sábado, 8 de setembro de 2012

Portugal sofre para vencer no Luxemburgo


Luxembourg 1-2 Portugal 发布人 simaotvgolo12
Portugal entrou a ganhar no Grupo F da zona de qualificação europeia para o mundial de 2014, no Brasil, ao vencer no Luxemburgo por duas bolas a uma. Uma vitória arrancada a ferros e uma exibição pobre, falta do tal empenho que Paulo Bento prometeu. Portugal esteve mesmo em desvantagem, quando David da Mota colocou a equipa da casa a ganhar, aos 13 minutos. Um grande remate do jogador de origem portuguesa. Portugal reagiu, e C. Ronaldo empataria aos 27, num lance precedido de falta sobre um jogador luxemburguês, e Postiga deu a vitória aos lusos no início da segunda parte, com um belo gesto técnico e remate, isolado em frente à baliza do Luxemburgo. Nos outros jogos do Grupo F a Rússia bateu a Irlanda do Norte em casa por 2-0, enquanto Israel não foi além de um empate a uma bola no Azerbeijão. Portugal defornta os azeris na próxina terça-feira, em Bragança.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Anda comigo ver os aviões

É provavelmente o maior escândalo no ramo do imobliário desde a criação da RAEM: o governo anulou a revisão da concessão dos oito lotes de terreno onde ia ser construído o La Scala, mais um projecto de habitação de luxo, localizado perto do aeroporto internacional de Macau. A primeira concessão, de cinco lotes, tinha sido feita pelo ex-secretário Ao Man Long, que como se sabe apanhou anos de cadeia suficientes para contar todos os seus (poucos) cabelos várias vezes, a para tal recebeu subornos de dois empresários de Hong Kong, ainda a contas com a justiça. O despacho agora anulado foi assinado pelo actual secretário, Lau Sio Io. Se os primeiros cinco lotes eram "sujos", é natural que estes três que o actual responsável das OP validou fossem também "arrastados pela lama" em que tudo isto se transformou.

O La Scala, que retirou o nome da sala de ópera de Milão, é um projecto ambicioso; 26 edifícios que incluem apartamentos, áreas de lazer, espaços comerciais e uma área ajardinada. A concessionária responsável pela obra chama-se "Moon Ocean", outro nome cativante. Parece bonito, sem dúvida. Escusado será dizer que cada "tirinha" do La Scala ficaria à volta de dez milhões de patacas, ou mais. Chama-se em chinês Hoi Nam, ou seja, "mar do sul". Ali não se vê praticamente nenhum mar, quanto muito aterros, fica localizado mesmo junto do aeroporto, pelo que será possível ouvir o barulho dos aviões, e próximo da central de incineração da Taipa. Se fosse habitação económica que estivesse ali a ser construída, toda a gente lhe cuspia em cima, mas como é caro, só pode ser bom.

Este é mais uma daquelas coisas difíceis de perceber. Apesar de estar muito longe de concluído, o La Scala já tem compradores, que já fizeram entrar nos cofres da RAEM as avultadas quantias respeitantes ao imposto de selo, que agora pensam em ver devolvidas. Quem compra algo que custa milhões e nunca sequer viu? Mais um negócio "à Macau", o local que lava mais branco. Mas pronto, olha, se no futuro tivessem algum problema com a justiça, pelo menos sempre têm o aeroporto ali à mão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Toni é o meu treinador! Hic!


Imagens que nos chegam do país dos ayatolas, onde Toni, o irredutível do bigode, treina agora um tal de Tractor Sazi, de Tabriz. O ex-treinador do Benfica "passou-se" durante uma conferência de imprensa e mandou os jornalistas todos para o c... . Não sei se eles perceberam, mas de certeza que ficaram esclarecidos sobre com quem se metiam. Já dizia o Manel Viva-o-vinho, ex-presidente da agremiação do bairro de Benfica: "O Todi é o beu treinador!". E a propósito, que pomadinha têm eles lá no Irão?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A ditadura das telecomunicações


Queria hoje falar da CTM, mas isto depois de lá ter ido esta tarde, ter sido bem atendido e em menos de meia-hora, e ter saído satisfeito. Só assim posso falar da Companhia de Telecomunicações de Macau sem recorrer ao uso de palavrões. Quer dizer, num dia em que tenha sido mal-tratado, não é nada conveniente escrever, uma vez que se está de cabeça quente. Assim, de cabeça fresquinha, continuo a dizer que estamos a cair num grande engodo. O monopólio das telecomunicações exercido pela CTM foi longe demais, e é preciso encontrar alternativas. Em mais nenhum lugar civilizado no mundo existe uma (1) companhia de telecomunicações em regime de monopólio. E aqui aplica-se aquela máxima que nos deixa sempre lixados: não gosta, não coma.

Já fui feliz sem a CTM. nos primórdios da internet em Macau. Não sei se estão lembrados, mas por volta de 1996 era grátis entrar na internet ao fim-de-semana, e era quase impossível obter ligação. Quando se conseguia, deixava-se ligada o fim-de-semana todo, e era uma sorte quando não "caía". Fui cliente daquela companhia meio pirata que exisitia por trás do Leal Senado, e cujo nom não me recordo (seria Unitel?), que era mais barata e oferecia "unlimited usage", que era um conceito estrangeiro para a CTM naquele tempo. Mesmo agora uma ligação sem tempo de usagem limitado custa por volta de 300 patacas mensais, que digas-se de passagem, é um roubo - pelo menos pela qualidade de serviço que oferece.

Mas helas, a tal companhia pisgou-se, a CTM reforçou o seu monopólio e lá acabei por aderir. Antes de casar vivia sozinho, e cheguei a ter rede fixa, internet e telemóvel, todos a pagar na CTM. Uma vez atrasei-me no pagamento da rede fixa (puro desleixo), e cortaram-me tudo! Aí está uma belíssima estratégia ara obrigar as pessoas a pagar as contas: isolá-las do mundo. Afinal tinha as contas do telemóvel e da internet pagas a tempo e horas, e é difícil aceitar que nos cortem serviços que estão pagos. Este monopólio é perigoso e não resulta. É um "1984" ao contrário, em que os cidadãos se deixam escravizar pelo "Big Brother", que nem precisa de impôr a sua força: não tem concorrência. É preciso aceitar, ou então mudar para a rede de telemóveis da Hutchinson ou da SamrTone, ambas subsidiárias da CTM. É ser tratado abaixo de cão na mesma, só por outros gajos "novos" e mais "giros".

E do serviço, é melhor nem falar. Não percebo porque é que as lojas da CTM misturam clientes que querem comprar um aparelho de telemóvel com outros que apenas querem mudar de pacote ou pedir informações. Os que vão comprar telemóveis são normalmente chineses, compram os aparelhos mais caros, e como é um "grande investimento", um "momento especial", é preciso levar a família toda. Claro que como é uma compra cara, os senhores não saem de lá sem aprender como trabalhar com o telemóvel: é um curso instantâneo, às vezes de "apenas" uma hora e meia. Quem se desloca a uma das lojas da CTM e tira, digamos, o nº 40 e estão a atender o nº 33, são pelo menos duas horas de espera. Para quem deseja mesmo comprar um telemóvel é uma maravilha. Fica ali a tarde toda a conversar com o simpático rapaz/rapariga do balcão, que lhe vai passando os recibos e abrindo os pacotes, oferecendo isto e aquilo, que depois vai-se a ver e é uma autêntica bosta.

Claro que muita gente não está satisfeita com a CTM, há os apagões, a velocidade (ou falta dela) e tudo mais, mas fazer o quê? É a única opção! Não adianta os plankings ou os abaixo-assinados e demais protestos. Vós tendes o que a senhora vos dá. E vamos não esquecer que isto é Macau, um misto de escolas de economia, desde os negócios do tipo familiar ao liberalismo e capitalismo desenfreados. E é preciso não esquecer que a CTM é uma empresa "tradicional" do território (tal como a CEM, SAAM, etc.), emprega muita gente (mesmo muita), e "lixar-lhes"a vida era mandar gente para o desemprego, e isso ia causar "instabilidade social". que vai contra a "harmonia", que como se sabe é essencial para que contiemos aqui, uns a encher os bolsos, e outros vivendo como podem. Porque acreditem, a vida lá fora também não anda nada fácil. Mesmo com muitas mais opções e preços mais convidativos nas telecomunicações.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Primeiras notas de Setembro


- Leio na página do "crime" do JTM que Macau está cada vez menos seguro. Depois de na sexta-feira passada ter lido sobre o pai que esfaqueou acidentalmente a filha por causa de uma discussão sobre dinheiro do jogo, hoje foi um carro arrombado e uma casa assaltada, com prejuízos significativos para as vítimas. A taxa de suicídios é também "preocupante", segundo o presidente da Cáritas, Paulo Pun. Isto está cada vez pior, e não devia ser assim. Então não é macau um oásis de segurança e de prosperidade? Então porquê tanta gente desesperada e tantos amigos do alehio? Ah sim, e há cada vez mais condutores bêbados também.

- Com a chegada de Setembro, dá-ae o regresso às aulas, e com este a confusão do costume, especialmente durante os primeiros dias. A DSAT esteve debaixo de fogo devido a problemas tão díspares como sejam o escoamento do trânsito ou a falta de autocarros - como se isso fosse inteiramente da responsabilidade deles. Outro problema de Macau que se agrava cada vez mais. Há mais alunos, há mais famílias, há mais carros, e há cada vez mais condutores irresponsáveis e incompetentes. Mais das tais cartas "tiradas na farinha Amparo". E como Macau é, como se sabe, muito apertadinho, este novo fluxo rodoviário vai eventualmente entupir o ralo do trânsito. E como tarda o metro-ligeiro, não se espera que apareça uma solução milagrosa para aliviar a asfixia. Adaptando aqui as doutas palavras daquele pequeno gigante evisionário, Deng Xiaoping: "ter carro é glorioso".

- Foi com alguma surpresa que li a entrevista de Ivo Carneiro de Sousa ao Ponto FInal. O agora ex-vice-reitor da Universidade de São José (USJ), dá com a boca no trombone, e admite que existiam mesmo alunos daquela instituição de ensino que não tinham qualidade para passar, e passavam na mesma. De recordar que a USJ esteve debaixo de fogo há uns anos quando recaíram sobre ela suspeitas de facilitismo. Recordo-me também nesta altura este mesmo senhor (ou seria outro?) explicar que isto era normal, e que havia alunos que apesar de serem fraqunhos davam o litro e tal. Ora agora ficamos completamente esclarecidos.

- Três estudantes que protestavam contra a cadeira de Educação Patriótica em Hong Kong interromperam uma greve de fome depois de três dias "por motivos de saúde". Ora, não se pense mal destes pequenos Gandhis, nem duvidem da força das suas convicções. Foram só fazer uma pausa para almoçar...

Como é importante o contexto...


