segunda-feira, 15 de julho de 2013

Apanhar o boi preto pelos cornos


Esta manhã fazia a habitual leitura da imprensa em português, e enquanto desfolhava o Hoje Macau, deparei com uma material delicioso nas páginas centrais: um anúncio oficial da Direcção dos Serviços de Assunto de Tráfego (DSAT), notificando taxistas infractores das coimas resultantes das violações do Regulamento do Transporte em Automóveis Ligeiros de Aluguer por eles cometidas. Lendo com redobrada atenção algumas das infracções, encontramos autênticas pérolas.

A maior parte resulta da recusa da tomada de passageiros ou da cobrança abusiva de tarifas. No último caso ficamos a saber que um taxista pretendia cobrar 350 patacas pela travessia de uma das pontes. As vítimas preferenciais dos larápios são os passageiros com destino à fronteira das Portas do Cerco, para onde a corrida aparentemente nunca fica por menos de 100 patacas. O aeroporto é também profícuo em taxistas desonestos, com o custo de uma viagem até à peninsula a rondar as 200 patacas, em alguns casos. Algumas queixas são mais detalhadas, e ilustram bem a indiferença de alguns destes parasitas encartados pelo cumprimento das regras que se comprometeram a cumprir. Enquanto alguns alegam a mudança de turno como razão para rejeitar uma viagem que consideram pouco lucrativa, outros simplesmente ignoram os potenciais passageiros que lhes acenam, e dirigem-se a casinos ou outros locais onde podem simplesmente exercer chantagem sobre turistas pouco informados sobre os seus direitos, nomeadamente o de apresentar queixa contra o serviço miserável prestado pelos taxistas.

Algumas situações mais extremas chegam ao ponto do taxista abandonar o passageiro a meio do destino, depois de não se chegar a acordo com a tarifa. Num dos casos reportados um passageiro apanhou um taxi na Taipa, pediu ao motorista para o levar ao Marina Hotel, e o taxista recusou o serviço, alegando que o trajecto "pode ser feito a pé". É de salutar que os consumidores insatisfeitos com o serviço de taxis façam valer os seus direitos e reclamem, enquanto alguns preferem engolir em seco, aceitar as tarifas criminosas que lhes são exigidas, ou aceitar a recusa de transporte e ficar à espera que os ventos da sorte o favoreçam, e que algum taxista mais honesto aceite levá-lo ao seu destino. O mais importante é não esquecer que os regulamentos deixam bem claro que o preço da corrida é estabelecido pelo taximetro, e que o acerto prévio da tarifa é irregular.

O que se lamenta é a forma como a DSAT trata a língua portuguesa, demonstrando que podia fazer muito melhor para cumprir o desígnio do bilinguismo na divulgação de informação de interesse público. Frases sem sentido, uso de terminologia em inglês, colocação indevida de pausas, ao ponto de existirem três ou quatro palavras separadas por vírgulas, e gralhas do tipo "táxi de cor amarelho". O mais importante mesmo é que os cabrões dos taxistas não pensem que se livram de um castigo caso não cumpram as regras e voltem para casa apenas com o produto do seu trabalho e a satisfação do dever cumprido.

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