quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Netiqueta, pois bem



Como gostamos de partilhar as nossas ideias, e vê-las validadas por aqueles com quem as partilhamos, mesmo que estes não concordem. Tinha um professor que em vez de refutar uma cadeia de pensamento menos conseguida, dizia apenas "é uma opinião, está certo". As redes sociais deram-nos a oportunidade de fazer chegar a nossa visão do mundo a um público do tamanho do próprio mundo, mesmo "sem querer" - há-de sempre haver quem "tropece" na marca que decidimos deixar em forma de comentário. Há depois momentos e situações em que convém reflectir um pouco melhor sobre o queremos partilhar na net, de modo a evitar fricções, ou até conflitos. Aqui a rede é o reflexo da própria humanidade: uma desgraça, e gostava de poder dizer "às vezes" - é quase sempre. Recentemente tivemos um verdadeiro teste à tolerância e à maturidade dos "netizens": as eleições americanas. Não estava muito virado para fazer "comentários aos comentários", mas ele há coisas que não podem deixar de ser ditas. Ó, se as há. Passemos sem mais demora à nossa "feature presentation".


"Que se passa com esta gente", de facto, meu caro Paulo Reis. Parece que nos últimos tempos o mundo inteiro como que..."enlouqueceu", não foi mesmo? Eu próprio tenho reparado como apesar de continuar jovem, nestes últimos vinte anos tem aparecido gente mais jovem que eu, vinda sabe-se lá de onde, que diabo! É o mundo ao contrário. "Educação, tolerância e elevação" são valências cada vez mais difíceis de encontrar, realmente, e enquanto uns se pautam por manter o nível da conversação à tona do pântano, outros há que praticam despreocupadatmente o mergulho em apneia. Deve ser por culpa dos personagens na imagem que o Paulo Reis usou para ilustrar o seu ponto de vista - tem tudo a ver, claro. Quanto ao Paulo Reis não preciso de dizer mais nada, mas na secção de comentários, vejam só quem é que eu fui encontrar.


Oh oh oh. Quem é xenófobo sempre aparece, adaptando às circunstâncias o velho adágio popular. A vitória de Trump deve ter levado o Hugo Gaspar a celebrar efusivamente, tendo em conta a hipnose a que o agora presidente eleito o induziu no momento em que garantiu que ia "arrear na moirama", promessa que entretanto retirou do seu "site" oficial - isto é algo que tratarei no post seguinte. Apesar de já não actualizar o seu blogue, o Hugo Gaspar não mudou muito, e com o pouco jeito que leva para fazer de Madalena arrependida, outra coisa não seria de esperar:


Aí está. Neste comentário, ainda mais recente que o anterior, o Hugo Gaspar refere-se de uma forma nada abonatória a Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda cujo pai esteve particularmente activo no mau sentido durante o período do PREC, que não é exactamente uma etapa da nossa ainda júnior democracia que encha de orgulho quem dela tomou parte activa. Quer se ache que o sr. Mortágua era um tipo mau como as cobras, ou se relativize a sua acção enquadrando-a no respectivo quadro político da altura, creio que por muito que a deputada do BE se esforce, não conseguirá reverter o que está feito. É esta pequena mas essencial regra do "fair play" democrático com que o Hugo Gaspar parece não atinar, e não me deixa qualquer pista que me faça conceder-lhe o benefício da dúvida - é óbvio que se trata de mais uma das suas célebres manobras de desacreditação através de um ataque "ad hominem". Deixa lá rapaz, que livre de pensar da maneira que quiseres, "and so am I"; pode ser que um dia quando e se tiveres um filho, e a criatura tenha granjeado a sua cota parte de celebridade meritosa (ou outra qualquer), eu me vá referir a ele como "o filho do xenófobo salazarento". Mas olha, e que tal eu te demonstrar - como tão bem faço, e tu melhor que ninguém sabes disso - o que são "pessoas de bom senso", ou neste caso, o que acontece quando o bom senso está em falta.


Ui, olha quem é ele, o homem a quem os eleitores na Florida salvaram de um mais que provável suicídio. Mas como diz? Palha...bem, não vale a pena repetir o mimo com que este "democrata" brinda os derrotados da eleição de terça-feira, como se não bastasse o ridículo a que se têm exposto muitos daqueles que insistem em não aceitar um desfecho que em muitos casos nada fizeram para impedir. Isto deve ser um exemplo da "educação, tolerância e elevação" a que o Paulo Reis se referia. Sim, só pode ser isso, e quem não vê só pode estar equivocado em matéria de "valores democráticos". O que se passa com esta gente?!?! 


Merda...porcos...latrina..."nigger Obama"...ah, já sei! Este é só mais um "comentário educado e devidamente fundamentado", ou seria, se estivesse aqui em discussão o sistema sanitário numa produção suinícola. Agora vamos observar como esta pessoa de "bom senso" dá início a uma "discussão ampla e profunda":


Ufa, ainda bem que não conheço assim tantos apoiantes da Hillary Clinton (ou nenhum, já o contrário...), pois se há coisa que me incomoda e  irrita são "fanáticos anormalóides mais estúpidos e burros que o raio que os parta" - isto recorrendo a uma definição científica dos mesmos, lá está. E que sorte que nos livrámos desses "radicais" do Bernie Saunders, que apesar de serem umas bestas, ainda "se comem" (ah, a linguagem...tão poética, só que ao contrário). Valha-nos a "esgrima argumentativa" desta pessoa "bem formada" - e só podia ser assim, sendo ele um apoiante do Trump, o único que bloqueia os outros, também - e falo por experiência própria, com conhecimento de causa. Agora, antes de mandar este freguês ir carpir a morte do cão, que com ele levou a sua salubridade mental, vamos ver o que seria se "o lado dele" perdesse:


