terça-feira, 7 de abril de 2015

Como detectar um Maçom?


O papel de parede do quarto do Harry Potter.

Em primeiro lugar, queria tranquilizar o leitor e dizer que não vou falar aqui de doenças contagiosas, burlas e esquemas fraudulentos ou agressores sexuais que seja preciso "detectar" por motivos de epidemia ou o aumento de casos: vou falar, isso sim, da Maçonaria. A esta hora pode ser que haja quem já esteja confuso, coçando o piolho e pensando com os seus botões: "mas não é tudo a mesma coisa?". Bem, de facto não fui feliz com esta introdução - e com o próprio título do artigo - uma vez que existe uma ideia pré-concebida de que ser maçom é ser "diferente". Claro que é, assim como ser do Benfica é ser "diferente" de se gostar do Sporting ou do FC Porto, ou como quem tem filiação no PS é "diferente" de quem a tem no PSD ou no PP, e aqui estou a chegar depressa demais a um ponto onde não devia chegar sem explicar que partidos políticos e maçonaria não são bem a "mesma coisa", de que não importa que clube desportivo se apoia, ou que religião se segue, pois a Maçonaria é...a Maçonaria, nada mais do que isso.

Aqui há tempos escrevi um "post", que por sinal foi um dos que mais visualizações teve nos últimos seis meses, a respeito de uma pessoa à qual teci considerações que pouco ou nada abonam em seu favor. Na altura disseram-me que a pessoa em questão pertencia "a uma loja maçónica". A minha reacção? Simpatia...pena, até. É triste quando se perde a liberdade, e nas palavras de Miguel Ângelo (o vocalista dos Delfins, de Cascais, e não o pintor do tecto da capela Sistina, esse de Florença): "quando alguém nasce/nasce selvagem/não é de ninguém". A ser de alguém ou de alguma coisa, a Maçonaria é uma das opções menos felizes. Se quiserem um exemplo recente, foi como quando o FC Porto apanhou o Bayern de Munique no sorteio dos quartos-de-final da Champions: era o adversário que ninguém queria. Contudo há quem fique melindrado ao ter conhecimento que um dado palermóide a quem resolveu "pisar os calos" é membro da Maçonaria, como se isso fosse a mesma coisa que a Camorra. Isto deve-se a uma percepção errada da própria natureza dessa organização - ou organizações, pois há várias. Apesar de usarem avental e se organizarem em "lojas", os maçons não são padeiros que fazem rosquinhas ou biscoitos que depois vendem nas tais "lojas". São mais como os escuteiros, se quiserem um exemplo mais preciso. Só que ao contrário dos escuteiros, os maçons são normalmente pessoas com mais do que idade para ter juízo. E eis o motivo da confusão com "doenças contagiosas" e "epidemias".


Maçons famosos da História. Se apenas um deles viesse agora admitir isso, é que ficaria MESMO impressionado!


De "burla" ou de "esquema", a Maçonaria não tem assim tanto, apesar de muita gente ter curiosidade em saber mais sobre o seu funcionamento ou dos requisitos caso pense que têm muito a ganhar com ele como membro (uma presunção bastante comum). A tese de que todos os momentos marcantes da História, desde revoluções, eleições e outras invenções têm o dedo dos maçons, bem como outras teorias da conspiração, desde que envolvam dinheiro, poder e influência a que ficam ligados, faz com que alguns chicos-espertos julguem que têm o arcaboiço para vir tomar conta do mundo e de nós, uma vez que já tentámos sozinhos e não fomos capazes. É necessário que venha o seu "farol" para nos iluminar, a nós, coitadinhos, que "não sabemos o que eles sabem. Ui, ui, se tivessem acesso a saber tanta coisa assim, podiam começar pelos números do Euromilhões, e depois de separar os milhões e mandar o Euro à fava, zarpar para uma ilha das Caraíbas e "ordenar" umas mulatas, em vez de ir vestir um avental parvo e ir ordenar (sem aspas, porque é o que eles fazem) outros pretensiosos e pedantezecos da sua laia. "Mas ó Leocardo, tem cuidado pá! Há maçons em toda a parte, nas finanças, na política..." - permitam-me que complete: "...no tráfico de droga, no lenocínio, quem sabe até na merda...". Pois é, há um pouco por toda a parte, sendo mais de seis milhões em todo em mundo, é até possível que se cruzem com um ou outro no vosso dia-a-dia. É normal que estejam em posições de poder, ou que tenham dinheiro e influência, pois os seus membros iniciam-se normalmente ainda durante os estudos universitários, e daí que sejam depois técnicos ou exerçam profissionais liberais. Mas não são os únicos, e não fazem ninguém andar a toque de caixa deles - antes pelo contrário, e já vamos ver porquê.


