sábado, 19 de novembro de 2016

Porto sem as Chaves da Taça


O FC Porto foi eliminado da Taça de Portugal na 4ª eliminatória, e o autor da proeza é o Desportivo de Chaves, que este ano compete  na Superliga depois de 17 anos de ausência. Jogaram-se 120 minutos no Estádio Engº Manuel Branco Teixeira, em Trás-os-Montes, sem que visse um único golo, e foi preciso recorrer ao desempate nos pontapés da marca de grande penalidade para que o jogo tivesse um herói: o guardião da casa António Filipe, que defendeu os remates de Layún, Depoitre e André Silva, enquanto os flavienses só não concretizaram duas das tentativas, valendo-lhe a maior eficácia nos 11 metros em frente ao guardião José Sá. E com excepção do suplente de Iker Casillas, o Porto apresentou-se na máxima força para a travessia além do Marão, mas voltou a demonstrar um défice de concretização demonstrado pelos números - nos últimos quatro jogos oficiais os dragões só marcaram por duas. O Chaves discutiu a eliminatória taco-a-taco durante os 90 minutos, mas a diferença entre a qualidade dos plantéis das duas equipas notou-se no prolongamento, onde os transmontanos se remeteram à defesa, apostando lotaria dos "penalties", aposta que se viria a revelar lucrativa. Finalista vencido da última edição da Taça de Portugal, o Porto vai ter que esperar mais um ano para tentar vencer o troféu que lhe vem escapando desde 2011. Já na quinta-feira o Sporting havia goleado em casa o Praiense, da II "B", por 5-1, e o Benfica recebe esta noite na Luz o Marítimo. Os três grandes têm na próxima semana partidas decisivas na Liga dos Campeões.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Bela Guttmann é inocente! Os culpados são...


Béla Guttmann. Um nome que causa na nação encornada encarnada sentimentos mistos. O técnico húngaro, falecido em 1981, aos 82 anos, foi o único treinador que levou o Benfica à conquista de duas Taças dos Campeões Europeus, actualmente conhecida por Liga dos Campeões, e num tempo em que só participavam os campeões de 30 países, mais coisa, menos coisa. Assim, na época de 1960/61 - ainda parece que foi ontem - o Benfica deixou pelo caminho os escoceses do Hearts, os húngaros do Ujpest, os dinamarqueses do Aarhus e os austríacos do Rapid Viena, tudo colossos, para encontrar na final de Berna um tal Barcelona, que acabariam por vencer por 3-2. Afinal mereceram este "brinde", os rapazes, depois da saga de meses a apanhar pela frente aqueles nomes do futebol europeu que toda a gente conhece. Ahem. O herói desta epopeia e autor de 11 golos durante a campanha foi José Águas, e não me vou repetir dizendo "já falecido", pois praticamente todos os personagens da primeira parte desta história já não estão mais entre nós. Afinal passaram-se mais de 50 anos, cum camano.


Só para que tenham uma ideia, na edição seguinte da prova Guttmann pôde contar com aquele que era então apenas uma jovem promessa: Eusébio da Silva Ferreira. Nessa época de 1961/62 o Benfica participou na condição de campeão europeu, uma vez que em Portugal o Sporting tinha ganho o campeonato, que teve um sabor agridoce lá para os lados de Alvalade - afinal o seu maior rival tinha estado ocupado com "coisas mais importantes" para poder discutir o primeiro lugar com os leões. Na primeira ronda dessa Taça dos Campeões o Benfica ficou isento - que azar, já viram? Depois bastou ganhar os três em casa contra Áustria de Viena, Nuremberga e Tottenham, e lá estavam eles outra vez na final, que desta vez tinha Amesterdão como palco. Como podem ver, naquele tempo era muito mais difícil ganhar o caneco, pensam o quê? O adversário foi o Real Madrid, e apesar do maior favoritismo dos castelhanos, o Benfica venceu por 5-3 com dois golos de Eusébio, e pelo segundo ano consecutivo o maior troféu do futebol português ficou na montra da Luz. Depois disso...


...foi o deserto. Entre 1962 e hoje, já em pleno ano do senhor de Dois mil e dezasseis, o Benfica esteve em mais oito finais europeias, cinco delas dos Campeões, e perdeu todas. Sim, isto não é normal, não senhor - quem havia de pensar que um clubezeco daqueles ia aparecer mais oito vezes em finais de competições decentes?!?! Se ainda fosse a Taça da Liga, ou a Eusébio Cup, entretanto criada em homenagem a um dos guerreiros do tempo das conquistas europeias do Benfica, tudo bem. Mas pronto, vou deixar de ser sacana, e passar para a tese que tem vindo a ganhar mais força à medida que o Benfica vem perdendo finais: A MALDIÇÃO DE BELA GUTTMANN! Uá, uá, uá, uá! 


