quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Exercício de (algum) contraditório (vá lá, só um bocadinho)


Na ordem do dia aqui ao lado em Hong Kong está o julgamento de Rurik Jutting (na imagem), assassino confesso de duas empregadas domésticas indonésias em 2014. Jutting, que na altura dos factos estava "viciado em álcool e cocaína" admitiu ter matado as duas mulheres, e a descrição da forma como o fez vai fazê-lo certamente entrar para a galeria dos maiores psicopatas da História. Arrisca-se a ser condenado a prisão perpétua - o que muito provavelmente acontecerá - e os detalhes da forma como matou as duas mulheres cujos corpos viriam mais tarde a ser encontrados dentro de uma mala no seu apartamento são interditos durante o período entre o almoço e o jantar, ou qualquer outro antes e depois disso. Embarcando um pouco na vaga de populismo que por aí grassa, "morto ainda era pouco".


Entretanto durante os dois dias em que vem decorrendo o julgamento, várias empregadas domésticas indonésias juntaram-se à porta do tribunal em Mong Kok, exigindo que seja feita justiça, e falando ainda de "compensações aos familiares das vítimas", e pedindo "mais segurança" para a classe das trabalhadoras domésticas. Aqui lamento muito, e pensem de mim o que quiserem, mas não bate a bota com a perdigota. Jutting não contratou as duas mulheres em "part-time" para lhe fazerem a limpeza da casa; conheceu-as num bar, e combinou serviços sexuais pagos, a que elas acederam. É uma tragédia que se lamenta, sem margem para dúvidas, tendo em conta que pelo menos uma delas tinha um filho de cinco anos a cargo dos seus pais na Indonésia, mas esta não é propriamente uma actividade coberta pelo seguro obrigatório incluído no contrato das trabalhadoras não-residentes. Outra vez, lamenta-se, mas...e que grande "mas". 


O suspenCAO do AO



Eu também CAOcordo, e acho é que devia ser abatido - está minado de pulgas e cheira mal que tresanda.


A tua quê? Ah, tá bem. Agora sai, sai. Xô! Casota! Mau menino!



Saneamento cultural


Imagens recolhidas no lavabo masculino do Museu de Macau, e partilhadas hoje no grupo CEAM (Conversas Entre A Malta) no Facebook, e que dão conta do novo uso dado a um dístico com o nome da ex-presidente do Instituto Cultural: tampão de autoclismo da sanita. Pois. Heidi Ho foi presidente do IC até Dezembro de 2009, data em que foi substituída por Guilherme Ung Vai Meng, actualmente em funções. Bom, como isto é uma malta muito "economista", que aproveita as coisas que "já não prestam", e tal...



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

'Tá bem ó Dylan, seu piegas



Nunca fui um fã de Bob Dylan por duas razões elementares: 1) gosto de música e 2) a mensagem da poesia dele não me diz grande coisa. Não tenho nada contra o tipo, que tem dois ou três temas que dá para gostar, e até lhe acho piada à voz nasalada, o que vendo bem as coisas, chega a distrair o mais comum dos melómanos. Agora ganhou o Nobel, e armou-se em parvo. Sim, é um prémio que faz sempre correr muita tinta no que toca às categorias que distinguem os escritores e as personalidades que supostamente mais terão contribuído para a Paz no mundo nesse ano. É destes que a malta gosta de falar...mal.

Está-se tudo nas tintas para os nobéis da Medicina e da Física, e quando um japónico ou um nazi quaisquer são distinguidos "pela pesquisa dos foto-neutrões dos folículos da raiz da salsaparrilha e os seus efeitos na distribuição do azoto pelas células", escuta-se um uníssono "ah...". Com os nobéis da Paz e da Literatura a história a outra. No primeiro caso arranja-se maneira de diabolizar o vencedor, assegurando dessa forma que a convicção geral de que o prémio "é uma farsa" persiste, porque...bem, tem mais piada assim? Deve ser isso. O da Literatura tem um carácter bastante subjectivo, pois não distingue um trabalho de autor em particular, mas o conjunto da sua obra. Assim sendo, acontece por vezes (sempre?) ganhar um autor qualquer de quem já ninguém se lembra, e quem sabe até para surpresa do próprio contemplado, e desta vez ganhou um músico - o que foste fazer, ó Academia Sueca?

E agora para provar que se calhar tinham razão as vozes que consideram que as letras das canções "não são literatura", o parvalhão do Dylan resolveu fazer uma espécie de birra com quem lhe quer dar um Nobel e...900 mil dólares! Iá, o gajo não precisa da cheta, que é coisa que não lhe falta, mas podia, sei lá, doar a uma caridade qualquer, porra. E que treta é esta de não querer comentar a distinção? Que mensagem é que está a passar, respondam os que desde sempre ou apenas agora que "fica bem" escutaram a sua "mensagem"? É "humildade'? Ora bolas, mais parece um puto de onze anos a fugir da miúda mais gira da escola que quer namorar com ele, porque "não sabe como se faz e tem vergonha". Deixou de ser notícia o Nobel em si, e passou-se a falar da atitude nada nobre do vencedor. Ao menos fazia como o Marlon Brando quando recusou o Óscar, e mandava lá uma índia a fingir com uma mensagem política da tanga. Assim é que não, ó Dylan. Seu piegas.




Gary Lineker remata e..é golo!


Gary Lineker, antigo avançado da selecção inglesa e artilheiro-mor do mundial de 1986 no México foi notícia durante a última semana. O agora apresentador e comentador desportivo viu-se envolvido numa guerra de palavras com o tablóide The Sun, e tudo por causa disto:


Eis o exemplo de prostituição que não passa pelos orifícios mucosos do corpo humano (ou não só...):  a função de informar com rigor e isenção veste as meias pretas de liga e vai atacar para a esquina, a mando dos seus patrões, e com o fim de cumprir a sua agenda política. Por mais razão que tenham, por mais que o acordado tivesse sido "receber menores em risco", e por mais que este tipo na imagem tenha sobrinhos-netos, quem são estes estafermos para dizer às autoridades como agir, e pior, instruir os seus leitores em como pensar! E se a ideia era agitar as massas, elas agitaram-se, mas o efeito produzido não foi o mais desejado:


E aí está o avançado a entrar na área adversária e a marcar um golo limpinho, limpinho. Além do número de golos marcados, da carreira de Lineker consta ainda uma curiosidade deveras interessante: nunca foi admoestado com um cartão, vermelho ou amarelo - e nesta jogada percebe-se porquê. Nada, mas mesmo nada satisfeitos com a ousadia do ponta-de-lança, o The Sun fez "jogo sujo":


E lá está, este travesti de jornalismo no seu pior. Chamaram-lhe de esquerdista, atribuíram-lhe intenções que ele não manifestou, compuseram ideias absurdas a partir das suas palavras, mencionaram aspectos como o salário que aufere como comentador desportivo (tem tudo a ver com o argumento da idade dos refugiados, portanto), e pior: exigiram que a BBC o demitisse! Olha aí os fabulosos "salvadores", que nos vêm libertar do jugo de Min, o impiedoso, e as suas noivas jihadistas que avançam a todo o galope no seu cavalo de Tróia islâmico. É que está quase, quase...só mais 10 anos, que é o tempo que os atordoados intelectuais que compraram esta banha da cobra já perderam das suas vidas a anunciar a "invasão uterina" e a "substituição demográfica", e outros disparates. E depois desses anos só mais outros 10...vá lá está quase. Olha aí a "democracia" em todo o seu esplendor "pidesque".  Bah. Bem, voltando ao veneno que o The Sun andou a cuspir, só que aparentemente para o alto, porque...


...numa reacção da opinião pública com uma grande carga irónica, Lineker pode agora ser votado  "apresentador do ano" pelos espectadores de TV do Reino Unido. Claro que primeiro o apresentador foi "massacrado" devido ao seu comentário, e se a reacção dos militantes desta paneleirice que é andar a contar quantas pilas chegam de França ainda demorou o tempo normal nestas coisas (digerir/espumar de raiva/replicar)  os primeiros a sair da toca são os xenófobos envergonhados, que reagiram no tempo real - no tempo do Twitter, portanto. Entre os insultos e quejandos, que é o pilar da argumentação desta gentinha, lá saíram uns grunhidos do tipo: "porque é que não recebes tu refugiados na tua mansão, que espaço é coisa que não te deve faltar". Ora pois, com certeza, que estes vieram para ir morar em cima da cabeça dos tipos que produziram esta lógica tão "interessante". "Eu não sou xenófobo, p'lamordedeus; é só porque com estes 53 que chegaram agora lá de Calais já não vou caber no elevador quando quiser ir à rua comprar 'quiche'". Vá lá, que é isso? Ninguém está a sugerir que sois más pessoas, então? Sois PÉSSIMAS pessoas, que não merecem o ar que respiram. Ficamos esclarecidos, pronto.


Mas lá desabafaram, "coitados", e assim que a maré dos imbecis se retraiu, apareceu em defesa de Lineker a tal "maioria silenciosa", as pessoas a quem a inteligência estes gajos teimam em subestimar. E realmente alguns disseram aquilo que já devia ter sido levado a debate logo desde o primeiro minuto: que imagem se está aqui a passar de um país inteiro? E não é um país qualquer, atenção. São os mesmos tipos que inventaram o conceito de "racismo", e tal como venho afirmando há ANOS, foi apenas para o usarem como arma de arremesso uns contra os outros - aqui aparentemente na, "não é racismo querer que aqueles enrabadores de camelos se f.... todos com uma ganda pinta". Belos tempos, aqueles, uh? Ia-se por esse mundo fora, e tal, e voltava-se com as especiarias, os metais preciosos, as matérias primas, enfim, tudo menos com aqueles gajos enfiados no porão das barcaças. Agora é o que se vê. Ó império onde o sol nunca se põe, faz do dia noite, que os gajos andam todos a cair de sono, coitados.