A sede super-secreta do super-secreto Grande Oriente Lusitano, que por ser assim tão secreto, não posso dizer que fica na Rua do Grémio Lusitano, nº 25. Se quiserem saber liguem (00351)213424506 e perguntem pelo Fernando Lima, o secreto grão-mestre da super-secreta loja maçónica.

Chegamos então ao momento em que desmistificamos esta coisa da Maçonaria. Em primeiro lugar, não é uma sociedade secreta, ponto. É uma sociedade discreta, sim, mas perfeitamente aberta a que saiba tudo sobre ela: quem são, onde estão e o que fazem. As sociedades secretas e as seitas não se apresentam com morada na Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa, telefone (00351)213424506 - só falta acrescentar "aceitamos encomendas para festas e baptizados". Claro que estou a falar do Grande Oriente Lusitano, a maior loja maçónica portuguesa, de que podem saber tudo e mais alguma coisa aqui no seu website. Uhhhh....mistééério. A origem da Maçonaria, não como a conhecemos hoje, mas a sua matriz, remonta aos tempos medievais, ou até um pouco antes, quando era hábito certos artífices e outras profissões guardarem entre si alguns dos segredos do seu ofício, de forma a preservar a exclusividade e a qualidade (dizem eles...tá bem, abelha) da sua arte, passando apenas os conhecimentos para quem julgassem digno de os receber. Os maçons actuais - que vendo bem, são também os únicos que existiram - foram fundados em Inglaterra em 1717, espalhando-se depois pelo mundo, e chegando a Portugal em 1823. Portanto, têm todas as semelhanças com o futebol em termos de origem e propagação, mas menos interesse. Os seus "segredos" valem o que valem, e é possível que noutros tempos valessem mais, e que tivessem acesso a formação privilegiada. Depois veio a internet e estragou tudo. Para eles, claro, e não que alguma vez tivessem duas cabeças ou três testículos e vivessem 300 anos por pertencerem à Maçonaria, e se irritassem um matulão qualquer, levavam na tromba como os outros. Se fizessem questão de mencionar a Maçonaria, se calhar levavam a dobrar. Hoje caem só no ridículo.


Os marinheiros têm o Código Morse, os surdos-mudos a linguagem gestual, e os Maçons...o bailarico fanchono?!?!