Após a conquista da segunda Taça dos Campeões, Guttmann pediu à direcção do Benfica um aumento do seu salário, não porque fosse judeu, nada disso, que disparate (anti-semitismooooo!!!), mas porque afinal até se justificava, uma vez que trouxe a glória europeia àquela agremiação de bairro lisboeta do tipo roupa-pendurada-no-varal. Os sovinas recusaram aumentar o treinador que os tornou celebridades mundiais (tsk, tsk...), e Guttmann resolveu bater com a porta, e no processo terá proferido as palavras que hoje deixam a pensar que se calhar era melhor ter dado mais uns cobres ao homem: "Sem mim, nem em 100 anos o Benfica ganhará outra competição europeia!". Fico sem entender muito bem porque é que Guttmann voltou lá três anos depois como treinador, na época de 65/66, mas esse é um epílogo que retira o romantismo ao enredo. A verdade é que o sr. disse isto, e depois foi só não conseguir marcar mais um golo que o adversário em oito ocasiões (!), e o resto já se sabe: é uma "maldição". E olhem lá que há mesmo quem use o termo no seu sentido mais literal: 


A informação com a qualidade que a CMTV já nos habituou. No creo en brujos, pero que el Bela Guttmann lo é, é. Tudo bem, a gente conhece a lenda, e tal, senão caso contrário isto assumiria um tom acusatório. Só faltava dizer que o técnico húngaro "levou o Benfica para a droga", dando-lhes a provar duas de borla, recusando-se depois a fornecer mais sem ver primeiro o pilim. Há quem leve isto a sério, e até o próprio Eusébio foi visitar a sepultura de Guttmann em Viena, quando o Benfica jogou ali a sua última final dos Campeões frente ao AC Milão, pedindo-lhe que levantasse a "maldição". Só que a quinta praga chegaria trazida por um apocalíptico cavaleiro holandês de bigode, de seu nome Frank Rijkaard, que marcaria o único golo da partida, decidindo que o destino da taça "fugidia" seria desta feita a Itália. Coitado do Eusébio, que era uma pessoa genuinamente boa. Ele e  o meu também desaparecido pai eram os únicos benfiquistas que eu via festejar as vitórias sem ficar a desejar que se engasgassem. 

Mas agora muitíssima atenção, que vou passar a mostrar as PROVAS que ilibam Béla Guttmann da acusação de bruxaria feita pelo Correio da Manhã, e que farão com que os adeptos benfiquistas possam elogiar o seu único treinador campeão europeu, nascido no século XIX (LOL!), sem  no fim murmurar entre dentes um palavrão. O Bairro do Oriente orgulha-se de apresentar em exclusivo e em primeira mão, OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS DO JEJUM EUROPEU DO BENFICA:


OS BEATLES! Sim, esses mesmo, e conhecem mais alguns Beatles sem ser estes? John, Paul, George e Ringo, o quarteto de Liverpool, apareceu para lixar a vida ao Benfica. Enlouqueci, foi? Ah,  esqueci-me que é preciso um bocadinho de "marketing", daquele que fala as únicas palavras que o segmento de mercado que se pretende captar entende: Se vocês não acreditam, é porque estão "a ser enganados pelos media convencionais", que "comem da mão do Soros", e andam "ao serviço da elite globalista que quer dominar o mundo através da globalização". Perceberam, ó suas ovelhas esquerdistas? Agora já posso prosseguir com esta minha teoria da conspiração maluca, e ainda lhe posso deitar toda a pimenta da maluquice que quiser - "no limits"! 

Em primeiro lugar atendam a esta "cornologia", que já é quanto baste para se desconfiar de que OS BEATLES tramaram o BENFICA:

1961: Benfica ganha a primeira Taça dos Campeões em Berna frente ao Barça;

1962: Benfica revalida o título em Amesterdão, vencendo desta feita o Real Madrid na final;

1963: Terceira final consecutiva, só que desta feita o Benfica PERDE frente ao Inter de Milão em...WEMBLEY! EM WEMBLEY, SENHORES! 

E o que é que aconteceu em 1963 para que nada fosse igual a 1961 e 1962? Isto:


Nem mais, a BEATLEMANIA, que acabou com a Benficamania de ganhar títulos europeus. Reparem naquela citação referida na imagem, da autoria de John Lennon: "somos maiores que Jesus". Aqui o Lennon, que era um visionário que logo por azar só não conseguiu prever que um dia ao sair de casa ia dar de frente com um maluco que lhe ia limpara o sarampo, está já a fazer uma referência às duas finais da Liga Europa que o Benfica viria a perder 50 anos mais tarde, e em ambas o técnico encarnado era exactamente...JORGE JESUS! Então, ainda acreditam em coincidências? E que bastou a um judeu dizer uma parvoíce qualquer para o Benfica deixar de atinar com as finais europeias? Isso é anti-semitismooooo!!!! Agora vou passar a mostrar as mensagens de código que estes salafrários britânicos usaram para anunciar a desgraça do Benfica. Esta é uma técnica que aprendi com este tipo:


Para quem ainda não conhecia, permitam-me que vos apresente Charles Manson, que logo pela imagem dá para perceber que era um génio. Quem disser o contrário está a dizer que Einstein era uma besta que não sabia ver as horas nos relógios com  ponteiros, e por isso é um idiota que não sabe o que diz (aprendi esta lógica bestial com o Hugo Gaspar. E de facto Manson é um tipo super-inteligente, e ainda por cima "é dos vossos", como se pode depreender daquela tatuagem que tem no meio da testa, que representa a negação dos "valores decadentes do esquerdume abortista e cúmplice da invasão da Europa por seguidores do profeta pedófilo", todos mortos dez vezes ainda era pouco, bem como evidencia um saudável desprezo pelo politicamente correcto, esse mal social que inibe que qualquer fdp diga a merda toda que lhe apetece de quem não gosta, sem que daí advenham consequências e precise de se explicar.