É isso mesmo, Lineker, avançado que durante o tempo que esteve no activo eu desprezei por não representar nenhum clube da minha simpatia ou a selecção do meu país, mas que como pessoa é "nota 10"! Escreves aquilo que muito bem te apetecer, e sim senhor, os tipos do The Sun estavam-se a referir a SERES HUMANOS como se fosse gado vacum cuja remessa não satisfazia a encomenda. Agora, como conclusão, e indo à parte de mais esta peixeirada britânica que me interessa realmente. Sem tomar partidos, e esquecendo por um minuto essa obsessão parva pela idade dos refugiados, e quantos "são crianças e mulheres", ou se têm as tripas a sair-lhes da barriga, caso contrário "não deviam ser acolhidos", e toda esse merdume que deve ser produto do tempo a mais que têm para cultivar essas minhocas nesse húmus encefálico - esqueçam isso tudo por um instante: como reagiam se dessem uma opinião, e vos "caíssem em cima" como o The Sun fez com Gary Lineker? Esta é mais uma demonstração do perigo que o populismo representa, e de que a História já nos deu vários exemplos. Supondo que vão votar nestes tipos para resolverem lá o medinho larilas sei-lá-do-quê que vos apoquenta, e eles são eleitos, o que acontecem depois de descobrirem que afinal FORAM ENGANADOS? Desvotam, é? Levam é com uma "recomendação" deste tipo dirigida à vossa entidade patronal, ou algo que vos valha: "metidos na rua, e pelas orelhas". E onde é que eu já (ou)vi isto antes? Hmmm...

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Braga vai à Konya esta noite (dá-lhe Braga!)


...na Turquia. Isso mesmo, leram bem: o Sp. Braga já está em Konya, cidade turca da Anatólia central, 150 quilómetros a sul da capital Ancara - é lógico que a Konya tinha que ficar abaixo d'Ancara, bolas. Se tivesse lá ido apenas o treinador José Peseiro eu ainda pensava que tinha ido visitar um primo turco, pois aquele ar de enkonyado dá mesmo para perceber que veio da Konya. E atenção, KonYa, com "y", caso estejam a pensar noutra coisa. E além do mais dessa outra viemos todos, cum camano. Então afinal o que leva vinte e tal matulões a irem a esta Konya que conhecem mal, ou não conhecem de todo?


Ah, tinha que ser qualquer coisa a ver com futebol.  É típico dos gajos: quando não estão a pensar no futebol, estão com a cabeça na Konya. E estes ainda conseguem conciliar as duas coisas, o que se explica com a testosterona, que é uma coisa que esta malta da bola solta quando espirra. "Ah, é para a Liga Europa, e tal, a gente nem não queria ir à Konya, mas tem que ser". Pois, pois, "é um compromisso",  não é? O sorteio da Liga Europa determinou que o grupo do Braga fosse com o Konya...spor, equipa que em virtude de ter terminado o campeonato turco no terceiro lugar na época passada, faz este ano a sua estreia nas competições europeias. 

Mas não pensem os bracarenses que vão encontrar uma Konya completamente inocente,  pois a sua primeira vez foi em Setembro, com o Shaktar Donetsk a voltar todo contente da ida à Konya, depois por ganhar por 1-0, tirando-lhes assim os três...pontos. Mas pronto, como é da Konya que estou a falar, esta tem mais outros três para dar, caso a equipa portuguesa demonstre firmeza, e queira levar da Konya as melhores recordações. Vamos ver esta noite, e espero que o  José Peseiro não esteja a fazer planos de ser empata-foras, senão ainda sai da Konya...er...derrotado - pensavam que eu dizer f..., é? Já disse: é KonYa, com "y"! Sempre a pensar na pouca-vergonha, pá, sempre a mesma mérida!



terça-feira, 18 de outubro de 2016

Aupa Gorritxoak!


Yes! Aí está a primeira vitória do grande CLUBE ATLETICO OSASUNA neste ano de regresso aos grandes da liga daquela união que Castela obriga outros povos a fazer parte! E em grande estilo também, pois não só foi obtida fora de casa, como ainda foi esta verdadeira obra de arte que valeu os três pontos para os navarros. Minuto 58, marcador em 2-2 nu Ipuroa em Eibar, e Roberto Torres escreve com os pés aquele poema, usando a bola como caneta, e a relva como papel. E para tornar tudo ainda mais dramático, chovia a cântaros - e quem é consegue fazer uma coisa destas com aquela chuva toda a cair-lhe em cima??? Com esta vitória o Osasuna soma 6 pontos em oito jogos, e apesar de ocupar a penúltima posição na classificação, tem apenas menos um ponto que Gijon e Espanyol, e menos dois que o Betis de Sevilha, que esta sexta-feira visita o El Sadar. Vai ser um ano de sofrimento, é claro, mas é preciso recordar que a equipa de Pamplona tem o orçamento mais baixo da Liga, e um plantel mais económico que algumas equipas do segundo escalão. A isto chama-se "amor à camisola", pá! AUPA GORRITXOAK! E mánada! 


Uma "sevilhana" em pleno


Um dado estatístico muito interessante, este que fiquei a saber por um link que me enviaram há pouco. O FC Sevilha, emblema maior da comunidade autónoma da Andaluzia do Reino de Espanha, conseguiu no passado fim-de-semana um feito muito difícil de alcançar: todas as suas equipas de futebol venceram os jogos que tinham agendados. Pode não parecer grande coisa para quem já tenha visto o seu Atlético da Pontinha obter triunfos nos séniores, juniores, juvenis e iniciados entre um Sábado e um Domingo qualquer, e têm razões para se orgulhar desse "poker" (eh, eh), mas o que seria se o vosso clube do coração jogasse em...22 frentes?!

Sexta-feira, 14/10
Sevilla FC 9-2 Andalucía Este CF (4ª Andaluza Benjamín G.6 - SE / J3)
Sevilla FC 18-1 CD Cantely (3ª Andaluza Alevín G.3 - SE / J4)
Sevilla FC 18-0 CD Gelves (2ª Andaluza Benjamín G.2 - SE / J5)
CD David Castedo 3 0-10 Sevilla FC (3ª Andaluza Benjamín G.1 - SE / J4) 
Sábado, 15/10
CD Cabecense 1-2 Sevilla FC (3ª Andaluza Alevín G.2 - SE / J4)
Sevilla FC 5-0 CD Puerto Malagueño (División de Honor Juvenil G.IV / J9)
Sevilla FC 2-0 CMD San Juan (Liga Nacional Juvenil G.XIV / J6)
Sevilla FC 7-0 Marchena Balompié (3ª Andaluza Infantil G.3 - SE / J4)
Alcalá del Río CF 2-7 Sevilla FC (3ª Andaluza Prebenjamín G.3 - SE / J4)
Sevilla FC 12-0 Fútbol Aficionado Écija (2ª Andaluza Femenina Juvenil- SE / J1)
CD Leganés 2-3 Sevilla FC (LaLiga / J8) 
Domingo, 16/10
Sevilla FC 2-0 AD Sevilla Este (2ª Andaluza Juvenil - SE / J6)
Sevilla FC 8-0 Andalucía Este CF (3ª Andaluza Prebenjamín G.1 - SE / J4)
Sevilla FC C 4-1 UB Lebrijana (Tercera División G.X / J9)
Sevilla FC 1-0 CD Nuevo Molino (1ª Andaluza Cadete G.1 / J6)
FB La Rambla 1-3 Sevilla FC (2ª División Femenina G.IV / J7)
Sevilla FC 11-0 Brenes Balompié (3ª Andaluza Benjamín G.3 - SE / J4)
Córdoba CF 0-1 Sevilla Atlético (LaLiga 1'2'3 / J10)
Real Jaén CF 0-2 Sevilla FC (División de Honor Cadete / J6)
UD Salvador Allende 0-7 Sevilla FC (1ª Andaluza Infantil G.1 / J6)
Aí está, desde os seniores aos escalões de formação e até o futebol feminino, quer as equipas principais, quer as equipas "B", e as "C", onde as há. Um motivo de orgulho para um dos clubes que mais tem crescido este século. A equipa principal de futebol do Sevilha FC entrou no novo milénio a disputar o segundo escalão, terminando a época de 2000/2001 em primeiro lugar, à frente dos rivais da mesma cidade, o Real Bétis. Foi a quarta vez na sua história que os sevilhanos conquistaram o título da segunda divisão, mas estariam longe de imaginar o que viria a seguir. Assim, nos últimos 15 anos conquistaram duas das 5 taças do Rei que têm no seu currículo, a única Supertaça, que conquistaram de forma épica contra o Real Madrid em 2007, com uma vitória por 5-3 no Santiago Barnabéu, e talvez o registo mais impressionante, 5 títulos da Taça UEFA/Liga Europa, juntando a um desses a Supertaça Europeia, curiosamente também em 2007 - se 1987 ficou conhecido como "o ano do Dragão" devido às conquistas do FC Porto, 2007 foi "o ano das castanholas". Só falta mesmo o campeonato, que os andaluzes conquistaram apenas uma única vez, no longínquo ano de 1946. Com essa "cobra de duas cabeças" que é a rivalidade entre o Real e o Barça, e onde só o Atlético se vai conseguindo intrometer, afigura-se complicado, mas enquanto esperam vão enchendo os armários com outros "canecos". E agora também um recorde para que possam exclamar de peito cheio: Olé!



