sexta-feira, 31 de março de 2017

Eibar


E para terminar o mês em beleza, nada como o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Bom fim-de-semana!

A cinco de Agosto último passei a maior parte do dia em Donostia (San Sebastián), aproveitei para visitar Irun, e para a terminar em beleza fui jantar a Eibar, onde cheguei ao final da tarde. Parecia uma excelente ideia fazer tudo em apenas um dia, uma vez que de Irun a Eibar a distância é de 74 km, que de carro fazem-se bem em menos de uma hora. O que eu estava longe de imaginar é que a linha férrea do Euskotrain parava em todas as estações e apeadeiros, e a viagem acabou por demorar mais de duas horas.

Mas posso dizer que valeu a pena a viagem, apesar de no fim do dia ter sido obrigado a despender 70 euros num táxi de regresso à minha sede em Bilbau, mas posso dizer que fiquei a conhecer a província de Gipuzkoa, uma das três que compõem o País Basco espanhol, juntamente com Viscaya e Aláva. O que mais posso dizer, quando durante todo o percurso tinha o mar do lado direito, e do esquerdo bosques, alternados com pastagens e campos a perder de vista, com montanhas ao fundo? Pontualmente parávamos numa ou outra pequena localidade, e deparava com alguma indústria pesada. Nada que destoasse da idílica paisagem – por cada metalurgia, estaleiro ou ferro velho, vi centenas de ovelhas, praia e mar a perder de vista.

E foi já perto da hora de jantar que cheguei à estação de Eibar, e em menos de dez minutos a pé estava em plena Plaza Untzaga, no centro da cidade. Parecia uma daquelas praças em estilo espanhol, quadrada com uma fonte ao centro, mas nem por isso menos digna de registar em fotografia. Enquanto o fazia um senhor, penso que um eibarrés, abanava a cabeça em sinal de aprovação, e de seguida disse-me que “foi nesta praça que se declarou pela primeira vez a república”. E de facto foi – a segunda república, em 1931. A população de Eibar alinhou com os liberais nas guerras Carlistas, e da então Praça Afonso XIII fizeram a Praça da República. Durante a Guerra Civil Espanhola a audácia foi severamente castigada, e a cidade de Eibar ficou quase totalmente destruída.

Vieram os anos 70 e Eibar ganhou um impulso económico e populacional, e depois da crise da década, estabilizou e hoje vive da indústria e serviços. Jantei por lá – pintxos, o que mais? – e além da enorme afabilidade dos locais, algo mais me chamou a atenção; por todo o lado, quer nos cafés, nas varandas e nas praças se viam bandeiras da S.D. Eibar, o clube de futebol local que em 2014 disputou pela primeira vez na sua história o escalão principal do futebol espanhol. Um feito espantoso, para uma cidade com 27 mil habitantes, e desportivamente na sombra dos gigantes Athletic Bilbau e Real Sociedad. O problema é que o pequeno Eibar não tinha o dinheiro para cobrir as exigências da liga, nem se queria endividar, e foi aí que surgiu uma ideia pioneira: formar uma sociedade desportiva e vender acções em todo o mundo. E assim graças a uma bem elaborada campanha pela internet, existe desde a Austrália aos Estados Unidos quem seja proprietário do clube, que é o orgulho da cidade que tanto passou para poder ter pão, e agora tem direito ao seu “circo”. Amei Eibar, e vou um dia lá voltar.



Marçagão


Quase 90 mil cliques num mês, fizeram de Março de 2017 o mês mais concorrido de sempre dos dez anos de emissão do Bairro do Oriente. Obrigado pela preferência.



Sexta à noite


Entre o soju coreano e um "Rare Blend Indian Whisky & Scotch" (?), optei...


...por uma selecção internacional de cervejas - Irlanda, França, Tailândia e Japão. À nossa!



Habemus Papam (um dia destes)


Falta menos de um mês e meio para a visita do Papa Francisco a Fátima, e este é o hino oficial do centenário das aparições de Fátima - "Deus em mim". Profundo.