É na Inglaterra e nos Estados Unidos que se encontram mais de 80% dos maçons existentes no mundo, portanto é mais que natural que existam vários deles em posições de poder, mas esse poder deriva das posições em si, dos cargos ocupam ou para os quais foram eleitos, e não do facto de pertencerem à Maçonaria. Esta questão tem provocado alguma celeuma, uma vez que há quem insista em manter a aura de "ocultismo" à volta da Maçonaria (vá-se lá saber porquê), e por outro lado os maçons não têm os "poderes" que muita gente pensa, e isto leva que depois sejam descriminados, ou postos de parte por quem detém o poder, sente-se ameaçado, e "pela via das dúvidas" não os quer por perto. Tem havido casos em que não-maçons deixam claro que não pertencem à organização, e de outros que são maçons mas negam pertencer. Se alguma vez tiveram influência para decidir o que quer que seja ou poder que lhes garantisse o respeito alheio? Sim, claro, é preciso não esquecer que a própria origem da Maçonaria tem um carácter elitista - os membros da família real britânica são maçons e toda a gente sabe, so what? Assim sendo, atravessaram um período da História em que só tinha poder quem tinha dinheiro, era bem aparentado ou caía nas graças de um destes dois. E por falar em "dois", esta equação é tão simples quanto 2+2=4: o primeiro "2" pode ser o facto de quem não tem dinheiro não manda cantar um cego nem porra nenhuma, e o outro "2" a dura realidade actual de que não é preciso ser-se inteligente ou pertencer à realeza para se ter muito dinheiro. Do produto, o "4", tiram-se as devidas conclusões, e entre elas a de que muita da "realeza" que tinha orquestras de cegos a cantar para eles, hoje está falida - é o próprio cego. Falando em "cego", é irónico como o tal olho na pirâmide da parte de trás das notas de dólar é atribuído à Maçonaria como contribuição para o seu "design" (e parece que até é verdade). Só que hoje o dinheiro vai parar nas mãos de qualquer pateta que nunca teria possibilidade de se juntar à maçonaria - o olho está cego, e o dinheiro não olha a quem o conquista.


O que entendo eu por isto? Hmm...que não faz mal espreitar pelo buraco da fechadura, desde que seja no domínio heterossexual do voyeurismo?

Pode-se dizer portanto que a Maçonaria já viveu melhores dias, quando existia menos acesso à cultura, ou quando era mais difícil enriquecer, e esse ensejo estava ainda longe de quem não estava predestinado desde que veio ao mundo a alcançá-lo. Portanto, o que fazem os maçons, e qual a razão de ser da Maçonaria? Segundo os próprios, e há uma entrevista muito boa da BBC a Nigel Brown, mestre de uma loja maçónica inglesa que explica isso e muito mais, e que resume a natureza da organização a um "clube de cavalheiros", que entre si discutem temas da actualidade, trocam impressões, tudo isto "inter pares". Elaborando a partir desta ideia, a natureza da Maçonaria é, segundo os próprios maçons, "humanista, respeitadora da democracia e dos valores libertários emanados da Revolução Francesa (erradamente atribuída também aos maçons, pelo menos no essencial), de carácter filantropo". Portanto esta "filantropia" de que falam aqui dá a entender que os maçons aderem desinteressadamente ao grémio, e ainda entram em despesas, perdão, "distribuem a riqueza que o mundo lhes passou para as mãos por serem uns tipos ultra-mega-bestiais (e bonitos também, convém referir), para que assim esse mundo seja mais livre, mais justo e igualitário, e eles os arquitectos desse enorme ideal cuja concretização lhes foi confiada e que é ao mesmo tempo a sua própria razão de ser". Ena, fosse isto verdade e dava para engatar resmas de gajas, que a meio daquela oração já tinham a pista toda oleada e mais que pronta para pôr o "Pacheco" lá a patinar. Mas teriam que ser umas tipas pouco ou nada materialistas, pois quem pensa que esta é uma organização que passa milhões de dólares aos seus membros no acto da inscrição, está a confundir a Maçonaria com a Arábia Saudita. E não é verdade porquê? Basta olhar para o mundo e perceber a falência desses valores, cenário que é também paralelo a falência da própria Maçonaria, pelo menos no que toca à sua importância.


Mas o que vem a ser isto? Vão violar o tipo? Templo Maçom ou Studio 54 na noite dos Village People ao vivo?