Fez-se justiça: Ched Evans é INOCENTE! (parte V)



Para entender o que foi o calvário pelo qual passou este homem, um jovem de 27 anos que era ainda mais jovem quando ocorreram os factos, só mesmo estando no seu lugar. Agiu mal? Sim, claro, e pode-se dizer que foi uma besta. O seu comportamento é reprovável? Obviamente que sim, e nem passava pela cabeça fazer o que ele fez. Cometeu um crime? NÃO, NÃO E NÃO! E aqui reside o principal problema de quem viu na reversão do veredicto após a repetição do julgamento uma espécie de "ultraje", ou leu nas entrelinhas algum "atentado" contra as virgens, criancinhas, mães e avós. Aquilo que cada um considera a forma mais correcta de se correlacionar com os outros não é lei, e discordar ou ter optar por outra conduta não faz de ninguém "um criminoso", a não ser que cometa um crime! E aqui confundiu-se o conceito de crime propriamente dito, com o "crime" que foi o aumento do preço da gasolina sem chumbo, ou o "penalty" que marcaram contra o nosso clube. Aqui o juiz que tomou a decisão correcta esteve impecável, a propósito da questão do consentimento, que a alegada vítima disse "não se recordar ter dado". E não estava a ser irónica, como quem diz "olha lá, não me lembro de ter dado autorização para meteres a colher no pudim, ó maroto!". Não se recordava de todo, e podia tanto ter dado, como não! E foi isso que o magistrado deixou claro, ao afirmar que o importante é saber se foi dado ou não consentimento, e não se a queixosa teve um momento de amnésia. E outra frase que fica registada: "consentimento em estado de embriaguez é consentimento na mesma". O Chad pode-se ter aproveitado da piela da rapariga, mas nem ele foi responsável pelo seu estado, como só na esfera da moral é que o seu comportamento pode ser entendido como doloso. E por isso ele já pediu desculpa, e quem não quiser aceitar, problema seu. Privá-lo da sua liberdade com base apenas na interpretação que se faz da sua intenção naquele momento, ou da percepção com que se fica do seu carácter, isso nunca.

Mas afinal o que é que as pessoas pensam que é isso do "consentimento", que chegam a passar a ideia de que é preciso vir um secretário do reino desenrolar um papiro e ler em vez alta: "declaro por decreto de sua majestade que fulana autoriza sicrano a introduzir a pila dentro dela"? O bendito juiz que tanta falta fez ao pobre Ched no primeiro julgamento veio dizer que o sexo casual "acontece frequentemente e com naturalidade, independente da moral de cada pessoa". E quantos casos acontecem POR DIA, e EM TODO O MUNDO, em que dois adultos que não se conhecem sentem atracção um pelo outro, e no mesmo dia fazem sexo, sem saberem o nome do outro e quase sem trocar uma palavra? Portanto, se estiver aqui a falar de um homem e uma mulher, para facilitar as coisas, e ela não pronunciou as palavras "consinto este acto sexual", ou outras semelhantes, TECNICAMENTE tratou-se de uma violação! Sim, é isto que a acusação deixa implícito. A tipa foi para um hotel com um tipo, e este garante que a consultou sobre a vinda de um outro elemento, que ela achou boa ideia, e mais tarde afirma que foi violada porque este não lhe deu as boas noites? Mas o que é isto? Ela diz que foi violada, sem ter ido sequer à polícia fazer queixa, sem a ciência forense ter encontrado pistas que levantem essa possibilidade, e ainda incentivada, para não dizer instrumentalizada por agentes interessados em dar publicidade a uma eventual condenação, então "se DIZ que foi violada, então é porque foi". E aqui está a necessidade de recorrer a uma excepção da lei para permitir que fossem validados os testemunhos de quem podia comprovar a falta de idoneidade da acusadora, mesmo que o crime de que alega ser vítima lhe garanta uma série de protecções, como a reserva da identidade, mas não a habilita a MENTIR a torto e a direito, bastando alegar que foi cometido contra si um crime socialmente reprovável. E depois foi isto que se vê aqui:


"Ficou aterrorizada", diz esta folha-de-couve, que diz que a alegada vítima "desmaiou" depois de sair do contra-interrogatório policial, onde foi deixado claro que MENTIU com os dentes todos que tem na boca. Portanto se diz que "desfaleceu" DEPOIS de deixar o local, e nenhum agente da autoridade testemunhou o episódio, é muito provável que esteja outra vez a mentir. E como isso não bastasse, dotaram-lhe de mais um "brinquedo", e ao relatar o que se passou no apuramento da VERDADE, diz que se sentiu "como se a estivessem a violar outra vez". Tenham dó. Eu desconfio que esta criatura não deve saber o que está a dizer. Para ela o conceito de "violação" é qualquer coisa como "não faz mal se eu deixar, mas é tipo, crime, ou isso, se eu não quiser". E após a sua identidade ter sido  e revelada nas redes sociais, resolveu que "vai viver para a Austrália", pois "não suporta mais a humilhação a que está a ser sujeita". Coitada, já não se pode MENTIR e arruinar a vida de alguém que para ela foi "mais um" dos "violadores" das longes noites de boémia, perdão,  de "afirmação da sexualidade", ao abrigo da liberdade que coloca os homens e as mulheres em pé de igualdade  - a não ser que as primeiras digam que não quiseram, pois aí é "violação". Austrália, que desgraça...olha, e que tal uma alta prisão de segurança na companhia de violadores A SÉRIO? Mandaram-lhe "bocas" nas redes sociais? Só isso? Ninguém lhe passou uma lâmina para cortar os pulsos nem nada? E depois ainda há isto:


Vejam só quem veio para jantar neste intragável banquete, a tal Jane Hatchett (nome fictício, lógico),  a mesma que andou a seguir todos os passos de Ched Evans depois deste sair em liberdade condicional, lançando petições para que nenhum clube o deixasse jogar. Como as lâminas não resultaram, tentou que o desgraçado acabasse a dormir debaixo da ponte e a pedir esmola. Agora lançou um novo apelo para "juntar 50 mil libras" para que a "coitadinha" não emigre para a Austrália, e "metade desse dinheiro reverte para vítimas de violência sexual". Muito comovente, mas aplicando aqui a mesma lógica da senhora que ninguém sabe quem é, isto quer dizer que a queixosa neste caso NÃO FOI VÍTIMA! Isso mesmo, pois esta paladina da causa do ódio visceral aos homens tem andado em pulgas para que Ched "peça desculpa à vítima", e menciona isso em todas as suas petições, que "o violador nem pediu desculpa à mulher que agrediu". Como Ched é jogador de futebol, mas tem a sorte de ser um dos poucos que não é meio ou completamente bronco, recusa-se a fazê-lo, pois isso seria admitir a culpa! E é disto que esta "justiceira" está à espera, pressionando-o para que ele fique a pensar que assim o deixam em paz. Não é um pedido inocente, este, e mal ele o fizesse, apontavam-se-lhe todos estes dedos de bruxa. E agora a conclusão:



Esta é pessoa que melhor conhece Ched Evans: Natasha Massey, a sua companheira de anos, e agora mãe do seu filho. Dando como garantido que não existe nenhum historial de doença mental da sua parte, é ocidental, tão inglesa como os imbecis que atiram com opiniões parvas sobre coisas muito sérias, de raça branca, e sem afiliação conhecida em qualquer culto maligno ou seita "esquisita", o que a levou a ficar do seu lado, e durante um longo suplício de cinco anos? Ele era apenas um jovem promissor, e nem sequer jogava numa equipa de topo. Não estou a sugerir que ele podia "pular para fora do barco", ou pior ainda, juntar-se ao coro de vozes acusatórias contra o jogador. Podia simplesmente pedir desculpa e retirar-se, pois "é jovem", tem uma vida pela frente, só que esta é curta para encarar uma coisa destas, portanto a melhor das sortes para ti e ciao. Nada disso! Não só perdoou a escapadela do então namorada, como ainda manteve o compromisso com ele durante os 30 meses que esteve encarcerado, e ainda se empenhou, recorrendo inclusive aos seus próprios meios financeiros para que a verdade visse a luz do dia! E então, não teve medo de ficar do lado de um "violador", como ficou conhecido em todo o país e no resto do mundo? 

Finalmente gostava de falar de uma das partes que não teve voz neste longo e complexo enredo, e percebe-se facilmente porquê. Falo das mulheres que foram comprovadamente para além de quaisquer dúvidas vítimas de violação, que nem imagino o que devem ter sentido ao verem equiparado este caso com os seus. No Reino Unido a legislação traça uma linha muito ténue entre equívocos desta natureza e crimes de violação com recurso à força, e que resultam em traumas físicos e psicológicos graves para as vítimas, e dos quais dificilmente ou nunca recuperam. É preciso marcar uma distância maior entre o que é mesmo uma humilhação para uma mulher que é violentada, passando por minutos de terror, que lhe chegam a parecer horas, e os caprichos de uma jovem confusa em relação aos que moldam o tecido social, e que mesmo sem um pingo de amor próprio, não se inibe de destruir a vida de um inocente, que numa noite decidiu comportar-se como um idiota, e em nome de...do quê? Fica por saber o que leva a que se achincalhe o pressuposto da inocência de um indivíduo, e que se exija a privação de um valor tão precioso como o da liberdade. Penso que só estando no lugar dele daria para perceber a dimensão dos disparates que se têm bradado de boca cheia, e ainda por cima agitando a bandeira da dignidade humana. Mais uma vez um sinal do que pode significar o triunfo do populismo. Somos todos potenciais "Ched Evans", cada um de nós e sem excepção. Sim, as senhoras também, e se por acaso pensaram que o jogador saiu de algum buraco no chão, ele também tem mãe, a namorada de que ficámos a conhecer a coragem e devoção pelo homem que amava, e a quem tudo isto deve ter doído quase tanto quanto, a irmã, cujas conversas os ratos do esgoto que elaboram aqueles tablóides execráveis andaram a bisbilhotar, e agora também uma filha. 

