sábado, 9 de junho de 2012

Arrancou o Euro 2012

Arrancou ontem o Euro 2012, a competição máxima a nível de selecções na Europa, e que este ano se realiza na Polónia e na Ucrânia. No jogo inaugural os polacos empataram a uma bola perante os combativos gregos, que ainda desperdiçaram uma grande penalidade na segunda parte, pelo nosso conhecido Karagounis. A Grécia, orientada pelo nosso conhecido Fernando Santos – mais respeitado em terras helénicas que no seu próprio país – promete mais uma vez atrapalhar as contas do Euro, apesar de ser a parcom a Irlanda a equipa com menos possibilidades de levantar o troféu em Kiev no próximo dia 1 de Julho em Kiev. Na outra partida do Grupo A, a Rússia goleou a Rep. Checa por 4-1, um resultado surpreendente pelos números. Os russos mostraram a sua força, apesar de terem uma selecção constituída praticamente por jogadores que alinham no campeonato russo (o “nosso” Izmailov é uma das três excepções). É caso para dizer que tarimba internacional não é sempre necessária. Hoje entra em acção a selecção portuguesa, que defronta nem mais que a Alemanha, que na minha humilde opinião é a grande favorita a vencer a prova. Para variar, existe uma onda de pessimismo em geral entre os adeptos da nossa lusa, o que é bom! O optimismo em excesso nunca foi bom conselheiro, e quem sabe se os rapazes desta vez tentam provar que estávamos enganados, mas para melhor. O facto dos portugueses terem sido a selecção que mais dinheiro gastou com o alojamento foi um mau começo: num país em crise como o nosso, isto é quase um insulto. Especialmente atendendo ao facto de que a Espanha, campeã europeia e mundial, optou mais uma vez pelo alojamento mais modesto. Mas em frente, que os jogos não se ganham no hotel. O grupo B não podia ser mais difícil; integrados com a Alemanha, Holanda e Dinamarca, vamos precisar de sofrer bastante para passar aos quartos. Vamos mesmo assim ter esperança que C. Ronaldo, Nani e cia. Provem que estão mesmo entre os melhores do mundo. Quanto ao Euro propriamente dito, acho lamentável que se realize na Polónia e na Ucrânia: o primeiro um país racista, uma espécie de quartel-general da extrema-direita europeia, e o segundo um país que não respeita os direitos humanos. Atribuir-lhes uma competição desta importância não chega a ser uma anedota. É um insulto. E já agora porque é que o jogo inaugural é na Polónia e a final na Ucrânia? A Polónia é de longe um país com mais tradições futebolísticas que a Ucrânia. Penso que aqui o dinheiro falou mais alto. Mas politiquices à parte, deixemos a bola rolar, e sigamos o Euro 2012, mais uma vez transmitido na íntegra pela TDM. Parabéns aos rapazes da Francisco Xavier Pereira, e boa sorte com os comntários – esse calcanhar de Aquiles. Um grande bem haja.

Fui a Chiang Mai...e adorei!

Salvé, caros leitores. Estive ausente do território durante cerca de uma semana, e regressei na quarta-feira de umas curtas férias em Chiang Mai, na Tailândia, aproveitando mais uma promoção da Air Asia e os seus abençoados vôos low-cost. Os leitores mais atentos vão achar graça, uma vez que tenho sido bastante crítico da Tailândia durante os anos, mas sempre com razão, diga-se de passagem. Chiang Mai fica no norte da Tailânsia, a uma hora e meia de avião da famigerada Bangkok e a uma hora de autocarro da Birmânia. Em Chiang Mai não há praia, o que é uma vantagem: todos os "praienses" - gente horrorosa - se abstêm de vir. O que há é templos, campo, bares, toda a pouca vergonha que se encontra no resto da Tailândia mas bastante mais lowdown, menos in your face do que em Bangkok. É assim: gosto de javardice e de pouca-vergonha como qualquer um dos mortais, mas prefiro procurá-la do que ela venha ter comigo. Em Chinag Mai é assim, temos massagens e "massagens", temos putaria q.b. para todos os gostos, mmas não somos abordados de dez em dez metros por vígaros siameses que nos tentam subtraír o dinheiro do bolso. O turista pode optar por uma calma noite em família ou numa espiral de sexo e de vício nos bares de má fama na zona do Night Bazaar, perto do Hotel Meridien (que recomendo). Um verdadeiro mimo, quando não se é obrigado a nada. A comida é fabulosa, e pode-se "fazer a festa" por qualquer coisa como 100 baht (25 patacas) por cabeça. Mesmo os condutores de tuk-tuk são bastante maleáveis, podendo-se negociar uma longa viagem gastando apenas 60 baht de uma ponta à outra da cidade. Em Bangkok os cabrões levam os turistas a lojas negras dos "primos" onde a roubalheira é a religião oficial. Por 20 baht (5 patacas) pode-se apanhar um autocarro, tipo vagoneta, para qualquer lado. É quase dado. As "thai massages" podem ser adquridas por 200 baht (50 patacas) por hora, e isto para quem quer fazer tempo até à hora do almoço/jantar, e depois perder-se nos prazeres da magnífica Chinag Mai. Recomendo a todos os Bangkok, Pattaya, Kho Samui, Phuket-dependentes: dêem uma chance a Chinag Mai.

domingo, 27 de maio de 2012

Suécia vence Eurovisão plea quinta vez

A Suécia foi a grande vencedora do 57º Festival da Eurovião, realizado ontem em Baku, no Azerbeijão. A canção sueca, "Euphoria" foi interpretada de forma soberba por Loreen, uma marroquina de origem, que venceu destacada sobre os "docinhos"do ano, as Babushkas da Rússia, um grupo de avozinhas que cantavam "Party Eeverybody", uma mistura de disco com folcore russo daquele mais fraquinho. Foi um ano relativamente bom comparado com os anteriores, com algumas interpretações a ficarem acima da média; dessas destaco a Irlanda, Grécia, Moldávia e lá está, a Suécia. Mais uma vez a votação foi altamente politizada, com vizinhos e aliados a distribuir pontos como se fosse ajuda alimentar. Mesmo assim Loreen pareceu recolher o consenso de telespectadores e júris da maioria dos países, e para o ano o Festival realiza-se naquele país nórdico. Fica aqui a canção vencedora.

A Bíblia é um plágio

Como hoje é Domingo, dia do Senhor, eis a minha contribuição. Vide este vídeo, ó crentes (Coitados...)

sábado, 26 de maio de 2012

Racismo (ele existe)



Estava no outro dia a ver o programa "5 para a meia noite", que passa agora nas manhãs de terça a Sábado na RTPi. O apresentador era o desengraçado Nuno Markl, e nele mais uma vez assistimos a piadolas sem graça sobre "os chineses", ainda na sequência da compra da EDP pela empresa "Três Gargantas", algo que parece incomodar os falidos lusitanos. Tenho pena que ainda seja assim. O nosso orgulho (ignorância?) ainda nos deixa olhar para os chineses como uns tipos "engraçados", exóticos e vilões. Ainda são os tais que figuram no pacote do pudim flan El Mandarin (que ainda por cima é espanhol), ou dos filmes de kung-fu. Os chineses ainda são os gajos dos restaurantes...chineses. Ou das lojas dos trezentos, agora chamadasas lojas dos chineses. Os chineses ainda são uma piada. Ahahah. E nós ali todos falidinhos da Silva. Ahahah. E eles a maior economia emergente do mundo. Ahahah. Dá mesmo vontade de rir. Aqui em Macau estamos mais que vacinados para isto. Quem vive no território há pelo menos 3 anos sabe que os chineses são um povo empreendedor, trabalhador e sério. Não há lugar para piadas e bocas racistas. Nós somos os convidados, e eles até nos respeitam, e na volta ainda querem aprender qualquer coisa connosco. Duvido que na televisão chinesa existam programas onde façam piadas sobre os tesos dos portugueses, que imploram que lhes comprem a dívida, que se afundam na miséria e no desemprego. Enfim, os chineses não têm tempo para isso. Se calhar a maioria deles nem sabe onde Portugal fica, e se isso pode ser entendido por ignorância ou falta de cultura geral, também pode ser entendido por desprezo. Desprezo do bom e do fresquinho. Deste lado, dos do oumunian, existe uma espécie de descriminação com que deparo todos os dias. É sabido que os chineses não gostam muito de misturas, e ainda é-lhes difíci axceitar casamentos mistos, com estrangeiros ocidentais ou africanos. A coisa não muda muito de figura quando se trata de imigrantes do Sudeste asiático. Falo das filipinas e das indonésias. Não é muito normal um chinês de Macau casar com uma filipina ou indonésia, e basciamente - e isto chamando os bois pelos nomes - porque elas são consideradas "sujas". Isto tem a ver com um tipo de preconceito antigo, a ver com as tankaian, ou tancareiras, ou seja, a versão macaenses das "boat people". As tancareiras eram mulheres originárias da China continental que imigraram para Macau sobretudo depois dos anos 40. Viviam em embarcações estacionadas na zona do Porto Interior, eram bronzeadas do sol e cheiravam a peixe podre. Muitos portugueses, especialmente soldados, casaram e miscigenaram-se com elas, dando origem a muitos macaenses que ainda hoje são vivos. Mas quanto aos chineses que não eram "boat people", estes sempre lhes deram uma grande dose de desprezo, que passou para as tais imigrantes do Sudeste Asiático. Os oumunian preferem as mulheres "branquinhas", se bem que, e falo pro experiência própria, branqura de pele nunca foi sinónimo de higiene. São preconceitos com que convinha acabar. Porque não?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Papa e o infiel