Sendo ponto assente que não nadam em dinheiro - a não ser o pecúlio individual de cada um dos seus elementos - há ainda a questão da ordem de trabalhos: o que fazem os maçons nas suas reuniões? À luz das teorias da conspiração mais badaladas, sentam-se numa mesa decorada com objectos oferecidos por governos extra-terrestres, que apenas com eles estabelecem contacto, e vestidos de roupagem do estereótipo satânico decidem resultados de eleições, as cotações nos mercados bolsistas e o câmbio das das moedas de todo o mundo, além de decidir se amanhã chove, e tudo numa linguagem codificada que apenas eles entendem. No fim sacrifica-se uma virgem. Pode ser que antigamente um maçom que ouvisse um chorrilho de disparates deste calibre optasse por não dizer nada, remetendo-se ao silêncio e sorrindo placidamente, como quem guarda um segredo. Belos tempos, não há duvida, mas aquilo que antes sugeria uma sábia contenção, hoje arrisca-se a ser confundido como um sintoma de autismo regressivo - ou de Parkinson's, pois há descontos para a terceira idade. Depois do choque de frente com o pragmatismo na auto-estrada da modernidade, a Maçonaria viu o seu lado místico perdido em contradições várias. Assim dizem que os seus membros estão impedidos de discutir política e religião durante as reuniões, desmontam o mito do elitismo dizendo que "qualquer pessoa se pode juntar", depois veio António Arnaut, antigo grão-mestre do GOL dizer que "não é assim", e chegou-se mesmo a desmentir, e com recurso a provas, que o acesso estava vedado às mulheres. No fim de contas, hoje em dia é um pouco como pertencer ao "jet-set" e aparecer nas revistas, ou deter um título de nobreza, mas pouco importa ser obrigado a andar ao cartão ou viver num T1 em Chelas desde que se apareça nas revistas ou se seja tratado por "Sr. Barão do Cagalhão" ou "Condessa da Picha Tesa".


Desconfio que o Grão-Mestre tem que começar a passar mais tempo em casa e menos no Templo. Não que a esposa dele se queixe da "solidão", entenda-se...

O que lá se faz só a eles diz respeito, mas ainda bem que afinal aceitam senhoras, caso contrário seria de desconfiar se esse LGO não seria na verdade a ILGA em disfarce. Falam de "irmandade" - tenho a certeza que mesmo assim não perdem uma oportunidade de sacanear o parceiro, se for pertinente fazê-lo. Em teoria, e como irmandade que são, devem-se auxiliar uns aos outros. Pode ser que isto explique um pouco a implosão da Maçonaria, pois atendendo à velocidade dos ponteiros, e de como tão depressa vão para cima como para baixo, pode-se dar o caso da tendência ser para não deixar entrar qualquer um. A adesão faz-se por sugestão de outro membro ou por pedido, que no caso analisado com base nas qualidades do requerente, estas nunca estariam "acima ou ao mesmo nível" de quem delibera e tem a função de aceitar ou recusar a candidatura. Mas isto tudo para dizer que não deve ser para contar com a camaradagem dos parceiros maçons em caso de dificuldades que alguém pensa em juntar-se à Maçonaria. Ora bem, isto tem tanta importância saber como tem a amplitude térmica registada no mês de Fevereiro de 1983 na estação meteorológica das Penhas Douradas, e tudo o que deixo aqui em forma de opinião não passa disso mesmo. No evento de quererem saber mais, podem procurar e de certeza que encontram resposta a tudo, pois caso a Maçonaria aquele bicho de sete cabeças que muita gente pensa que é, já eu teria sido misteriosamente decapitado a meio da redacção deste texto.


Alguém devia dizer aqui ao Luz do Oriente que o avental meteorológico está avariado: dá sol e sinal tufão ao mesmo tempo.