Bem, não adianta tentarem enervar-me com as vossas manobras comunas de deturpação das afirmações alheias, e portanto voltemos ao Manson, que era um visionário, mas cujo génio foi incompreendido pela sociedade. Quer dizer, uma pessoa tem um dia menos bom, forma um culto e leva a cabo meia dúzia de homicídios, entre os quais o de uma mulher grávida de 8 meses, e só por isso é encarcerado para toda a vida??? E a Hillary, que deixou milhares de e-mails contendo informação  classificada de confidencial à disposição de qualquer um, e anda por aí à solta, de mãozinha dada com aquele violador que é marido dela, e isso já não tem importância?! Está bonito este mundo, está. Pois então, o Manson previu a vinda, ou neste caso o regresso de Jesus Cristo ao mundo, o que não é por si só motivo para desatar a matar toda a gente que aparece pela frente, e talvez esse comportamento se explique pelo seu hábito de consumir LSD. É um bocado difícil não encontrar uma conexão entre estes dois factos. Mas e onde é que ele ficou a saber que Jesus nos ia fazer uma visitinha, que se calhar só não foi possível pela falta de disponibilidade deste seu emissário, a braços com um problema de encarceramento até ser ele a ir visitar o Messias, e não o contrário? No "White Album", o disco de 1968 dos Beatles - estava tudo lá, portanto. Agora, se há quem descarte a interpretação de Manson por ele ser um psicopata homicida, já comigo é outra conversa - nunca me deu para limpar o sarampo a ninguém, bolas! E quanto a isto do Benfica, só não vê quem não quer:


Assim que os Beatles apareceram entraram logo a matar. Vejam a letra deste tema do seu álbum de estreia "Please Please Me", que deu início à "Beatlemania" naquele ano de 1963, POR ALTURAS DA FINAL DE WEMBLEY, que o Benfica viria a perder para o Inter. Vamos lá ver, eu aceito que haja quem acredite em coincidências, mas não acham coincidência a mais que um clube que tinha ganho todas as finais de que participou, nunca mais voltasse a ganhar depois destes tipos aparecerem com aquela conversa de "eu agora perdi-a com toda a certeza/nunca mais voltarei a vê-la/vai ser uma chatice...miséria". Ah pois, "chatice" é favor - é óbvio esta que "nunca mais vão voltar a ver" é a Taça dos Campeões, e que quem vai ficar na "miséria" é o Benfica e os seus adeptos. Como é que ninguém se apercebeu desta terrível ameaça que passados mais de 50 anos após ter sido concretizada faz sofrer seis milhões de pessoas? E olhem que estamos aqui a falar de bons chefes de família, e não dessa subespécie (des)umana dos LGBT e dos seus amos neomarxistas, e se hoje se tolera que os benfiquistas sofram desta forma tão cruel, amanhã temos a reabertura de Auschwitz! 


Já em Novembro desse mesmo ano de 63, sai o segundo trabalho de originais do grupo, intitulado simplesmente "With the Beatles", contém este "It Won't Be Long", uma mensagem de consolação que na verdade era uma armadilha: "Não falta muito, até seres minha (a taça)/desde que me deixaste, sinto-me tão só/mas agora vais voltar para mim/já não falta muito". Ora bem, na Luz ainda se recuperava da impensável derrota de Maio frente ao AC Milão em Wembley, e este ficou como um "hino da esperança" - "Já não falta muito". O pior é que os adeptos benfiquistas nem imaginavam que os Beatles tinham uma versão alternativa com o título "It Won't Be Long (But I'd Find a Sit, if I was you)". Depois de dois anos sem Taça dos Campeões e outra final perdida para o Inter...


...eis que se dá o insulto final. Estávamos em 67, e o Benfica foi a Wembley disputar a sua quinta final europeia frente ao Manchester United, que viria a perder por 4-1 no prolongamento. Em Novembro os Beatles assinalam a terceira vez que azararam o Benfica com esta versão inglesa do "Adeus, ó vai-te embora", que inclui o verso "You say yes, I say no/You say stop and I say go go go, oh no". Parece uma conversa de um casal de namorados prestes a partir para a palhaçada, mas a tradução não-literal e já devidamente descodificada para português dá algo como: "Tu queres sei eu muito bem, mas não dou/Ficas a pedir batatinhas, e eu mando-te dar a volta ao bilhar grande". Não se vê logo?! 


E como se tudo isto não bastasse, os Beatles despedem-se da vítima com ainda mais cinismo, e ao mesmo tempo um prenúncio para mais finais perdidas. "Eu conheço esta rua, que me leva à tua porta" é naturalmente o caminho até ao jogo decisivo das competições europeias, e que o Benfica tem demonstrado por várias vezes conseguir calcorrear com alguma classe, muito bem. Mas depois vejam no final do primeiro verso "porque é que me deixas aqui a chorar à tua porta", como quem diz, perder na final. "Muitas vezes eu tentei, e outras tantas chorei". Pois é, especialmente das últimas duas, em que o clube da Luz deixou fugir dois troféus da Liga Europa nos últimos instantes da final. Primeiro uma derrota frente ao Chelsea com um golo no terceiro minuto de descontos, e depois no desempate dos pontapés da marca de grande penalidade frente ao Sevilha. De facto o caminho é longo, e por mais que se tente chegar ao fim, há sempre um "Beatle" qualquer no caminho, chame-se ele Rijkaard, Ivanovic ou Beto, e isto quando o "Beatle" não vem de dentro, como foram os casos de António Veloso e sua "paradinha" no penalty decisivo frente ao PSV, ou do guardião Costa Pereira, a quem ninguém se lembrou de "Fixing a Hole" por onde uma bola aparentemente inofensiva rematada por Jair da Costa conseguiu passar, entrando na baliza e valendo a segunda derrota numa final para o Benfica.

