segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Olho vivo


1) Fazia hoje as minhas leituras habituais da imprensa quando deparei na página 3 do Hoje Macau com uma notícia sobre a entrevista de Agnes Lam no último Sábado à Rádio Macau. A "politóloga" da UMAC diz a certa altura que "Chui Sai On só deve ficar no poder durante mais um mandato se conseguir, durante este ano, dar resposta aos problemas que se arrastam há algum tempo". Viro para a página 4, a seguinte, e leio que o actual Chefe do Executivo atingiu um recorde de popularidade. De acordo com uma sondagem realizada pelo Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong entre 519 residentes do território, Chui recolhe quase 65% de opiniões positivas, contra apenas 28% de opiniões negativas. Não é preciso ser muito inteligente ou estudar em Cambridge para saber que vamos ter Chui Sai On até ao final de 2019. Caso não aconteça nada de extraordinário (e isso seria mau sinal), o actual CE vai-se recandidatar sozinho no próximo ano e cumprir mais um mandato, mesmo que não mexa um dedo durante o próximo ano e meio. O conselho que gostava de dar a Agnes Lam é o seguinte: só se candidate à AL novamente se meter os dois pés na terra e deixar de ser um anjinho. A menina nem parece que é de Macau, sinceramente.

2) Lionel Leong, deputado local à Assembleia Nacional Popular (ANP) chinesa, considerado uma jovem promessa da política local, disse ao Ponto Final que ainda não recebeu a petição da Associação Novo Macau (ANM) que apela aos deputados da ANP que tomem uma posição sobre o caso do jornal de Cantão que denunciou ser alvo de censura. Leong diz que vai dar atenção ao caso, claro, e diz-se a favor da liberdade de expressão, um valor universial, mas...mas...mas... É que para ele isto é muito complicado, e é insensato tomar uma posição sem um estudo científico e aprofundado do assunto...e que isto da liberdade é muito bom mas é preciso respeitar a lei...a liberdade tem que se adaptar às leis locais...ufff...e é preciso encontrar um equilíbrio...e xi, olhem para as horas, estou atrasado para uma reunião. Ah, valente. Nada como um cão que conhece bem o dono.

3) Ainda no Ponto Final, na habitual coluna de opinião "Entre Aspas" deparei com o texto de um tal Inácio Natividade, que apesar de não ser identificado presumo ser moçambicano e membro da FRELIMO, o partido do poder naquela ex-colónia portuguesa. Depois de vários parágrafos de graxa ao regime chinês que chega para dar brilho aos sapatos dos membros do Politburo durante os próximos dez anos ou mais, e dissertações sobre a qualidade dos produtos chineses (sabiam que quem põe no espaço naves com 100 toneladas de peso só pode produzir tecnologia de qualidade? Eu também não...), passa depois ao ataque: "Chineses e indianos foram como os africanos muito explorados e humilhados na sua própria terra por potências coloniais estrangeiras, mas nem por isso são anti-ocidentais". Ora aí está, e ainda bem! Estava preocupado que os chineses e indianos fossem agora entrar pela Europa e "humilhar" os europeus. Eu não sei que visão do colonialismo este senhor Natividade tem, mas o facto de escrever na nossa língua, por exemplo, já é um reflexo de que nem tudo do colonialismo foi uma tragédia. Basta olhar para Macau, e o facto de estarmos aqui a discutir pontos de vista, para perceber que além da escravatura, da exploração das matérias-primas e restante "humilhação", foi feito algo de construtivo durante os últimos cinco séculos. Não quero especular como seria a África hoje sem a colonização de potências europeias como a Inglaterra, Portugal ou a França, mas não creio que fosse muito melhor, quando a totalidade daquelas ex-colónias são países livres ou independentes. Não penso que o Ocidente tenha responsabilidade directa no sistema imperial e feudal que vigorou na China durante milénios, ou no sistema de castas (que é referido) na Índia. Também não encontro no Ocidente paralelo com os eventos recentes naquele país, nomeadamente as violações e outras atitudes de selvajaria. Acho óptimo que faça "business" com os seus amigos chineses, mas abstenha-se de escrever tanto disaparate. Valeu? Kanimambo.

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