Antes de passar ao teste que proponho como tema deste artigo, dou comigo a pensar se alguém terá algum interesse neste tipo de "talento", pois nem revela perspicácia, nem tem qualquer utilidade. Não é necessário usar máscara cirúrgica ou ter as vacinas em dia na eventualidade de se ficar frente-a-frente a um maçon. Em Macau, e segundo esta reportagem do Ponto Final, existiam em 2011, à data dessa mesma reportagem, "duas lojas maçónicas". Calculo que desde aí tenham sido obrigadas a fechar por culpa do aumento das rendas, e se calhar estavam arrendadas ao deputado Chan Chak Mo a preço "de amigo", que para mim e para o maioria dos leitores ainda é o preço dos olhos da cara - que maçónica maçada! Como já vimos e revimos, e ficámos convencidos, aos maçons não é devido qualquer tipo de secretismo, e os de cá fazem até questão de se identificar. Não é por nada, nem seria de qualquer forma, visto que a China dificilmente ia olhar com bons olhos para este tipo de organização alheio à sua esfera de controlo, e não ia gostar nada de ter gente da sua confiança lá metida, quem sabe se a conspirar contra eles - e o regime desconfia até de um clube de tricô que não seja aprovado pelo partido único e com a ficha completa no arquivo. Fazendo uma busca na "net", encontramos aqui e ali textos sobre a presença da Maçonaria em Macau, como este, este outro do Macau Antigo, na sequência da cobertura que o autor dá aos mais variados quadrantes da história do território, e depois a confirmação daquilo que disse um pouco mais atrás, com este blogue alegadamente da autoria de um maçom de Macau, que deve ter pouco tempo para "maçonices", uma vez que o abandonou quase tão depressa quanto o inaugurou (e com pompa e circunstância, há que dizê-lo) e ainda mais gritante este artigo em que o maçom não se "maçou" em ocultar a sua identidade, nem um bocadinho. Só lá faltou a fotografia segurando uma declaração escrita e com o devido reconhecimento notarial dizendo que pertence à Maçonaria, trajando uma t-shirt onde se lesse "Maçons do it better, baby".

Agora o teste propriamente dito. Vou deixar oito imagens, numeradas de 1 a 8, cada uma com um rosto, e todos estes assumindo uma expressão enigmática, como de quem está a esconder algo - e está, mas quer que toda a gente perceba isso. Apenas quatro destes "suspeitos" terão fortes possibilidades de ser mesmo maçons, e como podemos saber? Já lá vamos. Primeiro observem os rostos com atenção, e escolham quatro números. Depois logo vão ver se acertaram.


Se escolheram os números 1, 4, 6 e 8, parabéns! São peritos em detectar maçons. Se escolheram outros números estão também de parabéns, quem sabe até mais, pois acham isso completamente irrelevante - e de facto não interessa nem ao Menino Jesus. 


Começando pelos que não pertencem à Maçonaria, temos o nº 2, que é asiático. A Maçonaria diz não discriminar por motivos de origem, credo ou filiação política, mas além disto ser uma meia-verdade (ou meia-mentira), dificilmente o cavalheiro em questão encontraria uma loja maçónica na sua área de residência, situando-se a mais próxima a pelo menos seis horas de avião de distância. O nº 3 não aparenta ter 21 anos, idade mínima para entrar na Maçonaria (ou 18, em algumas Universidades), apesar do ar de zangado de quem esteve em vão a tentar convencer toda a gente que é maçom, levando-o a ficar à beira da birra. É possível que haja quem o tenha escolhido, e não o censuro, pois era de facto uma "rasteira" que eu aqui deixei. Depois de lhe limparem o cocó e beber o leitinho, o jovem vai fazer ó-ó e já não chateia ninguém, pelo menos até à próxima fomeca de protagonismo. Como se pode ver, tem todas as características que identificam o maçom, menos a idade mínima. O nº 5, por seu lado, deixa logo entender que "Maçonaria" só seria do seu interesse se fosse o nome de uma pré-púbere em idade escolar. Este tipo não engana ninguém com aquela rotina do "agente secreto", pois é lógico que a  gabardina, debaixo da qual não tem mais nada vestido, é a ferramenta do exibicionista, e o que aparenta ser um "walkie-talkie" é o telemóvel com o qual tira fotos por baixo das saias das meninas. O nº 7 é, como podem verificar, um cachorro, mas essa não é a única pista que nos leva a dizer que não é maçom. Reparem no seu ar comprometido, como de quem guarda um segredo importante, como o paradeiro do corpo do sindicalista Jimmy Hoffa, ou o número do "round" em que o próximo adversário de Manny Paquiao se deve atirar para o tapete e não se levantar mais, por exemplo. Isto são segredos próprios da máfia; não só os segredos dos maçom são irrelevantes, como ainda se estes se borram de medo da máfia, assim como o mais comum dos mortais.


