quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Artigo, ministro e livros


1) Foram várias as reacções à divulgação do diploma que regula o artº 23 da Lei Básica. Entre o optimismo (na maioria) aos receios relacionados com alguma interpretação dúbia ou a zonas cinzentas do diploma, muito se escreveu e falou sobre o diploma. Pessoalmente estou optimista. Trata-se de uma regulação que existe em países e territórios do mundo inteiro, e foca sobretudo crimes graves ou violentos contra o Estado chinês, nada que diga respeito ao cidadão comum. Segundo o executivo, o diploma mereceu meses de estudo e consideração, tendo em conta os direitos e liberdades fundamentais da população. Quero acreditar que sim senhor, não há problema, e mesmo que houvesse existe agora um período de consultas, que se extende até 30 de Novembro. A versão já não é má de toda, e ainda pode melhorar.

2) O ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, Luís Amado, passou pelo território, onde visitou a Escola Portuguesa, o IPOR, participou da inauguração da FIM, e manteve contactos com altas individualidades da RAEM. Não me apetece criticar a visita do ministro, ou as juras de amor eterno e "realização de compromissos" e outro blá, blá, blá tão típico dessas coisas da política, mas quero acreditar que tanto as intenções de Luís Amado como do Estado português são as melhores. E porque não haviam de ser? E já agora quero comprar o Magalhães, o computador Made in Portugal de que tanto se fala. Aliás vou comprar dois, que os miúdos já me passaram o dia a chagar o juízo. É só uma questão de como, quando e onde.

3) A propósito da visita do ministro e de mais um excelente artigo do grande H. Pinto Fernandes na edição de hoje do HM, gostava de falar do preço e da variedade das publicações de livros em português no território. Quem compra livros na internet como eu sabe bem como podem ser elevados os preços do porte, e compreendo como os livros na Livraria Portuguesa ou no IPOR podem ser um pouco caros. Há também publicações de Macau a preços bastante módicos (algumas menos de 100 patacas). O problema é a falta de variedade e o exasperante lag entre a publicação das edições na República e o seu transporte para Macau, o que leva aos menos pacientes a optar pela compra dos livros durante as férias, ou simplesmente pela internet. O que se podia fazer era uma cooperação mais próxima entre os livreiros portugueses e as lojas de Macau, o que nos poupava alguns amargos de boca. Valeu?

12 comentários:

  1. Se calhar até se podia fazer essa cooperação entre livreiros portugueses e lojas de Macau, mas também há quem se tenha já oferecido para ficar com a Livraria Portuguesa, partilhar lucros com o IPOR e baixar os preço.... e porque será que não foi aceite?!

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  2. Fora de tópico:
    Li hoje um artigo no Jornal Tribuna de Macau que é, no mínimo, insólito:
    Trata-se do 50º Aniversário da Associação de Fotografia Digital.
    É mesmo, a fotografia digital já tem 50 anos em Macau. De Macau partiu para o resto do mundo, onde só chegou nos anos 90.
    O pioneirismo de Macau é reforçado no segundo parágrafo da notícia:
    "Foi a paixão pela fotografia que levou três jovens a criar em 1958 a Associação de Fotografia Digital de Macau."
    Os mais sinceros parabéns à dita Associação.

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  3. Sr. anónimo: como dizem os ingleses, gosto do corte da sua manta. Muito bem observado e com um excelente sentido de humor. Abraço

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  4. 1) Mas afinal qual é a diferença entre o artigo 23 e quaisquer outros artigos que existem em todos os países do mundo sobre os tais actos de "traição à pátria"? Ainda não consegui perceber o alarido à volta disto.

    2) O blá blá blá do costume e está tudo dito.

    3) Em vez do blá blá blá do ponto 2, aqui é que o governo português poderia dar um contributo (mas bastará lembrar que até acabaram com o porte pago para o estrangeiro). Como sempre, para os politiqueiros daquele país só o blá blá blá é que interessa, o que até percebo, pois é com o blá blá blá que eles conseguem ser eleitos. Enfim, em democracia, cada povo tem aquilo que merece.

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  5. Caro anónimo das 12:33,
    1. É verdade que por todo o mundo existem leis semelhantes. A grande diferença está naquilo que se consideram actos de traição à pátria e de quem faz essa consideração. E olhe que os exemplos a que temos assistido não são os melhores (nota aos censores: este comentário é puramente construtivo, ie, é uma sugestão, não me estou a queixar de nada).
    2. Este ministro dos negócios estrangeiros é só o melhor no seu cargo desde 1908, e olhe que não costumo gostar do PS.
    3. Neste ponto está cheio de razão.
    Quem não semeia não deve esperar colher.

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  6. 3) Nós fizemos os possíveis por ter variedade e livros a preços mais baixos em Macau. Na verdade conseguimos cumprir esses dois pontos. Foi complicado depois do grande investimento inicial, sem apoios de qualquer lado, manter o fluxo de novidades no campo literário de Portugal. Como todos, o mercado dos livros é difícil e nós estavamos em várias frentes e um pouco longe do centro. Começámos do zero e fomos aprendendo com as falhas.
    Há na verdade taxas absurdas em Portugal para a exportação de livros. Esse seria um dos pontos que o governo poderia colmatar. Por si os preços praticados em Portugal já são caros, com as despesas de transporte não há grande margens.
    Na possibilidade de regressarmos ao ar, voltaremos com a experiência na bagagem e com a promessa de fazermos melhor. Obrigado.

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  7. Obrigado à Bloom pelo esclarecimento, que serve de complemento ao post.

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  8. Anónimo das 13.02: o Luís Amado pode até ser o melhor MNE desde 1908 (por acaso é o único ministro que me merece alguma consideração), mas de pouco lhe vale se faz parte do pior governo desde 1908. E olhe que eu, ao contrário de si, até gostava do PS. Mas para Sócrates e companheiros (concedo em deixar de fora o MNE), a cadeira eléctrica ainda era pouco.

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  9. Acho que faz em estar optimista. Dado o leque de leitores que tem pode dar a impressão que não há problemas. Não sei qual a sua formação técnica mas imagino que não a tenha. Se a tivesse não diria o que disse. O sentido da lei não se constrói apenas com a sua leitura. Se assim fosse não era preciso o curso de direito; bastava o 9.o ano. Para o construir é preciso olhar ao elemento histórico-sistemático, ao espírito da lei e ao quadro internacional. Tenha a paciência de fazer google no texto no pdf e escreva a palavra "pacto" e depois procure. Vai ter uma surpresa. Sabe o que é o PIDCP? Segunda questão as leis não são interpretadas pelos governos que as promovem. São pelos Tribunais e num caso de uma lei de segurança pública pelo Ministério Público que defende o interesse do estado. Já viu a tipologia dos actuais magistrados do Ministério Público. Convinha informar-se. O Colega da Blogosfera.

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  10. Andarilho: não sei qual a sua formação técnica quando se trata de escrever, mas suponho que também não a tenha. No seu caso, não basta ter o 9.º ano nem sequer um curso superior para perceber o que escreve. A pontuação mais ou menos no sítio certo era capaz de facilitar um bocadinho a leitura. O "leque de leitores" do Leocardo, se bem percebi (embora seja difícil), não é grande coisa. Tem toda a razão e você é a prova acabada disso.

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  11. O Arnie roi-se de inveja do blog do Leocardo.

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