No plano oposto, neste caso, no anonimato, temos o «moscardo» da blogosfera, ou seja, o autor do «Bairro do Oriente». O Leocardo (nome pelo qual assina) teve tudo para ser um nome de referência da blogosfera lusófona. Contudo, parece que lhe subiu a fama à cabeça, por causa das citações e/ou das entrevistas nos Órgãos de Comunicação Social, de Macau e de Portugal. Como resultado, decidiu entrar numa onda mais «heavy», com «posts» xenófobos e, quiçá, ofensivos. Terá sido, assim, a forma que escolheu para chamar ainda mais à atenção! O certo é que terá sido silenciado, talvez por alguém; porventura, ele próprio percebeu que tinha de se acalmar durante alguns meses. Leocardo reapareceu, entretanto, mais ponderado nas suas observações (em vários casos bastante interessantes), supostamente, por estar agora a tomar os medicamentos a tempo e a horas! E aí está! Quem é vivo sempre aparece! O Papa Pedro Daniel das Oliveiras, calvo escrevinhador d'O Clarim, semanário da Igreja Copofónica, resolveu lembrar-se deste vosso servo num artigo (mais um) sobre a blogosfera. Fiquei comovido, a sério, cehgou-me uma lágrima ao canto do olho. Apesar do blogue andar a meio-gás, ainda bem que alguém ainda se lembra que existe. Quanto àquilo de que o PDO me acusa (?), fico confuso. Confesso que a primeira reacção que tive quando li este pequeno parágrafo foi rir. Achei piada. Primeiro quanto à queestão do anonimato: a minha identidade é um segredo de polichinelo; já muita gente sabe quem eu sou realmente, e quem ainda não sabe é porque não fez um pequeno esforço para saber. Curiosamente ainda ninguém me "partiu a cara", ou "os dentes", como havia sido prometido. Foram mais as nozes que as vozes, ou mais olhos que barriga. Depois o Kojak d'O Clarim passa ao ataque. "Posts" xenófobos e ofensivos? Silenciado? Isso da xenofobia tem muita piada. Que me lembre foi um elemento da redaccção desse jornal que se candidatou às últimas eleições legislativas pelo círculo fora da Europa por um partido conotado com a extrema-direira e a xenofobia. Silenciado? Silenciado foi esse jornal o ano passado a propósito de um certo caso relacionado com sepulturas. Pode-se mesmo dizer que n'O Clarim se fez um silêncio sepulcral. É caso para se usar a velha máxima: "quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho". Ou neste caso, telhados de papel vegetal muito fininho. Quanto ao meu "desaparecimento", já o expliquei. A minha vida mudou muito nos últimos oito meses a nível pessoal e profissional, o que não e permitiu actualizar o blogue com a mesma regularidade com que o fazia. Aliás a ideia inicial foi acabar com o blogue, mas mesmo assim com muito esforço o actualizo quando considero pertinente. Quanto às "bocas" da medicação, olhe meu caro, tomo sempre que estou doente, como um bom menino. E levo sempre o guarda-chuva quando chove, pois não gosto de andar com o cabelo molhado. Penso que o meu amigo não terá o mesmo problema. Sorte sua...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CTM - Continua Esta Merda

"Não batam mais no ceguinho", é o que se pode dizer da CTM hoje me dia. gora imaginem que pagavam a este ceguinho" por um serviço que não presta, sem que exista outro invisual por onde escolher? É a isto que chegámos: a CTM presta um mau serviço, e o Governo (sim, a culpa é do Governo) fica de braços cruzados. Macau, o tal oásis por onde a crise económica mundial não passa - ou pelo menos oferece sedativos contra a mesma - tem um serviço de rede móvel e internet digno do Burkina Faso ou do Butão. E não sei se não é pior, não sei o que passa nesses países. A verdade é que na última segunda-feira houve mais um apagão, 17 mil clientes ficaram sem rede durante mais de duas horas, e tudo por causa de um "erro humano". Um funcionário reiniciou o controlador da rede remota, e oops, ficaram milhares de clientes incomunicados. Se calhar foi o filho de um funcionário, a pensar que o tal controlador era alguma PlayStation e então apeteceu-lhe brincar. Sabendo que existem pessoas que não passam cinco minutos sem usar o telemóvel, deve ter sido uma "ressaca" descomunal. A CTM não planeia oferecer descontos ou outras benesses para compensar por mais esta merda que fizeram. E porque haviam de oferecer? O que podeis fazer? Mudar de serviço? Optar por outra companhia? Nãããoooo...não tendes opção. Viver com a CTM é como sobreviver a um naufrágio e ficar numa ilha deserta com o nosso pior inimigo. São os monopólios desta vida...

sábado, 12 de maio de 2012

Teve diabo?

Subiu ontem ao palco do Centro Cultural de Macau a peça em Patuá “Aqui Têm Diabo” – crónica dos bons fantasmas”, mais um – sempre aguardado – trabalho dos Doçi Papiaçam di Macau, o grupo de teatro amador da língua maquista liderado pelo incansável Miguel Senna Fernandes. Tinha muita curiosidade sobre o que ia encontrar este ano, uma vez o tema era ambíguo: almas do outro mundo e superstições. Ao contrário de temas de outros anos anteriores, como os pandas, a culinária macaense, os casinos ou os advogados, este podia ser sobre qualquer coisa…ou nada. E não foi mesmo nada de especial. Não fica fácil criticar o trabalho dos Doçi, uma vez que nos trazem algo de único e original. É importante preservar vivo o patuá como anexo da identidade macaense, nem que seja apenas a mexer os olhinhos, e os Doçi fazem isso melhor que ninguém. Posso afirmar sem espécie de dúvida nenhuma que o fim destas peças anuais deste grupo amador seria o fim do patuá. Isto é como visitar um tio ou um avô distante que vemos uma vez por ano. Mas isto não significa que não possamos também ser críticos e exigentes, portanto vamos ao que correu mal ontem. Ao contrário de anos anteriores, o enredo não foi encadeado, ou seja, não existia uma trama central. Existiam quatro histórias, um tanto ou quanto ao estilo de “Twilight Zone”. Umas foram mais bem conseguidas que outras, e as interpretações foram também inconsistentes. A primeira parte era intitulada “Busca Vôs” (À tua procura). Começamos com uma introdução dada por dois fantasmas, interpretados por Luís Machado e Alfredo Ritchie. Fiquei com pena de que não de pudesse tirar mais destes dois experientes actores, que ficaram encarregados de fazer a “crítica dos costumes” habitual nas peças do patuá. Ficou a sensação de que havia pouco para falar. Chegaram mesmo a haver momentos de silêncio desconfortável na plateia. Este ano o risómetro registou um dos níveis mais baixos de sempre. “Busca Vôs” introduziu nestas andanças do patuá quatro jovens actores da Escola Portuguesa de Macau. Os miúdos estiveram bem, e Miguel Senna Fernandes esteve ainda melhor em iniciar estes jovens no “doce veneno” da representação na língua maquista. Gostei especialmente de Vera Amorim no papel de espírito. Fez-me lembrar um Olívia do Rosário dos outros tempos. A aposta na juventude foi uma aposta ganha; a plateia divertiu-se sem se importar muito com o argumento propriamente dito. Um conselho ao jovem Hermes Trabuco: mais naturalidade, s.f.f.. Quedas e cambalhotas até não ficam mal, mas um pouco mais de teatralidade e menos slapstick davam melhor resultado. O segundo sketch foi o meu favorito. “Mofino di Câxa”(O feitiço das caixas) foi de longe o mais hilariante, o mais divertido, o mais original. Nesta cena brilhou Marina de Senna Fernandes, irmã do “vosso próprio”, que merecia quase um Emmy para melhor actriz em musical e comédia. Em resumo, Natalina é uma recém-viúva que leva as cinzas do marido para casa. Numa última noite com o defunto, experimenta vários orgasmos (isso mesmo, os Doçi ultrapassaram a última fronteira!) com a alma do de cujus. Entretanto um funcionário do crematório, Crispim (Carlos Alberto Anok Cabral) bate-lhe à porta dizendo que houve um engano e que as cinzas tinham sido trocadas. Marina, mais preocupada com o próprio prazer, manda Crispim embora com a cinzas do seu falecido (interpretado por Aleixo Siqueira, que dava para fazer de Adolf Hitler), e regressa aos prazeres carnais com o fantasma desconhecido, interpretado pelo nosso Daniel Pinto, vulgo Dani. Gostei do detalhe mórbido-erótico da cena, da insinuação do sexo interracial, foi um momento muito bem conseguido. Seguiu-se ”Vai Casa” (Leva-me para casa), um sketch que apostava na crítica social, nomeadamente (e mais uma vez) aos turistas da China continental. Neste sketch temos José António Carion Júnior e Sheroz Pernencar no papel de dois malandrecos maquistas sempre dispostos a ganhar umas massas, e um fantasma muito “dread”, interpretado por Herman Comandante. Para mim este foi um dos grandes erros deste ano. Herman Comandante tem talento para um papel muito melhor do que o de uma alma penada inspirada no E.T. que fala chinês com uma voz fininha. Mesmo assim, as maiores risadas foram arrancadas por Lou Pui Leong, um veterano dos Doçi, que faz o papel de um guia turístico desleixado e indiferente, que improvisa momentos da história de Macau que foram um dos momentos altos da noite. Mais uma vez, muito pouco para quem esperava rir mais. Aproximava-se o intervalo, e eis que acontece mais uma “banhada”. Durante o vídeo que encerrava a primeira parte, falhou o VT do Centro Cultural, e intervalo de dez minutos deixava muitos ombros encolhidos. Lá fora no fumatório ouviam-se críticas menos positivas. De regresso ao Grande Ausitório, vimos os vídeos, sempre um momento alto no espectáculo. O primeiro, apresentado por Germano Guilherme (que saudades!) versava sobre a nova lei do tabagismo. Foi mais ou menos bem conseguido. O segundo vídeo foi um trailer de oito minutos sobre um putativo filme de terror (Sozinho), em que ficámos decepcionantemente sem saber quem era o assassino. Mesmo assim parabéns a Sérgio Perez que brilhou mais uma vez no departamento da realização. A última parte foi um verdadeiro “tour de force”. O sketch era ambicioso: “Porta-porta di casaram” (Mansão de duas portas), que contava a história de dois arrendatários da mesma casa que tinha duas entradas por ruas diferentes – algo muito comum em Macau. Neste sketch Miguel Senna Fernandes mete a carne toda no assador: Rita Cabral, Sónia Palmer e a lindíssima Nair Cardoso no papel de uma família macaense, e o estreante Vitor Quintã e Ana Cardoso no papel de um casal luso-macaense, que deixou muito a desejar. Fátima Gomes brilhou no papel de uma mestre de feng-shui que estabeleceu contacto com uma alma do outro mundo, intepretada por Rui Carreiro. Deste último tenho a dizer o seguinte: é o melhor casting feito para o papel de vampiro ou alma penada, e nem precisava de maquilhagem. Só o sotaque micaelense já dava para assustar. Ficou a saber a pouco, e foi provavelmente o trabalho menos bem conseguido desde “Sorti Doçi”, de 2008. Faltou o talento de alguns habitués, como Paula Carion ou Miguel Khan, relegados para os bastidores, ou de José Luís Pedruco Achiam, este ano completamente ausente. Passou-se alguma coisa? Vou voltar para o próximo ano, altura em que os Doçi celebram os 20 anos de representação. Miguel Senna Fernandes promete algo de “especial”. Mas sinto que qualquer coisa melhorzinha que a peça deste ano já seria mais que suficiente.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A geração dos curvadinhos

Um pouco por todo o lado vemos os zombies com os seus respectivos aparelhos de bolso. Falo dos indígenas de Macau e os seus telemóveis, a que passam a vida agarrados, quer seja na rua, no autocarro, nos cafés ou nas repartições públicas. Não há quase ninguém - com a excepção de eu próprio e poucos mais - que não tenha aderido aos iPhones e afins e se mantenha concomitantemente ligado à rede, normalmente perdendo tempo em coisas inúteis. Não admira que as pessoas estejam cada vez mais desumanizadas e respondam apenas a impulsos ditados por beeps de mensagens de chatrooms, sejam eles o Facebook ou tal de Watzup, tão popular entre os locais. Não percebo a necessidade de partilhar fotografias de porras inúteis, mensagens parvas e outras palermices que retiram horas de vida diárias que podiam ser usufru'ídas de outra forma...sei lá...a fazer amor ou através de outras formas de contacto humano. Às vezes até desejo que seja verdade aquilo que dizem sobre a relação entre as radiações do telemóvel e os tumores cerebrais. Não me levem a mal, mas só para que as pessoas despertem e levantem a cabeça de vez em quando.

