mesma bitola. Mas mesmo as bitolas e os padrões mais simplistas têm pelo mesmo duas nuances diferentes, e há sempre quem discorde de um ou outro ponto dos não-essenciais, ou quem resolva exacerbar a gravidade de esta ou daquela situação, revelando uma agenda paralela oculta - e nem interessa saber qual, que não deve ser nada de jeito - e ainda por cima fingindo (ou representando) MAL! MUITO MAL! Mas defecando em plena locomoção nos detalhes, uma ou duas coisas foram ditas neste programa, e embora sendo verdades, ó grandes verdades, daria para elaborar sobre uma ou delas, até para que se possam entender melhor as coisas, atendendo às distâncias e às proporções.
Sobre aquilo que foi dito dos juízes, a propósito das declarações dos magistrados que presidem às instâncias judiciais da RAEM, considero tudo muito pertinente, e só foi pena que não se tenha ido um pouco mais longe. O que parece estar a acontecer com este "distanciamento" que existe entre o ramo judicial do sistema é como que um aviso, algo do tipo "está bem que é o Direito de matriz portuguesa, mas isto não é Portugal". Tudo velho, tudo visto - mas alguém acredita que algum dos referenciados "bad boys" do primeiro sistema quer entrar para os livros como sendo o tipo que deu cabo disto tudo e estalou com o chicote e tal? É tudo uma infusão oriental de hierarquias, burocracia e ópera chinesa. Quem vai ser parvo ao ponto de "sujar as mãos" a abrir a porta a outros, e acabar ali a fazer de porteiro sem meter a colher no pudim. Eles estão ali como que a fazer de meio-termo entre aquilo que é tolerável, e aquilo que nunca, mas nunca, ouviram? pode ser. É que na proporção de um para cento e não sei quantas cabeças que a população portuguesa tem para a chinesa, fica-se com uma couraça menos flexível, e cujas dobradiças ainda rangem quando se tenta dobrar, ou metê-la no seu lugar. Não cabem cento e não sei quantas vezes os problemas que ainda nos cabem na bagageira. "Cento e tal mortos?! Que horror!" - dizemos nós. "Ai sim? Ainda bem que eu não fui" - dirão eles.
Ficamos chocados, sim, porque a maior parte de nós que tem uma ideia de que as pessoas são em primeiro lugar pessoas, e que têm direitos até ao ponto de mandar a polícia ou a magistratura a tal sítio, se quiser (dependendo do local e da situação, lógico), porque adquirimos isto como princípio no âmbito da nosso processo de socialização, que foi o Português - os que viveram mais tempo em Portugal ou que chegaram há poucos anos a Macau são os mais "radicais". Ainda não estão suficientemente "diluídos", portanto, e passam a vida a meter os dedos nas tomadas, ficando assim em perpétuo "estado de choque". Isto tanto se aplica a quem queira acabar com corridas de galgos porque "acha mau", e pouco importa que exista um grupo significativo de gente que "até gosta", ou "não tem opinião", que são uns bárbaros, uns selvagens e inimigos dos animais, como quem faz birrinha porque o partido que queria ver derrotado e humilhado teve o que pode considerar "uma vitória", e agora quer "inventar" uma derrota com um governo de "todas las otras frutas". O melhor comentário que li a este respeito passava por fazer um paralelo com este cenário:
Ai o Benfica foi campeão na época passada? Porquê? Porque teve mais pontos? Mau, se calhar custa a aceitar que os encornados encarnados podem ter feito mais pontos que as restantes equipas, mas nem de perto nem de longe FIZERAM A MAIORIA DOS PONTOS em jogo, que eram 918 (3 pontos por jogo vezes nove pontos por jornada vezes 34 jornadas). Só 85, de 918??? Nem a dez por cento chega. E que tal o Porto e o Sporting juntarem os pontos e "formarem um campeão alternativo"? O Sporting até se oferecia no início do campeonato, indiferente de quem fosse campeão. Mas e que tal a lagartagem dar uma de espertalhão, e sabendo que Porto e Benfica "são incompatíveis" para uma possível coligação, juntam-se ao Braga e criam o "Sportingues Campeões"? E que tal na eventualidade dos três primeiros não se entenderem, virem o Braga e o Guimarães formar o "Minho campeão"? Estão a ver a confusão que se está para aqui a criar? Portanto, quando é o PS a ganhar sem maioria, "governo minoritário, que remédio", mas quando não ganha mesmo "não perdendo", ah espera lá que a "esquerda" não sei quê. Não admira que a tal esquerda não queira nada com eles, e vice-versa. Pudera...