Dança Nua


Um grupo de médicos e enfermeiras de um clínica em Bolívar, na Colômbia perdeu o emprego após terem sido filmados a dançar à volta de um paciente completamente nu e inconsciente, virado de barriga para baixo. É preciso ver para crer, e a pergunta é esta: o que é que se anda a fumar nos hospitais colombianos?


quinta-feira, 30 de março de 2017

Airport CR7*


* O título é um trocadilho com o filme "Airport' 77", o terceiro de uma série dedicada a tragédias aéreas, um pouco como esta história, também.

O aeroporto da Madeira resolveu adoptar o nome do filho mais pródigo da Pérola do Atlântico: Cristiano Ronaldo. Como é sabido CR7 é madeirense, e é o maior embaixador de Portugal no mundo - do nome do nosso país, que o mundo conhece da camisola do melhor jogador de futebol do mundo. Houve quem não tivesse achado a ideia boa, ao ponto de protestar como se o facto do aeroporto da Madeira ter mudado de nome lhe viesse trazer um enorme prejuízo. Da homenagem que foi feita a CR7, que esta semana entrou no grupo dos 10 melhores de sempre em jogos internacionais, houve ainda o descerrar de um busto do jogador, que causou uma algazarra das grandes, em Portugal e pelo resto do mundo:


De facto o busto que supostamente devia representar Cristiano Ronaldo está mal feito, nem é isso que está aqui em questão, mas e a pessoa que mais se devia ralar com isso, o próprio CR7...gostou. Então qual é o problema, afinal? Ou os aviões vão aterrar tortos na pista por causa da estátua desnivelada? Mas voltando à questão do baptismo do aeroporto.


Houve quem achasse "foleiro", e um acto de "pequenez" da nossa parte (?), mas aqui está a prova de que a "foleirice" é uma medida muito relativa. Eis o aeroporto John Lennon, em Liverpool, completo com um submarino amarelo em frente à entrada. Certamente uma imagem que representa Liverpool e os ingleses. Estes últimos bem podem começar a pensar em usar o submarino, uma vez que vem aí o Brexit. Ah ah ah! Humor anti-britânico. Mas querem estátuas? 


Esta é para aqueles que alegam que "Cristiano Ronaldo não tem nada a ver com aviação". Pois não, nem os cavalos de John Wayne voavam, e vejam só aqui o aeroporto de Orange County, Califórnia, com o nome dele, completo com estátua e tudo. Sabiam que há pessoas que ainda perguntam "qual é o actor que fazia de John Wayne"? Juro que é verdade. Mas e quanto a jogadores de futebol? Será isto inédito?


Nope. Olha aqui o aeroporto George Best, em Belfast? E tal e qual como aconteceu com o aeroporto da Madeira, também a este bastou acrescentar o nome de outros dos míticos camisola 7 do Manchester United. Agora só faltam Eric Cantona e David Beckham. Quanto à questão de que a mudança de nome ia "trazer mais turistas à Madeira". Penso que essa é uma falsa questão, e nem era preciso usá-la como argumento para convencer ninguém. Se vai trazer mais, não sei, mas menos é que não traz:


Contra factos não há argumentos (se bem que eu detesto esta máxima); Cristiano Ronaldo é uma das figuras mais reconhecidas em todo o mundo, é português, tem batido recordes atrás de recordes fazendo o que faz. Quem não gosta "porque não" tem um bom remédio: coma menos. E viva o aeroporto Cristiano Ronaldo!


terça-feira, 28 de março de 2017

Rui Soeiro


Acordei hoje com uma notícia que me deixou profundamente triste: o desaparecimento do meu amigo de infância Rui Soeiro. O Rui era actualmente treinador das camadas jovens do Clube Olímpico do Montijo, que deu em 2006 lugar ao extinto CD Montijo, que foi onde o vi a começar a sua carreira desportiva, primeiro como guarda redes, depois como centrocampista na categoria de iniciados. Durante o segundo ano nesse escalão, na época de 1990/91, o Rui era a estrela da equipa, muito graças à imponente desenvoltura física que ostentava para um rapaz de 14 anos - era quase sempre o único em campo que já tinha alguma barba no rosto. 