Ah..."as máquinas", pois. E isto foi um autêntico corrupio na terça-feira, "wild mood swings" de proporções épicas, à medida que iam fechando as urnas nos Estados Unidos. Se perderam, "foi fraude", e como ganharam, foi também "apesar da fraude". Agora deixemos este a afagar a trela do falecido bóbi, e olhemos para outros "amantes da democracia" em acção:


Julgo que nem é preciso mencionar que esta conversa teve lugar numa altura em que Hillary Clinton ainda era dada como mais que provável sucessora de Barack Obama. Mas que graça, que "fair play", e o que é aquilo, uma apoiante do Trump, aparentemente americana, a dizer que "abandona o país" se a candidata democrata ganhar. Deve ser uma excepção, pois essa idiotice é exclusiva "dos outros", então? Bem, pelo menos não recorreram a "insultos violentos", que não sei se o meu pobre coração aguentava! Ou querem ver que...


Mas...mas..."rebentados por jhiadistas (sic)"? "Enrabados por barbudos"??? "Estupradas e genitalmente mutiladas"????? Ah, afinal é só o Carapito, o pitosga-mor da islamófobia. O gajo ainda só não ficou com as vistas endireitadas porque quando profere estas "pérolas" numa sala cheia de gente, ninguém sabe muito bem a quem é que ele se dirige - ou se o faz aos três ou quatro para onde apontam aqueles olhinhos de camaleão mongolóide. É o que lhe vale, pronto. Escusado será dizer que estes comentários que mais parecem anunciar o fim dos dias foram registados numa fase em que as probabilidades de Hillary Clinton ser eleita eram na ordem dos 80%. É deveras lamentável que tanta gente não aceite a "democracia" servida por gentinha desta estirpe, mas fica agora menos difícil de imaginar o que teria sido no caso de Donald Trump ter perdido as eleições. Ficamos então esclarecidos quanto a quem são aqui os selvagens, ó Paulo Reis, Hugo Gaspar e cia. lda. As melhoras, já agora.

  

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Presidente Trump - porquê, e o que esperar daqui em diante?


Aí está, "ladies and gentlemen", o sucessor de Barack Obama, o 45º presidente dos Estados Unidos, o detentor do chinó mais extravagante de toda a História, Donald Trump. Pois foi, "aconteceu", e nestas coisas da democracia já se sabe, é o povo quem mais ordenha, perdão, ordena...não, não, é ORDENHA, mesmo! E aqui traz-nos acabado de tirar das tetas da América não um balde de leite fresquinho, mas antes um bal...quer dizer, Donald Trump. Isso. Não seria original da minha parte insultar o homem que os norte-americanos escolheram para os governar nos próximos quatro anos, e muito menos elegante - era um dos dois candidatos elegíveis para o cargo, e foi ele o escolhido. Fim de citação. A alternativa era Hillary Clinton, e se há um sentimento que este resultado me provoca, este pode-se definir por um misto de apreensão e alívio. Primeiro porque ninguém sabe o que esperar do vencedor inesperado, e depois porque toda a gente sabia o que esperar de quem davam por garantido na Casa Branca: mais do mesmo. E a malta anda farta do mesmo. É pena que o Partido Democrata não tenha sido capaz de produzir um candidato mais digerível, e só se podem culpar a si próprios por esta derrota. Quem os mandou cometer a suprema arrogância de pensar que alguém como Hillary Clinton era quanto bastava para apaziguar os receios de uma eventual eleição de Trump?


Este mapa diz bem do que foi o fenómeno Trump: o rude despertar da América profunda. Como se pode ver ao lado da imagem dos dois candidatos ali em cima, Hillary Clinton obteve um maior de número de votos no total, e fossem estas as eleições presidenciais portuguesas, teria ganho por uma unha negra. Mas os EUA são uma federação de estados, e nesses estados é dado um número de pontos eleitorais conforme a população neles residentes, sendo a Califórnia e Nova Iorque os mais valiosos, o que explica que a candidata democrata tenha obtida mais de 200 pontos, apesar da evidente inferioridade em número de estados nos quais saiu vencedora. Os antigos membros confederados, os estados do sul que durante a Guerra Civil Americana optaram pela secessão do resto da União, votaram em massa no candidato republicano. Tem sido quase sempre assim, e desta vez a Florida também não foi excepção, e tal como em 2000 na eleição de George W. Bush, voltou a ser um estado decisivo para se apurar o vencedor. Outro caso interessante é o do Ohio, que mais uma vez votou no presidente eleito, como vem fazendo desde 1960, e nunca um republicano chegou à Casa Branca sem ali ter vencido.