Boa sorte, Chad, e parabéns! Fiquei muito feliz com esta notícia, pois vinha seguindo os desenvolvimentos do caso quase desde o início, e nem o corso dos ignorantes que se odeiam e por isso odeiam toda a gente me moveu um milímetro que fosse dessa felicidade. Só gostava de deixar uma última ideia, que deixo para quiser reflectir: o que seria se o Ched, amigos e família não tivessem a capacidade de financiar o apuramento da verdade, que tiveram que arrancar a ferros? E quantos se resignaram à injustiça, e viram lâminas a passar pelas grades do chão da sua cela? "Lâminas" no sentido lato, e que podem ser qualquer outra coisa melhor que o desespero de se estar a pagar por um crime que não se cometeu. E neste caso nem existiu: foi inventado por gente sem vergonha.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Fez-se justiça: Ched Evans é INOCENTE! (parte IV)


Quantos à reacções a esta reposição da VERDADE, já que a dignidade dos envolvidos está demasiado entranhada de lama para que se possa restabelecer, temos de tudo, desde o ridículo ao surrealista, passando por vários tons de burrice, e não deixando de fora ressabiamento aos molhos. O pai da vítima, que tal como ela não é identificado, como manda a lei quando os crimes são relacionados com o foro íntimo, ou envolvem menores em risco, não ficou nada satisfeito que se tivesse vasculhado a extensiva lista de convidados à degustação das virtudes da sua santinha! Onde é que se já se viu uma coisa destas?! Este senhor que não fdp, mas antes o pai da mesma, devia era ficar sossegadinho, ou melhor ainda, enfiar-se no maior buraco que encontrasse no chão onde coubesse a sua vergonha - se tivesse vergonha, e aqui parece que a libertina rapariga tem a quem sair. Que raio de educação deu este gajo à filha, e para piorar as coisas, assumo que com 19 anos ainda deve viver debaixo do seu tecto.  Onde é que ele pensava que a miúda andava quando não dormia  em casa, ou quando chegava com uma cadela de uma bebedeira em cima? Mas pronto, pá, isso de mandar um tipo malhar com o coiro na choldra não é problema teu, claro. 

Um outro facto paralelo a este caso (e como podem ver, é um assunto bastante complexo) prende-se com a divulgação da identidade da vítima, que deixou o seu pai "furioso". É mau porque se trata de um crime, e já foram indiciada uma adolescente que divulgou nas redes sociais o nome da rapariga. Mas como é que pensam que eles sabiam, se o caso só se veio a saber depois de Ched Evans ter sido indiciado? PORQUE TODA A GENTE A CONHECE, E SABE O QUE A CASA GASTA! Não estou a sugerir que ela tenha um convite à pouca-vergonha estampado na testa, mas provavelmente nunca precisou de se explicar a ninguém, e da única vez que foi confrontada com essa situação, decidiu passar por anjinho e foi aquilo que se viu. "Só faltava virem agora dizer que e minha filha andava a pedi-las", roga o pai, julgando que convence alguém que fez o que lhe competia no papel de educador. Eu nunca seria capaz de colocar a questão nesses termos, mas o problema tem a ver com a semântica: ela não "andava a pedi-las" - andava à procura. Outra vez, não estou a criticar, e seria hipócrita se o fizesse. Eu também gosto de badalhoquice, só não seria capaz de cometer prejúrio, que também é crime. Quando ele conclui dizendo que o historial da filha neste departamento é irrelevante, pois não é ela que está a ser julgada, eu acrescento que "não está, mas se calhar devia ser".





E não demorou até que viesse a reprovação  (leia-se "ressabiamento") das associações de apoio à vítima, que condenam a estratégia da defesa em desacreditar a queixosa. Eu acho que estas associações revestem-se de uma nobreza e são de uma utilidade acima de qualquer suspeita - com excepção  deste caso. Dá a entender que querem que a requerente deste caso seja vítima, quando a probabilidade de ter sido instrumentalizada por outros que igualmente não teriam um pretexto para fazer o que fazem - e fazem muito bem, volto a afirmar - se não houverem vítimas. Para mim no mundo ideal não existiriam violações nem agressores de espécie alguma, mas aqui fico com a percepção de que para estes o número os que existem ainda não chegam. Da parte que me toca, fico feliz que tenha sido feita justiça "positiva", ou seja, o acusado é inocente de um crime horrível que não só não cometeu, como ainda não chegou sequer a ser cometido, e assim sendo não há culpados nem vítimas, e lamento que exista quem destile tanto ódio e esteja tão sedento de sangue que considere isto uma coisa nefasta. Parece que muitas destas opiniões que destilam veneno esquecem-se de que o que está aqui em casa é um processo judicial, e que a justiça actua conforme a lei, e não a opinião individual de cada um, ou de que estes "acham bem" ou "mal". A justiça decide com base nos códigos das leis, e não no que vem escarrapachado naqueles tablóides intragáveis. Ia ser bonita, ia. Vejamos mais um exemplo de completo desprezo por aquilo que prende a barraca da ordem social ao chão, evitando que vá pelos ares e fiquemos todos ao relento, enquanto chovem malucos:


Aqueles dois indivíduos ao lado de Ched Evans naquela imagem em cima são os Rizzle Kicks, um duo que ganha a vida fazendo aquilo que designam por "música" - como podem ver os personagens deste enredo são ora uns grandes mentirosos, ou uns tremendos imbecis, e estes conseguem combinar as duas valências. De acordo com um mensagem deixada no "Twitter" destes palermas, a alteração do veredicto do caso "é uma vergonha", criticando o facto da defesa ter recorrido ao passado da alegada vítima, expondo detalhes íntimos do mesmo. Até aqui tudo bem, e por mais que discorde desta ideia, têm todo o direito a pensar (se é que pensam...) dessa forma. O problema é a justificação que deram para esta tomada de posição: "Quer dizer que agora se alguém gostar de sexo, não faz mal ser violada?!?!". Isso mesmo, é esta a razão que estes tipos encontram para justificar a privação da liberdade de um inocente "porque nunca se sabe" - afinal o gajo meteu lá a pila ou não? Ah, bem. Ah bem NADA, SUAS BESTAS! Mas alguém gosta de ser violado, cum c...? Esta lógica só me pode levar a concluir que os fãs destes tipos são todos asnos, só que ligeiramente menos inteligentes. De tudo o que está horrivelmente MAL com a frase "quer dizer que agora se alguém gostar de sexo, não faz mal ser violada", guardaram o pior para o fim: ELA NÃO FOI VIOLADA! Ah, pois, o Ched "tratou-a como se fosse um objecto", e isso "não se faz com as mulheres"? Vamos então ver outro nogate de fertilizante natural bovino:


Dei com este artigo de uma tal Gemma Clarke na edição de hoje do The Guardian, onde mais uma vez se olha para o caso de uma perspectiva que não vai além do nariz da autora. Segundo esta mui indignada senhora, "o futebol é um antro de homenzinhos feios, brutos e mãos", e um estádio de futebol "um lugar pouco prazenteiro para uma senhora". A seguir expõe o "problema" e propõe uma solução: "se os jogadores de futebol e outras pessoas desse meio olham para as mulheres como meros objectos sexuais, deviam haver mais mulheres a trabalhar nos clubes, e entre os dirigentes desportivos, para eles se irem habituando à ideia". Genial, não acham??? Para "inducar" estes trogloditas de calções que pastam como o gado na relva a correr atrás de uma bola, toca a meter mulheres nos clubes, para que eles percebam que são criaturas com sentimentos, e conheçam o que é aquilo que vem agarrado ao orifício húmido onde eles aliviam a pica da testosterona. E não tarda nada começam a estabelecer cotas e mais o camano, que é a única forma que eles ingleses têm de se relacionarem uns com os outros: à força. Qualquer dia um clube inglês que não tenha pela menos um homossexual, um careca, um esquimó, um paraplégico, um "rastafari" e um patinador no gelo entre os seus atletas, dirigentes ou funcionários, é acusado de discriminação! Pensam que eu estou a reinar? Basta um destes que eu referi que tenha uma associação de outros como ele vir choramingar, e já está! Já sei o quer dizer aquele "chips" em "fish & chips": batatinhas! A Inglaterra é o melhor sítio do mundo para se ir pedir batatinhas! E a culpa é dos imigrantes, dos subsídio-dependentes, etc. etc., não é? Ó ingenuidade, a quanto obrigas.

Não sei o que é que leva esta gente a falar de mulheres como se fossem um bando de pássaros a migrar para o sul no Inverno, ou como se nascer com dois cromossomas "X" fosse alguma deficiência inata, de que "não têm a culpa, coitadinhas". Mas afinal somos indivíduos com personalidade própria, ou dois "gangues" rivais, de um lado os "Blokes", do outro as "Broads"? Há mulheres no dirigismo desportivo, e se não há mais é porque se calhar preferem ir fazer outra coisa, sei lá, será que para se sentirem em pé de igualdade com os homens são obrigadas a gostar de futebol? O Leganés, clube madrileno que este ano se estreou na Liga principal, tem uma mulher como presidente, e em Portugal o U. Leiria e o Leixões (se não estou em erro) também. É um cargo de gestão, como outro qualquer, e nem precisa de perceber sequer as regras do jogo, ou gostar de assistir. Se SÓ souber de futebol, aí sim, é um problema. O género é irrelevante. Na França há um clube profissional que tem uma mulher como técnico principal, de que já falei neste artigo, que nem por acaso foi dedicado à desavença entre José Mourinho e a médica do Chelsea, que para acusar Mourinho recorreu apenas à sua condição feminina. Quem disse que as coincidências existem? Só para os ingleses estas coisas são um "grande problema". Para os outros é um jogo, que para se ver não é preciso saber se os clubes empregarem pelo menos uma mulher, um indiano e um coxo, que diabo!