Recordo-me de um jogo em casa contra o Alcochetense, que ganhámos por 5-1, onde a certo ponto o Rui tem uma entrada dura sobre um adversário, que rebolou umas quantas vezes no então pelado do Campo da Liberdade, e antes de ser admoestado pelo árbitro, o Rui pediu desculpa ao outro miúdo, ajudou-o a levantar-se e acatou com desportivismo o cartão amarelo que lhe foi exibido. Um exemplo, e não se pense que era um jogador duro, ou que compensava com a força alguma menos valia técnica. Era um jogador completo, uma jovem esperança, e prova disso é que na época seguinte integrou o plantel juvenil do CF Belenenses.

Era ambicioso mas realista, o Rui, com o seu tanto de sonhador. Um dia confidenciou-me que "como tinha nascido na Alemanha, ia optar pela nacionalidade alemã" quando fizesse 18 anos, e assim "podia jogar pela Alemanha. Sonhos próprios da idade, e é preciso não esquecer que a "mannschaft" era a campeã mundial na altura, com o terceiro título obtido em 1990 em Itália. De facto tinha sido em Frankfurt que o Rui nasceu, mas tal como eu foi no Montijo que cresceu, e crescemos praticamente juntos; eu na Rua dos Combatentes, e ele na Corregedor Rodrigo Dias, ao fundo da primeira. Frequentámos  também a mesma escola, a Secundária Poeta Joaquim Serra, onde eu estava um ano à sua frente. Foi também aí que nos conhecemos, e dele guardo sempre a mesma imagem de um jovem sociável e sempre sorridente

O tempo passou, a vida deu as suas voltas, e depois de ter partido para Macau em 1993, voltei a vê-lo mais uma vez, cinco anos depois, durante uma largada de touros nas festas do Montijo. O sonho de ser profissional de futebol e jogar pela "mannschaft" havia ficado diluído, mas o Rui era um optimista, encarava qualquer desafio como uma oportunidade, e mais importante que tudo, estava feliz com o que tinha, de bem com a vida, ostentando sempre o tal sorriso - era assim que ele se apresentava ao mundo, sempre a sorrir. Tinha dividido a paixão do futebol com a do ciclismo, e foi durante uma das suas aventuras de duas rodas que encontrou o seu destino final, colhido por uma viatura na EN4, perto de Vendas Novas, ontem de manhã, de forma prematura e de uma maneira tão estúpida, como é sempre nestas circunstâncias. É injusto, ninguém merece, e não há mais nada a fazer do que lamentar a perda, e carpir a dor que representa esta despedida súbita e inesperada.

O CO Montijo cancelou todas as suas actividades para hoje, e a cidade está de luto pela perda de um dos seus filhos. Deixa mulher, a Dina, e dois filhos menores, o Rui Filipe e o Ricardo, e o enteado Vasco, que nunca tive a honra de que conhecer, mas a quem mando as mais sinceras condolências, e um forte e apertado abraço de solidariedade, aqui de tão longe na distância, mas tão perto nesta hora de pesar. Não há nada que eu possa dizer para amenizar a vossa perda, mas os filhos do Rui que saibam que podem ficar orgulhosos do vosso pai, sempre. Quem vos disser o contrário mente. 

Um abraço de até já, Rui. Até um dia destes.



domingo, 26 de março de 2017

Fake & Fake


Depois de mais uma semana a combater a letargia primaveril (e a combater noutras frentes), deixo-vos no início da última semana de Março com o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Sede produtivos e tolerantes, sempre.