Sem dúvida que fora de contexto, dá azo a mal-entendidos. Leia aqui do que se trara.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os amigos orientais de Baco

Porca de Murça, um nome bestial para um vinho.

O vinho português tem tido um enorme sucesso na China, e em Macau também, por tabela. Aí está uma mina de ouro: os chineses tornaram-se refinados, ouviram dizer que beber vinho é “chique”, que é “bom gosto”, que “faz bem”. Ora, eu até bebo, mas para mim é tudo igual. Não sei se o vinho português é melhor que o francês (pelo menos é mais barato), e praticamente todo o vinho que bebo é no Verão em forma de 1) vinho verde geladinho e 2) sangria. Quando janto fora e um simpático turista de Hong Kong me pergunta “que vinho tinto português lhe recomendo”, respondo sempre: “o segundo mais barato”. Assim o amigo não passa por pindérico e não paga mais por praticamente a mesma pomada. Em todo o caso se fosse um “conaisseur” não me perguntava nada, então para quê gastar mais e usufruir exactamente da mesma experiência? (A bebedeira?).

Tenho uma relação estranha com o álcool; gosto do sabor, gosto do “kick”, mas sou mais uma pessoa de long-drinks, tipo Campari ou Vodka com qualquer coisita. A primeira vez que apanei uma piela tinha quinze anos, e considero que aguento bem a minha bebida. Mas isso do vinho tinto pesa-me imenso no estômago, e se beber demais arrisco-me a fazer uma feijoada, se é que me entendem. Existe mesmo uma profissão de “enólogo” (e é uma cadeira do curso de hotelaria e turismo no IFT), que é suposto ser um tipo que é pago (!) para degustar a vinhaça: cheira, põe na boca, bochecha e depois cospe! Haja dó! Aquilo é só em part-time não é? Ninguém vive de fazer só aquilo pois não? Existem mesmo confrarias do vinho. Uma óptima desculpa para se meter nos copos.

A verdade é que nos últimos dois anos ou isso aquelas herdades e adegas com nomes giríssimos têm tido encomendas…da China! Mesmo em Macau tem sido um arrepio de novos empresários em part-time que se dedicam a vender vinho português. Ainda um dia destes vi um advogado português, figura bem conhecida da nossa praça, a levar pelas próprias mãos um carrinho com caixas de um tinto qualquer “para vender aos chineses, que andam cheios de sede, porra!”. Ajuda se conhecermos o proprietário de alguma Quinta do Merdil, Herdade do Pirolito ou Adega da Zarolha, que nos mande assim umas garrafitas da última colheita, “por um preço simpático”.

Em todo o caso que as vendas lhes corram bem, apesar dos consumidores não saberem sequer o que estão a comprar. Lembro-me aqui há uns anos a moda do Cognac, o VSOP da Rèmy-Martin (ulala) que era consumido às refeições, de copo cheio. Já vi clientes a mandar para trás garrafas de vinho tinto “porque não estavam frias”. Mas quem quer saber? Mandem para cá mais garrafitas de tintol e quejandos, que negócio é negócio. Mas para mim é igual ao litro de tinto que custa 55 paus e uso para fazer sangria. E não se esqueçam de mandar mais daquela excelente marca, “Irmãos Unidos”, na sua versão branca e tinta, que pela módica quantia de 20 patacas por garrafa, tempera as caldeiradas e os bifes. Agradecido.

Vídeo da semana

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A teoria do caos (revisitada)


O deputado e presidente da ATFPM, José Pereira Coutinho, está numa peleja pela manutenção dos subsídios de férias e de Natal dos pensionistas da RAEM, que recebem o seu dinheirinho através do estado Português. Como se sabe as coisas não estão nada bem lá na Tuga, e prevê-se que hajam mais cortes no orçamento em Novembro, mais impostos, e todos esses horrores a que os nossos compatriotas estão sujeitos lá na "sede". Portanto tudo indica que vão haver cortes para os pensionistas, apesar da esforçada tentativa de Pereira Coutinho e um ano das próximas eleições (isso é só coincidência, claro).

Ora bem, eu penso que deverão haver mesmo cortes, e porque teriam de ficar estes "portugueses" também excluídos? Não existem portugueses de primeira, nem de segunda. É certo que isto são "idosos na sua esmagadora maioria de etnia chinesa", mas são portugueses també, e isso deve ser tanto para o bem como para o mal. De recordar que o Estado português comprometeu-se a pagar estas pensões depois de 1999, uma vez que os beneficiários descontaram durante o seu serviço - ou o dos seus familiares - durante a adminisração portuguesa. É pena que tenha corrido para o torto, mas é assim mesmo a vida com altos e baixos. Apenas "altos" em termos de pilim, só mesmo em Macau.

Esta situação fez-me recordar a saudosa "teoria do caos" que tanto estava na voga durante o período pré-administração portuguesa, e que consistia basicamente num cenário aterrador: iam acabar as liberdades, os chineses "iam-se vingar" e os estrangeiros que cá ficassem eram loucos. Isto levou a uma debandada geral para Portugal, onde o Governo generosamente abriu os braços a funcionários públicos que só tinham seis meses de Macau, em alguns casos. Para isto também não ajudou nada o último governo, que aconselhava a retorno. Trauma da última descolonização, que como se sabe foi uma grande trampa. O último Governador deixou um conselho aos que ficavam: "aprendam Mandarim. Pois é, iamos ficar aqui todos a falar com os mandarins, como faziam V.Exas.

Não quero que o leitor pense que fui muito inteligente em ter ficado por cá, apesar de poder ter optado, mas a verdade crua e nua é que tive medo de voltar para lá. A sério. Ou medo ou preguiça. Nasci lá e fiquei o tempo suficiente para saber que sejam quais for os intérpretes, laranjas, rosas, pretos ou azuis, o problema é "estrutural", para ser simpático. Por isso preferi ficar aqui com os pangiaos. Cheguei a estranhar que muitos dos que saíram fossem macaenses nascidos em Macau. Então eu que sou mesmo de lá não quero ir e vocês querem? A resposta saía sempre na forma da tal teoria do caos: os chineses iam pisar-nos em cima, apesar de terem garantido que não, e pronto, era isso que ia acontecer.

Mas não foi assim, nem será. Para quê, chatearem-se connsoco, que até somos uns gajos que trabalham e não fazem muitas ondas? Muitos voltaram e outros querem voltar, e fazem bem. Ninguém precisa de ficar a pagar pelos erros para o resto da vida. Agora quanto aos pensionistas...bem, coitados, mas não estÃo assim tão mal quanto isso. Citando Pereira Coutinho, recebem "entre 550 e 11000 patacas mensais". Entre 550 e 1100 euros, portanto. Não estão assim tão mal, comparando com a esmagadora maioria dos pensionistas em Portugal. Estão mesmo melhor que uma grande parte dos que ainda se esfolam a trabalhar. Pode ser que o Governo da RAEM lhes dê uma mãozinha.

For a few patacas more


O divertido deputado Fong Chi Keong volta a estar nas bocas do mundo. O empresário a construção (sobretudo isso) defendeu-se das acusações de preferencialismo por parte do Governo na realização de obras no palácio da Praia Grande por parte da sua empresa, a "Man Kan" (assim baptizada com o nome do pai de Fong, que também já era rico). Fong diz que o Governo "tem confiança nele!" (ena!), e como as obras são no palácio, sabe-se lá se outros gajos que não se conhece de lado nenhum deitem as mãos às pratas? E assim é adjudicada à Man Kan mais uma obra a realizar em duas secretarias do palácio, com um custo de 44 milhões de patacas em dois anos. Náo admira que o senhor empresário nunca se queixe de nada, basta bater a pala lá no hemiciclo e pimba! mais umas obrinhas de milhões. Depois ainda se diverte a dar conselhos parvos a quem anda mais à rasca, e opiniões ridículas sobre os vários problemas que se debatem na AL. Coisas do tipo "comam e calem-se, e toca a trabalhar". O anedotário deste senhor já dava para escrever um livro, e perto dele outros cromos como Shuen Ka Heung parecem génios. Teve imensa piada quando ele descreve os problemas do palácio...precisa de renovação, tem infiltrações, e tal. Isto vindo de um indivíduo que nunca pegou numa picareta na vida. Numa picareta propriamente dita, pois a "picareta" do disparate sabe ele manuseá-la como ninguém. Ele diz assim com um ar muito natural que "o Governo encomenda as obras e eu só mando lá ir fazê-las". O senhor manda. E assim vai Macau...temos na AL os gajos das obras, o dono dos restaurantes e mais um grupo de gente que tem qualquer coisinha para vender. E o Governo tudo compra...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Afinal pode-se ou não?


Esta imagem foi recolhida num portão aqui perto de casa, e a mensagem é confusa: "Propriedade privada, não trespassar! A entrada não-autorizada é permitida". Que diabo, afinal pode-se entrar ou não? Será uma armadilha? Estará lá algum maluco que nos convida a entrar e depois dá-nos com a moca na cabeça e depois diz: "Eu avisei!", rindo-se tresloucadamente? Mistério. Ah sim, já me esquecia..."porque Macau sã assi, mas também sã assado". Com a devida vénia....

Liberdade para as Pussy Riot!



Ainda não tive oportunidade de comentar um dos temas do momento, as Pussy Riot (eheh, o nme dá mesmo vontade de rir), o grupo russo que tem 3 elementos detidos por "sacrilégio". Ora eu acho muito bem que tenham invadido aquela igrejola ortodoxa russa como forma de protesto pelo conluio entre aquela e o sinistro presidente Vladimir Putin. É uma forma de protesto como qualquer outra. Se Deus tivesse ficado mesmo zangado, tinha-lhes mandado um raio em cima. A cumplicidade entre Igreja e Estados-assim-não-muito-democráticos foi sempre perigosa; basta lembrar a forma leviana com que o Vaticano pactuou com o nazismo, por exemplo. As Pussy Riot são vítimas da censura e de Putin, que qual czar, quer restabelecer o Clero no país dos oligarcas. Já agora vejam o vídeo até ao fim, são menos de dois minutos e vale mesmo a pena.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Oito ou oitenta

Vão viver com os pandas, meus amigos "económicos"...

“Oito ou oitenta”…eis uma expressão que gosto de usar, e que cada vez mais se aplica a certas coisas que se passam em Macau. Serve para descrever um pouco do que se passa na nossa Administração e não só, onde o desleixo em relação a certos problemas e o cuidado exagerado com outros, que muitas vezes não se justificam. Quando acontecem as falhas (e há muitas), muda-se completamente de orientação, tomando-se posições rígidas, sem qualquer tipo de flexibilidade. É o oito ou oitenta, portanto. O que faz falta em Macau é o 44.