Vi nestas últimas semanas um grande bruaá a propósito do tempo da licença de maternidade, e ai que o bebézinho é amor, corações cor-de-rosa, patinhos amarelinhos recém-nascidos a fazer quá-quá, mãe e bebé abraçados nus num cenário a preto e branco, rodeado de estofos fofinhos, almofadas e tudo aquilo a que os anúncios de papa Milupa ou duches-vaginais tem direito. É isto a percepção de "justo" que se tem, é a melhor naquele caso particular, só tem dado alegrias e nada de desgostos, por isso é a única indicada para o resto da humanidade, quer aqui, quer na China, quer no Burundi. Se há mulheres que consideram que passar muito tempo inactivas é "má ideia", e até não se importariam de reatar a sua carreira profissional quanto antes, "estão enganadas, coitadas", talvez porque "são oprimidas", e "não viram a luz". E aquelas que temem ser substituídas durante o tempo que demoram nas "boxes" e desejam voltar? "Que disparate, é por isso que é preciso mudar este estado de coisas" - elucidariam-me as feministas, recordando-me que "o mundo é dos homens, e por isso está como está". Pois, olha, comecem por essas que optam por regressar pela simples razão de elas próprias estarem-se nas tintas se arranjam um emprego catita à pala da tal neo-mãe que acha "os primeiros dois anos muito importantes!". Xim, xim, e que tal entrevistarem antes alguém que, sei lá, não se pode dar ao luxo de desistir do emprego para ser "mãe", ou seja, a MAIORIA que não vive em anúncios da Milupa? Imaginem que existem mulheres que nunca casam e constituem família, apenas porque consideram a sua realização profissional mais importante, e ainda, pasme-se, mulheres que optam por NUNCA TER FILHOS, dando mais valor à independência, e ainda há casos de outras que NÃO GOSTAM DE CRIANÇAS. Tudo já encostado ao Campo Pequeno e fuzilado já, né mesmo?
Falando a sério, neste clima de tudo o que nos aborrece multiplicado por cento e tal, é preciso haver alguém que tenha a ingrata tarefa de garantir que tudo não descamba para a bandalheira total. Estão a imaginar o que seria autorizar manifestações na China? Imaginem por exemplo, o que seria o "buzinão" de Junho de 1994 na Ponte 25 de Abril caso acontecesse na China. Quatro dias de caos, a vida empatada para milhares, tiros, tipos que ficaram paraplégicos, Governo a desmanchar-se em diligências, e tudo por causa de 25 cêntimos! Agora multipliquem isso por cento e tal vezes, mas com gajos que têm muito mais razões de queixa do que 25 cêntimos a mais para se passar uma ponte. Sim, uma vez aconteceu algo de semelhante, que ficou conhecido por "Massacre de Tiananmen". Por acaso também foi em Julho. E é aqui que entra a figura da autoridade, para nós uma figura abstracta, que quase sempre se renova, dependente de eleições e do seu próprio desempenho, sendo substituída caso não obtenha a aprovação popular. Aqui lá há tempo para andar a escolher entre milhões e milhões de gajos de quem ninguém ouvir falar, e esperar que todos os outros "escolham livremente" entre eles? Estão a gozar, é?
Aqui entra a figura do juiz, que como disse um elemento do painel do "Contraponto" desta semana "parece ser um cargo vitalício", e o seu detentor "endeusado" e "entronado". Não parece: é, e é porque tem que ser, e nem vale a pena tentar convencer mil milhões de que "existem alternativas". Qualquer alternativa passaria sempre por ser "a única" que agrada a cada um destes milhares de milhões. Para os chineses, ser juiz implica poder decidir a sorte alheia, ter o poder para mudar destinos, e só para nós é que pesam factores como o "elemento prova", ou "presunção da inocência", que os chineses consideram um delírio derivado de alguma febre tropical. Para eles é simples: a única coisa pior que ser preso é morrer, e se nesta última o acaso tem um papel importante, na outra tudo pode ser decidido pelo juiz. Não, segundo esta mentalidade, os juízes não são "umas pessoas quaisquer", e não vão ser uns códigos deixados por nós um dia destes que vai mudar o que jr se encontra enraizado depois de milénios, onde muita desgraça aconteceu - desgraças como em Portugal, com mortos e tudo, só que multiplicado por cento e tal, não se esqueçam. É por esta razão que se diz muitas vezes que a melhor maneira de resolver um diferendo com um chinês é acenar com o tribunal. A nossa cultura e tudo o que a nossa civilização nos ensinou permite-nos ter a noção de que ninguém nos vai cortar a cabeça por ter dado um toque na traseira do Mercedes de alguém e raspado um dedo de tinta. Aqui eles não têm esse tipo certezas. Fico por aqui quanto a isto dos magistrados, que se não são "deuses", deviam sê-lo.
Para terminar, só um pequeno aparte a propósito da candidatura de Pereira Coutinho, que como se sabe obteve um bom resultado (para um universo eleitoral tão ambíguo e disperso, claro) mas não conseguiu ser eleito. Aqui o que mais me surpreendeu foi a forma como as escamas democráticas ficaram todas arrepiadas com aquilo que chamam de "truques" que alegadamente o candidato em causa usou para obter votos - votos de pessoas que caso contrário nem saberiam da existência desta eleição, note-se. Ora bem, isto vindo de quem há vinte anos "não achou mal", ou antes pelo contrário, achou até uma certa piada que em Portugal um certo figurão tenha ganha uma autarquia no norte oferecendo electrodomésticos a famílias - mais pobres, por isso também mais numerosas, com mais eleitores entre o agregado familiar, lá está. Isso é o que se vê, e em Portugal também se "fala", e "contam-se histórias". A diferença aqui é que fica mais fácil de detectar, e em cada esquina moram potenciais "candidatos" a quem vinha mesmo a calhar uma "trafulhice" destas. Mas não, aqui foi muito grave. Diz-se que "ficou em causa a democracia". Ah, sabem quem era ainda mais democráticos que vossemecês? Platão! E o resto do Ateneu, tipo, gregos e tal, aqueles que agora se dedicam ao calote. E ora toma!