Podem concordar da interpretação destes presságios bem patentes letras das canções dos Beatles, mesmo que "seja preciso ser muito estúpido" para que o façam, mas uma coisa ninguém me vai tirar: entre 1963 e 1970, enquanto os Beatles tocaram juntos como banda, o Benfica perdeu três finais, quando nos anos imediatamente antes do conjunto de Liverpool se formar, tinham vencido duas. E atenção à origem dos Beatles. "Liverpool" é uma palavra que muitos adeptos do Benfica não gostam de ouvir, e não é por acaso:


Nem me atrevo a mencionar o registo de confrontos entre os diabos vermelhos de um e outro lado, mas sem precisar de consulta, lembro-me de pelo menos três vezes em que os ingleses derrotaram o Benfica por 4-1, uma delas na Luz. Mas vejam só a reviravolta que se deu desde que o Benfica venceu a primeira das suas duas Taças dos Campeões, em 1962, ano em que na Inglaterra o Liverpool  se sagrou campeão...da 2ª divisão! Hoje o Benfica tem duas taças e cinco finais perdidas, e o Liverpool vice-versa! E antes dos Beatles, o que era este Liverpool? E que papel tiveram estes quatro rapazes na decadência do Benfica? E seria Bob Paisley, três vezes campeão europeu como técnico de Liverpool, discípulo de Béla Guttmann? E ainda não ficaram convencidos? Tomem lá mais esta, então:


A célebre capa do álbum "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", que em português fica traduzido para qualquer coisa como "O Sargento Pimenta e a Banda dos Corações Solitários" é uma iconografia que muitos facilmente reconhecem, ultrapassada apenas pelo SÍMBOLO DO GRANDE SPORT LISBOA E BENFICA, ca...o! E talvez a Mona Lisa e a Guernica de Picasso - não sei nem me interessa. Ainda hoje há quem interprete de várias formas a imagem que ilustrou aquele que para muitos é o registo mais psicadélico dos Fab Four (e mais datado, também), e descubra sempre qualquer coisa que antes lhe tinha escapado, por lhe ter faltado "olho clínico". E nem por acaso, vejam lá vocês o que fui eu descobrir lá na gravura da capa do disco dos Beatles:


A partir daqui já se sabe, foi só perder finais, e fazer de um húngaro o bode-expiatório - estratégia comummente utilizada pelos ingleses, o do uso de um "patsy" que acarrete com as culpas, e assim não levantar suspeitas sobre esta complexa e diabólica conspiração, que teve como fim não deixar que o Benfica ganhasse outra vez a Liga dos Campeões, o que aconteceria todos os anos sem excepção, caso as coisas decorressem com a naturalidade e normalidade que se exigem. Aqui o que se passou é flagrante, e deve-se a uma curiosidade que pouca gente sabe: o título original de "Sgt. Peppers" era "Officer Abel's Fruit and Coffee Shot Gang" - o "O Guarda Abel e o gangue da fruta e do cafézinho". Soa a algo familiar, certo? Ah, pois, e os tentáculos desta alforreca gigante da corrupção desportiva chegaram mesmo ao outro lado do Atlântico:


Mark David Chapman, adepto do Benfica, e quem em termos de devoção ao seu clube nada fica a dever ao Barbas ou a Paulo Parreira, atirou a matar sobre o beatle John Lennon numa manhã de Dezembro de 1980. Na altura falava-se de que a sua motivação se deveu à decisão do músico em alterar à última hora a letra do refrão de uma canção sua, que originalmente era "Imagine  theBenfica/winning the Champions Cup again/uh ah...". Quem não vai na conversa de esquerdalhos, "esses inimigos da pluralidade de opiniões, apologistas da censura e adeptos da violência, que se não se calam a bem, se calhar ficam mais sossegados depois de uma dose de chumbo administrada no crânio", sabe perfeitamente que isto não passou de uma operação de "False Flag", ou seja, deu-se a entender que existia uma motivação por detrás do atentado, e neste caso com a intenção de prejudicar o SPORT LISBOA E BENFICA instituição, pá! Malandros! O único senão é que as operações de "False Flag" são normalmente combinadas entre os seus intérpretes, e se alguém dissesse a Lennon que o papel dele era "morrer e permanecer morto", duvido que a resposta fosse "Ok, é canja". Não consta que o homem andasse desencantado da vida, pelo menos a julgar pelo "love" todo que demonstrava pelo encantador espantalho...quer dizer, pela sua encantadora esposa. Assim é que está certo.


Vejam como os paspalhos festejaram a ruína europeia do Benfica. Que desgraça, que pior ainda se torna quando todo o azedume é dirigido ao pobre Béla Guttmann, que fez aquilo que mais nenhum conseguiu fazer no Benfica: ganhar finais europeias. Se acham esta história improvável, lamento, mas "é a verdade que os media não querem mostrar". Se há quem pense que na Suécia há violações a cada cinco minutos, e as vítimas negam tudo para "evitar sentimentos de racismo", e tudo o que precisa para acreditar nisto é que páginas como o InfoWars ou a BlastingNews digam que é verdade, então paciência. Nem as tipas assumem que foram violadas (e assim "ficava tudo bem", suponho), nem os Beatles deixam o Benfica ser campeão europeu. Ficamos quites, então.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ora agora cospes tu, ora agora fumo eu


Este vídeo, bem como outros da mesma estirpe, têm circulado pela net e dado aso a uma discussão sem fim, e com os fluídos corporais como pano de fundo de uma velha rivalidade futebolística. E não estou a falar da rivalidade entre o Sporting Clube de Portugal e o Futebol Clube de Arouca, uma vez que até há meia dúzia de anos estes últimos eram uns ilustres desconhecidos. Estou a falar da "outra rivalidade", aquela que durante os anos em que o Porto dominou o futebol português se limitava a discutir qual dos dois emblemas situados numa das circulares da capital era o menos coitadinho.  Agora que um deles desatou a ganhar coisas, está o caldo entornado, e até se começarem a agredir com petardos em finais da Taça de Portugal e se matarem uns aos outros, é uma questão de tempo. Nestes 11 segundos de imagens (peço desculpa pela música parva, mas escolhi este vídeo de entre  outros bem piores, acreditem) vemos o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, a atingir o presidente do Arouca, que não tem importância que chegue para que eu me recorde do nome, e dá-me preguiça de ir pesquisar, com algo que se assemelha a um escarro. 

