quinta-feira, 2 de abril de 2015

Causa-efeito

Estava a pôr em dia a leitura semanal e como sempre deitei uma vista de olhos no Blogue do Firehead, da autoria do meu camarada Hugo Gaspar, sempre na linha da frente da defesa dos valores democráticos e tradicionais do século XIII, quando a humanidade ainda não sabia que existia mais mundo para além de onde a carroça a levava. Foi neste artigo do dia 29 de Março que me detive, e que mesmo não sendo tão "vintage" como o mundo da pré-globalização, leva-nos até 1939, altura em que o então protectorado britânico da Palestina tinha a bandeira que vemos em destaque no mapa: uma cruz de David com um fundo azul e branco, que me faz lembrar a antiga bandeira da monarquia portuguesa ou a camisola da equipa de futebol inglesa do Blackburn Rovers - não sei precisar. Tomei a liberdade de copiar a imagem e aproveitei ainda para destacar a página de onde o meu caro Hugo Gaspar a retirou. Não comento, ele é maior de idade e eu não sou ninguém para recomendar que não ande em más companhias, e para mim quem me tira um leitão à Bairrada ou um entrecosto de porco na brasa, tira-me tudo. 

À primeira vista fiquei sem entender qual era a intenção de publicar aquele livro de bandeiras do Dicionário da Larousse tão desactualizado, e estive para recomendar que da próxima vez que fosse à agência de viagens que fica ali do outro lado da rua em em frente à Livraria Portuguesa, na Calçada da Sé, se detivesse a contemplar o "mapa mundi" colado na parede junto ao balcão, e onde ainda consta a Jugoslávia, a Checoslováquia, e pasme-se, a União Soviética. Não olhei em detalhe mas suponho que a ex-RDA também está lá (olha, rimou). Mas não é o coleccionismo a motivação do interesse do Hugo ou dos usurários que originalmente publicaram a imagem, pois o Hugo deixa bem claro numa dedicatória mais abaixo que esta entrada no seu blogue é, e passo a citar, "dedicada a todos os anormais que são anti-Israel". Não sei se houve por estes dias alguma agitação maior que a habitual lá por Israel, mas suponho que não, e isto só me leva a deduzir que quando está tudo mais ou menos calmo, são os próprios apoiantes do estado zionista que agitam as águas - a malta sente-se mole, sem acção da boa, com gajos a explodir e a rebentar aos bocadinhos, e tal. Eu não sou tanto anti-Israel como não sou pró-Palestina, e sempre da fui da opinião que se deviam entender, enfim, já que nenhum quer dali para fora e ambos têm motivações históricas, culturais e religiosas para ali se manterem, portanto mantém-se o impasse, paciência. However...

Se a intenção era promover algum sentimento saudosista, permitam-me que dê destaque também a uma outra bandeira, e acrescente "Segundo a Enciclopédia Larousse de 1939, a bandeira da Alemanha era assim como está assinalada":


Sim senhor, pá, assim dá gosto, ter as coisas no sítio, como dever ser: a estrela de David na bandeira na Palestina e esta tão janota, que parece um menino a mexer os bracinhos enquanto dança o "twist". E realmente é um "twist" interessante, este, de pedir um mundo "melhor", onde a Palestina é um território judaico, e em Bergen-Belsen todos os dias há pizza -  e "kosher", atenção! Claro que estou aqui a ser sarcástico, e não adianta virem-me dizer que "foi em 1941 e não 1939" (sabem muito bem o quê), porque desconfio que a Larousse não lançou entre esse espaço de tempo nenhuma versão actualizada do seu dicionário. Isto tudo para dizer que quando convidamos os burros para a nossa casa, convém ter cuidado com as moscas que vêm com ele, que entram sem pedir licença. Posto isto, esta posta é dedicada a todos os anjinhos que às vezes falam sem saber o que dizem. Ah, sim, e já agora continuação de boas férias ☺ 


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