Pronto, deixe lá isso; é que mesmo quando não ganha, deixa uns "cromos" todos lixados do juízo.
José Pereira Coutinho ficou a menos de mil votos de ser eleito deputado para a Assembleia da República Portuguesa no último dia 4 de Outubro, ficando assim de fora da composição do Parlamento, e onde só se saberá que galos cantarão mais alto quando Cavaco, o Apático, presidente eleito e reeleito dos actuais Lusitanos (apesar destes o desprezarem, como fazem com todos os outros em que acabaram de votar, podendo eventualmente voltar a votar nos mesmos) escolher qual das minorias formará Governo, que assim será sempre ou 1) minoritário e por isso volátil, ou 2) uma bosta, com os "chuchas" a "levar" com os comunas e com o Bloco, respectivamente o último partido de doutrina Estalinista do Ocidente (e no mundo penso que só resta a Coreia do Norte...), e uns badamecos que andam com o cu aos pinotes para arranjar um gabinete um S. Bento onde enrolar as ganzas "like a boss", "with style", tão a ver? Aquilo por lá está bonito, está. Mas falando do Cout(ad)inho, candidato "Made in Macau": contados os votos do círculo eleitoral fora da Europa, a candidatura da plataforma "Nós, cidadãos" uma vitória esclarecedora em Macau, mas que não chegaram para alterar a tendência dominante dos eleitores do Brasil para votarem no PSD. A Coligação elege assim voltou a eleger novamente os dois deputados a que este círculo eleitoral dá direito, e que o PSD mantém desde que concorria sozinho, enquanto na Europa obtêm um dos mandatos, e o outro vai para os "chuchalistas". Isto tem tudo uma explicação, e neste caso o "chucha" eleito deve-o ao facto de apenas na Europa existir aquela espécie de fauna "chucha", que começa depois a "perder gás" à medida que as distâncias aumentam. Aqui por estes lados a malta gosta mais de trabalhar e produzir nota, e não tanto de coçar a sacola, fazendo os outros de parvos, e quanto à nota, pede-se "emprestadada". Trabalhar e pensar e o camano "cansa, provoca tonturas e dores de cabeça, e vá lá, o quê ou quanto é que você quer para me desamparar a loja"? Isso.
Professor Astromar Cavaco Silva
A propósito desse assunto, da "febre laranja" que acomete os emigrantes em geral quando é hora de depositar o voto na urna, gostava de abrir um pequeno parêntesis para dizer que os entendo, sim senhor. Se eu fosse militante ou "adepto ferrenho" de uma das outras forças políticas que discutiram estes lugares, não me restava senão a resignação. E porquê? Bom, como a memória não é curta, recordo-me com nitidez (tinha 10 anos) da primeira legislatura de Cavaco, interrompida dois anos mais tarde pelo PRD, como se sabe, dando lugar a duas maiorias absolutas dos "laranjas", com Cavaco a tornar-se o "campeão das eleições" do pós-25/4, título ainda incontestado. Quem tem a minha idade ou é mais velho, deve-se recordar com toda a certeza como era a relação dos sucessivos governos minoritários pré-cavaqueiros com a diáspora portuguesa no mundo. Não se recordam, é? Exacto: não existia qualquer relação, contacto, intercâmbio ou comunicação frequente e acessível com os nossos "émigrès", cuja única imagem que tinham da política portuguesa era a do Mário Soares e do Álvaro Cunhal. E apenas a preto e branco. Quando os emigrantes na França vinham de férias em Agosto, eram ainda olhados como se tivessem chegado de outro planeta, e na verdade acabavam de vir de um país que comparado com o Portugal da altura era "civilizado". Ponto final.
Em inglês, cáries diz-se "cavities"
Recordo-me que antes de 1986, data da adesão efectiva à então CEE, em Portugal não existiam chocolates Mars, Bounty, Twix ou muitas das coisas que hoje se pronunciam em estrangeiro - já existia contudo o infame detergente para a roupa "Tide", que se pronuncia "taide", mas que os tugas faziam rimar com "pevide". Apesar disso ser apenas um "fait-divers", pois não nos faltava chocolate nacional e mais ou menos decente (havia uma barra de chocolate que se comia dentro de um papo-seco), o consulado do sr. Aníbal trouxe-nos a "civilização irópeida, perdão eu-ro-peia e toma lá que já podemos mandar os franciús para aquele sítio quando no ostentarem o documento de viagem: agora é tudo a mesma m..., e eles ainda têm o "handicap" de se tornarem mais "apetecíveis" como reféns, para depois decapitar, e isso. Mas não foram apenas os produtos do mercado comum, o acesso mais fácil à cultura continental e das ilhas (britânicas, I'd say) após passar a fazer parte dos países da União, as estradas (sabiam que em 1980 demoravam-se 9 horas para chegar de Lisboa ao Porto? ah pois é...), foram ainda as lâminas de barbear, os suplementos alimentares, a cura para tuberculose, e muito, muito mais. Do que é que eu estou aqui a falar? Disto:
Broa & Vinho United
Esta é a selecção de Portugal que participou no campeonato europeu de 1984, ano também conhecido por I A.C. - ano 1 Antes de Cavaco. Reparem no ar famélico e desgraçado de Homens das Cavernas. E aqueles bigodes, Deus meu, que seis deles (seis, a maioria!) ostentava com orgulho, ainda em pleno Paleolítico Inferior em termos de bom gosto e sociabilidade. Como a competição foi em França (a primeira qualificação desde o mundial de 1966!), cheguei a pensar que os tipos ficavam lá a bulir nas obras, optando por não regressar após o termo do torneio. Os leitores mais jovens (ou simplesmente "jovens", a este ponto) podem não reconhecer muitas destas tristes figuras, mas deixem-me só dizer que o segundo a contar da direita em baixo não era imitador profissional de Astérix, o gaulês, mas sim um futebolista conhecido pelo nome de "Chalana". À sua direita encontra-se um outro que se celebrizou com o nome de (António) "Sousa", e posso garantir que não era toxicodependente, seropositivo, doente de hepatite B e C, ou todas essas coisas juntas: era um atleta. Imaginem! Esta realidade parece tão longínqua que muitos estarão agora a pensar: "epá estes gajos já devem ter morrido todos, coitados". Por acaso dos onze no "boneco", apenas o guarda-redes Manuel Bento já não se encontra entre os vivos. Os outros continuam por cá, mas com mais 30 anos no lombo.