E de quem é a culpa de tudo isto? Dos nossos dirigentes, quadros superiores e chefias, que ainda se escudam na desculpa da “falta de experiência”? Da “juventude” da RAEM? Porque não olhar aqui para o lado para a vizinha RAEHK, apenas dois anos mais velha, e onde a “máquina” é muito mais bem oleada. De que serviram as acções de formação em Singapura e quejandos nos primórdios da criação da RAE? Não quero acreditar que seja apenas incompetência ou má vontade; existem dirigientes inteligentes, trabalhadores e competentes. O que existe por vezes é um certo autismo, uma certa falta de humildade e uma enorme falta de comunicação de cima para baixo. Que se procure melhorar o mais rapidamente possível, pois sinceramente a imagem que se tem de Macau é que não existiria se não fosse pelo “combustível” dos casinos.

Desculpem lá o desabafo inicial, mas o que eu queria mesmo falar era das tais habitações económicas que o Governo disponibilizou em Seac Pai Van e agora (quase) ninguém quer. Muito se tem dito sobre este tema, as opiniões divergem, mas para mim o essencial é o seguinte: não querem porque é em Coloane! Isto não se faz, mandar pessoas que nasceram e sempre viveram na península de Macau para Coloane, lá para o pé dos pandas. É como os mandar para “os pandas que os pariram”. É preciso não esquecer que estas casas “económicas” não são propriamente dadas; custam à volta de um milhão de patacas, que não é dinheiro que se tem na fruteira lá de casa. Se as pessoas gastam este dinheiro e exigem continuar a viver em Macau, estão no seu pleno direito. Se concorreram à habitação económica é porque necessitam dela, certo, mas não são obrigadas a ir viver…em Coloane!

Quer dizer, se isto são pessoas sem posses (!?) não acredito que tenham um Mercedes para se deslocarem todos os dias a Macau para trabalhar. E isto são cerca 300 pessoas de que estamos aqui a falar, mais de 60 famílias. E quantos autocarros passam em Seac Pai Van, e com que frequência? Existe um mercado municipal ali perto? Olha…vão comer ao Fernando! Áreas de lazer? Vão à praia! E que escolas `volta do tal edifício Ip Heng? Vão aprender com o Hoi Hoi e a Sam Sam! Dá para ir a pé dali para algum lado? É quase como viver no deserto. Não é por acaso que o Estabelecimento Prisional de Macau fica em Coloane: é para ficar longe de tudo o que interessa. E em Macau propriamente dito? Não existem lcais para construír habitação económica? É oito ou oitenta…

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O idiota da semana


Todd Akin, congressista americano e membro do Comité de Ciência está nas bocas do mundo. Akin, que é também candidato pelo estado do Missouri às eleições de 6 de Novembro para o Senado norte-americano, afirmou basicamente que as mulheres violadas "nunca engravidam". De acordo com este senhor, que se assume contra ainterrupção voluntária da gravidez, o organismo feminino tem "meios para resolver o problema", isto se "a violação for legítima". Ou seja, o óvulo sabe muito bem se o esperma foi ou não convidado a lá entrar, e como que "repele-o" se se tratar de uma violação.

Isto é novidade para muita gente, e equivale por dizer que se uma mulher for violada e tiver engravidado, é na verdade uma badalhoca sem vergonha. Se calhar até estava a ser violada no início, mas depois gostou, a porca. Isto pode ser levado mais longe, e usado como prova em tribunal: se a magana engravidou, então nãO foi violada. É como o tal teste do algodão, que nunca se engana. Akin defende contudo que "caso alguma coisa falhe", e a mulher engravide após uma violação, quem deve ser castigado é o violador, e "nunca a criança".

Quem segue este blogue há algum tempo sabe que eu próprio so contra o aborto não-terapêutico, mas por razões completamente diferentes destas que se prendem com o conceito de que um embrião ou um feto é uma "criança", ou um ser vivo. Só que com gente desta do meu lado, ora motivada pela religião, o álcool ou a estupidez, fica difícil. Estou a pensar em mudar de partido.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Diaoyu e concurso


1) A questão das ilhas Daoyu é deveras preocupante para nós, que vivemos mesmo aqui no perímetro do problema. As ilhas cuja soberania é exercida pelo Japão e são disputadas pela China e por Taiwan foram "esquecidas de devolver" depois da derrota do Japão imperialista na segunda guerra, e agora tanto a República Popular como a ilha nacionalista as querem de volta, estes últimos com o argumento de que pertenciam à China nacionalista antes da ocupação nipónica, e ainda antes da fundação da República Popular, lá está. É claro que estas ilhas são ricas em recursos naturais, senão ninguém queria saber delas para nada, até porque nem sequer são habitadas. A detenção dos catorze activistas na semana passada terá sido um acender de um rastilho de um imenso barril de pólvora. A animosidade ficou ao rubro - principalmente do lado da China - que considera isto um "insulto". Apenas um pequeno aparte: os manifestantes foram detidos pela polícia japonesa, algemados, é certo, e depois repatriados com uma enorme rapidez. Não há notícias de terem sido maltratados, humilhados ou abusados mesmo que verbalmente por alguém. Gostava de saber o que teria acontecido numa situação homóloga. E se fosse a China a exercer a soberania das ilhas e estas fossem invadidas por manifestantes japoneses? Mas adiante. As manifestações de nacionalismo exacerbado sucederam-se um pouco por toda a China, com uma forte compnente anti-nipónica. Em Shenzhen uma fábrica de automóveis japonesa foi atacada, a até uma viatura da polícia foi virada ao contrário simplesmente por ser da marca Toyota. Foram vários os jovens entrevistados (mesmo em Macau!) a dizerem que "detestam o Japão" - apesar de muitos deles adorarem sushi e comprarem produtos japoneses. Isto não é patriotismo, daquele que se vê nos jogos de voleibol feminino ou de pingue-pongue entre os dois gigantes asiáticos. Isto é nacionalismo da pior espécie, que não augura nada de bom. Recordo-me de ver uma gorda em Pequim nas notícias na última quinta-feira a "exigir que a China declare guerra ao Japão". Isto é gente que não faz a mínima ideia do que é uma guerra, e que consequências uma guerra entre estas duas potências militares significaria. Não acredito num conflito armado entre a China e o Japão por causa das ilhass Diaoyu, mas este é um assunto que tem que ser deixado nas mãos da diplomacia. Nunca nas mãos destes meninos.

2) Terminou hoje o prazo de entrega de inscrições para o concurso centralizado para a ocupação de vagas de técnico-adjunto na Administração Pública de Macau. Desde o último dia 2 que cerca de 20 mil (!) aspirantes concorrem a cento e poucas vagas, e entregam as suas candidaturas no Edif. Administração Pública, na Rua do Campo. Como hoje era o último dia, foi uma grande azáfama naquele edifício onde, como muitos leitores sabem, este vosso servo trabalha. É interessante como apesar do maná de empregos que são os casinos, os jovens da RAEM ainda preferem um lugar à sombra da grande Lótus. Sem dúvida, porque como diz uma expressão aqui da terra "não é preciso falar mentira". Os empregos na Administração são isso mesmo: empregos. O resto é simplesmente "trabalho". Na Administração não há turnos, não se trabalha aos Sábados e Domingos, gozam-se todos os feriados na sua plenitude, ganha-se bem sem precisar de ficar muito tempo de pé, e mais importante que isso, não é preciso aturar (muita) gente parva. O "governo" não é um patrão parvo de quem depende um emprego, e além disso não se fica sujeito às oscilações da economia. Pois é, e assim foi nos últimos 19 dias: milhares de jovens a fazer fila para arranjar um emprego onde "não é preciso trabalhar". Ai mei ah?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Brasileiros invadem Ponto Final!!!


Os brasileiros tomaram conta do Ponto Final, um dos diários em língua portuguesa do território! Eis a prova irrefutável do fato...perdão, do facto, na edição de ontem. É contagioso, mermão! Porra, mermão não...ahhhh!!!!!!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Preparado para o Kai-Tak


Está aí mais uma tempestade tropical, desta vez baptizada de Kai-Tak, vinda direitinha das Filipinas, onde fez sete vítimas mortais. O Kai-Tak dirige-se paulatinamente para o território, tendo sido içado o sinal nº 3 esta tarde, e prevendo-se que se mude para o sinal nº 8 nas próximas horas. Eu cá estou preparado para o tufão. Não comprei uma saca de dez quilos de arroz nem dois garrafões de cinco litros de água - se tiver fome e sede basta-me ir ao 7-11 aqui perto de casa. Mas abasteci-me com uma garrafa de litro de Stolichnaya e uns quantos Red Bull para me entreter enquanto o vento sopra leve, levemente. Não tenho que me preocupar mesmo com nada, pois a minha humilde casinha fica num terceiro andar e não corro o risco de ter a água a entrar-me pela porta. Mão tenho janelas daquelas grandes e modernaças, portanto não vou ter os cacos todos espalhados por cima da cama, nem há uma grua inclinada nas vizinhanças, pelo que não vou ter a bófia aqui à porta a dizer-me para sair. Às vezes é bom ser-se pobrezinho ou apenas remediado. Dizem que este tufão "não vai ser tão forte como o Vincent", que nos visitou há mais ou menos um mês, epá, e não me levem a mal, mas espero que seja tão ou mais forte. Um grande abraço a todos e esperem que fiquem em casa amanhã, no choquinho.

Portugal bate Panamá


Portugal derrotou ontem o Panamá por duas bolas a zero, num amigável destinado a preparar os compromisssos com vista à qualificação para o mundial de 2014, no Brasil. Um jogo morno que ficou marcado pelo festival de oportunidades de golos perdidas pelos avançados portugueses, espcialmente Hugo Almeida, que esteve muito mal. Valeu a pontaria de Nélson Oliveira na primeira parte, e de Cristiano Ronaldo na segunda. Portugal defronta o Luxemburgo no dia 7 de Setembro, e o Azerbeijão no dia 11.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Astronautas, atletas e outra fauna


1) Os astronautas chineses, tripulantes da Shenzhou-9, passaram por Macau nos últimos três dias. Milhares de residentes da RAEM atropelaram-se para ver os seus "heróis", num clima de grande exultação nacionalista. Sinceramente não tenho nada contra os tais taikonautas, que parecem gente simpática, inteligente, e que para variar até vieram aqui dizer qualquer coisa de jeito. O que não se aceita é a histeria e a idolização por absolutamente nada. E curioso que a China insista num programa espacial, quando as outras duas potências da conquista do espaço - os Estados Unidos e a Rússia - desinvestem a olhos vistos. E de seguida vêm aí os atletas olímpicos medalhados nas últimos jogos em Londres, e espera-se mais uma forte adesão dos patrioteiros locais, de bandeirinha em riste e gritinhos de bajulação, numa cerimónia perfeitamente coreografada, escrutinhada, selecionada. Uma falta de espontaneidade impressionante, tudo em nome do tal "amor à Pátria", quando se sabe muito bem que tanto astronautas como atletas olímpicos, esses "he'róis", vêm cá receber "o deles". Vocês sabem muito bem do que estou a falar, parafraseando o Octávio Machado. Para quê implementar a tal educação patriótica, de que os vizinhos de Hong Kong se queixam agora, em Macau? Ela já existe, é servida em colherzinhas de chá um pouco todos os dias, e os oumunian são mesmo bons alunos. Claro que durante estas visitas só os bons meninos se aproximam dos "heróis", e as perguntas incómodas ficam de fora. Eu por acaso só gostava de perguntar uma coisa aos tais taikonautas: o que sentem quando aquilo começa a subir? Eu cá borrava-me todo...