1) Dissipou-se o fumo à volta da famigerada proibição total do tabagismo nos casinos de Macau – pasme-se. Não que eu seja a favor do fumo em locais fechados, à revelia dos direitos dos não-fumadores, mas pedir a Macau casinos sem fumo é o mesmo que pedir a uma gelataria que abandone o uso da lactose. Tudo bem, há convenções internacionais disto e daquilo a respeitar, e há que colocar a RAEM ombro a ombro com as jurisdições mais evoluídas e progressistas, mas convém não usar a mesma medida para coisas diferentes – para coisas que nem têm comparação! A equação é muito simples: 1) a economia de Macau depende quase inteiramente das receitas do jogo; 2) o mercado de jogadores é na esmagadora maioria oriundo do continente chinês; 3) os jogadores do continente chinês fumam desalmadamente (porque gostam). É somar 1+2+3 e temos “Não, obrigado: eu fumo”. É preciso ter em conta ainda que Macau é um caso único (até nisto) no mundo, e que não se aplica aqui o mesmo remédio para uma tosse diferente. Que se salvaguarde quem não estiver disposto a levar com o fumo dos outros, ou em alternativa criem, sei lá, casinos “verdes”? Só para não fumadores, para toda a família e onde tudo decorra dentro das regras da boa etiqueta? Isso é que eu duvido que se levantasse do chão.

2 Fake news. Seria já a palavra da década, não fossem duas palavras. O director de uma publicação da compita manifestou um dia destes num editorial seu o desagrado pelas “fake news” em geral, e nomeadamente uma de muito mau gosto que andou a circular pelas redes sociais no último fim-de-semana, e que dava conta do falecimento do actor Rowan Atkinson (vulgo Mr. Bean) num acidente de viação. De facto é de lamentar que se espalhem estes rumores infundados que acabam sempre por colher de surpresa os mais desatentos. Ou será mesmo assim? Neste caso em particular, o “Mr. Bean” é um personagem querido do imaginário de todas as idades, e certamente que se lamentaria profundamente a sua morte. Por outro lado, não merecerá ele estima quanto baste para CONFIRMAR a veracidade da notícia, antes de desatar com RIPs, e a adiantar-lhe a missa de corpo presente? É só olhar para a notícia, procurar o nome do sujeito num motor de busca qualquer, e se os primeiros dez resultados não disserem que ele morreu, é porque ainda está vivinho da silva, a sofrer como todos nós. E peço desculpa se ofendi alguém com o meu tom, mas não creio que seja só a “lamentar” que se vão combater as tais “fake news”.



Nomeada


Carrie Lam obteve 777 votos do colégio eleitoral, e foi eleita nomeada o quarto Chefe do Executivo da história da RAE de Hong Kong, vinte anos depois da transferência de soberania do antigo território britânico.


P'Almada retro


Ponte Salazar?!?! Alguém oferece ao sr. candidato do PNR à Câmara Municipal de Almada um calendário, ou diz-lhe em que século estamos. Começa mal, quem concorre a uma autarquia da qual desconhece o nome da sua infraestrutura mais conhecida...



Neo-voyeurismo, ou turismo de homicídios


Sexta-feira aconteceu uma tragédia em Barcelos, Portugal, quando um indivíduo esfaqueou mortalmente quatro pessoas, incluindo uma mulher grávida, e tudo porque alegadamente as vítimas se haviam a depor a favor do homicida num caso de tribunal. Uma jornalista da TVI que fazia reportagem no local, deparou com um casal idoso que não conhecia nenhuma das vítimas, e muito menos o homicida, mas "como estava ali por perto", resolveu "ir espreitar". A reacção da repórter, que suspirou um "enfim..." em forma de desabafo, diz tudo.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Wait, what???