O Grito sai caro

"O Grito", de Edvard Munch, é a partir de agora o quadro mais caro do mundo. A obra-prima foi leiloada por qualquer coisa como 120 milhões de dólares, um preço astronómico. Não é preciso ser um amante de arte para conhecer a pintura datada de 1895, um quadro um tanto ou quanto tétrico, com o seu quê de psicodélico antes do tempo. Quando estava no Liceu um professor perguntou-nos qual era o nosso pintor favorito, ao que respondi "o Américo". Perante a perplexidade (e ignorância!) do meu professor, expliquei-lhe que o Américo era o gajo que pintou a cozinha lá de casa no Verão antes, e sem deitar um pingo de tinta! Isto apesar do chão estar completamnete forrado de jornais. O Américo tinha também talento, mas é "O Grito" do Munch que vale os tais 120 milhões de dólares. Não que o senhor possa agora aproveitar um centavo que seja da sua obra...

domingo, 15 de abril de 2012

Tragédia em Itália


A morte voltou aos campos de futebol, desta vez em Itália. O jogador do Livorno, Piermario Morosini, teve uma paragem cardíaca durante um jogo da série B em Pescara. O jogador tinha 25 anos, estava emprestado pela Udinese e foi internacional sub-21 pela Itália. Os jogos do futebol italiano marcados para este fim-de-semana foram cancelados devido ao incidente.

sábado, 14 de abril de 2012

Vídeo da semana


Passou a Páscoa, e Jesus ressuscitou! E ao som de "ai Se Eu Te Pego"! Muito na moda. É difícil explicar a origem deste vídeo, ou onde isto se passou, visto que os comentários do vídeo foram desactivados. Provavelmente devido a comentários menos simpáticos de religiosos que mais uma vez demonstraram a sua "tolerância" para este tipo de brincadeiras...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Faz confusão


Passou recentemente no canal Jade de Hong Kong uma reportagem sobre cinco mulheres, de idades entre 28 e 40 anos, todas solteiras, em que se falava das suas escapadelas amorosas e daquilo que esperam dos homens. Fiquei deprimido, sendo que pelo menos duas delas eram até bastante giras (as restantes percebe-se porque são solteiras...), mas estão presas em conceitos arcaicos que infelizemnte ainda vigoram nesta sociedade chinesa de Macau e de Hong Kong, que se quer moderna. Penso que a China continental é até bastante mais liberal neste sentido do que estas regiões administrativas especiais, por mais estranho que isso possa parecee a um leigo sobre assuntos sínicos. Alguém de fora deve pensar que na China a sociedade é mais fechada e conservadora que em macau e em Hong Kong. Mas antes pelo contrário.

E o que esperam estas mulheres de um homem? Muitas delas um homem que não existe: trabalhador, responsável, fiel (ah, ah, ah) e que lhes dê toda a atenção do mundo, em regime de completa exclusividade. Em suma, que coma calado. Uma delas queixava-se que os homens "querem mulheres dóceis, sem personalidade". No shit Sherlock. É assim tão estranho que um homem prefira uma mulher dócil a uma chata? E isso da "personalidade" deve querer dizer "refilar por tudo e por nada", e quase sempre sem razão. Não admira que esta seja a tal que tem 40 anos, e continua "encalhada". De tanto escolher e esperar pelo príncipe encantado, um dia acaba por morrer sozinha e só se descobre o cadáver quando os vizinhos se queixarem do cheiro à polícia.

Quase todas concordaram que "as discotecas e os clubes nocturnos são um mau sítio pra encontrar homens", poeque lá estes procuram "sexo casual", e elas "preferem proteger-se". Não é novidade nenhuma para ninguém que os homens que frequentam locais de diversão nocturna procuram sexo casual, e diabos me levem, algumas mulheres também! Não há nada de errado com o sexo casual, ou o "one night stand" na sua versão inglesa, desde que ninguém seja obrigado a nada. Agora não percebo porque é que estas meninas foram a uma discoteca com a esperança de encontrar um homem para casar. Não há nada de errado também em ter vários relacionamentos, e é bastante difícil - utópico, até - querer acertar à primeira. E que mal há em ter vários relacionamentos, mesmo para as mulheres? Não vem escrito na testa com quantos homens dormiram.

Conheço pessoalmente casos de meninas que namoraram vários anos com homens que depois as deixaram, e não conseguiram "voltar a amar". Muitas delas estão já bem na casa dos 30 anos, e têm medo "de se entregar" novamente. Isto deve-se a um sistema de ensino e uma educação familiar que ensina que o sexo é procurado pelos homens e as mulheres são as "vítimas". É um conceito ultrapassado e bacoco de que o prazer sexual é exclusivo dos homens e as mulheres devem contentar-se em encontrar um homem que "cuide delas". Uma mulher que não se envergonhe em assumir a sua sexualidade é imediatamente catalogada de prostituta. Uma mulher que faça um aborto - e existem bastantes, só que é tudo dissimulado - é uma "desgraçada", uma "mulher fácil".

Isto tudo rodeado de imensa hipocrisia. Entre a sociedade chinesa, mesmo a de Macau, existem mulheres fáceis, homens prevertidos, violadores, pedófilos, pornografia, sexo casual, adultério, filhos ilegítimos, divórcios, tudo o que existe em qualquer outra parte. Só que para eles é tudo uma cosanostra, e o mais importante é a "face", ou seja, é melhor parece-lo do que sê-lo. Os abortos, os abusos, todos esses "crimes" ficam entre as quatro paredes de casa, e se mais alguém sabe é uma "desonra". Curiosamente os japoneses há muito que deixaram este tipo de preconceito e celebram o sexo como uma coisa bastante banal. É caso para dizer que enquanto os japoneses são a Madonna, os chineses ainda estão na fase Gandhi: longe de serem inocentes, mas com uma capa imaculada.

Entende-se que a sociedade chinesa tenha saído apenas recentemente de um contexto histórico complicado. Enquanto no Ocidente se davam os "sixties", na China acontecia a Revolução Cultural. Enquanto o Ocidente curtia o "disco sound", a China começava apenas a abrir-se para o mundo. É difícil exigir que os chineses se comportem como os europeus ou os americanos, mas era importante que a nova geração começasse a derrubar estes preconceitos. Foi uma pena que o sistema de educação tivesse sido entregue maioritariamente a católicos e comunistas, inimigos da liberdade, e que oprimiram estes agora jovens desde a mais tenra idade. Isto faz-me confusão. E permitam-me que fale também pelo prezado leitor: faz-nos confusão.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Iscas com elas


Quando era chavalinho, vivia longe da escola, e almoçava com regularidade na cantina. As cantinas escolares, uma daquelas "despesas" com que os novel-anti-despesistas lá do rectângulo querem acabar, eram um mimo. Quantos jovens cresceram fortes e saudáveis a comer aquelas sopinhas e aqueles pratos quase-caseiros que vinham com pão e fruta e tudo? E se fossem simpáticos com a "xôra contínua" ainda podiam repetir. Que saudades daquelas malgas de metal, que os sádicos raspavam até ao fim com a colher para irritar as meninas com os dentinhos mais sensíveis. Não era apenas o valor nutricional da comida que contava; era também a camaradagem. O almoço era quase sempre uma festa.

As refeições eram sempre deliciosas - sou boa boca e gostava de tudo - mas dias havia em que a cantina estava praticamente vazia. Isso mesmo, quando havia peixe, favas ou iscas. Tudo coisas deliciosas. Por outro lado a cantina estava sempre cheia quando o prato era "de carne", o que me levava sempre a pensar que os meus colegas eram pobrezinhos e famélicos, e não comiam carne em casa. Quando era "frango assado", por exemplo, as senhas (que custavam qualquer coisa como 100 escudos no início dos anos 90) esgotavam num ápice. Coitadinhos do frangos, que eram devorados desde a pele quase até ao tutano. Mas voltemos aos pratos que os putos "detestavam".

As iscas, por exemplo, são uma iguaria bem portuguesa e bastante original. Sou grande adepto das nossas Iscas com Elas - "elas" serão as batatas cozidas que ficam um mimo quando ensopadas no molho das iscas. Quase toda a gente que conheço que detestava iscas quando era pequno come iscas agora. Tem piada que quando se era jovem e não se pensava no colesterol e no mal que todas as coisas que sabem bem fazem. Talvez a razão dos mais novos (ainda) não gostarem de favas é o facto de ser "fígado". Isso do fígado tem muito que se lhe diga. Na não menos deliciosas canja de galinha com miudezas, ninguém quer que lhe calhe o fígado. O coração e as muelas sim, mas o fígado é como a fava do bolo-rei (outra coisa que os mais novos não gostam).

Muitos de nós que viemos para Macau já comemos coisas que nunca nos passou pela cabeça comer. Pior que as tais iscas que tantos rejeitámos na escola: intestinos de galinha, barbatanas de tubarão, placentas de peixe, coisas asquerosas que nunca figurariam no menu da cantina da escola. Quem não trocaria isto por coisas como salada de orelha, pézinhos de coentrada, peixe-espada frito com arroz de tomate ou salada de ovas? Tudo petiscos divinais. Quanto às iscas propriamente ditas, como de vez em quando para matar saudades. Mas tive a minha dose de cavalo quando era pequeno, e é por isso que sou um rapaz tão bonito e saudável. Por isso deixo o meu conselho aos adolescentes imberbes: comam iscas, enquanto ainda podem.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ena Pá 2000 - O Álbum Bronco


"O Álbum Bronco" é o muito aguardado novo álbum de originais dos Ena Pá 2000, lançado em finais do ano passado. Sete anos depois de "A Luta Comtinua", a banda do génio Manuel João Vieira regressa com 19 temas originais, e "mais qualquer coisinha". O disco abre logo com um tema forte, PDF, dedicado aos internet-maníacos por esse mundo fora. Segue-se Lulu, um tema dedicado a um cão homossexual, e depois Mulher Portuguesa, um dos temas fortes do disco, anteriormente tocado em concertos. Além deste, também passaram à eternidade outros temas já conhecidos, como Os Marcianos, Psicólogo de Coisas (anteriormente conhecido por "Psicólogo de Putendas"), Dentro das Montanhas, e Um Gajo Normal, que aqui conta com a participação especial de Tim, dos Xutos & Pontapés. Outra participação especial é a de Rui Reininho, dos GNR, que faz dueto com MJV em De Pernas Abertas nas Desertas. São vários os temas de amor, como Ela, Canção de Amor, Coisinha Boa, Chuva Dourada, ou Barco do Amor. Amor directo e javardo, como se quer dos Ena Pá 2000, a maior banda portuguesa de todos os tempos. Não faltam também os temas de inspiração tropical, como Rastaman e Imbondeiro (anos 80). O disco termina com Que Raio de Merda é Esta, uma homenagem ao rock sinfónico. As faixas 20 e 21 são respectivamente uma versão soft e outra hard de Mulher Portuguesa e Psicólogo de Coisas. Manuel João Vieira justifica isto pelo facto das rádios inibirem-se de passar músicas dos Ena Pá que "tenham muitas caralhadas". E caralhadas, a bem dizer, é o que não falta n'"O Álbum Bronco". Um deleite para os fãs, e um disco que já fazia falta.

domingo, 8 de abril de 2012

Mais uma Páscoa...


