sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os blogues dos outros


Quando abri a porta de casa havia uma piscina que descia já em cascata do sexto andar para o quinto. Desci as escadas, subi, olhei para a minha porta e para a porta da vizinha... a piscina não deixava adivinhar de onde vinha a água. Mas a minha casa estava seca. Alertei o condomínio e o segurança do bairro que para fazer o walkie talkie funcionar lhe dá pancadas. Chamei quem podia e fiquei a ver a calma....
O prédio a alagar e eu sem saber se iriam telefonar para a vizinha a dizer - olhe que deixou alguma torneirinha aberta. Passa meia hora e vejo que a vizinha do quarto andar, despachada a ver que a água já descia até ao andar dela foi chamar também ela, o condomínio. Mas a senhora despachada não teve dúvidas ao dizer que a água vinha da minha casa. Lá lhe digo que venha cá acima e veja ela que o meu chão está seco. Inútil pensarem que seria a chinesa da frente e não nós que somos estrangeiros, os causadores da confusão. Quando chega a vizinha e abre a porta vem a água em corrente e ela olha e diz - pois é, desculpe... agora para descer as escadas é melhor levar guarda-chuva. O problema é que cá em baixo ainda se comentava que a água vinha era da nossa casa. Ora, ora... nacionalismos à parte - os chineses também se esquecem das torneiras abertas.


Maria João Belchior, China em Reportagem

Moribundíssima. A Teresa Guilherme ou a SIC? Pelo que leio na revista 'Notícias TV', suplemento do DN, a SIC está de rastos. A Teresa dá um arraso na SIC que já tenho dúvidas se não serão complexos da idade. As produções de TG sempre foram do mais piroso no mundo da TV portuguesa e a SIC começou a perder audiências devido a essa pirosice. A SIC pode estar farta dela e a verdade é que estão a negociar a sua saída. TG nas afirmações que faz diz que a SIC está "moribundíssima" e que o problema da estação de Carnaxide "é não ter um chefe". TG passa das marcas e numa de graxa ao José Eduardo Moniz afirma que este é que é bom, que tem uma estratégia e que por isso é que a TVI tem público. TG surpreende os leitores ao afirmar que "não dou nem um ano" à televisão da Impresa. Será que Balsemão foi à falência? Tenho aqui no bolso um euro que posso emprestar ao Francisco...

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Por toda a Europa, a oferta de brindes continua a ser uma prática seguida por vários partidos. Na Holanda, por exemplo, o partido “Os Verdes” oferece preservativos com este slogan: “apetece-me ter relações europeias”.
Os liberais holandeses recorreram a uma ventoinha e acrescentaram-lhe o slogan “Fan of Europe”, aproveitando o duplo significado da palavra “fan”
Bem distantes do miserabilismo dos slogans exibidos nos outdoors que proliferam em Portugal.


Carlos Barbosa de Oliveira, Delito de Opinião

Não sei se já repararam. Vital Moreira praticamente não tem aparecido sem José Sócrates ao lado e Paulo Rangel praticamente não tem aparecido ao lado de Manuela Ferreira Leite. Está certo. São sinais inequívocos que se extraem da campanha: tanto o PS como o PSD querem mesmo ganhar estas eleições.

Pedro Correia, Corta-Fitas

Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo.

José Saramago, O Caderno de Saramago

Tem graça ouvir Vital Moreira no Fórum TSF. Três notas rápidas:
- Justiça: A sua indignação cívica e violência acusatória sobre o caso BPN, aplicada ao Caso Freeport, daria pedido de demissão de Sócrates. O calor da campanha fez Vital abdicar da presunção de inocência!
- O que se está a escolher: Vital reafirma que só se está a escolher três partidos (sob o argumento que PSD/CDS e PCP/BE estão nos mesmos grupos europeus), ou seja, quem vota no PS está a votar na amálgama política que são os Socialistas Europeus.
- O argumento de classe: Vital declara que vai perder rendimentos como eurodeputado.