Geração "Não me toques que me desafinas"
Agora vejam só a equipa que participou na mesma competição em 1996, ano I D.C. (primeiro DEPOIS de Cavaco), apenas doze anos mais tarde. Doze, não doze mil. Se ignorarmos o adesivo idiota no nariz do João Pinto, ou o Fernando Couto na sua totalidade, parece que estes dez mais um estão três ou quatro degraus acima na escala da evolução dos bárbaros da imagem anterior. Aqui temos exemplares do puro lusitano onde é evidente o cuidado com a imagem, menos troglodita e onde se pratica um saudável respeito pelos parâmetros da moda, e com a forma física, menos terceiro-mundista que a equipa das quinas 12 anos antes. Outro detalhe: na altura deste Euro já Luís Figo representava os espanhóis do FC Barcelona, onde aguardava Vítor Baía, então ainda no FC Porto, e Fernando Couto, que se transferiria dos italianos do Parma. Ainda na Itália pontificavam Paulo Sousa e Dimas, na Juventus, tendo o primeiro conquistado neste período dois títulos consecutivos da Liga dos Campeões, primeiro pelos "rossoneri", e no ano seguinte pelos alemães do Borússia Dortmund. Um luxo! Portanto podem ver como o período de governação que viria a ficar conhecido por "cavaquismo", dotou o nosso velho e querido montinho de esterco de uma capinha de verniz, pelo menos. Por muito irritante que o homem seja, com aquela voz de ancião que ficou 40 anos isolado numa ilha deserta do Pacífico Sul, foi o que se conseguiu arranjar. Havia outro, mas cometeu um erro de cálculo grave, ao encontrar-se dentro de um avião que se despenhou, provocando-lhe uma morte horrível, no meio de chamas, horror e pânico. Paciência.
O círculo eleitoral da Europa e de fora dela "vale" apenas dois mandatos cada, num total de quatro, e tal como há quatro anos, três desses mandatos foram para o PSD, enquanto o restante para o PS. Mas este ano no círculo fora da Europa, que aos olhos dos eleitores indígenas estende as eleições domésticas até lugares "esquisitos", como "China, e isso...", tínhamos o factor Pereira Coutinho, que curiosamente valeu três ou quatro mil votos, o que me deixa meio sem entender a razão porque fez aquele vídeo, que tem 303 visualizações no You Tube. Repito: 303, trezentas e três. Ainda assim deu para fazer estrondo, pois qual Lionel Messi e Cristiano Ronaldo das urnas num só, foi a contratação mais mediática dessa liga sinistra que são as Legislativas portuguesas, e logo por uma equipa com ambições modestas, a saber:
Estes, a plataforma "Nós, Cidadãos", que se nota logo à distância que não se trata de um partido político, mas sim de um "movimento partindo da sociedade civil, blá, blá, blá", no fim querem todos o mesmo poleiro, pá! É que enquanto cavacóis, "chuchalistas", amigos do Estálindo e bloco de notas, ou caderneta de cromos ou lá o que é, é composta por essa espécie ainda por domesticar que dá pelo nome de "políticos", enquanto estes são só "uns tipos quaisquer", com uma aparência banal, que oscila entre o baladeiro revolucionário "à lá" Manuel Freire, na ponta esquerda (claro), até ao sósia do Graeme Souness, em versão "económica", na extremidade oposta. O líder deste grupo é aquele senhor que eu assinalei na imagem com uma seta, e que parece um pinguim albino bebé. Para eles contar com Pereira Coutinho, e assim através de um "jeitinho" nas contas dos votos necessários para conseguir representação parlamentar, pode-se equiparar ao Ermesinde Futebol Clube contratar Mário Jardel no seu auge: ganhavam vários jogos de goleada, mas podiam esquecer a subida de divisão, podendo quedar-se pelo 3º ou 4º lugar, na melhor das hipóteses - Jardel, ok, mas e os dirigentes corruptos? E em que casa de alterne se fecham os contratos? E que árbitros têm no plantel? Ah bem. Afinal os milhares de eleitores com que a ATFPM contribuiu para um universo eleitoral de menos de 30 mil não chegaram para destronar os deputados do PSD, que contam com um contingente brasileiro no seu plantel. Ao que parece deu-se um erro de cálculo, ou então alguém moveu a piscina e o pobre mergulhador deu com os queixos no cimento quando saltou da prancha - fora de questão está ter-se dado o caso da piscina ter sido mal colocada, lá está, até porque tivemos uma nadadora-salvadora a explicar e-xa-cta-men-te, e tintim por tintim, como colocar devidamente o preservativo voto na urna. Vejam só:
Pois é meninos, hoje vou ensinar como se deve votar correctamente, ok? No candidato Pereira Coutinho. Vão ficar a saber tudo, desde o momento em que recebem no correio a carta do Ministério com o boletim, até ao momento em que enviam o boletim de volta, já com a cruz colocada. No quadrado do partido cujo cabeça de lista é Pereira Coutinho. O momento alto é quando a senhora vos explica onde colocar a cruz: no quadrado onde aparece o partido do Dr. Pereira Coutinho, indicado por uma das suas unhas vermelhas. Vejam lá, não se enganem e metem a cruz noutro quadrado, uh?No do PNR, ou do MRPP, fazendo assim com o vosso voto se torne "inútil". E depois dobrem aquela m... em quatro, uh? Vejam lá se não lixam o esquema à malta.