E está aí mais uma Páscoa, meus amigos, que por incrível que pareça, voltou a cair ao Domingo. Já dizia a minha avó quando se zangava: "Ai que temos a Páscoa ao Domingo". Este ano vamos ter aqui em Macau um feriado amanhã, para que possamos...erm...festejar o Pessach mais condignamente (invejosos, tugas?). Na Páscoa é suposto celebrar-se a alegada crucificação e ressurreição de Cristo. Segundo a Bíblia, Cristo ressuscitou "três dias depois". Os cristãos não são lá muito bons a matemática, uma vez que Jesus (outra vez, alegadamente) morreu numa sexta-feira, e alegadamente ressuscitou no Domingo. Três dias? Bem, adiante...

Um pouco por todo o mundo assistimos a várias tradições pascais. Este ano aprendi que em Castelo de Vide, no Alentejo, é feita uma tal de "imolação do borrego", um acto de crueldade contra os animais, onde um borrego é chacinado brutalmente em praça pública. Um dos populares disse para o 24 Horas que "é triste assistir a este acto de crueldade, mas tem que ser...". Tem que ser? Depois são estes mesmos indivíduos que se dizem contra as touradas. Tivesse sido Cristo um toureiro, e "pronto, tem que ser". Olé e aleluia.

Depois no estrangeiro um pouco do mesmo todos os anos. Nas Filipinas e outros países atrasados da América Central assistimos a actos arcaicos de auto-flagelação e outros rituais completamente desnecessários, e hipocritamente condenados pelo Vaticano. Digo hipocritamente porque, afinal, onde é que o Vaticano encontra outras formas de devoção incondicional como estas? Mais uma vez o Papa fez um apelo à paz - como lhe é habitual nesta época - mas mais uma vez o número estava impedido. É possível que as pessoas se sintam mais pacíficas na Páscoa, assim como no Natal, mas depois disso voltamos sempre à cepa torta. O que mais me surpreendeu este ano foi o desespero do ditador venezuelano Hugo Chávez, que pediu a Cristo que o "deixe viver", mesmo com dores, e que está disposto a "carregar cem cruzes". Credo.

Quem esfrega mesmo as mãos de contente durante a Páscoa são os comerciantes chocolateiros. Por uma razão que pouca gente conhece (e é fácil pesquisar) existe uma procura exacerbada de ovos...de chocolate...com bonbons lá dentro...e amêndoas cobertas com açucar. É interessante. É a fúria do açucar. Sem querer estar a chover no Domingo santo de toda a gente, resta-me desejar a todos uma santa Páscoa, que eu não acredito em bruxas, pero que las hay, hay.

Porto mais perto do título


O FC Porto ficou ontem mais perto do título ao vencer no Estádio AXA o Sp. Braga por uma bola a zero. O único golo do encontro foi apontado por Hulk - o melhor jogador em campo - aos 54 minutos. O Porto tem agora cinco pontos de vantagem sobre os bracarenses e quatro sobre o Benfica, que só joga amanhã em Alvalade, quando faltam quatro jornadas para o fim da prova

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Bom páscoa, boa Páscoa


Portugal, como se sabe, está na merda. Não é nada contra o país que me viu nascer, e onde vivi até aos 18 anos, mas não existe outra definição para o actual estado de coisas do que "na merda". E não existe no futuro próximO uma perspectiva de melhoras. Mesmo os mais optimistas dizem que isto é uma "coisa de um ou dois anos", mas a verdade é que não me lembro assim de nenhum período recente de prosperidade. O país está mesmo "entregue à bicharada", prosseguindo numa linguagem mais popular, e muitos portugueses optam por sair do rectângulo e procurar a sorte noutro país onde não estejam "a trabalhar para o boneco" (aí está...), onde sejam valorizadas e onde o pilim caia de forma certa e assídua no fim de um mês de trabalho. Trabalhar custa, sabe melhor ficar na cama ou passar o dia no café a jogar bilhar e a beber cerveja, e quando "nos vão ao bolso" custa ainda mais.

Recentemente passou pelo território o deputado pelo círculo fora da Europa, Carlos Páscoa Gonçalves (um nome muito apropriado à época), um senhor com um sotaque que não deixa muitas dúvidas quanto ao seu país adoptivo - o Brasil. Páscoa defende que os portugueses "são mais felizes" no seu país de acolhimento do que em Portugal, e não é para admirar. Aliás é de saudar que alguém deixe o país onde estão as suas raízes, muitas vezes a sua família, os seus amigos, a namorada e o cão. Sair deixa saudades, saudades do nosso clima (o melhor do mundo), a nossa culinária (a melhor do mundo), tudo menos dos nossos políticos (os piores do mundo). Ninguém gosta de mudar para pior, e pior que Portugal agora é difícil. Portanto há que valorizar os nossos emigrantes, os melhores do mundo. Menos os malandrecos, que os há, mas esses não entram para a estatística.

O caso de Macau é muito particular. Em 1999 tivemos um êxodo de portugueses receosos quanto ao futuro da nova RAEM, qualquer coisa com um misto de ressabiamento colonial e receio pelo gigante chinês, o que se veio a provar ser um disparate. Muitos arrependeram-se e voltaram - são os re-retornados, sem o sentido derrogativo que a palavra "retornado" tinha há 30 anos. Quem se fartou da parvoíce que grassa lá por Portugal e quis voltar para Macau fez muito bem. É muito bem-vindo. Quem já tinha o BIR tem uma vantagem, pois na RAEM encontra mais facilmente um emprego (um emprego, não um "trabalho"), e pode susufruir de todas as maravilhas que Macau tem para oferecer: os cheques, os subs;idios, os descontos, tudo isso. Quem já viveu em Macau e ainda anda por Portugal a apodrecer, do que está à espera?

Os novos tugas que chegaram à RAEM nos últimos anos. Apesar das tentativas foleiras de apagar o passado, Macau continua a ser um dos polos da lusofonia, e quem fala português tem - ou devia ter - uma vantagem histórica sobre quem fala, por exemplo, inglês ou outra porra qualquer. Sejam todos felizes e com sucesso, seja na '`rea do direito, da hotelaria ou outra coisa qualquer, desde que venham contribuir para o desenvolvimento e para o futuro desta terra que recebeu também o nome de "Santo Nome de Deus". E quanto aos que preferem ficar em Portugal, que o tal Deus os ajude. E já agora boa Páscoa.

Óleo podre na China


A polícia chinesa apreendeu mais de 3200 toneladas de óleo falsificado feito a partir de carne decomposta de animais e orgãos internos, anunciou o Ministério de Segurança Interna. Mas de 100 pessoas suspeitas de fabricar o óleo foram detidas numa operação levada a cabo pela segurança alimentar durante o mês de Março em duas municipalidades e quatro províncias. Foram descobertas 13 fábricas em que basicamente se produzia óleo a partir de carne podre. Em Outubro último os residentes de Jinhua, província de Zhejiang, queixavam-se de um odor a podre vindo de uma fábrica nos arredores da cidade, e suspeitaram que se produzia ali óleo para consumo humano. Depois de um investigação de cinco meses, a polícia descobriu que um grupo liderado por um tal de Li Weijian produzia óleo a partir de carcaças de animais e orgãos internos numa oficina improvisada.

O óleo era vendido a comerciantes da província de Anhui e Jiangsu, e do município de Chongqing, e utilizado em restaurantes para o tradicional ta pin lou, uma iguaria consumida especialmente em dias mais frios. O grupo de Liu ganhou mais de 10 milhões de yuan com o negócio entre Janeiro e Novembro de 2011. Apesar da China ter lançado uma campanha nacional contra este tipo de escândalos alimentares em Agosto do ano passado, têm sido vários os incidentes registados, desde óleo feito com resíduos de esgotos, até aditivos e corantes ilegais encontrados em carnes vermelhas, especialmente as suínas. Não existe na China um mecanismo funcional que permita o controlo de qualidade desde a produção à distribuição e transporte, e muitos empresários sem escrúpulos aproveitam estas falhas para obter lucro fácil. Contudo o governo promete intensificar a fiscalização, apesar de muitas vezes os consumidores ignorarem os riscos que correm ao consumir qualquer coisa tão simples como um ta pin lou. Nem os restaurantes mais conceituados escapam à fraude.

Sporting in, Benfica out


O Sporting qualificou-se ontem para as meias-finais da Liga Europa, ao empator em Kharkiv frente ao Methalist a uma bola, depois de vitória por 2-1 em Alvalade. Os leões voltaram a saber sofrer, pois apesar de marcarem primeiro por Wolfswinkel no final da primeira parte, consentiram o empate na segunda, e ainda lhes valeu Rui Patrício, que defendeu um penalty (mal assinalado) de Cleiton Xavier). O Sporting vai encontrar nas meias o Athletic Bilbao, o clube basco por excelência, que eliminou o Schalke 04. Caso vençam, encontram na final o Valência ou o Atlético de Madrid, que disputam a outra meia-final. É o Sporting numa taça de Gaspacho.


Обзор матча "Челси - Бенфика" 2:1 发布人 FootballGovno
Menos sorte teve o Benfica na última quarta-feira à noite. Os encarnados perderam em Londres por 1-2 frente ao Chelsea, depois de outra derrota na Luz por 0-1. O Benfica até não jogou mal, e pode-se queixar da arbitragem, que não se inibiu de distribuir cartões amarelos pela equipa portuguesa durante a primeira parte. Lampard marcou de penalty, e Maxi Pereira foi expulso ainda antes do intervalo, mas o Benfica não baixou os braços e ainda conseguiu empatar a quatro minutos do fim por Javi Garcia. Já ao cair do pano o português Raúl Meireles deu a vitória aos ingleses, com uma "bomba" à entrada da área, e que deixa o Benfica fora de uma meia-final que já não atinge há 22 anos. (Peço desculpa pelo link em russo; deve ser influência do Abramovich).