Esta imagem pode parecer um "cliché", mas não é propriamente o que se pode chamar um paradoxo quando falamos no eleitor-tipo de Donald Trump. A China, que apoiou o candidato republicano desde a primeira hora (ou esteve contra o seu adversário, melhor dizendo) veio já cinicamente comentear o resultado das eleições, recordando que "é isto o que acontece quando há democracia". Claro que democracia temos nós todos em nossas casas, à nossa maneira, optamos por não ter, ou chamamos-lhe outra coisa qualquer. De facto é difícil imaginar que tipo de liderança sairia de eleições democráticas pelos padrões ocidentais se fossem realizadas na China, mas aqui é mensagem é clara: nem todos estão habilitados para decidir pelos restantes, e um exemplo recente disso foi o Brexit, o pesadelo de qualquer britânico moderno, educado, progressista e com o seu futuro e o dos seus em perspectiva. Mas aqui há que ponderar um factor essencial: o que é a democracia quando lhe viram as costas, e se permite que o resto decida por nós? Tal como no Brexit, tenho a certeza que muitos americanos se abstiveram de participar, de tanto que dão por garantida a tal democracia que agora questionam. Com um discurso directo, falando ao eleitorado dos problemas que os afligem directamente, abstendo-se do discurso politiqueiro que ficaram fartos de ouvir, e bastou incutir-lhes um pouco de receio e apresentar soluções instantâneas e improváveis tiradas da manga naquele instante, e ficou com a eleição praticamente ganha - demagogia e populismo, com o desprezo e a arrogância dos que nunca pensaram ser possível esta combinação resultar fazendo o resto. Eis a receita do presidente Trump.


E com isto chegamos à parte da apreensão, ou na sua versão mais aguda, dos receios de muitos em relação à prestação de Trump como presidente. Em primeiro lugar, ele não vai construir muro nenhum, não vai caçar muçulmanos, nem vai dar um murro na mesa quando estiver cara-a-cara com os chineses. O primeiro é materialmente inexequível, o segundo seria uma loucura, atendendo à dependência do petróleo árabe, e a terceira uma loucura seria - a China é o maior comprador de dívida americana. Foram iscos lançados para apanhar os carapaus, por assim dizer. Quem votou em Trump porque é xenófobo vai apanhar uma grande e prolongada desilusão. Quem o fez em nome de uma tal "libertação da escravatura dos mercados", ou lá de não sei quem, ou destes e daqueles que controlam isto e aquilo, também não me convence; a América tem tido, e continuará a ter uma postura imperialista, onde ditará sempre as regras do jogo na diplomacia e nas relações internacionais, com Trump ou com outro qualquer. Quem elegeu Trump APESAR de ser Trump, das duas uma: ou acertou sem querer, ou será cúmplice de um dos maiores equívocos da História. Eu sou optimista e inclino-me para a primeira opção, ou no pior dos casos uma segunda sem consequências de maior.


A primeira reacção à vitória de Trump fez-se sentir nos mercados, com uma queda a reflectir a surpresa do resultado, e a incerteza quanto ao que será o consulado deste personagem na Casa Branca. Nem ele decidirá nada sozinho (ou pela própria cabeça...), nem os americanos o deixarão de algum jeito interferir com aquela sua "way of life" muito peculiar, e que a nós aqui no resto do mundo faz alguma confusão. Se há algo em que se redime, foi em ter posto termo (a ver vamos...) ao "establishment" que Hillary Clinton personificava, sem originalidade e sem graça. Duvido é que vá prender a senhora, o que seria um verdadeiro delírio. Foi só uma das patetices do senhor, pronto, nada a que já não estejamos habituados. E quem não estiver, que se vá preparando...



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Do desespero





Da série "Tentativas frustradas de validar o vómito xenófobo e nazi indo buscar apoiantes onde nem com uma ganda bezana em cima dos cornos alguém apoiaria" (ou) "O regime é uma bosta, menos quando arreia na mourama e nos pretos".

O que eu "não quero para os meus filhos" sei eu muito bem. Isto ninguém no seu perfeito juízo assina por baixo.


Um gato, simplesmente


Deve ser a primeira vez que dedico um artigo única e exclusivamente a um gato, mas este não é um gato qualquer: este felino que aqui vedes tem 24 mil seguidores na rede social de partilha de fotografias Instagram. "Que inveja" - era o que eu diria se fosse utilizador do Instagram. Pensando melhor, nem isso - quem é que vai ter inveja de um gato?


O gato tem seis anos e a particularidade de ter os dentes caninos proeminentes. Dito isto, acho que a sua dona fez mal em dar-lhe o nome de "Monkey". E que tal  "Faust"?  Ou "Mefistopheles"? Agora, "monkey"? "Macaco"? Ainda bem que o bichano não racionaliza esse conceito, senão...


...seria a cobro das trevas que quando menos se esperasse, zás! Na, estou a brincar; o "Monkey" é manso que nem um gatinho  (porque será?). A não ser que se trate...


...de uma folha? Isso mesmo, este camarada de quatro patas adora caçar as folhas caídas do quintal da sua dona. E agora com licença...


...que o "Monkey" quer descansar. Se quiserem saber mais sobre ele, basta ir ao Instagram e procurar. Só não me perguntem como.



A treta e o tetra



Depois do empate conseguido ao minuto 92 ontem no Dragão, só um cataclismo impedirá o Benfica de chegar ao tetra.

domingo, 6 de novembro de 2016

Fecha-se o círculo (Anti-semitismooooo!!!)


Olha...a Maria Vieira e a Regina Cunha, respectivamente a rolha do garrafão e a dondoca da xenofobia conhecem-se??? "Que surpresa"!


E olha que dois...bem, aquele Antunes é mais burro que uma jumenta nascida com paralisia cerebral:


Ela não diz que está grávida "de Jesus" no sentido que "Jesus é o pai", ó sua besta; ela afirma que carregava no ventre o bebé Jesus. Mas pronto, ela anda fundida da mona, e entre tu e ela, qual o pior, vendo bem...