Donald Trump Jr. tem a quem sair na arte de troca tintas - o nome diz tudo. Na sequência do atentado de quarta-feira em Londres, que causou 5 mortos e 39 feridos de 11 diferentes nacionalidades, o filho do presidente dos Estados Unidos foi reproduzir na sua conta de Twitter declarações do "mayor" da capital inglesa, Sadiq Khan, que teria dito que o perigo de atentados terroristas "faz parte" daquilo que representa viver numa grande cidade. Soa a alguma coisa de "grave", assim à vista, mas o que parece ser irrelevante ao herdeiro Trump, bem como a muito boa gente, é que Sadiq Khan proferiu estas declarações em Setembro do ano passado, e não na sequência dos ataques de há dois dias, como estes "confusionistas" pretendem fazer crer. Já escrevi sobre as declarações de Khan na altura em que as proferiu, mas deixo a dúvida no ar: será que o Trumpinho não entendeu o que quis dizer Sadiq Khan? É bem possível.


O Trump Jr. tem 39 anos e nasceu em Nova Iorque, portanto tem idade mais que suficiente para se recordar dos atentados de 11 de Setembro de 2001 - tem só memória curta, pronto. Mas se aqui os autores dos atentados partilhavam mais que uma coisa em comum com o atacante de Londres há dois dias...


...este, que aconteceu alguns anos antes, exibia algumas "diferenças" em relação a essa padrão. E sim, Oklahoma City é uma grande cidade, também. E de que ia valer aos terroristas cometerem atentados lá na parvónia, onde o Trump pai angariou os votos que tem andado a usar para enganar os americanos e a fazer pouco do resto do mundo?


Terrorismo cristão


...E isto são notícias dos últimos dois dias. "É preciso fechar as fronteiras e correr daqui com esta gente".

PS: Há ali duas notícias que nem aconteceram sequer em Portugal, o que vem reforçar o meu argumento. Além do mais, para quem é...


quarta-feira, 22 de março de 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Neo-mini-dicionário


Outra vez em trânsito, deixo-vos com o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Bom fim-de-semana!

Hoje decidi fazer uma coisa diferente, e compilar alguns neologismos, bem como termos e expressões que passaram a adquirir um sentido diverso do original, depois de passarem pelo inferno das redes sociais. Espero que não detestem muito.

Abortismo: apoio à prática do aborto, como parte do plano para o Genocídio Branco.

Anti-Semitismo: qualquer demonstração de relutância em aceitar a política expansionista e o comportamento criminoso do estado de Israel.

Benfica: não sabendo bem do que se trata, é aquele ou aquilo que tem a culpa de tudo; “a culpa é do Benfica”.

Burguês: um indivíduo que sabe escrever; “Ao contrário de muito burguês a quem o paizinho pode pagar os estudos, existe gente que teve de começar a trabalhar muito cedo e não aprendeu a escrever devidamente. De qualquer maneira e independentemente dos estudos, todos temos direito a opinar.” (da página do PNR).

Capitalismo: um horror porque o dinheiro está nas mãos dos outros, mas uma maravilha na hora de atacar os esquerdalhos.

Cientistas: esquerdalhos pagos pelo George Soros para nos impingir a teoria do aquecimento global e prejudicar o humilde negócio familiar das petrolíferas.

Direitinha: alguém que se diz de direita, mas que na verdade não passa de mais um esquerdalho.

Estalinista: pessoa que se opõe à verborreia demente do fadista João Braga.

Esquerdalho: basicamente qualquer indivíduo que não partilha de ideologias fascistas e não seja um reaccionário.

Fascismo: ideologia de esquerda; “Mussolini pertenceu ao Partido Socialista italiano e Hitler ao Partido Nacional Socialista”.

Feminazis: partidárias radicais dos ideais feministas, que “são lésbicas e querem acabar com os homens”. A existência destas implica que toda e qualquer pretensão do feminismo seja “uma grande treta”.

Genocídio Branco: a teoria de a vinda de refugiados e imigrantes para o Ocidente faz parte de um plano maior com vista à extinção de raça branca. A sério.

George Soros: bilionário americano relativamente discreto até há poucos anos, quando lhe foi atribuída a autoria da “Conspiração globalista”.

Globalismo: a ideia de um mundo sem fronteiras. Uma coisa “terrível”.