Dias depois dos incidentes de 6 de Novembro no túnel de Alvalade, o clube arouquês...arouquense....aroucano...qualquer porra dessas, veio alegar isso mesmo com base nestas imagens: o presidente Bruno de Carvalho "escarrou" na cara daquele decano dirigente do clube de uma localidade nortenha mais conhecida por uma deliciosa raça de vaca. É suspeito que os arouqueses...arocos...aroiquinos...esses, porra, só venham mais de uma semana depois da data em que ocorreram os factos denunciar um ultraje destas proporções - cuspir em alguém é do mais reles que há, e só se desculpa em alguém que esteja prestes a ser fuzilado, e demonstre dessa forma o desprezo por quem lhe vai servir de carrasco. Entretanto o Sporting refutou a versão dos arocoisos, dizendo que a substância branca que aparece a ser atirada na direcção do foci...perdão, da cara do presidente do Arouca (lá estava eu outra vez a pensar na raça bovina arouquesa...) é afinal "vapor de cigarro electrónico". Ah...assim fica tudo esclarecido, claro. Bruno de Carvalho não estava a agredir o arou-não-sei-das-quantas com cuspo, mas sim a engatá-lo para irem os dois para a cama, que é o que se entende pela acção de atirar fumo para a cara. Assim é muito melhor, "make love not war", pois então. OK, antes que os amigos sportinguistas me roguem uma praga, vamos lá pegar na vaca arouquesa pelos cornos, e ver afinal o que REALMENTE se passou naquele Domingo de 6 de Novembro em Alvalade.


Aí está o relatório completo e a cores, e como não se fala de outra coisa a não ser esta pouca-vergonha, lá me fizeram "investigar". E que conclusões tirou Leocardo Holmes, parente em linha grossa, comprida e dura de John Holmes, célebre actor de filmes para adultos? Que o presidente do Arouca é uma besta. E o presidente do Sporting não lhe quis ficar atrás, e lá resolveu mugir ele também, apesar do Lumiar não ter pastos, nem uma raça de bovino que se possa orgulhar de chamar sua. O presidente do Arouca estava a ter um ataque derivado dos afrontamentos característicos da andropausa? Chamem a segurança, as autoridades, campinos do Ribatejo, sei lá, qualquer coisa que não seja responder da mesma moeda, incluindo outros personagens naquele birra infantil. Quase lamento discordar da maioria das opiniões que tenho visto expressas nas redes sociais em relação a esta sequência de eventos, mas por uma questão de princípio não sou capaz. O que li nas muitas "threads" de discussão sobre o tema foi basicamente um grupo a chamar de "javardo" a Bruno de Carvalho, e outro a tentar JUSTIFICAR o facto do presidente leonino ter atirado vapor, ou seja lá o que foi que ele andou a chupar antes de tentar engatar aquele cota. Assisti mesmo a comentários indignadíssimos, do tipo "...mas sabes o que aconteceu antes de ele ter feito aquilo"? O quê, antes de tentar engatar aquele velhinho? Porquê, tinha levado "tampa" de outros a quem tentou dar a cantada? 

Nada justifica aquele comportamento, ó esverdeados camaradas. Lembram-se de quando do outro lado da rotunda morava um tal Vale e Azevedo, de quem se riam do alto da vossa soberba de bisnetos de visconde? Não está aqui em causa a instituição Sporting, ou a figura do seu presidente, mas sim o badalhoco do Bruno de Carvalho. Agora é ele o dirigente máximo, mas antes dele outros foram e outros mais virão, e não fica nada bem a um clube de "gente bem" (os queques, tias e dondocas preferem o Belenenses - em regra) andar a pactuar com um burguesso, que vem somar mais esta trapalhada a uma longa lista que inclui não permitir que os jogadores do clube "tenham carros vermelhos", ou despedir um treinador com o pretexto de que "não usou o uniforme do clube" durante um jogo. Mas não se pense que o rival figadal do leão passaram ao lado de uma polémica que nem lhes dizia respeito - foi um ver-se-te-avias de memes, piadas, montagens, etcetera com o presidente do Sporting como figura central. A contra-resposta não se fez esperar:


Pronto, lá está. "E se ele cuspiu, ah? Vocês não cospem também? Toda a gente cospe, pá!". Sim, é uma coisa da natureza humana, isso da expectoração. Eu cuido que ninguém leva com a minha gosma em cima, mas começo a desconfiar que não há limites para o que se pode considerar por "diversão". Certo, o sr. não cuspiu. Atirou fumo para a cara do outro. Mas só porque este último lhe deu um encontrão, atenção! Era fumaça de um cigarro electrónico que ele tinha ali à mão, pronto, e não uma caçadeira de canos serrados - "que pena", pensarão alguns. Penso que toda esta discussão se insere no conceito global de "rivalidade desportiva", mas sem a parte do "desportiva". A argumentação rapidamente passou para acusações de parte a parte, e os "crimes em parada" incluíam além de corrupção desportiva, tráfico de droga, fuga ao fisco, sei lá, penso que canibalismo e sodomia deviam estar lá pelo meio, também.