Mais uma missão cumprida, mais um galope ao pôr-do-sol...
Mas pronto, há gente que só lhes ceifando a vida e arrastando-o até à mesa de voto na condição de cadáver é que aprende a colocar a cruz no lugar certo, e o voto na urna e mais o raio que o parta. Portanto esta imagem é uma que NÃO vamos ver com frequência. Confesso que achava piada se o Pereira Coutinho fosse eleito. Porquê? Porque sim, ora essa. A mim não me faz mossa nenhuma, ao contrário de certas figuras que têm andado com uma comichão que é um caso sério, acusando o candidato de, vejam bem isto, "manipular o sistema eleitoral", usando para isso "os associados da ATFPM, amigos e simpatizantes". Vejam lá vocês, que o tipo anda a usar "todos os meios legais (mesmo que "chatos", para quem não gosta, lá está) à sua disposição para obter um resultado que lhe garanta a eleição. Ao ponto que isto chegou, que um tipo candidata-se a um sufrágio democrático e completamente dependente da vontade popular, e ainda tem ambições a ser eleito? É de gritos, e vejam lá vocês que um dia destes via na TV um jogo de futebol, e não é que as duas equipas tentavam a todo o custo enfiar uma bola de coro na rede da baliza dos outros? E isto apesar de cada uma das partes ter deixado bem claro que não aprovaria esse tipo de audácia, e que não os conheciam assim tão bem ao ponto de lhes permitir veleidades desse tipo? Mas não havia maneira de se contentarem em ficar ali de calções na relva, a gozar o solinho (o jogo foi de noite, mas deixem lá, são "detalhes"), que tinham que se por ali a tentar ir contra a vontade do adversário, demonstrando sem qualquer pudor vontade de GANHAR! Depois saíram dali todos cagados, mais suados que uma salsicha, alguns com mazelas e outros aparentemente felizes com o desfecho da contenda, mas com o corpo moído de pancada e a pensar que mais valia terem deixado os outros gajos em paz. Quem é que me acende a luz, ai Jesus? Então como é que os candidatos a uma eleição fazem, usam a psicologia revertida, como se faz com as crianças?
- "Olha lá, ó palhaço, se te atreves a votar em mim, passas a beber caldinhos por uma palhinha, ó f... da p... do c..."
- "Ai é? Ai é? Agora é que vou mesmo votar em ti, ó meu ganda c.... Agora é que tás f.... Vais ver, vais ver!"
Assim até era mais fácil e tudo. Isto é o quê? É tudo dor de corno, ou há por aí também apelo ao "colinho" do Coutinho? "Leva-me contigo/Prá onde?/Para a eleição/Eleição?/Siiimmm...rolar no chão, da eleição/leva-me contigo". Mas ela não leva: dá, só que desta vez não deu. Porquê? Porque não, e na realidade não aconteceu aqui nada de extraordinário, uma vez que se previam dois cenários possíveis: 1) Pereira Coutinho ser eleito, e 2) O mesmo não conseguiu ser eleito. Eu sou um analista político do caraças, pá, uma vez que previ "um desses dois cenários". Ah! Quero ver se o Cavaco tem tanta facilidade em indigitar um Governo que não ande um ano à estalada entre si até convocar novas eleições com resultados que façam o mínimo de sentido, ou seja: o partido que obteve mais votos forma Governo. Caso essa força política considere necessário um entendimento com outra ou outras forças que lhe dê garantias de obter a aprovação para fazer tudo o que há para fazer e que não fica feito enquanto andam nestas tricas da treta, procura num ou mais do que um dos outros partidos representados na Assembleia esse entendimento. Simples. Essa da "liga dos últimos", do "somos pequeninos mas muitos", típica do pobrezinho do tuga, que como ficou agora demonstrado com a candidatura do Pereira Coutinho, ODEIA VENCEDORES E REPUGNA-SE COM O SUCESSO DOS OUTROS, ao ponto de SE CONGRATULAR MAIS COM AS DERROTAS ALHEIAS DO QUE COM OS SEUS PRÓPRIOS FEITOS (que são zero, convém referir). Agora têm três "anti-coligação" que nunca se poderiam possivelmente entender, uma vez que são CONTRA TUDO E TODOS QUE NÃO FAÇAM PARTE DA SUA IMUNDA CÁFILA. Já agora, festejaram o insucesso do tipo? Ou ficaram a remoer as iscas com molho de fel enquanto pensavam: "há dias que só me apetece morrer" - e aposto que isto é recorrente. Quase diário, bem vistas as coisas.