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Empresário cai no conto da vigária


Um empresário de Singapura perdeu toda a sua fortuna e ainda ficou em dívida depois de ter sido ludibriado por uma empregada de mesa chinesa, uma das famosas "beer ladies", na Malásia. O sr. Ang, de 50 anos, proprietário de dois restaurantes em Johor Bahru, conheceu a mulher de 39 anos, natural de Heilongjiang, divorciada e com dois filhos, numa coffeeshop o ano passado. A mulher era "muito dócil" e também deu ao sr. Ang um tratamento de luxo na cama, o que deixou o empresário "hipnotizado". Tanto assim que gastou todas as suas economias na mulher e na família desta, ao ponto de ter vendido os seus dois restaurantes. Depois de assinarem os papéis de casamento, a atitude da mulher mudou, começando a exigir cada vez mais dinheiro ao sr. Ang, que contraíu dívidas até um milhão de patacas para satisfazer a mulher dos seus sonhos.

Mas o conto de fodas (não, não é engano, é "fodas" e não "fadas") acabou, pois a mulher não só se recusava a fazer amor com o sr. Ang, como ainda o enganava. Certo dia voltava o sr. Ang a casa, quando a encontrou na cama com outro homem. A mulher reagiu respondendo: "O que foi? Agora não posso ter namorados?". Esta foi a última vez que o sr. Ang viu a "beer lady". O empresário, que ainda deve estar para perceber o que lhe aconteceu, deu uma entrevista a um jornal em língua chinesa de Singapura advertindo outros homens a "não se envolverem com mulheres da China continental". Ó meu amigo, não vamos julgar a floresta só por causa de uma das árvores. Além de corno, é queixinhas...

Viva o gordo


João Gobern, aquele comentador obeso que costuma falar das primeiras páginas dos jornais, foi dispensado pela direcção da RTP, alegadamente porque festejou o segundo golo do Benfica contra o Braga no programa "Zona Mista" do último sábado - é aquele momento em que o senhore stica o braço, parecendo até que está (finalmente) a ter uma trombose. Ora, isto são bocas maldosas. A principal razão porque Gobern foi dispensado prende-se com o facto de já não não existir mais mobília na RTP capaz de acomodar a sua volumosa figura, a juntar ao facto de que o comentador esvaziava o frigorífico cada vez que lá ia. A senhora da limpeza também se queixou das nódoas de leitão à Bairrada que Gobern deixava nos estofos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A "Tuxa" separou-se


Manuel Correia, conhecido por "Tuxa", um "drag-queen" imitador da cantora Ágata e "cara" da publicidade da Cerveja Tagus, e Fernando Fonseca deram o nó em Dezembro de 2010, depois da aprovação da lei que permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. Passados menos de dois anos, "Tuxa" vai-se divorciar, pois o Fernando "mudou", e agora "bate-lhe". Aparentemente este "homem dos seus sonhos" enconntrou uma mulher verdadeira e já não gosta mais dele, chama-lhe "vaca", "paneleira" e diz que ele "não sabe foder". Isto tudo parece assim muito surrealista e até pouco interessante, mas é facilmente verificável nesta reportagem do Correio da Manhã, e só vem provar o que já tinha dito aqui antes: aprovar o casamento gay foi um disparate. Só espero que agora não cometam a loucura de aprovar a adopção, as inseminações artificiais e tudo mais, caso contrário vamos ter crianças inocentes a assistir aos Fernandos desta vida a "dar com as texanas na cara" das Tuxas que por aí andam.

25 anos em 60 segundos


A actriz Lindsay Lohan, que se celebrizou com a comédia "Freaky Friday" (2003), tem apenas 25 anos - completa 26 em Julho. A jovem nunna se deu muito bem com a vida de celebridade, e tem-se visto envolvida nos últimos anos em escândalos sexuais e de consumo de drogas. É triste ver como uma jovem tão bonita se transformou num monstro, personalizando os excessos desse mundo tão especial que é Hollywood. Resta saber se esta também passa dos 27.

domingo, 1 de abril de 2012

1 de Abril ao Domingo...ora bolas


Hoje é Domingo, dia 1 de Abril. Que sacanice. Cair o 1º de Abril ao Domingo é como cair o Natal ao Domingo. Não se faz. O tradicional Dia das Mentiras, reservado para que possa dizer umas petas sem que se seja chamado de "mentiroso" perde toda a piada. Nada acontece ao Domingo. O p'róprio Telejornal da TDM lá arranjou uma reportagem sobre a desistência do Sporting de Macau do campeonato da 3ª divisão. É isto o melhor que conseguem? Se calhar só a (simpática) malta do Sporting local esteve com disposição para brincar às mentiras num Domingo - e mesmo a reportagem e a entrevista com o treinador Agostinho Caetano é gravada, nem foi hoje propriamente dito. Ao Domingo a imaginação funciona a meio gás.

Há alguns dias pensei em fabricar uma peta que nos vinha mesmo a calhar: o Executivo tinha mudado de ideias e resolvido dar os retroactivos aos funcionários públicos. Mas ao Domingo? Vasculhei as edições electrónicas dos jornais em Portugal, e nada parece ser mentira. "Incêndio está a devastar Parque Natural da Galiza"? "Vitamina D aumenta a esperança de vida"? "Salários penhorados a 50 mil funcionários públicos"? Não me parece que seja mentira. Ou pelo menos não tem piada. Já na blogosfera mais próxima, não faltou imaginação. João Severino, no Pau Para Toda a Obra, noticia que o secretário-geral do PS, António José Seguro, se tinha demitido, regressando o famigerado José Sócrates. O FireHead, jovem macaense radicado em Portugal, anunciou o encerramento do blogue (essa não é muito original...). Seja como for, é triste que nos tenha caído o 1 de Abril ao Domingo. Melhor sorte para o ano.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sobre uns certos retroactivos


Discutiram-se ontem na AL os aumentos na função pública, e tal como se esperava, o debate(?) ficou marcado pela questão da retroactividade ao mês de Janeiro. Pela primeira vez na história da RAEM os aumentos na FP não gozam de retroactividade, e as explicações ficaram guardadas para ontem. "Explicações" é como quem diz, porque o Governo funciona um bocado na base do "posso, quero e mamdo", e basicamente bastava-lhes dizer que não há retroactivos "porque não". Porque não lhes apetece. Em vez disso foi usado o argumento do mou chin. Era preciso um reforço suplementar de 200 milhões de patacas no orçamento, e como se sabe este Governo é um tesinho. Não há dinheiro. Pois, pois.

O deputado José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM, voltou a bater-se pelos funcionários, e contou com oposição feroz de alguns deputados. Destaque para algumas declarações alucinantes dos suspeitos do costume. Chan Chak Mo, que não está na AL a fazer absolutamente nada a não ser defender os seus próprios interesses de empresário, acusou Coutinho de "populismo", e de querer "angariar votos" com a peleja dos retroactivos. Tendo em conta que apenas 1 em cada 13 habitantes da RAEM trabalha pra o Governo, fico sem perceber quem está a ser populista. Além disso Coutinho, que ao contrário de Chan Chak Mo é eleito pela via directa e não precisou de comprar o seu assento na AL, está a fazer o trabalho para o qual foi eleito. Os votos já lá estão, agora Coutinho faz o que lhe compete.

O deputado Tsui Wai Kwan, outro que representa os interesses comerciais, foi mais longe, usando o sarcasmo, dizendo que "pelo que o sr. deputado diz, os funcionários públicos são muito ambiciosos". Não são tão ambiciosos como certos deputados que têm negociatas e apenas visam o lucro, e que para tal até só têm um curso secundário e estão na AL por favor, mas são pessoas que trabalham, têm contas para pagar e também sofrem com o aumento do custo de vida. Se os retroactivos são praxe? Se por praxe nós entendemos uma prática reiterada e um hábito, então sim, são. Esta vez é que foi uma excepção que não se percebe bem. Mas gastar latim com este senhor é uma perda de tempo.

Coutinho pediu ainda que proposta do aumento - sem retroactivos, portanto - fosse votada com carácter de urgência. Pois mais uma vez os deputados estão nem aí, que isso deve ser tratado como outro assunto qualquer. O deputado Leonel Alves, sempre na linha da frente no branqueamento de toda e qualquer decisão da AL, boa ou má, certa ou errada, veio dizer que "não havia qualquer indicação dos aumentos da FP nas LAG". Portanto não há urgência. Tem tudo a ver, claro. Mais me parece que com esta verdadeira saga dos aumentos na FP, perfeitamente justificados atendendo à diminuição do poder de compra dos trabalhadores da administração, andou no ar um certo mal-estar. Talvez qualquer coisa relacionada com a questão das sepulturas, que o deputado JPC fez cavalo de batalha durante o último ano. Mas isto sou eu a divagar. Certamente que não há gente assim tão vingativa quanto isso.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Unshit yourselves


1) Fui ontem comprar os bilhetes para o XXIII Festival de Artes de Macau (FAM), e já tenho todos para os espectáculos que interessam: 1 (um). Não vou ser tão diplomático quanto o painel do programa "Contraponto"; o que penso eu do programa do FAM? Um lixo. Devia mudar o nome para FOME. Não conheço a esmagadora maioria das atracções, não me dizem nada, e não vou perder o meu tempo a informar-me. O que me chamou a atenção foi o facto da versão impressa do programa ser bilingue...em chinês e em inglês, ignorando (mais uma vez?) por completo uma das línguas oficiais do território. É verdade que a versão portuguesa do programa e tudo isso está lá na página electrónica do ICM, mas e depois? Custava assim tanto incluir o português no livrinho que apresenta o festival? É assim mesmo; temos em chinês, que é o que interessa, e em inglês, para os "outros". For who it is codfish is enough, que é como quem diz, "Para quem é bacalhau basta". O programa começa com uma mensagem, aliás uma "message" do presidente do IC, Guilherme Ung Vai Meng, o tal que fala português, e com ele ia ser tudo diferente para melhor, lembram-se? Looks like you knocked at the wrong door. Parece que se enganaram no número da porta. Como não tive acessso à internet ontem durante a tarde toda, precisei de me informar do conteúdo do programa na língua de Shakespeare. Juro que algumas das traduções dão vontade de rir. Os locais dos espectáculos, por exemplo. Assim temos o Ox Warehouse (Armazém do Boi), Iao Hon Garden (Jardim Iao Hon) e depois Casa Garden (porque não "Garden House"?) ou Cinema Alegria (Joy Cinema anyone?). Muito giro. Depois o único espectáculo que me interessa: o patuá. A tradução do nome da peça em inglês ficou Spooky-Do, que parece assim um Scooby-Do, que é para a malta perceber que é uma comédia. Traduzir "Aqui tem diabo" para "The Devil is among us" seria aterrador. Mas pronto, o melhor é não me queixa muito, senão da próxima vez nem inglês temos, e depois quem não sabe chinês, que se unshit himself. Ou em bom português, que se desamerde.

