segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ferveu em Manchester



Reboliço do grande em Old Trafford, como já não se via há muitos anos entre o United e o City. Os "red devils" estiveram sempre a ganhar, mas só cinco minutos depois da hora, Michael Owen marcava o golo decisivo, fazendo o 4-3 final. Os jogadores so City travaram-se de razões com o árbitro, que acusaram de "não querer acabar o jogo sem a vitória do United". Bellamy exibiu alguns dos seus dotes de pugilista, como documenta a imagem. Foi a primeira derrota do City na Premier League, e é agora apanhado no segundo lugar pelos seus vizinhos de Manchester.

Cristiano el toro


Cristiano Ronaldo voltou a brilhar ontem com o Real Madrid na goleada ao Xerez, em casa, por cinco bolas a zero. O português marcou no primeiro minuto, e só voltaria a marcar a quinze minutos do fim, aquele que foi curiosamente também o segundo golo dos merengues. Guti, Benzema e o regressado Van Nistelrooy fizeram o resto.

Benfica vence em Leiria


Mais uma emocionante jornada na Liga Sagres, com o Benfica a isolar-se no segundo lugar ao vencer por duas bolas a uma em Leiria. O Porto perdeu em Braga, e caso o Sporting vença hoje o Olhanense, os dragões descem para o quarto lugar. Leixões, Nacional da Madeira e V. Setúbal estrearam-se a vencer. O Braga é que continua imparável: cinco jogos, cinco vitórias. O Braga confirma o melhor início de campeonato de sempre, e já venceu o Sporting em Alvalade e o Porto em casa. Braga 15, Benfica 13, Porto 10, Rio Ave 9.

Goiás esmaga Corinthians


Supresa no Brasileirão, com o Goiás a golear o Corinthians por quatro bolas a uma em S. Paulo. Os goianos chegaram agora oa quarto lugar, apenas a dois pontos da liderança. Lderança que é agora ocupada por Palmeiras (-1 jogo) e S. Paulo. Os paulistanos não foram além de um empate a um golo em Santo André, um dos últimos. O Inter, que está também colado à liderança, perdeu na Bahia com o Vitória, que está em grande forma, por duas bolas a zero. O Avai voltou à grande forma ao golear o Grêmio Barueri por quatro golos sem resposta, e o Flamengo também subiu depois de bater o Coritiba por 3-0. O Fluminense continua a sua caminhada de miséria, e levou mais uma goleada por cinco bolas a uma em Porto Alegre, frente ao Grêmio. No derby carioca de maior interesse, o Santos-Botafogo, acabou como começou: zero a zero. O Palmeiras e o S. Paulo lideram com 44 pontos, seguido do Inter com 43, Goiás com 42, Atl. Mineiro, 41, Grêmio PA, 39.

domingo, 20 de setembro de 2009

Resultados eleitorais


Foram perto de 150 mil eleitores, quase 60% dos eleitores inscritos, o que confirma que estas eleições foram mesmo as mais concorridas de sempre. A Comissão Eleitoral anunciou que existe mais um boletim nas urnas do que votos registados (!), devido a um lapso informático, problema que atrasou a divulgação dos resultados. Um momento embaraçoso durante a conferência de imprensa dada pela CE depois da meia-noite prendeu-se com uma pergunta do jornalista Pedro Maia, que precisou de se repetir três vezes, uma vez que o presidente da CE, Vasco Fong, não percebia o seu sentido. A pergunta prendia-se com a presença de elementos de listas em locais inapropriados durante a votação. O resto das perguntas prendia-se com minhoquices que foram uma autêntica perda de tempo: acesso dos jornalistas à filmagem das mesas de voto, uma ou outra mesa onde as coisas aconteceram de forma diferente das outras, com uma forte insistência na fiabilidade, ou a falta dela, do sistema informático. Enfim, pevides. Vasco Fong parece ser uma pessoa acima de qualquer suspeita, a pessoa indicada para presidir à CE, mas demonstrou durante todo o processo ter muito pouca paciência para a imprensa. Um jornalista chinês fez a pergunta que estava na minha cabeça à bem mais de uma hora: quando saem, afinal, os resultados?

Os primeiros resultados divulgados foram os de Coloane, que deram a vitória a Pereira Coutinho (97 entre perto de 700 votos), percebia-se que talvez o eleitorado do NMD tivesse percebido a mensagem: Ng Kwok Cheong teve 58 votos, e Au Kam San 32. A verificar-se esta tendência no resto das mesas de voto, a “magia”do 1+1=4 era possível. As primeiras projecções chegavam quase à uma da manhã, e davam a vitória ao Novo Macau Democrático, mas com três deputados eleitos: Ng Kwok Cheong, Chan Wai Chi e Au Kam San. Chan Meng Kam e os operários elegiam dois deputados, Melinda Chan entrava na AL, e a dúvida persistia entre a eleição dos segundos candidatos das listas dos ka-fong, Angela Leong e Pereira Coutinho, e a eleição de Mak Soi Kun, da União Macau-Guangdong.

À medida que os resultados foram chegando, ficou-se a saber os 12 deputados eleitos pela via directa para a AL dos próximos 4 anos: Ng Kwok Cheong, Chan Wai Chi, Au Kam San, Kwan Tsui Hang, Lee Chong Cheng, Chan Meng Kam, Ung Soi Kun, Ho Ion Sang, José Pereira Coutinho, Angela Leong, Mak Soi Kun e Melinda Chan. Tal como se previa, Agnes Lam e Paul Pun, dois "outsiders", não foram eleitos. Casimiro Pinto e a sua "Voz Plural - Gentes de Macau" repetiu o desastre eleitoral da "Por Macau" em 2005.

Destaque para a cobertura dada pelo Canal 1 da TDM, que conseguiu entreter enquanto se esperava a chegada (atrasadíssima) dos resultados. Em estúdio com Jorge Silva estiveram o sociólogo Paulo Godinho, e os jornalistas Paulo Azevedo e Gilberto Lopes. José Carlos Matias teve a missão mais excitante, pois foi-lhe incumbida a tarefa de cobrir o resultado da divisão de listas do Novo Macau Democrático, na sua sede na Calçada de Sto. Agostinho. Em ambiente de festa, Lina Ferreira esteve na zona norte da cidade, onde Chan Meng Kam e os restantes elementos da lista 7 esperavam em melhorar o segundo lugar obtido há 4 anos. Rosa Serrano esteve no Hotel Lisboa, pnde Angela Leong primava pela ausência na altura da abertura das urnas. Hugo Pinto esteve com a Voz Plural no Restaurante Litoral, na companhia da nata, quer dizer, da elite, da comunidade macaense. Casimiro Pinto não foi eleito, mas voltou a falar da tal semente.

Nota negativa para a hora em que foram divulgados os resultados. A população que não trabalhou nas mesas de votos precisa de acordar cedo amanhã para mais um dia normal. Não há feriado pós-eleitoral, a cidade e as escolas funcionam normalmente. E com resultados divulgados de madrugada, é difícil incutir o interesse pela política. Volto amanhã com uma análise exaustiva e mais rigorosa dos resultados, e depois tirarei um dia de férias para recuperar horas de sono.

Dia de eleições


É hoje dia de eleições, que fica marcado pelo intenso calor que se faz sentir no território, com as temperaturas a atingirem os 34º C. Uma boa razão para ficar em casa, caso a mesa de voto se situe a uma distância considerável. No entanto, e até ao meio-dia, perto de 50 mil eleitores já tinham exercido o seu direito de voto, e prevê-se que estas sejam mesmo as eleições mais concorridas de sempre.

Fui votar perto do meio-dia no Instituto Salesiano, e não fiquei na fila. Quando cheguei à mesa de voto entreguei o cartão de residente, e nessa altura houve uma avaria no sistema informático, sanada depois de 15 minutos. Os elementos que trabalhavam na mesa explicaram o problema com simpatia, na presença do director dos SAFP, José Chu, e do presidente da Comissão Eleitoral, Vasco Fong. Um dos eleitores que aguardava o reboot do sistema usou o telemóvel, o que não é permitido. Aí explicou que precisava de ir para Hong Kong, e que estava a avisar a família. Os elementos da mesa eleitoral preparavam o almoço, que já passava das 12 horas.

De seguida foi-me entregue o boletim de voto, que era bastante comprido. Existiam oito cabines de voto, incluíndo uma para deficientes motores, e um carimbo preso por um cordel em cada uma. Carimbei a minha lista preferida, e deixem-me dizer que ficou muito bonito; até parece que o sinal de visto ficou imprimido no boletim. Depois de exercer o meu direito de voto, deparei com alguns jornalistas à saída, que provavelmente não se aperceberam do erro no sistema. No Especial Informação da TDM às 12:30 não se fez qualquer menção, e até se disse que "em toda a parte a votação decorre normalmente".

O que mais estranhei de tudo isto é a aglomeração de pessoas que se verifica à saída dos locais de votação. O que está aquela gente toda ali a fazer? Querem ver chapada? Detenções? Ou estão apenas à espera de algum brinde? Com tanta polícia ali perto, não sei porque não foi dada ordem para dispersar, e circular. Tenho a certeza que não eram agentes do CCAC à paisana, que esses são facilmente identificávei pelos auriculares e pela cara de caso. As urnas fecham às 21 horas, e esperam-se os primeiros resultados a partir das 23. A TDM vai lavr a cabo um programa especial.