E finalmente uma opinião que devia colocar água na fervura, mas consegue deixar as coisas ainda piores. Vera Baird é um comissária e investigadora criminal, e também já foi procuradora judicial, e isso dota-a de credibilidade - que depois perde com a sua militância no activismo feminista. A douta senhora vem dizer que a desacreditação da alegada vítima da parte da defesa recorrendo ao sua (péssima) reputação no que toca a encontros sexuais no passado "fez regredir o sistema judicial britânico em 30 anos". Então deixe-me ser o primeiro a dar-lhe os parabéns; o primeiro julgamento  em 2011, que agora se sabe ter resultado num erro judicial tenebroso, foi um retrocesso até à Idade Média - progrediram vários séculos em apenas 5 anos, e pode ser que um dia se aproximem da civilização! Força! Não me parece que esta "especialista" tenha apontado para o gravíssimo atentado à presunção da inocência que foi não deixar o arguido defender-se condignamente, ignorando completamente as mesmas provas que agora comprovaram a sua inocência - partiu praticamente condenado, e só faltava que cada vez que ele abrisse a boca lhe berrassem: "cala-te, violador!". Ainda por cima esta e outras que encararam este caso como "uma vitória para as mulheres" vieram afirmar que este novo veredicto "não significa que Ched Evans é inocente, mas apenas que não ficou provada a sua culpa". Exacto, e por isso voltou ao estado que tanto elas como eu ou prezado leitor se encontram neste momento: inocentes. Eu não cometi nenhum crime, e quem não acredita pode dar meia volta ao dedo acusador metê-lo sabe muito bem onde: quem me quiser acusar de alguma coisa, ELE É QUE TEM QUE PROVAR! A decisão de condenar este inocente atendendo às pressões de grupos e indivíduos de fora do sistema é assustador, tendo em que conta que foi tomada por pessoas que conhecem melhor que eu este pressuposto, e têm o dever de o aplicar. Vergonhoso. 

O facto do Ched Evans ter sido ilibado do crime de violação não quer dizer que "é ok ter relações sexuais com outra pessoa sem que ela expresse o consentimento". Não passa nenhuma mensagem que valha realmente a pena,  e na menos má das hipóteses poderá ficar como referência para quem quiser pensar duas vezes antes de adoptar certos estilos de vida, ou colocar-se em situações de risco quando não está no pleno uso das suas faculdades mentais, ou do discernimento. Em termos de moral, só posso mesmo censurar quem defende que pela via das dúvidas, não se perde nada se um inocente pagar por por um crime que nem aconteceu. E ainda falam do Duterte? A conclusão desta autêntica saga prossegue dentro de momentos.

(CONTINUA)

Fez-se justiça: Ched Evans é INOCENTE! (parte III)


Um bom exemplo que demonstra a grosseira injustiça que teve lugar. Depois de cumprir o tempo mínimo para requerer a liberdade condicional, e ter saído da prisão, Ched Evans foi tentar voltar a fazer a única coisa que sabe: jogar futebol. Esqueçam tudo o que ouviram até agora a respeito do "carácter correcional da prisão", da "reabilitação e reintegração da sociedade", ou aquela chalaça muito gira que fala da "dívida paga à sociedade", após o cumprimento da pena. Para a sociedade, Ched deixou de existir. Não para toda a sociedade, mas para um grupo muito suspeito em termos de idoneidade, e de cujas "boas intenções" tenho sérias reservas. Quando tentou reingressar no Sheffield United, o clube que representava à data da condenação, viu as suas intenções esbarrarem com a indignação de associações feministas e afins, que ameaçaram tomar medidas para impedir que o atleta voltasse ao activo. Jessica Ennis-Hill, campeã olímpica do Heptatlo nos jogos de Londres em 2012 e natural da cidade de Sheffield, anunciou que caso o United voltasse a integrar "uma pessoa condenada por violação" no clube, ia exigir que retirassem uma placa em sua homenagem existente no Bramal Hall, o estádio da equipa de futebol. Nos últimos dias Ennis-Hill tem sido assediada com mensagens nas suas páginas das redes sociais, contendo insultos e comentários depreciativos relacionados com a sua irredutibilidade quanto à culpa de Ched Evans. A atleta comunicou o facto às autoridades (pfff..."as if"), e numa delas lia-se qualquer coisa como "eu gostava era que alguém na tua família fosse acusado de um crime que não cometeu, para ver como reagias". Não noto ali qualquer tom de ameaça, e permitam-me que subscreva.  Como dizem os brasileiros, "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Esta pessoa parece-me pouco digna dos encómios que lhe são endereçados, se não se inibe de chamar de "violador" a uma pessoa que foi condenada por não ter conseguido provar que lhe foi dado o consentimento de uma pessoa com quem teve relações sexuais, sem recurso a meios violentos ou qualquer pista de que o fez premeditamente ou com dolo, ou com intuitos predatórios, não é alguém que eu considere digna de representar o ideal olímpico, ou qualquer outra valência que se recomende. E o que dizer quando se chega ao ponto que vou mostrar agora?


Isso mesmo. Na segunda noite que passou no estabelecimento prisional de Wymott, em Lancashire, Ched Evans encontrou uma lâmina no chão da sua cela, que alguém terá feito passar por debaixo das grades. Sem entender bem o significado da "oferta", pensou inicialmente que alguma alma caridosa lhe teria fornecido o objecto para que se pudesse defender, mas mais tarde veio a saber que se tratava de um "recado" de alguém de fora, a sugerir que o melhor que teria a fazer era cortar os pulsos e colocar um fim ao seu pesadelo. E "almas caridosas" é algo que nunca encontraria em Wymott, uma prisão de alta segurança onde durante dois anos e meio conviveu com alguns dos piores elementos da sociedade, e onde foi obrigado a frequentar um curso correccional destinado a violadores e agressores sexuais. Cada dia que ali passava parecia nunca mais acabar, segundo afirmou o próprio Ched. Não é para admirar que na batalha que o jogador e a sua corajosa namorada travaram durante cinco anos no sentido de provar a sua inocência tenham chegado ao ponto de oferecer uma recompensa em numerário a quem tivesse a coragem e o bom senso para apresentar a VERDADE sobre o que realmente aconteceu. Pensem bem nisto, e ponham-se no lugar do Ched Evans. Ele veio admitir que a sua conduta foi reprovável, pediu desculpa pelo seu comportamento vezes sem conta, mas NUNCA poderia pedir desculpa por um crime que não cometeu, pois isso seria interpretado como uma confissão, e com a agravante de ser tardia. Não é preciso acrescentar que isso não o iria ajudar em nada. Antes pelo contrário. E então o que mudou entre o primeiro julgamento e este, para que Ched Evans passasse de "violador" a vítima de erro judicial?


Muito simples: neste julgamento foram apresentadas PROVAS, ao contrário do primeiro em 2012, onde a acusação se limitou a demonstrar que a alegada vítima "não se recorda de ter dado consentimento", apesar do arguido garantir que tudo decorreu com a maior naturalidade. Ela nunca afirmou em circunstância alguma ter rejeitado a investida de Ched Evans, e nem sequer negou ter dado consentimento - apenas que "não se recorda ter dado". Aqui o "in dubio pro reu", figura que assenta no princípio de que mais vale deixar um culpado sair um culpado em liberdade do que prender um inocente, foi a voar pela janela, como um lenço onde alguém se acabara de assoar o ranho. E porque carga de água a moça não se recorda se autorizou ou não a prospecção que o Ched Evans lhe fez nessa noite à gruta, e onde não foi avisado do perigo que isso representava? Será que come muito queijo? Não, mas bem que podia ser, e talvez fosse menos nocivo se acompanhasse com queijo as copiosas quantidades de álcool que consumiu nessa noite, ao ponto de "não se recordar de nada" que se passou. Com o pretexto de dar consistência à tese do "lapso de memória", a acusação afirmou que a vítima teria consumido uma bebida "contendo uma substância desconhecida" que a deixou naquele estado, mas que não terá sido Clayton McDonald a fazê-lo, antes de a levar para o hotel. Mas isto faz algum sentido? Quem será o brincalhão que coloca narcóticos nas bebidas das donzelas "por nenhuma razão especial", e nem tem a possibilidade de assistir aos efeitos? E esta foi apenas uma de muitas, muitas contradições, omissões e outros truques de manga que não se inserem do contexto do que seria o apuramento dos factos com o objectivo de ver servida a justiça: 

-  As testemunhas que inicialmente afirmaram ter alertado a polícia devido ao "estado lastimável" em que a vítima se encontrava vieram dar agora o dito por não dito, e uma delas disse mesmo que a razão porque a jovem tinha dificuldades em andar se devia "aos sapatos de plataforma que usava nessa noite". 

- Uma outra testemunha diz ter visto a vítima a conversar com amigos e a comer pizza menos de uma hora antes de chegar ao ponto de "não poder de maneira alguma ter dado consentimento ao arguido.

- Apesar de "não se recordar" do momento em que o arguido alegadamente abusou do seu estado debilitado, afirmou durante o novo interrogatório recordar-se de detalhes como "Ched não lhe ter dito o seu nome", ou "ter sequer falado com ela", e de que depois de terminar o coito, "saiu pela porta de incêndio". Portanto, recorda-se de pormenores de um evento de que não se recorda de todo. Certo.