Globalização: coisa boa quando se vai comer ao chinês e fazer compras no Toys’R’Us, péssima quando se vive paredes meias com imigrantes.

Invasão Uterina: vinda para o Ocidente de mulheres islâmicas “que têm oito filhos EM MÉDIA cada uma”, com o intuito de contribuir para o Genocídio Branco.

Islamo-fascismo: é melhor nem procurar saber do que se trata.

Liberalismo: “uma doença mental”. Vem também em versão “neo” e “ultra”.

Maoista: pessoa que se opõe à realização de palestras onde o convidado seja o Dr. Jaime Nogueira Pinto.

Me(r)dia: os media convencionais, que “escondem a verdade”.

Nazi: lengalenga infantil; “- És um ganda nazi! – Não não, nazi és tu!”

Neo-marxismo: supostamente o mesmo que Marxismo, só que da era tecnológica; na prática é tudo que não se insira neste rol de disparates que estou aqui a debitar.

Nova Ordem Mundial (NOM): Parece qualquer coisa saída de um plano diabólico de Lex Luthor, ou do imperador Ming, mas “estamos a caminho dela”, com a ajuda do Globalismo, Soros, abortocionistas, feminazis, etc.

Politicamente Correcto: serviu durante muito tempo para que certas pessoas não ouvissem o que não gostam, e é actualmente desprezado por estas mesmas pessoas para que possam dizer os disparates que muito bem entenderem.

Refujihadista: deixem para lá.

Salazar: ditador que morreu pobre e decrépito, tal como o país que deixou; D. Sebastião do saudosismo lusitano.

Trump: o santo e a senha; quem é anti-Trump não entra no clube Trump, e vice-versa.


quinta-feira, 16 de março de 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

DomiNando Maria Vieira


Tem sido um tema transversal desde o final da última semana, as declarações de personalidades próximas da actriz Maria Vieira, que "estão quase certas" que não é a própria que actualiza a sua página no Facebook. Eu vou mais longe; tenho a certeza absoluta que não é ela a autora dos posts que têm causado celeuma, e deixam o grande público a torcer o nariz e a interrogar-se de espanto: "A Maria Vieira?" Não, nada disso. O presidente do PNR disse uma vez a propósito da polémica com Ana Bola que "a Maria Vieira pensa pela própria cabeça". Tenho a certeza que sim, bem como toda a gente, uns bem, outros menos bem, mas a cabeça da Maria Vieira não pensa assim - e ainda bem.


O que está aqui a acontecer é um "Tootsie" arraçado de trissomia, e que em vez de concorrer aos Oscares, limpa os "razzies" todos. Num programa do "Cinco para a Meia Noite" aqui há uns anos, Maria Vieira confidenciou que era o marido que escrevia os livros sobre as viagens dos dois, e não em co-autoria, como consta da versão oficial dos factos - "eu sou actriz, apenas", referiu inclusivamente Maria Vieira. E disso nós sabemos muito bem, e desde sempre. O problema é que ninguém está a ver a Rosa de "A Gaiola Dourada" a debitar impropérios contra imigrantes, nem a frágil Dona Coisinha a impor-se de peito cheio contra o mundo islâmico, como se vê em muitas entradas da sua página do Facebook. Há um narcisismo latente que levou a que este enredo não tivesse sido levado a bom porto: um homem de 50 e tal anos a fazer de homem de 50 e tal anos com o nome da Maria Vieira. Acusações graves? Não são acusações nenhumas, são constatações. Grave aqui só se for o prejuízo que isto vai tendo para a carreira da própria Maria Vieira. E de mais que se especula não falo, porque não sou mosca. Mas vou ficando atento.