Lauda foi pai de gémeos


Niki Lauda, 60 anos, tri-campeão mundial de Fórmula 1 e proprietário da sua própria companhia aérea, a Lauda Air, foi pai de gémeos. A sua mulher, 30 anos mais nova, deu à luz na sexta-feira um casal, que se chama Max e Mia. Lauda tem dois filhos da sua primeira mulher, Marlene, de que se divorciou em 1991. O ex-piloto austríaco é conhecido pela sua face desfigurada, fruto de um acidente no GP da Alemanha em 1976, num mundial em que perdeu o título para James Hunt por apenas um ponto. Na altura Lauda fez uma operação de reconstruço facial apenas para que as suas pálpebras funcionassem normalmente, mas nunca se importou muito com a restantes aparência, ou o facto de não ter cabelo e uma orelha. Sobre a paternidade, Lauda disse: "O que é que um jovem sabe sobre arrotos e trocar fraldas? Eu agora sei! Ainda estou em forma e longe de ficar senil", citado pelo "Daily Mail".

O show Barcelona


O Barcelona continua a vencer, e a golear. A vítima desta feita foi o Atlético de Madrid, com os catalães a despacharem os colchoneros com um expressivo 5-2. O inevitável Messi marcou por duas vezes, Ibra, Daniel Alves e Keita marcaram um cada. Forlan e Aguero amenizaram a goleada para o Atlético, que continua em crise de resultados.

Braga vence Porto


O Sp. Braga confirmou a liderança da Liga Sagres ao bater o FC Porto por uma bola a zero, num golo muito esquisito de Alan (que completou ontem 30 anos), com um cruzamento de fora da área que beneficiou de um desvio de Silvestre Varela. O Braga de Domingos Paciência conseguiu a quinta vitória em outros tantos jogos, e confirmou o melhor início de época de sempre.

sábado, 19 de setembro de 2009

Resultados da sondagem


Terminou a sondagem Eurotest/Bairro do Oriente (bem, sem a Eurotest, mas pronto). O grande vencedor da pergunta "Qual das duas listas pensa servir melhor os interesses da comunidade portuguesa em Macau?" foi a lista Voz Plural - Gentes de Macau, de Casimiro Pinto, com 84 votos contra 42 - o dobro. Uma tendência que não se deve confirmar amanhã nas urnas, uma vez que Coutinho será eleito com quase 100% de certeza, enquanto Casimiro Pinto deverá ficar longe de garantir um assento na AL.

Na questão sobre a estratégia eleitoral do Novo Macau Democrático (NMD) em desdobrar-se em duas listas, a maioria dos leitores do Bairro do Oriente acha que não vai resultar. Dezanove leitores acham que o NMD vai-se afundar nas urnas, e perder um deputado, enquanto 22 acham que vão manter os dois lugares no hemiciclo. Isto vale por dizer que 61% dos participantes da sondagem não acreditam que a divisão em duas listas vá ajudar Ng Kwok Cheong e Au Kam San. Apenas 6 leitores (9%) acha que o NMD vai por aí fora e ganha os quatro lugares pensados pela estratégia.

Quanto às senhoras, Melinda Chan ganha maioria absoluta. A candidata da lista 5 é a mais bem colocada para ganhar um lugar na AL de acordo com 37 dos 71 votantes, conseguindo 52%. Agnes Lam ficou em segundo lugar com 22 votos, e Rita Santos em terceiro com apenas 12 votos. Amanhão confirmamos estes indicadores e outros na noite eleitoral que será seguida com atenção no Bairro do Oriente.

Os blogues dos outros


Eu bem sei que não há sondagens em Macau e eu não jogo e detesto jogar.
Mas sendo Macau uma terra de Jogo, porque não deixar também uma aposta? Depois, o Devaneios também tem as suas fontes, não é? E até já revelei que a primeira é sempre a do Lilau....Assim sendo, e sem mais demoras, aqui fica a aposta para os resultados eleitorais nas eleições de domingo: As listas afectas aos tradicionais, Moradores e Operários, vão eleger um deputado cada uma (têm um eleitorado consolidado que lhes dará essa segurança); Chan Meng Kam, e a malta de Fujian, manterão os dois que conquistaram nas últimas eleições (idem, aspas, para o que se disse acerca dos tradicionais, uma vez que o eleitorado que votará nesta lista não irá variar muito);
Os democratas vão conseguir eleger quatro, dois em cada lista, apesar das broncas dos últimos dias (estou cá a adivinhar que o tiro vai sair pela culatra a quem quer que o disparou e que vai é dar origem a alguma simpatia para com as "vítimas" que vão capitalizar sobre as "desgraças".......); Melinda Chan e Ângela Leong serão eleitas porque conseguirão arregimentar os votos suficientes para tal na área do Jogo; Pereira Coutinho, obviamente, também vai ser eleito. Quem tem estado a contar, já chegou à conclusão que falta um deputado para compor o ramalhete dos eleitos directamente. A minha aposta vai para uma luta cerrada entre os Operários, os Moradores e Pereira Coutinho para conseguir esse deputado. A "novidade"Agnes Lam não chegará aos Lagos Nam Van porque carinha laroca, simpatia e imagem fresca não chegam para tanto; Paul Pun continuará com aqueles milhares de votos que, se calhar, até davam jeito a muito boa gente (passe o paralelismo, é um bocado o milhão de votos do Alegre em Portugal, que não lhe serve para nada mas dava muito jeito a outros......); a Voz Plural continuará com os 600 a 800 votos que as "irmãs" mais velhas tiveram;dos outros marcianos não espero grandes surpresas, pese embora aquela lista 3 seja assim uma espécie de melancia que, só depois de aberta, é que se vê bem o que é que está lá dentro....Assim sendo, mantenho a ideia que o outro deputado sairá daquela luta a três. E estou cá com um feeling que a Rita vai ter que esperar por outra oportunidade....Ficavam assim quatro da área do Jogo, dois ou três tradicionais, cinco ou seis democratas. Não vai fugir muito disto que isto não está para revoluções. Segunda - feira a gente fala.


Pedro Coimbra, Devaneios a Oriente

Um artigo sobre a Voz Plural - Gentes de Macau que teria sido criado na Wikipedia foi apagado daquela enciclopédia online por dois contribuidores seniores, em virtude de «não ter conteúdo relevante» (article that has no meaningful, substantive content) e por «não indicar a importância ou significado do seu objecto» (article about an eligible subject, which does not indicate the importance or significance of the subject).

Nuno Lima Bastos, O Protesto

Se o vosso chefe vos pedisse que estoirassem um automóvel contra uma parede a 200 km por hora, para que parte é que o mandavam (ao chefe, bem entendido)? Exactamente!, eu mandá-lo-ia precisamente para o mesmo sítio. Porém, Nelsinho Piquet Jr. parece que não pensa da mesma forma. É rapaz de muita coragem e nenhum escrúpulo - uma combinação do caraças, convenhamos. Primeiro foi mandrião e trapaceiro, agora passa o tempo a choramingar. Se o pai lhe tivesse deixado as nalgas vermelhas de uns açoites bem aviados quando o razote era mais moço, talvez ele não se metesse nestes acidentes de proa; nem noutros em que prefere ser abalroado pela popa.

VICI, MACA(U)quices

น้ำผึ้งสวนจิตลัดดา = Nam Pheun Suan Chithlada quer dizer em português mel do pomar do palácio real de Chithlada. Durante séculos, a apicultura foi uma das mais nobres actividades profissionais do Sião. Os apicultores eram tão respeitados que lhes era dispensada a prestação de quaisquer corveias. Porém, em finais do século XIX, com a invasão de produtos estrangeiros - que também desbarataram as produções locais de sedas e tecidos, ourivesaria, cerâmica e utensílios - o mel desapareceu dos mercados. A Índia britânica, as Índias Orientais Holandesas e a Indochina Francesa encontraram no Sião um frágil concorrente, levando os ofícios à falência. O mel, que fora um dos principais condimentos gastronómicos da cozinha thai, passou a ser produto raro e inacessível. Nos anos quarenta, o actual Rei criou nos terrenos adjacentes ao palácio de Chithlada uma exploração agrícola-piloto e aí desenvolveu ao longo de décadas - em estrito espírito cooperativo - a sua teoria económica da auto-suficiência, hoje gabada por todos, porquanto não estribada no proteccionismo. A experiência foi bem sucedida e aplicada um pouco por todo o país. Hoje, para quem quiser o mel barato e sem outra "marca" que as armas reais - símbolo de qualidade - vai ao bazar e compra uma bisnaga de Suan Chithlada (0,60 Euro). É assim que se protege o povo, se dá trabalho aos produtores e se garante a liberdade económica de um país. Se nos lembrarmos de Portugal, fazia falta um Pomar Chithlada em Lisboa. Só de pensar que as prateleiras dos mercados portugueses estão cheias de lixo espanhol, francês e holandês dá-me uma dor de coração. Por cada prateleira de produtos estrangeiros, há uma exploração portuguesa em risco.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