Olha...querem ver...então o Alves da Cunha, aquele lunático, fala do "lobby judaico"? E os judeus o quê??? Anti-semitismooooo.....Mas este gajo também odeia toda a gente...pretos, islâmicos, "liberais" (?), gays (será que odeia o Gonçalo e o Renato, essas florzinhas de estufa? LOL), só que isto acarreta..."incompatibilidades diversas":


Pois. É uma "conversão recente", aparentemente, mas nonetheless uma conversão, só que...


...tão amiguinhos que eles são. Vendo bem, ó mestre, o "por" inimigo é aquele que se faz passar por aliado. Digo eu.


Não me admirava nada, uma vez que o Roger Waters deixou os Pink Floyd há bastante tempo, que aquilo que aparece agora em Gaza fosse...


THE PINK FLOYD FT. JOÄO ALVES DA CUNHA - THE ANTI-SEMITISMOOOOOO TOUR!


Mas...mas...o que é isto?!?! O Zuckerberg é judeu, não é? Isto só pode ser...ANTI-SEMITISMOOOOO!!!!!



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

This is England (keep it, then - I don't want it)


Esta criatura na imagem - e peço desde já desculpa pela violência da imagem - chama-se Jayda Fransen, e caso ainda se estejam a interrogar quanto ao género, é uma mulher sim, mais precisamente uma bifa. Eu sei, eu sei: livra! Jayda tem 30 anos e é "deputy leader", seja lá o que isso for, do Britain First, um partido nacionalista que é assim uma espécie de PNR lá do sítio. Os bifes xenófobos que não são completamente acéfalos ou são demasiado orgulhosos para admitir que são umas bestas votam no UKIP (Independence Party) de Nigel Farange, de quem falarei mais à frente, enquanto os mais "crentes" (leia-se "completamente idiotas") juntam-se a estes tipos. Jayda é a nº 2 de Paul Golding, presidente do partido, de que já falei algumas vezes, e mais recentemente neste artigo, e agora é notícia por ter sido condenada a uma pena de seis meses de prisão convertível numa multa de cerca de duas mil  libras, culpada do crime de discriminação com base na etnia e crença religiosa. Muito bem, ou melhor, muito mal, e o que fez este "anjinho"? O que não fez e devia ter feito era ficar quieta, mas pronto, não dá para mais - é o que há.


Tudo aconteceu a 23 de Janeiro deste ano, quando Jayda e os seus amiguinhos tiraram o dia para ir chatear os residentes do pacato bairro de Bury Park, em Luton, onde se concentra a comunidade islâmica daquela cidade de Bedfordshire. Os membros do Britain First chegaram ostentando crucifixos de madeira brancos, como aquele na imagem em cima, e espalharam-se pelas zonas mais frequentadas, distribuindo um folhetim onde se lia na capa "Começou a III Guerra Mundial: o Islão contra o resto do mundo". Escusado será dizer que o público alvo dos membros do BF não eram os cidadãos desinformados sobre o local onde viviam - que disparate, até para estes tipos - mas sim os próprios islâmicos. Coisa perfeitamente inocente, esta de ir até um bairro de uma cidade deixar claro aos seus residentes que são vistos como "o inimigo a abater". Afinal trata-se "do exercício da liberdade de expressão na sua forma mais salutar", citando a lontra da Maria Vieira. Só que a certo ponto...


Uma das residentes do bairro, Sumayya Sharpe, que vinha acompanhada dos seus dois filhos (só faltam mais seis, ó Hugo Gaspar), recusou o panfleto do BF, alegando que "ia contra os seus princípios e crença religiosa". E fez isto de uma forma educada e civilizada, sem se fazer explodir, ou decretar uma "fatwa" contra o indivíduo que...bem, o indivíduo que a estava a provocar e insultar, no fundo. Mas como se isso não fosse suficiente, Jayda Fransen, que assistia à cena do outro lado da rua, correu disparada na direcção da mulher, e desatou a proferir as maiores barbaridades a seu respeito, e entre as mais graves, afirmou que ela usava um 'hijab' - aquele tipo de véu islâmico que vemos a senhora a usar na imagem em cima - para, e atenção a isto, "impedir que o seu marido a violasse", pois "é um selvagem que não consegue controlar os seus instintos", e "muitos como ele vêm para Inglaterra para violar mulheres" - aqui suponho que seria mais "wishful thinking" do que outra coisa qualquer. E tudo isto em frente às crianças, para as quais este tipo de coisa já não deve ser completamente estranha, tragicamente. Sharpe respondeu que é uma "islâmica britânica", e tem todo o direito de usar aquela indumentária, e ainda pediu moderação à cavalgadura, que com aquele gorro enfiado naquela mona pintada parece mais uma bruxa. Yuck. Seja como for, as autoridades acabariam por ocorrer ao local, por este e mais uma série de motivos que penso nem ser preciso enumerar, reportou o incidente, e tudo acabou esta seman com o tribunal a condenar Jayda de três crimes. Já agora permitam-me que deixe bem claro que todos os factos que aqui relatei constam do processo judicial, eu não estava lá e não vi, mas se quiserem podem ver este vídeo e tirar as vossas próprias conclusões:


