domingo, 16 de março de 2008

Cuidado com a língua


O PS entregou na passada sexta-feira no Parlamento um projecto de lei que regula o funcionamento dos estabelecimentos que fazem tatuagens e aplicam piercings, passando a ser proibida a sua aplicação na língua. Por outro lado, o projecto estabelece a proibição da aplicação de piercings, tatuagens e de maquilhagem permanente a menores de 18 anos. Se no que toca aos menores, que estão sob a tutela dos pais, esta legislação faz todo o sentido, já no caso dos piercings na língua não se compreende. Não sendo uma actividade letal nem que perigue a saúde pública, não faz sentido proibi-la.

Não conheço ninguém que tenha um piercing na língua. Quer dizer, já vi, mas não tenho ninguém próximo que me esclareça um conjunto de dúvidas a respeito deste curioso adorno. Como é para tirar? E para voltar a por? Não existe o risco de se engolir? Incomoda a comer? Será que dói? Queimar a língua sei que pode doer bastante, mas e perfurá-la? No entanto se a ideia é avançar para proibir um piercing no músculo mais forte do corpo humano, a língua, porque não fazê-lo em relação a outras partes mais tenrinhas? Como o umbigo, a sobrancelha, a cartilagem da orelha e, o pior de todos, os mamilos!

Confesso que também usei brincos no meu tempo. É típico da irreverência da juventude. Usei também cabelos compridos, roupa preta e apertada, ténis-bota com uma enorme pala de fora, camisolas com slogans lamentáveis, enfim, mudam-se os tempos... Depois é preciso saber parar, claro. Perdoem-me a generalização, mas para mim quem usa brincos e cabelos comprios depois dos 30 anos, ou é cantor “rock” ou Pirata das Caraíbas. Mais tristes ainda são alguns indivíduos nos seus trinta-e-tal (às vezes quarenta), saídos de um casamento falhado, começam ou recomeçam a usar brincos e roupas “cool”, numa tentativa patética de viver uma “segunda juventude” ou de se juntar à malta nova, que obviamente os despreza.

Chamem-me cota se quiserem, mas sinto-me bem onde estou e como estou. Hoje em dia os piercings, as tatuagens, a maquilhagem permanente e os cabelos pintados não são mais que um “update” nas modas do nosso tempo. É a mesma música tocada num outro tom. Agora só não se percebe esta coisa com a língua que os rapazes do PS têm. Será alguma metáfora?

1 comentário:

  1. Há muitas maneiras de ser irreverente durante a juventude. Imitar os outros é uma irreverência muito pouco imaginativa. Fumar porque os colegas fumam, usar piercings ou brincos porque os colegas usam, etc., acaba por ser mais seguidismo do que irreverência. É a pateteira da idade.

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