Não tenho especial habilidade para relatar acasos do quotidiano. Não sei porquê. Provavelmente a condição deriva da minha falta de «especiais habilidades» para uma série de coisas. No entanto, arrisco um infeliz relato por achar que o relatado é por de mais importante. Andava eu, hoje, num transporte público – não, não vi o Louçã – quando começo a ouvir, lá longe, umas vozes elevadas de mais para o habitual. Presto atenção ao que é dito e apercebo-me que é uma senhora de meia-idade com uma criança no seu colo sentada quem faz a chinfrineira. Em causa estava a brasileira que se sentava ao seu lado e que nas suas quase doentias palavras brutas era «baixa» como todas as outras brasileiras, um «tapete», disse ela. Não se ficou por aqui. Piscou o olho a todos os imigrantes, gritando naquele antro de mofo e suor que para Portugal só vinha «chungaria», só vinha porcaria. Fez questão que todos soubéssemos que ela, portuguesa nascida em Portugal, não gostava um pedacinho que fosse de um exótico sotaque do Maranhão ou de uma sensual carapinha no alto da cabeça. Enojou-me francamente ver aquela triste mulher apelando a um ódio irracional – como quase todos são – em relação a pessoas que pura e simplesmente nasceram uns quilómetros mais para o lado no quadrado que deverá ser o mundo na sua cabeça. Para além de enojado, fiquei triste e preocupado. Triste e preocupado por me aperceber que a pequena criança que viajava no colo da odiosa senhora se apercebia de tudo; por imaginar que aquele pequeno daqui a uns anos, pela educação que de casa leva, será mais um infeliz racista. Será mais um triste fazedor de infelicidade.

Tiago Moreira Ramalho, Corta-Fitas

Um Presidente da República que manda fazer uma história jornalística para denegrir um primeiro-ministro? Um assessor do Presidente que se comporta como um vil controlador de informação? Jornalistas que se rebaixam a um comportamento repugnante e que se embriagam sabe-se lá com que benesses? Um primeiro-ministro que envia um assessor para espiar o Presidente da República? Um assessor de primeiro-ministro que se disponibiliza para cometer os actos mais inverosímeis da prática política? Um director de jornal que apoia um comportamento ignóbil de um seu subordinado? Um director de jornal que publica uma história sem ter a certeza da total veracidade dos factos e que coloca em causa a estabilidade das instituições nacionais Presidente da República e Governo? Não, isto não pode ser verdade. Não acredito no que leio. E a ser verdade, exige-se, no mínimo, a resignação e demissão do Presidente da República, do primeiro-ministro, dos assessores de ambas as instituições nacionais que integraram a "paranóia", os directores dos diários 'Público' e 'Diário de Notícias' e os jornalistas que estiveram envolvidos neste escândalo.

João Severino, Pau Para Toda a Obra

O Presidente do Irão voltou a negar, de forma totalmente irresponsável, a existência do Holocausto. Falando perante milhares de apoiantes em Teerão, Ahmadinejad desceu hoje ao nível de qualquer cabeça rapada neonazi proclamando que o extermínio de judeus pelo regime hitleriano “é uma mentira baseada numa história mítica e impossível de provar”. Na próxima semana, este indivíduo irá discursar num dos palcos mais respeitáveis do planeta - a Assembleia Geral das Nações Unidas. É intolerável que alguém que acaba de insultar a memória de seis milhões de mortos nas câmaras de gás do nazismo possa falar ali, como se fosse um estadista, sem um protesto categórico da comunidade internacional. Nesta matéria, não existe qualquer direito à indiferença.

Pedro Correia, Delito de Opinião

As justificações para o TGV vão ao sabor do momento político. Antes da crise o TGV era um investimento totalmente privado em que o Estao entraria, quanto muito, com uma pequena parcela. Durante a recessão passou a ser investimento público substituto da procura interna para combater armadilha de liquidez. Entretanto, e segundo o governo saímos da recessão sem a ajuda do TGV. O TGV passou a ser uma forma de ajudar à retoma. Às vezes é investimento público, mas ontem Mário Lino já dizia que 50% é investimento privado. Também dizia que o TGV se ia fazer para combater o endividamento e o défice externo (porque alegadamente substitui importações de combustível). Entretanto, nos seus melhores dias, o Primeiro-Ministro consegue dizer que o TGV é para nos ligarmos à Europa ou para sermos modernos. Mas em nenhum momento o governo consegue desmentir o óbvio: o TGV só é viável se for fortemente subsidiado.

João Miranda, Blasfémias

José Manuel Fernandes foi à SIC Notícias contar tudo e mais alguma coisa. A fazer fé nas suas revelações, estamos perante um caso simples e cristalino. Algures no tempo, a Presidência da República Portuguesa, oficiosamente, entregou ao jornal Público informação relativa a um indivíduo suspeito de espionagem a mando do Governo. Estamos em Abril de 2008. O jornal tem dúvidas e decide investigar antes de publicar a notícia. Passados 17 meses, o próprio Presidente da República, agastado com algumas declarações de 2 dirigentes do PS, os quais comentavam o conhecido envolvimento da Casa Civil na elaboração do Programa do PSD, ordenou ao Público que publicasse a notícia das escutas. O caso era agora oficial, o jornal obedeceu. Foi isto, e exactamente isto, que o Zé Manel disse à Ana Lourenço, essa carinha laroca. á estávamos de papo cheio, pois a história da existência de uma fonte da Presidência que fala em nome de Cavaco – nexo confirmado pelo director do Público, entre outros jornalistas, e email publicado no DN – para lançar uma teoria da conspiração em período eleitoral, chega para nos entreter ao serão. Mas o Zé Manel tinha mais para contar. É que ele está a tentar completar um puzzle. Uma das peças principais é o nosso agente no Funchal, Rui Paulo de Figueiredo. Este malandro, explicou o Zé Manel, tem ligações perigosas com a Maçonaria e com os serviços de informações. Portanto, cá está, o gajo não pode ser bom. E continuou a abrir o livro, num crescendo espectacular: a investigação do Público, começada num café discreto da Av. de Roma, aponta agora para o Sistema Integrado de Segurança Interna, entidade que o Zé Manel disse ser potencialmente perigosa, assim se justificando uma complexa operação que iria requerer certezas a 200 e 300% dado o melindre do assunto em causa. Isto foi mesmo dito publicamente, no mesmo dia que tinha começado com a acusação ao SIS. Ora toma, embrulha e leva para o Sócrates e respectiva máfia. Que tal? Satisfeito? Espera, falta a pulhice final. Confessou que muito dificilmente se poderia vir a descobrir algo de substantivo, dada a natureza do caso e do que estava em causa. Por isso, e só por isso, ainda nada tinha sido publicado no jornal. Este relato era entremeado com sorrizinhos e risinhos, o que pode ser apenas a normal expressão da sua tensão nervosa, como pode ser a expressão do seu divertimento, quem souber que responda. E, súbito, apareceu ao telespectador a peça final do puzzle. Era o próprio Zé Manel. Ei-lo, o assumido executor da conspiração ao serviço da Presidência, o qual acabava de atear a suspeição máxima acerca do regime com o desprendimento e leviandade de quem se queixa de Paulo Bento. E pronto, estava o serviço feito. O eleitor ouvia à tarde Cavaco a reconhecer os problemas de segurança, e à noite tinha a versão detalhada e pícara pelo Zé Manel. Agora, era só agitar com a Manela e juntar asfixia democrática e medo em doses cavalares. Obviamente, e mesmo que saia do Público, não lhe irá faltar trabalho. Embora não saiba bem qual o nome a dar ao seu talento, é inquestionável que o pulha tem talento.
Estando o puzzle completo, podemos ver a figura acabada. É a do actual Presidente da República Portuguesa, um homem que jurou cumprir a Constituição.


Val, Aspirina B

Por maiores que tenham sido os conflitos institucionais entre presidentes e primeiros-ministros nunca um Presidente da República foi tão longe na tentativa de desestabilizar a democracia com o objectivo de criar condições para chamar a si o protagonismo político. A ser verdade a notícia do DN sobre o envolvimento de um assessor na montagem de uma falsa notícias pode dizer-se actuação de Cavaco Silva viola todos os princípios da ética. Cavaco já não preside, dirige uma matilha de assessores que desde há meses que procuram desestabilizar a democracia. Resta esperar que Cavaco consiga levar o seu mandato até ao fim.

Jumento, O Jumento

Não percebo porque é que há quem se indigne com um Festival de Cinema Gay e Lésbico. Houve um festival de cinema sobre bicicletas e ninguém se insurgiu. No entanto, de todas estas temáticas, a única que já causou estragos no meu traseiro foi precisamente a bicicleta!

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Conversas com o meu filho: Persepolis


Estávamos esta tarde a ver "Persepolis", um filme que andava para ver há muito tempo. Uma alternativa engraçada a ficar a tarde toda a olhar para o compacto de "Tudo por amor", no canal 1 da TDM. Este filme conta alguns momentos quentes da história do Irão dos últimos 30 anos. É triste que um país onde antigamente as pessoas gostavam de viver tornou-se num inferno onde malucos apontam armas uns aos outros. No fim do filme virei-me para os miúdos e disse-lhes: "Vêem? Os meninos do Irão não têm liberdade". A minha filha replicou: "Pois é, pai. Coitados...". E o meu filho, sempre mais filosófico, pergunta: "Pai, o que é a liberdade?".