Já sei que aquilo que vos vou pedir a seguir para alguns "dá muito trabalho", mas imaginem que estão pelas vossas bandas a tratar da vossa vidinha, e chega um bando de grunhos como estes gajos do vídeo, em "vigilante style", e começa a dizer-vos para bazarem dali para fora e irem para a vossa terra. Imaginem que têm ali uma mercearia, um salão de cabeleireiro ou outra merda qualquer que é vosso de pleno direito, e entra por ali um imbecil destes com uma cruz de madeira com um metro de comprimento e desata a disparatar, dizendo que "o país é dele" e vocês não têm o direito de ali estar - mesmo que tenham nascido nesse mesmo país, como é o caso de muita da gente que estes gajos assediam desta forma tão bizarra quanto imbecil. Pois é, alguns estão agora a pensar: "isso nunca aconteceria comigo, porque sou EUROPEU". Bardamerda, pá. E aqui há uns meses os tansos dos bifes referendaram a saída do quê, ainda se lembram? É que esta onda de animosidade contra africanos, asiáticos, refugiados e afins é apenas o começo, e um dia chega a vez a todos que não tenham aquele aspecto anémico com uma cramalheira toda podre e que pronuncia "DAAARBÉ" quando quer dizer "Derby". Pouco importa que tenham nascido no mesmo hospital que os tipos, ou andado na mesma escola, ou que comam "quiche" e falem como se tivessem favas quentes na boca: estes gajos são umas bestas, e quem vai nesta conversa deve andar com problemas olfactivos. É que eles tresandam a cócó, e são bem cobardes, também. Vide:


Esta é a versão mais curta do vídeo que podem ver aqui na versão integral, e se fizerem esse obséquio, vão reparar que o agressor daquele indivíduo aparentemente de etnia indiana fica a planear o ataque durante quase dois minutos, aguarda pela chegada do metro à estação para disferir o golpe, e depois desata a correr feito um lingrinhas, à frente daquela corajosa senhora que achou por bem pedir-lhe satisfações. Além de cobarde, o gajo é burro. Se nós conseguimos ver estas imagens no YouTube, o que dizer das autoridades, que acabaram por o identificar a proceder à sua detenção. É a lei, mas parece que esse conceito é também um bocado difícil de encaixar nas cabeças duras da velha Albion. Um bom exemplo disso é...


...o Brexit, e o "twist" que agora pode evitar que o Reino Unido deixe a União Europeia. O referendo precisa de ser aprovado pelo Parlamento britânico, caso contrário é inconstitucional, e isso pode não vir a acontecer - a aprovação, entenda-se. Gostaria já agora de destacar aquele exemplo de isenção jornalística que é o The Guardian (sarcasm alert!), um cão que obedece aos donos, e cujo "patriotismo" condiz às mil maravilhas com o resto do retrato que estou a pintar neste artigo. Vamos antes recorrer a um média que não insulte e despreze a inteligência de quem o lê.


Ah ok, o The Independent serve. Pois é, este é o tal "Bregret", que se seguiu aos britânicos terem acordado e se apercebido do tiro que deram nos dois pés, e que agora inverte os números que deram a vitória ao Brexit em Julho último. Sim, os representantes que o povo elege através das eleições, e que mandatou para tomarem decisões importantes sobre assuntos dos quais percebem alguma coisa pode apagar a asneira que o tal povo cometeu, e tudo em nome de uma onda de populismo idiota, e que tem um rosto, e feio cumó caraças, também:


É lá! Ó touro lindo, touro lindo. E este é Nigel Farage, o tal que mais em cima referi como sendo o líder do UKIP que deu a cara (feia que mete dó, aliás) pelo Brexit, e que depois de fazer a merda que fez retirou-se de cena. Agora vem falar de "traição", quer convocar eleições antecipadas, um segundo referendo, e que já prometeu que regressa à liderança do UKIP para garantir que o país sai mesmo da União Europeia, essa coisa que para ele é pior que lhe tirarem do prato a tarte de rins e mioleira de ovelha. Coitado. É este camarada que representa a grande fatia da população que quer o que convenceu ser "tomar de volta a decisão do seu futuro", mas que das duas uma: ou têm uma agenda xenófoba focada em reduzir drasticamente a imigração e fazer a vida negra aos estrangeiros e seus descendentes que residem no Reino Unido, e no caso dos últimos até tiveram o azar de ali nascer, ou simplesmente não têm futuro ou quaisquer perspectivas de vir a ter. Permitem-me que elabore este ponto.


Eis o típico apoiante deste tipo de delírios fomentados pelo populismo mais básico e rasteiro.  Alguém que até não é má pessoa de todo, mas que necessita de um bode expiatório que possa culpar pelo facto de ser um inútil, um inapto, e acima de tudo um ignorante. As pessoas que agora ganham uma nova esperança com a possibilidade do Brexit não se concretizar têm em mente o seu futuro e o dos seus filhos, e estão cientes de como uma tomada de posição tão drástica como seria abandonar o projecto que tem sido - para o bem e para o mal - o garante da paz no continente europeu nos últimos setenta anos, e os efeitos que poderia ter aos mais variados níveis. 

Mas sabem o que mais? Perante tudo o que aqui exponho, não vejo com bons olhos que o Reino Unido permaneça na EU, e sim, tenho consciência de que este novo desenvolvimento pode ter um efeito perverso para o resto dos membros, deixando arrastar o período de tempo até à saída do Reino Unido, que depois acabará por acontecer de qualquer jeito. Então é por isso que aproveito desde já para deixar esta ideia no ar: se eventualmente eles resolverem permanecer, que tal o resto dos membros da EU referendar se os querem lá? É só uma sugestão, pois eu estando aqui pelo Oriente nem tenho voto na matéria. Se tivesse penso que seria óbvio qual seria o meu: NÃO. Goodbye and good riddance. 