2) Dois locutores da Rádio Macau pediram a demissão depois de terem visto o seu número de horas no ar reduzido. Iu Veng Ion e Cheang Kok Keong eram os moderadores do programa do canal chinês Ou Mun Keung Cheong, ou Fórum Macau. Um programa matinal onde a população dizia de sua justiça sobre a actualidade do território. A TDM justifica-se dizendo que "procura sangue novo", e que "quer diversificar os conteúdos". A conversa do costume. Conhecendo estas situações e tendo já uma experiência desagradável no sector privado, não tenho dúvidas que estes dois rapazinhos meteram o pé na poça, e isto de lhes reduzir o tempo de antena é apenas o início. Depois reduzem mais horas, alteram isto e aquilo, e sujeitam-nos a uma série de humilhações, em vez de discutir com eles abertamente o que está mal. Fizeram bem em bater com a porta e não se sujeitarem a este tipo de intrigas palacianas. Boa sorte para eles.

3) Um tribunal de Hong Kong revogou a decisão sobre um pedido de fixação de residência de uma empregada doméstica filipina, o que abriria a porta a quase 300 mil outras pessoas na mesma situação. O tribunal deliberou que "Compete à autoridade de Governo decidir se a extensão do estatuto de residente permanente deve ser concedida a estrangeiros”. O que é como quem diz, não vai ser. Claro que dar títulos de residência a todos os trabalhadores estrangeiros que aparecessem em Hong Kong abriria uma autêntica caixa de Pandora - metade da população das Filipinas e da Indonésia emigrava para a RAEHK. Mas perdeu-se uma boa oportunidade de recompensar quem realmente trabalha. Atente-se ao caso de Macau: quem trabalha honestamente anos a fio, contribuíndo para o território, continua trabalhador não-residente, mas a residência pode-se adquirir através do investimento ou do casamento. Ou seja, a pagar ou a abrir as pernas tudo bem. A trabalhar é que não.

A Miss era um Mister


Com madeixas loiras, pernas compridas e curvas de sonho, Jenna Talackova tinha tudo para ser uma forte candidata ao concurso de Miss Canadá, mas foi desqualificada, porque nasceu um homem. O modelo transsexual de 23 anos de Vancouver acusou o concurso de "discriminação", e mais de 28 mil cibernautas assinaram uma petição online exigindo o seu regresso. Os organizadores escreveram no website do concurso que Talackova foi desqualificada porque "não reunia as condições da candidatura", apesar de ter insistido "que é uma mulher".

A Organização Belezas do Canadá, que organiza o concurso, tem o direito exclusivo de mandar a representante canadiana ao concurso "Miss Universo", que se realizará em Dezembro. Talackova, que foi selecionada entre 65 finalistas, acredita que foi desqualificada por causa da sua operação: "Vou tentar tirar o melhor partido desta situação, para que outras pessoas não se sintam descriminadas no futuro", disse. A sua história correu os media britânicos e norte-americanos, e causou uma onda de indignação. Muitos dos signatários da petição no website change.org acham que Jenna "deve ser tratada como outra mulher qualquer", independente do facto de ter nascido...um homem. Apesar de ter nascido com genitália masculina, Talackova diz que "sempre se sentiu mulher", começou terapia hormonal aos 14 anos e foi operada aos 19.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Consultas precisam-se....à cabeça


O Governo de Macau tem levado a cabo uma série de consultas e debates públicos sobre a reforma do sistema político. Um tema antigo, que urge discutir, pois em causa está o futuro de Macau. Contudo é pena que a discussão caia tantos vezes em saco roto, e por vezes com opiniões de bradar aos céus, algumas delas que demonstram que a população ou está-se nas tintas, ou teme que se mexa no actual estado de coisas, para pior. Não é despicienda a ideia de que a população "não está preparada para a democracia". A julgar por algumas das vozes que se fazem agora ouvir, não está preparada mesmo. É como se alguém que passou a vida a cozinhar num fogão a lenha seja agora presenteado com um Ariston de último modelo. Mas já lá vamos.

Muito se tem falado do aumento do número de deputados, por exemplo. Propõe-se que sejam mais quatro: dois pela via directa, e dois pela via indirecta. Agora pergunto eu: para quê mais pela via indirecta? Concordo que os tais grupos de interesse, sejam eles os culturais, comerciais ou quaisquer outros relevantes estejam representados na AL, mas já existem representantes desses mesmos grupos eleitos pela via directa. O ideal seria que todos os candidatos da via directa fossem independentes, gente séria com vontade de fazer política a sério e abordar de frente os desafios, em vez de empresários, casineiros e afins que obrigam os seus assalariados a votar neles, desvirtuando por completo o propósito de uma eleição directa.

É salutar que finalmente, e depois de 12 anos dos mesmos a mamar na grande teta, e depois de barriga já bem cheia se abram as portas para a discussão de "como vai ser daqui para a frente". Agora fazem-se as consultas, nada pasa, daqui a uns anos novas consultas, e se a malta não se decide depressa em fazer qualquer coisa pelo futuro do filhos e dos netos, chegamos a 2049 e lá se vai o segundo sistema. Perde-se uma grande oportunidade. Em Macau são as mesmas caras desde sempre, dirigentes, secretários e directores profissionais, vão-se eternizando nas funções ou exercendo rotatividade entre os cargos mais apetecíveis. Lá vai aparecendo ocasionalmente uma ou outra cara nova, sempre de dentro do mesmo sistema. Assim cria-se uma oligarquia dinástica, sem ideias novas ou conceitos inovadores, e o que está mal "lá se vai aguentando". Enquanto noutros sistemas uma carreira política dura 10 ou 15 anos, no máximo, em Macau é "enquanto ainda há saúde".

Quem se atreve a falar de democracia, eleições directas e tudo isso ou é "maluquinho", como aquele rapaz do Activismo para a Democracia, ou "tem as costas largas", como os gajos do Novo Macau Democrático. As restantes cabecinhas pensadoras optam por não fazer muitas ondas, que assim sempre consegue um empregozito onde arranjam uns milhares de pataquinhas para comprar um carrito (uma casa torna-se mais complicado), e vão passear aí perto ou até à Europa nas férias (para desanuviar), e lá vão passando a vida. Com o dinheiro que vai chegando dos casinos, o que pode correr mal? Quando correr logo se vê, mas por enquanto não existe um plano B. É uma mentalidade mesquinha e egoísta, pois se hoje eu estou bem, tenho emprego, ganho um salário decente e a vida me corre bem, não sei que dificuldades os meus filhos vão encontrar no futuro. Pessoalmente custa-me muito dizer-lhes que se adaptem ao sistema, como o resto do rebanho, ou que "vão embora", procurar a sorte noutro sítio, como já fazem muitos que preferem pensar pela própria cabeça.

Quanto às tais consultas, oiço muitos dos nossos jovens, gente supostamente educada e inteligente a dizer as maiores alarvidades. Quando ouvem falar de "reforma política" ou "democracia" têm medo, como se fosse isto um grande desconhecido, o fundo do mar. Alguns chegam ao ponto de dizer, com laivos de sabedoria confuciana, que a democracia é "um estratagema" do Ocidente para destabilizar a China, repetindo a retórica dos mandarins. Fazem comparações ridículas e afirmações descabidas. Coisas como "o presidente dos Estados Unidos também não é eleito pela via directa", ou lembram a actual crise do Euro, que é "uma consequência" dessa malvada democracia que querem trazer para cá, os malandros. Tudo sempre pela mesma bitola do "a gente de Macau (e da China em geral) não está preparada para a democracia". E não me resta senão concordar. Estes pelo menos não estão. Nem para a democracia, nem para nada mais.

Kalou-se a Luz


Benfica 0-1 Chelsea 27-03-12 HIGHLIGHTS 720p... 发布人 sagolerbaccha
O Benfica comprometeu as suas aspirações na Liga dos Campeões ao perder no Estádio da Luz frente ao Chelsea por uma bola a zero, em jogo da primeira mão dos quartos-de-final da prova. O Benfica teve a iniciativa do jogo, criou várias oportunidades e pode-se ainda queixar de um penalty por assinalar a seu favor. Mas a frieza do Chelsea prevaleceu, e os ingleses marcaram a quinze minutos do fim por Solomon Kalou, que correspondeu a um cruzamento de Fernando Torres, que por sua vez aproveitou um erro do brasileiro Emerson, que mosrou não ter catgoria para jogar no Benfica. A teimosia de Jorge Jesus em apostar no lateral brasileiro só é comparável à teimosia do mesmo em apostar no guardião Roberto na época passada. Jesus diz que vai a Stamford Bridge para vencer, mas esse cenário afigura-se agora muito difícil.

terça-feira, 27 de março de 2012

A nossa Liga de Elite


Arrancou no último fim-de-semana a segunda volta do campeonato de futebol de Macau, conhecido por "Liga de Elite". O nome tem imensa graça, atendendo à forma como o desporto-rei é (mal) tratado em Macau, e onde o interesse é bastante relativo. Já tinha falado aqui várias vezes do futebol de Macau, infelizmente sempre pelos piores motivos, mas este ano muita coisa mudou. Para melhor? Não. Para diferente.

Falemos então da liga principal, a tal de "Elite". Muitos clubes reforçaram-se este ano, especialmente com jogadores estrangeiros. As principais estrelas macaenses jogam também nos clubes principais. É um bocado complicado perceber onde vão estes clubes buscar dinheiro para reforços, uma vez que não existem receitas televisivas, os patrocínios de empresas são praticamente inexistentes, e os (muito poucos) espectadores que vão ver os jogos não pagam ingresso. Muitos dos jogadores estrangeiros que pontificam n futebol macaense são originários de Portugal ou do Brasil, estes últimos em alguns dos casos formados em grandes clubes do país do futebol. O facto de terem vindo parar ao campeonato de Macau - e não desfazendo - é uma opção de carreira "suicida", na falta de uma palavra melhor.

É que não quero dizer com isto que os jogadores não têm qualidade; é o futebol de Macau propriamente dito que continua muitos furos abaixo dos restantes da Ásia. Se a ideia é usar o campeonato local para "dar o salto" para a China, não sei, mas a nossa "Liga de Elite" está para a Superliga chinesa como o campeonato do INATEL está para a Liga Sagres em Portugal. A população local ignora por completo o campeonato de futebol - talvez porque não dê para apostar nestes jogos, e como se sabe os chineses não vêem os jogos se não puderem apostar. Basta perguntar ao cidadão comum quais as equipas que disputam a Liga de Elite, e duvido que muitos saibam dizer pelo menos uma ou duas. De quem é a culpa? Não se sabe, mas isto do futebol "é uma brincadeira", e como se sabe em Macau não se brinca.

Falemos então da competição propriamente dita. A Liga de Elite é actualmente liderada pelo Windsor Arch Ka I, que será provavelmente a equipa mais endinheirada. Bi-campeões pela mão de Rui Cardoso, são actualmente treinados pelo brasileiro Josecler (não "José Cler" ou "Josicler" como já vi por aí escrito), radicado há vários anos no território. Um indivíduo com um porte atlético de fazer inveja aos próprios atletas. O Ka I, como é mais conhecido, conta com um contingente de jogadores brasileiros, especialmente do meio-campo para a frente, que fazem toda a diferença. Lideram a prova com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado, têm o melhor ataque e a melhor defesa, e pronto, está tudo dito. O campeão estará já encontrado.