Chitãozinho e Xororó Cônsul-Geral e Dr. Pereira Coutinho
Coutinho, aqui na companhia do Marajá da Penha, também não saiu propriamente resplandecente desta fantochada toda, optando o seu partido por impugnar a eleição devido a "irregularidades e faltas graves, nomeadamente na região de Macau, portanto, da China" - só nós para virmos aqui para à China fazer eleições dos nossos governantes com este estardalhaço todo, e envolvendo individualidades da política local, ou seja, na prática, de políticos chineses. Brrr. A mais irregular e grave de todas estas faltas foi a "falta de votos". Faltam votos? Quer dizer que não foram todos contados ou validados ainda? Não, que parvoíce: faltam votos NELES, votos que eles próprios asseguravam ir obter, e não apareceram. Olha, é assim: quando aparecerem os 7 mil milhões de votos em mim na eleição para "Dono, lorde e mestre de todo o Universo e dos Algarves, quer terráqueos quer cósmicos, inter-galácticos, ou ainda pertencentes à realidade do mundo dos desenhos animados da Disney e todos os demais", não me chateiem os cornos, mas vão-se certificando que o meu pilim bate lá todos os meses, ó c*****o.
Welcome to the House of Fun, c'mon everyone
Só que quem ficou mesmo com bosta até ao pescoço foi mais uma a AL de cá, que se meteu ao barulho porque "não aceita ingerências nos seus assuntos internos" - perceberam? perceberam? Isto é que é um exemplo de "ironia". O que eu faço é "sátira", e para isso recorro ao "sarcasmo". Não "escrevo ironias", e muito menos sou "irónico", como já me chamaram 700 vezes. "Irónico" é não terem antes ficado caladinhos, aí no deserto da cachola, que quando de lá se atrevem a mandar postas de pescada fica logo no ar o fedor a bacalhau com queijo da serra. Irra.
Dizia eu, ahem. Pois, a AL vem agora censurar Pereira Coutinho, que é deputado daquela casa, e por isso deve lealdade ao governodaraemdaRemmmúmicaMmmlardaChina e não se pode meter em assuntos desses estrangeiros que ninguém conhece de lado nenhum e não têm nem nunca tiveram nada a ver com Macau, região daRemmmúmicaMmmlardaChina. Isto é ingerência, pá, vi logo que me vieram contar, pois não produz qualquer efeito em coisíssima nenhuma porque no fim Pereira Coutinho NÃO FOI ELEITO, e por isso não vai acumular nada, incompatível ou ditado por Deus, pois já não vai acontecer "essa coisa horrível". O "twist of the tail", ou onde a porca torce o rabo, é na forma infantilóide como estes demonstrar o seu afecto - ou falta dele - pelo presidente da ATFPM. Aquando da notícia da candidatura de Pereira Coutinho à AR portuguesa, ficaram-se por um tácito "ah e tal, isso depois pode ser tema aberto a vasta dissertação, mas por enquanto usemos Confúcio e aguardemos serenamente", só para ficarem a espreitar pela fechadura o decurso dos acontecimentos, para agora virem agitar a bandeira da traição, do adultério que cometem contra a pátria amada, coitadita, ali a fazer de vosso paliteiro, a pobrezinha. Epá, isto até seria considerado "sacanice" se o Coutinho tivesse sido eleito, mas...não sendo, como é? Qualquer dia castigamos os Serviços de Meteorologia por "não ter avisado a população para um feroz e apocalíptico tufão que se aproximava com toda a fúria das "doomsday machines", ou "máquinas do dia do juízo final" - mas que nunca aconteceu. Mas podia ter acontecido! E eles, avisaram?!?!".
Feitas as contas, pode-se dizer que Coutinho não ganhou, mas também não perdeu, e muito menos empatou. Não foi eleito, mas também não ficou mais baixo, corcunda ou coxo: ficou exactamente como estava antes deste "nada" ter acontecido. O que mais me fascina nele é uma qualidade que ele não tem como sua, mas de que insistem em dotá-lo: por mais triste seja a figura que ele se apresta a fazer, ou megalómanos nos pareça ao almejar certas metas, há sempre por cá quem consiga superar toda e qualquer pantomimice que ele possa produzir. É como um "anjo da guarda". Ai Jesus que lá vou eu...
