terça-feira, 18 de novembro de 2014

Menos cabelo, mais cabelo



Aqui era o salão de cabeleireiro "Blossom", na Rua de S. Lourenço, dois passos ao lado da entrada do Palácio do Governo. Talvez alguém se recorde deste artigo de 2 de Agosto último, ou talvez da reportagem do Hoje Macau sobre o local, do "colorido" barbeiro e da proprietária que se queixava da mesma coisa que todos os comerciantes em Macau, enfim, o aumento das rendas e a dificuldade em contratar mão-de-obra.



Pois bem, o "Blossom" cedeu aos caprichos do mercado, e há cerca de um mês fechou as portas, dando lugar a um...salão de cabeleireiro. Sim, outro, este, um tal "Hair the famous" (temos que adorar estas traduções...). Não sei nada deste novo "baeta", uma vez que quando só passo por esta zona de manhã, mas se o problema do anterior era a renda elevada, um simples corte de cabelo aqui não deverá ficar pelos simpáticos 70 paus que a Marissa Javillonar cobrava pelo trabalho do Channel Delaluna.



Mas o "Blossom" foi florescer noutro lugar, e não foi preciso ir longe. Olha para eles aqui na Rua do Seminário, quase em frente à Igreja de S. José. Passei por lá um par de vezes ao final da tarde, e estava cheio. Vamos ver se têm mais sorte, ou se voltam a cair nas garras dos proprietários sem escrúpulos, que muitas vezes aumentam as rendas de forma absurda, sem que para isso façam obras de renovação, ou mudem uma lâmpada que seja, mas apenas porque a loja está a ter bom negócio - parasitas, o que mais se pode chamar a esta gente? Espero que não, e que prosperem.



Foi difícil mas já está: quase dois meses depois de anunciar a abertura da sua barbearia unissexo, Rui Carreiro abriu o seu salão na Calçada da Rocha, nº 1. Para quem não sabe onde isso fica, é só ir pela Rua da Palha, e antes de chegar à Rua de S. Paulo, vira à sua direita e sobe pela Rua do Monte, e tem a barbearia logo no início da rua seguinte, do seu lado esquerdo. O Rui Carreiro oferece-nos uma proposta ousada, a de uma barbearia "à antiga", com cadeiras, navalhas, bacias e tudo mais, e não soubessemos nós que ele é de facto barbeiro (entre outras coisas), e ainda ficávamos a pensar que se tratava de um museu. Eh, eh, ele que me desculpe a gracinha, mas espero que sim, que vá lá muita gente cortar os cabelos, fazer a barba ou arranjar o "ninho", no caso das senhoras.



O mais interessante da reportagem do Telejornal da TDM que foi para o ar esta noite teve a ver com uma espécie de "sonho" do Rui, que falou de um "bairro português, porque não?". Ora a resposta está encontrada exactamente na pergunta: porque não. O sonho comanda a vida, mas a comunidade portuguesa em Macau é mais de ser servida do que servir, e isto apesar da vaga de gente nova, bonita e sangue na guelra que tem aparecido por aqui, que encara os projectos com seriedade. Ao contrário da restante "diáspora" (nunca me quis incluir nesta definição que me faz lembrar "dióspiro"), nós aqui não somos de arregaçar as mangas e limpar as teias de aranha dos cantos, ou de nos dobrar para apanhar o cocó do cão. E quanto à união, ui...bem, isto fica para falar noutro dia. O que eu espero é tudo de bom para o Rui, que sabe o que faz, é um artista que além de barbeiro é actor e modelo - tira-se logo a pinta - e além de ter aquele óptimo aspecto (só dois anos mais novo que eu, o magano!) é um tipo que se veste bem, sabe estar, é super-sociável, e a juntar a tudo isto tem um "sûtoque" próprio do "diabo" micaelense que ele é, e que nem a sua vida de "globetrotter" apagou. É mesmo assim, braçado: aganta essas enlameiradas, pega o touro pelas gadelhas mêm de veras e na sejas atoleimado, senão tas bem amanhado e inda te mija o cão no caminho. Podris de sorte para ti e vamos a mexer esses gadanhos!


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