A partir do 2º lugar o campeonato torna-se mais interessante. Lá encontramos o Monte Carlo, um dos gigantes o futebol macaense, já há vários anos propriedade do empresário (?) local Firmino Mendonça. O Monte Carlo é orientado por um português, um tal de Paulo Bento, homónimo do nosso selecionador nacional. A equipa conta com alguns internacionais macaenses (Geofredo Sousa, Domingos Chan) e vários jogadores de etnia chinesa, mas mais uma vez a frente de ataque está entregue a jogadores brasileiros, onde pontifica um tal Fabrício Lima, com sete golos apontados em 10 partidas.

Apenas dois pontos atrás do Monte Carlo está o Benfica de Macau, recém-promovido, e orientado pelo tal Rui Cardoso, uma espécie de "Mourinho de Macau". Passando o exagero, Rui Cardoso é (tem sido) uma das poucas pessoas que leva o futebol na região a sério. Esteve à frente da escolinha de futebol do Benfica, levou o FC Porto de Macau da terceira á primeira divisão, e foi bi-campeão pelo Ka I. É também um dos maiores críticos da política da FFM, e quero aceditar que fala verdade quando diz que quer que o futebol de Macau evolua. Apregoa no deserto, aparentemente. Voltando ao Benfica, estes reforçaram-se trazendo quatro jogadores que alinhavam em escalões secundários em Portugal, bem como alguns que já se encontravam no território e tiveram destaque noutros clubes. A época começou com uma grande dose de optimismo, mas a falta de experiência arredou os encarnados da luta pelo título. Nada mau, para primeira época na Liga de Elite.

Seguem-se na classificação os clubes "chineses", que é como quem diz, os que menos investem em portugueses e brasileiros. Assim o Kuan Tai, o Lam Pak e a Polícia lutam pelo quarto lugar. O Kuan Tai é a grande surpresa do campeonato: reforçou-se com vários jogadores da China continental, e vai batendo o pé aos grandes, quando deles se esperava que lutassem pela permanência. O Lam Pak é provavelmente o clube com maiores pergaminhos no futebol local. Campeões crónicos durante os anos 90, perderam muito do elan que tinham, mas continuam a ser uma referência. A equipa da Polícia é inteiramente constituída por agentes da PSP, o que não deixa de ser uma curiosidade engraçada. São outro "histórico", e juntamente com o Lam Pak o único clube que disputa a liga principal do território há pelo menos 20 anos consecutivos.

As "curiosidades" aumentam à medida que vamos descendo na tabela classificativa. Nos quatro últimos lugares estão o FC Porto, o Lam Ieng, os sub-23 e o Hong Ngai. Descem duas equipas, mas como os sub-23 não descem e o Hong Ngai soma derrotas em todos os jogos, a última vaga é disputada pelo Porto e pelo Lam Ieng. O FC Porto desinvestiu na equipa em relaçào a anos anteriores, e parece estar a ter dificuldades em sair dos últimos lugares. Perdeu vários jogadores importantes, e tem como principal estrela o cabo-verdiano Alison Brito, que é líder da lista dos melhores marcadores, com 13 golos em 10 jogos. O Lam Ieng é a equipa satélite do Lam Pak, pelo que em caso de necessitarem de uma "ajudinha" do clube-sede, jogam com eles na última jornada. Interessante, isto.

Quanto os sub-23, equipa patrocinada pela Associação de Futebol de Macau, serve para que os talentos formados no território tenham oportunidade de jogar, e com isso "aprender", e "ganhar competitividade". Não sei se esta política alguma vez dará frutos, mas a verdade é que a selecção de Macau continua a ser humilhada sem dó nem piedade em praticamente todas as competições internacionais em que participa. Talvez ganhem entrosamento algum dia. O que é inédito em qualquer liga dita de "elite" é que estes jovens não podem descer de divisão, por muito mal que fiquem classificados. Finalmente temos o Hong Ngai, um clube que raramente tem 11 jogadores disponíveis para alinhar nos jogos do campeonato. Estão em último só com derrotas, têm dois golos marcados e 55 sofridos. Pensava que fossem desistir no final da primeira volta, mas apresentaram-se com 11 jogadores no Domingo frente ao Lam Ieng, e "só" perderam por duas bolas a zero.

As queixas dos dirigentes e técnicos que levam isto mesmo a sério são sempre as mesmas: falta de campos para treinar, calendários mal organizados, enfim, muito amadorismo, pois no fundo é disso que se trata: de um cmpeonato amador. Quem se interessa pela Liga de Elite pode ver os resumos dos jogos no canal 1 da TDM no programa TDM Desporto, nas noites de segunda-feira, ou seguir a página do Facebook MACAU FOOTBALL NEWS GAZZETTE (ena!), da responsabilidade do jornalista Alfredo Vaz, que inclui entrevistas com os principais intervenientes do futebol do território.

Ó Granger, vai-te esconder


Um dos enlatados que nos chega através da RTPi é o "Elo Mais Fraco", um concurso que todos conhecemos, (do original "The Weakest Link"), e que em tempos foi apresentado pela competente Luísa Castelo-Branco. O apresentador é actualmente Pedro Granger, um jovem actor que está "muito na moda", se bem que me custa a perceber porquê.

É verdade que o apresentador do "EMF" precisa de ser um bocado FDP, é uma forma de tornar o jogo mais interessante, mas o Granger não tem jeitinho nenhum. Não intimida ninguém do alto do seu pouco mais de metro e meio e da sua pose de frangote arrogante. Se eu fosse concorrente e ele me disesse que eu "devia ter ficado em casa" ou precisava "de fazer uma revisão aos neurónios", arriscava-se a levar um safanão. Ou quando começa a rir feito parvo e a bater palminhas quando os concorrentes fazem 0 euros numa ronda.

Aliás se outros concorrentes não o fazem, é porque provavelmente não estão interessados em ser corridos do concurso (ou presos). Ou se calhar até acham graça, quando aquela amostra de gente se arma em "mauzão". Mas a parte que mais me irrita é quando o Granger dá sermões aos concorrentes, do tipo "Mas porquê manda embora o Daniel? Sabia que o Daniel foi o elo mais forte esta ronda???". Dá vontade de responder: "porque me apeteceu, ó c..., e apetece-me expulsar-te a ti também". Esse é um dos defeitos do concurso propriamente dito: o elo mais forte em cada ronda não devia ser expulso se qualquer jeito. Isto não premeia o mérito.

Era engraçado se qualquer dia aparecesse lá um concorrente do tipo Marco não-sei-das-quantas do Big Brother. Aquele gajo que foi expulso d'"O último a sair" por chegar ao focinho do Bruno Nogueira. Aí é que iamos ver quão valente era o Granger.

domingo, 25 de março de 2012

Óculos vermelhos




O argentino Pablo Aimar foi expulso no jogo da última sexta=feira que opôs o Benfica ao Olhanense, no Algarve. O jogador encarnado disputa uma bola com Rui Duarte, e depois deixa o pé e agride o jogador da Olhanense de forma maldosa (repare-se na cara de sádico deste Chuck Norris das Pampas), sendo bem expulso pelo árbitro. Jorge Jesus diz "não encontrar motivos" para a expulsão, alegando que "tinham que fazer algo para prejudicar o Benfica". Vários comentadores online partilham da opinião do treinador encarnado, que é como quem diz, vêem o lance com "óculos vermelhos". Ficam aqui alguns da edição online do Jornal Record:

24-03-2012, às 19:57

Yoseph Rosário

Aimar nao fez qualquer falta vejam as imagens e tirem as proprias conclusoes o jogador em causa ate se queixa de uma zona diferente


filipe

(...)já que insiste em olhar para a imagem de cima como se de uma imagem a três dimensões se tratasse, não seria justo dizer que o jogador que lá está a trás já enfiou a cabeça dentro da cabeça do Aimar? na realidade a imagem que vemos é na altura em que o Aimar já está a encolher o pe de forma a não magoar o adversário. Isenção pede-se!


24-03-2012, às 20:43

catarina ribeiro

o aimar é bem expulso? entao num lance dividido em que há choque, é natural q o pé faça um movimento contrario, após o embate e dá pa ver claramente q ele tenta logo tirar o pé quando toca no gajo do olhanense. deixem de ser idiotas. pq nao falam quando o fernando alexandre pisa o nolito e nem amarelo apanha? é ´so um exemplo..ou do penalti

sábado, 24 de março de 2012

A imagem da semana


A imagem da Greve Geral da última quinta-feira em Portugal que está a correr mundo. Um agente da autoridade carrega sobre uma jornalista da France Press, Patrícia Melo. O momento captado pela câmara é demonstrativo da violência da agressão, com um bastão, sobre uma profissional da comunicação que estava apenas a fazer o seu trabalho. Há quem defenda a carga policial, alegando que os agentes da autoridade "agiram em conformidade" contra um grupo de manifestantes que atiravam pedras, chávenas e outros objectos junto do café "A Brasileira", em Lisboa, enquanto gritavam insultos e palavras de ordem. Pode ver aqui um vídeo que mostra o momento em que a polícia avança contra os manifestantes.

Os maridos das outras


Uma música que está a fazer um enorme sucesso em Portugal, "Os maridos das outras", de Miguel Araújo. Começou por ser uma brincadiera, mas já ocupa o 7º lugar no top de vendas nacional, "ameaçando" os primeiros lugares que são ocupados há várias semanas por Pedro Alboran, Michel Teló e Boss AC. Fica aqui a interpretação de Miguel Araújo ao vivo na Rádio Comercial.

Violência volta ao Egipto


Confrontos entre as autoridades e adeptos de futebol causaram um morto e 18 feridos ontem à noite no Egipto. Tudo aconteceu depois da Federação de Futebol egípcia ter decidido suspender o clube Al-Masry por dois anos, depois da maior tragédia de sempre do futebol daquele país, quando 74 pessoas morreram depois do jogo entre o Masry e o Al-Ahly, em Port Said, no mês passado. A tragédia levou à suspensão do campeonato eg'pcio desta época. Centenas de adeptos revoltaram-se depois de ouvirem a decisão da Federação, e a polícia precisou mesmo de disparar, tendo atingido mortalmente um dos manifestantes. O Al-Masry será suspenso durante as épocas 2011/2012 e 2012/2013, sendo admitido de novo na liga principal em 2013/2014.