O imbecil semi-alfabetizado


Antes de mais nada, e antes que as virgens que de virgens nada têm ofendidas desatem a acusar-me de "recorrer constantemente a ataques pessoais" (yeah right, e logo vindo de onde vem), reparem que aqui não se trata de um ataque de todo - o indivíduo em questão responde pelo nome "imbecil semi-alfabetizado". Até aposto que se tivesse optado por um aparte discreto para lhe chamar a atenção para aquele erro, o tipo não o corrigia. Conhecendo mais ou menos a peça, como tenho o infortúnio de conhecer, este é como aquelas gajas que gostam de ser tratadas à bruta pelo macho: leva, estrebucha, leva outra vez e quando se apercebe que parou a distribuição de comida de urso, fica a chorar por mais  (peço desculpa pela linguagem "atípica", mas garanto que é a única que este bipede rastejante entende).


Mas parece que afinal o problema é "estrutural", por assim dizer. Eis aqui mais um exemplo de como ficar a totalidade do tempo em que se está consciente a passar as vistas pelas páginas do Breitbart e afins não contribui para o aperfeiçoamento do inglês (e ainda se fica mais burro e imbecil, convém referir). Com que então "caros votantes no Trump" traduz-se para "CARE Trump voters". Uh, uh. I percebate very well. Então não se esqueçam ó suas grandes cavalgaduras - "great horse things" - quando forem "votate", "escolheite" the paper ballot, because there is fraude, pá. I mean "fraude, shovel". You know, fraude...that thing...de fartar vilanagem..."of fartation vilanation". 


E é melhor aqui para este insolvente intelectual que o Trompas ganhe mesmo, senão atira-se da janela, o que não é bem aquilo a que eu me referia quando o aconselhei a sair de vez em quando daquele covil onde jaz dias atrás de dias a compilar colectâneas de odioso e viperino negrume. Mas reparem na infantilidade do tipo, que chega a remeter para um tipo raro -senão mesmo único no mundo - de autismo regressivo: ele pensa que o Trompas ganha as eleições, e a seguir vem até aqui "puxar-me as orelhas", ou dar-me "tau tau". Ah ah ah ah ah! Desculpem, eu sei que é inapropriado rir assim dos retardados, mas...ah ah ah ah ah! Mas só este, vá lá. Ah ah ah ah ah ah ah!!!!!


Pronto já chega. Olha lá ó calhordas, eu bem te disse - "I well told you" (ah ah ah ah ah ah ah!!) que isso era um transtorno de ordem psíquica, e só não sugiro que procures um veterinário porque este recomendava o abate imediato. Assim sendo, vê lá se largas as drogas, ou te livras do chulé, ou seja lá o que for que te anda a fazer "trippar" com essa jinga toda. A sério, começa-me a faltar a caderneta para tanto cromo. Fui, mas antes...ah ah ah ah ah ah ah!!



O omisso bocejo da sorte


Mais uma semana europeia, e desta feita com balanço positivo para as equipas portuguesas, que saíram vencedoras dos seus compromissos europeus, excepção feita ao Sporting, que perdeu na Alemanha pela margem mínima contra o Borussia Dortmund. Os leões já haviam perdido em Alvalade frente aos vice-campeões da Bundesliga há 15 dias, e só com uma conjugação de resultados muito improvável conseguirão chegar à fase seguinte da Champions. O grupo  é complicado, verdade seja dita, mas também não é menos verdade que o Sporting não conseguiu aproveitar um momento de forma menos bom do seu adversário, que vai em quatro partidas sem vencer para o campeonato, e pelo meio viu-se aflito para eliminar da taça o Union Berlin, da segunda divisão, necessitando de um desempate nos pontapés da marca de grande penalidade, mesmo jogando em casa - vai valendo o Sporting e a sua crise ainda maior para ir consolando os adeptos do Borussia.

Para o técnico leonino Jorge Jesus a sequência de resultados negativos tem uma explicação muito elementar: a equipa não tem sido BOCEJADA pela sorte. Isso mesmo, "bocejada" e não "bafejada", que o leão é o Rei da Selva e não quer cá esquisitices dessas,  a deitarem-lhe bafo para cima. O mais curioso é que interpretando literalmente as palavras de Jorge Jesus, fica-se com a ideia de que o Sporting é uma equipa tão "vibrante" que não provoca bocejos, nem à sorte, só que esta não quer nada com eles. Não faz lá muito sentido, pois não? Claro, é por isso que em vez de se interpretar mais esta "pérola" do treinador do Sporting, adiciona-se antes à já bem composta galeria, onde fica logo ao lado da mais recente, aquela dos "otchentchoito" minutos de Madrid.

Agora, antes que os adeptos leoninos me roguem uma praga das grandes, já sei, já sei "o treinador não está ali para falar espanhol, português, ser coerente ou fazer sentido, mas para treinar a equipa", o que me leva agora a perguntar: o que é que ele anda ali a fazer, afinal? O que vale é que já nem os adeptos do Sporting levam a mal as "bocas" da concorrência. Para alguns o Jorge Jesus já nem bocejos lhes provoca - já se viraram para lado e adormeceram.



