quarta-feira, 24 de julho de 2013

Leve-me consigo, sra. agente (que eu sou um mau menino)


Desde pequeno que me sinto fascinado pela figura da mulher-polícia. Sempre as achei especialmente “sexy”, mesmo antes que a puberdade me batesse à porta, e ainda hoje me sinto meio acalorado quando vejo uma cachopa de farda, cacetete e pistola. Nem precisam de ser dotadas de atributos de beleza por aí além, boas mamocas ou uma bela peida, pois só o uniforme é quanto baste para garantir a batalha. Cheguei a pensar que tinha um problema qualquer, uma parafilia rara ou outra tara, mas quando constatei que em qualquer “sex-shop” que se preze é possível adquirir a farda completa com distintivo e as indispensáveis algemas incluídas, deduzi que fetiche tem uma respeitável legião de adeptos. É uma dos pratos mais pedidos da ementa do sado-maso pelos apreciadores da culinária erótica mais condimentada. Foi por pouco, mas ainda fui a tempo de cancelar a lobotomia a que me ia submeter de forma voluntária. Talvez este fascínio pela mulher-polícia se explique pela subversão da figura do agente da ordem pública, predominantemente masculina. Subversão essa que arrasta consigo o nosso libido, e nos deixa a suspirar por dócil bófia-fêmea que nos leve para o calabouço dos lençois e nos encha de tau-tau e abuse da sua autoridade até ao ponto do orgasmo múltiplo.

Isto tudo a propósito de uma notícia do jornal Ou Mun reproduzida na edição de segunda-feira do Jornal Tribuna de Macau, que dava conta de um episódio envolvendo uma agente policial a quem faltaram ao respeito. A agente em causa ia no elevador do seu prédio, perto da esquadra onde trabalha, quando foi vítima de assédio sexual por parte de quatro indivíduos oriundos da China continental, com idades compreendidas entre os 21 e os 26 anos. A mulher identificou-se, deixando saber com que se estavam a meter os malandrecos, mas nem assim conseguiu que estes se acalmassem. No dia seguinte os quatro turistas foram detidos e levados para a esquadra, onde não devem ter encontrado motivos para repetir a gracinha. A noticia, uma “breve”, não fornece outros detalhes, nomeadamente o grau de assédio sexual em questão, que pode tanto ir de um simples piropo a insultos, apalpadelas ou até uma tentativa de violação. Não se sabe ainda se os indivíduos em questão se encontravam embriagados ou se há algum excesso de zelo por parte da queixosa, e se a gravidade da ofensa justifica a caça ao homem que se seguiu e que acabou na detenção dos quatro jovens. Mas suponhamos que os agressores se encontravam no pleno uso das suas faculdades cognitivas, e que os seus actos podem ser considerados pelo menos de média gravidade. Dá que pensar. Se uma mulher-polícia se sentiu ameaçada ao ponto de precisar de puxar do distintivo, como se sentiria uma civil indefesa, fechada num elevador com quatro matulões mal intencionados? Uma brecha preocupante na segurança pública, se bem que impossível de prevenir.

Isto há gente que nunca aprende, enfim. Podemos fantasiar sobre a nossa mulher fatal à vontade, vestida de polícia, enfermeira, freira, coelhinha da Playboy, Catwoman ou de Mulher-Maravilha. Mas quando chega a hora de tratar uma senhora, cavalheirismo é a palavra de ordem. Podemos até reparar numa desconhecida atraente que partilhe connosco o elevador ou o assento no autocarro, imaginá-la toda nua, submissa e rendida às investidas da nossa masculinidades, suando em bica, com os cabelos desgrenhados e alternando gritos de dor com gemidos de lascívia, conforme a intensidade com que lhe açoitemos as nádegas. Mas isto fica cá dentro, contido na central de incineração dos pensamentos sujos. Tudo o que devemos mostrar é simpatia e acima de tudo bons modos, e optar pelo assédio ou pela javardice como desbloquador de conversa é começar a construir a casa pelo telhado. Se lhe conquistarmos a simpatia, dando início a uma bela amizade e com alguma sorte algo mais, então é a altura ideal para extravazar uma boa dose de charme masculino mais “brutal”. E se for bem feito, elas até pedem bis da próxima vez! Por isso sejam pacientes, meninos rabinos, e controlem-se.

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