2) Tenho notado um aumento no número de visitantes de Portugal na RAEM, o que é bom, sem dúvida. O problema é que alguns dos nossos compatriotas, provavelmente acabadinhos de sair da Aldeia da Roupa Branca pela primeira vez na vida, comportam-se como autênticos saloios nas ruas de Macau. Grunhos da pior espécie. Existe aqui perto de casa uma alfaiataria chamada "Victor Emanuel", que diz na porta, ora, "Alfaiataria Victor Emanuel". Há duas semanas deparei com dois casais da tuga a fotografar aquilo, completamente embasbacados, e a dizer "olha...está escrito em português, 'tás a ver?", com o arzinho mais idiota do mundo, um orgulho besta sabe-se lá do quê. Esta manhã ia eu a passar pela Rua da Palha e em frente de uma vendedora ambulante de chu chong fan estava uma outra turista portuguesa a dizer ao marido: "Olha o que é aquilo? Parece lulas...". Lulas? Por amor de Deus. Depois há aqueles que pensam que são muito engraçados e fazem comentários idiotas e por vezes insultuosos aos chineses (qualquer dia têm uma surpresa). Faz-me lembrar um episódio durante a noite da transferência de soberania, que assisti em directo do Largo do Senado, e onde alguns visitantes portugueses riam dos nomes dos dirigentes chineses. Quer dizer, venham cá que a gente gosta, mas respeitem um pouco a cultura dos outros. O que iam achar se um turista chinês fosse a Fátima e risse dos fiéis que atravessam o santuário de joelhos? E olhem que isso dá mesmo vontade de rir....

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Olimpíada em revista


Terminou no Domingo XXX (30ª, para quem não conhece a numeração romana) olimpíada da era modena, disputada desta vez em Londres. O que tenho eu a dizer disto, que disse tão pouco? Ora, que quem ficou a ganhar com tudo isto foi a própria cidade de Londres, que voltou a parecer aos olhos do mundo como uma das mais modernas, cosmopolitas e desenvvolvidas. Foi a terceira vez que a capital britânica organizou os jogos, e apesar da sombra do terrorismo, esse flagelo do século que atravessamos, os jogos foram disputados na paz do senhor, sem quaisquer apontaementos relevantes quanto à segurança. Desconfio que nenhum senhor de barba ou turbante suspeitos ter'sido identificado ou revistado. Nem os atletas da equipa masculina de hóquei em campo do Paquistão.

Os fait-divers que envolvem os jogos são sempre mais interessantes que os jogos em si. Começámos com o caso da errónea bandeira coreana disposta numa partida de futebol feminino, passando por alguns casos de doping, das atletas holandesas lésbicas de hóquei em campo que dormiram em quartos separados "para bem da coesão da equipa" (e que deu resultado, a Holanda ganhou a medalha de ouro), e terminando no political statement do futebolista sul-coreano que reclamou as ilhas Dokdu como suas. A polémica que mais relevo merece, a meu ver, é a da equipa de badminton da China, que "atirou" de propósito um jogo para combinar uma eventual final com uma dupla sua compatriota. Um exemplo de mau olimpismo e de falseamento da verdade que merece toda a censura. Vergonhoso, e que só prova que a China ainda tem muito que aprender no capítulo do desportivismo.

Quanto ao que conseguimos ver aqui em Macau dos jogos, e com muita pena minha, reduziu-se às disciplinas em que existiam fortes possibilidades da China ganhar medalhas. Assim fomos massacrados com o pingue-pongue, o badminton, os saltos para a água, a ginástica. Tudo uma enorme chatice, e só compreendo que tudo isto tenha uma grande audiência porque no fim a China ganha (e nem sempre...). É o nacionalismo baccoco em todo o seu esplendor. Do resto só tenho a destacar Usain Bolt, duas vezes tri-campão das maiores disciplinas da velocidade nos jogos. Umm verdadeiro herói do olimpismo. O homem mais rápido do mundo, a quem só tem que ser reconhecido todo o mérito. Depois há Michael Phelps, o tal que ganhou (quase) tantas mdlahs como Portugal, sendo a maioria ouro. Com a quantidade de disciplinas que existem nas piscinas dos Jogos, certamente outros Michael Phelps existirão no futuro.

Uma nota final para a participação portuguesa. Mais uma vez, montes de cautelas e caldos de galinha. Mais uma vez? lembro-me de um senhor prometer muitas medalhas há quatro anos em Pequim, e agora vir com uita humildade dizer que "não se epseram medalhas nenhumas". A canoagem salvou a participação lusa e fez Vicente Moura parecer um santinho, quando vem agora dizer que "em Portugal não se aposta no desporto". Este senhor já se devia ter demitido há muito tempo. É daquelas pessoas que não faz falta nenhuma ao desporto em Portugal. Se somos pequenos e não podemos aspirar a medalhas, o melhor mesmo é afirmá-lo de início e não criar expectativas. O melhor mesmo é ter algum sangue novo no COP nos próximos jogos do Brasil, e deixarmos o sr. Moura descansar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Go to beach please - um dia em Coloane


Os aficionados do Verão na praia ou no campo têm em Macau apenas uma opção: a ilha de Coloane. Claro que alguns leitores estão já a pensar "é mentira; existem as piscinas do Estoril em Macau, e do Carmo na Taipa". Ora, isso são peanuts. Para quem quer mesmo fugir do trânsito e da selva de concreto sem sair do território, Coloane é mesmo única opção. E foi isso que fiz hoje, apesar de não ser um dos aficinados que referi acima. Foi a manhã e parte da tarde na piscina de Cheoc-Van, e um poquenique ao fim da tarde no Parque de Hac-Sá. Foi agradável, apesar de o tempo meio chuvoso - uma vergonha para o mês de Agosto.

O que me chamou mesmo a atenção foi esta simpática placa colocada mesmo no meio da Colónia (?) Balnear de Hac-Sá: "Go to beach please". Curioso. Não sei o que está escrito em chinês, e mesmo o significado em inglês é ambíguo. Será que nos estão a dizer que a praia é mesmo boa e devemos lá ir? Será que estão a implorar? Será que isto é algum aviso para que não se faça ali qualquer porcaria que se pode antes fazer na praia? Um mistério. Em todo o caso respondo "no, thanks". Ir aqui a banhos na praia, e falando em "porcaria" é quase como ir à Índia. É preciso ter o boletim das vacinas em dia. Quando passei pela praia de Cheoc-Van esta manhã fiquei surpreendido com a quantidade de banhistas que nadavam, indiferentes às toneladas de lixo visíveis à beira-mar.

A zona de piqueniques, ou na sua versão inglesa "BBQ" (barbecue), é bastante aprazível. Exitem um pouco por todo o lado em Coloane, quer em Cheoc-Van ou em Hac-Sá, como ainda em Ka-Hó. Estão lá disponíveis fogareiros completamente gratuitos, e durante a época "alta" é aconselhável chegar cedo e marcar o lugar. Depois é só levar as carnes, os garfos, o carvão, os pratos e os talheres de plástico, mais as jolas e os sumos, e depois deixar o lugar todo cagado de lixo no fim do dia. Pelo menos com as latas podemos ficar de consciência tranquila, pois o que não faltam são aqueles cidadãos desocupados que as colecionam para depois as vender ao quilo no ferro-velho. São os habituais agentes da reciclagem em Macau, que "trabalham" enquanto os outros se divertem.

Depois foi o regresso a Macau, já a cheirar a fumo, frango e peixe grelhado - nada que um bom banho não resolva. Regressei no autocarro nº 26-A, e entreti-me a escutar o roteiro à medida que as paragens se sucediam, debitado pela voz gravada daquela adolescente. É engraçado que nos avisem da "próxima paragem" em quatro línguas: cantonense, português, mandarim e inglês, por esta ordem. Só que não compreendo a necessidade do inglês. Next stop; Baía da Nossa Senhora da Esperança, Istmo? What the dickens? Pelo menos não caímos no ridículo de ter um Bay of Our Lady of Hope, isthmus. Mas yes, pá, é um serviço mesmo spectacular. De partir o coco a rir.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O lixo é lixado


As duas profissões que eu jurei nunca vir a ter na vida são as de cozinheiro de comida de cão, e homem do lixo. Deixemos o primeiro, que é só parvoíce minha, e concentremo-nos no segundo. Não que eu desrespeite os homens do lixo, mas não conheço nenhum outro ofício onde toda a gente faz cara feia por onde quer que se passe. Nem o coveiro é tão desagradável. Não deve ser nada agradável ver toda a gente enjoada a tapar o nariz e a boca ou a cobrir a cara com a camisola quando passam os homenzinhos que recolhem o entulho das latas do lixo. Depois de um dia de serviço daqueles, nem dez banhos com Dettol do mais concentrado tiram o cheiro a raposa fétida.

Se há países ou territórios onde os homens do lixo são discretos - e sei que os há - esse não é o caso de Macau. No território a recolha é feita a horas bastante aleatórias, e vastas vezes nos deparamos na rua com o camião do lixo a fazer a sua tão necessária recolha horas tão díspares como as dez da manhã, as três da tarde ou as onze e meia da noite - curiosamente a hora a que escrevo isto e oiço o camião mesmo aqui à porta a fazer aquele barulho desagradável, pior do que o de uma empilhadora, ou de um disco dos Black Eyed Peas. Será culpa do IACM? Será que a recolha do lixo devia ser limitada a altas horas da noite ou de manhã cedo. Je ne sais pa, pá. A verdade é que o cheiro a lixo em Macau é desagradáavel, e o próprio lixo em si é, infelizmente, parte do cartão postal da cidade.

Não é raro encontrar imagens como esta que a foto documenta: lixo espalhado pelo chão, pelos passeios, e lixo daquele muito feio e mal-cheiroso. Do mais asqueroso que há. A julgar pela falta de pontaria dos cidaãos, pois muitos não parecem conseguir acertar naquele metreo quadrado em que consiste o latão do lixo, o cheiro deve ser mesmo muito ruim. Tão mau que dá lugar a uma nova espécie de modalidade olímpica: o lançamento do saco de lixo. Com resultados abaixo dos mínimos, é claro. Isto para não falar de uma certa classe que revolve os caixotes do lixo, "à procutra de qualquer coisa de valor", gente que nem precisa de fazer isso, mas que o faz na mesma, e que para isso mete-se com os dois pés dentro das latas do lixo. Desta gente é mehlor não falar. São o extracto mais baixo da humanidade.