Volta à China


PEQUIM - A população da China vai atingir os 1500 milhões em 2033, noticiou a Chinanews.com. A Comissão de Planeamento da População e da Família anunciou que a população actual cifra-se nos 1320 milhões, e chegará aos 1500 milhões se a taxa de nascimentos de mantiver nos 1,8%. Nascem 16 milhões de bebés na China anualmente.

ZHEJIANG - Um homem de Ningbo foi detido depois de ter picado uma criança com um palito. O jovem entrou em pânico e fez queixa à polícia depois de ter pensado que se tratava de uma seringa. Isto na sequência das notícias de ataques com seringas a chineses de etnia Han na província de Xinjiang.

SHAANXI - Duas universidades de Xian fecharam temporariamente depois de terem registado 59 e 22 casos de Gripe A, respectivamente. Todos os estudantes, professores e funcionários da escola estão de quarentena. Também em Xian foram detectados casos em 12 escolas primárias e infantários.

TIBETE - Dez pessoas morreram e seis ficaram feridas quando um camião que levava dezasseis passageiros capotou depois do condutor ter batido numa lomba na estrada durante a noite, quando a visibilidade era muito fraca. Cinco pessoas tiveram morte instantânea e as restantes morreram a caminho do hospital.

LIAONING - Um homem que foi condenado a três anos de prisão por ter esfaqueado outro até à morte viu a sua pena suspensa por cinco anos. O homem alegou que a vítima, juntamente com outras pessoas, entraram na sua casa em Maio último e começaram a destruí-la, daí que ele se tenha "defendido" com a faca. O homem fugiu mas entregou-se às autoridades um mês depois.

HENAN - Um homem de Nanyang foi detido depois de ter atingido a filha do seu vizinho, de dois anos, com uma seta. O homem tentava afastar um gato dos pássaros no seu jardim com um arco, e atingiu acidentalmente a menina, que brincava em frente. Os médicos dizem que a menina pode vir a sofrer de paralisia irreversível.

HUBEI - Um homem vai processar o pai biológico do seu filho. O homem descobriu que a sua mulher foi violada pelo patrão há 12 anos e ficou grávida, e resolveu fazer um teste de ADN para confirmar a paternidade. O homem desconfiou depois de ter reparado que o filho não era nada parecido com ele.

ANHUI - Um homem de 46 anos do distrito de Laian tem a pele mais rija da China. Um jornalista do Anhui Markey News foi convidado a testemunhar uma prova em que o homem tentava perfurar a pele com um berbequim, sem que se tivesse magoado. O homem usou o berbequim próprio para furar madeira na cabeça e em outras partes do corpo, sem que a broca lhe conseguisse perfurar a pele. O homem diz não ter sentido nada.

GUANGDONG - Um homem foi preso em Shenzhen depois de ter espancado a sua filha de cinco anos até à morte. A sua mulher disse que a menina se recusava a ir dormir, e o homem agrediu-a repetidamente com um cabide de roupa.

O regresso de Whitney Houston


Whitney Houston está de volta com um novo álbum "I Look to You", sete anos depois de "Just Whitney", o seu último disco de originais. Aos 46 anos, Whitney regressa depois de problemas com depressão e consumo de alcool e drogas, para que também ajudaram o seu marido, o cantor Bobby Brown, um monte me merda sem talento. E a capa do disco é o mais assustador: a diva de "Bodyguard" ou "The Greatest Love of All" tem 46 anos, mas aparenta uns 60. Boa sorte para ela e que encontre o seu caminho.

The Hangover


Um filme que tive oportunidade de ver ontem e que foi uma agradável surpresa. "The Hangover" tinha todos os sintomas de mais um daqueles "raod movies" americanos que já começam a enjoar, mas é muito mais que isso. Quatro amigos viajam até Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles. Lá chegados, aantes de sair para a noite, tomam flunitrazepano (conhecidos por "roofies", a droga dos violadores) por engano, e no dia seguinte não se lembram de nada. Só que há um tigre na casa-de-banho, um bebé de seis meses no armário e o maior problema de todos: o noivo desapareceu. Vamos ver o trailer.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Notas finais da campanha


Hoje o Telejornal so canal 1 da TDM começou assim. Três jovens que alegadamente vão votar pela primeira vez sentam-se na escadaria das Ruínas de S. Paulo a falar das eleições de Domingo...em português. Falaram praticamente de tudo, ou melhor, daquilo que insistiam ser "muito importante", nomeadamente a participação cívica e afins. Foi muito divertido assistir, mas para que público se dirigia, exactamente?


Finalmente a suspeita de corrupção eleitoral veio manchar a campanha. O CCAC está a investigar uma das listas, mas não divulgou qual. Coincidência ou não, uma das listas admite ter tido recebido uma visita do Comissariado, que recolheu possíveis provas. As listas com falta de experiência e argumentos têm tendência para captar eleitorado desta forma, o que é suficiente para que se perceba que se trata de uma lista que não vai eleger qualquer candidato – porque não sabe como.


Hoje deu para ver todos os tempos de antena no canal 1 da TDM. Bem distribuído. Listas houve que fizeram um esforço colossal para ler o seu manifesto em português: as listas 4, 15 e 16. Ora se alguém escreveu (ou traduziu) aquilo para eles, custava muito arranjar alguém que lesse, também? Eu nem me importava de fazer o favor de graça, assim em jeito de voice-over. Ng Kwok Cheong, Jason Chao e Paul Pun abriam a boca, mas era a minha voz que se ouvia. Não por qualquer tipo de simpatia partidária, mas por amor à língua de Camões.


Continuo a sentir-me triste e deprimido por algumas listas não me ligarem nenhuma. As tradicionais fingem que sou invisível, os democratas só me dão folhetos depois de muita hesitação, e os único que me abordam, cumprimentam e fingem que me conhecem de algum lado são as listas de Coutinho e Casimiro Pinto. E ainda se diz que não existem listas tendencialmente étnicas. Daqui a quatro anos vou passer a usar uma t-shirt onde se lê: “SOU ELEITOR! EU VOTO!”. Assim fico a conhecer melhor as propostas de todos os candidatos.


Neste último dia de campanha, recebi várias mensagens no telemóvel, uns em chinês e outras em português. As listas apelaram aos seus eleitores (isto é o que acontece quando se pertence a associações) para que não se esqueçam de votar no próximo Domingo. Algumas escreviam que “não tinham votos suficientes, e precisam do seu apoio”. Outras mais alarmistas e directas diziam simplesmente “URGENTE! Amigo, precisamos do seu voto. Não temos votos suficientes”. Ou seja, o acto eleitoral propriamente dito ainda não começou, mas já se contam os votos. Aposto que a esta hora já estão pessoas acampadas à boca da urna até à manhã do próximo Domingo, tão ávidas que estão de “ajudar”.


Lei Kin Yun é o Falâncio de Macau. O nº 2 da lista 9, Associação Activismo para a Democracia, anda sempre de microfone em punho, gritando palavras de ordem contra a corrupção, compadrios de vários tipos e a falta de aquários e zoos em Macau. À vista o rapaz até parece normal, e já tive oportunidade de falar com ele duas vezes. Mas é um animal de palco, que se transforma quando a voz lhe começa a sair pelos altifalantes. O jovem reclama que foi atacado à porta de casa com tinta e ketchup! Isto é escandaloso! Não só é um ataque a um candidate como também um desperdício de comida! O seu nº 1, Ng Sek Io, é “trabalhador da construção civil e trabalhador social”, segundo o seu perfil de candidatura. O homem constrói não só prédios, mas também a sociedade.


Amanhã é dia de reflexão, dia de assimilar tudo e escolher em consciência a lista que melhor servir os interesses de Macau. Espero que os leitores tenham gostado desta (modesta) cobertura da campanha, e tal como eu votem em consciência. A rubrica "Os blogues dos outros" é publicada amanhã, assim como todo o resto da programação habitual. Lembrava ainda que amanhã é o último dia que pode votar no inquérito-de-bolso que o Bairro do Oriente promoveu, ali à direita no topo do ecrã. Bom fim-de-semana e toca a reflectir!

Mulheres de armas


A terceira pergunta do pequeno inquérito que conduzi durante esta semana no blogue prende-se com a importância das mulheres na política. Cotas à parte, estamos bem representados, ora durante os últimos 20 anos em que foram duas senhoras que presidiram à AL, ora no números de sras. deputadas que se sentaram no hemiciclo. Este ano há três que querem entrar pela primeira vez, e outra que se recandidata. Vamos analisá-las.


Rita Santos é a versão eleitoral da 50 ft woman. Está em toda a parte, e como demonstra a imagem, agiganta-se para ajudar os mais pequeninos. Achei particularmente engraçado ter visto a Rita em campanha, a dizer que as pessoas falam com ela, que lhe dizem que a conhecem, e admiram a sua coragem e etc. Também muita gente que me diz o mesmo, apesar de ninguém me conhecer. A gente ouve aquilo que quer ouvir, não é?


Melinda Chan é uma jóia de pessoa. Na imagem mais baixa que o seu marido David Chow, graças às maravilhas da tecnologia, a senhora sabe falar, sabe comportar-se, é uma doçura. Não sei se vai capitalizar nos votos obtidos pela lista apoiada pela CODEM há quatro anos, mas tenho a certeza que cativou muitos novos eleitores.