No auge desta discussão entre adeptos do clube do leão e da águia, animais nobres aos quais certamente desagradaria ver tamanhos figurões a representá-los (isto é, se racionalizassem estes conceitos, e pensando melhor, ainda bem que são irracionais), leio um simpático comentário de um simpático cibernauta facebookiano (saudações, se por acaso veio aqui parar) afirmando que "todos os clubes têm telhados de vidro". Todos? Mas que generalização mais injusta, e feita em nome de dois emblemas como se estes fossem o princípio e o fim de todos os asteróides em forma de clube que orbitam à volta do desporto-rei. Aprendam lá qualquer coisinha, para variar:


A Sociedade Deportiva Eibar fica sediada na cidade basca com o mesmo nome ("Eibar", e não "sociedade deportiva eibar", ó jeitosos) da província de Gipuzkoa, cujos 27500 habitantes só conseguiam encher metade dos estádios de Alvalade, Luz e Dragão - o seu próprio estádio tem capacidade para 6300 espectadores, e nem todos os lugares são sentados. Mesmo assim este clube disputa um dos campeonatos mais competitivos do mundo, o melhor em termos de qualidade, a par da liga inglesa, e não deve um avo a ninguém. Por mais que procurem, não vão encontrar uma notícia que seja relacionada com corrupção desportiva, combinação de resultados, ou negócios pouco claros envolvendo transferências de jogadores, arranjinhos com a edilidade local, nada, nadinha de nada. O SD Eibar é, pasme-se, o único clube do mundo que obteve o certificado de qualidade UNE-EN-ISO 9001! Apesar de ter um dos orçamentos mais baixos do campeonato espanhol, ocupa os lugares do meio da tabela, e ainda recentemente foi empatar a um golo no Santiago Bernabéu frente ao Real Madrid, um clube com um plantel 15 vezes mais caro que o seu. Apesar do atrevimento, ninguém se aborreceu, e os jogadores trocaram de camisolas após o apito final.


Talvez não explique tudo, mas contribui para que se tenha uma ideia do que é um bom exemplo de gestão desportivo o facto do presidente do SD Eibar ser uma senhora, Amaia Gorostiza, que vemos aqui na imagem com um cachecol do clube da sua cidade e do seu coração, em pleno Municipal de Ipuroa. Certamente que quando Amaia se aborrece, ou quando sente que o seu clube foi prejudicado, não desata aos empurrões, a cuspir ou atirar fumo para cima de ninguém. Ao contrário dos intérpretes daquela novela entre o clube do leão e o outro das vacas, aqui leva-se a sério o princípio da salutar convivência desportiva. Muito tinha o futebol português a aprender com o SD Eibar. 


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Os crimes do sr. Procurador



Ho Chio Meng, ex-procurador do Ministério Público de Macau detido em Fevereiro último vai a julgamento no próximo dia 5 de Dezembro, e responderá por 1536 crimes (mil quinhentos e trinta e seis). Isso mesmo, a pessoa que durante 15 anos esteve encarregada de levar os criminosos à justiça, pode afinal ser mais "criminoso" que eles todos juntos. Quem tome conhecimento de uma bizarria destas sem saber exactamente o que se passa em Macau, é capaz de achar irónico. É mesmo possível que aquelas pessoas que andam descontentes com a vida - e são bastantes, cada vez mais - aproveite para reiterar a cantiga do coitadinho, de como "isto está cada vez pior", e "a começar pelos políticos", etc. etc.. Lamentável, foleiro e patético. Em muitos casos o problema é dor de cotovelo, provocada pela falta de um "tacho" onde se agarrar. O caso do procurador trata-se de mais um sintoma de uma doença crónica de que sofre o sistema judicial em Macau: o síndrome palaciano-imperial.

É difícil de conceber que o procurador do Ministério Público tenha cometido quase tantos crimes quantos dias em que esteve no cargo. Supondo que dias houve em que não lhe apetecia cometer crimes (isto até soa ao enredo de um filme de Quentin Tarantino), outros havia em que os praticou desde que acabou de lavar os dentes de manhã, até que foi para a cama à noite. Ho Chio Meng não está acusado de matar ninguém, nem de roubo à mão armada - afinal era a figura maior do Ministério Público, 'cum raio. A maioria dos 1500 e tal crimes de que o acusam são económicos: burla, participação económica em negócio, e abuso de poder. Crimes de "colarinho branco" - e toga preta, neste caso. O mais grave de todos e que pode custar ao magistrado uma boa temporada à sombra é o de "associação criminosa", um crime que normalmente é imputado aos elementos das sociedades de malfeitores, vulgo "seitas". É um bocado difícil descortinar onde é que está aqui a "seita", afinal.