- Ched chegou ao hotel quinze minutos depois de Clayton lhe ter ligado, identificou-se na recepção apresentando a carta de condução, deram-lhe a chave do quarto, e no fim saiu de facto pela saída de incêndio, conforme comprova um vídeo recolhido por uma câmara CCTV, que durante o primeiro julgamento ninguém achou ser relevante. Nem quando a acusação conseguiu convencer o júri de que Ched foi até ao hotel cometer o acto de que o acusavam "às escondidas, evitando que o vissem". 

É evidente que todos estes factos foram comprovados, e são razão mais que suficiente para duvidar das alegações apresentadas pela acusação. Mas o que a prova decisiva para que a verdade emergisse e o pobre do Ched visse o seu nome levantado da lama, reveste-se contornos um tanto ou quanto sórdidos: 


Isso mesmo: a defesa apresentou uma testemunha polémica, optando por uma estratégia tão arriscada quanto questionável em matéria de "fair-play", mas isso é uma coisa que nunca chegou a contar para este autêntico compêndio de degredo. Um homem testemunhou ter passado várias noites com a alegada vítima, antes E DEPOIS de se terem verificado os factos, descrevendo ainda o carácter da mesma, que pouco que se coaduna com a condição de "vítima" de uma agressão monstruosa, sem nada que a possa justificar ou lugar para perdão. Já lá vamos, porque antes que retirem conclusões precipitadas quanto à minha posição nesta matéria, vou deixar algo bem claro: não censuraria esta nem qualquer outra pessoa por dormir com quem lhe apetecer, ponto. À liberdade que nos é dada para tomar este tipo de decisões cabe a cada um dar-lhe o uso que achar mais conveniente, desde que do outro lado esteja alguém que se disponha a dançar ao som da mesma música, é lógico. A jovem que agora fica provado ter mentido sobre o que realmente se passou naquela fatídica noite tem todo o direito de fazer o que quiser com aquilo que lhe pertence e com que já nasceu incorporado no resto da embalagem, e nem eu nem ninguém tem o direito de questionar as suas opções. Só que no momento em que foi necessário assumir a sua conduta, que ao contrário de mim, alguns podem considerar "leviana", ou até promíscua, preferiu dotar-se de asinhas e colocou uma auréola é volta da cabecinha, e garantiu que "não senhor, não é nada disso, o outro é que é um violador sem alma". Posto isto resumiu a sua actividade normal, dentro do que lhe permite o livre-arbítrio e ai de quem disser o contrário, e que se vá meter na sua vida, menos quando as coisas correrem para o torto, e aí ela não se inibe de se meter na vida de um inocente, deixando-a completamente do avesso.


(CONTINUA)

Fez-se justiça: Ched Evans é INOCENTE (parte II)



Voltando à noite em que ocorreram os factos que viriam a custar cinco anos de calvário a um jovem, que por mais moralmente condenável tivesse sido a sua conduta, não cometeu o crime de que o condenaram. Este em cima na imagem é o tal Clayton McDonald, o tipo que levou para o hotel uma badalhoca que viria a sair de lá com o estatuto de "pobre vítima". Tcha, tcha...magia! Clayton e Chad conheceram-se nos escalões jovens do Manchester City, onde fizeram a formação, e eram colegas de caserna - partilhavam a mesma moradia onde o clube alojava as suas jovens promessas, portanto. É possível que já nesse tempo fossem "malandrecos", e fizessem das suas, e quem sabe se este lamentável equívoco não terá partido de um plano dos dois para "recordar os belos tempos"? É muito provável, pois 15 minutos após levar o biscate para o quarto, Clayton ligou a Ched dizendo-lhe que tinham ali um "petisco". Que ousadia, a deste porco! Como é que se atreve a convidar os amigos a dar uma voltinha na tipa que engatou, como se fosse uma consola da "play-station"? Simples: PERGUNTOU PRIMEIRO À TIPA SE ESTAVA INTERESSADA! Claro, e este foi mais um "pequeno detalhe" que o júri que viria a cometer aquele gravíssimo erro judicial ignorou aquando do primeiro julgamento. Aliás, ignorou praticamente tudo o que poderia ilibar Ched Evans, pois tratou-se mais de um "auto-de-fé" do que um julgamento realizado num país supostamente civilizado, auto-denominado da "linha da frente" dos estados-nação que nos conduziram à modernidade. Bardamerda, é o que é.

O Ched portou-se mal, e isso é indiscutível, mas não fez mais nem menos que os restantes jogadores de futebol ingleses, para quem ser beberrão, putanheiro e bruto como as casas é praticamente um requisito. Toda a gente sabe ou faz ideia do carácter do jogador de futebol inglês, e dé como a combinação com o estatuto de celebridade pode por vezes resultar numa mistura altamente inflamável. Também não é nenhuma novidade que as mulheres, especialmente as mais jovens e ingénua, têm uma grande predilecção por este modelo de homem. Há umas que nem por isso, e eventualmente a maturidade encarrega-se de fazer a maioria das restantes "acordar para a vida", mas não sendo este um fenómeno exclusivo da Inglaterra, dá para perceber onde se situava o Ched Evans e o amigo, quer pela idade, quer pelo factor da necessidade de afirmação isso tudo. Recordo que tinham 22 anos, e não 50 e 60, e posso apostar o que quiserem que estes não têm pretensões de vir a liderar um dia o mundo livre - se é que me faço entender. Mas não fugindo do tema, a rapariga consentiu ou não, afinal de contas? 


Segundo o próprio Ched Evans, sim, consentiu, e pelo que dá entender mais esta manchete a irradiar "humor britânico", a rapariga "comeu e gostou". Pois é, não é por acaso que se apresentam os factos recorrendo a este tipo de "habilidades" - foi logo no após o primeiro dia da repetição do julgamento, no início da semana passada. Desde o primeiro minuto tudo esteve contra Ched Evans, e dava a entender que sua condenação era uma espécie de desígnio, sabe-se lá a mando de quem. Não se trata aqui de nenhuma "teoria da conspiração", pois não tenho dados que me permitam afirmar tal coisa, e nem isso fazia qualquer sentido. Que interesse teria alguém em arrasar com um jogador de 22 anos, que vinha  só começando a dar nas vistas no terceiro escalão do futebol inglês? Já expus aqui várias vezes exemplos de como os ingleses têm uma maneira muito singular de lidar com aquilo que se entende por "racismo"; para eles alguém que se refira a outra pessoa pela nacionalidade, como por exemplo na frase "aquele italiano ali sentado", para eles é "racismo". São parvos, pronto, fazer o quê? Mas aqui essa parvoíce ganha contornos perversos, pois bastou que pendesse contra o Ched Evans uma acusação desta gravidade, para que ninguém quisesse saber de motivos, ou escutar a sua do versão dos factos. Se esteve de algum modo envolvido, ou participou activamente de uma situação que culminou em violação, o lugar dele é na cadeia, e o da chave da cela na barriga de um jacaré. Mas...mas o quê?! Dar-lhe o benefício da dúvida? Duvidar da "pobre vítima"? Seus malvados, insensíveis, seus...VIOLADORES! Isso mesmo, houve mesmo um período de tempo após a condenação do Ched Evans em que era proibitivo questionar a decisão do tribunal. E deixem-me que vos diga sinceramente, aquilo foi UM CIRCO. Vou até mais longe: não fosse pela rectificação daquela tremenda injustiça cometida contra o rapaz, e entrava para a história como um dos atentados aos direitos humanos alguma vez já visto. E porquê?


Aqui está um dos muitos momentos deste triste enredo que tem sido mais comentado: Natasha Massey implorou que as pessoas que tivessem PROVAS da inocência de Ched Evans viessem apresentá-las, o que foi intendido pela acusação como uma "tentativa de suborno", que poderia levar à falsificação de provas, e a testemunhos fictícios. Olha que engraçado, e eu que nem sou magistrado, jurista, nem nada que se pareça, mas até nesta condição de leigo sei que só o Tribunal e o juiz é que decidem o que é ou não válido como elemento de prova, bem como delibera sobre a veracidade dos testemunhos. O que se passou tem uma explicação muito simples: a pressão que foi feita no sentido de produzir um veredicto de culpado no primeiro julgamento de Ched Evans impediu que fosse apurada a verdade sobre o que realmente aconteceu nessa noite de Março de 2011 naquele hotel do País de Gales. O que induziu ao primeiro veredicto não pode ficar dissociado da forma agressiva com que associações de direitos das mulheres, de apoio às vítimas, e de outras que tendo a sua inegável inutilidade, são compostas por FANÁTICOS que se estão nas tintas para o princípio da presunção da inocência ou do direito que qualquer pessoa, até o mais sanguinário dos assassinos, tem a uma defesa. Foram ocultadas provas, outras foram ignoradas, e a investigação nunca poderia ser feita em condições debaixo do coro de uma turba ululante que bradava "violador!" perante a simples menção do nome do suspeito. Eis a lógica perniciosa e falaciosa que se aplicou: não houve consentimento expresso por parte da mulher para que Ched Evans tivesse relações sexuais com ela, houve violação, e nesta definição pouca importa se foi um jogador sem uma única mancha no seu registo criminal, ou um psicopata que se esconde nos becos pela calada da noite, à espera de vítimas indefesas que depois viola com recurso à força, encostando-lhe uma faca ao pescoço. A intimidação era tal, que ninguém se atrevia a acreditar na inocência de Ched Evans, e  que ele NUNCA hesitou em reafirmar. Nem estavam sequer reunidas as condições para lhe garantir um julgamento digno desse nome. 

(CONTINUA)


Fez-se justiça: Chad Evans é INOCENTE! (parte I)


Nota introdutória:

Devido à extensão do artigo, à cumplicidade do caso em análise e as notícias em constante actualização, dividi este artigo numa série de modo a facilitar a leitura. De quem estiver interessado, claro. Obrigado. 