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Os dois da vida airada


Estes na imagem são Baggio Leung Chun Hang (a sério, "Baggio", que "cute") e Yau Wai Ching, os dois deputados eleitos pelo partido Youngspiration (青年新政), vulgo "localistas", nas eleições de 4 de Setembro último para o Legco de Hong Kong, e que estão no centro de um vendaval político com consequências imprevisíveis. Segundo estes "localistas", surgidos dos protestos do "Occupy Central" em 2014, "Hong Kong vai deixar de estar sob a política de 'um país, dois sistemas' em 2047", pelo que propõem que já em 2020 seja efectuado um referendo sobre a "auto-determinação de Hong Kong" - ou por outras palavras, que seja permitido optar pela independência da RAE de Hong Kong, e a sua secessão (conforme consta do infame artº 23 da Lei Básica) da R.P. China. Muito bem, gente nova com ideias novas, e o facto de terem obtido o número de votos que lhe garantissem dois assentos no órgão legislativo honconguense é prova de que esta é uma tese que tem uma certa "penetração" no território vizinho - isto apesar dos avisos do Governo Central, que mesmo assim não mugiu nem tugiu em relação à eleição destas duas "ovelhas negras". O pior mesmo foi no momento de tomar posse no Legco, a 12 de Outubro:


Primeiro foi Baggio Leung, que depois de ter "jurado fidelidade à nação de Hong Kong", foi obrigado a repetir o juramento, e aí referiu-se à R. P. China como "People's Republic of Sina". Este "Sina" é um termo depreciativo para fazer referência ao país do meio, e era utilizado pelos invasores japoneses durante a Guerra do Pacífico. É considerado mesmo humilhante, e nem consigo entender o que ia pela cabecinha daquele rapaz. A pinta de retardado não explica nem metade do que veio a seguir, quando chegou a vez de tomar posse a sua nº 2, Yau Wai Ching:


A mesma conversa do agora (até ver) colega de bancada, e na altura de ler o que estava escrito na cábula, diz "People's Refucking of Sina", conseguindo ir ainda mais longe que o Baggio - se calhar devia mudar o nome para Vialli Yau (ah, ah, perceberam o trocadilho futebolístico?). Com toda esta palhaçada, os juramentos ficaram sem efeito, certamente a mando de Pequim, e aos "rebeldes" foi dada a oportunidade de o repetirem, que viriam a recusar, e agora o Governo Central pode mesmo solicitar ao Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular uma interpretação do conteúdo original da Lei Básica. Neste particular assumo aqui e já a minha ignorância, e remeto-vos para este artigo de meu colega Pedro Coimbra, que é jurista de formação, no seu blogue "Devaneios a Oriente". Não podia estar mais de acordo com ele quando diz que este pode ser um rude golpe no princípio de "um país, dois sistemas", pois representaria uma intromissão directa - ou pelo menos declarada - na gestão dos assuntos das RAEs na sua vertente executiva. É uma daquelas coisas que não augura nada de bom para o futuro próximo. 

E concordo que se trata de teimosia - mais do que isso, uma birra. Nestas duas semanas não tenho visto outras reacções (pelo menos deste lado) que não fossem de repúdio e de indignação. Até os democratas, que por muito que se solidarizem com os seus "camaradas de luta" daqui do lado, terão ficado completamente abanadados com a leitura que qualquer pessoa com dois palmos de testas fará de uma atitude irresponsável como esta: serve para que fim, exactamente? Mesmo a maioria dos eleitores que votaram nos dois "localistas" devem estar a sentir-se defraudados a esta hora, e se não estão, deviam! - não era isto que estava no programa político lá da lista do "Youngspiration", pois não? Quer dizer, vão usar esse bem precioso que é o voto para que se faça ouvir uma voz que depois  não só não diz nada, como ainda fica à porta a fazer fita? Pensava que aqueles partidos que se dizem anti-europeístas e que apregoam aos quatro ventos a saída do seu país da União Europeia, mas depois concorrem a um "tacho" em Bruxelas eram o cúmulo do paradoxal (a propósito, esses deputados dispensaram as muitas regalias inerentes ao cargo, por uma mera questão de coerência? era o recusavas - parvo é quem vota nesses gajos), mas eis os "localistas", que se recusam a tomar posse no  orgão legislativo de uma região integrada num sistema que repudiam, odeiam e rejeitam - sim, isso tudo, e mais qualquer coisinha.

Claro que há quem ache imensa piada a tudo isto, e até quem ache "bem". Eu como só conheço gente que trabalha e tem mais que fazer, não sei de nenhum, mas por acaso gostaria de trocar um ou dois pontos de vista, e de preferência sem um guarda-chuva amarelo aberto, se não for pedir muito. Já tivemos num passado recente o tal "long-hair" a debitar disparates depois de prestar o tal juramento aquando da sua tomada de posse, mas esse pelo menos cumpriu com o mínimo que se lhe pedia, e ficou para lá a dizer o que pensa e a atirar fruta podre e ovos ao presidente do Legco e a ostentar cartazes onde se liam frases que tinham a ver com tudo menos política, mas pronto, "foi ao choque", por assim dizer. Estes nem isso. Mais do que ficar preocupado com o facto do Baggio e a sua "loi pang yau" não quererem comer a sopa que lhe puseram à frente, há outra leitura que faço de toda esta pantomimice, e que me deixa com dores de cabelo: é isto que estes tipos entendem por democracia? Não, não é para responder. 


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vamuláver se nos entendemos...


Este é um vídeo que fez furor em Portugal, com quase 100 mil visualizações registadas no YouTube desde que foi ali colocado no passado dia 28. Nele vemos um indivíduo de etnia cigana, referido apenas pelo nome "Zezinho", visivelmente mal tratado depois de - segundo o próprio - um "encontro imediato" com a polícia. Devem ter passado alguns dias desde o incidente, mas é facilmente perceptível que as autoridades não quiseram largar o "Zezinho" sem lhe deixar uns "recuerdos" daquele momento de "convívio". Fazendo fé na versão do "Zezinho" - e não conheço outra - trata-se aqui de um manifesto caso de abuso de autoridade. Sim, pouco me importa que seja um indivíduo de etnia cigana, um banqueiro, uma dona-de-casa ou um turista norueguês. É grave, e nem o facto da situação ter ocorrido num bairro problemático dos arredores de Lisboa, a Ameixoeira, justifica uma intervenção desta violência.