Calma, calma, ó geração que hoje tem entre 37/45 anos, não comecem ainda os actos de auto-gratificação sexual, eu sei, é o "Dartacão", o xarope televisivo da criançada nos anos 80. Eu recordo-me do aparecimento deste verdadeiro fenómeno, que adaptava o romance "Os Três Mosqueteiros", de Alexandre Dumas, ao...canil? Mandava Dumas "ir dar banho ao cão"? Tratava-a abaixo de cão? E o que se estava para ali a ladrar, exactamente? Fiquei deveras desapontado por nem uma vez um dos personagens ter snifado o ânus de outro, ou coçado os testículos com os dentes, ou ainda, e porque não, executado uma canzana espontânea em plena via pública, a sangue frio, por entre transeuntes indiferentes, que consideram isso "normal", ou "da natureza". E por falar em canzana, existia uma, bem, uma cadela que dava pelo nome de "Julieta", que era tratada por "milady" - nem uma única vez por "cadela": "Sois uma bela cadela, Julieta, sua...cadela". Quer dizer, éramos crianças mas não éramos estúpidos. A canção do genérico na versão portuguesa era uma tremenda bosta, cantada por putos mijões e com uma letra que continha o infame verso "O amor da Julieta é o Dartacão/E ela é a predilecta do seu coração". Milhões de euros em pedopsiquiatria foram gastos em debelar este trauma juvenil, minha gente. Eram CÃES, e não pessoas que ali estavam, seus crentes ignóbeis!
Apreciava contudo a nota social, comum aliás à obra de Dumas, um grande observador, que colocava a Igreja no papel de "maus da fita". Foi uma geração inteira a acreditar que o Cardeal Richelieu era "dos maus" - e quem não era na Igreja até à segunda metade do século XX? Hoje há apenas os que não são horríveis, sádicos, pederastas, censores, inquisidores, malvados, obesos, bêbados, larápios, ociosos, lambujeiros, inúteis, canalhas e abusadores. Os que ainda se vão safando, pronto. E por falar em Cardeal Richilieu...
Pronto, ali está ele. Em cima à direita está um fresco do sec. XVII representando o próprio Cardeal, em pessoa (devia ter tanto que fazer que até dava para ficar de pé a posar para um pinceleiro qualquer; que paneleirice. Olha, tivessem mandado vir os irmãos Lumiére mais cedo, paciência). Ao seu lado temos o seu personagem canídeo da série animada, e em baixo, pela mesma ordem, temos os actores que o encarnaram no grande ecrã, nomeadamente Peter Capaldi e Tim Curry. Portanto, o homem não enganava ninguém, sendo imediatamente anunciado e denunciado pelo seu ar de facínora, sádico tresloucado e aficionado da pilhagem e violação de menores. Penso que estes não eram atributos despiciendos à Santa Sé para escolher os seus mais altos dignatários - eram exigências "sine qua non" para exercer o cargo! Vou passar a transcrever uma entrevista para a posição de "Bispo Emérito e/ou equiparados", que teve lugar no próprio Vaticano, no ano de...prrr....1616, pode ser? Garanto ser tão verídica quanto aqueles vídeos e imagens editadas e manipuladas que passaram o Verão inteiro a ver como "prova da iminente islamização da Europa":
Secretário do Papa: - Então o meu amigo começou como cura lá na sua aldeia...mais tarde tirou Teoria do Satanismo e Técnicas de Tortura Medieval no seminário...foi para padre...tem filhos bastardos gerados entre os crentes do género feminino, suponho...
Candidato: - Nem fazia mais nada o dia todo.
S: - Ah, um sagaz praticante, um perfeccionista. Gosto disso. Ao domicílio, ou...
C: - Na sacristia, mas mais no confessionário. Sodomia no primeiro encontro.
S: - Oh, como mandam as escrituras. Sim senhor, gosto do seu entusiasmo e dedicação à causa da Igreja. E vejo aqui na nota curricular que era exímio na disciplina do incesto, mãezinha, claro, irmãs...
C: - Todas as cinco. Tias, primas e vizinhas também, mas dessas não consegui a assinatura no diploma, e...
S: - Perfeito, perfeito, não tem importância que essas só decidem em caso de empate. Mas espere lá, vejo que se antecipou degolando o pai e pegando fogo à quinta, que como sabe fazemos questão de mencionar nas condições de acesso, mas a mãe do cavalheiro...
C: - Pois, veja lá você que dois anos antes teve uma pneumonia e guinou, antes que eu lhe pudesse fazer a folha. Azar...
S: - Pode crer. É que não sei se sabe, mas Sua Santidade está à procura de candidatos que tenham cometido Patricídio E Matricídio. Tenho muita pena, mas esta pequena falta pode pesar na decisão final...
C: - Oh...não imagina como estou desiludido. Apetece-me decapitá-lo, retirar-lhe as entranhas e de seguida gratificar-me sexualmente através dos orifícios mais apertados e viscosos das mesmas...
S: - Imagino o que sente. Não passa meia-hora que não me dê vontade de fazer o mesmo. Até que faço, mesmo. Mas olhe, em todo o caso damos-lhe resposta pessoalmente e sem falta, mesmo no caso de ficar reprovado.
C: - Não tem importância. Se precisarem de alguém para o lugar de um dos vossos pares que decidam envenenar no âmbito de alguma sinistra intriga eclesiástica decorrida num mosteiro situado num recôndito bosque do interior da Lombardia...
S: - Pode ter a certeza que o teremos sempre em conta. Adeus e um santo Heil Hitler Ave Satã Allah Akbar para si.
C: - Vai tu. Adeus.