Agnes Lam, que vi hoje em pessoa, não tem mais que um metro e meio. Na verdade acho que estou a exagerar. Se for eleita, vai ser preciso colocar uma cadeira mais alta na AL. Ainda não ouvi ninguém dizer que acha que Agnes Lam vai ser eleita, mas gostava que fosse. Era um verdadeiro teste à autenticidade da grande comunicadora que é. Será que iamos ter os direitos dos animais finalmente defendindos no hemiciclo? Infelizmente, os animais não votam. Alguns, quer dizer.


Finalmente Angela Leong. Sei quem é: é a senhora dos casinos. Foi eleita há quatro anos e quer agora juntar o seu nº 2. É a quarta mulher de Stanley Ho. É a proprietária de algumas famosas casas de petisco, como o Angela Café no New Yahoan, e aquela coisa de comida “portuguesa” junto do Jardim da Amizade. Só que infelizmente não sei o que pensa. No sei quais as suas ideias, até que para tal prescindiu to tempo de antena em português no canal 1 da TDM. O seu programa não vi; só vi balõezinhos giros em forma de girassol. É realmente uma pena.

Gato Fedorento Esmiuça o Sufrágio


Ontem foi a vez de Francisco Louçã ser esmiuçado pelos Gato Fedorento. O líder do Bloco de Esquerda esteve bastante descontraído, e mostrou um lado menos "negro" da sua personalidade. É bom existir um líder sóbrio num partido de...bem, vejam a entrevista.

Benfica e Sporting vencem, Nacional perde


Os grandes de Lisboa entraram a ganhar na 1ª jornada da fase de grupos da recém criada Liga Europa, uma espécie de Liga dos Campeões dos pobrezinhos. O Benfica bater em casa o BATE Borisov por duas bolas a zero, o que deixa pensar que se calhar V. Setúbal e Belenenses são demasiado fracos para o campeonato bielorusso. O Sporting foi aos Países Baixos bater o Heerenveen por três bolas a duas, com um "hat-trick" do "português" Liedson. O Nacional perdeu em casa com os alemães do Werder Bremen, u cliente habitual das lides europeias, e também por três bolas a duas. Noutros jogos destaque para as derrotas da Lazio e do AS Roma, em casa frente ao Salzburg (1-2) e em Basel (0-2), respectivamente. O Everton, do mesmo grupo do Benfica, entrou a golear o AEK Atenas em Liverpool.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Brindes dos candidatos nossos


Hoje gostava de falar das porcarias, perdão, os brindes que se têm distribuído nesta campanha eleitoral. Tenho colecionado posters, porta chaves, pacotes de lenços, calendários, garrafas de água e balõezinhos. Tem sido uma alegria. O problema é que ninguém me quer. Ninguém quer o meu voto, a não ser o Casimiro & Coutinho Cia. Lda., que se apercebem logo que sou um “português” em apuros, e têm a certeza que vou votar num deles. Os sectores tradicionais ignoram-me porque sabem que não vou votar neles, e os democratas olham para mim como se fosse um turista. É difícil ser kwai-lou em Macau durante as eleições.

Mas acontece que sou um eleitor, interessam-me todos os programas e quero votar em quem faz bem a Macau, não em quem faz bem só a mim e aos meus. Sei que este é um conceito peregrino por estas bandas, mas lá vou ponderando com muita calma em quem melhor defende os interesses da população em geral, e não apenas o seu grupo social ou os membros da sua associação. Mas quanto a isto dos brindes, que vou pedindo, destaco os guardanapos de papel. Aquilo dá um jeito tremendo se sofremos um aperto no meio da rua e temos que ir a um daqueles restaurantes que não tem papel higiénico. Mas quem sabe se numa época onde aumentam os casos de Gripe A, não seria melhor oferecer, além dos lencinhos, máscaras cirúrgicas com a estampa da lista?

Em termos de higiene e afins, acho que algumas listas perderam uma grande oportunidade de ser originais: e que tal preservativos? Tenho lido nas perguntas de bolso do Hoje Macau, feitas aos candidatos, que a maioria é contra o aborto, e alguns até se dizem a favor da “educação sexual”. Então e que tal dar o exemplo? Para o que não há pachorra é para calendários (que também são um criativo porta-cartões de visita) que só vão até Dezembro de 2009. Então e o futuro? Só vos interessa a curto prazo?

Ainda não tive a oportunidade de visitar as barraquinhas onde se realizam jogos e se ganham prémios. Mas se esses prémios são um t-shirt, esqueçam. São todas horríveis. Nenhuma das camisolas-uniforme das listas se safa, tirando talvez a camisola cor-de-rosinha da malta do Observatório Cívico de Agnes Lam. For sale? Por esta altura a Comissão Eleitoral e o CCAC não devem ter mãos a medir com a queixinhas, mas quanto a essa estória de não aceitar brindes, como é? Não seria muito mais fácil educar os eleitores para que percebessem, de uma vez por todas, que não são obrigados a votar em quem lhes dá coisas? Que o voto é secreto? Podem ficar por aí a colecionar tralha como eu, que não ficam a dever nada a ninguém.

Isto vai ao ridículo de haver um candidato que diz que “dá, mas os outros também dão”. Isto nem parece uma conversa entre gente adulta. A CE e o CCAC proíbem isto e aquilo, e os candidatos, espertalhões, arranjam uma forma de dar a volta ao texto. Será que é preciso contratar uma equipa de juristas para que daqui a quatro anos se deixem as regras do jogo bem claras? Preto no branco?

Até lá brindemos aos brindes dos "candidatos nossos". E pode ser com aguardente Aldeia Velha. Não sei porquê, mas aquele slogan "Elegemos os candidatos nossos" faz-me lembrar o velho anúncio do Aldeia Velha. E ainda não vi (nem vou ver, provavelmente) brindes em forma de joalheria ou numerário. Se calhar não é para o meu bico. Mas se isto for como diz Camões Tam, “money doesn’t matter tonight”, os eleitores não vão votar em quem lhes paga ou quem lhes serve a melhor jantarada. Vamos ficar a fazer figas para que assim seja.

Uma faca no pélvis


Os médicos em Jiangsu não conseguiram encontrar uma lâmina de 15 centímetros que está alojada no pélvis de uma mulher que foi esfaqueada há quatro meses. Shen Ping foi esfaqueada durante um assalto no dia 6 de Maio, e o assaltante atacou-a com uma faca, deixando a lâmina alojada numa cavidade da zona pélvica da senhora. A mulher queixava-se de dores em toda a cintura e sofre de uma infecção na bexiga. Os médicos não conseguiram localizar a lâmina, chegando mesmo a temer-se que tivesse sido absorvida pelo organismo (!?). Num hospital mais competente, em Xangai, a lâmina foi finalmente localizada através de uma máquina de ultrasom, e foi removida. Ufa!

Homens da luta agredidos no Seixal


Foi tudo abaixo no Seixal. José Sócrates de um lado, a revolução do outro. O que estava para ser apenas um acto de campanha de José Sócrates do Seixal acabou por se transformar numa dupla acção «política». De um lado, o líder do PS ao microfone, do outro, os humoristas «revolucionários» Neto e Falâncio ao megafone. O episódio - um verdadeiro monólogo de surdos - acabou com José Sócrates a partir incomodado e os «homens da luta» identificados pela polícia.

Já se adivinhava que esta não iria ser uma arruada normal. Antes da chegada do carro do líder socialista, os dois humoristas já espalhavam pregões, ainda em surdina, a quem se acercava deles, na avenida marginal do Seixal. Sócrates chegou e as câmaras dividiram-se. Umas deslocaram-se para o palco móvel. Mas maior parte colou-se ao megafone de Neto e à guitarra de Falâncio. Os dois tentaram furar entre as dezenas de apoiantes, disputando decibéis com líder do PS.

O tom revolucionário dos humoristas, conhecidos como «os homens da luta», não impediu José Sócrates de continuar a discursar. Mas encurtou-lhe a intervenção, em que deixou escapar o incómodo: «Não fazemos provocações em lado nenhum». «Estamos aqui a fazer uma campanha que não diz mal de ninguém, mas apenas para servir Portugal», disse.

Mas no Seixal houve mais do que verbos irritados. A segurança pessoal do primeiro-ministro e elementos do PS afastaram «Neto e Falâncio» a empurrão, a pontapés «descuidados» e a insultos. A dupla não desistiu. O primeiro subiu a uma paragem de autocarros, que se encontrava no local, continuando a disparar pregões panfletários em direcção ao palco móvel das alturas.

Na operação, partiu a cobertura da estrutura. O que levou um agente da PSP a identificá-los. José Sócrates deixou o local visivelmente irritado, sem achar graça à situação. Os humoristas juntaram mais um sketch à colecção e avisaram que Manuela Ferreira Leite também está na lista.

Hitler entra na campanha


Em Portugal. Este vídeo já levou legendas para tudo: Hitler quer uma PlayStation, Grêmio na Taça dos Libertadores, Inter campeão brasileiro. Enfim, a língua alemã dá para tudo...

Gato Fedorento Esmiuça o Sufrágio


Aborrecida, a entrevista a Paulo Portas ontem no programa dos Gato Fedorento. O presidente do CDS-PP apresentou-se num sstilo defensivo, conservador e paternalista. Outra coisa não seria de esperar de alguém que disse que não ia "ser tratado como um cão". Foi mais uma melga. Vamos aguardar pela entrevista com a sua nemesis, o dr. Francisco Louçã, que será certamente mais emocionante.