Mostrei este vídeo a algumas pessoas de cá, de Macau, menos conhecedoras da realidade portuguesa, e as reacções que obtive foram de choque, com mais ou menos intensidade. Os (poucos) que soltaram uma risadinha fizeram-no como constatação do ridículo, da situação quase surrealista que lhes apresentei, um pouco como quem exorciza o mal, que certamente não gostariam que lhes acontecesse - nem isto, nem nada que se pareça. Em Portugal as imagens de pouco mais de 30 segundos foram partilhadas e comentadas nas redes sociais como "motivo de galhofa": "olha o Lelo, que grande lata, a dele", como se tivesse sido posto neste mundo como saco de pancada das pessoas "de bem". Em suma, o esterco do costume. "Ah mas ele trazia com ele uma faca", uma arma ilegal, portanto. Não se sabe até que ponto a faca que o próprio "Zezinho" admitiu ter comprado naquele dia "na feira da Ladra" seria ilegal, pois depende do tamanho da lâmina, que ele garantiu "ser pequena". É completamente irrelevante este facto, pois a suposta "arma" nunca teria sido descoberta se tivessem deixado o "Zezinho" em paz, e não consta que tenha acenado com ela às autoridades, ou que estas tenham intervido na sequência do ofendido ter feito uso da mesma. Há ainda quem tenha ficado indignado com o desplante do "Zezinho" por ter admitido que "estava a enrolar uma ganza", ou seja, um cigarro de cannabis, e parece mesmo que este foi o móbil de tanto disparate. Vejam esta sequência de comentários na página do YouTube:


Nota dez para o primeiro e último comentadores, um cabo de vassoura pela peida acima do ArrowBlade GTX (nome imbecil, aliás). Pois é, uma atitude inexplicável destas por parte da polícia leva a mil e uma dissertações sobre os problemas de integração da comunidade cigana, patati patatá. Há mesmo quem não aguente ficar dez minutos sem proferir inanidades. Muito bem, "ganzas" muita gente fuma, mas o mais importante aqui é a LEI, que é a única coisa que nos separa da barbárie. E haja quem a saiba aplicar, ao contrário dos agentes do Bairro da Ameixoeira, e a julgar por certas coisas que li a respeito deste caso, entregar a aplicação da justiça à populaça, era o mesmo que atirá-la à bicharada. Acontece que consumir "cannabis" ou qualquer outra droga, nem que seja "cavalo", directamente injectado para a veia, DEIXOU DE SER CRIME EM 2001!


Isso mesmo, conforme a lei 30/2000 (podem consultar o texto na íntegra clicando no "link") o consumo de substâncias ilícitas deixou de constituir ofensa criminal. Pois, já sabiam, não é? Mas como o tipo é cigano, e tal, "esqueceram-se". Que conveniente. Como podem ver ali no artº 2º da referida lei, "uma ganza" não excede "a quantidade necessária para o consumo individual durante o período de dez dias", pelo que este facto só constitui uma contra-ordenação leve, punida com...


...uma simples multa, ou nada, como vamos ver a seguir. Uma simples "ganza", se é isso que aflige a opinião pública mais asinina, não se enquadra no conceito de "tráfico" - não era um fardo de haxixe, nem o "Zezinho" estava a vender a "broca" a ninguém. Mesmo nos casos mais graves...


...há uma comissão e mais não sei quê, e que no limite ia dizer ao "Zezinho" qualquer coisa como "olha que isso faz-te mal", e "tem mas é juizinho". Em nenhuma parte da lei vem mencionado que "no caso do indivíduo ser de etnia cigana, aplique-se um enxerto de porrada que lhe deixe marcas visíveis durante vários dias". Ah, mas para certa "gentinha", a lei "não serve", pelo que sugiro que...


...EMIGREM! Olha e que tal para a Arábia Saudita ou um dos Emiratos, onde a posse de meia "ganza" dá direito a prisão perpétua? Ah espera lá, que aí não pode ser, pois estes são os amiguinhos xenófobos da Maria Vieira, a rolha do garrafão da xenofobia na sua versão islâmica. Pois é, ó Mário Costa, seu NOJENTO, pelos vistos a tua professora da primária não te chegou com as costas das mãos às ventas vezes que chegassem para APRENDERES A ESCREVER. Quanto aos restantes, o que dizer? Um misto de ignorância, ressentimento, frustração e estupidez, com uma dose q.b. de rusticidade à mistura. E ainda são capazes de argumentar com coisas do tipo "estes gajos andam a gozar com isto, e eu mato-me a trabalhar, e ando sempre teso no mau sentido" - NINGUÉM SE INTERESSA, PÁ, PROBLEMA VOSSO! Talvez se são f... e mal pagos é porque não sabem escrever, ou desconhecem a lei e aproveitam uma situação como esta para revelar essa ignorância e manifestar a vossa boçalidade. Permitam-me que me dirija a vossas cavalgaduras num paleio que entendem bem: PODIA TER ACONTECIDO CONVOSCO, OU COM OS VOSSOS FILHOS, SEUS IMBECIS! A ser verdade o que o tal "Zezinho" afirma, como vai a polícia justificar o injustificável? Ai ele estava a fazer "caras feias", é? Cuidado, não tenham o azar de dar de frente com um espelho qualquer dia destes, que se arriscam a ficar sem dentes. Gentinha miserável, esta.


A piada do ano