A entrada de ontem na página do Facebook de Maria Vieira; o comentário a um artigo da página Embaixada da Resistência, um entreposto de xenofobia de extrema-direita. Nunca li nenhum livro escrito pelo Nando - assim se chama o tal marido da Maria Vieira - nem tenho curiosidade em fazê-lo. Reparo contudo que o cavalheiro tem imenso jeito para encher chouriços, como se vê naquela ultra-adjectivação positiva feita à protagonista do vídeo. Ali para o fim é que temos uma salada russa à moda dos pretendentes a escritor fracassados. Olha lá, ó Nando, eu também sei a diferença entre legal e ilegal, e sei a diferença entre ilegal e crime. Sei mais que tu, tás a ver? Quanto aos que "insistem em não saber distinguir uma coisa da outra", reparo que tens uma certa dificuldade em distinguir o moral do imoral, bem como o real do ilusório:


É preciso ser-se muito pretensioso, e especialmente burro para tentar iludir desta forma as pessoas que conhecem a Maria Vieira há 30 anos, e saberiam que uma coisa destas nunca sairia da sua cabeça - e ainda bem, repito. Isto é o tipo de coisas que se vêem ditas e escritas por pessoas seguidoras de ideologias de dar a volta ao estômago, e que curiosamente têm sido presença frequente na página de Facebook da Maria Vieira:


Ainda em relação ao post de ontem, e na secção de comentários, vemos uma conversa muito animada entre "Maria Vieira" e uma conhecida militante do PNR. Nada contra a pessoa, mas de onde é que se conhecem tão bem? Do teatro de revista? Da televisão? Do Brasil não é com toda a certeza, e estou a cingir-me a localizações que Maria Vieira frequenta quase na totalidade durante o seu trabalho, e que torna públicas para que toda a gente saiba. Ahhh..."da internet", dizem vocês. E bem, e deve ter sido também na internet que Maria Vieira desenvolveu a sua paixão pelo hard-rock nacionalista alemão. Bate certo, portanto. Sou só eu a especular, claro. 


Recuemos mais um pouco no tempo, para o início do mês, mais concretamente 2 de Março, data do 60º aniversário de Maria Vieira. A revista Nova Gente dá-lhe destaque, com a sessão de fotografias in loco, mas com a entrevista (ou pelo menos parte dela, confirmado) dada "de casa, a partir de e-mail". Ora bem, o que é que a Maria Vieira tem para dizer em casa que não possa dizer em pessoa? Aquilo não é um filme. São estas evidências que levadas ao lume do mero senso comum identificam que não é a Maria Vieira a escrever na sua página, e que as tentativas de encerrar o assunto com textos dessa mesma página garantindo que é ela mesma são de um amadorismo inacreditável. Patéticas, até. Essa de tentar intimidar a Ana Bola "e todas as pessoas públicas" com o caso "entregue a um advogado" é de bradar aos céus. E matéria de facto? E a Maria Vieira deixou de ter boca para falar, agora? Dá um tempo, ó Nando. Tens a mania que tens a mania. 


Eu não sei a que ponto está a situação familiar de Maria Vieira, e que ?, deus dos agnósticos me livre de querer meter a colher entre marido e mulher. Só que os factos inclinam para algo nada de salutar, e o pior é que não se ouve da própria Maria Vieira qualquer esclarecimento sobre aquilo que, enfim, faz parte da vida de qualquer figura pública. Quem conhece a Maria Vieira há muito tempo, e não consegue reconhecê-la naqueles devaneios nas redes sociais está preocupado, com razão e com legitimidade. E não vai ser a ostentar com perdizes no forno com castanhas e cogumelos regados com um tal de "Chateneuf" que vais atirar areia para os olhos de alguém, ó Nando. Esta verdade é um azeite para o qual nunca tiveste água que chegasse. Azar. 

domingo, 12 de março de 2017

Mea culpa (pois...)


E para terminar o fim-de-semana que foi ocupado por outras actividades que não o blogue (mas sempre ao serviço do bem, claro), aqui fica o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Uma excelente semana de trabalho ou de lazer para todos, conforme o caso.