Como qualquer outro cidadão civilizado e consumidor, produzo uns dois ou três quilos de lixo por dia. Tendo em conta que em Macau existe outro meio milhão de "civilizados" como eu, isto significa toneladas de lixo por dia para recolher por aqueles tais camiões com mau hálito. No Inverno a coisa ainda passa mais ou menos despercebida, pois o frio "congela" os maus odores - como nos cadáveres. No Verão, com o calor e a humidade mais a merda dos insectos, o problema torna-se maior. O pior é que esta gentinha ainda desconhece algumas regras básicas, como, sei lá? Os molhos e os caldos devem ser fechados em sacos de plásticos? E aqueles couves pútridas? E as fraldas cagadas dos bebés? Em todo o caso que nem se fale de reciclagem por estes lados. Todo o lixo, seja ele de que natureza for, acaba em cinzas n incineradora de Coloane. E olha, aí está outro sítio onde eu não gostava mesmo nada de trabalhar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cona! Perdão...Canoa!


Milagre! Aleluia! Osamas nas alturas! Portugal ganhou uma medalha nos Jogos Olímpicos de Londres! Quem diria? E tinha que ser na canoagem ou qualquer coisa assim. Canoagem, remo, vela, naufrágio em jangada, qualquer coisa que seja sinónimo de fuga para a frente. Foge, foge, que deu m...! E de barquinho, de preferência.

Mas agora a sério, a dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva está de parabéns, pois conquistou um brilhante 2º lugar para Portugal na corrida dos 1000 metros da classe K2 em canoagem, atrás de uns gajos húngaros. E o ouro esteve perto! E pronto, com isto fica salva a honra do convento, a participação é mais uma vez "positiva" e colorida com medalhas, e lá vai Vicente Moura ficar no COP até aos 120 anos, senão morrer antes. Parabéns aos nossos rapazes que ninguém conhecia até hoje.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Liu Liu, quem te viu...



Liu Xiang voltou a desiludir. O campeão dos 110 metros barreiras nos jogos de Atenas em 2004 voltou a ficar pelo caminho na primeira eliminatória, depois de se ter lesionado ao tropeçar na primera (!) barreira, e ter saído a coxear do Estádio Olímpico de Londres. Liu, que tinha desisitido em Pequim há quatro anos mesmo antes da prova ter começado, alegando "indisposição", desta vez não durou dez segundos até cair feito fruta madura. Muito estranho para quem provou uma vez que não tinha adversário à altura. O que se passa contigo, rapaz?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bolt mais uma vez


Usain Bolt voltou a fazer das suas. Quatro anos depois do ouro e do recorde mundial em Pequim, o homem mais rápido do mundo voltou a conquistar o ouro nos 100 metros, a disciplina que prova, exacatmanete, quem é o mais rápido do mundo. O jamaicano completou a distância em 9,63 segundos, novo recorde olímpico e segundo melhor tempo de sempre. Usain Bolt é provavelmente o melhor atleta de todos os tempos, o mais completo, o mais espectacular. Fiquem com o vídeo, que foi o melhor que consegui arranjar - isto dos direitos de transmissão já se sabe...

domingo, 5 de agosto de 2012

Sex, swimming pool & rock'n'roll - crónica de um dia de Agosto em Macau

O Verão em Macau é. como se sabe, uma bela merda. O calor, a humidade, as monções, os tufões, a chuva torrencial, o mau cheiro do lixo, tudo coisas que são contra a nossa natureza lusitana. Habituados outrora ao céu azul e ao tempo seco de Portugal, às praias limpas do Algarve e da Costa, ao casaquinho de malha à noite, custa-nos muito passar o Verão na RAEM, onde nem arrancando a pele se consegue algum alívio - mesmo à noite. É chato andar sempre com o corpo pegajoso, o ar-condicionado sempre ligado em casa, e mais chato se torna ainda quando se paga uma milena por mês de electricidade. Passar o Verão em Macau é como ficar à espera de um avião durante três horas num aeroporto sem casa-de-banho: tortura sem alívio.

Contudo não me importo mesmo nada de passar o mês de Agosto em Macau. Como sou funcionário público - como muitos dos leitores que conhecem a minha identidade já sabem - o mês oito é bastante tranquilo. Os advogados estão de férias, os prazos não correm nos tribunais, é tudo tranquilo, tranquilo. Se quiaser ir a Portugal é melhor ir em Julho, enquanto não chegam as carradas de emigrantes que enchem as praias e os parques com o cheiro a sardinha assada e pimentos a os cantantes que debitam os últimos sucessos do Tony Carreira (ou sempre os mesmos). Se não é para ir a Portugal, sempre se pode esperar alguns meses e ir às Filipinas, à Indonésia ou ao Vietname, e apanhar uns dias de calor enquanto o Inverno dita as suas regras em Macau.

Ora bem, e o que fazer num fim-de-semana de Verão em Macau? Ir à discoteca na sexta ou no Sábado à noite, porque não? Em Macau as discotecas "da moda" são o D2, o D3, o Cubic ou o Sky 21, para citar algumas sem precisar de puxar muito pela moleirinha. O D2 é um lugar que frequento com alguma assiduidade, e em termos mais simples, meus amigos, é um sítio do c...! Quem chegou a Macau mesmo agora e quer abanar o capacete, o D2 é o sítio. Para os homens então, nem se fala. Cheio de boa pescaria. Quer dizer, é bocetame de primeira apanha. Não é preciso ser bonito ou bem composto, basta ter algum dinheiro. Quer dizer, convém tomar um banho antes de ir - de preferência pouco antes - e quem sofre de halitose crónica deve ter cuidados redobrados. Em conclusão: o D2 é o "place to be" numa "Saturday night" para quem procura a parte do "sex" na trindade do "sex, drugs and rock'n'roll". Quanto ao rock'n'roll, bem, aquilo é mais disco, e daquele que só se aguenta melhor depois de bem bebido.

E depois, o que fazer num Domingo à tarde? Para aliviar o calor crónico, nada como frequentar "uma das piscinas do IACM: "Estoril, Sun Yat-Sen. Hac-Sá e Cheoc-Van", como diz o anúncio da rádio apresentado pelo Jorge Vale. Pela modesta quantia de 30 patacas (é quase sempre de borla se for depois da uma). Há praias em Macau? Bem, lá haver há, mas não presta. Basicamente existem as praias de Hac-Sá e Cheoc-Van, mas não são aconselháveis aos banhistas caso não queiram nadar ao lado do lixo ou dos cagalhões flutuantes que os residentes da RAEM que não vão à praia (99% deles) ali deixam a quem ainda tem a ilusão de praia em Macau. Quanto às piscinas propriamente ditas, até são agradáveis, para quem não se importa com a miudagem que mija lá dentro. Em todo o caso parabéns ao IACM pelo esforço. Quem é mais endinheirado opta pelas piscinas dos hotéis da moda, ora a do Hard Rock Hotel, ora a do Regency da Taipa, ora a do Altira. Quem não pode, não come.

E é assim. Aguentai um Agosto em Macau que não custa mesmo nada. Conviva com os indígenas, que para eles Agosto é como outro mês qualquer: trabalhar, fazer dinheiro, "business as usual". Evite é os autocarros, frequentados pelos indivíduos mais sebosos da espécie. Cuidado com os encostões. E faça como eu: três banhos por dia, duas mudanças de camisa e de cuecas, muito pó de talco para as emergências (isto para quem tem tomates...), e de preferência fique em casa...debaixo do tal ar-condicionado. E boas férias para quem preferiu escapar a tudo isto.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Diz-me a tua rua, e digo-te quem és



Os portugueses que chegam agora a Macau - e têm sido muitos, felizmente - poderão ficar surpreendidos com o nome de alguns dos arruamentos da RAEM. Quem se demora a observar as placas toponímicas do território diverte-se a pensar na origem do baptismo destas ruas, becos, travessas e pátios. Quando cheguei a Macau há vinte anos, ouvi falar de uma tal de "Ilha Verde". Ilha Verde? - pensei eu - deve ser um sítio bestial, ideal para passar um fim-de-semana, umas férias, ou isso assim. Mas este tal Bairro da Ilha verde, "cheng chau" em chinês, não passa de um amontoado de barracas, habitações sociais e ferro-velho atirado lá para a zona norte da cidade. Tem muito pouco de verde, e nada de ilha, e populado por gente com um aspecto muito pouco saudável, que pendura as cuecas nas janelas que dão para a rua. É um engodo. Mas o que seria de esperar de um sítio que fica perto de um tal Bairro do Fai Chi Kei? (fai chi significa "pauzinhos", daqueles de comer, em chinês).

Existe ainda um tal Canal dos Patos, onde não encontramos nenhuma ave daquele tipo. Outros locais como a Travessa das Janelas Verdes ou o Pátio do Jardim apresentam-se bastante cinzentões e decepcionantes. Existe aqui perto de casa uma tal Rua do Teatro, que além de não ter nenhuma sala de espectáculos visível, tem várias lojas de armazenamento e distribuição de fruta, tornando impossível a circulação de veículos e pessoas, especialmente depois das seis horas da tarde. Devia-se chamar Rua da Fruta. As más línguas benfiquistas diriam que "é a rua favorita do Pinto da Costa". Curiosamente não existem em Macau a Rua do Chocolatinho nem a Rua do Café com Leite. Perto da Igreja de S. Lourenço existe um tal Pátio das Seis Casas. Eu já lá estive e contei pelo menos oito! Existe contudo uma Travessa Curta (na imagem), que faz jus ao nome. Não tem mais de dois metros de comprimento! Isto é que é chamar os bois pelos nomes. Existe um Coloane um tal Pátio Pequeno, mas ainda não tive oportunidade de verificar a pequenez do mesmo.

Como se sabe, os chineses não são adeptos de dar nomes de rua a personalidades históricas, figuras públicas ou beneméritos. Assim temos nomes muito simplistas, como a Travessa dos Ovos ou ou o Beco dos Óculos, o Pátio da Cadeira ou o Pátio do Banco. Outros mais românticos ficam sempre bem num cartão postal; a Rua da Esperança, Felicidade, Fortuna, Harmonia, Riqueza, Saúde, Prosperidade, Tranquilidade ou Virtudes, a Travessa da Glória ou da Paixão, o Beco da Sorte, o Pátio da Eterna Felicidade ou da Eterna União. Sempre é menos deprimente do que viver no Beco do Desprezo (em Coloane, e adivinho que será perto do Estabelecimento Prisional de Macau), no Pátio da Ameaça, do Desgosto ou da Indigência. Curiosamante não existem em Macau arruamentos com os nomes de desgraça, tragédia, miséria ou fome, mas bem podiam existir. Sem dúvida que é muito mais agradável ser abençoado e viver na Rua Alegre ou na Rua da Aleluia, do que viver na Rua da Cadeia ou na sua correspondente de calão, a Rua da Cana.