Os operadores do Direito em Macau manifestaram a sua surpresa e indignação. Mesmo quem entenda um pouco de leis, ou até quem faça uso do bom senso percebe que não estamos aqui na presença de um caso de "justiça poética", ou "tardia", de o fim do reino de terror de um criminoso sem escrúpulos, ainda para mais um pérfido e metódico malvadão que ludibriava a lei para levar avante os seus nefastos intentos; é apenas "impossível" que o procurador tenha cometido 1536 crimes sem que ninguém tivesse dado por isso, ou pelo menos desconfiado. A voz mais crítica, e em boa hora, voltou a ser a do presidente da Associação de Advogados de Macau (AAM), Jorge Neto Valente, que considerou a acusação "arrepiante", mencionou o facto de ser dada à defesa tempo insuficiente para estudar o processo de 10 mil páginas (haja inspiração...), acrescentando que Ho Chio Meng "está a ser vítima de uma grande injustiça". Outros juristas falam numa interpretação muito livre do que poderá eventualmente ser um ou mais  crimes "na forma continuada", ou seja, mesmo que existam provas que o incriminem de "alguns crimes", o que parece ter contado para a acusação foi o número de dias em que o procurador não os confessou - será assim? E cada dia os mesmos crimes eram contados como "reincidência"? Não sou qualificado para dar uma resposta, e aqui duvido que alguém consiga produzir uma explicação convincente.

É público que Neto Valente nunca teve uma relação pacífica com o ex-procurador, mas aqui mantém-se, e bem, fiel ao princípio da presunção da inocência, algo que infelizmente muita gente hoje em dia considera "conversa fiada" - até lhes sair na rifa, lá está, e aí pelo menos sabem com o que podem contar. Ho Chio Meng era uma figura controversa; semblante fechado, dando a entender pouca ou nenhuma flexibilidade perante o rigoroso cumprimento da lei, ficaram famosas algumas das suas ideias. Chegou a defender, ou apenas sugerir, a pena de morte em Macau como forma de combater mais eficazmente os crimes de droga, era adepto de uma reforma jurídica que adoptasse a "common law" em detrimento do sistema de direito de matriz portuguesa que vigora na RAEM, foi crítico do bilinguismo, defendendo que a tradução de sentenças para a língua portuguesa "era o motivo da falta de celeridade na justiça em Macau". Havia quem não simpatizasse com o personagem, além do presidente da AAM, mas não era para se gostar ou meter de lado no prato: o importante era que fosse o garante da legalidade. A sua fama de "justiceiro", muito "no-nonsense" levou a que o seu nome fosse indicado para o cargo de Chefe do Executivo por duas vezes. Primeiro aquando da saída de Edmund Ho, e cinco anos mais tarde, quando se especulou sobre a possível retirada de Chui Sai On, durante um período politicamente conturbado no território. E será que estes 1536 crimes viam a luz do dia na eventualidade de Ho Chio Meng ser o actual inquilino do palácio de Santa Sancha? Nem pensar! Nem actual, nem nunca. É melhor nem imaginar semelhante situação, pela vossa saudinha! Vade retro, cruzes canhoto!

E chegou a altura de explicar o que é o tal "síndrome palaciano-imperial", que referi no primeiro parágrafo. É difícil de acreditar que as ilegalidades praticadas pelo ex-procurador não fossem do conhecimento de ninguém, e nem por acaso há três ou quatro alegados cúmplices constantes do processo, e que se encontram igualmente em prisão preventiva há nove meses, mas...para 1536 crimes? Três ou quatro? A explicação é simples: tudo o que o sr. procurador fazia no exercício das suas funções era "bem feito", e agora afinal vem-se a descobrir que não fez nada de jeito - era tudo crime. Vá lá alguém imaginar uma coisa destas! É esta complacência e falta de verticalidade que se confunde com "lealdade" e "espírito de equipa" que é comum encontrar um pouco pela Administração Pública em Macau. O "sr. dr. é que sabe", "se o sr. dr. disse, é porque é verdade", "a lei diz assim, mas o sr. dr. mandou fazer assado". A mentalidade palaciana que vigora leva a que não se pondere por um segundo que tanto o sr. dr., como o secretário, o oficial e o motorista trabalham todos para uma mesma figura concreta mas impessoal: o Governo. É uma noção que aqui não colhe, esta, e colhe menos ainda se existem vínculos precários dependentes de uma avaliação da parte de um superior hierárquico - do Imperador. É a figura do Governo que tem a obrigação de dar o exemplo, regendo-se pelo cumprimento escrupuloso da lei, resistindo à tentação de se inclinar parcialmente para aquilo que alguns figurões "acham ser melhor". Ho Chio Meng foi o "imperador" que após deixar de o ser, ficou com a cabeça a prémio.

A própria detenção do procurador no início deste ano teve o seu "petit je-ne-sais-quoi" de surreal. Foi detido no terminal de "jetfoil" do Porto Exterior quando se preparava para sair do território, e soube-se depois que estava a ser alvo de investigação num outro processo, que implicava estar interdito de se ausentar de Macau. Ora isto só nos pode levar a concluir que para passar na alfândega terá utilizado um documento de onde não constava o seu nome verdadeiro, e os rigorosos funcionários da mesma, os tais que negam a entrada em Macau a bebés de meses de idade por terem um nome idêntico a professores universitários de Hong Kong considerados "persona non grata" não fizeram mais do que a sua obrigação: "este tipo é a cara do ex-procurador Ho Chio Meng, mas se o documento diz que não é, é porque não é". Se calhar não acompanham a actualidade política local, e preferem seguir a Premier League inglesa. Se dessem com o Wayne Rooney a tentar passar com o documento do Cesc Fabregas, davam por isso, com toda a certeza.