O futebolista galês Ched Evans, de que falei neste artigo, e depois neste outro, foi ilibado do crime de violação que lhe custou a liberdade, a carreira, o bom nome, tudo e mais alguma coisa, deixando-o numa situação que levaria muito boa gente a dar um tiro nos miolos e acabar com a m... que a sua vida se tornou do dia para a noite. Convém em primeiro lugar, e para não deixar nenhuma ponta de fora, esclarecer que o julgamento foi repetido, depois de em Maio de 2012 o jogador ter sido condenado a uma pena de 5 anos de prisão, da qual cumpriu metade, tendo saído ao fim de 30 meses em liberdade condicional. O primeiro julgamento - e agora isto fica por demais evidente - foi uma FARSA. Um autêntico travesti de justiça, onde o arguido não foi mais que um proverbial "agnus dei", a ser sacrificado "em nome da dignidade humana", e neste caso das mulheres em particular, como "exemplo" de que "a justiça funciona", e que o crime de violação será "punido de acordo com a lei". Acho tudo isto o máximo, e nem me passa pela cabeça que pudesse ser de outra forma, mas não podiam ter feito exemplo DE UM VIOLADOR DE VERDADE, EM VEZ DE DAREM CABO DA VIDA DE UM INOCENTE?


Foi aqui que tudo aconteceu, no quarto número 14 de um hotel "económico" em Rhyl, no norte do País de Gales, e para onde um amigo de Ched Evans, o também futebolista Clayton McDonald, actualmente a disputar as ligas do futebol amador, levou uma viçosa moça que conheceu nessa noite de 30 de Março de 2011. Não terão ido para o hotel para "conversar", ou jogar à bisca, e nem era necessário dar importância a um acontecimento destes, que sucede ao ritmo das centenas ou milhares de vezes no mundo livre, com mais incidência nos fins-de-semana e vésperas de dias feriados. E ainda bem, claro - não é a liberdade de escolha e o livre arbítrio que nos separa dos piratas somalis, dos ayatollas do Irão-mas-não-sabem-quando, e dos canibais da Papua? Então aí está: aceitem esta graça como se fosse uma oferta divina. Depois de fazer o registo no hotel, Clayton "e a companheira" foram levados aos seus aposentos "como qualquer casal normal". Isto de acordo com o recepcionista que os atendeu, que na altura do primeiro julgamento parece não ter dado muita importância ao facto da suposta "vítima" ter ido de livre vontade e pelo próprio pé para um quarto de hotel com alguém que havia acabado de conhecer, e onde mais tarde acabaria por ser "violada". Sim, a jovem, que na altura tinha 19 anos, era aquilo que se designa na linguagem popular por "uma pêga". E sabem o que mais? Eu também fui, quando tinha a idade dela, e até alguns anos depois disso. Pelo menos até me casar, fui um "pêgo" sem um pingo de vergonha na cara. Eis a minha confissão, não me arrependo de nada, e se alguém "reprova" a minha conduta, só tenho este comentário a fazer: vão-se lixar. Melhor: provem, que além de ser "muita bom", pode ser que melhorem dessa rabugice.

O que me deixa com vertigens, tal é a altura da montanha de hipocrisia onde assentam certas pressupostos, é que as mesmas pessoas que neste caso colocam os homens no papel de "predadores sexuais", e as mulheres no papel da "vítima", são as mesmas que pelejam pela "igualdade de géneros", apoiam a discriminação positiva e o sistema de quotas, e afirma de peito feito que as mulheres "podem fazer tudo o que os homens fazem" - menos trabalhos pesados, coisa desses brutos dos homens. Não ficam atrás em matéria de eficiência, resiliência e disponibilidade - menos quando estão grávidas, pois aí transformam-se em jarras deporcelana. Em suma, as mulheres não são nenhuma cópia em miniatura dos homens, e não precisam de ser tratadas como "inferiores", mas atenção: nada de obscenidades ou insultos, que isso "é feio", e "não se diz ao pé das senhoras, então?". A este ponto, gostava de recordar que estou aqui a falar de alguém que se viu privado da sua liberdade, viu a sua carreira arruinada e o seu nome arrastado pela lama, e tudo POR CAUSA DE UM CRIME QUE NÃO COMETEU! Mas atenção: foi julgado e condenado! E isso faz dele...


...um violador! Pela mesma lógica, o facto de eu ter mudado uma lâmpada do candeeiro da sala na semana passada faz de mim "um electricista". Só posso concluir que a palavra "tablóide" que usam para designar este tipo de imprensa no Reino Unido deve ser algum eufemismo para "difamação  criminosa". E não esperem ver qualquer tipo de retracção da parte desta gentinha - quando foi condenado pelo crime de violação, passou a ser "violador", agora que ficou provado que é inocente...não interessa. Pelo menos são "simpáticos" ao referir-se a ele como "futebolista violador", que para quem só entrou agora em contacto com a emissão, dá a entender que o malvado do Ched enrabou o guarda-redes adversário antes de marcar um golo, reincidindo na ofensa, pois tratou-se de "violação" das redes da baliza. Ah, aqui a "notícia" é que a companheira de Ched, um exemplo para a humanidade, e de que vou falar mais à frente, "está grávida". Fascinante. Só faltou acrescentar "...depois de ter sido violada pelo futebolista violador". E se pensam que o estilo não é recorrente por aquelas bandas...


..."guess again". A notícia do Mirror reporta-se a Julho de 2015, e dá conta da gravidez de Natasha Massey, a leal companheira de Ched Evans, aqui novamente referido como "futebolista violador". E não é que para espanto destes abutres, que souberam da notícia depois de andar a meter o bedelho na conta do Facebook da irmã do jogador, fazem contas ao tempo que demorou entre a sua saída da prisão, até lhe dar outra vez vontade de, ahem, "violar"? Epá, dez meses??? Bolas, o tipo é mesmo tarado, pá! Isto lá na Inglaterra deve ser um caso raro de virilidade - uma queca em cada seis ou sete meses, e ainda por cima a acertar logo no alvo! Isto só pode mesmo querer dizer que o tipo só pensa em três coisas: violação, futebol...e violação, outra vez. Ora bem, agora que já vimos que estes canalhas são uns tremendos fdp sem um pingo de consideração pela dignidade alheia, vamos agora ver como ainda por cima ESTAVAM ERRADOS! 

(CONTINUA)


sábado, 15 de outubro de 2016

Morrer? Tá bem, mas sem pressa


Um dos meus prazeres secretos desde a pré-adolescência é escutar o Leonard Cohen, o bardo judeu do Quebec, que começou a cantar já depois dos 30, depois de anos a daresposta os seus poemas para outros os musicarem. Não era nada de que me envergonhasse, e de facto até me dava um ar "distinto", menos "mainstream", mas era um bocado difícil encontrar colegas de Liceu com quem discutir este tipo de música tão "peculiar" - como dizia o meu irmão, era "uma das minhas pancadas". Recordo-me de um episódio meio bizarro que se passou quando tinha os meus nove anos, numa altura em a minha saudosa avó se encontrava acamada a residir temporariamente na nossa casa. Estava a arrumar o meu quarto (era sempre uma tarefa que me roubava apenas quinze minutos da tarde de Sábado), e fazendo jus à máxima "assobiem enquanto trabalho", ia cantarolando o tema "Dance me to the end of love", do último trabalho de Cohen desse tempo, o álbum "Various Positions". Quem conhece essa canção sabe que começa com um "la la, la la la la la la, la la la la la la, la la la" sombrio, arrastado, entoado em tom de sofrimento com a inconfundível voz cavernosa do canto-autor canadiano. Subitamente sou interrompido com um raspanete da minha madrasta, vinda do outro lado da casa: "Ó Luís, isto faz-se? Pensei que era a tua avó numa aflição". Sim, penso que esta é uma imagem que ilustra bem a música de Leonardo Cohen: dá a impressão que aquelas palavras que entoa sofregamente serão também as suas últimas.


Passaram-se mais de trinta anos, e aquele homem maduro que me encantava com a sua sensual morbidez é hoje um ancião de 82 anos. Entrementes presenteou-nos com os LPs "I'm Your Man" e "The Future", que são ao os seus dois registos mais comerciais, e aos mesmo tempo os mais geniais. Ok, isso é discutível, mas a genialidade está lá, e o mundo ficou-lhe a dever isso. Hoje não consigo ouvir as palavras "Manhattan" e "Berlin" sem pensar no seu êxito "First we take Manhattan (than we take Berlin)", ou a palavra "democracy" sem que me venha à cabeça o tema "Democracy", cujo refrão continha a frase "Democracy is coming/to the USA". Irónico, nos tempos que correm e com as nuvens negras que se avistam no horizonte. O todo do trabalho de Cohen daria pano para mangas, e para se gostar incondicionalmente de toda a sua discografia, é preciso colocar a poesia antes do ritmo. Musicalmente falando, o seu trabalho não é propriamente composto por aquilo que se determinou designar de "catchy tunes", e quem não está à vontade com a língua inglesa, pode esquecer. Ou ir aprender primeiro, podendo inscrever-se num daqueles cursos da "Óquesíforde", muito jeitosos, e tal.