Quem é chique sempre pode morar na Travessa do Clube dos Iates, enquanto os mais pobrezinhos ficam remetidos ao Beco das Barracas ou ao Beco das Barraquinhas. Ou ainda à Travessa do Hospital dos Gatos, onde deve ser impossível dormir devido aos miados de angústia. O evento dos Jogos da Ásia Oriental, realizados na RAEM em 2005, baptizou uma série de arruamentos, incluíndo uma Avenida, Travessa e Praça, e exactamente, "dos Jogos da Ásia Oriental", uma Rua do Desporto, e uma tal Rua da Patinagem, em Coloane. Esta deve ser dedicada aos orçamentos para a realização de certos eventos na RAEM, que são conhecidos por "patinar" de vez em quando. Disse eu de vez em quando? Queria dizer: "sempre".

Ainda em Coloane, exstem novos arruamentos com nomes bastante "floridos": a Rua das Albízias, das Cássias Douradas, das Champacas Brancas, das Bauínias, das Árvores do Pagode, das Canforeiras, das Acácias Rubras, das Lichias, das Schimas, das Margoseiras ou das Mangueiras. Lindo, lindo, um deleite para os adeptos da floricultura e da botânica. Em contraste existe em Macau um Pátio do Pivete, onde deve ser impossível abrir uma janela. E celebremos com alegria a toponímia de Macau, provavelmente a mais rica do mundo!


Obituário


Foram várias as figuras públicas que nos deixaram estes últimos dias, num início de Agosto fatídico. O escritor e ensaísta norte-americano Gore Vidal, o ex-ministro da defesa e figura de proa do PSD e do cavaquismo, General Eurico de Melo, a actriz Carla Lupi, e o ex-administrador da TDM, o macaense e nosso bem conhecido Manuel Gonçalves. Estes dois últimos vítima de cancro, o flagelo que a humanidade ainda não conseguiu debelar, e que tantos amigos, familiares e gente boa nos tem custado. Para estes um até breve...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobre a educação patriótica


Estava eu ontem a voltar para casa perto da uma da madrugada, e passei por um restaurante ainda aberto aqui perto de casa para matar a larica. Levei um mei fan frito à moda de Singapura, e enquanto esperava reparei na forma fascinada e absorta como os oumunian ali presentes assistiam à transmissão das provas de ginástica dos Jogos Olímpicos de Londres. Não perdiam pitada do desempenho da equipa da RP China, que como se sabe colecionam medalhas na modalidade. Extraordinária a forma como a gente naquele restaurante - incluíndo um jovem com uma camisola da equipa de basquete da China - observavam maravilhados, quanse hipnotizados, os ginastas do regime.

Isto tudo para falar da tal da educação patriótica, de que tanto se fala agora. Em Hong Kong os encarregados de educação estão furiosos com aquilo que chamam uma interferência na autonomia daquela RAE. É interessante como isto da "educação patriótica" nem se discute em Macau; como se recordam a legislação do tal artº 23 da Lei Básica passou aqui na RAEM como uma brisa, poucos se lembram disso e ainda ninguém foi preso por "actos de secessão". Os chineses de Macau orgulham-se em ser chineses, apessar de alguma falta de tolerância que evidenciam com os pangyaos do continente, e não só vibram com as medalhas olímpicas dos atletas da China, como demonstram o seu apoio a tudo o que seja uma mostra de patriotismo. A RAE de Macau é a boa aluna, os meninos daqui do lado é que são um bocado malandrecos, e toma lá um pouco de "educação" para ver se aprendem.

Mas não se pense que concordo com esta iniciativa pouco feliz do Governo Central. Isto de "educações patrióticas" cheira a nacionalismo exacerbado, e isto no século das pessoas não fica nada bem. Ficava, lá nos idos tempos da Revolução Cultural ou no tempo das ideologias. Hoje em dia a malta que saber mais do bem estar e da economia, e isso dos hinos e das bandeiras é muito giro, mas não enche a barriga a ninguém. Um pequeno inquérito de bolso que realizei entre colegas chineses demonstra que isto não é uma boa ideia. Todos torcem o nariz a esta súbita tentativa de integração de mentalidades dos jovens no pensamento do resto do continente. É uma integração que ainda não lhes interessa.

E no que consiste a tal disciplina de "educação patriótica"? Pelo pouco que me foi dado a saber (só existem versões em chinês do material didático), existe um livro e um "guia de ensino". Neste guia consta, por exemplo, uma directiva que diz que "caso o aluno não esteja interessado na matéria, o professor pode mandá-lo para casa e 'reflectir'". O programa tece loas ao PC chinês, o partido único, o que se pode considerar um sério investimento do regime, apostando na próxima geração para perpetuar o poder. Se isto em Hong Kong já é assim, imagine-se o que ensina no continente. Não surpreende que os democratizados honconguenses chamem a isto "lavagem cerebral". Quem os pode censurar? Os destinatários da "educação patriótica" são crianças do esnino primário. O programa é suposto entrar "à experiência" nos próximos três anos, e em trote total em 2015, mas os nossos vizinhos já demonstraram (e vão continuar a demonstrar) que não estão para aí virados. E não nos resta mais nada senão apoiá-los.

Eu amo o meu país, Portugal. Amo no sentido que sou português, gosto quando acontecem coisas boas com Portugal, sofro com as coisas más, mas não sou patrioteiro. Não penso que o meu país tem sempre razão, nem detesto os estrangeiros que ignoram ou desprezam o meu país. A China tem feito grandes esforços no sentido de mostrar abertura, tem-se esforçado no campo da diplomacia para que se torne num respeitável "player" no jogo da economia mundial. Não pode é pensar em enveredar pelo camnho da força, como tem "ameaçado" fazer nesta zona do Pacífico, com as questões relacionadas com a disputa das ilhas Spratly, por exemplo, uma disputa que preocupa a comunidade internacional. Quando se junta o "militarismo" ao "patriotismo", então temos aí uma mistura explosiva.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Iron Lady


Surpreendente e oportuna a entrevista da Dra. Manuela António ao JTM de hoje. Em duas páginas a causídica que reside no território há 30 anos fala sobretudo do actual estado do direito em Macau e dos seus operadores, e aproveita para criticar a DSSOPT (Obras Públicas). Pelo meio tece outras considerações sobre a sua vida profissional e afins. Manuela António é uma mulher de armas; uma verdadeira "iron lady" do direito no território, e uma daquelas pessoas que diz o que lhe vai na alma, talvez por não ter nada a provar.

A questão dos operadores do direito em Macau é quiçá a mais polémica e interessante. Dos cursos de direito ministrados em língua chinesa, MA diz que são "maus", e do famoso curso em português, "não é suficiente". Conclusão: os licenciados em Direito de Macau não têm qualidade suficiente. Pelo menos para a Dra. Manuela António, que como se sabe conta nas suas fileiras com uma equipa de causídicos toda ela (ou quase) formada em Portugal. Ou ainda por outras palavras: para a Dra. Manuela António, os cursos de direito em Macau não lhe enchem as medidas.

Existe talvez um problema de mentalidades a este respeito. Há quem se preocupe com a salvaguarda do Direito e com o impacto que isso pode ter na própria salvaguarda dos direitos dos cidadãos, e do seu acesso à justiça. Outros preocupam-se em fazer dinheiro. Isso, porque ao contrário de Portugal, por exemplo, o Direito em Macau ainda tem bastante saída. Fica muito bem tirar o curso, assinar umas escrituras ou representar uma ou outra sociedade, e lá se vai fazendo a vidinha. É assim em Macau, o dinheiro fala sempre mais alto. Isso de onde se obteve o curso e com que qualidade, é apenas um "fait-divers".

Quanto à questão as Obras Públicas, concordo com a sra. advogada. É praticamente impossível obter o que quer que seja daquele departamento, que desde a prisão do secretário Ao Man Leong em 2006 passou a funcionar completamente em "tilt". Só não percebo essa da "transparência opaca". Será isso a mesma coisa que a "chuva seca"? A "escuridão clara"? Ou a "goiabada de banana"? Um mistério que fica no ar...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Doca dos perdedores


A Doca dos Pescadores volta a estar nas bocas do mundo. O mega-projecto de entretenimento inaugurado em 2006 junto ao casino Sands Macau, da responsabilidade do empresário David Chow, parece uma daquelas cidades-fantasma dos filmes western, ideal para duelos ao pôr-do-sol - houvesse assim tanto sol em Macau. Os que estão lembrados da inauguração daquele verdadeiro elefante-branco sabem a tusa de mijo que aquilo foi: na passagem de ano de 2006 para 2007 não cabia lá uma agulha, depois disso foram os reality bites; aquilo é muita fruta para o que a malta daqui está habituada. Com que então não têm umas lojas de sopas de fitas daquelas que custam 20 patacas? Não há char-siu? Chu-pa-pao? Denied!.

Era uma novidade, e bem gira! Edifícios em estilo europeu - muito na voga por estes lados agora - e até um circo romano feito e plástico, que até dá para fazer lá um buraquinho se lhe dermos um pontapé. O empresário português Rui Nabeiro chegou a investir lá, com um café cujo nome agora nem me lembro que servia pastéis de nata vindos direitinhos de Belém (congelados), e os restos de leitão da Bairrada (também congelados...). Faliu em pouco mais de um ano. Existia lá um vulcão que de vez em quando entrava em erupção, para gaúdio dos indígenas que soltavam os habituais "uaaahhh". Penso que agora se encontra extinto. Existem lá umas lojas de roupa, de recuerdos, uns restaurantes...coisas caríssimas! Aquilo só no Natal, aniversários, casamentos ou convenções. Custa mais de 100 patacas por cabeça? Foge!

A vizinhança também não ajuda muito. A Doca fica localizada lá para os lados do Jetfoil, do Centro Internacional de Macau, que está em ruínas, e desde que o New Yaohan mudou para os lados da Praia Grande, não há mais aquela malta que aproveita para lá dar um pulinho depois de fazer umas compras. É certo que estão ali os casinos Golden Dragon e Oceanus, e a própria Doca tem lá o Babylon, mas a malta que vem jogar quer lá saber da decoração? Está lá também o D3, uma discoteca da moda, mas quem vai para o D3 vai a seguir para casa, e normalmente bem acompanhado. Ninguém no seu perfeito juízo vai à Doca dos Pescadores passear depois do jantar para dar uma voltinha. E quem vai lá ao fim-de-semana e feriados? Fazer o quê? Que pasa prla Doca dos Pescadores? Tinha piada se fizessem lá uns concertos, umas actividades culturais, qualquer coisa para a malta jovem ou para os filipinos. Uns cinemas, talvez. Agora estar ali só por estar, no thanks.