Arsenal dá a volta


O Arsenal viu-se e desejou-se para bater o Standard Liége por três bolas as duas. Os arsenalistas, em crise de resultados no campeonato inglês, via-se a perder por 2-0 aos 5 minutos, com golos de Mangala e Jovanovic, de grande penalidade. Bendtner, Vermaelen e Eduardo da Silva foram os autores da reviravolta no marcador, conseguida apenas nos segundos 45 minutos. Em Milão a montanha pariu um rato, com Barça e Inter a não irem além de um empate sem golos. Noutros jogos destaque para a vitória magra do Liverpool em casa frente aos húngaros do Debrecen, por uma bola a zero, e a vitória do Lyon em casa frente à Fiorentina, pelo mesmo resultado. As equipas estreantes entraram com o pé esuqerdo, com os romenos do Unirea a perderem por duas bolas a zero em Sevilla, os russos do Rubin Kazan a cairem em Kiev por três bolas a uma, e os holandeses do AZ Alkmaar a perderem pela margem mínima em Atenas, frente ao Olympiakos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

No reino do surreal


Estes últimos dias de campanha eleitoral têm sido marcados por acontecimentos mesmo estranhos. Mais estranhos que os virus no computador do Observatório Cívico de Agnes Lam, a tal dos “lindos olhos” (com franqueza…). Começou tudo por uns papéis colados nas paredes, passou pela internet e acabou numa verdadeira bomba. Por partes.

A deputada e candidata Kwan Tsui Hang ficou ultrajada com uns posters onde se faziam insultos à senhora, e acusavam-na de estar contra a compensação pecuniária anual (vulgo “as seis mil patacas”). Calúnias, pelos vistos, e a deputada fez queixa à polícia. Na internet espalhava-se difamação horrível por esses parasitas da sociedade: anónimos. Ora uma peta aqui, outra peta ali, e o facto de Au Kam San ser membro da Falun Gong e ser familiar de Chui Sai On ou qualquer coisa assim.

Se neste caso a internet é culpada como Judas, já no primeiro caso foram as paredes onde estavam colados os ditos insultuosos à sra. deputada. Se o cronista de serviço do jornal Va Kio acha que o que se passa na internet é "uma vergonha", eu também acho que as paredes deviam ser proibidas em Macau, pois podem-se lá afixar coisas mui injuriosas. Ou em melhor alternativa, se calhar as pessoas não deviam acreditar em tudo o que lêem. Aprendi esta lição quando era pequeno e li a Bíblia, onde se diz que somos todos descendentes de uns tais Adão e Eva.

Mas hoje deu-se o climax total de acontecimentos estranhos: um elemento do sexo feminino da Lista 15, desse mesmo Au Kam San, foi condenada a três anos de prisão por fraude e falsificação de documentos. Nesta altura, esta notícia é especialmente fantástica, pois destrói a credibilidade dos democratas a poucos dias das eleições. Hoje no regresso a casa encontrei o meu vizinho Ng Kwok Cheong, e perguntei-lhe o que se passou. Mandou-me simplesmente ir ver as notícias, que saberia de tudo. Não se sabe o que pode significar isto para o Novo Macau Democrático em termos de votos, mas não deve ajudar nada.

Em termos de acções de campanha, outras coisas estranhas. Primeiro o raspanete de David Chow, marido da candidato Melinda Chan, que convocou uma conferência de imprensa para atacar o empreendimento Windsor Arch, o tal que não viola leis nenhumas. A jornalista perguntou se o manifesto – muito bem redigido, por sinal – tinha alguma coisa a ver com a campanha. David Chow enfureceu-se e questionou se essa pergunta era justa. Ficou tudo em paz, depois. Entretanto Paul Pun, candidato e presidente da Cáritas, organizou uma festa para celebrar as contribuições que aquela associação fez às vítimas do tufão Morakot em Taiwan. Mais uma vez, nada a ver com a campanha.

Algumas lojas levaram puxões de orelhas por ter colado posters de listas nas janelas (sim, até a Farmácia Popular), mas a mão pesada não durou muito, existindo até um candidato a fazer uma campanha publicitária para a maior instituição bancária do território, onde até por acaso é gerente. Ontem encontrei uma menina filipina que trabalha para uma das listas, que muito apressadamente me entregou material de campanha, enquanto me dizia que estava "com muita pressa" pois ainda tinha muitos cartazes para entregar. Escusado será dizer que a menina nem direito a votar tem, quanto mais estar ali a trabalhar por amor à camisola.

O que não foi tão estranho é o que se passou durante o tufão Koppu. De louvar a iniciativa da lista 3 que ofereceu boleias a turistas e deu chapéus-de-chuva a residentes. Quem ficou mal visto mais uma vez foram os taxistas, que cobram quantias usurárias em tempos de tufão. Um daqueles postais de Macau. E lá vou ficando atento às “coisas estranhas”. E ainda se espera que as coisas se intensifiquem até Sábado, véspera das eleições.

Gato Fedorento Esmiuça o Sufrágio


Os Gato Fedrento continuam a esmiuçar o sufrágio, e ontem à noite entrevistaram Manuela Ferreira Leite. A entrevista é muito mais engraçada que a de ontem com o primeiro-ministro José Socrates. Gostei especialmente da pergunta sobre as PME's. Vide!

Porto perde, C. Ronaldo brilha


O FC Porto iniciou a presença na Liga dos Campeões com uma derrota em Stamford Bridge, frente ao Chelsea. Ainda no foi desta que os dragões conseguiram vencer em Inglaterra, mas jogaram beme foram apenas derrotados com um golo de Anelka no iníciod a segunda parte. O médio portista Fernando viu dois cartões amarelos, e no poderá ser utilizado no próximo jogo, bastante importante. A derrota dos portistas foi amenizada com o empate caseiro do seu rival mais directo, o Atlético de Madrid, frente ao APOEL Nicosia, a equipa teoricamente mais fraca do grupo.

Noutros grupos destaque para Bayern e Real Madrid, que golearam fora. Os alemães foram a Israel bater o Maccabi Haifa por três golos sem resposta, enquanto os madrilenos venceram em Zurique por cinco bolas a duas, com C. Ronaldo a marcar dois golos de livre directo. O Milão e o Manchester United também venceram fora, com os italianos a vencer em Marselha com dois golos de Inzaghi, e os ingleses a vencer em Istambul o Besiktas, com um golo solitário de Paul Scholes que contou com a ajuda do português Nani. O Wolfsburgo estreou-se com uma vitória 3-1 frente ao CSKA Moscovo, com 'hat-trick' do brasileiro Grafite, e a Juventus desiludiu a empatar em casa frente ao Bordéus, a uma bola.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Justiça em pó


Hoje queria falar de justiça, ou melhor, da falta dela. O caso Luís Amorim foi arquivado pelo Ministério Público sem que se fique a saber o que aconteceu àquele jovem de 17 anos naquela fatídica noite de 30 de Setembro de 2007, quando encontrou a morte em circunstâncias que provavelmente nunca serão apuradas.

Para os pais, que já regressaram a Portugal, este é mais um espinho cravado no seu coração. Ninguém pode imaginar a angústia que sentem uns pais que perdem o filho sem que saibam porquê, para quê, sem qualquer tipo de consolo em saber a verdade. A verdade, como já disse aqui, não vai trazer o Luís de volta, mas é para isto que serve, ou devia servir, a justiça: para que situações deste tipo não fiquem impunes. É difícil apelar a quem tem vivido com o peso desta morte na consciência nos últimos dois anos que faça o que devia ser feito, que confesse, ou que pelo menos alguém conte o que sabe.

A tese do suicídio, adiantada pelas autoridades, não faz qualquer sentido. Não porque o Luís fosse um rapaz feliz, amado por todos e em vias de prosseguir os seus estudos em Portugal, o que só por si já seria suficiente. Mas porque existem provas materiais e peritagem suficiente para garantir com segurança que não se tratou de suicídio. Por exclusão de partes, restam as teses de homicídio e acidente. Mas quem? E porquê? Nunca existiu realmente uma vontade de se apurar a verdade. Ou se insistem na tese do suicídio, que apresentem provas, factos, qualquer coisa que justifique o facto do rapaz ter posto fim à vida.

No despacho do MP lê-se que não é possível saber nada do que aconteceu. Nem se chegou à ponte Nobre de Carvalho vivo, ou se caíu, ou qualquer tipo de motivo. É como se a investigação criminal nem existisse em Macau. Recomenda ainda uma averiguação interna para melhorar as instruções de trabalho das autoridades no futuro. Futuro, esse, que já não existe para o Luís. Interessa realmente à sua família e amigos que "no futuro" a polícia actue em conformidade "para a próxima"?

Um dos comentários infelizes que tenho ouvido por aí é que "só se fala tanto no assunto porque a vítima era portuguesa". Não quero sequer pensar que se a vítima fosse local a sua família encolhia os ombros e ficava a pensar que "é mesmo assim, paciência". Mas se a vítima fosse americana, por exemplo, tenho a certeza que as autoridades dos Estados Unidos não paravam enquanto não fosse apurada toda a verdade sobre o que aconteceu ao seu cidadão. Aí talvez cantasse outro galo.