A gata assanhada da Tiger Airways


Uma altercação entre uma mulher vietnamita e dois casais singaporeanos deu-se no último Sábado num vôo da Tiger Airways entre Ho Chi Minh e Singapura. A mulher vietnamita, não identificada, acusou o sr. Chua Teck Kuang e o sr. Yeo Chia Keat, que voltavam de férias com a família, de lhe ter dado pontapés no assento durante a viagem. A discussão passou à violência depois do avião aterrar, com a mulher a atacar o sr. Chua, causando-lhe uma ferida na testa. De nada valeu a intervenção de uma das hospedeiras, que quase levou com uma das malas da vietnamita enfurecida. Entre ameaças de resolver o assunto com as autoridades, a mulher vietnamita desapareceu de seguida. Suspeita-se que seja estudante de uma universidade privada da cidade-estado. O sr. Chua diz-se "frustrado" pela passividade dos agentes da Tiger Airways, que nada fizeram para deter a agressora. O homem de 37 anos recebeu assistência no hospital Khoo Teck Puat, onde gastou S$95 (cerca de 600 patacas), A mulher do sr. Yeo filmou parte do incidente no seu telemóvel, e pode ver aqui o vídeo.

Chico Anysio (1931-2012)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Decadente, coitada


Uma notícia comum ao Hoje Macau e ao JTM chamou-me a atenção. É sobre esta Tu Shiyou, uma mulher de 38 anos de Hubei que em Fevereiro último gastou 1000 yuan para criar um website onde ventila a sua frustração. Auto-demoninando-se "Deusa virgem", Tu, licenciada em jornalismo, nunca teve relações sexuais - e não é muito difícil perceber porquê - defende na sua página "as virtudes da castidade". Tu, que deu uma entrevista a um jornal de Cantão onde diz que "ambiciona casar", mas só pensa em ter relações sexuais com o seu eventual marido "três anos depois do casamento". A senhora exige ainda que o candidato tenha menos de 40 anos, seja também virgem, membro do PC chinês e com um curso universitário.

Isto parece uma anedota, mas aparentemente Tu parece estar mesmo a falar a sério. O mais curioso é que vários homens na China manifestaram interesse, o que torna o caso ainda mais preocupante. É grave que uma pessoa destas com um evidente problema de socialização ande por aí a debitar opiniões sobre "as virtudes da virgindade" e os "malefícios do sexo". O sexo não faz mal nenhum a ninguém, é saudável, toda a gente maior e vacinada está equipada para o efeito, habilitada a fazê-lo de sua livre e espontânea vontade, e ninguém tem nada a ver com isso.

Acho que isto da virgindade é uma coisa demasiado "overrated". Quando oiço falar em "virgens" vem-me à memória os meus saudosos tempo do liceu, quando comprava cassetes virgens para gravar os discos dos meus amigos. Não sei se esta "virgindade" que Tu tanto defende passa por manter o hímen intacto, ou se é algo de psicológico ou mesmo de místico, e sinceramente gostava de conhecê-la e fazer-lhe algumas perguntas para saciar a minha curiosidade. Depois para saciar outras necessidades preferia encontrar alguém mais jeitoso, e já agora com mais experiência.

Não sei que tipo de homens dá tanta importância à virgindade, mas aparentemente muitos. Num inquérito realizado online entre 160 mil homens, 80% responderam que "gostariam de casar com uma virgem", enquanto 13% diz que isso "não tem importância" - valha-nos ainda existirem 13% de homens normais na China. Fossem perguntar aos tais 80% se também iriam eles virgens para o casamento, e duvido que muitos respondessem que sim. No ano passado uma deputada da ANP destacou as vantagens do celibato, dizendo que "a virgindade é o dote mais precioso que uma mulher pode dar à família do seu marido". À família??? Mas afinal isto são chineses ou ciganos?

Quem gosta de festa rija na cama ou de uma boa reboladela no palheiro, uma mulher com alguma experiência, pelo menos, ou mesmo uma grande badalhoca, é muito melhor que uma virgem. Quem prefere uma virgem aos gritos e a sangrar só pode ser um adolescente, um sádico ou um pedófilo. Sinceramente falta-me tempo e paciência para ter que ensinar tudo à menina. Também não sou apologista do sexo apenas depois do casamento. E como se sabe se as pessoas são compatíveis? Ou se gostam de ter relações uma com a outra, pois afinal é o que vão fazer para o resto das suas vidas? Se isso "não tem importância" então não casem; façam um voto de castidade, entrem num convento, afastem-se do sexo o mais possível.

O ónus da virgindade e da pureza parece recair apenas nas mulheres. Uma mulher que chegue aos 20 anos virgem merece palmas, um homem que chegue aos 20 anos virgem "é parvo". Nas sociedades mais conservadoras (e infelizmente Macau não é excepção) o sexo é "procurado pelos homens", e as mulheres são "vítimas". Não sei se passa pelas cabecinhas desta gente que as mulheres também têm prazer sexual, também precisam de sexo, e não têm erecções (não têm nada para erguer...) mas têm a sua resposta muito própria ao desejo e à excitação sexual. No fundo educação é o que esta gente precisa, e urgente.

Sou a favor da fidelidade conjugal e em geral sou contra a promiscuidade, mas cada um deve fazer o que quiser desde que não obrigue ninguém contra a sua livre vontade. O casamento no fundo é o contrato social que fazemos que nos priva de certas liberdades inatas. Era a anarquia total se andassemos todos por aí todos por cima uns dos outros. Quem não quer dar satisfações a ninguém e dormir com quem muito bem lhe apetece, simplesmente não casa, e fica resolvido. Isto tanto serve para homens como para mulheres. Uns não são melhores que os outros, e todos têm os mesmos direitos.

É curioso que Tu diga que "a obessão pelo sexo leva os países à decadência". Curiosamente não vejo países como a Suécia, os Estados Unidos ou o Japão, onde o sexo é uma coisa considerada "normal" e praticada sem constrangimentos parvos, e a virgindade um conceito ultrapassado, como "decadentes". Decadentes são os países onde isso da castidade e da virgindade tem importância. Assim de repente lembro-me dos países islâmicos, onde estes conceitos servem para oprimir as mulheres, castigá-las, torturá-las e até matá-las. E decadente será a senhora. Tu, que quase aos 40 anos não tem riqueza, sucesso ou beleza para mostrar. Apenas a sua virgindade. Veja lá se tira os morcegos da gruta e limpa as teias de aranha, rica.

Macau sexto na corrupção


Saíu o relatório da Political and Economic Risk Consultancy, Ltd (PERC), uma consultora sediada em Hong Kong, sobre os índices de percepção da corrupção em 16 países da região Ásia-Pacífico. Macau manteve o 6º lugar do ano passado, mas melhorou a pontuação, passando de 4,68 a 2,85. Uma melhoria significativa. A RAEM continua atrás de Singapura, Austrália, Japão, Estados Unidos e Hong Kong, tendo a RAEHK descido do 2º lugar em relação ao ano passado. Os últimos lugares da lista são ocupados pelos suspeitos do costume - Vietname, Indonésia, Índia e Filipinas - onde a corrupção continua a ser considerada endémica. A surpresa, a meu ver, é o facto da Coreia do Sul encontrar-se num modesto 11º lugar, atrás da Tailândia e do Cambodja. É difícil acreditar que a Coreia do Sul, a 15ª maior economia do mundo, seja mais corrupta que o Cambodja e a Tailândia, e até mesmo Macau. Mas estes índices valem o que valem, e são elaborados de acordo com critérios subjectivos.

AVB is sacked


André Villas-Boas já foi despedido do Chelsea no início do mês, mas apenas ontem tive conhecimento desta canção dedicada ao técnico português: "AVB is sacked", dos FitbaThatba. Um tema que fica logo no ouvido, curiosamente. Uma canção gira.

terça-feira, 20 de março de 2012

Vai haver sangue (verde)


A minha ausência prolongada da blogosfera quase coincidiu com o início das operações da companhia de autocarros francesa Reolian, que se tornou a partir de 1 de Agosto de 2011 a terceira concessionária de transportes públicos do território. Ao contrário da suas concorrentes mais experientes TCM e Transmac, a Reolian tem tido sérios problemas em se adaptar ao mercado, e têm-se sucedido vários acidentes, alguns deles inéditos no território, e que fazem mesmo temer pela segurança da população.

O mais grave deu-se no último dia 5 de Março, quando um motorista dos autocarros verdes arrancou antes que uma idosa pudesse descer do veículo, o que causou o atropelamento pelas rodas traseiras e lhe custou a amputação das duas pernas. Um caso de negligência criminosa, que custou ao tal motorista a suspensão. E agora pergunto eu: só suspensão? Fosse eu familiar da vítima e exigia a prisão deste criminoso.

A semana passada li na coluna de opinião daquele/a individuo/a que assina nas páginas do Hoje Macau pelo pseudónimo de Pu Yi (aparentemente o gato da redacção do jornal) qualquer coisa sobre "os sentimentos do motorista". No dia seguinte ao acidente, a nora da vítima ligou ao programa "Ou Mun Kwong Cheong" (Praça de Macau) do canal chinês da Rádio Macau, dizendo que o motorista esteve no hospital, e depois de saber que a idosa "não morreu" virou as costas, mesmo sem pedir desculpa! Quais sentimentos?

A Reolian, essa, desculpou-se, prometeu que não voltava a acontecer, que iam reforçar a segurança e trinta por uma linha. O Governo, demasiado passivo, repreendeu a companhia, sem que no entanto tivesse tomado medidas sérias, como a suspensão do serviço, mesmo que fosse apenas durante o período de averiguação das causas do infeliz acidente. Nem que fosse para garantir a segurança dos passageiros. Sabe-se lá se esta é afinal uma prática comum?

Hoje leio nas páginas de outro diário que a Reolian adoptou "novas medidas de segurança" a título experimental, que passam por fiscalizar a tomada e chegada de passageiros, e a instalação de epuipamentos nos autocarros, tais como um mecanismo que impede que o veículo arranque com as portas abertas. Sim senhor, isto é que é tecnologia. E já agora que tal uma escolta policial? Com duas motas à frente e duas atrás? Penso que a primeira medida passaria por reeducar estes tansos dos motoristas dos autocarros - e refiro-me a todos, não apenas os da Reolian. Ensinar-lhes o mínimo de civismo, pelo menos. Assim:

1) Respeitar as paragens dos autocarros; não é toda a gente que vai "buscar" o autocarro atrás de outros dois ou três que se acumulam nas paragens, e que depois não param na paragem propriamente dita.

2) O autocarro não é um carrossel nem um brinquedo; alguns autocarros são autênticas batedeiras eléctricas, com um tal de trava e arranca que dá a volta ao estômago e permite que se pratique uma nova modalidade: surf de autocarro, com guinadas para a frente e para trás, e não há corrimão que resista.

3) Responder às perguntas dos passageiros com cortesia e clareza, em vez de fazer cara de anormal e ficar calado quando alguém pergunta se tal autocarro passa por tal sítio.

4) Respeitar o limite de passageiros no autocarro, e não permitir que que os passageiros se "enfiem" dentro do veículo sem rei nem roque, mesmo quando alguns já têm a cara esborrachada contra o vidro da porta traseira.

5) E last but not least: APRENDAM A CONDUZIR, C...! São pessoas que vão ali dentro, não gado.

E assim pode ser que tenhamos o serviço de transportes públcos que Macau merece, em vez de andarmos aí a brincar aos autocarros.