Mas David Chow diz que agora a Doca vai ficar de cara lavada. Sim senhor. E promete novidades "para meados de Agosto". Se calhar combinou qualquer coisa com aquele rapaz muito simpático e muito democrático que é presidente do Benim e esteve por cá estes dias. O que fazer para reavivar a Doca dos Pescadores, então? E o que se pode fazer para convencer a população a dar lá um pulinho mais amiúde? Dar-lhes dinheiro, talvez. Ou caixas de arroz? Ou notas comemorativas. Como implementar o conceito de parque temático na cabecinha dura dos oumunian? Ai, a Doca dos Pescadores...uma coisa muito à frente do seu tempo.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Patas na poça


1) Como tem chovido muito estes dias, é normal que há por aí quem ande a meter a pata na poça. Começo pela deputada Melinda Chan, de quem até gosto, que "quer penas mais pesadas para traficantes de droga", segundo a edição de hoje do Hoje Macau. A sra. deputada acha que a actual moldura penal "não é suficientemente dissuasora", e que existem países na região onde o tráfico "dá pena de morte". Em primeiro lugar não concordo que valha a pena traficar droga em Macau. Não é lucrativo. Existem outras formas de fazer dinheiro, e até a subsídio-dependência é uma forma mais catita de cravar umas messas do que propriamente a dependência de substâncias. Mas o pior é mesmo essa maldita mania de comparar Macau com outras regiões e estados. Pena de morte? A senhora deve estar a brincar, concerteza. Só pode. E que tal cortar a cabeça a esses malditos traficantes, como se faz na Arábia Sodomita, por exemplo? Se há coisa que me faz um bocado de confusão nessa lei é aquilo que se considera "tráfico". Quer dizer, quem está na posse de substâncias ilícitas para mais de um dia, é considerado "traficante". Ou seja, os toxicodependentes, que são doentes, coitados, têm que ir buscar produto todos os dias para alimentar o vício? Mas pronto, para a próxima pense melhor, sra. deputada.

2) Ainda no Hoje, mas na edição de ontem, Hélder Fernando faz uma comparação completamente descabida. Então as barbatanas de tubarão, e a forma como são obtidas, podem alguma vez ser comparadas à carne de porco, aos pipis ou até à coxas de rã? A forma como as tais barbatanas são obtidas é cruel e desumana: são cortadas e o tubarão é mandado ainda vivo de volta ao mar, onde sangra até morrer. Não nutro nenhuma simpatia especial por tubarões, baleias e crocodilos, mas também não posso concordar com actos de tortura contra qualquer ser vivo. O que se faz aos tubarões para obter as barbatanas para a tal sopa que o Hélder tanto aprecia, tanto quanto pipis ou kalulu de peixe seco (?) é tão reprovável como a forma que se tratam os cães, ou os macacos que são comidos ainda vivos na China. Eu recuso-me a comer barbatanas de tubarão. Sei que sou uma gota no oceano, mas pelo menos não pactuo com a tortura e o sadismo.

3) Agora fora de Macau, e a respeito das Olimpíadas. Os jogos estão aí de novo, e mais interessante que a competição propriamente dita, aí estão algumas "estórias" que dão outro colorido ao evento. E por falar em colorido, a atleta grega do triplo-salto Voula Papahristou fez comentários racistas no Twitter e foi afastada dos jogos. A Voula (que é lindíssima!) escreveu naquela rede social que os "mosquitos do Nilo alimentam-se de comida caseira", referindo-se à recente epidemia na Grécia e ao número de imigrantes africanos naquele país. Deve ter imensa graça em grego, mas nem um pedido de desculpas valeu à atleta, que vai ver os jogos em casa pela televisão. Ontem arrancou o torneio de futebol feminino, e com uma gaffe da organização: no jogo entre a Colômbia e a Coreia do Norte a bandeira coreana foi trocada com a rival do sul na apresentação das jogadoras. Como a rivalidade entre as duas Coreias é ainda o último resquício da Guerra Fria, as norte-coreanas voltaram as costas, fizeram birra e queriam ir embora. Lá as convenceram a voltar, e ainda ganharam a partida por 2-0. E vivam os jogos!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vicente valente


Macau foi na noite e madrugada de ontem assolada pelo tufão "Vicente" - um nome bem simpático para uma tempestade tropical - o pior dos últimos 13 anos, o mais violento desde a criação da RAEM. As imagens documentam bem o rasto de destruição (e prejuízo) que o Vicente deixou, com a queda de árvores, tapumes e placars publicitários, bem como inundações nas zonas baixas da cidade. O sinal nº 8 foi içado às 19 horas de ontem, passando para um raro nº 9 às duas da manhã, tendo baixado novamente para nº 3 às 9:30 da manhã, o que vale por dizer que os funcionários da administração ficaram mais umas horinhas na cama, e apresentaram-se ao serviço às 14:30.

O balanço é de 16 feridos e prejuízos incalculáveis. Foram cancelados dois vôos do aeroporto internacional de Macau, os passageiros dos terminais de jetfoil ficaram a dormir nos bancos, e os taxistas voltaram a aproveitar para fazer "negócio", extorquindo os passageiros que precisavm urgentemente de se deslocar da Taipa para Macau, ou vice-versa. Isto já é tão normal em Macau como respirar, e o Governo está-se a cagar (olha, rimou).

Pela manhã as "vítimas" recolhiam os cacos, o lixo estava todo espalhado pelas ruas (não houve a habitual recolha nocturna), e os habitante do Flower ity, na Taipa, não ganharam para o susto; uma grua (!) existente perto do local inclinou-se 45º, o que levou as Forças de Segurança a evacuar 60 residentes daquele complexo habitacional. Todos os sinais de tempestade tropical foram baixados, mas espera-se que a chuva continue até ao fim-de-semana. Em Hong Kong - onde chegou a estar içado o sinal nº 10 - a situação foi ainda mais grave: 100 feridos, 200 vôos cancelados e a Bolsa de Valores esteve encerrada toda a manhã. O Vicente passou pela região e deixou as suas marcas.

domingo, 22 de julho de 2012

Quem quer 'ma mala?


Tenho visto imenso por aí homens de mala. Sim, de mala, e não me refiro às distintas valises que os médicos, professores ou advogados usam, nem às sempre estéticas e convenientes mochilas, que ainda por cima dão um aspecto atlético e saudável ao seu portador. Falo daquelas malas à tira-colo, normalmente de cor escura, que se usam penduradas ao ombro. É uma versão masculina da mala de senhora. Só que pergunto eu: para quê?

Homem que é homem leva tudo o que precisa nos bolsos: carteira, telemóvel, chaves, tabaco, corta-unhas, recibos da conta da electricidade, preservativos, pastilha elástica, pensos rápidos, tudo. Adoro calças com imensos bolsos, daquelas de carpinteiro, que dão para levar quase tudo o que se precisa. Agora...uma mala? Ui, a malinha. Ai onde compraste essa mala tão gira? Ai que horror perdi a mala. Roubaram-me a mala. Esqueci-me da mala. Isto fica mal, meus meninos.

Quando vejo um desses indivíduos com mala dá-me vontade de lhes perguntar se levam lá dentro o baton e os panty shields. Ou quem sabe um cremezinho para as mãos e unhas, ui ui. Ou talvez a última edição da Vogue, nunca se sabe. Se como já referi em cima, estas são as versões masculinas da mala de senhora, o que temos a seguir? Sapatos de salto alto para homem? Sutimamas para o cavalheiro mais avantajado? Meias de vidro "for men"?

Já me tinha insurgido aqui contra as crocs, aquelas sandálias abomináveis usadas por homens de meia-idade baixos e carecas, os famosos "pés-de-pântano". Agora completa-se a caricatura do completo burgesso: sapatos crocs, calções, t-shirt com qualquer coisa do tipo "California State University" lá escrito, e malinha à tira-colo. Mas isto sou eu que "não estou na moda", ou se calhar "sou parvo". Avisem-me quando for "masculino" usar saia, que eu adiro logo. "Espero que tenha bolsos...para esconder essas unhas, Guida".

Queres o quê???



Um vídeo hilariante de uma aula de inglês na Coreia, onde a professora - bem gira, por sinal - tem dificuldades em pronunciar "Coke". A melhor parte é quando a jeitosa diz "Please give me 'cock'; I want 'cock'". E quem se atreve a recusar um pedido assim?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

José Hermano Saraiva (1919-2012)


O dia que tanto temíamos finalmente chegou. Desapareceu um dos personagens mais queridos da televisão portuguesa, um dos nossos heróis: o professor José Hermano Saraiva. O historiador tem preenchido as nossas imaginações e despertado o nosso interesse pela História nos últimos 30 anos, e passou já várias gerações; tanto o meu pai, como eu, como o meu filho conheciam o professor tão famoso pelo seu donoro "Foi aqui!". Uma interjeição muito própria que já deixa saudades. A forma como realtou os factos - muitas vezes questionada por académicos - é irrelevante. Era das poucas pessoas que conseguia incutir o interesse na História de Portugal desde o doutor ao pobre ardina. Ninguém é eterno, e 92 anos é tempo suficiente para nos deixar um legado invejável, a que poucos portugueses poderão algum dia aspirar. Que descanse em paz, senhor professor.

Sim, é melhor falar do Benfica (e de coiratos).


Gostei do artigo publicado ontem por Carlos Morais José no Hoje Macau, especialmente no que toca à parte em que se fala so multi-facetado advogado Leonel Alves, que tem sido notícia pelos mais diversos motivos. Contudo sinto que a habitual frontalidade a que CMJ já nos habituou podia ter ido um pouco mais longe desta vez. Fica muito para dizer, mas não o censuro. Se calhar o melhor mesmo é falar no Benfica, que os outros assuntos são como o estrume fresquinho: quanto mais se remexe, mais fede.

Leonel Alves é uma figura que respeito e admiro. Quando cheguei ao território era já deputado na AL, apesar de ter na altura pouco mais (ou nem ainda, desconheço a idade do senhor) trinta anos. Era então o delfim do saudoso Dr. Carlos D'Assumpção. Nunca tive dúvidas que continuaria a ter um papel importante na Macau pós-transição, e de que nunca viraria as costas ao território. Mas desiludiu-me, para ser franco. Tornou-se assim uma espécie de lacaio do executivo, um apaga-fogos. Enfim, optou por ficar do lado da equipa que inevitavelmente ganha - ao contrário do seu Benfica, por exemplo.

Houve quem tivesse depositado esperanças em Leonel Alves, conhecido carinhosamente na comunidade macaense por "Neco". Só que o nosso amigo "Neco" está mais inclinado para juntar-se aos seus pangyaos do que á malta da terra, e quem o pode censurar? Money talks, bullshit walks. O que mais seria de esperar de alguém que é empresário, advogado, político e ainda por cima benfiquista? Muito pouco. É curioso no entanto a atitude passiva do causídico; perante resmas de notícias pouco abonatórias a seu respeito nas últimas semanas, e ainda por cima de fontes normalmente credíveis, diz apenas que "lhe dão vontade de rir". Ora como se dizia lá na minha terra, "ri-te, ri-te, que quando...", bem, não vale a pena ser ordinário. Eu cá prefiro torcer o nariz.