E aos 82 anos que Cohen regressa com um novo álbum de originais, a que deu o título "You Want It Darker" - sem surpresa, e aí o artista tem pautado o seu reportório pela previsibilidade que se exige dele. Para suplício chegou vê-lo esforçar-se para entoar a letra de "Closing Time" ao som daquele ritmo danceteiro, tão não Cohen. Em matéria de música sintético, penso que "Take this waltz" é o limite da perfeição. Mais do que isso já é "inventar". E o que esperar deste novo registo do velho poeta maldito? A capa já nos dá algumas pistas; ainda canta, e prevejo que a idade lhe acentua o timbre profundo da voz; ainda fuma, um autêntico anti-poster dos males causados pelo tabagismo; bebe, como se vê na imagem acima desta. Quanto ao resto dos seus hábitos pessoais desconheço, mas tal como imaginava, este irredutível sedutor faz com o espectro da morte o mesmo que fez com um sem número de mulheres durante a sua já longa presença entre os vivos. Pisca-lhe o olho, sem a temer, promete que vai com ela sem dar luta, e garante-lhe que vão passar um belo tempo juntos durante essa viagem. Numa entrevista dada recentemente, e onde lhe perguntaram o que pensava fazer com o vasto arquivo musical que tem acumulado ainda sem ter visto a luz do dia, respondeu que "não promete que vai conseguir publicar tudo", e que "está preparado para morrer". Agora vem esclarecer o que queria dizer com isso; "preparado para morrer" está, no mesmo sentido que todos devemos estar, pois do carácter de inevitabilidade que a morte se reveste, a única incerteza que temos é do seu momento. Tanto pode ser daqui a dois minutos, como daqui a vinte anos. Cohen concluiu dizendo que faz planos de ficar por cá durante mais algum tempo, "até aos 120". Mais um dos seus excessos próprios de uma alma de poeta? Só o tempo o dirá.


Quando lá for vai-se reunir novamente com Marianne Jensen, a musa que o inspirou para uma das suas primeiras canções que entretanto se tornaram imortais, "So Long Marianne", e que partiu em Julho último. Foi uma das suas namoradas, ainda do tempo em que era apenas "un canadien errant", e antes de se tornar um "partizan". O que sempre foi e dificilmente deixará de ser é um "ladies man" - "he's your man". Goste-se ou não, de tudo ou apenas se apanhem as melhores, como quem colhe cerejas, há que lhe tirar o chapéu, e deixá-lo continuar a viver o presente, enquanto escreve o que nos deixará "in The Future". "And everybody knows".


E olha se fosse em Dezembro...


Ah, que grande "vaca" que teve o Benfica na Medideira, casa do Estoril emprestada ao modesto 1º de Dezembro, colectividade sediada em S. Pedro de Sintra, que milita no Campeonato de Portugal, o terceiro escalão. Os encarnados venceram por 2-1 na partida a contar para a Taça de Portugal, com um golo no minuto "até o Benfica ganhar" dos descontos. E de facto foi mais um daqueles "mistérios", o que envolveu a primeira eliminatória da segunda competição mais importante a nível doméstico do futebol português onde entram as equipas do escalão maior. O árbitro do encontro , um Hélder qualquer-coisa, avisou que ia dar dois minutos de descontos, e depois deu seis. Tudo bem, deu seis, tudo regular, e foi em cima do sexto que o Benfica marcou o golo da vitória, pelo veterano Luisão, que ainda deve estar a tentar cair em si por não estar em Wolverhampton a jogar 90 minutos duas vezes por semana, enquanto amealha uma "reforma dourada". 

Só na segunda parte o Benfica inaugurou o marcador, por Danilo, para 12 minutos depois a equipa da linha empatar na transformação de uma grande penalidade inexistente. E quem rematou a contar? Martim Águas, e o nome não engana: é o filho de Rui Águas e neto de José Águas, duas antigas glórias da águia. O jovem Martim é um exemplo de que a hereditariedade não se aplica ao talento futebolístico; com 23 anos e a fazer a sua quinta época no terceiro escalão, é muito improvável que dê continuidade à aclamação de que o seu apelido foi objecto na "catedral" da Luz. A culpa deve ser da mãe, pronto, o Rui "enganou-se" na hora de escolher o emparelhamento genético, e as coisas não deram certo desta vez. Já o saudoso José Águas se havia equivocado nesse particular, só que com menos prejuízo, pronto, e os tempos eram outros, também. 

Voltando ao jogo propriamente dito, e quando tudo apontava para um prolongamento de 30 minutos, Luisão resolve "ir lá acima" estragar a festa aos "restauradores". Porquê "restauradores"? Ora essa, a equipa chama-se "1º Dezembro", precisam mesmo que eu explique? Frustração nos pequenos, alívio relativo para Rui Vitória, que não estaria tão preocupado quanto isso em fazer horas extraordinárias no Estoril (além disso o ar de lá é óptimo, dizem), pois nenhum dos titulares do jogo de ontem deverá ser escolha para o 11 que vai defrontar na quarta-feira defrontar na Ucrânia o Dinamo Kiev. Uma vitória tangencial dos encarnados, que deixa a modesta equipa do 1º Dezembro com um amargo de boca, e sensação que podiam ter feito uma gracinha. Mas até no sorteio o Benfica se pode dar por feliz com a sorte que teve, nomeadamente com o "timing". A defrontar o "1º Dezembro" EM OUTUBRO, fica tudo mais fácil. Fossem lá nos oitavos-de-final, que se jogam a meio  da semana de 13, 14 e 15 de, e aí sim, DEZEMBRO, e iam ver como a música era outra. Ah!


Já o Sporting foi a Famalicão vencer a equipa local pela margem mínima, com Markovic a marcar golo do encontro aos 10 minutos. Uma desilusão para quem esperava ver mais golos, e não fosse pelo facto de já ninguém estar cá para recordar o momento (ou se está dificilmente se recorda) em que há 70 anos estas duas equipas protagonizaram um festim de golos, com um placard de 9-5 favorável aos leões, seria uma desilusão maior ainda. Foi na jornada inaugural da época 1946/47, a 24 de Novembro, e na altura o eterno Fernando Peyroteo apontou 6 (seis) golos nessa vitória do Sporting  dos cinco violinos naquela cidade minhota, e ao intervalo o marcador assinalava 4-3 a favor dos locais, que marcaram o golo inaugural na primeira jogada do encontro. Outros tempos, quando a bola era quadrada e pesava 50 quilos. 

Jorge Jesus preferiu jogar pelo seguro, e apresentou um misto de habituais titulares e outros jogadores menos utilizados - afinal  o adversário é da Liga de Honra, um degrau abaixo dos grandes, e jogava perante o seu público. Juntando a isso a pouca sorte que o Sporting tem encontrado nas viagens ao norte esta época, e o "manes" da Amadora optou por não cometer mais uma das suas parolices, que em retrospectiva já lhe custaram tantos títulos, que de outra forma o deixariam muito próximo de sir Alex Ferguson em termos de currículo (passo o exagero). O jogo de terça-feira em Alvalade para a Champions ficou para depois, e aí o adversário é o Borussia Dortmund, um (Famali)CÃO de muito maior porte, e muito mais ameaçador.


Hoje é a vez do Porto entrar em campo na "festa da Taça", que vai ter por palco o glamoroso Estádio de Aveiro, o tal que custou 62 milhões de euros, e vai agora acolher o 13º jogo de futebol desde com foi inaugurado em 2003, a pensar no Europeu de futebol que Portugal organizou no ano seguinte. Portanto "casam-se os anos": 13 jogos desde 2003, que foi há 13 anos. Ora bem, o adversário que vai ter a honra de partilhar tão dispendioso anfiteatro com o FC Porto é o Grupo Desportivo da Gafanha da Nazaré, do terceiro escalão (CDP). O nome sugere varinas entoando a cantiga "não vás ó mar, Toino", e sempre de tamancas preparadas para atingir a mona de algum jogador da equipa adversária que lhes calque os joanetes, mas não se deixem enganar pelo nome (nem pelo barquinho de pesca que aparece no símbolo do clube): esta Gafanha da Nazaré fica no concelho de Ílhavo (ou "ílha-bu", no dialecto local), e o estádio de Aveiro fica a uma hora a pé de distância - uma ideia para o treino de aquecimento a ter em conta, esta. 

Com o Porto a 45 minutos de carro do local do encontro, e num rectângulo de jogo com dimensões a que os seus atletas estão mais habituados, prevê-se que os dragões façam valer o seu (largo) favoritismo, até porque jogam praticamente "em casa". Em teoria assim é, mas quem se atrever a apostar um eurozito no Gafanha, vê a sua audácia trazer-lhe um retorno 22 vezes maior. E depois dá para uma petiscada, ou como diz o Pepe Rapazote "pode comprar...olhe, droga, por exemplo!". Depois do Gafanha, o Porto viaja até à Bélgica, onde tem um compromisso a contar para a Champions, com o Club Brugge como adversário. É mais ou menos a mesma coisa - não é em Brugges que têm um porto de pesca fluvial, também? Nem dão pela diferença, pois o cheiro a peixe é o mesmo, quer ali, quer na China.

Vamos lá ver então se "temos taça", neste ou noutro dos encontros agendados para a eliminatória deste fim-de-semana, que determinou que o detentor do troféu, o Sp. Braga, realize um segundo jogo com o Estádio Municipal de Famalicão como palco, agora como casa emprestada à modesta AD Oliveirense, da freguesia de Santa Maria de Oliveira, desse mesmo concelho. Há ainda o U. Leiria-Boavista, dois clubes que suspiram por um passado que já lá vai, antes das tormentas que os relegaram para longe dos convívio dos grandes, e onde ainda permanecem os leirienses. O cardápio inclui também uns apetecíveis "queijos das ilhas", com o Santa Clara a receber o Rio Ave nos Açores, e o Chaves a ir até ao Funchal para defrontar o União da Madeira, enquanto as outras equipas mais conceituadas da pérola do Atlântico deslocam-se ao "cuntenente"; o Nacional viaja até Estarreja, enquanto na Figueira da Foz se realiza - e olhem só que giro - o Naval-Marítimo! Ah ah ah! O local (Figueira da FOZ) também não fica mal no retrato, mas era muito mais engraçado que o jogo se disputasse no...OCEANÁRIO! Ah!