As diferenças entre este caso e o outro que envolveu o ex-secretário Ao Man Leong são evidentes: o primeiro foi depenado e depois abatido, enquanto que ao engenheiro foi dado um tratamento "a sangue frio", sem anestesia, por questões que se prendiam com as próprias circunstâncias, e que quem seguiu mais ou menos de perto sabe muito bem quais foram. As semelhanças prendem-se com o facto de ambos serem julgados em última instância, ou seja, sem possibilidade de recurso. Nada mudou desde Ao Man Long, cuja falta parece ter sido interpretada como uma "excepção à regra" pensada pelos ideólogos a quem nunca passou pela cabeça que alguém num cargo daquela elevação tivesse a tendência para cometer crimes. É isto que assusta, meus amigos. Quem pensar que isto quer dizer que  em Macau "ninguém está acima da justiça" só pode ser muito ingénuo. Aqui a palavra "cima" só tem expressão na frase "a justiça caiu-lhe em cima". E esta justiça esmaga. Mete medo.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Aconteceu no MM


Manifestação de imigrantes ontem no Martim Moniz, em Lisboa, que contou com a participação de cerca de 5 mil estrangeiros a residir no país, e que pediam em alguns casos a legalização da sua situação, noutros a melhoria da sua situação laboral, enfim, o normal - se existem imigrantes ilegais a trabalhar em Portugal em condições de semi-escravatura há alguém que ganha com isso, e não são outros emigrantes  (poupem-me ao argumento da máfia russa e afins, que sabem muito bem que não é disso que estou a falar). Sabendo de antemão que esta manifestação se ia realizar, adivinhem quem é que resolveu aparecer?


O PNR, claro! Não há prémio para quem acertou - era demasiado fácil. É vejam só quem ali está, à esquerda daquele outro indivíduo que deve ser duro de ouvido! É o "bruxo" Caturo/Afonso de Portugal/CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA! Pois é, ao Domingo a importação e exportação de têxteis dá lugar à palhaçada, e se esta contra-manifestação ia decorrendo de forma ordeira, apesar dos elevados decibéis produzidos pelo outro gajo, eis que...


Pimba! O próprio vice-presidente do PNR, João Pais do Amaral, cansou-se de tanta legalidade e resolveu furar o cordão policial que separava a manifestação de emigrantes da meia dúzia de gatos "nassionalistas" que barafustavam do outro lado da rua. Quem não conhece João Pais do Amaral, ou pensa que a dieta dele consiste somente de pedras da calçada, como se vê na penúltima imagem...


...é deste indivíduo que se trata, e como se pode ver pela imagem, cabeças de suíno (à direita, caso não tenham bem a certeza a qual das cabeças me refiro) também parecem estar incluídas no seu menu. Agora passemos à "autópsia da coisa".


Pois é, o "manifestante" era "pacífico", e "não fez nada de errado". Estava só a "segurar uma bandeira", coitadinho, quando foi "atacado de forma violenta"...pelas autoridades. Ah. Esqueci-me que isto é gente que desconhece a lei:


A polícia, esses bandidos, que têm a mania de fazer cumprir a lei - onde é que já se viu?! O vice-presidente do PNR incorre numa acusação do crime de desobediência, e caso se prove que era o organizador daquela tropa fandanga, leva a dobrar. Mas até parece que levou a coisa na desportiva:


Ui, que "compreensivos" que eles foram, e claro que "estão do vosso lado". Eu também quando estou do lado de alguém atiro-lhe com as fuças no passeio antes de o meter na gaiola. Mas a certo ponto...


Hmm...isto rima, mas no máximo dava um "rap", ou um fado, daqueles muito pobrezinhos. Engraçados mesmo foram os comentários, que até me deixam mais sossegado e tudo. Vide:



Aquele tipo ali à rasca com a língua portuguesa é também ele dirigente do PNR. Se calhar para entender as leis, que estão em Português, estas deviam ser gritadas por aquele outro indivíduo da imagem mais acima. E se ainda há quem pense que pelo menos estes tipos se safam pela "força das suas convicções", observem esta fabulosa cadeia de "rassiossínio":


Eu também acho imensa piada aos tipos que nem sabem escrever. Ah ah ah! Olha para mim aqui a rir cheio de vontade. E aquela lógica fabulosa, da "nacionalidade-nacionalismo". Pois, são palavras da mesma família, "atão"? Esta só é superada pela outra em que o Partido Nazi era "socialista". Então não era?!?!


Tão "socialista" que ele era, pá. Aquela "literatura" do PNR ali no canto inferior direito da imagem de baixo só pode mesmo ser para enganar - malandros, a difamar os meninos! Mas há mais:


Aquele Afonso Jantarada é um "troll", e qualquer um consegue perceber isto. Mas mesmo assim conseguiu "dar corda" a estes meninos. O Hugo Patrício é um gajo mesmo letrado, pá, vê-se logo, com aquela recomendação de "menos ginásio e mais escolinha". Quem sabe se devia ter usado esta recomendação num passado recente, para outros indivíduos:


Estes, por exemplo. Mas que disparate estou eu para aqui a dizer? Estes tipos não têm "nada haver" (foi de propósito) com o PNR, e quem o garante...


...é Pedro Perestrello, do Conselho Nacional do partido. Pelos vistos a casa não anda lá muito bem arrumada, ó camarada:


Há isto, e se é apenas "maldade"...


Há ainda mais isto. E este rosto se calhar já é mais familiar, não é, sr. Perestrello? 


Afinal o PNR é um partido "democrático", e "dialogante", onde os senhores são uns cavalheiros e as senhoras umas donzelas. Nada de violência, o que é isso?


Mal educados são estes "intolerantes de esquerda", e o que vale...


...é que os militantes do PNR retribuem a gentileza, como mandam as regras da boa educação. Ou será que foi ao contrário. E isso importa? I rest my case.


Figura da semana


Pep Guardiola em grande. Enorme.


domingo, 13 de novembro de 2016