Tiago Mota Saraiva, Cinco Dias

O anúncio televisivo com Cristiano Ronaldo a dizer que daqui a três anos terá o dinheiro no BES arrepiou-me e trouxe-me à memória o dia 17 de Outubro de 1999. Era uma manhã gelada no pelado de Pina Manique, o jogo Casa Pia-SCP, 5ª jornada do Nacional de Iniciados. Chuva e frio ao mesmo tempo e em doses fortes. Aos 24 minutos, sem nada que o fizesse prever, o árbitro António Cardoso interrompe o jogo e chama de imediato o enfermeiro Fontinha. O jogador nº 10 do SCP estava mal. Muito mal. O pulso estava a correr como um cavalo à solta, a taquicardia foi sustida com uma injecção mas só a operação pôde mais tarde debelar o problema que era grave e congénito – o músculo do coração funcionava em duplicado. Tudo correu bem em Santa Cruz e o menino que veio da Madeira com 11 anos pôde prosseguir a carreira até aos píncaros da fama mundial. Eram seus colegas de equipa o Carlos Saleiro (que brilhou na Académica este ano) e o João Pimenta que me lembro de ver jogar no Covilhã além do Christopher que jogou no Torriense. O Carlos Marques chegou à equipa «B» do Sporting. A minha crónica no jornal «Sporting» de 19-10-1999 ficou com o título de «Triunfo no lamaçal» e referia duas contrariedades: a febre do guarda-redes Christopher e a taquicardia do Cristiano Ronaldo além da maior e mais geral – jogar num lamaçal quando o relvado estava às moscas. O treinador era Rui Palhares e o delegado era António Atanásio. O fotógrafo foi Vinicius Carriço mas só saiu uma fotografia porque era preciso espaço para as fichas dos jogos de Escolas e Infantis onde já brilhava um tal Daniel Carriço, esse mesmo. Ninguém é senhor do seu destino e por isso me arrepio quando vejo o anúncio. E sei porquê.

José do Carmo Francisco, Aspirina B

Um bom amigo tailandês que ronda os 50 anos - médico de sucesso e rico por herança familiar, pois é filho, neto e bisneto de Luangs, o nosso equivalente a Visconde, o que nesta terra tem significado - dizia-me hoje pelo telefone que se preparava para a reforma. Trabalha desde os vinte e poucos anos e conseguiu acumular o suficiente para se retirar e dedicar-se ao seu hobby. É um grande apaixonado dessas verdadeiras jóias dos oceanos que são os búzios e os corais. Em casa, possuiu uma rara colecção que conta com milhares de peças de reluzentes maravilhas do Índico e do Pacífico. Arrumadas, catalogadas e etiquetadas como num museu de Ciências Naturais, estão avaliadas em milhões pelos especialistas. Aos 50 anos, à beira da reforma. Eu tenho quarenta e muitos e não deixei nada que preste. Dois ou três livrinhos que a memória das bibliotecas condenará ao mutismo eterno, mil e uma tentativas de fazer algo e pouco mais. Parece que tomei a decisão certa de sair na idade errada, ou seja, vinte e tal anos após bater teimosamente com a cabeça na muralha do sepulcro de vivos em que se transfomou Portugal. Resta-me uma derradeira esperança: a de poder, em 2011, publicar uma história das relações entre Portugal e a Tailândia no ano em que se celebrarão os 500 anos da nossa chegada a estas paragens. Nesse dia, pensarei na reforma.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

O redactor chefe da revista da arquidiocese de Madrid, presidida pelo cardeal Antonio María Rouco Varela, pergunta num artigo se faz sentido manter a criminalização da violação. É caso para perguntar se anda alguma doença dos arcebispos loucos à solta pelo mundo…

Palmira F. Silva, Diário Ateísta

Se os mexicanos comem tacos era mais lógico que tivessem apanhado a gripe do caruncho.

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

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