Dos que revelam todos os indícios de pertencer à Maçonaria há um que nem precisa de trabalhar a sua expressão facial: o nº 8, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos e maçom. Mas atenção: não é presidente dos Estados Unidos PORQUE é maçom - uma coisa não tem nada a ver com outra. Seria o mesmo que dizer que Nélson Évora é campeão olímpico do triplo-salto PORQUE confessa a fé Ba'hai. Agora que penso nisso, há mais probabilidades da fé Ba'hai contribuir para o sucesso olímpico do que pertencer à Maçonaria numa corrida à Casa Branca. Senão, respondam-me a isto: se o facto de ser maçom fosse "tiro e queda" para ganhar as presidenciais americanas, bastava a Obama dizer "sou maçom", e ia tudo em transe votar no tipo, que assim poupava em discursos e debates e essa merda toda. O nº 1 é um novo maçom, acabado de sair do cerimonial onde passou de cuecas e olhos vendados pelos outros membros da sua loja enquanto estes o açoitavam no rabiosque com uma palmatória - se não foi algo assim foi muito parecido, acreditem. Nota-se porque além da sua jovial aparência, ainda ostenta um ar muito carregado de quem acredita piamente de que é "especial" e aquele segredo tem que ser bem guardado, senão vai provocar a inveja e ao mesmo tempo ganhar o respeito de familiares, amigos e conhecidos. Anda mortinho para contar a toda a gente, portanto. O nº 4 é o maçom dos média, ou em alternativa da literatura ou das finanças - algo que requeira uma indumentária formal e uma sala cheia de livros. Enquanto espera ver-nos engolir a seco, vai pensando que dali vai à lavandaria buscar os pijamas, mas quer dar a entender que aquilo que ele sabe e que nós julgamos ele estar a pensar nunca poderia ser do nosso conhecimento, sob pena de na posse dessa  informação rebentarmos mais depressa do que um gato num forno microondas. Finalmente o nº 6, o "suave veterano", que combina a aparência de Capt. Picard da série Star Trek - New Generation com um guarda-roupa jovial, não demasiado, mas antes na senda do bom gosto. O tipo de bom gosto com que a Maçonaria nem passaria sem. Profissão? Médico. Especialidade? Urologista. Paciente-tipo? Da terceira idade.

Com a excepção de Obama, que aqui é o "bónus", os restantes maçons têm algo em comum que os denuncia. Melhor ainda, que os anuncia, sendo essa a intenção: a cagança. O nº 1 parece querer dizer que tem algo terrível que queremos saber, mesmo não estando interessados e suspeitando de que poderá doença mental, ou prisão de ventre que estão na origem do seu semblante grave; o nº 4 segura a cabeça como se o pescoço fosse feito de barro fresco, tal é o peso da revelação que tem para nos fazer; o nº 6 parece estar a querer hipnotizar-nos, não para nos sentir a próstata, prática habitual na sua rotina profissional, mas para que lhe façamos a mesma pergunta que aos restantes: "Você por acaso é da Maçonaria?". A resposta virá sempre na forma afectada e semi-negativa. Como é isso? Depois de impulsionar o quadril para trás, fazendo um ângulo de 90º graus com as costas enquanto aspira com tanta força que se for Outono sufoca com folhagem caduca que lhe entra no esófago, abrindo os olhos como quem viu à sua frente o espectro da morte, dando a entender que "descobrimos o seu segredo", diz-nos com um ar sereno e tácito, como de quem nos quer engatar e levar para a cama: "Não é nada da sua conta". E como reagir a isto? Bem, de todas as opções que me ocorrem, permitam-me que recomende a mais diplomática: "Eu também não queria saber, mas custou-me vê-lo aí aflito, prestes a mijar-se nas calças". E lá está um acto filantrópico que nem a Maçonaria se lembra de praticar: o alívio. 

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