Portanto acho óptimo - e recorrendo desde já à linguagem futebolística - que se mande a coisa para canto, e que se fale antes do Benfica. Então quando é que vamos ter cá os vermelhuscos? E para quando a sede onde se podem comer uns coiratos (que saudades!) ou lamber uma bisca? Aí até eu ia, mesmo sendo assim mais azulado. E que jogadores do campeonatos distritais lá da tuga vão reforçar o Benfica de Macau este ano? Tudo coisas que a malta quer saber, em vez das negociatas com americanos e afins, que aquilo até é gente que não gosta de futebol, nem de coiratos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Vai tu!



Este vídeo foi recolhido da sessão da última segunda-feira da AL, e apesar de ter 13 minutos de duração, o mais curioso acontece logo nos primeiros segundos. Durante a chamada dos deputados, Fong Chi Keong deixa escapar um bem perceptível tio nei, o equivalente ao nosso bem português "fodasse". Isto enquanto os restantes srs. deputados riam todos bem dispostos, antes da ordem do dia. Fong já nos tinha habituado a outras pérolas bem demonstrativas da sua (pouca) inteligência e (nenhuma) graça, mas esta...bem esta até dá vontade de rir. Ah, ah, ah. O vídeo foi divulgado no YouTube no dia seguinte e partilhado no fóruma Conversas entre a malta, no Facebook, a quem desde já agradeço.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As brigadas de S. Paulo


Durante um pequeno período de férias que gozei recentemente para descansar, aproveitei para frequentar as Ruínas de S. Paulo à noite com alguns amigos filipinos. Fiquei assim a conhecer de perto esse grande "problema" de que se queixam os moradores da zona daquele património histórico: os "imigrantes do sudeste asiático que tudo sujavam e faziam barulho". É verdade que por ali, e todas as noites (mais ao Sábado) se juntam vários trabalhadores não-residentes originários das Filipinas - e não só, mas já lá vamos. Mas que façam baulho ou sujem a zona do património da UNESCO está muito longe de ser verdade.

Os filipinos juntam-se ali, comem, bebem umas cervejas, conversam, ouvem música nos iPhone, mas não fazem nenhum tipo de barulho ensurdecedor que não permita aos residentes da zona de S. Paulo dormir. Bebem, comem, depois arrumam tudo e vão embora. Se deixam lá algum lixo, este é recolhido pelos simpaticíssimos varredores do IACM qu tão gentilmente se disponibilizam para trabalhar naquela zona a altas horas da noite. Alguns dos tais moradores acusam os filipinos de "urinar na rua". Duvido que o cheiro lhes entre pela casa adentro, mas fico sem perceber porque é que a única casa-de-banho pública ali existente fecha por volta da uma da manhã, enquanto as do Mercado de S. Domingos e a anexa à estação central dos Correios, perto do Largo do Senado, estão abertas 24 horas por dia. De difícil explicação isto. Querem que as pessoas mijem onde? Nas calças?

Que eu saiba ainda não existe uma lei que proíba as pessoas de frequentar a rua a qualquer hora do dia, mas talvez quando isso acontecer os residentes de S. Paulo possam dormir descansados. Mas não se pense que são só os filipinos que ocupam as ruínas à noite; no topo das escadarias, vários resdidentes locais levam os cães a passear. Canídeos de todas as raças e tamanhos, de fazer corar de inveja um festival de adopção da ANIMA, a ladrar, urinar e defecar por toda a parte, e tentar fazer amor uns com os outros (isto para ser simpático), sem que no entanto isto pareça preocupar os residentes da zona. Quem sabe se os canitos valem mais que os filipinos?

Outra coisa que me surpreendeu foi o excesso de policiamento na zona àquela hora. Dois agentes em cima, dois em baixo, carros patrulha a passar constantemente, sem que isso realmente se justifique. Não vi lá nenhuma rixa, nenhuma altercação, ninguém a gritar, passar mal ou falar alto. A zona das ruínas de S. Paulo à noite é provavelmente a zona mais policiada e Macau. Tudo isto para quê? Não se percebe. Querem que os filipinos façam o quê nas suas horas de lazer? Que vão para o casino? Para a piscina do Hard Rock Hotel? Para o D2, como "toda a gente"? Fazem muito bem em frequentar aquela área, tão bonita e arejada. É que nem toda a gente vai para a caminha às dez da noite depois de ver a novela chinesa, sempre com a ideia de acordar cedo e fazer dinheiro, que é só o que vai por aquelas cabecinhas.

Casos de polícia


1) Uma notícia na edição de ontem do JTM chamou-me a atenção. O TJB julgou um caso de agressão levada a cabo no exterior de um estabelecimento de karaoke, tudo porque os intervenientes "não se conseguiam entender sobre a escolha de músicas", e então começaram a "disputar o microfone". É claro que nestes estabelecimentos de diversão nocturna há muito álcool e droga à mistura, e quem os frequenta com regularidade não é propriamente um anjinho - quem viu um estabelecimento de karaoke viu praticamente todos. Mas pronto, é esta a diversão que existe na RAEM, resume-se praticamnente a isto. Gostava de ter visto a cara do juíz quando as testemunhas relataram a causa da rixa, e se o magistrado terá noção dos mais recentes êxitos da pop chinesa. Quem sabe se assim era mais fácil decidir quem tem razão. Ai os estabelecimentos de karaoke, esses antros de vício...pior que as redes sociais! À atenção da Associação das Senhoras Democráticas.

2) Outra notícia que diverte mas não surpreende á a atitude de mais um taxista FDP que se recusou a apanhar três senhoras que se queriam deslocar ao Terminal marítimo da Taipa, mas que acabou por o fazer devido à insistência destas. Achando a viagem pouco rentável, o camelo do carro preto resolveu armar-se em parvo, reduzir a marcha, e finalmente abandonar as senhoras trancadas no interior do veículo com o capô aberto. Quando lá chegaram as autoridades o taxista alegou que "precisava de arejar o capô", e que - atente-se a isto - "não se apercebeu que tinha deixado pessoas dentro do táxi". Ohohoh. O espertalhão vai ser agora acusado da prática de sequestro.

3) A Reolian já faz parte do anedotário local. A terceira concesionária dos autocarros está praticamente todos os dias envolvida em algum tipo de happening, seja um acidente ou algum outro episódio mais caricato. Os motoristas da concessionária, ou "Reolianos", como alguém muito comicamente os chamou, já inspiram medo na população, e não há quem se atreva a desafiá-los nas apertadas estradas no território. Ouvi de certo opinador no outro dia que antes de começar a operar, a Reolian "avisou" para a falta de formação dos motoristas. Ora bem, se não tem condições, e ainda por cima sabe disso, porque começou a operar? Faz algum sentido? Num episódio recente completamente surrealista, que correu nas redes sociais, um motorista parou o autocarro com passageiros lá dentro para comprar o pequeno-almoço num restaurante da McDonald's. É preciso algum tipo de formação especial para saber que isto não se faz? Como alguém disse e muito bem, Macau é um território demasiado exíguo para que existam duas concessionárias de transportes públicos, quanto mais três. Isto da Reolian cheira a mais um daqueles negócios em que meia-dúzia mete o patacame ao bolso, e quem se lixa é o Zé-Povinho.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Na rede social


Enquanto a inspiração para novos posts não aparece - e já tenho alguns alinhados, a seu tempo - o Leocardo tem-se entretido a granjear aliados, o que é como quem diz, amigos no Facebook. Enquanto no anonimato os amigos naquela rede social eram pouco mais de 100, e agora são mais de 400. Resta-me agradeceer aos que aceitaram: obrigado e bem-hajam. Agora outros há que "não conhecem" o blogue mais famoso de Macau, e rejeitam o pedido de amizade com um seco "não conheço o indivíduo". Ora meus amigos, é uma vergonha ter uma ligação com Macau e não conhecer Bairro do Oriente. Em todo o caso agradecia que caso não queiram fazer amizade com o Leocardo, que não o abafem com queixinhas. Valeu? Até breve e um abraço!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Euro 2012: um balanço

Terminou no último Domingo o Euro 2012, a competição maior de futebol de seleções europeias, com mais uma vitória da aborrecida Espanha. Os "nuestros hermanos" (designação que me causa repulsa) venceram todas as equipas contra quem jogaram...menos Portugal. A selecção portuguesa, a que os velhos do Restelo prognosticavam uma saída prematura, chegou às meias-finais, batendo três seleções campeãs europeias, perdendo com a Alemanha no jogo inicial, e com a Espanha nas meias-finais, apenas na lotaria das grandes penalidades. Na falta de um Ricardo na baliza para realizar actos de heroísmo, Portugal ficou-se pelo top-4, um sabor amargo que fica na boca, pois Portugal nunca realizou uma exibição em que merecesse perder. Mais uma vez ficou comprovado que o grande busilis da nossa selecção é o ataque. Falta um ponta de lança, um concretizador, e Cristiano Ronaldo - o melhor jogador do Euro - não chega para as encomendas. Está de parabéns Paulo Bento, o treinador ideal para levar Portugal ao mundial de 2014 no Brasil. Quanto à final propriamente dita, foi um circo; a Espanha goleou a Itália no jogo provavelmente menos competitivo do torneio. A Espanha tinha goleado a Irlanda pelo mesmo resultado, mas pelo menos os adeptos irlandeses tiveram uma enorme demonstração de "fair-play". Os italianos choraram.

O melhor: Portugal, considerado por muitos o "dark-horse" do tal "grupo da morte", conseguiu fazer melhor que muitas seleções à partida mais cotadas, como a França, a Inglaterra ou a Holanda.

O pior: A Polónia e a Rússia. Polacos e russos degladiaram-se em campo e fora dele, demonstrando um ódio histórico que não fica nada bem na tribo do futebol. Felizmente froam os dois mais cedo para casa.

A desilusão: A Holanda. Os holandeses contaram com alguns dos melhores jogadores do ano, como Robben, Sneijder ou Van Persie, mas terminaram os Grupo B apenas com derrotas, a pior prestação de sempre dos holandeses em campeonatos europeus.

A surpresa: Além de Portugal, a Grécia. A selecção grega, sem o mesmo elan de 2004, cnseguiu a segunda melhor prestação de sempre, os quartos-de-final, perdendo com a Alemanha por 4-2. O treiandor português Fernando Santos confirma a preferência dos gregos, e deverá manter-se à frente da seleção helénica para a campanha do próximo mundial.

Revelação

Para quem ainda não sabia, ficou bem claro quem é afinal o Leocardo, na edição da última sexta-feira d'O Clarim, o jornal da Igreja Católica de Macau. O Luís Crespo, esse grande cão, é o sujeito que tem atazanado os queridos leitores já vai para seis anos. Queria agradecer ao Pedro Daniel Oliveira pela entrevista e à Ana Marques pelas fotos (que não ficaram assim tão bem, foi durante a hora de almoço e estava bastante sol). A todos muito obrigado, e desculpem qualquer coisinha.