Mas connosco parece que vai ficar mesmo por aqui. Os eventuais recursos vão ficar a arrastar-se pelos corredores dos tribunais, e a angústia continuará a fazer parte do dia a dia da família que nunca vai querer desistir e esquecer o ente querido que perdeu estupidamente. A verdade, se alguma, vai ficar a ganhar pó no arquivo. Uma justiça assim mesmo, de pó, que enjoa e dá vómitos.

Koppu esteve aqui





O tufão Koppu, o mais forte do ano, passou por Macau e causou alguns transtornos, nada comparados contudo com a passagem do tufão Hagupit o ano passado, que deixou danos materiais consideráveis. O sinal nº8 de tempestade tropical foi içado ontem às 20:30, e baixado hoje pelas nove da manhã. Os serviços públicos estiveram encerrados da parte da manhã, retomando o seu funcionamento normal depois das 14:30. Para mim não fez diferença nenhuma, para ser sincero, uma vez que não fui trabalhar. Mas quem precisou de retornar ao seu posto de trabalho logo após o sinal nº3 ter sido levantado, encontrou um tempo lamentável. Ventanias que assobiavam, chuva forte, telhados de chapa que se levantavam. Nada que justificasse tanta celeridade em fazer a cidade regressar ao seu ritmo normal. Em Hong Kong, por exemplo, o sinal nº8 foi içado antes e baixado depois de Macau. Não sei quem controla esta situação no território, mas isto dos tufões não é brincadeira nenhuma. Existe alguma timidez em mandar as pessoas para casa, e uma certa pressa em que regressem ao local de trabalho. Era mesmo bom que não fosse preciso acontecer uma tragédia para mudar esta situação.

É velho e gay


O Governo ucraniano recusou a adopção de uma criança seropositiva de 14 meses de idade a Elton John e ao seu marido David Furnish. O Governo ucraniano considera que o cantor não está qualificado perante as leis ucranianas para adoptar a criança, pois é "velho" (62 anos) e homossexual. Elton John, que vive com Furnish desde 1993, nunca pensou em adoptar crianças, devido à sua agenda de espectáculos, mas diz que ficou deslumbrado com o pequeno Lev, o nome da criança seropositiva. A atitude do Governo ucraniano já gerou os protestos de associações dos direitos dos homossexuais e da comissão ucraniana de luta contra a SIDA, que considera que "seria bom se mais figuras públicas como Elton John imitassem o gesto". Fica para a próxima.

Meninos uruguaios têm um computador


Não é o Magalhães, mas todas os estudantes do Uruguai vão ter um computador portátil, vulgo "laptop". A campanha foi lançada em 2006 pelo presidente Tabare Vasquez e o custo total dos 400 mil computadores ronda os 120 milhões de dólares norte-americanos. Algumas regiões do interior do país têm acesso deficiente à internet, e cerca de cinco mil crianças não têm acesso, mas Miguel Brechner, presidente do Laboratório de Tecnologia do Uruguai, diz que o problema vai ser resolvido. A oposição criticou a medida, alegando que existem escolas a precisar de obras e saneamento, e que o dinheiro podia ser canalizado para estas necessidades. Mas eu digo deixem lá isso. Provavelmente o dinheiro nunca lá chegaria e assim as criancinhas ficam ligadas à net. Há alguma coisa mais importante?

Morreu Patrick Swayze


Morreu ontem aos 57 anos o actor Patrick Swayze, que se destacou nos anos 80 em filmes como "Dirty Dancing", "Roadhouse" ou "Ghost", onde contracenou com Demi Moore e Whoopi Goldberg. Swayze batalhava já há dois anos com cancro do pâncreas, e faleceu em casa rodeado pela família.

Emprenha pelos ouvidos


Ainda José Socrates. A jornalista Judite de Sousa divulgou no seu novo livro, "A Vida é um Minuto", que o primeiro-ministro "não gosta dela" por causa do seu marido, o presidente da câmara de Sintra Fernando Seara, afiliado no PSD. "Senti que foi agressivo, mal educado, arrogante", diz Judite de Sousa a propósito da forma como José Sócrates se comportou na entrevista que lhe concedeu em Abril. "Como nunca aconteceu nada entre nós, sou levada a crer que Sócrates deve ser daquele tipo de pessoas que emprenha pelos ouvidos", afirmou em entrevista à Revista Única. A única razão que vê para este comportamento é o facto de ser casada com Fernando Seara. "Há muito sectarismo e mesquinhice na política", afirma. E não é que há mesmo, Judite?

Gato Fedorento Esmiuça o Sufrágio


Os Gato Fedorento estão de volta com um programa sobre as eleições legislativas do próximo dia 24 em Portugal. O momento grande do programa foi a entrevista com José Socrates. Sim, o próprio, o primeiro-ministro de Portugal. Vale a pena ver.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Koppu aproxima-se de Macau


O tufão Koppu - que significa "copo" - encontra-se neste momento a pouco mais de cem quilómetros do território e desloca-se a 16 km/h para a costa de Guangdong. Prevê-se que esteja mais próximo de Macau entre as quatro e as cinco da manhã, estando neste momento içado o sinal nº 8, não se conhecendo qual será o sinal que estará levantado amanhã de manhã. Portanto o melhor é mesmo preparar-se para o trabalho ou escola, conforme o caso. Se o sinal nº 8 permanecer içado, pode voltar para a cama. Bom trabalho ou descanso, só Éolo sabe.

A hora da democracia (ou não)




Gostava que o actual Chefe do Executivo, Edmund Ho, viesse à televisão na noite antes do acto eleitoral do próximo Domingo, e que se dirigisse à população num jeito mais especial. Que lhes lembrasse que as eleições de dia 20 para a AL são mais do que escolher os 12 deputados eleitos por sufrágio directo. É uma espécie de avaliação à governação destes últimos dez anos, e um apelo à próxima administração. Macau tem agora duas escolhas: ou afirma a sua autonomia mantendo vozes discordantes no hemiciclo, ou estende a mão a uma inevitável aproximação à China, optando por uma via mais tradicional. Era importante que os eleitores votassem em consciência, e uma mensagem do actual chefe nesse sentido era uma garantia de que não eram obrigados a votar em ninguém.

Isto tudo para falar de um dos polos desta solução aquosa e gelatinosa: os democratas. A peleja da democracia de estilo ocidental em Macau começou a ser levada mais a sério muito depois de Hong Kong, onde uma consciência cívica e política existe desde o tempo em que Macau era uma espécie de quartel. A primeira democracia em Macau organizada por chineses concretizou-se na forma da eleição de Alexandre Ho nos anos 80, e depois de Tiananmen apareceu uma onda nova e modernaça que ousou chamar-se “Novo Macau Democrático”. Os democratas em Macau estão divididos em três grupos: os pró-democracia-package, os pró-bandalheira, e os pró-democracia-mas-vê-lá-se-não abusas.

Começemos pelo primeiro grupo. Porque será que o Novo Macau Democrático ganha sempre as eleições? Porque os seus eleitores – cada vez mais – vêem neles a última fronteira, uma espécie de Portas do Cerco ideológicas entre Macau e o outro lado. Por incrível que pareça (as manifestações são pouco comuns), existe um grupo de gente em Macau que não está ainda preparado para se integrar no outro lado. Sabem que eventualmente irão, mas têm as suas condições. São duros de roer. O NMD apresenta-se sempre ambicioso, e este ano desdobrou-se em duas listas para tentar eleger pelo menos mais um deputado, que se prevê que seja Paul Chan Wai Chi, nº 2 da lista encabeçada por Ng Kwok Cheong. Au Kam San vai provavelmente ficar a torcer para que o seu eleitorado perceba o objectivo desta estratégia, e consiga pelo menos o número de votos para ser eleito.

Depois o segundo grupo, o da democracia radical. Ng Sek Io apresenta-se como cabeça da lista 9, a Associação Activismo para a Democracia (AAD). O seu adjunto é o conhecido Lee Kin Yun, o rapaz que mais brigou com a polícia em Macau. Um valentão que faz lembrar aquela menina em Hong Kong, a Christine Chan (coitada…), que se dedicam a fazer tudo que a China não gosta. Deve ser só para chatear. Ng Sek Io diz que se for eleito vai investigar “toda a corrupção da actual administração”. Ia ser divertido. Os elementos do AAD acham que deviam existir em Macau “mais aquários, e um zoo”. Os candidatos do AAD usam um estilo semelhante ao League of Social Democrats de Hong Kong, onde pontifica Leung Kwok-hung, o famoso “longhair”. O estilo é semelhante, mas tanto os resultados como a base de apoio são desapontantes.

Depois o terceiro grupo, um grupo novo. Um grupo que cheira a novo. A favor da maior intervenção da classe média nas lides opinativas da política, a favor da diversificação da economia, da cultura e das artes, da força da juventude estudante universitária, pelos direitos dos animais e das criancinhas. Adivinharam, é o Observatório Cívico de Agnes Lam. O discurso é cativante e bem apresentado, não tivesse a sua cabeça de lista experiência adquirida como jornalista da TDM. Aquela ideia dos direitos dos animais é que continuo sem perceber, e porque James Chu aparece sempre com um cão ao colo. Os animais não votam e o eleitorado que anda com cães ao colo não será assim tão significativo para justificar algumas iniciativas. Até gostava que Agnes Lam fosse eleita, para que toda a gente percebesse do que se trata. Depois sempre me davam razão.