Para quem não sabia, este personagem que se pode equiparar em termos de atributos morais ao Xerife de Nottingham, ou ao Sgto. Garcia da série "Zorro" (uma figura da autoridade, apesar de tudo, mas que toda a gente despreza, optando por ficar a torcer pelo "herói", a todos os títulos um marginal, criminoso ou foragido da justiça) existiu mesmo, e foi ministro da corte do rei Luis vinte e não sei quantos. O facto de ser o único personagem recorrente de "Os Três Mosqueteiros" que não era ficcional leva-me a pensar que Dumas não nutria pelo Cardeal uma simpatia assim por além, podendo isto estar relacionado com o facto de Richelieu ter sido um impiedoso intriguista, ditador, traidor, etc. - era o "tutti-fruti" dos vilões dos romances de capa e espada. Um gajo que queria fazer mal à malta por gozo, e era capaz de pagar do próprio bolso para ver a desgraça alheia. Um "Super-Jackpot", não dos singles mais vendidos do ano, mas das maldades mais cruéis que se podem imaginar sem o recurso a substâncias alucinogénicas. Imaginem que até foi apurar toda aquela maldade nas Universidades de Navarra e de Paris. O homem dedicava-se de corpo e alma a f...-nos bem f...dos.
Mas tal como eu, o caro leitor e a restante espécie humana, Richilieu não nasceu Cardeal, e o seu nome humano era Armand Jean du Plassis. Ulá-lá, trés joli. Sem dúvida que "Richilieu" fica-lhe melhor do que Armand Jean, que parece o nome de uma marca de gabardinas. Era como se Adolf Hitler se chamasse "Natalino Rosário dos Anjos Amoroso" - simplesmente não batia certo. Música sinistra...alguns segundos de suspense, vem o narrador com voz cavernosa e grave anunciar: "tudo estava bem até que, surgindo do nada, qual sombra maquiavélica da morte...tchan tchan tchan...ARMAND JEAN DU PLASSIS!". Não pode ser. No sell. You go home, american! Go now!
Mas chega de nota histórica, que a malta estava mesmo era a falar do Dartacão e dos MosCÃOteiros, que há que admitir, é um trocadilho bem giro, ao nível do seu homólogo inglês, o "Dogtanian" - quem sabe se até mais bem conseguido e tudo que "the Three Muskehounds" (yuck). Podia ser muito pior, e não seria de admirar. Podiam traduzir o nome do personagem para "Bolinhas, o rafeiro traquinas", ou "Tim-Tim o espadachim" - e quantas vezes não se arruinaram nomes magníficos de personagens do nosso imaginário infantil com traduções portuguesas ATROZES: o "Kermit the frog" ficou "Cocas, o Sapo" (que merda é essa, um ou uma "coca"? e "cocas" são mais que uma? "quecas" eu conheço, agora "cocas"???), e o pior de todos:
Devem-se lembrar desta série, que eu evitava mais que a casa-de-banho de uma daquelas estações de serviço entre Gongbei e Cantão. A série original tinha o nome de "Ox Tales", e a produção era japonesa, com parceria da Telecable Benelux, e os personagens inspirados numa banda-desenhada holandesa intitulada "Boes" - é por isso que no meio da canção do genérico se escuta "Boes, Boes", em neerlandês (nem se deram ao trabalho de fazer uma versão em português para esta. se calhar o Tozé Brito e a Ágata estavam indisponíveis para o efeito). O personagem, um boi com nariz de hipopótamo e com um par de socas calçadas nos cascos (?!) dava pelo nome de "Ollie", só que em português o "Ox Tales", o "Boes" e o "Ollie" foram dar uma volta ao bilhar grande, e ficou "As Aventuras do Bocas". Do "Bocas", imaginem, foi assim que chamaram ao boi, que ainda por cima tinha a voz inconfundível do malogrado actor Henrique de Canto e Castro, que apesar de ter falecido há mais de dez anos, ainda aparece em praticamente toda a produção nacional a que assistimos na TDM/RTPi. Quando ouvia aquela voz imaginava o boi a ter um ataque de catarro, e depois a escarrar num penico. Livra!
Mas no que toca às séries, aos genéricos, traduções e todos esses ingredientes do nosso longínquo tempo dos mais novos, e voltando ao Dartacão, o nome foi bem escolhido. Para os outros personagens é que não sobrou assim tanta imaginação, e se calhar até foi melhor assim. Ainda tínhamos os mosqueteiros rebaptizados de Ãotos, Senta, Portos, Senta! e Cãorramiz, mais a Julieta Au-Au, enquanto o Cardeal Richilieu ficava simplesmente..."Bóbi". "Ai ai, Cardeal Bóbi, já lhe ensinei que instaurar o absolutismo na Europa faz-se lá na rua, não é na sala do dono. Mau menino, Cardeal Bóbi"! Mas vejam como ficou a canção da versão britânica da série:
Ah! Conseguem ouvir os latidinhos por detrás da voz do puto bife? Aqueles latidinhos, que parecem saídos de uma cuíca que late em vez de ganir? Agora experimentem isolar só essa parte dos latidos, e depois escutem enquanto visionam um filme pornográfico, daqueles "hardcore" e "hard pissa". Diversão para uma tarde inteira. Pronto, é tudo, e uma vez que não ficaram mais cultos com esta peça, espero que pelo menos tenha ocupado o tempo que se calhar gastariam a ver mais reportagens adulteradas sobre a crise dos refugiados, que...OLHA UM REFUGIADO SÍRIO/TERRORISTA DO ISIS MESMO ALI NA JANELA, A LEILOAR UMA MENINA CRISTÃ SEM CABEÇA! Estão a ver como vos fiz olhar mesmo para a janela, e com um cagaço que já ia na fase dos peidinhos iniciais? Ai, ai. As melhoras.