Passei um destes últimos fins-de-semana em Hong Kong, e mais uma vez levei “um banho” de aquilo que não temos aqui deste lado. Já sei que fazer comparações entre os dois lados do delta não é de bom tom, é território minado, e não me livro com toda a certeza de alguns “estás mal muda-te” sussurrados entre dentes, mas é assim mesmo: isto é a minha opinião, e é aquilo que os meus sentidos apuraram. A culpa é minha, que tal? Primeiro “Mea culpa”, pronto. Não dói assim tanto. Não dói de todo.

Primeiro a descontracção, que é um valor que eu prezo. Saí à noite em Tsim Sha Tsui, e depois de tentar um ou dois bares (que estavam cheios) em Knutsford Terrace, deparei um bar catita, situado num dos andares de um edifício comercial ali perto. Talvez por este último motivo podia-se fumar dentro do bar – pasme-se. Mas não foi só com esse pormenor que deparei quando subi entrei; havia música, “snooker”, dardos, muita animação. Gente toda ela mais jovem que eu, mas num ambiente super-descontraído, onde entre a risota e a música podia-se berrar “Daaarby!” sem ninguém ficar a pensar que estamos escangalhados da cachola. Foi uma mudança em relação à noite aqui em Macau, onde se nota o constrangimento em dar um murro na mesa, ou se dizer alto que se está ou é feliz. Há muito olhar por cima de um ombro, muitos “ai tu aqui?” ou o risco de no dia seguinte alguém nos dizer “ontem vi-te” – sabem como é. Mas mesmo assim deixem lá, que vos carregos essa cruz também: a culpa é só minha. Mea culpa ao quadrado. Aguenta-se bem.

Falemos de comida para o estômago e para a alma. Em Hong Kong come-se bem, barato e caro, e há sempre qualquer coisa para se ver ou para comprar. Fazem-se coisas mais ousadas, também, que houve quem ensinasse às gentes aqui do lado a pensar fora do chapéu, e olhar para além do próprio nariz. Aqui tivemos agora o Festival Rota das Letras, que vai na sexta edição. Acho óptimo, e cada ano tem sido melhor, e o futuro da iniciativa parece assegurado. No entanto não posso deixar de concordar com um opinador de uma publicação compita deste jornal, que lamentou a “falta de tempo”. Sim, de facto o Rota das Letras é muito coelheiro: vai ser tão bom, não foi? Eu espero com mais tempo e mais orçamento se possa dar mais atenção e apreciar com mais cuidado uma iniciativa destas, que este ano trouxe a Macau nomes como Raquel Ochoa, Sérgio Godinho e José Rodrigues dos Santos – só este ano. Mas aí está, eu é que não tive lugar na agenda, paciência, e salta o terceiro Mea culpa. Amén.

Falámos de Hong Kong e do Festival Rota das Letras, falemos agora dos Doçi Papiaçam de Macau, que vão estar no Festival de Artes com uma nova peça, onde a RAEHK entra também no enredo. O título ficou qualquer coisa como “Sorte em Terra de Tufões”, não sei ao certo, mas conta a história de um maquista que ganha o “Mark Six”, e por culpa de um tufão fica impedido de ir à Sociedade de Lotarias de HK reclamar o prémio. Consigo imaginar o que vem a seguir, pois tendo em conta que a tal sociedade entrega o prémio a qualquer um que apareça com o bilhete, o tal sortudo vai ter um dia cheio de novas “amizades”. Se calhar era melhor ter ficado calado, e eu calo-me já também. Dos Doçi nunca sei bem o que esperar – e isso é óptimo – mas de mim eles podem contar com o mesmo dos últimos 9 anos: uma “review” no blogue. Ok, pode ser que alguém ache isto mau, ou que eu “não devia”, mas penso que não estaria a fazer-lhes nenhum ficando calado. Não sai uma Mea culpa aqui, que de boas intenções está um certo lugar cheio. E não é Hong Kong. Pois…


Viseu, France


Resta saber se o pobre Chefe Dias, que produz as sapateiras lá em Viseu, via o seu marisco desvalorizado se fosse vendido como produto nacional.