Deixei de fora os democratas das listas 2 e 14, a Nova Esperança e a Voz Plural, que têm as suas ideias assaz interessantes mas que não prendem a atenção do grosso do eleitorado. Pois é mesmo assim, são dois caminhos. Um que poderá ditar que o desempenho do actual executivo podia ter sido melhor, e pedir ao próximo que fosse mais cuidadoso. O outro diz que está tudo bem, e que continuem assim. Não digo que um seja melhor que o outro, nem estou a tentar influenciar o sentido de voto de ninguém, mas é ou sim, ou sopas. Gostava de recordar o leitor que existe uma pergunta relacionada com o desempenho do NMD nas eleições de Domingo, e que tem sido o menos votado dos três inquéritos. Agradecia a vossa participação. E como diz Au Kam San no tempo de antena da lista 15: “Obigada”.

Golos e emoção na Liga Sagres


Coisa rara, o campeonato português não teve qualquer empate e foram marcados 25 golos! Emoções para todos os gostos, com a sexta-feira a trazer a primeira vitória do V. Guimarães, e por 3-0 contra a Naval. No Sábado Porto goleava Leixões por 4-1 e Rio Ave vencia o Nacional por 2-0, com os vilacondenses a ocuparem um excelente quarto lugar, ainda sem derrotas. No Domingo o Braga vencia no Funchal o Marítimo por duas bolas a uma, chegando pela primeira vez na história à 4ª jornada em primeiro lugar. O Olhanense concretizava o excelente início de época com a primeira vitória, por 2-1 frente à Académica. O U. Leiria goleava o V. Setúbal no Bonfim por 4-0, deixando o treinador sadino Carlos Azenha em apuros. Quanto aos grandes de Lisboa, duas vitórias com sortes diferentes. O Benfica goleava o Belenenses no Restelo por 4-0, segunda goleada consecutiva e primeira vez em 8 meses que se registam três vitórias consecutivas dos encarnados. Em Alvalade, o Sporting volto a fazer uma exibição muito pálida frente ao P. Ferreira, e só conseguia o golo a dez minutos do fim pelo inevitável Liedson. Braga lidera com 12, Porto e Benfica 10, Rio Ave 8, Sporting 7.

Palmeiras e Inter perdem, S. Paulo aproveita


Mais uma jornada do campeonato brasileiro, esse espectáculo muito interessante. Palmeiras e Inter, os dois primeiros, perderam, e quem aproveitou foi o S. Paulo, agora colado na liderança. Os paulistas bateram o Avai em casa no Sábado, e mantiveram-se junto do topo depois das derrotas de Palmeiras e Inter, que caíram diante do Vitória da Bahia (reparem no golo de Derlei!) e o Cruzeiro, respectivamente. O Goiás também perdeu em Barueri, diante do Grêmio local. O Atlético Mineiro também ficou perto dos primeiros, ao bater em casa o Paranaense por 2-1. Entre os últimos, destaque na negativa para empate a zero entre Botafogo e Fluminense, duas equipas muito deprimidas na cauda da tabela. Também deprimidas as equipas de Recife, com o Naútico a perder em casa por duas bolas a zero com o Grêmio, enquanto o Sport perdia no Rio para o Flamengo por três golos sem resposta. A classificação é liderada por Palmeiras com 44 pontos, mais um que Inter e S. Paulo, Atl. Mineiro com 40, Goiás com 39.

domingo, 13 de setembro de 2009

Coutinho vs. Casimiro


Foi transmitido esta noite no canal 1 da TDM o debate entre os candidatos às eleições para a AL, José Pereira Coutinho, da Nova Esperança, e Casimiro Pinto, da Voz Plural – Gentes de Macau. O debate, moderado pelo jornalista José Carlos Matias, esteve longe de ser excitante, e ao contrário do que seria de esperar, não foi uma batalha pelo voto de nenhum tipo de eleitorado específico.

Pereira Coutinho apresentou-se com a “bagagem” dos quatro anos de experiência que leva como deputado no hemiciclo. No seu tom habitual, Coutinho lembrou o seu esforço em prol dos direitos dos trabalhadores, dos jovens, dos mais pobres e dos excluídos. Casimiro Pinto parece tentar chegar aos “jovens macaenses”. Apenas isso, como ele próprio referiu por mais de uma vez. A maior preocupação de JPC não se prende com a sua eleição, que parece garantida, mas com a eleição da sua nº 2, Rita Santos, que sera “mais uma voz” da Nova Esperança na AL. Casimiro Pinto diz que um bom resultado seria “vencer, ser eleito” o que não só se afigura impossível, mas revela alguma ingenuidade.

Entre os temas debatidos, destaco o do papel do deputado. Pereira Coutinho marcou pontos; os deputados eleitos pelo sufrágio directo têm o dever de fiscalizar o desempenho do Governo. Casimiro Pinto considera que os deputados têm o dever de legislar, e para tal “trabalhar em conjunto com o Governo, numa plataforma de diálogo”. Ora para isso estão lá os outros todos. Diálogo é bom mas é necessário que existam vozes fracturantes, principalmente vindas de uma comunidade, neste caso a portuguesa e a macaense, que são cada vez mais uma minoria em Macau.

Depois a questão do sufrágio universal. Casimiro Pinto defende que em 2013 o número de deputados seja aumentado em seis, para trinta e cinco, e que a maioria, dezoito, fossem eleitos por sufrágio directo. Não era mau, mas e que tal se fossem todos eleitos pelo sufrágio directo e universal? Não seria assim que o orgão legislativo da RAEM representava a vontade da população? Isto falando em linguagem democrática.

Depois a eleição para Chefe do Executivo. Em tom de desafio, Casimiro questiona porque não se candidatam “democratas” a cargo de chefe do executivo, ou se pelo mens não manifestam vontade de se candidatar. Não me agrada quando Casimiro, e não só, se refere aos democratas das duas regiões administrativas da RP China como “chamados democratas”. É lógico que os candidatos a CE têm que ter a benção do Governo Central. Não por teimosia ou falta de vontade de levar a cabo a tal democratização, mas simplesmente porque é necessário um CE que possa dialogar com a China sobre as questões de Macau e Hong Kong sem que a discordância entre os pontos de vista sejam um obstáculo ao progresso das regiões em causa.

Isto é algo que mesmo os sectores pró-democracia se esquecem algumas vezes: Macau e Hong Kong gozam de um elevado grau de autonomia, mas a eventual democratização depende do que possa ser feito na própria China nesse mesmo sentido. Os democratas são mesmo democratas, que se batem pelos valores da democracia de raíz ocidental, mas mesmo com o sufrágio directo e universal para o CE, não estão interessados nesse lugar, pois não lhes interessa trabalhar parao Governo Central. Esta é uma questão que gostava de abordar com mais cuidado num post futuro.

Voltando ao debate, concordo com Casimiro Pinto que existe discriminação em relação a pessoas que não dominam o chinês. Na administração, no dia a dia, no acesso à informação e à progressão nas carreiras e no acesso ao emprego. Coutinho insiste que o artº 42 da Lei Básica (Os interesses dos residentes de ascendência portuguesa em Macau são protegidos, nos termos da lei, pela Região Administrativa Especial de Macau. Os seus costumes e tradições culturais devem ser respeitados) deve ser legislado. Os dois de acordo, portanto.

Em relação à Lei Sindical, Coutinho ganha pontos. Casimiro Pinto acha que a proposta de Pereira Coutinho é radical, semelhante à Lei Sindical “de Portugal nos anos 70”. Por esta lógica, a Lei Laboral só pode ser alterada salvaguardando os direitos dos empregadores em deterimento dos trabalhadores. A Lei Laboral, como está, é uma vergonha, e precisa de ser alterada radicalmente.

Quanto à questão da mão-de-obra estrangeira, gostei de ouvir o candidato da Voz Plural – em Macau há falta de mão de obra estrangeira, principalmente qualificada. O exemplo é que não foi o mais feliz: o concurso da Miss Macau, inteiramente produzido por pessoas de Hong Kong. Ora o concurso Miss Macau é uma bosta e não interessa nem ao Menino Jesus.

Quanto à questão da língua portuguesa, ambos os candidatos defenderam bem a sua dama. Pereira Coutinho lembrou os últimos quatro anos, em que fez uso frequente da língua de Camões no hemiciclo, enquanto Casimiro Pinto, que é preciso não esquecer é um tradutor-intérprete, defende o uso da lingua de forma assídua em todas as instâncias e esferas de influência. Pareceu-me bem.

Não se pode dizer que tenha havido um vencedor neste debate. Ambos mostraram-se bem preparados e à vontade, o que no caso de Pereira Coutinho já seria de esperar, e no caso de Casimiro Pinto foi uma agradável surpresa. A propósito, recordo os leitores que existe uma sondagem no lado direito do ecrã onde podem votar em questões relacionadas com o acto eleitoral do próximo Domingo. O Bairro do Oriente continuará a fazer a cobertura das eleições, abordando temas de interesse. Amanhã vou falar dos democratas.