segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A arte de tantas vezes errar



Ooops, lá estou eu outra vez a minar a secular amizade entre os povos, a atirar os cães contra os gatos, as avós contra os polícias sinaleiros, a meter intrigas entre o Buda e o Confúcio, a colocar palavras na boca do mudo só para o deixar em má conta com o surdo. Como é sabido, a nossa karateca Paula Cristina Pereira Carion voltou dos últimos Jogos Asiáticos de Incheon, na Coreia do Sul, com uma medalha de bronze na categoria de atletas com mais de 68 kg (deselegante, anunciar o peso de uma senhora). Foi a terceira medalha de bronze consecutiva da atleta de Macau nos asiáticos, e como reconhecimento de mais este feito obtido por um ex-aluno (é isto que o "alumne" quer dizer, e é normal que há quem não saiba), o Instituto Politécnico de Macau conferiu à Paula um certificado de excelência! Que simpáticos! Mas o que eu estava longe de imaginar era a quantidade ex-alunos daquela instituição que dali sairam para a alta competição, e com resultados dignos de nota. Senão reparem:



Sim senhor, isto é o que se chama cumprir com a máxima do "mens sana in corporo sano". Só que na hora de emitir o certificado, desgraça: colocaram o nome de Jia Rui, um dos outros medalhados, mesmo em frente ao da nossa Paula, que ficou naturalmente triste com o desleixo, e desabafou nas redes sociais. Causa efeito, um monte de amigos seus, alguns deles que têm acompanhado de perto a sua carreira, demonstraram indignação perante tal falta de consideração. Entre acusações de incompetência, falta de profissionalismo e outros "mimos" que até se entendem nesta situação há quem chame ainda a atenção para o facto do certificado ter sido emitidos em chinês e inglês, ignorando uma das línguas oficiais, o "nosso" português.

Bem, com toda a certeza que o IPM não terá problemas em emitir um certificado novo, e quanto à culpa - se realmente ela existe - morre solteira, como é da praxe, neste caso da académica. Quem "engorda" à custa do de mais este episódio é o tal "Adamastor" de que falei no "post" em baixo: obtem-se a reacção que se esperava, a de indignação, possivelmente haverá um palerma ou outro que vai achar que estão a ser mal agradecidos, enfim, uma cadeia de circunstâncias que nunca teria lugar se a Paula tivesse ignorado o erro - e claro que nunca o poderia ter feito, à luz do bom senso. Mas assim o "monstro" ganhou o dia, e eu também. Porquê? É que quando vejo coisas deste tipo a acontecerem praticamente todos os dias fico a sensação que estou a enlouquecer. Assim fico com a certeza que não estou sozinho neste "manicómio".

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